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As principais características de Artigos Científicos de Alto Impacto D R . B R U N O F I G U E I R E D O D A M Á S I O Antônio Paulo da Silva Oliveira - pauloshre@gmail.com - IP: 179.80.150.201 Fundador da Psicometria Online Academy, uma escola focada na formação de pesquisadores em Psicometria e Análise Quantitativa. Consultor Nacional e Internacional em Psicometria e Análise Quantitativa de Dados. É Psicólogo, mestre e doutor em Psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS CAPES 7). Realizou estágio de mestrado na Università di Bologna, onde desenvolveu atividades de pesquisa, supervisão e docência junto ao Laboratório de Psicometria (PAT - Psicometria Assessment e Testistica). Foi editor chefe da Revista Trends in Psychology / Temas em Psicologia, da Sociedade Brasileira de Psicologia (durante os anos de 2012 a 2016, Qualis B2 --> A2). Foi Editor-Associado da Spanish Journal of Psychology (Sub-área Metodologia e Psicometria QUALIS A1), entre 2015 e 2020. Atualmente, é pesquisador independente, e dedica se à consultorias em Psicometria e Análise de Dados para empresas nacionais e internacionais É expert em construção, adaptação e validação de instrumentos psicológicos, utilizando Modelagem por Equações Estruturais e Teoria de Resposta ao Item. Foi professor do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ - 2013 2020) e chefe do Departamento de Psicometria (IP/UFRJ - 2016 2019). BRUNO DAMÁSIO Antônio Paulo da Silva Oliveira - pauloshre@gmail.com - IP: 179.80.150.201 Olá! Obrigado por ter baixado o ebook. Trata-se de um livro escrito de maneira informal, mas com conhecimento retirado ao longo de mais de 14 anos dedicados à publicação científica e com base em mais de 8 anos de experiência enquanto editor de revistas nacionais e internacionais. Cada um dos tópicos apresentados traz informações práticas para que você possa consultar quando estiver escrevendo o seu estudo e, eventualmente, aplicar na sua escrita. A ideia é oferecer algumas diretrizes que aumentam as chances de seu artigo ser publicado em excelentes periódicos. Bons estudos! Atenciosamente,So br e o eB oo k Bruno Figueiredo Damásio Antônio Paulo da Silva Oliveira - pauloshre@gmail.com - IP: 179.80.150.201 Capítulo 01: Tenha uma pergunta de pesquisa científica relevante. Capítulo 03: Normas gramaticais e o estilo da escrita científica. Capítulo 05: A estrutura do Método. Capítulo 07: A discussão dos resultados. Capítulo 09: Conclusões do Ebook. Capítulo 02: Certifique-se de utilizar referências atualizadas. Capítulo 04: Respeito às normas da revista. Capítulo 06: Apresentação dos resultados. Capítulo 08: Conclusões / Considerações Finais. Conteúdos Antônio Paulo da Silva Oliveira - pauloshre@gmail.com - IP: 179.80.150.201 01 Tenha uma pergunta de pesquisa relevante Antônio Paulo da Silva Oliveira - pauloshre@gmail.com - IP: 179.80.150.201 O objetivo da ciência é avançar o conhecimento e, para isso, você precisa ter uma boa pergunta de pesquisa. Boas perguntas de pesquisa, em geral, são questionamentos que vão tentar responder algo que a literatura ainda não sabe. Ou seja, encontrar as lacunas da literatura e tentar responder às questões ainda não explicadas. Para que você possa ter um projeto inovador, é preciso conhecer o estado da arte Estado da arte é o nome que se dá para o status atual do saber. É o que se sabe hoje. Na medida em que você mapeia o estado da arte da sua área de estudo, você se torna capaz de desenvolver um projeto de pesquisa que traga contribuições inovadoras para o tema e evita que você faça pesquisas que sejam mais do mesmo. E é possível que você esteja pensando: Tenha uma pergunta de Pesquisa que avance o conhecimento. O que é Estado da Arte? Antônio Paulo da Silva Oliveira - pauloshre@gmail.com - IP: 179.80.150.201 Sim. Concordo totalmente. A replicação é, de fato, crucial para