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See discussions, stats, and author profiles for this publication at: https://www.researchgate.net/publication/343080685 Impactos Ambientais de grandes empreendimentos no Brasil Book · January 2020 CITATIONS 0 READS 1,321 11 authors, including: Some of the authors of this publication are also working on these related projects: Observatório da implantação do banco nacional de perfis genéticos com fins de persecução penal View project A diversidade e o papel da fauna de formigas em áreas agrícolas submetidas ao cultivo orgânico e convencional. View project Fábio Souto Almeida Federal Rural University of Rio de Janeiro 39 PUBLICATIONS 219 CITATIONS SEE PROFILE Fabiola de Sampaio Rodrigues Grazinoli Garrido Federal Rural University of Rio de Janeiro 43 PUBLICATIONS 76 CITATIONS SEE PROFILE All content following this page was uploaded by Fábio Souto Almeida on 30 August 2020. 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ISBN: 978-65-5531-069-6 (recurso eletrônico) 1. Desenvolvimento sustentável – Brasil. 2. Impacto ambiental. 3. Política ambiental. I. Almeida, Fábio Souto de. CDD 363.7 Impactos ambientais de grandes empreendimentos no Brasil ALMEIDA, Fábio Souto de (org.) ISBN: 978-65-5531-069-6 1ª edição, maio de 2020. Editora Autografia Edição e Comunicação Ltda. Rua Buenos Aires, 168 – 4º andar, Centro RIO DE JANEIRO, RJ – CEP: 20070-022 www.autografia.com.br Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução deste livro com fins comerciais sem prévia autorização do autor e da Editora Autografia. OS AUTORES Fábio Souto de Almeida (organizador) Graduação em Engenharia Florestal, Mestrado e Doutorado em Ciências Ambientais e Florestais, Professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Instituto Três Rios, Departamento de Ciências do Meio Ambiente. Fabíola de Sampaio Rodrigues Grazinoli Garrido Graduação em Ciências Biológicas, Mestrado e Doutorado em Agronomia (Ciências do Solo), Professora da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Instituto Três Rios, Departamento de Ciências do Meio Ambiente. Olga Venimar de Oliveira Gomes Graduação em Geologia, Mestrado em Ciências (Geologia - UFRJ), Doutorado em Geociências (Geoquímica Ambiental-UFF), Professora da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Instituto Três Rios, Departamento de Ciências do Meio Ambiente. Ana Izabel Gomes Landes Graduação em Gestão Ambiental pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Clarisse da Silva Guimarães Graduação em Gestão Ambiental pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Johnatan Jair de Paula Marchiori Graduação em Agronomia pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo. Mestrado em Fitossanidade e Biotecnologia Aplicada, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Júlia de Azevedo Oliveira Graduação em Gestão Ambiental pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Laura Dias Parreiras Bento Graduação em Gestão Ambiental pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Mariene Massi Afonso Alvim Graduação em Gestão Ambiental pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Nathalia Priori Pinto Graduação em Gestão Ambiental pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Renata Fernanda Oliveira de Souza Graduação em Gestão Ambiental pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Sara Bianco Graduação em Gestão Ambiental pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. PREFÁCIO Esse livro foi criado com o intuito de disseminar conhecimento acerca das alterações ambientais negativas e positivas advindas, principalmente, de empreendimentos de grande porte. Além de fomentar a discussão sobre estratégias para reduzir a degradação ambiental desencadeada pelas atividades humanas. Trata-se de uma reflexão importante para o avanço da compreensão da influência antrópica sobre o meio ambiente e para minimizar ou até mesmo evitar os impactos ambientais negativos. Também cabe mencionar que os impactos ambientais positivos podem ser potencializados, aumentando os benefícios dos empreendimentos implementados pelos setores público e privado. A obra foi confeccionadaquímicos utilizados, principalmente por várias espécies de pragas agrícolas se desenvolverem e reproduzirem em um espaço de tempo relativamente curto. Além disso, com o alto uso de pesticidas sintéticos pode-se observar a redução de populações de organismos não-alvo, entre eles espécies que são predadoras de pragas agrícolas e polinizadores, acarretando em prejuízos às próprias áreas cultivadas. Pettis et al. (2013) observaram alto índice de pesticidas em colônias de abelhas e no mel produzido. Isso causa preocupação, pois as abelhas auxiliam na produtividade agrícola devido a eficiência na realização da polinização. A toxicidade do grupo químico de neonicotinoides afeta o sistema olfativo das abelhas, acarretando assim prejuízo em suas funções e para a conclusão do seu forrageamento (DECCOURTYE et al., 2004), o que acarreta a diminuição das populações de abelhas. Ainda em relação aos polinizadores, os cultivos transgênicos também podem ameaçar espécies de insetos polinizadores (ROSA et al., 2019). O desmatamento pode influenciar diretamente os agentes polinizadores, pois tais atividades interferem na heterogeneidade do ambiente e causam a destruição de habitats, reduzindo a diversidade de polinizadores (TILMAN et al., 2001; BROWN; OLIVEIRA, 2014). A colheita e o transporte dos produtos agrícolas, muitas vezes, são realizadas com veículos de grande porte, que consomem elevada quantidade de combustíveis e emitem gases poluentes que degradam a qualidade do ar. A poluição atmosférica ocasionada pelos veículos automotores provoca e agrava diversas doenças em seres humanos, sendo fatais em muitos casos (BAKONYI et al., 2004; DRUMM et al., 2014; ALMEIDA et al., 2017). A poluição sonora também ocorre em função de outras atividades agrícolas além do transporte, mas geralmente não apresenta elevada importância. Contudo, como os veículos que transportam os produtos agrícolas geralmente percorrem áreas sensíveis aos ruídos, como as cidades e estradas próximas de habitats nativos, esse impacto foi apontado para essa atividade. Além disso, trata-se de um risco ocupacional. A alteração da paisagem é um impacto ambiental que surge na mudança de uso do solo para a implantação das culturas agrícolas e ocorre frequentemente com o preparo do solo, plantio e colheita. Geralmente, a alteração da paisagem causada por empreendimentos agrícolas pode ser entendida como a degradação da paisagem, mas esse é um impacto de difícil mitigação e que pode ser considerado irreversível. Assim, as atividades agrícolas causam variadas alterações ambientais negativas. Contudo, é possível, além de ser necessário, reduzir esses impactos adversos. A agricultura é essencial para a humanidade pela geração de alimentos e matéria-prima para diversos produtos. Também aumenta a oferta de empregos e gera renda para uma elevada parcela da população. É necessário desenvolver as atividades agrícolas com os devidos cuidados para que a produção seja sustentável e os benefícios da agricultura possam ser obtidos com a geração do menor número de impactos ambientais negativos possível. Referências AGUIAR, R.S. Aquecimento global: quem é culpado? ComCiência, v.152. 2013. ALBUQUERQUE, A.W.; LOMBARDI NETO, F.; SRINIVASAN, V.S. 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Porém, assim como a maioria das atividades econômicas, a silvicultura acarreta impactos ambientais negativos, que incluem alterações adversas sobre a socioeconomia e que também afetam a natureza. Nesse capítulo, os impactos da silvicultura são discutidos com o propósito de divulgar esse conhecimento e fomentar a discussão acerca das estratégias para reduzir as alterações adversas causadas pela silvicultura. O objetivo é auxiliar na obtenção desses importantes produtos florestais evitando-se a degradação ambiental. Os resultados apresentados nesse trabalho são úteis para a elaboração e implementação de Sistemas de Gestão Ambiental para a silvicultura e também para a elaboração de estudos ambientais, como o Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto Ambiental, para o licenciamento desses empreendimentos. Para indicar os impactos ambientais provocados pela silvicultura foram observadas as alterações ambientais listadas em estudos ambientais produzidos para o licenciamento de projetos de silvicultura e também trabalhos científicos publicados que abordaram o tema em questão (SALGADO; MAGALHÃES JÚNIOR, 2006; GUIMARÃES et al. 2008; VALVERDE et al., 2012; FIBRIA 2013; MOLEDO et al., 2016; SUZANO 2016; ALMEIDA et al., 2017; MACHADO; MAIA, 2017; FAZ. N.S. APARECIDA, 2019). Cabe ressaltar que a lista de impactos apresentada não inclui somente aqueles relativos ao plantio e cultivo das árvores, mas também os associados à fabricação e transporte dos produtos florestais. Foram previstas alterações ambientais relativas à biodiversidade, ao meio físico (solo, água, atmosfera) e também à socioeconomia, sendo a maioria dos impactos classificados como negativos, gerando então degradação ambiental (Quadro 1). Contudo também foram constatados importantes impactos ambientais positivos. Quadro 1. Alterações ambientais ocasionadas pela silvicultura no meio biótico, físico e socioeconômico e a sua natureza (positiva –P, negativa – N). Meio Afetado/ Impactos Ambientais Natureza P N Meio Biótico Redução e fragmentação de habitats X Redução de populações de animais e de plantas X Meio Afetado/ Impactos Ambientais Natureza P N Redução da pressão sobre florestas nativas X Degradação dos habitats X Afugentamento da fauna X Aumento da incidência de atropelamento de fauna X Redução da biodiversidade X Redução da ocorrência de interações ecológicas X Alteração na composição de comunidades biológicas X Interferência em áreas protegidas X Aumento da frequência de caça e extração de espécies vegetais X Meio Físico Alteração das características físicas do solo X Processos erosivos e redução da profundidade do solo X Redução da infiltração da água no solo X Alteração da fertilidade do solo X Poluição do solo X Aumento da poluição sonora X Redução da qualidade de agua X Assoreamento de cursos d’água e alterações na vazão X Meio Afetado/ Impactos Ambientais Natureza P N Alteração do uso do solo e da paisagem X X Aumento da poluição atmosférica X Alteração do clima X Meio Socioeconômico Alteração no valor de imóveis e terrenos X X Aumento da oferta de postos de trabalho diretos e indiretos X Incremento na arrecadação de impostos X Aumento do risco de acidentes e ocorrência de doenças em seres humanos X Dinamização da economia X Impactos sobre sítios arqueológicos X Alterações em atividades turísticas X X Geração de expectativas em relação ao empreendimento X X Geração de conflitos X Geração de incômodos à população X Aumento da pressão sobre serviços públicos X Aumento da oferta de produtos florestais X Aumento do consumo de recursos naturais X Melhoria da infraestrutura viária X Em relação aos impactos negativos sobre o meio biótico causados pela silvicultura, pode ocorrer a redução de habitats nativos para a implantação dos cultivos, abertura de acessos ou pela construção de instalações necessárias ao empreendimento. Quando novos cultivos são alocados em áreas com ecossistemas naturais as populações bióticas podem ser prejudicadas, reduzindo as densidades populacionais e até mesmo ocorrendo a extinção local. Essa redução dos habitats pode estar associada à fragmentação dos mesmos, com o aumento do isolamento de populações de animais e de plantas. Esse fenômeno é apontado como causador de redução da biodiversidade (ALMEIDA;VARGAS, 2017). Contudo, é importante mencionar que a produção de madeira e outros produtos em áreas cultivadas pode provocar a redução na necessidade de extração desses itens em florestas nativas, potencialmente reduzindo o desmatamento, auxiliando na conservação das florestas especialmente se a silvicultura for implantada em áreas já desmatadas (FREITAS JÚNIOR et al., 2012). A redução das populações de animais também pode ocorrer em função do afugentamento da fauna, ocasionada por exemplo por ruídos emitidos por veículos e máquinas, pela degradação do habitat e pelo uso de pesticidas. Expressivos impactos negativos sobre a fauna podem ser provocados pelos ruídos emitidos pelo tráfego de carros, caminhões e equipamentos (TENNESSEN et al., 2014). O aumento do atropelamento de fauna é um impacto frequentemente observado em diversos empreendimentos onde ocorre o aumento do tráfego de veículos. Com a redução de populações e espécies da fauna, interações ecológicos vitais para as plantas, como a dispersão de sementes e a polinização, são comprometidas. Também cabe ressaltar que a silvicultura muitas vezes interfere negativamente em áreas protegidas, como as unidades de conservação da natureza. O aumento da ação da água da chuva, do vento e da radiação solar sobre o solo desprotegido, quando do plantio das árvores, desencadeia impactos negativos sobre o solo, entre esses se destaca o aumento da ocorrência de expressivos processos erosivos. Além disso, cita-se a redução da profundidade do solo, o empobrecimento do solo e a redução da capacidade em infiltração da água. Decorrente disso surge o aumento do escoamento superficial de água da chuva, pincipalmente em áreas mais declivosas, e a redução do reabastecimento do lençol freático. As partículas do solo podem ser carreadas para cursos d’água, poluindo á água e assoreando os rios (ALMEIDA et al., 2017), e essas mudanças na qualidade ambiental podem ter diferentes magnitudes nas diferentes fases do empreendimento (SALGADO; MAGALHÃES JUNIOR, 2006). A utilização de agrotóxicos também pode impactar negativamente o solo e os recursos hídricos, pela poluição que provocam. Um elevado número de alterações ambientais adversas da silvicultura estão associadas à degradação do solo. Contudo, ao utilizar técnicas conservacionistas esses impactos podem ser minimizados. Como exemplo, o enriquecimento dos eucaliptais om outras espécies vegetais pode melhorar as características da serapilheira, aumentando a ciclagem de nutrientes e melhorando a fertilidade do solo (GAMA-RODRIGUES; BARROS, 2002). Para o plantio, tratos culturais, colheita e transporte da madeira são necessários vários equipamentos e veículos, além de diversos produtos químicos como fertilizantes e pesticidas, sendo necessário o devido cuidado ao utilizar todos esses insumos para reduzir a magnitude dos impactos ambientais negativos advindos da silvicultura (MOLEDO et al., 2016). A magnitude das alterações no meio ambiente pode ser minimizada com a escolha e aplicação correta de práticas culturais conservacionistas, obtendo-se inclusive a redução de processos erosivos e a proteção da qualidade da água, porém esses impactos também são aumentados com a utilização de práticas equivocadas (SALGADO; MAGALHÃES JUNIOR, 2006). Os impactos ambientais da silvicultura que afetam os meios físico e biótico desencadeiam mudanças importantes no meio socioeconômico. A poluição ambiental provoca danos à saúde de seres humanos e acidentes podem ocorrer, principalmente com os trabalhadores do empreendimento. O aumento do fluxo de veículos pode ocasionar incômodo à população vizinha ao empreendimento, principalmente se o empreendimento estiver nas imediações de cidades e se houver trânsito de veículos em dias e horários inapropriados. O empreendimento gera o aumento da população em cidades próximas, provocando mudanças na valoração dos imóveis e terrenos, aumentando a pressão sobre serviços públicos e gerando conflitos entre os moradores. Porém, no meio socioeconômico vários impactos positivos podem ser observados, como o próprio aumento do valor de imóveis e o aumento da oferta de empregos e de renda. Também o aumento da arrecadação de impostos e a dinamização da economia estão entre os benefícios da silvicultura. A geração de expectativas em relação ao empreendimento está entre os impactos que podem ser positivos ou negativos, pois a possibilidade de novas oportunidades de emprego gera expectativas positivas, mas a possibilidade de degradação ambiental tem efeito contrário na população. Assim, diversos impactos ambientais negativos são provocados pela silvicultura, atingindo variados componentes do meio ambiente, incluindo a socioeconomia. Contudo, os produtos florestais são essenciais para as atividades cotidianas da população e para importantes atividades produtivas industriais e agropecuárias. É preciso estudar esses impactos de forma detalhada para que toda a sociedade possa usufruir dos produtos florestais sendo gerados de forma ambientalmente correta. Referências ALMEIDA, F.S.; GARRIDO, F.S.R.G.; ALMEIDA, A.A. Avaliação de impactos ambientais: uma introdução ao tema com ênfase na atuação do Gestor Ambiental. Diversidade e Gestão, n.1, p.70-87, 2017. ALMEIDA, F.S.; VARGAS, A.B. Bases para a gestão da biodiversidade e o papel do Gestor Ambiental. Diversidade e Gestão, n.1, p.10-32, 2017. FAZ. N.S. APARECIDA. Avaliação de Impacto Ambiental – Fazenda Nossa Senhora da Aparecida ANANÁS – TO. Disponível em: https://naturatins.to.gov.br/eia-rima- agricultura-faz-n-s-aparecida/. Acessado: 27 jul. 2019. FIBRIA. Fibria Celulose S/A. 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O setor siderúrgico brasileiro, apesar de apresentar uma grande diversidade de empresas, é relativamente novo e passa por constantes atualizações tecnológicas, além do surgimento de nodas fábricas (PWC, 2013). Assim, são constantes os processos de licenciamento ambiental para novos empreendimentos ou para a ampliação dos empreendimentos já existentes. A siderurgia geralmente compreende um elevado número de atividades que causam impactos ambientais de grande porte e irreversíveis como, por exemplo, a supressão de vegetação nativa para a obtenção da matéria-prima e alterações ambientais derivadas da degradação de corpos hídricos (MILANEZ; PORTO, 2008; RIMA UBU, 2009). Além disso, a instalação de um empreendimento de grande porte pode ocasionar impactos positivos, tais como a geração de empregos para a população da cidade na qual a empresa está localizada, bem como para a sua população circunvizinha, potencializando assim a economia local (RIMA UBU, 2009). A partir da notória importância que o setor siderúrgico apresenta para a economia do país, da forma como o mesmo tem ganhado espaço e força nas últimas décadas, além das diversas consequências que podem ocorrer através de atividades siderúrgicas, este capítulo apresenta os impactos ambientais gerados pelas siderúrgicas. Pretende-se que o presente trabalho possa auxiliar na redução das alterações ambientais adversas causadas por esses empreendimentos. Para o levantamento de dados foram utilizadas as informações dos seguintes estudos ambientais confeccionados para o licenciamento de empreendimentos do setor siderúrgico: Estudo de Impacto Ambiental da Siderúrgica Ternium Brasil (EIA TERNIUM, 2010); Estudo de Impacto Ambiental da Companhia Siderúrgica do Atlântico (EIA CSA, 2005); Relatório de Impacto Ambiental da Companhia Siderúrgica Nacional (RIMA CSN, 2014); Relatório de Impacto Ambiental da Usina Siderúrgica do Pará (RIMA USIPAR, 2009); Relatório de Impacto Ambiental da Companhia Siderúrgica UBU (RIMA UBU, 2009). Fase de Planejamento Foram encontrados apenas dois impactos ambientais na fase de planejamento do empreendimento, todos afetando o meio socioeconômico (Quadro 1). As expectativas geradas por empreendimentos da área da siderurgia podem ocasionar impressões positivas, como as oportunidades de trabalho ocasionadas pelo empreendimento, e negativas, como o aumento da poluição e a redução de áreas de proteção ambiental (RIMA UBU, 2009). Além disso, também ocorrem expectativas com relação à atração da população de outros locais, o que ocasiona a expansão urbana desordenada, o aumento da insegurança local, entre outros (EIA TERNIUM, 2010). A partir da divulgação da intenção de implantar um empreendimento de grande porte, o processo migratório tende a intensificar à medida que se aproxima o licenciamento ambiental e o início das obras, um fator de expectativa positiva da população em relação ao empreendimento diz respeito ao desenvolvimento profissional para os jovens do município e das cidades próximas (EIA TERNIUM, 2010). Quadro 1. Impactos ambientais previstos para a fase de planejamento de siderúrgicas, sua frequência e natureza nos estudos ambientais analisados. Impactos/ Meio Afetado Frequência absoluta Natureza Socioeconômico Aumento do conhecimento sobre a proposta da implantação do empreendimento 3 Positiva Geração de expectativas nas comunidades locais causadas pelo empreendimento 3 Negativa/Positiva Total = 2 Fase de Implantação Na fase de implantação dos empreendimentos siderúrgicos foram encontrados no total 37 impactos (7 positivos e 30 negativos), ocorrendo alterações ambientais nos meios físico, biótico e socioeconômico (Quadro 2). Impactos ambientais como o aumento da geração de ruídos, a alteração na qualidade da água, a remoção do solo superficial e a alteração da qualidade do ar estiveram presentes em todos os estudos ambientais analisados. Muitas vezes, um empreendimento afeta sítios arqueológicos e isso é frequente quando da implantação de siderúrgicas. Nesse caso, deve-se obter a quantidade de sítios arqueológicos existentes nas áreas a serem afetadas pelo empreendimento e estimar a extensão dos impactos sobre esses sítios (EIA CSA, 2005; RIMA USIPAR, 2009). Posteriormente, pode-se realizar a escavação e o resgate do material encontrado nos sítios arqueológicos, para mitigar a perda desses vestígios históricos. A instalação de um empreendimento de grande porte como uma usina siderúrgica, acarreta a geração de empregos diretos e indiretos para a população do município no qual está se instalando e também para a população de municípios vizinhos (RIMA UBU, 2009). A geração de empregos e renda, principalmente em regiões mais pobres, é considerada como um impacto ambiental positivo, pois impulsiona a melhora da condição econômica das pessoas e da qualidade de vida (RIMA UBU, 2009). O aumento do fluxo migratório para a localidade onde será implantado o empreendimento é muitas vezes observado em situações de implantação e expansão de projetos industriais que utilizem mão de obra operária (EIA TERNIUM, 2010). Nota-se a ocorrência de migrações, em especial de pessoas de baixa renda, em direção ao município onde o empreendimento será instalado, sendo atraídos pela oportunidade de emprego (RIMA CSN, 2014). Esse fenômeno, quando associado à existência de terrenos não ocupados nas proximidades do empreendimento, poderá gerar o aumento da ocupação irregular de terrenos (EIA CSA, 2005). Essa migração para as proximidades do empreendimento pode aumentar a sobrecarga dos serviços sociais locais de saúde, educação, segurança e habitação (RIMA USIPAR, 2009). Cabe ressaltar que a pressão adicional aos serviços sociais pode ter consequências graves principalmente em regiões onde tais serviços já são precários. Quadro 2. Impactos ambientais previstos para a fase de implantação de siderúrgicas, sua frequência e natureza nos estudos ambientais analisados. Impactos/ Meio Afetado Frequência absoluta Natureza Socioeconômico Interferências sobre o patrimônio arqueológico 3 Negativa Modificação da cobertura e uso do solo 4 Negativa Geração de emprego e renda para a população local 4 Positiva Aumento do fluxo migratório 3 Negativa Aumento de ocupação irregular 3 Negativa Aumento da pressão sobre a oferta de serviços públicos e infraestrutura local 3 Negativa Ascensão socioeconômica e mudanças na estrutura social do município 2 Positiva Aumento dos riscos sociais 1 Negativa Dinamização socioeconômica do município 3 Positiva Interferências do empreendimento no desenvolvimento agrícola local 1 Negativa Aumento da arrecadação de impostos municipais e estaduais 4 Positiva Aumento do risco de acidentes de trânsito 2 Negativa Interferência com a pesca 2 Negativa Aquecimento do mercado imobiliário 1 Positiva Estímulo ao empreendedorismo 1 Positiva Impactos/ Meio Afetado Frequência absoluta Natureza Incômodos à população do entorno 1 Negativa Sobrecarga nas vias de acesso 2 Negativa Atração/expansão de empreendimentos 1 Negativa Perda da qualidade de vida 1 Negativa Físico Alteração dos níveis de ruídos 5 Negativa Alteração da qualidade da água 5 Negativa Indução de processos erosivos 4 Negativa Remoção de solo superficial 5 Negativa Modificação na drenagem pluvial 1 Negativa Alteração da qualidade do ar 5 Negativa Contaminação do aquífero superficial 2 Negativa Formação de lagoartificial e paisagismo 1 Positiva Aumento da emissão de CO2, CO e SO2 1 Negativa Biótico Modificação na estrutura das comunidades planctônica e bentônica 3 Negativa Afugentamento temporário da fauna nectônica 2 Negativa Perda de habitats e espécies vegetais 4 Negativa Impactos/ Meio Afetado Frequência absoluta Natureza Afugentamento de fauna terrestre 3 Negativa Pressão sobre as áreas de preservação 1 Negativa Aumento da captura de animais 1 Negativa Alteração em manguezais 2 Negativa Aumento da concentração de metais pesados e do risco e poluição da cadeia trófica 2 Negativa Proliferação de vetores 1 Negativa Os empreendimentos siderúrgicos podem provocar reações em cadeia na economia regional, como a abertura de novos comércios e serviços, com consequente aumento da geração de empregos indiretos, aumento da renda da população e da arrecadação tributária, entre outros (EIA CSA, 2005; RIMA CSN, 2014). Além disso, os impactos do empreendimento no que tange a dinamização da economia regional podem também se manifestar como novos conhecimentos e aprendizados tecnológicos e troca de informação entre empreendedores locais, estados e municípios (EIA CSA, 2005). O aumento da geração de tributos decorre do pagamento de salários, das compras e da contratação de serviços inerentes às obras de instalação do empreendimento, e dentre os tributos estão o ICMS e o ISS (RIMA UBU, 2009). A geração de ruídos de elevado nível de pressão sonora é um sério problema para a saúde humana, também gerando riscos para a biodiversidade local. Em relação à saúde humana, Cavalcante et al. (2012) mencionam que: “A exposição a níveis elevados de pressão sonora está associada a efeitos negativos para os seres humanos. O ruído intenso é comum a diversos processos produtivos e, portanto, a exposição ao ruído no trabalho é considerada um fator de alta relevância para a perda auditiva em adultos.” No que diz respeito ao solo superficial, sua contaminação pode ser gerada por vazamentos em ductos e tanques, vazamentos de óleos e combustível de veículos, problemas no tratamento de efluentes, pela disposição inadequada de resíduos e pelos acidentes no transporte de substâncias químicas (OLIVEIRA, 2006). Além disso, existe a remoção do solo superficial no terreno antes das atividades de terraplanagem, o surgimento de focos de erosão, e a impermeabilização do solo (RIMA USIPAR, 2009). Outro impacto frequente em atividades siderúrgicas é a alteração da qualidade do ar. Na fase de implantação é frequente ocorrer a geração de poeira devido à movimentação de terra e trânsito de veículos em locais não pavimentados (RIMA CSN ,2014). Contudo, a emissão de gases pelos veículos utilizados na implementação do empreendimento também é um fator preocupante. Considera-se como poluição (PNMA, 1981): “A degradação da qualidade ambiental resultante de atividades que direta ou indiretamente: a) prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população; b) criem condições adversas às atividades sociais e econômicas; c) afetem desfavoravelmente a biota; d) afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente; e) lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos”. Estão incluídos entre os poluentes atmosféricos os gases e partículas sólidas que são gerados tanto de atividades humanas, como aqueles que podem ser lançados por veículos, indústrias, quanto de fenômenos naturais que podem ser dispersos no ar como por exemplo através de atividades vulcânicas (MMA 2016). Além disso os poluentes atmosféricos podem ser classificados como primários ou secundários e diferenciados da seguinte forma (MMA 2016): “Poluentes primários são os contaminantes diretamente emitidos pelas fontes para o ambiente, como no caso dos gases dos automóveis (monóxido de carbono, óxidos de nitrogênio, óxidos de enxofre, hidrocarbonetos, aldeídos e outros). Já os poluentes secundários resultam de reações dos poluentes primários com substâncias presentes na camada baixa da atmosfera e frações da radiação solar, como, por exemplo, a decomposição de óxidos de nitrogênio pela radiação ultravioleta oriunda do sol na formação de ozônio e nitratos de peroxiacetila”. Como consequência de atividades de grande porte, pesquisas constataram uma significativa queda em relação a qualidade da água e da perda da diversidade da biota aquática devido a variações na composição química e também na estrutura dos ambientes onde vivem (GOULART; CALLISTO, 2003). Além disso, pode ocorrer a alteração na qualidade da água do aquífero superficial, através das atividades de terraplanagem, construção do canteiro de obras e das edificações, montagem e instalação dos equipamentos (EIA TERNIUM, 2010). Os vazamentos de óleos, combustíveis e demais produtos químicos também podem afetar os cursos hídricos, bem como o arraste de partículas do solo para os rios e lagos (RIMA UBU, 2009). Desse modo, é extremamente prudente a condução de estudos que visem monitorar as comunidades planctônicas e bentônicas, potencialmente afetadas pelos impactos do empreendimento (EIA TERNIUM, 2010). Considerando que esses estudos com bioindicadores funcionam como um complemento, pois o monitoramento físico e químico da água é pouco eficiente para detectar efeitos sobre as comunidades biológicas (GOULART & CALLISTO, 2003). Um grande número de pessoas morre anualmente em função de problemas de saúde decorrentes da má qualidade da água (MERTEN; MINELLA, 2002). De acordo com Merten e Minella (2002): “Estima-se que aproximadamente doze milhões de pessoas morrem anualmente por problemas relacionados com a qualidade da água. No Brasil, esse problema não é diferente, uma vez que os registros do Sistema Único de Saúde (SUS) mostram que 80% das internações hospitalares do país são devidas a doenças de veiculação hídrica, ou seja, doenças que ocorrem devido à qualidade imprópria da água para consumo humano”. Na fase de implantação pode ocorrer a remoção de habitat terrestres, incluindo a supressão da vegetação ciliar, gerando assim a perda de biodiversidade local (RIMA CSN, 2014; EIA CSA, 2005). São consideradas como consequências da supressão da vegetação, impactos como a perda de habitats e a redução da disponibilidade de recursos para a fauna nativa, além de gerar a exposição de solos e alterações ambientais relacionadas (RIMA CSN, 2014; EIA CSA, 2005). A intensa redução das áreas com vegetação nativa tem potencial para promover a extinção de espécies de aves, que não sobrevivem em fragmentos de pequena dimensão (HASS, 2002). A destruição da vegetação original também pode fazer com que os solos sejam mais suscetíveis à degradação, além da lixiviação de nutrientes e de mudanças nas propriedades físicas (RODRIGUES & FILHO, 2001). Decorrente desse fenômeno pode ocorrer a redução de populações bióticas e até mesmo extinção de espécies (local ou global), principalmente se a área atingida pelo empreendimento for grande ou se existirem no local espécies endêmicas ou ameaçadas de extinção. Contudo, a instalação de siderúrgicas não costuma gerar o desmatamento de grandes áreas, sendo o impacto classificado geralmente como de baixa magnitude. Os veículos e maquinários utilizados irão gerar vibrações no solo e ruídos que perturbarão a fauna presente nos ambientes próximos ao empreendimento (RIMA CSN, 2014). O aumento da intensidade luminosa presente no local do empreendimento também pode alterar o comportamento de algumas espécies, ocasionando a fuga destas para ambientes mais afastados (RIMA UBU, 2009). A fauna é de fundamental importância para a manutenção do equilíbrio ecológico dos ecossistemas e para a sobrevivência de muitas espécies vegetais, devido a interações mutualísticas com animais (SOBRAL et al., 2007). Dessa forma, pode ocorrer a extinção de espécies da flora, devido ao afugentamento da fauna (SOBRAL et al., 2007). Fase de Operação Na fase de operação foram encontrados 26 impactos, com ocorrência distribuída nos meios biótico, físico e socioeconômico (Quadro 3). Ocorreramquatro impactos positivos e 22 impactos negativos. Tal qual a implantação de uma siderúrgica, a sua operação irá ocasionar o aumento da oferta de empregos, de renda para a população, fluxo migratório para as proximidades da área do empreendimento e aumento da arrecadação de impostos (RIMA USIPAR, 2009). Além disso, pode ocorrer o aquecimento do mercado imobiliário e o incentivo ao empreendedorismo (EIA CSA, 2005; EIA TERNIUM, 2010). Nos aglomerados metropolitanos, pode ocorrer um aumento significativo no deslocamento das atividades, principalmente as industriais, das capitais para os outros municípios com populações menores (BRITO; SOUZA, 2005). Dessa forma, podemos ressaltar que a dinamização da economia local é mais expressiva em regiões onde o empreendimento é uma atividade pioneira local (RIMA USIPAR, 2009). Visando melhorias na qualidade de vida geradas pelo novo emprego, os funcionários mudam-se com suas famílias para a região do seu local de trabalho, residindo nas localidades mais próximas do empreendimento e, muitas vezes, em função da falta de planejamento, é comum a ocupação irregular de algumas áreas (EIA TERNIUM, 2010). Quadro 3. Impactos ambientais previstos para a fase de operação de siderúrgicas, sua frequência e natureza nos estudos ambientais analisados. Impactos/ Meio Afetado Frequência absoluta Natureza Socioeconômico Geração de emprego e renda para a população circunvizinha 4 Positiva Aumento do fluxo migratório 3 Negativa Incremento de ocupação irregular 3 Negativa Aumento da pressão sobre a oferta de serviços públicos e infraestrutura local 2 Negativa Ascensão socioeconômica e mudanças na estrutura social do município 2 Positiva Aumento dos riscos sociais 1 Negativa Aquecimento econômico gerado pela instalação e operação do empreendimento 4 Positiva Interferências do empreendimento no desenvolvimento agrícola local 1 Negativa Aumento da arrecadação de impostos municipais e estaduais 3 Positiva Alteração do sistema viário 1 Negativa Aumento do risco de acidentes de trânsito 3 Negativa Interferências sobre o patrimônio arqueológico 2 Negativa Físico Impactos/ Meio Afetado Frequência absoluta Natureza Alteração da qualidade do ar 3 Negativa Contaminação do aquífero superficial 3 Negativa Contaminação ocasionada pela geração e disposição de resíduos 1 Negativa Alteração da qualidade da água 4 Negativa Alteração dos níveis de ruído na área residencial 2 Negativa Poluição de solo e lençóis freáticos 1 Negativa Biótico Modificações nas comunidades aquáticas 3 Negativa Proliferação de Vetores 1 Negativa Perturbação e afugentamento da fauna 3 Negativa Aumento do risco de atropelamento de animais 1 Negativa Risco de contaminação de fauna e flora em caso de acidentes 1 Negativa Aumento no risco de introdução de espécies exóticas 1 Negativa Aumento da concentração de metais pesados e probabilidade de contaminação da cadeia trófica 1 Negativa Perda de habitats e de espécies vegetais 2 Negativa A fase de operação do empreendimento pode alterar o fluxo de veículos na localidade onde o empreendimento foi implantado. Estudos demonstram que em locais que começam a apresentar melhor desempenho na economia é possível ocorrer o aumento do número de acidentes (FRAIMAN; ROSSAL, 2007). Dessa perspectiva, a circulação de veículos para as atividades siderúrgicas, bem como o aumento do transporte de mercadorias, poderá produzir um aumento do número de acidentes (EIA TERNIUM, 2010). Sendo assim, devem ser tomadas medidas para diminuir o impacto inevitável do aumento do fluxo de trânsito. Na fase de operação, o ar terá sua qualidade alterada através da emissão de material particulado por chaminés, pilhas de matérias- primas, correias transportadoras, além da emissão de gases de combustão de veículos (RIMA UBU, 2009). É notória a poluição atmosférica causada pelos compostos emitidos pelas chaminés de grandes siderúrgicas, que podem afetar negativamente a saúde da população humana. Cabe ressaltar que existem grandes dificuldades para a remediação de aquíferos, sendo a poluição dos mesmos um impacto de difícil reversão em curto prazo (CORSEUIL; MARINS, 1997). Nesta fase do empreendimento, a alteração da qualidade da água pode ocorrer por emissão de esgoto sanitário sem tratamento, pelas partículas do solo que chegam aos corpos d’água, pelo vazamento de óleos e combustíveis de veículos e equipamentos e por resíduos líquidos e sólidos (RIMA UBU, 2009). Os ruídos emitidos pelo empreendimento ocorrem principalmente devido aos veículos e equipamentos, como esteiras e correias transportadoras de minério e de carvão e as peneiras vibratórias, além do transporte de minério feito por locomotivas e caminhões (RIMA CSN, 2014). Outro impacto relevante nesta fase é o afugentamento da fauna em função do uso e movimentação de máquinas e equipamentos (RIMA CSN, 2014). Nas fábricas, os processos mediados pelo funcionamento de máquinas produzem ruídos indesejáveis, geralmente de forte intensidade, com potencial para causar danos à audição dos trabalhadores (CAVALCANTE et al., 2012). Em razão disso, os animais podem mudar de comportamento, tornando-se, na maioria dos casos, ariscos. Além disso, essas condições podem torná- los mais vulneráveis à pressão da caça predatória, sendo mais facilmente acuados e capturados (EIA CSA, 2005). A fuga de algumas espécies também pode acontecer através do aumento de intensidade luminosa advinda dos equipamentos utilizados no empreendimento (RIMA UBU, 2009). Apesar de não ter sido abordado claramente nos estudos ambientais analisados, os empreendimentos do setor siderúrgico possuem diversos tipos de riscos ocupacionais, como os acidentes industriais (MILANEZ; PORTO, 2008), que podem provocar problemas de saúde e até a morte de funcionários. Além disso, ao uso de recursos naturais muitas vezes não é realizado em bases sustentáveis, levando à redução da sua disponibilidade (MILANEZ; PORTO, 2008). A produção de ferro-gusa e aço tem consumido uma grande parte do carvão vegetal produzido no Brasil, exercendo uma forte pressão sobre os recursos madeireiros (MME, 2007; MILANEZ; PORTO, 2008). O uso não sustentável de recursos naturais pode comprometer os processos ecológicos importantes para a manutenção da qualidade de vida das pessoas e de atividades econômicas, pois afetam a disponibilidade dos recursos para usos futuros (BARBIERI, 2007). É determinado pela Resolução CONAMA 01 de 1986 que sejam apresentados no EIA/RIMA as medidas mitigadoras cabíveis aos impactos negativos causados pelo empreendimento (BRASIL, 1986). Haja visto essa determinação, foi possível analisar que a maioria dos impactos apresentados nos estudos analisados são passíveis de aplicação de medidas mitigadoras, as quais têm como objetivo minimizar situações que apresentem potencial de causar prejuízos nos meios físico, biótico e socioeconômico. Este tipo de medida pode vir a eliminar o grau de negatividade de um impacto ambiental. Os impactos que não são passíveis de redução de sua magnitude podem ser compensados, através das chamadas medidas compensatórias. Referências AÇO BRASIL – Confederação Nacional da Indústria Instituto Aço Brasil. Disponível em: . Acesso em: 22 out. 2016. BARBIERI, J.C. Gestão ambiental empresarial: conceitos, modelos e instrumentos. São Paulo: Saraiva, 2007. BRASIL. Resolução CONAMA Nº 1 de 23 de janeiro de 1986. Dispõe sobre critérios básicos e diretrizes gerais para a avaliação de impacto ambiental. Disponível em: . Acesso em: 22 jul. 2019. BRITO, F.; SOUZA, J. 