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CARD 28 – DROPS MAGISTRATURA FEDERAL Ciclos Método 1 046.436.626-70 CARD 28 – DROPS MAGISTRATURA FEDERAL Ciclos Método 2 DROPS DIREITO PENAL – CARD 281 Olá, cicleiroooo! Que orgulho estamos de você iniciando a sua preparação! Nossa #FAMÍLIACICLOS está pronta para lhe oferecer os melhores Drops e o melhor suporte, tudo que você precisa para alavancar seus estudos! Siga firme na sua jornada, lembre-se sempre do seu propósito e dê sempre o seu melhor aqui! Vamos juntos! Abaixo, os pontos que traremos no Card. 4. Concurso de agentes: autoria e participação. Conduta delituosa. Resultado. Relação de causalidade. Imputação. Direitos humanos. Crimes de genocídio. Crime contra o funcionamento do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana. Crimes contra os índios. Crimes resultantes de preconceito de raça e de cor. Crimes contra pessoas com deficiência física. Crimes de tortura. Crimes contra a fé-pública. 6. Ilicitude. Causas de exclusão da ilicitude: estado de necessidade; legítima defesa; estrito cumprimento do dever legal e exercício regular de direito. Crimes na exploração e utilização de energia nuclear. Crimes contra a segurança nacional. Crimes relativos a minas terrestres anti-pessoal. Crimes de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores. 7. Teoria geral da culpabilidade: fundamentos; conceito; elementos e conteúdo. Princípio de culpabilidade. Culpabilidade e pena. Causas de exclusão da culpabilidade. Imputabilidade. Erro de proibição. Crimes contra o serviço postal e o serviço de telegrama. Crimes contra os serviços de telecomunicações. Infrações penais no estatuto do estrangeiro. Crimes contra a seguridade social. 10. Dos crimes previstos na parte especial do Código Penal: dos crimes contra a pessoa; dos crimes contra o patrimônio; dos crimes contra a propriedade imaterial; dos crimes contra a organização do trabalho; dos crimes contra a dignidade sexual; dos crimes contra a incolumidade pública; dos crimes contra a paz pública; dos crimes contra a fé pública; dos crimes contra a administração pública. #MAPEIANOVADE! NÃO DEIXE DE LER – CÓDIGO PENAL Art. 13 Art. 14 Art. 15 Art. 16 Art. 17 Art. 18 Art. 19 Art. 20 Art. 21 Art. 22 Art. 23 Art. 24 1 Por Prof. Ana Paula. 046.436.626-70 CARD 28 – DROPS MAGISTRATURA FEDERAL Ciclos Método 3 Art. 25 Art. 26 Art. 27 Art. 28 NÃO DEIXE DE LER – CÓDIGO PENAL CONCURSO DE PESSOAS Art. 29 Art. 30 Art. 31 CONCURSO DE PESSOAS #ABREOVADE CP, Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas, na medida de sua culpabilidade. De acordo com a previsão legal o concurso de pessoas consiste na participação de dois ou mais agentes para a prática do crime, respondendo todos pelo delito praticado na medida de sua culpabilidade. Para que reste configurado o concurso de pessoas impõe-se a presença dos seguintes requisitos: #DEOLHONATABELA PLURALIDADE DE AGENTES CULPÁVEIS Crimes unissubjetivos, unilaterais ou de concurso eventual: são aqueles normalmente praticados por uma única pessoa, mas admitem o concurso (exemplo: homicídio); o concurso de pessoas previsto na Parte Geral do CP só se aplica aos crimes unissubjetivos e, nesses crimes, todos os agentes devem ser culpáveis, pois, se faltar a culpabilidade de um dos agentes, não há necessariamente o concurso de pessoas, mas a “autoria mediata” OBS: Nos crimes acidentalmente coletivos e nos crimes plurissubjetivos, não se usa o art. 29, caput, CP. Isso porque, nesses casos, o concurso de pessoas é disciplinado pelo próprio tipo penal. A regra especial exclui a regra geral. RELEVÂNCIA CAUSAL DAS CONDUTAS PARA A PRODUÇÃO DO RESULTADO Cada agente pratica a sua conduta e todas as condutas colaboram para a produção do resultado final. OBS: Não há concurso de pessoas na chamada “participação inócua”, em que o agente, subjetivamente, quer concorrer para o resultado, entretanto, objetivamente, ele não concorre. VÍNCULO SUBJETIVO Também chamado de “liame psicológico” ou “concurso de vontades”. É o desejo de colaborar para o crime de terceiro, ainda que este terceiro 046.436.626-70 CARD 28 – DROPS MAGISTRATURA FEDERAL Ciclos Método 4 desconheça a colaboração do agente. OBS: O vínculo subjetivo não se confunde com o prévio ajuste UNIDADE DE INFRAÇÃO PENAL PARA TODOS OS AGENTES Consagra a regra geral da teoria unitária ou monista no concurso de pessoas: todos os que concorrem para o crime respondem pelo mesmo crime. OBS: Há exceções pluralistas no código penal (ex.: corrupção ativa e corrupção passiva) EXISTÊNCIA DE FATO PUNÍVEL É necessário que exista a prática de fato típico e ilícito, o qual deve ser praticado, pelo menos, na forma tentada (art. 31, CP). #SELIGA – Para se falar em concurso de pessoas, é necessário que todos os agentes apresentem vontades homogêneas, ou seja, se o crime é doloso, todos os agentes devem concorrer dolosamente para o resultado. Se, entretanto, é culposo, todos devem concorrer culposamente. • Coautoria É a modalidade de concurso de pessoas em que existem dois ou mais autores. • Coautoria parcial também é chamada de funcional. Nessa coautoria, os agentes praticam atos diversos que, somados, concorrem para a produção do resultado. Exemplo: “A” segura “B” para “C” poder esfaqueá- lo. Nesse caso, há coautoria parcial. • Coautoria direta também é chamada de coautoria material. Nesse caso, os agentes praticam atos idênticos que se unem para a produção do resultado. Exemplo: “A” e “B” esfaqueiam “C”. • Participação Tem natureza acessória, pois ela só existe se existe também uma autoria. Se não há crime para o autor, não há crime para o partícipe. O conceito de partícipe varia de acordo com a teoria do autor adotada: • Se a teoria adotada é a objetivo-formal, partícipe é quem concorre de qualquer forma para o crime sem executá-lo. • Se a teoria adotada é a do domínio do fato, partícipe é quem concorre de qualquer forma para o crime sem executá-lo e sem ter o controle final do fato. 046.436.626-70 CARD 28 – DROPS MAGISTRATURA FEDERAL Ciclos Método 5 • Para se punir o partícipe, o autor deve praticar fato típico, ilícito e ser culpável = teoria da acessoriedade máxima ou extremada (adotada pelo CP) Participação moral: é aquela que se limita a ideias, sugestões e conselhos; essa participação influencia no pensamento do agente; se verifica mediante induzimento ou instigação. Participação material: é aquela que se dá em atos concretos: instrumentos, objetos etc; ocorre por meio do auxílio. Participação de menor importância: é causa de diminuição da pena e, portanto, incide na terceira fase da aplicação da pena. #ABREOVADE Art. 29, §1º, CP: “Se a participação for de menor importância, a pena pode ser diminuída de um sexto a um terço.” Participação impunível: é causa de atipicidade da conduta do partícipe. #ABREOVADE Art. 31, CP: “O ajuste, a determinação ou instigação e o auxílio, salvo disposição expressa em contrário, não são puníveis, se o crime não chega, pelo menos, a ser tentado.” • Cooperação dolosamente distinta Também é chamada de “desvios subjetivos entre os agentes”. #ABREOVADE Art. 29, §2º, CP: “Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á aplicada a pena deste; essa pena será aumentada até metade, na hipótese de ter sido previsível o resultado mais grave.” • Circunstâncias incomunicáveis #ABREOVADE Art. 30, CP: “Não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, salvo quando elementares do crime.” 