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AULA 11
ALIMENTOS 
PROF. ANA LECTÍCIA ERTHAL 
OBRIGAÇÃO DE ALIMENTOS
► De acordo com Chaves e Rosenvald (2014, p. 696-697): “Aplicando o princípio vetor 
constitucional no âmbito alimentício resulta que os alimentos tendem a proporcionar 
uma vida de acordo com a dignidade de quem recebe (alimentando) e de quem presta 
(alimentante), pois nenhuma delas é superior, nem inferior. Nessa linha de ideias, 
resulta que fixar o quantum alimentar em percentual aquém do mínimo 
imprescindível à sobrevivência do alimentando ou além das possibilidades 
econômico-financeiras do devedor ofende, de maneira direta, o princípio da 
dignidade humana”.
► Trata-se da relação necessidade X possibilidade.
BINÔMIO 
NECESSIDADE-POSSIBILIDADE
► Art. 1.694. Podem os parentes, os cônjuges ou 
companheiros pedir uns aos outros os alimentos de que 
necessitem para viver de modo compatível com a sua 
condição social, inclusive para atender às necessidades de 
sua educação.
► § 1o Os alimentos devem ser fixados na proporção das 
necessidades do reclamante e dos recursos da pessoa 
obrigada.
ALIMENTOS NO TÉRMINO DA 
SOCIEDADE CONJUGAL
► Art. 1.694. § 2o Os alimentos serão apenas os 
indispensáveis à subsistência, quando a 
situação de necessidade resultar de culpa de 
quem os pleiteia.
FUNDAMENTOS 
► A) SOLIDARIEDADE HUMANA: trata-se de um dever legal de 
mútuo auxílio familiar, transformado em norma, ou mandamento 
jurídico. 
► B) No Direito Romano representava um dever moral, uma obrigação 
ética, officium pietatis ou na caritas. 
► C) NORMAS DE ORDEM PÚBLICA: o Estado tem interesse 
direto no cumprimento das normas que impõem a obrigação legal de 
alimentos, pois a inobservância ao seu comando aumenta o número 
de pessoas carentes ou desprotegidas, que devem, em consequência 
ser por ele amparadas. 
FUNDAMENTOS E PRISÃO 
► NORMAS DE ORDEM PÚBLICA SÃO INDERROGÁVEIS 
PELA VONTADE DAS PARTES E IMPOSTAS, NESTE 
CASO, SOB PENA DE PRISÃO. 
► CRFB/88.
► Art. 5º. LXVII - não haverá prisão civil por dívida, salvo 
a do responsável pelo inadimplemento voluntário e 
inescusável de obrigação alimentícia e a do depositário 
infiel;
PRAZO PRESCRICIONAL 
► Art. 206. Prescreve:
► § 2o Em dois anos, a pretensão para haver prestações 
alimentares, a partir da data em que se vencerem.
► STJ: a prisão civil somente poderá ser imposta para 
compelir o alimentante a suprir as necessidades atuais do 
alimentado, representada pelas últimas três prestações. 
Principais características dos alimentos:
► Caráter personalíssimo: os alimentos não podem ser transferidos a outrem, nem ser objeto de cessão ou 
compensação (art. 1.707, CC).
► Solidariedade: já que os cônjuges são obrigados a concorrer na proporção de seus bens e dos 
rendimentos do seu trabalho para o sustento e educação dos filhos (art. 1.703, CC).
► Reciprocidade: Na medida em que o dever de assistência é mútuo (arts. 1.694 e 1.696 CC).
► Inalienabilidade: O direito aos alimentos não pode ser transacionado.
► Irrepetibilidade: Os alimentos uma vez pagos não ensejam sua devolução, mesmo que depois reste 
provado que o sujeito não era o pai biológico.
► Alternatividade: Em regra os alimentos devem ser pagos em dinheiro dentro de determinada 
periodicidade. Contudo, pode o magistrado no uso do bom senso, estipular maneiras diferentes do 
cumprimento da obrigação, a exemplo dos alimentos in natura (art. 1.701, CC).
IMPOSSIBILIDADE DE CESSÃO DO 
CRÉDITO ALIMENTAR
► Art. 1.707. Pode o credor não exercer, porém lhe é 
vedado renunciar o direito a alimentos, sendo o respectivo 
crédito insuscetível de cessão, compensação ou penhora.
