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Livro Eletrônico Aula 03 Filosofia do Direito p/ DPE-PR (Defensor Público) Karoline Strapasson Jambersi 12154402607 - Bruno Beltrão FILOSOFIA DO DIREITO – DPE-PR teoria e questões Aula 02 – Profa. Karoline Strapasson Profa. Karoline Strapasson www.estrategiaconcursos.com.br 1 de 22 AULA 02 HEBERT L. A HART SUMÁRIO Considerações iniciais ........................................................................ 2 1- Revendo o Positivismo e compreendendo suas lacunas .................. 2 1.1 Quem foi Hart? ......................................................................... 2 1.2 O Positivismo jurídico de Hart .................................................. 3 1.3 Conceituação do Direito. ............................................................ 5 1.4 Semelhanças e diferenças entre Direito, coerção e moral............... 7 2. Uma nova compreensão para o Direito ....................................... 11 2.1 O Direito como união de regras primárias e secundárias. ............. 11 2.2 Regra de conhecimento e validade jurídica. ............................... 12 2.3 A textura aberta do Direito. ..................................................... 14 2.4 Definitividade e infalibilidade da decisão judicial. ........................ 16 2.5 Incerteza na regra de reconhecimento ...................................... 17 Lista das Questões de Aula .............................................................. 19 Considerações Finais ....................................................................... 22 1178772 12154402607 - Bruno Beltrão FILOSOFIA DO DIREITO – DPE-PR teoria e questões Aula 02 – Profa. Karoline Strapasson Profa. Karoline Strapasson www.estrategiaconcursos.com.br 2 de 22 HERBERT HART CONSIDERAÇÕES INICIAIS A aula de hoje versará sobre a filosofia desenvolvida por Hebert Lionel Adolphus Hart que colaborou para o desenvolvimento de um novo olhar sobre o positivismo jurídico. Nossa banca examinadora apresentou no item 3 os seguintes pontos a serem cobrados referentes a este autor: Positivismo jurídico em Hart. Conceituação do Direito. Semelhanças e diferenças entre Direito, coerção e moral. O Direito como união de regras primárias e secundárias. Regra de conhecimento e validade jurídica. A textura aberta do Direito. Definitividade e infalibilidade da decisão judicial. Incerteza na regra de reconhecimento. Nossos temas foram divididos em dois grupos. O primeiro tem por foco central rever alguns conceitos à luz de uma nova interpretação do direito, já o segundo ponto envolve os principais desdobramentos da teoria de Hart. Antes de iniciar o nosso estudo é importante conhecermos um pouco mais sobre este autor e sobre o contexto em que sua principal obra O conceito de Direito. 1- REVENDO O POSITIVISMO E COMPREENDENDO SUAS LACUNAS 1.1 Quem foi Hart? Herbert Lionel Adolphus Hart – filósofo do direito inglês (1907-1992) - é um dos mais importantes autores da Filosofia do Direito do século XX. A sua contribuição para o positivismo se deu por meio da análise da linguagem como elemento primordial para compreender a lei. ͻ Quem foi Hart? ͻ O positivismo jurídico de Hart. ͻ Conceituação do Direito ͻ Semelhanças e diferenças entre o Direito, coerção e moral. Revendo o positivismo e compreendendo suas lacunas ͻ O Direito como uma união de regras primárias e secundárias ͻ Regra de conhecimento e validade jurídica ͻ Textura aberta do Direito ͻ Definitividade e infalibilidade da decisão judicial ͻ Incerteza da regra de reconhecimento. Uma nova compreensão para o Direito 1178772 12154402607 - Bruno Beltrão FILOSOFIA DO DIREITO – DPE-PR teoria e questões Aula 02 – Profa. Karoline Strapasson Profa. Karoline Strapasson www.estrategiaconcursos.com.br 3 de 22 Hart trabalhou como advogado e também desenvolveu estudos sobre a filosofia da linguagem. Após se tornar professor universitário abordou temas relativos a moral, a política judiciária e aos fundamentos do Direito. Seu livro mais importante é O conceito de Direito utilizado como referência pelo nosso edital. A obra foi publicada em 1961 e o objetivo do autor era aprofundar a compreensão do Direito distinguindo-o da moral e da coerção, e corrigir o pensamento de John Langshaw Austin outro pensador da filosofia da linguagem Hart considera o pensamento de Austin como a melhor exposição do positivismo imperativista. Essa corrente compreende que apenas o Estado seria a fonte do Direito e a única expressão do poder normativo. No entanto, essa visão praticamente exclui a validade jurídica do direito consuetudinário. Hart apresenta conceitos diferentes para fundamentar o positivismo para o sistema consuetudinário, recordando que o seu país (Inglaterra) possui esse sistema. Nesse sentido, é preciso a força do reconhecimento social e das estruturas institucionais como condição de validade do sistema jurídico. Dificuldades não conhecidas por países com um sistema constitucional positivado. 1.2 O Positivismo jurídico de Hart O que é o positivismo jurídico? Apesar de já termos visto um autor de peso do positivismo – KELSEN - é importante reforçar a ideia de que existem variantes dentro do positivismo jurídico. Podemos identificar algumas características gerais do positivismo. Uma das centrais é a oposição entre o positivismo e o direito natural. O que é o direito natural? O direito natural considera que temos certos princípios do comportamento humano que são descobertos pela razão e que 1178772 12154402607 - Bruno Beltrão FILOSOFIA DO DIREITO – DPE-PR teoria e questões Aula 02 – Profa. Karoline Strapasson Profa. Karoline Strapasson www.estrategiaconcursos.com.br 4 de 22 possuem uma aplicação universal. Nesse sentido, a lei humana positivada deveria se adequar à concepção de direito natural. Mas o positivismo rejeita o direito natural. Segundo o positivismo a lei não está obrigada às exigências morais como um critério de