a solidificação do conhecimento científico. A partir do momento que um achado é replicado várias vezes, a evidência se torna cada vez mais forte. Porém, cabe destacar que buscar a replicação ou refutação de um achado é bem diferente de fazer ‘mais do mesmo’. Quando você delineia uma pesquisa científica com o objetivo de replicar ou tentar refutar um achado já encontrado previamente, você precisa ter um método delineado para isso. E mais que isso, as razões para buscar refutar ou corroborar um achado precisam estar muito claras e bem explicitadas. Por exemplo: Por que você acredita que os resultados encontrados em outro país não se replicarão no Brasil? Você acredita que existem razões culturais que influenciam determinado fenômeno que lhe leva ao interesse de replicar um estudo internacional aqui? Bu sc ar a re pl ic aç ão o u re fu ta çã o de u m a ch ad o é be m d ife re nt e de fa ze r ‘ m ai s do m es m o’ . Mas a replicação também é de extrema importância para a ciência. Antônio Paulo da Silva Oliveira - pauloshre@gmail.com - IP: 179.80.150.201 Os achados são antigos demais e você tem uma hipótese sobre a manutenção ou não do efeito esperado? Você acredita que determinada pesquisa foi malfeita e que um delineamento mais robusto irá chegar a conclusões distintas? Os achados são muito novos e muito importantes e precisam de replicação? Veja que nos exemplos acima, eu tenho razões ou hipóteses claras as quais me levam a buscar replicar estudos prévios! E isso é muito diferente de ‘fazer mais do mesmo’. Geralmente, o que se vê na trajetória de pesquisadores iniciantes são pesquisas que nem tem o objetivo explícito de buscar replicar ou refutar um achado, nem avançam no conhecimento. São projetos de pesquisa que repetem achados já conhecidos, apenas porque os pesquisadores não tiveram a capacidade de pensar em boas perguntas de pesquisa que avancem o conhecimento. Tenha uma pergunta de Pesquisa que avance o conhecimento. Antônio Paulo da Silva Oliveira - pauloshre@gmail.com - IP: 179.80.150.201 E em geral, essa dificuldade de elaborar bons projetos de pesquisa se dá porque os pesquisadores não conhecem a fundo o estado da arte. Conhecer o estado da arte leva tempo. Você precisa ter um certo tempo de dedicação a um tema para ter domínio sobre ele. Por isso, se você for estudante de graduação ou estiver no início do seu mestrado, não se preocupe tanto com isso! Essas etapas iniciais da vida acadêmica são necessárias para que você desenvolva suas habilidades de pesquisador. Entretanto, quanto mais você for avançando na sua trajetória, mais você deve estar atento à necessidade de desenvolver boas perguntas de pesquisa. Assim, você vai se tornando um pesquisador de relevância e seus estudos começam a ter potencial de ser publicados em excelentes revistas nacionais e internacionais. Tenha uma pergunta de Pesquisa que avance o conhecimento. Antônio Paulo da Silva Oliveira - pauloshre@gmail.com - IP: 179.80.150.201 02 Certifique-se de utilizar Referências Atualizadas Antônio Paulo da Silva Oliveira - pauloshre@gmail.com - IP: 179.80.150.201 Em consonância com o tópico anterior, você só terá um estudo forte se as suas referências forem atualizadas. Não existe estudo relevante que seja baseado majoritariamente em referências antigas. Isso porque, a sua fundamentação teórica estará defasada, não cobrindo o estado da arte. Obviamente, estudos clássicos são importantes de serem mencionados, principalmente quando se faz necessário trazer um panorama histórico sobre o tema, ou quando a forma de conceber o construto não mudou desde o seu surgimento. Porém, lembre-se: se você quer ter um estudo forte, você precisará estar por dentro de tudo que se sabe sobre a temática e você só terá essa capacidade seas suas referências forem extremamente atualizadas. Cabe destacar que, infelizmente, a produção científica no Brasil é defasada, quando comparada com