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Impactos Ambientais de Grandes Empreendimentos no Brasil

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Davis Sá

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Impactos Ambientais de grandes empreendimentos no Brasil
Book · January 2020
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Observatório da implantação do banco nacional de perfis genéticos com fins de persecução penal View project
A diversidade e o papel da fauna de formigas em áreas agrícolas submetidas ao cultivo orgânico e convencional. View project
Fábio Souto Almeida
Federal Rural University of Rio de Janeiro
39 PUBLICATIONS   219 CITATIONS   
SEE PROFILE
Fabiola de Sampaio Rodrigues Grazinoli Garrido
Federal Rural University of Rio de Janeiro
43 PUBLICATIONS   76 CITATIONS   
SEE PROFILE
All content following this page was uploaded by Fábio Souto Almeida on 30 August 2020.
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Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) 
Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ
I34
Impactos ambientais de grandes empreendimentos no Brasil [recurso eletrônico] /
Organizador Fábio Souto de Almeida. – Rio de Janeiro, RJ: Autografia, 2020.
ISBN: 978-65-5531-069-6 (recurso eletrônico)
1. Desenvolvimento sustentável – Brasil. 2. Impacto ambiental. 3. Política
ambiental. I. Almeida, Fábio Souto de.
CDD 363.7
Impactos ambientais de grandes empreendimentos no Brasil
ALMEIDA, Fábio Souto de (org.)
ISBN: 978-65-5531-069-6
1ª edição, maio de 2020.
Editora Autografia Edição e Comunicação Ltda.
Rua Buenos Aires, 168 – 4º andar, Centro
RIO DE JANEIRO, RJ – CEP: 20070-022
www.autografia.com.br
Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução deste livro com fins comerciais sem prévia autorização do autor e
da Editora Autografia.
OS AUTORES
Fábio Souto de Almeida (organizador)
Graduação em Engenharia Florestal, Mestrado e Doutorado em
Ciências Ambientais e Florestais, Professor da Universidade Federal
Rural do Rio de Janeiro, Instituto Três Rios, Departamento de
Ciências do Meio Ambiente.
Fabíola de Sampaio Rodrigues Grazinoli Garrido
Graduação em Ciências Biológicas, Mestrado e Doutorado em
Agronomia (Ciências do Solo), Professora da Universidade Federal
Rural do Rio de Janeiro, Instituto Três Rios, Departamento de
Ciências do Meio Ambiente.
Olga Venimar de Oliveira Gomes
Graduação em Geologia, Mestrado em Ciências (Geologia - UFRJ),
Doutorado em Geociências (Geoquímica Ambiental-UFF),
Professora da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Instituto
Três Rios, Departamento de Ciências do Meio Ambiente.
Ana Izabel Gomes Landes
Graduação em Gestão Ambiental pela Universidade Federal Rural do
Rio de Janeiro.
Clarisse da Silva Guimarães
Graduação em Gestão Ambiental pela Universidade Federal Rural do
Rio de Janeiro.
Johnatan Jair de Paula Marchiori
Graduação em Agronomia pelo Instituto Federal de Educação,
Ciência e Tecnologia do Espírito Santo. Mestrado em Fitossanidade
e Biotecnologia Aplicada, Universidade Federal Rural do Rio de
Janeiro.
Júlia de Azevedo Oliveira
Graduação em Gestão Ambiental pela Universidade Federal Rural do
Rio de Janeiro.
Laura Dias Parreiras Bento
Graduação em Gestão Ambiental pela Universidade Federal Rural do
Rio de Janeiro.
Mariene Massi Afonso Alvim
Graduação em Gestão Ambiental pela Universidade Federal Rural do
Rio de Janeiro.
Nathalia Priori Pinto
Graduação em Gestão Ambiental pela Universidade Federal Rural do
Rio de Janeiro.
Renata Fernanda Oliveira de Souza
Graduação em Gestão Ambiental pela Universidade Federal Rural do
Rio de Janeiro.
Sara Bianco
Graduação em Gestão Ambiental pela Universidade Federal Rural do
Rio de Janeiro.
PREFÁCIO
Esse livro foi criado com o intuito de disseminar conhecimento
acerca das alterações ambientais negativas e positivas advindas,
principalmente, de empreendimentos de grande porte. Além de
fomentar a discussão sobre estratégias para reduzir a degradação
ambiental desencadeada pelas atividades humanas. Trata-se de uma
reflexão importante para o avanço da compreensão da influência
antrópica sobre o meio ambiente e para minimizar ou até mesmo
evitar os impactos ambientais negativos. Também cabe mencionar
que os impactos ambientais positivos podem ser potencializados,
aumentando os benefícios dos empreendimentos implementados
pelos setores público e privado. A obra foi confeccionadaquímicos utilizados, principalmente por várias espécies de
pragas agrícolas se desenvolverem e reproduzirem em um espaço de
tempo relativamente curto.
Além disso, com o alto uso de pesticidas sintéticos pode-se
observar a redução de populações de organismos não-alvo, entre eles
espécies que são predadoras de pragas agrícolas e polinizadores,
acarretando em prejuízos às próprias áreas cultivadas. Pettis et al.
(2013) observaram alto índice de pesticidas em colônias de abelhas e
no mel produzido. Isso causa preocupação, pois as abelhas auxiliam
na produtividade agrícola devido a eficiência na realização da
polinização. A toxicidade do grupo químico de neonicotinoides afeta
o sistema olfativo das abelhas, acarretando assim prejuízo em suas
funções e para a conclusão do seu forrageamento (DECCOURTYE et
al., 2004), o que acarreta a diminuição das populações de abelhas.
Ainda em relação aos polinizadores, os cultivos transgênicos
também podem ameaçar espécies de insetos polinizadores (ROSA et
al., 2019). O desmatamento pode influenciar diretamente os agentes
polinizadores, pois tais atividades interferem na heterogeneidade do
ambiente e causam a destruição de habitats, reduzindo a diversidade
de polinizadores (TILMAN et al., 2001; BROWN; OLIVEIRA, 2014).
A colheita e o transporte dos produtos agrícolas, muitas vezes, são
realizadas com veículos de grande porte, que consomem elevada
quantidade de combustíveis e emitem gases poluentes que degradam
a qualidade do ar. A poluição atmosférica ocasionada pelos veículos
automotores provoca e agrava diversas doenças em seres humanos,
sendo fatais em muitos casos (BAKONYI et al., 2004; DRUMM et al.,
2014; ALMEIDA et al., 2017). A poluição sonora também ocorre em
função de outras atividades agrícolas além do transporte, mas
geralmente não apresenta elevada importância. Contudo, como os
veículos que transportam os produtos agrícolas geralmente
percorrem áreas sensíveis aos ruídos, como as cidades e estradas
próximas de habitats nativos, esse impacto foi apontado para essa
atividade. Além disso, trata-se de um risco ocupacional.
A alteração da paisagem é um impacto ambiental que surge na
mudança de uso do solo para a implantação das culturas agrícolas e
ocorre frequentemente com o preparo do solo, plantio e colheita.
Geralmente, a alteração da paisagem causada por empreendimentos
agrícolas pode ser entendida como a degradação da paisagem, mas
esse é um impacto de difícil mitigação e que pode ser considerado
irreversível.
Assim, as atividades agrícolas causam variadas alterações
ambientais negativas. Contudo, é possível, além de ser necessário,
reduzir esses impactos adversos. A agricultura é essencial para a
humanidade pela geração de alimentos e matéria-prima para
diversos produtos. Também aumenta a oferta de empregos e gera
renda para uma elevada parcela da população. É necessário
desenvolver as atividades agrícolas com os devidos cuidados para que
a produção seja sustentável e os benefícios da agricultura possam ser
obtidos com a geração do menor número de impactos ambientais
negativos possível.
Referências
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4
SILVICULTURA
Júlia de Azevedo Oliveira & Fábio Souto de Almeida
Os produtos florestais são amplamente utilizados em todo o mundo,
desde a antiguidade, pois são úteis na construção civil, na fabricação
de móveis, ferramentas e outros objetos e a madeira e o seu carvão
são fontes de energia (ZANETTI, 2019. A madeira e outros produtos
florestais são importantes também para a fabricação de papel e
inúmeros outros produtos, incluindo cosméticos, medicamentos e
alimentos (MMA, 2019). Assim, extensas áreas são cultivadas com
espécies arbóreas com fins econômicos. No Brasil observa-se
expressivas áreas cultivadas com, por exemplo, pinheiros - Pinus spp.
e eucaliptos - Eucalyptus spp., para a produção de chapas de madeira,
lenha, celulose, obtenção de carvão e madeira maciça (SNIF, 2017),
com a extração vegetal e a silvicultura alcançando produções de mais
de R$ 18 bilhões por ano (IBGE, 2018). Porém, assim como a maioria
das atividades econômicas, a silvicultura acarreta impactos
ambientais negativos, que incluem alterações adversas sobre a
socioeconomia e que também afetam a natureza.
Nesse capítulo, os impactos da silvicultura são discutidos com o
propósito de divulgar esse conhecimento e fomentar a discussão
acerca das estratégias para reduzir as alterações adversas causadas
pela silvicultura. O objetivo é auxiliar na obtenção desses
importantes produtos florestais evitando-se a degradação ambiental.
Os resultados apresentados nesse trabalho são úteis para a
elaboração e implementação de Sistemas de Gestão Ambiental para a
silvicultura e também para a elaboração de estudos ambientais, como
o Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto Ambiental,
para o licenciamento desses empreendimentos.
Para indicar os impactos ambientais provocados pela silvicultura
foram observadas as alterações ambientais listadas em estudos
ambientais produzidos para o licenciamento de projetos de
silvicultura e também trabalhos científicos publicados que
abordaram o tema em questão (SALGADO; MAGALHÃES JÚNIOR,
2006; GUIMARÃES et al. 2008; VALVERDE et al., 2012; FIBRIA
2013; MOLEDO et al., 2016; SUZANO 2016; ALMEIDA et al., 2017;
MACHADO; MAIA, 2017; FAZ. N.S. APARECIDA, 2019). Cabe
ressaltar que a lista de impactos apresentada não inclui somente
aqueles relativos ao plantio e cultivo das árvores, mas também os
associados à fabricação e transporte dos produtos florestais.
Foram previstas alterações ambientais relativas à biodiversidade,
ao meio físico (solo, água, atmosfera) e também à socioeconomia,
sendo a maioria dos impactos classificados como negativos, gerando
então degradação ambiental (Quadro 1). Contudo também foram
constatados importantes impactos ambientais positivos.
Quadro 1. Alterações ambientais ocasionadas pela silvicultura no meio biótico, físico e
socioeconômico e a sua natureza (positiva –P, negativa – N).
Meio Afetado/ Impactos Ambientais
Natureza
P N
Meio Biótico
Redução e fragmentação de habitats X
Redução de populações de animais e de plantas X
Meio Afetado/ Impactos Ambientais
Natureza
P N
Redução da pressão sobre florestas nativas X
Degradação dos habitats X
Afugentamento da fauna X
Aumento da incidência de atropelamento de fauna X
Redução da biodiversidade X
Redução da ocorrência de interações ecológicas X
Alteração na composição de comunidades biológicas X
Interferência em áreas protegidas X
Aumento da frequência de caça e extração de espécies vegetais X
Meio Físico
Alteração das características físicas do solo X
Processos erosivos e redução da profundidade do solo X
Redução da infiltração da água no solo X
Alteração da fertilidade do solo X
Poluição do solo X
Aumento da poluição sonora X
Redução da qualidade de agua X
Assoreamento de cursos d’água e alterações na vazão X
Meio Afetado/ Impactos Ambientais
Natureza
P N
Alteração do uso do solo e da paisagem X X
Aumento da poluição atmosférica X
Alteração do clima X
Meio Socioeconômico
Alteração no valor de imóveis e terrenos X X
Aumento da oferta de postos de trabalho diretos e indiretos X
Incremento na arrecadação de impostos X
Aumento do risco de acidentes e ocorrência de doenças em seres humanos X
Dinamização da economia X
Impactos sobre sítios arqueológicos X
Alterações em atividades turísticas X X
Geração de expectativas em relação ao empreendimento X X
Geração de conflitos X
Geração de incômodos à população X
Aumento da pressão sobre serviços públicos X
Aumento da oferta de produtos florestais X
Aumento do consumo de recursos naturais X
Melhoria da infraestrutura viária X
Em relação aos impactos negativos sobre o meio biótico causados
pela silvicultura, pode ocorrer a redução de habitats nativos para a
implantação dos cultivos, abertura de acessos ou pela construção de
instalações necessárias ao empreendimento. Quando novos cultivos
são alocados em áreas com ecossistemas naturais as populações
bióticas podem ser prejudicadas, reduzindo as densidades
populacionais e até mesmo ocorrendo a extinção local. Essa redução
dos habitats pode estar associada à fragmentação dos mesmos, com o
aumento do isolamento de populações de animais e de plantas. Esse
fenômeno é apontado como causador de redução da biodiversidade
(ALMEIDA;VARGAS, 2017). Contudo, é importante mencionar que a
produção de madeira e outros produtos em áreas cultivadas pode
provocar a redução na necessidade de extração desses itens em
florestas nativas, potencialmente reduzindo o desmatamento,
auxiliando na conservação das florestas especialmente se a
silvicultura for implantada em áreas já desmatadas (FREITAS
JÚNIOR et al., 2012).
A redução das populações de animais também pode ocorrer em
função do afugentamento da fauna, ocasionada por exemplo por
ruídos emitidos por veículos e máquinas, pela degradação do habitat
e pelo uso de pesticidas. Expressivos impactos negativos sobre a
fauna podem ser provocados pelos ruídos emitidos pelo tráfego de
carros, caminhões e equipamentos (TENNESSEN et al., 2014). O
aumento do atropelamento de fauna é um impacto frequentemente
observado em diversos empreendimentos onde ocorre o aumento do
tráfego de veículos. Com a redução de populações e espécies da
fauna, interações ecológicos vitais para as plantas, como a dispersão
de sementes e a polinização, são comprometidas. Também cabe
ressaltar que a silvicultura muitas vezes interfere negativamente em
áreas protegidas, como as unidades de conservação da natureza.
O aumento da ação da água da chuva, do vento e da radiação solar
sobre o solo desprotegido, quando do plantio das árvores,
desencadeia impactos negativos sobre o solo, entre esses se destaca o
aumento da ocorrência de expressivos processos erosivos. Além
disso, cita-se a redução da profundidade do solo, o empobrecimento
do solo e a redução da capacidade em infiltração da água. Decorrente
disso surge o aumento do escoamento superficial de água da chuva,
pincipalmente em áreas mais declivosas, e a redução do
reabastecimento do lençol freático. As partículas do solo podem ser
carreadas para cursos d’água, poluindo á água e assoreando os rios
(ALMEIDA et al., 2017), e essas mudanças na qualidade ambiental
podem ter diferentes magnitudes nas diferentes fases do
empreendimento (SALGADO; MAGALHÃES JUNIOR, 2006). A
utilização de agrotóxicos também pode impactar negativamente o
solo e os recursos hídricos, pela poluição que provocam. Um elevado
número de alterações ambientais adversas da silvicultura estão
associadas à degradação do solo. Contudo, ao utilizar técnicas
conservacionistas esses impactos podem ser minimizados. Como
exemplo, o enriquecimento dos eucaliptais om outras espécies
vegetais pode melhorar as características da serapilheira,
aumentando a ciclagem de nutrientes e melhorando a fertilidade do
solo (GAMA-RODRIGUES; BARROS, 2002). Para o plantio, tratos
culturais, colheita e transporte da madeira são necessários vários
equipamentos e veículos, além de diversos produtos químicos como
fertilizantes e pesticidas, sendo necessário o devido cuidado ao
utilizar todos esses insumos para reduzir a magnitude dos impactos
ambientais negativos advindos da silvicultura (MOLEDO et al., 2016).
A magnitude das alterações no meio ambiente pode ser minimizada
com a escolha e aplicação correta de práticas culturais
conservacionistas, obtendo-se inclusive a redução de processos
erosivos e a proteção da qualidade da água, porém esses impactos
também são aumentados com a utilização de práticas equivocadas
(SALGADO; MAGALHÃES JUNIOR, 2006).
Os impactos ambientais da silvicultura que afetam os meios físico
e biótico desencadeiam mudanças importantes no meio
socioeconômico. A poluição ambiental provoca danos à saúde de
seres humanos e acidentes podem ocorrer, principalmente com os
trabalhadores do empreendimento. O aumento do fluxo de veículos
pode ocasionar incômodo à população vizinha ao empreendimento,
principalmente se o empreendimento estiver nas imediações de
cidades e se houver trânsito de veículos em dias e horários
inapropriados. O empreendimento gera o aumento da população em
cidades próximas, provocando mudanças na valoração dos imóveis e
terrenos, aumentando a pressão sobre serviços públicos e gerando
conflitos entre os moradores. Porém, no meio socioeconômico vários
impactos positivos podem ser observados, como o próprio aumento
do valor de imóveis e o aumento da oferta de empregos e de renda.
Também o aumento da arrecadação de impostos e a dinamização da
economia estão entre os benefícios da silvicultura. A geração de
expectativas em relação ao empreendimento está entre os impactos
que podem ser positivos ou negativos, pois a possibilidade de novas
oportunidades de emprego gera expectativas positivas, mas a
possibilidade de degradação ambiental tem efeito contrário na
população.
Assim, diversos impactos ambientais negativos são provocados
pela silvicultura, atingindo variados componentes do meio ambiente,
incluindo a socioeconomia. Contudo, os produtos florestais são
essenciais para as atividades cotidianas da população e para
importantes atividades produtivas industriais e agropecuárias. É
preciso estudar esses impactos de forma detalhada para que toda a
sociedade possa usufruir dos produtos florestais sendo gerados de
forma ambientalmente correta.
Referências
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uma introdução ao tema com ênfase na atuação do Gestor Ambiental. Diversidade e
Gestão, n.1, p.70-87, 2017.
ALMEIDA, F.S.; VARGAS, A.B. Bases para a gestão da biodiversidade e o papel do Gestor
Ambiental. Diversidade e Gestão, n.1, p.10-32, 2017.
FAZ. N.S. APARECIDA. Avaliação de Impacto Ambiental – Fazenda Nossa Senhora da
Aparecida ANANÁS – TO. Disponível em: https://naturatins.to.gov.br/eia-rima-
agricultura-faz-n-s-aparecida/. Acessado: 27 jul. 2019.
FIBRIA. Fibria Celulose S/A. Relatório de Impacto sobre o Meio Ambiente - RIMA
Projeto de Silvicultura nos municípios de Ponto Belo, Montanha, Mucurici e
Pinheiros- Bloco II. 2013.
FREITAS JÚNIOR, G.; MARSON, A.A.; SOLERA, D.A.G. Os eucaliptos no Vale do Paraíba
Paulista: aspectos geográficos e históricos. Revista Geonorte, v.1, n.4, p.221 – 237, 2012.
GAMA-RODRIGUES, A.C.; BARROS, N.F. Ciclagem de nutrientes em floresta natural e em
plantios de eucalipto e de dandá no sudeste da Bahia, Brasil. Revista Árvore, n.26 p.193-
207. 2002.
GUIMARÃES, R.Z.; GONÇALVES, M.L.; MEDEIROS, S.W. A silvicultura e os recursos
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IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pevs 2016: produção da silvicultura e
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 Acessado: 27 abr. 2018.
MACHADO, C.A.; MAIA, K.S. Impactos ambientais da silvicultura em Dom Eliseu (PA).
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MMA. Ministério do Meio Ambiente. Produtos Madeireiros e Não Madeireiros.
Disponível em: http://www.mma.gov.br/florestas/manejo-florestal-
sustent%C3%A1vel/produtos-madeireiros-e-n%C3%A3o-madeireiros.html. Acessado: 25
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MOLEDO, J.C. et al. Impactos ambientais relativos à silvicultura de eucalipto: uma análise
comparativa do desenvolvimento e aplicação no plano de manejo florestal. Geociências,
v.35, n.4, p.512-530. 2016.
SALGADO, A.A.R.; MAGALHÃES JÚNIOR, A.P. Impactos da silvicultura de eucalipto no
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TENNESSEN, J.B.; PARKS, S.E.; LANGKILDE, T. Traffic noise causes physiological stress
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5
USINAS SIDERÚRGICAS
Ana Izabel Gomes Landes & Fábio Souto de Almeida
Dentre as atividades industriais brasileiras, destaca-se a siderurgia,
pois o país é um dos maiores produtores de aço do mundo e as usinas
estão espalhadas por um grande número de estados, possibilitando
que exporte aço para aproximadamente 100 países (AÇO BRASIL,
2016). O setor siderúrgico brasileiro, apesar de apresentar uma
grande diversidade de empresas, é relativamente novo e passa por
constantes atualizações tecnológicas, além do surgimento de nodas
fábricas (PWC, 2013). Assim, são constantes os processos de
licenciamento ambiental para novos empreendimentos ou para a
ampliação dos empreendimentos já existentes.
A siderurgia geralmente compreende um elevado número de
atividades que causam impactos ambientais de grande porte e
irreversíveis como, por exemplo, a supressão de vegetação nativa
para a obtenção da matéria-prima e alterações ambientais derivadas
da degradação de corpos hídricos (MILANEZ; PORTO, 2008; RIMA
UBU, 2009). Além disso, a instalação de um empreendimento de
grande porte pode ocasionar impactos positivos, tais como a geração
de empregos para a população da cidade na qual a empresa está
localizada, bem como para a sua população circunvizinha,
potencializando assim a economia local (RIMA UBU, 2009).
A partir da notória importância que o setor siderúrgico apresenta
para a economia do país, da forma como o mesmo tem ganhado
espaço e força nas últimas décadas, além das diversas consequências
que podem ocorrer através de atividades siderúrgicas, este capítulo
apresenta os impactos ambientais gerados pelas siderúrgicas.
Pretende-se que o presente trabalho possa auxiliar na redução das
alterações ambientais adversas causadas por esses empreendimentos.
Para o levantamento de dados foram utilizadas as informações
dos seguintes estudos ambientais confeccionados para o
licenciamento de empreendimentos do setor siderúrgico:
Estudo de Impacto Ambiental da Siderúrgica Ternium Brasil (EIA
TERNIUM, 2010);
Estudo de Impacto Ambiental da Companhia Siderúrgica do
Atlântico (EIA CSA, 2005);
Relatório de Impacto Ambiental da Companhia Siderúrgica
Nacional (RIMA CSN, 2014);
Relatório de Impacto Ambiental da Usina Siderúrgica do Pará
(RIMA USIPAR, 2009);
Relatório de Impacto Ambiental da Companhia Siderúrgica UBU
(RIMA UBU, 2009).
Fase de Planejamento
Foram encontrados apenas dois impactos ambientais na fase de
planejamento do empreendimento, todos afetando o meio
socioeconômico (Quadro 1). As expectativas geradas por
empreendimentos da área da siderurgia podem ocasionar impressões
positivas, como as oportunidades de trabalho ocasionadas pelo
empreendimento, e negativas, como o aumento da poluição e a
redução de áreas de proteção ambiental (RIMA UBU, 2009). Além
disso, também ocorrem expectativas com relação à atração da
população de outros locais, o que ocasiona a expansão urbana
desordenada, o aumento da insegurança local, entre outros (EIA
TERNIUM, 2010). A partir da divulgação da intenção de implantar
um empreendimento de grande porte, o processo migratório tende a
intensificar à medida que se aproxima o licenciamento ambiental e o
início das obras, um fator de expectativa positiva da população em
relação ao empreendimento diz respeito ao desenvolvimento
profissional para os jovens do município e das cidades próximas (EIA
TERNIUM, 2010).
Quadro 1. Impactos ambientais previstos para a fase de planejamento de siderúrgicas, sua
frequência e natureza nos estudos ambientais analisados.
Impactos/ Meio Afetado Frequência
absoluta
Natureza
Socioeconômico
Aumento do conhecimento sobre a proposta da
implantação do empreendimento
3 Positiva
Geração de expectativas nas comunidades locais
causadas pelo empreendimento
3 Negativa/Positiva
Total = 2
Fase de Implantação
Na fase de implantação dos empreendimentos siderúrgicos foram
encontrados no total 37 impactos (7 positivos e 30 negativos),
ocorrendo alterações ambientais nos meios físico, biótico e
socioeconômico (Quadro 2). Impactos ambientais como o aumento
da geração de ruídos, a alteração na qualidade da água, a remoção do
solo superficial e a alteração da qualidade do ar estiveram presentes
em todos os estudos ambientais analisados.
Muitas vezes, um empreendimento afeta sítios arqueológicos e
isso é frequente quando da implantação de siderúrgicas. Nesse caso,
deve-se obter a quantidade de sítios arqueológicos existentes nas
áreas a serem afetadas pelo empreendimento e estimar a extensão
dos impactos sobre esses sítios (EIA CSA, 2005; RIMA USIPAR,
2009). Posteriormente, pode-se realizar a escavação e o resgate do
material encontrado nos sítios arqueológicos, para mitigar a perda
desses vestígios históricos.
A instalação de um empreendimento de grande porte como uma
usina siderúrgica, acarreta a geração de empregos diretos e indiretos
para a população do município no qual está se instalando e também
para a população de municípios vizinhos (RIMA UBU, 2009). A
geração de empregos e renda, principalmente em regiões mais
pobres, é considerada como um impacto ambiental positivo, pois
impulsiona a melhora da condição econômica das pessoas e da
qualidade de vida (RIMA UBU, 2009).
O aumento do fluxo migratório para a localidade onde será
implantado o empreendimento é muitas vezes observado em
situações de implantação e expansão de projetos industriais que
utilizem mão de obra operária (EIA TERNIUM, 2010). Nota-se a
ocorrência de migrações, em especial de pessoas de baixa renda, em
direção ao município onde o empreendimento será instalado, sendo
atraídos pela oportunidade de emprego (RIMA CSN, 2014). Esse
fenômeno, quando associado à existência de terrenos não ocupados
nas proximidades do empreendimento, poderá gerar o aumento da
ocupação irregular de terrenos (EIA CSA, 2005). Essa migração para
as proximidades do empreendimento pode aumentar a sobrecarga
dos serviços sociais locais de saúde, educação, segurança e habitação
(RIMA USIPAR, 2009). Cabe ressaltar que a pressão adicional aos
serviços sociais pode ter consequências graves principalmente em
regiões onde tais serviços já são precários.
Quadro 2. Impactos ambientais previstos para a fase de implantação de siderúrgicas, sua
frequência e natureza nos estudos ambientais analisados.
Impactos/ Meio Afetado Frequência
absoluta
Natureza
Socioeconômico
Interferências sobre o patrimônio arqueológico 3 Negativa
Modificação da cobertura e uso do solo 4 Negativa
Geração de emprego e renda para a população local 4 Positiva
Aumento do fluxo migratório 3 Negativa
Aumento de ocupação irregular 3 Negativa
Aumento da pressão sobre a oferta de serviços públicos
e infraestrutura local
3 Negativa
Ascensão socioeconômica e mudanças na estrutura
social do município
2 Positiva
Aumento dos riscos sociais 1 Negativa
Dinamização socioeconômica do município 3 Positiva
Interferências do empreendimento no desenvolvimento
agrícola local
1 Negativa
Aumento da arrecadação de impostos municipais e
estaduais
4 Positiva
Aumento do risco de acidentes de trânsito 2 Negativa
Interferência com a pesca 2 Negativa
Aquecimento do mercado imobiliário 1 Positiva
Estímulo ao empreendedorismo 1 Positiva
Impactos/ Meio Afetado Frequência
absoluta
Natureza
Incômodos à população do entorno 1 Negativa
Sobrecarga nas vias de acesso 2 Negativa
Atração/expansão de empreendimentos 1 Negativa
Perda da qualidade de vida 1 Negativa
Físico
Alteração dos níveis de ruídos 5 Negativa
Alteração da qualidade da água 5 Negativa
Indução de processos erosivos 4 Negativa
Remoção de solo superficial 5 Negativa
Modificação na drenagem pluvial 1 Negativa
Alteração da qualidade do ar 5 Negativa
Contaminação do aquífero superficial 2 Negativa
Formação de lagoartificial e paisagismo 1 Positiva
Aumento da emissão de CO2, CO e SO2 1 Negativa
Biótico
Modificação na estrutura das comunidades planctônica
e bentônica
3 Negativa
Afugentamento temporário da fauna nectônica 2 Negativa
Perda de habitats e espécies vegetais 4 Negativa
Impactos/ Meio Afetado Frequência
absoluta
Natureza
Afugentamento de fauna terrestre 3 Negativa
Pressão sobre as áreas de preservação 1 Negativa
Aumento da captura de animais 1 Negativa
Alteração em manguezais 2 Negativa
Aumento da concentração de metais pesados e do risco e
poluição da cadeia trófica
2 Negativa
Proliferação de vetores 1 Negativa
Os empreendimentos siderúrgicos podem provocar reações em
cadeia na economia regional, como a abertura de novos comércios e
serviços, com consequente aumento da geração de empregos
indiretos, aumento da renda da população e da arrecadação
tributária, entre outros (EIA CSA, 2005; RIMA CSN, 2014). Além
disso, os impactos do empreendimento no que tange a dinamização
da economia regional podem também se manifestar como novos
conhecimentos e aprendizados tecnológicos e troca de informação
entre empreendedores locais, estados e municípios (EIA CSA, 2005).
O aumento da geração de tributos decorre do pagamento de salários,
das compras e da contratação de serviços inerentes às obras de
instalação do empreendimento, e dentre os tributos estão o ICMS e o
ISS (RIMA UBU, 2009).
A geração de ruídos de elevado nível de pressão sonora é um sério
problema para a saúde humana, também gerando riscos para a
biodiversidade local. Em relação à saúde humana, Cavalcante et al.
(2012) mencionam que:
“A exposição a níveis elevados de pressão sonora está associada a efeitos
negativos para os seres humanos. O ruído intenso é comum a diversos processos
produtivos e, portanto, a exposição ao ruído no trabalho é considerada um fator
de alta relevância para a perda auditiva em adultos.”
No que diz respeito ao solo superficial, sua contaminação pode
ser gerada por vazamentos em ductos e tanques, vazamentos de óleos
e combustível de veículos, problemas no tratamento de efluentes,
pela disposição inadequada de resíduos e pelos acidentes no
transporte de substâncias químicas (OLIVEIRA, 2006). Além disso,
existe a remoção do solo superficial no terreno antes das atividades
de terraplanagem, o surgimento de focos de erosão, e a
impermeabilização do solo (RIMA USIPAR, 2009).
Outro impacto frequente em atividades siderúrgicas é a alteração
da qualidade do ar. Na fase de implantação é frequente ocorrer a
geração de poeira devido à movimentação de terra e trânsito de
veículos em locais não pavimentados (RIMA CSN ,2014). Contudo, a
emissão de gases pelos veículos utilizados na implementação do
empreendimento também é um fator preocupante. Considera-se
como poluição (PNMA, 1981):
“A degradação da qualidade ambiental resultante de atividades que direta ou
indiretamente: a) prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população;
b) criem condições adversas às atividades sociais e econômicas; c) afetem
desfavoravelmente a biota; d) afetem as condições estéticas ou sanitárias do
meio ambiente; e) lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões
ambientais estabelecidos”.
Estão incluídos entre os poluentes atmosféricos os gases e
partículas sólidas que são gerados tanto de atividades humanas,
como aqueles que podem ser lançados por veículos, indústrias,
quanto de fenômenos naturais que podem ser dispersos no ar como
por exemplo através de atividades vulcânicas (MMA 2016). Além
disso os poluentes atmosféricos podem ser classificados como
primários ou secundários e diferenciados da seguinte forma (MMA
2016):
“Poluentes primários são os contaminantes diretamente emitidos pelas fontes
para o ambiente, como no caso dos gases dos automóveis (monóxido de carbono,
óxidos de nitrogênio, óxidos de enxofre, hidrocarbonetos, aldeídos e outros). Já
os poluentes secundários resultam de reações dos poluentes primários com
substâncias presentes na camada baixa da atmosfera e frações da radiação solar,
como, por exemplo, a decomposição de óxidos de nitrogênio pela radiação
ultravioleta oriunda do sol na formação de ozônio e nitratos de peroxiacetila”.
Como consequência de atividades de grande porte, pesquisas
constataram uma significativa queda em relação a qualidade da água
e da perda da diversidade da biota aquática devido a variações na
composição química e também na estrutura dos ambientes onde
vivem (GOULART; CALLISTO, 2003). Além disso, pode ocorrer a
alteração na qualidade da água do aquífero superficial, através das
atividades de terraplanagem, construção do canteiro de obras e das
edificações, montagem e instalação dos equipamentos (EIA
TERNIUM, 2010). Os vazamentos de óleos, combustíveis e demais
produtos químicos também podem afetar os cursos hídricos, bem
como o arraste de partículas do solo para os rios e lagos (RIMA UBU,
2009).
Desse modo, é extremamente prudente a condução de estudos que
visem monitorar as comunidades planctônicas e bentônicas,
potencialmente afetadas pelos impactos do empreendimento (EIA
TERNIUM, 2010). Considerando que esses estudos com
bioindicadores funcionam como um complemento, pois o
monitoramento físico e químico da água é pouco eficiente para
detectar efeitos sobre as comunidades biológicas (GOULART &
CALLISTO, 2003).
Um grande número de pessoas morre anualmente em função de
problemas de saúde decorrentes da má qualidade da água (MERTEN;
MINELLA, 2002). De acordo com Merten e Minella (2002):
“Estima-se que aproximadamente doze milhões de pessoas morrem anualmente
por problemas relacionados com a qualidade da água. No Brasil, esse problema
não é diferente, uma vez que os registros do Sistema Único de Saúde (SUS)
mostram que 80% das internações hospitalares do país são devidas a doenças de
veiculação hídrica, ou seja, doenças que ocorrem devido à qualidade imprópria
da água para consumo humano”.
Na fase de implantação pode ocorrer a remoção de habitat
terrestres, incluindo a supressão da vegetação ciliar, gerando assim a
perda de biodiversidade local (RIMA CSN, 2014; EIA CSA, 2005). São
consideradas como consequências da supressão da vegetação,
impactos como a perda de habitats e a redução da disponibilidade de
recursos para a fauna nativa, além de gerar a exposição de solos e
alterações ambientais relacionadas (RIMA CSN, 2014; EIA CSA,
2005). A intensa redução das áreas com vegetação nativa tem
potencial para promover a extinção de espécies de aves, que não
sobrevivem em fragmentos de pequena dimensão (HASS, 2002). A
destruição da vegetação original também pode fazer com que os
solos sejam mais suscetíveis à degradação, além da lixiviação de
nutrientes e de mudanças nas propriedades físicas (RODRIGUES &
FILHO, 2001).
Decorrente desse fenômeno pode ocorrer a redução de populações
bióticas e até mesmo extinção de espécies (local ou global),
principalmente se a área atingida pelo empreendimento for grande
ou se existirem no local espécies endêmicas ou ameaçadas de
extinção. Contudo, a instalação de siderúrgicas não costuma gerar o
desmatamento de grandes áreas, sendo o impacto classificado
geralmente como de baixa magnitude.
Os veículos e maquinários utilizados irão gerar vibrações no solo
e ruídos que perturbarão a fauna presente nos ambientes próximos
ao empreendimento (RIMA CSN, 2014). O aumento da intensidade
luminosa presente no local do empreendimento também pode alterar
o comportamento de algumas espécies, ocasionando a fuga destas
para ambientes mais afastados (RIMA UBU, 2009). A fauna é de
fundamental importância para a manutenção do equilíbrio ecológico
dos ecossistemas e para a sobrevivência de muitas espécies vegetais,
devido a interações mutualísticas com animais (SOBRAL et al., 2007).
Dessa forma, pode ocorrer a extinção de espécies da flora, devido ao
afugentamento da fauna (SOBRAL et al., 2007).
Fase de Operação
Na fase de operação foram encontrados 26 impactos, com ocorrência
distribuída nos meios biótico, físico e socioeconômico (Quadro 3).
Ocorreramquatro impactos positivos e 22 impactos negativos. Tal
qual a implantação de uma siderúrgica, a sua operação irá ocasionar
o aumento da oferta de empregos, de renda para a população, fluxo
migratório para as proximidades da área do empreendimento e
aumento da arrecadação de impostos (RIMA USIPAR, 2009). Além
disso, pode ocorrer o aquecimento do mercado imobiliário e o
incentivo ao empreendedorismo (EIA CSA, 2005; EIA TERNIUM,
2010).
Nos aglomerados metropolitanos, pode ocorrer um aumento
significativo no deslocamento das atividades, principalmente as
industriais, das capitais para os outros municípios com populações
menores (BRITO; SOUZA, 2005). Dessa forma, podemos ressaltar
que a dinamização da economia local é mais expressiva em regiões
onde o empreendimento é uma atividade pioneira local (RIMA
USIPAR, 2009).
Visando melhorias na qualidade de vida geradas pelo novo
emprego, os funcionários mudam-se com suas famílias para a região
do seu local de trabalho, residindo nas localidades mais próximas do
empreendimento e, muitas vezes, em função da falta de
planejamento, é comum a ocupação irregular de algumas áreas (EIA
TERNIUM, 2010).
Quadro 3. Impactos ambientais previstos para a fase de operação de siderúrgicas, sua
frequência e natureza nos estudos ambientais analisados.
Impactos/ Meio Afetado Frequência
absoluta
Natureza
Socioeconômico
Geração de emprego e renda para a população
circunvizinha
4 Positiva
Aumento do fluxo migratório 3 Negativa
Incremento de ocupação irregular 3 Negativa
Aumento da pressão sobre a oferta de serviços públicos e
infraestrutura local
2 Negativa
Ascensão socioeconômica e mudanças na estrutura social
do município
2 Positiva
Aumento dos riscos sociais 1 Negativa
Aquecimento econômico gerado pela instalação e
operação do empreendimento
4 Positiva
Interferências do empreendimento no desenvolvimento
agrícola local
1 Negativa
Aumento da arrecadação de impostos municipais e
estaduais
3 Positiva
Alteração do sistema viário 1 Negativa
Aumento do risco de acidentes de trânsito 3 Negativa
Interferências sobre o patrimônio arqueológico 2 Negativa
Físico
Impactos/ Meio Afetado Frequência
absoluta
Natureza
Alteração da qualidade do ar 3 Negativa
Contaminação do aquífero superficial 3 Negativa
Contaminação ocasionada pela geração e disposição de
resíduos
1 Negativa
Alteração da qualidade da água 4 Negativa
Alteração dos níveis de ruído na área residencial 2 Negativa
Poluição de solo e lençóis freáticos 1 Negativa
Biótico
Modificações nas comunidades aquáticas 3 Negativa
Proliferação de Vetores 1 Negativa
Perturbação e afugentamento da fauna 3 Negativa
Aumento do risco de atropelamento de animais 1 Negativa
Risco de contaminação de fauna e flora em caso de
acidentes
1 Negativa
Aumento no risco de introdução de espécies exóticas 1 Negativa
Aumento da concentração de metais pesados e
probabilidade de contaminação da cadeia trófica
1 Negativa
Perda de habitats e de espécies vegetais 2 Negativa
A fase de operação do empreendimento pode alterar o fluxo de
veículos na localidade onde o empreendimento foi implantado.
