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CARD 44 – DROPS MAGISTRATURA FEDERAL Ciclos Método 1 046.436.626-70 CARD 44 – DROPS MAGISTRATURA FEDERAL Ciclos Método 2 DROPS DIREITO PENAL– CARD 441 Olá, cicleiroooo! Que orgulho estamos de você iniciando a sua preparação! Nossa #FAMÍLIACICLOS está pronta para lhe oferecer os melhores Drops e o melhor suporte, tudo que você precisa para alavancar seus estudos! Siga firme na sua jornada, lembre-se sempre do seu propósito e dê sempre o seu melhor aqui! Vamos juntos! Abaixo, os pontos que traremos no Card. 8. Direito penal e Constituição. A parte especial do Código Penal e os crimes em espécie. Elementares e circunstâncias. Causas de aumento e de diminuição das penas. A proteção de acusados ou condenados colaboradores. Crimes contra o sistema financeiro. Crimes contra o mercado de capitais. #MAPEIANOVADE! NÃO DEIXE DE LER! – Código Penal Art. 149/149-A Art. 168-A Art. 171-A NÃO DEIXE DE LER! – Lei 7.492/86 INTEGRALMENTE REDUÇÃO A CONDIÇÃO ANÁLOGA À DE ESCRAVO #ABREOVADENOCP! Art. 149. Reduzir alguém a condição análoga à de escravo, quer submetendo-o a trabalhos forçados ou a jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições degradantes de trabalho, quer restringindo, por qualquer meio, sua locomoção em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto: (Redação dada pela Lei nº 10.803, de 11.12.2003) Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa, além da pena correspondente à violência § 1o Nas mesmas penas incorre quem: 1 Prof. Ana Paula. 046.436.626-70 CARD 44 – DROPS MAGISTRATURA FEDERAL Ciclos Método 3 I – cerceia o uso de qualquer meio de transporte por parte do trabalhador, com o fim de retê-lo no local de trabalho; II – mantém vigilância ostensiva no local de trabalho ou se apodera de documentos ou objetos pessoais do trabalhador, com o fim de retê-lo no local de trabalho. § 2o A pena é aumentada de metade, se o crime é cometido: I – contra criança ou adolescente; II – por motivo de preconceito de raça, cor, etnia, religião ou origem. Apesar de previsto como um crime contra a liberdade individual, a doutrina e a jurisprudência o classificam como um crime contra a organização do trabalho. Assim, nos termos do art. 109, VI, da CF/88, compete à Justiça Federal o seu julgamento: #ABREOVADE! Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar: (...) VI - os crimes contra a organização do trabalho e, nos casos determinados por lei, contra o sistema financeiro e a ordem econômico-financeira; #DEOLHONAJURIS: Compete à Justiça Federal processar e julgar o crime de redução a condição análoga à de escravo, na forma do art. 109, VI, da CF/88 (STF. Plenário. RE 459510, Rel. Min. Cezar Peluso, Rel. para acórdão Min. Dias Toffoli, julgado em 26/11/2015). O crime de redução a condição análoga à de escravo pode ocorrer independentemente da restrição à liberdade de locomoção do trabalhador, uma vez que esta é apenas uma das formas de cometimento do delito, mas não é a única. O art. 149 do CP prevê outras condutas que podem ofender o bem juridicamente tutelado, isto é, a liberdade de o indivíduo ir, vir e se autodeterminar, dentre elas submeter o sujeito passivo do delito a condições degradantes de trabalho. Assim, a efetiva restrição de liberdade das vítimas é prescindível para a configuração do crime de redução a condição análoga à de escravo. STJ. 5ª Turma. REsp 1.969.868-MT, Rel. Min. Messod Azulay Neto, julgado em 12/9/2023 (Info 787). TRÁFICO DE PESSOAS 046.436.626-70 CARD 44 – DROPS MAGISTRATURA FEDERAL Ciclos Método 4 #ABREOVADENOCP! Art. 149-A. Agenciar, aliciar, recrutar, transportar, transferir, comprar, alojar ou acolher pessoa, mediante grave ameaça, violência, coação, fraude ou abuso, com a finalidade de: (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016) I - remover-lhe órgãos, tecidos ou partes do corpo II - submetê-la a trabalho em condições análogas à de escravo; III - submetê-la a qualquer tipo de servidão; IV - adoção ilegal; ou V - exploração sexual. Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa. § 1o A pena é aumentada de um terço até a metade se: I - o crime for cometido por funcionário público no exercício de suas funções ou a pretexto de exercê- las; II - o crime for cometido contra criança, adolescente ou pessoa idosa ou com deficiência; III - o agente se prevalecer de relações de parentesco, domésticas, de coabitação, de hospitalidade, de dependência econômica, de autoridade ou de superioridade hierárquica inerente ao exercício de emprego, cargo ou função; ou IV - a vítima do tráfico de pessoas for retirada do território nacional. § 2o A pena é reduzida de um a dois terços se o agente for primário e não integrar organização criminosa. A realização de qualquer das condutas típicas só configurará infração penal se realizada mediante violência física, grave ameaça, coação, fraude ou abuso. A ação penal é pública incondicionada. A competência é da Justiça Estadual, exceto no caso de tráfico internacional em que a apuração deve ser feita na Justiça Federal, nos termos do art. 109, V, da Carta Magna, que estabelece ser de competência da Justiça Federal a punição para crimes previstos em tratado ou convenção internacional quando, iniciada a execução no País, o resultado tenha ou devesse ter ocorrido no estrangeiro ou reciprocamente. #FAZOLINK! É constitucional norma que permite, mesmo sem autorização judicial, que delegados de polícia e membros do Ministério Público requisitem de quaisquer órgãos do Poder Público ou de empresas da iniciativa privada o repasse de dados e informações cadastrais da vítima ou dos suspeitos em investigações sobre os crimes de cárcere privado, redução a condição análoga à de escravo, tráfico de pessoas, sequestro relâmpago, extorsão mediante sequestro e envio ilegal de criança ao exterior (art. 13-A, CPP). 046.436.626-70 CARD 44 – DROPS MAGISTRATURA FEDERAL Ciclos Método 5 É constitucional norma que possibilita, mediante autorização judicial, a requisição às empresas prestadoras de serviço de telecomunicações e/ou telemática da disponibilização imediata de sinais, informações e outros dados que viabilizem a localização da vítima ou dos suspeitos daqueles mesmos delitos (art. 13-B, CPP). Logo, são constitucionais os arts. 13-A e 13-B do CPP, inseridos pela Lei nº 13.344/2016. STF. Plenário. ADI 5.642/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 19/04/2024 (Info 1133). ESTELIONATO COM ATIVOS VIRTUAIS #ABREOVADENOCP! Art. 171-A. Organizar, gerir, ofertar ou distribuir carteiras ou intermediar operações que envolvam ativos virtuais, valores mobiliários ou quaisquer ativos financeiros com o fim de obter vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento. (Incluído pela Lei nº 14.478, de 2022) Vigência Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa. (Incluído pela Lei nº 14.478, de 2022) Vigência #SELIGA! #AJUDAMARCINHO! Valores mobiliários A definição de valores mobiliários está no art. 2º da Lei nº 6.385/76: Art. 2º São valores mobiliários sujeitos ao regime desta Lei: I - as ações, debêntures e bônus de subscrição; II - os cupons, direitos, recibos de subscrição e certificados de desdobramento relativos aos valores mobiliários referidos no inciso II; III - os certificados de depósito de valores mobiliários; IV - as cédulas de debêntures; V - as cotas de fundos de investimento em valores mobiliários ou de clubes de investimento em quaisquer ativos; VI - as notas comerciais; VII - os contratos futuros, de opções e outros derivativos, cujos ativos subjacentessejam valores mobiliários; VIII - outros contratos derivativos, independentemente dos ativos subjacentes; e IX - quando ofertados publicamente, quaisquer outros títulos ou contratos de investimento coletivo, que gerem direito de participação, de parceria ou de remuneração, inclusive resultante de prestação de serviços, cujos rendimentos advêm do esforço do empreendedor ou de terceiros. § 1º Excluem-se do regime desta Lei: 046.436.626-70 CARD 44 – DROPS MAGISTRATURA FEDERAL Ciclos Método 6 I - os títulos da