outros países da América do Norte e Europa. Assim, em quase todas as áreas do conhecimento, é impossível você contemplar o estado da arte utilizando apenas referências nacionais. Referências Atualizadas Antônio Paulo da Silva Oliveira - pauloshre@gmail.com - IP: 179.80.150.201 03 Normas gramaticais e Estilo de Escrita Científica Antônio Paulo da Silva Oliveira - pauloshre@gmail.com - IP: 179.80.150.201 Normas gramaticais e estilo de escrita científica Muitos pesquisadores consideram a escrita científica os "ossos do ofício". Ou seja, uma atividade pouco prazerosa, mas necessária. É fato que muitos pesquisadores não gostam de escrever, ou não gostariam de ter que escrever. Entretanto, essa é uma parte inerente ao fazer científico. Isso porque, “pesquisa não publicada é pesquisa não existente”. Então, para publicar, você precisa não só escrever, mas escrever bem! Artigos científicos mal escritos serão sumariamente rejeitados. Além do mais, a sua reputação enquanto pesquisador(a) poderá estar em jogo, caso você apresente um artigo com fortes deslizes gramaticais. Cabe destacar, também, que a escrita científica é um estilo próprio. E como qualquer estilo, têm as suas próprias características que precisam ser respeitadas. Então, duas habilidades necessárias para o pesquisador são: 1.Conhecer as normas gramaticais da língua e; 2.Conhecer as características da escrita científica. Antônio Paulo da Silva Oliveira - pauloshre@gmail.com - IP: 179.80.150.201 É importante destacar que pesquisadores são pessoas que sustentam os mais altos níveis educacionais, seja ensino superior completo, mestrado e/ou doutorado. Assim, o mínimo que se espera de pessoas com essa alta titulação é a capacidade de escrever bem, respeitando as normas cultas da língua e as características do estilo da escrita científica. Por isso, artigos mal escritos serão sumariamente rejeitados. É preciso que você entenda: Os pesquisadores não podem esperar que editores e revisores percebam a grandeza do seu trabalho por trás de um texto mal escrito. Erros de apresentação nas normas ou na escrita podem ser interpretados pelos revisores ou editores como desleixo. E essa impressão irá perpassar não apenas à confecção do texto, mas à toda a investigação, pesquisa ou trabalho conduzido. Por outro lado, uma boa escrita científica causa, de imediato, uma boa impressão aos editores e aumenta substancialmente a probabilidade de o seu artigo seguir nas próximas etapas da avaliação e chegar a ser, posteriormente, publicado. Normas gramaticais e estilo de escrita científica Antônio Paulo da Silva Oliveira - pauloshre@gmail.com - IP: 179.80.150.201 Alguns dos principais erros da escrita científica são: - Erros gramaticais (digitação, pontuação e concordância); - Uso de figuras de linguagem, tais como metáforas, metonímias, hipérboles, que não cabem no estilo científico; - Parágrafos com uma única frase (PUF). Parágrafo é, obrigatoriamente, um conjunto de frases. Na linguagem científica não deve existir PUFs. - Frases muito grandes, com mais de 4 linhas, que deixam a leitura truncada; - Ideias incompletas (i,e., o pesquisador não consegue escrever exatamente tudo que está na sua cabeça, de modo que a informação não faz sentido para o leitor). Normas gramaticais e estilo de escrita científica Antônio Paulo da Silva Oliveira - pauloshre@gmail.com - IP: 179.80.150.201 Em relação às referências bibliográficas: Muitos pesquisadores cometem uma série de erros na hora de citar as referências do seu estudo, tais como: 1) Utilizar citação antiga, para informações atuais. Por exemplo: ”Atualmente, o consumo de substâncias vem sendo considerado um problema de saúde pública (Araújo, 2002)”. 2) Citar uma única referência e fazer alusão a vários estudos: ”Diversos estudos têm demonstrado que há associação entre nível socioeconômico e desenvolvimento de funções executivas em crianças (Margreth, Smith, & Jones, 2015)”. 