validade.1 Hart recebeu a influência de outros autores positivistas que seguiam as seguintes compreensões: • As leis são comandos humanos emanados por uma autoridade soberana. • Não existe um vínculo necessário entre a moral e o Direito, ou entre o Direito como dever-ser. • O estudo dos significados dos termos jurídicos é importante, mas deve ser distinto das pesquisas históricas, sociológicas e morais. • O sistema jurídico é fechado, as decisões são deduzidas das normas jurídicas predeterminadas. • Os juízos morais não podem ser demonstrados, ao contrário dos fatos que podem ser argumentados, evidenciados ou provados. Apesar dessas influências Hart não concorda sobre todos os pontos, seu ponto de vista, porém sua visão se opõe ao primeiro item. Segundo Hart: • As leis não são a vontade irrestrita de um soberano. • O direito não é um comando, possui outra origem. Mesmo nos itens que Hart recebe como “herança” de outros autores ele concebe por um novo olhar sobre para o positivismo. Hart procura sanar as lacunas deixadas e procura dar coerência para o sistema positivista. 1 Para o direito natural se uma lei positiva não respeita a moral ela não tem validade e não poderia ser aplicada. 1178772 12154402607 - Bruno Beltrão FILOSOFIA DO DIREITO – DPE-PR teoria e questões Aula 02 – Profa. Karoline Strapasson Profa. Karoline Strapasson www.estrategiaconcursos.com.br 5 de 22 QUESTÃO – INÉDITA – Defensor Público - 2017 Hart foi um dos filósofos do direito com uma contribuição expressiva para o positivismo jurídico. Sua preocupação se voltou para a análise da linguagem nas normas jurídicas. O autor recebeu grande influência de John Langshaw Austin. Analise os itens abaixo e marque aquele que melhorapresenta o pensamento de Hart. a) Hart discorda do pensamento de Austin, considera que as normas consuetudinárias possuem validade jurídica. b) O direito natural desempenha um papel importante na filosofia de Hart, serve como filtro da lei positiva conferindo validade ao sistema. c) O Direito para Hart é a norma jurídica como comando emanado por uma autoridade soberana. d) O sistema jurídico não é fechado, o aplicador do direito pode recorrer a uma compreensão externa ao ordenamento jurídico para decidir um caso emblemático. e) O significado dos termos jurídicos pode ser completado por outras fontes exteriores ao Direito em razão da textura aberta da linguagem. Comentários Hart é influenciado pelo pensamento de Austin, porém se opõe ao que denomina como positivismo imperativista. Hart também se opõe ao jusnaturalismo, pois apesar da semelhança entre o Direito e a moral estas são disciplinas independentes. Para Hart o Direito é mais do que o sistema jurídico ou do que as normas jurídicas, ele confere uma compreensão especial baseada na prática social. Hart considera o sistema jurídico fechado para a interpretação, porém atribui ao intérprete a possibilidade de utilizar a discricionariedade para resolver o caso. A textura aberta da linguagem será analisada mais adiante, porém ela não permite que outras fontes exteriores ao Direito preencham o significado dos conflitos jurídicos. GABARITO: A. 1.3 Conceituação do Direito. É uma tarefa árdua atribuir um conceito para o Direito. Muitos autores buscaram desenvolver esse conceito, mas aos olhos de Hart eles falharam. É tentador responder que as leis são o Direito, elas podem ser uma espécie do gênero Direito. Hart considera que apesar do Direito ser diferente entre os países podemos identificar algumas estruturas essenciais: • Regras que proíbem ou impõe certos tipos de comportamento sob cominação de pena. • Regras que exigem que as pessoas compensem aqueles que foram ofendidos por elas de certas maneiras. 1178772 12154402607 - Bruno Beltrão FILOSOFIA DO DIREITO – DPE-PR teoria e questões Aula 02 – Profa. Karoline Strapasson Profa. Karoline Strapasson www.estrategiaconcursos.com.br 6 de 22 • Regras que especificam o que deve ser feito para outorgar testamentos, celebrar contratos ou outros instrumentos que confiram direitos e criem obrigações. • Um Poder Legislativo para fazer regras e abolir as antigas. • Tribunais que determinem quais são as normas e quando foram violadas e que estabeleçam o castigo ou compensação a ser pago. Essas estruturas nada mais são do que o sistema jurídico, porém para Hart o Direito é mais que o sistema jurídico. O seu conceito não pode ser confundido com obrigações morais, e também não pode ser justificada apenas por meio das normas jurídicas e do sistema jurídico. Para o positivismo imperativista a essência ou chave do Direito estaria na noção de comandos. Estes comandos são emanados do Estado. Deste modo, o Direito possui um tom ameaçador, uma coerção que exige do público a quem é dirigida a obediência. No entanto, do que se diferenciaria um comando jurídico de uma coerção realizada por outro sujeito? Para Hart os positivistas imperativistas não perceberam que a norma não é apenas uma coerção, mas que ela também compreende o sentido de obrigação jurídica. Um exemplo clássico ligado a essa concepção é um roubo. O assaltante coloca a arma na cabeça da vítima, dá voz de assalto e pede para ela abrir a bolsa. Temos um exemplo de ordem coercitiva, porém sem caráter normativo. Para Hart as pessoas não são levadas a cumprir uma norma pelo temor em razão do descumprimento, mas sim pelo motivo de considerarem algo de vantajoso em seguir as normas. As pessoas querem ser protegidas dos malefícios, e por isso vivem em sociedade, para que os sistemas regulem as condutas e afastem as injustiças. Porém, haverá aquelas que obedecem em razão do medo, ou ainda, sem uma atitude reflexiva. Por que as pessoas cumprem as leis e o Direito? É a partir dessa pergunta que se estrutura o pensamento de Hart. Antes de existir uma norma, temos hábitos sociais. Os hábitos quando não são cumpridos não há uma crítica ou desaprovação social. No entanto, quando ações são incorporadas como padrões para a sociedade o seu descumprimento termina ocasionando críticas para aqueles que não seguem determinada conduta. A sociedade guia e impulsiona determinados comportamentos, faz uma pressão social, e mesmo que um participante não tenha respeito a determinada norma ou regra ele a obedece. A norma surge então de uma prática social, de uma regra que é transformada em lei por meio do sistema jurídico. É por meio de outras regras sociais que se pode modificar, alterar, substituir ou anular direitos. Pela prática social e pelo reconhecimento entre os pares da sociedade é que temos um sistema jurídico. 