046.436.626-70 CARD 28 – DROPS MAGISTRATURA FEDERAL Ciclos Método 6 Circunstâncias: são dados acessórios ao crime, dispensáveis para a configuração dafigura penal básica, embora causem influência sobre a duração da pena. Podem ser objetivas e subjetivas: • Circunstâncias objetivas: no crime de furto mediante rompimento de obstáculo, por exemplo, essa circunstância qualifica o crime e vai se comunicar. • Circunstâncias subjetivas: não se comunicam como regra, salvo quando forem elementares, pois se referem ao agente (exemplo: reincidência). Elementar: são dados que constituem o tipo penal, ou seja, são os elementos constitutivos do crime. As elementares sempre se comunicam, sejam de caráter objetivo ou subjetivo. CULPABILIDADE O último elemento do estudo analítico do crime é a culpabilidade. Lembre-se, para a teoria tripartida o crime é fato típico, antijurídico e culpável. Para a teoria bipartida a culpabilidade é pressuposto para a aplicação da pena. A culpabilidade é o juízo de reprovabilidade, e divide-se nas seguintes teorias: a) Teoria Psicológica: Os causalistas acreditavam que o agente era culpável se imputável no momento do crime e se havia agido com dolo ou culpa. b) Teoria normativa (psicológico-normativa): Além de imputável e com dolo ou culpa o agente tinha que estar consciente da ilicitude e ser exigível conduta diversa. c) Teoria extremada da culpabilidade (normativa pura): Se coaduna com a teoria finalista, pois dolo e culpa transportaram-se para a tipicidade (dolo subjetivo). Para essa teoria, os elementos da culpabilidade são: imputabilidade + potencial consciência da ilicitude (dolo normativo) + exigibilidade de conduta diversa. d) Teoria limitada da culpabilidade: A teoria normativa pura se divide em teoria extremada e teoria limitada. O que as diferencia é o tratamento dado ao erro sobre as causas de justificação (exclusão da ilicitude), isto é, descriminantes putativas. A teoria extremada defende que todo erro que recaia sobre uma causa de justificação seja equiparado ao ERRO DE PROIBIÇÃO. A teoria limitada divide o erro sobre pressuposto fático da causa de justificação e o erro sobre a existência ou limites jurídicos de uma causa de 046.436.626-70 CARD 28 – DROPS MAGISTRATURA FEDERAL Ciclos Método 7 justificação. No primeiro caso (erro de fato) aplicam-se as regras do erro de tipo, que aqui passa a se chamar erro de tipo permissivo. No segundo caso (erro sobre a ilicitude da conduta) aplicam-se as regras do erro de proibição. • ELEMENTOS DA CULPABILIDADE: a) Imputabilidade Penal: Capacidade de entender o caráter ilícito da conduta e autodeterminar-se conforme o Direito. Na ausência de qualquer desses elementos será inimputável, de acordo com o critério biopsicológico. O CP também adota o critério biológico, pois os menores de 18 anos são inimputáveis. Lembre-se que a imputabilidade penal deve ser aferida no momento que ocorreu o fato criminoso. Lembre- se, também, que em crime permanente só cessa a conduta quando a vítima é liberada (ex. sequestro), logo, a idade do agente vai ser analisada até que realmente cesse a conduta, com a libertação da vítima/apreensão do agente. O ordenamento jurídico prevê a completa inimputabilidade, que exclui a culpabilidade e impõe medida de segurança (sentença absolutória imprópria); bem como, prevê a semi- imputabilidade, que enseja medida de segurança (sentença absolutória imprópria) ou sentença condenatória com causa de diminuição de pena (-1/3 a 2/3). b) Potencial consciência da ilicitude: neste elemento da imputabilidade, é verificado se a pessoa tinha a possibilidade de conhecer o caráter ilícito do fato, de acordo com as suas características (não como parâmetro o homem médio). Quando o agente age acreditando que sua conduta não é penalmente ilícita comete erro de proibição. c) Exigibilidade de conduta diversa: É verificado se o agente podia agir de outro modo. Caso comprovado que não dava para agir de outra maneira, no caso concreto, a culpabilidade é excluída (isenção de pena). Ex. coação moral irresistível – uma pessoa coage outra a praticar determinado crime, sob ameaça de lhe fazer algum mal grave. Obs. se a coação é física exclui a tipicidade pela falta de conduta. Obs. se podia resistir a coação, recebe apenas uma atenuante genérica. Ex. obediência hierárquica – funcionário público cumpre ordem não manifestamente ilegal emanada pelo seu superior (isenção de pena). Obs. se a ordem é manifestamente ilegal comete crime. #DEOLHONAJURIS Apesar de o art. 42 do Código Penal prever a possibilidade de detração penal na medida de segurança, não há como aplicar esse instituto em caso de tratamento ambulatorial, com a compensação do período já cumprido provisoriamente, mormente por se tratar de medida que não possui função punitiva, 046.436.626-70 CARD 28 – DROPS MAGISTRATURA FEDERAL Ciclos Método 8 nem se sujeita a prazo determinado. STJ. 5ª Turma. AgRg no HC 519.917/SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 09/11/2021. • Inimputabilidade #ABREOVADE CP, Art. 26 - É isento de pena o agente que, por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. Parágrafo único - A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se o agente, em virtude de perturbação de saúde mental ou por desenvolvimento mental incompleto ou retardado não era inteiramente capaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. [SEMI- IMPUTABILIDADE] CP, Art. 27 - Os menores de 18 (dezoito) anos são penalmente inimputáveis, ficando sujeitos às normas estabelecidas na legislação especial. Critérios da inimputabilidade: • Biológico: se importa apenas com a causa, não se importando se ela gerou ou não uma perturbação mental, é adotada no caso da menoridade, pois só analisa a idade (art. 27, CP). Excludentes de culpabilidade Inimputabilidade Menoridade, doença mental, desenvol. mental imcompleto e embriaguez completa acidental Erro de proibição inevitável Coação moral irresistível Obediência hierárquica 046.436.626-70 CARD 28 – DROPS MAGISTRATURA FEDERAL Ciclos Método 9 • Biopsicológico: analisa a causa e as consequências, ou seja, a causa deve ser prevista em lei, existir no momento da prática do crime e fazer com que o sujeito não entenda a ilicitude ou não consiga se determinar com base nesse entendimento; é adotada no caso da doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado (art. 26 do CP). • Psicológico: não importa se a pessoa tem ou não alguma alteração mental, o importante é verificar se a pessoa possui alguma alteração no comportamento ao tempo da conduta; é adotada no caso da embriaguez acidental (art. 28, §1º, CP). #SELIGA: Embriaguez completa acidental #ABREOVADE CP, Art. 28, § 1º - É isento de pena o agente que, por embriaguez completa, proveniente de caso fortuito ou força maior, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. #ATENÇÃO – Quando se fala em embriaguez, trabalha-se com a TEORIA DA AÇÃO LIVRE NA CAUSA (“ACTIO LIBERA IN CAUSA”), segundo a qual na embriaguez, o livre-arbítrio não é aferido no momento da prática da conduta, mas sim se ação foi livre no momento da ingestão da substância. Por esta razão, a embriaguez voluntária, culposa ou preordenada NÃO exclui a imputabilidade. • Erro de proibição inevitável #ABREOVADE Art. 21 - O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a ilicitude do fato, se inevitável, isenta de pena; se evitável, poderá diminuí-la de um sexto a um terço. Afasta a potencial consciência da ilicitude. 046.436.626-70 CARD 28 – DROPS MAGISTRATURA FEDERAL Ciclos Método 10 Valoração paralela da esfera do profano = critério intermediárioadotado pelo CP; a identificação da potencial consciência da ilicitude deve ser feita com base no juízo de uma pessoa leiga/comum (juízo profano); esse é o critério adotado pela doutrina. • Coação moral irresistível e obediência hierárquica #ABREOVADE CP, Art. 22 - Se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência a ordem, não manifestamente ilegal, de superior hierárquico, só é punível o autor da coação ou da ordem. Requisitos da coação moral irresistível: • Ameaça do coator: é a promessa de um mal grave e iminente que o coagido não está obrigado a suportar; esse mal pode ser dirigido ao próprio coagido ou à terceira pessoa ligada a ele. • Inevitabilidade do mal por outro modo: o coagido não tem como evitar esse mal de outra forma. • Caráter irresistível da ameaça: o coagido não tem como enfrentar a ameaça. • Presença de, pelo menos, 3 pessoas envolvidas: coator, coagido e vítima do crime. #SELIGA – Na coação moral irresistível, o coator sempre vai responder pelos crimes praticados pelo coagido e pela tortura. #ATENÇÃO – Na coação FÍSICA irresistível, o coator controla fisicamente o coagido – nesse caso, não há vontade, portanto, a conduta é excluída e, consequentemente, o fato é atípico. Requisitos da obediência hierárquica (cumulativos): • Ordem não manifestamente ilegal; • Ordem emanada de autoridade competente; • Relação de Direito Público: a obediência hierárquica é desdobramento do Poder Hierárquico, o