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SUCESSÃO DE BENS DIGITAIS: RELAÇÃO JURÍDICA NO MUNDO DIGITAL DO DE CUJUS SUCESSÃO Sucessão, nada mais é do que a transferência dos bens de uma pessoa para outra em razão da morte ou por vontade das partes e na concepção jurídica da palavra pela visão doutrinária é analisada tanto no sentido amplo, quanto no sentido estrito. No sentido amplo, a transmissão ocorre tanto por vida quanto por morte. No sentido estrito, designa-se a transmissão em decorrência de morte de uma das partes da relação jurídica, sendo este o sentido ao direito sucessório. Dessa forma o direito sucessório está exclusivamente relacionado a causa mortis, não se confundindo com Direitos Inter Vivos, como previsto no Código Civil, artigo 6º em que com a morte cessam para a pessoa seus direitos e deveres, extinguindo-se sua personalidade jurídica, subsistindo para o morto os direitos de personalidade, cuja tutela pode ser requerida pelo cônjuge sobrevivente ou qualquer parente em linha reta ou colateral até o quarto grau, conforme artigo 12, parágrafo único, do Código Civil. Em razão dessa complexidade que rege o destino patrimonial tudo está relacionado ao sujeito ativo e passivo, em que todo sujeito é titular, sendo as modalidades de sucessão que por disposição de última vontade pode ser testamentária ou legítima. A legítima, sucede da lei que indica os sucessores do autor da herança. De outro, a testamentária feita em vida, sendo ato de última vontade do de cujus. HERANÇA DIGITAL NO BRASIL E NO MUNDO Uma vez iniciada a sucessão, temos a herança que é o ativo patrimonial deixado pelo de cujus, conhecido como espólio que por sua vez traduz a universalidade de coisas até a sua individualização pela partilha que determinará os quinhões ou pagamento dos herdeiros. Feita as considerações iniciais acerca da sucessão, a única certeza é que um dia vamos morrer e por conseguinte os nossos bens ficarão ordinariamente para os herdeiros, por testamento, e/ou sucessão legítima, portanto o tema assiste adentrarmos acerca do tema herança digital, tendo em vista o avanço da tecnologia que atualmente faz parte do nosso cotidiano profissional e pessoal,e por conseguinte são acervos considerados bens digitais. Diante dessa complexidade sobre o assunto, pouco se manifesta para conceituar Herança Digital dado que pela legislação é restrita, ante a ausência de regulamentação específica. A incessante busca de informações para uma melhor compreensão sobre o tema nos leva a refletir que ao adquirir um bem imóvel, este bem tem seu destino, de igual modo a aquisição digital também tem uma finalidade, pelas razões de que o acervo digital se divide em três grupos: redes sociais, serviços de e-mail e armazenamento em nuvem, atribuído pela natureza do assunto como bens digitais e consequentemente sua relação nos aspectos patrimoniais ou existenciais, sendo a tutela jurídica dada a estes bens após o falecimento do seu titular merecendo para tanto uma regulamentação jurídica alinhada às suas peculiaridades, pelos argumentos que seguem: Os bens digitais são acervos sensíveis dos quais citam-se o Facebook, Instagram, e quando os usuários morrem, suas contas se transformam em memórias, algumas continuam populares e até lucrativas, cenário que levanta questões éticas e legais sobre lidar com essas contas, bem como os e-mails e arquivos armazenados na nuvem considerados importantes, dos quais após a morte são compreendidos como bens digitais classificados como patrimoniais e existenciais. Além disso, os bens digitais existenciais são capazes de gerar repercussões extrapatrimoniais, tendo em vista repercutir na privacidade do indivíduo. Com base no Código Civil Brasileiro (art. 1.791) a herança engloba não só patrimônio material do falecido como bens móveis e imóveis, mas também os bens imateriais como os direitos autorais, e desta feita abre-se uma lacuna para que os bens digitais possam ser considerados um patrimônio do falecido, por caracterizar-se como um bem intangível mas de grande valoração no meio social de um indivíduo. No interior de um acervo digital de uma pessoa, têm-se contas em redes sociais, fotos, vídeos, áudios, músicas, filmes, games, mensagens privadas, senhas, e-mails, moedas virtuais, negócios digitais etc., todo esse acervo poderia ser a herança digital