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Aula 01
Filosofia do Direito p/ DPE-PR (Defensor Público)
Karoline Strapasson Jambersi
12154402607 - Bruno Beltrão
FILOSOFIA DO DIREITO – DPE-PR 
teoria e questões 
Aula 00 – Profa. Karoline Strapasson 
 
 
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AULA 00 
APRESENTAÇÃO E CRONOGRAMA DO 
CURSO 
IMMANUEL KANT 
SUMÁRIO 
Apresentação Pessoal ........................................................................ 2 
Sobre o último edital e o conteúdo cobrado .......................................... 2 
Cronograma de aulas ........................................................................ 3 
Sobre a metodologia do curso ............................................................ 3 
Considerações iniciais ........................................................................ 4 
1 Criticismo kantiano .................................................................... 6 
1.1 Condições e possibilidade de conhecimento: a razão pura ........... 8 
1.2 O mundo dos valores: A razão prática..................................... 11 
2. Imperativo categórico e hipotético .............................................. 12 
2.1. Imperativo hipotético ........................................................... 12 
2.2 Imperativo categórico ........................................................... 13 
3 Distinção entre moral e Direito .................................................... 15 
4 A autonomia e a heteronomia ..................................................... 18 
4.1 Autonomia .......................................................................... 18 
4.2 Heteronomia ........................................................................ 19 
5 Justiça e liberdade ................................................................ 19 
6 Estado liberal e doutrina do Direito ........................................... 21 
7 Direito cosmopolita.................................................................. 22 
Lista das Questões de Aula .............................................................. 24 
Considerações Finais ....................................................................... 26 
 
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FILOSOFIA DO DIREITO – DPE-PR 
teoria e questões 
Aula 00 – Profa. Karoline Strapasson 
 
 
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CONCEITO E TAREFA DA FILOSOFIA DO DIREITO 
 APRESENTAÇÃO PESSOAL 
Olá! Meu nome é Karoline Strapasson. Sou graduada em Direito pela 
Pontifícia Universidade Católica do Paraná e também sou mestra em Direito 
Econômico e Socioambiental pela mesma instituição. 
Atuo como conciliadora no Juizado Especial Cível e Criminal de Curitiba, sou 
professora universitária das disciplinas de Direitos Humanos e Direito 
Constitucional e também ministro aulas no curso preparatório Aprova 
Concursos. 
Estaremos juntos estudando a disciplina de Filosofia do Direito! Caso você 
tenha alguma dúvida, crítica ou contribuição entre em contato comigo pelo 
meu e-mail: 
 
kstrapasson@gmail.com 
SOBRE O ÚLTIMO EDITAL E O CONTEÚDO COBRADO 
Sejam todos bem-vindos ao nosso estudo sobre Filosofia do Direito com 
foco para o concurso da Defensoria Pública do Estado do Paraná! 
Este curso foi preparado de acordo com o edital n. 001/2017 do III Concurso 
Público de Provas e Títulos para a carreira de Defensor Público do Paraná. 
Nossa banca examinadora é a Fundação Carlos Chagas que alterou de modo 
significativo o edital cobrado para Filosofia do Direito. 
A disciplina de Filosofia do Direito está no grupo D ao lado das disciplinas 
de Direito Administrativo, Princípios e atribuições institucionais da 
Defensoria Pública do Estado do Paraná e também de Sociologia Jurídica. 
Em nossa fase objetiva temos 16 questões divididas para estas disciplinas. 
Já em nossa fase dissertativa temos uma questão para este grupo de 
disciplinas. 
Os itens do edital que versam sobre Filosofia do Direito são 3 itens: 
1. Criticismo kantiano. Condições de possibilidade de conhecimento. Distinção entre moral e 
direito. Autonomia e heteronomia. Imperativos hipotéticos e categóricos. Estado liberal e 
doutrina do direito. Justiça e liberdade. Direito cosmopolita. 
2 Normativismo jurídico kelsiano. Teoria pura do direito. Separação entre ser e dever ser. 
Relação entre direito e moral. Norma jurídica fundamental. Norma jurídica e ordenamento 
jurídico. Estática e dinâmica jurídica. Norma jurídica geral e individual. Norma jurídica e 
discricionariedade do aplicador. 
3. Positivismo jurídico em Hart. Conceituação do direito. Semelhanças e diferenças entre 
direito, coerção e moral. O direito como união de regras primárias e secundárias. Regra de 
conhecimento e validade jurídica. A textura aberta do direito. Definitividade e infabilidade da 
decisão judicial. Incerteza na regra de conhecimento.4. O conceito de Direito. Equidade. Direito 
e Moral 
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Temos ainda os itens 4 e 5 são próprios da Sociologia Jurídica, a princípio 
vamos dedicar o nosso estudo apenas aos três primeiros itens. 
No edital foi apresentada uma bibliografia de referência sobre os autores da 
Filosofia do Direito, a saber: 
KANT, Immanuel. Fundamentação da Metafísica dos Costumes. Lisboa: Edições 70, 2011. 
KELSEN, Hans. Teoria Pura do Direito, 8ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2009. 
HART, Herbert L. A. O Conceito de Direito. São Paulo: Martins Fontes, 2012 
Estas obras nos ajudaram em nosso estudo. Não obstante a incidência desta 
disciplina ser menor que as demais cobradas pelo concurso, o estudo da 
Filosofia do Direito colabora para a interpretação e compreensão de temas 
importantes da vivência jurídica. Nosso estudo será dirigido de acordo com 
o edital, também vamos nos basear em como estes autores são explorados 
em provas e concursos similares. 
CRONOGRAMA DE AULAS 
O nosso curso compreenderá um total de três aulas, além desta aula 
demonstrativa, distribuídos conforme cronograma abaixo: 
AULA CONTEÚDO DATA 
Aula 00 
Apresentação do Curso, 
Cronograma de Aulas, 
Immanuel Kant 
Criticismo kantiano. Condições de possibilidade de 
conhecimento. Distinção entre moral e direito. Autonomia e 
heteronomia. Imperativos hipotéticos e categóricos. Estado 
liberal e doutrina do direito. Justiça e liberdade. Direito 
cosmopolita. 
24/02/2017 
Aula 01 
Hans Kelsen 
Normativismo jurídico kelsiano. Teoria pura do direito. 
Separação entre ser e dever ser. Relação entre direito e 
moral. Norma jurídica fundamental. Norma jurídica e 
ordenamento jurídico. Estática e dinâmica jurídica. Norma 
jurídica geral e individual. Norma jurídica e 
discricionariedade do aplicador. 
10/03/2017 
Aula 02 
Hebert L. A. Hart. 
Positivismo jurídico em Hart. Conceituação do direito. 
Semelhanças e diferenças entre direito, coerção e moral. O 
direito como união de regras primárias e secundárias. Regra 
de conhecimento e validade jurídica. A textura aberta do 
direito. Definitividade e infabilidade da decisão judicial. 
Incerteza na regra de conhecimento. 
24/03/2017 
Nossas aulas foram dispostas com o objetivo de favorecer o entendimento 
e para que o conteúdo seja transmitido de modo agradável e facilitado. 
Eventuais ajustes de cronograma poderão ser realizados por questões 
didáticas e serão informados com antecedência. 
SOBRE A METODOLOGIA DO CURSO 
Vistos esses aspectos iniciais referentes à disciplina, vamos tecer algumas 
observações prévias importantes a respeito do nosso curso. 
Primeiro: como o conteúdo é denso, vamos priorizar os assuntos mais 
recorrentes em concursos públicos e importantes para a prova. Desse 
modo, os conceitos e informações buscarão ao máximo seremde fácil 
compreensão. 
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Segundo: utilizaremos questões elaboradas por outras bancas sobre o 
tema e também questões inéditas, no sentido de frisar os temas mais 
importantes. 
Nosso objetivo principal é a didática. Deste modo os assuntos doutrinários 
buscam priorizar a clareza, para facilitar a absorção, sem que isso signifique 
superficialidade. 
Para ajudar o seu estudo teremos esquemas, gráficos informativos, 
resumos, figuras em prol da compreensão e fixação. Outro aspecto muito 
importante dos nossos cursos é a possibilidade de contato direto e 
permanente comigo. 
Em nossas aulas você encontrará uma estrutura padronizada. Teremos uma 
parte introdutória informando o assunto que será tratado e informações 
sobre aulas anteriores e sobre o concurso. Em seguida, teremos a parte 
teórica da aula, permeadas por questões. E ao final o fechamento da aula 
com algumas sugestões. 
CONSIDERAÇÕES INICIAIS 
A aula de hoje versará sobre o primeiro item do nosso edital: os estudos 
realizados por Immanuel Kant. 
Nossa banca examinadora apresentou os seguintes pontos a serem 
cobrados: Criticismo kantiano. Condições de possibilidade de conhecimento. 
Distinção entre moral e direito. Autonomia e heteronomia. Imperativos 
hipotéticos e categóricos. Estado liberal e doutrina do direito. Justiça e 
liberdade. Direito cosmopolita. 
No entanto, nosso estudo não seguirá a ordem do edital, mas sim possui 
uma ordem própria em prol da didática. 
 
