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Livro Eletrônico Aula 01 Filosofia do Direito p/ DPE-PR (Defensor Público) Karoline Strapasson Jambersi 12154402607 - Bruno Beltrão FILOSOFIA DO DIREITO – DPE-PR teoria e questões Aula 00 – Profa. Karoline Strapasson Profa. Karoline Strapasson www.estrategiaconcursos.com.br 1 de 26 AULA 00 APRESENTAÇÃO E CRONOGRAMA DO CURSO IMMANUEL KANT SUMÁRIO Apresentação Pessoal ........................................................................ 2 Sobre o último edital e o conteúdo cobrado .......................................... 2 Cronograma de aulas ........................................................................ 3 Sobre a metodologia do curso ............................................................ 3 Considerações iniciais ........................................................................ 4 1 Criticismo kantiano .................................................................... 6 1.1 Condições e possibilidade de conhecimento: a razão pura ........... 8 1.2 O mundo dos valores: A razão prática..................................... 11 2. Imperativo categórico e hipotético .............................................. 12 2.1. Imperativo hipotético ........................................................... 12 2.2 Imperativo categórico ........................................................... 13 3 Distinção entre moral e Direito .................................................... 15 4 A autonomia e a heteronomia ..................................................... 18 4.1 Autonomia .......................................................................... 18 4.2 Heteronomia ........................................................................ 19 5 Justiça e liberdade ................................................................ 19 6 Estado liberal e doutrina do Direito ........................................... 21 7 Direito cosmopolita.................................................................. 22 Lista das Questões de Aula .............................................................. 24 Considerações Finais ....................................................................... 26 1178772 12154402607 - Bruno Beltrão FILOSOFIA DO DIREITO – DPE-PR teoria e questões Aula 00 – Profa. Karoline Strapasson Profa. Karoline Strapasson www.estrategiaconcursos.com.br 2 de 26 CONCEITO E TAREFA DA FILOSOFIA DO DIREITO APRESENTAÇÃO PESSOAL Olá! Meu nome é Karoline Strapasson. Sou graduada em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná e também sou mestra em Direito Econômico e Socioambiental pela mesma instituição. Atuo como conciliadora no Juizado Especial Cível e Criminal de Curitiba, sou professora universitária das disciplinas de Direitos Humanos e Direito Constitucional e também ministro aulas no curso preparatório Aprova Concursos. Estaremos juntos estudando a disciplina de Filosofia do Direito! Caso você tenha alguma dúvida, crítica ou contribuição entre em contato comigo pelo meu e-mail: kstrapasson@gmail.com SOBRE O ÚLTIMO EDITAL E O CONTEÚDO COBRADO Sejam todos bem-vindos ao nosso estudo sobre Filosofia do Direito com foco para o concurso da Defensoria Pública do Estado do Paraná! Este curso foi preparado de acordo com o edital n. 001/2017 do III Concurso Público de Provas e Títulos para a carreira de Defensor Público do Paraná. Nossa banca examinadora é a Fundação Carlos Chagas que alterou de modo significativo o edital cobrado para Filosofia do Direito. A disciplina de Filosofia do Direito está no grupo D ao lado das disciplinas de Direito Administrativo, Princípios e atribuições institucionais da Defensoria Pública do Estado do Paraná e também de Sociologia Jurídica. Em nossa fase objetiva temos 16 questões divididas para estas disciplinas. Já em nossa fase dissertativa temos uma questão para este grupo de disciplinas. Os itens do edital que versam sobre Filosofia do Direito são 3 itens: 1. Criticismo kantiano. Condições de possibilidade de conhecimento. Distinção entre moral e direito. Autonomia e heteronomia. Imperativos hipotéticos e categóricos. Estado liberal e doutrina do direito. Justiça e liberdade. Direito cosmopolita. 2 Normativismo jurídico kelsiano. Teoria pura do direito. Separação entre ser e dever ser. Relação entre direito e moral. Norma jurídica fundamental. Norma jurídica e ordenamento jurídico. Estática e dinâmica jurídica. Norma jurídica geral e individual. Norma jurídica e discricionariedade do aplicador. 3. Positivismo jurídico em Hart. Conceituação do direito. Semelhanças e diferenças entre direito, coerção e moral. O direito como união de regras primárias e secundárias. Regra de conhecimento e validade jurídica. A textura aberta do direito. Definitividade e infabilidade da decisão judicial. Incerteza na regra de conhecimento.4. O conceito de Direito. Equidade. Direito e Moral 1178772 12154402607 - Bruno Beltrão FILOSOFIA DO DIREITO – DPE-PR teoria e questões Aula 00 – Profa. Karoline Strapasson Profa. Karoline Strapasson www.estrategiaconcursos.com.br 3 de 26 Temos ainda os itens 4 e 5 são próprios da Sociologia Jurídica, a princípio vamos dedicar o nosso estudo apenas aos três primeiros itens. No edital foi apresentada uma bibliografia de referência sobre os autores da Filosofia do Direito, a saber: KANT, Immanuel. Fundamentação da Metafísica dos Costumes. Lisboa: Edições 70, 2011. KELSEN, Hans. Teoria Pura do Direito, 8ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2009. HART, Herbert L. A. O Conceito de Direito. São Paulo: Martins Fontes, 2012 Estas obras nos ajudaram em nosso estudo. Não obstante a incidência desta disciplina ser menor que as demais cobradas pelo concurso, o estudo da Filosofia do Direito colabora para a interpretação e compreensão de temas importantes da vivência jurídica. Nosso estudo será dirigido de acordo com o edital, também vamos nos basear em como estes autores são explorados em provas e concursos similares. CRONOGRAMA DE AULAS O nosso curso compreenderá um total de três aulas, além desta aula demonstrativa, distribuídos conforme cronograma abaixo: AULA CONTEÚDO DATA Aula 00 Apresentação do Curso, Cronograma de Aulas, Immanuel Kant Criticismo kantiano. Condições de possibilidade de conhecimento. Distinção entre moral e direito. Autonomia e heteronomia. Imperativos hipotéticos e categóricos. Estado liberal e doutrina do direito. Justiça e liberdade. Direito cosmopolita. 24/02/2017 Aula 01 Hans Kelsen Normativismo jurídico kelsiano. Teoria pura do direito. Separação entre ser e dever ser. Relação entre direito e moral. Norma jurídica fundamental. Norma jurídica e ordenamento jurídico. Estática e dinâmica jurídica. Norma jurídica geral e individual. Norma jurídica e discricionariedade do aplicador. 10/03/2017 Aula 02 Hebert L. A. Hart. Positivismo jurídico em Hart. Conceituação do direito. Semelhanças e diferenças entre direito, coerção e moral. O direito como união de regras primárias e secundárias. Regra de conhecimento e validade jurídica. A textura aberta do direito. Definitividade e infabilidade da decisão judicial. Incerteza na regra de conhecimento. 