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Apesar da grande relevância para o crescimento econômico e social, a construção de estradas ocasiona uma elevada gama de impactos ambientais negativos, que são especialmente importantes quando atingem áreas ambientalmente relevantes, próximas de áreas de preservação permanente (APP), unidades de conservação da natureza, florestas nativas e outros ecossistemas naturais (SIMONETTI, 2010). A necessidade de interligação de grandes metrópoles brasileiras, que dependem do transporte de mercadorias entre cidades, além do aumento da população, demanda, cada vez mais, a construção de novas estradas de rodagem que facilitem o transporte de pessoas e de cargas. Da mesma forma que as rodovias são importantes para o desenvolvimento econômico do país, também devemos citar a importância da avaliação dos impactos causados a partir dessas construções. Estudar os impactos ambientais do planejamento, construção e operação de rodovias é importante para avaliar as suas consequências e se precaver dos problemas que podem gerar (TINOCO, 2008). Para isso, é necessário que seja feito o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e ainda o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA), que são utilizados para licenciar empreendimentos que possuem potencial para significativa degradação ambiental, o que ocorre com muitas rodovias (SANCHÉZ, 2013). No artigo 2º da Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Resolução CONAMA, 01 de1986), pode-se observar a seguinte colocação (BRASIL, 1986): “Dependerá de elaboração de estudo de impacto ambiental e respectivo relatório de impacto ambiental - RIMA, a serem submetidos à aprovação do órgão estadual competente, e do IBAMA em caráter supletivo, o licenciamento de atividades modificadoras do meio ambiente, tais como: I - Estradas de rodagem com duas ou mais faixas de rolamento” (BRASIL, 1986). Como é importante estudar as alterações causadas pelas rodovias no meio ambiente e aplicar medidas para prevenir ou reduzir os impactos negativos, esse capítulo teceu considerações sobre os impactos acarretados pela construção e operação de estradas, não apenas os impactos ambientais negativos, mas também os impactos positivos. Para a elaboração desse trabalho utilizaram-se informações contidas nos estudos ambientais que foram realizados para licenciar a construção de rodovias na região Sudeste do Brasil. A metodologia adotada foi baseada em Landes (2016). Foram analisados e utilizados nove estudos ambientais (Estudos de Impacto Ambiental - EIA e Relatórios de Impacto Ambiental - RIMA) de rodovias estaduais e federais, sendo esses: · Estudo de Impacto Ambiental da Rodovia SP-300 (EIA SP-300, 2002); · Estudo de Impacto Ambiental da Rodovia ES-080, Variante de Colatina (RIMA ES-080, 2005); · Estudo de Impacto Ambiental da Nova Subida da Serra de Petrópolis – RJ/BR- 040 (EIA NSS, 2010); · Relatório de Impacto Ambiental do Rodoanel Governador Mário Covas, trecho Sul, SP-021 (RIMA SP-021, 2004); · Relatório de Impacto Ambiental da Rodovia BR-381, trecho Norte – MG/BR381 (RIMA BR-381, 2006); · Relatório de Impacto Ambiental do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro – BR-493/RJ-109 (RIMA Arco Metropolitano RJ, 2007); · Relatório de Impacto Ambiental da Rodovia BR-282/ES (RIMA BR-282, 2009); · Relatório de Impacto Ambiental da Rodovia BR-101/ES (RIMA BR-101, 2012); · Relatório de Impacto Ambiental do Contorno do Mestre Álvaro – ES-120 (RIMA ES-120, 2013); Foram observados 47 impactos ambientais no total, sendo 11 impactos positivos e 36 negativos. O número elevado de impactos ambientais negativos previstos nos estudos ambientais apresentados expressa que deve haver o devido cuidado e planejamento para a realização das atividades necessárias, visando a redução da magnitude dessas alterações adversas na área de influência do empreendimento. Porém, também cabe ressaltar que a grande maioria dos empreendimentos humanos causa mais impactos ambientais negativos que positivos (SÁNCHEZ, 2013; LANDES, 2016). Fase de Planejamento Nessa fase foi encontrado apenas um impacto ambiental, sendo este relacionado ao meio socioeconômico (Quadro 1), classificado como de magnitude moderada e natureza positiva. A repercussão da construção de estradas geraexpectativas que conduzem, principalmente, a alterações na valorização imobiliária dos terrenos e mudanças no padrão de uso do solo em áreas do entorno (EIA SP- 300, 2002). Assim, os impactos ambientais causados pela implantação de uma rodovia ocorrem até mesmo no planejamento da mesma. Contudo, é impossível imaginar a civilização atual sem estradas, visto que são as principais vias de transporte de pessoas e cargas em curta e média distância (BANDEIRA; FLORIANO, 2004). Quadro 1. Impactos ambientais previstos na fase de planejamento, meio afetado, natureza e o número de estudos ambientais em que foram identificados. Impacto Meio afetado Natureza Número de estudos Geração de expectativas com a divulgação do empreendimento Socioeconômico Positiva 9 Fase de Implantação Nessa fase foram identificados 25 impactos no total, sendo quatro de natureza positiva e 21 de natureza negativa, ocorrendo alterações ambientais nos três meios – físico, biótico e socioeconômico (Quadro 2). Os impactos referentes à contaminação da água e do solo, poluição atmosférica, desapropriação, interferência do espaço geográfico causando alterações e ruídos, bem como os que se referem à alteração de habitat, supressão da vegetação e mudança da qualidade de vida e geração de empregos foram encontrados em todos os estudos analisados. Cabe indicar que, por vezes, ações antrópicas são citadas em estudos ambientais, equivocadamente, como sendo impactos ambientais. No desenvolvimento das atividades pertinentes à execução das obras rodoviárias há sempre tendência à geração/ocorrência, em maior ou menor escala, de impactos ambientais negativos, suscetíveis de ocorrer em toda a sua abrangência, afetando, segundo as particularidades inerentes de cada caso, cada um dos componentes do ecossistema (MANUAL DE IMPLANTAÇÃO BÁSICA DE RODOVIA, 2010). A construção de estradas ocasiona modificações expressivas nas características naturais da área de influência do empreendimento, sendo o diagnóstico ambiental e o planejamento ferramentas importantes para garantir a conservação dos recursos naturais existentes nas proximidades das estradas e executar o projeto de acordo com a legislação ambiental (RIMA ARCO METROPOLITANO, 2007). Nesse sentido, a escolha do melhor traçado é fundamental para reduzir os impactos negativos. As obras e serviços para implantação e pavimentação de rodovias provocam impactos ambientais positivos de caráter local e regional, induzidos pelo estímulo às atividades econômicas, especialmente aquelas relacionadas à circulação de mercadorias em longas distâncias. Tal fato, porém, não exclui a incidência de impactos negativos, dos quais alguns podem ser evitados, outros minimizados e, ainda outros, apresentarem caráter irreversível (RIMA ES-080, 2005). Todavia, é importante identificar os impactos que ocorrem nos empreendimentos para separar os impactos positivos dos negativos, maximizando os positivos e mitigando os negativos. No caso dos impactos ambientais negativos que não podem ser mitigados, devem ser propostas medidas compensatórias. Quadro 2. Impactos ambientais previstos na fase de implantação, meio afetado, natureza e o número de estudos ambientais em que foram identificados. Impacto Meio afetado Natureza Número de estudos Início e/ou aceleração de processos erosivos Físico Negativa 9 Contaminação do solo e das águas superficiais e subterrâneas Físico / Socioeconômico Negativa 9 Alteração da qualidade do ar (poluição atmosférica) Físico / Socioeconômico Negativa 9 Pavimentação (aumento da impermeabilização do solo) Físico Negativa 3 Assoreamento de cursos d’água Físico Negativa 4 Impacto Meio afetado Natureza Número de estudos Alteração da paisagem (rodovia, terraplenagem, empréstimos e bota-foras) Físico Negativa 6 Interferência no espaço geográfico causando alterações e ruídos Físico Negativa 9 Alteração da drenagem do solo Físico Negativa 5 Geração e descarte de resíduos sólidos e efluentes líquidos Físico / Biótico Negativa 4 Execução de obras de arte especiais (pontes, viadutos, passarelas, túneis) que utilize concreto Físico Negativa 4 Alteração da qualidade dos habitats e espécies vegetais Biótico Negativa 9 Alteração ou degradação de nascentes Biótico Negativa 2 Aumento da caça e ameaça de espécies nativas Biótico Negativa 4 Aumento da pressão sobre os recursos naturais Biótico Negativa 2 Redução da vegetação nativa Biótico Negativa 9 Afugentamento de fauna terrestre Biótico / Socioeconômico Negativa 7 Geração de emprego para a população local e arredores Socioeconômico Positiva 9 Desvios e interrupções provisórias do trânsito local Socioeconômico Negativa 3 Impacto Meio afetado Natureza Número de estudos Instalação de canteiros de obras Socioeconômico Negativo 2 Desapropriação Socioeconômico Negativa 9 Conflito de uso e ocupação do solo Socioeconômico Negativa 3 Alterações nas atividades econômicas das regiões por onde a rodovia passa Socioeconômico Positiva 5 Mudanças nas condições de emprego e qualidade de vida para as populações Socioeconômico Positiva 9 Perda de patrimônio cultural, histórico e arqueológico Socioeconômico Negativa 4 Redução do número de acidentes devido a diminuição do tráfego intra-urbano no trecho da obra Socioeconômico Positiva 2 As comunidades e espécies podem ser bastante afetadas pelas atividades humanas, mesmo que o habitat não esteja destruído ou fragmentado. Fatores externos de degradação ambiental, como a poluição do ar, da água, dos solos e a sonora são graves ameaças para a diversidade biológica (PRIMACK; RODRIGUES, 2001). As atividades relativas à construção de rodovia podem levar a instabilidade das vertentes e aumentar a erosão, principalmente se estiverem associadas à retirada da vegetação (RIMA BR-381, 2006). O constante trânsito de máquinas pesadas pode gerar mudanças na estrutura do solo, como a sua compactação ou desagregação, levando ao possível aumento da ocorrência de processos erosivos (RIMA BR- 381, 2006). Como medida mitigadora, utiliza-se, por exemplo, a execução de obras de drenagem e retenção de sedimentos, instalação de canaletas e proteção do solo. No que diz respeito às interferências na qualidade das águas superficiais e subterrâneas, este impacto poderá acontecer nas fases de construção e de operação. Durante a construção, além da possibilidade de geração de sedimentos e assoreamento nas redes de drenagem e nos corpos hídricos, existe a possibilidade de vazamentos dos efluentes líquidos provenientes dos veículos (óleos e graxas) e de locais onde tais líquidos estão armazenados nas oficinas e dos efluentes provenientes de banheiros, cozinhas e refeitórios, dos canteiros de obras e estruturas de apoio (usina de asfalto, central de britagem e etc.). Como medida de controle nos estudos ambientais são propostas a instalação de redes de drenagem, monitoramento da qualidade dos efluentes e dos corpos receptores, projetar e construir caixas de areia para retenção de resíduos, fazendo limpezas periódicas a fim de evitar a contaminação. Alguns estudos por vezes citam as atividades antrópicas ou os aspectos ambientais (mecanismos que geram o impacto) como se fossem impactos ambientais (alteração do meio ambiente). Nesse caso, devemos analisar corretamente o impacto e entender que, por exemplo, a geração de resíduos e a emissão de poluentes, não são impactos, e sim aspectos ambientais. A poluição do ar causada pela emissão de poeiras é outro impacto bastante frequente em rodovias. Na implantação do empreendimento, a emissão de material particulado pode ser decorrente basicamente de três tipos básicos de atividades: movimentação de terras; circulação de veículos sobre estradas não pavimentadas e transporte de material. Tais problemas poderão acontecer como decorrência das atividades de limpeza do terreno, terraplenagem e pavimentação (EIA SP-300, 2002). Como medida mitigadora deverá ser feita a umidificação do solo, coberturas dos caminhões utilizados no transporte e descarte de materiais da obra.Para evitar a ocorrência de problemas de saúde nos trabalhadores, esses deverão utilizar EPI (equipamentos de proteção individual), como por exemplo, máscaras com filtro. Em relação aos impactos sobre a fauna, a alteração de habitas provavelmente terá maior frequência e magnitude na fase de implantação do empreendimento. Por outro lado, o afugentamento da fauna deve ser mais expressivo na fase de operação das rodovias, visto que os ruídos serão mais frequentes com o trânsito constante de automóveis. Além disso, pode ocorrer também o atropelamento de animais. A fauna é de fundamental importância para a manutenção do equilíbrio ecológico dos ecossistemas e para a sobrevivência de muitas espécies vegetais, devido a interações mutualísticas com animais (SOBRAL et al., 2007). Dessa forma, pode ocorrer a extinção de espécies da flora, devido ao afugentamento da fauna (SOBRAL et al., 2007). Para que esses impactos se tornem menos frequentes, deverá ser feita construção de passagens de fauna, subterrâneas ou sobre as rodovias, instalação de placas indicativas da presença de animais, monitoramento das comunidades, manejo de espécies exóticas e ainda o controle da emissão de ruídos dos equipamentos de obra, fazendo a manutenção correta e periódica. As atividades que ocorrem durante a obra e o que resulta dela podem favorecer a atividade de caça de animais silvestres na área de influência do empreendimento. Tanto os funcionários envolvidos nas obras, como a população local, podem aproveitar-se dos acessos abertos e do movimento dos animais em fuga para a prática da caça, seja para obter alimento, lazer ou comércio da caça (EIA BR-040/NSS, 2010). Em todos os casos, a caça terá um efeito negativo sobre a fauna e o ecossistema associado, devendo ser reprimida e fiscalizada por parte do empreendedor, na faixa de domínio da rodovia. Embora a caça profissional seja proibida no Brasil (Lei Federal N° 5.197 de 1967), ainda é frequente em muitas regiões do país, inclusive para a obtenção de material para coleções particulares, comércio ilegal nacional e internacional e para a obtenção de pele e carne (EIA BR- 040/NSS, 2010). Como medidas para reduzir danos à fauna deve ser implementado o monitoramento das atividades na rodovia e proximidades, o treinamento aos trabalhadores para reduzir a introdução de espécies e programas de educação ambiental direcionado aos trabalhadores e à população em geral. De acordo com o Manual de Construção Rodoviária, 1966, dentre as primeiras atividades necessárias para a construção de estradas está a retirada de árvores e de outros vegetais, a remoção de lixo, construções e outras obstruções e materiais desnecessários à implantação da estrada. No entanto, as árvores e outros vegetais que não causarem interferência na obra podem permanecer no local. A supressão da vegetação e a retirada da camada superficial do solo são relevantes por contribuem, por exemplo, para o aumento da erosão, compactação do solo e dificuldade da retenção e infiltração das águas pluviais. A partir disso, aumenta o escoamento superficial da água da chuva, dificultando o abastecimento de lençóis freáticos e aquíferos presentes nos locais de realização de obras. Como medida mitigadora sugere-se a revegetação da área onde a vegetação nativa foi suprimida e a proteção das superfícies de cortes e aterros, além de incluir no planejamento da rota da rodovia a preocupação de evitar a supressão de vegetação nativa. Os impactos do meio socioeconômico são bastante diversificados e afetam, de maneira geral, diretamente as populações e suas atividades econômicas (RIMA BR-381, 2006). Ocorrem alterações na socioeconomia da localidade devido, por exemplo, a atração de população para as proximidades do empreendimento e valorização ou desvalorização dos terrenos e construções nas proximidades do empreendimento (RIMA BR-381, 2006). Fase de Operação Nessa fase foram encontrados 21 impactos no total, divididos entre os meios físico, biótico e socioeconômico, sendo sete impactos de natureza positiva e 14 de natureza negativa. Os impactos referentes ao meio físico, como o aumento da poluição atmosférica e a contaminação da água e solo por meio de vazamento de cargas perigosas, mas também o atropelamento de fauna e aumento da caça pela abertura de novos acessos, assim como os acidentes que podem ocorrer devido ao aumento do tráfego de veículos foram encontrados em todos os estudos analisados. A operação de uma rodovia gera uma série de modificações no ambiente e os seus efeitos podem ocasionar problemas para a população humana, a biota e o meio físico, esse último frequentemente causa impactos indiretos sobre os dois primeiros (Manual Rodoviário do DNIT, 2005). O Manual Rodoviário do DNIT (2005) menciona que o aumento do tráfego de veículos contribui para mudanças locais da qualidade do ar, da água e do solo, com possíveis impactos negativos sobre a saúde humana e também sobre a biodiversidade. A operação da rodovia tende a aumentar a oferta de empregos. Para que esse efeito positivo do empreendimento possa trazer benefícios para a população local, os cidadãos deverão estar capacitados para concorrer às ofertas de emprego advindas das empresas ou mesmo para realizar trabalhos autônomos (RIMA BR- 381, 2006). Quadro 3. Impactos ambientais previstos na fase de operação, meio afetado, natureza e o número de estudos ambientais em que foram identificados Impacto Meio afetado Natureza Número de estudos Aumento de ruídos e perturbação pelo tráfego de veículos ao longo da rodovia Físico Negativa 7 Impacto Meio afetado Natureza Número de estudos Início e/ou aceleração de processos erosivos Físico Negativa 9 Aumento da poluição atmosférica Físico Negativa 9 Contaminação do solo e da água pelo derramamento de óleo, metais e substâncias químicas Físico Negativa 9 Alteração na qualidade dos habitats da fauna pelo aumento de ruído Biótico Negativa 5 Aumento da caça devido aos novos acessos abertos Biótico Negativa 9 Proliferação de zoonoses Biótico Negativa 3 Atropelamento de fauna Biótico Negativa 9 Diminuição no tempo de viagem Socioeconômico Positiva 2 Riscos de acidentes com cargas perigosas Socioeconômico Negativa 9 Redução dos custos de transporte de carga Socioeconômico Positiva 2 Aumento do volume do tráfego de veículos e caminhões Socioeconômico Negativa 5 Melhoria nas condições de trafegabilidade Socioeconômico Positiva 3 Indução à ocupação do solo Socioeconômico Negativa 7 Aumento dos riscos de acidentes Socioeconômico Negativa 7 Geração de emprego e renda para população local e dos arredores Socioeconômico Positiva 7 Impacto Meio afetado Natureza Número de estudos Aumento do turismo na região Socioeconômico Positiva 4 Dinamização da economia Socioeconômico Positivo 6 Agravos à saúde pelos acidentes Socioeconômico Negativa 5 Conservação da rodovia Socioeconômico Positiva 1 Alteração no cotidiano da população Socioeconômico Negativa 6 Embora as obras de melhoramento visem, entre outros objetivos, a redução de acidentes rodoviários, o risco dos mesmos se mantém pelo aumento de veículos trafegando na rodovia e ampliação da quantidade e tipos de produtos transportados, ao longo do tempo, como resultado do próprio crescimento da economia local e regional (RIMA BR-381, 2006). Em alguns estudos analisados, existe a proposta de duplicação da pista, para que ocorra essa redução de acidentes. Por outro lado, o aumento do fluxo de veículos, incluindo os que fazem transporte de cargas perigosas, pode acarretar em acidentes graves, não somente para o meio socioeconômico, mas também para o meio físico (contaminação de águas superficiais e subterrâneas, contaminação do solo) e meio biótico. Na fase de operação do empreendimento, podem ocorrer acidentes com vazamentos próximos aos corpos hídricos e/ou a drenagem (EIA BR-040/NSS, 2010). Para o risco de acidentes com cargas perigosas é interessante que ocorra a instalação de placas e de redutores de velocidade, assim como a construção de passarelas e cicloviaspara a travessia e ainda disponibilizar um sistema de atendimento de emergências, que inclua a rápida comunicação dos acidentes e ambulâncias. Já em relação a contaminação das águas e do solo, é indicada a implantação de um sistema de controle da qualidade das águas de drenagem e programas de monitoramento da qualidade da água e do solo, ocorrendo medidas corretivas sempre que houver necessidade. Sobre os impactos causados ao meio biótico, podemos ressaltar o aumento da caça, ocasionado pela abertura de novos acessos, possibilitando a caça predatória e ilegal de animais silvestres e pesca irregular. Para que esse impacto seja evitado, deverá ser feita uma restrição da circulação dos trabalhadores exclusivamente às áreas de obra e programas de educação ambiental para trabalhadores e população em geral sobre a proibição da caça, assim como o fechamento dos novos acessos. Junto a isso, os ruídos causados pelo aumento do tráfego de veículos nas rodovias ocasionam a fuga dos animais e mudanças nas comunidades biológicas. Também ocorre o atropelamento de animais de vários grupos taxonômicos. Para evitar esses problemas, é necessário que haja a sinalização da rodovia informando sobre a existência de fauna nas proximidades. A construção de passagens subterrâneas e aéreas de fauna, a implantação de cercas de proteção para evitar que animais acessem a estrada e atividades de educação ambiental Um impacto positivo que pode ocorrer em locais com atrativos turísticos, desde que planejado e executado corretamente, é o aumento do número de turistas na localidade onde a estrada foi implantada, pois a maior facilidade de acesso pode aumentar a presença de visitantes de outras regiões. Para que esse impacto seja maximizado, poderão ser feitas propagandas através de outdoors e ampla divulgação, trazendo assim um maior número de visitantes e consequentemente, o aquecimento da economia local. Para que os impactos ambientais negativos tenham a sua magnitude reduzida é necessário que as medidas mitigadoras sejam colocadas em prática corretamente e para tal é preciso que haja o monitoramento da sua execução. É interessante a proposição de medidas de controle da aplicação das medidas mitigadoras e de manutenção da rodovia (BANDEIRA; FLORIANO, 2004). Agradecimento À Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro – FAPERJ, pela bolsa de estudos concedida à primeira autora. Referências AGÊNCIA BRASIL. Companhia Nacional de Transporte – CNT. 2017. Disponível em: http://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2017-08/pesquisa-da-cnt-diz-que-427- das-rodovias-federais-sao-boas-ou-otimas. Acessado em 09 de outubro, 2017. BANDEIRA, C.; FLORIANO, E.P. Avaliação de impacto ambiental de rodovias. Caderno Didático nº 8, 1ª ed./ Clarice Bandeira, Eduardo P. Floriano. Santa Rosa, 2004. BITAR, O.Y; ORTEGA, R.D. Gestão Ambiental. In: OLIVEIRA, A.M.S; BRITO, S.N.A. (EDS.). Geologia de Engenharia, São Paulo: Associação Brasileira de Geologia de Engenharia (ABGE), Cap 32, p. 499. 1998. BRASIL. Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981. Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras providências. Disponível: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6938.htm. Acessado em 26 de outubro, 2017. BRASIL. Resolução CONAMA nº 1 de 23 de janeiro de 1986. Dispõe sobre critérios básicos e diretrizes gerais para a avaliação de impacto ambiental. Disponível em: através de trabalhos de conclusão de curso, trabalhos de iniciação científica e textos produzidos diretamente para compor essa obra. O conteúdo do livro pode ser utilizado por estudantes e profissionais de diversas áreas do conhecimento, como ciências ambientais, ciências biológicas, ciências agrárias, engenharias, química, geociências, ciências sociais e da saúde. Os temas abordados no presente trabalho são especialmente relevantes para profissionais que trabalham com a avaliação de impactos ambientais, inclusive na elaboração de estudos ambientais para o licenciamento de empreendimentos ou na criação de sistemas de gestão ambiental. Os temas aqui discutidos são de grande complexidade e não foi objetivo dos autores esgotar os assuntos, porém o livro cobre grande parte dos impactos ambientais provocados pelos empreendimentos analisados e pode contribuir para a redução das consequências negativas de tais iniciativas. Assim, acreditamos ser uma contribuição relevante para o desenvolvimento sustentável. Boa leitura. Fábio Souto de Almeida 1 INSTRUMENTOS LEGAIS OU NORMAS PARA EVITAR A DEGRADAÇÃO AMBIENTAL Fábio Souto de Almeida A definição legal de meio ambiente, presente na Política Nacional de Meio Ambiente - PNMA (Lei Federal Nº 6.938 de 1981), indica que é constituído pelos bens naturais, incluindo a biodiversidade e aqueles de natureza física ou química, que regem a vida (BRASIL, 1981). Os seres humanos, a sua cultura e a economia também estão inseridos nesse conjunto de elementos que forma o meio ambiente (GIONGO; GIONGO, 2009). A manutenção das características do meio ambiente dentro de padrões adequados para a vida humana é essencial, porém diversas atividades antrópicas vêm modificando expressivamente as características ambientais, prejudicando a qualidade de vida da população ao aumentar a incidência de doenças, gerar incômodos e reduzir a disponibilidade dos recursos naturais (SANCHEZ, 2008). Um elevado número de pessoas morrem todos os anos por doenças provocadas ou agravadas pela poluição ambiental, incluindo aquelas derivadas da ingestão de água e alimentos contaminados e pela poluição atmosférica (MORAES; JORDÃO 2002; SNS, 2018). Além disso, a poluição sonora, visual e luminosa, apesar de serem menosprezadas, causam agravos à saúde e prejuízos econômicos (ALMEIDA et al., 2017). O esgotamento e a degradação dos recursos naturais são graves ameaças às atividades produtivas e ao bem estar das populações humanas (MARTINE; ALVES, 2015). Os seres humanos obtêm do meio ambiente todos os recursos naturais fundamentais para a manutenção da vida e também imprescindíveis para o desenvolvimento socioeconômico (FARIAS, 2019). Porém, a extração de recursos naturais, a sua transformação, transporte e utilização podem provocar expressivos impactos ambientais (CUNHA; GUERRA, 2007; ALMEIDA et al., 2017). Além disso, o descarte de produtos e embalagens e a geração e distribuição de energia também acarretam degradação ambiental (CUNHA; GUERRA, 2007; ALMEIDA et al., 2017). Na legislação brasileira, impacto ambiental é definido como: “qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que, direta ou indiretamente, afetam: I - a saúde, a segurança e o bem-estar da população; II - as atividades sociais e econômicas; III - a biota; IV - as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente; V - a qualidade dos recursos ambientais” (CONAMA, 1986). Com o avanço tecnológico, o crescimento populacional e a cultura consumista observadas nos últimos séculos, relevantes alterações ambientais adversas têm sido provocadas (BAPTISTA, 2010). Frente a essa realidade, países e governos locais criaram arcabouço legal para conter a degradação ambiental e atingir o desenvolvimento socioeconômico de forma sustentável (DIAS, 2001). A legislação de cunho ambiental a nível federal, voltada a reduzir a degradação ambiental no Brasil inclui: Artigo 225 da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988; Política Nacional de Meio Ambiente - Lei Nº 6.938 de 1981; Lei Complementar Nº 140 de 2011 (trata do licenciamento ambiental – competências para o licenciamento); Lei de Crimes Ambientais - Lei Nº 9.605 de 1998; Lei de Proteção à fauna - Lei N° 5.197 de 1967; Código Florestal - Lei Nº 12.651 de 2012; Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza - Lei No 9.985 de 2000; Política Nacional de Educação Ambiental - Lei No 9.795 de 1999; Política Nacional de Recursos Hídricos - Lei Nº 9.433, de 8 de janeiro de 1997; Política Nacional de Resíduos Sólidos - Lei Nº 12.305, de 2 de agosto de 2010; Resolução CONAMA N0 1 de 1986 (Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental); Resolução CONAMA Nº 237 de 1997 (trata do licenciamento ambiental). Além disso, organizações privadas têm adotado meios para evitar a geração de impactos ambientais negativos na produção de bens e serviços, produzindo bens de forma ambientalmente correta, até mesmo pela sociedade ter aumentado a conscientização acerca dos problemas provocados pelas alterações ambientais negativas (SEIFFERT, 2011; ROUSSOULIERES et al., 2013). Essas organizações tem implementado os Sistemas de Gestão Ambiental (SGA), que para Roussoulieres et al., 2013: “pode ser entendido como um conjunto de procedimentos necessários para administrar uma empresa com o objetivo de garantir que suas atividades gerem o menor impacto negativo, possível, sobre o ambiente”. As empresas que adotam um SGA podem obter um selo verde (certificação ambiental), para indicar a sua preocupação ambiental e ganhar mercado, além disso, a adoção de um SGA também auxilia a empresa a se adequar às normas ambientais vigentes e evitar multas e outras penalidades advindas de órgãos ambientais competentes, também pode reduzir o consumo de recursos naturais e diminuir os custos de produção (MORROW; RONDINELLI, 2002; MELNYK et al., 2003; FIGUEIREDO et al., 2009; DEUS et al., 2010; SEBRAE, 2004). No planejamento do SGA, além de identificar os impactos ambientais dos processos produtivos, também é necessário estudar os aspectos ambientais, que são processos que acarretam como consequência alterações ambientais (impactos ambientais) (SANCHEZ, 2008), sendo exemplos de aspectos ambientais a geração de ruídos e de resíduos sólidos, a emissão de efluentes, os vazamentos e o consumo de água e energia (BACCI et al., 2006). A avaliação de impactos ambientais (AIA) é uma importante ferramenta para evitar a degradação do meio ambiente, sendo entendida por Almeida et al. (2017) como “o exercício de prever as alterações que ocorrerão no meio ambiente a partir de um projeto proposto no presente”. Assim, o objetivo é prevenir a degradação ambiental através da previsão das alterações ambientais negativas que podem ser causadas, analisando o projeto de um empreendimento, e posteriormente propondo medidas para mitigar esses impactos, reduzindo ou eliminando a magnitude das alterações ambientais negativas previstas, podendo ainda haver a compensação da degradação ambiental (LIMA, 2015; ALMEIDA et al., 2017). Desse modo, a AIA é usada no licenciamento ambiental e também para o planejamento do SGA. No Brasil os empreendimentos que podem causar significativa degradação ambiental devem ser licenciados com o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) (CONAMA, 1986; ALMEIDA et al., 2017). No caso dos empreendimentos não serem apontados como potenciais causadores de significativa degradação ambiental, outros estudos ambientais podem ser requisitados para licenciar o empreendimento, como o Relatório Ambiental Simplificado (RAS), o Estudo de Impacto de Vizinhança – EIV e o Projeto Básico Ambiental (PBA) (ALMEIDA et al., 2017). A descrição do empreendimento e o diagnóstico ambiental da área de influência do projeto estão entre os requisitos de vários estudos ambientais e são essenciais para a correta previsão das alterações ambientais que os projetos podem09 de outubro de 2017. SANCHÉZ, L.E. Avaliação de impacto ambiental: conceitos e métodos. São Paulo: Oficina de Textos. 584p. 2013. SIMONETTI, H. Estudo de impactos ambientais gerados pelas rodovias: sistematização do processo de elaboração de EIARIMA. Monografia (Graduação em Engenharia Civil), Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 55p. 2010. SOBRAL, I.S. et al. Avaliação dos impactos no parque nacional Serra de Itabaiana-SE. 2017. Disponível em: http://www.seer.ufu.br/index.php/caminhosdegeografia/article/view/15713/8888. Acessado em 10 de outubro, 2017. TINOCO, J.E.P.; KRAEMER, M.E.P. Contabilidade e gestão ambiental. São Paulo: Atlas. 296p. 2008. 