qual é um dos poderes da Administração Pública, assim, o poder hierárquico só existe nas relações de direito público; • Envolvimento mínimo de 3 pessoas: o superior hierárquico, o funcionário público subalterno e a vítima do crime; 046.436.626-70 CARD 28 – DROPS MAGISTRATURA FEDERAL Ciclos Método 11 • Cumprimento estrito da ordem: a ordem deve ser cumprida nos estritos limites em que ela foi emitida pelo superior hierárquico. ILICITUDE A ilicitude pode ser concebida sob um critério subjetivo, em que somente contraria o Direito a conduta dotada de vontade livre e consciente, tendo também o agente capacidade para se autodeterminar de acordo com sua finalidade. Já sob a perspectiva objetiva, como mera contrariedade da conduta em relação àquilo que o ordenamento jurídico determina, sem valoração do aspecto subjetivo. A inimputabilidade, por exemplo, deve ser analisada na culpabilidade. Este é o entendimento que prevalece e será adotado para o estudo da ilicitude, o segundo substrato do conceito analítico de crime. Assim, podemos concluir que a ilicitude é a contraposição da conduta ao ordenamento jurídico. É o segundo elemento do conceito analítico do crime, conforme a teoria tripartida, e no ordenamento Jurídico brasileiro existem duas correntes: a) Para uma, o segundo substrato do crime é a ILICITUDE (NÃO SE PODENDO FALAR EM ANTIJURDICIDADE). Isso porque “crime” constitui um fato jurídico. Assim, a expressão "antijuridicidade" como elementar do crime gera evidente contradição. b) Para a outra, o segundo substrato do crime é a LICITUDE (OU ANTIJURIDICIDADE). A contradição apontada pela 1ª corrente é aparente, pois o termo antijuricidade é usado exclusivamente na teoria geral do crime, não se confundindo com a teoria geral do Direito. • Tipicidade ou Ilicitude A relação entre tipicidade e ilicitude clama pela compreensão das teorias do tipo penal. Uma vez ocorrido um fato típico, a definição de ilicitude depende da teoria adotada, sendo elas: #RESUMEAI: TEORIA DA AUTONOMIA OU ABSOLUTA INDEPENDÊNCIA (VON BELING - 1906). A tipicidade não tem qualquer relação com a ilicitude. Excluída a ilicitude, o fato permanece típico. Ex.: A mata B em legítima defesa. Exclui-se ilicitude. Permanece o fato 046.436.626-70 CARD 28 – DROPS MAGISTRATURA FEDERAL Ciclos Método 12 típico. TEORIA DA INDICIARIEDADE OU “RATIO COGNOSCENDI” (MAXER – 1915) ADOTADA NO BRASIL A existência de fato típico gera presunção de ilicitude. Há, portanto, uma relativa dependência. Excluída a ilicitude, o fato permanece típico. TEORIA DA ABSOLUTA DEPENDÊNCIA OU “RATIO ESSENDI” (MEZGER – 1930) A ilicitude é a essência da tipicidade numa absoluta relação de dependência. Excluída a ilicitude, exclui-se o fato típico. Cria-se o tipo legal do injusto. O crime é o injusto culpável. Injusto = fato típico + ilícito. Ex.: A mata B. Temos um fato típico, que só permanece como tal se também ilícito. Comprovada a legítima defesa, os dois substratos desaparecem. TEORIA DOS ELEMENTOS NEGATIVOS DO TIPO O tipo penal é composto de elementos positivos (explícitos) e elementos negativos (implícitos). Para que o fato seja típico é preciso praticar os positivos e não praticar os negativos. Ex.: art. 121, CP: • Elementos positivos = matar alguém • Elementos negativos = estado necessidade, legítima defesa, estrito cumprimento de dever legal e exercício regular de direito. • Excludentes da Ilicitude 046.436.626-70 CARD 28 – DROPS MAGISTRATURA FEDERAL Ciclos Método 13 a) Estado de Necessidade #ABREOVADE CP, Art. 24 Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar de perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se. § 1º - Não pode alegar estado de necessidade quem tinha o dever legal de enfrentar o perigo. § 2º - Embora seja razoável exigir-se o sacrifício do direito ameaçado, a pena poderá ser reduzida de um a dois terços. A noção de estado de necessidade remete à ideia de sopesamento de bens diante de uma situação adversa. Se há dois bens em perigo, permite-se que seja sacrificado um deles, pois a tutela penal não consegue proteger ambos. O fundamento jurídico reside no conflito de interesses diante de situação adversa. O agente atua movido pelo espírito de conservação, de preservação, de proteção do bem jurídico em risco. É importante se houver provocação de perigo ou de dever legal do agente, há incidência da cláusula de dever jurídico de agir, sendo que a inércia do agente em proteger o bem jurídico pode ensejar a configuração do crime comissivo por omissão (crime omissivo impróprio), desconfigurando o estado de necessidade. Requisitos do estado de necessidade: a) Perigo atual e inevitável: É o risco presente causado por conduta humana (ex.: carro desgovernado), por comportamento de animal (ex.: ataque de cachorro) ou por fato da natureza (ex.: desmoronamento). O perigo não tem destinatário certo (que é uma grande diferença com a legítima defesa). b) Não provocação voluntária do perigo; c) O perigo deve ameaçar direito próprio ou alheio: prevalece que na salvaguarda do interesse de terceiro é dispensável a autorização do titular do direito ameaçado. d) Inevitabilidade do comportamento lesivo: o único meio para salvar direito próprio ou de terceiro é o cometimento de fato lesivo, sacrificando-se bem jurídico alheio (não pode ser o meio mais cômodo). No estado de necessidade, a fuga do perigo é o caminho preferencial. Só pode se alegar estado de necessidade se a fuga não é um caminho viável e o sacrifício do bem jurídico de terceiro é a única forma para salvar direito próprio ou de terceiros. 046.436.626-70 CARD 28 – DROPS MAGISTRATURA FEDERAL Ciclos Método 14 e) Inexigibilidade do sacrifício do interesse ameaçado; f) Finalidade de salvar o bem do perigo, conhecimento da situação de fato exculpante (elemento subjetivo); g) Ausência do dever legal de enfrentar o perigo. Deve-se ressaltar, por fim, que há a exigência de elemento subjetivo na conduta do agente. Ele deve possuir consciência de que está em situação de incidência da causa excludente de ilicitude, bem como agir com a vontade de proteger o bem jurídico posto em perigo.Caso não haja esse elemento subjetivo, não se configurará a situação de estado de necessidade. Quanto à inexigibilidade do sacrifício, a ausência deste elemento afasta o estado de necessidade. Entretanto, neste caso, em que o agente atua para salvar um direito, mas o seu sacrifício era razoável, há previsão de uma causa de diminuição de pena no artigo 24, § 2º, do CP: § 2º - Embora seja razoável exigir-se o sacrifício do direito ameaçado, a pena poderá ser reduzida de um a dois terços. Assim, ainda que não configure a excludente de ilicitude, a atuação do agente para salvar do perigo um bem, cujo sacrifício era razoável exigir, pode ensejar a incidência de uma minorante, ou seja, de uma causa de diminuição de pena. #SELIGA: Estado de necessidade recíproco: Ocorre quando duas pessoas estão em situação de estado de necessidade e buscam o sacrifício do bem jurídico, um do outro, para salvar outro. Exemplo típico é o de dois náufragos, que encontram apenas um salva-vidas. Ambos podem disputar o único colete e seus comportamentos com o intuito de se salvarem estão acobertados pela excludente de ilicitude. #SELIGA: Furto famélico: O furto famélico é aquele realizado por quem busca se alimentar ou alimentar outrem. É a subtração de algo por aquele que possui fome. Pode sim configurar estado de necessidade. Não se deve confundir a atipicidade, por insignificância, com o estado de necessidade do furto famélico. Há situações em que, apesar de afastada a insignificância, é possível a incidência do estado de necessidade em relação ao furto praticado por quem busca saciar a fome a) Legitima Defesa 046.436.626-70 CARD 28 – DROPS MAGISTRATURA FEDERAL Ciclos Método 15 O fundamento da legitima defesa é a premissa de que o homem deve ser autorizado a defender seus bens jurídicos quando o Estado não o fizer, pois o ordenamento jurídico não pode ceder ao injusto. #ABREOVADE CP, Art. 25 - Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente dos meios necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem. Parágrafo único. Observados os requisitos previstos no caput deste artigo, considera-se também em legítima