dívida pública federal, estadual ou municipal; II - os títulos cambiais de responsabilidade de instituição financeira, exceto as debêntures. (...) Quaisquer ativos financeiros Expressão residual que abrange outros ativos com valor econômico e que sirvam para investimento. É o caso, por exemplo, das letras de crédito do agronegócio (LCA) e letras de crédito imobiliário (LCI). Competência Penso que a competência para julgar o crime do art. 171-A do CP seja da Justiça Federal porque as prestadoras de serviços de ativos virtuais somente poderão funcionar no País mediante prévia autorização de órgão ou entidade da Administração Pública federal (art. 2º da Lei nº 14.478/2022). Além disso, depois de autorizadas, o funcionamento das prestadoras de serviços de ativos virtuais está sujeito à disciplina federal, que fará a supervisão de sua atuação (art. 6º). Desse modo, fica caracterizado o interesse direto e específico da União, nos termos do art. 109, I, da CF/88: Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar: (...) IV - os crimes políticos e as infrações penais praticadas em detrimento de bens, serviços ou interesse da União ou de suas entidades autárquicas ou empresas públicas, excluídas as contravenções e ressalvada a competência da Justiça Militar e da Justiça Eleitoral; O crime do art. 171-A do CP poderia ser considerado de competência da Justiça Federal com base no art. 109, VI, da CF/88? Não. Veja o que diz o art. 109, VI, da CF/88: Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar: VI - os crimes contra a organização do trabalho e, nos casos determinados por lei, contra o sistema financeiro e a ordem econômico-financeira; O crime do art. 171-A do CP é, em minha opinião, crime contra o sistema financeiro, apesar de não estar na Lei nº 7.492/86. No entanto, não basta isso. O inciso VI afirma que os crimes contra o sistema financeiro e contra a ordem econômico-financeira somente serão de competência da Justiça Federal nos casos determinados por lei. Em outras palavras, nem todos os crimes contra o sistema financeiro e contra a ordem econômico-financeira serão de competência da Justiça 046.436.626-70 CARD 44 – DROPS MAGISTRATURA FEDERAL Ciclos Método 7 Federal, mas apenas nas hipóteses em que lei assim determinar. Por expressa previsão legal, os crimes contra o sistema financeiro previstos na Lei nº 7.492/86 são julgados pela Justiça Federal. Segundo o art. 26 da LCSFN: Art. 26. A ação penal, nos crimes previstos nesta lei, será promovida pelo Ministério Público Federal, perante a Justiça Federal. Desse modo, seria mais técnico que o legislador tivesse incluído a conduta descrita no art. 171-A do CP na Lei nº 7.492/86. CRIMES PREVIDENCIÁRIOS #APOSTACICLOS Neste tópico abarcamos 3 crimes que são denominados pela doutrina como “crimes previdenciários”: • APROPRIAÇÃO INDÉBITA PREVIDENCIÁRIA; • ESTELIONATO PREVIDENCIÁRIO; • SONEGAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Por se tratar de crimes cometidos contra o INSS (autarquia federal), a competência para julgamento será da Justiça Federal, nos termos do art. 109, IV, da CF. APROPRIAÇÃO INDÉBITA PREVIDENCIÁRIA (ART. 164-A, do CP) #DEOLHONAJURIS: Apropriação indébita de contribuição previdenciária não exige "dolo específico". Para a caracterização do crime de apropriação indébita de contribuição previdenciária (art. 168-A do CP), não há necessidade de comprovação do “dolo específico” de se apropriar de valores destinados à previdência social. STJ. 6ª Turma. AgRg no Ag 1083.417-SP, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 25/6/2013 (Info 526). STJ. 3ª Seção. EREsp 1296631-RN, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 11/9/2013 (Info 528). Efeitos da suspensão da exigibilidade de crédito tributário na prescrição da pretensão punitiva. A prescrição da pretensão punitiva do crime de apropriação indébita previdenciária (art. 168-A do CP) permanece suspensa enquanto a exigibilidade do crédito tributário estiver suspensa em razão de decisão de antecipação dos efeitos da tutela