24/03/2017 Nossas aulas foram dispostas com o objetivo de favorecer o entendimento e para que o conteúdo seja transmitido de modo agradável e facilitado. Eventuais ajustes de cronograma poderão ser realizados por questões didáticas e serão informados com antecedência. SOBRE A METODOLOGIA DO CURSO Vistos esses aspectos iniciais referentes à disciplina, vamos tecer algumas observações prévias importantes a respeito do nosso curso. Primeiro: como o conteúdo é denso, vamos priorizar os assuntos mais recorrentes em concursos públicos e importantes para a prova. Desse modo, os conceitos e informações buscarão ao máximo seremde fácil compreensão. 1178772 12154402607 - Bruno Beltrão FILOSOFIA DO DIREITO – DPE-PR teoria e questões Aula 00 – Profa. Karoline Strapasson Profa. Karoline Strapasson www.estrategiaconcursos.com.br 4 de 26 Segundo: utilizaremos questões elaboradas por outras bancas sobre o tema e também questões inéditas, no sentido de frisar os temas mais importantes. Nosso objetivo principal é a didática. Deste modo os assuntos doutrinários buscam priorizar a clareza, para facilitar a absorção, sem que isso signifique superficialidade. Para ajudar o seu estudo teremos esquemas, gráficos informativos, resumos, figuras em prol da compreensão e fixação. Outro aspecto muito importante dos nossos cursos é a possibilidade de contato direto e permanente comigo. Em nossas aulas você encontrará uma estrutura padronizada. Teremos uma parte introdutória informando o assunto que será tratado e informações sobre aulas anteriores e sobre o concurso. Em seguida, teremos a parte teórica da aula, permeadas por questões. E ao final o fechamento da aula com algumas sugestões. CONSIDERAÇÕES INICIAIS A aula de hoje versará sobre o primeiro item do nosso edital: os estudos realizados por Immanuel Kant. Nossa banca examinadora apresentou os seguintes pontos a serem cobrados: Criticismo kantiano. Condições de possibilidade de conhecimento. Distinção entre moral e direito. Autonomia e heteronomia. Imperativos hipotéticos e categóricos. Estado liberal e doutrina do direito. Justiça e liberdade. Direito cosmopolita. No entanto, nosso estudo não seguirá a ordem do edital, mas sim possui uma ordem própria em prol da didática. 1178772 12154402607 - Bruno Beltrão FILOSOFIA DO DIREITO – DPE-PR teoria e questões Aula 00 – Profa. Karoline Strapasson Profa. Karoline Strapasson www.estrategiaconcursos.com.br 5 de 26 Antes de começarmos nosso estudo é importante analisar quem foi Immanuel Kant. Immanuel Kant (1724-1804) nasceu em uma família modesta de artesãos, sua formação foi influenciada pela moral cristã. Cresceu e trabalhou em Königsberg (atual Kaliningrado) que integrava a Prússia, e atualmente a Rússia. Nunca deixou sua província, mas foi reconhecido internacionalmente ainda em vida. Estudou Filosofia, Matemática e Física na Universidade de Königsberg e lecionou na mesma faculdade nos anos seguintes. É considerado o último filósofo moderno, sendo o que construiu um dos sistemas de filosofia mais significativo para a aplicação ao Direito. Apesar da influência da moral cristã em sua juventude, ao longo de sua obra desenvolveu um sistema moral em separado da concepção religiosa. Em sua obra temos três fases distintas. Em sua juventude estudou os fenômenos físicos e científicos, quando adulto expôs o pensamento filosófico e refletiu sobre o pensamento moderno, por fim nas últimas décadas de sua vida escreveu sobre o criticismo filosófico. Estas obras são as mais influentes e as mais estudadas sobre seu pensamento. Podemos citar: Crítica da Razão Pura (1781), Fundamentação da metafísica dos costumes (1785), Crítica da Razão Prática (1788). Kant era uma pessoa muito ordenada e lógica, apesar de ser sociável nunca se casou e possuía um padrão restrito sobre o seu cotidiano. Contasse que sua rotina era tão metódica que todos os dias tinha o hábito de sair para caminhar às 16:30 e os habitantes da cidade costumavam acertar os relógios quando ele passava.1 O momento em que Kant viveu era a ascensão da burguesia e dos ideais liberais. Nesta época havia uma forte discussão sobre os sistemas de conhecimento. O conhecimento é pautado pela experiência ou apenas pela razão? Kant se sentiu provocado a analisar de modo crítico as formas de conhecimento após se deparar com o empirismo de David Hume. Para Hume não se podia dizer que se um objeto que fosse solto no ar cairia ao solo, essa afirmação dependeria exclusivamente da experiência, de modo que não se podia afirmar que todos os objetos que fossem soltos no ar cairiam ao chão. Após essa provocação filosófica Kant desenvolveu sua teoria sobre o conhecimento a qual vamos estudar em nosso próximo item. 1 WABURTON, Nigel. Uma breve história da Filosofia. Porto Alegre: L&PM, 2012. Cf. Capítulo 19 e 20. 1178772 12154402607 - Bruno Beltrão FILOSOFIA DO DIREITO – DPE-PR teoria e questões Aula 00 – Profa. Karoline Strapasson Profa. Karoline Strapasson www.estrategiaconcursos.com.br 6 de 26 1 Criticismo kantiano O criticismo é uma posição metodológica, ou seja, o caminho que Kant utilizou para desenvolver sua obra. Kant buscava analisar de modo crítico os limites do conhecimento racional. Para isso considerou o racionalismo e o empirismo, duas correntes que buscavam analisar como se desenvolve o conhecimento. O empirismo considera que o conhecimento provém da experiência dos objetos no mundo, dando menor ênfase à razão. No entanto, como o conhecimento dependia da experiência era difícil transcender estes raciocínios para um caráter universal. O racionalismo deposita no uso da razão a compreensão do mundo, ao invés da experiência. Considera que existem ideias prévias ao conhecimento, conteúdos inatos. Essa perspectiva peca, pois, o conhecimento terminava sendo demasiadamente subjetivo e relativo. Estas teorias buscam responder como o ser humano alcança o conhecimento: seria ele baseado na razão isolada da experiência? Ou o conhecimento está alicerçado na experiência, sendo a razão mera coadjuvante? O objetivo de Kant com sua teoria e reconciliar o empirismo e o racionalismo. Para Kant o conhecimento ocorre com as condições materiais advindas da experiência e também com a razão que organiza essas experiências. A sua teoria é chamada de idealismo alemão ou de idealismo transcendental. Kant reconhece que o criticismo (sua teoria) é insuficiente para fornecer todas as explicações e produzir as deduções necessárias para elucidar as razões últimas da existência do ser humano e seu agir. Mas iniciava um caminho para responder esses questionamentos. Vejamos um resumo para reforçar as teorias do conhecimento e a saída de Kant para este impasse. 