1178772 12154402607 - Bruno Beltrão FILOSOFIA DO DIREITO – DPE-PR teoria e questões Aula 02 – Profa. Karoline Strapasson Profa. Karoline Strapasson www.estrategiaconcursos.com.br 7 de 22 1.4 Semelhanças e diferenças entre Direito, coerção e moral. Hart apresenta três questões importantes para compreender o Direito e para elucidar as características do sistema jurídico: 1) Como o Direito é diferente de ordens baseadas em ameaças? Como o Direito está relacionado a essa forma de comando coercitivo? 2) Como diferenciamos as obrigações jurídicas das obrigações morais? Como o Direito está relacionado às concepções morais? 3) O que são as regras? Qual é a relação entre o Direito e as regras? Vamos analisar a primeira questão. O Direito termina por exigir algumas condutas, elas deixam de ser facultativas e passam a ser obrigatórias. Austin incorpora essa ideia em seu pensamento filosófico e Hart considera superficial se embasar apenas na coerção. A obrigatoriedade se configura quando alguém submete outra pessoa a sua vontade, por meio de uma ordem fundada em uma ameaça. A ameaça não é só uma violência física, mas sim uma coação psíquica para a obediência. “Caso você não faça isso, acontecerá aquilo! ” Mas, afinal como o Direito se diferencia dessa ordem? Uma coação de um assaltante a ordem legislativa seriam a mesma coisa? Existe no ordenamento jurídico normas de caráter coercitivo, em especial no Direito Penal, porém reduzir o Direito essa perspectiva é um erro. Para Hart as pessoas aceitam as ordens legislativas por que as consideram vantajosas. Como podemos pensar em obrigações civis, negócios jurídicos e contratos sobre a perspectiva da coação? O medo não é a única justificativa para a obediência ao Direito. 1178772 12154402607 - Bruno Beltrão FILOSOFIA DO DIREITO – DPE-PR teoria e questões Aula 02 – Profa. Karoline Strapasson Profa. Karoline Strapasson www.estrategiaconcursos.com.br 8 de 22 As pessoas podem se sentir obrigadas a cumprir determinadas condutas não pelo medo, mas sim por um padrão interno que as faz considerar determinada ordem como um ganho social. O jusnaturalismo defende a perspectiva jurídica baseada em um conceito de justiça e de princípios morais. Nesta noção o Direito é visto como um dos ramos da moral e também submetido a congruência com os princípios morais e de justiça. Hart se opõe ao jusnaturalismo, mas reconhece que o sistema jurídico possui uma semelhança com as regras morais, pois existe uma linguagem comum, direitos e deveres morais reproduzidos no Direito. Por exemplo: A moral condena o uso indiscriminado da violência e o homicídio. Essas mesmas condutas são afastadas e punidas pelo Direito. A moral não tem um caráter punitivo tal como o Direito. Apesar dessas semelhanças Hart defende a independência entre o campo moral e jurídico. Ao considerar a “herança” do positivismo como insuficiente Hart compreende que o Direito é distintoda ideia de coerção e regras morais, porém o Direito possui alguma semelhança com estes conceitos: Classificação Coerção Moral Semelhanças com o Direito Condutas obrigatórias tanto pela coerção como pela lei; Cumprimento para não sofrer sanção; Direito Penal; As pessoas cumprem certas normas por considerarem vantajosas em suas relações interpessoais; Termos em comum; Noção de justiça; Diferenças com o Direito O Direito Civil e as obrigações contratuais não se adequam a noção de coerção; A Moral e o Direito são independentes. A moral não pode ser considerada como critério de validade das normas jurídicas; Exemplo comparativo As ordens de um assaltante são distintas da ordem da autoridade estatal. O homicídio e o uso gratuito da força é condenado tanto pela Moral, como pelo Direito, mas apenas o Direito impõe uma sanção, a moral não tem caráter punitivo. 1178772 12154402607 - Bruno Beltrão FILOSOFIA DO DIREITO – DPE-PR teoria e questões Aula 02 – Profa. Karoline Strapasson Profa. Karoline Strapasson www.estrategiaconcursos.com.br 9 de 22 São muitas as regras que existem em uma sociedade: regras morais, regras esportivas, regras de etiqueta social e todas elas são distintas das regras jurídicas. O que seriam de fato essas regras? Por que elas existem? O fato de os ingleses tomarem chá às cinco horas, é uma regra de etiqueta social, caso alguém não obedeça esse hábito não será censurado. Mas, as regras jurídicas quando são desobedecidas são objeto de uma punição. As regras se distinguem dos hábitos por que preveem uma punição, ou seja, são dotadas de previsibilidade. As regras sociais castigam o desvio no padrão habitual, por meio de reações hostis, já as regras jurídicas punem com uma sanção aplicada pelo Estado. Será que o Direito é apenas uma questão de regras? Hart não tem por objetivo encontrar uma definição precisa do Direito, mas sim de avançar na teoria jurídica distinguindo melhor as semelhanças e diferenças entre a coerção, moral e o Direito. Hart identifica a diferença entre as regras do Direito e as regras de coerção, por meio de quatro aspectos: • Generalidade: no exemplo do assaltante a ordem dada a vítima é individual. Já uma ordem jurídica é geral. A ordem jurídica se aplica a uma generalidade de pessoas, é apenas quando a diretiva geral não é obedecida que são impostas ordens individualizadas. • Permanência e continuidade: As ordens do assaltante