Estudos demonstram que em locais que começam a apresentar
melhor desempenho na economia é possível ocorrer o aumento do
número de acidentes (FRAIMAN; ROSSAL, 2007). Dessa perspectiva,
a circulação de veículos para as atividades siderúrgicas, bem como o
aumento do transporte de mercadorias, poderá produzir um aumento
do número de acidentes (EIA TERNIUM, 2010). Sendo assim, devem
ser tomadas medidas para diminuir o impacto inevitável do aumento
do fluxo de trânsito.
Na fase de operação, o ar terá sua qualidade alterada através da
emissão de material particulado por chaminés, pilhas de matérias-
primas, correias transportadoras, além da emissão de gases de
combustão de veículos (RIMA UBU, 2009). É notória a poluição
atmosférica causada pelos compostos emitidos pelas chaminés de
grandes siderúrgicas, que podem afetar negativamente a saúde da
população humana.
Cabe ressaltar que existem grandes dificuldades para a
remediação de aquíferos, sendo a poluição dos mesmos um impacto
de difícil reversão em curto prazo (CORSEUIL; MARINS, 1997).
Nesta fase do empreendimento, a alteração da qualidade da água
pode ocorrer por emissão de esgoto sanitário sem tratamento, pelas
partículas do solo que chegam aos corpos d’água, pelo vazamento de
óleos e combustíveis de veículos e equipamentos e por resíduos
líquidos e sólidos (RIMA UBU, 2009).
Os ruídos emitidos pelo empreendimento ocorrem
principalmente devido aos veículos e equipamentos, como esteiras e
correias transportadoras de minério e de carvão e as peneiras
vibratórias, além do transporte de minério feito por locomotivas e
caminhões (RIMA CSN, 2014).
Outro impacto relevante nesta fase é o afugentamento da fauna
em função do uso e movimentação de máquinas e equipamentos
(RIMA CSN, 2014). Nas fábricas, os processos mediados pelo
funcionamento de máquinas produzem ruídos indesejáveis,
geralmente de forte intensidade, com potencial para causar danos à
audição dos trabalhadores (CAVALCANTE et al., 2012). Em razão
disso, os animais podem mudar de comportamento, tornando-se, na
maioria dos casos, ariscos. Além disso, essas condições podem torná-
los mais vulneráveis à pressão da caça predatória, sendo mais
facilmente acuados e capturados (EIA CSA, 2005). A fuga de algumas
espécies também pode acontecer através do aumento de intensidade
luminosa advinda dos equipamentos utilizados no empreendimento
(RIMA UBU, 2009).
Apesar de não ter sido abordado claramente nos estudos
ambientais analisados, os empreendimentos do setor siderúrgico
possuem diversos tipos de riscos ocupacionais, como os acidentes
industriais (MILANEZ; PORTO, 2008), que podem provocar
problemas de saúde e até a morte de funcionários. Além disso, ao uso
de recursos naturais muitas vezes não é realizado em bases
sustentáveis, levando à redução da sua disponibilidade (MILANEZ;
PORTO, 2008). A produção de ferro-gusa e aço tem consumido uma
grande parte do carvão vegetal produzido no Brasil, exercendo uma
forte pressão sobre os recursos madeireiros (MME, 2007; MILANEZ;
PORTO, 2008). O uso não sustentável de recursos naturais pode
comprometer os processos ecológicos importantes para a
manutenção da qualidade de vida das pessoas e de atividades
econômicas, pois afetam a disponibilidade dos recursos para usos
futuros (BARBIERI, 2007).
É determinado pela Resolução CONAMA 01 de 1986 que sejam
apresentados no EIA/RIMA as medidas mitigadoras cabíveis aos
impactos negativos causados pelo empreendimento (BRASIL, 1986).
Haja visto essa determinação, foi possível analisar que a maioria dos
impactos apresentados nos estudos analisados são passíveis de
aplicação de medidas mitigadoras, as quais têm como objetivo
minimizar situações que apresentem potencial de causar prejuízos
nos meios físico, biótico e socioeconômico. Este tipo de medida pode
vir a eliminar o grau de negatividade de um impacto ambiental. Os
impactos que não são passíveis de redução de sua magnitude podem
ser compensados, através das chamadas medidas compensatórias.
Referências
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. Acesso em: 22 out. 2016.
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2016.
6
RODOVIAS
Mariene Massi Afonso Alvim, Fabíola de Sampaio Rodrigues Grazinoli Garrido & Fábio Souto
de Almeida
Dentre as principais atividades que apresentam significativo
potencial poluidor no Brasil, temos como destaque a construção,
pavimentação e duplicação de rodovias. Apesar da grande relevância
para o crescimento econômico e social, a construção de estradas
ocasiona uma elevada gama de impactos ambientais negativos, que
são especialmente importantes quando atingem áreas
ambientalmente relevantes, próximas de áreas de preservação
permanente (APP), unidades de conservação da natureza, florestas
nativas e outros ecossistemas naturais (SIMONETTI, 2010).
A necessidade de interligação de grandes metrópoles brasileiras,
que dependem do transporte de mercadorias entre cidades, além do
aumento da população, demanda, cada vez mais, a construção de
novas estradas de rodagem que facilitem o transporte de pessoas e de
cargas. Da mesma forma que as rodovias são importantes para o
desenvolvimento econômico do país, também devemos citar a
importância da avaliação dos impactos causados a partir dessas
construções. Estudar os impactos ambientais do planejamento,
construção e operação de rodovias é importante para avaliar as suas
consequências e se precaver dos problemas que podem gerar
(TINOCO, 2008). Para isso, é necessário que seja feito o Estudo de
Impacto Ambiental (EIA) e ainda o Relatório de Impacto Ambiental
(RIMA), que são utilizados para licenciar empreendimentos que
possuem potencial para significativa degradação ambiental, o que
ocorre com muitas rodovias (SANCHÉZ, 2013).
No artigo 2º da Resolução do Conselho Nacional do Meio
Ambiente (Resolução CONAMA, 01 de1986), pode-se observar a
seguinte colocação (BRASIL, 1986):
“Dependerá de elaboração de estudo de impacto ambiental e respectivo
relatório de impacto ambiental - RIMA, a serem submetidos à aprovação do
órgão estadual competente, e do IBAMA em caráter supletivo, o licenciamento
de atividades modificadoras do meio ambiente, tais como: I - Estradas de
rodagem com duas ou mais faixas de rolamento” (BRASIL, 1986).
Como é importante estudar as alterações causadas pelas rodovias
no meio ambiente e aplicar medidas para prevenir ou reduzir os
impactos negativos, esse capítulo teceu considerações sobre os
impactos acarretados pela construção e operação de estradas, não
apenas os impactos ambientais negativos, mas também os impactos
positivos.
Para a elaboração desse trabalho utilizaram-se informações
contidas nos estudos ambientais que foram realizados para licenciar
a construção de rodovias na região Sudeste do Brasil. A metodologia
adotada foi baseada em Landes (2016). Foram analisados e utilizados
nove estudos ambientais (Estudos de Impacto Ambiental - EIA e
Relatórios de Impacto Ambiental - RIMA) de rodovias estaduais e
federais, sendo esses:
· Estudo de Impacto Ambiental da Rodovia SP-300 (EIA SP-300, 2002);
· Estudo de Impacto Ambiental da Rodovia ES-080, Variante de Colatina (RIMA
ES-080, 2005);
· Estudo de Impacto Ambiental da Nova Subida da Serra de Petrópolis – RJ/BR-
040 (EIA NSS, 2010);
· Relatório de Impacto Ambiental do Rodoanel Governador Mário Covas, trecho
Sul, SP-021 (RIMA SP-021, 2004);
· Relatório de Impacto Ambiental da Rodovia BR-381, trecho Norte – MG/BR381
(RIMA BR-381, 2006);
· Relatório de Impacto Ambiental do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro –
BR-493/RJ-109 (RIMA Arco Metropolitano RJ, 2007);
· Relatório de Impacto Ambiental da Rodovia BR-282/ES (RIMA BR-282, 2009);
· Relatório de Impacto Ambiental da Rodovia BR-101/ES (RIMA BR-101, 2012);
· Relatório de Impacto Ambiental do Contorno do Mestre Álvaro – ES-120
(RIMA ES-120, 2013);
Foram observados 47 impactos ambientais no total, sendo 11
impactos positivos e 36 negativos. O número elevado de impactos
ambientais negativos previstos nos estudos ambientais apresentados
expressa que deve haver o devido cuidado e planejamento para a
realização das atividades necessárias, visando a redução da
magnitude dessas alterações adversas na área de influência do
empreendimento. Porém, também cabe ressaltar que a grande
maioria dos empreendimentos humanos causa mais impactos
ambientais negativos que positivos (SÁNCHEZ, 2013; LANDES,
2016).
Fase de Planejamento
Nessa fase foi encontrado apenas um impacto ambiental, sendo este
relacionado ao meio socioeconômico (Quadro 1), classificado como
de magnitude moderada e natureza positiva. A repercussão da
construção de estradas geraexpectativas que conduzem,
principalmente, a alterações na valorização imobiliária dos terrenos
e mudanças no padrão de uso do solo em áreas do entorno (EIA SP-
300, 2002). Assim, os impactos ambientais causados pela implantação
de uma rodovia ocorrem até mesmo no planejamento da mesma.
Contudo, é impossível imaginar a civilização atual sem estradas,
visto que são as principais vias de transporte de pessoas e cargas em
curta e média distância (BANDEIRA; FLORIANO, 2004).
Quadro 1. Impactos ambientais previstos na fase de planejamento, meio afetado, natureza e
o número de estudos ambientais em que foram identificados.
Impacto Meio afetado Natureza
Número
de
estudos
Geração de expectativas com a divulgação
do empreendimento
Socioeconômico Positiva 9
Fase de Implantação
Nessa fase foram identificados 25 impactos no total, sendo quatro de
natureza positiva e 21 de natureza negativa, ocorrendo alterações
ambientais nos três meios – físico, biótico e socioeconômico (Quadro
2). Os impactos referentes à contaminação da água e do solo,
poluição atmosférica, desapropriação, interferência do espaço
geográfico causando alterações e ruídos, bem como os que se referem
à alteração de habitat, supressão da vegetação e mudança da
qualidade de vida e geração de empregos foram encontrados em
todos os estudos analisados. Cabe indicar que, por vezes, ações
antrópicas são citadas em estudos ambientais, equivocadamente,
como sendo impactos ambientais.
No desenvolvimento das atividades pertinentes à execução das
obras rodoviárias há sempre tendência à geração/ocorrência, em
maior ou menor escala, de impactos ambientais negativos,
suscetíveis de ocorrer em toda a sua abrangência, afetando, segundo
as particularidades inerentes de cada caso, cada um dos
componentes do ecossistema (MANUAL DE IMPLANTAÇÃO
BÁSICA DE RODOVIA, 2010). A construção de estradas ocasiona
modificações expressivas nas características naturais da área de
influência do empreendimento, sendo o diagnóstico ambiental e o
planejamento ferramentas importantes para garantir a conservação
dos recursos naturais existentes nas proximidades das estradas e
executar o projeto de acordo com a legislação ambiental (RIMA
ARCO METROPOLITANO, 2007). Nesse sentido, a escolha do
melhor traçado é fundamental para reduzir os impactos negativos.
As obras e serviços para implantação e pavimentação de rodovias
provocam impactos ambientais positivos de caráter local e regional,
induzidos pelo estímulo às atividades econômicas, especialmente
aquelas relacionadas à circulação de mercadorias em longas
distâncias. Tal fato, porém, não exclui a incidência de impactos
negativos, dos quais alguns podem ser evitados, outros minimizados
e, ainda outros, apresentarem caráter irreversível (RIMA ES-080,
2005). Todavia, é importante identificar os impactos que ocorrem nos
empreendimentos para separar os impactos positivos dos negativos,
maximizando os positivos e mitigando os negativos. No caso dos
impactos ambientais negativos que não podem ser mitigados, devem
ser propostas medidas compensatórias.
Quadro 2. Impactos ambientais previstos na fase de implantação, meio afetado, natureza e o
número de estudos ambientais em que foram identificados.
Impacto Meio afetado Natureza
Número
de
estudos
Início e/ou aceleração de processos
erosivos
Físico Negativa 9
Contaminação do solo e das águas
superficiais e subterrâneas
Físico /
Socioeconômico
Negativa 9
Alteração da qualidade do ar (poluição
atmosférica)
Físico /
Socioeconômico
Negativa 9
Pavimentação (aumento da
impermeabilização do solo)
Físico Negativa 3
Assoreamento de cursos d’água Físico Negativa 4
Impacto Meio afetado Natureza
Número
de
estudos
Alteração da paisagem (rodovia,
terraplenagem, empréstimos e bota-foras)
Físico Negativa 6
Interferência no espaço geográfico
causando alterações e ruídos
Físico Negativa 9
Alteração da drenagem do solo Físico Negativa 5
Geração e descarte de resíduos sólidos e
efluentes líquidos
Físico / Biótico Negativa 4
Execução de obras de arte especiais
(pontes, viadutos, passarelas, túneis) que
utilize concreto
Físico Negativa 4
Alteração da qualidade dos habitats e
espécies vegetais
Biótico Negativa 9
Alteração ou degradação de nascentes Biótico Negativa 2
Aumento da caça e ameaça de espécies
nativas
Biótico Negativa 4
Aumento da pressão sobre os recursos
naturais
Biótico Negativa 2
Redução da vegetação nativa Biótico Negativa 9
Afugentamento de fauna terrestre Biótico /
Socioeconômico
Negativa 7
Geração de emprego para a população
local e arredores
Socioeconômico Positiva 9
Desvios e interrupções provisórias do
trânsito local
Socioeconômico Negativa 3
Impacto Meio afetado Natureza
Número
de
estudos
Instalação de canteiros de obras Socioeconômico Negativo 2
Desapropriação Socioeconômico Negativa 9
Conflito de uso e ocupação do solo Socioeconômico Negativa 3
Alterações nas atividades econômicas das
regiões por onde a rodovia passa
Socioeconômico Positiva 5
Mudanças nas condições de emprego e
qualidade de vida para as populações
Socioeconômico Positiva 9
Perda de patrimônio cultural, histórico e
arqueológico
Socioeconômico Negativa 4
Redução do número de acidentes devido a
diminuição do tráfego intra-urbano no
trecho da obra
Socioeconômico Positiva 2
As comunidades e espécies podem ser bastante afetadas pelas
atividades humanas, mesmo que o habitat não esteja destruído ou
fragmentado. Fatores externos de degradação ambiental, como a
poluição do ar, da água, dos solos e a sonora são graves ameaças para
a diversidade biológica (PRIMACK; RODRIGUES, 2001).
As atividades relativas à construção de rodovia podem levar a
instabilidade das vertentes e aumentar a erosão, principalmente se
estiverem associadas à retirada da vegetação (RIMA BR-381, 2006). O
constante trânsito de máquinas pesadas pode gerar mudanças na
estrutura do solo, como a sua compactação ou desagregação, levando
ao possível aumento da ocorrência de processos erosivos (RIMA BR-
381, 2006). Como medida mitigadora, utiliza-se, por exemplo, a
execução de obras de drenagem e retenção de sedimentos, instalação
de canaletas e proteção do solo.
No que diz respeito às interferências na qualidade das águas
superficiais e subterrâneas, este impacto poderá acontecer nas fases
de construção e de operação. Durante a construção, além da
possibilidade de geração de sedimentos e assoreamento nas redes de
drenagem e nos corpos hídricos, existe a possibilidade de
vazamentos dos efluentes líquidos provenientes dos veículos (óleos e
graxas) e de locais onde tais líquidos estão armazenados nas oficinas
e dos efluentes provenientes de banheiros, cozinhas e refeitórios, dos
canteiros de obras e estruturas de apoio (usina de asfalto, central de
britagem e etc.). Como medida de controle nos estudos ambientais
são propostas a instalação de redes de drenagem, monitoramento da
qualidade dos efluentes e dos corpos receptores, projetar e construir
caixas de areia para retenção de resíduos, fazendo limpezas
periódicas a fim de evitar a contaminação.
Alguns estudos por vezes citam as atividades antrópicas ou os
aspectos ambientais (mecanismos que geram o impacto) como se
fossem impactos ambientais (alteração do meio ambiente). Nesse
caso, devemos analisar corretamente o impacto e entender que, por
exemplo, a geração de resíduos e a emissão de poluentes, não são
impactos, e sim aspectos ambientais.
A poluição do ar causada pela emissão de poeiras é outro impacto
bastante frequente em rodovias. Na implantação do
empreendimento, a emissão de material particulado pode ser
decorrente basicamente de três tipos básicos de atividades:
movimentação de terras; circulação de veículos sobre estradas não
pavimentadas e transporte de material. Tais problemas poderão
acontecer como decorrência das atividades de limpeza do terreno,
terraplenagem e pavimentação (EIA SP-300, 2002). Como medida
mitigadora deverá ser feita a umidificação do solo, coberturas dos
caminhões utilizados no transporte e descarte de materiais da obra.Para evitar a ocorrência de problemas de saúde nos trabalhadores,
esses deverão utilizar EPI (equipamentos de proteção individual),
como por exemplo, máscaras com filtro.
Em relação aos impactos sobre a fauna, a alteração de habitas
provavelmente terá maior frequência e magnitude na fase de
implantação do empreendimento. Por outro lado, o afugentamento
da fauna deve ser mais expressivo na fase de operação das rodovias,
visto que os ruídos serão mais frequentes com o trânsito constante
de automóveis. Além disso, pode ocorrer também o atropelamento de
animais. A fauna é de fundamental importância para a manutenção
do equilíbrio ecológico dos ecossistemas e para a sobrevivência de
muitas espécies vegetais, devido a interações mutualísticas com
animais (SOBRAL et al., 2007). Dessa forma, pode ocorrer a extinção
de espécies da flora, devido ao afugentamento da fauna (SOBRAL et
al., 2007). Para que esses impactos se tornem menos frequentes,
deverá ser feita construção de passagens de fauna, subterrâneas ou
sobre as rodovias, instalação de placas indicativas da presença de
animais, monitoramento das comunidades, manejo de espécies
exóticas e ainda o controle da emissão de ruídos dos equipamentos
de obra, fazendo a manutenção correta e periódica.
As atividades que ocorrem durante a obra e o que resulta dela
podem favorecer a atividade de caça de animais silvestres na área de
influência do empreendimento. Tanto os funcionários envolvidos nas
obras, como a população local, podem aproveitar-se dos acessos
abertos e do movimento dos animais em fuga para a prática da caça,
seja para obter alimento, lazer ou comércio da caça (EIA BR-040/NSS,
2010). Em todos os casos, a caça terá um efeito negativo sobre a fauna
e o ecossistema associado, devendo ser reprimida e fiscalizada por
parte do empreendedor, na faixa de domínio da rodovia. Embora a
caça profissional seja proibida no Brasil (Lei Federal N° 5.197 de
1967), ainda é frequente em muitas regiões do país, inclusive para a
obtenção de material para coleções particulares, comércio ilegal
nacional e internacional e para a obtenção de pele e carne (EIA BR-
040/NSS, 2010). Como medidas para reduzir danos à fauna deve ser
implementado o monitoramento das atividades na rodovia e
proximidades, o treinamento aos trabalhadores para reduzir a
introdução de espécies e programas de educação ambiental
direcionado aos trabalhadores e à população em geral.
De acordo com o Manual de Construção Rodoviária, 1966, dentre
as primeiras atividades necessárias para a construção de estradas
está a retirada de árvores e de outros vegetais, a remoção de lixo,
construções e outras obstruções e materiais desnecessários à
implantação da estrada. No entanto, as árvores e outros vegetais que
não causarem interferência na obra podem permanecer no local.
A supressão da vegetação e a retirada da camada superficial do
solo são relevantes por contribuem, por exemplo, para o aumento da
erosão, compactação do solo e dificuldade da retenção e infiltração
das águas pluviais. A partir disso, aumenta o escoamento superficial
da água da chuva, dificultando o abastecimento de lençóis freáticos e
aquíferos presentes nos locais de realização de obras. Como medida
mitigadora sugere-se a revegetação da área onde a vegetação nativa
foi suprimida e a proteção das superfícies de cortes e aterros, além de
incluir no planejamento da rota da rodovia a preocupação de evitar a
supressão de vegetação nativa.
Os impactos do meio socioeconômico são bastante diversificados
e afetam, de maneira geral, diretamente as populações e suas
atividades econômicas (RIMA BR-381, 2006). Ocorrem alterações na
socioeconomia da localidade devido, por exemplo, a atração de
população para as proximidades do empreendimento e valorização
ou desvalorização dos terrenos e construções nas proximidades do
empreendimento (RIMA BR-381, 2006).
Fase de Operação
Nessa fase foram encontrados 21 impactos no total, divididos entre
os meios físico, biótico e socioeconômico, sendo sete impactos de
natureza positiva e 14 de natureza negativa. Os impactos referentes
ao meio físico, como o aumento da poluição atmosférica e a
contaminação da água e solo por meio de vazamento de cargas
perigosas, mas também o atropelamento de fauna e aumento da caça
pela abertura de novos acessos, assim como os acidentes que podem
ocorrer devido ao aumento do tráfego de veículos foram encontrados
em todos os estudos analisados.
A operação de uma rodovia gera uma série de modificações no
ambiente e os seus efeitos podem ocasionar problemas para a
população humana, a biota e o meio físico, esse último
frequentemente causa impactos indiretos sobre os dois primeiros
(Manual Rodoviário do DNIT, 2005). O Manual Rodoviário do DNIT
(2005) menciona que o aumento do tráfego de veículos contribui para
mudanças locais da qualidade do ar, da água e do solo, com possíveis
impactos negativos sobre a saúde humana e também sobre a
biodiversidade.
A operação da rodovia tende a aumentar a oferta de empregos.
Para que esse efeito positivo do empreendimento possa trazer
benefícios para a população local, os cidadãos deverão estar
capacitados para concorrer às ofertas de emprego advindas das
empresas ou mesmo para realizar trabalhos autônomos (RIMA BR-
381, 2006).
Quadro 3. Impactos ambientais previstos na fase de operação, meio afetado, natureza e o
número de estudos ambientais em que foram identificados
Impacto Meio afetado Natureza
Número
de
estudos
Aumento de ruídos e perturbação pelo
tráfego de veículos ao longo da rodovia
Físico Negativa 7
Impacto Meio afetado Natureza
Número
de
estudos
Início e/ou aceleração de processos
erosivos
Físico Negativa 9
Aumento da poluição atmosférica Físico Negativa 9
Contaminação do solo e da água pelo
derramamento de óleo, metais e
substâncias químicas
Físico Negativa 9
Alteração na qualidade dos habitats da
fauna pelo aumento de ruído
Biótico Negativa 5
Aumento da caça devido aos novos
acessos abertos
Biótico Negativa 9
Proliferação de zoonoses Biótico Negativa 3
Atropelamento de fauna Biótico Negativa 9
Diminuição no tempo de viagem Socioeconômico Positiva 2
Riscos de acidentes com cargas perigosas Socioeconômico Negativa 9
Redução dos custos de transporte de carga Socioeconômico Positiva 2
Aumento do volume do tráfego de
veículos e caminhões
Socioeconômico Negativa 5
Melhoria nas condições de trafegabilidade Socioeconômico Positiva 3
Indução à ocupação do solo Socioeconômico Negativa 7
Aumento dos riscos de acidentes Socioeconômico Negativa 7
Geração de emprego e renda para
população local e dos arredores
Socioeconômico Positiva 7
Impacto Meio afetado Natureza
Número
de
estudos
Aumento do turismo na região Socioeconômico Positiva 4
Dinamização da economia Socioeconômico Positivo 6
Agravos à saúde pelos acidentes Socioeconômico Negativa 5
Conservação da rodovia Socioeconômico Positiva 1
Alteração no cotidiano da população Socioeconômico Negativa 6
Embora as obras de melhoramento visem, entre outros objetivos,
a redução de acidentes rodoviários, o risco dos mesmos se mantém
pelo aumento de veículos trafegando na rodovia e ampliação da
quantidade e tipos de produtos transportados, ao longo do tempo,
como resultado do próprio crescimento da economia local e regional
(RIMA BR-381, 2006).
Em alguns estudos analisados, existe a proposta de duplicação da
pista, para que ocorra essa redução de acidentes. Por outro lado, o
aumento do fluxo de veículos, incluindo os que fazem transporte de
cargas perigosas, pode acarretar em acidentes graves, não somente
para o meio socioeconômico, mas também para o meio físico
(contaminação de águas superficiais e subterrâneas, contaminação
do solo) e meio biótico. Na fase de operação do empreendimento,
podem ocorrer acidentes com vazamentos próximos aos corpos
hídricos e/ou a drenagem (EIA BR-040/NSS, 2010). Para o risco de
acidentes com cargas perigosas é interessante que ocorra a
instalação de placas e de redutores de velocidade, assim como a
construção de passarelas e cicloviaspara a travessia e ainda
disponibilizar um sistema de atendimento de emergências, que
inclua a rápida comunicação dos acidentes e ambulâncias. Já em
relação a contaminação das águas e do solo, é indicada a implantação
de um sistema de controle da qualidade das águas de drenagem e
programas de monitoramento da qualidade da água e do solo,
ocorrendo medidas corretivas sempre que houver necessidade.
Sobre os impactos causados ao meio biótico, podemos ressaltar o
aumento da caça, ocasionado pela abertura de novos acessos,
possibilitando a caça predatória e ilegal de animais silvestres e pesca
irregular. Para que esse impacto seja evitado, deverá ser feita uma
restrição da circulação dos trabalhadores exclusivamente às áreas de
obra e programas de educação ambiental para trabalhadores e
população em geral sobre a proibição da caça, assim como o
fechamento dos novos acessos. Junto a isso, os ruídos causados pelo
aumento do tráfego de veículos nas rodovias ocasionam a fuga dos
animais e mudanças nas comunidades biológicas. Também ocorre o
atropelamento de animais de vários grupos taxonômicos. Para evitar
esses problemas, é necessário que haja a sinalização da rodovia
informando sobre a existência de fauna nas proximidades. A
construção de passagens subterrâneas e aéreas de fauna, a
implantação de cercas de proteção para evitar que animais acessem a
estrada e atividades de educação ambiental
Um impacto positivo que pode ocorrer em locais com atrativos
turísticos, desde que planejado e executado corretamente, é o
aumento do número de turistas na localidade onde a estrada foi
implantada, pois a maior facilidade de acesso pode aumentar a
presença de visitantes de outras regiões. Para que esse impacto seja
maximizado, poderão ser feitas propagandas através de outdoors e
ampla divulgação, trazendo assim um maior número de visitantes e
consequentemente, o aquecimento da economia local.
Para que os impactos ambientais negativos tenham a sua
magnitude reduzida é necessário que as medidas mitigadoras sejam
colocadas em prática corretamente e para tal é preciso que haja o
monitoramento da sua execução. É interessante a proposição de
medidas de controle da aplicação das medidas mitigadoras e de
manutenção da rodovia (BANDEIRA; FLORIANO, 2004).
Agradecimento
À Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro –
FAPERJ, pela bolsa de estudos concedida à primeira autora.
Referências
AGÊNCIA BRASIL. Companhia Nacional de Transporte – CNT. 2017. Disponível em:
http://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2017-08/pesquisa-da-cnt-diz-que-427-
das-rodovias-federais-sao-boas-ou-otimas. Acessado em 09 de outubro, 2017.
BANDEIRA, C.; FLORIANO, E.P. Avaliação de impacto ambiental de rodovias. Caderno
Didático nº 8, 1ª ed./ Clarice Bandeira, Eduardo P. Floriano. Santa Rosa, 2004.
BITAR, O.Y; ORTEGA, R.D. Gestão Ambiental. In: OLIVEIRA, A.M.S; BRITO, S.N.A.
(EDS.). Geologia de Engenharia, São Paulo: Associação Brasileira de Geologia de
Engenharia (ABGE), Cap 32, p. 499. 1998.
BRASIL. Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981. Dispõe sobre a Política Nacional do Meio
Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras providências.
Disponível: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6938.htm. Acessado em 26 de
outubro, 2017.
BRASIL. Resolução CONAMA nº 1 de 23 de janeiro de 1986. Dispõe sobre critérios
básicos e diretrizes gerais para a avaliação de impacto ambiental. Disponível em:
através de
trabalhos de conclusão de curso, trabalhos de iniciação científica e
textos produzidos diretamente para compor essa obra.
O conteúdo do livro pode ser utilizado por estudantes e
profissionais de diversas áreas do conhecimento, como ciências
ambientais, ciências biológicas, ciências agrárias, engenharias,
química, geociências, ciências sociais e da saúde. Os temas
abordados no presente trabalho são especialmente relevantes para
profissionais que trabalham com a avaliação de impactos ambientais,
inclusive na elaboração de estudos ambientais para o licenciamento
de empreendimentos ou na criação de sistemas de gestão ambiental.
Os temas aqui discutidos são de grande complexidade e não foi
objetivo dos autores esgotar os assuntos, porém o livro cobre grande
parte dos impactos ambientais provocados pelos empreendimentos
analisados e pode contribuir para a redução das consequências
negativas de tais iniciativas. Assim, acreditamos ser uma
contribuição relevante para o desenvolvimento sustentável.
Boa leitura.
Fábio Souto de Almeida
1
INSTRUMENTOS LEGAIS OU NORMAS PARA EVITAR A DEGRADAÇÃO
AMBIENTAL
Fábio Souto de Almeida
A definição legal de meio ambiente, presente na Política Nacional de Meio Ambiente - PNMA (Lei
Federal Nº 6.938 de 1981), indica que é constituído pelos bens naturais, incluindo a biodiversidade e
aqueles de natureza física ou química, que regem a vida (BRASIL, 1981). Os seres humanos, a sua
cultura e a economia também estão inseridos nesse conjunto de elementos que forma o meio
ambiente (GIONGO; GIONGO, 2009). A manutenção das características do meio ambiente dentro de
padrões adequados para a vida humana é essencial, porém diversas atividades antrópicas vêm
modificando expressivamente as características ambientais, prejudicando a qualidade de vida da
população ao aumentar a incidência de doenças, gerar incômodos e reduzir a disponibilidade dos
recursos naturais (SANCHEZ, 2008). Um elevado número de pessoas morrem todos os anos por
doenças provocadas ou agravadas pela poluição ambiental, incluindo aquelas derivadas da ingestão
de água e alimentos contaminados e pela poluição atmosférica (MORAES; JORDÃO 2002; SNS, 2018).
Além disso, a poluição sonora, visual e luminosa, apesar de serem menosprezadas, causam agravos à
saúde e prejuízos econômicos (ALMEIDA et al., 2017). O esgotamento e a degradação dos recursos
naturais são graves ameaças às atividades produtivas e ao bem estar das populações humanas
(MARTINE; ALVES, 2015).
Os seres humanos obtêm do meio ambiente todos os recursos naturais fundamentais para a
manutenção da vida e também imprescindíveis para o desenvolvimento socioeconômico (FARIAS,
2019). Porém, a extração de recursos naturais, a sua transformação, transporte e utilização podem
provocar expressivos impactos ambientais (CUNHA; GUERRA, 2007; ALMEIDA et al., 2017). Além
disso, o descarte de produtos e embalagens e a geração e distribuição de energia também acarretam
degradação ambiental (CUNHA; GUERRA, 2007; ALMEIDA et al., 2017). Na legislação brasileira,
impacto ambiental é definido como:
“qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de
matéria ou energia resultante das atividades humanas que, direta ou indiretamente, afetam: I - a saúde, a segurança e o
bem-estar da população; II - as atividades sociais e econômicas; III - a biota; IV - as condições estéticas e sanitárias do
meio ambiente; V - a qualidade dos recursos ambientais” (CONAMA, 1986).
Com o avanço tecnológico, o crescimento populacional e a cultura consumista observadas nos
últimos séculos, relevantes alterações ambientais adversas têm sido provocadas (BAPTISTA, 2010).
Frente a essa realidade, países e governos locais criaram arcabouço legal para conter a degradação
ambiental e atingir o desenvolvimento socioeconômico de forma sustentável (DIAS, 2001). A
legislação de cunho ambiental a nível federal, voltada a reduzir a degradação ambiental no Brasil
inclui:
Artigo 225 da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988;
Política Nacional de Meio Ambiente - Lei Nº 6.938 de 1981;
Lei Complementar Nº 140 de 2011 (trata do licenciamento ambiental – competências para o
licenciamento);
Lei de Crimes Ambientais - Lei Nº 9.605 de 1998;
Lei de Proteção à fauna - Lei N° 5.197 de 1967;
Código Florestal - Lei Nº 12.651 de 2012;
Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza - Lei No 9.985 de 2000;
Política Nacional de Educação Ambiental - Lei No 9.795 de 1999;
Política Nacional de Recursos Hídricos - Lei Nº 9.433, de 8 de janeiro de 1997;
Política Nacional de Resíduos Sólidos - Lei Nº 12.305, de 2 de agosto de 2010;
Resolução CONAMA N0 1 de 1986 (Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto
Ambiental);
Resolução CONAMA Nº 237 de 1997 (trata do licenciamento ambiental).
Além disso, organizações privadas têm adotado meios para evitar a geração de impactos
ambientais negativos na produção de bens e serviços, produzindo bens de forma ambientalmente
correta, até mesmo pela sociedade ter aumentado a conscientização acerca dos problemas
provocados pelas alterações ambientais negativas (SEIFFERT, 2011; ROUSSOULIERES et al., 2013).
Essas organizações tem implementado os Sistemas de Gestão Ambiental (SGA), que para
Roussoulieres et al., 2013:
“pode ser entendido como um conjunto de procedimentos necessários para administrar uma empresa com o objetivo de
garantir que suas atividades gerem o menor impacto negativo, possível, sobre o ambiente”.
As empresas que adotam um SGA podem obter um selo verde (certificação ambiental), para
indicar a sua preocupação ambiental e ganhar mercado, além disso, a adoção de um SGA também
auxilia a empresa a se adequar às normas ambientais vigentes e evitar multas e outras penalidades
advindas de órgãos ambientais competentes, também pode reduzir o consumo de recursos naturais e
diminuir os custos de produção (MORROW; RONDINELLI, 2002; MELNYK et al., 2003;
FIGUEIREDO et al., 2009; DEUS et al., 2010; SEBRAE, 2004). No planejamento do SGA, além de
identificar os impactos ambientais dos processos produtivos, também é necessário estudar os
aspectos ambientais, que são processos que acarretam como consequência alterações ambientais
(impactos ambientais) (SANCHEZ, 2008), sendo exemplos de aspectos ambientais a geração de ruídos
e de resíduos sólidos, a emissão de efluentes, os vazamentos e o consumo de água e energia (BACCI
et al., 2006).
A avaliação de impactos ambientais (AIA) é uma importante ferramenta para evitar a degradação
do meio ambiente, sendo entendida por Almeida et al. (2017) como “o exercício de prever as
alterações que ocorrerão no meio ambiente a partir de um projeto proposto no presente”. Assim, o
objetivo é prevenir a degradação ambiental através da previsão das alterações ambientais negativas
que podem ser causadas, analisando o projeto de um empreendimento, e posteriormente propondo
medidas para mitigar esses impactos, reduzindo ou eliminando a magnitude das alterações
ambientais negativas previstas, podendo ainda haver a compensação da degradação ambiental
(LIMA, 2015; ALMEIDA et al., 2017). Desse modo, a AIA é usada no licenciamento ambiental e
também para o planejamento do SGA.
No Brasil os empreendimentos que podem causar significativa degradação ambiental devem ser
licenciados com o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA)
(CONAMA, 1986; ALMEIDA et al., 2017). No caso dos empreendimentos não serem apontados como
potenciais causadores de significativa degradação ambiental, outros estudos ambientais podem ser
requisitados para licenciar o empreendimento, como o Relatório Ambiental Simplificado (RAS), o
Estudo de Impacto de Vizinhança – EIV e o Projeto Básico Ambiental (PBA) (ALMEIDA et al., 2017).
A descrição do empreendimento e o diagnóstico ambiental da área de influência do projeto estão
entre os requisitos de vários estudos ambientais e são essenciais para a correta previsão das
alterações ambientais que os projetos podem09 de outubro de 2017.
SANCHÉZ, L.E. Avaliação de impacto ambiental: conceitos e métodos. São Paulo: Oficina
de Textos. 584p. 2013.
SIMONETTI, H. Estudo de impactos ambientais gerados pelas rodovias: sistematização do
processo de elaboração de EIARIMA. Monografia (Graduação em Engenharia Civil),
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 55p. 2010.
SOBRAL, I.S. et al. Avaliação dos impactos no parque nacional Serra de Itabaiana-SE.
2017. Disponível em:
http://www.seer.ufu.br/index.php/caminhosdegeografia/article/view/15713/8888. Acessado
em 10 de outubro, 2017.
TINOCO, J.E.P.; KRAEMER, M.E.P. Contabilidade e gestão ambiental. São Paulo: Atlas.
296p. 2008.
7
USINAS HIDRELÉTRICAS
Renata Fernanda Oliveira de Souza, Fabíola de Sampaio Rodrigues Grazinoli Garrido & Fábio
Souto de Almeida
A partir da Revolução Industrial, a energia elétrica vem ocupando
papel fundamental na sociedade moderna, propiciando o
crescimento das indústrias, do comércio, da agricultura e da vida
social (GUENA, 2007). Historicamente, a oferta de energia é
apontada como um dos gargalos do crescimento econômico, onde a
de origem hidrelétrica representa papel significativo (SATHLER DE
QUEIROZ; MOTTA-VEIGA, 2012). Atualmente, o modelo de
desenvolvimento brasileiro tem por objetivo o crescimento
econômico pelo avanço da industrialização, com a difusão de
tecnologia em larga escala e com constante renovação do arcabouço
produtivo (HOBSBAWM 1982 apud CAMARA et al., 2016). Nesse
cenário, para sustentar o crescimento da economia, a manutenção da
disponibilidade de energia elétrica é essencial.
