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INFORMATIVO esquematizado 
 
Informativo 531 – STJ 
Márcio André Lopes Cavalcante 
 
Obs: não foram incluídos neste informativo esquematizado os julgados de menor relevância para concursos 
públicos ou aqueles decididos com base em peculiaridades do caso concreto. Caso seja de seu interesse 
conferi-los, os acórdãos excluídos foram os seguintes: EREsp 878.579-RS; REsp 1.251.331-RS; REsp 
1.255.573-RS; REsp 1.365.433-MG. 
 
ÍNDICE 
 
Direito Administrativo 
 Candidato aprovado dentro do cadastro de reservas tem direito subjetivo à nomeação se forem criados 
novos cargos? 
 Em ação de improbidade, o juiz pode conceder liminar inaudita altera parte para que o requerido fique 
sem receber novas verbas do Poder Público. 
 
Direito Civil 
 Condomínio tem legitimidade para ajuizar ação de nunciação de obra nova contra condômino que 
realiza obra irregular. 
 Local onde será proposta a execução de alimentos. 
 Se a sentença fixa alimentos em valor inferior ao da decisão liminar, o novo parâmetro é que será 
considerado para fins de prisão civil em caso de inadimplemento. 
 Não cabe prisão civil do inventariante em razão do descumprimento do dever do espólio de prestar 
alimentos. 
 
Direito Empresarial 
 Os créditos de honorários advocatícios estão sujeitos à recuperação judicial. 
 Não é cabível compensar débitos da falida com créditos da massa falida resultantes de ação revocatória 
julgada procedente. 
 
Direito Ambiental 
 Não gera dano moral a conduta do IBAMA de não autorizar a queimada de determinada área mesmo 
que em anos anteriores isso tenha sido permitido. 
 
Estatuto da Criança e do Adolescente 
 As escusas absolutórias (art. 181 do CP) podem ser aplicadas ao adolescente infrator. 
 
 
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Direito Processual Civil 
 O simples fato de a demanda principal ter sido julgada antes da oposição não é causa de nulidade. 
 De quem é a responsabilidade pela degravação dos depoimentos colhidos mediante carta precatória? 
 O credor tem o direito de recusar a proposta do executado para que seja invertida a ordem de penhora 
do art. 655 do CPC, a não ser que haja alguma situação excepcionalíssima. 
 Juiz Federal pode declinar, de ofício, execução fiscal quando tiver sido proposta sem obedecer a regra 
do art. 15, I, da Lei 5.010/66. 
 
Direito Penal 
 O benefício do arrependimento posterior comunica-se aos coautores e partícipes que não tenham 
participado da restituição da coisa ou da reparação do dano. 
 Em condenação por roubo não se pode fixar regime mais gravoso ao réu pelo simples fato de ele ter 
apontado a arma para o rosto da vítima. 
 Tráfico de maquinário (art. 34). 
 
Direito Processual Penal 
 As referências ou a leitura da decisão de pronúncia durante os debates no Júri somente acarretam 
nulidade se forem feitas como argumento de autoridade. 
 
Direito Tributário 
 Formação de CDA em caso de tributos sujeitos a lançamento de ofício não precisa de processo 
administrativo prévio. 
 É inexigível a cobrança de FUNDAF (uma espécie de taxa) com base em atos regulamentares da RFB por 
ofensa ao princípio da legalidade estrita. 
 
 
DIREITO ADMINISTRATIVO 
 
Candidato aprovado dentro do cadastro de reservas tem direito subjetivo à nomeação se forem 
criados novos cargos? 
 
Neste julgado, o STJ decidiu que os candidatos aprovados em concurso público no cadastro de 
reserva não têm direito subjetivo à nomeação, ainda que surjam novas vagas durante o prazo 
de validade do certame, seja em decorrência de vacância nos quadros funcionais, seja em razão 
da criação de novas vagas por lei. Isso porque, dentro do parâmetro fixado em repercussão 
geral pelo STF, os candidatos aprovados em concurso público, mas inseridos em cadastro de 
reserva, têm apenas expectativa de direito à nomeação. 
Nesses casos, compete à Administração, no exercício do seu poder discricionário (juízo de 
conveniência e oportunidade), definir as condições do preenchimento dos seus cargos vagos. 
 