7 USINAS HIDRELÉTRICAS Renata Fernanda Oliveira de Souza, Fabíola de Sampaio Rodrigues Grazinoli Garrido & Fábio Souto de Almeida A partir da Revolução Industrial, a energia elétrica vem ocupando papel fundamental na sociedade moderna, propiciando o crescimento das indústrias, do comércio, da agricultura e da vida social (GUENA, 2007). Historicamente, a oferta de energia é apontada como um dos gargalos do crescimento econômico, onde a de origem hidrelétrica representa papel significativo (SATHLER DE QUEIROZ; MOTTA-VEIGA, 2012). Atualmente, o modelo de desenvolvimento brasileiro tem por objetivo o crescimento econômico pelo avanço da industrialização, com a difusão de tecnologia em larga escala e com constante renovação do arcabouço produtivo (HOBSBAWM 1982 apud CAMARA et al., 2016). Nesse cenário, para sustentar o crescimento da economia, a manutenção da disponibilidade de energia elétrica é essencial. Os impactos ambientais ocasionados pelo desenvolvimento socioeconômico dos últimos 250 anos causaram danos ao equilíbrio de ecossistemas em todas as regiões do planeta (CASTRO et al., 2011). Como todo grande empreendimento, a instalação de usinas hidrelétricas de grande porte gera efeitos que ultrapassam os limites da área ocupada por suas estruturas físicas, alterando componentes ambientais expressivamente distantes do empreendimento (BORTOLETO, 2001). Com o aumento da mobilização em torno das questões ambientais, a partir da “Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente” realizada em 1972, em Estocolmo, e dos problemas ambientais ocasionados, principalmente, por grandes empreendimentos, passou-se a incluir um cuidado maior com a variável ambiental durante o desenvolvimento dos projetos (STAMM, 2003). Foi observado que diversos países legislaram sobre a poluição ambiental oriunda de atividades industriais na década de 1980. Segundo Moura (2002) apud Seiffert (2014) também nessa década teve impulso a formalização e obrigatoriedade da realização de Estudos de Impacto Ambiental e Relatórios de Impactos sobre o Meio Ambiente (EIA-RIMA), com audiências públicas para aprovação dos licenciamentos ambientais em diferentes níveis de organizações do governo. Nos EUA, com a exigência da realização de Estudos de Impacto Ambiental como pré- requisito para a instalação de empreendimentos potencialmente poluidores em 1969, surgiu a primeira regulamentação que apresentava enfoque preventivo em relação à degradação ambiental, em contraste as demais que tinham, em geral, caráter corretivo (SEIFFERT, 2014). No Brasil, a realização dos Estudos de Impacto Ambiental (EIA) e a apresentação do respectivo Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) somente foram regulamentadas, a nível federal, pela Resolução CONAMA 01 de 1986 (CUNHA; GUERRA, 2007). Cabe ressaltar que na referida resolução são citadas as categorias de projetos dos quais será exigida a apresentação desses documentos. Assim, dentre as atividades elencadas, estão: a instalação de linhas de transmissão de energia elétrica com capacidade para mais de 230KW e obras destinadas a exploração de recursos hídricos, assim como barragens para fins energéticos, acima de 10MW, obras destinadas ao saneamento ou irrigação, aquelas com objetivo de retificação de cursos d’água, abertura de barras e embocaduras, além de transposição de bacias e diques (BRASIL 1986). Ou seja, atividades relacionadas à instalação de usinas hidrelétricas. É de amplo conhecimento a relação entre a disponibilidade de energia e o desenvolvimento econômico (COSTA et al., 2010). A geração de energia através de hidrelétricas implica em inúmeros impactos ambientais negativos como, por exemplo, a redução da área com vegetação nativa, alterações dos cursos d’água, dentre outros. Porém, ocasiona impactos positivos significativos tanto para a economia nacional quanto local como, por exemplo, a geração de empregos para a população, dinamização da economia, dentre outros. Dada a importância que a construção de usinas hidrelétricas tem para o desenvolvimento econômico desde nacional a local e, levando-se em consideração as consequências dos impactos gerados por esta, o presente trabalho visa apresentá-los e pretende-se que o mesmo auxilie na redução das alterações ambientais adversas causadas por esse tipo de empreendimento. Importante ressaltar que para obtenção e análise dos dados foi utilizado a proposta de Landes (2016), que consiste na utilização das informações de estudos ambientais confeccionados para o licenciamento dos empreendimentos, extraindo destes os impactos ambientais previstos e, levando-se em consideração os seguintes aspectos: a natureza (negativo ou positivo), a fase em que ocorrem (planejamento, instalação e/ou operação) e qual o meio afetado (biológico, físico e socioeconômico) (LANDES, 2016). Os dados foram coletados por meio de Relatórios de Impactos Ambientais (RIMA), que foram desenvolvidos como pré-requisito para o licenciamento de hidrelétricas. Foram utilizados nove Relatórios de Impactos Ambientais: Relatório de Impacto Ambiental UHE Foz do Apiacás (Fevereiro de 2010); Relatório de Impacto Ambiental Usina Hidrelétrica São Manoel (Julho de 2011); Relatório de Impacto Ambiental Usina Hidrelétrica Sinop (Março de 2010); Relatório de Impacto Ambiental UHE Teles Pires (Setembro de 2010); Relatório de Impacto Ambiental UHE Itaocara (Abril de 2011); Relatório de Impacto Ambiental Aproveitamento Hidrelétrico Colíder - 300 MW (Janeiro de 2009); Relatório de Impacto Ambiental AHE São Luiz do Tapajós (2014) Relatório de Impacto Ambiental Usina Hidrelétrica de Xingó (1980) Relatório de Impacto Ambiental UHE Mauá (Novembro de 2004) A maioria dos relatórios analisados foram preparados para empreendimentos que localizam-se na região Centro-Oeste, sendo que três destes situam-se entre as regiões Norte e Centro-Oeste. Assim, destaca-se que o fato da maioria destes empreendimentos se situarem nesta região deve-se ao fato de ser a segunda maior região em extensão territorial do país. Importante ressaltar, também, a posição central desta região que faz fronteira com todas as outras regiões do país, vantagem para a distribuição de energia elétrica ao SIN - Sistema Nacional Interligado para todo o país. Foram encontrados 103 impactos ambientais no total (Tabela 1). A fase de implantação foi a que apresentou o maior número de impactos ambientais, seguida da fase de operação e, com número de impactos expressivamente menor, a fase de planejamento. Na fase de planejamento apenas foram observados impactos sobre o meio socioeconômico, enquanto que nas demais fases são causadas alterações ambientais nos meios biótico, físico e socioeconômico. O número total de impactos por meio ficou organizado da seguinte maneira: 40 são socioeconômicos, 35 são no meio biótico e 28 são no meio físico. Tabela 1. Número de impactos ambientais nos componentes do meio ambiente e em cada fase das usinas hidrelétricas no Brasil. Meio Fase do Empreendimento Planejamento Implantação Operação Físico - 15 13 Biótico - 19 16 Socioeconômico 10 14 16 Total 10 48 45 Da quantidade total de impactos contabilizados, dez são impactos ambientais de natureza positiva, 92 são impactos ambientais de natureza negativa e apenas um destes impactos foi caracterizado com natureza tanto positiva quanto negativa. Nota-se que os impactos positivosencontrados estão todos relacionados ao meio socioeconômico, enquanto que os negativos estão distribuídos tanto no meio socioeconômico quanto nos meios físicos e bióticos. É importante destacar que a quantidade de impactos ambientais negativos previstos nestes estudos revelam que as atividades necessárias para a implantação efetiva e operação destes empreendimentos exigem um minucioso planejamento e cuidados elevados, haja vistas a grande quantidade de alterações adversas que são causadas ao meio ambiente. Fase de Planejamento Nesta fase do empreendimento foram encontrados apenas impactos ambientais relacionados ao meio socioeconômico (Quadro 1), totalizando dez impactos conforme foi exposto na Tabela 1 acima. Destes, três são de natureza positiva e seis de natureza negativa, sendo apenas um classificado tanto em positiva quanto negativa. Em relação aos benefícios do empreendimento, o mesmo irá favorecer a geração de renda e postos de trabalho para a população tanto local como regional. Como observado, os impactos ambientais positivos estão relacionados aos benefícios que deverão ser gerados pelo empreendimento; além disso, desde o início da fase de planejamento já se fazem sentir alguns impactos positivos na região do empreendimento, como a contratação de pessoas para serviços de apoio aos estudos e levantamentos de campo (CNEC, 2014). Ou seja, há um aumento da geração de conhecimento técnico-científico da área que ficará disponível, principalmente, para os órgãos e governantes locais, bem como a quem interessar. Alguns outros impactos ambientais previstos e que foram classificados como de natureza negativa estão mais relacionados a fase de implantação/instalação do empreendimento, como, por exemplo, aumento populacional, aumento da ocupação irregular, dentre outros. Nota-se que estes impactos já foram previstos e citados nesta fase afim de possibilitar a tomada de medidas para mitigar os efeitos desses. Quadro 1. Impactos ambientais previstos, frequência e natureza no meio socioeconômico na fase de planejamento de usinas hidrelétricas. Impactos Frequência absoluta Natureza P N Criação de expectativas 5 X X Dinamização da economia 6 X Geração de empregos 8 X Impactos Frequência absoluta Natureza P N Alteração no cotidiano 2 X Aumento do conhecimento técnico- científico 2 X Aumento populacional 6 X Aumento do preço de terras e imóveis 4 X Aumento da prostituição 3 X Aumento da ocorrência de doenças 7 X Aumento da violência 2 X Fase de Instalação Na fase de implantação do empreendimento, ou seja, do início das obras foram identificados um total de 48 impactos ambientais (vide Tabela 1) distribuídos entre os meios físico (Quadro 2), biótico (Quadro 3) e socioeconômico (Quadro 4). Desse total apenas quatro são de natureza positiva, enquanto os outros 44 restantes são de natureza negativa; conforme foi observado anteriormente, os impactos ambientais positivos aqui previstos estão relacionados a geração de postos de trabalho e consequente aumento da massa salarial e dinamização da economia na região (PCE, 2010). Com relação a esta fase do empreendimento, sabe-se que é nesta em que ocorrem a maior parte dos impactos ambientais e de forma mais expressiva. Alguns impactos ambientais foram previstos em todos os estudos ambientais analisados, tais como: No Meio Físico (Quadro 2): o impacto relacionado aos processos erosivos, haja vistas as escavações realizadas para instalação do empreendimento, ou seja, com a retirada da vegetação o solo fica exposto e suscetível a erosão e aos movimentos de massas de terras; a ocorrência de sismos, devido aos movimentos de massas de terras necessários para as obras; intervenções e alterações em processos minerários, tendo em vista as diversas escavações realizadas, e algumas partes das obras relacionadas a explosão de rochas, em que pode ser encontrado importantes fontes para exploração de minérios; alteração na qualidade das águas, pois durante a construção do empreendimento podem ser gerados diversos tipos de poluentes, além da produção de resíduos, líquidos (óleos e graxas) e efluentes que podem escoar e contaminar as águas; deposição de sedimentos (assoreamento) de rios e reservatórios, que segundo o PCE (2010) “a exposição do solo pelo corte da vegetação produz sedimentos (areia e argila) que podem ser levados para os rios pelas chuvas”. Os ecossistemas aquáticos são impactados expressivamente por variadas atividades antrópicas, das quais pode-se destacar a implantação de barragens e os desvios de cursos d’água, mas também são bastante importantes o lançamento de efluentes líquidos residenciais e industriais, os empreendimentos de mineração, a exploração exacerbada de recursos pesqueiros e a supressão da vegetação nativa nas margens de rios e lagos (GOULART; CALLISTO, 2003). Alguns estudos classificam o impacto da alteração na qualidade da água como sendo no meio biótico, e outros como meio físico. Diante dessas diferenças, é importante explicitar que alguns impactos podem ocasionar outros. Como exemplo, pode-se citar a redução de cobertura vegetal, que é um impacto de primeira ordem e atinge o meio biótico, tendo como consequência a alteração da qualidade da água, caracterizado como impacto indireto que atinge o meio físico. Sobre isso, com a retirada da vegetação de alguns locais é normal que ocorram deslizamentos de terra e erosões, que serão arrastadas para dentro dos rios ou para os reservatórios, mudando a qualidade das águas desses locais. Além disso, pode ocorrer uma contaminação de aquíferos e lençóis freáticos, já que dada as escavações e exposições do solo, torna esses ambientes vulneráveis ao carreamento de contaminantes pela chuva. Kemerich et al. (2014) explica que o escoamento superficial é influenciado pelas propriedades hidráulicas do solo, material de origem e condições de compactação, solos com maiores condições de compactação apresentam maiores taxas de escoamento. A partir disso é possível perceber que o solo possui uma capacidade limite, onde nem toda a água que cai na forma de chuva consegue infiltrar. Como consequência das atividades necessárias a implantação desse tipo de empreendimento, segundo Inatomi & Udaeta (2005) mudanças na hidrologia do terreno podem ocasionar a alteração do fluxo de corrente, alteração de vazão, alargamento do leito, aumento da profundidade, elevação do nível do lençol freático, mudança de lótico para lêntico e geração de pântanos. De modo geral, o enchimento do reservatório vai promover mudanças nas comunidades de plâncton e do fundo dos rios e a modificação da comunidade de peixes. Pode haver desaparecimento local de algumas espécies, como costuma acontecer em empreendimentos dessa natureza. Esse impacto é mais relevante quando se consideram as espécies endêmicas e ameaçadas, ou quando não existem habitats disponíveis e adequados (CNEC, 2014). As alterações ocasionadas em um rio, incluindo as derivadas de obras de engenharia, tem o potencial de provocar instabilidade ao sistema fluvial, com as variações observadas nas suas características e também na estrutura de suas margens tendo o potencial para influenciar negativamente os recursos naturais e a diversidade biológica (MANYARI, 2007). Quanto à geração de ruído e vibração de solos, estes impactos, temporários, deverão ser sentidos e ocorrerão mais no início das obras devido ao movimento de terra, ao tráfego de veículos e equipamentos pesados. Estas atividades poderão ainda prejudicar a qualidade do ar, já que causará o levantamento de poeira. Estes impactos deverão ser sentidos perto do canteiro de obras e poderão incomodar as pessoas que estejam nas proximidades, e ainda ocasionar o afugentamento dos animais (EPE, 2011). Quadro 2. Impactos ambientais previstos, frequência e natureza no meio físico na fase de instalação de usinas hidrelétricas. Impactos Frequência absoluta Natureza P N Interferência com Patrimônio Paleontológico 8 X Início e/ou aceleração de processos erosivos 9 X Alteração da dinâmica fluvial 5 XInterferências na dinâmica do aquífero e lençóis freáticos 6 X Alterações Microclimáticas 7 X Interferência em atividades e processos minerários 9 X Alterações florísticas e Fisionômicas* 5 X Geração de ruído 4 X Alteração da paisagem 7 X Impactos Frequência absoluta Natureza P N Alteração na qualidade das águas 9 X Deposição de sedimentos (assoreamento) de rios e reservatórios 9 X Pressão sobre a capacidade de armazenamento de resíduos 2 X Alteração na qualidade da água 8 Alteração na qualidade do ar 4 X *Pode ser entendido como um impacto no meio biológico. No meio biótico observou-se a perda de vegetação nativa, com a supressão da vegetação ocorrendo para dar abertura a instalação de diversas estruturas, sejam elas permanentes ou temporárias (Quadro 3), o que implicará também na redução da riqueza e abundancia de espécies da fauna (EPE, 2010). Também provoca a alteração da qualidade das águas e mudanças nos ecossistemas aquáticas. Ressalta-se que estudos ambientais podem indicar a alteração da qualidade das águas como um impacto no meio biótico, já que a alteração das características da água influencia as comunidades biológicas, podendo inclusive se observar a proliferação de espécies de algas e de caramujos e a mortandade de peixes, porém esses impactos sobre a biodiversidade tratam-se de impactos indiretos provocados pelo impacto direto alteração da qualidade das águas, sendo esse último uma alteração do meio físico (PCE, 2010). Dentre os impactos mais significativos está a perda da vegetação nativa, que se dará devido a execução de atividades tais como: construção de estradas, residências para os trabalhadores, pátios, canteiros de obras, linhas de transmissão e outros. Assim, haverá desmatamento dessas áreas, além de cortes e aterros que serão realizados para exploração de áreas de empréstimo e jazidas de areia. Ou seja, já que para instalar as estruturas necessárias, mesmo que permanentes ou temporárias, é necessário dar abertura em um campo aonde haverá alteração das características e redução da diversidade florística, o que ocasiona numa maior pressão antrópica sobre a fauna e flora, consequentemente, causando interferências, alterações das comunidades e diversidade, bem como reduzindo o número de espécies. Segundo Goulart & Callisto (2003) “o crescimento das cidades nas últimas décadas tem sido responsável pelo aumento da pressão das atividades antrópicas sobre os recursos naturais. Em todo o planeta, praticamente não existe um ecossistema que não tenha sofrido influência direta e/ou indireta do homem, como por exemplo, contaminação dos ambientes aquáticos, desmatamentos, contaminação de lençol freático e introdução de espécies exóticas, resultando na diminuição da diversidade de hábitats e perda da biodiversidade”. Nota-se também que diante desses impactos, ocorrem outros em consequência, como a eliminação de habitats e a perda de conectividade entre estes. A exemplo disto, o PCE (2010) expõe que “a criação do reservatório acarretará a perda de muitos locais que os animais usam para repousar, se alimentar ou para se acasalar, como os pedrais na beira de rios, praias de areia e tocas na margem. Além disso, grandes porções de floresta, que antes eram unidas, passarão a ser separadas pelo lago, não permitindo a passagem dos animais de um lado para o outro. Dessa forma, sua reprodução ficará dificultada. Esses fatores poderão levar a uma redução na população desses animais, sendo que alguns sofrerão mais essas mudanças que outros”. Ainda com relação a isto, importante destacar o desmatamento que ocorrerá nas áreas de APP, bem como em áreas de matas ciliares e também as áreas que serão alagadas para formação do reservatório. O EPE (2011) destaca que “o enchimento da represa e a melhoria das vias de acesso locais poderão favorecer a atração de pessoas interessadas em explorar a represa para lazer, pesca, navegação e outras atividades. Essas atividades podem provocar o desmatamento nas áreas protegidas próximas à represa, tanto pela instalação de infraestruturas de lazer, por exemplo, como pela exploração irregular para agricultura e pecuária”. O CNEC (2014) dita que “o rápido desaparecimento de áreas de floresta na área do reservatório deve provocar o deslocamento da fauna silvestre para outras áreas. Animais que vêm das áreas alteradas ou suprimidas passam a disputar alimento e outros recursos com aqueles residentes na área ainda preservada. Embora as áreas que receberão estes animais sejam bem maiores que as áreas afetadas, essa disputa por alimentos e espaço tende a gerar instabilidades na comunidade da fauna, com possíveis perdas de animais e diminuição das populações”. Com a criação da represa, ou seja, da formação do reservatório, é raro, mas pode haver um aumento no criadouro de mosquitos, isto é, dependente da qualidade das águas. Segundo Agostinho et al. (1992) expressivas mudanças nas comunidades biológicas ocorrem a partir dos represamentos de cursos d’água, em função das permanente e significativa alteração na dinâmica da água. Assim, dentre os impactos que também são expressivos na maioria das construções de usinas hidrelétricas estão os que ocorrem sobre a ictiofauna, ou seja, sobre a diversidade, composição de espécies e quantidade de peixes existentes nos rios. Com a construção das barragens ocorrerá a interferência nas rotas migratórias dos peixes, já que levará ao isolamento destes tanto a montante quanto a jusante da barragem, consequentemente, atrapalhando sua forma de reprodução. Os impactos sobre esses podem ser tanto negativos como positivos, dependendo das espécies, já que algumas espécies podem se beneficiar do novo ambiente para abrigo, reprodução e alimentação, enquanto outras espécies serão prejudicadas nestes mesmos aspectos, pois conforme foi dito, pode haver disputa entre espécies para apropriação do local. Ainda, a partir da formação da represa pode ocorrer diminuição dos níveis de oxigênio da água o que pode afetar na vida das espécies aquáticas. Importante ressaltar que pode haver um aumento da atividade de pesca nesses reservatórios, o que acarreta mudanças na quantidade de espécies de peixes, porém é de benefício para a população que depende economicamente desta atividade. Conforme o CNEC (2014): “Com a formação do reservatório serão observados efeitos sobre a ictiofauna que refletirão nas atividades de pesca, importantes fontes de renda e de subsistência para a população local e regional.” Quadro 3. Impactos ambientais previstos, frequência e natureza no meio biótico na fase de instalação de usinas hidrelétricas. Impactos Frequência absoluta Natureza P N Alteração nas características da vegetação, incluindo a diversidade 6 X Aumento da pressão antrópica sobre a vegetação 3 X Perda de vegetação nativa 9 X Alteração do número de animais 7 X Alteração de comunidades aquáticas 4 X Alteração da comunidade de peixes 6 X Interferência em rotas migratórias de peixes 7 X Impactos Frequência absoluta Natureza P N Alteração da quantidade de peixes 6 X Aumento da pesca 4 X Perda de habitat para os animais 6 X Aumento de criadouro de mosquitos 8 X Desmatamento e ocupação de APP 2 X Atração de animais 4 X Redução de oxigênio na água* 4 X Aumento da quantidade de plantas aquáticas - macrófitas 4 X Alteração da vegetação na margem do reservatório 4 X Aumento da vulnerabilidade de contaminação dos aquíferos* 3 X Alteração das comunidades planctônicas e bentônicas 2 X *Podem ser entendidos como impactos no meio físico. No Meio Socioeconômico (Quadro 4): aumento da arrecadação municipal, já que os municípios atingidos pelo empreendimento receberão a compensação financeira pela utilização dos recursos hídricos para a geração de energia (EPE, 2011); aumento do fluxo migratório, tendo em vista a construção de um novo empreendimento em que as pessoas são atraídas pela geração de emprego tanto de forma direta quanto indireta. A compensação financeira realizada por utilizar ou degradar componentes do meioambiente pode ser entendida como um instrumento econômico de gestão, em que os responsáveis pela usina realizam a compensação pelas externalidades provocadas pelo empreendimento (SILVA, 2007). Assim, com a instituição do pagamento pelo uso do recurso e com a destinação de parte da receita arrecadada para os municípios atingidos, espera-se que os mesmos utilizem isto como forma de minimizar os impactos ambientais negativos gerados pelo empreendimento. Quanto ao aumento do fluxo migratório que ocorre devido, principalmente, a atração por emprego o município deve estar preparado para tal impacto. Conforme o CNEC (2014), com a vinda de novas pessoas, aumentará a demanda por equipamentos de saúde, escolas, habitação, podendo ocorrer uma ocupação desordenada da região e sobrecarregar os sistemas de infraestrutura urbana e ambiental. Assim, gerará maior demanda por moradias, o que acarretará no aumento dos valores dos imóveis, alimentos e serviços em geral. Áreas com alto adensamento de moradias de população de baixa renda e restrito acesso aos serviços públicos, situação em que o saneamento básico é precário, podem apresentar ecossistemas aquáticos severamente poluídos por esgoto e resíduos sólidos, tendo considerável potencial para ocasionar inúmeras doenças na população (Goulart & Callisto 2003. Por outro lado, com a chegada de um novo contingente populacional, haverá uma dinamização da economia devido a relação oferta-demanda por mercadorias e serviços o que eleva a renda da população (CNEC, 2014). Importante destacar três problemas que poderão advir dessa chegada de um novo contingente populacional, que é o aumento da prostituição, o aumento da disseminação de doenças, bem como o aumento de violência. A pressão exercida sobre os serviços públicos apresenta consequências expressivas principalmente em comunidades que possuem restrita infraestrutura ligada a tais serviços. Ainda relacionado a isto, a maioria dos estudos ambientais classifica o aumento do fluxo migratório como impacto negativo de alta magnitude, porém o CNEC (2014) indica que este impacto também pode ser classificado como positivo pelo aumento da demanda por serviços de hotelaria, abastecimento e comércio, que proporcionará um aumento na demanda por bens e serviços que devem e poderão ser fornecidos pela população local, ou seja, gerando oportunidades e impulsionando a economia local. Ainda nesta fase do empreendimento, é importante destacar a questão da remoção, realocação de populações das áreas aonde ocorrerão intervenções por parte do empreendimento. Assim, para que possa ser construída toda a infraestrutura de apoio e as estruturas principais de usinas hidrelétricas (estradas, canteiros de obras, alojamentos, postos de combustíveis, linhas de transmissão, barragens, vertedouros, casas de força, entre outros), bem como para que se possa liberar as áreas onde serão formados os reservatórios, muitos moradores terão que deixar suas casas e locais de trabalho (Leme 2009). Conforme o CNEC (2014) “a mudança da população, em função da perda das suas terras e benfeitorias, poderá afetar as relações e vínculos sociais, e causar a perda de referências. Entre os ribeirinhos, em particular, a rede de relações sociais se estabelece também a partir de sua dependência ao rio, em torno de afinidades e reciprocidades construídas ao longo dos anos, como a amizade, o parentesco e a vizinhança. Também contribui para essa rede de relações, as atividades produtivas como os plantios e a criação de animais. Assim, a mudança implica em alterações de referências sociais, culturais, espaciais e, em certos casos, econômicas, resultando em alterações nos modos de vida de cada indivíduo afetado”. Os impactos incluem a dispersão de grupos familiares, perda de bens culturais e religiosos, desestruturação das relações sociais, inundação de locais relevantes para os grupos sociais locais (VAINER, 2008). Quadro 4. Impactos ambientais previstos, frequência e natureza no meio socioeconômico na fase de instalação de usinas hidrelétricas. Impactos Frequência absoluta Natureza P N Dinamização e aumento da economia local 6 X Alteração na infraestrutura viária 7 X Perda de terras e benfeitorias 5 X Alteração de uso e ocupação de solo 5 X Interferências com Patrimônio Histórico, Cultural e Paisagístico 8 X Interferências com Patrimônio Arqueológico 8 X Aumento da arrecadação municipal 9 X Pressão e Aumento da procura por serviços públicos 8 X Aumento da massa salarial 8 X Aumento do fluxo migratório 9 X Aumento de ocupação irregular 2 X Geração de emprego e renda 8 X Impactos Frequência absoluta Natureza P N Aumento do risco de acidentes de trabalho e transito 5 X Pressão sobre os recursos naturais 2 X Quanto ao impacto ambiental Interferência no Patrimônio Arqueológico um dos estudos o colocou como impacto afetando o meio físico, o PCE (2010) que explica que “a intervenção direta nos solos e rochas pode levar a descoberta de vestígios fósseis ou provocar alguma interferência com eles”, enquanto todos os outros o classificam como impacto no meio socioeconômico. Durante a realização de atividades tais como escavações e terraplenagens, implantação de infraestruturas, inundação de algumas áreas para formação de represa é comum se deparar com sítios arqueológicos. Assim, faz-se necessário que haja um estudo da área que contemple a prospecção (buscas) para identificar os vestígios arqueológicos, que serão objeto de resgate e permite ampliar o conhecimento sobre a história da região (EPE, 2011). Diante das intervenções a serem realizadas para a construção do empreendimento pode haver danificação ou perda dessas estruturas, o que significa um impacto negativo e perda irreparável desse patrimônio. No estudo do PCE (2010), no THEMAG (2010) e JGP (2009) classificaram o impacto Alteração da Paisagem como sendo no meio socioeconômico, a justificativa é devido a construção de obras durante a fase de instalação do empreendimento bem como na sua fase de operação, enquanto os outros o colocam como impacto do meio físico. Fase de Operação Nesta fase final do empreendimento foram identificados um total de 45 impactos ambientais (vide Tabela 1) distribuídos entre os meios físico (Quadro 5), biótico (Quadro 6) e socioeconômico (Quadro 7). Desse total apenas três são de natureza positiva, enquanto os outros 42 restantes são de natureza negativa. Conforme observado anteriormente, vide fase de instalação, os impactos positivos estão sempre associados ao meio socioeconômico, com vistas a dinamização da economia local. Ainda, conforme observado na fase anterior, a maioria dos impactos que ocorrerão aqui nesta fase serão semelhantes e alguns sentidos de forma mais branda e temporários, dado o final das grandes obras, enquanto outros serão sentidos mais expressivamente e permanentemente. Nota-se que os impactos: ocorrência de processos erosivos, alterações da qualidade das águas, deposição de sedimentos, alteração da paisagem, alterações de fauna e flora estão intra- relacionados entre si, no qual um impacto acarreta ou interfere sobre o outro. Diante disso, impactos como a interferência em processos erosivos e a instabilização de encostas marginais do reservatório são mais expressivos nesta fase do empreendimento, dado que é nesta etapa que ocorre a formação da represa, após o empreendimento receber por parte do órgão ambiental competente a licença pra operar. Conforme Leme (2009) “ quando a construção acabar, se estiver tudo em ordem com os compromissos assumidos pelo empreendedor, o órgão ambiental fornece a Licença de Operação, chamada de LO. Com a LO já é possível encher o reservatório. Com o reservatório cheio, a usina começa a funcionar, produzindo energia. A LO é renovada de tempos em tempos pelo órgão ambiental”. As usinas hidrelétricas causam muitas alterações na natureza, além de interferirem direta e indiretamente na vida das pessoas, principalmente nas que residem na área que será alagada pelo reservatório da usina. Os efeitos das hidrelétricassão variados e alteram expressivamente o território, ocorrendo a reestruturação do território, devendo ser realizados estudos sobre a modificação da paisagem preexistente, principalmente nos locais habitados pela população (BUIATTI CRUZ; DE PAULO DA SILVA, 2010). Ou seja, nesta fase do empreendimento um impacto que também é sentido expressivamente é a alteração da paisagem dada a construção do empreendimento. Esse pode ser considerado como sendo um impacto negativo e também irreversível provocado pelas hidrelétricas. É importante destacar as alterações que ocorrem na dinâmica fluvial, dado que para efetivar alguns dos empreendimentos que estão sendo analisados é necessário que se faça a transposição do rio e o próprio barramento do rio já altera a dinâmica de escoamento hidráulico. As mudanças da dinâmica fluvial influenciam na composição de espécies de organismos aquáticos (MANYARI, 2007), assim podem ocorrer alterações expressivas nas comunidades biológicas devido a transposição e o barramento de rios. Ainda nesta fase é exposto pelos estudos ambientais as alterações climáticas que ocorrem, mesmo sendo esse impacto negativo de baixa importância, já que não é possível notar estas alterações de modo expressivo. Segundo o PCE (2010) “haverá alterações no ciclo da água e no microclima local, sendo que a alteração mais marcante e permanente no ambiente atmosférico se dará a partir do enchimento do reservatório”. Quadro 5. Impactos ambientais previstos, frequência e natureza no meio físico na fase de operação de usinas hidrelétricas. Meio Afetado Frequência absoluta Natureza P NMeio Afetado Frequência absoluta Natureza P N Aceleração de processos erosivos 9 X Instabilização de encostas marginais do reservatório 6 X Alteração na dinâmica fluvial 5 X Interferências na dinâmica de aquíferos 6 X Ocorrência de sismos 9 X Alterações Microclimáticas 7 X Alterações Florísticas e Fisionômicas* 5 X Alteração da paisagem 7 X Alteração na qualidade dos solos 6 X Alteração na qualidade do ar 4 X Alteração nos níveis de pressão sonora 4 X Assoreamento de rios e reservatórios 9 X Vulnerabilidade de contaminação de aquíferos e lençóis freáticos 6 X *Pode ser entendido como um impacto no meio biológico. Sobre os impactos de alteração do ecossistema aquático e na qualidade da água, de acordo com Santos (2006) apud Guena (2007) a importância da retirada do material, no caso a vegetação que será coberta pelo lago, é devido a decomposição anaeróbica do material orgânico que ocorrerá gerando, principalmente, a emissão de gases tais como metano (CH4) e nitrogênio (N2), secundariamente do dióxido de carbono (CO2), já que sabe-se que estes gases são os principais responsáveis pelo efeito estufa. Com relação ao aumento na quantidade de macrófitas aquáticas, isto se dá, também, devido as alterações de qualidade da água, já que conforme o EPE (2011) “nos primeiros meses após a formação da represa, a decomposição da matéria orgânica alagada liberará na água nitrogênio e fósforo, os principais elementos que estimulam o crescimento de plantas aquáticas. Os efeitos desse impacto serão sentidos por até 2 anos, nas margens dos pequenos afluentes, onde será necessário um tempo maior para a renovação da água, comparado ao corpo principal da represa”. Durante a fase de operação, as características da água do reservatório afetarão a reprodução dos peixes, incluindo a predação dos alevinos, mas é esperado que ocorra a sobrevivência de parte dos ovos e alevinos (CNEC, 2014). Quadro 6. Impactos ambientais previstos, frequência e natureza no meio biótico na fase de operação de usinas hidrelétricas. Meio Afetado Frequência absoluta Natureza P N Aumento da pressão antrópica sobre a flora 3 X Alteração da diversidade da flora 6 X Meio Afetado Frequência absoluta Natureza P N Perda de vegetação nativa 9 X Mudança na estrutura das comunidades faunísticas 6 X Eliminação de habitats 6 X Perda de conectividade entre habitats 2 X Alteração no ecossistema aquático 4 X Alteração na qualidade da água* 9 X Aumento de vetores transmissores de doenças 7 X Alteração na rota migratória dos peixes 7 X Alteração na comunidade de peixes 6 X Aumento da pressão antrópica sobre a fauna 4 X Aumento na quantidade de macrófitas aquáticas 4 X Alteração das comunidades planctônicas e bentônicas 2 X Aumento do risco de atropelamento 2 X Afugentamento de fauna 2 X *geralmente é considerado um impacto no meio físico. Assim como na fase de implantação nesta fase ainda haverá oferta de empregos, aumento da renda populacional e da massa salarial, bem como ainda ocorrerá o fluxo migratório nas proximidades do local devido a instalação efetiva do empreendimento. Também continuará tendo a arrecadação dos impostos pelo município, com consequente aumento deste. Conforme o EPE (2010) “o fato gerador desse impacto positivo é o processo construtivo do empreendimento, que necessita de grande número de trabalhadores diretos, assim como a execução de diferentes serviços de apoio ou para a obtenção de insumos necessários para as obras. Além disso, o grande aumento da massa monetária circulante – resultado do pagamento de salários e serviços diversos, intensificam fortemente a animação econômica no âmbito regional”. Este tipo de empreendimento realiza também alterações tais como na estrutura viária da região, já que realizam a abertura de acessos para circulação de materiais e tráfego de veículos necessários tanto na construção quanto na manutenção nesta fase de operação da usina hidrelétrica. Diante disso, ocorrem impactos positivos tais como melhoria e até abertura de novas estradas de acesso para circulação de bens e serviços, livre comércio e a população no geral. Conforme Leme (2009) “a abertura de novas estradas, ou mesmo a abertura de novos acessos até os locais onde estarão sendo construídas as obras, melhorarão as condições de acesso na região. Em consequência disso ocorrerão outros impactos positivos, como facilidade no transporte de mercadorias que atendem à população, aumento na venda de produtos e mais facilidade de acesso aos serviços públicos”. Quando as usinas hidrelétricas iniciam a geração de energia elétrica, a necessidade maior do empreendimento é apenas a manutenção dos recursos que precisa. Assim, as consequências relacionadas a este fato são a redução dos empregos e da demanda por bens e serviços, já que segundo o EPE (2010) este impacto “ocorrerá com desmobilização da mão de obra e desmontagem do canteiro e alojamento, que propiciarão reflexos no mercado de trabalho e na animação econômica devido à diminuição acentuada na demanda de produtos e serviços urbanos”, bem como o EPE (2011) expressa que haverá redução das atividades econômicas dado que “ocorrerá aos poucos e seu pico será quando a obra estiver terminando e os empregados forem demitidos ou deslocados para obras em outros locais. Com a desmobilização da mão de obra haverá diminuição acentuada na demanda de produtos e serviços urbanos, causando impacto na economia dos municípios envolvidos”. Nesta fase o mais importante é ressaltar o maior dos impactos positivos e o de maior magnitude que é a geração e aumento da disponibilidade de energia elétrica, tanto local como na quantidade a ser disponibilizada para o Sistema Interligado Nacional (SIN). Com o aumento de energia haverá contribuição para que as usinas como as termelétricas que são movidas a óleo diesel sejam menos utilizadas, reduzindo assim a poluição do ar causada por essas. Isso é importante, já que a poluição causada por esse tipo de usina prejudica a saúde humana, bem como os gases gerados na queima do óleo diesel contribuem para o chamado efeito estufa, o que causa alterações no clima do Planeta. Este impacto ocorrerá na fase de operação da UHE, a partir da geração de energia elétrica e de sua interligação ao SIN, após a construção da linha de transmissão que ligará as subestações à Rede Básica (PCE, 2010). Quadro 7. Impactos ambientais previstos, frequência e natureza nomeio socioeconômico na fase de operação de usinas hidrelétricas. Meio Afetado Frequência absoluta Natureza P N Dinamização da economia 6 X Meio Afetado Frequência absoluta Natureza P N Alteração no cotidiano da população 2 X Alteração no uso e ocupação de solo 5 X Aumento da arrecadação municipal 9 X Redução das atividades econômicas 5 X Alteração da dinâmica demográfica 9 X Aumento da violência 2 X Pressão sobre os recursos naturais (ictiofauna, fauna, flora e bens minerais) 2 X Pressão sobre as Unidades de Conservação 2 X Geração e Aumento na disponibilidade de energia elétrica 4 X Aumento de doenças 7 X Aumento da prostituição 3 X Redução de empregos 3 X Alteração do sistema viário 7 X Aumento da ocupação irregular 2 X Aumento do risco de acidentes de trabalho e transito 5 X Importante destacar que o setor energético é fundamental para o desenvolvimento socioeconômico, e devido a sua ligação com a esfera ambiental, possui papel central no progresso do desenvolvimento sustentável. Chama-se atenção para o fato de que a energia proveniente de hidrelétricas é a forma de energia mais barata e mais abundante no Brasil, e prioritária no abastecimento do mercado. Recomenda-se que, mesmo diante dos impactos ambientais diversos causados por este tipo de empreendimento, existam cada vez mais políticas de incentivos a eficiência energética com maior participação de fontes renováveis na matriz energética do país, principalmente a construção de hidrelétricas, dado o forte potencial hídrico nacional e ao considerá-la uma fonte mais barata e uma forma de geração de energia “mais limpa”. Referências ABRAPCH (2017) PCHs: O que são PCHs e CGHs. Disponível: Acessado em 14 de dezembro de 2017. AGOSTINHO AA, JÚLIO JR HF, BORGHETTI JR (1992) Considerações sobre os impactos dos represamentos na ictiofauna e medidas para sua atenuação. Um estudo de caso: Reservatório de Itaipu. Revista Unimar. Maringá 14 (suplemento): 089-107. 