Os impactos ambientais ocasionados pelo desenvolvimento
socioeconômico dos últimos 250 anos causaram danos ao equilíbrio
de ecossistemas em todas as regiões do planeta (CASTRO et al.,
2011). Como todo grande empreendimento, a instalação de usinas
hidrelétricas de grande porte gera efeitos que ultrapassam os limites
da área ocupada por suas estruturas físicas, alterando componentes
ambientais expressivamente distantes do empreendimento
(BORTOLETO, 2001).
Com o aumento da mobilização em torno das questões
ambientais, a partir da “Conferência das Nações Unidas sobre o
Meio Ambiente” realizada em 1972, em Estocolmo, e dos problemas
ambientais ocasionados, principalmente, por grandes
empreendimentos, passou-se a incluir um cuidado maior com a
variável ambiental durante o desenvolvimento dos projetos (STAMM,
2003). Foi observado que diversos países legislaram sobre a poluição
ambiental oriunda de atividades industriais na década de 1980.
Segundo Moura (2002) apud Seiffert (2014) também nessa década teve
impulso a formalização e obrigatoriedade da realização de Estudos
de Impacto Ambiental e Relatórios de Impactos sobre o Meio
Ambiente (EIA-RIMA), com audiências públicas para aprovação dos
licenciamentos ambientais em diferentes níveis de organizações do
governo.
Nos EUA, com a exigência da realização de Estudos de Impacto
Ambiental como pré- requisito para a instalação de
empreendimentos potencialmente poluidores em 1969, surgiu a
primeira regulamentação que apresentava enfoque preventivo em
relação à degradação ambiental, em contraste as demais que tinham,
em geral, caráter corretivo (SEIFFERT, 2014).
No Brasil, a realização dos Estudos de Impacto Ambiental (EIA) e
a apresentação do respectivo Relatório de Impacto Ambiental
(RIMA) somente foram regulamentadas, a nível federal, pela
Resolução CONAMA 01 de 1986 (CUNHA; GUERRA, 2007). Cabe
ressaltar que na referida resolução são citadas as categorias de
projetos dos quais será exigida a apresentação desses documentos.
Assim, dentre as atividades elencadas, estão: a instalação de linhas
de transmissão de energia elétrica com capacidade para mais de
230KW e obras destinadas a exploração de recursos hídricos, assim
como barragens para fins energéticos, acima de 10MW, obras
destinadas ao saneamento ou irrigação, aquelas com objetivo de
retificação de cursos d’água, abertura de barras e embocaduras, além
de transposição de bacias e diques (BRASIL 1986). Ou seja,
atividades relacionadas à instalação de usinas hidrelétricas.
É de amplo conhecimento a relação entre a disponibilidade de
energia e o desenvolvimento econômico (COSTA et al., 2010). A
geração de energia através de hidrelétricas implica em inúmeros
impactos ambientais negativos como, por exemplo, a redução da área
com vegetação nativa, alterações dos cursos d’água, dentre outros.
Porém, ocasiona impactos positivos significativos tanto para a
economia nacional quanto local como, por exemplo, a geração de
empregos para a população, dinamização da economia, dentre
outros. Dada a importância que a construção de usinas hidrelétricas
tem para o desenvolvimento econômico desde nacional a local e,
levando-se em consideração as consequências dos impactos gerados
por esta, o presente trabalho visa apresentá-los e pretende-se que o
mesmo auxilie na redução das alterações ambientais adversas
causadas por esse tipo de empreendimento.
Importante ressaltar que para obtenção e análise dos dados foi
utilizado a proposta de Landes (2016), que consiste na utilização das
informações de estudos ambientais confeccionados para o
licenciamento dos empreendimentos, extraindo destes os impactos
ambientais previstos e, levando-se em consideração os seguintes
aspectos: a natureza (negativo ou positivo), a fase em que ocorrem
(planejamento, instalação e/ou operação) e qual o meio afetado
(biológico, físico e socioeconômico) (LANDES, 2016).
Os dados foram coletados por meio de Relatórios de Impactos
Ambientais (RIMA), que foram desenvolvidos como pré-requisito
para o licenciamento de hidrelétricas.
Foram utilizados nove Relatórios de Impactos Ambientais:
Relatório de Impacto Ambiental UHE Foz do Apiacás (Fevereiro
de 2010);
Relatório de Impacto Ambiental Usina Hidrelétrica São Manoel
(Julho de 2011);
Relatório de Impacto Ambiental Usina Hidrelétrica Sinop (Março
de 2010);
Relatório de Impacto Ambiental UHE Teles Pires (Setembro de
2010);
Relatório de Impacto Ambiental UHE Itaocara (Abril de 2011);
Relatório de Impacto Ambiental Aproveitamento Hidrelétrico
Colíder - 300 MW (Janeiro de 2009);
Relatório de Impacto Ambiental AHE São Luiz do Tapajós (2014)
Relatório de Impacto Ambiental Usina Hidrelétrica de Xingó
(1980)
Relatório de Impacto Ambiental UHE Mauá (Novembro de 2004)
A maioria dos relatórios analisados foram preparados para
empreendimentos que localizam-se na região Centro-Oeste, sendo
que três destes situam-se entre as regiões Norte e Centro-Oeste.
Assim, destaca-se que o fato da maioria destes empreendimentos se
situarem nesta região deve-se ao fato de ser a segunda maior região
em extensão territorial do país. Importante ressaltar, também, a
posição central desta região que faz fronteira com todas as outras
regiões do país, vantagem para a distribuição de energia elétrica ao
SIN - Sistema Nacional Interligado para todo o país.
Foram encontrados 103 impactos ambientais no total (Tabela 1). A
fase de implantação foi a que apresentou o maior número de
impactos ambientais, seguida da fase de operação e, com número de
impactos expressivamente menor, a fase de planejamento. Na fase de
planejamento apenas foram observados impactos sobre o meio
socioeconômico, enquanto que nas demais fases são causadas
alterações ambientais nos meios biótico, físico e socioeconômico. O
número total de impactos por meio ficou organizado da seguinte
maneira: 40 são socioeconômicos, 35 são no meio biótico e 28 são no
meio físico.
Tabela 1. Número de impactos ambientais nos componentes do meio ambiente e em cada
fase das usinas hidrelétricas no Brasil.
Meio
Fase do Empreendimento
Planejamento Implantação Operação
Físico - 15 13
Biótico - 19 16
Socioeconômico 10 14 16
Total 10 48 45
Da quantidade total de impactos contabilizados, dez são impactos
ambientais de natureza positiva, 92 são impactos ambientais de
natureza negativa e apenas um destes impactos foi caracterizado
com natureza tanto positiva quanto negativa. Nota-se que os
impactos positivosencontrados estão todos relacionados ao meio
socioeconômico, enquanto que os negativos estão distribuídos tanto
no meio socioeconômico quanto nos meios físicos e bióticos. É
importante destacar que a quantidade de impactos ambientais
negativos previstos nestes estudos revelam que as atividades
necessárias para a implantação efetiva e operação destes
empreendimentos exigem um minucioso planejamento e cuidados
elevados, haja vistas a grande quantidade de alterações adversas que
são causadas ao meio ambiente.
Fase de Planejamento
Nesta fase do empreendimento foram encontrados apenas impactos
ambientais relacionados ao meio socioeconômico (Quadro 1),
totalizando dez impactos conforme foi exposto na Tabela 1 acima.
Destes, três são de natureza positiva e seis de natureza negativa,
sendo apenas um classificado tanto em positiva quanto negativa. Em
relação aos benefícios do empreendimento, o mesmo irá favorecer a
geração de renda e postos de trabalho para a população tanto local
como regional.
Como observado, os impactos ambientais positivos estão
relacionados aos benefícios que deverão ser gerados pelo
empreendimento; além disso, desde o início da fase de planejamento
já se fazem sentir alguns impactos positivos na região do
empreendimento, como a contratação de pessoas para serviços de
apoio aos estudos e levantamentos de campo (CNEC, 2014). Ou seja,
há um aumento da geração de conhecimento técnico-científico da
área que ficará disponível, principalmente, para os órgãos e
governantes locais, bem como a quem interessar.
Alguns outros impactos ambientais previstos e que foram
classificados como de natureza negativa estão mais relacionados a
fase de implantação/instalação do empreendimento, como, por
exemplo, aumento populacional, aumento da ocupação irregular,
dentre outros. Nota-se que estes impactos já foram previstos e
citados nesta fase afim de possibilitar a tomada de medidas para
mitigar os efeitos desses.
Quadro 1. Impactos ambientais previstos, frequência e natureza no meio socioeconômico na
fase de planejamento de usinas hidrelétricas.
Impactos Frequência absoluta
Natureza
P N
Criação de expectativas 5 X X
Dinamização da economia 6 X
Geração de empregos 8 X
Impactos Frequência absoluta
Natureza
P N
Alteração no cotidiano 2 X
Aumento do conhecimento técnico- científico 2 X
Aumento populacional 6 X
Aumento do preço de terras e
imóveis
4 X
Aumento da prostituição 3 X
Aumento da ocorrência de doenças 7 X
Aumento da violência 2 X
Fase de Instalação
Na fase de implantação do empreendimento, ou seja, do início das
obras foram identificados um total de 48 impactos ambientais (vide
Tabela 1) distribuídos entre os meios físico (Quadro 2), biótico
(Quadro 3) e socioeconômico (Quadro 4). Desse total apenas quatro
são de natureza positiva, enquanto os outros 44 restantes são de
natureza negativa; conforme foi observado anteriormente, os
impactos ambientais positivos aqui previstos estão relacionados a
geração de postos de trabalho e consequente aumento da massa
salarial e dinamização da economia na região (PCE, 2010).
Com relação a esta fase do empreendimento, sabe-se que é nesta
em que ocorrem a maior parte dos impactos ambientais e de forma
mais expressiva. Alguns impactos ambientais foram previstos em
todos os estudos ambientais analisados, tais como:
No Meio Físico (Quadro 2): o impacto relacionado aos processos
erosivos, haja vistas as escavações realizadas para instalação do
empreendimento, ou seja, com a retirada da vegetação o solo fica
exposto e suscetível a erosão e aos movimentos de massas de terras; a
ocorrência de sismos, devido aos movimentos de massas de terras
necessários para as obras; intervenções e alterações em processos
minerários, tendo em vista as diversas escavações realizadas, e
algumas partes das obras relacionadas a explosão de rochas, em que
pode ser encontrado importantes fontes para exploração de
minérios; alteração na qualidade das águas, pois durante a
construção do empreendimento podem ser gerados diversos tipos de
poluentes, além da produção de resíduos, líquidos (óleos e graxas) e
efluentes que podem escoar e contaminar as águas; deposição de
sedimentos (assoreamento) de rios e reservatórios, que segundo o
PCE (2010) “a exposição do solo pelo corte da vegetação produz
sedimentos (areia e argila) que podem ser levados para os rios pelas
chuvas”.
Os ecossistemas aquáticos são impactados expressivamente por
variadas atividades antrópicas, das quais pode-se destacar a
implantação de barragens e os desvios de cursos d’água, mas também
são bastante importantes o lançamento de efluentes líquidos
residenciais e industriais, os empreendimentos de mineração, a
exploração exacerbada de recursos pesqueiros e a supressão da
vegetação nativa nas margens de rios e lagos (GOULART;
CALLISTO, 2003).
Alguns estudos classificam o impacto da alteração na qualidade
da água como sendo no meio biótico, e outros como meio físico.
Diante dessas diferenças, é importante explicitar que alguns
impactos podem ocasionar outros. Como exemplo, pode-se citar a
redução de cobertura vegetal, que é um impacto de primeira ordem e
atinge o meio biótico, tendo como consequência a alteração da
qualidade da água, caracterizado como impacto indireto que atinge o
meio físico. Sobre isso, com a retirada da vegetação de alguns locais
é normal que ocorram deslizamentos de terra e erosões, que serão
arrastadas para dentro dos rios ou para os reservatórios, mudando a
qualidade das águas desses locais. Além disso, pode ocorrer uma
contaminação de aquíferos e lençóis freáticos, já que dada as
escavações e exposições do solo, torna esses ambientes vulneráveis
ao carreamento de contaminantes pela chuva. Kemerich et al. (2014)
explica que o escoamento superficial é influenciado pelas
propriedades hidráulicas do solo, material de origem e condições de
compactação, solos com maiores condições de compactação
apresentam maiores taxas de escoamento. A partir disso é possível
perceber que o solo possui uma capacidade limite, onde nem toda a
água que cai na forma de chuva consegue infiltrar.
Como consequência das atividades necessárias a implantação
desse tipo de empreendimento, segundo Inatomi & Udaeta (2005)
mudanças na hidrologia do terreno podem ocasionar a alteração do
fluxo de corrente, alteração de vazão, alargamento do leito, aumento
da profundidade, elevação do nível do lençol freático, mudança de
lótico para lêntico e geração de pântanos. De modo geral, o
enchimento do reservatório vai promover mudanças nas
comunidades de plâncton e do fundo dos rios e a modificação da
comunidade de peixes. Pode haver desaparecimento local de algumas
espécies, como costuma acontecer em empreendimentos dessa
natureza. Esse impacto é mais relevante quando se consideram as
espécies endêmicas e ameaçadas, ou quando não existem habitats
disponíveis e adequados (CNEC, 2014).
As alterações ocasionadas em um rio, incluindo as derivadas de
obras de engenharia, tem o potencial de provocar instabilidade ao
sistema fluvial, com as variações observadas nas suas características
e também na estrutura de suas margens tendo o potencial para
influenciar negativamente os recursos naturais e a diversidade
biológica (MANYARI, 2007).
Quanto à geração de ruído e vibração de solos, estes impactos,
temporários, deverão ser sentidos e ocorrerão mais no início das
obras devido ao movimento de terra, ao tráfego de veículos e
equipamentos pesados. Estas atividades poderão ainda prejudicar a
qualidade do ar, já que causará o levantamento de poeira. Estes
impactos deverão ser sentidos perto do canteiro de obras e poderão
incomodar as pessoas que estejam nas proximidades, e ainda
ocasionar o afugentamento dos animais (EPE, 2011).
Quadro 2. Impactos ambientais previstos, frequência e natureza no meio físico na fase de
instalação de usinas hidrelétricas.
Impactos Frequência absoluta
Natureza
P N
Interferência com Patrimônio
Paleontológico
8 X
Início e/ou aceleração de processos
erosivos
9 X
Alteração da dinâmica fluvial 5 XInterferências na dinâmica do
aquífero e lençóis freáticos
6 X
Alterações Microclimáticas 7 X
Interferência em atividades e
processos minerários
9 X
Alterações florísticas e Fisionômicas* 5 X
Geração de ruído 4 X
Alteração da paisagem 7 X
Impactos Frequência absoluta
Natureza
P N
Alteração na qualidade das águas 9 X
Deposição de sedimentos
(assoreamento) de rios e reservatórios
9 X
Pressão sobre a capacidade de
armazenamento de resíduos
2 X
Alteração na qualidade da água 8
Alteração na qualidade do ar 4 X
*Pode ser entendido como um impacto no meio biológico.
No meio biótico observou-se a perda de vegetação nativa, com a
supressão da vegetação ocorrendo para dar abertura a instalação de
diversas estruturas, sejam elas permanentes ou temporárias (Quadro
3), o que implicará também na redução da riqueza e abundancia de
espécies da fauna (EPE, 2010). Também provoca a alteração da
qualidade das águas e mudanças nos ecossistemas aquáticas.
Ressalta-se que estudos ambientais podem indicar a alteração da
qualidade das águas como um impacto no meio biótico, já que a
alteração das características da água influencia as comunidades
biológicas, podendo inclusive se observar a proliferação de espécies
de algas e de caramujos e a mortandade de peixes, porém esses
impactos sobre a biodiversidade tratam-se de impactos indiretos
provocados pelo impacto direto alteração da qualidade das águas,
sendo esse último uma alteração do meio físico (PCE, 2010).
Dentre os impactos mais significativos está a perda da vegetação
nativa, que se dará devido a execução de atividades tais como:
construção de estradas, residências para os trabalhadores, pátios,
canteiros de obras, linhas de transmissão e outros. Assim, haverá
desmatamento dessas áreas, além de cortes e aterros que serão
realizados para exploração de áreas de empréstimo e jazidas de areia.
Ou seja, já que para instalar as estruturas necessárias, mesmo que
permanentes ou temporárias, é necessário dar abertura em um
campo aonde haverá alteração das características e redução da
diversidade florística, o que ocasiona numa maior pressão antrópica
sobre a fauna e flora, consequentemente, causando interferências,
alterações das comunidades e diversidade, bem como reduzindo o
número de espécies. Segundo Goulart & Callisto (2003) “o
crescimento das cidades nas últimas décadas tem sido responsável
pelo aumento da pressão das atividades antrópicas sobre os recursos
naturais. Em todo o planeta, praticamente não existe um ecossistema
que não tenha sofrido influência direta e/ou indireta do homem,
como por exemplo, contaminação dos ambientes aquáticos,
desmatamentos, contaminação de lençol freático e introdução de
espécies exóticas, resultando na diminuição da diversidade de
hábitats e perda da biodiversidade”.
Nota-se também que diante desses impactos, ocorrem outros em
consequência, como a eliminação de habitats e a perda de
conectividade entre estes. A exemplo disto, o PCE (2010) expõe que
“a criação do reservatório acarretará a perda de muitos locais que os
animais usam para repousar, se alimentar ou para se acasalar, como
os pedrais na beira de rios, praias de areia e tocas na margem. Além
disso, grandes porções de floresta, que antes eram unidas, passarão a
ser separadas pelo lago, não permitindo a passagem dos animais de
um lado para o outro. Dessa forma, sua reprodução ficará dificultada.
Esses fatores poderão levar a uma redução na população desses
animais, sendo que alguns sofrerão mais essas mudanças que outros”.
Ainda com relação a isto, importante destacar o desmatamento
que ocorrerá nas áreas de APP, bem como em áreas de matas ciliares
e também as áreas que serão alagadas para formação do reservatório.
O EPE (2011) destaca que “o enchimento da represa e a melhoria das
vias de acesso locais poderão favorecer a atração de pessoas
interessadas em explorar a represa para lazer, pesca, navegação e
outras atividades. Essas atividades podem provocar o desmatamento
nas áreas protegidas próximas à represa, tanto pela instalação de
infraestruturas de lazer, por exemplo, como pela exploração irregular
para agricultura e pecuária”. O CNEC (2014) dita que “o rápido
desaparecimento de áreas de floresta na área do reservatório deve
provocar o deslocamento da fauna silvestre para outras áreas.
Animais que vêm das áreas alteradas ou suprimidas passam a
disputar alimento e outros recursos com aqueles residentes na área
ainda preservada. Embora as áreas que receberão estes animais
sejam bem maiores que as áreas afetadas, essa disputa por alimentos
e espaço tende a gerar instabilidades na comunidade da fauna, com
possíveis perdas de animais e diminuição das populações”. Com a
criação da represa, ou seja, da formação do reservatório, é raro, mas
pode haver um aumento no criadouro de mosquitos, isto é,
dependente da qualidade das águas.
Segundo Agostinho et al. (1992) expressivas mudanças nas
comunidades biológicas ocorrem a partir dos represamentos de
cursos d’água, em função das permanente e significativa alteração na
dinâmica da água. Assim, dentre os impactos que também são
expressivos na maioria das construções de usinas hidrelétricas estão
os que ocorrem sobre a ictiofauna, ou seja, sobre a diversidade,
composição de espécies e quantidade de peixes existentes nos rios.
Com a construção das barragens ocorrerá a interferência nas rotas
migratórias dos peixes, já que levará ao isolamento destes tanto a
montante quanto a jusante da barragem, consequentemente,
atrapalhando sua forma de reprodução. Os impactos sobre esses
podem ser tanto negativos como positivos, dependendo das espécies,
já que algumas espécies podem se beneficiar do novo ambiente para
abrigo, reprodução e alimentação, enquanto outras espécies serão
prejudicadas nestes mesmos aspectos, pois conforme foi dito, pode
haver disputa entre espécies para apropriação do local. Ainda, a
partir da formação da represa pode ocorrer diminuição dos níveis de
oxigênio da água o que pode afetar na vida das espécies aquáticas.
Importante ressaltar que pode haver um aumento da atividade de
pesca nesses reservatórios, o que acarreta mudanças na quantidade
de espécies de peixes, porém é de benefício para a população que
depende economicamente desta atividade. Conforme o CNEC (2014):
“Com a formação do reservatório serão observados efeitos sobre a ictiofauna
que refletirão nas atividades de pesca, importantes fontes de renda e de
subsistência para a população local e regional.”
 
Quadro 3. Impactos ambientais previstos, frequência e natureza no meio biótico na fase de
instalação de usinas hidrelétricas.
Impactos Frequência
absoluta
Natureza
P N
Alteração nas características da vegetação, incluindo
a diversidade
6 X
Aumento da pressão antrópica
sobre a vegetação
3 X
Perda de vegetação nativa 9 X
Alteração do número de animais 7 X
Alteração de comunidades aquáticas 4 X
Alteração da comunidade de peixes 6 X
Interferência em rotas migratórias de peixes 7 X
Impactos Frequência
absoluta
Natureza
P N
Alteração da quantidade de peixes 6 X
Aumento da pesca 4 X
Perda de habitat para os animais 6 X
Aumento de criadouro de
mosquitos
8 X
Desmatamento e ocupação de APP 2 X
Atração de animais 4 X
Redução de oxigênio na água* 4 X
Aumento da quantidade de plantas aquáticas -
macrófitas
4 X
Alteração da vegetação na margem do reservatório 4 X
Aumento da vulnerabilidade de contaminação dos
aquíferos*
3 X
Alteração das comunidades planctônicas e bentônicas 2 X
*Podem ser entendidos como impactos no meio físico.
No Meio Socioeconômico (Quadro 4): aumento da arrecadação
municipal, já que os municípios atingidos pelo empreendimento
receberão a compensação financeira pela utilização dos recursos
hídricos para a geração de energia (EPE, 2011); aumento do fluxo
migratório, tendo em vista a construção de um novo
empreendimento em que as pessoas são atraídas pela geração de
emprego tanto de forma direta quanto indireta. A compensação
financeira realizada por utilizar ou degradar componentes do meioambiente pode ser entendida como um instrumento econômico de
gestão, em que os responsáveis pela usina realizam a compensação
pelas externalidades provocadas pelo empreendimento (SILVA, 2007).
Assim, com a instituição do pagamento pelo uso do recurso e com
a destinação de parte da receita arrecadada para os municípios
atingidos, espera-se que os mesmos utilizem isto como forma de
minimizar os impactos ambientais negativos gerados pelo
empreendimento.
Quanto ao aumento do fluxo migratório que ocorre devido,
principalmente, a atração por emprego o município deve estar
preparado para tal impacto. Conforme o CNEC (2014), com a vinda
de novas pessoas, aumentará a demanda por equipamentos de saúde,
escolas, habitação, podendo ocorrer uma ocupação desordenada da
região e sobrecarregar os sistemas de infraestrutura urbana e
ambiental. Assim, gerará maior demanda por moradias, o que
acarretará no aumento dos valores dos imóveis, alimentos e serviços
em geral. Áreas com alto adensamento de moradias de população de
baixa renda e restrito acesso aos serviços públicos, situação em que o
saneamento básico é precário, podem apresentar ecossistemas
aquáticos severamente poluídos por esgoto e resíduos sólidos, tendo
considerável potencial para ocasionar inúmeras doenças na
população (Goulart & Callisto 2003.
Por outro lado, com a chegada de um novo contingente
populacional, haverá uma dinamização da economia devido a relação
oferta-demanda por mercadorias e serviços o que eleva a renda da
população (CNEC, 2014). Importante destacar três problemas que
poderão advir dessa chegada de um novo contingente populacional,
que é o aumento da prostituição, o aumento da disseminação de
doenças, bem como o aumento de violência.
A pressão exercida sobre os serviços públicos apresenta
consequências expressivas principalmente em comunidades que
possuem restrita infraestrutura ligada a tais serviços. Ainda
relacionado a isto, a maioria dos estudos ambientais classifica o
aumento do fluxo migratório como impacto negativo de alta
magnitude, porém o CNEC (2014) indica que este impacto também
pode ser classificado como positivo pelo aumento da demanda por
serviços de hotelaria, abastecimento e comércio, que proporcionará
um aumento na demanda por bens e serviços que devem e poderão
ser fornecidos pela população local, ou seja, gerando oportunidades e
impulsionando a economia local.
Ainda nesta fase do empreendimento, é importante destacar a
questão da remoção, realocação de populações das áreas aonde
ocorrerão intervenções por parte do empreendimento. Assim, para
que possa ser construída toda a infraestrutura de apoio e as
estruturas principais de usinas hidrelétricas (estradas, canteiros de
obras, alojamentos, postos de combustíveis, linhas de transmissão,
barragens, vertedouros, casas de força, entre outros), bem como para
que se possa liberar as áreas onde serão formados os reservatórios,
muitos moradores terão que deixar suas casas e locais de trabalho
(Leme 2009).
Conforme o CNEC (2014) “a mudança da população, em função da
perda das suas terras e benfeitorias, poderá afetar as relações e
vínculos sociais, e causar a perda de referências. Entre os ribeirinhos,
em particular, a rede de relações sociais se estabelece também a
partir de sua dependência ao rio, em torno de afinidades e
reciprocidades construídas ao longo dos anos, como a amizade, o
parentesco e a vizinhança. Também contribui para essa rede de
relações, as atividades produtivas como os plantios e a criação de
animais. Assim, a mudança implica em alterações de referências
sociais, culturais, espaciais e, em certos casos, econômicas,
resultando em alterações nos modos de vida de cada indivíduo
afetado”. Os impactos incluem a dispersão de grupos familiares,
perda de bens culturais e religiosos, desestruturação das relações
sociais, inundação de locais relevantes para os grupos sociais locais
(VAINER, 2008).
Quadro 4. Impactos ambientais previstos, frequência e natureza no meio socioeconômico na
fase de instalação de usinas hidrelétricas.
Impactos Frequência
absoluta
Natureza
P N
Dinamização e aumento da economia local 6 X
Alteração na infraestrutura viária 7 X
Perda de terras e benfeitorias 5 X
Alteração de uso e ocupação de solo 5 X
Interferências com Patrimônio Histórico, Cultural e
Paisagístico
8 X
Interferências com Patrimônio
Arqueológico
8 X
Aumento da arrecadação municipal 9 X
Pressão e Aumento da procura por
serviços públicos
8 X
Aumento da massa salarial 8 X
Aumento do fluxo migratório 9 X
Aumento de ocupação irregular 2 X
Geração de emprego e renda 8 X
Impactos Frequência
absoluta
Natureza
P N
Aumento do risco de acidentes de
trabalho e transito
5 X
Pressão sobre os recursos naturais 2 X
Quanto ao impacto ambiental Interferência no Patrimônio
Arqueológico um dos estudos o colocou como impacto afetando o
meio físico, o PCE (2010) que explica que “a intervenção direta nos
solos e rochas pode levar a descoberta de vestígios fósseis ou
provocar alguma interferência com eles”, enquanto todos os outros o
classificam como impacto no meio socioeconômico. Durante a
realização de atividades tais como escavações e terraplenagens,
implantação de infraestruturas, inundação de algumas áreas para
formação de represa é comum se deparar com sítios arqueológicos.
Assim, faz-se necessário que haja um estudo da área que contemple a
prospecção (buscas) para identificar os vestígios arqueológicos, que
serão objeto de resgate e permite ampliar o conhecimento sobre a
história da região (EPE, 2011). Diante das intervenções a serem
realizadas para a construção do empreendimento pode haver
danificação ou perda dessas estruturas, o que significa um impacto
negativo e perda irreparável desse patrimônio.
No estudo do PCE (2010), no THEMAG (2010) e JGP (2009)
classificaram o impacto Alteração da Paisagem como sendo no meio
socioeconômico, a justificativa é devido a construção de obras
durante a fase de instalação do empreendimento bem como na sua
fase de operação, enquanto os outros o colocam como impacto do
meio físico.
Fase de Operação
Nesta fase final do empreendimento foram identificados um total de
45 impactos ambientais (vide Tabela 1) distribuídos entre os meios
físico (Quadro 5), biótico (Quadro 6) e socioeconômico (Quadro 7).
Desse total apenas três são de natureza positiva, enquanto os outros
42 restantes são de natureza negativa. Conforme observado
anteriormente, vide fase de instalação, os impactos positivos estão
sempre associados ao meio socioeconômico, com vistas a
dinamização da economia local.
Ainda, conforme observado na fase anterior, a maioria dos
impactos que ocorrerão aqui nesta fase serão semelhantes e alguns
sentidos de forma mais branda e temporários, dado o final das
grandes obras, enquanto outros serão sentidos mais expressivamente
e permanentemente.
Nota-se que os impactos: ocorrência de processos erosivos,
alterações da qualidade das águas, deposição de sedimentos,
alteração da paisagem, alterações de fauna e flora estão intra-
relacionados entre si, no qual um impacto acarreta ou interfere sobre
o outro.
Diante disso, impactos como a interferência em processos
erosivos e a instabilização de encostas marginais do reservatório são
mais expressivos nesta fase do empreendimento, dado que é nesta
etapa que ocorre a formação da represa, após o empreendimento
receber por parte do órgão ambiental competente a licença pra
operar. Conforme Leme (2009) “ quando a construção acabar, se
estiver tudo em ordem com os compromissos assumidos pelo
empreendedor, o órgão ambiental fornece a Licença de Operação,
chamada de LO. Com a LO já é possível encher o reservatório. Com o
reservatório cheio, a usina começa a funcionar, produzindo energia.
A LO é renovada de tempos em tempos pelo órgão ambiental”.
As usinas hidrelétricas causam muitas alterações na natureza,
além de interferirem direta e indiretamente na vida das pessoas,
principalmente nas que residem na área que será alagada pelo
reservatório da usina. Os efeitos das hidrelétricassão variados e
alteram expressivamente o território, ocorrendo a reestruturação do
território, devendo ser realizados estudos sobre a modificação da
paisagem preexistente, principalmente nos locais habitados pela
população (BUIATTI CRUZ; DE PAULO DA SILVA, 2010).
Ou seja, nesta fase do empreendimento um impacto que também
é sentido expressivamente é a alteração da paisagem dada a
construção do empreendimento. Esse pode ser considerado como
sendo um impacto negativo e também irreversível provocado pelas
hidrelétricas.
É importante destacar as alterações que ocorrem na dinâmica
fluvial, dado que para efetivar alguns dos empreendimentos que
estão sendo analisados é necessário que se faça a transposição do rio
e o próprio barramento do rio já altera a dinâmica de escoamento
hidráulico. As mudanças da dinâmica fluvial influenciam na
composição de espécies de organismos aquáticos (MANYARI, 2007),
assim podem ocorrer alterações expressivas nas comunidades
biológicas devido a transposição e o barramento de rios.
Ainda nesta fase é exposto pelos estudos ambientais as alterações
climáticas que ocorrem, mesmo sendo esse impacto negativo de
baixa importância, já que não é possível notar estas alterações de
modo expressivo. Segundo o PCE (2010) “haverá alterações no ciclo
da água e no microclima local, sendo que a alteração mais marcante e
permanente no ambiente atmosférico se dará a partir do enchimento
do reservatório”.
Quadro 5. Impactos ambientais previstos, frequência e natureza no meio físico na fase de
operação de usinas hidrelétricas.
Meio Afetado Frequência
absoluta
Natureza
P NMeio Afetado Frequência
absoluta
Natureza
P N
Aceleração de processos erosivos 9 X
Instabilização de encostas
marginais do reservatório
6 X
Alteração na dinâmica fluvial 5 X
Interferências na dinâmica de aquíferos 6 X
Ocorrência de sismos 9 X
Alterações Microclimáticas 7 X
Alterações Florísticas e Fisionômicas* 5 X
Alteração da paisagem 7 X
Alteração na qualidade dos solos 6 X
Alteração na qualidade do ar 4 X
Alteração nos níveis de pressão sonora 4 X
Assoreamento de rios e
reservatórios
9 X
Vulnerabilidade de contaminação de aquíferos e
lençóis freáticos
6 X
*Pode ser entendido como um impacto no meio biológico.
Sobre os impactos de alteração do ecossistema aquático e na
qualidade da água, de acordo com Santos (2006) apud Guena (2007) a
importância da retirada do material, no caso a vegetação que será
coberta pelo lago, é devido a decomposição anaeróbica do material
orgânico que ocorrerá gerando, principalmente, a emissão de gases
tais como metano (CH4) e nitrogênio (N2), secundariamente do
dióxido de carbono (CO2), já que sabe-se que estes gases são os
principais responsáveis pelo efeito estufa.
Com relação ao aumento na quantidade de macrófitas aquáticas,
isto se dá, também, devido as alterações de qualidade da água, já que
conforme o EPE (2011) “nos primeiros meses após a formação da
represa, a decomposição da matéria orgânica alagada liberará na
água nitrogênio e fósforo, os principais elementos que estimulam o
crescimento de plantas aquáticas. Os efeitos desse impacto serão
sentidos por até 2 anos, nas margens dos pequenos afluentes, onde
será necessário um tempo maior para a renovação da água,
comparado ao corpo principal da represa”.
Durante a fase de operação, as características da água do
reservatório afetarão a reprodução dos peixes, incluindo a predação
dos alevinos, mas é esperado que ocorra a sobrevivência de parte dos
ovos e alevinos (CNEC, 2014).
Quadro 6. Impactos ambientais previstos, frequência e natureza no meio biótico na fase de
operação de usinas hidrelétricas.
Meio Afetado Frequência absoluta
Natureza
P N
Aumento da pressão antrópica
sobre a flora
3 X
Alteração da diversidade da flora 6 X
Meio Afetado Frequência absoluta
Natureza
P N
Perda de vegetação nativa 9 X
Mudança na estrutura das
comunidades faunísticas
6 X
Eliminação de habitats 6 X
Perda de conectividade entre
habitats
2 X
Alteração no ecossistema aquático 4 X
Alteração na qualidade da água* 9 X
Aumento de vetores transmissores de doenças 7 X
Alteração na rota migratória dos
peixes
7 X
Alteração na comunidade de peixes 6 X
Aumento da pressão antrópica
sobre a fauna
4 X
Aumento na quantidade de
macrófitas aquáticas
4 X
Alteração das comunidades
planctônicas e bentônicas
2 X
Aumento do risco de atropelamento 2 X
Afugentamento de fauna 2 X
*geralmente é considerado um impacto no meio físico.
Assim como na fase de implantação nesta fase ainda haverá oferta
de empregos, aumento da renda populacional e da massa salarial,
bem como ainda ocorrerá o fluxo migratório nas proximidades do
local devido a instalação efetiva do empreendimento. Também
continuará tendo a arrecadação dos impostos pelo município, com
consequente aumento deste. Conforme o EPE (2010) “o fato gerador
desse impacto positivo é o processo construtivo do empreendimento,
que necessita de grande número de trabalhadores diretos, assim
como a execução de diferentes serviços de apoio ou para a obtenção
de insumos necessários para as obras. Além disso, o grande aumento
da massa monetária circulante – resultado do pagamento de salários
e serviços diversos, intensificam fortemente a animação econômica
no âmbito regional”.
Este tipo de empreendimento realiza também alterações tais
como na estrutura viária da região, já que realizam a abertura de
acessos para circulação de materiais e tráfego de veículos necessários
tanto na construção quanto na manutenção nesta fase de operação da
usina hidrelétrica. Diante disso, ocorrem impactos positivos tais
como melhoria e até abertura de novas estradas de acesso para
circulação de bens e serviços, livre comércio e a população no geral.
Conforme Leme (2009) “a abertura de novas estradas, ou mesmo a
abertura de novos acessos até os locais onde estarão sendo
construídas as obras, melhorarão as condições de acesso na região.
Em consequência disso ocorrerão outros impactos positivos, como
facilidade no transporte de mercadorias que atendem à população,
aumento na venda de produtos e mais facilidade de acesso aos
serviços públicos”.
Quando as usinas hidrelétricas iniciam a geração de energia
elétrica, a necessidade maior do empreendimento é apenas a
manutenção dos recursos que precisa. Assim, as consequências
relacionadas a este fato são a redução dos empregos e da demanda
por bens e serviços, já que segundo o EPE (2010) este impacto
“ocorrerá com desmobilização da mão de obra e desmontagem do
canteiro e alojamento, que propiciarão reflexos no mercado de
trabalho e na animação econômica devido à diminuição acentuada na
demanda de produtos e serviços urbanos”, bem como o EPE (2011)
expressa que haverá redução das atividades econômicas dado que
“ocorrerá aos poucos e seu pico será quando a obra estiver
terminando e os empregados forem demitidos ou deslocados para
obras em outros locais. Com a desmobilização da mão de obra haverá
diminuição acentuada na demanda de produtos e serviços urbanos,
causando impacto na economia dos municípios envolvidos”.
Nesta fase o mais importante é ressaltar o maior dos impactos
positivos e o de maior magnitude que é a geração e aumento da
disponibilidade de energia elétrica, tanto local como na quantidade a
ser disponibilizada para o Sistema Interligado Nacional (SIN).
Com o aumento de energia haverá contribuição para que as usinas
como as termelétricas que são movidas a óleo diesel sejam menos
utilizadas, reduzindo assim a poluição do ar causada por essas. Isso é
importante, já que a poluição causada por esse tipo de usina
prejudica a saúde humana, bem como os gases gerados na queima do
óleo diesel contribuem para o chamado efeito estufa, o que causa
alterações no clima do Planeta. Este impacto ocorrerá na fase de
operação da UHE, a partir da geração de energia elétrica e de sua
interligação ao SIN, após a construção da linha de transmissão que
ligará as subestações à Rede Básica (PCE, 2010).
Quadro 7. Impactos ambientais previstos, frequência e natureza nomeio socioeconômico na
fase de operação de usinas hidrelétricas.
Meio Afetado Frequência
absoluta
Natureza
P N
Dinamização da economia 6 X
Meio Afetado Frequência
absoluta
Natureza
P N
Alteração no cotidiano da
população
2 X
Alteração no uso e ocupação de solo 5 X
Aumento da arrecadação municipal 9 X
Redução das atividades econômicas 5 X
Alteração da dinâmica demográfica 9 X
Aumento da violência 2 X
Pressão sobre os recursos naturais (ictiofauna, fauna,
flora e bens minerais)
2 X
Pressão sobre as Unidades de Conservação 2 X
Geração e Aumento na
disponibilidade de energia elétrica
4 X
Aumento de doenças 7 X
Aumento da prostituição 3 X
Redução de empregos 3 X
Alteração do sistema viário 7 X
Aumento da ocupação irregular 2 X
Aumento do risco de acidentes de trabalho e transito 5 X
Importante destacar que o setor energético é fundamental para o
desenvolvimento socioeconômico, e devido a sua ligação com a
esfera ambiental, possui papel central no progresso do
desenvolvimento sustentável. Chama-se atenção para o fato de que a
energia proveniente de hidrelétricas é a forma de energia mais barata
e mais abundante no Brasil, e prioritária no abastecimento do
mercado. Recomenda-se que, mesmo diante dos impactos ambientais
diversos causados por este tipo de empreendimento, existam cada
vez mais políticas de incentivos a eficiência energética com maior
participação de fontes renováveis na matriz energética do país,
principalmente a construção de hidrelétricas, dado o forte potencial
hídrico nacional e ao considerá-la uma fonte mais barata e uma
forma de geração de energia “mais limpa”.