são de caráter temporário enquanto puder manter a vítima sob ameaça. Já as regras jurídicas são duradouras, as pessoas obedecem de modo repetido e ao longo do tempo. As regras são uma crença geral e continuada para quem obedece à lei, e a desobediência sempre implicará na execução da sanção. • Hábito geral de obediência: compreende-se que as normas são mais obedecidas que desobedecidas pelos destinatários, seja por que consideram vantajoso, seja por que tem medo da sanção. • Legislador soberano: Nesse ponto é importante identificar que temos um soberano, uma ou pessoa ou um grupo, que profere as ordens a serem obedecidas. Além destas quatro características Hart considera insuficiente o modelo coercitivo para descrever o Direito, pois existe uma diversidade entre as leis. Para compreender o direito precisamos analisar os seguintes pontos: • Conteúdo: temos tanto normas que envolvem a coerção, como normas que permitem as pessoas a criar situações jurídicas novas de modo facultativo. Exemplo: contratos, casamento. • Campo de aplicação: as leis são dirigidas para todas as pessoas. Já no comando de coerção, aquele que o impõe não o seguem a diretiva. • Modo de origem das leis: podemos partir da ideia de que a lei é o ato de um legislador, porém existe também os costumes e sua possibilidade de resolver conflitos. 1178772 12154402607 - Bruno Beltrão FILOSOFIA DO DIREITO – DPE-PR teoria e questões Aula 02 – Profa. Karoline Strapasson Profa. Karoline Strapasson www.estrategiaconcursos.com.br 10 de 22 Vejamos o quadro abaixo que sintetiza essas informações: QUESTÃO – INÉDITA – Defensor Público - 2017 Hart herdou várias ideias e conceitos do positivismo jurídico, porém sua contribuição para a corrente se deu por compreender que haviam lacunas no ideário positivista. Qual das concepções próprias do positivismo apresentadas a seguir não é admitida por Hart? a) O Direito é equivalente a lei, e esta é um comando coercitivo emanado por uma autoridade soberana. b) Não existe um vínculo necessário entre a moral e o Direito, ou entre o Direito como dever-ser. c) O estudo dos significados dos termos jurídicos é importante, mas deve ser distinto das pesquisas históricas, sociológicas e morais. d) O sistema jurídico é fechado, as decisões são deduzidas das normas jurídicas predeterminadas. e) Os juízos morais não podem ser demonstrados, ao contrário dos fatos que podem ser evidenciados, argumentados ou provados. Comentários Hart discorda da compreensão de que o Direito é estritamente a lei positiva, tal como um comando humano emanado por autoridade soberana. As leis podem ter origem das práticas sociais e do reconhecimento do conjunto social. Os demais itens são parte da “herança” do positivismo, anteriormente visto. 1178772 12154402607 - Bruno Beltrão FILOSOFIA DO DIREITO – DPE-PR teoria e questões Aula 02 – Profa. Karoline Strapasson Profa. Karoline Strapasson www.estrategiaconcursos.com.br 11 de 22 GABARITO: A. QUESTÃO – INÉDITA – Defensor Público – 2017 A obra o Conceito de Direito de Hart apresenta uma nova concepção para o positivismo jurídico sobre o Direito. Apesar do autor não ter a intenção de registrar um conceito definitivo de Direito, ele faz importantes distinções entre a moral, a coerção e as regras. Marque a assertiva que melhor se adequa com a teoria desenvolvida por Hart. a) O Direito é uma regra coercitiva imposta ao grupo social mediante uma sanção pelo descumprimento, a exemplo do Direito Penal. b) É considerado como Direito apenas os sistemas jurídicos positivados, excluídos o sistema jurídico consuetudinário. c) Apesar da correlação de termos e de conceitos advindos da moral e presentes em normas jurídicas, existe uma distinção entre o Direito e a moral. d) Vários conceitos do Direito são de origem moral, e deste modo servem como um filtro de validade das normas de direito positivo. Comentários a) O Direito não é apenas regras coercitivas temos também a constituição de obrigações jurídicas. b) Hart não descarta o direito consuetudinário da análise do positivismo e desenvolve uma interpretação inclusiva. d) Apesar da semelhança de termos e compreensões sobre justiça entre o Direito e a moral, essas matérias são independentes e a validade jurídica das normas positivas não está atrelada à concepção moral. GABARITO C. 2. UMA NOVA COMPREENSÃO PARA O DIREITO 2.1 O Direito como união de regras primárias e secundárias. Conforme vimos no item anterior o Direito possui semelhanças e diferenças com a coerção e com a moral. Enquanto o positivismo imperativista considera como a chave de interpretação o comando coercitivo, o jusnaturalismo considera a obrigação moral como a chave de leitura do Direito. Hart desenvolve uma teoria a parte: A chave do direito é a união de regras primárias e secundárias O que são as regras primárias? As regras do tipo básico ou primário se dirigem aos seres humanos para que façam ou se abstenham de fazer certas ações, quer queiram, quer não. As regras primárias têm seu conteúdo semelhante aos comandos coercitivos. As normas de Direito Penal são um bom exemplo, pois proíbem 1178772 12154402607 - Bruno Beltrão FILOSOFIA DO DIREITO – DPE-PR teoria e questões Aula 02 – Profa. Karoline Strapasson Profa. Karoline Strapasson www.estrategiaconcursos.com.br12 de 22 e prescrevem ações com caráter coercitivo para todo o conjunto social. Elas refletem a imposição de um não agir. O que são as regras secundárias? As regras de segundo tipo, parasitárias ou secundárias asseguram aos seres humanos criar, fazer ou dizer certas coisas, criar novas regras do tipo primário, extinguir ou modificar as regras antigas ou determinar de diferentes modos a sua incidência ou ainda fiscalizar a sua aplicação Reconhecemos nas normas secundárias um caráter de garantia e de atribuição de poderes tanto públicos como privados. No caso dos poderes públicos nos referimos à alteração de deveres e à criação de competências, já no âmbito privado podemos pensar nos contratos e na criação de obrigações entre os particulares. 