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A mineração,caso seja realizada com os devidos cuidados ambientais, influencia de forma positiva o bem estar das presentes e futuras gerações, sendo reconhecida internacionalmente como atividade impulsionadora do desenvolvimento social e econômico, garantindo um mercado aquecido, com a oferta de empregos, renda e qualidade de vida aos cidadãos (SIMINERAL 2018, PINTO 2006 apud MELO; CARVALHO, 2007). A mineração a céu aberto é bastante utilizada em todo o mundo e pode ser realizada por pequenas raspagens da superfície do terreno, mas também com escavações de elevada dimensão, tanto em profundidade quanto em área do terreno, podendo alcançar até mesmo centenas de quilômetros quadrados em termos de superfície ocupada pela lavra (FERREIRA, 2013). Segundo Girodo (2005) apud Ferreira (2013) a lavra a céu aberto pode ser utilizada para a extração de vários minerais, incluindo metálicos, não metálicos e rochas. É notório que a mineração é de suma importância para o desenvolvimento das sociedades, porém causa prejuízos ao meio ambiente, sendo necessário ser exercida dentro da legalidade e com os devidos cuidados (ARAUJO; FILHO, 2013), minimizando o desequilíbrio ambiental (SILVA, 2007; SILVA; ANDRADE, 2017). Considerando os relevantes impactos dessa atividade no Brasil, a Avaliação de Impacto Ambiental é um dos instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA) que proporciona o conhecimento dos empreendimentos de mineração e a sua viabilidade ambiental, através do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e do Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) (MODA, 2014). Tais estudos são utilizados para licenciar empreendimentos que têm potencial para ocasionar significativa degradação ambiental, assim como os de mineração (BRASIL, 1986; SANCHÉZ, 2013; ALMEIDA et al., 2017). Na Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente No 1 de 1986, em seu artigo 2º, observa a seguinte posição: “Dependerá de elaboração de estudo de impacto ambiental e respectivo relatório de impacto ambiental – RIMA, a serem submetidos à aprovação do órgão estadual competente, e do IBAMA em caráter supletivo o licenciamento de atividades modificadoras do meio ambiente, tais como.” “IX - Extração de minério, inclusive os da classe II, definidas no Código de Mineração” (BRASIL, 1986). O EIA revela-se como um dos mais importantes instrumentos de proteção do meio ambiente, sendo útil para o planejamento ambiental e para a mitigação de alterações ambientais adversas (MODA, 2014). No entanto, existem poucas literaturas que abordam os impactos ambientais mais frequentes decorrentes da mineração, discutindo estratégias para reduzir os impactos negativos ou minimizar suas magnitudes. Com isso, este trabalho irá nortear a confecção de futuros EIAs para uma efetiva listagem dos impactos para o licenciamento desses empreendimentos, além de colaborar para reduzir os seus efeitos ambientais negativos. Na fase de implantação dos empreendimentos de mineração geralmente ocorre à aquisição de material e equipamentos para a extração mineral, assim como a sua instalação, é necessário à contratação de mão de obra, a abertura de vias de acesso e a remoção da vegetação nas áreas onde serão instaladas as estruturas para a extração, o beneficiamento e a disposição do minério (MELO; CARVALHO, 2007). O início da fase de operação é marcado pelo início da extração do minério. No presente capítulo, os impactos ambientais da mineração e as medidas mitigadoras e compensatórias sugeridas foram coletadas dos estudos ambientais analisados e também de outras bibliografias referentes ao tema. No caso de uma alteração ambiental ser negativa, deve ser indicada uma medida mitigadora para a redução de seus efeitos (RIO DE JANEIRO, 1997; PENNO, 2010). Caso a magnitude do impacto negativo não possa ser reduzida, deve-se adotar medidas compensatórias. Também podem ser sugeridas ações maximizadoras para os impactos que causem a melhoria das condições do meio ambiente. Os dados utilizados no presente estudo foram coletados de quatro EIAs e três RIMAs de empreendimentos de mineração a céu aberto no Brasil, adotando-se a metodologia de Landes (2016) . A referida metodologia consiste em retirar de cada EIA ou Rima os impactos ambientais previstos em cada fase do empreendimento (planejamento, implantação ou operação), por meio afetado, além de analisar a sua natureza e magnitude. Foram utilizados os seguintes estudos ambientais: • Relatório de Impacto Ambiental Belo Sun Mineração LTDA – Extração de Ouro, Senador José Porfírio – PA (Região Norte) Projeto Volta Grande (RIMA BELO SUN, 2012); • Estudo de Impacto Ambiental Lavrar Mineração – LTDA - Lavra de Ardósia, Fazenda Funil, Papagaio-MG (Região Sudeste) (EIA LAVRAR, 2009); • Estudo de Impacto Ambiental Mineração Jundu LTDA – Lavra de Areia Quartzosa, Analândia e Corumbataí – SP (Região Sudeste), Volume I (EIA JUNDU, 2009); • Estudo de Impacto Ambiental Ilhéus Mineradora – Exploração de Areia a Céu Aberto, Fazenda Santa Luzia, Ilhéus – BA (Região Nordeste) (EIA ILHÉUS MINERADORA, 2012); • Estudo de Impacto Ambiental Morro do Pilar Minerais S.A – Extração de Minério de Ferro, Morro do Pilar MG (Região Sudeste), Volume VII - Avaliação de Impactos Ambientais (EIA MOPI, 2012); • Relatório de Impacto Ambiental Carbonífera Siderópolis – Projeto de Lavra a Céu aberto, Carvão Barro Branco – Mina Santana, Localidade de Santana, Município de Urussanga/SC (Região Sul) (RIMA MINA SANTANA, 2015); • Relatório de Impacto Ambiental Litominas – Projeto de Extração de Rocha Calcária na Localidade de São Geraldo, Tabuleiro do Norte – CE (Região Nordeste) (RIMA TABULEIRO, 2009). Atualmente cerca de 4% do PIB corresponde à indústria mineral brasileira, sendo de grande relevância para a economia do país (MME, 2017). Os recursos minerais envolvem uma produção de 72 substâncias minerais, das quais 23 são metálicas, 45 não metálicas e 4 energéticas. São 1.820 lavras garimpeiras; 830 complexos de água mineral; e 13.250 licenciamentos (IBRAM, 2015). O Brasil possui depósitos minerais de grande valor, sendo esta atividade de grande relevância para o desenvolvimento do país, pois sua produção alcançou US$ 25 bilhões no ano de 2016 e as exportações de bens minerais atingiram US$ 17,4 bilhões, representando cerca de 9,4% do total das exportações nacionais (MME, 2017). A indústria de mineração é principalmente composta por micro e pequenas empresa, o número de empresas mineradoras no país, apurado pelo DNPM em 2013 é de 8.870, divididas pelas seguintes regiões: Centro- Oeste (1.075 empresas); Nordeste (1.606 empresas); Norte (515 empresas); Sudeste (3.609 empresas); Sul (2.065 empresas) (IBRAM, 2015). Sendo assim, a indústria mineral abrange uma ampla gama de bens minerais gerados em mais de 8.400 minas em atividade, responsáveis pela produção de cerca de 200 mil empregos diretos e treze indiretos para cada direto (MME, 2017). Conforme observado, a maioria dos estudos ambientais analisados são de empreendimentos que se localizam na região Sudeste, região que apresenta o maior número de companhias mineradoras e maior adensamento populacional. Fase de planejamento Na fase de planejamento foram observados 13 impactos e os mais frequentes foram à geração de conhecimento científico e a geração de emprego e renda, ambos do meio socioeconômico, com frequência relativa de 42,85%. A atividade mineraria promove a realização de estudos multidisciplinares sobre a região, adquirindo-se um maior conhecimento técnico e científico, produzindo ou atualizando informações que já existem sobre a região. Além dos dados sobre os recursos hídricos, fauna, flora, solos, espeleologia, arqueologia, dentre outros, para o meio antrópico, o aumento de dados sobre os elementos de interesse cultural e natural, por exemplo, permite o desenvolvimento das potencialidades locais (EIA MOPI, 2012). Além do mais, a etapa de planejamento de um empreendimento demanda uma série de serviços que acabam impulsionando a economia local dos municípios da região, gerando empregos diretos e indiretosque contribuem para o aumento da renda dos moradores da localidade (RIMA BELO SUN, 2012). Quadro 1. Impactos ambientais previstos, sua frequência relativa e natureza no planejamento de empreendimentos de mineração no Brasil. Meio Afetado/ Impacto Frequência Relativa (%) Natureza BIÓTICO Perda de espécimes da flora 14,28 Negativa Aumento dos casos de atropelamento de fauna 14,28 Negativa Alterações populacionais da fauna 14,28 Negativa Afugentamento com perturbações da fauna 14,28 Negativa SOCIOECOÔMICO Geração de conhecimento científico 42,85 Positiva Geração de emprego e renda 42,85 Positiva Criação de expectativas favoráveis na população 28,57 Positiva Intranquilidade e insegurança na população 28,57 Negativa Dinamização da economia 28,57 Positiva Aumento dos preços de produtos e serviços 14,28 Negativa Especulação Imobiliária 14,28 Negativa Aumento da demanda por bens e serviços 14,28 Positiva Meio Afetado/ Impacto Frequência Relativa (%) Natureza Melhorias dos produtos e serviços para o setor turístico 14,28 Positiva Foram encontrados impactos no meio biótico, que normalmente não se observam no planejamento de empreendimentos. Esses impactos são resultados da prospecção geológica que pode causar alterações ao meio ambiente, como por exemplo, em virtude de desmatamentos ou processos de obtenções de amostras de rochas e solos que ocasionam exposições, como por exemplo, minerais sulfetados que comumente acarretam drenagem ácida (CHAVES NETO, 2013). Desta forma, a atividade de planejamento no setor da mineração acarreta inclusive impactos ao meio físico, embora geralmente sejam classificados de baixa magnitude e abrangência. Fase de implantação Na fase de implantação, onde se dá o início das obras, foram identificados 48 impactos ambientais no total (Quadro 2). Os impactos decorrentes das minerações abrangem diversos componentes do meio ambiente, ocasionando alterações geomorfológicas, biológicas, hídricas e atmosféricas, além de afetarem fortemente as populações humanas (Silva 2001 apud LEITE et al., 2017). O impacto alteração da qualidade do ar, alteração física da paisagem e do relevo, incremento no nível de emprego e renda estiveram em todos os estudos analisados. Em relação a esta fase do empreendimento, sabe-se que é nesta que ocorrem os impactos de maiores magnitudes, sendo importante apresentar medidas para evitar riscos maiores, visto que a mineração afeta de maneira elevada a natureza e a sociedade (SILVA; ANDRADE, 2017). A maior parte dos efeitos da mineração atinge primeiramente o meio físico, sendo os impactos sobre os meios bióticos e socioeconômicos muitas vezes decorrentes dos primeiros, ou seja, são impactos indiretos (Quadro 2) (DIAS, 2001). Desse modo, mitigando os impactos negativos de primeira ordem sobre o meio físico, provavelmente, alterações ambientais indiretas no meio biológico e socioeconômico também serão mitigadas. Quadro 2. Impactos ambientais previstos, sua frequência relativa e natureza na fase de instalação de atividades de mineração no Brasil. Meio Afetado/ Impacto Frequência Relativa (%) Natureza FÍSICO Alteração da qualidade do ar 100 Negativa Alteração física da paisagem e do relevo 100 Negativa Alteração dos níveis de pressão sonora 85,71 Negativa Alteração da qualidade das águas superficiais e subterrâneas 85,71 Negativa Indução e aceleração de processos erosivos 71,42 Negativa Alteração das propriedades do solo e subsolo (Físico-Químico) 57,14 Negativa Alteração da dinâmica hídrica superficial e redução da disponibilidade do recurso hídrico 57,14 Negativa Assoreamento de Cursos D’água 42,85 Negativa Vibrações 28,57 Negativa Alteração da qualidade do solo 28,57 Negativa Alteração na dinâmica erosiva 14,28 Negativa BIÓTICO Afugentamento e perturbações da fauna 71,42 Negativa Perda de habitats 57,14 Negativa Aumento da pressão sobre os recursos naturais 42,85 Negativa Meio Afetado/ Impacto Frequência Relativa (%) Natureza Perda de cobertura vegetal 42,85 Negativa Aumento dos casos de atropelamento de fauna 28,57 Negativa Alterações populacionais da fauna 28,57 Negativa Alterações populacionais de espécies vetores 28,57 Negativa Alterações na dinâmica ecológica da comunidade aquática e fauna associada 28,57 Negativa Perda de parcelas da APP 14,28 Negativa Perda de conectividade e permeabilidade faunística 14,28 Negativa Alterações na dinâmica ecológica da fauna edáfica 14,28 Negativa Redução da biodiversidade 14,28 Negativa Introdução de espécies exóticas 14,28 Negativa Alteração da frequência de caça, pesca e coleta clandestina da fauna 14,28 Negativa Intensificação do efeito de borda 14,28 Negativa Fragmentação de habitats 14,28 Negativa Perda de exemplares da flora 14,28 Negativa Mortandade de peixes em função de desvios, eliminação e assoreamento de cursos d’água 14,28 Negativa Meio Afetado/ Impacto Frequência Relativa (%) Natureza Criação de sítios artificiais para abrigo e/ou reprodução de insetos vetores de doenças 14,28 Negativa SOCIOECONÔMICO Incremento no nível de emprego e renda 100 Positiva Aumento da arrecadação de impostos 85,71 Positiva Incremento de fluxo migratório 57,14 Negativa Destruição, parcial ou total, do patrimônio Arqueológico 57,14 Negativa Aumento da demanda por serviços públicos 57,14 Negativa Aumento da demanda por bens e serviços 57,14 Positiva Alteração do cotidiano comunitário 42,85 Negativa Incremento na circulação de veículos e aumento de probabilidade de acidente 42,85 Negativa Intranquilidade e insegurança da população 42,85 Negativa Geração de expectativas 28,57 Negativa/Positiva Especulação imobiliária 28,57 Negativa Dinamização da economia 28,57 Positiva Ataque por animais peçonhentos 28,57 Negativa Pressão Habitacional 14,28 Negativa Meio Afetado/ Impacto Frequência Relativa (%) Natureza Aumento da ocorrência de infecções por doenças tropicais 14,28 Negativa Impactos na alteração do modo de vida da população e das formas de apropriação e do uso da terra 14,28 Negativa Conflitos de convivência entre população local e migrantes 14,28 Negativa Comprometimento das condições de acessibilidade na zona rural 14,28 Negativa As principais atividades que geram a alteração da qualidade do ar na fase de implantação foram provenientes de equipamentos e veículos usados durante a supressão vegetal, o decapeamento, as atividades de transporte e as obras civis, e da movimentação de máquinas movidas à combustão (EIA MOPI, 2012). Estas ações implicam em lançamento de material particulado na atmosfera. A poluição por poeira é a principal contribuição da mineração para a poluição do ar (SILVA, 2001). A partir da mineração a poluição por gases não é muito relevante, se limitando, em geral, à emissão dos motores dos veículos e das máquinas utilizadas no beneficiamento do minério e durante a lavra (SILVA, 2001). Como formas de controle da poluição pode-se citar a aspersão de água nas estradas de circulação de veículos, nas frentes de lavra (EIA ILHEUS MINERADORA, 2012). Além de implantar o Plano de Meteorologia e Monitoramento da Qualidade do Ar que no decorrer da fase de implantação irá acompanhar as mudanças da qualidade do ar (RIMA ARIPUANÃ, 2017), podendo gerar dados utilizados para efetivar medidas corretivas. A disposição indevida de resíduos sólidos altera as propriedades do solo, causam sua contaminação e dos recursos hídricos (EIA MOPI, 2012). As atividades desenvolvidas nos alojamentos e nos canteiros de obras geram resíduos comerciais e industriais, devendo ser manipulados de acordo com critérios que conduzam à minimização de alterações na qualidade do meio ambiente e do risco à saúde pública, desde sua coleta até a disposição final (EIA MOPI, 2012). Durante a implantação ocorre a alteração da estrutura do solo devido principalmente a sua movimentação para depósitos e áreas de aterro ocasionando sua maior exposição a intempéries, além da compactação, contribuindo com a indução e o aceleramento de processoserosivos em todas as áreas afetadas (RIMA ARIPUANÃ, 2017). Além disso, a ausência de cobertura vegetal pode ocasionar a erosão e gerar a diminuição da infiltração no solo, reduzindo a taxa de infiltração da água, acarretando no carreamento dos sedimentos e assoreamento dos rios (EIA ILHEUS MINERADORA, 2012). Como medida de mitigação, pode-se executar o Plano de Recuperação de Áreas degradadas (PRAD), destinado à recuperação das áreas expostas às intempéries climáticas, utilizando-se geralmente a revegetação através do plantio de mudas, e Programa de Controle e Monitoramento de Processos Erosivos, cujas ações incluem implantar dispositivos de drenagem no interior da unidade e no entorno e nas vias de acesso ao empreendimento, visando ao direcionamento adequado das águas de chuva, e assim, obtendo- se o controle do carreamento de sedimentos e a minimização de ocorrência de processos erosivos e da poluição e assoreamento de rios (RIMA ARIPUANÃ, 2017). Cabe ressaltar que as ações que visam disciplinar o escoamento de águas da chuva com canaletas podem estar acompanhadas da construção de diques de contenção de sedimentos. O impacto mais evidente e característico da atividade de mineração é a alteração do relevo e, consequentemente, da paisagem resultante do contraste que as áreas mineradas geralmente fazem com a paisagem local (BOLZAN, 2001 apud PENNO, 2010). Este impacto está relacionado com a retirada da vegetação, ao volume de escavação do material e a visibilidade em razão da localização do empreendimento (MECHI; SANCHEZ 2012 apud PENNO, 2010). As barreiras arbóreas podem ser utilizadas para ocultar a região afetada pelo empreendimento, reduzindo a agressividade da paisagem e, ainda, diminuindo a poeira e ruídos, sendo uma medida para mitigar vários impactos (PENNO, 2010). A qualidade das águas dos reservatórios e dos rios pode ser afetada em decorrência da turbidez causada pela poluição de substâncias lixiviadas e carreadas ou presentes nos efluentes das áreas de mineração, como graxa, óleos e metais pesados além de sedimentos finos em suspensão, podendo alcançar as águas subterrâneas (MECHI; SANCHEZ, 2010). Através do beneficiamento e uso da água na lavra no desmonte hidráulico, os aquíferos e o regime hidrológico dos cursos d’água sofrem alterações, além de ocorrer o rebaixamento do lençol freático (MECHI; SANCHEZ, 2010). Como medidas podem ser adotadas o Programa de Gestão das Águas Superficiais e Subterrâneas e o Programa de Monitoramento da Dinâmica Hídrica Subterrânea, cujas ações consistem em monitorar a qualidade da água e identificar o padrão de oscilação natural da dinâmica hídrica subterrânea e as relações com as águas superficiais, acompanhar essas oscilações em decorrência das variações naturais, além de gerar subsídios para a adoção e identificação de medidas para a minimização de impactos, como, por exemplo, a restituição de água para cursos de água e nascentes (RIMA ARIPUAÑA, 2017). Ressalta-se que o monitoramento por si só não se trata de uma medida mitigadora, ele só é válido quando acompanhado de medidas corretivas, caso chegue à conclusão de que os padrões ambientais observados não estão de acordo com o desejável. A alteração nos níveis de pressão sonora é causada pela introdução de novos ruídos no ambiente, repercutindo sobre o ambiente silvestre e antrópico receptor (EIA MOPI 2012). Durante a fase de implantação, as fontes geradoras do impacto de alteração dos níveis de pressão sonora consistem em atividades de instalação das estruturas do canteiro de obras; eventuais demolições de estruturas existentes; supressão vegetal; deslocamento rodoviário de pessoas e equipamentos; operações nas áreas de disposição de material excedente; e terraplenagem (EIA MOPI, 2012). O controle destas fontes é feito através da manutenção e regulagem dos motores dos equipamentos e aproveitamento dos obstáculos naturais ou então criação de barreiras artificiais para reduzir a propagação dos ruídos (SILVA, 2007). Os trabalhadores devem adotar meios de proteção à saúde, com utilização de Equipamentos de Proteção Coletiva (EPC’s) e/ou Equipamentos de Proteção Individual (EPI’s) (RIMA ARIPUANÃ, 2017). A mineração é uma atividade exploratória de recursos naturais, com isso o aumento de pessoas no ambiente natural favorece o aumento da pressão sobre os recursos naturais, ocorrendo diversos impactos sobre o meio biológico (RIMA BELO SUN, 2012). Como medida deve-se implantar a Educação Ambiental, cujo objetivo é a conscientização do público-alvo sobre os diversos aspectos do meio ambiente e a importância da preservação dos recursos naturais, inclusive a fauna e flora, por meio da abordagem de valores que sensibilizem para estas questões (RIMA BELO SUN, 2012). Dentre os impactos mais significativos está o afugentamento e perturbações da fauna em decorrência de um conjunto de atividades: movimentação de máquinas, veículos, equipamentos, circulação de pessoas, supressão da vegetação, desmonte com uso de explosivos, retirada e transporte de material estéril (RIMA ARIPUANÃ, 2017; EIA MOPI, 2012), isso acarreta na geração de ruídos e interferências sobre as comunidades da fauna local, causando prejuízos, seja afugentando-as das proximidades, seja causando tensão que venha refletir na capacidade de procriação ou de cuidar de suas crias (DIAS, 2001). Uma das medidas é a não remoção da vegetação em períodos de procriação de animais (PENNO, 2010) e ações dos Programas de Acompanhamento da Supressão Vegetal e Eventual Resgate da Fauna que consistirá em ações diretas voltadas à captura, coleta, transporte e destinação de animais que apresentem dificuldades naturais locomotivas ou estejam debilitados, oriundos direta ou indiretamente da área impactada para um ambiente de recuperação ou refúgio natural (CTA, 2018). A cobertura vegetal na área de implantação é diretamente afetada pela ação de limpeza do terreno (PENNO, 2010). A supressão da vegetação resulta diretamente em prejuízo a biodiversidade local e à porcentagem de cobertura vegetal da região (SUDEMA, 2010), que implica na fragmentação e perda de habitats, gerando diversos efeitos sobre a fauna silvestre (PENNO, 2010). Remover a vegetação apenas no local do decapeamento, recompor a vegetação das áreas degradadas com espécies nativas para ampliar a conectividade entre os fragmentos de habitats naturais são formas de mitigar estes impactos (PENNO, 2010; EIA MOPI, 2012). Por vezes, o reflorestamento de áreas degradadas por ações antrópicas não relacionadas ao empreendimento é considerado como uma medida compensatória válida. Cabe ainda ressaltar que todos os empreendimentos licenciados com a confecção de EIA/RIMA devem pagar uma quantia destinada a unidades de conservação do grupo de proteção integral como compensação ambiental (TCU, 2007). O incremento na circulação de veículos nas estradas que dão acesso ao empreendimento, além de gerar incômodos através dos ruídos, como já mencionado, é responsável pelo aumento da ocorrência de acidentes, com atropelamentos de pessoas e animais e colisões entre veículos (RIMA BELO SUN, 2012). Pra mitigar esse impacto, Campos e Fernandes (2007) recomendam orientar os motoristas no tráfego de caminhões em baixa velocidade bem como, efetuar reparo no pavimento da estrada de acesso ao empreendimento, proceder a sinalização viária quando couber e afixar placas individuais alertando os trabalhadores e a população sobre os riscos de acidentes com máquinas. Para reduzir o atropelamento de animais e aumentar o fluxo gênico, podem ser construídas nas estradas passagens de fauna subterrâneas ou aéreas, como pontes (ROUSSOULIÉRES, 2014). A implantação de um empreendimento causa mudanças no espaço territorial e social na região de sua inserção, sendo uma delas, um afluxo populacional em busca de novas oportunidades de trabalho (RIMA ARIPUAÑA, 2017). No entanto, a atração de um grande número de pessoas poderá resultar na permanência de pessoas com poucas oportunidades de emprego naquele local (RIMA BELO SUN, 2012; RIMA ARIPUANÃ,causar. São importantes para identificar as fontes de impacto e os componentes ambientais que podem ser alterados pelas atividades (SANCHEZ, 2008). Após o levantamento dessas informações, é possível prever os impactos ambientais, utilizando as ferramentas ou metodologias de avaliação de impactos, entre as quais estão as listas de verificação, as matrizes, as metodologias espontâneas, a superposição de mapas e as redes ou diagramas de interações (SANCHEZ, 2008; ALMEIDA et al., 2017). Posteriormente, os impactos ambientais podem ainda ser classificados indicando, por exemplo, a sua magnitude e importância, constatando-se quais impactos são mais relevantes e devem ser controlados com maior rigor. A classificação das alterações ambientais quanto à sua natureza é essencial dentro do processo de avaliação de impactos ambientais, sendo apontadas como negativas (constituem-se em alterações ambientais adversas/ prejudiciais, associadas à degradação ambiental e/ou a um dano na qualidade de um parâmetro ambiental), positivas (indicam a melhoria das condições ambientais e/ou da qualidade de parâmetros ambientais) ou negativas e positivas (RIO DE JANEIRO, 1997). Nos próximos capítulos desse livro podem ser encontradas listas de impactos ambientais provocados por diferentes empreendimentos. Tais listas podem servir de base para a previsão de alterações ambientais ocasionadas em futuros empreendimentos similares, sendo essa ferramenta da avaliação de impactos denominada de check-list, lista de verificação ou metodologia de listagem (SANCHEZ, 2008; ALMEIDA et al., 2017). Outra ferramenta de avaliação de impactos ambientais bastante útil é a rede de interações, que é semelhante a um fluxograma, onde os impactos são listados na sequência em que ocorrem (ALMEIDA et al., 2017). Isso possibilita a diferenciação de impactos diretos (ocasionados diretamente pelo aspecto ambiental) e indiretos (gerados a partir de uma sequência de alterações ambientais) e a constatação de impactos cumulativos (RIO DE JANEIRO, 1997). Também facilita a previsão de impactos ambientais de ordens elevadas (impactos derivados de uma longa sequência de outras alterações ambientais), que seriam difíceis de prever com outras ferramentas de avaliação de impactos ambientais. Abaixo, como exemplo, pode-se observar uma rede de interações simplificada com alguns dos impactos ambientais que podem surgir a partir da supressão da vegetação nativa (Figura 1). A previsão das alterações ambientais também é frequentemente realizada com a matriz de interações, com a qual é possível avaliar a interação dos componentes e condições ambientais com as atividades necessárias para o empreendimento estudado, e tal avaliação pode ser realizada nas diferentes fases do empreendimento (SANCHEZ, 2008; ALMEIDA et al., 2017; Quadro 1). Pode-se encontrar a clássica matriz de interações de Leopold e variadas outras formulações preparadas por diversos autores em função do objeto de estudo (ALMEIDA et al., 2014; NOGUEIRA, 2016). A previsão dos impactos ambientais com a matriz de interações pode ser realizada de forma minuciosa ao aumentar, por exemplo, o grau de detalhamento dos componentes ambientais analisados. No exemplo (Quadro 1), foi avaliado o efeito das fontes geradoras de impactos sobre a biodiversidade em geral, mas o avaliador pode inserir na matriz diferentes grupos taxonômicos e avaliar os impactos sobre cada um deles. Além disso, é interessante indicar a interação da fonte geradora de impacto com os componentes do meio ambiente não somente considerando impactos diretos, mas também os indiretos, como no caso da construção de estradas e a vazão do rio, pois a construção pode ocasionar o impacto direto aumento da erosão do solo, posteriormente as partículas do solo podem ser carreadas pela água da chuva e pelo vento para o rio, ocasionando o assoreamento e afetando a vazão. Figura 1. Rede de interações simplificada com os impactos ambientais provocados a partir da supressão da vegetação nativa. Quadro 1. Matriz de interações simplificada, relacionando fontes de impactos ambientais com componentes e condições ambientais. Componentes e condições ambientais Fontes geradoras de impactos ambientais Terraplenagem Construção de estradas Supressão de vegetação Contratação de mão de obra Transporte de material Implantação do canteiro de obras Divulgação do empreendimento Paisagem x x x x Biodiversidade x x x x x Erosão do solo x x x x Fertilidade do solo x x x x Profundidade do solo x x x x Densidade do solo x x x x Vazão do rio x x x x Qualidade da água x x x x Disponibilidade de emprego x x x x x x x Renda dos trabalhadores x x x x x x x Saúde dos x x x x x x x cidadãos Dentro dos objetivos da AIA está munir o órgão ambiental e toda a sociedade com informações úteis para a tomada de decisões e, como mencionado anteriormente, desenvolver estratégias para que as alterações ambientais negativas previstas tenham a menor magnitude possível (CUNHA; GUERRA, 2007; SANCHEZ, 2008; ALMEIDA et al., 2017). Assim, é importante que os impactos ambientais dos diferentes empreendimentos, principalmente os de grande porte, sejam corretamente previstos e entendidos para que as medidas mitigadoras utilizadas sejam eficientes e evitem a degradação do meio ambiente. Logicamente, os empreendimentos também proporcionam impactos positivos, que devem ser estudados visando ampliar a sua magnitude. Referências ALMEIDA, F.S.A.; GARRIDO, F.S.R.; ALMEIDA, A.A. Avaliação de impactos ambientais: uma introdução ao tema com ênfase na atuação do gestor ambiental. Diversidade e Gestão, v.1, n.1, p.70-87, 2017. ALMEIDA, S.R.; SANTOS, V.M.L.; TORES, P.B. Avaliação de impactos ambientais do processo de produção de etanol utilizando método derivado na Matriz de Leopold. Revista do Centro do Ciências Naturais e Exatas, v.18, .4, p.1443-1459, 2014. BACCI, D.L.C.; LANDIM, P.M.B.; ESTON, S.M. Aspectos e impactos ambientais de pedreira em área urbana. Rem: Revista Escola de Minas, v.59, n.1, p.47-54, 2006. 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Assim pode-se implantar o Programa de Apoio ao Migrante que consiste no desenvolvimento de ações de orientação ao migrante, com o monitoramento do afluxo populacional e da implantação de serviços de atendimento direto, essas ações ajudarão aos municípios a terem medidas voltadas ao ordenamento territorial, além de auxiliar na oferta de serviços importantes para a população (RIMA ARIPUANÃ, 2017). A implantação de um projeto minerário afeta o cotidiano e a vida da população, contribuindo desta forma para criar um clima de intranquilidade e insegurança na população local (EIA MOPI, 2012). As principais preocupações por parte das populações locais e instituições estão relacionadas à perda da qualidade da vida dos ambientes natural e cultural do município ou, até mesmo, que ocorra a eliminação de áreas importantes do ponto de vista cultural e de lazer (EIA MOPI, 2012). Além disso, provoca incertezas na população quanto às alterações negativas que a atividade causará no seu cotidiano, como sua situação de moradia e trabalho (SUDEMA, 2012). Proporcionar o diálogo e repassar informações sobre as principais ações e fases do empreendimento, formando um adequado fluxo entre o empreendedor e as comunidades ao redor, realização de encontros com a população, esclarecendo dúvidas e divulgando as etapas das obras e os cronogramas, reduzindo consequentemente eventuais situações de conflito são medidas para mitigar estes impactos (SUDEMA, 2012). Na fase de implantação, o aumento do fluxo migratório e consequentemente um maior incremento populacional causam pressão sobre a infraestrutura básica (coleta e tratamento de esgotos, abastecimento de água, infraestrutura viária, coleta de resíduos sólidos) bem como sobre equipamentos e serviços sociais, como os de esporte e lazer, saúde, educação, segurança, transporte e habitação (EIA MOPI, 2012; BELO SUN, 2012). Isto se deve ao aumento da demanda que aumenta rapidamente e o município que receberá o empreendimento precisa de tempo para adequar a estrutura existente às novas necessidades, fato que os impostos gerados pelo empreendimento demoram o tempo devido para chegar à municipalidade (SUDEMA, 2010). O controle deste impacto se dá com a implantação do Programa de Acompanhamento da Migração, que conta com a abordagem dos recém- chegados para desestimular sua permanência, caso não agreguem ao mercado de trabalho da área e ações de comunicação nas áreas de influência e nos locais de origem dos migrantes (SUDEMA, 2010). A mineração traz benefícios do ponto de vista do desenvolvimento econômico da região, tais como o crescimento da arrecadação de tributos e a geração de empregos diretos e indiretos que se reverte em serviços à população, possibilitando que se dê continuidade a obras e projetos que visem melhorar as condições de vida, proporcionando bem estar à população em geral (CAMPOS; FERNANDES, 2007; EIA ILHEUS MINERADORA, 2012). Sánchez (1999) apud Dias (2001) ressalta que é de suma importância implantar medidas de valorização dos impactos positivos para que estes se concretizem em benefício para a região onde o empreendimento será implantado, ou seja, da comunidade que irá arcar com os impactos negativos. A vinda de trabalhadores contratados direta e indiretamente pelo empreendimento, junto com a eventual vinda de população migrante atraída pelas obras, implica num aumento da demanda por bens e serviços nas cidades aonde essas pessoas irão encaminhar-se (EIA MOPI, 2012). Esse aumento da demanda por bens e serviços irá promover a criação de negócios e de empregos indiretos, com consequente dinamização da economia local e aumento das receitas públicas devido à maior frequência com que se utilizam principalmente as pousadas, restaurante, lanchonetes, supermercados e postos de abastecimento (EIA MOPI, 2012). Os fatores que geram a destruição parcial ou total do patrimônio arqueológico correspondem essencialmente aos que interferem no solo, como a limpeza, terraplanagem do terreno e escavações, que poderão afetar principalmente os sítios arqueológicos não manifestos (EIA MOPI, 2012). As ações para mitigar este impacto incluem executar Programas de Prospecção e de Resgate Arqueológicos e desenvolver um Programa de Educação Patrimonial diversificado e participativo tendo em vista o reconhecimento do patrimônio arqueológico pelos operários do canteiro de obras (SUDEMA, 2012). Fase de operação Nessa fase foram identificados um total de 42 impactos, divididos entre os meios físico, biótico e socioeconômico (Quadro 3). A maioria dos impactos que foram previstos para essa fase é semelhante aos da fase de implan¬tação, sendo alguns de menor magnitude e duração, por outro lado alguns terão maior magnitude e serão permanentes, assim como observado por Souza (2017). Quadro 3. Impactos ambientais previstos, sua frequência relativa e natureza na fase de operação de atividades de mineração no Brasil. Meio Afetado/ Impacto Frequência Relativa (%) Natureza FÍSICO Alteração da qualidade do ar 100 Negativa Alteração da qualidade das águas superficiais e subterrâneas 100 Negativa Alteração dos níveis de pressão sonora 100 Negativa Indução e aceleração de processos erosivos 71,42 Negativa Alteração física da paisagem e do relevo 71,42 Negativa Meio Afetado/ Impacto Frequência Relativa (%) Natureza Assoreamento de Cursos D’água 42,85 Negativa Vibração 42,85 Negativa Alteração das propriedades do solo e subsolo (Físico-Químico) 28,57 Negativa Alteração da dinâmica hídrica superficial e redução da disponibilidade do recurso hídrico 28,57 Negativa Alteração da qualidade do solo 28,57 Negativa Geração de Resíduos Sólidos 14,28 Negativa Alteração na dinâmica erosiva 14,28 Negativa BIÓTICO Perda de habitats 71,42 Negativa Afugentamento e perturbações da fauna 71,42 Negativa Aumento dos casos de atropelamento de fauna 42,85 Negativa Aumento da pressão sobre recursos naturais 28,57 Negativa Alterações populacionais de espécies vetores 28,57 Negativa Alterações na dinâmica ecológica da comunidade aquática e fauna associada 28,57 Negativa Fragmentação de habitats 28,57 Negativa Intensificação do efeito de borda 28,57 Negativa Alterações na dinâmica ecológica da fauna edáfica fauna 14,28 Negativa Redução da biodiversidade 14,28 Negativa Meio Afetado/ Impacto Frequência Relativa (%) Natureza Mortandade de peixes em função de desvios, eliminação e assoreamento de cursos d’água 14,28 Negativa Criação de sítios artificiais para abrigo e/ou reprodução de insetos vetores de doenças 14,28 Negativa Introdução de espécies exóticas 14,28 Negativa SOCIOECONÔMICO Incremento no nível de emprego e renda 100% Positiva Aumento da arrecadação de impostos 100% Positiva Aumento da demanda por bens e serviços 57,14% Positiva Aumento da demanda por serviços públicos 42,85% Negativa Aumento de acidentes e riscos a saúde 42,85% Negativa Incremento de fluxo migratório 28,57% Negativa Diversificação das bases econômicas locais 28,57% Positiva Perda de prováveis sítios arqueológicos 28,57% Negativa Dinamização da economia 28,57% Positiva Alteração do cotidiano comunitário 28,57% Negativa Aumento da ocorrência de infecções por doenças tropicais 14,28% Negativa Alteração do perfil de empregos 14,28% Positiva Impacto da alteração cultural nos Municípios da Área de Estudo 14,28% Negativa Intranquilidade e insegurança da população 14,28% Negativa Meio Afetado/ Impacto Frequência Relativa (%) Natureza Conflitos de convivência entre população local e migrantes 14,28% Negativa Comprometimento das condições de acessibilidade na zona rural 14,28% Negativa Ataque por animais peçonhentos 14,28% Negativa A atividade mineradora de acordo com Ferreira (2013) tem como objetivo encontrar recursos existentes, transportar até diferentes pontos de descargas o material extraído da jazida através das operações de lavra, pondo esse bem mineral em condições de ser empregado pela indústria