3) Desordenação na ordem das citações Algumas normas requerem citações em ordem alfabética, outras por ano da publicação. Fique atento a isso. 4) Não inclusão na lista de referências todos os estudos utilizados ao longo do texto ou inserção na lista final referências não utilizadas no texto. Normas gramaticais e estilo de escrita científica Antônio Paulo da Silva Oliveira - pauloshre@gmail.com - IP: 179.80.150.201 04 Respeito às normas da Revista Antônio Paulo da Silva Oliveira - pauloshre@gmail.com - IP: 179.80.150.201 As revistas científicas, principalmente as brasileiras, são instrumentos de divulgação do conhecimento gerenciados por um grupo de pesquisadores que não ganham absolutamente nada para isso. Editores, editores-associados e pareceristas fazem um trabalho gratuito visando a disseminação do conhecimento. É um trabalho árduo, que se soma a uma já exaustiva carreira com dezenas de outras demandas. A contextualização ‘humana’ da revista é para que você entenda uma coisa: Além de aumentar as chances de tramitação do seu estudo, submeter os artigos nas normas da revista é, antes de tudo, um respeito ao trabalho da equipe editorial. Por incrível que pareça, um número substancial de artigos é rejeitado logo de cara por não estarem nas normas que a revista solicita. E embora seja fácil submeter os artigos nas normas da revista (afinal de contas, basta seguir o que é informado), muitos pesquisadores não o fazem. Normas da Revista Antônio Paulo da Silva Oliveira - pauloshre@gmail.com - IP: 179.80.150.201 E por que isso acontece?! Isso acontece porque a formatação do estudo é a última etapa antes da submissão. Muitas vezes, os autores já estão cansados e esperam que um ou outro coautor assuma a tarefa de fazer a revisão final. Não raramente, acaba que ninguém se compromete a fazer essa etapa direito e o artigo é submetido com várias falhas. É o verdadeiro ‘barato que sai caro’. O artigo pode ser rejeitado logo de cara pelo editor, na etapa do deskreview, ou até ser submetido para apreciação por pares, mas com chances mínimas de ser publicado. Boas revistas recebem muito mais artigos do que são capazes de publicar. Por isso, o mínimo a ser feito é submetê-lo de acordo com as diretrizes e regras da revista. Normas da Revista Antônio Paulo da Silva Oliveira - pauloshre@gmail.com - IP: 179.80.150.201 05 A estrutura do método Antônio Paulo da Silva Oliveira - pauloshre@gmail.com - IP: 179.80.150.201 É crucial que o seu estudo tenha um método bem delineado e apresentado. Em geral, nas publicações científicas de caráter empírico, o método se subdivide em: 1) Descrição dos participantes 2) Descrição dos instrumentos 3) Procedimentos de coleta de dados 4) Procedimentos de análise de dados 5) Procedimentos éticos. Seguido, posteriormente, de: 6) Resultados e 7) Discussão. A boa apresentação de cada uma dessas sessões é crucial para que seu artigo seja bem avaliado. Vamos aprender a otimizar cada uma delas. O método Antônio Paulo da Silva Oliveira - pauloshre@gmail.com - IP: 179.80.150.201 Nessa sessão, descreve-se, de forma sucinta, quem são os participantes do estudo. Em geral, coletamos várias informações sociodemográficas dos participantes do nosso estudo. Algumas dessas informações são mais relevantes que outras. Portanto, é necessário que você faça uma escolha de quais informações serão apresentadas. Caso haja uma quantidade muito alta de informações a serem descritas, sugere-se que uma parte seja descrita em forma textual e outra parte (mais completa) em formato de tabela. Em geral, opta-se por descrever textualmente ascaracterísticas amostrais que de fato serão usadas nas suas análises ou que sejam relevantes para o desfecho como, por exemplo, sexo, idade, estado civil, escolaridade, etc. Outras variáveis que ajudam na compreensão da amostra, mas que não são imprescindíveis podem ser ocultadas, ou se forem ser apresentadas, podem ir