2.2 Regra de conhecimento e validade jurídica. Hart tinha uma preocupação especial com as incertezas da linguagem que poderiam ocasionar conflitos entre as regras primárias e secundárias. Para isso criou o conceito de regra de reconhecimento. A regra de reconhecimento é uma regra social e colabora para compreender os mecanismos de aceitação das normas e dos conteúdos morais que ocorre por meio da concordância e da pressão social. A regra de reconhecimento permite identificar se uma regra pertence ou não ao sistema jurídico, conferindo validade ao ordenamento. A regra de reconhecimento não pode ser questionada, pois ela garante a autoridade do sistema. Define as regras de funcionamento e o conteúdo do Direito, dá autoridade para os padrões jurídicos. Podemos identificar nas constituições escritas exemplos de regra de reconhecimento. Porém, o sistema consuetudinário e as práticas sociais também podem se adequar a este conceito. Nós já estudamos as regras primárias e secundárias, porém a regra de reconhecimento é uma regra secundária, e mais complexa e Regras primárias ͻ Fazer ou se abster de fazer algo, sob pena de sanção. ͻ Caráter coercitivo. Regras secundárias ͻ Criar, fazer, dizer coisas, criar novas regras, extinguir ou modificar regras antigas, fiscalizar e decidir os limites das regras. ͻ Caráter facultativo. 1178772 12154402607 - Bruno Beltrão FILOSOFIA DO DIREITO – DPE-PR teoria e questões Aula 02 – Profa. Karoline Strapasson Profa. Karoline Strapasson www.estrategiaconcursos.com.br 13 de 22 essencial. A regra de reconhecimento além de estabelecer os critérios de validade, também cria um sistema jurídico particular, confere poderes, impõe deveres sobre aqueles que devem aplicar as regras. Ela é a fonte do Direito, garante a validade do sistema jurídico e é utilizada como critério no conflito entre as demais regras. Será a regra de reconhecimento o critério último utilizado pelos juízes na hora de resolver um caso conflituosos. Para Hart ela é a parte mais importante do Direito, pois todo o sistema está contido nessa regra. Mesmo quando temos uma regra de reconhecimento determinada é possível que ela sofra mudanças por meio dos apelos sociais. Para resolver os conflitos e incertezas deverá o juiz recorrer a regra de reconhecimento e decidir qual é a melhor solução possível a ser aplicada. QUESTÃO – INÉDITA – Defensor Público – 2017 Hart ao desenvolver sua obra O conceito de Direito o considera como um fenômeno complexo que não se limita a norma jurídica positiva, mas que também está alicerçado nas práticas sociais. De acordo com visão do autor quais são os elementos que configuram o Direito? a) O Direito é visto como regra coercitiva, capaz de infringir sanções no caso de descumprimento, e como obrigação moral para pautar as relações sociais. b) O Direito se constrói por meio da regra de reconhecimento que se desdobra em regras coercitivas e regras facultativas para o destinatário da norma. c) A regra de reconhecimento é a condição de validade de um sistema jurídico, sendo o conceito chave essencial do que seria o Direito. 1178772 12154402607 - Bruno Beltrão FILOSOFIA DO DIREITO – DPE-PR teoria e questões Aula 02 – Profa. Karoline Strapasson Profa. Karoline Strapasson www.estrategiaconcursos.com.br 14 de 22 d) As regras primárias e secundárias são a chave de interpretação do Direito. A primeira versa sobre a criação de obrigações de caráter facultativo e a segunda sobre o caráter coercitivo do Direito. e) As regras primárias e secundárias são a chave de interpretação do Direito. A primeira versa sobre ações obrigatórias ao destinatário da norma, passíveis de sanções punitivas. Já a segunda trata sobre a criação de obrigações de caráter facultativo incluindo a criação e modificação de regras primárias. Comentários Hart condensa o pensamento das regras coercitivas e da concepção moral de obrigações em uma teoria nova: as regras primárias e secundárias. A regra de reconhecimento é uma condição de validade do sistema jurídico, porém de acordo com a doutrina de Hart é uma regra secundária. As regras primárias são obrigatórias para o destinatário e seu descumprimento acarreta sanção estatal. As regras secundárias são facultativas, e envolvem a constituição de obrigações civis e para a configuração do sistema jurídico, podendo inclusive criar e modificar normas primárias. O Direito é a união das regras primárias e das regras secundárias. E a regra de reconhecimento é uma regra secundária, porém essencial para a validade do sistema jurídico. GABARITO: E. 2.3 A textura aberta do Direito. Um dos temas trabalhados por Hart é a incerteza da terminologia empregada pelo legislador. A linguagem é um guia incerto, pois utilizamos os termos a partir de uma perspectiva empírica e isso denota a incerteza das proposições jurídicas. Assim tanto os termos jurídicos como as sentenças e as regras jurídicas possuem uma textura aberta. A linguagem apresenta uma certa nebulosidade, penumbra de dúvida, pois não sabemos com clareza se determinada regra jurídica deve ser aplicada ou não. É importante o exercício da filosofia da linguagem para preencher os conteúdos do Direito, quando são indeterminados, pois eles ficaram à mercê da discricionariedade do julgador. E se fosse possível consultar um paraíso dos conceitos, no qual estariam definições “congeladas” para que o intérprete pudesse buscar preencher o seu significado estaríamos em um mundo perfeito. Mas não é possível congelar os conceitos, e mesmo que isso fosse possível quais seriam as consequências sociais? Elas seriam sempre as mesmas? O julgador deve levar em consideração as consequências sociais de sua decisão, e do uso que faz da terminologia que emprega. Além da textura aberta da linguagem o legislador em seu ofício não consegue antecipar a realidade vindoura; não é possível