podendo ser dividido com valor econômico e valor sentimental. O primeiro, valor econômico seriam os materiais digitais produzidos pelo de cujus, como música, poemas, textos, fotos que tenham valor patrimonial, além das moedas digitais como as criptomoedas ou Bitcoin, e os negócios digitais, tais como sites, blocos, e-comenrce digitais. O segundo, com valor sentimental seriam as mensagens e conversas feitas online, as contas das redes sociais, e-mails e aplicativos, que estão ligados diretamente ao direito e privacidade e memória. Nesse cenário de grande complexidade acerca da herança digital cinge a controvérsia quanto a legalidade ou mesmo a possibilidade de realizar a partilha, uma vez que neste contexto repleto de mudanças e alterações discute-se as nuances duvidosas como a limitação de acervo digital e a morosidade em solucionar os problemas abordados pelo legislativo. Como medida para amenizar a controvérsia do tema na 9ª Jornada de Direito Civil (2022), o CNJ aprovou o Enunciado 687, afirmando que o patrimônio digital pode ser considerado parte do espólio do falecido, podendo ser incluído na sucessão legítima ou testamentária, sob a justificativa de que a Constituição Federal garante o direito de herança como fundamental do cidadão brasileiros ( art. 5º, XXX). Reforça ainda que a revolução tecnológica trouxe atribuições de valores econômicos dos quais revelam a nova espécie de patrimônio, denominado digital. Embora não possua força de lei, o enunciado funciona como uma luz na intensa escuridão jurídica. Com intuito de atingir a melhor maneira específica aos direitos de herança digital, cabe os profissionais do direito se alinhar nas disciplinas presentes no texto normativo mais próximo do tema, quais sejam a Lei 12.965/2014 (MARCO CIVIL DE INTERNET) que prevê direitos e deveres para utilização da internet em nível nacional. Em linha semelhante a Lei 13.709/2018 ( LGPD) que dispõe em seu artigo 1º, sobre o tratamento de dados pessoais, abrangendo tanto indivíduos quanto entidades jurídicas de caráter público ou privado fundada nos direitos fundamentais à liberdade, privacidade e ao desenvolvimento autônomo da personalidade humana. Contudo, diante de todo arcabouço normativo voltado para a proteção e preservação desses pilares essenciais da condição humana, as leis em comento versam sobre as relações em ambientes virtuais onde se encontram sujeitos ainda em vida, conforme argumentos conclusivos sobre a Nota técnica nº 3/2023/CGF da ANPD, onde ressalva que a lei não versa sobre indivíduos já falecidos. Sobre a Nota técnica nº 3/2023/CGF da ANPD trata-se do Ofício enviado pelo Diretor Executivo da Polícia Rodoviária Federal para questionar sobre a possibilidade de criar Memorial no Portal Web da PRF para homenagear os servidores já falecidos em vista da incidência da Lei nº 13.709/2018 (LGPD). A análise concluiu que o tratamento dos dados em questão por envolver pessoas falecidas não caberia ser implantada pelos normativos da ANPD tendo em vista que a LGPD foi editada para regulamentar tratamento de dado pessoais de pessoas naturais vivas, considerando que o artigo 6º do Código Civil menciona que a existência da pessoa natural termina com a morte. Ademais, o art. 5º da LGPD, define o titular de dados pessoais como a pessoa natural a quem se referem os dados pessoais que são objeto de tratamento. Em vista disso, se faz necessário que os Estados membros regulem de que forma a proteção de dados de pessoas falecidas poderá ser aplicada. Infelizmente a incansável busca de legalizar os direitos digitais do de cujus, permeia em passos lentos, ainda que haja diversos projetos de leis até então apresentados ao Congresso Nacional com objetivo de sanar tais lacunas normativas, alguns já arquivados, não conseguem adequar quanto a transmissibilidade dos bens às suas peculiaridades, ou seja, são propostas simples se comparada com a complexidade dos acervos digitais e suas implicações para os direitos da personalidade dos usuários. Para tanto a controvérsia continua e surgem novas questões jurídicas, a inexistência da legislação brasileira em não possuir diretrizes claras sobre o assunto as correntes doutrinárias persistem na discussão para que o sujeito de direto possa judicializar no tocante a transmissibilidade desse acervo. Entrementes, busca-as atualizar o Código Civil