Obs: vale ressaltar que existem julgados em sentido contrário, ou seja, afirmando que o 
candidato aprovado em concurso público dentro do cadastro de reserva, ainda que fora do 
número de vagas originalmente previstas no edital do certame, terá direito subjetivo à 
nomeação quando, durante o prazo de validade do concurso, houver o surgimento de novas 
vagas, seja em razão da criação de novos cargos mediante lei, seja em virtude de vacância 
decorrente de exoneração, demissão, aposentadoria, posse em outro cargo inacumulável ou 
falecimento (STJ. 1ª Turma. AgRg no RMS 37.982/RO, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, julgado 
em 13/08/2013). 
Comentários Um dos temas mais polêmicos, atualmente, sobre Direito Administrativo diz respeito à 
existência ou não de direito subjetivo à nomeação de candidatos aprovados em concurso 
público fora do número de vagas previsto no edital. 
 
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Vou tentar mostrar aqui a posição majoritária no STJ e no STF, ressaltando, contudo, que o 
assunto ainda está longe de ser pacífico e pode acontecer de os próprios Tribunais ainda 
mudarem o entendimento sobre o tema. Caso haja alguma alteração, você será avisado. 
 
SITUAÇÃO 1 
Candidato aprovado dentro do número de vagas tem direito subjetivo à nomeação? 
Em regra, SIM. O candidato aprovado dentro do número de vagas previstas no edital do 
concurso público possui direito subjetivo de ser nomeado e empossado dentro do período 
de validade do certame. Essa é a posição pacífica do STJ e STF. 
 
Exceções: 
O STF, ao analisar o tema em sede de repercussão geral, identificou hipóteses excepcionais 
em que a Administração pode deixar de realizar a nomeação de candidato aprovado dentro 
do número de vagas, desde que se verifique a ocorrência de uma situação com as seguintes 
características (RE 598.099/MS, Pleno, DJe de 3.10.2011): 
a) superveniência: os eventuais fatos ensejadores de uma situação excepcional devem ser 
necessariamente posteriores à publicação do edital do certame público; 
b) imprevisibilidade: a situação deve ser determinada por circunstâncias extraordinárias, 
imprevisíveis à época da publicação do edital; 
c) gravidade: os acontecimentos extraordinários e imprevisíveis devem ser extremamente 
graves, implicando onerosidade excessiva, dificuldade ou mesmo impossibilidade de 
cumprimento efetivo das regras do edital; 
d) necessidade: a solução drástica e excepcional de não cumprimento do dever de 
nomeação deve ser extremamente necessária, de forma que a Administração somente 
pode adotar tal medida quando absolutamente não existirem outros meios menos gravosos 
para lidar com a situação excepcional e imprevisível. 
 
 
SITUAÇÃO 2: 
Se o candidato foi aprovado fora do número de vagas (o concurso não previa cadastro de 
reserva), mas durante o prazo de validade do concurso foram criados novos cargos, ele terá 
direito subjetivo à nomeação? 
Em regra, NÃO. O candidato aprovado fora do número de vagas não tem direito subjetivo à 
nomeação, mesmo que surjam ou sejam criadas vagas durante o prazo de validade do 
concurso. Assim, o fato de terem sido criados novos cargos enquanto ainda vigente o 
concurso não obriga, por si só, a Administração a nomear o candidato aprovado fora do 
número de vagas. 
Somente existe direito subjetivo à nomeação dos candidatos aprovados dentro do número 
de vagas inicialmente previsto no instrumento convocatório, restando à Administração o 
exercício do seu poder discricionário para definir pela conveniência de se nomear os 
candidatos elencados em cadastro de reserva. 
 
(...) Os candidatos classificados em concurso público fora do número de vagas previstas no 
edital possuem mera expectativa de direito à nomeação, nos termos do RE 598.099/MS, 
julgado pelo Supremo Tribunal Federal. (...) 
(STJ. 1ª Turma. AgRg no RMS 38.892/AC, Min. Benedito Gonçalves, julgado em 16/04/2013) 
 
(...) A mera criação de novos cargos enquantoestão previstos no art. 33 do Código Penal. 
 
 
 
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O que o juiz deve observar na fixação do regime inicial? 
O juiz, quando vai fixar o regime inicial do cumprimento da pena privativa de liberdade, 
deve observar quatro fatores: 
1) O tipo de pena aplicada: se reclusão ou detenção. 
2) O quantum da pena definitiva. 
3) Se o condenado é reincidente ou não. 
4) As circunstâncias judiciais (art. 59 do CP). 
 
Vamos esquematizar a aplicação desses quatro fatores: 
 
RECLUSÃO 
O regime inicial 
pode ser: 
 
FECHADO: se a pena é superior a 8 anos. 
 