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file:///tmp/calibre_4.99.4_tmp__2z1n_4t/vvfr042d_pdf_out/OEBPS/Text/Cap07.xhtml
8
MINERAÇÃO À CÉU ABERTO
Nathalia Priori Pinto, Olga Venimar de Oliveira Gomes & Fábio Souto de Almeida
Um fator primordial para o desenvolvimento de civilizações é o correto uso
dos bens minerais, proporcionando qualidade de vida (MPGEO, 2016). O
Brasil é o quinto maior país do mundo em extensão territorial, sendo o sexto
maior extrator de minérios (MAIA, 2013). É um dos países com maior
potencial em recursos minerais, possuindo 55 tipos de minerais explorados
(SIMINERAL, 2018). O solo brasileiro possui importantes depósitos
minerais, sendo o ferro o principal minério extraído no país, além da bauxita,
cobre, cromo, ouro, estanho, níquel, manganês, zinco, potássio, nióbio, entre
outros (SIMINERAL 2018). A mineração,caso seja realizada com os devidos
cuidados ambientais, influencia de forma positiva o bem estar das presentes
e futuras gerações, sendo reconhecida internacionalmente como atividade
impulsionadora do desenvolvimento social e econômico, garantindo um
mercado aquecido, com a oferta de empregos, renda e qualidade de vida aos
cidadãos (SIMINERAL 2018, PINTO 2006 apud MELO; CARVALHO, 2007).
A mineração a céu aberto é bastante utilizada em todo o mundo e pode
ser realizada por pequenas raspagens da superfície do terreno, mas também
com escavações de elevada dimensão, tanto em profundidade quanto em área
do terreno, podendo alcançar até mesmo centenas de quilômetros quadrados
em termos de superfície ocupada pela lavra (FERREIRA, 2013). Segundo
Girodo (2005) apud Ferreira (2013) a lavra a céu aberto pode ser utilizada para
a extração de vários minerais, incluindo metálicos, não metálicos e rochas.
É notório que a mineração é de suma importância para o desenvolvimento
das sociedades, porém causa prejuízos ao meio ambiente, sendo necessário
ser exercida dentro da legalidade e com os devidos cuidados (ARAUJO;
FILHO, 2013), minimizando o desequilíbrio ambiental (SILVA, 2007; SILVA;
ANDRADE, 2017). Considerando os relevantes impactos dessa atividade no
Brasil, a Avaliação de Impacto Ambiental é um dos instrumentos da Política
Nacional do Meio Ambiente (PNMA) que proporciona o conhecimento dos
empreendimentos de mineração e a sua viabilidade ambiental, através do
Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e do Relatório de Impacto Ambiental
(RIMA) (MODA, 2014). Tais estudos são utilizados para licenciar
empreendimentos que têm potencial para ocasionar significativa degradação
ambiental, assim como os de mineração (BRASIL, 1986; SANCHÉZ, 2013;
ALMEIDA et al., 2017).
Na Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente No 1 de 1986, em seu artigo 2º,
observa a seguinte posição:
“Dependerá de elaboração de estudo de impacto ambiental e respectivo relatório de
impacto ambiental – RIMA, a serem submetidos à aprovação do órgão estadual
competente, e do IBAMA em caráter supletivo o licenciamento de atividades
modificadoras do meio ambiente, tais como.”
“IX - Extração de minério, inclusive os da classe II, definidas no Código de Mineração”
(BRASIL, 1986).
O EIA revela-se como um dos mais importantes instrumentos de proteção
do meio ambiente, sendo útil para o planejamento ambiental e para a
mitigação de alterações ambientais adversas (MODA, 2014). No entanto,
existem poucas literaturas que abordam os impactos ambientais mais
frequentes decorrentes da mineração, discutindo estratégias para reduzir os
impactos negativos ou minimizar suas magnitudes. Com isso, este trabalho
irá nortear a confecção de futuros EIAs para uma efetiva listagem dos
impactos para o licenciamento desses empreendimentos, além de colaborar
para reduzir os seus efeitos ambientais negativos.
Na fase de implantação dos empreendimentos de mineração geralmente
ocorre à aquisição de material e equipamentos para a extração mineral,
assim como a sua instalação, é necessário à contratação de mão de obra, a
abertura de vias de acesso e a remoção da vegetação nas áreas onde serão
instaladas as estruturas para a extração, o beneficiamento e a disposição do
minério (MELO; CARVALHO, 2007). O início da fase de operação é marcado
pelo início da extração do minério.
No presente capítulo, os impactos ambientais da mineração e as medidas
mitigadoras e compensatórias sugeridas foram coletadas dos estudos
ambientais analisados e também de outras bibliografias referentes ao tema.
No caso de uma alteração ambiental ser negativa, deve ser indicada uma
medida mitigadora para a redução de seus efeitos (RIO DE JANEIRO, 1997;
PENNO, 2010). Caso a magnitude do impacto negativo não possa ser
reduzida, deve-se adotar medidas compensatórias. Também podem ser
sugeridas ações maximizadoras para os impactos que causem a melhoria das
condições do meio ambiente.
Os dados utilizados no presente estudo foram coletados de quatro EIAs e
três RIMAs de empreendimentos de mineração a céu aberto no Brasil,
adotando-se a metodologia de Landes (2016) . A referida metodologia
consiste em retirar de cada EIA ou Rima os impactos ambientais previstos
em cada fase do empreendimento (planejamento, implantação ou operação),
por meio afetado, além de analisar a sua natureza e magnitude. Foram
utilizados os seguintes estudos ambientais:
• Relatório de Impacto Ambiental Belo Sun Mineração LTDA – Extração
de Ouro, Senador José Porfírio – PA (Região Norte) Projeto Volta Grande
(RIMA BELO SUN, 2012);
• Estudo de Impacto Ambiental Lavrar Mineração – LTDA - Lavra de
Ardósia, Fazenda Funil, Papagaio-MG (Região Sudeste) (EIA LAVRAR, 2009);
• Estudo de Impacto Ambiental Mineração Jundu LTDA – Lavra de Areia
Quartzosa, Analândia e Corumbataí – SP (Região Sudeste), Volume I (EIA
JUNDU, 2009);
• Estudo de Impacto Ambiental Ilhéus Mineradora – Exploração de Areia
a Céu Aberto, Fazenda Santa Luzia, Ilhéus – BA (Região Nordeste) (EIA
ILHÉUS MINERADORA, 2012);
• Estudo de Impacto Ambiental Morro do Pilar Minerais S.A – Extração
de Minério de Ferro, Morro do Pilar MG (Região Sudeste), Volume VII -
Avaliação de Impactos Ambientais (EIA MOPI, 2012);
• Relatório de Impacto Ambiental Carbonífera Siderópolis – Projeto de
Lavra a Céu aberto, Carvão Barro Branco – Mina Santana, Localidade de
Santana, Município de Urussanga/SC (Região Sul) (RIMA MINA SANTANA,
2015);
• Relatório de Impacto Ambiental Litominas – Projeto de Extração de
Rocha Calcária na Localidade de São Geraldo, Tabuleiro do Norte – CE
(Região Nordeste) (RIMA TABULEIRO, 2009).
Atualmente cerca de 4% do PIB corresponde à indústria mineral
brasileira, sendo de grande relevância para a economia do país (MME, 2017).
Os recursos minerais envolvem uma produção de 72 substâncias minerais,
das quais 23 são metálicas, 45 não metálicas e 4 energéticas. São 1.820 lavras
garimpeiras; 830 complexos de água mineral; e 13.250 licenciamentos
(IBRAM, 2015).
O Brasil possui depósitos minerais de grande valor, sendo esta atividade
de grande relevância para o desenvolvimento do país, pois sua produção
alcançou US$ 25 bilhões no ano de 2016 e as exportações de bens minerais
atingiram US$ 17,4 bilhões, representando cerca de 9,4% do total das
exportações nacionais (MME, 2017).
A indústria de mineração é principalmente composta por micro e
pequenas empresa, o número de empresas mineradoras no país, apurado
pelo DNPM em 2013 é de 8.870, divididas pelas seguintes regiões: Centro-
Oeste (1.075 empresas); Nordeste (1.606 empresas); Norte (515 empresas);
Sudeste (3.609 empresas); Sul (2.065 empresas) (IBRAM, 2015).
Sendo assim, a indústria mineral abrange uma ampla gama de bens
minerais gerados em mais de 8.400 minas em atividade, responsáveis pela
produção de cerca de 200 mil empregos diretos e treze indiretos para cada
direto (MME, 2017).
Conforme observado, a maioria dos estudos ambientais analisados são de
empreendimentos que se localizam na região Sudeste, região que apresenta o
maior número de companhias mineradoras e maior adensamento
populacional.
Fase de planejamento
Na fase de planejamento foram observados 13 impactos e os mais frequentes
foram à geração de conhecimento científico e a geração de emprego e renda,
ambos do meio socioeconômico, com frequência relativa de 42,85%.
A atividade mineraria promove a realização de estudos multidisciplinares
sobre a região, adquirindo-se um maior conhecimento técnico e científico,
produzindo ou atualizando informações que já existem sobre a região. Além
dos dados sobre os recursos hídricos, fauna, flora, solos, espeleologia,
arqueologia, dentre outros, para o meio antrópico, o aumento de dados sobre
os elementos de interesse cultural e natural, por exemplo, permite o
desenvolvimento das potencialidades locais (EIA MOPI, 2012). Além do
mais, a etapa de planejamento de um empreendimento demanda uma série
de serviços que acabam impulsionando a economia local dos municípios da
região, gerando empregos diretos e indiretosque contribuem para o
aumento da renda dos moradores da localidade (RIMA BELO SUN, 2012).
Quadro 1. Impactos ambientais previstos, sua frequência relativa e natureza no planejamento de
empreendimentos de mineração no Brasil.
Meio Afetado/ Impacto Frequência
Relativa (%)
Natureza
BIÓTICO
Perda de espécimes da flora 14,28 Negativa
Aumento dos casos de atropelamento
de fauna
14,28 Negativa
Alterações populacionais da fauna 14,28 Negativa
Afugentamento com perturbações da
fauna
14,28 Negativa
SOCIOECOÔMICO Geração de conhecimento científico 42,85 Positiva
Geração de emprego e renda 42,85 Positiva
Criação de expectativas favoráveis na
população
28,57 Positiva
Intranquilidade e insegurança na
população
28,57 Negativa
Dinamização da economia 28,57 Positiva
Aumento dos preços de produtos e
serviços
14,28 Negativa
Especulação Imobiliária 14,28 Negativa
Aumento da demanda por bens e
serviços
14,28 Positiva
Meio Afetado/ Impacto Frequência
Relativa (%)
Natureza
Melhorias dos produtos e serviços para
o setor turístico
14,28 Positiva
Foram encontrados impactos no meio biótico, que normalmente não se
observam no planejamento de empreendimentos. Esses impactos são
resultados da prospecção geológica que pode causar alterações ao meio
ambiente, como por exemplo, em virtude de desmatamentos ou processos de
obtenções de amostras de rochas e solos que ocasionam exposições, como
por exemplo, minerais sulfetados que comumente acarretam drenagem ácida
(CHAVES NETO, 2013). Desta forma, a atividade de planejamento no setor
da mineração acarreta inclusive impactos ao meio físico, embora geralmente
sejam classificados de baixa magnitude e abrangência.
Fase de implantação
Na fase de implantação, onde se dá o início das obras, foram identificados 48
impactos ambientais no total (Quadro 2). Os impactos decorrentes das
minerações abrangem diversos componentes do meio ambiente, ocasionando
alterações geomorfológicas, biológicas, hídricas e atmosféricas, além de
afetarem fortemente as populações humanas (Silva 2001 apud LEITE et al.,
2017).
O impacto alteração da qualidade do ar, alteração física da paisagem e do
relevo, incremento no nível de emprego e renda estiveram em todos os
estudos analisados. Em relação a esta fase do empreendimento, sabe-se que é
nesta que ocorrem os impactos de maiores magnitudes, sendo importante
apresentar medidas para evitar riscos maiores, visto que a mineração afeta de
maneira elevada a natureza e a sociedade (SILVA; ANDRADE, 2017).
A maior parte dos efeitos da mineração atinge primeiramente o meio
físico, sendo os impactos sobre os meios bióticos e socioeconômicos muitas
vezes decorrentes dos primeiros, ou seja, são impactos indiretos (Quadro 2)
(DIAS, 2001). Desse modo, mitigando os impactos negativos de primeira
ordem sobre o meio físico, provavelmente, alterações ambientais indiretas
no meio biológico e socioeconômico também serão mitigadas.
Quadro 2. Impactos ambientais previstos, sua frequência relativa e natureza na fase de instalação de
atividades de mineração no Brasil.
Meio Afetado/ Impacto
Frequência
Relativa
(%)
Natureza
FÍSICO
Alteração da qualidade do ar 100 Negativa
Alteração física da paisagem e do
relevo
100 Negativa
Alteração dos níveis de pressão
sonora
85,71 Negativa
Alteração da qualidade das águas
superficiais e subterrâneas
85,71 Negativa
Indução e aceleração de processos
erosivos
71,42 Negativa
Alteração das propriedades do solo
e subsolo (Físico-Químico)
57,14 Negativa
Alteração da dinâmica hídrica
superficial e redução da
disponibilidade do recurso hídrico
57,14 Negativa
Assoreamento de Cursos D’água 42,85 Negativa
Vibrações 28,57 Negativa
Alteração da qualidade do solo 28,57 Negativa
Alteração na dinâmica erosiva 14,28 Negativa
BIÓTICO Afugentamento e perturbações da
fauna
71,42 Negativa
Perda de habitats 57,14 Negativa
Aumento da pressão sobre os
recursos naturais
42,85 Negativa
Meio Afetado/ Impacto
Frequência
Relativa
(%)
Natureza
Perda de cobertura vegetal 42,85 Negativa
Aumento dos casos de
atropelamento de fauna
28,57 Negativa
Alterações populacionais da fauna 28,57 Negativa
Alterações populacionais de
espécies vetores
28,57 Negativa
Alterações na dinâmica ecológica
da comunidade aquática e fauna
associada
28,57 Negativa
Perda de parcelas da APP 14,28 Negativa
Perda de conectividade e
permeabilidade faunística
14,28 Negativa
Alterações na dinâmica ecológica
da fauna edáfica
14,28 Negativa
Redução da biodiversidade 14,28 Negativa
Introdução de espécies exóticas 14,28 Negativa
Alteração da frequência de caça,
pesca e coleta clandestina da fauna
14,28 Negativa
Intensificação do efeito de borda 14,28 Negativa
Fragmentação de habitats 14,28 Negativa
Perda de exemplares da flora 14,28 Negativa
Mortandade de peixes em função
de desvios, eliminação e
assoreamento de cursos d’água
14,28 Negativa
Meio Afetado/ Impacto
Frequência
Relativa
(%)
Natureza
Criação de sítios artificiais para
abrigo e/ou reprodução de insetos
vetores de doenças
14,28 Negativa
SOCIOECONÔMICO Incremento no nível de emprego e
renda
100 Positiva
Aumento da arrecadação de
impostos
85,71 Positiva
Incremento de fluxo migratório 57,14 Negativa
Destruição, parcial ou total, do
patrimônio Arqueológico
57,14 Negativa
Aumento da demanda por serviços
públicos
57,14 Negativa
Aumento da demanda por bens e
serviços
57,14 Positiva
Alteração do cotidiano comunitário 42,85 Negativa
Incremento na circulação de
veículos e aumento de
probabilidade de acidente
42,85 Negativa
Intranquilidade e insegurança da
população
42,85 Negativa
Geração de expectativas 28,57 Negativa/Positiva
Especulação imobiliária 28,57 Negativa
Dinamização da economia 28,57 Positiva
Ataque por animais peçonhentos 28,57 Negativa
Pressão Habitacional 14,28 Negativa
Meio Afetado/ Impacto
Frequência
Relativa
(%)
Natureza
Aumento da ocorrência de
infecções por doenças tropicais
14,28 Negativa
Impactos na alteração do modo de
vida da população e das formas de
apropriação e do uso da terra
14,28 Negativa
Conflitos de convivência entre
população local e migrantes
14,28 Negativa
Comprometimento
das condições de acessibilidade na
zona rural
14,28 Negativa
As principais atividades que geram a alteração da qualidade do ar na fase
de implantação foram provenientes de equipamentos e veículos usados
durante a supressão vegetal, o decapeamento, as atividades de transporte e
as obras civis, e da movimentação de máquinas movidas à combustão (EIA
MOPI, 2012). Estas ações implicam em lançamento de material particulado
na atmosfera. A poluição por poeira é a principal contribuição da mineração
para a poluição do ar (SILVA, 2001).
A partir da mineração a poluição por gases não é muito relevante, se
limitando, em geral, à emissão dos motores dos veículos e das máquinas
utilizadas no beneficiamento do minério e durante a lavra (SILVA, 2001).
Como formas de controle da poluição pode-se citar a aspersão de água
nas estradas de circulação de veículos, nas frentes de lavra (EIA ILHEUS
MINERADORA, 2012). Além de implantar o Plano de Meteorologia e
Monitoramento da Qualidade do Ar que no decorrer da fase de implantação
irá acompanhar as mudanças da qualidade do ar (RIMA ARIPUANÃ, 2017),
podendo gerar dados utilizados para efetivar medidas corretivas.
A disposição indevida de resíduos sólidos altera as propriedades do solo,
causam sua contaminação e dos recursos hídricos (EIA MOPI, 2012). As
atividades desenvolvidas nos alojamentos e nos canteiros de obras geram
resíduos comerciais e industriais, devendo ser manipulados de acordo com
critérios que conduzam à minimização de alterações na qualidade do meio
ambiente e do risco à saúde pública, desde sua coleta até a disposição final
(EIA MOPI, 2012).
Durante a implantação ocorre a alteração da estrutura do solo devido
principalmente a sua movimentação para depósitos e áreas de aterro
ocasionando sua maior exposição a intempéries, além da compactação,
contribuindo com a indução e o aceleramento de processoserosivos em
todas as áreas afetadas (RIMA ARIPUANÃ, 2017). Além disso, a ausência de
cobertura vegetal pode ocasionar a erosão e gerar a diminuição da infiltração
no solo, reduzindo a taxa de infiltração da água, acarretando no carreamento
dos sedimentos e assoreamento dos rios (EIA ILHEUS MINERADORA,
2012).
Como medida de mitigação, pode-se executar o Plano de Recuperação de
Áreas degradadas (PRAD), destinado à recuperação das áreas expostas às
intempéries climáticas, utilizando-se geralmente a revegetação através do
plantio de mudas, e Programa de Controle e Monitoramento de Processos
Erosivos, cujas ações incluem implantar dispositivos de drenagem no
interior da unidade e no entorno e nas vias de acesso ao empreendimento,
visando ao direcionamento adequado das águas de chuva, e assim, obtendo-
se o controle do carreamento de sedimentos e a minimização de ocorrência
de processos erosivos e da poluição e assoreamento de rios (RIMA
ARIPUANÃ, 2017). Cabe ressaltar que as ações que visam disciplinar o
escoamento de águas da chuva com canaletas podem estar acompanhadas da
construção de diques de contenção de sedimentos.
O impacto mais evidente e característico da atividade de mineração é a
alteração do relevo e, consequentemente, da paisagem resultante do
contraste que as áreas mineradas geralmente fazem com a paisagem local
(BOLZAN, 2001 apud PENNO, 2010). Este impacto está relacionado com a
retirada da vegetação, ao volume de escavação do material e a visibilidade em
razão da localização do empreendimento (MECHI; SANCHEZ 2012 apud
PENNO, 2010). As barreiras arbóreas podem ser utilizadas para ocultar a
região afetada pelo empreendimento, reduzindo a agressividade da paisagem
e, ainda, diminuindo a poeira e ruídos, sendo uma medida para mitigar
vários impactos (PENNO, 2010).
A qualidade das águas dos reservatórios e dos rios pode ser afetada em
decorrência da turbidez causada pela poluição de substâncias lixiviadas e
carreadas ou presentes nos efluentes das áreas de mineração, como graxa,
óleos e metais pesados além de sedimentos finos em suspensão, podendo
alcançar as águas subterrâneas (MECHI; SANCHEZ, 2010). Através do
beneficiamento e uso da água na lavra no desmonte hidráulico, os aquíferos
e o regime hidrológico dos cursos d’água sofrem alterações, além de ocorrer
o rebaixamento do lençol freático (MECHI; SANCHEZ, 2010). Como
medidas podem ser adotadas o Programa de Gestão das Águas Superficiais e
Subterrâneas e o Programa de Monitoramento da Dinâmica Hídrica
Subterrânea, cujas ações consistem em monitorar a qualidade da água e
identificar o padrão de oscilação natural da dinâmica hídrica subterrânea e
as relações com as águas superficiais, acompanhar essas oscilações em
decorrência das variações naturais, além de gerar subsídios para a adoção e
identificação de medidas para a minimização de impactos, como, por
exemplo, a restituição de água para cursos de água e nascentes (RIMA
ARIPUAÑA, 2017). Ressalta-se que o monitoramento por si só não se trata
de uma medida mitigadora, ele só é válido quando acompanhado de medidas
corretivas, caso chegue à conclusão de que os padrões ambientais observados
não estão de acordo com o desejável.
A alteração nos níveis de pressão sonora é causada pela introdução de
novos ruídos no ambiente, repercutindo sobre o ambiente silvestre e
antrópico receptor (EIA MOPI 2012). Durante a fase de implantação, as
fontes geradoras do impacto de alteração dos níveis de pressão sonora
consistem em atividades de instalação das estruturas do canteiro de obras;
eventuais demolições de estruturas existentes; supressão vegetal;
deslocamento rodoviário de pessoas e equipamentos; operações nas áreas de
disposição de material excedente; e terraplenagem (EIA MOPI, 2012). O
controle destas fontes é feito através da manutenção e regulagem dos
motores dos equipamentos e aproveitamento dos obstáculos naturais ou
então criação de barreiras artificiais para reduzir a propagação dos ruídos
(SILVA, 2007). Os trabalhadores devem adotar meios de proteção à saúde,
com utilização de Equipamentos de Proteção Coletiva (EPC’s) e/ou
Equipamentos de Proteção Individual (EPI’s) (RIMA ARIPUANÃ, 2017).
A mineração é uma atividade exploratória de recursos naturais, com isso o
aumento de pessoas no ambiente natural favorece o aumento da pressão
sobre os recursos naturais, ocorrendo diversos impactos sobre o meio
biológico (RIMA BELO SUN, 2012). Como medida deve-se implantar a
Educação Ambiental, cujo objetivo é a conscientização do público-alvo sobre
os diversos aspectos do meio ambiente e a importância da preservação dos
recursos naturais, inclusive a fauna e flora, por meio da abordagem de
valores que sensibilizem para estas questões (RIMA BELO SUN, 2012).
Dentre os impactos mais significativos está o afugentamento e
perturbações da fauna em decorrência de um conjunto de atividades:
movimentação de máquinas, veículos, equipamentos, circulação de pessoas,
supressão da vegetação, desmonte com uso de explosivos, retirada e
transporte de material estéril (RIMA ARIPUANÃ, 2017; EIA MOPI, 2012),
isso acarreta na geração de ruídos e interferências sobre as comunidades da
fauna local, causando prejuízos, seja afugentando-as das proximidades, seja
causando tensão que venha refletir na capacidade de procriação ou de cuidar
de suas crias (DIAS, 2001).
Uma das medidas é a não remoção da vegetação em períodos de
procriação de animais (PENNO, 2010) e ações dos Programas de
Acompanhamento da Supressão Vegetal e Eventual Resgate da Fauna que
consistirá em ações diretas voltadas à captura, coleta, transporte e
destinação de animais que apresentem dificuldades naturais locomotivas ou
estejam debilitados, oriundos direta ou indiretamente da área impactada
para um ambiente de recuperação ou refúgio natural (CTA, 2018).
A cobertura vegetal na área de implantação é diretamente afetada pela
ação de limpeza do terreno (PENNO, 2010). A supressão da vegetação resulta
diretamente em prejuízo a biodiversidade local e à porcentagem de cobertura
vegetal da região (SUDEMA, 2010), que implica na fragmentação e perda de
habitats, gerando diversos efeitos sobre a fauna silvestre (PENNO, 2010).
Remover a vegetação apenas no local do decapeamento, recompor a
vegetação das áreas degradadas com espécies nativas para ampliar a
conectividade entre os fragmentos de habitats naturais são formas de mitigar
estes impactos (PENNO, 2010; EIA MOPI, 2012). Por vezes, o
reflorestamento de áreas degradadas por ações antrópicas não relacionadas
ao empreendimento é considerado como uma medida compensatória válida.
Cabe ainda ressaltar que todos os empreendimentos licenciados com a
confecção de EIA/RIMA devem pagar uma quantia destinada a unidades de
conservação do grupo de proteção integral como compensação ambiental
(TCU, 2007).
O incremento na circulação de veículos nas estradas que dão acesso ao
empreendimento, além de gerar incômodos através dos ruídos, como já
mencionado, é responsável pelo aumento da ocorrência de acidentes, com
atropelamentos de pessoas e animais e colisões entre veículos (RIMA BELO
SUN, 2012). Pra mitigar esse impacto, Campos e Fernandes (2007)
recomendam orientar os motoristas no tráfego de caminhões em baixa
velocidade bem como, efetuar reparo no pavimento da estrada de acesso ao
empreendimento, proceder a sinalização viária quando couber e afixar placas
individuais alertando os trabalhadores e a população sobre os riscos de
acidentes com máquinas. Para reduzir o atropelamento de animais e
aumentar o fluxo gênico, podem ser construídas nas estradas passagens de
fauna subterrâneas ou aéreas, como pontes (ROUSSOULIÉRES, 2014).
A implantação de um empreendimento causa mudanças no espaço
territorial e social na região de sua inserção, sendo uma delas, um afluxo
populacional em busca de novas oportunidades de trabalho (RIMA
ARIPUAÑA, 2017). No entanto, a atração de um grande número de pessoas
poderá resultar na permanência de pessoas com poucas oportunidades de
emprego naquele local (RIMA BELO SUN, 2012; RIMA ARIPUANÃ,causar. São importantes para identificar as fontes de
impacto e os componentes ambientais que podem ser alterados pelas atividades (SANCHEZ, 2008).
Após o levantamento dessas informações, é possível prever os impactos ambientais, utilizando as
ferramentas ou metodologias de avaliação de impactos, entre as quais estão as listas de verificação,
as matrizes, as metodologias espontâneas, a superposição de mapas e as redes ou diagramas de
interações (SANCHEZ, 2008; ALMEIDA et al., 2017). Posteriormente, os impactos ambientais podem
ainda ser classificados indicando, por exemplo, a sua magnitude e importância, constatando-se quais
impactos são mais relevantes e devem ser controlados com maior rigor. A classificação das alterações
ambientais quanto à sua natureza é essencial dentro do processo de avaliação de impactos
ambientais, sendo apontadas como negativas (constituem-se em alterações ambientais adversas/
prejudiciais, associadas à degradação ambiental e/ou a um dano na qualidade de um parâmetro
ambiental), positivas (indicam a melhoria das condições ambientais e/ou da qualidade de parâmetros
ambientais) ou negativas e positivas (RIO DE JANEIRO, 1997).
Nos próximos capítulos desse livro podem ser encontradas listas de impactos ambientais
provocados por diferentes empreendimentos. Tais listas podem servir de base para a previsão de
alterações ambientais ocasionadas em futuros empreendimentos similares, sendo essa ferramenta da
avaliação de impactos denominada de check-list, lista de verificação ou metodologia de listagem
(SANCHEZ, 2008; ALMEIDA et al., 2017). Outra ferramenta de avaliação de impactos ambientais
bastante útil é a rede de interações, que é semelhante a um fluxograma, onde os impactos são listados
na sequência em que ocorrem (ALMEIDA et al., 2017). Isso possibilita a diferenciação de impactos
diretos (ocasionados diretamente pelo aspecto ambiental) e indiretos (gerados a partir de uma
sequência de alterações ambientais) e a constatação de impactos cumulativos (RIO DE JANEIRO,
1997). Também facilita a previsão de impactos ambientais de ordens elevadas (impactos derivados de
uma longa sequência de outras alterações ambientais), que seriam difíceis de prever com outras
ferramentas de avaliação de impactos ambientais. Abaixo, como exemplo, pode-se observar uma rede
de interações simplificada com alguns dos impactos ambientais que podem surgir a partir da
supressão da vegetação nativa (Figura 1). A previsão das alterações ambientais também é
frequentemente realizada com a matriz de interações, com a qual é possível avaliar a interação dos
componentes e condições ambientais com as atividades necessárias para o empreendimento
estudado, e tal avaliação pode ser realizada nas diferentes fases do empreendimento (SANCHEZ,
2008; ALMEIDA et al., 2017; Quadro 1). Pode-se encontrar a clássica matriz de interações de Leopold
e variadas outras formulações preparadas por diversos autores em função do objeto de estudo
(ALMEIDA et al., 2014; NOGUEIRA, 2016). A previsão dos impactos ambientais com a matriz de
interações pode ser realizada de forma minuciosa ao aumentar, por exemplo, o grau de detalhamento
dos componentes ambientais analisados. No exemplo (Quadro 1), foi avaliado o efeito das fontes
geradoras de impactos sobre a biodiversidade em geral, mas o avaliador pode inserir na matriz
diferentes grupos taxonômicos e avaliar os impactos sobre cada um deles. Além disso, é interessante
indicar a interação da fonte geradora de impacto com os componentes do meio ambiente não
somente considerando impactos diretos, mas também os indiretos, como no caso da construção de
estradas e a vazão do rio, pois a construção pode ocasionar o impacto direto aumento da erosão do
solo, posteriormente as partículas do solo podem ser carreadas pela água da chuva e pelo vento para
o rio, ocasionando o assoreamento e afetando a vazão.
Figura 1. Rede de interações simplificada com os impactos ambientais provocados a partir da supressão da vegetação nativa.
 
Quadro 1. Matriz de interações simplificada, relacionando fontes de impactos ambientais com componentes e condições ambientais.
Componentes e
condições
ambientais
Fontes geradoras de impactos ambientais
Terraplenagem
Construção
de estradas
Supressão
de
vegetação
Contratação
de mão de
obra
Transporte
de
material
Implantação
do canteiro
de obras
Divulgação do 
empreendimento
Paisagem x x x x
Biodiversidade x x x x x
Erosão do solo x x x x
Fertilidade do
solo
x x x x
Profundidade
do solo
x x x x
Densidade do
solo
x x x x
Vazão do rio x x x x
Qualidade da
água
x x x x
Disponibilidade
de emprego
x x x x x x x
Renda dos
trabalhadores
x x x x x x x
Saúde dos x x x x x x x
cidadãos
Dentro dos objetivos da AIA está munir o órgão ambiental e toda a sociedade com informações
úteis para a tomada de decisões e, como mencionado anteriormente, desenvolver estratégias para que
as alterações ambientais negativas previstas tenham a menor magnitude possível (CUNHA;
GUERRA, 2007; SANCHEZ, 2008; ALMEIDA et al., 2017). Assim, é importante que os impactos
ambientais dos diferentes empreendimentos, principalmente os de grande porte, sejam corretamente
previstos e entendidos para que as medidas mitigadoras utilizadas sejam eficientes e evitem a
degradação do meio ambiente. Logicamente, os empreendimentos também proporcionam impactos
positivos, que devem ser estudados visando ampliar a sua magnitude.
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MELNYK, S.A.; SROUFE, R.P.; CALANTONE,2017).
Assim pode-se implantar o Programa de Apoio ao Migrante que consiste no
desenvolvimento de ações de orientação ao migrante, com o monitoramento
do afluxo populacional e da implantação de serviços de atendimento direto,
essas ações ajudarão aos municípios a terem medidas voltadas ao
ordenamento territorial, além de auxiliar na oferta de serviços importantes
para a população (RIMA ARIPUANÃ, 2017).
A implantação de um projeto minerário afeta o cotidiano e a vida da
população, contribuindo desta forma para criar um clima de intranquilidade
e insegurança na população local (EIA MOPI, 2012). As principais
preocupações por parte das populações locais e instituições estão
relacionadas à perda da qualidade da vida dos ambientes natural e cultural
do município ou, até mesmo, que ocorra a eliminação de áreas importantes
do ponto de vista cultural e de lazer (EIA MOPI, 2012). Além disso, provoca
incertezas na população quanto às alterações negativas que a atividade
causará no seu cotidiano, como sua situação de moradia e trabalho
(SUDEMA, 2012). Proporcionar o diálogo e repassar informações sobre as
principais ações e fases do empreendimento, formando um adequado fluxo
entre o empreendedor e as comunidades ao redor, realização de encontros
com a população, esclarecendo dúvidas e divulgando as etapas das obras e os
cronogramas, reduzindo consequentemente eventuais situações de conflito
são medidas para mitigar estes impactos (SUDEMA, 2012).
Na fase de implantação, o aumento do fluxo migratório e
consequentemente um maior incremento populacional causam pressão sobre
a infraestrutura básica (coleta e tratamento de esgotos, abastecimento de
água, infraestrutura viária, coleta de resíduos sólidos) bem como sobre
equipamentos e serviços sociais, como os de esporte e lazer, saúde, educação,
segurança, transporte e habitação (EIA MOPI, 2012; BELO SUN, 2012). Isto
se deve ao aumento da demanda que aumenta rapidamente e o município
que receberá o empreendimento precisa de tempo para adequar a estrutura
existente às novas necessidades, fato que os impostos gerados pelo
empreendimento demoram o tempo devido para chegar à municipalidade
(SUDEMA, 2010).
O controle deste impacto se dá com a implantação do Programa de
Acompanhamento da Migração, que conta com a abordagem dos recém-
chegados para desestimular sua permanência, caso não agreguem ao
mercado de trabalho da área e ações de comunicação nas áreas de influência
e nos locais de origem dos migrantes (SUDEMA, 2010).
A mineração traz benefícios do ponto de vista do desenvolvimento
econômico da região, tais como o crescimento da arrecadação de tributos e a
geração de empregos diretos e indiretos que se reverte em serviços à
população, possibilitando que se dê continuidade a obras e projetos que
visem melhorar as condições de vida, proporcionando bem estar à população
em geral (CAMPOS; FERNANDES, 2007; EIA ILHEUS MINERADORA,
2012). Sánchez (1999) apud Dias (2001) ressalta que é de suma importância
implantar medidas de valorização dos impactos positivos para que estes se
concretizem em benefício para a região onde o empreendimento será
implantado, ou seja, da comunidade que irá arcar com os impactos negativos.
A vinda de trabalhadores contratados direta e indiretamente pelo
empreendimento, junto com a eventual vinda de população migrante atraída
pelas obras, implica num aumento da demanda por bens e serviços nas
cidades aonde essas pessoas irão encaminhar-se (EIA MOPI, 2012). Esse
aumento da demanda por bens e serviços irá promover a criação de negócios
e de empregos indiretos, com consequente dinamização da economia local e
aumento das receitas públicas devido à maior frequência com que se
utilizam principalmente as pousadas, restaurante, lanchonetes,
supermercados e postos de abastecimento (EIA MOPI, 2012).
Os fatores que geram a destruição parcial ou total do patrimônio
arqueológico correspondem essencialmente aos que interferem no solo,
como a limpeza, terraplanagem do terreno e escavações, que poderão afetar
principalmente os sítios arqueológicos não manifestos (EIA MOPI, 2012). As
ações para mitigar este impacto incluem executar Programas de Prospecção
e de Resgate Arqueológicos e desenvolver um Programa de Educação
Patrimonial diversificado e participativo tendo em vista o reconhecimento
do patrimônio arqueológico pelos operários do canteiro de obras (SUDEMA,
2012).
Fase de operação
Nessa fase foram identificados um total de 42 impactos, divididos entre os
meios físico, biótico e socioeconômico (Quadro 3). A maioria dos impactos
que foram previstos para essa fase é semelhante aos da fase de implan¬tação,
sendo alguns de menor magnitude e duração, por outro lado alguns terão
maior magnitude e serão permanentes, assim como observado por Souza
(2017).
Quadro 3. Impactos ambientais previstos, sua frequência relativa e natureza na fase de operação de
atividades de mineração no Brasil.
