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SP 1.3 – Não me toque! Eleonor, com 37 anos, entrou com o marido no consultório da Dra. Liége muito irritada. Colocou sobre a mesa uma pilha de exames e começou a dizer que não aguentava mais ir a médicos ou a emergências. Há alguns anos, sente dores no corpo inteiro, no tórax ou nas articulações e principalmente da nuca até a região lombar, que não melhoram com nenhum tipo de tratamento. Já usou diversos anti-inflamatórios, às vezes com analgésicos, e o alívio, quando ocorre, é sempre temporário. Alguns médicos que procurou achavam que tudo aquilo era “psicológico” e chegaram até a encaminhá-la para tratamento psiquiátrico. Eleonor é professora universitária, mas está afastada devido a essas dores. Disse que em casa faz as tarefas domésticas para manter a casa limpa e cuida dos quatro filhos. Todos os dias faz as mesmas tarefas, que parecem não ter fim. Referiu que tem dificuldade em iniciar o sono, acordando muitas vezes durante a madrugada. Eleonor revelou uma grande piora das queixas, depois que o dono da casa que ela mora com a família, pediu a casa de volta. Há duas semanas, a paciente passou a ter dor constante no ombro esquerdo. Chegou a ser submetida a infiltração no ombro com um anestésico, com melhora parcial. Após um exame físico meticuloso, a Dra. Liége identificou diversos “pontos-gatilho” na musculatura cervical, particularmente supra espinais esquerdas. Prescreveu Amitriptilina (25 mg à noite), cetoprofeno (100 mg de 8/8h por 5 dias) e a encaminhou para o NASF, onde recebeu tratamento da fisioterapia, acupuntura e psicologia, com diagnóstico de “fibromialgia”. Após três meses, Eleonor apresentava importante melhora das dores e mais animada para a vida.