prever as novas expressões e as alterações sociais. SキェミキaキI;Sラゲ ミWH┌ノラゲラゲ 1178772 12154402607 - Bruno Beltrão FILOSOFIA DO DIREITO – DPE-PR teoria e questões Aula 02 – Profa. Karoline Strapasson Profa. Karoline Strapasson www.estrategiaconcursos.com.br 15 de 22 O positivismo de Hart considera a importância das regras, porém reconhece que elas podem ser abertas e confusas. Em muitos casos essa textura aberta é utilizada pelo legislador por meio de termos vagos, que serão posteriormente regulados pelo poder executivo pela via administrativa. Exemplo utilizado por Hart: O legislador decide que “As empresas devem cobrar um preço justo”. Mas como poderemos afirmar o que é um preço justo? Será o consumidor quem vai definir? Não. Apesar do consumidor poder identificar um preço abusivo é necessário criar um critério do que é abusivo. Deverá o poder executivo preencher o sentido do termo “preço justo” e, assim, tanto as empresas quanto os consumidores poderão se guiar no cumprimento ou não da legislação. QUESTÃO - FGV – Exame da Ordem Unificado XII - 2013 Considere a seguinte afirmação de Herbert L. A. Hart: Seja qual for o processoescolhido, precedente ou legislação, para a comunicação de padrões de comportamentos, estes, não obstante a facilidade com que atuam sobre a grande massa de casos correntes, revelar-se-ão como indeterminados em certo ponto em que a sua aplicação esteja em questão. (HART, Herbert. O Conceito de Direito. Lisboa: Calouste Gulbenkian, 1986, p. 141) Hart admite um grau de indeterminação nos padrões de comportamento previstos na legislação e nos precedentes judiciais. A respeito, assinale a afirmativa correta. a) Trata-se do fenômeno chamado na doutrina jurídica de lacuna material do direito, em que o jurista não consegue dar uma resposta com base no próprio direito positivo para uma situação juridicamente relevante. b) Trata-se da textura aberta do direito, expressa por meio de regras gerais de conduta, que deve ganhar um sentido específico dado pela autoridade competente, à luz do caso concreto. c) Trata-se da incompletude do ordenamento jurídico que, por isso mesmo, deve recorrer aos princípios gerais do direito, a fim de promover uma integração do direito positivo. d) Trata-se do fenômeno denominado de anomia social pelos sociólogos do direito, em que existe um vácuo de normas jurídicas e a impossibilidade real de regulação de conflitos juridicamente relevantes. Comentários A indeterminação da linguagem é chamada na teoria de Hart de textura aberta do Direito. O sistema jurídico não é falho ou incompleto, para os casos em que não é possível alcançar a resposta pelo diploma legal deverá o julgador utilizar da discricionariedade. A ideia de lacuna jurídica, de utilização da integração servem para os casos de ausência das normas 1178772 12154402607 - Bruno Beltrão FILOSOFIA DO DIREITO – DPE-PR teoria e questões Aula 02 – Profa. Karoline Strapasson Profa. Karoline Strapasson www.estrategiaconcursos.com.br 16 de 22 jurídicas. A textura aberta não significa ausência de diploma normativo, mas sim de indeterminações na linguagem jurídica. GABARITO: B. 2.4 Definitividade e infalibilidade da decisão judicial. Conforme vimos no item anterior as normas possuem uma textura aberta e permitem que por meio da interpretação do julgador a sua indeterminação seja vencida. O julgador poderá utilizar interpretações anteriores (jurisprudência), ou ainda tomar uma nova decisão criando uma alternativa de interpretação. O julgador não deve se declarar incompetente nem remeter os pontos não regulados para o legislativo, mas sim exercer de sua discricionariedade. Existem casos mais simples onde é possível utilizar apenas a regra prevista no ordenamento jurídico, já existem outros em que não é possível prever um comportamento a ser adotado. É graças a regra de reconhecimento e a seu sistema de validade que é possível realizar a intepretação judicial. Para explicar as características do Poder Judiciário Hart utiliza o exemplo do marcador de pontos. A autoridade judicial é semelhante a um marcador de pontos de um jogo. O marcador vai considerar a pontuação de acordo com as regras do jogo e com o desempenho dos jogadores. Quando temos um caso extraordinário cujas regras não existem é o juiz quem vai ter a autoridade para definir o que será feito. Isso só ocorre porque os participantes aceitaram que o juiz agisse de tal modo. Caso o julgador haja de modo a extrapolar o seu poder isso pode não ser aceito pelos jogadores, o juiz poderá perder o seu poder, ou ainda e rever o que decidiu. É por meio da aceitação que se reforça a autoridade, mesmo que nem todos estejam de acordo coma decisão, a maioria está e assim se incorpora a autoridade como válida. As pessoas tendem a aceitar, de modo crítico ou não, o que o parlamento define como válido. O mesmo ocorre com a autoridade jurisdicional, tal como o marcador de pontos. A regra social é importante, pois controla a atuação dos poderes. É a partir das regras secundárias que são construídas as instituições capazes de tomar decisões definitivas. E elas introduzem no sistema um novo tipo de enunciado interno, teremos além das regras as interpretações. Segundo Hart as decisões alcançam uma situação definitiva em que recebem um status de irrecorribilidade. Temos uma instituição que dará a palavra final: o poder judiciário. 