com a proposta de regulamentar esse tema, estabelecendo o conceito digital e sua divisão em três categorias: 1- Essenciais e personalíssimas – dados de valor apenas pessoal, como mensagens privadas, que não são transmitidos automaticamente; 2- Patrimoniais – bens com valor econômico, como criptomoedas e contas monetizadas, que integram a herança; 3- Híbridas – ativos que possuem tanto valor pessoal quanto econômico, como perfis de redes sociais rentáveis. A proposta garante que o titular tenha o direito de decidir sobre a destinação de seus bens digitais, seja por testamento ou por configurações nas próprias plataformas. Na ausência de instruções, os herdeiros podem solicitar a exclusão ou manutenção da conta. Se não houver sucessores, contas públicas devem ser apagadas após 180 dias. Além disso, a regulamentação propõe que cláusulas contratuais que impeçam o usuário de dispor sobre seus dados sejam consideradas nulas. Dessa forma, assegura-se que plataformas digitais respeitem tanto a privacidade do falecido quanto os direitos de seus herdeiros. Desse modo para suprir essa lacuna legislativa existente não apenas no Brasil, mas, também, no exterior, as plataformas digitais têm inserido, em seus termos de uso, o caminho a ser trilhado na hipótese de falecimento de seus usuários, oferecendo a possibilidade de tais usuários, previamente, determinar o destino de sua conta em caso de morte Entretanto, tais regulamentos são passíveis de questionamento e têm alcance limitado. Como exemplo, o programa de milhas aéreas da Gol Linhas Aéreas e Smiles, veda, expressamente, em seu termo de uso, a sucessão por herança. Todavia, essa cláusula é incompatível com o CDC, por implicar a extinção de um ativo digital de caráter patrimonial, violando, portanto, o princípio da boa-fé objetiva. Sabe-se que em questão da herança digital a discussão não é exclusiva de um único país, mas sim um desafio global que requer abordagens legais abrangentes e adaptáveis. Em todo o mundo, legisladores e especialistas jurídicos estão buscando maneiras de lidar com a transferência de bens digitais após o falecimento do titular Em países como os Estados Unidos e alguns países europeus, como o Reino Unido e a França, foram propostas e, em alguns casos, implementadas legislações específicas para abordar a herança digital. Essas leis visam definir claramente os direitos dos herdeiros em relação aos bens digitais e estabelecer procedimentos para sua transferência e gestão adequada Por exemplo, nos Estados Unidos, alguns estados promulgaram leis que permitem que os usuários designem um “executor digital” em seus testamentos para lidar com suas contas online após a morte. Esses executores têm autoridade legal para acessar e gerenciar as contas digitais do falecido de acordo com suas instruções No entanto, apesar dos avanços em alguns países, ainda há uma falta de harmonização e consistência nas leis de herança digital em todo o mundo. Isso pode criar desafios para indivíduos e famílias com bens digitais em jurisdições diferentes. CONSIDERAÇÕES FINAIS Diante do exposto, conclui-se que o bem digital que tem caráter patrimonial deve ser transferido para os sucessores após a morte do titular, já no caso dos bens digitais não patrimoniais podem ser transferidos para os familiares no momento da morte, ou pela expressa manifestação do titular ainda em vida, mas deve ser avaliado pelo judiciário quando há interesses em jogo. Contudo, diante da divergências pela ausência de regulamentação é importante considerar os aspectos éticos e humanos relacionados aos bens digitais, aliás, os bens digitais estão intimamente ligados não apenas ao valor patrimonial , mas também memórias. Portanto é fundamental que os desejos do titular sejam respeitados, porém , devem ser avaliados em circunstâncias excepcionais dos quais estejam ligados aos bens digitais personalíssimos, onde deve ser respeitado a privacidade e dignidade do falecido. HERANÇA DIGITAL NO TESTAMENTO O artigo 1.786 do código Civil é claro em dizer que “ a sucessão dá-se por disposição de última vontade”, implica dizer que no último caso enquadra a possibilidade de sucessão por meio de testamento, ou seja, a sucessão testamentária é aquela que se dá em razão da expressa manifestação de última vontade, em testamento ou codicilo. O testamento digital é uma declaração