defesa o agente de segurança pública que repele agressão ou risco de agressão a vítima mantida refém durante a prática de crimes. Assim, a Legítima defesa é a causa excludente de ilicitude que acoberta a conduta de repelir, de si mesmo ou de outrem, uma injusta agressão, atual ou iminente. Deve haver o uso moderado dos meios, rechaçar agressão atual ou iminente ao seu próprio bem jurídico ou de terceiros. Requisitos da legítima defesa: a) Agressão injusta (injusto não significa ilícito, o ato pode ser lícito e injusto); b) Agressão atual ou iminente (prevalece que a ação pode ser DOLOSA ou CULPOSA); c) Proteção de direito próprio ou alheio; d) Uso moderado dos meios necessários; e) Conhecimento da situação de fato justificante (animus defendendi – elemento subjetivo consistente na vontade livre e consciente de neutralizar agressão injusta, atual ou iminente, para defender bem jurídico seu ou alheio). Não se exige o commodus discessus, isto é, que a pessoa que sofre a agressão ou sua iminência, fuja do local. #SELIGA: ATAQUE DE ANIMAL Ataque não provocado Ataque provocado pelo dono Configura perigo atual Estado de necessidade Não responde por dano, salvo se a fuga era possível Existe o Comudus dissenso Configura agressão injusta Legítima defesa Não responde por dano, mesmo que a fuga fosse possível Nao há comodus dissenso 046.436.626-70 CARD 28 – DROPS MAGISTRATURA FEDERAL Ciclos Método 16 #IMPORTANTE: Legítima defesa de agente de segurança pública: O Pacote anticrime inseriu o parágrafo único ao artigo 25 do Código Penal, segundo o qual considera-se também em legítima defesa o agente de segurança pública que repele agressão ou risco de agressão a vítima mantida refém durante a prática de crimes. Buscou-se destacar uma situação, por razões eminentemente políticas, que já estava obviamente abrangida pela legítima defesa, que se configura justamente quando há a necessidade de se repelir injusta agressão, atual ou iminente, a direito de outrem. Classificações: a) Legítima defesa real ou própria: é a legítima defesa com todos os pressupostos preenchidos; b) Legítima defesa putativa: como já visto, o termo putativo deriva do verbo latim putare, que significa imaginar, supor. O agente supõe, por erro de tipo ou de proibição, estar acobertado por legítima defesa. Deste modo, repele uma agressão que só é injusta em razão do equívoco do sujeito; c) Legítima defesa sucessiva: é a causa de excludente que acoberta o agente que, após provocar a injusta agressão, busca repelir o excesso. Imaginem que o sujeito agride um outro com um tapa. O outro, buscando se defender da agressão, pega um facão e começa a atacá-lo. Então, o primeiro agressor, verificando esse excesso, se defende, pegando um outro facão para se defender. É um caso de legítima defesa sucessiva, em que um agente se defende do excesso praticado pela vítima, a qual busca se defender da agressão injusta daquele primeiro agente; d) Legítima defesa subjetiva: é o excesso derivado de erro de tipo escusável ou inevitável. Neste caso, a vítima se excede, ao se defender de uma injusta agressão, por interpretar a realidade de forma equivocada, pensando necessitar de meios mais gravosos do que realmente necessita. #OLHAAJURIS: A tese da legítima defesa da honra é inconstitucional, por contrariar os princípios da dignidade da pessoa humana, da proteção à vida e da igualdade de gênero Ao apreciar medida cautelar em ADPF, o STF decidiu que: a) a tese da legítima defesa da honra é inconstitucional, por contrariar os princípios constitucionais da dignidade da pessoa humana (art. 1º, III, da CF/88), da proteção à vida e da igualdade de gênero (art. 5º, da CF/88); b) deve ser conferida interpretação conforme à Constituição ao art. 23, II e art. 25, do CP e ao art. 65 do CPP, de modo a excluir a legítima defesa da honra do âmbito do instituto da legítima defesa; e 046.436.626-70 CARD 28 – DROPS MAGISTRATURA FEDERAL Ciclos Método 17 c) a defesa, a acusação, a autoridade policial e o juízo são proibidos de utilizar, direta ou indiretamente, a tese de legítima defesa da honra (ou qualquer argumento que induza à tese) nas fases pré-processual ou processual penais, bem como durante julgamento perante o tribunal do júri, sob pena de nulidade do ato e do julgamento. STF. Plenário. ADPF 779 MC-Ref/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 13/3/2021 (Info 1009). #IMPORTANTE: Erro de execução e legítima defesa: Como no erro de execução, deve-se considerar a vítima que o agente buscava atingir (vítima virtual), e não aquela que efetivamente atingiu (vítima real). Deste modo, considera- se como tendo efetivamente agido em legítima defesa, nos termos do artigo 73 do Código Penal. #ATENÇÃO: Legítima defesa concomitantemente com estado de necessidade: Cabível. Um exemplo dado pela doutrina é a do agente que, para se defender de um assaltante, subtrai a arma de fogo do vigilante do banco, deixada no chão, sem autorização. Portanto, age em estado de necessidade ara a subtração da arma e, quanto ao assaltante armado, age em legítima defesa ao atirar nele para se defender. #SELIGA: Legítima defesa recíproca: A doutrina NÃO aceita essa hipótese, por ser seu requisito a agressão injusta. Caso o sujeito inicie uma agressão injusta e a vítima se defenda (legítima defesa), não é possível que o sujeito que iniciou a agressão invoque a legítima defesa, pois a agressão da vítima é legítima. Contudo, são cabíveis a legítima defesa sucessiva e a legítima defesa putativa recíproca. A legítima defesa sucessiva é aquela em que a vítima da agressão injusta, ao se defender, se excede nosmeios, o que enseja ao agente que iniciou a agressão injusta a possibilidade de se defender. Isto porque o excesso configura também agressão ilegítima. Legítima defesa putativa é aquela suposta, em que o indivíduo imagina que estão configurados os requisitos da legítima defesa. Deste modo, é possível que a agressão de dois sujeitos seja injusta ao mesmo tempo, sendo que ambos imaginam que está em legítima defesa. #OLHAATABELA: CONTRA CABE LEGÍTIMA DEFESA Agressão injusta de inimputável ou acobertado por outra excludente de culpabilidade LEGÍTIMA DEFESA REAL LEGÍTIMA DEFESA PUTATIVA LEGÍTIMA DEFESA PUTATIVA LEGÍTIMA DEFESA PUTATIVA LEGÍTIMA DEFESA PUTATIVA LEGÍTIMA DEFESA REAL 046.436.626-70 CARD 28 – DROPS MAGISTRATURA FEDERAL Ciclos Método 18 LEGÍTIMA DEFESA REAL LEGÍTIMA DEFESA PUTATIVA POR ERRO DE TIPO EVITÁVEL LEGÍTIMA DEFESA REAL LEGÍTIMA DEFESA SUBJETIVA (EXCESSO) ESTADO DE NECESSIDADE LEGÍTIMA DEFESA Conflito entre vários bens jurídicos diante da mesma situação de perigo Ameaça ou ataque a um bem jurídico Pressupõe: perigo + atual + sem destinatário certo Pressupões: agressão humana + atual/iminente + injusta + com destinatário certo Os interesses em conflito são legítimos. Conclusão: cabe estado de necessidade X estado de necessidade Os interesses do agressor são ilegítimos. Conclusão: não cabe legítima defesa X legítima defesa b) Estrito cumprimento de dever legal #ABREOVADE CP, Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato: (...) III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito. Excesso punível Parágrafo único - O agente, em qualquer das hipóteses deste artigo, responderá pelo excesso doloso ou culposo. O agente público, no desempenho de suas atividades, não raras vezes é obrigado, por lei (em sentido amplo), a violar um bem jurídico. Essa intervenção lesiva, dentro de limites aceitáveis, é justificada pelo estrito cumprimento de um dever legal. Assim, a excludente refere-se à conduta de quem realiza um fato típico no cumprimento estrito de um dever previsto em lei, dentro dos limites por ela determinados. O dever legal é aquele imposto pela lei, não se podendo confundir com dever moral ou religioso. Entende-se, para fins dessa excludente, que o termo LEGAL abrange sentença, decreto ou qualquer ato normativo infralegal, desde que possua base legal. Trata-se de uma discriminante penal em branco, pois a conduta permissiva, qual seja o dever do agente, é complementado por outra norma jurídica. O cumprimento desse deve ser estrito, excluindo-se excessos ou desvios. Dessa forma, também há o elemento subjetivo pois o agente deve ter conhecimento da situação 