no juízo cível. Isso porque a decisão cível acerca da exigibilidade do crédito tributário repercute diretamente no reconhecimento da própria existência do tipo penal, visto ser o crime de apropriação indébita previdenciária um delito de natureza material, que pressupõe, para sua consumação, a 046.436.626-70 CARD 44 – DROPS MAGISTRATURA FEDERAL Ciclos Método 8 realização do lançamento tributário definitivo. STJ. 5ª Turma. RHC 51596-SP, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 3/2/2015 (Info 556). #AJUDAMARCINHO: A apropriação indébita previdenciária é uma espécie de crime tributário? SIM. Normalmente, imagina-se que os crimes contra a ordem tributária são apenas aqueles previstos nos arts. 1º e 3º da Lei nº 8.137/90. Trata-se de um engano. Além dos delitos previstos nesse diploma, existem também crimes tributários tipificados no Código Penal, dentre eles a apropriação indébita previdenciária. A apropriação indébita previdenciária é um crime tributário material? Para que haja a consumação do delito é necessária a constituição definitiva do crédito tributário? Aplica-se a SV 24-STF? SIM. A apropriação indébita previdenciária (art. 168-A do CP) é crime omissivo material (e não formal), de modo que, por força do princípio da isonomia, aplica-se a ele também a SV 24 (STJ. 6ª Turma. HC 270.027/RS, julgado em 05/08/2014). Assim, para a sua consumação, é indispensável o prévio exaurimento da via administrativa em que se discute a exigibilidade do tributo. Em outras palavras, é necessário que, no âmbito administrativo-fiscal, a questão já tenha sido definitivamente julgada e haja uma certeza de que o tributo é realmente devido. SV 24-STF: Não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no art. 1º, incisos I a IV, da Lei nº 8.137/90, antes do lançamento definitivo do tributo. Desse modo, a apropriação indébita previdenciária também é crime material, exigindo, para sua consumação, a ocorrência de resultado naturalístico consistente em dano para a Previdência (o que é demonstrado por meio da constituição definitiva do crédito tributário, no qual fica patente que o contribuinte está realmente devendo a contribuição previdenciária, que é uma espécie de tributo). #DEOLHONORR O crime de apropriação indébita previdenciária, previsto no art. 168-A, § 1º, I, do Código Penal, possui natureza de delito material, que só se consuma com a constituição definitiva, na via administrativa, do crédito tributário, consoante o disposto na Súmula Vinculante n. 24 do Supremo Tribunal Federal. STJ. 3ª Seção. REsp 1.982.304-SP, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 17/10/2023 (Recurso Repetitivo – Tema 1166) (Info 792). 046.436.626-70 CARD 44 – DROPS MAGISTRATURA FEDERAL Ciclos Método 9 ESTELIONATO PREVIDENCIÁRIO (ART. 171, §3º, CP) Consiste em uma hipótese de estelionato majorado (+ 1/3). Súmula 24-STJ: Aplica-se ao crime de estelionato, em que figure como vítima entidade autárquica da previdência social, a qualificadora do § 3º, do art. 171 do Código Penal. #APOSTACICLOS: Estelionato previdenciário (art. 171, § 3º do CP): crime permanente ou instantâneo? O estelionato previdenciário é crime “permanente” ou “instantâneo de efeitos permanentes”? • Quando praticado pelo próprio beneficiário: é PERMANENTE.• Quando praticado por terceiro diferente do beneficiário: é INSTANTÂNEO de efeitos permanentes. STF. 1ª Turma. HC 102049, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 22/11/2011. STJ. 6ª Turma. HC 190071/RJ, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 02/05/2013. Pessoa que, após a morte do beneficiário, passa a receber mensalmente o benefício em seu lugar: estelionato em continuidade delitiva. Se a pessoa, após a morte do beneficiário, passa a receber mensalmente o benefício em seu lugar, mediante a utilização do cartão magnético do falecido, pratica o crime de estelionato previdenciário (art. 171, § 3º, do CP) em continuidade delitiva. Segundo o STJ, nessa situação, não se verifica a ocorrência de crime único, pois a fraude é praticada