de vontade realizada de forma eletrônica, onde uma pessoa expõe como quer distribuir seus bens após sua morte. Dessa forma, podem expressar seus desejos de herança de forma mais dinâmica e facilitada, tendo a mesma validade de um testamento tradicional. ( link: https://www.galvaoesilva.com/blog/direito-digital/testamento-digital/). Dessa forma, o testamento dentro da herança digital é o meio mais eficaz para suprir a necessidade social que a herança das redes sociais demanda, já que não fala apenas de um objeto passível de sucessão mas um conjunto de bens jurídicos atrelados a nome, imagem e a própria personalidade do de cujus A inclusão da herança digital no Código Civil reflete a necessidade de adaptação do direito às novas realidades tecnológicas, garantindo segurança jurídica e proteção ao patrimônio digital das futuras gerações. MODELO DE TESTAMENO DIGITAL O Código Civil descreve três formas ordinárias de testamento: o público, escrito por um tabelião ou substituto legal, e assinado por duas testemunhas; cerrado, escrito pelo testador, ou por outra pessoa e assinado pelo mesmo - deverá ser aprovado por um tabelião ou substituto legal, e deve preencher as formalidades da lei; e particular, que pode ser escrito manualmente ou digitado, sendo que o manual precisa da presença e assinatura de 3 testemunhas no ato de sua confecção, e o digitado, ou escrito mecanicamente, não pode conter rasuras e precisa ser lido na presença de três testemunhas que vão assinar o termo juntamente com o testador. A lei ainda traz formas especiais de testamento, que na prática não são muito utilizados, como: testamento marítimo, aeronáutico e militar. DO TESTAMENTO EM GERAL Art. 1.857. Toda pessoa capaz pode dispor, por testamento, da totalidade dos seus bens, ou de parte deles, para depois de sua morte. § 1o A legítima dos herdeiros necessários não poderá ser incluída no testamento. § 2o São válidas as disposições testamentárias de caráter não patrimonial, ainda que o testador somente a elas se tenha limitado. Art. 1.858. O testamento é ato personalíssimo, podendo ser mudado a qualquer tempo. Art. 1.859. Extingue-se em cinco anos o direito de impugnar a validade do testamento, contado o prazo da data do seu registro. Da Capacidade de Testar Art. 1.860. Além dos incapazes, não podem testar os que, no ato de fazê-lo, não tiverem pleno discernimento. Parágrafo único. Podem testar os maiores de dezesseis anos. Art. 1.861. A incapacidade superveniente do testador não invalida o testamento, nem o testamento do incapaz se valida com a superveniência da capacidade. Das formas ordinárias do testamento Disposições Gerais Art. 1.862. São testamentos ordinários: I - o público; II - o cerrado; III - o particular. Art. 1.863. É proibido o testamento conjuntivo, seja simultâneo, recíproco ou correspectivo. Do Testamento Público Art. 1.864. São requisitos essenciais do testamento público: I - ser escrito por tabelião ou por seu substituto legal em seu livro de notas, de acordo com as declarações do testador, podendo este servir-se de minuta, notas ou apontamentos; II - lavrado o instrumento, ser lido em voz alta pelo tabelião ao testador e a duas testemunhas, a um só tempo; ou pelo testador, se o quiser, na presença destas e do oficial; III - ser o instrumento, em seguida à leitura, assinado pelo testador, pelas testemunhas e pelo tabelião. Parágrafo único. O testamento público pode ser escrito manualmente ou mecanicamente, bem como ser feito pela inserção da declaração de vontade em partes impressas de livro de notas, desde que rubricadas todas as páginas pelo testador, se mais de uma. Art. 1.865. Se o testador não souber, ou não puder assinar, o tabelião ou seu substituto legal assim o declarará, assinando, neste caso, pelo testador, e, a seu rogo, uma das testemunhas instrumentárias. Art. 1.866. O indivíduo inteiramente surdo, sabendo ler, lerá o seu testamento, e, se não o souber, designará quem o leia em seu lugar, presentes as testemunhas. Art. 1.867. Ao cego só se permite o testamento público, que lhe será lido, em voz alta, duas vezes, uma pelo tabelião ou por seu substituto legal, e a outra por uma das testemunhas, designada pelo testador, fazendo-se de tudo circunstanciada menção no testamento. Do Testamento Cerrado Art. 1.868. O testamento escrito pelo testador, ou por outra pessoa, a