 
SEMIABERTO: se a pena foi maior que 4 e menor que 8 anos. 
Se o condenado for reincidente, o regime inicial, 
para esse quantum de pena, é o fechado. 
 
 
ABERTO: se a pena foi de até 4 anos. 
Se o condenado for reincidente, o regime inicial, 
para esse quantum de pena, será o semiaberto ou o fechado. 
O que irá definir isso vão ser as circunstâncias judiciais: 
 Se desfavoráveis, vai para o fechado. 
 Se favoráveis, vai para o semiaberto. 
 
Súmula 269-STJ: É admissível a adoção do regime prisional semiaberto 
aos reincidentes condenados a pena igual ou inferior a quatro anos se 
favoráveis as circunstâncias judiciais. 
 
 
 
DETENÇÃO 
O regime inicial 
pode ser: 
 
FECHADO: nunca 
Obs: alguns autores mencionam como exceção o art. 10 da Lei de 
Crimes Organizados, mas esse dispositivo é inconstitucional. 
 
 
SEMIABERTO: se a pena foi maior que 4 anos. 
 
 
ABERTO: se a pena foi de até 4 anos. 
Se o condenado for reincidente, o regime inicial é o semiaberto. 
 
 
Vimos acima que o regime inicial da detenção nunca será o fechado. No entanto, o 
condenado que está cumprindo pena por conta de um crime punido com detenção poderá ir 
para o regime fechado caso cometa falta grave e seja sancionado com a regressão? 
SIM, é possível. Nesse caso, no entanto, não estaremos mais falando em regime inicial. 
 
 
 
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Atenção: o que vimos nesses dois quadros são as regras gerais. 
Vamos agora fazer uma pergunta que reflete uma exceção a esse quadro: 
 
É possível que seja imposto ao condenado primário um regime inicial mais rigoroso do que o 
previsto para a quantidade de pena aplicada? 
Ex: se uma pessoa for condenada a 6 anos de reclusão, pode o juiz fixar o regime inicial 
fechado? 
SIM, é possível, desde que o juiz apresente motivação idônea na sentença. É o que diz a 
Súmula 719 do STF: 
Súmula 719-STF: A imposição do regime de cumprimento mais severo do que a pena 
aplicada permitir exige motivação idônea. 
 
O juiz pode fundamentar a imposição do regime mais severo no fato do crime praticado ser, 
abstratamente, um delito grave? Ex: o juiz afirma que, em sua opinião, no caso de tráfico de 
drogas o regime deve ser o fechado em razão da gravidade desse delito. 
NÃO. Súmula 718-STF: A opinião do julgador sobre a gravidade em abstrato do crime NÃO 
constitui motivação idônea para a imposição de regime mais severo do que o permitido 
segundo a pena aplicada. 
 
O que é considerado, então, motivação idônea para impor ao condenado regime mais 
gravoso? 
As circunstâncias judiciais do art. 59 do CP. Se as circunstâncias judiciais do art. 59 forem 
desfavoráveis, é possível que o juiz se fundamente nesses dados para impor ao condenado 
regime inicial mais gravoso que o previsto para a quantidade de pena aplicada. 
 
Ex: Paulo, réu primário, foi condenado a uma pena de 6 anos de reclusão. Em regra, o 
regime inicial seria o semiaberto. Ocorre que as circunstâncias judiciais foram 
extremamente desfavoráveis a ele. Nesse caso, o juiz, fundamentando sua decisão nesses 
dados, poderia impor a Paulo o regime inicial fechado. 
 
Se a pena privativa de liberdade foi fixada no mínimo legal, é possível a fixação de regime 
inicial mais severo do que o previsto pela quantidade de pena? Ex: Paulo, réu primário, foi 
condenado a uma pena de 6 anos de reclusão. As circunstâncias judiciais foram favoráveis. 
Pode o juiz fixar o regime inicial fechado? 
NÃO. Somente se consideradas as circunstâncias judiciais de forma desfavoráveis, com 
fundamentos idôneos, é que se pode fixar regime prisional mais gravoso. Nesse sentido: 
Súmula 440-STJ: Fixada a pena-base no mínimo legal, é vedado o estabelecimento de 
regime prisional mais gravoso do que o cabível em razão da sanção imposta, com base 
apenas na gravidade abstrata do delito. 
 