1178772 12154402607 - Bruno Beltrão FILOSOFIA DO DIREITO – DPE-PR teoria e questões Aula 00 – Profa. Karoline Strapasson Profa. Karoline Strapasson www.estrategiaconcursos.com.br 7 de 26 QUESTÃO – CESPE – DPU–Defensor Público- 2010 Considerando as concepções teóricas do empirismo e do racionalismo, julgue o item a seguir: Segundo o racionalismo, todo e qualquer conhecimento é embasado na experiência e só é válido quando verificado por fatos metodicamente observados. Certo ou Errado? Comentários O racionalismo defende que o conhecimento é apreendido por meio da razão. É pela razão que se desenvolve a compreensão dos objetos no mundo. O texto da assertiva descreve o que prega o empirismo. Segundo esta outra corrente todo o conhecimento é embasado na experiência e deverá ser verificado a partir de um método GABARITO: ERRADO. Kant ao elaborar a sua teoria reconhece a importância da experiência, porém mais importante do que o fenômeno é o sujeito que presencia a experiência, e a capacidade deste em analisar e refletir a respeito do fenômeno. Essa mudança de perspectiva do objeto para o sujeito foi tão importante que é chamada de Revolução Copernicana de Kant. 2 Duas obras foram importantes para o desenvolvimento desta perspectiva de crítica às formas de conhecimento: Crítica da razão pura e Crítica da razão prática. Quando Kant faz uma análise crítica da razão pura está tratando do conhecimento dos fenômenos e das condições e possibilidades do entendimento. Já ao analisar a razão prática seu estudo se desenvolve sobre os elementos da justiça e injustiça, bem e mal, correto e errado,isto é: tudo o que envolve o mundo dos valores e das considerações para ação e para o julgamento humano. É neste campo que estão os temas filosóficos mais importantes para o Direito. 2 A Revolução Copernicana nas ciências diz respeito a alteração da compreensão de que a Terra era o centro do universo (sistema teocêntrico), mas sim o sol poderia ser o centro do universo (sistema heliocêntrico). No caso de Kant, deixa-se de se analisar o objeto e passasse a analisar o sujeito. Criticismo Kantiano A razão pura Como conhecemos ? A razão prática Como julgamos os valores? 1178772 12154402607 - Bruno Beltrão FILOSOFIA DO DIREITO – DPE-PR teoria e questões Aula 00 – Profa. Karoline Strapasson Profa. Karoline Strapasson www.estrategiaconcursos.com.br 8 de 26 QUESTÃO INÉDITA – 2017 As teorias do conhecimento envolvem teses sobre como o ser humano assimila e constata da realidade. A partir da crítica desenvolvida por Immanuel Kant analise os itens abaixo assinalando a assertiva que melhor se enquadra com a posição do autor. a) Kant filia-se a corrente do racionalismo, pois considera que a razão é mais relevante que a experiência na averiguação da realidade. b) Kant sobrepõe a experiência à razão considerando que não existem estruturas mentais prévias para a averiguação da experiência. c) Kant contemporiza as duas teorias reconhece que existem condições materiais advindas da experiência e também a importância da razão para que essas experiências sejam organizadas. d) O criticismo kantiano se contrapõe ao empirismo e ao racionalismo, descrente que o ser humano pode de fato conhecer a realidade desenvolve sua teoria chamada de empirismo transcendental. Comentários Kant desenvolve seus trabalhos estudando a forma de aquisição e os limites do conhecimento. De um lado havia o racionalismo que considerava a existência de estruturas mentais inatas capazes de compreender a realidade sem a experiência. De outro lado estão os empiristas que atribuíam a experiência um valor maior do que a razão. Kant contemporiza estes pensamentos e desenvolve sua teoria: o idealismo transcendental ou idealismo alemão. De acordo com o seu pensamento existem condições materiais que são adquiridas pela experiência, porém a razão é o critério para organizar e compreender os fenômenos advindos da experiência. GABARITO: C 1.1 Condições e possibilidade de conhecimento: a razão pura A proposta de Kant considera a importância da experiência. Nesse sentido, uma pessoa só conhecerá determinada cor porque a viu; e só saberá o timbre de uma voz, porque pode ouvir. A experiência fornece determinados tipos de conhecimento. No entanto, Kant vai além da experiência: é preciso que o sujeito que observa o fenômeno tenha estruturas de pensamento suficientes para entendê-las. Como já mencionamos a ênfase que Kant dá para o sujeito é tão significativa que é chamada de Revolução Copernicana, pois tira o foco do objeto e passa para o sujeito. Com essa mudança de paradigma a teoria de Kant busca alcançar um conhecimento universal, não pela razão de os fenômenos serem iguais, mas sim em virtude do sujeito utilizar as mesmas ferramentas mentais para compreender os fenômenos. Para fundamentar sua teoria Kant apresenta o conceito de estruturas prévias do sujeito (chamadas de a priori). Essas estruturas são ferramentas 1178772 12154402607 - Bruno Beltrão FILOSOFIA DO DIREITO – DPE-PR teoria e questões Aula 00 – Profa. Karoline Strapasson Profa. Karoline Strapasson www.estrategiaconcursos.com.br 9 de 26 da razão que possibilitam a percepção sensível para a elaboração do conhecimento. Os fenômenos seriam captados em um certo espaço e tempo. Esses dois critérios são chamados de formas da sensibilidade e são universais e necessários, pois organizam de modo universal o conhecimento sensível. Além das formas de sensibilidade contamos com as categorias apriorísticas que são anteriores a experiência e condicionam o exercício de organização do conteúdo obtido pela percepção, dentre elas estão a quantidade, qualidade, causalidade e necessidade. Em resumo: o pensador deverá refletir sobre o conteúdo da percepção, assim ele julgará e colocará em categorias aquilo que recebeu de seus sentidos. Primeiro ele recebe as informações, depois pensa sobre elas e as categoriza. Desse modo, todo o exercício de pensamento é um juízo. Kant emprega subdivisões para a classificação dos fenômenos, vamos analisá-las por meio de sua conceituação e de exemplos: Juízos Analíticos São voltados para o próprio sujeito, quando analisamos seus predicados, verificamos que eles repetem as características do sujeito. Exemplo: um triângulo possui três lados. Esta espécie de juízo não é tão importante para a filosofia. O objeto da filosofia são os juízos sintéticos. 1178772 12154402607 - Bruno Beltrão FILOSOFIA DO DIREITO – DPE-PR teoria e questões Aula 00 – Profa. Karoline Strapasson Profa. Karoline Strapasson www.estrategiaconcursos.com.br 10 de 26 Juízos Sintéticos Os juízos sintéticos são compostos de sujeito e predicado, o conteúdo do predicado é distinto do sujeito e gera uma nova compreensão. Podemos dividir os juízos sintéticos em: a priori e a posteriori. Juízos a posteriori Os juízos sintéticos a posteriori ocorrem após a constatação de um fenômeno e possuem uma causa. Exemplo: Uma pessoa constata que a parede foi pintada de branco, nada impede que essa parede possa ser pintada de outra cor amanhã. Neste caso os juízos acrescentam alguma novidade ao sujeito, por que são apreendidos pela experiência. São um fato percebido que poderá sofrer modificações. Juízos a priori Os juízos sintéticos a priori são necessários e universais e apresentam uma relação entre o sujeito e o objeto, a qual podem ser classificadas de acordo com as categorias apriorísticas. Exemplo: Todas as paredes pintadas receberam a ação de um pintor. Há um juízo universal de causalidade. Não é necessário ver uma parede pintada para saber que alguém a pintou. Esse julgamento é anterior a experiência de ver a parede pintada e não sofre modificação. 