 
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Antes de começarmos nosso estudo é importante analisar quem foi 
Immanuel Kant. 
Immanuel Kant (1724-1804) nasceu em uma família 
modesta de artesãos, sua formação foi influenciada 
pela moral cristã. Cresceu e trabalhou em Königsberg 
(atual Kaliningrado) que integrava a Prússia, e 
atualmente a Rússia. Nunca deixou sua província, mas 
foi reconhecido internacionalmente ainda em vida. 
Estudou Filosofia, Matemática e Física na Universidade 
de Königsberg e lecionou na mesma faculdade nos 
anos seguintes. 
É considerado o último filósofo moderno, sendo o que 
construiu um dos sistemas de filosofia mais 
significativo para a aplicação ao Direito. Apesar da influência da moral 
cristã em sua juventude, ao longo de sua obra desenvolveu um sistema 
moral em separado da concepção religiosa. 
Em sua obra temos três fases distintas. Em sua juventude estudou os 
fenômenos físicos e científicos, quando adulto expôs o pensamento 
filosófico e refletiu sobre o pensamento moderno, por fim nas últimas 
décadas de sua vida escreveu sobre o criticismo filosófico. 
Estas obras são as mais influentes e as mais estudadas sobre seu 
pensamento. Podemos citar: Crítica da Razão Pura (1781), Fundamentação 
da metafísica dos costumes (1785), Crítica da Razão Prática (1788). 
Kant era uma pessoa muito ordenada e lógica, apesar de ser sociável nunca 
se casou e possuía um padrão restrito sobre o seu cotidiano. Contasse que 
sua rotina era tão metódica que todos os dias tinha o hábito de sair para 
caminhar às 16:30 e os habitantes da cidade costumavam acertar os 
relógios quando ele passava.1 
O momento em que Kant viveu era a ascensão da burguesia e dos ideais 
liberais. Nesta época havia uma forte discussão sobre os sistemas de 
conhecimento. O conhecimento é pautado pela experiência ou apenas pela 
razão? 
Kant se sentiu provocado a analisar de modo crítico as formas de 
conhecimento após se deparar com o empirismo de David Hume. Para 
Hume não se podia dizer que se um objeto que fosse solto no ar cairia ao 
solo, essa afirmação dependeria exclusivamente da experiência, de modo 
que não se podia afirmar que todos os objetos que fossem soltos no ar 
cairiam ao chão. 
Após essa provocação filosófica Kant desenvolveu sua teoria sobre o 
conhecimento a qual vamos estudar em nosso próximo item. 
 
1 WABURTON, Nigel. Uma breve história da Filosofia. Porto Alegre: L&PM, 2012. Cf. 
Capítulo 19 e 20. 
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1 Criticismo kantiano 
O criticismo é uma posição metodológica, ou seja, o caminho que Kant 
utilizou para desenvolver sua obra. Kant buscava analisar de modo crítico 
os limites do conhecimento racional. Para isso considerou o racionalismo 
e o empirismo, duas correntes que buscavam analisar como se desenvolve 
o conhecimento. 
O empirismo considera que o conhecimento provém da experiência dos 
objetos no mundo, dando menor ênfase à razão. No entanto, como o 
conhecimento dependia da experiência era difícil transcender estes 
raciocínios para um caráter universal. 
O racionalismo deposita no uso da razão a compreensão do mundo, ao 
invés da experiência. Considera que existem ideias prévias ao 
conhecimento, conteúdos inatos. Essa perspectiva peca, pois, o 
conhecimento terminava sendo demasiadamente subjetivo e relativo. 
Estas teorias buscam responder como o ser humano alcança o 
conhecimento: seria ele baseado na razão isolada da experiência? Ou 
o conhecimento está alicerçado na experiência, sendo a razão mera 
coadjuvante? O objetivo de Kant com sua teoria e reconciliar o empirismo 
e o racionalismo. 
Para Kant o conhecimento ocorre com as condições materiais advindas da 
experiência e também com a razão que organiza essas experiências. A sua 
teoria é chamada de idealismo alemão ou de idealismo transcendental. 
Kant reconhece que o criticismo (sua teoria) é insuficiente para fornecer 
todas as explicações e produzir as deduções necessárias para elucidar as 
razões últimas da existência do ser humano e seu agir. Mas iniciava um 
caminho para responder esses questionamentos. 
Vejamos um resumo para reforçar as teorias do conhecimento e a saída de 
Kant para este impasse. 
 