SOLIDARIEDADE DOS ALIMENTOS
► CF/88. Art. 229. Os pais têm o dever de assistir, criar e 
educar os filhos menores, e os filhos maiores têm o 
dever de ajudar e amparar os pais na velhice, carência 
ou enfermidade.
► Art. 1.703. Para a manutenção dos filhos, os cônjuges 
separados judicialmente contribuirão na proporção de 
seus recursos.
RECIPROCIDADE NOS ALIMENTOS 
► Art. 1.696. O direito à prestação de alimentos é 
recíproco entre pais e filhos, e extensivo a todos os 
ascendentes, recaindo a obrigação nos mais 
próximos em grau, uns em falta de outros.
► Art. 1.697. Na falta dos ascendentes cabe a 
obrigação aos descendentes, guardada a ordem de 
sucessão e, faltando estes, aos irmãos, assim 
germanos como unilaterais.
PESSOAS OBRIGADAS A ALIMENTOS 
► O ROL DOS ARTS. 1.696 E 1.697 É TAXATIVO (NUMERUS 
CLAUSUS) E NÃO INCLUI OS PARENTES POR 
AFINIDADE (SOGROS, CUNHADOS, TIOS, PRIMOS). 
► TODAVIA, QUEM OS PRESTA EM CUMPRIMENTO DE 
UMA OBRIGAÇÃO NATURAL DO DEVER DE 
SOLIDARIEDADE FAMILIAR NÃO TEM DIREITO A 
REPETIÇÃO. 
► Já há entendimento de que aquele que assume a paternidade ou 
maternidade de uma criança, sem vínculo biológico, deve pagar a 
pensão alimentícia (parentesco civil: paternidade socioafetiva)
ALIMENTOS AVOENGOS 
► “Alimentos. Responsabilidade dos avós. O demandado terá 
direito de chamar ao processo os corresponsáveis pela 
obrigação alimentar, caso não consiga suportar sozinho o 
encargo, para que se defina quanto caberá a cada um 
contribuir de acordo com suas possibilidades financeiras. Neste 
contexto, à luz do CC/02, frustrada a obrigação alimentar 
principal, de responsabilidade dos pais, a OBRIGAÇÃO 
SUBSIDIÁRIA deve ser DILUÍDA ENTRE OS AVÓS 
PATERNOS E MATERNOS na medida de seus recursos, 
diante de sua divisibilidade e possibilidade de fracionamento.” 
(STJ, REsp 658.139/RS) 
ORDEM PREFERENCIAL – HIERARQUIA 
► HÁ UMA VERDADEIRA HIERARQUIA NO PARENTESCO: 
► A) PAIS E FILHOS, RECIPROCAMENTE
► B) NA FALTA DESTES, OS ASCENDENTES, NA ORDEM DE 
SUA PROXIMIDADE
► C) OS DESCENDESTES
► D) OS IRMÃOS, UNILATERAIS OU BILATERAIS, SEM 
DISTINÇÃO OU PREFERÊNCIA. 
ALTERNATIVIDADE DOS ALIMENTOS 
► Art. 1.701. A pessoa obrigada a suprir alimentos poderá 
pensionar o alimentando, ou dar-lhe hospedagem e 
sustento, sem prejuízo do dever de prestar o necessário à 
sua educação, quando menor.
► Parágrafo único. Compete ao juiz, se as circunstâncias o 
exigirem, fixar a forma do cumprimento da prestação.
CONTINUAÇÃO – CARACTERÍSTICAS 
► Transmissibilidade: A obrigação alimentar pode ser atribuída aos sucessores (art. 1.700, CC).
► Irrenunciabilidade: Constitui entendimento majoritário de que os alimentos decorrentes do poder 
familiar a favor do filho são irrenunciáveis (art. 1.707, CC).
► Periodicidade: O encargo tende a estender-se no tempo, enquanto deles necessitar o alimentando, 
razão pela qual sua periodicidade deve ser estabelecida (art. 1.699, CC).
► Anterioridade: Como os alimentos destinam-se a garantir a subsistência do credor, precisam ser 
pagos com antecedência, tendo vencimento antecipado.
► Por fim a atualidade sugere que os efeitos corrosivos, por exemplo, da inflação não podem permitir 
que o valor dos alimentos não satisfaça as necessidades do alimentando. Assim, importante que os 
alimentos sejam fixados com a indicação de critério de correção.