1178772 12154402607 - Bruno Beltrão FILOSOFIA DO DIREITO – DPE-PR teoria e questões Aula 00 – Profa. Karoline Strapasson Profa. Karoline Strapasson www.estrategiaconcursos.com.br 11 de 26 1.2 O mundo dos valores: A razão prática A razão prática é um campo filosófico no qual Kant reflete sobre a ética, moral, Direito, estética e política. A estrutura da crítica da razão prática está nos conceitos de moralidade e dever. O dever está relacionado as ações que seguem os trâmites da legalidade. É importante ressaltar que para Kant cumprir o dever não significa cumprir a moralidade. Pode-se cumprir o dever por interesse pessoal ou reconhecimento social. Cumpriu o dever, mas... Razão Motivo Cumpre o dever, mas não a moral. Por interesse pessoal Cumpro determinado contrato, pois vou receber ao final um lucro. apenas cumpriu o dever, sem nenhum ganho moral, pois esperava algo em troca. Por reconhecimento social Ajudo uma instituição de caridade, pois serei bem visto pelos demais. sua boa ação não é um ganho em aspecto moral, porque foi motivada por interesse. Percebeu que pelo nosso quadro cumprir o dever sobre uma perspectiva a moral significa que não há outro interesse que não apenas o cumprimento do dever? A moralidade é uma predisposição em cumprir um dever sem outro fundamento a não ser o querer cumprir. A moralidade não se mede pelo resultado, mas se instaura no campo da vontade que busca cumprir o dever sem interesses externos. O fundamento que leva o cumprimento é a boa vontade. A boa vontade não é boa por promover ourealizar algo, mas sim pelo querer da pessoa. Na teoria de Kant a boa vontade se encerra em si mesma e não recebe influência externa. Esse aspecto da teoria de Kant se opõe às noções da filosofia antiga e da filosofia medieval. Para os filósofos gregos, especialmente Aristóteles, a moralidade busca a felicidade como fim último. Já os pensadores medievais moralidade é cumprir o dever sem interesse externo e o seu fundamento é a boa vontade. Importante: Na perspectiva moral não há outro interesse senão apenas o cumprimento do dever 1178772 12154402607 - Bruno Beltrão FILOSOFIA DO DIREITO – DPE-PR teoria e questões Aula 00 – Profa. Karoline Strapasson Profa. Karoline Strapasson www.estrategiaconcursos.com.br 12 de 26 o dever advinha de uma fonte externa ao sujeito: Deus. Para Kant a boa vontade se encerra em si mesma, quando o sujeito cumpre um determinado dever em razão de seu querer. Daqui em diante vamos nos ater a crítica da razão prática, pois ela estuda o Direito, a Justiça e a Moral. No próximo item vamos analisar um dos temas mais relevantes da teoria de Immanuel Kant: o imperativo categórico e o imperativo hipotético. 2. Imperativo categórico e hipotético O núcleo central do pensamento de Immanuel Kant sobre a moralidade está no conceito de imperativo categórico. Mas o que é um imperativo? Na gramática utilizamos o modo verbal imperativo para expressar uma ordem, um comando ou exortação. “Faça as questões! ” “Estude os exercícios! ” São exemplo de imperativos. Vamos estudar duas formas de imperativos da obra de Kant o imperativo categórico e o imperativo hipotético. Quando utilizamos o termo categórico significa que um enunciado que não admite dúvidas. Já o termo hipotético remete a um enunciado cuja verificação depende de suas consequências. 2.1. Imperativo hipotético Já analisamos o termo imperativo ele exprime uma ordem um comando, quando associamos o termo hipotético estamos condicionando o enunciado a uma verificação. O imperativo hipotético é formado por uma ação e uma consequência. Exemplo: Se as pessoas pensarem de modo positivo serão felizes. Essa frase tem um comando: “pensar de modo positivo” e uma consequência para quem o seguir “ser feliz”. O imperativo hipotético propõe um dever que servirá como um meio para se obter algo. Exemplo: Se não quer ir para a prisão, não roube. Exemplo: Um comerciante busca ser honesto em sua atuação, para que isto não afaste os clientes. Podemos sintetizar o imperativo hipotético em uma fórmula: “Se quiser x, faça y.” FORMULA DO IMPERATIVO HIPOTÉTICO “Se quiser x, faça y.” 1178772 12154402607 - Bruno Beltrão FILOSOFIA DO DIREITO – DPE-PR teoria e questões Aula 00 – Profa. Karoline Strapasson Profa. Karoline Strapasson www.estrategiaconcursos.com.br 13 de 26 2.2 Imperativo categórico Ao contrário do imperativo hipotético, no qual a pessoa age de um modo para alcançar outro, o imperativo categórico se configura em um mecanismo da razão e não um conjunto de regras. É o cumprimento do dever sem esperar nada em troca. Não podemos compreender o imperativo categórico como um conjunto de mandamentos morais, mas sim como uma espécie de raciocínio. Quando uma pessoa está em dúvida sobre um aspecto de seu agir deverá orientar sua decisão de tal modo que a máxima de sua vontade possa valer para todas as pessoas como uma legislação universal. Vamos rever os exemplos do imperativo hipotético e analisá-los pela ótica do imperativo categórico no quadro abaixo. Exemplo de: Imperativo hipotético Comentário Exemplo de Imperativo categórico Se não quer ir para a prisão, não roube. Neste caso a motivação para não roubar e não prejudicar as demais pessoas é o medo da prisão. Não roube. Um comerciante busca ser honesto em sua atuação, para que isto não afaste os clientes. O comerciante age bem, porém a sua motivação não pode ser com o objetivo de não perder clientes, mas sim pelo fato de ser honesto, sem almejar um retorno no dever de sua ação. Não enganar os clientes. Nos dois exemplos quando se age pelo imperativo categórico (e não pelo imperativo hipotético) não há existe o medo da punição, logo a impunidade não servirá como um estímulo para agir de modo errado. Ao pensar assim as pessoas não são vistas como um meio para alcançar determinada finalidade, mas sim como um fim em si mesmo. Para Kant a moralidade não é algo natural para o homem, é necessário esforço para controlar à vontade por meio da razão. A moralidade é um dever racional que dirige o agir, não é uma orientação moral, mas sim uma diretiva para uma ação algo que deve ocorrer, um dever ser. A vontade deverá ser dominada pela inteligência e ser conduzida pelo imperativo categórico. O imperativo categórico é um dever que obriga sem condicionantes, limitações ou finalidades a não ser o cumprimento desse próprio dever. FORMULA DO IMPERATIVO CATEGÓRICO “Faça X” Agir apenas segundo uma máxima tal que possas ao mesmo tempo querer que ela se torne lei universal 1178772 12154402607 - Bruno Beltrão FILOSOFIA DO DIREITO – DPE-PR teoria e questões Aula 00 – Profa. Karoline Strapasson Profa. Karoline Strapasson www.estrategiaconcursos.com.br 14 de 26 Seguindo a compreensão do imperativo categórico apenas as ações que puderem ser universalizadas podem ser consideradas justas e boas. A partir do imperativo categórico caso a pessoa se encontrasse em uma situação crítica, onde