1178772 12154402607 - Bruno Beltrão FILOSOFIA DO DIREITO – DPE-PR teoria e questões Aula 02 – Profa. Karoline Strapasson Profa. Karoline Strapasson www.estrategiaconcursos.com.br 17 de 22 Assim, o placar é aquele que o marcador declara ser, mesmo quando a regra não regula com exatidão o caso, o marcador deverá aplicá-la da melhor forma possível. O marcador não deve usar de arbitrariedade em sua contagem. Caso erre e caia em descrédito com os jogadores ele terá o seu poder destituído. No caso do sistema jurídico a decisão perderia o seu sentido se a prática social demonstrasse que a sociedade não autorizou tal conduta por parte do julgador. Assim, o Direito é aquilo que o julgador decidiu, o julgador não deve utilizar de arbitrariedade em sua decisão. A autoridade judicial possui a característica da peremptoriedade, ou seja, a razão do juiz é que prevalece sobre todas as outras razões. É deste modo, que se resolve a incerteza das normas jurídicas, pois a decisão foi tomada por uma instância autorizada pela regra de reconhecimento. Temos aqui a regra de reconhecimento e a prática social autorizando a instituição a decidir. Assim, Hart justifica o positivismo e o fortalece. Isso por que não deposita na norma todo o significado, compreende que os termos podem ser confusos e aposta na discricionariedade do julgador para resolver os casos mais emblemáticos. Estes casos difíceis não são falhas das normas positivas, mas podem ser resolvidos de uma maneira lógica e por meio do sistema jurídico. A discricionariedade do julgador não pode ser arbitrária, mas deve estar baseada na regra de reconhecimento e deverá resolver o caso concreto sem que isso implique em exigir do poder legislativo uma solução. 2.5 Incerteza na regra de reconhecimento Hart apresenta dois conceitos opostos: o formalismo e o ceticismo, os descreve como dos monstros marinhos da mitologia grega (Cila e Caríbdis), e opta por seguir por um caminho intermediário. 1178772 12154402607 - Bruno Beltrão ==11fc94== FILOSOFIA DO DIREITO – DPE-PR teoria e questões Aula 02 – Profa. Karoline Strapasson Profa. Karoline Strapasson www.estrategiaconcursos.com.br 18 de 22 Quando se coloca em dúvida a regra de reconhecimento, a incerteza vai além das regras jurídicas comuns e paira sobre a validade de todo sistema jurídico. É importante recordar que Hart escreve a respeito do sistema de seu país: um sistema consuetudinário. Deste modo, não temos uma Constituição escrita, mas sim instituições importantes definidoras do regramento jurídico, especialmente o parlamento. Estamos falando em uma tradição baseada nos costumes. Hart levanta um dilema: o que ocorreria se pairasse dúvidas sobre a validade do próprio parlamento ou de suas normas? Precisamos reconhecer que o parlamento em um sistema consuetudinário possui um peso diferente. Hart propõe que o parlamento tenha em si um caráter legislativo soberano, porém com limites amplos para não prejudicar as gerações subsequentes. Hart chega a usar o termo “onipotência” legislativa. Com essa ideia retiramos os limites de matéria do legislador, mas podemos colocar alguns limites como o modo com que o legislador poderá decidir. Após lançar essas bases Hart apresenta algumas questões controvertidas: • Vamos imaginar se o parlamento decidisse em um dos seus atos legislativos se “auto aniquilar”, optando por extinguir seus poderes e revogar todas as leis. Isso seria possível? • Ele poderia ainda em um ato menor transferisse suas obrigações para outro órgão? • E se proibisse terminantementeque certos temas fossem legislados? Essas situações seriam possíveis? Não. Elas fugiriam a regra do sistema jurídico, e, portanto, seriam inválidas. Esses questionamentos de Hart se debruçam sobre a configuração das instituições definidoras do sistema jurídico, e, principalmente, sobre o papel da regra de reconhecimento. O que é formalismo? ͻÉ uma teoria que nega o conteúdo do Direito. Compreende o Direito como normas jurídicas capazes de receber qualquer conteúdo. Não são necessários conteúdos determinados para o ordenamento jurídico é apenas a forma o critério que define o Direito. O que é ceticismo? ͻO ceticismo compreende não ser necessário legitimar a ordem jurídica por meio do consenso social para que seja válida. Essa análise deverá ser realizada sem se realizar uma leitura moral do Direito 1178772 12154402607 - Bruno Beltrão FILOSOFIA DO DIREITO – DPE-PR teoria e questões Aula 02 – Profa. Karoline Strapasson Profa. Karoline Strapasson www.estrategiaconcursos.com.br 19 de 22 Vamos analisar agora o Poder Judiciário. Hart apresenta um paradoxo: Os tribunais terminam por criar critérios últimos para aplicar a legislação. Assim, a mesma validade que atribui a jurisdição aos juízes, pode ser questionada e analisada pelo próprio tribunal. Como pode a Constituição atribuir autoridade para um juiz dizer o que é Constituição? Por mais que existam pontos duvidosos levantados sobre as instituições e sobre a norma de reconhecimento ela é uma condição necessária para o sistema jurídico existir. Teremos casos difíceis que o legislador não tratou, são estes casos que os juízes deverão resolver por meio da interpretação, mesmo que estas questões dividam a sociedade. As interpretações jurisprudenciais serão aceitas, e em alguns casos serão seguidas como um direito posto. Podemos citar como exemplo o reconhecimento das uniões homoafetivas, mesmo sem ter uma legislação sobre o tema, o Supremo Tribunal Federal analisou o caso e interpretou por meio da Constituição Federal o reconhecimento das uniões estáveis entre pessoas do mesmo sexo. O tema não é pacífico entre a sociedade civil, porém foi resolvido na perspectiva jurídica, por meio de uma decisão judicial. LISTA DAS QUESTÕES DE AULA QUESTÃO – INÉDITA – Defensor Público – 2017 Hart ao desenvolver sua obra O conceito de Direito o considera como um fenômeno complexo que não se limita a norma jurídica positiva, mas que também está alicerçado nas práticas sociais. De acordo com visão do autor quais são os elementos que configuram o Direito? a) O Direito é visto como regra coercitiva, capaz de infringir sanções no caso de descumprimento, e como obrigação moral para pautar as relações sociais. b) O Direito se constrói por meio da regra de reconhecimento que se desdobra em regras coercitivas e regras facultativas para o destinatário da norma. c) A regra de reconhecimento é a condição de validade de um sistema jurídico, sendo o conceito chave essencial do que seria o Direito. d) As