reiteradamente, todos os meses, a cada utilização do cartão magnético do beneficiário já falecido. Assim, configurada a reiteração criminosa nas mesmas condições de tempo, lugar e maneira de execução, tem incidência a regra da continuidade delitiva prevista no art. 71 do CP. A hipótese, ressalte-se, difere dos casos em que o estelionato é praticado pelo próprio beneficiário e daqueles em que o não beneficiário insere dados falsos no sistema do INSS visando beneficiar outrem; pois, segundo a jurisprudência do STJ e do STF, nessas situações, o crime deve ser considerado único, de modo a impedir o reconhecimento da continuidade delitiva. STJ. 6ª Turma. REsp 1282118-RS, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 26/2/2013 (Info 516). SONEGAÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA (ART. 337-A DO CP) #ABREOVADE! Art. 337-A. Suprimir ou reduzir contribuição social previdenciária e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) 046.436.626-70 CARD 44 – DROPS MAGISTRATURA FEDERAL Ciclos Método 10 I – omitir de folha de pagamento da empresa ou de documento de informações previsto pela legislação previdenciária segurados empregado, empresário, trabalhador avulso ou trabalhador autônomo ou a este equiparado que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) II – deixar de lançar mensalmente nos títulos próprios da contabilidade da empresa as quantias descontadas dos segurados ou as devidas pelo empregador ou pelo tomador de serviços; (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) III – omitir, total ou parcialmente, receitas ou lucros auferidos, remunerações pagas ou creditadas e demais fatos geradores de contribuições sociais previdenciárias: (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) Pena – reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) § 1o É extinta a punibilidade se o agente, espontaneamente, declara e confessa as contribuições, importâncias ou valores e presta as informações devidas à previdência social, na forma definida em lei ou regulamento, antes do início da ação fiscal. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) § 2o É facultado ao juiz deixar de aplicar a pena ou aplicar somente a de multa se o agente for primário e de bons antecedentes, desde que: (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) I – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) II – o valor das contribuições devidas, inclusive acessórios, seja igual ou inferior àquele estabelecido pela previdência social, administrativamente, como sendo o mínimo para o ajuizamento de suas execuções fiscais. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) § 3o Se o empregador não é pessoa jurídica e sua folha de pagamento mensal não ultrapassa R$ 1.510,00 (um mil, quinhentos e dez reais), o juiz poderá reduzir a pena de um terço até a metade ou aplicar apenas a de multa. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) § 4o O valor a que se refere o parágrafo anterior será reajustado nas mesmas datas e nos mesmos índices do reajuste dos benefícios da previdência social. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) Extinção da punibilidade prevista no art. 337-A: a. Espontaneamente b. declara e confessa as contribuições c. Antes da ação fiscal Art. 337-AS §1º. É extinta a punibilidade se o agente, espontaneamente, declara e confessa as contribuições, importâncias ou valores e presta as informações devidas à previdência social, na forma definida em lei ou regulamento, antes do início da ação fiscal. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) 046.436.626-70 CARD 44 – DROPS MAGISTRATURA FEDERAL Ciclos Método 11 Obs.: Diferencia-se da APROPRIAÇÃO INDÉBITA, pois na apropriação exige o efetivo pagamento do tributo sonegado. Também se aplica ao crime de sonegação de contribuição previdenciária o entendimento da Súmula Vinculante 24. #ATENÇÃO: A SV24 não se aplica ao crime de estelionato previdenciário pois não é considerado como crime tributário. O entendimento mais recente do STJ é que não poderá haver continuidade delitiva entre os crimes de apropriação indébita previdenciária e sonegação de contribuição previdenciária. Não se aplica o princípio da insignificância aos crimes previdenciários. #DEOLHONAJURIS! A representação fiscal para fins penais relativa aos crimes de apropriação indébita previdenciária e de sonegação de contribuição previdenciária será encaminhada ao ministério público depois de proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente. STF. Plenário. ADI 4980/DF, Rel. Min. Nunes Marques, julgado em 10/3/2022 (Info 10 CRIMES CONTRA O SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL: #APOSTACICLOS O SFN é o conjunto de órgãos, entidades e empresas, que atuam na regulamentação, controle e fiscalização das atividades relacionadas com a circulação de moeda e de crédito em nosso país. Trata-se de bem jurídico transindividual. Ter um Sistema Financeiro sólido, confiável e eficiente é muito importante para o progresso de um país, porque assim estará disponível maior volume de crédito circulando no mercado, com um custo menor. #IMPORTANTE: #ABREOVADE! Art. 1º da Lei 7492/86 Considera-se instituição financeira, para efeito desta lei, a pessoa jurídica de direito público ou privado, que tenha como atividade principal ou acessória, cumulativamente ou não, a captação, intermediação ou 046.436.626-70 CARD 44 – DROPS MAGISTRATURA FEDERAL Ciclos Método 12 aplicação de recursos financeiros (Vetado) de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, ou a custódia, emissão, distribuição, negociação, intermediação ou administração de valores mobiliários. Parágrafo único. Equipara-se à instituição financeira: I - a pessoa jurídica que capte ou administre seguros, câmbio, consórcio, capitalização ou qualquer tipo de poupança, ou recursos de terceiros; I-A - a pessoa jurídica que ofereça serviços referentes a operações com ativos virtuais, inclusive intermediação, negociação ou custódia; (Incluído pela Lei nº 14.478, de 2022) Vigência II - a pessoa natural que exerça quaisquer das atividades referidas neste artigo, ainda que de forma eventual. No que tange à competência, dispõe a CF: #ABREOVADE! Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar: (...) VI – (...) nos casos determinados por lei, contra o sistema financeiro (...). Assim, a Constituição estabelece que nem todos os crimes contra o sistema financeiro nacional são de competência da Justiça Federal, mas somente aqueles definidos por lei. Nesse sentido, a Lei nº 7.492/86, em seu art. 26, prevê: #ABREOVADE! Art. 26. A ação penal, nos crimes previstos nesta lei, será promovida pelo Ministério Público Federal, perante a Justiça Federal. QUANTO À AUTORIA OS CRIMES CONTRA O SFN CLASSIFICAM-SE DA SEGUINTE FORMA: CRIMES PRÓPRIOS DE ADMINISTRADOR: Arts. 4º a 6º, 8º a 11, 16, 17 e 18; CRIMES PRÓPRIOS DE EX-ADMINISTRADOR: Arts. 12 e 14, p.ú.; CRIMES COMUNS: Arts. 2º e 3º, 14, 16, 19, 20, 21 e 22; CRIMES PRÓPRIOS DE INTERVENTOR,LIQUIDANTE E SÍNDICO: Arts. 13, p.ú., 15; CRIME PRÓPRIO DE FUNCIONÁRIO PÚBLICO: Art. 23. #DEOLHONAJURIS! 046.436.626-70 CARD 44 – DROPS MAGISTRATURA FEDERAL Ciclos Método 13 A condenação de terceiro pelo crime de gestão fraudulenta (art. 4º, caput, da Lei 7.492/86) exige a demonstração concreta, por meio de provas, da ciência de que os atos para os quais estava concorrendo tinham por finalidade a gestão fraudulenta da instituição financeira Caso adaptado: diretores do Banco Econômico S.A. manipularam a contabilidade da instituição financeira para que esta apresentasse resultados positivos artificiais e, assim, distribuísse dividendos indevidos aos seus acionistas. Para fazer isso, o banco realizou uma série de operações imobiliárias suspeitas, que incluíram a supervalorização de imóveis e a realização de transações simuladas com empresas coligadas, visando ocultar dívidas e inflar seu patrimônio de forma ilícita. Uma das empresas que foi utilizada para essa prática foi a Alfa Empreendimentos Imobiliários, empresa de médio porte no ramo imobiliário, de