mentindo pudesse resolver um embaraço, o raciocínio do imperativo categórico afastaria essa ação. Vejamos: Caso todas as pessoas mentissem, quais seriam as consequências sociais? Para Kant a mentira não seria plausível para a vida em sociedade, pois prejudicaria os níveis de confiança e a estabilidade dos negócios jurídicos. O conceito de imperativo categórico é a base da filosofia de Kant. A partir da razão Kant constrói uma moralidade dissociada dos aspectos religiosos, e além da construção desta moralidade cria uma perspectiva universal deste pensamento. O pensamento de Kant é tão importante que vai influenciar a formação do Estado Liberal e da compreensão do Direito nessa perspectiva, porém este desdobramento será analisado em um outro item. Imperativo hipotético Imperativo Categórico Frase de comando + consequência Agir apenas segundo uma máxima que poderia ser elevada a uma lei universal. “Se quiser algo, faça y” “Faça x” “Se não quiser ser preso, não roube”’ “Não roube” QUESTÃO INÉDITA – 2017 Com base nos conceitos sobre a filosofia moral de Immanuel Kant, é correto afirmar que: a) a boa vontade consiste em respeitar a lei moral com base em uma simples conformidade pessoal do indivíduo. b) o imperativo categórico exige que a pessoa cumpra um dever moral na expectativa de uma consequência social. c) o imperativo hipotético equivale a um agir que pode ser elevado a uma máxima universal. d) Para Kant é moralmente aceitável o cumprimento de um dever instituído por lei, com o objetivo de alcançar reconhecimento social. Comentários 1178772 12154402607 - Bruno Beltrão FILOSOFIA DO DIREITO – DPE-PR teoria e questões Aula 00 – Profa. Karoline Strapasson Profa. Karoline Strapasson www.estrategiaconcursos.com.br 15 de 26 A questão busca confundir os conceitos de imperativo categórico e imperativo hipotético. O imperativo categórico pode ser elevado uma máxima de abrangência universal, já o imperativo hipotético se desenvolve baseado em um comando e sua consequência. O conceito de boa vontade está relacionado com a noção de moralidade, logo se encerra em si mesmo e está baseado na autonomia do sujeito em cumprir o dever. GABARITO: A QUESTÃO INÉDITA – 2017 Partindo da Filosofia moral desenvolvida por Immanuel Kant analiseos casos a seguir: Caso 1: Um garoto vai até a panificadora para comprar dois pães, e o dono do estabelecimento ao vender os pães cobra a vinte centavos a mais do que o preço estabelecido, pois passava por problemas financeiros. Caso 2: O mesmo comerciante ao atender um fiscal da prefeitura, recobra a atenção para não se equivocar no troco, pois teme represálias do agente público. É correto afirmar que no primeiro caso a ação do comerciante descumpriu o dever de honestidade, e por isso não cumpriu com os preceitos morais. Já no segundo caso a ação do comerciante cumpriu o dever e a moral, pois não agiu de modo desonesto. Comentário A compreensão de moralidade não envolve uma expectativa de benefício decorrente da ação, mas uma vontade em cumprir o dever independente as causas ou consequências. A moralidade não se mede pelo resultado, mas se instaura no campo da vontade que busca cumprir o dever sem interesses externos. GABARITO: ERRADO. 3 Distinção entre moral e Direito Já vimos o conceito de dever e de moralidade. Mas vamos recordar, pois estes conceitos são importantes para distinguirmos a moral do Direito: Moralidade A moralidade é uma predisposição interna que não se mede pelo resultado e é movida pela boa vontade em cumprir o dever, sem outras influências externas. Dever O dever que é algo externo que incide sobre o ser humano e que poderá ser cumprido com diferentes intenções. 1178772 12154402607 - Bruno Beltrão ==11fc94== FILOSOFIA DO DIREITO – DPE-PR teoria e questões Aula 00 – Profa. Karoline Strapasson Profa. Karoline Strapasson www.estrategiaconcursos.com.br 16 de 26 Quando diferenciamos o Direito da moral partirmos de uma análise próxima dos conceitos de dever e moralidade. Para Kant tanto a ideia de Direito quanto a ideia de moral possuem correlação com o imperativo categórico. De acordo com o pensamento kantiano o Direito e a moral são pensados em uma perspectiva universal. Deste modo, o Direito não é um horizonte adaptável conforme as conveniências. Não se pode considerar como justo um direito parcial que dá privilégios para poucos. A justiça repousaria no imperativo categórico e por esta razão seria universal. Podemos perceber que o modo com que Kant concebe o Direito é distinto da aplicação do Direito como conhecemos. Kant denomina sua acepção teórica de direito da razão, o qual possui um caráter universal. Este conceito é próximo do Direito Natural, porém fundado na razão e não na natureza. A ideia de Direito para Kant está alicerçada no imperativo categórico, já as normas e regras positivas condizem com o imperativo hipotético. Vejamos no quadro abaixo: Imperativo categórico Imperativo hipotético A ideia de Direito da Razão A ideia de Direito Positivo O caráter é universal As normas jurídicas são específicas “Faça x” “Se quiser algo, faça y” Exemplo: “Não roubar” Exemplo: “Se você roubar ficará preso de 4 a 10 anos”. Kant novamente rompe com os autores clássicos, especialmente com Aristóteles. Enquanto para o Aristóteles do Direito Natural partia da análise da natureza, a qual ensinava e servia de guia. Para Kant o direito justo é pensado e não necessita de uma correlação com a realidade. Moral A moral é uma espécie de prática da lei por si mesma. O sentido está na vontade do sujeito. Direito O Direito se impõe como uma ação exterior, que obriga o seu cumprimento, ainda que as razões não sejam morais. 1178772 12154402607 - Bruno Beltrão FILOSOFIA DO DIREITO – DPE-PR teoria e questões Aula 00 – Profa. Karoline Strapasson Profa. Karoline Strapasson www.estrategiaconcursos.com.br 17 de 26 QUESTÃO – FCC –DPE-SP -Defensor Público – 2015 (Adaptada) Apoiando-se na distinção kantiana entre imperativo categórico e hipotético as normas jurídicas positivas são imperativos: a) hipotéticos e podem ser expressas pelo esquema: “Se você quiser Y, deve X". b) categóricos e podem ser expressas pelo esquema: “Se você quiser Y, deve X ou Z". c) categóricos e podem ser expressas pelo esquema: “Você deve X". d) categóricos e podem ser expressas pelo esquema: “Se você quiser Y, deve X". e) hipotéticos e podem ser expressas pelo esquema: “Você deve X". Comentários O examinador procura cobrar do candidato a distinção do imperativo categórico e do imperativo hipotético. Para isso apresenta a norma jurídica (O Direito posto) para ser classificação segundo esta acepção. O pensamento de Kant apresenta sua acepção própria para os conceitos de moral e de Direito, e assim liga-os com a ideia do imperativo categórico. No entanto, a configuração das normas jurídicas obedece a lógica do imperativo hipotético. Vejamos: temos um comportamento a ser encorajado, ou proibido. Quando realizado tal comportamento temos uma recompensa ou uma sanção. A fórmula que mais se adequa as normas jurídicas é: “Se você quiser Y, deve X” – que remete para o imperativo