por meio das operações de beneficiamento de minérios. Com isso, o planejamentoda lavra e o emprego de equipamentos adequados podem reduzir os impactos durante a operação do empreendimento, porém muitas vezes não possibilitam a recuperação das condições originais da área (FERREIRA, 2013). Assim, a extração do minério e o seu beneficiamento restringem o uso futuro da área, pois alteram expressivamente as suas funções ambientais primitivas, sendo primordial a adoção de medidas de mitigação dos impactos ambientais negativos para assegurar a proteção dos recursos naturais (FERREIRA, 2013). Impactos como alteração da qualidade do ar, alteração da qualidade das águas superficiais e subterrâneas, alteração dos níveis de pressão sonora, aumento da arrecadação de impostos, incremento no nível de emprego e renda foram encontrados em todos os estudos. Na fase de operação, os efeitos de alteração da qualidade do ar são decorrentes dos lançamentos de gases de combustão provenientes dos equipamentos e veículos a diesel, emissão de poeira, relativos ao processo de exploração, transporte e armazenagem do minério e do estéril (EIA MOPI, 2012; RIMA ARIPUANÃ, 2017). Nesta fase deve ser dada uma atenção especial às medidas mitigadoras que representam rotinas operacionais (EIA MOPI, 2012). As inspeções periódicas das emissões de fumaça preta dos veículos a diesel da frota circulante, a manutenção dos veículos, aspersão de água ultrafina pressurizada nas vias de acesso não pavimentadas, pilhas de estéril e áreas da lavra, intensificando nos períodos secos, são medidas capazes de reduzir significativamente as emissões de poluentes atmosféricos (EIA MOPI, 2012). Com relação ao solo, Mechi e Sanchez (2010) ressalta que toda atividade de mineração implica na supressão da cobertura vegetal, junto com a qual, o solo superficial de maior fertilidade também é removido, e os solos remanescentes ficam expostos aos processos erosivos que se intensificam quando a água não é drenada, podendo acarretar em assoreamento dos corpos d’água do entorno, geralmente na cava da mina (local onde o minério é retirado) o solo na maior parte dos casos é completamente removido e boa parte dele passa a ser considerado rejeito a ser lançado na barragem de rejeito. Guerra e Cunha (2000) chamam atenção para a extensão das consequências da erosão dos solos. Nesse caso, eles afirmam que a erosão tem consequências danosas e seus efeitos podem ser percebidos a vários quilômetros afastados de onde o processo erosivo esteja ocorrendo e não apenas onde ela ocorre. Para mitigar esses impactos ao decorrer da atividade de Recuperação de Áreas Degradadas, devem-se realizar tarefas de estabilização dos taludes das áreas de lavra, pilhas de estéril e rejeito, adequação e consolidação do sistema de drenagem através de dispositivos à medida que as frentes de lavra e pilha evoluem, construção de pequenas bacias ou paliçadas no qual evitará o escoamento em velocidade no interior da erosão e implantação do Programa de Controle e Monitoramento de Processos Erosivos, cujas ações são inspeções visuais nas áreas de interferência para detecção e execução de medidas corretivas com vistas a evitar a formação e desenvolvimento de processos erosivos e movimentos de massa (EIA MOPI, 2012). A transformação da paisagem é outro aspecto gerado pela mineração que continua na fase de operação, o impacto continua dependendo do volume de escavação, da visibilidade em decorrência de sua localização e também da quantidade de minério e rejeito produzido (MECHI; SANCHEZ, 2010). Na maioria dos casos, as modificações na paisagem local, provenientes da extração mineral, podem ser consideradas negativas ainda que a maior parte da população permaneça alheia aos danos ambientais (PEREIRA, 2012; MECHI; SANCHEZ, 2010). Para mitigar este impacto Reis et al. (2005) e Campos e Fernandes (2007) sugerem a implantação de barreiras arbóreas com vegetação típica da região, de modo a servir como anteparo visual, essa ação não somente diminui o efeito agressivo da mudança paisagística, como também protege o meio ambiente dos ruídos e das substâncias particuladas no ar. Embora o efeito da barreira de árvores na redução da propagação das ondas sonoras seja diminuto, principalmente no caso da vegetação da barreira não ser densa. Quanto aos impactos relativos aos ruídos e vibrações, existem várias fontes produtoras, entre elas, os tratores e outras máquinas de terraplenagem (PENNO, 2010). O desmonte de minério consolidado (maciços terrosos muito compactados e rochosos) é feito através de explosivos que acabam afetando a tranquilidade pública (SILVA, 2007). Campos e Fernandes (2007) sugerem como medida de controle, a instalação de barreira acústica por meio de cinturão vegetal caso o empreendimento se encontre localizado perto de edificações e ter um controle das detonações. Para a poluição sonora resultante do transporte do material retirado através dos caminhões, sugerem a adoção de acessórios que reduzam o ruído no escapamento dos veículos (EIA MOPI, 2012). Durante a operação o horário de trabalho deve ser restrito ao horário comercial e os funcionários deverão estar equipados com EPIs na forma de protetores auriculares (PENNO, 2010). Além disso, comunicar as atividades à população vizinha e esclarecer dúvidas podem amenizar os efeitos negativos decorrentes dos ruídos e vibrações sobre a população. Durante as operações são gerados efluentes líquidos e oleosos, resíduos sólidos, além de sedimentos que têm potencial para alterar a qualidade das águas superficiais e subterrâneas e causar contaminação do solo, caso medidas de controle não sejam adotadas (RIMA ARIPUANÃ, 2017). Os recursos hídricos podem ser atingidos pela lixiviação e instabilização das pilhas de material estéril proveniente das operações de lavra e pelo rompimento das bacias de rejeitos (MACHADO, 2002 apud PENNO, 2010), além disso, a maior causa da poluição das águas no Brasil por mineração é provocada por lama. O controle da lama é feito através de barragens para contenção e sedimentação destas lamas e deve-se implantar o Programa de Gestão das Águas Superficiais e Subterrâneas no qual deverão ocorrer monitoramentos qualitativos das águas durante a operação do empreendimento que deverão ser mantidas em frequência adequada para caracterizar os ciclos hidrológicos (períodos de seca e de chuva), essas medidas devem ser tomadas para assegurar que os padrões legais de lançamento de efluentes e de qualidade das águas superficiais sejam mantidos (RIMA ARIPUANÃ, 2017; CHAVES NETO, 2013). A geração de resíduos sólidos é um típico aspecto ambiental (mecanismo que gera o impacto) e não impacto ambiental (alteração do meio ambiente), sendo classificado erroneamente como impacto no estudo ambiental. É comum encontrar aspectos ambientais citados em EIAs e RIMAs como sendo impactos. Os principais impactos ambientais sobre o meio biótico são decorrentes da supressão vegetal, e em menor proporção, mas não menos importante, é resultante da intensificação das atividades nas áreas do empreendimento e da presença do homem como, por exemplo, a geração de efluentes líquidos, ruídos, poluição atmosférica e a alteração da paisagem ocasionando impedimento de fluxos ecológicos (EIA MOPI, 2012), Desse modo, muitos impactos sobre o meio biótico são derivados de alterações iniciais no meio físico, sendo impactos indiretos. Nesta fase a movimentação de equipamentos, máquinas, veículos e pessoas na área de influência do empreendimento permanecerá intensificando a geração de ruídos, bem como as atividades de desmonte mecânico, perfuração e desmonte com uso de explosivos podendo provocar estresse nas comunidades da fauna local, que poderá ser afugentada para áreas vizinhas (EIA MOPI, 2012; RIMA ARIPUANÃ, 2017). Em função do constante trânsito de caminhões e máquinas, além do processo de escape da fauna é esperado que aumente o número de atropelamentos de animais nas vias que margeiam as áreas em obras e as nas áreas de entorno que estão preservadas (EIA MOPI, 2012). As espécies podem sofrer perturbações severas ou mesmo morrer se nãoforem manejadas de forma correta ou se forem apreendidas por pessoas não habilitadas, isso acaba acarretando em desequilíbrio nas populações desses animais (SUDEMA, 2012). Impactos derivados da perda de espécies de animais ou da redução das suas populações também podem ocorrer, como a perda ou a redução da frequência de interações ecológicas importantes para a manutenção do equilíbrio dos ecossistemas, assim como para a produção agrícola, como a polinização. Sabe-se que a extinção de espécies chave, como as polinizadoras, pode provocar um processo de extinção em cascata. O Programa de Monitoramento da Fauna Terrestre deve ser realizado com o objetivo de minimizar esses impactos sobre as comunidades biológicas locais, garantindo assim as interações ecológicas e o equilíbrio dos ecossistemas naturais, além de contribuir para a preservação do patrimônio genético das populações de interesse encontradas na área do empreendimento (CTA, 2018). Outra medida é a implantação dos Programas de Educação Ambiental com ações destinadas aos trabalhadores do empreendimento e as moradores da região com ações de segurança e alerta, este programa deve visar à conscientização da população sobre a potencialidade da presença da fauna nas vias de acesso, discussão e definição da conduta ideal para que sejam evitados acidentes, dentre tais ações podem ser mencionadas a instalação de placas sinalizadoras e redutores de velocidade ao longo das vias de acesso (EIA MOPI, 2012). Além disso, a criação de passagens de fauna sob as estradas também é uma opção interessante. As atividades de mineração afetam os ecossistemas principalmente pela alteração ou destruição dos habitats, o que, por sua vez, resulta em danos à fauna (Dias 2001). A fragmentação da paisagem é um dos aspectos mais relevantes dentre as alterações ambientais causadas pelo homem, estando diretamente relacionada à perda de habitats e de espécies vegetais e animais nos ecossistemas naturais (EIA JUNDU, 2009). Nas áreas fragmentadas uma das consequências é o efeito de borda no qual contribuem para alterar os micro-habitats fragmentados, trazendo diversos prejuízos para a comunidade animal e vegetal da área afetada (EIA JUNDU, 2009). Como medidas compensatórias pela destruição de habitats e alteração da população de animais, prevê-se a revegetação de áreas degradadas e implementação/readequação de áreas verdes com a utilização de espécies da flora nativa, preferencialmente com frutíferas, pois espera-se estender o habitat potencial de exemplares da fauna, através da ampliação da conectividade entre os fragmentos e a criação de uma reserva legal com mata de origem nativa correspondente a 20% da propriedade, no entanto, a criação de reserva legal é uma obrigação legal não devendo ser utilizada como medida mitigadora (EIA MOPI, 2012; PENNO, 2010). A criação de corredores ecológicos é uma medida bastante utilizada para reduzir o nível de isolamento e aumentar o fluxo gênico entre populações. No meio socioeconômico a oferta de mão de obra excedente, a contratação de trabalhadores provenientes de outros municípios, causa um aumento nos portes demográficos dos municípios, pressionando dessa forma os equipamentos e serviços públicos de segurança pública, educação, saúde e infraestrutura urbana e de saneamento (BELO SUN, 2012). Para amenizar este impacto é primordial a priorização da contratação da mão de obra local e fornecedores locais (BELO SUN, 2012). Com o avanço das obras na fase de operação os operários ficam expostos a riscos de acidentes de trabalho ou prejuízo à saúde operacional, como acidentes devido o aumento do tráfego de veículos, exposição a constantes ruídos, bem como problemas respiratórios decorrentes de poeiras (SUDEMA, 2012; DIAS, 2001). A criticidade destes impactos pode ser reduzida com o uso correto de EPI’s e EPC’s, sinalização das rodovias onde há o fluxo de veículos decorrentes da mineração, equipar os canteiros de obras com Kit´s de primeiros socorros, manutenção dos veículos e equipamentos para controle da emissão de ruído e uso de máscaras (REIS et al., 2005; SUDEMA, 2012; DIAS, 2001). Na operação os benefícios relativos à arrecadação de impostos continuam ocorrendo, tendo o início do recolhimento da Compensação Financeira sobre a Exploração Mineral (CEFEM), onde os recursos são distribuídos da seguinte forma: 12% para a União, 23% para o Estado de onde for extraída a substância mineral e 65% para o Município produtor (HIJAZI et al., 2015). A operação também resulta no aumento da arrecadação do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) pela comercialização do minério e um aumento da base de tributos municipais, com destaque para o Imposto Sobre Serviço (ISS) (RIMA ARIPUANÃ, 2017; PEREIRA, 2012). A geração de emprego e o aumento da renda permanecem durante esta fase, no entanto, o número de empregos será menor do que na fase de implantação e de perfil de qualificação diferente, mas parte dos empregos da implantação será mantida (EIA MOPI, 2012; RIMA ARIPUANÃ, 2017). Com o objetivo de efetuar na área de influência os benefícios da geração de postos de trabalho, será implementado o programa de Capacitação e Qualificação de Mão de Obra, que consistirá num planejamento para aumento da produção usando mão de obra do município e valorização e incentivo ao profissional (EIA MOPI, 2012; RIMA ARIPUAÑA, 2017; REIS et al., 2005). A demanda por bens e serviços na fase de operação, tende a aumentar devido a permanente presença de trabalhadores do empreendimento, com suas referentes famílias (EIA MOPI, 2012). Dessa maneira, os setores de atividade a sofrerem impactos mais relevantes são os serviços pessoais (salões de beleza), o comércio de mercadorias (calçados e vestuários, produtos alimentícios, material de construção e outros), os serviços de alimentação e alojamento (restaurantes, lanchonetes e hotéis), além da construção civil, um dos primeiros a ser impulsionado (durante a própria fase de instalação, considerando a necessidade de antecipar a construção de imóveis) (EIA MOPI, 2012). Comparação entre os impactos das fases do empreendimento A partir dos EIAs e Rimas analisados, observou-se que o número de impactos ambientais foi expressivamente menor na fase de planejamento do que nas demais etapas. Por outro lado, a fase de implantação foi a que apresentou o maior número de impactos ambientais. Em todas as fases, o número de impactos ambientais negativos foi maior que de positivos, ocorrendo uma diferença expressiva entre ambos nas fases de implantação e operação. Foi previsto que o maior número de alterações ocorreria no meio socioeconômico, com exceção da fase de implantação. Observa-se que a maioria dos impactos de natureza positiva afeta o meio socioeconômico, e os de natureza negativa estão distribuídos nos meios bióticos, físicos e socioeconômicos. Com exceção da fase de planejamento onde não foram previstos impactos sobre o meio físico (Quadro 4). Quadro 4. Número de impactos ambientais por fase do empreendimento, meio afetado e sua natureza, para empreendimentos de mineração no Brasil. Fases do Empreendimento MEIOS Planejamento Implantação Operação Negativa Positiva Negativa Positiva Negativa/ Positiva Negativa Positiva Fases do Empreendimento MEIOS Planejamento Implantação Operação Negativa Positiva Negativa Positiva Negativa/ Positiva Negativa Positiva Biótico 4 - 19 - - 13 - Físico - - 11 - - 12 - Socio econômico 3 6 13 4 1 11 6 Total 7 6 43 4 1 36 6 Na fase de implantação, além de apresentar maior número de alterações ambientais, geralmente os impactos possuem maior magnitude, mas a fase de operação também apresenta inúmeros impactos causadores de relevantes alterações ambientais e de longo prazo (MELO; CARVALHO, 2007). Nos estudos analisados pouco se comenta sobre os possíveis vazamentos de rejeitos e suas consequências danosas onde os efeitos do rompimento de uma barragem alcançam grandes distâncias como é o caso de Mariana – MG em 2015 no qual impactou fortemente a flora, fauna, cidades,os recursos hídricos e principalmente as próprias vidas humanas. Assim, as atividades envolvidas na implantação e operação de projetos de mineração geram elevado número de impactos no meio ambiente, incluindo efeitos sobre a biodiversidade, o meio físico e proporcionando ônus ou benefícios sociais (CHAVES NETO, 2013; SANTOS, 2004). Com isso é primordial realizar a correta identificação e classificação dos impactos que ocorrem por meio dos empreendimentos para maximizar os impactos positivos e mitigar os negativos (ALVIM, 2017). Os impactos ambientais da mineração são em sua elevada maioria negativos, causando alterações adversas no meio ambiente. Para vários destes impactos foram discutidas medidas mitigadoras que, se adequadamente implementadas, reduzem as adversidades causadas por esses empreendimentos. Na fase de planejamento, o número de impactos positivos assemelha-se ao de negativos, contudo, nas fases de implantação e operação o número de impactos negativos é expressivamente superior aos positivos, estando distribuídos entre os meios biótico, físico e socioeconômico. Somente no meio socioeconômico foram encontrados impactos benéficos. Vale destacar que a mineração prevalece sendo uma das atividades que mais geram recursos à economia nacional, contribuindo para o desenvolvimento do país, visto que a mineração está presente constantemente no dia a dia da população. Apesar dos efeitos negativos gerados pela extração mineral, não há como parar a exploração mineral, uma vez que traz benefícios em geral para a sociedade. Contudo, é necessário extraí-los com responsabilidade, tendo um correto monitoramento e implementação das medidas de controle tanto para mitigar, quanto para potencializar ou compensar os impactos, para que assim seja possível explorar os minérios de forma correta, reduzindo a degradação do meio ambiente. Referências ALMEIDA, F.S.; GARRIDO, F.S.R.G.; ALMEIDA, A.A. Avaliação de impactos ambientais: uma introdução ao tema com ênfase na atuação do Gestor Ambiental. Diversidade e Gestão, v. 1, p. 70- 87, 2017. ALVIM, M.M.A. Análise dos impactos ambientais e medidas mitigadoras no planejamento, implantação e operação das rodovias da região Sudeste. Monografia. Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Instituto Três Rios. Rio de Janeiro. 2017. ARAUJO, D.M.; FILHO, N.G.S. Licenciamento ambiental para mineradoras. 2013. Disponível: http://www.atenas.edu.br/Faculdade/arquivos/NucleoIniciacaoCiencia/ REVISTAJURI2013/n2/8%20LICENCIAMENTO%20AMBIENTAL%20PARA%20MINERADORAS. pdf. 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Essas mudanças vêm ocasionando o aumento significativo da geração de empregos, potencializando a livre circulação de mercadorias e o intercâmbio de conhecimento científico e cultural, intensificando também o aumento da exploração de recursos naturais; e o consumo de bens e serviços, pondo em risco o desenvolvimento sustentável (ROMEIRO, 1999). Este cenário, aliado ao grande número de habitantes do planeta, que hoje conta com mais de sete bilhões de pessoas, tem resultado na geração de cerca de 1,4 bilhões de toneladas de resíduos sólidos por ano em todo o mundo, cerca de 1,4 kg por dia per capita (SENADO, 2018). O nível de consumo de recursos pela sociedade atingiu, já no ano de 2008, um nível 30% superior ao que o planeta consegue repor (QUEIROZ, 2015). Perante isto, ressalta-se que a gestão e a disposição inadequada de resíduos sólidos, podem ocasionar impactos ambientais negativos, como a contaminação de cursos d’água, a degradação do solo, a poluição do ar, a intensificação de enchentes e a proliferação de animais que transmitem doenças (JACOBI; BESEN, 2010). Governos, empresários e a população em geral, têm percebido que a ausência de controle sobre os processos geradores de alterações ambientais, ocasionam prejuízos locais, regionais e globais (SANCHEZ, 2008; ROUSSOULIÉRES et al., 2013), tornando-se necessário o desenvolvimento de políticas públicas para minimizar os problemas decorrentes dos resíduos gerados pelas diferentes atividades humanas. Tais resíduos são classificados no Brasil como: “Resíduo domiciliar: resíduos provenientes das residências, contendo principalmente restos de alimentos, produtos deteriorados, embalagens em geral, retalhos, jornais e revistas, papel higiênico, fraldas descartáveis e outros Resíduo comercial: os quais são originados nos diversos estabelecimentos comerciais e de serviços, tais como supermercados, bancos, lojas, bares e restaurantes Resíduo público: são aqueles originados nos serviços de limpeza urbana, como restos de poda e produtosda varrição das áreas públicas, limpeza de praias e galerias pluviais e resíduos das feiras livres. Resíduos Perigosos: são resíduos originados do serviços de saúde, provenientes de hospitais, clínicas médicas, odontológicas, laboratórios e farmácias, além de tintas, solventes, aerossóis, produtos de limpeza, lâmpadas fluorescentes, medicamentos vencidos e pilhas. São potencialmente perigosos, pois pode conter materiais contaminados com agentes biológicos, produtos químicos e quimioterápicos, agulhas, seringas, lâminas, ampolas de vidro, brocas etc... Resíduo industrial: são os resíduos resultantes dos processos industriais, os quais variam de acordo com o ramo de atividade da indústria. Resíduos agrícolas: constituído por embalagens de agrotóxicos, rações, adubos, restos de colheita e dejetos da criação de animais, por exemplo. Entulhos: restos da construção civil, reformas, demolições e solos de escavações” (MMA, 2018). No ano de 2010 foram gerados aproximadamente 183 mil toneladas de resíduos sólidos no Brasil, e cerca da metade dos municípios brasileiros (50,8%) destinava seus resíduos para lixões, 27,7% dos municípios depositavam em aterros sanitários e os aterros controlados eram o destino de 22,5% dos resíduos dos municípios (IBGE, 2010 apud FIGUEREDO, 2016). No ano de 2014, mais de 50% dos municípios do Estado do Rio de Janeiro já destinavam seu lixo em aterros sanitários, mas uma expressiva porcentagem de municípios ainda destinava para aterros controlados e vazadouros (DUARTE, 2014). O cenário atual do descarte de resíduos sólidos no Brasil demanda um aumento no numero de áreas para locação adequada, pois os locais popularmente conhecidos como lixões são fonte de inúmeros problemas ambientais (ONU, 2014; FIGUEREDO, 2016). Estes são caracterizados como vazadouros a céu aberto sem grande preocupação ambiental, aonde os resíduos são despejados de forma desordenada, com pouco controle de seus impactos ambientais, permitindo muitas vezes livre acesso a população e animais domesticados (MMA, 2018). Também existem os aterros controlados, geralmente de acesso restrito e aonde os resíduos são depositados e compactados em camadas de areia e argila, por exemplo (MMA, 2018; LANZA; CARVALHO, 2006). Por outro lado, os aterros sanitários são áreas marcadas por grandes obras de engenharia, projetadas sob critérios técnicos e visam garantir a disposição dos resíduos sólidos de forma correta, causando em teoria danos menores à saúde pública e ao meio ambiente, por meio não apenas da compactação do resíduo, mas também da captação do chorume e do gás metano (LANZA; CARVALHO, 2006; MMA, 2018). Como resultado deste cenário, observou-se a necessidade de instituir a responsabilidade compartilhada dos geradores de resíduos, incluindo tanto as empresas quanto os consumidores, prevendo práticas de consumo sustentável, aumento da reutilização e reciclagem dos materiais e a sua destinação correta (JACOB, 2011). Esse processo culminou na Lei Federal 12.305 de 2010, a qual foi denominada de Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que menciona em seu Art. 4o que a PNRS reúne “o conjunto de princípios, objetivos, instrumentos, diretrizes, metas e ações adotados pelo Governo Federal, isoladamente ou em regime de cooperação com Estados, Distrito Federal, Municípios ou particulares, com vistas à gestão integrada e ao gerenciamento ambientalmente adequado dos resíduos sólidos” (BRASIL, 2010). Buscando solucionar a problemática do descarte inadequado dos resíduos sólidos urbanos, a PNRS determinou que os mesmos devem ser destinados aos aterros sanitários, tendo inicialmente o prazo para o fim dos lixões sendo fixado para julho de 2014, o qual foi prorrogado por meio do Projeto de Lei 2289/2015 para o dia 31 de julho de 2018 em regiões de capitais e metropolitanas, 31 de julho de 2019 em cidades de até 100.00 habitantes, dia 31 de julho de 2020 para as cidades que possuem entre 50 e 100.00 habitantes e até 31 de julho de 2021 para as que possuem menos de 100.000 habitantes (SENADO, 2015). Assim, o número de aterros sanitários vem aumentando no Brasil, e apesar de ser a forma mais adequada de disposição final dos RSU, estes ainda são considerados como empreendimentos que podem causar significativos impactos ambientais, se forem mal planejados e/ou administrados, e por isso são licenciados geralmente por meio do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e do Relatório de Impacto Ambiental (RIMA), regidos a nível federal, principalmente pela Resolução CONAMA No 01 de 1986 (CONAMA, 1986; ALMEIDA et al., 2017; MMA, 2018). Cabe ressaltar que a Região Sudeste apresenta a maior parcela da população brasileira e se encontra predominantemente urbanizada e industrializada (IBGE, 2018), acarretando em elevada produção de resíduos sólidos. Assim, essa é a região do país com maior investimento em limpeza de resíduos sólidos urbanos (RSU), sendo gerados 107.375 toneladas/dia em 2015 (ABRELPE, 2015). Desse modo, é especialmente importante o aumento do número de aterros sanitários nessa região. Desta maneira, com o intuito de contribuir para a identificação e análise das principais alterações ambientais previstas a partir do licenciamento de aterros sanitários, o presente trabalho realizou o levantamento dos principais impactos listados em EIAs e RIMAs confeccionados para empreendimentos na Região Sudeste, a mais populosa do Brasil. A região Sudeste é marcada, a várias décadas, como sendo expressivamente industrializada e com a maior parte da população habitando grandes centros urbanos, especialmente nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro (BRITO, 2001). Atualmente residem no Estado de São Paulo, aproximadamente, 46 milhões de habitantes, 16 milhões residem no Rio de Ja¬neiro, 21 milhões em Minas Gerais e 4 milhões no Espírito Santo, o que corresponde a aproximadamente 41% da população brasileira, desse modo, apresentando elevada densidade populacional (IBGE, 2018). Em 2016, a região sudeste se destacava como a maior geradora de resíduos sólidos urbanos no Brasil, sendo responsável por 52,7% das coletas do país, onde 104.790 toneladas foram recolhidas e 72,7% desse total foram destinados a aterros sanitários (ABRELPE, 2016). A metodologia utilizada é semelhante a de Landes (2016), tanto para a realização da coleta de dados, quanto para a sua análise. Assim, os dados foram coletados a partir da análise de três Estudos de Impacto Ambiental e cinco Relatórios de Impacto Ambiental, elaborados para o licenciamento de aterros sanitários no Brasil, dentro da região Sudeste: Espírito Santo: Relatório de Impacto Ambiental – Central de Tratamento e Disposição Adequada de Resíduos Sólidos de São Mateus (RIMA SÃO MATEUS, 2010); Relatório de Impacto Ambiental – Central de Tratamento e Disposição Adequada de Resíduos Sólidos de Colatina (RIMA COLATINA, 2009); Rio de Janeiro: Estudo de Impacto Ambiental – Central de Tratamento e Disposição de Resíduos de Três Rios (EIA TRÊS RIOS, 2015); Estudo de Impacto Ambiental – Ampliação do Aterro Sanitário de São Pedro da Aldeia (EIA SÃO PEDRO, 2015); Estudo de Impacto Ambiental – Central de Tratamento de Resíduos de Barra Mansa (EIA BARRA MANSA, 2017); São Paulo: Relatório de Impacto Ambiental – Ampliação da Central de Tratamento e Valorização Ambiental de Caieiras (RIMA CAIEIRAS, 2016); Relatório de Impacto Ambiental – Ampliação do Aterro Sanitário de Guarulhos (RIMA GUARULHOS, 2016); Relatório de Impacto Ambiental – Aterro Sanitário de São Carlos (RIMA SÃO CARLOS, 2009). A resolução CONAMA N° 01 de 1986, no artigo 6°, indica que o Estudo de Impacto Ambiental terá que apresentar a classificação dos impactos ambientais previstos e a proposição de medidas de mitigação (CONAMA, 1986). Sendo assim, mediante as análises dos estudos e relatórios de impactos ambientais, foram levantadas as alterações ambientais previstas como consequência dos aterros sanitários, as quais foram organizadas por componente do meio ambiente que afetam – físico, biótico ou socioeconômico, além de serem separadospela fase do empreendimento em que ocorrem – planejamento, implantação, operação ou encerramento. Além dessas classificações, os impactos ambientais ainda foram divididos em positivos, negativos ou negativo/positivo. Foram contabilizados 30 impactos ambientais diferentes, dentre os quais 6 foram classificados como positivos, 20 como negativos e 4 receberam classificações tanto positivas quanto negativas. Além disto, estes ficaram subdivididos nos meios físico (11 impactos), biótico (6 impactos) e socioeconômico (13 impactos). Dentre os impactos ambientais mais recorrentes, está a geração de processos erosivos, que são provocados, por exemplo, pelo desmatamento da área, bem como pelas atividades de terraplanagem, abertura de via e implantação de estruturas de drenagens (RIMA São Mateus 2010, EIA Três Rios 2015, RIMA Guarulhos 2016). Sendo assim, os processos erosivos são intensificados com as mudanças do relevo, pois quanto maior o tempo de exposição do solo ou de alteração da área, fragilizando o solo, maior será a ação intempérica causada pelos ventos e chuvas, ou seja, maior será as chances de desagregação de partículas do solo e carreamento das mesmas (CPRM, 2014) . Mediante a isto, o aumento de processos erosivos deve ser monitorado e minimizado por meio de programas propostos nos estudos ambientais, como Programas de Controle de Processos Ero¬sivos, visando a redução das atividades de movimentação de terra, redução da declividade dos aterros e a implementação de um sistema de drenagem e retenção de sedimentos do solo, além da revegetação das áreas em que a vegetação foi suprimida (RIMA CAIEIRAS; 2016, RIMA GUARULHOS, 2016). Cabe ressaltar, que a redução de processos erosivos e a retenção dos sedimentos, também minimizam os efeitos negativos dos aterros sanitários sobre os recursos hídricos, pois reduzem a poluição das águas superficiais e o assoreamento dos rios (HOLANDA et al., 2009). O conhecimento da vazão e das características físicas, químicas e biológicas do percolado (chorume e água de infiltração) são de extrema importância, pois se não controlado devidamente pode ocorrer alterações na qualidade das águas superficiais e subterrâneas, sendo tal processo diretamente relacionado com as condições climatológicas e geográficas, bem como os tipos de resíduos existentes no aterro (LANZA; CARVALHO, 2006). A NBR 13.896/97, que estabelece critérios para projeto, implantação e operação de aterros de resíduos não perigosos, indica que a rede de drenagem deverá “ser construída por materiais de propriedades químicas compatíveis com o resíduo, com suficiente espessura e resistência, de modo a evitar rupturas devido a pressões hidrostáticas e hidrogeológicas ou contato físico com o líquido percolado ou resíduo” (NBR, 1997). Para isto, a implantação de Programas de Monitoramento Geotécnico, que contribuirá para o entendimento da dinâmica dos resíduos (RIMA SÃO MATEUS, 2010), e Programas de Monitoramento da Qualidade das Águas, o qual visará o controle das águas superficiais e subterrâneas, observando a efetividade dos sistemas de drenagem e a impermeabilização das áreas (RIMA COLATINA, 2009), são importantes para reduzir alterações na qualidade dos lençóis freáticos. Outro impacto relevante e que merece atenção devido a sua frequência, é a alteração dos níveis de ruídos, o qual se dará pela execução das atividades rotineiras, principalmente aquelas que utilizam veículos e equipamentos, sendo recomendados programas de Monitoramento de Ruídos (EIA SÃO PEDRO, 2015; EIA TRÊS RIOS, 2015) visando à proteção da saúde dos colaboradores e habitantes locais, e a adequação dos padrões fixados pela legislação. Com isso, a norma regulamentadora afirma que “as atividades ou operações que exponham os trabalhadores a níveis de ruído, contínuo ou intermitente, superiores a 115 dB(A), sem proteção adequada, oferecerão risco grave e iminente” (NR, 15). Sendo assim, verificado tal condição, é de extrema importância a utilização de protetores auriculares, além da manutenção periódica e adequada dos veículos e equipamentos, como forma de diminuir os níveis de ruído. Decorrente disto, os ruídos afetam o meio biótico pelo afugentamento da fauna, o qual também ocorre por meio do desmatamento ou atropelamento, nos aterros sanitários e nas áreas diretamente afetadas, em decorrência do aumento do tráfego de veículos. Sendo assim, os gestores das CTR, podem realizar o resgate de fauna e translocação para locais adequados, principalmente antes de realizarem a supressão da vegetação nativa (EIA TRÊS RIOS, 2015; EIA BARRA MANSA, 2017). Como estes, a alocação de placas sinalizadoras da presença de animais, a redução da velocidade máxima permitida nas vias e a criação de passagens subterrâneas de fauna, também são medidas mitigadoras válidas para evitar a perda de indivíduos da fauna por atropelamento. Importante ressaltar, que os indivíduos que forem feridos por atropelamento, podem ser recolhidos e enviados para Centros de Triagem de Animais Silvestres, os quais possuem a finalidade de receber e cuidar destes animais por meio da reabilitação dos mesmos, como também da realocação em seu habitat natural (IBAMA, 2016). Por fim, precisa-se ainda evidenciar que na busca pelos EIAs e RIMAs por meio de endereços eletrônicos para composição do pre¬sente estudo, houve dificuldade em localizar estes documentos dispostos nos sites oficiais do Estado de Minas Gerais, o que difi¬culta a obtenção de informações pela sociedade em relação aos em¬preendimentos ali estabelecidos que possuem atividades potencial¬mente causadoras de significativa degradação do meio ambiente, não estando completamente alinhado ao artigo 225 da Constituição federal, aonde em seu inciso 1°, parágrafo IV diz que os estudos deverão receber publicidade (SENADO, 2018): “IV - exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará publicidade” (Constituição da República Federativa do Brasil, Artigo 225, §1° - BRASIL, 1981; SENADO, 2018). Essa obrigatoriedade é reforçada pela Resolução CONAMA 01 de 1986, a qual menciona a obrigatoriedade da elaboração dos estudos de EIA/RIMA, sendo que o RIMA deve ser disponibilizado aos interessados (CONAMA,1986). Também é importante mencionar, que no presente estudo foram avaliados oito estudos de impacto ambiental, sendo cinco estudos confeccionados para analisar a viabilidade da implantação de novos aterros e três para a ampliação de aterros já existentes. Assim, alguns impactos ambientais podem ter variações em suas magnitudes em função da intensidade e da frequência variar em cada empreendimento. Fase de planejamento Foram computados para a fase de planejamento apenas 3 impactos ambientais (Quadro 1), todos atingindo o meio socioeconômico. Dois impactos receberam a natureza positiva/ negativa e um negativa. Quadro 1. Impactos ambientais previstos para a fase de planejamento de aterros sanitários e a sua frequência e natureza, na região Sudeste do Brasil. Meio Afetado Impactos Ambientais Frequência relativa (%) Natureza SOCIOECONÔMICO Geração de expectativas relacionadas ao empreendimento 87,50% Negativo/ Positivo Alteração do mercado imobiliário 37,50% Negativo/ Positivo Decreto de desapropriação de moradores 12,50% Negativo A NBR 13896/97, menciona no inciso 4.1.1 critérios básicos para a seleção do local mais adequado para a implantação de uma central de tratamento de resíduos, o qual inclui a análise da topografia local, a geologia e os tipos de solo, a vegetação presente na área, a facilidade de acesso das máquinas e veículos, a viabilidade econômica e o tempo de vida útil disponível, além da distância mínima dos núcleos populacionais, que deve ser superior a 500 metros (NBR, 1997). Então, esses são fatores que devem ser devidamente estudados durante o planejamento, para que a implantação e a operação do aterro sanitário possam se tornar ambientalmente viáveis. Medianteo exposto, um dos impactos destacados nesse período do empreendimento, classificado como negativo, foi o decreto de desapropriação de moradores, que acontecerá caso ocorra a aprovação do estudo, com os residentes da área diretamente afetada de São Carlos, no Estado de São Paulo. No entanto, a FIPAI, empresa responsável pelo licenciamento do aterro sanitário, afirma que a proposta da implantação é plenamente viável no plano social, econômico e ambiental do município, pois aqueles que forem afetados com tal decreto, os quais estão distribuídos em 7 núcleos habitacionais, contabilizando aproximadamente 63 moradores, receberão indenização pela sua propriedade e pelo encerramento de seus lucros com a plantação de cana-de-açúcar existente no local (RIMA SÃO CARLOS, 2009). É comum ocorrer a desapropriação de moradores em áreas aonde grandes empreendimentos serão implantados e a indenização é frequentemente utilizada como medida compensatória. Tal impacto é especialmente importante em regiões com elevada densidade populacional, como a Região Sudeste. Além disto, nos impactos relacionados às alterações do mercado imobiliário, duas vertentes foram destacadas: uma, a qual defende o lado positivo da implantação, por meio da defesa do aumento de áreas adequadas para a