 
 
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QUESTÃO – CESPE – DPU–Defensor Público- 2010 
Considerando as concepções teóricas do empirismo e do racionalismo, 
julgue o item a seguir: 
Segundo o racionalismo, todo e qualquer conhecimento é embasado na 
experiência e só é válido quando verificado por fatos metodicamente 
observados. 
Certo ou Errado? 
Comentários 
O racionalismo defende que o conhecimento é apreendido por meio da 
razão. É pela razão que se desenvolve a compreensão dos objetos no 
mundo. O texto da assertiva descreve o que prega o empirismo. Segundo 
esta outra corrente todo o conhecimento é embasado na experiência e 
deverá ser verificado a partir de um método GABARITO: ERRADO. 
Kant ao elaborar a sua teoria reconhece a importância da experiência, 
porém mais importante do que o fenômeno é o sujeito que presencia 
a experiência, e a capacidade deste em analisar e refletir a respeito do 
fenômeno. Essa mudança de perspectiva do objeto para o sujeito foi tão 
importante que é chamada de Revolução Copernicana de Kant. 2 
Duas obras foram importantes para o desenvolvimento desta perspectiva 
de crítica às formas de conhecimento: Crítica da razão pura e Crítica da 
razão prática. 
Quando Kant faz uma análise crítica da razão pura está tratando do 
conhecimento dos fenômenos e das condições e possibilidades do 
entendimento. 
Já ao analisar a razão prática seu estudo se desenvolve sobre os 
elementos da justiça e injustiça, bem e mal, correto e errado,isto é: tudo 
o que envolve o mundo dos valores e das considerações para ação e para 
o julgamento humano. É neste campo que estão os temas filosóficos mais 
importantes para o Direito. 
 
 
 
2 A Revolução Copernicana nas ciências diz respeito a alteração da compreensão de que a Terra era 
o centro do universo (sistema teocêntrico), mas sim o sol poderia ser o centro do universo (sistema 
heliocêntrico). No caso de Kant, deixa-se de se analisar o objeto e passasse a analisar o sujeito. 
Criticismo 
Kantiano
A razão pura
Como 
conhecemos ?
A razão 
prática
Como 
julgamos os 
valores?
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QUESTÃO INÉDITA – 2017 
As teorias do conhecimento envolvem teses sobre como o ser humano 
assimila e constata da realidade. A partir da crítica desenvolvida por 
Immanuel Kant analise os itens abaixo assinalando a assertiva que melhor 
se enquadra com a posição do autor. 
a) Kant filia-se a corrente do racionalismo, pois considera que a razão é 
mais relevante que a experiência na averiguação da realidade. 
b) Kant sobrepõe a experiência à razão considerando que não existem 
estruturas mentais prévias para a averiguação da experiência. 
c) Kant contemporiza as duas teorias reconhece que existem condições 
materiais advindas da experiência e também a importância da razão para 
que essas experiências sejam organizadas. 
d) O criticismo kantiano se contrapõe ao empirismo e ao racionalismo, 
descrente que o ser humano pode de fato conhecer a realidade desenvolve 
sua teoria chamada de empirismo transcendental. 
Comentários 
Kant desenvolve seus trabalhos estudando a forma de aquisição e os limites 
do conhecimento. De um lado havia o racionalismo que considerava a 
existência de estruturas mentais inatas capazes de compreender a 
realidade sem a experiência. De outro lado estão os empiristas que 
atribuíam a experiência um valor maior do que a razão. Kant contemporiza 
estes pensamentos e desenvolve sua teoria: o idealismo transcendental ou 
idealismo alemão. De acordo com o seu pensamento existem condições 
materiais que são adquiridas pela experiência, porém a razão é o critério 
para organizar e compreender os fenômenos advindos da experiência. 
GABARITO: C 
 1.1 Condições e possibilidade de conhecimento: a razão pura 
A proposta de Kant considera a importância da experiência. Nesse sentido, 
uma pessoa só conhecerá determinada cor porque a viu; e só saberá o 
timbre de uma voz, porque pode ouvir. A experiência fornece determinados 
tipos de conhecimento. No entanto, Kant vai além da experiência: é preciso 
que o sujeito que observa o fenômeno tenha estruturas de pensamento 
suficientes para entendê-las. 
Como já mencionamos a ênfase que Kant dá para o sujeito é tão 
significativa que é chamada de Revolução Copernicana, pois tira o foco 
do objeto e passa para o sujeito. Com essa mudança de paradigma a teoria 
de Kant busca alcançar um conhecimento universal, não pela razão de os 
fenômenos serem iguais, mas sim em virtude do sujeito utilizar as mesmas 
ferramentas mentais para compreender os fenômenos. 
Para fundamentar sua teoria Kant apresenta o conceito de estruturas 
prévias do sujeito (chamadas de a priori). Essas estruturas são ferramentas 
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da razão que possibilitam a percepção sensível para a elaboração do 
conhecimento. Os fenômenos seriam captados em um certo espaço e 
tempo. Esses dois critérios são chamados de formas da sensibilidade e 
são universais e necessários, pois organizam de modo universal o 
conhecimento sensível. 
Além das formas de sensibilidade contamos com as categorias 
apriorísticas que são anteriores a experiência e condicionam o exercício 
de organização do conteúdo obtido pela percepção, dentre elas estão a 
quantidade, qualidade, causalidade e necessidade. 
Em resumo: o pensador deverá refletir sobre o conteúdo da percepção, 
assim ele julgará e colocará em categorias aquilo que recebeu de seus 
sentidos. Primeiro ele recebe as informações, depois pensa sobre elas e as 
categoriza. Desse modo, todo o exercício de pensamento é um juízo. 
 
 
 
Kant emprega subdivisões para a classificação dos fenômenos, vamos 
analisá-las por meio de sua conceituação e de exemplos: 
Juízos Analíticos 
São voltados para o próprio sujeito, quando analisamos 
seus predicados, verificamos que eles repetem as 
características do sujeito. 
Exemplo: um triângulo possui três lados. 
Esta espécie de juízo não é tão importante para a 
filosofia. O objeto da filosofia são os juízos sintéticos. 
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Juízos Sintéticos 
Os juízos sintéticos são compostos de sujeito e predicado, o conteúdo do 
predicado é distinto do sujeito e gera uma nova compreensão. Podemos 
dividir os juízos sintéticos em: a priori e a posteriori. 
Juízos a posteriori 
Os juízos sintéticos a posteriori ocorrem após a constatação de um 
fenômeno e possuem uma causa. 
Exemplo: Uma pessoa constata que a parede foi pintada 
de branco, nada impede que essa parede possa ser 
pintada de outra cor amanhã. 
Neste caso os juízos acrescentam alguma novidade ao 
sujeito, por que são apreendidos pela experiência. São 
um fato percebido que poderá sofrer modificações. 
Juízos a priori 
Os juízos sintéticos a priori são necessários e universais 
e apresentam uma relação entre o sujeito e o objeto, a 
qual podem ser classificadas de acordo com as categorias 
apriorísticas. 
Exemplo: Todas as paredes pintadas receberam a ação 
de um pintor. Há um juízo universal de causalidade. Não 
é necessário ver uma parede pintada para saber que alguém a pintou. Esse 
julgamento é anterior a experiência de ver a parede pintada e não sofre 
modificação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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1.2 O mundo dos valores: A razão prática 
A razão prática é um campo filosófico no qual Kant reflete sobre a ética, 
moral, Direito, estética e política. A estrutura da crítica da razão prática 
está nos conceitos de moralidade e dever. 
O dever está relacionado as ações que seguem os trâmites da legalidade. 
É importante ressaltar que para Kant cumprir o dever não significa cumprir 
a moralidade. Pode-se cumprir o dever por interesse pessoal ou 
reconhecimento social. 
Cumpriu o dever, mas... 
Razão Motivo Cumpre o dever, mas não 
a moral. 
Por interesse 
pessoal 
Cumpro determinado contrato, pois 
vou receber ao final um lucro. 
 
apenas cumpriu o dever, 
sem nenhum ganho moral, 
pois esperava algo em troca. 
Por 
reconhecimento 
social 
Ajudo uma instituição de caridade, 
pois serei bem visto pelos demais. 
 
sua boa ação não é um 
ganho em aspecto moral, 
porque foi motivada por 
interesse. 
Percebeu que pelo nosso quadro cumprir o dever sobre uma 
perspectiva a moral significa que não há outro interesse que não 
apenas o cumprimento do dever? 
 