hipotético. Já o esquema que remete para o imperativo categórico é: “Você deve X”. GABARITO A. QUESTÃO – FGV –Exame da Ordem Unificado X - 2013 “Manter os próprios compromissos não constitui dever de virtude, mas dever de direito, a cujo cumprimento pode-se ser forçado. Mas prossegue Diferenças entre o Direito e a moral O Direito ͻRegra externa ͻSe cumpre por uma coerção externa ͻExistência de sanção A moral ͻRegra interna ͻGratuidade é realizado sem esperar recompensas ͻSe cumpre por um querer interior (boa vontade) 1178772 12154402607 - Bruno Beltrão FILOSOFIA DO DIREITO – DPE-PR teoria e questões Aula 00 – Profa. Karoline Strapasson Profa. Karoline Strapasson www.estrategiaconcursos.com.br 18 de 26 sendo uma ação virtuosa (uma demonstração de virtude) fazê-lo mesmo quando nenhuma coerção possa ser aplicada. A doutrina do direito e a doutrina da virtude não são, consequentemente, distinguidas tanto por seus diferentes deveres, como pela diferença em sua legislação, a qual relaciona um motivo ou outro com a lei”. Pelo trecho acima podemos inferir que Kant estabelece uma relação entre o direito e a moral. A esse respeito, assinale a afirmativa correta. a) O direito e a moral são idênticos, tanto na forma como no conteúdo prescritivo. Assim, toda ação contrária à moralidade das normas jurídicas é também uma violação da ordem jurídica. b) A conduta moral refere-se à vontade interna do sujeito, enquanto o direito é imposto por uma ação exterior e se concretiza no seu cumprimento, ainda que as razões da obediência do sujeito não sejam morais. c) A coerção, tanto no direito quanto na moral, é um elemento determinante. É na possibilidade de impor-se pela força, independentemente da vontade, que o direito e a moral regulam a liberdade. d) Direito e moral são absolutamente distintos. Consequentemente, cumprir a lei, ainda que espontaneamente, não é demonstração de virtude moral. Comentários O examinador procura avaliar a distinção entre Direito e moral. É importante recordar que estes conceitos possuem uma correlação, porém não são idênticos. Ambos envolvem a ação do sujeito, no entanto o prisma moral relaciona um critério de autonomia e autodeterminação de acordo com o querer do sujeito e com a sua boa vontade. Já o Direito exige a ação do indivíduo é uma coerção a qual poderá vir acompanhada de uma sanção no caso de um descumprimento. GABARITO: B. 4 A autonomia e a heteronomia Para compreender as relações entre as pessoas e o Direito é necessário estudar os conceitos de autonomia e heteronomia. 4.1 Autonomia A autonomia é a capacidade de uma pessoa em determinar suas ações de acordo com sua vontade, porém sobre o julgo da razão. A ideia de autonomia está associada ao imperativo categórico, logo estamos falando de uma decisão que pode ser utilizada como máxima universal. A autonomia não depende de uma vontade externa, mas sim da vontadeprópria do indivíduo. Podemos considerar a autonomia como uma autodeterminação da vontade e também como o fundamento da dignidade da natureza humana, pois está ligada a moralidade. A autonomia age de modo livre, pois não sofre uma coerção externa. 1178772 12154402607 - Bruno Beltrão FILOSOFIA DO DIREITO – DPE-PR teoria e questões Aula 00 – Profa. Karoline Strapasson Profa. Karoline Strapasson www.estrategiaconcursos.com.br 19 de 26 4.2 Heteronomia Quando uma pessoa ou instituição estão limitadas por algo alheio a sua vontade deixamos o campo da autonomia e passamos para o campo da dependência. Neste caso, não há uma livre vontade, mas sim uma obrigação. Quando estudamos a autonomia relacionamos suas características com o imperativo categórico, já no caso da heteronomia podemos ligá-la ao imperativo hipotético: uma pessoa faz algo na expectativa de suas consequências. 5 Justiça e liberdade O pensamento kantiano relaciona a autodeterminação da vontade (decidir apenas com a intenção de cumprir o dever, e sem sofrer nenhuma espécie de coerção) com a liberdade. Esse critério também é sensível no estudo de Kant sobre a Justiça. Na filosofia vários pensadores se debruçaram sobre o questionamento: Qual é o critério para que possamos definir o que é justo e o que é injusto? A história do pensamento jurídico possui várias teorias da justiça que procuraram responder qual seria a finalidade última do Direito. Existem três concepções para responder esta questão sobre a Justiça. 1ª) A Justiça é ordem. Saímos de um estado de anarquia (estado da natureza) e buscamos a salvaguarda da vida por meio do Direito. Essa concepção é clara em Thomas Hobbes e nos primeiros autores contratualistas. 2ª) A Justiça é igualdade. Aqui encontramos a acepção dos gregos, em especial Aristóteles. Garantir a igualdade entre os homens, exige remediar as desigualdades naturais com os recursos sociais. A justiça passa pela proteção social e pela distribuição de bens para os pobres e para os fracos. 3ª) A justiça é liberdade. É nesta ideia que se filia Kant. O fim último do direito é a liberdade. Esta é a razão para que o homem se reúna em uma Autonomia Imperativo categórico Liberdade de decisão/Vontade própria Não sofre coerção externa Heteronomia Imperativo hipotético Limitada por uma decisão alheia a sua vontade Obrigação/Sanção 1178772 12154402607 - Bruno Beltrão FILOSOFIA DO DIREITO – DPE-PR teoria e questões Aula 00 – Profa. Karoline Strapasson Profa. Karoline Strapasson www.estrategiaconcursos.com.br 20 de 26 sociedade, para que possa expressar sua personalidade e seu talento. O Direito limita as liberdades individuais. A Liberdade para Kant é a faculdade de não agir sendo influenciado pelas forças inferiores das paixões, ou pela força externa que provém do arbítrio dos outros. A Justiça é somente o conjunto das garantias por meio das quais há a possibilidade de se expressar a liberdade externa, ou seja, agir sem ser impedido pelos outros. Agir de maneira injusta é interferir na esfera de liberdade dos outros. A Justiça deve eliminar esses obstáculos, deve permitir que se usufrua a liberdade de modo igual aos demais membros da sociedade. Kant a partir desta compreensão está colocando as bases para se pensar o Direito. A filosofia kantiana está emergida em um seu período histórico marcado pelos fins dos privilégios da nobreza e pela ascensão da burguesia, o surgimento do Estado Liberal e, por consequência, uma nova compreensão do que é a doutrina do Direito. Justiça ͻPermite garantias para expressar a liberdade sem ser impedido. Injustiça ͻA interferência na liberdade dos outros. Liberdade Interna "Eu comigo mesmo" Um dever com a perfeição pessoal ͻ Liberdade moral ͻ Faculdade de adequação às leis a nossa razão Externa "Eu com os demais" Um dever com a felicidade dos outros ͻ Liberdade jurídica ͻ Faculdade de agir no mundo externo sem ser impedido 1178772 12154402607 - Bruno Beltrão FILOSOFIA DO DIREITO – DPE-PR teoria e questões Aula 00 – Profa. Karoline Strapasson Profa. Karoline Strapasson www.estrategiaconcursos.com.br 21 de 26 6 Estado liberal e doutrina do Direito O pensamento de Kant colaborou para o pensamento burguês e para o desenvolvimento do Estado