em uma tabela mais completa. Participantes Antônio Paulo da Silva Oliveira - pauloshre@gmail.com - IP: 179.80.150.201 Aqui, deve-se citar todos os instrumentos utilizados no seu estudo. Lembre-se que os instrumentos utilizados são o ‘proxy’ do fenômeno a ser observado. Por isso, é imprescindível que você utilize boas medidas para o construto que você está mensurando. Escalas ruins jamais conseguirão atingir bons resultados. Na hora de descrever as medidas, crie um padrão na apresentação das informações, e repita esse mesmo padrão para todas as escalas. Veja um exemplo de estrutura. Título do instrumento (Título original, Autor da versão original; versão brasileira adaptada por Autores Brasileiros). O que a escala mensura, em quantos itens e em quais fatores. Como a escala é pontuada e qual a amplitude possível do escore. Apresente algumas propriedades psicométricas da medida no estudo de validação e na sua amostra. Na próxima página, vamos ver uma descrição real. Exemplo real: Escala de Bem-Estar Afetivo no Trabalho (Job-Related Affective Well-being Scale, JAWS; Katwyk, Spector, Fox, & Kelloway, 2000, adaptada por Gouveia, Fonsêca, Lins, Lima, & Gouveia, 2008): A Escala de Bem-Estar Afetivo no Trabalho (JAWS) avalia os afetos positivos e negativos eliciados pelo trabalho. O questionário é composto por 30 itens respondidos em uma escala Likert (1 = discordo totalmente; 5 = concordo totalmente), dos quais 15 avaliam afetos positivos (AP) 15 avaliam afetos negativos (AN), podendo os escores variar de 15 a 75 em cada dimensão. No estudo de validação brasileiro, a JAWS apresentou adequada consistência interna (AN, a = 0,94; AP, a = 0,87). No presente estudo, a escala apresentou adequados índices de ajuste: CFI = 0,97, TLI = 0,96, RMSEA (90% IC) = 0,092 (0,086–0,097), e SRMR = 0,079. A consistência interna da escala (Fidedignidade Composta) foi de 0,88 para AN e 0,91 para AP. Crie um padrão de descrição dos instrumentos e o repita para todas as escalas do seu estudo. Instrumentos Antônio Paulo da Silva Oliveira - pauloshre@gmail.com - IP: 179.80.150.201 Na hora de descrever a sua coleta de dados, busque responder ao menos essas três perguntas: 1) Como os dados foram coletados? 2) Onde os dados foram coletados? 3) Quando os dados foram coletados? Veja o exemplo a seguir: Os dados foram coletados de maneira presencial e online [como], entre Janeiro e Outubro de 2017 [quando]. Do total da amostra, 91,4% respondeu aos questionários em uma plataforma web enquanto 8,6% respondeu a pesquisa presencialmente, no formato papel-e-caneta. Os participantes foram convidados a participar da pesquisa por diferentes formas. Foram realizadas coletas de dados presenciais em instituições públicas de ensino superior da cidade do Rio de Janeiro, e coletas online através de convites enviados por e-mails, divulgação em redes sociais (e.g., facebook e instagram) e por meio da técnica da bola de neve (Patton, 1990), na qual participantes interessados divulgavam a pesquisa para outros possíveis respondentes [onde]. Os procedimentos de análise de dados talvez seja a parte mais importante do método de um estudo quantitativo. Isso porque, qualquer decisão tomada aqui afetará os resultados obtidos. Assim, essa seção precisa descrever em detalhes tudo que foi feito e, para dar coerência ao artigo, todos os passos precisam ser descritos em ordem (i.e., na mesma ordem dos resultados apresentados). Todas as decisões metodológicas precisam ser descritas e explicadas. Procedimento de coleta de Dados Antônio Paulo da Silva Oliveira - pauloshre@gmail.com - IP: 179.80.150.201 Por exemplo: - Como testou normalidade dos dados? - Por que usou correlação não paramétrica? - Qual método de entrada da regressão foi utilizada? - Por que usou determinado método de estimação? - Quais índices de ajuste foram utilizados para avaliar o modelo e quais foram os pontos de corte utilizados? - Optou