A moralidade é uma predisposição em cumprir um 
dever sem outro fundamento a não ser o querer 
cumprir. A moralidade não se mede pelo resultado, 
mas se instaura no campo da vontade que busca 
cumprir o dever sem interesses externos. O 
fundamento que leva o cumprimento é a boa vontade. 
 
A boa vontade não é boa por promover ourealizar algo, mas sim pelo 
querer da pessoa. Na teoria de Kant a boa vontade se encerra em si 
mesma e não recebe influência externa. 
Esse aspecto da teoria de Kant se opõe às noções da filosofia antiga e da 
filosofia medieval. Para os filósofos gregos, especialmente Aristóteles, a 
moralidade busca a felicidade como fim último. Já os pensadores medievais 
moralidade é cumprir o 
dever
sem interesse 
externo
e o seu 
fundamento é a 
boa vontade. 
Importante: 
Na perspectiva 
moral não há 
outro interesse 
senão apenas o 
cumprimento 
do dever 
 
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o dever advinha de uma fonte externa ao sujeito: Deus. Para Kant a boa 
vontade se encerra em si mesma, quando o sujeito cumpre um determinado 
dever em razão de seu querer. 
Daqui em diante vamos nos ater a crítica da razão prática, pois ela 
estuda o Direito, a Justiça e a Moral. No próximo item vamos analisar 
um dos temas mais relevantes da teoria de Immanuel Kant: o imperativo 
categórico e o imperativo hipotético. 
2. Imperativo categórico e hipotético 
O núcleo central do pensamento de Immanuel Kant sobre a moralidade está 
no conceito de imperativo categórico. Mas o que é um imperativo? Na 
gramática utilizamos o modo verbal imperativo para expressar uma ordem, 
um comando ou exortação. “Faça as questões! ” “Estude os exercícios! ” 
São exemplo de imperativos. 
Vamos estudar duas formas de imperativos da obra de Kant o imperativo 
categórico e o imperativo hipotético. Quando utilizamos o termo 
categórico significa que um enunciado que não admite dúvidas. Já o termo 
hipotético remete a um enunciado cuja verificação depende de suas 
consequências. 
2.1. Imperativo hipotético 
Já analisamos o termo imperativo ele exprime uma ordem um comando, 
quando associamos o termo hipotético estamos condicionando o enunciado 
a uma verificação. 
O imperativo hipotético é formado por uma ação e uma 
consequência. Exemplo: Se as pessoas pensarem de modo positivo serão 
felizes. 
Essa frase tem um comando: “pensar de modo 
positivo” e uma consequência para quem o 
seguir “ser feliz”. 
O imperativo hipotético propõe um dever que 
servirá como um meio para se obter algo. 
Exemplo: Se não quer ir para a prisão, não roube. 
Exemplo: Um comerciante busca ser honesto em sua atuação, para que 
isto não afaste os clientes. 
Podemos sintetizar o imperativo hipotético em uma fórmula: “Se quiser x, 
faça y.” 
FORMULA DO IMPERATIVO 
HIPOTÉTICO 
“Se quiser x, faça y.” 
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2.2 Imperativo categórico 
Ao contrário do imperativo hipotético, no qual 
a pessoa age de um modo para alcançar outro, 
o imperativo categórico se configura em um 
mecanismo da razão e não um conjunto de 
regras. 
É o cumprimento do dever sem esperar nada 
em troca. Não podemos compreender o 
imperativo categórico como um conjunto de 
mandamentos morais, mas sim como uma 
espécie de raciocínio. 
Quando uma pessoa está em dúvida sobre um 
aspecto de seu agir deverá orientar sua decisão de tal modo que a máxima 
de sua vontade possa valer para todas as pessoas como uma legislação 
universal. 
Vamos rever os exemplos do imperativo hipotético e analisá-los pela ótica 
do imperativo categórico no quadro abaixo. 
Exemplo de: 
Imperativo 
hipotético 
Comentário Exemplo de 
Imperativo 
categórico 
Se não quer ir para a 
prisão, não roube. 
Neste caso a motivação para não roubar e não 
prejudicar as demais pessoas é o medo da 
prisão. 
Não roube. 
Um comerciante 
busca ser honesto em 
sua atuação, para que 
isto não afaste os 
clientes. 
O comerciante age bem, porém a sua 
motivação não pode ser com o objetivo de não 
perder clientes, mas sim pelo fato de ser 
honesto, sem almejar um retorno no dever de 
sua ação. 
Não enganar 
os clientes. 
Nos dois exemplos quando se age pelo imperativo categórico (e não pelo 
imperativo hipotético) não há existe o medo da punição, logo a impunidade 
não servirá como um estímulo para agir de modo errado. 
Ao pensar assim as pessoas não são vistas como um meio para 
alcançar determinada finalidade, mas sim como um fim em si 
mesmo. 
Para Kant a moralidade não é algo natural para o homem, é necessário 
esforço para controlar à vontade por meio da razão. A moralidade é um 
dever racional que dirige o agir, não é uma orientação moral, mas 
sim uma diretiva para uma ação algo que deve ocorrer, um dever 
ser. 
A vontade deverá ser dominada pela inteligência e ser conduzida pelo 
imperativo categórico. O imperativo categórico é um dever que obriga sem 
condicionantes, limitações ou finalidades a não ser o cumprimento desse 
próprio dever. 
FORMULA DO IMPERATIVO 
CATEGÓRICO 
“Faça X” 
Agir apenas segundo 
uma máxima tal que 
possas ao mesmo 
tempo querer que ela 
se torne lei universal 
 
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Seguindo a compreensão do imperativo categórico apenas as ações que 
puderem ser universalizadas podem ser consideradas justas e boas. 
A partir do imperativo categórico caso a pessoa se encontrasse em uma 
situação crítica, onde mentindo pudesse resolver um embaraço, o raciocínio 
do imperativo categórico afastaria essa ação. Vejamos: Caso todas as 
pessoas mentissem, quais seriam as consequências sociais? Para Kant a 
mentira não seria plausível para a vida em sociedade, pois prejudicaria os 
níveis de confiança e a estabilidade dos negócios jurídicos. 
O conceito de imperativo categórico é a base da filosofia de Kant. A partir 
da razão Kant constrói uma moralidade dissociada dos aspectos religiosos, 
e além da construção desta moralidade cria uma perspectiva universal deste 
pensamento. 
O pensamento de Kant é tão importante que vai influenciar a formação do 
Estado Liberal e da compreensão do Direito nessa perspectiva, porém este 
desdobramento será analisado em um outro item. 
 
