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NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL
34
O direito à saúde encontra regulamentação no âmbito da se-
guridade social, que também abrange a previdência e a assistência 
social, sendo financiado com este orçamento, nos moldes do artigo 
198, §1º, CF. 
A questão orçamentária de incumbência mínima de cada um 
dos entes federados tem escopo nos §§ 2º e 3º do artigo 198, CF. 
Correlato à participação da comunidade no SUS, tem-se o arti-
go 198, §§ 4º, 5º e 6º, CF. 
Não há prejuízo à atuação da iniciativa privada no campo da 
assistência à saúde, questão regulamentada no artigo 199, CF. Do 
dispositivo depreende-se uma das questões mais polêmicas no âm-
bito do SUS, que é a complementaridade do sistema por parte de 
instituições privadas, mediante contrato ou convênio, desde que 
sem fins lucrativos por parte destas instituições. Em verdade, é mui-
to comum que hospitais de ensino de instituições particulares com 
cursos na área de biológicas busquem este convênio, encontrando 
frequentemente entraves que não possuem natureza jurídica, mas 
política.
Finalizando a disciplina do direito à saúde na Constituição, que 
vem a ser complementada no âmbito infraconstitucional pela Lei nº 
8.080 de 19 de setembro de 1990, prevê o artigo 200 as atribuições 
do SUS.
Seção III
DA PREVIDÊNCIA SOCIAL
Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma do 
Regime Geral de Previdência Social, de caráter contributivo e de fi-
liação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio 
financeiro e atuarial, e atenderá, na forma da lei, a:(Redação dada 
pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
I - cobertura dos eventos de doença, invalidez, morte e idade 
avançada; 
II - proteção à maternidade, especialmente à gestante; 
III - proteção ao trabalhador em situação de desemprego invo-
luntário; 
IV - salário-família e auxílio-reclusão para os dependentes dos 
segurados de baixa renda; 
V - pensão por morte do segurado, homem ou mulher, ao côn-
juge ou companheiro e dependentes, observado o disposto no § 2º. 
§ 1º É vedada a adoção de requisitos ou critérios diferenciados 
para concessão de benefícios, ressalvada, nos termos de lei com-
plementar, a possibilidade de previsão de idade e tempo de contri-
buição distintos da regra geral para concessão de aposentadoria ex-
clusivamente em favor dos segurados:(Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 103, de 2019)
I - com deficiência, previamente submetidos a avaliação biop-
sicossocial realizada por equipe multiprofissional e interdiscipli-
nar;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
II - cujas atividades sejam exercidas com efetiva exposição a 
agentes químicos, físicos e biológicos prejudiciais à saúde, ou asso-
ciação desses agentes, vedada a caracterização por categoria pro-
fissional ou ocupação.(Incluído pela Emenda Constitucional nº 103, 
de 2019)
§ 2º Nenhum benefício que substitua o salário de contribuição 
ou o rendimento do trabalho do segurado terá valor mensal inferior 
ao salário mínimo. 
§ 3º Todos os salários de contribuição considerados para o cál-
culo de benefício serão devidamente atualizados, na forma da lei. 
§ 4º É assegurado o reajustamento dos benefícios para preser-
var-lhes, em caráter permanente, o valor real, conforme critérios 
definidos em lei. 
§ 5º É vedada a filiação ao regime geral de previdência social, 
na qualidade de segurado facultativo, de pessoa participante de re-
gime próprio de previdência. 
§ 6º A gratificação natalina dos aposentados e pensionistas terá 
por base o valor dos proventos do mês de dezembro de cada ano. 