por fazer uma análise não tradicional? Justificar a razão. É importante que todas as decisões metodológicas sejam descritas e, além disso, referenciadas. Tenha clareza sobre isso: Nenhuma escolha metodológica pode ser arbitrária. Uma sessão de procedimentos de análise de dados bem referenciada passará credibilidade. Pareceristas e leitores em geral perceberão que você não só sabe o que está fazendo, mas também tem respaldo da literatura para as ações escolhidas. E isso é extremamente protetivo. Muitas vezes, pareceristas não tem o domínio completo da análise ou método que você está propondo. Assim, ao ver as referências, mesmo que ele não entenda totalmente da técnica implementada, ele tenderá a confiar que o procedimento está correto, já que está respaldado em literatura especializada. Procedimento de coleta de Dados Antônio Paulo da Silva Oliveira - pauloshre@gmail.com - IP: 179.80.150.201 06 A apresentação dos resultados Antônio Paulo da Silva Oliveira - pauloshre@gmail.com - IP: 179.80.150.201 Chegou a hora de descrever os seus resultados. Essa seção é muito objetiva. Aqui, você precisa exclusivamente descrever os seus achados. Veja alguns dos principais erros da escrita dos resultados: Erros nas normas técnicas de como reportar: Como qualquer outra seção do seu estudo, existe formas adequadas para fazer o relato dos achados. A American Psychological Association, em seu livro de normas, por exemplo, tem um capítulo inteiro dedicado à publicação dos resultados. Ou seja, existe formas certas e erradas de fazer esse relato. Assim, é importante que você conheça a forma sugerida pela norma a qual você seguirá (ABNT, APA, Vancouver, etc.) Falta de ordem na apresentação dos resultados: É importante que os resultados sejam apresentados na mesma ordem descrita nos procedimentos de análise. Ao chegar nos resultados, o leitor já terá lido a descrição dos procedimentos, de modo que ele já tem uma expectativa sobre o que vai encontrar na sua seção de resultados. Quando a estrutura de apresentação dos resultados diferente do que está descrito nos procedimentos, é criada uma confusão mental desnecessária. Os pareceristas e os leitores já não conseguiram compreender integralmente do que se trata o seu artigo e os seus achados. Apresentação dos Resultados RE SU LT AD O S Antônio Paulo da Silva Oliveira - pauloshre@gmail.com - IP: 179.80.150.201 Inserção de análises não descritas nos procedimentos: Um outro erro comum é incluir análises adicionais ao longo da elaboração do artigo e não as mencionar na descrição dos procedimentos. Parece óbvio, mas acredite, esse erro é extremamente comum e isso se dá porque, muitas vezes, a elaboração de um artigo não se dá de forma sequencial. Ou seja, as partes são escritas e re-escritas sem uma ordem pré-estabelecida. Por isso, ao 'finalizar' as análises do seu estudo, verifique se a estrutura está coerente com o que foi apresentado no Método. Omissão de resultados indesejáveis: A Psicologia, e possivelmente outras áreas do saber, sofrem com um efeito que é a tendência de se reportar apenas os resultados estatisticamente significativos. Esse artigo do Keith Laws, por exemplo, discute as implicações dessa prática. Apresentação dos Resultados Antônio Paulo da Silva Oliveira - pauloshre@gmail.com - IP: 179.80.150.201 As fontes dessa omissão se dão tanto por vieses da própria revista, mas também por questões inerentes ao pesquisador. Aqui, irei focar em você, autor(a) do estudo. Em geral, pesquisadores elaboram suas pesquisas com hipótesese expectativas sobre os achados. Costumo dizer que tais expectativas são expectativas científicas e expectativas emocionais, no sentido de que, não raramente, há um envolvimento emocional com o estudo também. Os resultados obtidos podem corroborar ou refutar essas expectativas. E, muitas vezes, quando os resultados não corroboram as hipóteses prévias, alguns pesquisadores podem se