destinação de resíduos sólidos, as quais geralmente são regiões predominantemente rurais (RIMA SÃO CARLOS, 2009, EIA SÃO PEDRO, 2015) gerando crescimento urbanizado; e outra que parte do pressuposto que este impacto pode ser negativo, pois na CTR de Três Rios, por exemplo, foi alegado pela empresa que a implantação do mesmo irá desvalorizar o mercado imobiliário da localidade (EIA TRÊS RIOS, 2015). Foi destacada também a geração de expectativas positivas relacionadas ao empreendimento, aonde ocorrerá a geração de empregos formais, com o aumento da qualificação de mão de obra e da renda do município, por meio de arrecadações de encargos, contribuições, taxas e impostos. No entanto, tal impacto também pode ser classificado como negativo, o qual ficou conhecido como efeito NIMBY; do inglês “Not In My Back Yard”, ou seja, “não no meu quintal” (MONTANO et al., 2012), aonde a angústia gerada nos moradores por meio das mudanças anunciadas e os possíveis incômodos ocasionados com a implantação, serão mitigados por meio do desenvolvimento de ações de comunicação social, incluindo a realização de audiência pública, com vistas a esclarecer dúvidas e identificar as principais demandas da população, visando analisar qualquer impasse levado pelos cidadãos (RIMA CAIEIRAS, 2016). Fase de implantação Durante a fase de implantação do aterro sanitário foram levantados 22 impactos ambientais (Quadro 2), ocorrendo estes no meio físico (10 impactos), biótico (4 impactos) e socioeconômico (8 impactos). Destes, 15 impactos receberam natureza negativa, quatro outros foram considerados como positivos/negativos e 3 impactos receberam natureza positiva. Quadro 2. Impactos ambientais previstos para a fase de implantação de aterros sanitários e a sua frequência e natureza, na região Sudeste do Brasil. Meio Afetado Impactos Ambientais Frequência relativa (%) Natureza FÍSICO Alteração de paisagem 100,0% Negativo/ Positivo Meio Afetado Impactos Ambientais Frequência relativa (%) Natureza Geração de processos erosivos e de assoreamento 87,5% Negativo Alteração na qualidade das águas superficiais 87,5% Negativo Alterações nos níveis de ruídos 75,0% Negativo Alteração na qualidade das águas subterrâneas 75,0% Negativo Alteração na qualidade do ar 62,5% Negativo Aumento do risco de contaminação do solo 37,5% Negativo Alteração no uso e ocupação do solo 37,5% Negativo/ Positivo Alteração do regime hidrogeológico 25,0% Negativo Aumento na emissão de material particulado 12,5% Negativo BIÓTICO Perda de espécimes da fauna local 87,5% Negativo Redução da cobertura vegetal 75,0% Negativo Interferência nas espécies ameaçadas de extinção 25,0% Negativo SOCIOECONÔMICO Geração de expectativas relacionadas ao empreendimento 87,5% Negativo/ Positivo Meio Afetado Impactos Ambientais Frequência relativa (%) Natureza Aumento na oferta de empregos 75,0% Positivo Aumento na ocorrência de acidentes de trabalho 62,5% Negativo Aumento na arrecadação de tributos 50,0% Positivo Alteração do mercado imobiliário 37,5% Negativo/ Positivo Interferência em sítios com valor arqueológicos e/ou cultural 25,0% Negativo Alteração das condições de vida população 87,5% Negativo Interferência na atividade mineradora existente na ADA 12,5% Negativo Aumento da qualificação profissional 12,5% Positivo É nesta fase que se observa a maioria dos impactos am-bientais ocasionados por uma CTR, embora alguns não sejam per¬manentes em função do término das obras de implantação da CTR. Dentro destes impactos, foi observado na totalidade dos estudos ambientais avaliados, que durante a implantação dos aterros sanitários ocorrerá a alteração da paisagem, caracterizada por atividades como a movimentação de terra, a implantação das estruturas de drenagem, a abertura de vias de acesso, dentre outras (RIMA Caieiras 2016). Sen¬do assim, o funcionamento do aterro deve ocorrer conforme a NBR 13896/97, aplicando a impermeabilização, recobrimento diário e cobertura final, co¬leta, drenagem e também o tratamento de líquidos percolados, drenagem su-perficial, bem como coleta e tratamentos dos gases e o monito¬ramento (LANZA; CARVALHO 2006; CARVALHO, 2016), visando mitigar vários impactos ambientais, incluindo a degradação do solo, contaminação de recursos hídricos, além da poluição do ar. No estudo da viabilidade ambiental é necessário incluir a análise da localização, para que a degradação da paisagem e dos demais componentes ambientais seja reduzida (MONTANO et al., 2012). A implantação de barreiras de árvores (cinturão ver¬de), no entorno dos aterros sanitários, também reduz a poluição da paisagem, pois diminui a visibilidade dos aterros, tais barreiras, em alguns casos, podem ser implantadas com a recuperação da vegeta¬ção nativa, servindo também como reposição florestal e mecanismo de recuperação de área degradada (EIA BARRA MANSA, 2017). A geração de novos processos erosivos, através das modificações realizadas no terreno, podem induzir alterações nas taxas de infiltração das águas pluviais, bem como no regime de escoamento, aumentando as chances de formar canais preferenciais de escoamento da água, capazes de desencadear a formação de sulcos e ravinas e também provocar o assoreamento de rios (EIA SÃO PEDRO DA ALDEIA, 2015). Tais impacto pode ser mitigados por meio de controle e monitoramento dos processos erosivos, recomposição florestal e paisagística, e/ou implementação de Reserva Legal (EIA TRÊS RIOS, 2015). Ao longo da implantação do empreendimento, também destaca-se possíveis alterações na qualidade das águas superficiais e subterrâneas, as quais podem ocorrer superficialmente devido ao caso de vazamentos de combustíveis e lubrificantes de veículos e equipamentos e de chorume (RIMA CAIEIRAS, 2016). Tal alteração também pode ocorrer de forma subterrânea, pelo próprio carreamento de sedimentos, por meio da ação dos ventos e das chuvas, as quais percolam, se não impermeabilizados corretamente, com o elevado teor de metais pesados existentes em alguns dos materiais, como por exemplo o elemento Cádmio (Cd), muito utilizado para fins industriais e também associado à pilhas e baterias, o qual pode fixar-se principalmente nos rins e no fígado das pessoas, podendo ocasionar câncer nos rins e no trato urinário, fígado ou estômago, ou até mesmo o Ferro (Fe), o qual é essencial a saúde humana; porém em excesso pode causar dores articulares, lesões hepáticas e cardíacas (CARVALHO, 2016; MES, 1999). Sendo assim, é importante a efetividade das obras de engenharia quanto a impermeabilidade do solo e rede de drenagens, impedindo que os recursos hídricos do local sejam contaminados. Para isto, programas de Monitoramento e Tratamento dos Líquidos Percolados devem ser instituídos pormeio de registros e inspeções periódicas visando o correto controle e funcionamento do sistema e equipamentos (EIA SÃO PEDRO, 2015). Dentro dos impactos ao meio físico, vale ainda ressaltar as alterações nos níveis de ruídos, os quais serão passíveis de acontecer devido às obras e atividades de desmate e terraplenagem, as quais gerarão maior movimentação de veículos e pessoas, além da utilização de máquinas (EIA BARRA MANSA, 2017) implicando também na alteração da qualidade do ar, por meio da suspensão de materiais particulados, os quais serão necessários o monitoramento e o controle da qualidade (EIA TRÊS RIOS, 2015) para que se mitigue o processo de poluição, definida na Política Nacional de Meio Ambiente (PNMA) como: “III - poluição, a degradação da qualidade ambiental resultante de atividades que direta ou indiretamente: a) prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população; b) criem condições adversas às atividades sociais e econômicas; c) afetem desfavoravelmente a biota; d) afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente; e) lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos;” (BRASIL, 2018). Já no meio biótico, com a redução da cobertura vegetal para a implantação do aterro, ocorrerá perturbação na fauna local, a qual se torna mais agravante quando se afeta espécies-chaves classificadas como “espécies que têm relações ecológicas tão importantes em um ecossistema que sua falta afeta significativamente diversas outras” (Hammes 2012), como no caso da central de resíduos em Três Rios, no qual registrou-se a presença de duas espécies ameaçadas de extinção (TRÊS RIOS, 2015), as quais receberão resgate e transplantio de indivíduos, bem como o plantio de mudas. A orientação dos funcionários para que evitem danificar as espécies vegetais e animais das proximidades do aterro e possam auxiliar no seu salvamento também é importante (EIA BARRA MANSA, 2017; EIA TRÊS RIOS, 2015). Destaca-se ainda frequentemente, ora positivamente, ora negativamente, a alteração da qualidade de vida da comunidade residente na ADA (Área diretamente afetada) pela implantação dos aterros. A população sentirá, por exemplo, o aumento da movimentação dos veículos e da poluição sonora e atmosférica ocasionada por eles, além das mudanças na paisagem, nos valores de imóveis e no seu cotidiano. Porém, estudos como o de Três Rios já alegam que este impacto também possui viés positivo, haja vista a novas oportunidades de emprego que serão oferecidas com a implantação, podendo proporcionar renda à população local (EIA TRÊS RIOS, 2015). Outro impacto positivo relacionado à fase de implantação, sendo classificado como todos os impactos positivos como de alta magnitude, foi o aumento da arrecadação de tributos durante as fases de implantação e operação, incidindo sobre as despesas e receitas operacionais do empreendimento, como encargos, contribuições, taxas e impostos (RIMA GUARULHOS, 2016). Vale ressaltar que foram ainda observadas instalações nas quais ocorrerá interferência em sítios com valor arqueológico e/ou cultural, como no caso de Três Rios, aonde será implantado um programa do Patrimônio Cultural e Arqueologia Preventiva, e no de São Pedro da Aldeia, no qual foi encontrado dois sítios arqueológicos cerâmicos durante o diagnóstico ambiental e foram denominados de Maracanã 1 e 2, aonde será implantado um Programa de Salvamento Arqueológico, no qual irá detectar sítios arqueológicos, recolhendo o material encontrado, armazenando-o em áreas adequadas (EIA TRÊS RIOS, 2015; EIA SÃO PEDRO, 2015). Além destes, também foi observado interferências em atividades seculares, como na atividade de mineração presente na ADA de Caieiras, a qual deverá ser encerrada, pois a empresa Essencis, competente ao licenciamento, alega que as atividades de mineração podem desestabilizar os maciços de resíduos, não sendo permitido o funcionamento dos dois tipos de atividade (RIMA CAIEIRAS, 2016). Apesar disso, a mesma alega que a implantação da CTR possui prioridade sobre a atividade de mineração, pois os aterros sanitários são obras de interesse público, devendo ser então solicitado o bloqueio das áreas com processos minerários, ocorrendo indenização. Fase de operação Na fase de operação dos aterros sanitários foram registrados 27 impactos ambientais (Quadro 3), subdivididos entre os meios físico (11 impactos), biótico (5 impactos) e socioeconômico (11 impactos), dentre os quais 18 impactos foram classificados como negativos. Além destes, outros 3 impactos foram classificados como negativos/positivos, ocorrendo também o registro de mais 6 impactos classificados como positivos. Quadro 3. Impactos ambientais previstos para a fase de operação de aterros sanitários e a sua frequência e natureza, na região Sudeste do Brasil. Meios Afetados Impactos Frequência relativa (%) NaturezaMeios Afetados Impactos Frequência relativa (%) Natureza FÍSICO Alteração de paisagem 100,0% Negativo/ Positivo Geração de processos erosivos e de assoreamento 87,5% Negativo Alteração na qualidade das águas superficiais 87,5% Negativo Alterações nos níveis de ruídos 75,0% Negativo Alteração na qualidade das águas subterrâneas 75,0% Negativo Alteração na qualidade do ar 62,5% Negativo Aumento do risco de contaminação do solo 37,5% Negativo Alteração no uso e ocupação do solo 37,5% Negativo/ Positivo Alteração do regime hidrogeológico 25,0% Negativo Aumento de risco de rupturas e deslizamento de taludes de resíduos 25,0% Negativo Aumento na emissão de material particulado 12,5% Negativo BIÓTICO Perda de espécimes da fauna local 87,50% Negativo Redução da cobertura vegetal 75,0% Negativo Meios Afetados Impactos Frequência relativa (%) Natureza Alteração nos níveis de odores* 25,0% Negativo Aumento da cobertura vegetal 12,5% Positivo Interferência nas espécies ameaçadas de extinção 25,0% Negativo SOCIOECONÔMICO Geração de expectativas relacionadas ao empreendimento 87,5% Negativo/ Positivo Aumento na oferta de empregos 75,0% Positivo Aumento na ocorrência de acidentes de trabalho 62,5% Negativo Aumento na oferta de local adequado para disposição de resíduos sólidos 62,50% Positivo Aumento na arrecadação de tributos 50,0% Positivo Desmobilização da mão de obra após encerramento das atividades 50,0% Negativo Alteração do mercado imobiliário 37,5% Negativo/ Positivo Melhoria da gestão pública integrada aos resíduos 25,0% Positivo Interferência em sítios com valor arqueológicos e/ou cultural 25,0% Negativo Aumento da atração de vetores de doença 25,0% Negativo Meios Afetados Impactos Frequência relativa (%) Natureza Decreto de desapropriação de moradores 12,5% Negativo Alteração das condições de vida população 87,5% Negativo Interferência na atividade mineradora existente na ADA 12,5% Negativo Aumento da qualificação profissional 12,5% Positivo Pode ser entendido como um impacto no meio físico. Foram ressaltados durante esta fase, em grande maioria, impactos físicos os quais já foram mencionados anteriormente; como: alteração da paisagem, geração de processos erosivos e de assoreamento, alterações na qualidade das águas superficiais e subterrâneas, alterações nos níveis de ruídos e materiais particulados em suspensão. Destaca-se então de forma significativa, presente em 62% dos estudos analisados, o aumento da ocorrência de acidentes de trabalho. Tais acidentes deverão ser mitigados, e assim diminuídos significativamente, se praticados por todos os membros da equipe de forma adequada, por meio da distribuição de equipamentos de proteção individual (EPI), cujo o qual entende-se por “todo dispositivo ou produto de uso individual, utilizado pelo trabalhador, destinado à proteção de riscos suscetíveis de ameaçar a segurança e a saúde no trabalho”, que a empresa é obrigada a fornecer de forma gratuita aos colaboradores o EPI adequado ao risco, conservado e funcionando (NR- 6), além de serem orientados por meio de programas de treinamento, a adotarem medidaspreventivas e/ou corretivas para proteger os trabalhadores e a população contra os acidentes (RIMA COLATINA, 2009). Outro impacto potencializado durante a fase de operação é a alteração na qualidade do ar no local, que se reflete na quantidade de material particulado gerado pelas obras e transição das máquinas nas vias, além de serem influenciados pelos gases subpro¬dutos da decomposição: gás carbônico (CO2) e metano (CH4), os quais contribuem para o agravamento do efeito estufa, devendo ser drenados e tratados adequadamente (SNSA, 2008). Sendo assim, medidas como: Coleta e queima do biogás em flares (ou “chamas”) de alta eficiência, reduzindo as emissões de gases de efeito estufa; umectação das vias internas do empreendimento com caminhões pipa, manutenção periódica de veículos e equipamentos para o controle de emissão de fumaça preta, foram propostas para que tal impacto seja então mitigado (RIMA CAIEIRAS, 2016; RIMA GUARULHOS, 2016). Diversos benefícios, incluindo sociais e econômicos, podem ser obtidos dos gases resultantes da decomposição dos resíduos, através do Crédito de Carbono. Tal documento pode incentivar, especialmente, empresas de países como o Brasil, países em desenvolvimento, a aumentar o investimento em mecanismos de desenvolvimento limpo, pois estes possibilitam conseguir os créditos de carbono, e vender para os países desenvolvidos, visto que tais países se veem obrigados a alcançarem as suas metas em relação a redu¬ção da emissão de gases após assinarem o protocolo de Quioto - 1997. Cada crédito de carbono é formado pela não emissão ou captura de uma tonelada de dióxido de carbono (CO2) equivalente da atmosfera (BRASIL, 2017; EIBEL et al., 2016) Foi comprovado recentemente que em um horizonte de 100 anos, o poder de aquecimento global do metano é 21 vezes maior do que o do dióxido de carbono (ELK, 2007), sendo assim, estes gases são queimados de forma enclausurada, evitando que os mesmos sejam enviados a atmosfera, ganhando então títulos de “Créditos de Carbono”, emitidos pela Organização das Nações Unidas (ONU) o qual é vendido a estes países que apoiam a causa de práticas limpas, mas não tem conseguido atingir suas metas. Outro setor, como o de energia elétrica, pode ainda se beneficiar com a captação e queima deste biogás, haja visto que o mesmo possui grande potencial de energia elétrica, pois de acordo com estudos “ um aterro com cerca de 1 milhão de toneladas, típico de uma cidade com cerca de 300 mil habitantes, pode ter uma potência de aproximadamente 1MW de energia elétrica por uma década” (ZULAUF, 2004 apud ELK, 2007). Além deste, ressalta-se que os resíduos sólidos são grandes atra¬tivos para vetores de doenças. Vários animais, como ratos, mosquitos, moscas e até mesmo for¬migas, são capazes de disseminar doenças como Leptospirose, Peste bubônica, Dengue, Febre amarela, Malária, Giardíase, Cólera, e Amebíase por exemplo (MMA, 2018) , oferecendo riscos de saúde aos trabalhadores do aterro, bem como da população no entorno, os quais serão miti¬gados por meio de Programas de Controle de Vetores que agirá por meio da coleta e tratamento de líquidos percolados e o recobrimento diário dos resíduos com camada de solo, evitando a presença destes animais; os quais, se forem avistados podem ser tomadas medidas de dedetização na área. (EIA TRÊS RIOS, 2015). Novos impactos positivos também foram registrados durante a operação do aterro. O aumento na oferta de local adequado para a disposição de resíduos sólidos, classificado como de alta magnitude, vai de acordo com os objetivos de proteção da saúde pública e da qualidade ambiental por meio da disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos, implantados então pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS, 2010). No caso da Central de Tratamento de Resíduos Sólidos de Três Rios, ainda pode ser observado outro impacto positivo denominado como aumento da área verde do local, o qual foi elaborado mediante um projeto de implantação de um Cinturão de Proteção Arbórea, que promoverá o aumento da biodiversidade do local e a melhoria da paisagem, utilizando-se do plantio de espécies nativas para a recu¬peração do ecossistema local (EIA TRÊS RIOS, 2015). Fase de encerramento Na fase de encerramento, foram levantados 21 impactos ambientais (Quadro 4), ocorrendo estes no meio físico (9 impactos), meio biótico (4 impactos) e meio socioeconômico (8 impactos). Destes, 14 impactos receberam natureza negativa e quatro impactos foram considerados como positivos/negativos. Quadro 4. Impactos ambientais previstos para a fase de encerramento de aterros sanitários e a sua frequência e natureza, na região Sudeste do Brasil. Meio afetado Impactos Frequência relativa (%) Natureza FÍSICO Alteração de paisagem 100,0% Negativo/ Positivo Geração de processos erosivos e de assoreamento 87,5% Negativo Alteração na qualidade das águas superficiais 87,5% Negativo Alteração na qualidade das águas subterrâneas 75,0% Negativo Alteração na qualidade do ar 62,5% Negativo Meio afetado Impactos Frequência relativa (%) Natureza Aumento do risco de contaminação do solo 37,5% Negativo Alteração no uso e ocupação do solo 37,5% Negativo Alteração do regime hidrogeológico 25,0% Negativo Aumento de risco de rupturas e deslizamento de taludes de resíduos 25,0% Negativo BIÓTICO Perda de espécimes da fauna local 87,5% Negativo Alterações nas populações bióticas 87,5% Positivo Alteração nos níveis de odores* 25,0% Negativo Aumento da cobertura vegetal 12,5% Negativo SOCIOECONÔMICO Geração de expectativas relacionadas ao empreendimento 87,5% Positivo Aumento na oferta de local adequado para disposição de resíduos sólidos 62,5% Positivo Desmobilização da mão de obra após encerramento das atividades 50,0% Negativo Alteração do mercado imobiliário 37,5% Negativo/ Positivo Meio afetado Impactos Frequência relativa (%) Natureza Melhoria da gestão pública integrada aos resíduos 25,0% Negativo Interferência em sítios com valor arqueológicos e/ou cultural 25,0% Negativo/ Positivo Aumento da atração e proliferação de vetores de doença 25,0% Negativo/ Positivo Interferência na atividade mineradora existente na ADA 12,5% Negativo/ Positivo *Pode ser entendido como um impacto no meio físico. Faz-se necessário que cada aterro sanitário possua em suas documentações um plano de encerramento e cuidados com o aterro, o qual deverá conter dados como os métodos e as etapas a serem seguidas no fechamento, a data aproximada para o início das atividades do fechamento e a quantidade de resíduo estimada para a época, as atividades de manutenção da área que deverão ser feitas, além do monitoramento das águas após o término das operações, o qual deverá ser fiscalizado por um período até 20 anos (o qual pode ser reduzido caso seja constatado o término da geração de líquidos percolados) (NBR, 1997). Não apenas isto, mais de acordo com o item 5.8.3.3 da mesma NR, deverá ser realizado programas de manutenção da cobertura do solo, de modo a corrigir rachaduras ou erosão, indo de encontro ao aumento do risco de rupturas e deslizamento de taludes de resíduos, os quais serão mitigados pelos próprios monitoramentos citados anteriormente. Destaca-se nesta fase, que impactos até então tomados como negativos, agora são vistos com algo positivo ao meio ambiente (RIMA SÃO MATEUS, 2010). A exploração em que ocorre nas paisagens do local até este dado momento, receberá agora procedimentos que visem o controle e a segurança ambiental, por meio da implantação de coberturas impermeabilizantes e solo vegetal, o qual futuramente ocorrerá plantio de grama e instalação de instrumentos de monitoramento geotécnico visando a drenagem superficial, melhorando assim, toda a imagem de simples exploração e degradação ambiental (RIMA SÃO MATEUS, 2010). Após o encerramento, ocorre a desmobilização da mão de obra, o qual, as empresas enfatizam sua pretensão em tentar mitigar tal problemática, fomentando a experiência dos trabalhadores durante a operação;R. Assessing the impact of environmental management systems on corporate and environmental performance. Journal of Operations Management, v. 21, n.3, p.329-351, 2003. 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O país ocupa a terceira posição no ranking dos maiores produtores de carne bovina, ficando atrás somente dos Estados Unidos da América e da União Europeia (AMARAL et al., 2012). A criação de cavalos também ocupa um lugar de destaque entre as principais atividades rurais do país, pois apresenta o terceiro maior rebanho de equinos do planeta (FAO, 2007). A criação de bovinos e equinos é um processo complexo, exigindo uma série de atividades e de insumos (ALENCAR; POTT, 2003; CAMPOS JUNIOR, 2008). Resíduos sólidos e líquidos gerados no processo de criação desses animais podem causar impactos ambientais negativos, incluindo a poluição das águas e do solo. Problemas ambientais também podem ser gerados quando não se tomam os devidos cuidados com o manejo do solo, ocasionando a compactação do solo ou o aumento da erosão. Além disso, a emissão de gases do efeito estufa é um parâmetro ambiental que deve ser considerado pelos pecuaristas, pois a pecuária é responsável por 14,5% da emissão desses gases originados de atividades humanas (FAO, 2014). Assim, cuidados devem ser tomados para evitar que impactos ambientais negativos ocorram em função das atividades necessárias para a criação de bovinos e equinos. Nesse sentido, nesse capítulo são avaliados os principais impactos ambientais que podem ser gerados pelas atividades necessárias para a criação de bovinos e equinos. Além disso, aponta medidas mitigadoras ou compensatórias para os impactos ambientais negativos identificados e medidas maximizadoras para os impactos positivos. Tais informações podem ser úteis na elaboração de Sistemas de Gestão Ambiental (SGA) em propriedades rurais e em organizações do setor pecuário. Inicialmente, foi realizado o levantamento das atividades necessárias para a criação de bovinos e equinos, observando-se, ainda, a forma como as atividades são executadas. Para determinar as atividades que seriam abordadas foi utilizada a expertise dos presentes autores, além da consulta bibliográfica (ALENCAR; POTT, 2003; CAMPOS JUNIOR, 2008; EMBRAPA GADO DE LEITE, 2015). As atividades referentes à criação dos animais foram separadas em função das fases de implantação ou operação do empreendimento. As atividades necessárias para a criação de bovinos e/ou cavalos podem causar impactos ambientais, tanto na fase de implantação (Quadro 1) quanto na fase de operação do empreendimento (Quadro 2). Dessas, destacam-se as atividades voltadas para o manejo do pasto, que provocam impactos ambientais negativos, principalmente, quando as pastagens ocupam grandes áreas. Atividades voltadas para o manejo dos animais (controle sanitário, processos de higiene animal e treinamento dos animais) também provocam diversos impactos ambientais negativos. Quadro 1. Atividades, impactos ambientais e medidas mitigadoras, compensatórias ou maximizadoras relativos à criação de bovinos e/ou equinos na fase de implantação do empreendimento. Atividades Impactos Ambientais Medidas mitigadoras/ compensatórias/ maximizadorasAtividades Impactos Ambientais Medidas mitigadoras/ compensatórias/ maximizadoras Construção e/ou manutenção de instalações Alteração da paisagem. Redução da disponibilidade de recursos naturais e energia. Poluição atmosférica. Poluição sonora, do solo e de recursos hídricos. Danos à saúde de pessoas. Projeto paisagístico. Uso racional dos recursos naturais e da energia. Reciclagem e reutilização de materiais. Correta disposição final de resíduos. Realizar construções que possibilitem a captação e armazenamento da água da chuva e o bom aproveitamento da luz solar. Manutenção dos equipamentos. Utilização de equipamentos silenciosos e eficientes no uso de energia. Uso de equipamentos de proteção individual pelos trabalhadores. Preparo da terra por aração e gradagem Aumento da erosão e perda de solo. Perda de fauna do solo. Poluição e assoreamento de cursos d’água. Aumento do nivelamento do solo, da sua uniformidade e aeração. Incorporação de material vegetal no solo. Aração em curva de nível. Manutenção ou reflorestamento das matas ciliares. Proteção de nascentes. Semeadura direta. Calagem e adubação Poluição da água. Melhoria das condições do solo para o crescimento das plantas. Realizar a análise química do solo e utilizar somente a quantidade necessária de calcário e adubo. Adubação verde. Semeadura Introdução de espécies exóticas e possível perda de espécies nativas. Utilizar espécies nativas. Atividades Impactos Ambientais Medidas mitigadoras/ compensatórias/ maximizadoras Controle de plantas invasoras Poluição do solo e da água. Contaminação humana por uso de herbicida. Diminuição da competição entre as gramíneas cultivadas e as plantas daninhas. Adequada calagem e fertilização do solo, correta taxa de semeadura e plantio na época apropriada. Uso de equipamentos de segurança pelos trabalhadores. Menor utilização de herbicidas. Controle manual com enxadão ou foice, ou o controle biológico. Aplicar o herbicida em dias sem chuva e ventos fortes. Uso de maquinários e veículos Poluição sonora. Aumento da incidência de doenças nos funcionários, decorrente da falta de uso de equipamentos de proteção. Alteração da qualidade do ar devido à emissão de gases. Alteração do clima, em função da liberação de gases do efeito estufa. Poluição do solo e água decorrente do vazamento de óleos. Compactação do solo. Utilização de maquinários e veículos mais silenciosos. Uso de equipamento de proteção auditiva e visual. Mão de obra capacitada. Manutenção dos maquinários e veículos. Utilização de fontes de energia menos poluentes e que não colaborem para o aumento da concentração de gases do efeito estufa na atmosfera. Substituição de máquinas pelo uso de tração animal. Planejamento paisagístico Introdução de espécies exóticas e possível perda de espécies nativas. Obtenção de uma paisagemgerando qualificação da mão de obra, no qual permitirá futuras oportunidades por meio de programas de treinamento e capacitação dos funcionários ou por meio da realocação dos funcionários em outras atividades do Grupo (RIMA SÃO MATEUS, 2010; RIMA CAIEIRAS, 2016). Observa-se que a maioria dos impactos ambientais provocados pelos aterros sanitários na região Sudeste são negativos e ocorrem em todas as fases do empreendimento, afetando componentes do meio físico, biológico e socioeconômico. Porém, destaca-se de maneira significativa o meio físico, o qual apresenta a maior quantidade destes impactos. No entanto, estes são classificados como impactos de baixa e média magnitude e podem ter seu potencial de dano minimizado. Alguns impactos receberam classificações positivas e/ou negativas, pois os mesmos podem variar de acordo com a linha de raciocínio a ser tomada pelas equipes que elaboraram os estudos ambientais, além de variarem mediante a fase em que ocorrem, como foi o caso das alterações realizadas na paisagem. Na fase de implantação e operação as estruturas do aterro sanitário geralmente são entendidas como causadoras de degradação da paisagem, porém a paisagem anterior a implantação pode não ser bela, podendo ainda ser realizado a revegetação da área com um projeto paisagístico, por exemplo. Destaca-se a presença de importantes impactos relativos à sociedade, como o aumento na oferta de empregos e melhorias na qualificação da mão de obra, gerando maiores índices de empregos formais, além do aumento na oferta de local adequado para disposição de resíduos sólidos, o que ocasiona diversos benefícios para a saúde da população e para a manutenção da qualidade de recursos naturais. Também promove maior arrecadação de tributos para as cidades envolvidas. Sendo assim, além dos aterros sanitários serem não somente protegidos, mas também exigidos por meio da lei federal, estes caracterizam-se como uma das técnicas mais seguras e de menor custo para a destinação de resíduos, sendo analisada antes de seu licenciamento cada alteração que o mesmo poderá trazer aos componentes ambientais físicos, bióticos e socioeconômicos. Portanto, fundamentado em critérios técnicos e estando de acordo com as normas vigentes, pode-se controlar a poluição ambiental, proteger a saúde pública e evitar a degradação ambiental, garantindo a viabilidade da implantação de novos aterros sanitários. Referências ABRELPE. Panorama de resíduos sólidos no Brasil. 2015. Disponível em: http://www.abrelpe.org.br/Panorama/panorama2015.pdf. Acessado: 21 mai. 2018. ABRELPE. Panorama de resíduos sólidos no Brasil. 2016. Disponível em: http://www.abrelpe.org.br/Panorama/panorama2016.pdf. Acessado: 15 abr. 2018. BARRA MANSA. Estudo de Impacto Ambiental – Central de Tratamento de Resíduos de Barra Mansa. Disponível em: http://www.inea.rj.gov.br/cs/groups/public/@inter_dilam/documents/document/zwew/mtm 2/~edisp/inea0136577.pdf. Acessado: 09 abr. 2018. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria N° 1339, de 18 de Novembro de 1999. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/1999/prt1339_18_11_1999.html. Acessado: 15 jun. 2018. BRASIL. 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Inúmeros problemas ambientais estão associados com a obtenção e o uso de energia (MARTINS et al., 2015). Porém, observa-se que o baixo consumo de energia está relacionado a uma menor expectativa de vida e a altas taxas de analfabetismo e mortalidade infantil (GOLDEMBERG, 1998). Assim, a baixa disponibilidade energética pode causar agravos à população e afetar a qualidade de vida, pois o consumo de energia é necessário, por exemplo, para a geração de bens e serviços, o transporte de cargas e pessoas e o desenvolvimento científico e tecnológico. As fontes de energias são classificadas em renováveis, como a biomassa, a energia hidráulica, a eólica e a solar, e não renováveis, exemplo do carvão mineral, do petróleo e do gás natural (EPE, 2019). Dados do balanço energético nacional (BEM, 2017) indicam que 42,9% da oferta interna de energia no Brasil é referente a fontes renováveis, principalmente hidráulica e biomassa, e a maior parte (57,1%) é devido a fontes não renováveis – petróleo e derivados (36,4%), gás natural (13%), carvão mineral (5,7%), urânio (1,4%) e outras fontes não renováveis (0,6%) (EPE, 2018). A matriz energética brasileira vem se diversificando, aumentando a produção de energia a partir de fontes renováveis (FERRAZ; CODECEIRA, 2017). Contudo, a maior parte da energia utilizada provém de fontes não renováveis. Dentre essas, o gás natural é expressivamente relevante na atualidade, sendo composto por hidrocarbonetos, principalmente metano (CH4), mas também por etano (C2H6) e propano (C3H8) (ANP, 2019a). Esse gás vem sendo obtido no Brasil em reservatórios geológicos e é amplamente utilizado como combustível para veículos automotores, originando o Gás Natural Veicular (GNV) (ANP, 2019a). A distribuição do gás natural da fonte até os consumidores é feita por gasodutos, atividade essa que se trata de um “monopólio natural”, que geralmente ocorre quando existem grandes plantas industriais com custos baixos, dificultando o surgimento de concorrentes (COSTA, 2005). Contudo, o prestador do serviço de transporte do gás natural deve ser regulado. No Brasil, essa regulação é realizada pela Agencia Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP) (ANP, 2019b). Esses empreendimentos lineares são comuns atualmente, principalmente nas proximidades das regiões onde está sendo realizada a extração do gás. Existem dezenas de gasodutos em operação no Brasil, atingindo mais de 9000 km de extensão (PETROBRAS, 2019). Os gasodutos estão localizados principalmente nos estados brasileiros banhados pelo Oceano Atlântico, incluindo os das regiões Sudeste e Sul (PETROBRAS, 2019). Devido à sua natureza, o planejamento, a implantação e a operação de gasodutos podem gerar alterações ambientais expressivas, sendo necessário utilizar mecanismos para minimizar os danos. No sentido de reduzir a degradação ambiental causada pelos empreendimentos, o licenciamento ambiental brasileiro adota uma postura preventiva ao exigir que diversos empreendimentos apresentem estudos discriminando as possíveis alterações ambientais decorrentes de suas atividades (IBAMA, 2016). Para os empreendimentos que possam causar significativa degradação ambiental, a licença somente será concedida após a confecção do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e do Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) (ALMEIDA et al., 2017;, BRASIL 1981). De acordo com o Art. 2º da Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente CONAMA 01 de 1986 (BRASIL, 1986), para a instalação e operação dos dutos do gás natural é necessário produzir previamente o Estudo de Impacto Ambiental, por ser um empreendimento potencialmente causador de danos ambientais significantes (BRASIL, 1986). Nesses estudos, além de discriminar os impactos ambientais que ocorrerão nas fases de planejamento, implantação e operação, também é necessário citar medidas para mitigar as alterações ambientais negativas previstas (BRASIL, 1986; PINTO, 2018). Assim, nesse capítulo são analisados os impactos ambientais previstos em EIAs para o licenciamento de gasodutos e as medidas para mitigar os impactos negativos. Isso é importante para embasar futuros estudos ambientais, buscando que sejam mais precisos, gerando prognósticos mais detalhados e reais das condições futuras da área de influência do empreendimento, para melhor embasar o processo decisório de licenciamento. O presente trabalho também pode auxiliar na melhor proposição de medidas úteis para mitigar as alterações ambientais negativas provocadas pelos gasodutos. No presente trabalho foram utilizados dados de Estudos de Impacto Ambiental confeccionados para a obtenção da licença prévia de gasodutos nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, além de um projeto no Estado do Mato Grosso do Sul. As regiões Sul e Sudeste comportam 40 gasodutos (ANP, 2018). Para a coleta de dados foram utilizados os seguintes Estudos de Impacto Ambiental: 1. Rede de distribuição de Gás Natural (RDGN) – Rio Grande: esse empreendimento está localizado no município de Rio Grande, região litorânea do Estado do Rio Grande do Sul. A população é estimada em 207.036 habitantes (IBGE, 2019), apresenta elevada atividade industrial, a Refinaria de Petróleo Riograndense e o porto com a quarta maior movimentação de cargas do Brasil (IBGE, 2019). 2. Gasoduto Cacimbas-Vitória: apresenta 130 km de extensão, ligando os municípios de Vitória e Linhares, Estado doEspirito Santo. Linhares apresenta 141.306 habitantes, está localizada no litoral do Espirito Santo e é grande produtor de petróleo e gás natural, apresentando ainda importantes atividades agropecuárias (EIA CACIMBAS-VITÓRIA, 2003; IBGE, 2019; PREFEITURA DE LINHARES, 2019). A economia do município de Vitoria está associada a atividades industriais, ao comércio e ao turismo, possuindo 355.875 habitantes (IBGE, 2019). 3. Gasoduto Caraguatatuba – Taubaté: Caraguatatuba localiza-se no litoral do Estado de São Paulo, apresenta 88.815 habitantes e apresenta atrativos naturais que atraem turistas (IBGE, 2019). Taubaté possui expressivas atividades agropecuárias, sendo ainda importante polo industrial e comercial, apresenta uma população estimada em 305.174 habitantes (IBGE, 2019). 