TRANSMISSIBILIDADE 
► Art. 1.700, CC: A obrigação de prestar 
alimentos transmite-se aos herdeiros do 
devedor, na forma do art. 1.694.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406.htm#art1694
IRRENUNCIABILIDADE 
► “Art. 1.707. Pode o credor não exercer, 
porém lhe é vedado renunciar o direito a 
alimentos (...)”
QUEM DEVE PRESTAR ALIMENTOS
► Art. 1.694, CC: Podem os parentes, os cônjuges ou companheiros pedir uns aos outros os alimentos de que 
necessitem para viver de modo compatível com a sua condição social, inclusive para atender às necessidades de 
sua educação. § 1o Os alimentos devem ser fixados na proporção das necessidades do reclamante e dos recursos 
da pessoa obrigada.
► Art. 1.696, CC: O direito à prestação de alimentos é recíproco entre pais e filhos, e extensivo a todos os 
ascendentes, recaindo a obrigação nos mais próximos em grau, uns em falta de outros.
► Art. 1.697, CC: Na falta dos ascendentes cabe a obrigação aos descendentes, guardada a ordem de sucessão e, 
faltandoestes, aos irmãos, assim germanos como unilaterais (do alimentando).
► Art. 1.698, CC: Se o parente, que deve alimentos em primeiro lugar, não estiver em condições de suportar 
totalmente o encargo, serão chamados a concorrer os de grau imediato; sendo várias as pessoas obrigadas a 
prestar alimentos, todas devem concorrer na proporção dos respectivos recursos, e, intentada ação contra uma 
delas, poderão as demais ser chamadas a integrar a lide.
ALIMENTOS GRAVÍDICOS
► Os alimentos gravídicos, segundo o art. 2º da Lei 11.804/08, podem ser conceituados 
como aqueles devidos ao nascituro, mas, percebidos pela gestante, ao longo da gravidez, 
abrangendo os valores suficientes para cobrir as despesas adicionais do período de 
gravidez e que sejam dela decorrentes, da concepção ao parto, inclusive as referentes a 
alimentação especial, assistência médica e psicológica, exames complementares, 
internações, parto, medicamentos e demais prescrições preventivas e terapêuticas 
indispensáveis, a juízo do médico, além de outras que o juiz considere pertinentes. 
ALIMENTOS GRAVÍDICOS 
► Art. 2o Os alimentos de que trata esta Lei compreenderão os valores suficientes 
para cobrir as despesas adicionais do período de gravidez e que sejam dela 
decorrentes, da concepção ao parto, inclusive as referentes a alimentação 
especial, assistência médica e psicológica, exames complementares, 
internações, parto, medicamentos e demais prescrições preventivas e 
terapêuticas indispensáveis, a juízo do médico, além de outras que o juiz 
considere pertinentes. 
► Parágrafo único. Os alimentos de que trata este artigo referem-se à parte das 
despesas que deverá ser custeada pelo futuro pai, considerando-se a contribuição que 
também deverá ser dada pela mulher grávida, na proporção dos recursos de ambos. 
ALIMENTOS GRAVÍDICOS (Lei 11.804/08) 
► Art. 6o Convencido da existência de indícios da 
paternidade, o juiz fixará alimentos gravídicos que 
perdurarão até o nascimento da criança, sopesando as 
necessidades da parte autora e as possibilidades da parte 
ré. 
► Parágrafo único. Após o nascimento com vida, os 
alimentos gravídicos ficam convertidos em pensão 
alimentícia em favor do menor até que uma das partes 
solicite a sua revisão.
QUESTÃO OBJETIVA
 (MPE –SC -2013) Com relação ao tema alimentos, marque a opção correta: 
► a) Fixados judicialmente os alimentos gravídicos, com base na análise da 
necessidade da parte autora e das possibilidades da parte ré, estes perdurarão 
somente até a data do nascimento da criança, devendo a parte interessada buscar, 
após essa data, através de nova ação, o pensionamento alimentar. 
► b) Os alimentos pagos deverão ser restituídos se for desconstituído o título que 
serviu de base para o pagamento. 
► c) A obrigação dos avós de prestar alimentos aos netos é sucessiva e 
complementar, podendo o alimentado, diante do mero inadimplemento da 
prestação alimentícia pelo genitor, pleitear alimentos diretamente dos avós. 
► d) De acordo com o Código Civil, a pretensão de cobrança de um crédito 
alimentar prescreve em dois anos a partir do vencimento de cada prestação.

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