Meio Afetado/ Impacto Frequência
Relativa (%)
Natureza
FÍSICO Alteração da qualidade do ar 100 Negativa
Alteração da qualidade das águas
superficiais e subterrâneas
100 Negativa
Alteração dos níveis de pressão sonora 100 Negativa
Indução e aceleração de processos erosivos 71,42 Negativa
Alteração física da paisagem e do relevo 71,42 Negativa
Meio Afetado/ Impacto Frequência
Relativa (%)
Natureza
Assoreamento de Cursos D’água 42,85 Negativa
Vibração 42,85 Negativa
Alteração das propriedades do solo e
subsolo (Físico-Químico)
28,57 Negativa
Alteração da dinâmica hídrica superficial e
redução da disponibilidade do recurso
hídrico
28,57 Negativa
Alteração da qualidade do solo 28,57 Negativa
Geração de Resíduos Sólidos 14,28 Negativa
Alteração na dinâmica erosiva 14,28 Negativa
BIÓTICO Perda de habitats 71,42 Negativa
Afugentamento e perturbações da fauna 71,42 Negativa
Aumento dos casos de atropelamento de
fauna
42,85 Negativa
Aumento da pressão sobre recursos
naturais
28,57 Negativa
Alterações populacionais de espécies
vetores
28,57 Negativa
Alterações na dinâmica ecológica da
comunidade aquática e fauna associada
28,57 Negativa
Fragmentação de habitats 28,57 Negativa
Intensificação do efeito de borda 28,57 Negativa
Alterações na dinâmica ecológica da fauna
edáfica fauna
14,28 Negativa
Redução da biodiversidade 14,28 Negativa
Meio Afetado/ Impacto Frequência
Relativa (%)
Natureza
Mortandade de peixes em função de
desvios, eliminação e assoreamento de
cursos d’água
14,28 Negativa
Criação de sítios artificiais para abrigo
e/ou reprodução de insetos vetores de
doenças
14,28 Negativa
Introdução de espécies exóticas 14,28 Negativa
SOCIOECONÔMICO Incremento no nível de emprego e renda 100% Positiva
Aumento da arrecadação de impostos 100% Positiva
Aumento da demanda por bens e serviços 57,14% Positiva
Aumento da demanda por serviços
públicos
42,85% Negativa
Aumento de acidentes e riscos a saúde 42,85% Negativa
Incremento de fluxo migratório 28,57% Negativa
Diversificação das bases econômicas locais 28,57% Positiva
Perda de prováveis sítios arqueológicos 28,57% Negativa
Dinamização da economia 28,57% Positiva
Alteração do cotidiano comunitário 28,57% Negativa
Aumento da ocorrência de infecções por
doenças tropicais
14,28% Negativa
Alteração do perfil de empregos 14,28% Positiva
Impacto da alteração cultural nos
Municípios da Área de Estudo
14,28% Negativa
Intranquilidade e insegurança da
população
14,28% Negativa
Meio Afetado/ Impacto Frequência
Relativa (%)
Natureza
Conflitos de convivência entre
população local e migrantes
14,28% Negativa
Comprometimento das condições de
acessibilidade na
zona rural
14,28% Negativa
Ataque por animais peçonhentos 14,28% Negativa
A atividade mineradora de acordo com Ferreira (2013) tem como objetivo
encontrar recursos existentes, transportar até diferentes pontos de descargas
o material extraído da jazida através das operações de lavra, pondo esse bem
mineral em condições de ser empregado pela indústria por meio das
operações de beneficiamento de minérios. Com isso, o planejamentoda lavra
e o emprego de equipamentos adequados podem reduzir os impactos
durante a operação do empreendimento, porém muitas vezes não
possibilitam a recuperação das condições originais da área (FERREIRA,
2013). Assim, a extração do minério e o seu beneficiamento restringem o uso
futuro da área, pois alteram expressivamente as suas funções ambientais
primitivas, sendo primordial a adoção de medidas de mitigação dos impactos
ambientais negativos para assegurar a proteção dos recursos naturais
(FERREIRA, 2013).
Impactos como alteração da qualidade do ar, alteração da qualidade das
águas superficiais e subterrâneas, alteração dos níveis de pressão sonora,
aumento da arrecadação de impostos, incremento no nível de emprego e
renda foram encontrados em todos os estudos.
Na fase de operação, os efeitos de alteração da qualidade do ar são
decorrentes dos lançamentos de gases de combustão provenientes dos
equipamentos e veículos a diesel, emissão de poeira, relativos ao processo de
exploração, transporte e armazenagem do minério e do estéril (EIA MOPI,
2012; RIMA ARIPUANÃ, 2017). Nesta fase deve ser dada uma atenção
especial às medidas mitigadoras que representam rotinas operacionais (EIA
MOPI, 2012). As inspeções periódicas das emissões de fumaça preta dos
veículos a diesel da frota circulante, a manutenção dos veículos, aspersão de
água ultrafina pressurizada nas vias de acesso não pavimentadas, pilhas de
estéril e áreas da lavra, intensificando nos períodos secos, são medidas
capazes de reduzir significativamente as emissões de poluentes atmosféricos
(EIA MOPI, 2012).
Com relação ao solo, Mechi e Sanchez (2010) ressalta que toda atividade
de mineração implica na supressão da cobertura vegetal, junto com a qual, o
solo superficial de maior fertilidade também é removido, e os solos
remanescentes ficam expostos aos processos erosivos que se intensificam
quando a água não é drenada, podendo acarretar em assoreamento dos
corpos d’água do entorno, geralmente na cava da mina (local onde o minério
é retirado) o solo na maior parte dos casos é completamente removido e boa
parte dele passa a ser considerado rejeito a ser lançado na barragem de
rejeito.
Guerra e Cunha (2000) chamam atenção para a extensão das
consequências da erosão dos solos. Nesse caso, eles afirmam que a erosão
tem consequências danosas e seus efeitos podem ser percebidos a vários
quilômetros afastados de onde o processo erosivo esteja ocorrendo e não
apenas onde ela ocorre. Para mitigar esses impactos ao decorrer da atividade
de Recuperação de Áreas Degradadas, devem-se realizar tarefas de
estabilização dos taludes das áreas de lavra, pilhas de estéril e rejeito,
adequação e consolidação do sistema de drenagem através de dispositivos à
medida que as frentes de lavra e pilha evoluem, construção de pequenas
bacias ou paliçadas no qual evitará o escoamento em velocidade no interior
da erosão e implantação do Programa de Controle e Monitoramento de
Processos Erosivos, cujas ações são inspeções visuais nas áreas de
interferência para detecção e execução de medidas corretivas com vistas a
evitar a formação e desenvolvimento de processos erosivos e movimentos de
massa (EIA MOPI, 2012).
A transformação da paisagem é outro aspecto gerado pela mineração que
continua na fase de operação, o impacto continua dependendo do volume de
escavação, da visibilidade em decorrência de sua localização e também da
quantidade de minério e rejeito produzido (MECHI; SANCHEZ, 2010). Na
maioria dos casos, as modificações na paisagem local, provenientes da
extração mineral, podem ser consideradas negativas ainda que a maior parte
da população permaneça alheia aos danos ambientais (PEREIRA, 2012;
MECHI; SANCHEZ, 2010). Para mitigar este impacto Reis et al. (2005) e
Campos e Fernandes (2007) sugerem a implantação de barreiras arbóreas
com vegetação típica da região, de modo a servir como anteparo visual, essa
ação não somente diminui o efeito agressivo da mudança paisagística, como
também protege o meio ambiente dos ruídos e das substâncias particuladas
no ar. Embora o efeito da barreira de árvores na redução da propagação das
ondas sonoras seja diminuto, principalmente no caso da vegetação da
barreira não ser densa.
Quanto aos impactos relativos aos ruídos e vibrações, existem várias
fontes produtoras, entre elas, os tratores e outras máquinas de
terraplenagem (PENNO, 2010). O desmonte de minério consolidado (maciços
terrosos muito compactados e rochosos) é feito através de explosivos que
acabam afetando a tranquilidade pública (SILVA, 2007). Campos e Fernandes
(2007) sugerem como medida de controle, a instalação de barreira acústica
por meio de cinturão vegetal caso o empreendimento se encontre localizado
perto de edificações e ter um controle das detonações.
Para a poluição sonora resultante do transporte do material retirado
através dos caminhões, sugerem a adoção de acessórios que reduzam o ruído
no escapamento dos veículos (EIA MOPI, 2012). Durante a operação o
horário de trabalho deve ser restrito ao horário comercial e os funcionários
deverão estar equipados com EPIs na forma de protetores auriculares
(PENNO, 2010). Além disso, comunicar as atividades à população vizinha e
esclarecer dúvidas podem amenizar os efeitos negativos decorrentes dos
ruídos e vibrações sobre a população.
Durante as operações são gerados efluentes líquidos e oleosos, resíduos
sólidos, além de sedimentos que têm potencial para alterar a qualidade das
águas superficiais e subterrâneas e causar contaminação do solo, caso
medidas de controle não sejam adotadas (RIMA ARIPUANÃ, 2017). Os
recursos hídricos podem ser atingidos pela lixiviação e instabilização das
pilhas de material estéril proveniente das operações de lavra e pelo
rompimento das bacias de rejeitos (MACHADO, 2002 apud PENNO, 2010),
além disso, a maior causa da poluição das águas no Brasil por mineração é
provocada por lama. O controle da lama é feito através de barragens para
contenção e sedimentação destas lamas e deve-se implantar o Programa de
Gestão das Águas Superficiais e Subterrâneas no qual deverão ocorrer
monitoramentos qualitativos das águas durante a operação do
empreendimento que deverão ser mantidas em frequência adequada para
caracterizar os ciclos hidrológicos (períodos de seca e de chuva), essas
medidas devem ser tomadas para assegurar que os padrões legais de
lançamento de efluentes e de qualidade das águas superficiais sejam
mantidos (RIMA ARIPUANÃ, 2017; CHAVES NETO, 2013).
A geração de resíduos sólidos é um típico aspecto ambiental (mecanismo
que gera o impacto) e não impacto ambiental (alteração do meio ambiente),
sendo classificado erroneamente como impacto no estudo ambiental. É
comum encontrar aspectos ambientais citados em EIAs e RIMAs como
sendo impactos.
Os principais impactos ambientais sobre o meio biótico são decorrentes
da supressão vegetal, e em menor proporção, mas não menos importante, é
resultante da intensificação das atividades nas áreas do empreendimento e
da presença do homem como, por exemplo, a geração de efluentes líquidos,
ruídos, poluição atmosférica e a alteração da paisagem ocasionando
impedimento de fluxos ecológicos (EIA MOPI, 2012), Desse modo, muitos
impactos sobre o meio biótico são derivados de alterações iniciais no meio
físico, sendo impactos indiretos.
Nesta fase a movimentação de equipamentos, máquinas, veículos e
pessoas na área de influência do empreendimento permanecerá
intensificando a geração de ruídos, bem como as atividades de desmonte
mecânico, perfuração e desmonte com uso de explosivos podendo provocar
estresse nas comunidades da fauna local, que poderá ser afugentada para
áreas vizinhas (EIA MOPI, 2012; RIMA ARIPUANÃ, 2017). Em função do
constante trânsito de caminhões e máquinas, além do processo de escape da
fauna é esperado que aumente o número de atropelamentos de animais nas
vias que margeiam as áreas em obras e as nas áreas de entorno que estão
preservadas (EIA MOPI, 2012). As espécies podem sofrer perturbações
severas ou mesmo morrer se nãoforem manejadas de forma correta ou se
forem apreendidas por pessoas não habilitadas, isso acaba acarretando em
desequilíbrio nas populações desses animais (SUDEMA, 2012).
Impactos derivados da perda de espécies de animais ou da redução das
suas populações também podem ocorrer, como a perda ou a redução da
frequência de interações ecológicas importantes para a manutenção do
equilíbrio dos ecossistemas, assim como para a produção agrícola, como a
polinização. Sabe-se que a extinção de espécies chave, como as
polinizadoras, pode provocar um processo de extinção em cascata. O
Programa de Monitoramento da Fauna Terrestre deve ser realizado com o
objetivo de minimizar esses impactos sobre as comunidades biológicas
locais, garantindo assim as interações ecológicas e o equilíbrio dos
ecossistemas naturais, além de contribuir para a preservação do patrimônio
genético das populações de interesse encontradas na área do
empreendimento (CTA, 2018). Outra medida é a implantação dos Programas
de Educação Ambiental com ações destinadas aos trabalhadores do
empreendimento e as moradores da região com ações de segurança e alerta,
este programa deve visar à conscientização da população sobre a
potencialidade da presença da fauna nas vias de acesso, discussão e definição
da conduta ideal para que sejam evitados acidentes, dentre tais ações podem
ser mencionadas a instalação de placas sinalizadoras e redutores de
velocidade ao longo das vias de acesso (EIA MOPI, 2012). Além disso, a
criação de passagens de fauna sob as estradas também é uma opção
interessante.
As atividades de mineração afetam os ecossistemas principalmente pela
alteração ou destruição dos habitats, o que, por sua vez, resulta em danos à
fauna (Dias 2001). A fragmentação da paisagem é um dos aspectos mais
relevantes dentre as alterações ambientais causadas pelo homem, estando
diretamente relacionada à perda de habitats e de espécies vegetais e animais
nos ecossistemas naturais (EIA JUNDU, 2009).
Nas áreas fragmentadas uma das consequências é o efeito de borda no
qual contribuem para alterar os micro-habitats fragmentados, trazendo
diversos prejuízos para a comunidade animal e vegetal da área afetada (EIA
JUNDU, 2009). Como medidas compensatórias pela destruição de habitats e
alteração da população de animais, prevê-se a revegetação de áreas
degradadas e implementação/readequação de áreas verdes com a utilização
de espécies da flora nativa, preferencialmente com frutíferas, pois espera-se
estender o habitat potencial de exemplares da fauna, através da ampliação da
conectividade entre os fragmentos e a criação de uma reserva legal com mata
de origem nativa correspondente a 20% da propriedade, no entanto, a criação
de reserva legal é uma obrigação legal não devendo ser utilizada como
medida mitigadora (EIA MOPI, 2012; PENNO, 2010). A criação de
corredores ecológicos é uma medida bastante utilizada para reduzir o nível
de isolamento e aumentar o fluxo gênico entre populações.
No meio socioeconômico a oferta de mão de obra excedente, a
contratação de trabalhadores provenientes de outros municípios, causa um
aumento nos portes demográficos dos municípios, pressionando dessa forma
os equipamentos e serviços públicos de segurança pública, educação, saúde e
infraestrutura urbana e de saneamento (BELO SUN, 2012). Para amenizar
este impacto é primordial a priorização da contratação da mão de obra local
e fornecedores locais (BELO SUN, 2012).
Com o avanço das obras na fase de operação os operários ficam expostos a
riscos de acidentes de trabalho ou prejuízo à saúde operacional, como
acidentes devido o aumento do tráfego de veículos, exposição a constantes
ruídos, bem como problemas respiratórios decorrentes de poeiras
(SUDEMA, 2012; DIAS, 2001). A criticidade destes impactos pode ser
reduzida com o uso correto de EPI’s e EPC’s, sinalização das rodovias onde
há o fluxo de veículos decorrentes da mineração, equipar os canteiros de
obras com Kit´s de primeiros socorros, manutenção dos veículos e
equipamentos para controle da emissão de ruído e uso de máscaras (REIS et
al., 2005; SUDEMA, 2012; DIAS, 2001).
Na operação os benefícios relativos à arrecadação de impostos continuam
ocorrendo, tendo o início do recolhimento da Compensação Financeira
sobre a Exploração Mineral (CEFEM), onde os recursos são distribuídos da
seguinte forma: 12% para a União, 23% para o Estado de onde for extraída a
substância mineral e 65% para o Município produtor (HIJAZI et al., 2015). A
operação também resulta no aumento da arrecadação do Imposto Sobre
Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) pela comercialização do
minério e um aumento da base de tributos municipais, com destaque para o
Imposto Sobre Serviço (ISS) (RIMA ARIPUANÃ, 2017; PEREIRA, 2012).
A geração de emprego e o aumento da renda permanecem durante esta
fase, no entanto, o número de empregos será menor do que na fase de
implantação e de perfil de qualificação diferente, mas parte dos empregos da
implantação será mantida (EIA MOPI, 2012; RIMA ARIPUANÃ, 2017). Com
o objetivo de efetuar na área de influência os benefícios da geração de postos
de trabalho, será implementado o programa de Capacitação e Qualificação
de Mão de Obra, que consistirá num planejamento para aumento da
produção usando mão de obra do município e valorização e incentivo ao
profissional (EIA MOPI, 2012; RIMA ARIPUAÑA, 2017; REIS et al., 2005).
A demanda por bens e serviços na fase de operação, tende a aumentar
devido a permanente presença de trabalhadores do empreendimento, com
suas referentes famílias (EIA MOPI, 2012). Dessa maneira, os setores de
atividade a sofrerem impactos mais relevantes são os serviços pessoais
(salões de beleza), o comércio de mercadorias (calçados e vestuários,
produtos alimentícios, material de construção e outros), os serviços de
alimentação e alojamento (restaurantes, lanchonetes e hotéis), além da
construção civil, um dos primeiros a ser impulsionado (durante a própria
fase de instalação, considerando a necessidade de antecipar a construção de
imóveis) (EIA MOPI, 2012).
Comparação entre os impactos das fases do empreendimento
A partir dos EIAs e Rimas analisados, observou-se que o número de
impactos ambientais foi expressivamente menor na fase de planejamento do
que nas demais etapas. Por outro lado, a fase de implantação foi a que
apresentou o maior número de impactos ambientais. Em todas as fases, o
número de impactos ambientais negativos foi maior que de positivos,
ocorrendo uma diferença expressiva entre ambos nas fases de implantação e
operação.
Foi previsto que o maior número de alterações ocorreria no meio
socioeconômico, com exceção da fase de implantação. Observa-se que a
maioria dos impactos de natureza positiva afeta o meio socioeconômico, e os
de natureza negativa estão distribuídos nos meios bióticos, físicos e
socioeconômicos. Com exceção da fase de planejamento onde não foram
previstos impactos sobre o meio físico (Quadro 4).
Quadro 4. Número de impactos ambientais por fase do empreendimento, meio afetado e sua natureza,
para empreendimentos de mineração no Brasil.
Fases do Empreendimento
MEIOS
Planejamento Implantação Operação
Negativa Positiva Negativa Positiva Negativa/
Positiva
Negativa Positiva
Fases do Empreendimento
MEIOS
Planejamento Implantação Operação
Negativa Positiva Negativa Positiva Negativa/
Positiva
Negativa Positiva
Biótico 4 - 19 - - 13 -
Físico - - 11 - - 12 -
Socio 
econômico
3 6 13 4 1 11 6
Total 7 6 43 4 1 36 6
Na fase de implantação, além de apresentar maior número de alterações
ambientais, geralmente os impactos possuem maior magnitude, mas a fase
de operação também apresenta inúmeros impactos causadores de relevantes
alterações ambientais e de longo prazo (MELO; CARVALHO, 2007). Nos
estudos analisados pouco se comenta sobre os possíveis vazamentos de
rejeitos e suas consequências danosas onde os efeitos do rompimento de
uma barragem alcançam grandes distâncias como é o caso de Mariana – MG
em 2015 no qual impactou fortemente a flora, fauna, cidades,os recursos
hídricos e principalmente as próprias vidas humanas. Assim, as atividades
envolvidas na implantação e operação de projetos de mineração geram
elevado número de impactos no meio ambiente, incluindo efeitos sobre a
biodiversidade, o meio físico e proporcionando ônus ou benefícios sociais
(CHAVES NETO, 2013; SANTOS, 2004). Com isso é primordial realizar a
correta identificação e classificação dos impactos que ocorrem por meio dos
empreendimentos para maximizar os impactos positivos e mitigar os
negativos (ALVIM, 2017).
Os impactos ambientais da mineração são em sua elevada maioria
negativos, causando alterações adversas no meio ambiente. Para vários
destes impactos foram discutidas medidas mitigadoras que, se
adequadamente implementadas, reduzem as adversidades causadas por esses
empreendimentos.
Na fase de planejamento, o número de impactos positivos assemelha-se
ao de negativos, contudo, nas fases de implantação e operação o número de
impactos negativos é expressivamente superior aos positivos, estando
distribuídos entre os meios biótico, físico e socioeconômico. Somente no
meio socioeconômico foram encontrados impactos benéficos.
Vale destacar que a mineração prevalece sendo uma das atividades que
mais geram recursos à economia nacional, contribuindo para o
desenvolvimento do país, visto que a mineração está presente
constantemente no dia a dia da população. Apesar dos efeitos negativos
gerados pela extração mineral, não há como parar a exploração mineral, uma
vez que traz benefícios em geral para a sociedade. Contudo, é necessário
extraí-los com responsabilidade, tendo um correto monitoramento e
implementação das medidas de controle tanto para mitigar, quanto para
potencializar ou compensar os impactos, para que assim seja possível
explorar os minérios de forma correta, reduzindo a degradação do meio
ambiente.
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9
ATERROS SANITÁRIOS
Laura Dias Parreiras Bento e Fábio Souto Almeida
A globalização, entendida como a “unificação do mundo”, tem sido
um fenômeno ao mesmo tempo político, econômico, tecnológico,
social, organizacional e de comunicação (QUIRINO et al., 1999 apud
HAMMES, 2012). Tal fenômeno vem surgindo por meio da criação de
empresas transnacionais e inovações tecnológicas, que permitiram a
rápida mobilidade de pessoas e mercadorias, além de avanços na
comunicação (GORENDER, 1997).
Essas mudanças vêm ocasionando o aumento significativo da
geração de empregos, potencializando a livre circulação de
mercadorias e o intercâmbio de conhecimento científico e cultural,
intensificando também o aumento da exploração de recursos
naturais; e o consumo de bens e serviços, pondo em risco o
desenvolvimento sustentável (ROMEIRO, 1999). Este cenário, aliado
ao grande número de habitantes do planeta, que hoje conta com mais
de sete bilhões de pessoas, tem resultado na geração de cerca de 1,4
bilhões de toneladas de resíduos sólidos por ano em todo o mundo,
cerca de 1,4 kg por dia per capita (SENADO, 2018). O nível de
consumo de recursos pela sociedade atingiu, já no ano de 2008, um
nível 30% superior ao que o planeta consegue repor (QUEIROZ,
2015). Perante isto, ressalta-se que a gestão e a disposição inadequada
de resíduos sólidos, podem ocasionar impactos ambientais negativos,
como a contaminação de cursos d’água, a degradação do solo, a
poluição do ar, a intensificação de enchentes e a proliferação de
animais que transmitem doenças (JACOBI; BESEN, 2010). Governos,
empresários e a população em geral, têm percebido que a ausência de
controle sobre os processos geradores de alterações ambientais,
ocasionam prejuízos locais, regionais e globais (SANCHEZ, 2008;
ROUSSOULIÉRES et al., 2013), tornando-se necessário o
desenvolvimento de políticas públicas para minimizar os problemas
decorrentes dos resíduos gerados pelas diferentes atividades
humanas. Tais resíduos são classificados no Brasil como:
“Resíduo domiciliar: resíduos provenientes das residências, contendo
principalmente restos de alimentos, produtos deteriorados, embalagens em
geral, retalhos, jornais e revistas, papel higiênico, fraldas descartáveis e outros
Resíduo comercial: os quais são originados nos diversos estabelecimentos
comerciais e de serviços, tais como supermercados, bancos, lojas, bares e
restaurantes
Resíduo público: são aqueles originados nos serviços de limpeza urbana, como
restos de poda e produtosda varrição das áreas públicas, limpeza de praias e
galerias pluviais e resíduos das feiras livres.
Resíduos Perigosos: são resíduos originados do serviços de saúde, provenientes
de hospitais, clínicas médicas, odontológicas, laboratórios e farmácias, além de
tintas, solventes, aerossóis, produtos de limpeza, lâmpadas fluorescentes,
medicamentos vencidos e pilhas. São potencialmente perigosos, pois pode
conter materiais contaminados com agentes biológicos, produtos químicos e
quimioterápicos, agulhas, seringas, lâminas, ampolas de vidro, brocas etc...
Resíduo industrial: são os resíduos resultantes dos processos industriais, os
quais variam de acordo com o ramo de atividade da indústria.
Resíduos agrícolas: constituído por embalagens de agrotóxicos, rações, adubos,
restos de colheita e dejetos da criação de animais, por exemplo.
Entulhos: restos da construção civil, reformas, demolições e solos de
escavações” (MMA, 2018).
No ano de 2010 foram gerados aproximadamente 183 mil
toneladas de resíduos sólidos no Brasil, e cerca da metade dos
municípios brasileiros (50,8%) destinava seus resíduos para lixões,
27,7% dos municípios depositavam em aterros sanitários e os aterros
controlados eram o destino de 22,5% dos resíduos dos municípios
(IBGE, 2010 apud FIGUEREDO, 2016). No ano de 2014, mais de 50%
dos municípios do Estado do Rio de Janeiro já destinavam seu lixo
em aterros sanitários, mas uma expressiva porcentagem de
municípios ainda destinava para aterros controlados e vazadouros
(DUARTE, 2014).
O cenário atual do descarte de resíduos sólidos no Brasil demanda
um aumento no numero de áreas para locação adequada, pois os
locais popularmente conhecidos como lixões são fonte de inúmeros
problemas ambientais (ONU, 2014; FIGUEREDO, 2016). Estes são
caracterizados como vazadouros a céu aberto sem grande
preocupação ambiental, aonde os resíduos são despejados de forma
desordenada, com pouco controle de seus impactos ambientais,
permitindo muitas vezes livre acesso a população e animais
domesticados (MMA, 2018). Também existem os aterros controlados,
geralmente de acesso restrito e aonde os resíduos são depositados e
compactados em camadas de areia e argila, por exemplo (MMA,
2018; LANZA; CARVALHO, 2006). Por outro lado, os aterros
sanitários são áreas marcadas por grandes obras de engenharia,
projetadas sob critérios técnicos e visam garantir a disposição dos
resíduos sólidos de forma correta, causando em teoria danos
menores à saúde pública e ao meio ambiente, por meio não apenas da
compactação do resíduo, mas também da captação do chorume e do
gás metano (LANZA; CARVALHO, 2006; MMA, 2018).
Como resultado deste cenário, observou-se a necessidade de
instituir a responsabilidade compartilhada dos geradores de
resíduos, incluindo tanto as empresas quanto os consumidores,
prevendo práticas de consumo sustentável, aumento da reutilização e
reciclagem dos materiais e a sua destinação correta (JACOB, 2011).
Esse processo culminou na Lei Federal 12.305 de 2010, a qual foi
denominada de Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que
menciona em seu Art. 4o que a PNRS reúne “o conjunto de
princípios, objetivos, instrumentos, diretrizes, metas e ações
adotados pelo Governo Federal, isoladamente ou em regime de
cooperação com Estados, Distrito Federal, Municípios ou
particulares, com vistas à gestão integrada e ao gerenciamento
ambientalmente adequado dos resíduos sólidos” (BRASIL, 2010).
Buscando solucionar a problemática do descarte inadequado dos
resíduos sólidos urbanos, a PNRS determinou que os mesmos devem
ser destinados aos aterros sanitários, tendo inicialmente o prazo para
o fim dos lixões sendo fixado para julho de 2014, o qual foi
prorrogado por meio do Projeto de Lei 2289/2015 para o dia 31 de
julho de 2018 em regiões de capitais e metropolitanas, 31 de julho de
2019 em cidades de até 100.00 habitantes, dia 31 de julho de 2020
para as cidades que possuem entre 50 e 100.00 habitantes e até 31 de
julho de 2021 para as que possuem menos de 100.000 habitantes
(SENADO, 2015).
Assim, o número de aterros sanitários vem aumentando no Brasil,
e apesar de ser a forma mais adequada de disposição final dos RSU,
estes ainda são considerados como empreendimentos que podem
causar significativos impactos ambientais, se forem mal planejados
e/ou administrados, e por isso são licenciados geralmente por meio
do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e do Relatório de Impacto
Ambiental (RIMA), regidos a nível federal, principalmente pela
Resolução CONAMA No 01 de 1986 (CONAMA, 1986; ALMEIDA et
al., 2017; MMA, 2018).
Cabe ressaltar que a Região Sudeste apresenta a maior parcela da
população brasileira e se encontra predominantemente urbanizada e
industrializada (IBGE, 2018), acarretando em elevada produção de
resíduos sólidos. Assim, essa é a região do país com maior
investimento em limpeza de resíduos sólidos urbanos (RSU), sendo
gerados 107.375 toneladas/dia em 2015 (ABRELPE, 2015). Desse
modo, é especialmente importante o aumento do número de aterros
sanitários nessa região.
Desta maneira, com o intuito de contribuir para a identificação e
análise das principais alterações ambientais previstas a partir do
licenciamento de aterros sanitários, o presente trabalho realizou o
levantamento dos principais impactos listados em EIAs e RIMAs
confeccionados para empreendimentos na Região Sudeste, a mais
populosa do Brasil.
A região Sudeste é marcada, a várias décadas, como sendo
expressivamente industrializada e com a maior parte da população
habitando grandes centros urbanos, especialmente nos estados de
São Paulo e Rio de Janeiro (BRITO, 2001). Atualmente residem no
Estado de São Paulo, aproximadamente, 46 milhões de habitantes, 16
milhões residem no Rio de Ja¬neiro, 21 milhões em Minas Gerais e 4
milhões no Espírito Santo, o que corresponde a aproximadamente
41% da população brasileira, desse modo, apresentando elevada
densidade populacional (IBGE, 2018).
Em 2016, a região sudeste se destacava como a maior geradora de
resíduos sólidos urbanos no Brasil, sendo responsável por 52,7% das
coletas do país, onde 104.790 toneladas foram recolhidas e 72,7%
desse total foram destinados a aterros sanitários (ABRELPE, 2016).
A metodologia utilizada é semelhante a de Landes (2016), tanto
para a realização da coleta de dados, quanto para a sua análise.
Assim, os dados foram coletados a partir da análise de três Estudos
de Impacto Ambiental e cinco Relatórios de Impacto Ambiental,
elaborados para o licenciamento de aterros sanitários no Brasil,
dentro da região Sudeste:
Espírito Santo:
Relatório de Impacto Ambiental – Central de Tratamento e
Disposição Adequada de Resíduos Sólidos de São Mateus (RIMA
SÃO MATEUS, 2010);
Relatório de Impacto Ambiental – Central de Tratamento e
Disposição Adequada de Resíduos Sólidos de Colatina (RIMA
COLATINA, 2009);
Rio de Janeiro:
Estudo de Impacto Ambiental – Central de Tratamento e
Disposição de Resíduos de Três Rios (EIA TRÊS RIOS, 2015);
Estudo de Impacto Ambiental – Ampliação do Aterro Sanitário de
São Pedro da Aldeia (EIA SÃO PEDRO, 2015);
Estudo de Impacto Ambiental – Central de Tratamento de
Resíduos de Barra Mansa (EIA BARRA MANSA, 2017);
São Paulo:
Relatório de Impacto Ambiental – Ampliação da Central de
Tratamento e Valorização Ambiental de Caieiras (RIMA CAIEIRAS,
2016);
Relatório de Impacto Ambiental – Ampliação do Aterro Sanitário
de Guarulhos (RIMA GUARULHOS, 2016);
Relatório de Impacto Ambiental – Aterro Sanitário de São Carlos
(RIMA SÃO CARLOS, 2009).
A resolução CONAMA N° 01 de 1986, no artigo 6°, indica que o
Estudo de Impacto Ambiental terá que apresentar a classificação dos
impactos ambientais previstos e a proposição de medidas de
mitigação (CONAMA, 1986). Sendo assim, mediante as análises dos
estudos e relatórios de impactos ambientais, foram levantadas as
alterações ambientais previstas como consequência dos aterros
sanitários, as quais foram organizadas por componente do meio
ambiente que afetam – físico, biótico ou socioeconômico, além de
serem separadospela fase do empreendimento em que ocorrem –
planejamento, implantação, operação ou encerramento. Além dessas
classificações, os impactos ambientais ainda foram divididos em
positivos, negativos ou negativo/positivo.
Foram contabilizados 30 impactos ambientais diferentes, dentre
os quais 6 foram classificados como positivos, 20 como negativos e 4
receberam classificações tanto positivas quanto negativas. Além
disto, estes ficaram subdivididos nos meios físico (11 impactos),
biótico (6 impactos) e socioeconômico (13 impactos).
Dentre os impactos ambientais mais recorrentes, está a geração
de processos erosivos, que são provocados, por exemplo, pelo
desmatamento da área, bem como pelas atividades de terraplanagem,
abertura de via e implantação de estruturas de drenagens (RIMA São
Mateus 2010, EIA Três Rios 2015, RIMA Guarulhos 2016). Sendo
assim, os processos erosivos são intensificados com as mudanças do
relevo, pois quanto maior o tempo de exposição do solo ou de
alteração da área, fragilizando o solo, maior será a ação intempérica
causada pelos ventos e chuvas, ou seja, maior será as chances de
desagregação de partículas do solo e carreamento das mesmas
(CPRM, 2014) .
Mediante a isto, o aumento de processos erosivos deve ser
monitorado e minimizado por meio de programas propostos nos
estudos ambientais, como Programas de Controle de Processos
Ero¬sivos, visando a redução das atividades de movimentação de
terra, redução da declividade dos aterros e a implementação de um
sistema de drenagem e retenção de sedimentos do solo, além da
revegetação das áreas em que a vegetação foi suprimida (RIMA
CAIEIRAS; 2016, RIMA GUARULHOS, 2016). Cabe ressaltar, que a
redução de processos erosivos e a retenção dos sedimentos, também
minimizam os efeitos negativos dos aterros sanitários sobre os
recursos hídricos, pois reduzem a poluição das águas superficiais e o
assoreamento dos rios (HOLANDA et al., 2009).
O conhecimento da vazão e das características físicas, químicas e
biológicas do percolado (chorume e água de infiltração) são de
extrema importância, pois se não controlado devidamente pode
ocorrer alterações na qualidade das águas superficiais e
subterrâneas, sendo tal processo diretamente relacionado com as
condições climatológicas e geográficas, bem como os tipos de
resíduos existentes no aterro (LANZA; CARVALHO, 2006). A NBR
13.896/97, que estabelece critérios para projeto, implantação e
operação de aterros de resíduos não perigosos, indica que a rede de
drenagem deverá “ser construída por materiais de propriedades
químicas compatíveis com o resíduo, com suficiente espessura e
resistência, de modo a evitar rupturas devido a pressões hidrostáticas
e hidrogeológicas ou contato físico com o líquido percolado ou
resíduo” (NBR, 1997). Para isto, a implantação de Programas de
Monitoramento Geotécnico, que contribuirá para o entendimento da
dinâmica dos resíduos (RIMA SÃO MATEUS, 2010), e Programas de
Monitoramento da Qualidade das Águas, o qual visará o controle das
águas superficiais e subterrâneas, observando a efetividade dos
sistemas de drenagem e a impermeabilização das áreas (RIMA
COLATINA, 2009), são importantes para reduzir alterações na
qualidade dos lençóis freáticos.
Outro impacto relevante e que merece atenção devido a sua
frequência, é a alteração dos níveis de ruídos, o qual se dará pela
execução das atividades rotineiras, principalmente aquelas que
utilizam veículos e equipamentos, sendo recomendados programas
de Monitoramento de Ruídos (EIA SÃO PEDRO, 2015; EIA TRÊS
RIOS, 2015) visando à proteção da saúde dos colaboradores e
habitantes locais, e a adequação dos padrões fixados pela legislação.
Com isso, a norma regulamentadora afirma que “as atividades ou
operações que exponham os trabalhadores a níveis de ruído,
contínuo ou intermitente, superiores a 115 dB(A), sem proteção
adequada, oferecerão risco grave e iminente” (NR, 15). Sendo assim,
verificado tal condição, é de extrema importância a utilização de
protetores auriculares, além da manutenção periódica e adequada
dos veículos e equipamentos, como forma de diminuir os níveis de
ruído.
Decorrente disto, os ruídos afetam o meio biótico pelo
afugentamento da fauna, o qual também ocorre por meio do
desmatamento ou atropelamento, nos aterros sanitários e nas áreas
diretamente afetadas, em decorrência do aumento do tráfego de
veículos. Sendo assim, os gestores das CTR, podem realizar o resgate
de fauna e translocação para locais adequados, principalmente antes
de realizarem a supressão da vegetação nativa (EIA TRÊS RIOS,
2015; EIA BARRA MANSA, 2017). Como estes, a alocação de placas
sinalizadoras da presença de animais, a redução da velocidade
máxima permitida nas vias e a criação de passagens subterrâneas de
fauna, também são medidas mitigadoras válidas para evitar a perda
de indivíduos da fauna por atropelamento. Importante ressaltar, que
os indivíduos que forem feridos por atropelamento, podem ser
recolhidos e enviados para Centros de Triagem de Animais
Silvestres, os quais possuem a finalidade de receber e cuidar destes
animais por meio da reabilitação dos mesmos, como também da
realocação em seu habitat natural (IBAMA, 2016).
Por fim, precisa-se ainda evidenciar que na busca pelos EIAs e
RIMAs por meio de endereços eletrônicos para composição do
pre¬sente estudo, houve dificuldade em localizar estes documentos
dispostos nos sites oficiais do Estado de Minas Gerais, o que
difi¬culta a obtenção de informações pela sociedade em relação aos
em¬preendimentos ali estabelecidos que possuem atividades
potencial¬mente causadoras de significativa degradação do meio
ambiente, não estando completamente alinhado ao artigo 225 da
Constituição federal, aonde em seu inciso 1°, parágrafo IV diz que os
estudos deverão receber publicidade (SENADO, 2018):
“IV - exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade
potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente,
estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará publicidade” (Constituição da
República Federativa do Brasil, Artigo 225, §1° - BRASIL, 1981; SENADO, 2018).
Essa obrigatoriedade é reforçada pela Resolução CONAMA 01 de
1986, a qual menciona a obrigatoriedade da elaboração dos estudos
de EIA/RIMA, sendo que o RIMA deve ser disponibilizado aos
interessados (CONAMA,1986).
Também é importante mencionar, que no presente estudo foram
avaliados oito estudos de impacto ambiental, sendo cinco estudos
confeccionados para analisar a viabilidade da implantação de novos
aterros e três para a ampliação de aterros já existentes. Assim, alguns
impactos ambientais podem ter variações em suas magnitudes em
função da intensidade e da frequência variar em cada
empreendimento.
Fase de planejamento
Foram computados para a fase de planejamento apenas 3 impactos
ambientais (Quadro 1), todos atingindo o meio socioeconômico. Dois
impactos receberam a natureza positiva/ negativa e um negativa.
Quadro 1. Impactos ambientais previstos para a fase de planejamento de aterros sanitários e
a sua frequência e natureza, na região Sudeste do Brasil.
Meio Afetado Impactos Ambientais Frequência
relativa (%)
Natureza
SOCIOECONÔMICO
Geração de expectativas
relacionadas ao
empreendimento
87,50%
Negativo/
Positivo
Alteração do mercado
imobiliário
37,50% Negativo/
Positivo
Decreto de desapropriação de
moradores
12,50% Negativo
A NBR 13896/97, menciona no inciso 4.1.1 critérios básicos para a
seleção do local mais adequado para a implantação de uma central de
tratamento de resíduos, o qual inclui a análise da topografia local, a
geologia e os tipos de solo, a vegetação presente na área, a facilidade
de acesso das máquinas e veículos, a viabilidade econômica e o
tempo de vida útil disponível, além da distância mínima dos núcleos
populacionais, que deve ser superior a 500 metros (NBR, 1997).
Então, esses são fatores que devem ser devidamente estudados
durante o planejamento, para que a implantação e a operação do
aterro sanitário possam se tornar ambientalmente viáveis.