4. Ampliação da rede de distribuição de gás natural do município de Curitiba: Curitiba é a capital do Estado do Paraná e apresenta 1.908.359 habitantes (IBGE, 2019). 5. Projeto de reforço estrutural de suprimento de gás da baixada Santista: localizada no litoral do Estado de São Paulo, a 72 km de distância da capital do Estado, possui 432.957 habitante e um importante porto (IBGE, 2019). Cubatão está a 58 km de distância da capital do Estado, apresenta um importante polo industrial e população de 129.760 habitantes (IBGE, 2019). 6. Reforço RETAP – Rede Tubular de Alta Pressão: Piratininga, Estado de São Paulo, apresenta população de 12.072 habitantes e a economia local é baseada em atividades agrícolas e industriais (IBGE, 2019). Já São Bernardo do Campo possui população de 833.240 habitantes (IBGE, 2019). 7. Projeto Verde Atlântico Energias – Baixada Santista: o gasoduto atravessa os municípios de Peruíbe, Itanhaém, Mongaguá, Praia Grande, São Vicente e Cubatão, todos do Estado de São Paulo. As atividades econômicas abrangem o turismo, o comércio e a produção industrial. 8. Gasoduto Rota 3 - Campo de Franco, na Bacia de Santos, ao Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro - COMPERJ, em Itaboraí (RJ): Itaboraí e Maricá localizam-se no litoral do Estado do Rio de Janeiro. Itaboraí apresentam 238.695 habitantes e Maricá um total de 157.789 habitantes (IBGE, 2019). A Bacia de Santos possui área total de 350 mil quilômetros quadrados, e se estende de Cabo Frio (Rio de Janeiro) até Florianópolis (Santa Catarina), sendo a maior bacia sedimentar marítima brasileira (PETROBRAS, 2019). 9. Estudo de Impacto Ambiental para o trecho brasileiro do gasoduto Bolívia – Brasil: o gasoduto tem extensão de 2.315 km no território brasileiro, passando pelos Estados de Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, atravessando 173 municípios. 10. Atividade de Produção e Escoamento de Petróleo e Gás Natural do Polo Pré- Sal da Bacia de Santos - Etapa 2: os dados coletados são de parte de um conjunto de projetos que desenvolve a produção e escoamento de petróleo e gás natural da Bacia de Santos, consistindo de 15 trechos de gasodutos marítimos (PETROBRÁS, 2019). Nesse estudo foram listados os impactos ambientais previstos para afetar as áreas de influência dos gasodutos, conforme mencionados nos dez EIAs citados acima. São denominados como impactos ambientais quaisquer alterações nos componentes do meio ambiente que tenham sido derivadas de atividades antrópicas (ALMEIDA et al., 2017). As análises das alterações ambientais foram baseadas na proposta metodológica de LANDES (2016), também utilizada por PINTO (2018). Os impactos foram estudados por fase do empreendimento: planejamento, implantação e operação. Além disso, foram agrupados em função do componente do meio que será afetado: meio físico (engloba os recursos hídricos, o solo, a atmosfera e os componentes geológicos); meio biológico (inclui a biodiversidade); e o meio socioeconômico (engloba a população, sua cultura e economia) (BRASIL, 1986). Foram encontrados um total de 82 impactos ambientais, sendo 17 positivos, 63 negativos e dois classificados como positivos e negativos. O número de impactos ambientais negativos é cerca de quatro vezes maior do que o número de impactos positivos, o que demonstra que a construção e a operação de um gasoduto devem ser planejadas adequadamente e os seus impactos avaliados minuciosamente no Estudo de Impacto Ambiental. É comum que os empreendimentos licenciados com Estudos de Impacto Ambiental apresentem um número expressivamente maior de alterações ambientais negativas que positivas (PINTO, 2018; ALVIM, 2017). Os empreendimentos ocasionaram mais alterações no meio socioeconômico (43 impactos), que no físico (29 impactos) e no biótico (dez impactos). Fase de planejamento Na fase de planejamento foram encontrados 14 impactos ambientais, sendo 11 deles negativos e três positivos (Tabela 1). Durante a fase de planejamento, não é comum que sejam afetados outros meios além do socioeconômico (ALVIM, 2017), porém nesse estudo foram encontrados quatro impactos no meio físico, dois no meio biótico e oito no meio socioeconômico. Tabela 1. Impactos ambientais previstos, frequência relativa e natureza na fase de planejamento de gasodutos. Meio Afetado Impacto Ambiental Frequência Relativa (%) Natureza Socioeconômico Geração de expectativa na população 50% N Aumento da oferta de empregos 20% P Pressão sobre a infraestrutura de Serviços Essenciais 10% N Interferência sobre os modos de vida das populações 10% N Dinamização da economia local 10% P Desapropriações e aquisições de terrenos para o estabelecimento da faixa da servidão 10% N Mobilização da sociedade civil 10% P Interferência em terras e populações indígenas 10% N Físico Alteração na rede de drenagem 20% N Meio Afetado Impacto Ambiental Frequência Relativa (%) Natureza Início ou aceleração de processos erosivos 20% N Interferência em áreas com autorização e concessões minerais 10% N Restrições ao uso do solo 10% N Biótico Perturbação da fauna 10% N Perda de vegetação nativa 10% N Conforme o planejamento do gasoduto é realizado são gerados alguns impactos, como a geração de expectativa na população pela divulgação do empreendimento, podendo causar angustia na população local, por temerem que ocorra algum impacto ambiental negativo expressivo, incluindo o aumento no tráfego de automóveis, acidentes com os moradores ou algum tipo poluição (EIA RETAP, 2011). Para que não haja essa ansiedade na comunidade local, o empreendedor como forma de ação mitigatória poderá fazer a adequada divulgação do empreendimento, antecipando os possíveis impactos e informando que as alterações ambientais negativas que possam ocorrer durante as fases de construção e operação do gasoduto serão controladas, além de esclarecer as dúvidas da população (EIA RETAP, 2011). A desapropriação e aquisição de terrenos é um impacto socioeconômico. As propriedades em que o duto passa devem ser avaliadas e, como medida compensatória, é feito um acordo de indenização da faixa de servidão entre o proprietário e o empreendedor, para compensar pelas restrições de uso da área que serão estabelecidas onde o duto for instalado (EIA GASODUTO ROTA 3, 2014). A interferência em terras e populações indígenas também é um impacto socioeconômico. Mesmo sendo um impacto de magnitude média, sempre que possível, as atividades para implantação e operação devem ser realizadas fora das terras indígenas e não deve-se permitir a perambulação dos funcionários além da faixa de construção. Deve ser levado em consideração o sentimento de ameaça ao equilíbrio socioambiental ou interferências na realidade local. Como ação mitigatória é recomendado a inclusão de programas de comunicação social e educação ambiental no treinamento dos trabalhadores, com orientações voltadas a questões indígenas, sempre mantendo contato com os líderes da aldeia para esclarecimento de dúvidas e apresentação do empreendimento (EIA CACIMBAS-VITORIA, 2003). Fase de implantação Na fase de implantação foram encontrados 61 impactos ambientais, causando alterações no meio físico (16 impactos), socioeconômico (33 impactos) e biótico(12 impactos), sendo 52 impactos negativos, sete positivos e dois positivos e negativos (Tabela 2). Entre os impactos mais frequentes durante a fase de implantação foram observados o desencadeamento de processos erosivos, a redução da cobertura vegetal, a perturbação da fauna, a pressão em serviços públicos e equipamentos sociais, a dinamização econômica no local e o aumento da oferta de empregos. Durante a fase de implantação de um gasoduto é comum que ocorra o aumento da oferta de empregos, pela demanda por mão de obra para as atividades necessárias para o empreendimento. A perturbação da fauna e flora ocorre pelos ruídos emitidos durante as obras, pela possível supressão da vegetação e também pelo aumento de pressão de caça, devido aos trabalhadores e pelos gasodutos facilitarem o trânsito de caçadores. Além disso, a implantação dos gasodutos pode ocasionar alterações no setor de turismo, pela degradação da paisagem, por exemplo, e a dinamização da economia local, por atrair pessoas para as localidades onde o empreendimento irá ocorrer e pelo surgimento de novos empreendimentos. O aumento da população local pode provocar ainda a pressão em serviços públicos e equipamentos sociais. O desencadeamento de processos erosivos irá ocorrer pelas escavações e movimentação do solo, necessárias para a implantação dos gasodutos, pela abertura de vias de acesso e possíveis supressões da vegetação. É importante ressaltar que parte dos impactos constatados para a fase de implantação dos gasodutos são temporários, pois irão cessar após o fim dessa fase do empreendimento (RIO DE JANEIRO, 1997). Fase de Implantação – Meio Socioeconômico Nessa fase do empreendimento foram encontrados mais impactos no meio socioeconômico, do que no físico e no biótico. Os impactos positivos mais encontrados nesse meio foram a dinamização da economia local e o aumento da oferta de emprego, ambos encontrados em 70% dos estudos. Como são impactos benéficos, foram realizadas apenas recomendações pelos profissionais que elaboraram os estudos ambientais. Para a dinamização da economia local é recomendado que privilegie o comércio, serviços e contratações locais, para que assim possa garantir esse efeito na localidade onde o empreendimento está instalado (EIA CACIMBAS- VITORIA, 2003). Para o aumento da oferta de empregos é sugerido que, para que esse impacto seja potencializado, sejam feitos cadastros de mão-de-obra disponível e, quando forem feitas as contratações locais, expandir para trabalhadores de comunidades próximas (EIA CACIMBAS-VITORIA, 2003). Tabela 2. Impactos ambientais previstos, frequência relativa e natureza na fase de implantação de gasodutos. Meio Afetado Impacto Ambiental Frequência Relativa (%) Natureza Biótico Redução da Cobertura Vegetal 90% N Perturbação da fauna 70% N Alteração nas comunidades aquáticas 50% N Interferência em Unidades de Conservação e Outras Áreas Protegidas 50% N Redução de Habitats da Fauna 40% N Introdução de espécies exóticas 20% N Alteração da paisagem 20% N Aumento da pressão de caça 20% N Pressão sobre a biota 10% N Favorecimento da proliferação de vetores 10% N Perda de espécimes da fauna terrestre 10% N Risco de abalroamento de cetáceos e quelônios 10% N Socioeconômico Interferência/pressão em infraestruturas, Serviços públicos e equipamentos sociais 90% N Aumento da Oferta de Emprego 70% P Dinamização da Economia Local 70% P Meio Afetado Impacto Ambiental Frequência Relativa (%) Natureza Possibilidade de Interferências sobre o Patrimônio Arqueológico 50% N Alteração do uso do solo 50% N Aumento de arrecadação fiscal 40% P Interferência na rota de navegação 40% N Geração de Expectativas da população do entorno 30% N Interferências das obras com o trânsito existente 30% N Interferência na atividade pesqueira 30% N Alteração do setor de turismo 30% P/N Interferência sobre os modos de vida das populações 20% N Mobilização e desmobilização de mão de obra 20% P/N Interferência no cotidiano da população local 20% N Aumento do tráfego de veículos, de ruídos e de poeiras 20% N Pressão sobre a infraestrutura portuária 20% N Interferências sobre a infraestrutura hidráulica, energética e viária existente 20% N Meio Afetado Impacto Ambiental Frequência Relativa (%) Natureza Socioeconômico Perturbação da população do entorno 20% N Afluxo da força de trabalho 10% N Interferências com terras e populações indígenas 10% N Interferências em atividades econômicas 10% N Desapropriação e realocação 10% N Interferências sobre o patrimônio cultural e natural 10% N Mobilização da Sociedade Civil 10% P Pressão sobre a infraestrutura de disposição final de resíduos sólidos 10% N Incremento das atividades de comércio e serviços 10% P Interferência sobre o cotidiano da população (poluição) 10% N Alteração do quadro demográfico 10% N Melhoria dos acessos vicinais para a execução das obras 10% P Aumento do custo de vida 10% N Fortalecimento da Indústria Petrolífera e Naval 10% P Meio Afetado Impacto Ambiental Frequência Relativa (%) Natureza Aumento da especulação imobiliária 10% N Alteração do quadro de saúde pela vinda de população externa 10% N Físico Desencadeamento de processos erosivos 90% N Interferências com áreas de autorização e concessões minerárias 50% N Alteração da qualidade do ar 50% N Alterações nos níveis de ruído 40% N Alteração da qualidade da água superficial 40% N Alteração na qualidade do solo 30% N Alteração na qualidade da água - porção marinha 20% N Desagregação e suspensão de sedimento no trecho submerso 20% N Alteração da morfologia de fundo do assoalho marinho 20% N Alteração da rede de drenagem 20% N Alteração da qualidade dos recursos hídricos 20% N Geração de resíduos sólidos e efluentes líquidos 10% N Meio Afetado Impacto Ambiental Frequência Relativa (%) Natureza Alteração na qualidade ambiental devido à disposição inadequada dos resíduos sólidos 10% N Riscos de contaminação das aguas e do solo por derrames acidentais 10% N Instabilização de encostas por causa das obras 10% N Carreamento de sólidos / Assoreamento da rede de drenagem 10% N O impacto mais encontrado na análise dos EIAs foi a interferência/pressão em infraestrutura, serviços públicos e equipamentos sociais, observado em 90% dos estudos. Pode ocorrer em municípios que possuem uma rede de serviços bastante simples e, com a chegada de novos trabalhadores, ou elevação da renda familiar, pode pressionar a infraestrutura local, como a relativa à saúde, hospedagem, saneamento básico e alimentação, por exemplo (EIA CACIMBAS-VITORIA, 2003). Para minimizar esses problemas é recomendado a contratação de mão de obra local, implantação de infraestrutura para o atendimento à população e trabalhadores, além da negociação com o poder público local, para achar alternativas para reduzir essa pressão. Também é recomendado que sejam adotadas medidas conforme a Portaria nº 3214 de 1978 (BRASIL, 1978), normas de segurança de trabalho e execução do Plano de Construção Ambiental – PAC (EIA CACIMBAS-VITORIA, 2003). A possibilidade de interferências no patrimônio arqueológico é um impacto negativo, sendo ocasionada pelas escavações. Para isso, é recomendado que seja feito um acompanhamento das obras, desenvolvendo pesquisas detalhadas que indiquem onde ocorrem vestígios de ocupação pretérita (EIA CACIMBAS-VITORIA, 2003). Além disso, pode-se elaborar um programa de pesquisa arqueológica, conforme estabelecido pela Portaria 07 de 1988 (Brasil 1988) do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN e seguindo a Lei 3924 de 1961 (BRASIL, 1961), e ações de monitoramento e resgate do material encontrado durante a obra (EIA CACIMBAS-VITORIA, 2003). A alteração no setor de turismo é um impacto de média magnitude. Por ser um empreendimento relativamente grande, passa por várias cidades, sendo umas litorâneas e outras não. Alguns dutos ficam localizados em rodovias, não interferindo com o turismo local. Em pontoslitorâneos, para os dutos que passam na areia da praia, só vai haver restrições durante as obras, após o termino poderá ser usada toda a extensão da faixa. As interferências causadas à atividade turística podem ser mitigadas com medidas e sistemas de controle na fase de obras, diminuindo o incômodo ao turista (EIA PROJETO VERDE ATLÂNTICO ENERGIAS, 2016). Para potencializar o turismo local, pode-se qualificar os cidadãos locais para trabalharem com turismo, para alavancar essa atividade (EIA PROJETO VERDE ATLÂNTICO ENERGIAS, 2016). A alteração no quadro de saúde da população local pode ser causada pela chegada de novos trabalhadores, podendo assim alterar a saúde dos moradores próximos à área do gasoduto. Esse é um impacto que apareceu em 10% dos estudos. Como medida mitigatória é recomendada a contratação de mão-de-obra local, que sejam feitos exames médicos durante o recrutamento e ao longo da obra, tratamento adequado da água, resíduos e esgoto nas obras, e educação ambiental e sanitária para os funcionários (EIA GASODUTO BRASIL-BOLÍVIA, 1997). Fase de Implantação – Meio Biótico Nos ambientes continentais, existe o impacto de redução da cobertura vegetal e perturbação da flora e sua natureza é negativa. Esse impacto é encontrado nos lugares onde ocorre a construção do projeto. É realizada uma limpeza e a preparação do local, implicando na retirada da cobertura vegetal nativa, com posterior escavação do solo para o assentamento da tubulação. É encontrado especialmente na área diretamente afetada e no canteiro de obra. As medidas de controle são necessárias para que seja evitada a supressão de remanescentes ao entorno das áreas autorizadas. A supressão deve ser controlada e compensada conforme a legislação, no âmbito do Programa de Compensação Ambiental (EIA RIO GRANDE 2016, EIA PROJETO ATLÂNTICO ENERGIAS, 2016), no qual é fixado um valor de compensação ambiental, e definido o local da destinação pelo órgão licenciador (ICMBIO, 2019). A perturbação na fauna é um impacto encontrado em 70% dos estudos, sendo negativo e de magnitude pequena. Esse impacto pode ser ocasionado por diferentes fatores, como a redução de vegetação, diminuindo o habitat para a fauna, stress com o trânsito de pessoas e equipamentos e a mortalidade dos animais, mesmo que em pequena quantidade, caso algum animal caia e fique preso na vala aberta. A emissão de ruídos pode causar a fuga, interferindo na composição e estrutura da comunidade biótica e em interações ecológicas. O aumento da pressão da caça pode ocorrer, levando em consideração a possibilidade de que alguns trabalhadores que estejam envolvidos na obra pratiquem a caça. São recomendadas algumas medidas, como, monitoramento do deslocamento da fauna, para a proteção dos animais ameaçados, treinamento e educação ambiental, para que os trabalhadores envolvidos se conscientizem de que não devem caçar e da importância da retirada dos animais das proximidades das obras (EIA CACIMBAS-VITÓRIA, 2003). Interferências em unidades de conservação e outras áreas protegidas é um impacto negativo que foi encontrado em metade dos estudos analisados. Para que possa ser feita a implantação do gasoduto são necessárias ações de limpeza e preparação de terreno, fazendo a retirada de vegetação, movimentando terra, corte de morros e aterros. Algumas das obras passam dentro de áreas protegidas, como unidades de conservação e áreas de preservação permanente. Para a remoção da vegetação das Áreas de Preservação Permanente (APP), por ser um impacto não mitigável, deverão então ser implementadas medidas compensatórias (SÃO PAULO, 2017; EIA PROJETO VERDE ATLÂNTICO ENERGIAS, 2016). Nesse caso, podem ser realizados reflorestamentos em outros locais ou o financiamento de projetos de unidades de conservação, por exemplo. No caso do empreendimento afetar ambiente marinho ou cursos d’água, pode ocorrer o impacto negativo alteração da comunidade aquática. Pode ocorrer em função de obras como a da instalação de um gasoduto marinho, associado ao processo de dragagem, para aprofundar o canal de navegação, ao píer e a implantação de quebra- mar (EIA PROJETO VERDE ATLÂNTICO ENERGIAS, 2016). Para minimizar esse impacto, durante a instalação do gasoduto marítimo, a dragagem será realizada em um curto intervalo de tempo, para reduzir a magnitude do impacto. É interessante que ocorra o monitoramento da qualidade da água durante a execução das obras, conforme os padrões observados na Resolução Conama nº 357/05 (Brasil, 2005), e o monitoramento também da biota aquática, analisando as eventuais interferências. Na parte continental podem ser realizadas medidas de controle de erosão e acompanhamento de alteração nas águas superficiais, para reduzir impacto sobre o ecossistema aquático (EIA PROJETO VERDE ATLÂNTICO ENERGIAS, 2016). O impacto negativo introdução de espécies exóticas foi encontrado em estudos localizados na Bacia de Santos. A introdução dessas espécies é realizada em função de incrustações nos cascos das embarcações e de água de lastro, durante o transporte entre o ponto de apoio até a área de instalação dos dutos (EIA GASODUTO ROTA 3, 2014). Nesse caso para que se minimize esse impacto existe uma norma para ser seguida (NORMAM – 20/DPC), que é o gerenciamento de água de lastro (EIA GASODUTO ROTA 3, 2014). Mesmo a caça de animais silvestres sendo uma atividade ilegal, ainda ocorre em muitas regiões brasileiras. O aumento da pressão da caça, até mesmo dentro de unidades de conservação, é um impacto de ocorrência bastante provável. Com o aumento da população é esperado que haja maior pressão na caça, sendo os mamíferos e aves os mais afetados (EIA PROJETO VERDE ATLÂNTICO ENERGIAS, 2016). Esse impacto é negativo, de magnitude pequena e foi encontrado em 20% dos estudos. Para a mitigação desse impacto são realizadas ações ambientais específicas, são propostos Programas de Educação Ambiental e Plano de Gerenciamento Ambiental das Obras (PGAO), visando conscientizar a população ligada direta e indiretamente à obra do gasoduto. Deve-se preparar também ações de monitoramento do impacto da pressão da caça (EIA PROJETO VERDE ATLÂNTICO ENERGIAS, 2016). Fase de Implantação – Meio Físico O impacto de desencadeamento de processos erosivos, foi encontrado em 90% dos estudos, é de natureza negativa e de média magnitude. É comum que ocorra esse processo erosivo com a movimentação do solo associada a declividade do local da obra. Assim, onde a declividade é maior, o processo erosivo é mais forte. Para que o solo tenha uma maior estabilidade, e assim ocorra um controle me¬lhor desse processo, são recomendadas algumas medidas, incluin¬do identificar, caracterizar e monitorar os possíveis processos ero¬sivos e, a partir disso, propor medidas para que haja uma contenção nas erosões, conforme as características observadas (EIA ROTA 3, 2014). Métodos físicos, com obras de alvenaria, e biológicos, com o aumento da cobertura vegetal para proteger e manter a estabilidade do solo, podem ser utilizados. Interferência sobre áreas de concessão de direitos minerários é um impacto ambiental de natureza negativa e de pequena magnitude. Em 50% dos estudos foi encontrado esse impacto, assim, foi identificada a presença de áreas com Autorização de Pesquisa e Concessão de Lavra, requeridas ou expedidas pelo Departamento Nacional de Produção Minerária (DNPM) em locais onde vai haver a obra do gasoduto. Quando isso ocorre é recomendado que o empreendedor faça o pedido ao DNPM de bloqueio da área onde o duto vai passar, o mais rápido possível. A medida adotada contra esse impacto é compensatória, já que não é possível desenvolver atividades minerárias na área, então deve-se observar as legislações específicas no processo de licenciamento, com o DNPM responsável e, sendo necessário, ressarcir o proprietário da área (EIA ROTA 3, 2014). A alteração da qualidade do ar é um impacto, negativo, encontrado em 50% dos estudos e de magnitude pequena. É um impacto causado pela construção do canteiro de obra e áreas de apoio, como tambémpela a supressão da vegetação, terraplanagem, limpeza da área, movimentação de veículos e máquinas e a abertura do acesso viário. Com a movimentação da terra e a emissão de gases dos veículos e máquinas a qualidade do ar é alterada. Como medidas de controle, pode ser realizada a umectação das vias de acesso, com caminhões pipas em locais onde for realizada supressão de vegetação, controle de velocidade nas áreas de terra, os caminhões que carregam terra e brita devem ser cobertos, os veículos e maquinas devem ser lavados para que não caia mais sedimentos nas vias, e é feita a manutenção e revisão nos veículos e equipamentos, como uma medida de prevenção de emissão de poluentes (EIA REFORÇO DO GASODUTO BAIXADA SANTISTA, 2018). A alteração na rede de drenagem é um impacto negativo de magnitude pequena, encontrado em 20% dos estudos trabalhados. Essas alterações ocorrem devido a realização da terraplanagem e movimentação da terra, que são necessárias para melhorar ou abrir vias de acesso. Se nenhuma medida for adotada, é possível que ocorra processos erosivos, levando sedimento para os cursos d’água, ocasionando assoreamento e afetando a qualidade da agua. Durante toda a fase de implantação deverá ocorrer monitoramento nessas vias, principalmente após as chuvas. Como medida mitigatória, é recomendada que as grandes travessias sejam projetadas visando reduzir os efeitos negativos sobre a drenagem, através do levantamento do curso d’agua das travessias, caracterizando as condições dos leitos e margens. A cobertura de vegetação sobre o solo pode funcionar como proteção, evitando a exposição do solo. Deve-se evitar processos de erosão ou transporte de sedimentos, evitar modificar o escoamento normal do curso d’agua, realizar inspeções nas travessias sempre que possível e implantar o Programa de Recuperação de Áreas Degradadas (EIA GASODUTO CARAGUATATUBA-TAUBATÉ, 2006). A alteração na morfologia do fundo do assoalho marinho é um impacto ambiental negativo, encontrado em 20% dos estudos, sua magnitude varia em pequeno e médio. Para esse impacto deve ser realizado o controle das interferências que ocorrerão antes e depois das instalações dos gasodutos. Devem ser monitorados os parâmetros físicos e químicos da água, a caracterização da qualidade de sedimentos e a microfauna bentônica, sendo realizadas medidas corretivas quando necessárias (EIA ROTA 3, 2014). Fase de operação Nessa fase foram encontrados 44 impactos ambientais, ocorrendo no meio físico (11 impactos), socioeconômico (24 impactos) e biótico (nove impactos), com 29 negativos e 15 positivos (Tabela 3). Diversos benefícios advindos de grandes empreendimentos surgem apenas na fase de operação, acarretando em impactos positivos não observados nas fases de planejamento e operação (BENTO, 2018). O vazamento de gás e explosão e a redução das emissões atmosféricas das indústrias com a utilização de gás natural são exemplos de aspectos ambientais que foram citados como impactos ambientais. Fase de Operação – Meio Socioeconômico Entre os impactos ambientais mais frequentes na fase de operação estavam a restrição do uso do solo e ocupação do solo local, dinamização da economia, interferência da atividade pesqueira e exposição da população ao risco de acidente. A interferência no uso e ocupação do solo na faixa do gasoduto aparece em 70% dos estudos e é um impacto negativo. Deve ser realizada a manutenção da faixa do gasoduto, sendo permitido a continuidade do uso, caso seja um jardim, uma pastagem ou área de cultivo. A restrição é apenas para árvores de grande porte e o sistema radicular do que for plantado não pode ultrapassar a profundidade de 40 cm, como também é limitado o tráfego de veículos pesados, construções de edificações, dentre outras atividades que podem colocar a tubulação em risco. A população local deve ser alertada sobre as atividades permitidas ou não na área dos dutos e deve-se aplicar a compensação ambiental (EIA REFORÇO RETAP, 2010). Tabela 3. Impactos ambientais previstos, frequência relativa e natureza na fase de operação de gasodutos. Meio Afetado Impacto Ambiental Frequência Relativa (%) Natureza Biótico Interferências pontuais sobre a fauna local 30% N Interferência em Unidades de Conservação e Outras Áreas protegidas 20% N Meio Afetado Impacto Ambiental Frequência Relativa (%) Natureza Alteração nas comunidades aquáticas 20% N Introdução de espécies exóticas 10% N Proteção à Área de Proteção Permanente 10% P Colonização de comunidades biológicas incrustantes 10% N Pressão sobre a biota 10% N Alteração nos remanescentes florestais 10% N Surgimento de habitat de fundo consolidado pela instalação de estruturas submersas 10% P Socioeconômico Restrição de uso e ocupação do solo local 70% N Dinamização da economia 40% P Interferência na atividade pesqueira 40% N Exposição da população ao risco de acidentes 40% N Interferência sobre os Modos de Vida das Populações 30% N Aumento da disponibilidade de gás natural 30% P Alterações no mercado de trabalho 20% P Meio Afetado Impacto Ambiental Frequência Relativa (%) Natureza Aumento da receita tributária com incremento da economia local e estadual 20% P Melhoria no Fornecimento de Energia 20% P Aumento da arrecadação fiscal 20% P Socioeconômico Interferência/pressão em infraestruturas, Serviços públicos e equipamentos sociais 20% N Aumento da disponibilidade de combustível 10% P Vazamento de gás e explosão 10% N Melhoria da qualidade do ar e, redução de doenças respiratórias 10% P Aumento da capacidade de escoamento de gás produzido na Bacia de Santos 10% P Alteração no quadro de saúde pela vinda de população externa 10% N Aumento da especulação imobiliária 10% N Mobilização da Sociedade Civil 10% P Aumento do custo de vida 10% N Interferência mas atividades de turismo e lazer 10% N Meio Afetado Impacto Ambiental Frequência Relativa (%) Natureza Fortalecimento da Indústria Petrolífera e Naval 10% P Alteração do tráfego marítimo 10% N Pressão sobre a infraestrutura portuária 10% N Alterações no mercado de trabalho 10% P Físico Alteração nos níveis de ruído 20% N Alteração da qualidade do ar 20% N Redução das emissões atmosféricas das indústrias com a utilização do gás natural 20% P Alteração da qualidade da água superficial 10% N Emissão de campos elétricos e magnéticos 10% N Alteração na qualidade das águas marinhas 10% N Desencadeamento e intensificação de processos de dinâmica superficial 10% N Alteração da hidrodinâmica marinha e da sedimentação praial 10% N Alteração da morfologia do fundo do assoalho marinho 10% N Meio Afetado Impacto Ambiental Frequência Relativa (%) Natureza Interferência sobre áreas de concessão de direitos minerários 10% N Manutenção do duto 10% N A dinamização da econômica é um impacto positivo, de média magnitude, encontrado em 40% dos estudos. Na fase de operação o gasoduto atrai outros empreendimentos, empresários e novos habitantes para a localidade, que dependem dessa matriz energética, ajudando a dinamizar a economia. Por ser um impacto positivo, é feito uma medida potencializadora, com um Programa de Comunicação Social (EIA REFORÇO DO GASODUTO DA BAIXADA SANTISTA, 2018; EIA REFORÇO RETAP, 2010). A exposição da população ao risco de acidente é um impacto negativo, de pequena magnitude e ocorre em 40% dos estudos. Esse impacto ocorre pelo gás natural ser inflamável. Como medida preventiva, o perigo deve ser comunicado à população e deve ser elaborado um Plano de Ação de Emergência (PAE) (EIA REFORÇO RETAP, 2010). A interferência na atividade pesqueira é um impacto de magnitude média e negativo, encontrado em 40% dos estudos analisados. Para mitigar essa interferência pode ocorrer a comunicação entre o empreendedor e os pescadores, informando sobre os procedimentos de navegação e segurança a serem seguidos durante a operação dos gasodutos (EIA ROTA 3, 2014). O vazamento de gás e explosão foi encontrado em 10 % dos casos, com magnitude grande e natureza negativa.Pode ocorrer em função de falhas na rede de distribuição de gás, ou interferência, como escavações. Para mitigar esse impacto pode ser utilizada a sinalização, indicando a presença dos dutos, um canal de atendimento aos usuários, uma equipe capacitada para emergências e executar a obra conforme as normas de segurança (EIA AMPLIAÇÃO GASODUTO CURITIBA, 2017). O aumento do custo de vida está em 10% dos estudos, com natureza negativa e magnitude média. É ocasionado pela divulgação do empreendimento, e demanda de bens e serviços, maior circulação de pessoas, aumento no comércio e serviços ofertados, provocando maior especulação imobiliária (EIA ETAPA 2 BACIA DE SANTOS, 2014). Para esse impacto, não foi encontrada medida mitigadora ou compensatória. Fase de Operação – Meio Biótico A interferência pontual na fauna local é um impacto encontrado em 30% dos casos analisados, de magnitude pequena e natureza negativa. É ocasionado pela retirada da vegetação, reduzindo o habitat, e o afugentando os animais, podendo causar consequências posteriores. A circulação dos veículos e embarcações para o transporte de funcionários e equipamentos aumenta a incidência de ruídos e vibrações, ocasionando o afugentamento de animais da localidade. As ações mitigatórias são medidas de controle da supressão vegetal, fazendo o resgate da fauna existente, educação ambiental, para que haja respeito e cuidado com a fauna durante a fase de operação, monitoramento dos grupos considerados bioindicadores e a compensação ambiental (EIA REFORÇO DO GASODUTO BAIXADA SANTISTA, 2018). A alteração na comunidade aquática, encontrado em 20% dos tra¬balhos, é um impacto de natureza negativa e a magnitude foi classi¬ficada como pequena ou grande, nos estudos analisados. Durante a fase de operação os ruídos e vibrações, emitidos pela navegação de navios, afugentam os animais aquáticos para áreas adjacentes, ocasionando o aumento pela com¬petição por recursos na área onde as populações aumentam. O aumento de circulação de navios pode provocar a chegada de espécies invasoras, podendo causar a perda da biodiversidade aquática nativa, e também colocar em risco a saúde humana, pela introdução de vetores de doenças. Durante a fase de operação está previsto o bombardeamento de água estuarina para o aquecimento e regaseificação do Gás Natural Liquefeito, podendo ocasionar a sucção de organismos aquáticos, Quando liberada, a água está ligeiramente mais fria, alterando a composição e a estrutura das comunidades biológicas. Como ação mitigadora são recomendadas o monitoramento da qualidade da água e comunidades aquáticas e controle de espécies exóticas (EIA REFORÇO DO GASODUTO BAIXADA SANTISTA, 2018). O surgimento de habitats de fundo pela instalação de estruturas submersas é um impacto positivo, de magnitude pequena, é foi encontrado em 10% dos estudos. A estrutura do gasoduto na parte marinha é usada como habitat para colonização de comunidades bentônicas e nécton. Por ser um impacto positivo, não existe medida mitigatória, mas em um EIA foi indicado o Subprograma de Monitoramento da Biota Aquática, para acompanhar as variações nas comunidades bióticas aquáticas (EIA PROJETO VERDE ATLÂNTICO ENERGIAS, 2016). Esse impacto ser considerado como positivo é questionável, pois o surgimento de novos habitats pode provocar desequilíbrios nas comunidades bióticas. Fase de Operação – Meio Físico A redução das emissões atmosféricas das indústrias com a utilização do gás natural é um impacto positivo, de grande magnitude e foi encontrado em 20% dos estudos analisados. A queima do gás natural comparada com outras fontes de energia provoca uma emissão bem menor de poluentes atmosféricos, proporcionando para a região uma melhor qualidade no ar (EIA AMPLIAÇÃO GASODUTO CURITIBA, 2017). A alteração na qualidade do ar, na fase de operação, é diferente da fase de implantação, as emissões nessa fase são encontradas na estação de recebimento do gás natural e operações no terminal. Para mitigar podem ser utilizadas as melhores tecnologias e ocorrer o monitoramento da qualidade do ar, aplicando-se medidas corretivas caso ocorram problemas (EIA REFORÇO GASODUTO BAIXADA SANTISTA, 2018). A alteração no nível de ruído é um impacto negativo de magnitude média, e constatado em 20% dos estudos. Na fase de operação só ocorre pressão sonora na estação de recebimento do gás natural na área industrial e não apresenta incomodo à população. Como ação mitigatória, é feita a manutenção periódica do maquinário (EIA REFORÇO GASODUTO BAIXADA SANTISTA, 2018). A alteração na hidrodinâmica marinha e da sedimentação praial, é um impacto negativo, de magnitude pequena, que foi encontrado em 10% dos estudos analisados, e está associado à atividade do quebra- mar para a atracação e amarração dos navios, e para transferência e descarregamento de gás. Interferindo na circulação hidrodinâmica marinha, e possível processos de erosão e sedimentação praial (EIA PROJETO VERDE ATLÂNTICO ENERGIAS, 2016). A manutenção do duto é um aspecto ambiental, mas foi encontrado em 10% dos estudos, é de magnitude média e natureza negativa. É necessário realizar a manutenção na faixa de servidão. O solo na faixa de servidão pode ser utilizado a uma profundidade de até 40cm, podendo ser cultivado, mas não com árvores. Os serviços de manutenção incluem a roçada periódica e a sinalização da aérea (EIA REFORÇO RETAP, 2010). Durante as fases de planejamento, implantação e operação de um gasoduto ocorre um número maior de impactos ambientais negativos que positivos. Para que esses impactos negativos não provoquem expressiva degradação ambiental, são recomendadas medidas mitigatórias nos estudos ambientais que, se forem implementadas corretamente, podem diminuir a degradação ambiental causada pelos gasodutos. Dentre as fases do empreendimento, a de implantação foi a que mais apresentou impactos ambientais. Vale ressaltar que, dentre todos os impactos, os seguintes estão entre os mais relevantes: a redução da cobertura vegetal; o desencadeamento de processos erosivos; e a interferência/pressão em infraestrutura, serviços públicos e equipamentos sociais. A geração de expectativa na população é um impacto negativo, mas se houver a correta implementação de medidas por parte do empreendedor, ela pode provocar a dinamização da economia local e o aumento da oferta de emprego, sendo eles, impactos positivos. Assim, com o correto planejamento e aplicação das medidas mitigadoras e maximizadoras, é possível ampliar os benefícios dos gasodutos e minimizar os problemas que podem ser ocasionados por esses empreendimentos. Referências ANP. Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. 