Imperativo hipotético Imperativo Categórico 
Frase de comando + consequência Agir apenas segundo uma máxima que 
poderia ser elevada a uma lei universal. 
“Se quiser algo, faça y” “Faça x” 
“Se não quiser ser preso, não roube”’ “Não roube” 
 
 
QUESTÃO INÉDITA – 2017 
Com base nos conceitos sobre a filosofia moral de Immanuel Kant, é correto 
afirmar que: 
a) a boa vontade consiste em respeitar a lei moral com base em uma 
simples conformidade pessoal do indivíduo. 
b) o imperativo categórico exige que a pessoa cumpra um dever moral na 
expectativa de uma consequência social. 
c) o imperativo hipotético equivale a um agir que pode ser elevado a uma 
máxima universal. 
d) Para Kant é moralmente aceitável o cumprimento de um dever instituído 
por lei, com o objetivo de alcançar reconhecimento social. 
Comentários 
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A questão busca confundir os conceitos de imperativo categórico e 
imperativo hipotético. O imperativo categórico pode ser elevado uma 
máxima de abrangência universal, já o imperativo hipotético se desenvolve 
baseado em um comando e sua consequência. O conceito de boa vontade 
está relacionado com a noção de moralidade, logo se encerra em si mesmo 
e está baseado na autonomia do sujeito em cumprir o dever. 
GABARITO: A 
 
QUESTÃO INÉDITA – 2017 
Partindo da Filosofia moral desenvolvida por Immanuel Kant analiseos 
casos a seguir: 
Caso 1: Um garoto vai até a panificadora para comprar dois pães, e o dono 
do estabelecimento ao vender os pães cobra a vinte centavos a mais do que 
o preço estabelecido, pois passava por problemas financeiros. 
Caso 2: O mesmo comerciante ao atender um fiscal da prefeitura, recobra 
a atenção para não se equivocar no troco, pois teme represálias do agente 
público. 
É correto afirmar que no primeiro caso a ação do comerciante descumpriu 
o dever de honestidade, e por isso não cumpriu com os preceitos morais. 
Já no segundo caso a ação do comerciante cumpriu o dever e a moral, pois 
não agiu de modo desonesto. 
Comentário 
A compreensão de moralidade não envolve uma expectativa de benefício 
decorrente da ação, mas uma vontade em cumprir o dever independente 
as causas ou consequências. A moralidade não se mede pelo resultado, mas 
se instaura no campo da vontade que busca cumprir o dever sem interesses 
externos. 
GABARITO: ERRADO. 
3 Distinção entre moral e Direito 
Já vimos o conceito de dever e de moralidade. Mas vamos recordar, pois 
estes conceitos são importantes para distinguirmos a moral do Direito: 
 
Moralidade A moralidade é uma predisposição interna que não se 
mede pelo resultado e é movida pela boa vontade em 
cumprir o dever, sem outras influências externas.
Dever O dever que é algo externo que incide sobre o ser 
humano e que poderá ser cumprido com diferentes 
intenções. 
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==11fc94==
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Quando diferenciamos o Direito da moral partirmos de uma análise próxima 
dos conceitos de dever e moralidade. Para Kant tanto a ideia de Direito 
quanto a ideia de moral possuem correlação com o imperativo categórico. 
De acordo com o pensamento kantiano o Direito e a moral são pensados 
em uma perspectiva universal. Deste modo, o Direito não é um horizonte 
adaptável conforme as conveniências. Não se pode considerar como justo 
um direito parcial que dá privilégios para poucos. A justiça repousaria no 
imperativo categórico e por esta razão seria universal. 
Podemos perceber que o modo com que Kant concebe o Direito é distinto 
da aplicação do Direito como conhecemos. Kant denomina sua acepção 
teórica de direito da razão, o qual possui um caráter universal. Este conceito 
é próximo do Direito Natural, porém fundado na razão e não na natureza. 
A ideia de Direito para Kant está alicerçada no imperativo categórico, já as 
normas e regras positivas condizem com o imperativo hipotético. Vejamos 
no quadro abaixo: 
 
Imperativo categórico Imperativo hipotético 
A ideia de Direito da Razão A ideia de Direito Positivo 
O caráter é universal As normas jurídicas são específicas 
“Faça x” “Se quiser algo, faça y” 
Exemplo: “Não roubar” Exemplo: “Se você roubar ficará preso de 
4 a 10 anos”. 
Kant novamente rompe com os autores clássicos, especialmente com 
Aristóteles. Enquanto para o Aristóteles do Direito Natural partia da análise 
da natureza, a qual ensinava e servia de guia. Para Kant o direito justo é 
pensado e não necessita de uma correlação com a realidade. 
 
 
 
 
Moral A moral é uma espécie de prática da lei por si mesma. O 
sentido está na vontade do sujeito.
Direito O Direito se impõe como uma ação exterior, que obriga o 
seu cumprimento, ainda que as razões não sejam morais. 
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QUESTÃO – FCC –DPE-SP -Defensor Público – 2015 (Adaptada) 
Apoiando-se na distinção kantiana entre imperativo categórico e hipotético 
as normas jurídicas positivas são imperativos: 
a) hipotéticos e podem ser expressas pelo esquema: “Se você quiser Y, 
deve X". 
b) categóricos e podem ser expressas pelo esquema: “Se você quiser Y, 
deve X ou Z". 
c) categóricos e podem ser expressas pelo esquema: “Você deve X". 
d) categóricos e podem ser expressas pelo esquema: “Se você quiser Y, 
deve X". 
e) hipotéticos e podem ser expressas pelo esquema: “Você deve X". 
 Comentários 
O examinador procura cobrar do candidato a distinção do imperativo 
categórico e do imperativo hipotético. Para isso apresenta a norma jurídica 
(O Direito posto) para ser classificação segundo esta acepção. O 
pensamento de Kant apresenta sua acepção própria para os conceitos de 
moral e de Direito, e assim liga-os com a ideia do imperativo categórico. No 
entanto, a configuração das normas jurídicas obedece a lógica do 
imperativo hipotético. Vejamos: temos um comportamento a ser 
encorajado, ou proibido. Quando realizado tal comportamento temos uma 
recompensa ou uma sanção. A fórmula que mais se adequa as normas 
jurídicas é: “Se você quiser Y, deve X” – que remete para o imperativo 
hipotético. Já o esquema que remete para o imperativo categórico é: “Você 
deve X”. 
GABARITO A. 
 