Medianteo exposto, um dos impactos destacados nesse período
do empreendimento, classificado como negativo, foi o decreto de
desapropriação de moradores, que acontecerá caso ocorra a
aprovação do estudo, com os residentes da área diretamente afetada
de São Carlos, no Estado de São Paulo. No entanto, a FIPAI, empresa
responsável pelo licenciamento do aterro sanitário, afirma que a
proposta da implantação é plenamente viável no plano social,
econômico e ambiental do município, pois aqueles que forem
afetados com tal decreto, os quais estão distribuídos em 7 núcleos
habitacionais, contabilizando aproximadamente 63 moradores,
receberão indenização pela sua propriedade e pelo encerramento de
seus lucros com a plantação de cana-de-açúcar existente no local
(RIMA SÃO CARLOS, 2009). É comum ocorrer a desapropriação de
moradores em áreas aonde grandes empreendimentos serão
implantados e a indenização é frequentemente utilizada como
medida compensatória. Tal impacto é especialmente importante em
regiões com elevada densidade populacional, como a Região Sudeste.
Além disto, nos impactos relacionados às alterações do mercado
imobiliário, duas vertentes foram destacadas: uma, a qual defende o
lado positivo da implantação, por meio da defesa do aumento de
áreas adequadas para a destinação de resíduos sólidos, as quais
geralmente são regiões predominantemente rurais (RIMA SÃO
CARLOS, 2009, EIA SÃO PEDRO, 2015) gerando crescimento
urbanizado; e outra que parte do pressuposto que este impacto pode
ser negativo, pois na CTR de Três Rios, por exemplo, foi alegado pela
empresa que a implantação do mesmo irá desvalorizar o mercado
imobiliário da localidade (EIA TRÊS RIOS, 2015).
Foi destacada também a geração de expectativas positivas
relacionadas ao empreendimento, aonde ocorrerá a geração de
empregos formais, com o aumento da qualificação de mão de obra e
da renda do município, por meio de arrecadações de encargos,
contribuições, taxas e impostos. No entanto, tal impacto também
pode ser classificado como negativo, o qual ficou conhecido como
efeito NIMBY; do inglês “Not In My Back Yard”, ou seja, “não no
meu quintal” (MONTANO et al., 2012), aonde a angústia gerada nos
moradores por meio das mudanças anunciadas e os possíveis
incômodos ocasionados com a implantação, serão mitigados por
meio do desenvolvimento de ações de comunicação social, incluindo
a realização de audiência pública, com vistas a esclarecer dúvidas e
identificar as principais demandas da população, visando analisar
qualquer impasse levado pelos cidadãos (RIMA CAIEIRAS, 2016).
Fase de implantação
Durante a fase de implantação do aterro sanitário foram levantados
22 impactos ambientais (Quadro 2), ocorrendo estes no meio físico
(10 impactos), biótico (4 impactos) e socioeconômico (8 impactos).
Destes, 15 impactos receberam natureza negativa, quatro outros
foram considerados como positivos/negativos e 3 impactos
receberam natureza positiva.
Quadro 2. Impactos ambientais previstos para a fase de implantação de aterros sanitários e a
sua frequência e natureza, na região Sudeste do Brasil.
Meio Afetado Impactos Ambientais Frequência
relativa (%)
Natureza
FÍSICO Alteração de paisagem 100,0% Negativo/
Positivo
Meio Afetado Impactos Ambientais Frequência
relativa (%)
Natureza
Geração de processos erosivos e
de assoreamento
87,5% Negativo
Alteração na qualidade das
águas superficiais
87,5% Negativo
Alterações nos níveis de ruídos 75,0% Negativo
Alteração na qualidade das
águas subterrâneas
75,0% Negativo
Alteração na qualidade do ar 62,5% Negativo
Aumento do risco de
contaminação do solo
37,5% Negativo
Alteração no uso e ocupação do
solo
37,5% Negativo/
Positivo
Alteração do regime
hidrogeológico
25,0% Negativo
Aumento na emissão de material
particulado
12,5% Negativo
BIÓTICO
Perda de espécimes da fauna
local
87,5% Negativo
Redução da cobertura vegetal 75,0% Negativo
Interferência nas espécies
ameaçadas de extinção
25,0% Negativo
SOCIOECONÔMICO Geração de expectativas
relacionadas ao
empreendimento
87,5%
Negativo/
Positivo
Meio Afetado Impactos Ambientais Frequência
relativa (%)
Natureza
Aumento na oferta de empregos 75,0% Positivo
Aumento na ocorrência de
acidentes de trabalho
62,5% Negativo
Aumento na arrecadação de
tributos
50,0% Positivo
Alteração do mercado
imobiliário
37,5% Negativo/
Positivo
Interferência em sítios com
valor arqueológicos e/ou cultural
25,0% Negativo
Alteração das condições de vida
população
87,5% Negativo
Interferência na atividade
mineradora existente na ADA
12,5% Negativo
Aumento da qualificação
profissional
12,5% Positivo
É nesta fase que se observa a maioria dos impactos am-bientais
ocasionados por uma CTR, embora alguns não sejam per¬manentes
em função do término das obras de implantação da CTR. Dentro
destes impactos, foi observado na totalidade dos estudos ambientais
avaliados, que durante a implantação dos aterros sanitários ocorrerá
a alteração da paisagem, caracterizada por atividades como a
movimentação de terra, a implantação das estruturas de drenagem, a
abertura de vias de acesso, dentre outras (RIMA Caieiras 2016).
Sen¬do assim, o funcionamento do aterro deve ocorrer conforme a
NBR 13896/97, aplicando a impermeabilização, recobrimento diário e
cobertura final, co¬leta, drenagem e também o tratamento de
líquidos percolados, drenagem su-perficial, bem como coleta e
tratamentos dos gases e o monito¬ramento (LANZA; CARVALHO
2006; CARVALHO, 2016), visando mitigar vários impactos
ambientais, incluindo a degradação do solo, contaminação de
recursos hídricos, além da poluição do ar.
No estudo da viabilidade ambiental é necessário incluir a análise
da localização, para que a degradação da paisagem e dos demais
componentes ambientais seja reduzida (MONTANO et al., 2012). A
implantação de barreiras de árvores (cinturão ver¬de), no entorno dos
aterros sanitários, também reduz a poluição da paisagem, pois
diminui a visibilidade dos aterros, tais barreiras, em alguns casos,
podem ser implantadas com a recuperação da vegeta¬ção nativa,
servindo também como reposição florestal e mecanismo de
recuperação de área degradada (EIA BARRA MANSA, 2017).
A geração de novos processos erosivos, através das modificações
realizadas no terreno, podem induzir alterações nas taxas de
infiltração das águas pluviais, bem como no regime de escoamento,
aumentando as chances de formar canais preferenciais de
escoamento da água, capazes de desencadear a formação de sulcos e
ravinas e também provocar o assoreamento de rios (EIA SÃO
PEDRO DA ALDEIA, 2015). Tais impacto pode ser mitigados por
meio de controle e monitoramento dos processos erosivos,
recomposição florestal e paisagística, e/ou implementação de Reserva
Legal (EIA TRÊS RIOS, 2015).
Ao longo da implantação do empreendimento, também destaca-se
possíveis alterações na qualidade das águas superficiais e
subterrâneas, as quais podem ocorrer superficialmente devido ao
caso de vazamentos de combustíveis e lubrificantes de veículos e
equipamentos e de chorume (RIMA CAIEIRAS, 2016). Tal alteração
também pode ocorrer de forma subterrânea, pelo próprio
carreamento de sedimentos, por meio da ação dos ventos e das
chuvas, as quais percolam, se não impermeabilizados corretamente,
com o elevado teor de metais pesados existentes em alguns dos
materiais, como por exemplo o elemento Cádmio (Cd), muito
utilizado para fins industriais e também associado à pilhas e
baterias, o qual pode fixar-se principalmente nos rins e no fígado das
pessoas, podendo ocasionar câncer nos rins e no trato urinário,
fígado ou estômago, ou até mesmo o Ferro (Fe), o qual é essencial a
saúde humana; porém em excesso pode causar dores articulares,
lesões hepáticas e cardíacas (CARVALHO, 2016; MES, 1999).
Sendo assim, é importante a efetividade das obras de engenharia
quanto a impermeabilidade do solo e rede de drenagens, impedindo
que os recursos hídricos do local sejam contaminados. Para isto,
programas de Monitoramento e Tratamento dos Líquidos Percolados
devem ser instituídos pormeio de registros e inspeções periódicas
visando o correto controle e funcionamento do sistema e
equipamentos (EIA SÃO PEDRO, 2015).
Dentro dos impactos ao meio físico, vale ainda ressaltar as
alterações nos níveis de ruídos, os quais serão passíveis de acontecer
devido às obras e atividades de desmate e terraplenagem, as quais
gerarão maior movimentação de veículos e pessoas, além da
utilização de máquinas (EIA BARRA MANSA, 2017) implicando
também na alteração da qualidade do ar, por meio da suspensão de
materiais particulados, os quais serão necessários o monitoramento e
o controle da qualidade (EIA TRÊS RIOS, 2015) para que se mitigue o
processo de poluição, definida na Política Nacional de Meio
Ambiente (PNMA) como:
“III - poluição, a degradação da qualidade ambiental resultante de atividades
que direta ou indiretamente:
a) prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população;
b) criem condições adversas às atividades sociais e econômicas;
c) afetem desfavoravelmente a biota;
d) afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente;
e) lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais
estabelecidos;” (BRASIL, 2018).
Já no meio biótico, com a redução da cobertura vegetal para a
implantação do aterro, ocorrerá perturbação na fauna local, a qual se
torna mais agravante quando se afeta espécies-chaves classificadas
como “espécies que têm relações ecológicas tão importantes em um
ecossistema que sua falta afeta significativamente diversas outras”
(Hammes 2012), como no caso da central de resíduos em Três Rios,
no qual registrou-se a presença de duas espécies ameaçadas de
extinção (TRÊS RIOS, 2015), as quais receberão resgate e transplantio
de indivíduos, bem como o plantio de mudas. A orientação dos
funcionários para que evitem danificar as espécies vegetais e animais
das proximidades do aterro e possam auxiliar no seu salvamento
também é importante (EIA BARRA MANSA, 2017; EIA TRÊS RIOS,
2015).
Destaca-se ainda frequentemente, ora positivamente, ora
negativamente, a alteração da qualidade de vida da comunidade
residente na ADA (Área diretamente afetada) pela implantação dos
aterros. A população sentirá, por exemplo, o aumento da
movimentação dos veículos e da poluição sonora e atmosférica
ocasionada por eles, além das mudanças na paisagem, nos valores de
imóveis e no seu cotidiano. Porém, estudos como o de Três Rios já
alegam que este impacto também possui viés positivo, haja vista a
novas oportunidades de emprego que serão oferecidas com a
implantação, podendo proporcionar renda à população local (EIA
TRÊS RIOS, 2015).
Outro impacto positivo relacionado à fase de implantação, sendo
classificado como todos os impactos positivos como de alta
magnitude, foi o aumento da arrecadação de tributos durante as fases
de implantação e operação, incidindo sobre as despesas e receitas
operacionais do empreendimento, como encargos, contribuições,
taxas e impostos (RIMA GUARULHOS, 2016).
Vale ressaltar que foram ainda observadas instalações nas quais
ocorrerá interferência em sítios com valor arqueológico e/ou cultural,
como no caso de Três Rios, aonde será implantado um programa do
Patrimônio Cultural e Arqueologia Preventiva, e no de São Pedro da
Aldeia, no qual foi encontrado dois sítios arqueológicos cerâmicos
durante o diagnóstico ambiental e foram denominados de Maracanã
1 e 2, aonde será implantado um Programa de Salvamento
Arqueológico, no qual irá detectar sítios arqueológicos, recolhendo o
material encontrado, armazenando-o em áreas adequadas (EIA TRÊS
RIOS, 2015; EIA SÃO PEDRO, 2015). Além destes, também foi
observado interferências em atividades seculares, como na atividade
de mineração presente na ADA de Caieiras, a qual deverá ser
encerrada, pois a empresa Essencis, competente ao licenciamento,
alega que as atividades de mineração podem desestabilizar os
maciços de resíduos, não sendo permitido o funcionamento dos dois
tipos de atividade (RIMA CAIEIRAS, 2016). Apesar disso, a mesma
alega que a implantação da CTR possui prioridade sobre a atividade
de mineração, pois os aterros sanitários são obras de interesse
público, devendo ser então solicitado o bloqueio das áreas com
processos minerários, ocorrendo indenização.
Fase de operação
Na fase de operação dos aterros sanitários foram registrados 27
impactos ambientais (Quadro 3), subdivididos entre os meios físico
(11 impactos), biótico (5 impactos) e socioeconômico (11 impactos),
dentre os quais 18 impactos foram classificados como negativos.
Além destes, outros 3 impactos foram classificados como
negativos/positivos, ocorrendo também o registro de mais 6 impactos
classificados como positivos.
Quadro 3. Impactos ambientais previstos para a fase de operação de aterros sanitários e a
sua frequência e natureza, na região Sudeste do Brasil.
Meios Afetados Impactos Frequência
relativa (%)
NaturezaMeios Afetados Impactos Frequência
relativa (%)
Natureza
FÍSICO
Alteração de paisagem 100,0% Negativo/
Positivo
Geração de processos erosivos e
de assoreamento
87,5% Negativo
Alteração na qualidade das águas
superficiais
87,5% Negativo
Alterações nos níveis de ruídos 75,0% Negativo
Alteração na qualidade das águas
subterrâneas
75,0% Negativo
Alteração na qualidade do ar 62,5% Negativo
Aumento do risco de
contaminação do solo
37,5% Negativo
Alteração no uso e ocupação do
solo
37,5% Negativo/
Positivo
Alteração do regime
hidrogeológico
25,0% Negativo
Aumento de risco de rupturas e
deslizamento de taludes de
resíduos
25,0% Negativo
Aumento na emissão de material
particulado
12,5% Negativo
BIÓTICO Perda de espécimes da fauna
local
87,50% Negativo
Redução da cobertura vegetal 75,0% Negativo
Meios Afetados Impactos Frequência
relativa (%)
Natureza
Alteração nos níveis de odores* 25,0% Negativo
Aumento da cobertura vegetal 12,5% Positivo
Interferência nas espécies
ameaçadas de extinção
25,0% Negativo
SOCIOECONÔMICO Geração de expectativas
relacionadas ao empreendimento
87,5% Negativo/
Positivo
Aumento na oferta de empregos 75,0% Positivo
Aumento na ocorrência de
acidentes de trabalho
62,5% Negativo
Aumento na oferta de local
adequado para disposição de
resíduos sólidos
62,50% Positivo
Aumento na arrecadação de
tributos
50,0% Positivo
Desmobilização da mão de obra
após encerramento das
atividades
50,0% Negativo
Alteração do mercado
imobiliário
37,5% Negativo/
Positivo
Melhoria da gestão pública
integrada aos resíduos
25,0% Positivo
Interferência em sítios com valor
arqueológicos e/ou cultural
25,0% Negativo
Aumento da atração de vetores
de doença
25,0% Negativo
Meios Afetados Impactos Frequência
relativa (%)
Natureza
Decreto de desapropriação de
moradores
12,5% Negativo
Alteração das condições de vida
população
87,5% Negativo
Interferência na atividade
mineradora existente na ADA
12,5% Negativo
Aumento da qualificação
profissional
12,5% Positivo
Pode ser entendido como um impacto no meio físico.
Foram ressaltados durante esta fase, em grande maioria, impactos
físicos os quais já foram mencionados anteriormente; como:
alteração da paisagem, geração de processos erosivos e de
assoreamento, alterações na qualidade das águas superficiais e
subterrâneas, alterações nos níveis de ruídos e materiais particulados
em suspensão.
Destaca-se então de forma significativa, presente em 62% dos
estudos analisados, o aumento da ocorrência de acidentes de
trabalho. Tais acidentes deverão ser mitigados, e assim diminuídos
significativamente, se praticados por todos os membros da equipe de
forma adequada, por meio da distribuição de equipamentos de
proteção individual (EPI), cujo o qual entende-se por “todo
dispositivo ou produto de uso individual, utilizado pelo trabalhador,
destinado à proteção de riscos suscetíveis de ameaçar a segurança e a
saúde no trabalho”, que a empresa é obrigada a fornecer de forma
gratuita aos colaboradores o EPI adequado ao risco, conservado e
funcionando (NR- 6), além de serem orientados por meio de
programas de treinamento, a adotarem medidaspreventivas e/ou
corretivas para proteger os trabalhadores e a população contra os
acidentes (RIMA COLATINA, 2009).
Outro impacto potencializado durante a fase de operação é a
alteração na qualidade do ar no local, que se reflete na quantidade de
material particulado gerado pelas obras e transição das máquinas nas
vias, além de serem influenciados pelos gases subpro¬dutos da
decomposição: gás carbônico (CO2) e metano (CH4), os quais
contribuem para o agravamento do efeito estufa, devendo ser
drenados e tratados adequadamente (SNSA, 2008).
Sendo assim, medidas como: Coleta e queima do biogás em flares
(ou “chamas”) de alta eficiência, reduzindo as emissões de gases de
efeito estufa; umectação das vias internas do empreendimento com
caminhões pipa, manutenção periódica de veículos e equipamentos
para o controle de emissão de fumaça preta, foram propostas para
que tal impacto seja então mitigado (RIMA CAIEIRAS, 2016; RIMA
GUARULHOS, 2016).
Diversos benefícios, incluindo sociais e econômicos, podem ser
obtidos dos gases resultantes da decomposição dos resíduos, através
do Crédito de Carbono. Tal documento pode incentivar,
especialmente, empresas de países como o Brasil, países em
desenvolvimento, a aumentar o investimento em mecanismos de
desenvolvimento limpo, pois estes possibilitam conseguir os créditos
de carbono, e vender para os países desenvolvidos, visto que tais
países se veem obrigados a alcançarem as suas metas em relação a
redu¬ção da emissão de gases após assinarem o protocolo de Quioto
- 1997. Cada crédito de carbono é formado pela não emissão ou
captura de uma tonelada de dióxido de carbono (CO2) equivalente da
atmosfera (BRASIL, 2017; EIBEL et al., 2016)
Foi comprovado recentemente que em um horizonte de 100 anos,
o poder de aquecimento global do metano é 21 vezes maior do que o
do dióxido de carbono (ELK, 2007), sendo assim, estes gases são
queimados de forma enclausurada, evitando que os mesmos sejam
enviados a atmosfera, ganhando então títulos de “Créditos de
Carbono”, emitidos pela Organização das Nações Unidas (ONU) o
qual é vendido a estes países que apoiam a causa de práticas limpas,
mas não tem conseguido atingir suas metas.
Outro setor, como o de energia elétrica, pode ainda se beneficiar
com a captação e queima deste biogás, haja visto que o mesmo
possui grande potencial de energia elétrica, pois de acordo com
estudos “ um aterro com cerca de 1 milhão de toneladas, típico de
uma cidade com cerca de 300 mil habitantes, pode ter uma potência
de aproximadamente 1MW de energia elétrica por uma década”
(ZULAUF, 2004 apud ELK, 2007).
Além deste, ressalta-se que os resíduos sólidos são grandes
atra¬tivos para vetores de doenças. Vários animais, como ratos,
mosquitos, moscas e até mesmo for¬migas, são capazes de
disseminar doenças como Leptospirose, Peste bubônica, Dengue,
Febre amarela, Malária, Giardíase, Cólera, e Amebíase por exemplo
(MMA, 2018) , oferecendo riscos de saúde aos trabalhadores do
aterro, bem como da população no entorno, os quais serão
miti¬gados por meio de Programas de Controle de Vetores que agirá
por meio da coleta e tratamento de líquidos percolados e o
recobrimento diário dos resíduos com camada de solo, evitando a
presença destes animais; os quais, se forem avistados podem ser
tomadas medidas de dedetização na área. (EIA TRÊS RIOS, 2015).
Novos impactos positivos também foram registrados durante a
operação do aterro. O aumento na oferta de local adequado para a
disposição de resíduos sólidos, classificado como de alta magnitude,
vai de acordo com os objetivos de proteção da saúde pública e da
qualidade ambiental por meio da disposição final ambientalmente
adequada dos rejeitos, implantados então pela Política Nacional de
Resíduos Sólidos (PNRS, 2010).
No caso da Central de Tratamento de Resíduos Sólidos de Três
Rios, ainda pode ser observado outro impacto positivo denominado
como aumento da área verde do local, o qual foi elaborado mediante
um projeto de implantação de um Cinturão de Proteção Arbórea, que
promoverá o aumento da biodiversidade do local e a melhoria da
paisagem, utilizando-se do plantio de espécies nativas para a
recu¬peração do ecossistema local (EIA TRÊS RIOS, 2015).
Fase de encerramento
Na fase de encerramento, foram levantados 21 impactos ambientais
(Quadro 4), ocorrendo estes no meio físico (9 impactos), meio biótico
(4 impactos) e meio socioeconômico (8 impactos). Destes, 14
impactos receberam natureza negativa e quatro impactos foram
considerados como positivos/negativos.
Quadro 4. Impactos ambientais previstos para a fase de encerramento de aterros sanitários e
a sua frequência e natureza, na região Sudeste do Brasil.
Meio afetado Impactos Frequência
relativa (%)
Natureza
FÍSICO Alteração de paisagem 100,0% Negativo/
Positivo
Geração de processos erosivos e
de assoreamento
87,5% Negativo
Alteração na qualidade das águas
superficiais
87,5% Negativo
Alteração na qualidade das águas
subterrâneas
75,0% Negativo
Alteração na qualidade do ar 62,5% Negativo
Meio afetado Impactos Frequência
relativa (%)
Natureza
Aumento do risco de
contaminação do solo
37,5% Negativo
Alteração no uso e ocupação do
solo
37,5% Negativo
Alteração do regime
hidrogeológico
25,0% Negativo
Aumento de risco de rupturas e
deslizamento de taludes de
resíduos
25,0% Negativo
BIÓTICO
Perda de espécimes da fauna
local
87,5% Negativo
Alterações nas populações
bióticas
87,5% Positivo
Alteração nos níveis de odores* 25,0% Negativo
Aumento da cobertura vegetal 12,5% Negativo
SOCIOECONÔMICO Geração de expectativas
relacionadas ao empreendimento
87,5% Positivo
Aumento na oferta de local
adequado para disposição de
resíduos sólidos
62,5% Positivo
Desmobilização da mão de obra
após encerramento das
atividades
50,0% Negativo
Alteração do mercado
imobiliário
37,5% Negativo/
Positivo
Meio afetado Impactos Frequência
relativa (%)
Natureza
Melhoria da gestão pública
integrada aos resíduos
25,0% Negativo
Interferência em sítios com valor
arqueológicos e/ou cultural
25,0% Negativo/
Positivo
Aumento da atração e
proliferação de vetores de
doença
25,0%
Negativo/
Positivo
Interferência na atividade
mineradora existente na ADA
12,5% Negativo/
Positivo
*Pode ser entendido como um impacto no meio físico.
Faz-se necessário que cada aterro sanitário possua em suas
documentações um plano de encerramento e cuidados com o aterro,
o qual deverá conter dados como os métodos e as etapas a serem
seguidas no fechamento, a data aproximada para o início das
atividades do fechamento e a quantidade de resíduo estimada para a
época, as atividades de manutenção da área que deverão ser feitas,
além do monitoramento das águas após o término das operações, o
qual deverá ser fiscalizado por um período até 20 anos (o qual pode
ser reduzido caso seja constatado o término da geração de líquidos
percolados) (NBR, 1997).
Não apenas isto, mais de acordo com o item 5.8.3.3 da mesma NR,
deverá ser realizado programas de manutenção da cobertura do solo,
de modo a corrigir rachaduras ou erosão, indo de encontro ao
aumento do risco de rupturas e deslizamento de taludes de resíduos,
os quais serão mitigados pelos próprios monitoramentos citados
anteriormente.
Destaca-se nesta fase, que impactos até então tomados como
negativos, agora são vistos com algo positivo ao meio ambiente
(RIMA SÃO MATEUS, 2010). A exploração em que ocorre nas
paisagens do local até este dado momento, receberá agora
procedimentos que visem o controle e a segurança ambiental, por
meio da implantação de coberturas impermeabilizantes e solo
vegetal, o qual futuramente ocorrerá plantio de grama e instalação de
instrumentos de monitoramento geotécnico visando a drenagem
superficial, melhorando assim, toda a imagem de simples exploração
e degradação ambiental (RIMA SÃO MATEUS, 2010).
Após o encerramento, ocorre a desmobilização da mão de obra, o
qual, as empresas enfatizam sua pretensão em tentar mitigar tal
problemática, fomentando a experiência dos trabalhadores durante a
operação;R. Assessing the impact of environmental management systems on corporate and
environmental performance. Journal of Operations Management, v. 21, n.3, p.329-351, 2003. 
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24 jul. 2019.
2
CRIAÇÃO DE BOVINOS E EQUINOS
Clarisse da Silva Guimarães, Fabíola de Sampaio Rodrigues Grazinoli Garrido & Fábio Souto
de Almeida
O Brasil é um país com forte vocação para atividades agropecuárias,
sendo um dos maiores produtores de grãos e possuidor de um dos
maiores rebanhos bovinos do mundo (SCHLESINGER, 2010). O país
ocupa a terceira posição no ranking dos maiores produtores de carne
bovina, ficando atrás somente dos Estados Unidos da América e da
União Europeia (AMARAL et al., 2012). A criação de cavalos também
ocupa um lugar de destaque entre as principais atividades rurais do
país, pois apresenta o terceiro maior rebanho de equinos do planeta
(FAO, 2007).
A criação de bovinos e equinos é um processo complexo, exigindo
uma série de atividades e de insumos (ALENCAR; POTT, 2003;
CAMPOS JUNIOR, 2008). Resíduos sólidos e líquidos gerados no
processo de criação desses animais podem causar impactos
ambientais negativos, incluindo a poluição das águas e do solo.
Problemas ambientais também podem ser gerados quando não se
tomam os devidos cuidados com o manejo do solo, ocasionando a
compactação do solo ou o aumento da erosão. Além disso, a emissão
de gases do efeito estufa é um parâmetro ambiental que deve ser
considerado pelos pecuaristas, pois a pecuária é responsável por
14,5% da emissão desses gases originados de atividades humanas
(FAO, 2014). Assim, cuidados devem ser tomados para evitar que
impactos ambientais negativos ocorram em função das atividades
necessárias para a criação de bovinos e equinos.
Nesse sentido, nesse capítulo são avaliados os principais impactos
ambientais que podem ser gerados pelas atividades necessárias para
a criação de bovinos e equinos. Além disso, aponta medidas
mitigadoras ou compensatórias para os impactos ambientais
negativos identificados e medidas maximizadoras para os impactos
positivos. Tais informações podem ser úteis na elaboração de
Sistemas de Gestão Ambiental (SGA) em propriedades rurais e em
organizações do setor pecuário.
Inicialmente, foi realizado o levantamento das atividades
necessárias para a criação de bovinos e equinos, observando-se,
ainda, a forma como as atividades são executadas. Para determinar as
atividades que seriam abordadas foi utilizada a expertise dos
presentes autores, além da consulta bibliográfica (ALENCAR; POTT,
2003; CAMPOS JUNIOR, 2008; EMBRAPA GADO DE LEITE, 2015).
As atividades referentes à criação dos animais foram separadas em
função das fases de implantação ou operação do empreendimento.
As atividades necessárias para a criação de bovinos e/ou cavalos
podem causar impactos ambientais, tanto na fase de implantação
(Quadro 1) quanto na fase de operação do empreendimento (Quadro
2). Dessas, destacam-se as atividades voltadas para o manejo do
pasto, que provocam impactos ambientais negativos, principalmente,
quando as pastagens ocupam grandes áreas. Atividades voltadas para
o manejo dos animais (controle sanitário, processos de higiene
animal e treinamento dos animais) também provocam diversos
impactos ambientais negativos.
Quadro 1. Atividades, impactos ambientais e medidas mitigadoras, compensatórias ou
maximizadoras relativos à criação de bovinos e/ou equinos na fase de implantação do
empreendimento.
Atividades Impactos Ambientais Medidas mitigadoras/
compensatórias/ maximizadorasAtividades Impactos Ambientais Medidas mitigadoras/
compensatórias/ maximizadoras
Construção
e/ou
manutenção de
instalações
Alteração da paisagem.
Redução da
disponibilidade de
recursos naturais e
energia. Poluição
atmosférica. Poluição
sonora, do solo e de
recursos hídricos. Danos
à saúde de pessoas.
Projeto paisagístico. Uso racional dos
recursos naturais e da energia.
Reciclagem e reutilização de materiais.
Correta disposição final de resíduos.
Realizar construções que possibilitem a
captação e armazenamento da água da
chuva e o bom aproveitamento da luz
solar. Manutenção dos equipamentos.
Utilização de equipamentos silenciosos
e eficientes no uso de energia. Uso de
equipamentos de proteção individual
pelos trabalhadores.
Preparo da
terra por
aração e
gradagem
Aumento da erosão e
perda de solo. Perda de
fauna do solo. Poluição e
assoreamento de cursos
d’água. Aumento do
nivelamento do solo, da
sua uniformidade e
aeração. Incorporação de
material vegetal no solo.
Aração em curva de nível. Manutenção
ou reflorestamento das matas ciliares.
Proteção de nascentes. Semeadura
direta.
Calagem e
adubação
Poluição da água.
Melhoria das condições
do solo para o
crescimento das plantas.
Realizar a análise química do solo e
utilizar somente a quantidade
necessária de calcário e adubo.
Adubação verde.
Semeadura
Introdução de espécies
exóticas e possível perda
de espécies nativas.
Utilizar espécies nativas.
Atividades Impactos Ambientais Medidas mitigadoras/
compensatórias/ maximizadoras
Controle de
plantas
invasoras
Poluição do solo e da
água. Contaminação
humana por uso de
herbicida. Diminuição da
competição entre as
gramíneas cultivadas e as
plantas daninhas.
Adequada calagem e fertilização do
solo, correta taxa de semeadura e
plantio na época apropriada. Uso de
equipamentos de segurança pelos
trabalhadores. Menor utilização de
herbicidas. Controle manual com
enxadão ou foice, ou o controle
biológico. Aplicar o herbicida em dias
sem chuva e ventos fortes.
Uso de
maquinários e
veículos
Poluição sonora.
Aumento da incidência
de doenças nos
funcionários, decorrente
da falta de uso de
equipamentos de
proteção. Alteração da
qualidade do ar devido à
emissão de gases.
Alteração do clima, em
função da liberação de
gases do efeito estufa.
Poluição do solo e água
decorrente do vazamento
de óleos. Compactação
do solo.
Utilização de maquinários e veículos
mais silenciosos. Uso de equipamento
de proteção auditiva e visual. Mão de
obra capacitada. Manutenção dos
maquinários e veículos. Utilização de
fontes de energia menos poluentes e
que não colaborem para o aumento da
concentração de gases do efeito estufa
na atmosfera. Substituição de máquinas
pelo uso de tração animal.
Planejamento
paisagístico
Introdução de espécies
exóticas e possível perda
de espécies nativas.
Obtenção de uma
paisagemgerando qualificação da mão de obra, no qual permitirá
futuras oportunidades por meio de programas de treinamento e
capacitação dos funcionários ou por meio da realocação dos
funcionários em outras atividades do Grupo (RIMA SÃO MATEUS,
2010; RIMA CAIEIRAS, 2016).
Observa-se que a maioria dos impactos ambientais provocados
pelos aterros sanitários na região Sudeste são negativos e ocorrem
em todas as fases do empreendimento, afetando componentes do
meio físico, biológico e socioeconômico. Porém, destaca-se de
maneira significativa o meio físico, o qual apresenta a maior
quantidade destes impactos. No entanto, estes são classificados
como impactos de baixa e média magnitude e podem ter seu
potencial de dano minimizado.
Alguns impactos receberam classificações positivas e/ou
negativas, pois os mesmos podem variar de acordo com a linha de
raciocínio a ser tomada pelas equipes que elaboraram os estudos
ambientais, além de variarem mediante a fase em que ocorrem, como
foi o caso das alterações realizadas na paisagem. Na fase de
implantação e operação as estruturas do aterro sanitário geralmente
são entendidas como causadoras de degradação da paisagem, porém
a paisagem anterior a implantação pode não ser bela, podendo ainda
ser realizado a revegetação da área com um projeto paisagístico, por
exemplo.
Destaca-se a presença de importantes impactos relativos à
sociedade, como o aumento na oferta de empregos e melhorias na
qualificação da mão de obra, gerando maiores índices de empregos
formais, além do aumento na oferta de local adequado para
disposição de resíduos sólidos, o que ocasiona diversos benefícios
para a saúde da população e para a manutenção da qualidade de
recursos naturais. Também promove maior arrecadação de tributos
para as cidades envolvidas.
Sendo assim, além dos aterros sanitários serem não somente
protegidos, mas também exigidos por meio da lei federal, estes
caracterizam-se como uma das técnicas mais seguras e de menor
custo para a destinação de resíduos, sendo analisada antes de seu
licenciamento cada alteração que o mesmo poderá trazer aos
componentes ambientais físicos, bióticos e socioeconômicos.
Portanto, fundamentado em critérios técnicos e estando de acordo
com as normas vigentes, pode-se controlar a poluição ambiental,
proteger a saúde pública e evitar a degradação ambiental, garantindo
a viabilidade da implantação de novos aterros sanitários.
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10
GASODUTOS
Sara Bianco & Fábio Souto de Almeida
O crescimento populacional, a industrialização e o aumento da frota
de veículos automotores estão entre os fatores que vem causando o
aumento da demanda por energia (VIANA, 2015). Inúmeros
problemas ambientais estão associados com a obtenção e o uso de
energia (MARTINS et al., 2015). Porém, observa-se que o baixo
consumo de energia está relacionado a uma menor expectativa de
vida e a altas taxas de analfabetismo e mortalidade infantil
(GOLDEMBERG, 1998). Assim, a baixa disponibilidade energética
pode causar agravos à população e afetar a qualidade de vida, pois o
consumo de energia é necessário, por exemplo, para a geração de
bens e serviços, o transporte de cargas e pessoas e o desenvolvimento
científico e tecnológico.
As fontes de energias são classificadas em renováveis, como a
biomassa, a energia hidráulica, a eólica e a solar, e não renováveis,
exemplo do carvão mineral, do petróleo e do gás natural (EPE, 2019).
Dados do balanço energético nacional (BEM, 2017) indicam que
42,9% da oferta interna de energia no Brasil é referente a fontes
renováveis, principalmente hidráulica e biomassa, e a maior parte
(57,1%) é devido a fontes não renováveis – petróleo e derivados
(36,4%), gás natural (13%), carvão mineral (5,7%), urânio (1,4%) e
outras fontes não renováveis (0,6%) (EPE, 2018).
A matriz energética brasileira vem se diversificando, aumentando
a produção de energia a partir de fontes renováveis (FERRAZ;
CODECEIRA, 2017). Contudo, a maior parte da energia utilizada
provém de fontes não renováveis. Dentre essas, o gás natural é
expressivamente relevante na atualidade, sendo composto por
hidrocarbonetos, principalmente metano (CH4), mas também por
etano (C2H6) e propano (C3H8) (ANP, 2019a). Esse gás vem sendo
obtido no Brasil em reservatórios geológicos e é amplamente
utilizado como combustível para veículos automotores, originando o
Gás Natural Veicular (GNV) (ANP, 2019a).
A distribuição do gás natural da fonte até os consumidores é feita
por gasodutos, atividade essa que se trata de um “monopólio
natural”, que geralmente ocorre quando existem grandes plantas
industriais com custos baixos, dificultando o surgimento de
concorrentes (COSTA, 2005). Contudo, o prestador do serviço de
transporte do gás natural deve ser regulado. No Brasil, essa
regulação é realizada pela Agencia Nacional de Petróleo, Gás Natural
e Biocombustível (ANP) (ANP, 2019b). Esses empreendimentos
lineares são comuns atualmente, principalmente nas proximidades
das regiões onde está sendo realizada a extração do gás. Existem
dezenas de gasodutos em operação no Brasil, atingindo mais de 9000
km de extensão (PETROBRAS, 2019). Os gasodutos estão localizados
principalmente nos estados brasileiros banhados pelo Oceano
Atlântico, incluindo os das regiões Sudeste e Sul (PETROBRAS,
2019). Devido à sua natureza, o planejamento, a implantação e a
operação de gasodutos podem gerar alterações ambientais
expressivas, sendo necessário utilizar mecanismos para minimizar os
danos.
No sentido de reduzir a degradação ambiental causada pelos
empreendimentos, o licenciamento ambiental brasileiro adota uma
postura preventiva ao exigir que diversos empreendimentos
apresentem estudos discriminando as possíveis alterações
ambientais decorrentes de suas atividades (IBAMA, 2016). Para os
empreendimentos que possam causar significativa degradação
ambiental, a licença somente será concedida após a confecção do
Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e do Relatório de Impacto
Ambiental (RIMA) (ALMEIDA et al., 2017;, BRASIL 1981). De acordo
com o Art. 2º da Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente
CONAMA 01 de 1986 (BRASIL, 1986), para a instalação e operação
dos dutos do gás natural é necessário produzir previamente o Estudo
de Impacto Ambiental, por ser um empreendimento potencialmente
causador de danos ambientais significantes (BRASIL, 1986). Nesses
estudos, além de discriminar os impactos ambientais que ocorrerão
nas fases de planejamento, implantação e operação, também é
necessário citar medidas para mitigar as alterações ambientais
negativas previstas (BRASIL, 1986; PINTO, 2018).
Assim, nesse capítulo são analisados os impactos ambientais
previstos em EIAs para o licenciamento de gasodutos e as medidas
para mitigar os impactos negativos. Isso é importante para embasar
futuros estudos ambientais, buscando que sejam mais precisos,
gerando prognósticos mais detalhados e reais das condições futuras
da área de influência do empreendimento, para melhor embasar o
processo decisório de licenciamento. O presente trabalho também
pode auxiliar na melhor proposição de medidas úteis para mitigar as
alterações ambientais negativas provocadas pelos gasodutos.
No presente trabalho foram utilizados dados de Estudos de
Impacto Ambiental confeccionados para a obtenção da licença
prévia de gasodutos nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, além de um
projeto no Estado do Mato Grosso do Sul. As regiões Sul e Sudeste
comportam 40 gasodutos (ANP, 2018).
Para a coleta de dados foram utilizados os seguintes Estudos de
Impacto Ambiental:
1. Rede de distribuição de Gás Natural (RDGN) – Rio Grande: esse
empreendimento está localizado no município de Rio Grande, região litorânea
do Estado do Rio Grande do Sul. A população é estimada em 207.036 habitantes
(IBGE, 2019), apresenta elevada atividade industrial, a Refinaria de Petróleo
Riograndense e o porto com a quarta maior movimentação de cargas do Brasil
(IBGE, 2019).