§ 7º É assegurada aposentadoria no regime geral de previdên-
cia social, nos termos da lei, obedecidas as seguintes condições: 
I - 65 (sessenta e cinco) anos de idade, se homem, e 62 (ses-
senta e dois) anos de idade, se mulher, observado tempo mínimo 
de contribuição;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, 
de 2019)
II - 60 (sessenta) anos de idade, se homem, e 55 (cinquenta e 
cinco) anos de idade, se mulher, para os trabalhadores rurais e para 
os que exerçam suas atividades em regime de economia familiar, 
nestes incluídos o produtor rural, o garimpeiro e o pescador arte-
sanal.(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§ 8º O requisito de idade a que se refere o inciso I do § 7º será 
reduzido em 5 (cinco) anos, para o professor que comprove tempo 
de efetivo exercício das funções de magistério na educação infantil e 
no ensino fundamental e médio fixado em lei complementar.(Reda-
ção dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§ 9º Para fins de aposentadoria, será assegurada a contagem 
recíproca do tempo de contribuição entre o Regime Geral de Previ-
dência Social e os regimes próprios de previdência social, e destes 
entre si, observada a compensação financeira, de acordo com os 
critérios estabelecidos em lei.(Redação dada pela Emenda Constitu-
cional nº 103, de 2019)
§ 9º-A. O tempo de serviço militar exercido nas atividades de 
que tratam os arts. 42, 142 e 143 e o tempo de contribuição ao Re-
gime Geral de Previdência Social ou a regime próprio de previdência 
social terão contagem recíproca para fins de inativação militar ou 
aposentadoria, e a compensação financeira será devida entre as re-
ceitas de contribuição referentes aos militares e as receitas de con-
tribuição aos demais regimes.(Incluído pela Emenda Constitucional 
nº 103, de 2019)
§ 10. Lei complementar poderá disciplinar a cobertura de be-
nefícios não programados, inclusive os decorrentes de acidente do 
trabalho, a ser atendida concorrentemente pelo Regime Geral de 
Previdência Social e pelo setor privado.(Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 103, de 2019)
§ 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, se-
rão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenci-
ária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma 
da lei.(Incluído dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)
§ 12. Lei instituirá sistema especial de inclusão previdenciária, 
com alíquotas diferenciadas, para atender aos trabalhadores de 
baixa renda, inclusive os que se encontram em situação de informa-
lidade, e àqueles sem renda própria que se dediquem exclusivamen-
te ao trabalho doméstico no âmbito de sua residência, desde que 
pertencentes a famílias de baixa renda.(Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 103, de 2019)
§ 13. A aposentadoria concedida ao segurado de que trata o § 
12 terá valor de 1 (um) salário-mínimo.(Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 103, de 2019)
§ 14. É vedada a contagem de tempo de contribuição fictício 
para efeito de concessão dos benefícios previdenciários e de con-
tagem recíproca.(Incluído pela Emenda Constitucional nº 103, de 
2019)
§ 15. Lei complementar estabelecerá vedações, regras e con-
dições para a acumulação de benefícios previdenciários. (Incluído 
pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL
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§ 16. Os empregados dos consórcios públicos, das empresas 
públicas, das sociedades de economia mista e das suas subsidiárias 
serão aposentados compulsoriamente, observado o cumprimento 
do tempo mínimo de contribuição, ao atingir a idade máxima de 
que trata o inciso II do § 1º do art. 40, na forma estabelecida em lei.
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
Art. 202. O regime de previdência privada, de caráter comple-
mentar e organizado de forma autônoma em relação ao regime ge-
ral de previdência social, será facultativo, baseado na constituição 
de reservas que garantam o benefício contratado, e regulado por lei 
complementar. 
§ 1° A lei complementar de que trata este artigo assegurará ao 
participante de planos de benefícios de entidades de previdência 
privada o pleno acesso às informações relativas à gestão de seus 
respectivos planos. 
§ 2° As contribuições do empregador, os benefícios e as con-
dições contratuais previstas nos estatutos, regulamentos e planos 
de benefícios das entidades de previdência privada não integram ocontrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos 
benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participan-
tes, nos termos da lei. 
§ 3º É vedado o aporte de recursos a entidade de previdên-
cia privada pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios, suas 
autarquias, fundações, empresas públicas, sociedades de economia 
mista e outras entidades públicas, salvo na qualidade de patrocina-
dor, situação na qual, em hipótese alguma, sua contribuição normal 
poderá exceder a do segurado. 
§ 4º Lei complementar disciplinará a relação entre a União, 
Estados, Distrito Federal ou Municípios, inclusive suas autarquias, 
fundações, sociedades de economia mista e empresas controladas 
direta ou indiretamente, enquanto patrocinadores de planos de be-
nefícios previdenciários, e as entidades de previdência complemen-
tar.(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§ 5º A lei complementar de que trata o § 4º aplicar-se-á, no 
que couber, às empresas privadas permissionárias ou concessioná-
rias de prestação de serviços públicos, quando patrocinadoras de 
planos de benefícios em entidades de previdência complementar.