2019a. Disponível: . Acessado: 22 abr. 2019. ANP. Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. 2019b. Disponível: . Acessado: 05 mai. 2019. ANP. Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. 2018. Disponível: . Acesso em: 14 mai. 2019. ALMEIDA, F.S.; GARRIDO, F.S.R.G.; ALMEIDA, A.A. Avaliação de impactos ambientais: uma introdução ao tema com ênfase na atuação do Gestor Ambiental. Diversidade e Gestão, n.1, p.70-87, 2017. ALVIM, M.M.A. Análise dos impactos ambientais e medidas mitigadoras no planejamento, implantação e operação das rodovias no Brasil. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Gestão Ambiental), Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. 40p. 2017. 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Aumento do valor da propriedade. Paisagismo com uso de espécies nativas. A atividade deve ser executada por profissionais capacitados. Atividades Impactos Ambientais Medidas mitigadoras/ compensatórias/ maximizadoras Atividades administrativas Redução da disponibilidade de água, energia e outros recursos naturais para outros usos. Poluição da água e solo em função da geração de resíduos sólidos e líquidos. Uso de equipamentos que utilizem a energia de forma eficiente. Captação e armazenamento da água da chuva. Utilizar fontes renováveis de energia, como a solar. Incentivar os funcionários a utilizarem de forma racional os materiais e a água por meio da Educação Ambiental Informatização de procedimentos burocráticos. Adoção de copos e outros materiais não descartáveis. Fazer a correta destinação dos resíduos sólidos. Reciclagem e/ou reutilização de materiais. Tratamento e/ou reutilização da água. Implantação de novas áreas de pastagem Mudanças no uso do solo. Perda de habitats naturais. Simplificação do ambiente pela implantação de uma única espécie na pastagem. Aumento da incidência de queimadas. Aumento da área para criação de animais. Surgimento de oportunidades de geração de empregos e renda. Criar animais em confinamento ou em piquetes. Utilizar áreas já desmatadas/ degradadas. Desenvolvimento e implantação de ações para prevenção e combate a incêndios. Capacitar moradores locais para as atividades do empreendimento. Fornecer adequadas condições de trabalho. Geral Geração de empregos. Aumento da oferta de alimentos proveniente dos bovinos (carne, leite e derivados). Aumento da arrecadação tributária. Movimentação da economia. Incentivo a contratação de novos funcionários. Oferta de cursos profissionalizantes. Investimentos na Educação e Saúde do trabalhador. Fornecer adequadas condições de trabalho. Quadro 2. Atividades, impactos ambientais e medidas mitigadoras, compensatórias ou maximizadoras relativos à criação de bovinos e/ou cavalos na fase de operação do empreendimento. Atividades Impactos Ambientais Medidas mitigadoras/ compensatórias/ maximizadoras Atividades administrativas Redução da disponibilidade de água, energia e outros recursos naturais para outros usos. Poluição da água e solo em função da geração de resíduos sólidos e líquidos. Uso de equipamentos que utilizem a energia de forma eficiente. Captação e armazenamento da água da chuva. Utilizar fontes renováveis de energia, como a solar. Incentivar os funcionários a utilizarem de forma racional os materiais e a água por meio da Educação Ambiental Informatização de procedimentos burocráticos. Adoção de copos e outros materiais não descartáveis. Fazer a correta destinação dos resíduos sólidos. Reciclagem e/ou reutilização de materiais. Tratamento e/ou reutilização da água. Uso de maquinários e veículos Poluição sonora. Aumento da incidência de doenças nos funcionários, decorrente da falta de uso de equipamentos de proteção. Alteração da qualidade do ar devido à emissão de gases. Alteração do clima, em função da liberação de gases do efeito estufa. Poluição do solo e água decorrente do vazamento de óleos. Compactação do solo. Utilização de maquinários e veículos mais silenciosos. Uso de equipamento de proteção auditiva e visual. Mão de obra capacitada. Manutenção dos maquinários e veículos. Utilização de fontes de energia menos poluentes e que não colaborem para o aumento da concentração de gases do efeito estufa na atmosfera. Substituição de máquinas pelo uso de tração animal. Atividades Impactos Ambientais Medidas mitigadoras/ compensatórias/ maximizadoras Treinamento e manejo dos animais Aumento do estresse dos animais. Ferimentos nos animais. Doma racional. Profissionais com treinamento para efetuar as funções e uso de materiais adequados. Controle sanitário e processos de higiene animal Contaminação do solo e da água. Redução da disponibilidade de água para outros usos. Problemas de saúde nos funcionários. Melhoria da qualidade de vida dos animais, se os procedimentos forem realizados corretamente. Aumento do nível de estresses nos animais, caso sejam realizados de forma inadequada. Risco de acidentes com os trabalhadores. Correta destinação/disposição dos resíduos. Reciclagem de resíduos. Tratamento e/ou reutilização da água. Profissionais com treinamento para efetuar as funções, com os equipamentos adequados. Uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) pelos trabalhadores. Cuidados com a dieta dos animais. Utilização de medicamentos e equipamentos aprovados pelas autoridades públicas e armazenados de forma adequada. Utilização do pasto pelos animais, dessedentação e alimentação Compactação do solo. Diminuição da infiltração e da capacidade de armazenamento de água no solo. Assoreamento e poluição de cursos d’água em função do pisoteio das suas margens. Alteração da qualidade do ar e aumento do efeito estufa, decorrente dos gases lançados pelos animais por consequência da digestão. Utilizar a lotação animal adequada. Rotação de pastagens. Realizar a criação de gado em confinamento. Não permitir que o gado adentre as Áreas de Preservação Permanente dos cursos d’água e entorno de lagos. Realizar o plantio de árvores para diminuir a concentração de gases do efeito estufa na atmosfera. Atividades Impactos Ambientais Medidas mitigadoras/ compensatórias/ maximizadoras Irrigação Redução da disponibilidade de água para outros usos. Salinização do solo. Aumenta a disponibilidade de água para as gramíneas cultivadas. Avaliar a necessidade de irrigação a partir do balanço hídrico e utilizar a menor quantidade de água possível. Utilizar espécies de gramíneas mais eficientes no uso da água. Utilizar técnicas de irrigação eficientes. Plantio em período de chuva. Controle de plantas invasoras Poluição do solo e da água. Contaminação humana por uso de herbicida. Diminuição da competição entre as gramíneas cultivadas e as plantas daninhas. Adequada calagem e fertilização do solo, correta taxa de semeadura e plantio na época apropriada. Uso de equipamentos de segurança pelos trabalhadores. Menor utilização de herbicidas. Controle manual com enxadão ou foice, ou o controle biológico. Aplicar o herbicida em dias sem chuva e ventos fortes. Construção e/ou manutenção de instalações Alteração da paisagem. Redução da disponibilidade de recursos naturais e energia. Poluição atmosférica. Poluição sonora, do solo e de recursos hídricos. Danos à saúde das pessoas. Projeto paisagístico. Uso racional dos recursos naturais e da energia. Reciclagem e reutilização de materiais. Correta disposição final de resíduos. Realizar construções que possibilitem a captação e armazenamento da água da chuva e o bom aproveitamento da luz solar. Manutenção dos equipamentos. Utilização de equipamentos silenciosos e eficientes no uso de energia. Uso de equipamentos de proteção individual pelos trabalhadores. Atividades Impactos Ambientais Medidas mitigadoras/ compensatórias/ maximizadoras Renovação das pastagens através de queimadas Aumento da incidência de queimadas. Perda de nutrientes do solo. Perda da biodiversidade local. Aumento da erosão, perda de solo e mudanças nas características físicas do solo. Possível perda de habitats pela expansão do incêndio além da área da pastagem. Aumento da poluição atmosférica. Poluição visual. Realizar a queima controlada. Fazer aceiros. Utilizar outros métodos para a renovação das pastagens. Coleta e armazenamento de esterco. Contaminação do solo e da água. Poluição visual. Poluição do ar pela emissão de gases. Realização da compostagem. Utilização do esterco como fertilizante para a pastagem e para outros fins. Construção de biodigestores para geração de energia com os resíduos de esterco. Geral Geração de empregos. Aumento da oferta de alimentos proveniente dos bovinos (carne, leite e derivados). Aumento da arrecadação tributária. Movimentação da economia. Incentivo a contratação de novos funcionários. Oferta de cursos profissionalizantes.Investimentos na Educação e Saúde. Fornecer adequadas condições de trabalho. Áreas de pastagem A implantação de novas pastagens muitas vezes implica na conversão de uso do solo, inclusive, uma expressiva parte do desmatamento que ocorre no Bioma Amazônia é decorrente da abertura de novas áreas para criação de gado (RIVERO et al., 2009). Consequentemente, isso gera a perda de habitat para diversas espécies, o que é especialmente grave para espécies cujos indivíduos necessitam de grandes áreas para viver (ALMEIDA et al., 2011). Os ecossistemas naturais apresentam, geralmente, uma estrutura bastante complexa. As Florestas Tropicais apresentam diversos extratos verticais, ocupados por diferentes organismos. Quando esse ambiente é destruído para dar lugar às pastagens, ocorre a simplificação do ambiente. Esse ambiente simplificado acaba por suportar menos espécies que o ecossistema natural (MARTINS et al., 2011). Outro ponto negativo da implantação de novas áreas de pastagens é o aumento da incidência de queimadas, pois muitos pecuaristas utilizam as queimadas para renovação das pastagens (TAVARES FILHO et al., 2011). Por outro lado, novas pastagens proporcionam o aumento do rebanho, da oferta de alimento para o ser humano e o surgimento de oportunidade de geração de empregos e renda, tornando-se impactos ambientais positivos. A degradação das pastagens acarreta ao solo a perda de produtividade e da capacidade das plantas de resistir a pragas, doenças e se recuperar naturalmente (MACEDO; ZIMMER, 1993 apud OLIVEIRA; MONTEBELL, 2014). Com a degradação da pastagem o pecuarista tende a ampliar a área utilizada, para não reduzir a sua produção e ganhos. Assim, evitar a degradação das pastagens é extremamente importante para minimizar os impactos ambientais negativos da criação de bovinos e equinos. É possível evitar ou minimizar os impactos ambientais negativos advindos da implantação de novas áreas de pastagem através do uso de áreas já desmatadas, evitando-se a conversão de áreas com ecossistemas naturais em pastagens, e a criação de animais em confinamento. O confinamento permite aumentar o número de animais, que são criados em um espaço reduzido, diminuindo a necessidade de aumentar a área de pasto. Contudo, críticos desse sistema de criação apontam que a qualidade de vida dos animais fica comprometida (SOUZA, 2005), devido à maior proliferação de doenças e parasitas, ao aumento do nível de estresse nos animais e à maior ocorrência de brigas entre eles. A criação em piquetes também pode diminuir os impactos negativos do desmatamento, pois os pecuaristas fazem rotação de áreas. Arações e gradagens são técnicas utilizadas para implantar ou renovar pastagens, mas podem causar diversos impactos ambientais negativos, destacando-se o aumento dos processos erosivos e a perda de solo decorrentes da desagregação das partículas do solo. Outro problema gerado por essa atividade é a poluição e assoreamento de cursos d’água e perda de indivíduos da fauna do solo. Por outro lado, traz para o pecuarista os benefícios de aumento do nivelamento do solo, da sua uniformidade e aeração, além da incorporação de material vegetal ao solo. Para mitigar os impactos negativos das arações e gradagens indica-se a aração em curva de nível, a manutenção ou reflorestamento das matas ciliares e a semeadura direta. Na atividade de semeadura o criador de equinos e bovinos pode optar por uma espécie de gramínea que não é nativa da região, introduzindo uma espécie exótica. Caso essa espécie se propague para além da área da pastagem pode competir com espécies nativas e diminuir suas densidades ou mesmo eliminá-las, gerando perda de diversidade biológica. Para evitar esses impactos negativos, recomenda-se utilizar espécies de forrageiras nativas ou dificultar a dispersão de gramíneas exóticas para fora da área da pastagem, o que é extremamente difícil. A irrigação de pastagens é uma prática que não é utilizada em todas as propriedades, mas pode acelerar o crescimento das plantas e, consequentemente, proporcionar maior disponibilidade de alimento para os animais. Com a adoção da irrigação, se reduz a disponibilidade de água para outros usos e a irrigação em excesso ou com água com elevados níveis de sais, pode ocasionar a salinização do solo (PEDROTTI et al., 2015). A irrigação deve ser planejada levando-se em consideração o nível de pressão da água e a opção por evitar a mistura de fertilizantes ou herbicidas e fungicidas. Assim, previne-se a precipitação de complexos que exacerbam a salinização (OLIVEIRA; MAIA, 1998). Como medidas mitigadoras cita-se a utilização de espécies de gramíneas mais eficientes no uso da água, avaliar a necessidade da irrigação, a qualidade físico-química da água e utilizar a menor quantidade de água possível. O controle de plantas invasoras de pastagens com herbicidas pode provocar a poluição do solo e da água. Outro importante problema é a contaminação humana por herbicidas. Para evitar ou minimizar tais impactos sugere-se o controle manual com enxada, foice ou controle biológico. Além disso, é extremamente importante a adequada calagem e fertilização do solo, a correta taxa de semeadura e o plantio na época apropriada, pois evitam a ocorrência de plantas invasoras (PERON; EVANGELISTA, 2004). Quando o uso de herbicidas for necessário, deve ser realizado o cálculo da quantidade necessária para evitar que impactos ambientais negativos atinjam maiores magnitudes. O controle de plantas invasoras por esse método acarreta para o pecuarista a diminuição da competição entre as gramíneas cultivadas e as invasoras. Durante a utilização do pasto pelos animais o pisoteio ocasiona a compactação do solo e consequente diminuição da infiltração e capacidade de armazenamento de água no solo. Recomenda-se a rotação de pastagens, a utilização da lotação animal adequada e a criação de gado em confinamento. Nas pastagens observa-se a presença de carbono tanto no solo quanto na pastagem, sendo consideradas como bons locais para o “armazenamento” de carbono, pois aumentam o estoque de carbono quando bem manejadas (AMARAL et al., 2012). Todavia, a degradação das pastagens influencia negativamente na quantidade de carbono presente no solo, contribuindo para o aumento do efeito estufa (FAO, 2009 apud AMARAL et al., 2012). Controle de pragas e espécies invasoras Além da poluição do solo e da perda de organismos não-alvo serem impactos ambientais negativos gerados pela atividade de controle de pragas, principalmente, quando se faz uso de pesticidas sintéticos, também pode ocorrer o aumento da incidência de doenças nos trabalhadores (RAMOS; SILVA FILHO, 2004; PINHEIRO; FREITAS, 2010). As medidas mitigadoras incluem o controle biológico de pragas (utilizando-se inimigos naturais para combater as pragas) e a análise das populações das pragas e utilização dos praguicidas somente quando alcançarem o nível de dano econômico. Os trabalhadores responsáveis pelo controle das pragas devem ser treinados para realizar essa função e possuir os equipamentos adequados. A utilização de equipamentos de proteção individual é essencial. Planejamento paisagístico O planejamento paisagístico é especialmente utilizado em haras e pode provocar a introdução de espécies de plantas exóticas e, consequentemente, a perda de espécies nativas por competição nos ecossistemas naturais (PRIMACK; RODRIGUES, 2001). Por outro lado, o tratamento paisagístico colabora para a obtenção de uma paisagem mais agradável para o ser humano e para o aumento do valor da propriedade. Aconselha-se a utilização apenas de espécies de plantas nativas. Queimadas A renovação de pastagens através de queimadas é uma técnica muito utilizada no Brasil. Porém, pode causar vários efeitos adversos, como a redução do vigor da rebrota, da umidade do solo, da fertilidade do solo e do seu teor de matéria orgânica (OLIVEIRA; MONTEBELL, 2014). Assim, as queimadas degradam o solo, sendo prejudiciais à agropecuária. O fogo ainda pode se alastrar para fora da pastagem, atingindoecossistemas naturais e gerando perda de biodiversidade. Em alguns casos, o fogo pode até mesmo atingir residências humanas, pondo a vida de muitas pessoas em risco. A contribuição das queimadas para o aumento do efeito estufa e para o aquecimento global também são extremamente perigosas. Desse modo, o uso de queimadas para renovar pastagens não é recomendado, podendo-se adotar outras técnicas. Caso se opte pela queimada, deve-se fazer a queima controlada, em um horário adequado e fazer aceiros nos limites da área a ser atingida. É possível realizar a queimada de forma legal, basta obter a autorização do órgão ambiental competente, que irá realizar a vistoria da área a ser queimada e irá estipular as medidas de segurança a serem utilizadas. Controle Sanitário e Uso da Água O uso da água no controle sanitário e nos processos de higiene animal consome água e gera efluentes líquidos, ocasionando os impactos ambientais negativos de contaminação do solo e da água e redução da disponibilidade de água para outros usos. Assim, se faz necessário o tratamento desses efluentes através de um sistema de tratamento de efluentes. Também é recomendável educar os funcionários para o uso racional da água, evitando desperdícios. As atividades de controle sanitário e de higiene animal também geram vários resíduos sólidos e podem provocar problemas de saúde nos funcionários devido ao uso inadequado dos produtos. Dentre os benefícios que geram está a melhoria da qualidade de vida dos animais e um produto final de maior qualidade. Várias medidas mitigadoras ou maximizadoras podem ser adotadas, incluindo cuidados com a dieta dos animais para evitar o surgimento de doenças, a utilização de medicamentos aprovados pelas autoridades públicas e armazenados de forma adequada, a correta estocagem dos materiais utilizados e a correta destinação/disposição final dos resíduos. Além desses, é importante realizar a reciclagem de resíduos, o tratamento e/ou reutilização da água e o uso de EPIs pelos trabalhadores. Essas atividades devem ser realizadas por profissionais com treinamento para efetuar tais funções. Quando o treinamento dos animais é intenso e feito com equipamentos de má qualidade (sela, bacheiro/manta, bridão/freio) pode estressar e/ou causar ferimentos nos animais. Tal treinamento é bastante frequente na criação de cavalos. Para mitigar problemas quanto ao treinamento dos animais pode-se utilizar a doma racional onde se respeita o tempo de aprendizado de cada animal (bovino e equino) e sem o uso de violência. As atividades devem ser executadas por profissionais com treinamento para efetuar tais funções e com os equipamentos adequados. Uso de veículos e maquinários A utilização de maquinários e veículos é frequente na criação desses animais, causando a poluição sonora, o aumento da incidência de doenças nos funcionários, decorrente dos ruídos, por exemplo, e a alteração da qualidade do ar devido à emissão de gases. Além disso, é possível ocorrer a poluição do solo e água decorrentes do vazamento de óleos. Para mitigar tais impactos negativos sugere-se a periódica manutenção dos maquinários e veículos, utilização de maquinários e veículos mais silenciosos e o uso de equipamento de proteção auricular pelos funcionários. Cabe ressaltar que o uso de equipamentos de proteção individual (EPIs) é vital em todas as atividades agropecuárias que apresentem riscos aos trabalhadores. Atividades administrativas As atividades administrativas que envolvem a criação de cavalos e bovinos geram resíduos e consomem recursos naturais e energia. Dentre os impactos ambientais que as mesmas causam, estão a redução da disponibilidade de água e energia para outros usos, além da poluição da água e do solo advindas da geração de resíduos sólidos e efluentes líquidos. Para minimizar esses impactos ambientais sugere-se o uso de equipamentos que utilizem fontes de energia renovável e de forma eficiente, incentivar os funcionários a utilizarem de forma racional os materiais e a água, fazer a correta destinação dos resíduos sólidos, realizar a reciclagem e/ou reutilização de materiais e o tratamento e/ou reutilização da água. Os impactos ambientais advindos da construção e/ou manutenção de instalações irão variar em função do tipo e tamanho das obras e dos materiais utilizados. Dentre os impactos que podem surgir estão a alteração da paisagem, a redução da disponibilidade de recursos naturais e energia, a poluição atmosférica, sonora, do solo e de recursos hídricos. Danos à saúde dos trabalhadores também são passíveis de ocorrer. Como medidas mitigadoras sugere-se a elaboração de um projeto paisagístico, que pode agregar valor à propriedade, utilização de equipamentos silenciosos e eficientes no uso de energia, a manutenção periódica dos equipamentos, o uso racional dos recursos naturais e da energia, a reciclagem e reutilização de materiais e a correta disposição de resíduos. Além disso, é extremamente importante o uso de equipamentos de proteção pelos trabalhadores. Projetar construções que possibilitem a captação e armazenamento da água da chuva, permita ventilação natural e o aproveitamento da luz solar também são medidas de bastante utilidade. Emissão de gases A pecuária está entre as principais causadoras de emissão de gases que causam o aumento do efeito estufa, sendo apontada como uma das atividades que vem provocando o aquecimento global (OLIVEIRA; MONTEBELL, 2014). A emissão de CO2 deve-se principalmente pelos combustíveis fósseis e energia utilizados, o CH4 deve-se aos dejetos dos animais e à sua fermentação entérica, já o N2O é emitido com o uso de fertilizantes sintéticos e pelo esterco dos animais (AMARAL et al., 2012; OLIVEIRA; MONTEBELL, 2014). Porém, sabe-se que é possível reduzir as taxas de emissão de gases de efeito estufa advindos da pecuária, através de melhoria das técnicas de manejo das pastagens e da alimentação dos animais e pelo melhoramento genético, por exemplo (AMARAL et al., 2012). Licenciamento Ambiental e Sistemas de Gestão Ambiental (SGA) O presente trabalho apresenta e discute alguns dos impactos ambientais que podem ser causados com a criação de equinos ou de bovinos e aponta medidas para minimizar os impactos ambientais negativos e formas de maximizar os impactos ambientais positivos. Essas informações são importantes tanto para o processo de Licenciamento Ambiental desses empreendimentos quanto para o planejamento e implantação de um SGA, pois norteia o empreendedor sobre as medidas que deveram ser tomadas em ambos os casos. Cabe ressaltar que tais empreendimentos podem até mesmo causar significativa degradação do meio ambiente, sendo necessária a elaboração do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e do Relatório de Impacto Ambiental (RIMA), quando ocupam grandes áreas, por exemplo. Isso é claramente exposto no segundo artigo da Resolução CONAMA 01 de 1986, que exemplifica os empreendimentos que podem ser licenciados com EIA/RIMA: “Artigo 2º - Dependerá de elaboração de estudo de impacto ambiental e respectivo relatório de impacto ambiental - RIMA, a serem submetidos à aprovação do órgão estadual competente, e do IBAMA em caráter supletivo, o licenciamento de atividades modificadoras do meio ambiente, tais como:” “XVII - Projetos Agropecuários que contemplem áreas acima de 1.000 ha ou menores, neste caso, quando se tratar de áreas significativas em termos percentuais ou de importância do ponto de vista ambiental, inclusive nas áreas de proteção ambiental. (inciso acrescentado pela Resolução n° 11/86)” (BRASIL, 1986). A adoção de medidas para implementar a criação de bovinos e equinos de forma ambientalmente correta tem especial importância no Brasil, pois o país possuí um dos maiores rebanhos de bovinos e de equinos do mundo e uma elevada área destinada a esse fim. Referências ALENCAR, M.M.D.; POTT, E.B. Criação de bovinos de corte na Região Sudeste. Sistemas de Produção 2. 2003. Disponível em: https://sistemasdeproducao.cnptia.emprapa.br. Acessado em 18 de maio de 2016. ALMEIDA, F.S.; GOMES,D.S.; QUEIROZ, J.M. Estratégias para a conservação da diversidade biológica em florestas fragmentadas. Ambiência, v.7, n.2: p.367-382, 2011. AMARAL, G.; CARVALHO, F.; CAPANEMA, L.; CARVALHO, C.A. Panorama da pecuária sustentável. BNDES Setorial, v.36, p.249-288, 2012. BRASIL - RESOLUÇÃO CONAMA nº 1, de 23 de janeiro de 1986. Disponível em: http://www2.mma.gov.br/port/conama/legislacao/CONAMA_RES_CONS_1986_001.pdf. Acessado em 22 de julho de 2019. CAMPOS JUNIOR, O.C. 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TAVARES FILHO, J.; FERREIRA, R.R.M.; FERREIRA, V.M. Fertilidade química de solo sob pastagens formadas com diferentes espécies nativas e com Brachiaria decumbens manejadas com queimadas anuais. Semina: Ciências Agrárias, v.32, n.1, p.1771-1782, 2011. 3 AGRICULTURA Johnatan Jair de Paula Marchiori & Fábio Souto de Almeida A produção agrícola brasileira é uma das maiores do mundo, possibilitando estar entre os países que mais exportam produtos agrícolas (BRASIL, 2018). As atividades agropecuárias geram elevado número de empregos, são responsáveis por elevada parte do PIB do país e por possibilitar números favoráveis na balança comercial (BRASIL, 2018; MAPA, 2019). Além de ser importante para a segurança alimentar de um grande número de pessoas, também fornece matéria-prima para uma série de produtos não alimentícios. Contudo, diversos impactos ambientais ocorrem a partir das atividades necessárias para a agricultura (LOPES; ALBURQUEQUE, 2018). Muitos desses impactos podem apresentar elevada magnitude, principalmente quando as áreas cultivadas são extensas e existe a utilização de maquinário pesado e defensivos agrícolas sintéticos (LOPES; ALBURQUEQUE, 2018; CARVALHO et al., 2019). O Brasil por ser um país com alta produtividade de alimentos e apresentar uma vasta área cultivada com monoculturas, também se destaca em relação ao uso de produtos sintéticos e, de acordo com Rigoto (2014), na última década ocorreu uma expansão de 190% no mercado de produtos químicos visando uma melhor produtividade e controle de pragas e doenças em lavouras. Assim, a Resolução CONAMA 01 de 1986 inclui os projetos agropecuários entre os que podem necessitar do Estudo de Impacto Ambiental – EIA e do Relatório de Impacto Ambiental - RIMA para o seu licenciamento (CONAMA, 1986). Tal exigência ocorre para projetos em áreas de mais de 1000 ha ou mesmo em terrenos de menor tamanho, caso a área do empreendimento tenha importância ambiental (CONAMA, 1986). Mesmo empreendimentos que não se encaixem nesses critérios podem precisar do licenciamento, embora não seja exigido o EIA/RIMA. Além da importância para o licenciamento, estudar os impactos ambientais da agricultura possibilita reduzir danos para a população e recursos naturais, garantindo inclusive a sustentabilidade produtiva das áreas cultivadas (ERTHAL; BERTICELLI, 2018). No presente capítulo as atividades agrícolas e seus principais impactos ambientais são discutidos, incluindo não somente os impactos diretos (alterações ambientais de primeira ordem), mas também os indiretos. Além disso, são propostas ações para reduzir a magnitude de tais impactos negativos. As medidas mitigadoras aqui propostas foram basicamente preventivas, objetivando evitar ou minimizar os impactos negativos diretos. A expansão das áreas agrícolas, juntamente com o aumento das áreas destinadas à criação de bovinos, é uma importante causa do desmatamento de florestas tropicais (AMARAL, 2018), além de reduzir e degradar diversos outros ecossistemas naturais (Quadro1). Atividades antrópicas que reduzem as áreas com ecossistemas naturais ocasionam diversos impactos negativos sobre a biodiversidade nativa, como o isolamento de populações decorrente da fragmentação dos habitats, a consequente redução do número de indivíduos de populações de animais e plantas e a posterior redução da biodiversidade pela extinção de espécies (PRIMACK; RODRIGUES, 2001; ALMEIDA; VARGAS, 2017). Quadro 1. Atividades agrícolas, principais impactos ambientais provocados e medidas mitigadoras. Atividades Impactos Ambientais Medidas Mitigadoras Remoção de vegetação nativa para utilizar a área para a agricultura Redução de habitats ativos/ Fragmentação de habitats nativos/ Extinção de espécies/ Redução de populações bióticas/ Redução da disponibilidade de recursos naturais/ Mudanças climáticas/ Alteração no ciclo hidrológico/ Alterações negativas nas propriedades do solo e degradação de recursos hídricos Utilização de áreas já antropizadas/ Utilização de métodos e técnicas que permitam aumentar a produtividade Supressão da vegetação do terreno através de queimadas Poluição do ar/ Redução de populações bióticas/ Perda de nutrientes do solo/ Perda de matéria orgânica do solo/ Alteração de características físicas do solo/ Aumento de processos erosivos/ Poluição de cursos d’água Incorporação do material vegetal no solo ou mantê-lo como cobertura morta/ Fiscalização/ Educação Ambiental/ Preparação de aceiros Preparo do solo (aração, calagem e adubação) Aumento da erosão/ Perda de solo/ Poluição dos cursos d’água/ Redução da fauna do solo/ Alteração das características físicas do soloUtilização de métodos e técnicas conservacionistas Irrigação Redução da disponibilidade de água/ Salinização do solo/ Lixiviação de nutriente Correto planejamento da irrigação Plantio Introdução de espécies exóticas e competição com espécies de plantas nativas Estudo de clima e adaptabilidade de espécies/ Controle para evitar a dispersão da espécie exótica Atividades Impactos Ambientais Medidas Mitigadoras Controle de pragas, plantas daninhas e doenças Poluição do solo/ Poluição dos cursos d’água/ Aumento da incidência de doenças em seres humanos/ Redução de populações de organismos não-alvo Técnicas de manejo integrado de Pragas, visando a aplicação de produtos naturais e biológicos Colheita e Transporte Poluição do ar/ Aumento da incidência de ruídos/ Aumento da incidência de doenças e acidentes Correta manutenção dos veículos e equipamentos/ Uso de Equipamento de proteção individual Geral Aumento da oferta de empregos/ Geração de renda/ Aumento da oferta de alimentos e matéria-prima/ Alteração da paisagem ___ Decorrente da redução da cobertura vegetal nativa também ocorre a diminuição da disponibilidade de recursos naturais, além de possíveis alterações no ciclo hidrológico e no microclima e até mesmo modificações no clima regional, dependendo da magnitude da alteração da paisagem (ALVES, 1999; FEARNSIDE, 2006). A remoção da vegetação deixa o solo exposto às intempéries climáticas, colaborando para o aumento de processos erosivos, redução da profundidade do solo, perda de nutrientes e redução da infiltração da água da chuva (ALBUQUERQUE et al., 2001; BACELLAR, 2005; RODRIGUES et al., 2011). Assim, reduz a recarga do lençol freático e aumenta o escoamento superficial da água (BACELLAR, 2005). Existe uma expressiva área com a cobertura de vegetação nativa suprimida em território brasileiro, áreas expressivamente antropizadas (RIBEIRO et al., 2009), que não estão sendo utilizadas para atividades econômicas ou são subutilizadas. O uso dessas áreas para a expansão agrícola pode reduzir a pressão sobre as áreas com ecossistemas naturais conservados. Além disso, sabe-se que a produção agrícola brasileira pode aumentar consideravelmente sem a expansão das áreas cultivadas, bastando implementar técnicas e métodos que aumentem a produtividade, assim a adoção de tecnologias pode diminuir a supressão de vegetação nativa e harmonizar a produção agrícola com a conservação ambiental (EMBRAPA, 2017). Várias das alterações ambientais provocadas pelo desmatamento também ocorrem pela utilização de queimadas pelos agricultores. Cabe ressaltar que os impactos sobre a diversidade biológica, solo, clima, poluição atmosférica e recursos hídricos têm o potencial de desencadear variados impactos sobre os seres humanos (REDIN, et al., 2011; ALMEIDA; VARGAS, 2017; ALMEIDA et al., 2017). Entre os efeitos negativos das queimadas está o aquecimento global, pela emissão de gases do efeito estufa desencadeada pelos incêndios e a por diversas outras atividades humanas (FREIRE, 2011; AGUIAR, 2013). A elevação da temperatura média no planeta provoca variados problemas incluindo a influência de forma indireta sobre a entomofauna, pois quebra a simultaneidade entre as plantas e insetos, pois essa liberação de gases tende a afetar inclusive a relação carbono e nitrogênio (C:N) nas espécies de plantas, tendo influência no processo fotossintético e influenciando a quantidade e a qualidade dos alimentos dos herbívoros (CHEN et al., 2004, 2007; DERMODY et al., 2008). Tais mudanças podem influenciar a dinâmica populacional e a biologia de diferentes espécies, sendo elas vegetais ou insetos (PUTEEN et al., 2004). As alterações nos sistemas naturais interferem na produtividade agrícola e na biodiversidade (KÖRNER, 2003; THEURILLAT; GUISAN, 2001), influenciando também no uso de produtos sintéticos na agricultura. Dependendo das características do ambiente e da ação antrópica, os organismos envolvidos podem ter uma maior capacidade de adaptação ao meio, provocando assim maior dificuldade no controle de espécies danosas à agricultura que apresentarem essa maior adaptabilidade diante, por exemplo, de variações na temperatura influenciadas por processos não naturais (CHEN; MCCARL, 2001). Como consequência, pode-se intensificar o uso de produtos químicos para o controle de pragas e doenças, pois o ambiente ficará mais propício para a proliferação de algumas espécies prejudiciais às plantas agrícolas. As atividades necessárias para o preparo do solo, como a aração, a calagem e a adubação, podem provocar alterações negativas sobre os recursos edáficos e hídricos, principalmente a médio e longo prazo e se realizadas com maquinário pesado e sem os devidos cuidados com a conservação do solo. Entre tais impactos podem ser citados o aumento da erosão, a perda de solo, a poluição dos cursos d’água e a redução da fauna do solo. A erosão leva ao desequilíbrio no solo, pois está associada a perdas de solo e redução da fertilidade, também está relacionada a inundações, poluição de corpos hídricos e assoreamento (WANG et al., 2016; ALMEIDA et al., 2017). O que colabora para o aumento da erosão é a baixa cobertura do solo por vegetação (ALMEIDA & VARGAS, 2017), pois quando está desprotegido o solo fica mais susceptível ao processo de intemperismo pela ação do vento, radiação solar e água das chuvas, ocorrendo o impacto direto das gotas de chuva no solo (PANACHUKI et al., 2011). A poluição dos cursos d’água pode ocorrer, por exemplo, pelos inseticidas, herbicidas e fertilizantes utilizados. As lixiviações aumentam a dissipação destes produtos sintéticos no solo, e aspectos como o horário de aplicação dos agrotóxicos e a regulagem dos equipamentos podem influenciar na dispersão dos produtos sintéticos e aumentar a poluição e os danos que poderão ser causados no meio ambiente, podendo ocorrer poluição do solo, alteração na fauna e da qualidade dos recursos hídricos (SCORZA, 2014). Estes impactos estão diretamente ligados a destruição de seres benéficos à agricultura, como demonstram Chelinho et al., (2011), pois seus resultados indicam que a utilização de carbofurano reduz o número de nematoides que controlam pragas de solo e também foram notados danos aos artrópodes, que colaboram para a manutenção do equilíbrio no agroecossistema. A irrigação das áreas cultivadas consome uma expressiva quantidade de água, acarretando na redução da disponibilidade de água para outros fins. Além disso, caso não seja realizada corretamente, pode provocar a salinização do solo e lixiviar nutrientes, reduzindo a fertilidade do solo (ERTHAL; BERTICELLI, 2008). Grande parte das plantas cultivadas no Brasil não são nativas do país. Algumas das espécies introduzidas em diversas regiões do planeta para serem cultivadas colonizaram habitats nativos e aumentaram a sua densidade, suprimindo espécies nativas, o que pode ocorrer por competição (ALMEIDA; VARGAS, 2017). Além disso, durante o transporte de material vegetal cultivado entre as regiões do planeta, espécies de diversos táxons associadas às plantas cultivadas são introduzidas em variados habitats e a introdução de espécies exóticas pode causar expressivos prejuízos financeiros aos países onde as espécies foram introduzidas (MMA, 2020). No controle de pragas, plantas daninhas e doenças os impactos ambientais mais expressivos são aqueles relacionados à poluição do solo, cursos d’água e aos resíduos desses agrotóxicos que permanecem nos alimentos cultivados. Isso provoca o aumento da incidência de doenças em seres humanos (RAMOS; SILVA FILHO, 2004). Os agrotóxicos presentes em cultivos agrícolas podem afetar até mesmo a estrutura das plantas, como o tamanho e o número de estômatos existentes (AZEVEDO, et al., 2012). A utilização incorreta dos agrotóxicos, sem a adequada aplicação do Manejo Integrado de Pragas (MIP), acarreta em diversos problemas, pois ao invés de diminuir os danos pode acarretar em danos ainda maiores e levar ao surgimento de populações de pragas e doenças resistentes aos produtos