046.436.626-70 CARD 28 – DROPS MAGISTRATURA FEDERAL Ciclos Método 19 que o permite agir em estrito cumprimento de um dever legal. Caso contrário, o fato é ilícito. Ademais, importante destacar que a excludente do estrito cumprimento do dever legal se estende aos coautores e partícipes do fato. Para maior parte da doutrina o particular também pode agir em estrito cumprimento de dever legal, a exemplo o caso do advogado que se nega a depor, em juízo, sobre fatos confidenciados pelo cliente, o mesário nas eleições, entre outros. Importante mencionar que pela perspectiva da tipicidade conglobante, o estrito cumprimento do dever legal não exclui a ilicitude, mas a tipicidade, pois o ato não é antinormativo, para eles, o agente sequer praticou fato típico. c) Exercício regular de direito: #ABREOVADE CP, Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato: (...) III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito. Excesso punível Parágrafo único - O agente, em qualquer das hipóteses deste artigo, responderá pelo excesso doloso ou culposo. Compreende condutas do cidadão comum autorizadas pela existência de um direito definido em lei e condicionadas à regularidade do exercício desse direito. #OLHAOGANCHO: “Art. 301 C.P.P. - Qualquer do povo poderá e as autoridades policiais e seus agentes deverão prender quem quer que seja encontrado em flagrante delito.” Note-se que qualquer do povo poderá: é exercício regular de direito; ao passo que as autoridades deverão: é estrito cumprimento do dever legal. Requisitos: a) Proporcionalidade da atuação; b) Indispensabilidade da prática do ato; c) Presença do elemento subjetivo, qual seja o conhecimento da situação. 046.436.626-70 CARD 28 – DROPS MAGISTRATURA FEDERAL Ciclos Método 20 Exemplos: Retenção da coisa alheia para ressarcimento de benfeitorias úteis e necessárias (Art. 1219, CC); Castigo moderado dos filhos como meio de dirigir a educação (art. 1634, I, CC; com atenção ao art. 18-A, ECA). #SELIGA: Ofendículos: É o aparato preordenado para defesa de patrimônio, a exemplo de cercas elétricas, arame farpado em muro, entre outros. Segundo a doutrina deve ser utilizado com prudência e razoabilidade. Se não for visível ou facilmente detectável é uma defesa mecânica predisposta, por se tratar de aparato oculto é legítima defesa. Qual a natureza? A doutrina majoritária entende que é exercício regular do direito e, quando efetivamente utilizado, é legítima defesa preordenada. DOS CRIMES CONTRA A PAZ PÚBLICA • Associação Criminosa #ABREOVADE! Art. 288. Associarem-se 3 (três) ou mais pessoas, para o fim específico de cometer crimes: (Redação dada pela Lei nº 12.850, de 2013) (Vigência) Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos. (Redação dada pela Lei nº 12.850, de 2013) (Vigência) Parágrafo único. A pena aumenta-se até a metade se a associação é armada ou se houver a participação de criança ou adolescente. (Redação dada pela Lei nº 12.850, de 2013) (Vigência) • Constituição de milícia privada #ABREOVADE! Art. 288-A. Constituir, organizar, integrar, manter ou custear organização paramilitar, milícia particular, grupo ou esquadrão com a finalidade de praticar qualquer dos crimes previstos neste Código: (Incluído dada pela Lei nº 12.720, de 2012) Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos. (Incluído dada pela Lei nº 12.720, de 2012) DOS CRIMES CONTRA A FÉ PÚBLICA • Falsificação de documento público #ABREOVADE! 046.436.626-70 CARD 28 – DROPS MAGISTRATURA FEDERAL Ciclos Método 21 Art. 297 - Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou alterar documento público verdadeiro: Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa. § 1º - Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendo-se do cargo, aumenta-se a pena de sexta parte. § 2º - Para os efeitos penais, equiparam-se a documento público o emanado de entidade paraestatal, o título ao portador ou transmissível por endosso, as ações de sociedade comercial, os livros mercantis e o testamento particular. § 3o Nas mesmas penas incorre quem insere ou faz inserir: (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) I – na folha de pagamento ou em documento de informações que seja destinado a fazer prova perante a previdência social, pessoa que não possua a qualidade de segurado obrigatório;(Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) II – na Carteira de Trabalho e Previdência Social do empregado ou em documento que deva produzir efeito perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter sido escrita; (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) III – em documento contábil ou em qualquer outro documento relacionado com as obrigações da empresa perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter constado. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) § 4o Nas mesmas penas incorre quem omite, nos documentos mencionados no § 3o, nome do segurado e seus dados pessoais, a remuneração, a vigência do contrato de trabalho ou de prestação de serviços.(Incluído pelaLei nº 9.983, de 2000) • Falsidade ideológica #ABREOVADE! Art. 299 - Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante: Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o documento é público, e reclusão de um a três anos, e multa, de quinhentos mil réis a cinco contos de réis, se o documento é particular. (Vide Lei nº 7.209, de 1984) Parágrafo único - Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendo-se do cargo, ou se a falsificação ou alteração é de assentamento de registro civil, aumenta-se a pena de sexta parte. #OLHAAJURIS! 046.436.626-70 CARD 28 – DROPS MAGISTRATURA FEDERAL Ciclos Método 22 A falsidade ideológica é crime formal e instantâneo, cujos efeitos podem se protrair no tempo. A despeito dos efeitos que possam, ou não, gerar, a falsidade ideológica se consuma no momento em que é praticada a conduta. Diante desse contexto, o termo inicial da contagem do prazo da prescrição da pretensão punitiva é o momento da consumação do delito (e não o da eventual reiteração de seus efeitos). Caso concreto: em 2010, foi incluído um sócio “laranja” no contrato social da empresa. Ele não iria ser sócio realmente, sendo isso uma falsidade ideológica. Logo, considera-se que aí foi praticado o crime. Não se pode afirmar que esse crime (essa conduta) teria sido reiterado quando, por ocasião da alteração contratual ocorrida em 2019, deixou-se de regularizar o nome do sócio verdadeiramente titular da empresa, mantendo- se o nome do “laranja”. Isso porque não há como se entender que constitui novo crime a omissão em corrigir informação falsa por ele inserida em documento público, quando teve oportunidade para tanto. Logo, o termo inicial da contagem da prescrição foi 2010. STJ. 3ª Seção. RvCr 5233-DF, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 13/05/2020 (Info 672). • Uso de documento falso #ABREOVADE! Art. 304 - Fazer uso de qualquer dos papéis falsificados ou alterados, a que se referem os arts. 297 a 302: Pena - a cominada à falsificação ou à alteração. #DEOLHONAJURIS! Se o estrangeiro entrou no Brasil usando passaporte falso, mas depois foi a ele concedida a residência permanente, isso equivale a uma anistia legal, não devendo ele responder pelo crime de uso de documento falso Caso adaptado: um senegalês entrou no Brasil com passaporte falsificado de Guiné-Bissau. O MPF ofereceu denúncia por uso de documento falso. No curso do processo, o Governo brasileiro negou ao senegalês o pedido de refúgio, mas concedeu a residência permanente. Diante disso, o Juiz rejeitou a denúncia criminal por ausência de justa causa. Agiu corretamente o magistrado. Ainda que indeferido o pedido de refúgio, a concessão de residência permanente ao estrangeiro equivale a uma anistia legal para os crimes de uso de documento falso e falsificação de documento público, conforme estabelecido no art. 10, § 1º, da Lei nº 9.474/97 em relação aos refugiados. STJ. 5ª Turma. AREsp 2.346.755-SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 7/11/2023 (Info 795). 