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§ 6º Lei complementar estabelecerá os requisitos para a de-
signação dos membros das diretorias das entidades fechadas de 
previdência complementar instituídas pelos patrocinadores de que 
trata o § 4º e disciplinará a inserção dos participantes nos colegia-
dos e instâncias de decisão em que seus interesses sejam objeto de 
discussão e deliberação.(Redação dada pela Emenda Constitucional 
nº 103, de 2019)
A previdência social e a assistência social se diferenciam prin-
cipalmente porque a previdência social volta-se ao pagamento de 
aposentadoria e benefícios aos seus contribuintes, ao passo que a 
assistência social tem por foco a oferta de amparo mínimo aos que 
não contribuíram para a seguridade social.
O artigo 201, CF, trabalha com a organização da previdência 
social em regime geral, de caráter contributivo e filiação obriga-
tória, sendo que devem ser adotados critérios de preservação de 
equilíbrio financeiro e atuarial. Nota-se que todos os trabalhado-
res ficarão vinculados ao regime e prestarão contribuição a ele, 
não havendo a opção de dele se desvincular. No mais, são previstas 
como campos de atendimento pela previdência: “I - cobertura dos 
eventos de doença, invalidez, morte e idade avançada; II - proteção 
à maternidade, especialmente à gestante; III - proteção ao traba-
lhador em situação de desemprego involuntário; IV - salário-famí-
lia e auxílio-reclusão para os dependentes dos segurados de baixa 
renda; V - pensão por morte do segurado, homem ou mulher, ao 
cônjuge ou companheiro e dependentes, observado o disposto no 
§ 2º” (ou seja, não se aceitando valor inferior ao salário mínimo).
Os critérios para a concessão de aposentadoria são unitários, 
em regra, conforme o §1º do artigo 201, CF.
O valor mínimo de benefício com caráter substitutivo de salário 
de contribuição ou rendimento é de 1 salário mínimo (artigo 201, 
§2º, CF). 
Os salários de contribuição serão atualizados (artigo 201, §3º, 
CF) e os benefícios serão devidamente reajustados (artigo 201, §4º, 
CF), tudo com vistas à preservação do valor real da contribuição e 
do benefício.
Integrante de regime próprio de previdência não pode se vin-
cular como segurado facultativo, prestando contribuições autôno-
mas, ao regime geral (artigo 201, §5º, CF), o que geraria uma inde-
vida cumulação de benefícios.
Aposentados e pensionistas também fazem jus ao décimo ter-
ceiro salário, denominado gratificação natalina, a ser calculado com 
base no valor dos proventos do mês de dezembro de cada ano (ar-
tigo 201, §6º, CF). 
O §7º do artigo 201, CF fixa as condições para a aposentadoria 
pelo regime geral de previdência social. Professor de ensino infantil, 
fundamental e médio, que tenha exclusivamente desempenhado 
estas funções, tem o tempo de contribuição reduzido em 5 anos (30 
anos para homem e 25 anos para mulher).
Se uma pessoa contribuir a dois regimes diversos em períodos 
diferentes de sua vida contributiva, estes regimes se compensarão, 
ou seja, o tempo de um se acrescerá no outro (artigo 201, §9º, CF).
A questão de verba destinada à cobertura do risco de acidente 
de trabalho é disciplinada no §10 do artigo 201, CF. Atualmente, a 
Lei nº 6.367/1976 dispõe sobre o seguro de acidentes do trabalho a 
cargo do INPS e dá outras providências.
Quanto à incorporação de ganhos habituais ao salário, prevê o 
§11 do artigo 201, CF pela incorporação para efeito de contribuição 
previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos 
e na forma da lei.
Sobre o sistema especial de inclusão previdenciária, é a discipli-
na do artigo 201, §§ 12 e 13, CF.
Por seu turno, o artigo 202, CF volta-se ao regime de previdên-
cia privada, que pode se organizar de forma autônoma e possui ca-
ráter complementar e facultativo.
Com efeito, a Lei Complementar nº 109, de 29 de maio de 
2001, dispõe sobre o Regime de Previdência Complementar e dá 
outras providências.