QUESTÃO – FGV –Exame da Ordem Unificado X - 2013 
“Manter os próprios compromissos não constitui dever de virtude, mas 
dever de direito, a cujo cumprimento pode-se ser forçado. Mas prossegue 
Diferenças entre o Direito e a moral
O Direito
ͻRegra externa
ͻSe cumpre por uma coerção externa
ͻExistência de sanção
A moral
ͻRegra interna
ͻGratuidade é realizado sem esperar recompensas
ͻSe cumpre por um querer interior (boa vontade)
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sendo uma ação virtuosa (uma demonstração de virtude) fazê-lo mesmo 
quando nenhuma coerção possa ser aplicada. A doutrina do direito e a 
doutrina da virtude não são, consequentemente, distinguidas tanto por seus 
diferentes deveres, como pela diferença em sua legislação, a qual relaciona 
um motivo ou outro com a lei”. 
Pelo trecho acima podemos inferir que Kant estabelece uma relação entre 
o direito e a moral. A esse respeito, assinale a afirmativa correta. 
a) O direito e a moral são idênticos, tanto na forma como no conteúdo 
prescritivo. Assim, toda ação contrária à moralidade das normas jurídicas é 
também uma violação da ordem jurídica. 
b) A conduta moral refere-se à vontade interna do sujeito, enquanto o 
direito é imposto por uma ação exterior e se concretiza no seu 
cumprimento, ainda que as razões da obediência do sujeito não sejam 
morais. 
c) A coerção, tanto no direito quanto na moral, é um elemento 
determinante. É na possibilidade de impor-se pela força, 
independentemente da vontade, que o direito e a moral regulam a 
liberdade. 
d) Direito e moral são absolutamente distintos. Consequentemente, cumprir 
a lei, ainda que espontaneamente, não é demonstração de virtude moral. 
Comentários 
O examinador procura avaliar a distinção entre Direito e moral. É 
importante recordar que estes conceitos possuem uma correlação, porém 
não são idênticos. Ambos envolvem a ação do sujeito, no entanto o prisma 
moral relaciona um critério de autonomia e autodeterminação de acordo 
com o querer do sujeito e com a sua boa vontade. Já o Direito exige a ação 
do indivíduo é uma coerção a qual poderá vir acompanhada de uma sanção 
no caso de um descumprimento. 
GABARITO: B. 
4 A autonomia e a heteronomia 
Para compreender as relações entre as pessoas e o Direito é necessário 
estudar os conceitos de autonomia e heteronomia. 
4.1 Autonomia 
A autonomia é a capacidade de uma pessoa em determinar suas ações de 
acordo com sua vontade, porém sobre o julgo da razão. A ideia de 
autonomia está associada ao imperativo categórico, logo estamos falando 
de uma decisão que pode ser utilizada como máxima universal. 
A autonomia não depende de uma vontade externa, mas sim da vontadeprópria do indivíduo. Podemos considerar a autonomia como uma 
autodeterminação da vontade e também como o fundamento da dignidade 
da natureza humana, pois está ligada a moralidade. A autonomia age de 
modo livre, pois não sofre uma coerção externa. 
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4.2 Heteronomia 
Quando uma pessoa ou instituição estão limitadas por algo alheio a sua 
vontade deixamos o campo da autonomia e passamos para o campo da 
dependência. Neste caso, não há uma livre vontade, mas sim uma 
obrigação. Quando estudamos a autonomia relacionamos suas 
características com o imperativo categórico, já no caso da heteronomia 
podemos ligá-la ao imperativo hipotético: uma pessoa faz algo na 
expectativa de suas consequências. 
 
 
5 Justiça e liberdade 
O pensamento kantiano relaciona a autodeterminação da vontade (decidir 
apenas com a intenção de cumprir o dever, e sem sofrer nenhuma espécie 
de coerção) com a liberdade. 
Esse critério também é sensível no estudo de Kant sobre a Justiça. Na 
filosofia vários pensadores se debruçaram sobre o questionamento: Qual é 
o critério para que possamos definir o que é justo e o que é injusto? 
A história do pensamento jurídico possui várias teorias da justiça que 
procuraram responder qual seria a finalidade última do Direito. Existem três 
concepções para responder esta questão sobre a Justiça. 
1ª) A Justiça é ordem. Saímos de um estado de anarquia (estado da 
natureza) e buscamos a salvaguarda da vida por meio do Direito. Essa 
concepção é clara em Thomas Hobbes e nos primeiros autores 
contratualistas. 
2ª) A Justiça é igualdade. Aqui encontramos a acepção dos gregos, em 
especial Aristóteles. Garantir a igualdade entre os homens, exige remediar 
as desigualdades naturais com os recursos sociais. A justiça passa pela 
proteção social e pela distribuição de bens para os pobres e para os fracos. 
3ª) A justiça é liberdade. É nesta ideia que se filia Kant. O fim último do 
direito é a liberdade. Esta é a razão para que o homem se reúna em uma 
Autonomia
Imperativo categórico
Liberdade de 
decisão/Vontade própria 
Não sofre coerção externa
Heteronomia
Imperativo hipotético
Limitada por uma decisão 
alheia a sua vontade
Obrigação/Sanção
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sociedade, para que possa expressar sua personalidade e seu talento. O 
Direito limita as liberdades individuais. 
A Liberdade para Kant é a faculdade de não agir sendo influenciado pelas 
forças inferiores das paixões, ou pela força externa que provém do arbítrio 
dos outros. 
 