regras primárias e secundárias são a chave de interpretação do Direito. A primeira versa sobre a criação de obrigações de caráter facultativo e a segunda sobre o caráter coercitivo do Direito. e) As regras primárias e secundárias são a chave de interpretação do Direito. A primeira versa sobre ações obrigatórias ao destinatário da norma, 1178772 12154402607 - Bruno Beltrão FILOSOFIA DO DIREITO – DPE-PR teoria e questões Aula 02 – Profa. Karoline Strapasson Profa. Karoline Strapasson www.estrategiaconcursos.com.br 20 de 22 passíveis de sanções punitivas. Já a segunda trata sobre a criação de obrigações de caráter facultativo incluindo a criação e modificação de regras primárias. GABARITO: E. QUESTÃO – INÉDITA – Defensor Público - 2017 Hart herdou várias ideias e conceitos do positivismo jurídico, porém sua contribuição para a corrente se deu por compreender que haviam lacunas no ideário positivista. Qual das concepções próprias do positivismo apresentadas a seguir não é admitida por Hart? a) O Direito é equivalente a lei, e esta é um comando coercitivo emanado por uma autoridade soberana. b) Não existe um vínculo necessário entre a moral e o Direito, ou entre o Direito como dever-ser. c) O estudo dos significados dos termos jurídicos é importante, mas deve ser distinto das pesquisas históricas, sociológicas e morais. d) O sistema jurídico é fechado, as decisões são deduzidas das normas jurídicas predeterminadas. e) Os juízos morais não podem ser demonstrados, ao contrário dos fatos que podem ser evidenciados, argumentados ou provados. GABARITO: A. QUESTÃO – INÉDITA – Defensor Público – 2017 A obra o Conceito de Direito de Hart apresenta uma nova concepção para o positivismo jurídico sobre o Direito. Apesar do autor não ter a intenção de registrar um conceito definitivo de Direito, ele faz importantes distinções entre a moral, a coerção e as regras. Marque a assertiva que melhor se adequa com a teoria desenvolvida por Hart. a) O Direito é uma regra coercitiva imposta ao grupo social mediante uma sanção pelo descumprimento, a exemplo do Direito Penal. b) É considerado como Direito apenas os sistemas jurídicos positivados, excluídos o sistema jurídico consuetudinário. c) Apesar da correlação de termos e de conceitos advindos da moral e presentes em normas jurídicas, existe uma distinção entre o Direito e a moral. d) Vários conceitos do Direito são de origem moral, e deste modo servem como um filtro de validade das normas de direito positivo. GABARITO C. QUESTÃO – INÉDITA – Defensor Público – 2017 Hart ao desenvolver sua obra O conceito de Direito o considera como um fenômeno complexo que não se limita a norma jurídica positiva, mas que também está alicerçado nas práticas sociais. De acordo com visão do autor quais são os elementos que configuram o Direito? 1178772 12154402607 - Bruno Beltrão FILOSOFIA DO DIREITO – DPE-PR teoria e questões Aula 02 – Profa. Karoline Strapasson Profa. Karoline Strapasson www.estrategiaconcursos.com.br 21 de 22 a) O Direito é visto como regra coercitiva, capaz de infringir sanções no caso de descumprimento, e como obrigação moral para pautar as relações sociais. b) O Direito se constrói por meio da regra de reconhecimento que se desdobra em regras coercitivas e regras facultativas para o destinatário da norma. c) A regra de reconhecimento é a condição de validade de um sistema jurídico, sendo o conceito chave essencial do que seria o Direito. d) As regras primárias e secundárias são a chave de interpretação do Direito. A primeira versa sobre a criação de obrigações de caráter facultativo e a segunda sobre o caráter coercitivo do Direito. e) As regras primárias e secundárias são a chave de interpretação do Direito. A primeira versa sobre ações obrigatórias ao destinatário da norma, passíveis de sanções punitivas. Já a segunda trata sobre a criação de obrigações de caráter facultativo incluindo a criação e modificação de regras primárias. GABARITO: E. QUESTÃO - FGV – Exame da Ordem Unificado XII - 2013 Considere a seguinte afirmação de Herbert L. A. Hart: Seja qual for o processo escolhido, precedente ou legislação, para a comunicação de padrões de comportamentos, estes, não obstante a facilidade com que atuam sobre a grande massa de casos correntes, revelar-se-ão como indeterminados em certo ponto em que a sua aplicação esteja em questão. (HART, Herbert. O Conceito de Direito. Lisboa: Calouste Gulbenkian, 1986, p. 141) Hart admite um grau de indeterminação nos padrões de comportamento previstos na legislação e nos precedentes judiciais. A respeito, assinale a afirmativa correta. a) Trata-se do fenômeno chamado na doutrina jurídica de lacuna material do direito, em que o jurista não consegue dar uma resposta com base no próprio direito positivo para uma situaçãojuridicamente relevante. b) Trata-se da textura aberta do direito, expressa por meio de regras gerais de conduta, que deve ganhar um sentido específico dado pela autoridade competente, à luz do caso concreto. c) Trata-se da incompletude do ordenamento jurídico que, por isso mesmo, deve recorrer aos princípios gerais do direito, a fim de promover uma integração do direito positivo. d) Trata-se do fenômeno denominado de anomia social pelos sociólogos do direito, em que existe um vácuo de normas jurídicas e a impossibilidade real de regulação de conflitos juridicamente relevantes. GABARITO: B. 1178772 12154402607 - Bruno Beltrão FILOSOFIA DO DIREITO – DPE-PR teoria e questões Aula 02 – Profa. Karoline Strapasson Profa. Karoline Strapasson www.estrategiaconcursos.com.br 22 de 22 CONSIDERAÇÕES FINAIS Chegamos ao final de nosso curso! Trabalhamos todos os tópicos de Filosofia do Direito! Nosso intuito primordial foi demonstrar os principais elementos de cada um destes autores. Qualquer dúvida entre em contato! kstrapasson@gmail.com Um abraço e bons estudos! Karoline Strapasson Kant Kelsen Hart 1178772 12154402607 - Bruno Beltrão