Seção IV
DA ASSISTÊNCIA SOCIAL
Art. 203. A assistência social será prestada a quem dela ne-
cessitar, independentemente de contribuição à seguridade social, e 
tem por objetivos:
I - a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescên-
cia e à velhice;
II - o amparo às crianças e adolescentes carentes;
III - a promoção da integração ao mercado de trabalho;
IV - a habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de defi-
ciência e a promoção de sua integração à vida comunitária;
V - a garantia de um salário mínimo de benefício mensal à pes-
soa portadora de deficiência e ao idoso que comprovem não possuir 
meios de prover à própria manutenção ou de tê-la provida por sua 
família, conforme dispuser a lei.
Art. 204. As ações governamentais na área da assistência social 
serão realizadas com recursos do orçamento da seguridade social, 
previstos no art. 195, além de outras fontes, e organizadas com 
base nas seguintes diretrizes:
NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL
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I - descentralização político-administrativa, cabendo a coorde-
nação e as normas gerais à esfera federal e a coordenação e a exe-
cução dos respectivos programas às esferas estadual e municipal, 
bem como a entidades beneficentes e de assistência social;
II - participação da população, por meio de organizações repre-
sentativas, na formulação das políticas e no controle das ações em 
todos os níveis.
Parágrafo único. É facultado aos Estados e ao Distrito Federal 
vincular a programa de apoio à inclusão e promoção social até cinco 
décimos por cento de sua receita tributária líquida, vedada a aplica-
ção desses recursos no pagamento de: 
I - despesas com pessoal e encargos sociais; 
II - serviço da dívida; 
III - qualquer outra despesa corrente não vinculada diretamen-
te aos investimentos ou ações apoiados. 
A disciplina da assistência social se dá nos artigos 203 e 204 
da Constituição. Resta evidente o caráter não contributivo do sis-
tema, que se guia pelo princípio da fraternidade, fazendo com que 
os que possuem melhores condições de contribuir o façam e que 
os que não possuem recebam a partir da contribuição destes um 
tratamento digno mínimo de suas necessidades. 
Do disposto, destaque para o inciso IV do artigo 204, CF, que 
aborda o Benefício de Prestação Continuada – BPC, “instituído pela 
Constituição Federal de 1988 e regulamentado pela Lei Orgâni-
ca da Assistência Social – LOAS, Lei nº 8.742/1993; pelas Leis nº 
12.435/2011 e nº 12.470/2011, que alteram dispositivos da LOAS e 
pelos Decretos nº 6.214/2007 e nº 6.564/2008. 
O BPC é um benefício da Política de Assistência Social, que in-
tegra a Proteção Social Básica no âmbito do Sistema Único de Assis-
tência Social – SUAS e para acessá-lo não é necessário ter contribuí-
do com a Previdência Social. É um benefício individual, não vitalício 
e intransferível, que assegura a transferência mensal de 1 (um)sa-
lário mínimo ao idoso, com 65 (sessenta e cinco) anos ou mais, e 
à pessoa com deficiência, de qualquer idade, com impedimentos 
de longo prazo, de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, 
os quais, em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua 
participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condi-
ções com as demais pessoas. Em ambos os casos, devem comprovar 
não possuir meios de garantir o próprio sustento, nem tê-lo provido 
por sua família. A renda mensal familiar per capita deve ser inferior 
a 1/4 (um quarto) do salário mínimo vigente. 
A gestão do BPC é realizada pelo Ministério do Desenvolvimen-
to Social e Combate à Fome (MDS), por intermédio da Secretaria 
Nacional de Assistência Social (SNAS), que é responsável pela im-
plementação, coordenação, regulação, financiamento, monitora-
mento e avaliação do Benefício. A operacionalização é realizada 
pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). 
Os recursos para o custeio do BPC provêm da Seguridade So-
cial, sendo administrado pelo MDS e repassado ao INSS, por meio 
do Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS). Atualmente são 3,6 
milhões (dados de março de 2012) beneficiários do BPC em todo o 
Brasil, sendo 1,9 milhões pessoas com deficiência e 1,7 idosos”13.
13 http://www.mds.gov.br/assistenciasocial/beneficiosassis-
tenciais/bpc
CAPÍTULO III
DA EDUCAÇÃO, DA CULTURA E DO DESPORTO
Seção I
DA EDUCAÇÃO
Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da fa-
mília, será promovida e incentivada com a colaboração da socieda-
de, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para 
o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.
Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes prin-
cípios:
I - igualdade de condições para o acesso e permanência na es-
cola;
II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pen-
samento, a arte e o saber;
III - pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e coexis-
tência de instituições públicas e privadas de ensino;
IV - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;
V - valorização dos profissionais da educação escolar, garanti-
dos, na forma da lei, planos de carreira, com ingresso exclusivamen-
te por concurso público de provas e títulos, aos das redes públicas; 
VI - gestão democrática do ensino público, na forma da lei;
VII - garantia de padrão de qualidade.
VIII - piso salarial profissional nacional para os profissionais da 
educação escolar pública, nos termos de lei federal. 
IX - garantia do direito à educação e à aprendizagem ao longo 
da vida.(Incluído pela Emenda Constitucional nº 108, de 2020)
Parágrafo único. A lei disporá sobre as categorias de traba-
lhadores considerados profissionais da educação básica e sobre a 
fixação de prazo para a elaboração ou adequação de seus planos 
de carreira, no âmbito da União, dos Estados, do Distrito Federal e 
dos Municípios. 
Art. 207. As universidades gozam de autonomia didático-cien-
tífica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obe-
decerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e 
extensão.
§ 1º É facultado às universidades admitir professores, técnicos 
e cientistas estrangeiros, na forma da lei. 
§ 2º O disposto neste artigo aplica-se às instituições de pesqui-
sa científica e tecnológica. 
 Art. 208. O dever do Estado com a educação será efetivado 
mediante a garantia de:
I - educação básica obrigatória e gratuita dos 4 (quatro) aos 17 
(dezessete) anos de idade, assegurada inclusive sua oferta gratuita 
para todos os que a ela não tiveram acesso na idade própria; 
II - progressiva universalização do ensino médio gratuito; 
III - atendimento educacional especializado aos portadores de 
deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino;
IV - educação infantil, em creche e pré-escola, às crianças até 5 
(cinco) anos de idade; 
V - acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da 
criação artística, segundo a capacidade de cada um;
VI - oferta de ensino noturno regular, adequado às condições 
do educando;
VII - atendimento ao educando, em todas as etapas da edu-
cação básica, por meio de programas suplementares de material 
didático escolar, transporte, alimentação e assistência à saúde. 
§ 1º O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público 
subjetivo.
§ 2º O não-oferecimento do ensino obrigatório pelo Poder Pú-
blico, ou sua oferta irregular, importa responsabilidade da autorida-
de competente.
NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL
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§ 3º Compete ao Poder Público recensear os educandos no en-
sino fundamental, fazer-lhes a chamada e zelar, junto aos pais ou 
responsáveis, pela frequência à escola.
Art. 209. O ensino é livre à iniciativa privada, atendidas as se-
guintes condições:
I - cumprimento das normas gerais da educação nacional;
II - autorização e avaliação de qualidade pelo Poder Público.
Art. 210. Serão fixados conteúdos mínimos para o ensino fun-
damental, de maneira a assegurar formação básica comum e res-
peito aos valores culturais e artísticos, nacionais e regionais.
§ 1º O ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá dis-
ciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino funda-
mental.
§ 2º O ensino fundamental regular será ministrado em língua 
portuguesa, assegurada às comunidades indígenas também a uti-
lização de suas línguas maternas e processos próprios de aprendi-
zagem.
Art. 211. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios 
organizarão em regime de colaboração seus sistemas de ensino.
§ 1º A União organizará o sistema federal de ensino e o dos 
Territórios, financiará as instituições de ensino públicas federais e 
exercerá, em matéria educacional, função redistributiva e supletiva, 
de forma a garantir equalização de oportunidades educacionais e 
padrão mínimo de qualidade do ensino mediante assistência téc-
nica e financeira aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios; 
§ 2º Os Municípios atuarão prioritariamente no ensino funda-
mental e na educação infantil. 
§ 3º Os Estados e o Distrito Federal atuarão prioritariamente no 
ensino fundamental e médio. 
§ 4º Na organização de seus sistemas de ensino, a União, os 
Estados, o Distrito Federal e os Municípios definirão formas de co-
laboração, de forma a assegurar a universalização, a qualidade e a 
equidade do ensino obrigatório.(Redação dada pela Emenda Cons-
titucional nº 108, de 2020)
§ 5º A educação básica pública atenderá prioritariamente ao 
ensino regular. 