Liberal. É pelo conceito de imperativo categórico que compreendemos que o Direito só será justo se puder ser universalizado. Assim, o poder despótico do monarca e os privilégios do absolutismo não se justificariam. O momento histórico exigia uma proteção das arbitrariedades do Estado Absolutista. E a teoria de Kant serve como inspiração para o Estado Liberal. O Estado Liberal considera como o seu fim último a preservação da liberdade individual. Desse modo, o Estado não pode causar um embaraço para que o indivíduo alcance seus objetivos. Uma das grandes dificuldades para os teóricos deste período era conciliar a liberdade individual com a coerção do Estado. Kant a resolve essa questão: há uma necessidade de coerção estatal para garantir a liberdade. No entanto, na perspectiva do Estado Liberal não há uma preocupação com a justiça social, com a igualdade ou com o bem-estar. A preocupação maior é com a condição de liberdade para que cada um persiga de acordo com as suas convicções o que melhor corresponde ao seu desejo. Como será satisfeita a felicidade individual e como ocorre o bem-estar para as pessoas não é uma preocupação do Estado. A preocupação do Estado reside em como compor os conflitos entre as liberdades de seus membros, para que o exercício da liberdade de um não prejudique os demais. Na Filosofia kantiana temos um Estado limitado pelo Direito. O poder somente é exercido nas formas do Direito com garantias jurídicas preestabelecidas. O Estado Liberal é um Estado de Direito com a função de instituir a convivência das liberdades externas de acordo com uma lei universal. É importante ressaltar que o conceito de Direito em Kant não parte das normas positivas, mas sim de uma investigação racional e de uma dedução sobre o seu conceito. Para isso precisamos considerar três requisitos: O Direito possui uma compreensão externa e prática de uma pessoa perante a outra com base em influências recíprocas, logo pertence ao mundo e às relações externas. O Direito se constitui na relação de dois ou mais arbítrios de dois sujeitos distintos. A função do Direito não é prescrever um dever, mas sim uma maneira de coexistir os diferentes arbítrios na sociedade. O Direito define o limite da liberdade de cada para a coexistência segundo uma lei universal. No Estado Liberal a finalidade do Estado é a preservação da liberdade individual para decidir com autonomia o rumo da própria existência. 1178772 12154402607 - Bruno Beltrão FILOSOFIA DO DIREITO – DPE-PR teoria e questões Aula 00 – Profa. Karoline Strapasson Profa. Karoline Strapasson www.estrategiaconcursos.com.br 22 de 26 Assim cada pessoa pode usufruir da liberdade que lhe é concedida pelo Direito, de modo igual entre todos os membros da sociedade. É importante que compreendamos que Kant trabalha com o conceito ideal do Direito, isto não quer dizer o Direito Positivo ou a norma jurídica, pois neste caso a configuração seria distinta. QUESTÃO – FGV – Exame da Ordem Unificado XV - 2014 Na Doutrina do Direito, Kant busca um conceito puramente racional e que possa explicar o direito independentemente da configuração específica de cada legislação. Mais precisamente, seria o direito entendido como expressão de uma razão pura prática, capaz de orientar a faculdade de agir de qualquer ser racional. Assinale a opção que contém, segundo Kant, essa lei universal do direito. a) Age de tal maneira que uses a humanidade, tanto na tua pessoa como na pessoade qualquer outro, sempre e simultaneamente como fim, e nunca como meio. b) Age exteriormente, de modo que o livre uso de teu arbítrio possa se conciliar com a liberdade de todos, segundo uma lei universal. c) Age como se a máxima de tua ação se devesse tornar, pela tua vontade, lei universal da natureza. d) Age de forma que conserves sempre a tua liberdade, ainda que tenhas de resistir à liberdade alheia. Comentário O examinador trabalha com a ideia de uma “lei universal do direito”, o que chamamos em nossa aula de “Direito da razão”. Essa compreensão está ligada com o imperativo categórico e deste modo diz respeito que a ação exterior de uma pessoa que deverá estar de acordo com a liberdade os demais membros da sociedade, servindo como uma regra geral para todos. GABARITO: B 7 Direito cosmopolita Quando Kant descreve sua teoria ele inicia seu pensamento focado no Direito Privado, ou seja, nas relações entre os particulares. O Direito Público se constitui em prol da atividade e dos interesses privados. É o Direito Público que dá condições para a liberdade dos indivíduos, e para a convivência entre os povos e entre os Estados. Ao tratar desta perspectiva identificamos o direito estatal, o direito das gentes e o direito cosmopolita. Vamos conhecer a distinção entre esses conceitos no quadro a seguir: O Direito é o conjunto das condições por meio das quais o arbítrio de um pode estar de acordo com o arbítrio de outro, segundo a lei universal da liberdade. 1178772 12154402607 - Bruno Beltrão FILOSOFIA DO DIREITO – DPE-PR teoria e questões Aula 00 – Profa. Karoline Strapasson Profa. Karoline Strapasson www.estrategiaconcursos.com.br 23 de 26 Direito estatal Direito das gentes Direito cosmopolita O Direito interno de cada Estado. O Direito das relações entre os Estados e entre os indivíduos de um Estado com os de outro Estado. O Direito dos cidadãos do mundo. A pessoa é considerada não apenas como um membro de um Estado, mas como um membro de uma sociedade cosmopolita. De acordo com Alysson Leandro Mascaro a obra de Kant apesar de significativa para a construção de novos paradigmas para o Direito, também demonstra um grau alto de conservadorismo político sobre a cidadania e o direito à rebelião pensados na perspectiva do Direito Estatal.3 Kant reconhece a importância da cidadania ao lado do Poder Legislativo, porém os eleitores deveriam ser aqueles que possuem propriedade e que não se submetem a um trabalho controlado por um terceiro. Estes seriam os cidadãos ativos e os demais cidadãos passivos que possuem direitos, porém que não poderiam votar. Kant não considera o direito de resistência de um povo frente a um tirano, para ele os oprimidos deveriam se conformar a condição jurídica dada sem postular uma revolução. Já em relação ao Direito das gentes Kant analisa as relações entre os povos e a manutenção da paz. A comunidade internacional sempre viveu sobre o espectro da guerra. Kant em sua obra A paz perpétua busca uma série de convenções e normas para levar a harmonia universal entre os povos sustentada pelo Direito. Para isso é necessário que: Cada Estado tenha uma constituição civil de forma republicana. O Direito das gentes deve se fundir em uma federação de Estados livres O Direito cosmopolita deve se limitar às condições de hospitalidade universal. Quando utilizamos o termo o Direito das gentes estamos falando da situação de conflito entre os Estados, a qual tende para que o mais forte se sobreponha aos demais. Por meio de uma federação livre cada Estado teria resguardado sua soberania. A Organização das Nações Unidas tem uma verossimilhança com essa acepção kantiana. Já o Direito cosmopolita é um avanço proposto por Kant entre as relações internacionais. Kant compreende que além do Estado o cidadão também pertenceria a uma sociedade internacional. Porém o único dever proveniente desta sociedade internacional é a hospitalidade, em outras palavras a acolhida entre as pessoas de Estados diferentes. As relações internacionais não poderiam culminar no colonialismo ou no imperialismo. Kant tinha expectativas positivas em relação ao Direito e a melhoria da humanidade sobre a perspectiva do direito cosmopolita. 