A Justiça é somente o conjunto das garantias por meio das quais há a 
possibilidade de se expressar a liberdade externa, ou seja, agir sem ser 
impedido pelos outros. 
Agir de maneira injusta é interferir na esfera de liberdade dos outros. A 
Justiça deve eliminar esses obstáculos, deve permitir que se usufrua a 
liberdade de modo igual aos demais membros da sociedade. 
Kant a partir desta compreensão está colocando as bases para se pensar o 
Direito. A filosofia kantiana está emergida em um seu período histórico 
marcado pelos fins dos privilégios da nobreza e pela ascensão da burguesia, 
o surgimento do Estado Liberal e, por consequência, uma nova 
compreensão do que é a doutrina do Direito. 
Justiça
ͻPermite garantias para 
expressar a liberdade sem 
ser impedido.
Injustiça
ͻA interferência na liberdade 
dos outros.
Liberdade
Interna
"Eu comigo mesmo"
Um dever com a perfeição pessoal
ͻ Liberdade moral
ͻ Faculdade de adequação às leis a 
nossa razão 
Externa
"Eu com os demais"
Um dever com a felicidade dos 
outros
ͻ Liberdade jurídica
ͻ Faculdade de agir no mundo 
externo sem ser impedido
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6 Estado liberal e doutrina do Direito 
O pensamento de Kant colaborou para o pensamento burguês e para o 
desenvolvimento do Estado Liberal. É pelo 
conceito de imperativo categórico que 
compreendemos que o Direito só será justo se 
puder ser universalizado. Assim, o poder 
despótico do monarca e os privilégios do 
absolutismo não se justificariam. 
O momento histórico exigia uma proteção das 
arbitrariedades do Estado Absolutista. E a 
teoria de Kant serve como inspiração para o 
Estado Liberal. O Estado Liberal considera como 
o seu fim último a preservação da liberdade individual. Desse modo, o 
Estado não pode causar um embaraço para que o indivíduo alcance seus 
objetivos. 
Uma das grandes dificuldades para os teóricos deste período era conciliar a 
liberdade individual com a coerção do Estado. Kant a resolve essa questão: 
há uma necessidade de coerção estatal para garantir a liberdade. 
No entanto, na perspectiva do Estado Liberal não há uma preocupação com 
a justiça social, com a igualdade ou com o bem-estar. A preocupação maior 
é com a condição de liberdade para que cada um persiga de acordo com as 
suas convicções o que melhor corresponde ao seu desejo. 
Como será satisfeita a felicidade individual e como ocorre o bem-estar para 
as pessoas não é uma preocupação do Estado. A preocupação do Estado 
reside em como compor os conflitos entre as liberdades de seus membros, 
para que o exercício da liberdade de um não prejudique os demais. 
Na Filosofia kantiana temos um Estado limitado pelo Direito. O poder 
somente é exercido nas formas do Direito com garantias jurídicas 
preestabelecidas. O Estado Liberal é um Estado de Direito com a função de 
instituir a convivência das liberdades externas de acordo com uma lei 
universal. 
É importante ressaltar que o conceito de Direito em Kant não parte das 
normas positivas, mas sim de uma investigação racional e de uma dedução 
sobre o seu conceito. Para isso precisamos considerar três requisitos: 
 O Direito possui uma compreensão externa e prática de uma pessoa 
perante a outra com base em influências recíprocas, logo pertence ao 
mundo e às relações externas. 
 O Direito se constitui na relação de dois ou mais arbítrios de dois 
sujeitos distintos. 
 A função do Direito não é prescrever um dever, mas sim uma maneira 
de coexistir os diferentes arbítrios na sociedade. O Direito define o 
limite da liberdade de cada para a coexistência segundo uma lei 
universal. 
No Estado Liberal a 
finalidade do Estado é a 
preservação da liberdade 
individual para decidir com 
autonomia o rumo da 
própria existência. 
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Assim cada pessoa pode usufruir da 
liberdade que lhe é concedida pelo Direito, 
de modo igual entre todos os membros da 
sociedade. 
É importante que compreendamos que 
Kant trabalha com o conceito ideal do 
Direito, isto não quer dizer o Direito 
Positivo ou a norma jurídica, pois neste 
caso a configuração seria distinta. 
 
QUESTÃO – FGV – Exame da Ordem Unificado XV - 2014 
Na Doutrina do Direito, Kant busca um conceito puramente racional e que 
possa explicar o direito independentemente da configuração específica de 
cada legislação. Mais precisamente, seria o direito entendido como 
expressão de uma razão pura prática, capaz de orientar a faculdade de agir 
de qualquer ser racional. Assinale a opção que contém, segundo Kant, essa 
lei universal do direito. 
a) Age de tal maneira que uses a humanidade, tanto na tua pessoa como 
na pessoade qualquer outro, sempre e simultaneamente como fim, e nunca 
como meio. 
b) Age exteriormente, de modo que o livre uso de teu arbítrio possa se 
conciliar com a liberdade de todos, segundo uma lei universal. 
c) Age como se a máxima de tua ação se devesse tornar, pela tua vontade, 
lei universal da natureza. 
d) Age de forma que conserves sempre a tua liberdade, ainda que tenhas 
de resistir à liberdade alheia. 
Comentário 
O examinador trabalha com a ideia de uma “lei universal do direito”, o que 
chamamos em nossa aula de “Direito da razão”. Essa compreensão está 
ligada com o imperativo categórico e deste modo diz respeito que a ação 
exterior de uma pessoa que deverá estar de acordo com a liberdade os 
demais membros da sociedade, servindo como uma regra geral para todos. 
GABARITO: B 
7 Direito cosmopolita 
Quando Kant descreve sua teoria ele inicia seu pensamento focado no 
Direito Privado, ou seja, nas relações entre os particulares. O Direito Público 
se constitui em prol da atividade e dos interesses privados. 
É o Direito Público que dá condições para a liberdade dos indivíduos, e para 
a convivência entre os povos e entre os Estados. Ao tratar desta perspectiva 
identificamos o direito estatal, o direito das gentes e o direito cosmopolita. 
Vamos conhecer a distinção entre esses conceitos no quadro a seguir: 
O Direito é o conjunto das 
condições por meio das 
quais o arbítrio de um pode 
estar de acordo com o 
arbítrio de outro, segundo a 
lei universal da liberdade. 
 
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Direito estatal Direito das gentes Direito cosmopolita 
O Direito interno de 
cada Estado. 
O Direito das relações entre 
os Estados e entre os 
indivíduos de um Estado 
com os de outro Estado. 
O Direito dos cidadãos do mundo. A 
pessoa é considerada não apenas 
como um membro de um Estado, 
mas como um membro de uma 
sociedade cosmopolita. 
De acordo com Alysson Leandro Mascaro a obra de Kant apesar de 
significativa para a construção de novos paradigmas para o Direito, também 
demonstra um grau alto de conservadorismo político sobre a cidadania e o 
direito à rebelião pensados na perspectiva do Direito Estatal.3 
 Kant reconhece a importância da cidadania ao lado do Poder 
Legislativo, porém os eleitores deveriam ser aqueles que possuem 
propriedade e que não se submetem a um trabalho controlado por 
um terceiro. Estes seriam os cidadãos ativos e os demais cidadãos 
passivos que possuem direitos, porém que não poderiam votar. 
 Kant não considera o direito de resistência de um povo frente a um 
tirano, para ele os oprimidos deveriam se conformar a condição 
jurídica dada sem postular uma revolução. 
Já em relação ao Direito das gentes Kant analisa as relações entre os 
povos e a manutenção da paz. A comunidade internacional sempre viveu 
sobre o espectro da guerra. Kant em sua obra A paz perpétua busca uma 
série de convenções e normas para levar a harmonia universal entre os 
povos sustentada pelo Direito. Para isso é necessário que: 
 Cada Estado tenha uma constituição civil de forma republicana. 
 O Direito das gentes deve se fundir em uma federação de Estados 
livres 
 O Direito cosmopolita deve se limitar às condições de hospitalidade 
universal. 
Quando utilizamos o termo o Direito das gentes estamos falando da 
situação de conflito entre os Estados, a qual tende para que o mais forte se 
sobreponha aos demais. Por meio de uma federação livre cada Estado teria 
resguardado sua soberania. A Organização das Nações Unidas tem uma 
verossimilhança com essa acepção kantiana. 
Já o Direito cosmopolita é um avanço proposto por Kant entre as relações 
internacionais. Kant compreende que além do Estado o cidadão também 
pertenceria a uma sociedade internacional. Porém o único dever 
proveniente desta sociedade internacional é a hospitalidade, em outras 
palavras a acolhida entre as pessoas de Estados diferentes. As relações 
internacionais não poderiam culminar no colonialismo ou no imperialismo. 
Kant tinha expectativas positivas em relação ao Direito e a melhoria da 
humanidade sobre a perspectiva do direito cosmopolita. 
 