sentir frustrados e acabar omitindo, consciente ou inconscientemente, os resultados que não são favoráveis. Entretanto, é importante destacar que a frustração frente a hipóteses não corroboradas não deveria existir. O conhecimento científico avança justamente quando se descobre algo novo e não quando se corrobora algo que já se esperava que acontecesse. Em geral, há muito mais espaço para fazer uma excelente discussão dos resultados quando eles fogem do esperado. Nessas ocasiões, o pesquisador terá condições de discutir, buscar compreender por que algo esperado não aconteceu, propor novas perguntas de pesquisa etc. Entretanto, quando os resultados são exatamente o que os autores esperam, muitas vezes isso se dá porque aquele efeito já era sabido; já havia sido encontrado em estudos anteriores. A partir de agora, lembre-se: Sempre que você tiver resultados não esperados, coloque a sua cabeça de investigador para pensar e discutir porque esse resultado apareceu no seu estudo. Esse exercício resultará em uma excelente discussão. Apresentação dos Resultados Antônio Paulo da Silva Oliveira - pauloshre@gmail.com - IP: 179.80.150.201 Ausência de tamanho de efeito. Um erro comum é discutir os resultados encontrados apenas utilizando o valor de significância (valor de p). Muitos pesquisadores acreditam que o valor de p é a medida de importância do achado. Erroneamente, pensam que quanto menor o valor de p, maior a força do achado. Essa concepção é equivocada, uma vez que o valor de p depende, em grande medida, do tamanho da amostra. Ou seja, amostras grandes tenderão a oferecer valores de p muito pequenos, mesmo que os achados sejam fracos. Portanto, é importante que todos os resultados estatísticos da sua pesquisa sejam discutidos com base no tamanho de efeito. Tamanho de efeito é o que, de fato, indica a magnitude dos resultados (quanto forte ou quão importante é o achado). Diferentes análises apresentam diferentes estimativas de tamanho de efeito, sendo que é relativamente fácil de você encontrar no Google diferentes opções para as diferentes análises que você esteja utilizando. É importante notar que muitos autores não reportam o tamanho de efeito, seja porque desconhecem a sua importância ou porque o tamanho do efeito não corrobora a sua expectativa (ou seja, são baixos demais e o pesquisador acredita, erroneamente, que essa informação irá prejudicar o seu estudo). Obviamente, como discutido no ponto anterior, omitir informações as quais não corroboram as suas expectativas emocionais, não é uma boa prática científica. Para finalizar, cabe destacar que embora as revistas nacionais ainda não solicitem muito a apresentação do tamanho de efeito, essa é uma boa prática que você deve começar a adotar já. Você irá elevar o seu nível de pesquisador e vislumbrar publicações nacionais ou internacionais de melhor qualidade. Apresentação dos Resultados Antônio Paulo da Silva Oliveira - pauloshre@gmail.com - IP: 179.80.150.201 Repetição dos resultados em tabelas e texto: Um outro erro comum é a repetição dos resultados tanto em texto, quanto em tabelas. A ciência preza por parcimônia, de modo que o seu estudo precisa ser completo e objetivo ao mesmo tempo. Nesse sentido, não há nenhuma necessidade de que resultados sejam apresentados duas vezes, em texto e em tabela. Se o seu estudo tiver muitas análises, e a apresentação textual ficar cansativa, opte por trazer os principais achados em tabelas. Porém, use tabelas com parcimônia, pois os artigos científicos apresentam um limite de páginas e o uso excessivo de tabelas pode comprometer o espaço para elaboração completa do seu estudo. Discussão dos resultados: Por fim, um outro erro bastante frequente é a discussão dos achados no tópico de resultados. Revistas empíricas, em geral, apresentam as seções de resultados e discussão distintamente. Assim, não sessão de resultados, cabe apenas reportar os resultados, sem