§ 6º A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios 
exercerão ação redistributiva em relação a suas escolas.(Incluído 
pela Emenda Constitucional nº 108, de 2020)
§ 7º O padrão mínimo de qualidade de que trata o § 1º deste 
artigo considerará as condições adequadas de oferta e terá como 
referência o Custo Aluno Qualidade (CAQ), pactuados em regime de 
colaboração na forma disposta em lei complementar, conforme o 
parágrafo único do art. 23 desta Constituição.(Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 108, de 2020)
Art. 212. A União aplicará, anualmente, nunca menos de dezoi-
to, e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios vinte e cinco por 
cento, no mínimo, da receita resultante de impostos, compreendida 
a proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento 
do ensino.
§ 1º A parcela da arrecadação de impostos transferida pela 
União aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, ou pelos 
Estados aos respectivos Municípios, não é considerada, para efeito 
do cálculo previsto neste artigo, receita do governo que a transferir.
§ 2º Para efeito do cumprimento do disposto no «caput» deste 
artigo, serão considerados os sistemas de ensino federal, estadual e 
municipal e os recursos aplicados na forma do art. 213.
§ 3º A distribuição dos recursos públicos assegurará prioridade 
ao atendimento das necessidades do ensino obrigatório, no que se 
refere a universalização, garantia de padrão de qualidade e equida-
de, nos termos do plano nacionalde educação. 
§ 4º Os programas suplementares de alimentação e assistência 
à saúde previstos no art. 208, VII, serão financiados com recursos 
provenientes de contribuições sociais e outros recursos orçamen-
tários.
§ 5º A educação básica pública terá como fonte adicional de 
financiamento a contribuição social do salário-educação, recolhida 
pelas empresas na forma da lei. 
§ 6º As cotas estaduais e municipais da arrecadação da contri-
buição social do salário-educação serão distribuídas proporcional-
mente ao número de alunos matriculados na educação básica nas 
respectivas redes públicas de ensino. 
 § 7º É vedado o uso dos recursos referidos no caput e nos §§ 5º 
e 6º deste artigo para pagamento de aposentadorias e de pensões.
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 108, de 2020)
§ 8º Na hipótese de extinção ou de substituição de impostos, 
serão redefinidos os percentuais referidos no caput deste artigo e 
no inciso II do caput do art. 212-A, de modo que resultem recur-
sos vinculados à manutenção e ao desenvolvimento do ensino, bem 
como os recursos subvinculados aos fundos de que trata o art. 212-
A desta Constituição, em aplicações equivalentes às anteriormente 
praticadas.(Incluído pela Emenda Constitucional nº 108, de 2020)
§ 9º A lei disporá sobre normas de fiscalização, de avaliação e 
de controle das despesas com educação nas esferas estadual, dis-
trital e municipal.(Incluído pela Emenda Constitucional nº 108, de 
2020)
Art. 212-A. Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios des-
tinarão parte dos recursos a que se refere o caput do art. 212 des-
ta Constituição à manutenção e ao desenvolvimento do ensino na 
educação básica e à remuneração condigna de seus profissionais, 
respeitadas as seguintes disposições:(Incluído pela Emenda Consti-
tucional nº 108, de 2020)
I - a distribuição dos recursos e de responsabilidades entre o 
Distrito Federal, os Estados e seus Municípios é assegurada median-
te a instituição, no âmbito de cada Estado e do Distrito Federal, de 
um Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e 
de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), de natureza 
contábil;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 108, de 2020)
II - os fundos referidos no inciso I do caput deste artigo serão 
constituídos por 20% (vinte por cento) dos recursos a que se referem 
os incisos I, II e III do caput do art. 155, o inciso II do caput do art. 