2. Gasoduto Cacimbas-Vitória: apresenta 130 km de extensão, ligando os
municípios de Vitória e Linhares, Estado doEspirito Santo. Linhares apresenta
141.306 habitantes, está localizada no litoral do Espirito Santo e é grande
produtor de petróleo e gás natural, apresentando ainda importantes atividades
agropecuárias (EIA CACIMBAS-VITÓRIA, 2003; IBGE, 2019; PREFEITURA
DE LINHARES, 2019). A economia do município de Vitoria está associada a
atividades industriais, ao comércio e ao turismo, possuindo 355.875 habitantes
(IBGE, 2019).
3. Gasoduto Caraguatatuba – Taubaté: Caraguatatuba localiza-se no litoral do
Estado de São Paulo, apresenta 88.815 habitantes e apresenta atrativos naturais
que atraem turistas (IBGE, 2019). Taubaté possui expressivas atividades
agropecuárias, sendo ainda importante polo industrial e comercial, apresenta
uma população estimada em 305.174 habitantes (IBGE, 2019).
4. Ampliação da rede de distribuição de gás natural do município de Curitiba:
Curitiba é a capital do Estado do Paraná e apresenta 1.908.359 habitantes (IBGE,
2019).
5. Projeto de reforço estrutural de suprimento de gás da baixada Santista:
localizada no litoral do Estado de São Paulo, a 72 km de distância da capital do
Estado, possui 432.957 habitante e um importante porto (IBGE, 2019). Cubatão
está a 58 km de distância da capital do Estado, apresenta um importante polo
industrial e população de 129.760 habitantes (IBGE, 2019).
6. Reforço RETAP – Rede Tubular de Alta Pressão: Piratininga, Estado de São
Paulo, apresenta população de 12.072 habitantes e a economia local é baseada
em atividades agrícolas e industriais (IBGE, 2019). Já São Bernardo do Campo
possui população de 833.240 habitantes (IBGE, 2019).
7. Projeto Verde Atlântico Energias – Baixada Santista: o gasoduto atravessa os
municípios de Peruíbe, Itanhaém, Mongaguá, Praia Grande, São Vicente e
Cubatão, todos do Estado de São Paulo. As atividades econômicas abrangem o
turismo, o comércio e a produção industrial.
8. Gasoduto Rota 3 - Campo de Franco, na Bacia de Santos, ao Complexo
Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro - COMPERJ, em Itaboraí (RJ):
Itaboraí e Maricá localizam-se no litoral do Estado do Rio de Janeiro. Itaboraí
apresentam 238.695 habitantes e Maricá um total de 157.789 habitantes (IBGE,
2019). A Bacia de Santos possui área total de 350 mil quilômetros quadrados, e
se estende de Cabo Frio (Rio de Janeiro) até Florianópolis (Santa Catarina),
sendo a maior bacia sedimentar marítima brasileira (PETROBRAS, 2019).
9. Estudo de Impacto Ambiental para o trecho brasileiro do gasoduto Bolívia –
Brasil: o gasoduto tem extensão de 2.315 km no território brasileiro, passando
pelos Estados de Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio
Grande do Sul, atravessando 173 municípios.
10. Atividade de Produção e Escoamento de Petróleo e Gás Natural do Polo Pré-
Sal da Bacia de Santos - Etapa 2: os dados coletados são de parte de um
conjunto de projetos que desenvolve a produção e escoamento de petróleo e gás
natural da Bacia de Santos, consistindo de 15 trechos de gasodutos marítimos
(PETROBRÁS, 2019).
Nesse estudo foram listados os impactos ambientais previstos
para afetar as áreas de influência dos gasodutos, conforme
mencionados nos dez EIAs citados acima. São denominados como
impactos ambientais quaisquer alterações nos componentes do meio
ambiente que tenham sido derivadas de atividades antrópicas
(ALMEIDA et al., 2017).
As análises das alterações ambientais foram baseadas na proposta
metodológica de LANDES (2016), também utilizada por PINTO
(2018). Os impactos foram estudados por fase do empreendimento:
planejamento, implantação e operação. Além disso, foram agrupados
em função do componente do meio que será afetado: meio físico
(engloba os recursos hídricos, o solo, a atmosfera e os componentes
geológicos); meio biológico (inclui a biodiversidade); e o meio
socioeconômico (engloba a população, sua cultura e economia)
(BRASIL, 1986).
Foram encontrados um total de 82 impactos ambientais, sendo 17
positivos, 63 negativos e dois classificados como positivos e
negativos. O número de impactos ambientais negativos é cerca de
quatro vezes maior do que o número de impactos positivos, o que
demonstra que a construção e a operação de um gasoduto devem ser
planejadas adequadamente e os seus impactos avaliados
minuciosamente no Estudo de Impacto Ambiental. É comum que os
empreendimentos licenciados com Estudos de Impacto Ambiental
apresentem um número expressivamente maior de alterações
ambientais negativas que positivas (PINTO, 2018; ALVIM, 2017). Os
empreendimentos ocasionaram mais alterações no meio
socioeconômico (43 impactos), que no físico (29 impactos) e no
biótico (dez impactos).
Fase de planejamento
Na fase de planejamento foram encontrados 14 impactos ambientais,
sendo 11 deles negativos e três positivos (Tabela 1). Durante a fase de
planejamento, não é comum que sejam afetados outros meios além
do socioeconômico (ALVIM, 2017), porém nesse estudo foram
encontrados quatro impactos no meio físico, dois no meio biótico e
oito no meio socioeconômico.
Tabela 1. Impactos ambientais previstos, frequência relativa e natureza na fase de
planejamento de gasodutos.
Meio Afetado Impacto Ambiental
Frequência
Relativa
(%)
Natureza
Socioeconômico
Geração de expectativa na população 50% N
Aumento da oferta de empregos 20% P
Pressão sobre a infraestrutura de
Serviços Essenciais
10% N
Interferência sobre os modos de vida
das populações
10% N
Dinamização da economia local 10% P
Desapropriações e aquisições de
terrenos para o estabelecimento da
faixa da servidão
10% N
Mobilização da sociedade civil 10% P
Interferência em terras e populações
indígenas
10% N
Físico Alteração na rede de drenagem 20% N
Meio Afetado Impacto Ambiental
Frequência
Relativa
(%)
Natureza
Início ou aceleração de processos
erosivos
20% N
Interferência em áreas com
autorização e concessões minerais
10% N
Restrições ao uso do solo 10% N
Biótico
Perturbação da fauna 10% N
Perda de vegetação nativa 10% N
Conforme o planejamento do gasoduto é realizado são gerados
alguns impactos, como a geração de expectativa na população pela
divulgação do empreendimento, podendo causar angustia na
população local, por temerem que ocorra algum impacto ambiental
negativo expressivo, incluindo o aumento no tráfego de automóveis,
acidentes com os moradores ou algum tipo poluição (EIA RETAP,
2011). Para que não haja essa ansiedade na comunidade local, o
empreendedor como forma de ação mitigatória poderá fazer a
adequada divulgação do empreendimento, antecipando os possíveis
impactos e informando que as alterações ambientais negativas que
possam ocorrer durante as fases de construção e operação do
gasoduto serão controladas, além de esclarecer as dúvidas da
população (EIA RETAP, 2011). A desapropriação e aquisição de
terrenos é um impacto socioeconômico. As propriedades em que o
duto passa devem ser avaliadas e, como medida compensatória, é
feito um acordo de indenização da faixa de servidão entre o
proprietário e o empreendedor, para compensar pelas restrições de
uso da área que serão estabelecidas onde o duto for instalado (EIA
GASODUTO ROTA 3, 2014). A interferência em terras e populações
indígenas também é um impacto socioeconômico. Mesmo sendo um
impacto de magnitude média, sempre que possível, as atividades
para implantação e operação devem ser realizadas fora das terras
indígenas e não deve-se permitir a perambulação dos funcionários
além da faixa de construção. Deve ser levado em consideração o
sentimento de ameaça ao equilíbrio socioambiental ou interferências
na realidade local. Como ação mitigatória é recomendado a inclusão
de programas de comunicação social e educação ambiental no
treinamento dos trabalhadores, com orientações voltadas a questões
indígenas, sempre mantendo contato com os líderes da aldeia para
esclarecimento de dúvidas e apresentação do empreendimento (EIA
CACIMBAS-VITORIA, 2003).
Fase de implantação
Na fase de implantação foram encontrados 61 impactos ambientais,
causando alterações no meio físico (16 impactos), socioeconômico (33
impactos) e biótico(12 impactos), sendo 52 impactos negativos, sete
positivos e dois positivos e negativos (Tabela 2). Entre os impactos
mais frequentes durante a fase de implantação foram observados o
desencadeamento de processos erosivos, a redução da cobertura
vegetal, a perturbação da fauna, a pressão em serviços públicos e
equipamentos sociais, a dinamização econômica no local e o
aumento da oferta de empregos.
Durante a fase de implantação de um gasoduto é comum que
ocorra o aumento da oferta de empregos, pela demanda por mão de
obra para as atividades necessárias para o empreendimento. A
perturbação da fauna e flora ocorre pelos ruídos emitidos durante as
obras, pela possível supressão da vegetação e também pelo aumento
de pressão de caça, devido aos trabalhadores e pelos gasodutos
facilitarem o trânsito de caçadores. Além disso, a implantação dos
gasodutos pode ocasionar alterações no setor de turismo, pela
degradação da paisagem, por exemplo, e a dinamização da economia
local, por atrair pessoas para as localidades onde o empreendimento
irá ocorrer e pelo surgimento de novos empreendimentos. O
aumento da população local pode provocar ainda a pressão em
serviços públicos e equipamentos sociais. O desencadeamento de
processos erosivos irá ocorrer pelas escavações e movimentação do
solo, necessárias para a implantação dos gasodutos, pela abertura de
vias de acesso e possíveis supressões da vegetação. É importante
ressaltar que parte dos impactos constatados para a fase de
implantação dos gasodutos são temporários, pois irão cessar após o
fim dessa fase do empreendimento (RIO DE JANEIRO, 1997).
Fase de Implantação – Meio Socioeconômico
Nessa fase do empreendimento foram encontrados mais impactos no
meio socioeconômico, do que no físico e no biótico. Os impactos
positivos mais encontrados nesse meio foram a dinamização da
economia local e o aumento da oferta de emprego, ambos
encontrados em 70% dos estudos. Como são impactos benéficos,
foram realizadas apenas recomendações pelos profissionais que
elaboraram os estudos ambientais. Para a dinamização da economia
local é recomendado que privilegie o comércio, serviços e
contratações locais, para que assim possa garantir esse efeito na
localidade onde o empreendimento está instalado (EIA CACIMBAS-
VITORIA, 2003). Para o aumento da oferta de empregos é sugerido
que, para que esse impacto seja potencializado, sejam feitos
cadastros de mão-de-obra disponível e, quando forem feitas as
contratações locais, expandir para trabalhadores de comunidades
próximas (EIA CACIMBAS-VITORIA, 2003).
Tabela 2. Impactos ambientais previstos, frequência relativa e natureza na fase de
implantação de gasodutos.
Meio Afetado Impacto Ambiental
Frequência
Relativa
(%)
Natureza
Biótico
Redução da Cobertura Vegetal 90% N
Perturbação da fauna 70% N
Alteração nas comunidades aquáticas 50% N
Interferência em Unidades de
Conservação e Outras Áreas
Protegidas
50% N
Redução de Habitats da Fauna 40% N
Introdução de espécies exóticas 20% N
Alteração da paisagem 20% N
Aumento da pressão de caça 20% N
Pressão sobre a biota 10% N
Favorecimento da proliferação de
vetores
10% N
Perda de espécimes da fauna terrestre 10% N
Risco de abalroamento de cetáceos e
quelônios
10% N
Socioeconômico Interferência/pressão em
infraestruturas, Serviços públicos e
equipamentos sociais
90% N
Aumento da Oferta de Emprego 70% P
Dinamização da Economia Local 70% P
Meio Afetado Impacto Ambiental
Frequência
Relativa
(%)
Natureza
Possibilidade de Interferências sobre o
Patrimônio Arqueológico
50% N
Alteração do uso do solo 50% N
Aumento de arrecadação fiscal 40% P
Interferência na rota de navegação 40% N
Geração de Expectativas da população
do entorno
30% N
Interferências das obras com o trânsito
existente
30% N
Interferência na atividade pesqueira 30% N
Alteração do setor de turismo 30% P/N
Interferência sobre os modos de vida
das populações
20% N
Mobilização e desmobilização de mão
de obra
20% P/N
Interferência no cotidiano da
população local
20% N
Aumento do tráfego de veículos, de
ruídos e de poeiras
20% N
Pressão sobre a infraestrutura
portuária
20% N
Interferências sobre a infraestrutura
hidráulica, energética e viária existente
20% N
Meio Afetado Impacto Ambiental
Frequência
Relativa
(%)
Natureza
Socioeconômico Perturbação da população do entorno 20% N
Afluxo da força de trabalho 10% N
Interferências com terras e populações
indígenas
10% N
Interferências em atividades
econômicas
10% N
Desapropriação e realocação 10% N
Interferências sobre o patrimônio
cultural e natural
10% N
Mobilização da Sociedade Civil 10% P
Pressão sobre a infraestrutura de
disposição final de resíduos sólidos
10% N
Incremento das atividades de comércio
e serviços
10% P
Interferência sobre o cotidiano da
população (poluição)
10% N
Alteração do quadro demográfico 10% N
Melhoria dos acessos vicinais para a
execução das obras
10% P
Aumento do custo de vida 10% N
Fortalecimento da Indústria Petrolífera
e Naval
10% P
Meio Afetado Impacto Ambiental
Frequência
Relativa
(%)
Natureza
Aumento da especulação imobiliária 10% N
Alteração do quadro de saúde pela
vinda de população externa
10% N
Físico Desencadeamento de processos
erosivos
90% N
Interferências com áreas de
autorização e concessões minerárias
50% N
Alteração da qualidade do ar 50% N
Alterações nos níveis de ruído 40% N
Alteração da qualidade da água
superficial
40% N
Alteração na qualidade do solo 30% N
Alteração na qualidade da água -
porção marinha
20% N
Desagregação e suspensão de
sedimento no trecho submerso
20% N
Alteração da morfologia de fundo do
assoalho marinho
20% N
Alteração da rede de drenagem 20% N
Alteração da qualidade dos recursos
hídricos
20% N
Geração de resíduos sólidos e efluentes
líquidos
10% N
Meio Afetado Impacto Ambiental
Frequência
Relativa
(%)
Natureza
Alteração na qualidade ambiental
devido à disposição inadequada dos
resíduos sólidos
10% N
Riscos de contaminação das aguas e do
solo por derrames acidentais
10% N
Instabilização de encostas por causa
das obras
10% N
Carreamento de sólidos /
Assoreamento da rede de drenagem
10% N
O impacto mais encontrado na análise dos EIAs foi a
interferência/pressão em infraestrutura, serviços públicos e
equipamentos sociais, observado em 90% dos estudos. Pode ocorrer
em municípios que possuem uma rede de serviços bastante simples
e, com a chegada de novos trabalhadores, ou elevação da renda
familiar, pode pressionar a infraestrutura local, como a relativa à
saúde, hospedagem, saneamento básico e alimentação, por exemplo
(EIA CACIMBAS-VITORIA, 2003). Para minimizar esses problemas
é recomendado a contratação de mão de obra local, implantação de
infraestrutura para o atendimento à população e trabalhadores, além
da negociação com o poder público local, para achar alternativas
para reduzir essa pressão. Também é recomendado que sejam
adotadas medidas conforme a Portaria nº 3214 de 1978 (BRASIL,
1978), normas de segurança de trabalho e execução do Plano de
Construção Ambiental – PAC (EIA CACIMBAS-VITORIA, 2003).
A possibilidade de interferências no patrimônio arqueológico é
um impacto negativo, sendo ocasionada pelas escavações. Para isso,
é recomendado que seja feito um acompanhamento das obras,
desenvolvendo pesquisas detalhadas que indiquem onde ocorrem
vestígios de ocupação pretérita (EIA CACIMBAS-VITORIA, 2003).
Além disso, pode-se elaborar um programa de pesquisa arqueológica,
conforme estabelecido pela Portaria 07 de 1988 (Brasil 1988) do
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN e
seguindo a Lei 3924 de 1961 (BRASIL, 1961), e ações de
monitoramento e resgate do material encontrado durante a obra
(EIA CACIMBAS-VITORIA, 2003).
A alteração no setor de turismo é um impacto de média
magnitude. Por ser um empreendimento relativamente grande, passa
por várias cidades, sendo umas litorâneas e outras não. Alguns dutos
ficam localizados em rodovias, não interferindo com o turismo local.
Em pontoslitorâneos, para os dutos que passam na areia da praia, só
vai haver restrições durante as obras, após o termino poderá ser
usada toda a extensão da faixa. As interferências causadas à atividade
turística podem ser mitigadas com medidas e sistemas de controle na
fase de obras, diminuindo o incômodo ao turista (EIA PROJETO
VERDE ATLÂNTICO ENERGIAS, 2016). Para potencializar o
turismo local, pode-se qualificar os cidadãos locais para trabalharem
com turismo, para alavancar essa atividade (EIA PROJETO VERDE
ATLÂNTICO ENERGIAS, 2016).
A alteração no quadro de saúde da população local pode ser
causada pela chegada de novos trabalhadores, podendo assim alterar
a saúde dos moradores próximos à área do gasoduto. Esse é um
impacto que apareceu em 10% dos estudos. Como medida mitigatória
é recomendada a contratação de mão-de-obra local, que sejam feitos
exames médicos durante o recrutamento e ao longo da obra,
tratamento adequado da água, resíduos e esgoto nas obras, e
educação ambiental e sanitária para os funcionários (EIA
GASODUTO BRASIL-BOLÍVIA, 1997).
Fase de Implantação – Meio Biótico
Nos ambientes continentais, existe o impacto de redução da
cobertura vegetal e perturbação da flora e sua natureza é negativa.
Esse impacto é encontrado nos lugares onde ocorre a construção do
projeto. É realizada uma limpeza e a preparação do local, implicando
na retirada da cobertura vegetal nativa, com posterior escavação do
solo para o assentamento da tubulação. É encontrado especialmente
na área diretamente afetada e no canteiro de obra. As medidas de
controle são necessárias para que seja evitada a supressão de
remanescentes ao entorno das áreas autorizadas. A supressão deve
ser controlada e compensada conforme a legislação, no âmbito do
Programa de Compensação Ambiental (EIA RIO GRANDE 2016,
EIA PROJETO ATLÂNTICO ENERGIAS, 2016), no qual é fixado um
valor de compensação ambiental, e definido o local da destinação
pelo órgão licenciador (ICMBIO, 2019).
A perturbação na fauna é um impacto encontrado em 70% dos
estudos, sendo negativo e de magnitude pequena. Esse impacto pode
ser ocasionado por diferentes fatores, como a redução de vegetação,
diminuindo o habitat para a fauna, stress com o trânsito de pessoas e
equipamentos e a mortalidade dos animais, mesmo que em pequena
quantidade, caso algum animal caia e fique preso na vala aberta. A
emissão de ruídos pode causar a fuga, interferindo na composição e
estrutura da comunidade biótica e em interações ecológicas. O
aumento da pressão da caça pode ocorrer, levando em consideração a
possibilidade de que alguns trabalhadores que estejam envolvidos na
obra pratiquem a caça. São recomendadas algumas medidas, como,
monitoramento do deslocamento da fauna, para a proteção dos
animais ameaçados, treinamento e educação ambiental, para que os
trabalhadores envolvidos se conscientizem de que não devem caçar e
da importância da retirada dos animais das proximidades das obras
(EIA CACIMBAS-VITÓRIA, 2003).
Interferências em unidades de conservação e outras áreas
protegidas é um impacto negativo que foi encontrado em metade dos
estudos analisados. Para que possa ser feita a implantação do
gasoduto são necessárias ações de limpeza e preparação de terreno,
fazendo a retirada de vegetação, movimentando terra, corte de
morros e aterros. Algumas das obras passam dentro de áreas
protegidas, como unidades de conservação e áreas de preservação
permanente.
Para a remoção da vegetação das Áreas de Preservação
Permanente (APP), por ser um impacto não mitigável, deverão então
ser implementadas medidas compensatórias (SÃO PAULO, 2017;
EIA PROJETO VERDE ATLÂNTICO ENERGIAS, 2016). Nesse caso,
podem ser realizados reflorestamentos em outros locais ou o
financiamento de projetos de unidades de conservação, por exemplo.
No caso do empreendimento afetar ambiente marinho ou cursos
d’água, pode ocorrer o impacto negativo alteração da comunidade
aquática. Pode ocorrer em função de obras como a da instalação de
um gasoduto marinho, associado ao processo de dragagem, para
aprofundar o canal de navegação, ao píer e a implantação de quebra-
mar (EIA PROJETO VERDE ATLÂNTICO ENERGIAS, 2016). Para
minimizar esse impacto, durante a instalação do gasoduto marítimo,
a dragagem será realizada em um curto intervalo de tempo, para
reduzir a magnitude do impacto. É interessante que ocorra o
monitoramento da qualidade da água durante a execução das obras,
conforme os padrões observados na Resolução Conama nº 357/05
(Brasil, 2005), e o monitoramento também da biota aquática,
analisando as eventuais interferências. Na parte continental podem
ser realizadas medidas de controle de erosão e acompanhamento de
alteração nas águas superficiais, para reduzir impacto sobre o
ecossistema aquático (EIA PROJETO VERDE ATLÂNTICO
ENERGIAS, 2016).
O impacto negativo introdução de espécies exóticas foi
encontrado em estudos localizados na Bacia de Santos. A introdução
dessas espécies é realizada em função de incrustações nos cascos das
embarcações e de água de lastro, durante o transporte entre o ponto
de apoio até a área de instalação dos dutos (EIA GASODUTO ROTA
3, 2014). Nesse caso para que se minimize esse impacto existe uma
norma para ser seguida (NORMAM – 20/DPC), que é o
gerenciamento de água de lastro (EIA GASODUTO ROTA 3, 2014).
Mesmo a caça de animais silvestres sendo uma atividade ilegal,
ainda ocorre em muitas regiões brasileiras. O aumento da pressão da
caça, até mesmo dentro de unidades de conservação, é um impacto
de ocorrência bastante provável. Com o aumento da população é
esperado que haja maior pressão na caça, sendo os mamíferos e aves
os mais afetados (EIA PROJETO VERDE ATLÂNTICO ENERGIAS,
2016). Esse impacto é negativo, de magnitude pequena e foi
encontrado em 20% dos estudos. Para a mitigação desse impacto são
realizadas ações ambientais específicas, são propostos Programas de
Educação Ambiental e Plano de Gerenciamento Ambiental das
Obras (PGAO), visando conscientizar a população ligada direta e
indiretamente à obra do gasoduto. Deve-se preparar também ações
de monitoramento do impacto da pressão da caça (EIA PROJETO
VERDE ATLÂNTICO ENERGIAS, 2016).
Fase de Implantação – Meio Físico
O impacto de desencadeamento de processos erosivos, foi
encontrado em 90% dos estudos, é de natureza negativa e de média
magnitude. É comum que ocorra esse processo erosivo com a
movimentação do solo associada a declividade do local da obra.
Assim, onde a declividade é maior, o processo erosivo é mais forte.
Para que o solo tenha uma maior estabilidade, e assim ocorra um
controle me¬lhor desse processo, são recomendadas algumas
medidas, incluin¬do identificar, caracterizar e monitorar os possíveis
processos ero¬sivos e, a partir disso, propor medidas para que haja
uma contenção nas erosões, conforme as características observadas
(EIA ROTA 3, 2014). Métodos físicos, com obras de alvenaria, e
biológicos, com o aumento da cobertura vegetal para proteger e
manter a estabilidade do solo, podem ser utilizados.
Interferência sobre áreas de concessão de direitos minerários é
um impacto ambiental de natureza negativa e de pequena magnitude.
Em 50% dos estudos foi encontrado esse impacto, assim, foi
identificada a presença de áreas com Autorização de Pesquisa e
Concessão de Lavra, requeridas ou expedidas pelo Departamento
Nacional de Produção Minerária (DNPM) em locais onde vai haver a
obra do gasoduto. Quando isso ocorre é recomendado que o
empreendedor faça o pedido ao DNPM de bloqueio da área onde o
duto vai passar, o mais rápido possível. A medida adotada contra esse
impacto é compensatória, já que não é possível desenvolver
atividades minerárias na área, então deve-se observar as legislações
específicas no processo de licenciamento, com o DNPM responsável
e, sendo necessário, ressarcir o proprietário da área (EIA ROTA 3,
2014).
A alteração da qualidade do ar é um impacto, negativo,
encontrado em 50% dos estudos e de magnitude pequena. É um
impacto causado pela construção do canteiro de obra e áreas de
apoio, como tambémpela a supressão da vegetação, terraplanagem,
limpeza da área, movimentação de veículos e máquinas e a abertura
do acesso viário. Com a movimentação da terra e a emissão de gases
dos veículos e máquinas a qualidade do ar é alterada. Como medidas
de controle, pode ser realizada a umectação das vias de acesso, com
caminhões pipas em locais onde for realizada supressão de
vegetação, controle de velocidade nas áreas de terra, os caminhões
que carregam terra e brita devem ser cobertos, os veículos e
maquinas devem ser lavados para que não caia mais sedimentos nas
vias, e é feita a manutenção e revisão nos veículos e equipamentos,
como uma medida de prevenção de emissão de poluentes (EIA
REFORÇO DO GASODUTO BAIXADA SANTISTA, 2018).
A alteração na rede de drenagem é um impacto negativo de
magnitude pequena, encontrado em 20% dos estudos trabalhados.
Essas alterações ocorrem devido a realização da terraplanagem e
movimentação da terra, que são necessárias para melhorar ou abrir
vias de acesso. Se nenhuma medida for adotada, é possível que ocorra
processos erosivos, levando sedimento para os cursos d’água,
ocasionando assoreamento e afetando a qualidade da agua. Durante
toda a fase de implantação deverá ocorrer monitoramento nessas
vias, principalmente após as chuvas. Como medida mitigatória, é
recomendada que as grandes travessias sejam projetadas visando
reduzir os efeitos negativos sobre a drenagem, através do
levantamento do curso d’agua das travessias, caracterizando as
condições dos leitos e margens. A cobertura de vegetação sobre o
solo pode funcionar como proteção, evitando a exposição do solo.
Deve-se evitar processos de erosão ou transporte de sedimentos,
evitar modificar o escoamento normal do curso d’agua, realizar
inspeções nas travessias sempre que possível e implantar o Programa
de Recuperação de Áreas Degradadas (EIA GASODUTO
CARAGUATATUBA-TAUBATÉ, 2006).
A alteração na morfologia do fundo do assoalho marinho é um
impacto ambiental negativo, encontrado em 20% dos estudos, sua
magnitude varia em pequeno e médio. Para esse impacto deve ser
realizado o controle das interferências que ocorrerão antes e depois
das instalações dos gasodutos. Devem ser monitorados os
parâmetros físicos e químicos da água, a caracterização da qualidade
de sedimentos e a microfauna bentônica, sendo realizadas medidas
corretivas quando necessárias (EIA ROTA 3, 2014).
Fase de operação
Nessa fase foram encontrados 44 impactos ambientais, ocorrendo no
meio físico (11 impactos), socioeconômico (24 impactos) e biótico
(nove impactos), com 29 negativos e 15 positivos (Tabela 3). Diversos
benefícios advindos de grandes empreendimentos surgem apenas na
fase de operação, acarretando em impactos positivos não observados
nas fases de planejamento e operação (BENTO, 2018). O vazamento
de gás e explosão e a redução das emissões atmosféricas das
indústrias com a utilização de gás natural são exemplos de aspectos
ambientais que foram citados como impactos ambientais.
Fase de Operação – Meio Socioeconômico
Entre os impactos ambientais mais frequentes na fase de operação
estavam a restrição do uso do solo e ocupação do solo local,
dinamização da economia, interferência da atividade pesqueira e
exposição da população ao risco de acidente. A interferência no uso e
ocupação do solo na faixa do gasoduto aparece em 70% dos estudos e
é um impacto negativo. Deve ser realizada a manutenção da faixa do
gasoduto, sendo permitido a continuidade do uso, caso seja um
jardim, uma pastagem ou área de cultivo. A restrição é apenas para
árvores de grande porte e o sistema radicular do que for plantado não
pode ultrapassar a profundidade de 40 cm, como também é limitado
o tráfego de veículos pesados, construções de edificações, dentre
outras atividades que podem colocar a tubulação em risco. A
população local deve ser alertada sobre as atividades permitidas ou
não na área dos dutos e deve-se aplicar a compensação ambiental
(EIA REFORÇO RETAP, 2010).
Tabela 3. Impactos ambientais previstos, frequência relativa e natureza na fase de operação
de gasodutos.
Meio Afetado Impacto Ambiental
Frequência
Relativa
(%)
Natureza
Biótico Interferências pontuais sobre a fauna
local
30% N
Interferência em Unidades de
Conservação e Outras Áreas
protegidas
20% N
Meio Afetado Impacto Ambiental
Frequência
Relativa
(%)
Natureza
Alteração nas comunidades aquáticas 20% N
Introdução de espécies exóticas 10% N
Proteção à Área de Proteção
Permanente
10% P
Colonização de comunidades
biológicas incrustantes
10% N
Pressão sobre a biota 10% N
Alteração nos remanescentes florestais 10% N
Surgimento de habitat de fundo
consolidado pela instalação de
estruturas submersas
10% P
Socioeconômico Restrição de uso e ocupação do solo
local
70% N
Dinamização da economia 40% P
Interferência na atividade pesqueira 40% N
Exposição da população ao risco de
acidentes
40% N
Interferência sobre os Modos de Vida
das Populações
30% N
Aumento da disponibilidade de gás
natural
30% P
Alterações no mercado de trabalho 20% P
Meio Afetado Impacto Ambiental
Frequência
Relativa
(%)
Natureza
Aumento da receita tributária com
incremento da economia local e
estadual
20% P
Melhoria no Fornecimento de Energia 20% P
Aumento da arrecadação fiscal 20% P
Socioeconômico Interferência/pressão em
infraestruturas, Serviços públicos e
equipamentos sociais
20% N
Aumento da disponibilidade de
combustível
10% P
Vazamento de gás e explosão 10% N
Melhoria da qualidade do ar e, redução
de doenças respiratórias
10% P
Aumento da capacidade de
escoamento de gás produzido na Bacia
de Santos
10% P
Alteração no quadro de saúde pela
vinda de população externa
10% N
Aumento da especulação imobiliária 10% N
Mobilização da Sociedade Civil 10% P
Aumento do custo de vida 10% N
Interferência mas atividades de
turismo e lazer
10% N
Meio Afetado Impacto Ambiental
Frequência
Relativa
(%)
Natureza
Fortalecimento da Indústria
Petrolífera e Naval
10% P
Alteração do tráfego marítimo 10% N
Pressão sobre a infraestrutura
portuária
10% N
Alterações no mercado de trabalho 10% P
Físico Alteração nos níveis de ruído 20% N
Alteração da qualidade do ar 20% N
Redução das emissões atmosféricas das
indústrias com a utilização do gás
natural
20% P
Alteração da qualidade da água
superficial
10% N
Emissão de campos elétricos e
magnéticos
10% N
Alteração na qualidade das águas
marinhas
10% N
Desencadeamento e intensificação de
processos de dinâmica superficial
10% N
Alteração da hidrodinâmica marinha e
da sedimentação praial
10% N
Alteração da morfologia do fundo do
assoalho marinho
10% N
Meio Afetado Impacto Ambiental
Frequência
Relativa
(%)
Natureza
Interferência sobre áreas de concessão
de direitos minerários
10% N
Manutenção do duto 10% N
A dinamização da econômica é um impacto positivo, de média
magnitude, encontrado em 40% dos estudos. Na fase de operação o
gasoduto atrai outros empreendimentos, empresários e novos
habitantes para a localidade, que dependem dessa matriz energética,
ajudando a dinamizar a economia. Por ser um impacto positivo, é
feito uma medida potencializadora, com um Programa de
Comunicação Social (EIA REFORÇO DO GASODUTO DA
BAIXADA SANTISTA, 2018; EIA REFORÇO RETAP, 2010).
A exposição da população ao risco de acidente é um impacto
negativo, de pequena magnitude e ocorre em 40% dos estudos. Esse
impacto ocorre pelo gás natural ser inflamável. Como medida
preventiva, o perigo deve ser comunicado à população e deve ser
elaborado um Plano de Ação de Emergência (PAE) (EIA REFORÇO
RETAP, 2010).
A interferência na atividade pesqueira é um impacto de
magnitude média e negativo, encontrado em 40% dos estudos
analisados. Para mitigar essa interferência pode ocorrer a
comunicação entre o empreendedor e os pescadores, informando
sobre os procedimentos de navegação e segurança a serem seguidos
durante a operação dos gasodutos (EIA ROTA 3, 2014).
O vazamento de gás e explosão foi encontrado em 10 % dos casos,
com magnitude grande e natureza negativa.Pode ocorrer em função
de falhas na rede de distribuição de gás, ou interferência, como
escavações. Para mitigar esse impacto pode ser utilizada a
sinalização, indicando a presença dos dutos, um canal de
atendimento aos usuários, uma equipe capacitada para emergências
e executar a obra conforme as normas de segurança (EIA
AMPLIAÇÃO GASODUTO CURITIBA, 2017).
O aumento do custo de vida está em 10% dos estudos, com
natureza negativa e magnitude média. É ocasionado pela divulgação
do empreendimento, e demanda de bens e serviços, maior circulação
de pessoas, aumento no comércio e serviços ofertados, provocando
maior especulação imobiliária (EIA ETAPA 2 BACIA DE SANTOS,
2014). Para esse impacto, não foi encontrada medida mitigadora ou
compensatória.
Fase de Operação – Meio Biótico
A interferência pontual na fauna local é um impacto encontrado em
30% dos casos analisados, de magnitude pequena e natureza
negativa. É ocasionado pela retirada da vegetação, reduzindo o
habitat, e o afugentando os animais, podendo causar consequências
posteriores. A circulação dos veículos e embarcações para o
transporte de funcionários e equipamentos aumenta a incidência de
ruídos e vibrações, ocasionando o afugentamento de animais da
localidade. As ações mitigatórias são medidas de controle da
supressão vegetal, fazendo o resgate da fauna existente, educação
ambiental, para que haja respeito e cuidado com a fauna durante a
fase de operação, monitoramento dos grupos considerados
bioindicadores e a compensação ambiental (EIA REFORÇO DO
GASODUTO BAIXADA SANTISTA, 2018).
A alteração na comunidade aquática, encontrado em 20% dos
tra¬balhos, é um impacto de natureza negativa e a magnitude foi
classi¬ficada como pequena ou grande, nos estudos analisados.
Durante a fase de operação os ruídos e vibrações, emitidos pela
navegação de navios, afugentam os animais aquáticos para áreas
adjacentes, ocasionando o aumento pela com¬petição por recursos
na área onde as populações aumentam. O aumento de circulação de
navios pode provocar a chegada de espécies invasoras, podendo
causar a perda da biodiversidade aquática nativa, e também colocar
em risco a saúde humana, pela introdução de vetores de doenças.
Durante a fase de operação está previsto o bombardeamento de água
estuarina para o aquecimento e regaseificação do Gás Natural
Liquefeito, podendo ocasionar a sucção de organismos aquáticos,
Quando liberada, a água está ligeiramente mais fria, alterando a
composição e a estrutura das comunidades biológicas. Como ação
mitigadora são recomendadas o monitoramento da qualidade da
água e comunidades aquáticas e controle de espécies exóticas (EIA
REFORÇO DO GASODUTO BAIXADA SANTISTA, 2018).
O surgimento de habitats de fundo pela instalação de estruturas
submersas é um impacto positivo, de magnitude pequena, é foi
encontrado em 10% dos estudos. A estrutura do gasoduto na parte
marinha é usada como habitat para colonização de comunidades
bentônicas e nécton. Por ser um impacto positivo, não existe medida
mitigatória, mas em um EIA foi indicado o Subprograma de
Monitoramento da Biota Aquática, para acompanhar as variações
nas comunidades bióticas aquáticas (EIA PROJETO VERDE
ATLÂNTICO ENERGIAS, 2016). Esse impacto ser considerado como
positivo é questionável, pois o surgimento de novos habitats pode
provocar desequilíbrios nas comunidades bióticas.
Fase de Operação – Meio Físico
A redução das emissões atmosféricas das indústrias com a utilização
do gás natural é um impacto positivo, de grande magnitude e foi
encontrado em 20% dos estudos analisados. A queima do gás natural
comparada com outras fontes de energia provoca uma emissão bem
menor de poluentes atmosféricos, proporcionando para a região uma
melhor qualidade no ar (EIA AMPLIAÇÃO GASODUTO
CURITIBA, 2017).
A alteração na qualidade do ar, na fase de operação, é diferente da
fase de implantação, as emissões nessa fase são encontradas na
estação de recebimento do gás natural e operações no terminal. Para
mitigar podem ser utilizadas as melhores tecnologias e ocorrer o
monitoramento da qualidade do ar, aplicando-se medidas corretivas
caso ocorram problemas (EIA REFORÇO GASODUTO BAIXADA
SANTISTA, 2018).
A alteração no nível de ruído é um impacto negativo de
magnitude média, e constatado em 20% dos estudos. Na fase de
operação só ocorre pressão sonora na estação de recebimento do gás
natural na área industrial e não apresenta incomodo à população.
Como ação mitigatória, é feita a manutenção periódica do
maquinário (EIA REFORÇO GASODUTO BAIXADA SANTISTA,
2018).
A alteração na hidrodinâmica marinha e da sedimentação praial, é
um impacto negativo, de magnitude pequena, que foi encontrado em
10% dos estudos analisados, e está associado à atividade do quebra-
mar para a atracação e amarração dos navios, e para transferência e
descarregamento de gás. Interferindo na circulação hidrodinâmica
marinha, e possível processos de erosão e sedimentação praial (EIA
PROJETO VERDE ATLÂNTICO ENERGIAS, 2016).
A manutenção do duto é um aspecto ambiental, mas foi
encontrado em 10% dos estudos, é de magnitude média e natureza
negativa. É necessário realizar a manutenção na faixa de servidão. O
solo na faixa de servidão pode ser utilizado a uma profundidade de
até 40cm, podendo ser cultivado, mas não com árvores. Os serviços
de manutenção incluem a roçada periódica e a sinalização da aérea
(EIA REFORÇO RETAP, 2010).
Durante as fases de planejamento, implantação e operação de um
gasoduto ocorre um número maior de impactos ambientais negativos
que positivos. Para que esses impactos negativos não provoquem
expressiva degradação ambiental, são recomendadas medidas
mitigatórias nos estudos ambientais que, se forem implementadas
corretamente, podem diminuir a degradação ambiental causada
pelos gasodutos. Dentre as fases do empreendimento, a de
implantação foi a que mais apresentou impactos ambientais.