046.436.626-70 CARD 28 – DROPS MAGISTRATURA FEDERAL Ciclos Método 23 CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ● Crime funcional próprio e impróprio CRIME FUNCIONAL PRÓPRIO CRIME FUNCIONAL IMPRÓPRIO A ausência da condição de servidor público torna o fato atípico (atipicidade absoluta) A ausência da condição de servidor público faz com que o crime deixe de ser funcional e passe a ser incriminado por outro tipo penal incriminador (atipicidade relativa) ● Peculato #ABREOVADE! Art. 312 do CP. Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio: Pena - reclusão, de dois a doze anos, e multa. § 1º. Aplica-se a mesma pena, se o funcionário público, embora não tendo a posse do dinheiro, valor ou bem, o subtrai, ou concorre para que seja subtraído, em proveito próprio ou alheio, valendo-se de facilidade que lhe proporciona a qualidade de funcionário. § 2º. Se o funcionário concorre culposamente para o crime de outrem: Pena - detenção, de três meses a um ano. § 3º. No caso do parágrafo anterior, a reparação do dano, se precede à sentença irrecorrível, extingue a punibilidade; se lhe é posterior, reduz de metade a pena imposta. PRÓPRIO PECULATO-APROPRIAÇÃO: tem a posse do bem em virtude do cargo e passa a agir como dono. PECULATO-DESVIO: tem a posse do bem em virtude do cargo e o desvia em proveito próprio ou de terceiros. IMPRÓPRIO PECULATO-FURTO: não tem a posse do bem, mas se vale das facilidades do cargo para subtrair ou concorrer para subtração. CULPOSO O agente não observa seu dever de cuidado, concorrendo para que outrem subtraia, desvie ou se aproprie do bem. É infração de menor potencial ofensivo, admitindo transação penal e suspensão condicional do processo. 046.436.626-70 CARD 28 – DROPS MAGISTRATURA FEDERAL Ciclos Método 24 Se o agente reparar o dano até a sentença irrecorrível, extingue a punibilidade; se após isso, reduz a pena pela metade. ESTELIONATO Apropria-se de dinheiro ou qualquer utilidade que, no exercício do cargo, recebeu por erro de outrem. ELETRÔNICO O funcionário insere ou facilita a inserção de dados falsos, altera ou exclui indevidamente dados corretos nos sistemas informatizados ou banco de dados da Administração Pública, com o fim de obter vantagem indevida para si ou para outrem ou para causar dano. REPARAÇÃO DO DANO PECULATO CULPOSO ANTES DA SENTENÇA IRRECORRÍVEL: causa de extinção da punibilidade DEPOIS DA SENTENÇA IRRECORRÍVEL: causa de diminuição da pena PECULATO DOLOSO ATÉ O RECEBIMENTO DA DENÚNCIA: arrependimento posterior APÓS O RECEBIMENTO DA DENÚNCIA E ANTES DO JULGAMENTO: atenuante #DEOLHONAJURIS O princípio da insignificância é aplicável ao crime de contrabando de cigarros quando a quantidade apreendida não ultrapassar 1.000 (mil) maços, seja pela diminuta reprovabilidade da conduta, seja pela necessidade de se dar efetividade à repressão a o contrabando de vulto, excetuada a hipótese de reiteração da conduta, circunstância apta a indicar maior reprovabilidade e periculosidade social da ação. STJ. 3ª Seção.REsps 1.971.993-SP e 1.977.652-SP, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, Rel. para acórdão Min. Sebastião Reis Junior, julgado em 13/9/2023 (Recurso Repetitivo – Tema 1143) (Info 787). • Concussão Art. 316 - Exigir, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida: Pena - reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa. (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019) Excesso de exação § 1º - Se o funcionário exige tributo ou contribuição social que sabe ou deveria saber indevido, ou, quando devido, emprega na cobrança meio vexatório ou gravoso, que a lei não autoriza: (Redação dada pela Lei nº 8.137, de 27.12.1990) Pena - reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa. (Redação dada pela Lei nº 8.137, de 27.12.1990) 046.436.626-70 CARD 28 – DROPS MAGISTRATURA FEDERAL Ciclos Método 25 § 2º - Se o funcionário desvia, em proveito próprio ou de outrem, o que recebeu indevidamente para recolher aos cofres públicos: Pena - reclusão, de dois a doze anos, e multa. ● Corrupção passiva #ABREOVADE! Art. 317 do CP. Solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem: Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa. § 1º.A pena é aumentada de um terço, se, em consequência da vantagem ou promessa, o funcionário retarda ou deixa de praticar qualquer ato de ofício ou o pratica infringindo dever funcional. § 2º. Se o funcionário pratica, deixa de praticar ou retarda ato de ofício, com infração de dever funcional, cedendo a pedido ou influência de outrem: Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa. CORRUPÇÃO PRÓPRIA CORRUPÇÃO IMPRÓPRIA O ato oriundo do funcionário público, que pode ser comissivo ou omissivo, diz respeito a um ato ilícito. Se para cometer o crime de corrupção passiva, na modalidade comissiva ou omissiva, o agente se valer da prática de um ato lícito, ou seja, um ato esperado dentro das funções do funcionário público, tem-se caracterizada a corrupção passiva imprópria. #NÃOCONFUNDA #APOSTACICLOS! CONCUSSÃO Funcionário público exige vantagem indevida. CORRUPÇÃO PASSIVA Funcionário público solicita, recebe ou aceita vantagem indevida. CORRUPÇÃO ATIVA Particular oferece ou promete vantagem indevida a funcionário público. PREVARICAÇÃO O agente viola o dever funcional para satisfazer interesse ou sentimento pessoal, de modo que não envolve um terceiro corruptor. ADVOCACIA ADMINISTRATIVA PATROCINAR, direta ou indiretamente, interesse privado perante a administração pública, valendo-se da qualidade de funcionário. Crime praticado por funcionário público contra a administração em geral. TRÁFICO DE INFLUÊNCIA SOLICITAR, EXIGIR, COBRAR ou OBTER, para si ou para outrem, vantagem 046.436.626-70 CARD 28 – DROPS MAGISTRATURA FEDERAL Ciclos Método 26 ou promessa de vantagem, a pretexto de influir em ato praticado por funcionário público no exercício da função. Crime praticado por particular contra a administração em geral. EXPLORAÇÃO DE PRESTÍGIO SOLICITAR ou RECEBER dinheiro ou qualquer outra utilidade, a pretexto de influir em juiz, jurado, órgão do Ministério Público, funcionário de justiça, perito, tradutor, intérprete ou testemunha. Crime contra a administração da justiça. CRIMES PREVISTOS NO ESTATUTO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA – Lei 13.146/15 #ABREOVADE Art. 88. Praticar, induzir ou incitar discriminação de pessoa em razão de sua deficiência: Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa. § 1º Aumenta-se a pena em 1/3 (um terço) se a vítima encontrar-se sob cuidado e responsabilidade do agente. § 2º Se qualquer dos crimes previstos no caput deste artigo é cometido por intermédio de meios de comunicação social ou de publicação de qualquer natureza: Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. § 3º Na hipótese do § 2º deste artigo, o juiz poderá determinar, ouvido o Ministério Público ou a pedido deste, ainda antes do inquérito policial, sob pena de desobediência: I - recolhimento ou busca e apreensão dos exemplares do material discriminatório; II - interdição das respectivas mensagens ou páginas de informação na internet. § 4º Na hipótese do § 2º deste artigo, constitui efeito da condenação, após o trânsito em julgado da decisão, a destruição do material apreendido. #ABREOVADE Art. 89. Apropriar-se de ou desviar bens, proventos, pensão, benefícios, remuneração ou qualquer outro rendimento de pessoa com deficiência: Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. Parágrafo único. Aumenta-se a pena em 1/3 (um terço) se o crime é cometido: I - por tutor, curador, síndico, liquidatário, inventariante, testamenteiro ou depositário judicial; ou II - por aquele que se apropriou em razão de ofício ou de profissão. #ABREOVADE 046.436.626-70 CARD 28 – DROPS MAGISTRATURA FEDERAL Ciclos Método 27 Art. 90. Abandonar pessoa com deficiência em hospitais, casas de saúde, entidades de abrigamento ou congêneres: Pena - reclusão, de 6 (seis) meses a 3 (três) anos, e multa. Parágrafo único. Na mesma pena incorre quem não prover as necessidades básicas de pessoa com deficiência quando obrigado por lei ou mandado. #ABREOVADE Art. 91. Reter ou utilizar cartão magnético, qualquer meio eletrônico ou documento de pessoa com deficiência destinados ao recebimento de benefícios, proventos, pensões ou remuneração ou à realização de operações financeiras, com o fim de obter vantagem indevida para si ou para outrem: Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa. Parágrafo único. Aumenta-se a pena em 1/3 (um terço) se o crime é cometido por tutor ou curador. LEI 6.001/73 – CRIMES CONTRA OS ÍNDIOS Art. 58. Constituem crimes contra os índios e a cultura indígena: I - escarnecer de cerimônia, rito, uso, costume ou tradição culturais indígenas, vilipendiá-los ou perturbar, de qualquer modo, a sua prática. Pena - detenção de um a três meses; II - utilizar o índio ou comunidade indígena como objeto de propaganda turística ou de exibição para fins lucrativos. Pena - detenção de dois a seis meses; III - propiciar, por qualquer meio, a aquisição, o uso e a disseminação de bebidas alcoólicas, nos grupos tribais ou entre índios não integrados. Pena - detenção de seis meses a dois anos. Parágrafo único. As penas estatuídas neste artigo são agravadas de um terço, quando o crime for praticado por funcionário ou empregado do órgão de assistência ao índio. Art. 59. No caso de crime contra a pessoa, o patrimônio ou os costumes, em que o ofendido seja índio não integrado ou comunidade indígena, a pena será agravada de um terço. 