157, os incisos II, III e IV do caput do art. 158 e as alíneas “a” e “b” do 
inciso I e o inciso II do caput do art. 159 desta Constituição;(Incluído 
pela Emenda Constitucional nº 108, de 2020)
III - os recursos referidos no inciso II do caput deste artigo se-
rão distribuídos entre cada Estado e seus Municípios, proporcional-
mente ao número de alunos das diversas etapas e modalidades da 
educação básica presencial matriculados nas respectivas redes, nos 
âmbitos de atuação prioritária, conforme estabelecido nos §§ 2º e 
3º do art. 211 desta Constituição, observadas as ponderações refe-
ridas na alínea “a” do inciso X do caput e no § 2º deste artigo;(Inclu-
ído pela Emenda Constitucional nº 108, de 2020)
IV - a União complementará os recursos dos fundos a que se 
refere o inciso II do caput deste artigo;(Incluído pela Emenda Cons-
titucional nº 108, de 2020)
V - a complementação da União será equivalente a, no mínimo, 
23% (vinte e três por cento) do total de recursos a que se refere o in-
ciso II do caput deste artigo, distribuída da seguinte forma: (Incluído 
pela Emenda Constitucional nº 108, de 2020)
a) 10 (dez) pontos percentuais no âmbito de cada Estado e do 
Distrito Federal, sempre que o valor anual por aluno (VAAF), nos 
termos do inciso III do caput deste artigo, não alcançar o mínimo 
definido nacionalmente;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 
108, de 2020)
NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL
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b) no mínimo, 10,5 (dez inteiros e cinco décimos) pontos per-
centuais em cada rede pública de ensino municipal, estadual ou dis-
trital, sempre que o valor anual total por aluno (VAAT), referido no 
inciso VI do caput deste artigo, não alcançar o mínimo definido na-
cionalmente;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 108, de 2020)
c) 2,5 (dois inteiros e cinco décimos) pontos percentuais nas 
redes públicas que, cumpridas condicionalidades de melhoria de 
gestão previstas em lei, alcançarem evolução de indicadores a se-
rem definidos, de atendimento e melhoria da aprendizagem com 
redução das desigualdades, nos termos do sistema nacional de ava-
liação da educação básica;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 
108, de 2020)
VI - o VAAT será calculado, na forma da lei de que trata o inciso 
X do caput deste artigo, com base nos recursos a que se refere o 
inciso II do caput deste artigo, acrescidos de outras receitas e de 
transferências vinculadas à educação, observado o disposto no § 1º 
e consideradas as matrículas nos termos do inciso III do caput deste 
artigo;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 108, de 2020)
VII - os recursos de que tratam os incisos II e IV do caput deste 
artigo serão aplicados pelos Estados e pelos Municípios exclusiva-
mente nos respectivos âmbitos de atuação prioritária, conforme 
estabelecido nos §§ 2º e 3º do art. 211 desta Constituição;(Incluído 
pela Emenda Constitucional nº 108, de 2020)
VIII - a vinculação de recursos à manutenção e ao desenvol-
vimento do ensino estabelecida no art. 212 desta Constituição su-
portará, no máximo, 30% (trinta por cento) da complementação da 
União, considerados para os fins deste inciso os valores previstos no 
inciso V do caput deste artigo;(Incluído pela Emenda Constitucional 
nº 108, de 2020)
IX - o disposto no caput do art. 160 desta Constituição aplica-se 
aos recursos referidos nos incisos II e IV do caput deste artigo, e seu 
descumprimento pela autoridade competente importará em crime 
de responsabilidade;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 108, 
de 2020)
X - a lei disporá, observadas as garantias estabelecidas nos inci-
sos I, II, III e IV do caput e no § 1º do art. 208 e as metas pertinentes 
do plano nacional de educação, nos termos previstos no art. 214 
desta Constituição, sobre:(Incluído pela Emenda Constitucional nº 
108, de 2020)
a) a organização dos fundos referidos no inciso I do caput deste 
artigo e a distribuição proporcional de seus recursos, as diferenças 
e as ponderações quanto ao valor anual por aluno entre etapas, 
modalidades, duração da jornada e tipos de estabelecimento de 
ensino, observados as respectivas especificidades e os insumos ne-
cessários para a garantia de sua qualidade;(Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 108, de 2020)
b) a forma de cálculo do VAAF decorrente do inciso III do caput 