propriedade de João. A Alfa adquiriu um imóvel do Banco por um valor significativamente superior ao de mercado, dando em seguida esse mesmo imóvel como garantia para um empréstimo que contraiu junto ao mesmo banco, em uma operação que envolveu vários intermediários e não seguiu os trâmites legais adequados, como o registro do imóvel e o pagamento do ITBI. Após uma investigação, o MPF acusou João e os diretores do Banco Econômico S.A. de gestão fraudulenta, delito previsto no art. 4º, caput, da Lei nº 7.492/86. João alegou, em sua defesa, que não sabia que as operações tinham por objetivo a prática de fraudes na gestão do banco e que ele queria apenas obter lucro com o negócio. Logo, ele nunca teve o dolo de praticar esse crime, devendo, portanto, ser absolvido. O STJ concordou com a defesa. No caso, não há qualquer elemento concreto de prova, demonstrando que o sentenciado, enquanto administrador da sua empresa, que não era instituição financeira, tinha ciência de que as transações por ela realizadas, algumas com o banco, objetivavam a execução de fraudes na gestão desta instituição bancária. STJ. 6ª Turma. REsp 2.116.936-BA, Rel. Min. Teodoro Silva Santos, julgado em 12/3/2024 (Info 804). O crime de “obter, mediante fraude, financiamento em instituição financeira”(art. 19 da Lei nº 7.492/86) se consuma no momento em que assinado o contrato de obtenção de financiamento mediante fraude. Caso concreto: foram apresentados documentos falsos para a obtenção de financiamento imobiliário junto à CEF. O contrato de financiamento chegou a ser assinado e, posteriormente, a fraude foi descoberta, antes da liberação do crédito. Mesmo assim, o crime do art. 19 da Lei nº 7.492/86 deve ser considerado como consumado, não havendo mera tentativa. STJ. 5ª Turma.AgRg no REsp 2.002.450-SE, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 17/4/2023 (Info 771). Se a denúncia imputa a oferta pública de contrato de investimento coletivo (sem prévio registro), não há dúvida de que incide as disposições contidas na Lei nº 7.492/86 (Lei de Crimes contra o Sistema Financeiro), especialmente porque essa espécie de contrato caracteriza valor mobiliário, nos termos do art. 2º, IX, da Lei nº 6.385/76. 046.436.626-70 CARD 44 – DROPS MAGISTRATURA FEDERAL Ciclos Método 14 Logo, compete à Justiça Federal apurar os crimes relacionados com essa conduta. Compete à Justiça Federal julgar crimes relacionados à oferta pública de contrato de investimento coletivo em criptomoedas. STJ. 6ª Turma. HC 530563-RS, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 05/03/2020 (Info 667). A conduta prevista no art. 21, Lei nº 7.492/86, pressupõe fraude que tenha o potencial de dificultar ou impossibilitar a fiscalização sobre a operação de câmbio, com o escopo de impedir a constatação da prática de condutas delitivas diversas ou mesmo eventuais limites legais para a aquisição de moeda estrangeira. STJ. 6ª Turma. REsp 1595546-PR, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 2/5/2017 (Info 604). DOS CRIMES CONTRA O MERCADO DE CAPITAIS - LEI No 6.385/76 Manipulação do Mercado (Incluído pela Lei nº 10.303, de 31.10.2001) Art. 27-C. Realizar operações simuladas ou executar outras manobras fraudulentas destinadas a elevar, manter ou baixar a cotação, o preço ou o volume negociado de um valor mobiliário, com o fim de obter vantagem indevida ou lucro, para si ou para outrem, ou causar dano a terceiros: (Redação dada pela Lei nº 13.506, de 2017) Pena – reclusão, de 1 (um) a 8 (oito) anos, e multa de até 3 (três) vezes o montante da vantagem ilícita obtida em decorrência do crime. (Incluído pela Lei nº 10.303, de 31.10.2001) Uso Indevido de Informação Privilegiada (Incluído pela Lei nº 10.303, de 31.10.2001) Art. 27-D. Utilizar informação relevante de que tenha conhecimento, ainda não divulgada ao mercado, que seja capaz de propiciar, para si ou para outrem, vantagem indevida, mediante negociação, em nome próprio ou de terceiros, de valores mobiliários: (Redação dada pela Lei nº 13.506, de 2017) Pena – reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, e multa de até 3 (três) vezes o montante da vantagem ilícita obtida em decorrência do crime. (Incluído pela Lei nº 10.303, de 31.10.2001) § 1o Incorre na mesma pena quem repassa informação sigilosa relativa a fato relevante a que tenha tido acesso em razão de cargo ou posição que ocupe em emissor de valores mobiliários ou em razão de relação comercial, profissional ou de confiança com o emissor. (Incluído pela Lei nº 13.506, de 2017) § 2o A pena é aumentada em 1/3 (um terço) se o agente comete o crime previsto no caput deste artigo valendo-se de informação relevante de que tenha conhecimento e da qual deva manter sigilo. (Incluído pela Lei nº 13.506, de 2017) Exercício Irregular de Cargo, Profissão, Atividade ou Função (Incluído pela Lei nº 10.303, de 31.10.2001) 046.436.626-70 CARD 44 – DROPS MAGISTRATURA FEDERAL Ciclos Método 15 Art. 27-E. Exercer, ainda que a título gratuito, no mercado de valores mobiliários, a atividade de administrador de carteira, de assessor de investimento, de auditor independente, de analista de valores mobiliários, de agente fiduciário ou qualquer outro cargo, profissão, atividade ou função, sem estar, para esse fim, autorizado ou registrado na autoridade administrativa competente, quando exigido por lei ou regulamento: (Redação dada pela Lei nº 14.317, de 2022) Produção de efeitos Pena – detenção de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa. (Incluído pela Lei nº 10.303, de 31.10.2001) #DEOLHONAJURIS! Se a denúncia imputa a oferta pública de contrato de investimento coletivo (sem prévio registro), não há dúvida de que incide as disposições contidas na Lei nº 7.492/86 (Lei de Crimes contra o Sistema Financeiro), especialmente porque essa espécie de contrato caracteriza valor mobiliário, nos termos do art. 2º, IX, da Lei nº 6.385/76. Logo, compete à Justiça Federal apurar os crimes relacionados com essa conduta. Compete à Justiça Federal julgar crimes relacionados à oferta pública de contrato de investimento coletivo em criptomoedas. STJ. 6ª Turma. HC 530563-RS, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 05/03/2020 (Info 667 #JÁCAIU! Ano: 2022 Banca: TRF - 4ª REGIÃO Órgão: TRF - 4ª REGIÃO Prova: TRF - 4ª REGIÃO - 2022 - TRF - 4ª REGIÃO - Juiz Federal Substituto Dadas as assertivas abaixo, assinale a alternativa CORRETA. I – No crime de tráfico de pessoas com a finalidade de exploração sexual, o consentimento válido da vítima exclui a tipicidade. Contudo, o consentimento dado pela vítima de tráfico de pessoas com a finalidade de exploração sexual é irrelevante para efeitos de exclusão da tipicidade quando decorrente de abuso de sua situação de vulnerabilidade. II – O crime de promoção de migração ilegal é compatívelcom o princípio da não criminalização da migração, pois que não incrimina o comportamento dos migrantes que, ilegalmente, ingressam ou que deixam o território nacional. III – Nos crimes contra o Estado Democrático de Direito, não constitui crime a manifestação crítica aos poderes constitucionais. Conforme referido no julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental que analisou a constitucionalidade do inquérito das fake news que tramita no Supremo Tribunal Federal, inserem-se como constitucionalmente protegidos, quando não acompanhados de atos de violência, discursos que visem ao fim da democracia, pois que expressão da liberdade de pensamento. 046.436.626-70 CARD 44 – DROPS MAGISTRATURA FEDERAL Ciclos Método 16 IV – A prescritibilidade penal das condutas que constituam escravidão e suas formas análogas, no entendimento da Corte Interamericana dos Direitos Humanos no caso Fazenda Brasil Verde, viola a Convenção Americana sobre Direitos Humanos. Alternativas A) Estão corretas apenas as assertivas I e II. B) Estão corretas apenas as assertivas I e III. C) Estão corretas apenas as assertivas III e IV. D) Estão corretas apenas as assertivas I, II e IV. E) Estão corretas apenas as assertivas II, III e IV. Gabaritos: 1- D 046.436.626-70