tentativas de explicação do achado. Reserve a discussão dos dados, para o tópico correto, o qual iremos abordar agora. Apresentação dos Resultados R ES U LT A D O S Antônio Paulo da Silva Oliveira - pauloshre@gmail.com - IP: 179.80.150.201 07 Discussão dos resultados Antônio Paulo da Silva Oliveira - pauloshre@gmail.com - IP: 179.80.150.201 A discussão dos resultados é a parte onde você vai extrair todo o potencial do seu estudo. É aqui onde você problematiza o que você encontrou e dá significado teórico aos achados. Um erro comum é a repetição dos resultados com outras palavras. Em geral, discussão que é uma mera repetição dos achados, demonstra que o autor tem pouco domínio sobre o tema. Para fazer uma boa discussão, é inevitável ter muita leitura sobre o tema, para que a problematização seja feita com profundidade. Veja as questões a seguir e as utilize para aprofundar a forma como você irá discutir os seus resultados. Para cada achado, tente responder: - O que, de fato, o resultado significa? - Como esse dado avança o conhecimento? - Esse resultado era esperado? Em caso positivo, apresente os estudos lhe forneceram base para a criação dessa expectativa. Em caso negativo, como explicar algo que não se esperaria que acontecesse? - Quais são as hipóteses explicativas para o que foi encontrado? - Quais são as novas perguntas de pesquisa que se abrem, a partir desses achados? Essas perguntas poderão guiar o desenvolvimento da sua discussão. E lembre-se: bons estudos geram mais perguntas do que respostas. Deixe claro como os seus resultados gerão novos questionamentos. Apresentação dos Resultados RE SU LT AD O S Antônio Paulo da Silva Oliveira - pauloshre@gmail.com - IP: 179.80.150.201 08 Considerações finais Antônio Paulo da Silva Oliveira - pauloshre@gmail.com - IP: 179.80.150.201 A última seção do artigo é a de Conclusão ou Considerações Finais. Aqui, é imprescindível que você insira, ao menos, três tópicos: 1) Resumo do estudo: Aqui, é feito um overview de tudo que foi abordado, destacando os principais achados, 2) Limitações do estudo: Aqui, são descritas as lacunas que o estudo apresenta. Essa apresentação é protetiva, pois você já deixa claro que reconhece as fragilidades do artigo e não espera o parecerista apontar os erros. 3) Perspectivas futuras. Nessa etapa, você indica quais são os próximos passos. Quais as perguntas que ficarão abertas e como novos estudos podem ajudar a avançar o estado da arte sobre o tema. Em geral, dois erros comuns acontecem nesta seção: 1) Tentativa de omissão dos problemas ou das limitações do estudo e; 2) Desvalorização ou supervalorização dos achados. Em relação às limitações, caso haja problemas no seu estudo, não os omita. Se você o fizer, o parecerista irá perceber e, certamente irá destacar isso na avaliação do artigo. Isso pode levar a uma rejeição ou ao atraso na publicação. Entretanto, cuidado para não desvalorizar demasiadamente o seu estudo. No outro extremo, atente para não supervalorizar o seu estudo, para além do que ele merece. Se o seu estudo tem pontos fortes, destaque-os, mas cuidado para não trazer como extremamente relevante algo que não é. Bom senso e é fundamental, tanto na autocrítica quanto no elogio! Considerações finais Antônio Paulo da Silva Oliveira - pauloshre@gmail.com - IP: 179.80.150.201 09 Conclusões do eBook Antônio Paulo da Silva Oliveira - pauloshre@gmail.com - IP: 179.80.150.201 Obrigado por ter concluídoa leitura deste material. Ao longo destas breves páginas, busquei trazer para você algumas características importantes que todo estudo científico, de caráter empírico, precisa ter para que seja aceito em boas revistas nacionais e internacionais. Esse material é uma compilação muito resumida do curso 'Escrita Científica de Alto Impacto', oferecida bônus na formação continuada 'Psicometria Online Academy'. 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