deste artigo e do VAAT referido no inciso VI do caput deste arti-
go;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 108, de 2020)
c) a forma de cálculo para distribuição prevista na alínea “c” do 
inciso V do caput deste artigo;(Incluído pela Emenda Constitucional 
nº 108, de 2020)
d) a transparência, o monitoramento, a fiscalização e o contro-
le interno, externo e social dos fundos referidos no inciso I do caput 
deste artigo, assegurada a criação, a autonomia, a manutenção e 
a consolidação de conselhos de acompanhamento e controle social, 
admitida sua integração aos conselhos de educação;(Incluído pela 
Emenda Constitucional nº 108, de 2020)
e) o conteúdo e a periodicidade da avaliação, por parte do ór-
gão responsável, dos efeitos redistributivos, da melhoria dos indica-
dores educacionais e da ampliação do atendimento;(Incluído pela 
Emenda Constitucional nº 108, de 2020)
XI - proporção não inferior a 70% (setenta por cento) de cada 
fundo referido no inciso I do caput deste artigo, excluídos os recur-
sos de que trata a alínea “c” do inciso V do caput deste artigo, será 
destinada ao pagamento dos profissionais da educação básica em 
efetivo exercício, observado, em relação aos recursos previstos na 
alínea “b” do inciso V do caput deste artigo, o percentual mínimo 
de 15% (quinze por cento)para despesas de capital;(Incluído pela 
Emenda Constitucional nº 108, de 2020)
XII - lei específica disporá sobre o piso salarial profissional na-
cional para os profissionais do magistério da educação básica públi-
ca;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 108, de 2020)
XIII - a utilização dos recursos a que se refere o § 5º do art. 212 
desta Constituição para a complementação da União ao Fundeb, 
referida no inciso V do caput deste artigo, é vedada.(Incluído pela 
Emenda Constitucional nº 108, de 2020)
§ 1º O cálculo do VAAT, referido no inciso VI do caput deste ar-
tigo, deverá considerar, além dos recursos previstos no inciso II do 
caput deste artigo, pelo menos, as seguintes disponibilidades:(Inclu-
ído pela Emenda Constitucional nº 108, de 2020)
I - receitas de Estados, do Distrito Federal e de Municípios vincu-
ladas à manutenção e ao desenvolvimento do ensino não integran-
tes dos fundos referidos no inciso I do caput deste artigo; (Incluído 
pela Emenda Constitucional nº 108, de 2020)
II - cotas estaduais e municipais da arrecadação do salário-e-
ducação de que trata o § 6º do art. 212 desta Constituição;(Incluído 
pela Emenda Constitucional nº 108, de 2020)
III - complementação da União transferida a Estados, ao Dis-
trito Federal e a Municípios nos termos da alínea “a” do inciso V do 
caput deste artigo(Incluído pela Emenda Constitucional nº 108, de 
2020)
§ 2º Além das ponderações previstas na alínea “a” do inciso 
X do caput deste artigo, a lei definirá outras relativas ao nível so-
cioeconômico dos educandos e aos indicadores de disponibilidade 
de recursos vinculados à educação e de potencial de arrecadação 
tributária de cada ente federado, bem como seus prazos de imple-
mentação.(Incluído pela Emenda Constitucional nº 108, de 2020)
§ 3º Será destinada à educação infantil a proporção de 50% 
(cinquenta por cento) dos recursos globais a que se refere a alínea 
“b” do inciso V do caput deste artigo, nos termos da lei.” (Incluído 
pela Emenda Constitucional nº 108, de 2020)
Art. 213. Os recursos públicos serão destinados às escolas pú-
blicas, podendo ser dirigidos a escolas comunitárias, confessionais 
ou filantrópicas, definidas em lei, que:
I - comprovem finalidade não-lucrativa e apliquem seus exce-
dentes financeiros em educação;
II - assegurem a destinação de seu patrimônio a outra escola 
comunitária, filantrópica ou confessional, ou ao Poder Público, no 
caso de encerramento de suas atividades.
§ 1º - Os recursos de que trata este artigo poderão ser desti-
nados a bolsas de estudo para o ensino fundamental e médio, na 
forma da lei, para os que demonstrarem insuficiência de recursos, 
quando houver falta de vagas e cursos regulares da rede pública 
na localidade da residência do educando, ficando o Poder Público 
obrigado a investir prioritariamente na expansão de sua rede na lo-
calidade.
§ 2º As atividades de pesquisa, de extensão e de estímulo e 
fomento à inovação realizadas por universidades e/ou por institui-
ções de educação profissional e tecnológica poderão receber apoio 
financeiro do Poder Público.

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