 
3 MASCARO, Alysson Leandro. Filosofia do Direito. São Paulo: Atlas, 2016. p.233. 
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LISTA DAS QUESTÕES DE AULA 
QUESTÃO – CESPE – DPU–Defensor Público- 2010 
Considerando as concepções teóricas do empirismo e do racionalismo, 
julgue o item a seguir: 
Segundo o racionalismo, todo e qualquer conhecimento é embasado na 
experiência e só é válido quando verificado por fatos metodicamente 
observados. 
Certo ou Errado? 
GABARITO: ERRADO. 
 
QUESTÃO INÉDITA – 2017 
As teorias do conhecimento envolvem teses sobre como o ser humano 
assimila e constata da realidade. A partir da crítica desenvolvida por 
Immanuel Kant analise os itens abaixo assinalando a assertiva que melhor 
se enquadra com a posição do autor. 
a) Kant filia-se a corrente do racionalismo, pois considera que a razão é 
mais relevante que a experiência na averiguação da realidade. 
b) Kant sobrepõe a experiência à razão considerando que não existem 
estruturas mentais prévias para a averiguação da experiência. 
c) Kant contemporiza as duas teorias reconhece que existem condições 
materiais advindas da experiência e também a importância da razão para 
que essas experiências sejam organizadas. 
d) O criticismo kantiano se contrapõe ao empirismo e ao racionalismo, 
descrente que o ser humano pode de fato conhecer a realidade desenvolve 
sua teoria chamada de empirismo transcendental. 
GABARITO: C 
 
 
QUESTÃO INÉDITA – 2017 
Com base nos conceitos sobre a filosofia moral de Immanuel Kant, é correto 
afirmar que: 
a) a boa vontade consiste em respeitar a lei moral com base em uma 
simples conformidade pessoal do indivíduo. 
b) o imperativo categórico exige que a pessoa cumpra um dever moral na 
expectativa de uma consequência social. 
c) o imperativo hipotético equivale a um agir que pode ser elevado a uma 
máxima universal. 
d) Para Kant é moralmente aceitável o cumprimento de um dever instituído 
por lei, com o objetivo de alcançar reconhecimento social. 
GABARITO: A 
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QUESTÃO INÉDITA – 2017 
Partindo da Filosofia moral desenvolvida por Immanuel Kant analise os 
casos a seguir: 
Caso 1: Um garoto vai até a panificadora para comprar dois pães, e o dono 
do estabelecimento ao vender os pães cobra a vinte centavos a mais do que 
o preço estabelecido, pois passava por problemas financeiros. 
Caso 2: O mesmo comerciante ao atender um fiscal da prefeitura, recobra 
a atenção para não se equivocar no troco, pois teme represálias do agente 
público. 
É correto afirmar que no primeiro caso a ação do comerciante descumpriu 
o dever de honestidade, e por isso não cumpriu com os preceitos morais. 
Já no segundo caso a ação do comerciante cumpriu o dever e a moral, pois 
não agiu de modo desonesto. 
GABARITO: ERRADO. 
 
QUESTÃO – FCC –DPE-SP -Defensor Público – 2015 (Adaptada) 
Apoiando-se na distinção kantiana entre imperativo categórico e hipotético 
as normas jurídicas positivas são imperativos: 
a) hipotéticos e podem ser expressas pelo esquema: “Se você quiser Y, 
deve X". 
b) categóricos e podem ser expressas pelo esquema: “Se você quiser Y, 
deve X ou Z". 
c) categóricos e podem ser expressas pelo esquema: “Você deve X". 
d) categóricos e podem ser expressaspelo esquema: “Se você quiser Y, 
deve X". 
e) hipotéticos e podem ser expressas pelo esquema: “Você deve X". 
GABARITO A. 
 
QUESTÃO – FGV –Exame da Ordem Unificado X - 2013 
“Manter os próprios compromissos não constitui dever de virtude, mas 
dever de direito, a cujo cumprimento pode-se ser forçado. Mas prossegue 
sendo uma ação virtuosa (uma demonstração de virtude) fazê-lo mesmo 
quando nenhuma coerção possa ser aplicada. A doutrina do direito e a 
doutrina da virtude não são, consequentemente, distinguidas tanto por seus 
diferentes deveres, como pela diferença em sua legislação, a qual relaciona 
um motivo ou outro com a lei”. 
Pelo trecho acima podemos inferir que Kant estabelece uma relação entre 
o direito e a moral. A esse respeito, assinale a afirmativa correta. 
a) O direito e a moral são idênticos, tanto na forma como no conteúdo 
prescritivo. Assim, toda ação contrária à moralidade das normas jurídicas é 
também uma violação da ordem jurídica. 
b) A conduta moral refere-se à vontade interna do sujeito, enquanto o 
direito é imposto por uma ação exterior e se concretiza no seu 
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FILOSOFIA DO DIREITO – DPE-PR 
teoria e questões 
Aula 00 – Profa. Karoline Strapasson 
 
 
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cumprimento, ainda que as razões da obediência do sujeito não sejam 
morais. 
c) A coerção, tanto no direito quanto na moral, é um elemento 
determinante. É na possibilidade de impor-se pela força, 
independentemente da vontade, que o direito e a moral regulam a 
liberdade. 
d) Direito e moral são absolutamente distintos. Consequentemente, cumprir 
a lei, ainda que espontaneamente, não é demonstração de virtude moral. 
GABARITO: B. 
 
QUESTÃO – FGV – Exame da Ordem Unificado XV - 2014 
Na Doutrina do Direito, Kant busca um conceito puramente racional e que 
possa explicar o direito independentemente da configuração específica de 
cada legislação. Mais precisamente, seria o direito entendido como 
expressão de uma razão pura prática, capaz de orientar a faculdade de agir 
de qualquer ser racional. Assinale a opção que contém, segundo Kant, essa 
lei universal do direito. 
a) Age de tal maneira que uses a humanidade, tanto na tua pessoa como 
na pessoa de qualquer outro, sempre e simultaneamente como fim, e nunca 
como meio. 
b) Age exteriormente, de modo que o livre uso de teu arbítrio possa se 
conciliar com a liberdade de todos, segundo uma lei universal. 
c) Age como se a máxima de tua ação se devesse tornar, pela tua vontade, 
lei universal da natureza. 
d) Age de forma que conserves sempre a tua liberdade, ainda que tenhas 
de resistir à liberdade alheia. 
GABARITO: B 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
Chegamos ao final da nossa aula demonstrativa! Tratamos sobre o nosso 
primeiro item: 
Nosso intuito primordial foi demonstrar os principais elementos da Filosofia 
de Kant. No próximo encontro vamos dedicar nosso estudo para o nosso 
segundo item do edital a obra de Hans Kelsen. 
 
kstrapasson@gmail.com 
 
Um abraço e bons estudos! 
Karoline Strapasson 
Immanuel Kant
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