seu rogo, e por aquele assinado, será válido se aprovado pelo tabelião ou seu substituto legal, observadas as seguintes formalidades: I - que o testador o entregue ao tabelião em presença de duas testemunhas; II - que o testador declare que aquele é o seu testamento e quer que seja aprovado; III - que o tabelião lavre, desde logo, o auto de aprovação, na presença de duas testemunhas, e o leia, em seguida, ao testador e testemunhas; IV - que o auto de aprovação seja assinado pelo tabelião, pelas testemunhas e pelo testador. Parágrafo único. O testamento cerrado pode ser escrito mecanicamente, desde que seu subscritor numere e autentique, com a sua assinatura, todas as paginas. Art. 1.869. O tabelião deve começar o auto de aprovação imediatamente depois da última palavra do testador, declarando, sob sua fé, que o testador lhe entregou para ser aprovado na presença das testemunhas; passando a cerrar e coser o instrumento aprovado. Parágrafo único. Se não houver espaço na última folha do testamento, para início da aprovação, o tabelião aporá nele o seu sinal público, mencionando a circunstância no auto. Art. 1.870. Se o tabelião tiver escrito o testamento a rogo do testador, poderá, não obstante, aprová-lo. Art. 1.871. O testamento pode ser escrito em língua nacional ou estrangeira, pelo próprio testador, ou por outrem, a seu rogo. Art. 1.872. Não pode dispor de seus bens em testamento cerrado quem não saiba ou não possa ler. Art. 1.873. Pode fazer testamento cerrado o surdo-mudo, contanto que o escreva todo, e o assine de sua mão, e que, ao entregá-lo ao oficial público, ante as duas testemunhas, escreva, na face externa do papel ou do envoltório, que aquele é o seu testamento, cuja aprovação lhe pede. Art. 1.874. Depois de aprovado e cerrado, será o testamento entregue ao testador, e o tabelião lançará, no seu livro, nota do lugar, dia, mês e ano em que o testamento foi aprovado e entregue. Vale ressaltar que o Enunciado 687 do CNJ infere a validade da sucessão dos bens digitais por testamento ou codicilo. Art. 1.875. Falecido o testador, o testamento será apresentado ao juiz, que o abrirá e o fará registrar, ordenando seja cumprido, se não achar vício externo que o torne eivado de nulidade ou suspeito de falsidade. Do Testamento Particular Art. 1.876. O testamento particular pode ser escrito de próprio punho ou mediante processo mecânico. § 1o Se escrito de próprio punho, são requisitos essenciais à sua validade seja lido e assinado por quem o escreveu, na presença de pelo menos três testemunhas, que o devem subscrever. § 2o Se elaborado por processo mecânico, não pode conter rasuras ou espaços em branco, devendo ser assinado pelo testador, depois de o ter lido na presença de pelo menos três testemunhas, que o subscreverão. Art. 1.877. Morto o testador, publicar-se-á em juízo o testamento, com citação dos herdeiros legítimos. Art. 1.878. Se as testemunhas forem contestes sobre o fato da disposição, ou, ao menos, sobre a sua leitura perante elas, e se reconhecerem as próprias assinaturas, assim como a do testador, o testamento será confirmado. Parágrafo único. Se faltarem testemunhas, por morte ou ausência, e se pelo menos uma delas o reconhecer, o testamento poderá ser confirmado, se, a critério do juiz, houver prova suficiente de sua veracidade. Art. 1.879. Em circunstâncias excepcionais declaradas na cédula, o testamento particular de próprio punho e assinado pelo testador, sem testemunhas, poderá ser confirmado, a critério do juiz. Art. 1.880. O testamento particular pode ser escrito em língua estrangeira, contanto que as testemunhas a compreendam. Vale ressaltar que o Enunciado 687 do CNJ infere a validade da sucessão dos bens digitais por testamento ou codicilo. O codicilo é um documento particular que permite a uma pessoa manifestar a sua última vontade, de forma escrita. Está previsto no Código Civil nos arts. 1.881 a 1.885. STJ Ao analisar o recurso especial da herdeira beneficiária do testamento, a ministra Nancy Andrighi comentou que o Poder Judiciário não deve se imiscuir nas disposições testamentárias - com exceção apenas daquilo que for estritamente necessário para confirmar que a disposição dos bens retratada no documento corresponde efetivamente ao desejo do testador. No caso em julgamento, a despeito da ausência de assinatura de próprio punho