7.716/1989 (CRIMES DE PRECONCEITO) #RELEMBRARÉAPROVAR#APOSTACICLOS CONCEITOS IMPRESCINDÍVEIS 046.436.626-70 CARD 28 – DROPS MAGISTRATURA FEDERAL Ciclos Método 28 RACISMO É a teoria segundo a qual certos povos ou nações são dotados de qualidades psíquicas e biológicas que os tornam superiores a outros seres humanos. PRECONCEITO É o conceito ou opinião formados antecipadamente, sem levar em conta o fato que os conteste, e, por extensão, intolerância, ódio irracional ou aversão a outras raças, credos, religiões etc. DISCRIMINAÇÃO Ao contrário do preconceito, que é estático, consiste em uma atitude dinâmica de separação, apartação ou segregação, traduzindo a manifestação fática ou a concretização do preconceito. Convenção Internacional sobre a Eliminação de todas as Formas de Discriminação Racial Dispõe que a expressão “discriminação racial” significa qualquer distinção, exclusão restrição ou preferência baseadas em raça, cor, descendência ou origem nacional ou étnica que tenha por objetivo ou efeito anular ou restringir o reconhecimento, gozo ou exercício num mesmo plano (em igualdade de condição), de direitos humanos e liberdades fundamentais no domínio político econômico, social, cultural ou em qualquer outro domínio de vida pública. #SELIGA: A prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de RECLUSÃO, nos termos da lei. Lei 7716/89 Art. 1º Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. #SELIGANOSCONCEITOS Raça: conjunto de indivíduos cujos caracteres somáticos, tais como a cor da pele, a conformação do crânio e do rosto, o tipo de cabelo, são semelhantes e se transmitem por hereditariedade, embora variem de indivíduo para indivíduo. Cor: expressão cromática da pele de um indivíduo. Etnia: população ou grupo social que apresenta relativa homogeneidade cultural e linguística, compartilhando história e origem comuns. Religião: crença na existência de uma força ou forças sobrenaturais, considerada(s) como criadora(s) do Universo, e que como tal(is) deve(m) ser adorada(s) e obedecida(s). 046.436.626-70 CARD 28 – DROPS MAGISTRATURA FEDERAL Ciclos Método 29 Procedência nacional: origem nacional ou regional. Logo, XENOFOBIA É RACISMO. Crimes de Preconceito X Injúria Preconceito #APOSTACICLOS Lei nº 14.532/23 passou a tipificaro crime de injúria racial como um crime de racismo, levando-o do capítulo de crimes contra a honra, no Código Penal, para a Lei nº 7.716/89. Desse modo, além da confirmação da posição do STF, no sentido da imprescritibilidade do crime de injúria racial, este crime passa a ser de ação penal pública incondicionada. Frise-se que trata de hipótese de continuidade normativo-típica, não havendo que se falar em abolitio criminis. A menção à raça e etnia foi retirada do artigo 140, §3º, do CP. Em seu lugar, foi inserido o art. 2º-A na Lei de Racismo, com a seguinte redação: Art. 2º-A Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro, em razão de raça, cor, etnia ou procedência nacional. Pena: reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. Parágrafo único. A pena é aumentada de metade se o crime for cometido mediante concurso de 2 (duas) ou mais pessoas. CRIME DE PRECONCEITO INJÚRIA RACIAL Bem jurídico: dignidade humana Bem jurídico: honra subjetiva Crime de ação pena pública incondicionada A partir da Lei nº 14.532/23, passou a ser também de ação penal pública incondicionada! (Anteriormente era de ação pública condicionada a representação). Crime inafiançável e imprescritível *Crime Inafiançável e Imprescritível, conforme entendimento do STF e reiterado pela Lei nº 14.532/23 Raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional Raça, cor, etnia ou procedência nacional O dolo do agente é fazer a distinção da pessoa justamente em razão de sua raça, cor, etnia, religião ou procedência da vítima nacional, sem emitir qualquer conceito depreciativo. É segregar. O dolo do agente é ofender pessoa determinada, emitindo conceitos depreciativos, qualidades negativas. Intenção de ofender a coletividade de determinada Intenção de ofender sujeito passivo determinado. 046.436.626-70 CARD 28 – DROPS MAGISTRATURA FEDERAL Ciclos Método 30 raça, cor, etnia... Crimes em Espécie #VEMDELEISECA Art. 3º Impedir ou obstar o acesso de alguém, devidamente habilitado, a qualquer cargo da Administração Direta ou Indireta, bem como das concessionárias de serviços públicos. Pena: reclusão de dois a cinco anos. Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem, por motivo de discriminação de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional, obstar a promoção funcional. (Incluído pela Lei nº 12.288, de 2010) (Vigência) Art. 4º Negar ou obstar emprego em empresa privada. Pena: reclusão de dois a cinco anos. § 1o Incorre na mesma pena quem, por motivo de discriminação de raça ou de cor ou práticas resultantes do preconceito de descendência ou origem nacional ou étnica: (Incluído pela Lei nº 12.288, de 2010) (Vigência) I - deixar de conceder os equipamentos necessários ao empregado em igualdade de condições com os demais trabalhadores; (Incluído pela Lei nº 12.288, de 2010) (Vigência) II - impedir a ascensão funcional do empregado ou obstar outra forma de benefício profissional; (Incluído pela Lei nº 12.288, de 2010) (Vigência) III - proporcionar ao empregado tratamento diferenciado no ambiente de trabalho, especialmente quanto ao salário. (Incluído pela Lei nº 12.288, de 2010) (Vigência) § 2o Ficará sujeito às penas de multa e de prestação de serviços à comunidade, incluindo atividades de promoção da igualdade racial, quem, em anúncios ou qualquer outra forma de recrutamento de trabalhadores, exigir aspectos de aparência próprios de raça ou etnia para emprego cujas atividades não justifiquem essas exigências. (Incluído pela Lei nº 12.288, de 2010) (Vigência) Art. 5º Recusar ou impedir acesso a estabelecimento comercial, negando-se a servir, atender ou receber cliente ou comprador. Pena: reclusão de um a três anos. Art. 6º Recusar, negar ou impedir a inscrição ou ingresso de aluno em estabelecimento de ensino público ou privado de qualquer grau. Pena: reclusão de três a cinco anos. Parágrafo único. Se o crime for praticado contra menor de dezoito anos a pena é agravada de 1/3 (um terço). 046.436.626-70 CARD 28 – DROPS MAGISTRATURA FEDERAL Ciclos Método 31 Art. 7º Impedir o acesso ou recusar hospedagem em hotel, pensão, estalagem, ou qualquer estabelecimento similar. Pena: reclusão de três a cinco anos. Art. 8º Impedir o acesso ou recusar atendimento em restaurantes, bares, confeitarias, ou locais semelhantes abertos ao público. Pena: reclusão de um a três anos. Art. 9º Impedir o acesso ou recusar atendimento em estabelecimentos esportivos, casas de diversões, ou clubes sociais abertos ao público. Pena: reclusão de um a três anos. Art. 10. Impedir o acesso ou recusar atendimento em salões de cabeleireiros, barbearias, termas ou casas de massagem ou estabelecimento com as mesmas finalidades. Pena: reclusão de um a três anos. Art. 11. Impedir o acesso às entradas sociais em edifícios públicos ou residenciais e elevadores ou escada de acesso aos mesmos: Pena: reclusão de um a três anos. Art. 12. Impedir o acesso ou uso de transportes públicos, como aviões, navios barcas, barcos, ônibus, trens, metrô ou qualquer outro meio de transporte concedido. Pena: reclusão de um a três anos. Art. 13. Impedir ou obstar o acesso de alguém ao serviço em qualquer ramo das Forças Armadas. Pena: reclusão de dois a quatro anos. Art. 14. Impedir ou obstar, por qualquer meio ou forma, o casamento ou convivência familiar e social. Pena: reclusão de dois a quatro anos. Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. (Redação dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/97) Pena: reclusão de um a três anos e multa.(Redação dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/97) 046.436.626-70 CARD 28 – DROPS MAGISTRATURA FEDERAL Ciclos Método 32 § 1º Fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo. (Redação dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/97) Pena: reclusão de dois a cinco anos e multa.(Incluído pela Lei nº 9.459, de 15/05/97) § 2º Se qualquer dos crimes previstos neste artigo for cometido por intermédio dos meios de comunicação social, de publicação em redes sociais, da rede mundial de computadores ou de publicação de qualquer natureza: (Redação dada pela Lei nº 14.532, de 2023) Pena: reclusão de dois a cinco anos e multa.(Incluído pela Lei nº 9.459, de 15/05/97) § 2º-A Se qualquer dos crimes previstos neste artigo for cometido no contexto de atividades esportivas, religiosas, artísticas ou culturais destinadas ao público: (Incluído pela Lei nº 14.532, de 2023) Pena: reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e proibição de frequência, por 3 (três) anos, a locais destinados a práticas esportivas, artísticas ou culturais destinadas ao público, conforme o caso. (Incluído pela Lei nº 14.532, de 2023) § 2º-B Sem prejuízo da pena correspondente à violência, incorre nas mesmas penas previstas no caput deste artigo quem obstar, impedir ou empregar violência contra quaisquer manifestações ou práticas religiosas. (Incluído pela Lei nº 14.532, de 2023) § 3º No caso do § 2º deste artigo, o juiz poderá determinar, ouvido o Ministério Público ou a pedido deste, ainda antes do inquérito policial, sob pena de desobediência: (Redação dada pela Lei nº 14.532, de 2023) I - o recolhimento imediato ou a busca e apreensão dos exemplares do material respectivo;(Incluído pela Lei nº 9.459, de 15/05/97) II - a cessação das respectivas transmissões radiofônicas, televisivas, eletrônicas ou da publicação por qualquer meio; (Redação dada pela Lei nº 12.735, de 2012) (Vigência) III - a interdição das respectivas mensagens ou páginas de informação na rede mundial de computadores. (Incluído pela Lei nº 12.288, de 2010)(Vigência) § 4º Na hipótese do § 2º, constitui efeito da condenação, após o trânsito em julgado da decisão, a destruição do material apreendido. (Incluído pela Lei nº 9.459, de 15/05/97) (...) Art. 20-A. Os crimes previstos nesta Lei terão as penas aumentadas de 1/3 (um terço) até a metade, quando ocorrerem em contexto ou com intuito de descontração, diversão ou recreação. (Incluído pela Lei nº 14.532, de 2023) #SEGURAOGANCHO A previsão acima busca combater o chamado racismo recreativo. 046.436.626-70 CARD 28 – DROPS MAGISTRATURA FEDERAL Ciclos Método 33 Adilson Moreira, autor do livro “O que é racismo recreativo?”, afirma: O conceito de racismo recreativo designa uma política cultural que utiliza o humor para expressar hostilidade em relação a minorias raciais. O humor racista opera como um mecanismo cultural que propaga o racismo, mas que ao mesmo tempo permite que pessoas brancas possam manter uma imagem positiva de si mesmas. Elas conseguem então propagar a ideia de que o racismo não tem relevância social. Não podemos esquecer que o humor é uma forma de discurso que expressa valores sociais presentes em uma dada sociedade. O racismo recreativo existe dentro de uma nação altamente hierárquica e profundamente racista que formulou uma narrativa cultural de cordialidade racial. Ele reproduz estigmas raciais que legitimam uma estrutura social discriminatória, ao mesmo tempo que encobre o papel essencial da raça na construção das disparidades entre negros e brancos2. #NÃOESQUEÇA: - Constitui efeito da condenação a perda do cargo ou função pública, para o servidor público, e a suspensão do funcionamento do estabelecimento particular por prazo não superior a três meses. Estes efeitos não são automáticos, devendo ser motivadamente declarados na sentença. - Na interpretação desta Lei, o juiz deve considerar como discriminatória qualquer atitude ou tratamento dado à pessoa ou a grupos minoritários que cause constrangimento, humilhação, vergonha, medo ou exposição indevida, e que usualmente não se dispensaria a outros grupos em razão da cor, etnia, religião ou procedência. - Em todos os atos processuais, cíveis e criminais, a vítima dos crimes de racismo deverá estar acompanhada de advogado ou defensor público. - Os crimes previstos nos na Lei terão as penas aumentadas de 1/3 (um terço) até a metade, quando praticados por funcionário público, conforme definição do CP, no exercício de suas funções ou a pretexto de exercê-las. Causa de aumento de pena Art. 20-B. Os crimes previstos nos arts. 2º-A e 20 desta Lei terão as penas aumentadas de 1/3 (um terço) até a metade, quando praticados por funcionário público, conforme definição prevista no Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), no exercício de suas funções ou a pretexto de exercê-las. (Incluído pela Lei nº 14.532, de 2023) 2 Fonte: https://www.cartacapital.com.br/justica/adilson-moreira-o-humor-racista-e-um-tipo-de-discurso-de-odio/ 046.436.626-70 CARD 28 – DROPS MAGISTRATURA FEDERAL Ciclos Método 34 #JÁCAIU! Ano: 2023 Banca: FGV Órgão: TRF - 1ª REGIÃO Prova: FGV - 2023 - TRF - 1ª REGIÃO - Juiz Federal Substituto Guilherme, com a intenção de socorrer seu filho, Rodrigo, utiliza, sem consentimento, o carro de seu vizinho, Douglas, para levar Rodrigo ao hospital. A ação de Guilherme é considerada: Alternativas A) criminosa em qualquer hipótese; B) lícita, acobertada pelo exercício regular de um direito; C) lícita, acobertada pela excludente do estado de necessidade agressivo; D) criminosa, se não houver a devolução dos valores equivalentes ao consumo do combustível do veículo; E) lícita, acobertada pela excludente da legítima defesa de terceiros. .. Ano: 2022 Banca: TRF - 3ª REGIÃO Órgão: TRF - 3ª REGIÃO Prova: TRF - 3ª REGIÃO - 2022 - TRF - 3ª REGIÃO - Juiz Substituto Em termos de princípios tributários e de interpretação dominantes na doutrina e jurisprudência é CORRETO afirmar que: Alternativas A) O interesse arrecadatório do Estado, além de fundamental, constitui-se num princípio jurídico per se. B) A interpretação econômica no Direito Tributário, mesmo entendida como a aplicação dos institutos de direito privado, tais como simulação, abuso de direito e dissimulação, é compatível com o direito do contribuinte de planejar suas atividades buscando reduzir a carga tributária. C) Os comentários da Convenção Modelo dos Acordos de Dupla Tributação da OCDE não podem ser utilizados como argumentos persuasivos de interpretação das Convenções brasileiras que a seguem, porque o Brasil ainda não é membro da OCDE. D) O princípio da proporcionalidade não é aplicável em matéria tributária quanto às normas substantivas relativas ao fato gerador ou base de cálculo para se determinar sua propriedade e alcance, mas é aplicável às normas procedimentais adjetivas, especialmente as que se referem ao devido processo legal. Ano: 2023 Banca: FGV Órgão: TRF - 1ª REGIÃO Prova: FGV - 2023 - TRF - 1ª REGIÃO - Juiz Federal Substituto Débora, arquiteta e sem vinculo permanente com a Administração Pública, atuando como perita judicial, recebe honorários, mas não realiza o trabalho pericial. Intimada pelo juiz da causa para devolver a quantia, não o faz. A conduta de Débora se amolda ao crime de: Alternativas A) apropriação indébita (Art.168 do CP); 046.436.626-70 CARD 28 – DROPS MAGISTRATURA FEDERAL Ciclos Método 35 B) peculato (Art. 312 do CP); C) estelionato (Art. 171 do CP); D) advocacia administrativa (Art. 321 do CP); E) falsa perícia (Art. 342 do CP). Gabaritos: 1- C 2- B 046.436.626-70