Vale ressaltar que, dentre todos os impactos, os seguintes estão
entre os mais relevantes: a redução da cobertura vegetal; o
desencadeamento de processos erosivos; e a interferência/pressão em
infraestrutura, serviços públicos e equipamentos sociais. A geração
de expectativa na população é um impacto negativo, mas se houver a
correta implementação de medidas por parte do empreendedor, ela
pode provocar a dinamização da economia local e o aumento da
oferta de emprego, sendo eles, impactos positivos. Assim, com o
correto planejamento e aplicação das medidas mitigadoras e
maximizadoras, é possível ampliar os benefícios dos gasodutos e
minimizar os problemas que podem ser ocasionados por esses
empreendimentos.
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Mestrado, Engenharia de Produção, Universidade Federal do Rio Grande do Norte,
Natal-RN. 78p. . 2015.
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https://www.researchgate.net/publication/343080685
	FOLHA DE ROSTO
	CRÉDITOS
	OS AUTORES
	PREFÁCIO
	1. INSTRUMENTOS LEGAIS OU NORMAS PARA EVITAR A DEGRADAÇÃO AMBIENTAL
	2. CRIAÇÃO DE BOVINOS E EQUINOS
	3. AGRICULTURA
	4. SILVICULTURA
	5. USINAS SIDERÚRGICAS
	6. RODOVIAS
	7. USINAS HIDRELÉTRICAS
	8. MINERAÇÃO À CÉU ABERTO
	9. ATERROS SANITÁRIOS
	10. GASODUTOSmais agradável
ao ser humano. Aumento
do valor da propriedade.
Paisagismo com uso de espécies
nativas. A atividade deve ser executada
por profissionais capacitados.
Atividades Impactos Ambientais Medidas mitigadoras/
compensatórias/ maximizadoras
Atividades
administrativas
Redução da
disponibilidade de água,
energia e outros recursos
naturais para outros
usos. Poluição da água e
solo em função da
geração de resíduos
sólidos e líquidos.
Uso de equipamentos que utilizem a
energia de forma eficiente. Captação e
armazenamento da água da chuva.
Utilizar fontes renováveis de energia,
como a solar. Incentivar os funcionários
a utilizarem de forma racional os
materiais e a água por meio da
Educação Ambiental Informatização de
procedimentos burocráticos. Adoção de
copos e outros materiais não
descartáveis. Fazer a correta destinação
dos resíduos sólidos. Reciclagem e/ou
reutilização de materiais. Tratamento
e/ou reutilização da água.
Implantação de
novas áreas de
pastagem
Mudanças no uso do
solo. Perda de habitats
naturais. Simplificação
do ambiente pela
implantação de uma
única espécie na
pastagem. Aumento da
incidência de queimadas.
Aumento da área para
criação de animais.
Surgimento de
oportunidades de
geração de empregos e
renda.
Criar animais em confinamento ou em
piquetes. Utilizar áreas já desmatadas/
degradadas.
Desenvolvimento e implantação de
ações para prevenção e combate a
incêndios. Capacitar moradores locais
para as atividades do empreendimento.
Fornecer adequadas condições de
trabalho.
Geral
Geração de empregos.
Aumento da oferta de
alimentos proveniente
dos bovinos (carne, leite
e derivados). Aumento da
arrecadação tributária.
Movimentação da
economia.
Incentivo a contratação de novos
funcionários. Oferta de cursos
profissionalizantes. Investimentos na
Educação e Saúde do trabalhador.
Fornecer adequadas condições de
trabalho.
Quadro 2. Atividades, impactos ambientais e medidas mitigadoras, compensatórias ou
maximizadoras relativos à criação de bovinos e/ou cavalos na fase de operação do
empreendimento.
Atividades Impactos Ambientais Medidas mitigadoras/
compensatórias/ maximizadoras
Atividades
administrativas
Redução da
disponibilidade de água,
energia e outros recursos
naturais para outros usos.
Poluição da água e solo
em função da geração de
resíduos sólidos e
líquidos.
Uso de equipamentos que utilizem a
energia de forma eficiente. Captação e
armazenamento da água da chuva.
Utilizar fontes renováveis de energia,
como a solar. Incentivar os
funcionários a utilizarem de forma
racional os materiais e a água por meio
da Educação Ambiental
Informatização de procedimentos
burocráticos. Adoção de copos e
outros materiais não descartáveis.
Fazer a correta destinação dos
resíduos sólidos. Reciclagem e/ou
reutilização de materiais. Tratamento
e/ou reutilização da água.
Uso de
maquinários e
veículos
Poluição sonora.
Aumento da incidência
de doenças nos
funcionários, decorrente
da falta de uso de
equipamentos de
proteção. Alteração da
qualidade do ar devido à
emissão de gases.
Alteração do clima, em
função da liberação de
gases do efeito estufa.
Poluição do solo e água
decorrente do vazamento
de óleos. Compactação do
solo.
Utilização de maquinários e veículos
mais silenciosos. Uso de equipamento
de proteção auditiva e visual. Mão de
obra capacitada. Manutenção dos
maquinários e veículos. Utilização de
fontes de energia menos poluentes e
que não colaborem para o aumento da
concentração de gases do efeito estufa
na atmosfera. Substituição de
máquinas pelo uso de tração animal.
Atividades Impactos Ambientais Medidas mitigadoras/
compensatórias/ maximizadoras
Treinamento e
manejo dos
animais
Aumento do estresse dos
animais. Ferimentos nos
animais.
Doma racional. Profissionais com
treinamento para efetuar as funções e
uso de materiais adequados.
Controle
sanitário e
processos de
higiene animal
Contaminação do solo e
da água. Redução da
disponibilidade de água
para outros usos.
Problemas de saúde nos
funcionários. Melhoria da
qualidade de vida dos
animais, se os
procedimentos forem
realizados corretamente.
Aumento do nível de
estresses nos animais,
caso sejam realizados de
forma inadequada. Risco
de acidentes com os
trabalhadores.
Correta destinação/disposição dos
resíduos. Reciclagem de resíduos.
Tratamento e/ou reutilização da água.
Profissionais com treinamento para
efetuar as funções, com os
equipamentos adequados. Uso de
Equipamentos de Proteção Individual
(EPI) pelos trabalhadores. Cuidados
com a dieta dos animais. Utilização de
medicamentos e equipamentos
aprovados pelas autoridades públicas e
armazenados de forma adequada.
Utilização do
pasto pelos
animais,
dessedentação
e alimentação
Compactação do solo.
Diminuição da infiltração
e da capacidade de
armazenamento de água
no solo. Assoreamento e
poluição de cursos d’água
em função do pisoteio das
suas margens. Alteração
da qualidade do ar e
aumento do efeito estufa,
decorrente dos gases
lançados pelos animais
por consequência da
digestão.
Utilizar a lotação animal adequada.
Rotação de pastagens. Realizar a
criação de gado em confinamento. Não
permitir que o gado adentre as Áreas
de Preservação Permanente dos cursos
d’água e entorno de lagos. Realizar o
plantio de árvores para diminuir a
concentração de gases do efeito estufa
na atmosfera.
Atividades Impactos Ambientais Medidas mitigadoras/
compensatórias/ maximizadoras
Irrigação
Redução da
disponibilidade de água
para outros usos.
Salinização do solo.
Aumenta a
disponibilidade de água
para as gramíneas
cultivadas.
Avaliar a necessidade de irrigação a
partir do balanço hídrico e utilizar a
menor quantidade de água possível.
Utilizar espécies de gramíneas mais
eficientes no uso da água. Utilizar
técnicas de irrigação eficientes.
Plantio em período de chuva.
Controle de
plantas
invasoras
Poluição do solo e da
água. Contaminação
humana por uso de
herbicida. Diminuição da
competição entre as
gramíneas cultivadas e as
plantas daninhas.
Adequada calagem e fertilização do
solo, correta taxa de semeadura e
plantio na época apropriada. Uso de
equipamentos de segurança pelos
trabalhadores. Menor utilização de
herbicidas. Controle manual com
enxadão ou foice, ou o controle
biológico. Aplicar o herbicida em dias
sem chuva e ventos fortes.
Construção
e/ou
manutenção de
instalações
Alteração da paisagem.
Redução da
disponibilidade de
recursos naturais e
energia. Poluição
atmosférica. Poluição
sonora, do solo e de
recursos hídricos. Danos
à saúde das pessoas.
Projeto paisagístico. Uso racional dos
recursos naturais e da energia.
Reciclagem e reutilização de materiais.
Correta disposição final de resíduos.
Realizar construções que possibilitem
a captação e armazenamento da água
da chuva e o bom aproveitamento da
luz solar. Manutenção dos
equipamentos. Utilização de
equipamentos silenciosos e eficientes
no uso de energia. Uso de
equipamentos de proteção individual
pelos trabalhadores.
Atividades Impactos Ambientais Medidas mitigadoras/
compensatórias/ maximizadoras
Renovação das
pastagens
através de
queimadas
Aumento da incidência
de queimadas. Perda de
nutrientes do solo. Perda
da biodiversidade local.
Aumento da erosão,
perda de solo e mudanças
nas características físicas
do solo. Possível perda de
habitats pela expansão do
incêndio além da área da
pastagem. Aumento da
poluição atmosférica.
Poluição visual.
Realizar a queima controlada. Fazer
aceiros. Utilizar outros métodos para a
renovação das pastagens.
Coleta e
armazenamento
de esterco.
Contaminação do solo e
da água. Poluição visual.
Poluição do ar pela
emissão de gases.
Realização da compostagem.
Utilização do esterco como fertilizante
para a pastagem e para outros fins.
Construção de biodigestores para
geração de energia com os resíduos de
esterco.
Geral
Geração de empregos.
Aumento da oferta de
alimentos proveniente
dos bovinos (carne, leite e
derivados). Aumento da
arrecadação tributária.
Movimentação da
economia.
Incentivo a contratação de novos
funcionários. Oferta de cursos
profissionalizantes.Investimentos na
Educação e Saúde. Fornecer adequadas
condições de trabalho.
Áreas de pastagem
A implantação de novas pastagens muitas vezes implica na conversão
de uso do solo, inclusive, uma expressiva parte do desmatamento que
ocorre no Bioma Amazônia é decorrente da abertura de novas áreas
para criação de gado (RIVERO et al., 2009). Consequentemente, isso
gera a perda de habitat para diversas espécies, o que é especialmente
grave para espécies cujos indivíduos necessitam de grandes áreas
para viver (ALMEIDA et al., 2011). Os ecossistemas naturais
apresentam, geralmente, uma estrutura bastante complexa. As
Florestas Tropicais apresentam diversos extratos verticais, ocupados
por diferentes organismos. Quando esse ambiente é destruído para
dar lugar às pastagens, ocorre a simplificação do ambiente. Esse
ambiente simplificado acaba por suportar menos espécies que o
ecossistema natural (MARTINS et al., 2011). Outro ponto negativo da
implantação de novas áreas de pastagens é o aumento da incidência
de queimadas, pois muitos pecuaristas utilizam as queimadas para
renovação das pastagens (TAVARES FILHO et al., 2011). Por outro
lado, novas pastagens proporcionam o aumento do rebanho, da
oferta de alimento para o ser humano e o surgimento de
oportunidade de geração de empregos e renda, tornando-se impactos
ambientais positivos.
A degradação das pastagens acarreta ao solo a perda de
produtividade e da capacidade das plantas de resistir a pragas,
doenças e se recuperar naturalmente (MACEDO; ZIMMER, 1993
apud OLIVEIRA; MONTEBELL, 2014). Com a degradação da
pastagem o pecuarista tende a ampliar a área utilizada, para não
reduzir a sua produção e ganhos. Assim, evitar a degradação das
pastagens é extremamente importante para minimizar os impactos
ambientais negativos da criação de bovinos e equinos.
É possível evitar ou minimizar os impactos ambientais negativos
advindos da implantação de novas áreas de pastagem através do uso
de áreas já desmatadas, evitando-se a conversão de áreas com
ecossistemas naturais em pastagens, e a criação de animais em
confinamento. O confinamento permite aumentar o número de
animais, que são criados em um espaço reduzido, diminuindo a
necessidade de aumentar a área de pasto. Contudo, críticos desse
sistema de criação apontam que a qualidade de vida dos animais fica
comprometida (SOUZA, 2005), devido à maior proliferação de
doenças e parasitas, ao aumento do nível de estresse nos animais e à
maior ocorrência de brigas entre eles. A criação em piquetes também
pode diminuir os impactos negativos do desmatamento, pois os
pecuaristas fazem rotação de áreas.
Arações e gradagens são técnicas utilizadas para implantar ou
renovar pastagens, mas podem causar diversos impactos ambientais
negativos, destacando-se o aumento dos processos erosivos e a perda
de solo decorrentes da desagregação das partículas do solo. Outro
problema gerado por essa atividade é a poluição e assoreamento de
cursos d’água e perda de indivíduos da fauna do solo. Por outro lado,
traz para o pecuarista os benefícios de aumento do nivelamento do
solo, da sua uniformidade e aeração, além da incorporação de
material vegetal ao solo. Para mitigar os impactos negativos das
arações e gradagens indica-se a aração em curva de nível, a
manutenção ou reflorestamento das matas ciliares e a semeadura
direta.
Na atividade de semeadura o criador de equinos e bovinos pode
optar por uma espécie de gramínea que não é nativa da região,
introduzindo uma espécie exótica. Caso essa espécie se propague
para além da área da pastagem pode competir com espécies nativas e
diminuir suas densidades ou mesmo eliminá-las, gerando perda de
diversidade biológica. Para evitar esses impactos negativos,
recomenda-se utilizar espécies de forrageiras nativas ou dificultar a
dispersão de gramíneas exóticas para fora da área da pastagem, o que
é extremamente difícil.
A irrigação de pastagens é uma prática que não é utilizada em
todas as propriedades, mas pode acelerar o crescimento das plantas
e, consequentemente, proporcionar maior disponibilidade de
alimento para os animais. Com a adoção da irrigação, se reduz a
disponibilidade de água para outros usos e a irrigação em excesso ou
com água com elevados níveis de sais, pode ocasionar a salinização
do solo (PEDROTTI et al., 2015). A irrigação deve ser planejada
levando-se em consideração o nível de pressão da água e a opção por
evitar a mistura de fertilizantes ou herbicidas e fungicidas. Assim,
previne-se a precipitação de complexos que exacerbam a salinização
(OLIVEIRA; MAIA, 1998). Como medidas mitigadoras cita-se a
utilização de espécies de gramíneas mais eficientes no uso da água,
avaliar a necessidade da irrigação, a qualidade físico-química da água
e utilizar a menor quantidade de água possível.
O controle de plantas invasoras de pastagens com herbicidas pode
provocar a poluição do solo e da água. Outro importante problema é
a contaminação humana por herbicidas. Para evitar ou minimizar
tais impactos sugere-se o controle manual com enxada, foice ou
controle biológico. Além disso, é extremamente importante a
adequada calagem e fertilização do solo, a correta taxa de semeadura
e o plantio na época apropriada, pois evitam a ocorrência de plantas
invasoras (PERON; EVANGELISTA, 2004). Quando o uso de
herbicidas for necessário, deve ser realizado o cálculo da quantidade
necessária para evitar que impactos ambientais negativos atinjam
maiores magnitudes. O controle de plantas invasoras por esse
método acarreta para o pecuarista a diminuição da competição entre
as gramíneas cultivadas e as invasoras.
Durante a utilização do pasto pelos animais o pisoteio ocasiona a
compactação do solo e consequente diminuição da infiltração e
capacidade de armazenamento de água no solo. Recomenda-se a
rotação de pastagens, a utilização da lotação animal adequada e a
criação de gado em confinamento.
Nas pastagens observa-se a presença de carbono tanto no solo
quanto na pastagem, sendo consideradas como bons locais para o
“armazenamento” de carbono, pois aumentam o estoque de carbono
quando bem manejadas (AMARAL et al., 2012). Todavia, a
degradação das pastagens influencia negativamente na quantidade
de carbono presente no solo, contribuindo para o aumento do efeito
estufa (FAO, 2009 apud AMARAL et al., 2012).
Controle de pragas e espécies invasoras
Além da poluição do solo e da perda de organismos não-alvo serem
impactos ambientais negativos gerados pela atividade de controle de
pragas, principalmente, quando se faz uso de pesticidas sintéticos,
também pode ocorrer o aumento da incidência de doenças nos
trabalhadores (RAMOS; SILVA FILHO, 2004; PINHEIRO; FREITAS,
2010).
As medidas mitigadoras incluem o controle biológico de pragas
(utilizando-se inimigos naturais para combater as pragas) e a análise
das populações das pragas e utilização dos praguicidas somente
quando alcançarem o nível de dano econômico. Os trabalhadores
responsáveis pelo controle das pragas devem ser treinados para
realizar essa função e possuir os equipamentos adequados. A
utilização de equipamentos de proteção individual é essencial.
Planejamento paisagístico
O planejamento paisagístico é especialmente utilizado em haras e
pode provocar a introdução de espécies de plantas exóticas e,
consequentemente, a perda de espécies nativas por competição nos
ecossistemas naturais (PRIMACK; RODRIGUES, 2001). Por outro
lado, o tratamento paisagístico colabora para a obtenção de uma
paisagem mais agradável para o ser humano e para o aumento do
valor da propriedade. Aconselha-se a utilização apenas de espécies
de plantas nativas.
Queimadas
A renovação de pastagens através de queimadas é uma técnica muito
utilizada no Brasil. Porém, pode causar vários efeitos adversos, como
a redução do vigor da rebrota, da umidade do solo, da fertilidade do
solo e do seu teor de matéria orgânica (OLIVEIRA; MONTEBELL,
2014). Assim, as queimadas degradam o solo, sendo prejudiciais à
agropecuária. O fogo ainda pode se alastrar para fora da pastagem,
atingindoecossistemas naturais e gerando perda de biodiversidade.
Em alguns casos, o fogo pode até mesmo atingir residências
humanas, pondo a vida de muitas pessoas em risco. A contribuição
das queimadas para o aumento do efeito estufa e para o aquecimento
global também são extremamente perigosas.
Desse modo, o uso de queimadas para renovar pastagens não é
recomendado, podendo-se adotar outras técnicas. Caso se opte pela
queimada, deve-se fazer a queima controlada, em um horário
adequado e fazer aceiros nos limites da área a ser atingida. É possível
realizar a queimada de forma legal, basta obter a autorização do
órgão ambiental competente, que irá realizar a vistoria da área a ser
queimada e irá estipular as medidas de segurança a serem utilizadas.
Controle Sanitário e Uso da Água
O uso da água no controle sanitário e nos processos de higiene
animal consome água e gera efluentes líquidos, ocasionando os
impactos ambientais negativos de contaminação do solo e da água e
redução da disponibilidade de água para outros usos. Assim, se faz
necessário o tratamento desses efluentes através de um sistema de
tratamento de efluentes. Também é recomendável educar os
funcionários para o uso racional da água, evitando desperdícios.
As atividades de controle sanitário e de higiene animal também
geram vários resíduos sólidos e podem provocar problemas de saúde
nos funcionários devido ao uso inadequado dos produtos. Dentre os
benefícios que geram está a melhoria da qualidade de vida dos
animais e um produto final de maior qualidade. Várias medidas
mitigadoras ou maximizadoras podem ser adotadas, incluindo
cuidados com a dieta dos animais para evitar o surgimento de
doenças, a utilização de medicamentos aprovados pelas autoridades
públicas e armazenados de forma adequada, a correta estocagem dos
materiais utilizados e a correta destinação/disposição final dos
resíduos. Além desses, é importante realizar a reciclagem de
resíduos, o tratamento e/ou reutilização da água e o uso de EPIs
pelos trabalhadores. Essas atividades devem ser realizadas por
profissionais com treinamento para efetuar tais funções.
Quando o treinamento dos animais é intenso e feito com
equipamentos de má qualidade (sela, bacheiro/manta, bridão/freio)
pode estressar e/ou causar ferimentos nos animais. Tal treinamento é
bastante frequente na criação de cavalos. Para mitigar problemas
quanto ao treinamento dos animais pode-se utilizar a doma racional
onde se respeita o tempo de aprendizado de cada animal (bovino e
equino) e sem o uso de violência. As atividades devem ser executadas
por profissionais com treinamento para efetuar tais funções e com os
equipamentos adequados.
Uso de veículos e maquinários
A utilização de maquinários e veículos é frequente na criação desses
animais, causando a poluição sonora, o aumento da incidência de
doenças nos funcionários, decorrente dos ruídos, por exemplo, e a
alteração da qualidade do ar devido à emissão de gases. Além disso, é
possível ocorrer a poluição do solo e água decorrentes do vazamento
de óleos. Para mitigar tais impactos negativos sugere-se a periódica
manutenção dos maquinários e veículos, utilização de maquinários e
veículos mais silenciosos e o uso de equipamento de proteção
auricular pelos funcionários. Cabe ressaltar que o uso de
equipamentos de proteção individual (EPIs) é vital em todas as
atividades agropecuárias que apresentem riscos aos trabalhadores.
Atividades administrativas
As atividades administrativas que envolvem a criação de cavalos e
bovinos geram resíduos e consomem recursos naturais e energia.
Dentre os impactos ambientais que as mesmas causam, estão a
redução da disponibilidade de água e energia para outros usos, além
da poluição da água e do solo advindas da geração de resíduos
sólidos e efluentes líquidos. Para minimizar esses impactos
ambientais sugere-se o uso de equipamentos que utilizem fontes de
energia renovável e de forma eficiente, incentivar os funcionários a
utilizarem de forma racional os materiais e a água, fazer a correta
destinação dos resíduos sólidos, realizar a reciclagem e/ou
reutilização de materiais e o tratamento e/ou reutilização da água.
Os impactos ambientais advindos da construção e/ou manutenção
de instalações irão variar em função do tipo e tamanho das obras e
dos materiais utilizados. Dentre os impactos que podem surgir estão
a alteração da paisagem, a redução da disponibilidade de recursos
naturais e energia, a poluição atmosférica, sonora, do solo e de
recursos hídricos. Danos à saúde dos trabalhadores também são
passíveis de ocorrer. Como medidas mitigadoras sugere-se a
elaboração de um projeto paisagístico, que pode agregar valor à
propriedade, utilização de equipamentos silenciosos e eficientes no
uso de energia, a manutenção periódica dos equipamentos, o uso
racional dos recursos naturais e da energia, a reciclagem e
reutilização de materiais e a correta disposição de resíduos. Além
disso, é extremamente importante o uso de equipamentos de
proteção pelos trabalhadores. Projetar construções que possibilitem
a captação e armazenamento da água da chuva, permita ventilação
natural e o aproveitamento da luz solar também são medidas de
bastante utilidade.
Emissão de gases
A pecuária está entre as principais causadoras de emissão de gases
que causam o aumento do efeito estufa, sendo apontada como uma
das atividades que vem provocando o aquecimento global
(OLIVEIRA; MONTEBELL, 2014). A emissão de CO2 deve-se
principalmente pelos combustíveis fósseis e energia utilizados, o
CH4 deve-se aos dejetos dos animais e à sua fermentação entérica, já
o N2O é emitido com o uso de fertilizantes sintéticos e pelo esterco
dos animais (AMARAL et al., 2012; OLIVEIRA; MONTEBELL,
2014). Porém, sabe-se que é possível reduzir as taxas de emissão de
gases de efeito estufa advindos da pecuária, através de melhoria das
técnicas de manejo das pastagens e da alimentação dos animais e
pelo melhoramento genético, por exemplo (AMARAL et al., 2012).
Licenciamento Ambiental e Sistemas de Gestão Ambiental
(SGA)
O presente trabalho apresenta e discute alguns dos impactos
ambientais que podem ser causados com a criação de equinos ou de
bovinos e aponta medidas para minimizar os impactos ambientais
negativos e formas de maximizar os impactos ambientais positivos.
Essas informações são importantes tanto para o processo de
Licenciamento Ambiental desses empreendimentos quanto para o
planejamento e implantação de um SGA, pois norteia o
empreendedor sobre as medidas que deveram ser tomadas em ambos
os casos. Cabe ressaltar que tais empreendimentos podem até
mesmo causar significativa degradação do meio ambiente, sendo
necessária a elaboração do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e do
Relatório de Impacto Ambiental (RIMA), quando ocupam grandes
áreas, por exemplo. Isso é claramente exposto no segundo artigo da
Resolução CONAMA 01 de 1986, que exemplifica os
empreendimentos que podem ser licenciados com EIA/RIMA:
“Artigo 2º - Dependerá de elaboração de estudo de impacto ambiental e
respectivo relatório de impacto ambiental - RIMA, a serem submetidos à
aprovação do órgão estadual competente, e do IBAMA em caráter supletivo, o
licenciamento de atividades modificadoras do meio ambiente, tais como:”
“XVII - Projetos Agropecuários que contemplem áreas acima de 1.000 ha ou
menores, neste caso, quando se tratar de áreas significativas em termos
percentuais ou de importância do ponto de vista ambiental, inclusive nas áreas
de proteção ambiental. (inciso acrescentado pela Resolução n° 11/86)” (BRASIL,
1986).
A adoção de medidas para implementar a criação de bovinos e
equinos de forma ambientalmente correta tem especial importância
no Brasil, pois o país possuí um dos maiores rebanhos de bovinos e
de equinos do mundo e uma elevada área destinada a esse fim.
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mal_e_sua_relacao_com_qualidade_da_carne_000fz75urw702wx5ok0cpoo6agb�iwd.pdf.
Acesso em 19 de maio, 2016.
TAVARES FILHO, J.; FERREIRA, R.R.M.; FERREIRA, V.M. Fertilidade química de solo sob
pastagens formadas com diferentes espécies nativas e com Brachiaria decumbens
manejadas com queimadas anuais. Semina: Ciências Agrárias, v.32, n.1, p.1771-1782,
2011.
3
AGRICULTURA
Johnatan Jair de Paula Marchiori & Fábio Souto de Almeida
A produção agrícola brasileira é uma das maiores do mundo,
possibilitando estar entre os países que mais exportam produtos
agrícolas (BRASIL, 2018). As atividades agropecuárias geram elevado
número de empregos, são responsáveis por elevada parte do PIB do
país e por possibilitar números favoráveis na balança comercial
(BRASIL, 2018; MAPA, 2019). Além de ser importante para a
segurança alimentar de um grande número de pessoas, também
fornece matéria-prima para uma série de produtos não alimentícios.
Contudo, diversos impactos ambientais ocorrem a partir das
atividades necessárias para a agricultura (LOPES; ALBURQUEQUE,
2018). Muitos desses impactos podem apresentar elevada magnitude,
principalmente quando as áreas cultivadas são extensas e existe a
utilização de maquinário pesado e defensivos agrícolas sintéticos
(LOPES; ALBURQUEQUE, 2018; CARVALHO et al., 2019). O Brasil
por ser um país com alta produtividade de alimentos e apresentar
uma vasta área cultivada com monoculturas, também se destaca em
relação ao uso de produtos sintéticos e, de acordo com Rigoto (2014),
na última década ocorreu uma expansão de 190% no mercado de
produtos químicos visando uma melhor produtividade e controle de
pragas e doenças em lavouras.
Assim, a Resolução CONAMA 01 de 1986 inclui os projetos
agropecuários entre os que podem necessitar do Estudo de Impacto
Ambiental – EIA e do Relatório de Impacto Ambiental - RIMA para
o seu licenciamento (CONAMA, 1986). Tal exigência ocorre para
projetos em áreas de mais de 1000 ha ou mesmo em terrenos de
menor tamanho, caso a área do empreendimento tenha importância
ambiental (CONAMA, 1986). Mesmo empreendimentos que não se
encaixem nesses critérios podem precisar do licenciamento, embora
não seja exigido o EIA/RIMA. Além da importância para o
licenciamento, estudar os impactos ambientais da agricultura
possibilita reduzir danos para a população e recursos naturais,
garantindo inclusive a sustentabilidade produtiva das áreas
cultivadas (ERTHAL; BERTICELLI, 2018).
No presente capítulo as atividades agrícolas e seus principais
impactos ambientais são discutidos, incluindo não somente os
impactos diretos (alterações ambientais de primeira ordem), mas
também os indiretos. Além disso, são propostas ações para reduzir a
magnitude de tais impactos negativos. As medidas mitigadoras aqui
propostas foram basicamente preventivas, objetivando evitar ou
minimizar os impactos negativos diretos.
A expansão das áreas agrícolas, juntamente com o aumento das
áreas destinadas à criação de bovinos, é uma importante causa do
desmatamento de florestas tropicais (AMARAL, 2018), além de
reduzir e degradar diversos outros ecossistemas naturais (Quadro1).
Atividades antrópicas que reduzem as áreas com ecossistemas
naturais ocasionam diversos impactos negativos sobre a
biodiversidade nativa, como o isolamento de populações decorrente
da fragmentação dos habitats, a consequente redução do número de
indivíduos de populações de animais e plantas e a posterior redução
da biodiversidade pela extinção de espécies (PRIMACK;
RODRIGUES, 2001; ALMEIDA; VARGAS, 2017).
Quadro 1. Atividades agrícolas, principais impactos ambientais provocados e medidas
mitigadoras.
Atividades Impactos Ambientais Medidas
Mitigadoras
Remoção
de
vegetação
nativa para
utilizar a
área para a
agricultura
Redução de habitats ativos/ Fragmentação de
habitats nativos/ Extinção de espécies/ Redução
de populações bióticas/ Redução da
disponibilidade de recursos naturais/ Mudanças
climáticas/ Alteração no ciclo hidrológico/
Alterações negativas nas propriedades do solo e
degradação de recursos hídricos
Utilização de áreas
já antropizadas/
Utilização de
métodos e técnicas
que permitam
aumentar a
produtividade
Supressão
da
vegetação
do terreno
através de
queimadas
Poluição do ar/ Redução de populações bióticas/
Perda de nutrientes do solo/ Perda de matéria
orgânica do solo/ Alteração de características
físicas do solo/ Aumento de processos erosivos/
Poluição de cursos d’água
Incorporação do
material vegetal no
solo ou mantê-lo
como cobertura
morta/ Fiscalização/
Educação
Ambiental/
Preparação de
aceiros
Preparo do
solo
(aração,
calagem e
adubação)
Aumento da erosão/ Perda de solo/ Poluição dos
cursos d’água/ Redução da fauna do solo/
Alteração das características físicas do soloUtilização de
métodos e técnicas
conservacionistas
Irrigação
Redução da disponibilidade de água/ Salinização
do solo/ Lixiviação de nutriente
Correto
planejamento da
irrigação
Plantio Introdução de espécies exóticas e competição
com espécies de plantas nativas
Estudo de clima e
adaptabilidade de
espécies/ Controle
para evitar a
dispersão da espécie
exótica
Atividades Impactos Ambientais Medidas
Mitigadoras
Controle
de pragas,
plantas
daninhas e
doenças
Poluição do solo/ Poluição dos cursos d’água/
Aumento da incidência de doenças em seres
humanos/ Redução de populações de organismos
não-alvo
Técnicas de manejo
integrado de Pragas,
visando a aplicação
de produtos
naturais e
biológicos
Colheita e
Transporte
Poluição do ar/ Aumento da incidência de ruídos/
Aumento da incidência de doenças e acidentes
Correta manutenção
dos veículos e
equipamentos/ Uso
de Equipamento de
proteção individual
Geral
Aumento da oferta de empregos/ Geração de
renda/ Aumento da oferta de alimentos e
matéria-prima/ Alteração da paisagem
___
Decorrente da redução da cobertura vegetal nativa também ocorre
a diminuição da disponibilidade de recursos naturais, além de
possíveis alterações no ciclo hidrológico e no microclima e até
mesmo modificações no clima regional, dependendo da magnitude
da alteração da paisagem (ALVES, 1999; FEARNSIDE, 2006). A
remoção da vegetação deixa o solo exposto às intempéries climáticas,
colaborando para o aumento de processos erosivos, redução da
profundidade do solo, perda de nutrientes e redução da infiltração da
água da chuva (ALBUQUERQUE et al., 2001; BACELLAR, 2005;
RODRIGUES et al., 2011). Assim, reduz a recarga do lençol freático e
aumenta o escoamento superficial da água (BACELLAR, 2005).
Existe uma expressiva área com a cobertura de vegetação nativa
suprimida em território brasileiro, áreas expressivamente
antropizadas (RIBEIRO et al., 2009), que não estão sendo utilizadas
para atividades econômicas ou são subutilizadas. O uso dessas áreas
para a expansão agrícola pode reduzir a pressão sobre as áreas com
ecossistemas naturais conservados. Além disso, sabe-se que a
produção agrícola brasileira pode aumentar consideravelmente sem
a expansão das áreas cultivadas, bastando implementar técnicas e
métodos que aumentem a produtividade, assim a adoção de
tecnologias pode diminuir a supressão de vegetação nativa e
harmonizar a produção agrícola com a conservação ambiental
(EMBRAPA, 2017).
Várias das alterações ambientais provocadas pelo desmatamento
também ocorrem pela utilização de queimadas pelos agricultores.
Cabe ressaltar que os impactos sobre a diversidade biológica, solo,
clima, poluição atmosférica e recursos hídricos têm o potencial de
desencadear variados impactos sobre os seres humanos (REDIN, et
al., 2011; ALMEIDA; VARGAS, 2017; ALMEIDA et al., 2017).
Entre os efeitos negativos das queimadas está o aquecimento
global, pela emissão de gases do efeito estufa desencadeada pelos
incêndios e a por diversas outras atividades humanas (FREIRE, 2011;
AGUIAR, 2013). A elevação da temperatura média no planeta
provoca variados problemas incluindo a influência de forma indireta
sobre a entomofauna, pois quebra a simultaneidade entre as plantas
e insetos, pois essa liberação de gases tende a afetar inclusive a
relação carbono e nitrogênio (C:N) nas espécies de plantas, tendo
influência no processo fotossintético e influenciando a quantidade e
a qualidade dos alimentos dos herbívoros (CHEN et al., 2004, 2007;
DERMODY et al., 2008). Tais mudanças podem influenciar a
dinâmica populacional e a biologia de diferentes espécies, sendo elas
vegetais ou insetos (PUTEEN et al., 2004).
As alterações nos sistemas naturais interferem na produtividade
agrícola e na biodiversidade (KÖRNER, 2003; THEURILLAT;
GUISAN, 2001), influenciando também no uso de produtos sintéticos
na agricultura. Dependendo das características do ambiente e da
ação antrópica, os organismos envolvidos podem ter uma maior
capacidade de adaptação ao meio, provocando assim maior
dificuldade no controle de espécies danosas à agricultura que
apresentarem essa maior adaptabilidade diante, por exemplo, de
variações na temperatura influenciadas por processos não naturais
(CHEN; MCCARL, 2001). Como consequência, pode-se intensificar o
uso de produtos químicos para o controle de pragas e doenças, pois o
ambiente ficará mais propício para a proliferação de algumas
espécies prejudiciais às plantas agrícolas.
As atividades necessárias para o preparo do solo, como a aração, a
calagem e a adubação, podem provocar alterações negativas sobre os
recursos edáficos e hídricos, principalmente a médio e longo prazo e
se realizadas com maquinário pesado e sem os devidos cuidados com
a conservação do solo. Entre tais impactos podem ser citados o
aumento da erosão, a perda de solo, a poluição dos cursos d’água e a
redução da fauna do solo. A erosão leva ao desequilíbrio no solo, pois
está associada a perdas de solo e redução da fertilidade, também está
relacionada a inundações, poluição de corpos hídricos e
assoreamento (WANG et al., 2016; ALMEIDA et al., 2017). O que
colabora para o aumento da erosão é a baixa cobertura do solo por
vegetação (ALMEIDA & VARGAS, 2017), pois quando está
desprotegido o solo fica mais susceptível ao processo de
intemperismo pela ação do vento, radiação solar e água das chuvas,
ocorrendo o impacto direto das gotas de chuva no solo
(PANACHUKI et al., 2011).
A poluição dos cursos d’água pode ocorrer, por exemplo, pelos
inseticidas, herbicidas e fertilizantes utilizados. As lixiviações
aumentam a dissipação destes produtos sintéticos no solo, e aspectos
como o horário de aplicação dos agrotóxicos e a regulagem dos
equipamentos podem influenciar na dispersão dos produtos
sintéticos e aumentar a poluição e os danos que poderão ser
causados no meio ambiente, podendo ocorrer poluição do solo,
alteração na fauna e da qualidade dos recursos hídricos (SCORZA,
2014). Estes impactos estão diretamente ligados a destruição de seres
benéficos à agricultura, como demonstram Chelinho et al., (2011),
pois seus resultados indicam que a utilização de carbofurano reduz o
número de nematoides que controlam pragas de solo e também
foram notados danos aos artrópodes, que colaboram para a
manutenção do equilíbrio no agroecossistema.
A irrigação das áreas cultivadas consome uma expressiva
quantidade de água, acarretando na redução da disponibilidade de
água para outros fins. Além disso, caso não seja realizada
corretamente, pode provocar a salinização do solo e lixiviar
nutrientes, reduzindo a fertilidade do solo (ERTHAL; BERTICELLI,
2008).
Grande parte das plantas cultivadas no Brasil não são nativas do
país. Algumas das espécies introduzidas em diversas regiões do
planeta para serem cultivadas colonizaram habitats nativos e
aumentaram a sua densidade, suprimindo espécies nativas, o que
pode ocorrer por competição (ALMEIDA; VARGAS, 2017). Além
disso, durante o transporte de material vegetal cultivado entre as
regiões do planeta, espécies de diversos táxons associadas às plantas
cultivadas são introduzidas em variados habitats e a introdução de
espécies exóticas pode causar expressivos prejuízos financeiros aos
países onde as espécies foram introduzidas (MMA, 2020).
No controle de pragas, plantas daninhas e doenças os impactos
ambientais mais expressivos são aqueles relacionados à poluição do
solo, cursos d’água e aos resíduos desses agrotóxicos que
permanecem nos alimentos cultivados. Isso provoca o aumento da
incidência de doenças em seres humanos (RAMOS; SILVA FILHO,
2004). Os agrotóxicos presentes em cultivos agrícolas podem afetar
até mesmo a estrutura das plantas, como o tamanho e o número de
estômatos existentes (AZEVEDO, et al., 2012). A utilização incorreta
dos agrotóxicos, sem a adequada aplicação do Manejo Integrado de
Pragas (MIP), acarreta em diversos problemas, pois ao invés de
diminuir os danos pode acarretar em danos ainda maiores e levar ao
surgimento de populações de pragas e doenças resistentes aos
produtos

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