e de ter sido o testamento lavrado manualmente, apenas com a aposição da impressão digital, a relatora ressaltou que não há dúvida acerca da manifestação de última vontade da testadora, que, embora sofrendo com limitações físicas, não tinha nenhuma restrição cognitiva. "A fundamentação adotada pelo acórdão recorrido para não confirmar o testamento, a propósito, está assentada exclusivamente no referido vício formal. Não controvertem as partes, ademais, quanto ao fato de que a testadora, ao tempo da lavratura do testamento, que se deu dez meses antes de seu falecimento, possuía esclerose múltipla geradora de limitações físicas, sem prejuízo da sua capacidade cognitiva e de sua lucidez." Para Nancy Andrighi, uma interpretação histórico-evolutiva do conceito de assinatura mostra que a sociedade moderna tem se individualizado e se identificado de diferentes maneiras, muitas distintas da assinatura tradicional. Nesse novo cenário, em que a identificação pessoal tem sido realizada por tokens, logins, senhas e certificações digitais, além de sistemas de reconhecimento facial e ocular, e no qual se admite até a celebração de negócios complexos e vultosos por meios virtuais, a relatora enfatizou que "o papel e a caneta esferográfica perdem diariamente o seu valor", devendo a real manifestação de vontade ser examinada em conjunto com os elementos disponíveis. Processo: REsp 1.633.254 (https://www.migalhas.com.br/quentes/330774/stj-admite-impressao-digital-como-assinatura-valida-em-testamento-particular). “O testamento digital possui, sim, valor jurídico, desde que atenda aos requisitos legais de validade, que são os mesmos exigidos para um testamento particular tradicional em papel” MOELO DE TESTAMENTO DIGITAL TESTAMENTO DIGITAL Eu, [NOME COMPLETO], [NACIONALIDADE], [ESTADO CIVIL], [PROFISSÃO], portador do CPF nº [NÚMERO] e do RG nº [NÚMERO], residente e domiciliado à [ENDEREÇO COMPLETO], no pleno gozo de minhas faculdades mentais e em conformidade com a legislação vigente, disponho livremente sobre o meu patrimônio físico e digital, na forma abaixo estabelecida. 1. BENS FÍSICOS Declaro que meus bens físicos serão distribuídos conforme previsto na legislação aplicável e de acordo com as disposições específicas contidas neste testamento. 2. HERANÇA DIGITAL Considerando a crescente importância da vida digital, determino que meus bens e ativos digitais sejam tratados conforme disposto a seguir: 2.1 Contas em redes sociais e e-mails · Nomeio [NOME DO EXECUTOR] como responsável pela administração e encerramento, se necessário, de minhas contas digitais, incluindo, mas não se limitando a: [LISTAR PLATAFORMAS, EX.: FACEBOOK, INSTAGRAM, LINKEDIN, E-MAILS, ETC.]. · Autorizo [NOME DO EXECUTOR] a solicitar a exclusão, memorialização ou transferência de minhas contas conforme permitido pelas respectivas plataformas. 2.2 Ativos digitais e financeiros · Declaro que eventuais valores depositados em carteiras digitais, criptomoedas ou plataformas de investimento online deverão ser destinados a [NOME DO HERDEIRO OU BENEFICIÁRIO], que terá pleno direito de acesso e administração dos referidos ativos. · Informo que as credenciais de acesso estão devidamente registradas em local seguro, acessível ao executor testamentário mediante as devidas instruções. 2.3 Conteúdo armazenado em nuvem e dispositivos eletrônicos · Autorizo [NOME DO EXECUTOR] a acessar e administrar arquivos armazenados em plataformas de nuvem como Google Drive, iCloud, Dropbox, entre outras, destinando-os aos herdeiros ou providenciando sua exclusão. · Determino que os dispositivos eletrônicos de minha posse (computadores, celulares, tablets, etc.) sejam entregues a [NOME DO HERDEIRO OU BENEFICIÁRIO] para uso ou descarte conforme sua decisão. 3. DISPOSIÇÕES FINAIS · Este testamento digital deve ser interpretado em conformidade com as leis brasileiras. · Nomeio como meu testamenteiro [NOME COMPLETO DO TESTAMENTEIRO], que terá plenos poderes para cumprir e executar as disposições aqui contidas. · Declaro que este documento reflete fielmente minha vontade e desejo que seja integralmente respeitado após minha morte. Local e data: [CIDADE], [DATA] Assinatura: _______________________ [NOME COMPLETO] Testemunhas: 1. Nome: ______________________ CPF: ______________________ 2. Nome: ______________________ CPF: ______________________