3 MASCARO, Alysson Leandro. Filosofia do Direito. São Paulo: Atlas, 2016. p.233. 1178772 12154402607 - Bruno Beltrão FILOSOFIA DO DIREITO – DPE-PR teoria e questões Aula 00 – Profa. Karoline Strapasson Profa. Karoline Strapasson www.estrategiaconcursos.com.br 24 de 26 LISTA DAS QUESTÕES DE AULA QUESTÃO – CESPE – DPU–Defensor Público- 2010 Considerando as concepções teóricas do empirismo e do racionalismo, julgue o item a seguir: Segundo o racionalismo, todo e qualquer conhecimento é embasado na experiência e só é válido quando verificado por fatos metodicamente observados. Certo ou Errado? GABARITO: ERRADO. QUESTÃO INÉDITA – 2017 As teorias do conhecimento envolvem teses sobre como o ser humano assimila e constata da realidade. A partir da crítica desenvolvida por Immanuel Kant analise os itens abaixo assinalando a assertiva que melhor se enquadra com a posição do autor. a) Kant filia-se a corrente do racionalismo, pois considera que a razão é mais relevante que a experiência na averiguação da realidade. b) Kant sobrepõe a experiência à razão considerando que não existem estruturas mentais prévias para a averiguação da experiência. c) Kant contemporiza as duas teorias reconhece que existem condições materiais advindas da experiência e também a importância da razão para que essas experiências sejam organizadas. d) O criticismo kantiano se contrapõe ao empirismo e ao racionalismo, descrente que o ser humano pode de fato conhecer a realidade desenvolve sua teoria chamada de empirismo transcendental. GABARITO: C QUESTÃO INÉDITA – 2017 Com base nos conceitos sobre a filosofia moral de Immanuel Kant, é correto afirmar que: a) a boa vontade consiste em respeitar a lei moral com base em uma simples conformidade pessoal do indivíduo. b) o imperativo categórico exige que a pessoa cumpra um dever moral na expectativa de uma consequência social. c) o imperativo hipotético equivale a um agir que pode ser elevado a uma máxima universal. d) Para Kant é moralmente aceitável o cumprimento de um dever instituído por lei, com o objetivo de alcançar reconhecimento social. GABARITO: A 1178772 12154402607 - Bruno Beltrão FILOSOFIA DO DIREITO – DPE-PR teoria e questões Aula 00 – Profa. Karoline Strapasson Profa. Karoline Strapasson www.estrategiaconcursos.com.br 25 de 26 QUESTÃO INÉDITA – 2017 Partindo da Filosofia moral desenvolvida por Immanuel Kant analise os casos a seguir: Caso 1: Um garoto vai até a panificadora para comprar dois pães, e o dono do estabelecimento ao vender os pães cobra a vinte centavos a mais do que o preço estabelecido, pois passava por problemas financeiros. Caso 2: O mesmo comerciante ao atender um fiscal da prefeitura, recobra a atenção para não se equivocar no troco, pois teme represálias do agente público. É correto afirmar que no primeiro caso a ação do comerciante descumpriu o dever de honestidade, e por isso não cumpriu com os preceitos morais. Já no segundo caso a ação do comerciante cumpriu o dever e a moral, pois não agiu de modo desonesto. GABARITO: ERRADO. QUESTÃO – FCC –DPE-SP -Defensor Público – 2015 (Adaptada) Apoiando-se na distinção kantiana entre imperativo categórico e hipotético as normas jurídicas positivas são imperativos: a) hipotéticos e podem ser expressas pelo esquema: “Se você quiser Y, deve X". b) categóricos e podem ser expressas pelo esquema: “Se você quiser Y, deve X ou Z". c) categóricos e podem ser expressas pelo esquema: “Você deve X". d) categóricos e podem ser expressaspelo esquema: “Se você quiser Y, deve X". e) hipotéticos e podem ser expressas pelo esquema: “Você deve X". GABARITO A. QUESTÃO – FGV –Exame da Ordem Unificado X - 2013 “Manter os próprios compromissos não constitui dever de virtude, mas dever de direito, a cujo cumprimento pode-se ser forçado. Mas prossegue sendo uma ação virtuosa (uma demonstração de virtude) fazê-lo mesmo quando nenhuma coerção possa ser aplicada. A doutrina do direito e a doutrina da virtude não são, consequentemente, distinguidas tanto por seus diferentes deveres, como pela diferença em sua legislação, a qual relaciona um motivo ou outro com a lei”. Pelo trecho acima podemos inferir que Kant estabelece uma relação entre o direito e a moral. A esse respeito, assinale a afirmativa correta. a) O direito e a moral são idênticos, tanto na forma como no conteúdo prescritivo. Assim, toda ação contrária à moralidade das normas jurídicas é também uma violação da ordem jurídica. b) A conduta moral refere-se à vontade interna do sujeito, enquanto o direito é imposto por uma ação exterior e se concretiza no seu 1178772 12154402607 - Bruno Beltrão FILOSOFIA DO DIREITO – DPE-PR teoria e questões Aula 00 – Profa. Karoline Strapasson Profa. Karoline Strapasson www.estrategiaconcursos.com.br 26 de 26 cumprimento, ainda que as razões da obediência do sujeito não sejam morais. c) A coerção, tanto no direito quanto na moral, é um elemento determinante. É na possibilidade de impor-se pela força, independentemente da vontade, que o direito e a moral regulam a liberdade. d) Direito e moral são absolutamente distintos. Consequentemente, cumprir a lei, ainda que espontaneamente, não é demonstração de virtude moral. GABARITO: B. QUESTÃO – FGV – Exame da Ordem Unificado XV - 2014 Na Doutrina do Direito, Kant busca um conceito puramente racional e que possa explicar o direito independentemente da configuração específica de cada legislação. Mais precisamente, seria o direito entendido como expressão de uma razão pura prática, capaz de orientar a faculdade de agir de qualquer ser racional. Assinale a opção que contém, segundo Kant, essa lei universal do direito. a) Age de tal maneira que uses a humanidade, tanto na tua pessoa como na pessoa de qualquer outro, sempre e simultaneamente como fim, e nunca como meio. b) Age exteriormente, de modo que o livre uso de teu arbítrio possa se conciliar com a liberdade de todos, segundo uma lei universal. c) Age como se a máxima de tua ação se devesse tornar, pela tua vontade, lei universal da natureza. d) Age de forma que conserves sempre a tua liberdade, ainda que tenhas de resistir à liberdade alheia. GABARITO: B CONSIDERAÇÕES FINAIS Chegamos ao final da nossa aula demonstrativa! Tratamos sobre o nosso primeiro item: Nosso intuito primordial foi demonstrar os principais elementos da Filosofia de Kant. No próximo encontro vamos dedicar nosso estudo para o nosso segundo item do edital a obra de Hans Kelsen. kstrapasson@gmail.com Um abraço e bons estudos! Karoline Strapasson Immanuel Kant 1178772 12154402607 - Bruno Beltrão