Em um crime de roubo, o juiz pode fixar regime prisional mais severo do que aquele previsto 
no art. 33, § 2º, do CP utilizando como argumento o fato de a arma de fogo ter sido 
apontada contra o rosto da vítima? 
NÃO. Segundo decidiu o STJ, tal fundamentação não pode ser utilizada porque essa 
circunstância caracteriza "grave ameaça", elemento ínsito do crime de roubo. 
Assim, não se pode fixar regime prisional mais gravoso com base em circunstâncias que são 
próprias (naturais) do crime. 
 
O art. 2º, § 1º da Lei n. 8.072/90 prevê que a pena por crime hediondo ou equiparado deve 
ser cumprida inicialmente em regime fechado. Esse dispositivo é constitucional? 
NÃO. O Plenário do STF julgou essa previsão inconstitucional (HC 111840/ES, rel. Min. Dias 
Toffoli, 27.6.2012). 
 
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O regime inicial nas condenações por crimes hediondos ou equiparados (ex: tráfico de 
drogas) não tem que ser obrigatoriamente o fechado, podendo ser também o regime 
semiaberto ou aberto, desde que presentes os requisitos do art. 33, § 2º, alíneas b e c, do 
Código Penal. 
Assim, será possível, por exemplo, que o juiz condene o réu por tráfico de drogas a uma 
pena de 6 anos de reclusão e fixe o regime inicial semiaberto. 
Processo STJ. 6ª Turma. AgRg no AREsp 349.732-RJ, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 5/11/2013. 
 
 
A extorsão pode ser feita mediante ameaça de causar um prejuízo econômico à vítima 
 
Pode configurar o crime de extorsão a exigência de pagamento em troca da devolução do 
veículo furtado, sob a ameaça de destruição do bem. 
Comentários O Código Penal prevê o crime de extorsão nos seguintes termos: 
Art. 158. Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, e com o intuito de 
obter para si ou para outrem indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar que se faça ou 
deixar fazer alguma coisa: 
Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 10 (dez) anos, e multa. 
 
Em que consiste o crime: 
O agente, usando de violência ou de grave ameaça, obriga outra pessoa a ter determinado 
comportamento, com o objetivo de obter uma vantagem econômica indevida. 
A vítima é coagida pelo autor do crime a fazer, tolerar que se faça ou deixar fazer alguma coisa. 
Ex: “A” exige que “B” assine um cheque em branco em seu favor, senão contará a todos que 
“B” possui um caso extraconjugal. 
Ex2: Golpe do falso sequestro via celular. “A” (de um presídio em SP) liga para “B” (em 
Brasília) e afirma que sua filha foi sequestrada exigindo, por meio de ameaças, depósito de 
dinheiro em determinada conta bancária. Obs: o juízo competente é o do local onde estava 
a pessoa que recebeu os telefonemas (STF ACO 889/RJ). 
 
Se o agente ameaça causar um prejuízo econômico à vítima, ainda assim haverá extorsão? 
A grave ameaça prevista no art. 158 pode ser econômica? 
SIM. O STJ decidiu que a extorsão pode ser feita mediante ameaça de causar um prejuízo 
econômico. Assim, não se exige que a ameaça se dirija apenas contra a integridade física ou 
moral da vítima. 
No caso concreto julgado, o agente estava com o carro da vítima e exigiu que ela fizesse o 
pagamento a ele de determinada quantia em dinheiro. Caso o pedido não fosse atendido, 
ele prometeu destruir o veículo. 
Dessa forma, o STJ decidiu que pode configurar o crime de extorsão a exigência de 
pagamento em troca da devolução do veículo furtado, sob a ameaça de destruição do bem. 
STJ. 5ª Turma. REsp 1.207.155-RS, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 7/11/2013. 
 
Diferenças entre extorsão e roubo: 
 
Extorsão Roubo 
O agente faz com que a vítimaentregue a 
coisa (o verbo é constranger). 
Na extorsão há a tradição da coisa 
(traditio). 
O agente subtrai a coisa pretendida 
(o verbo é subtrair). 
No roubo há a subtração da coisa 
(concretatio). 
A colaboração da vítima é indispensável. 
Se a vítima não quiser fazer, não tem como 
o agente fazer sozinho. 
A colaboração da vítima é dispensável. 
Se a vítima não quiser fazer, existe como o 
agente fazer sozinho. 
 
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A vantagem buscada pelo agente pode ser 
contemporânea ao constrangimento ou 
posterior a ele. 
A vantagem buscada (coisa alheia móvel) é 
para agora (imediata). 
A vantagem econômica indevida pode ser 
um bem móvel ou imóvel. 
A vantagem econômica indevida somente 
pode ser um bem móvel. 
 
Para você guardar, no entanto, a principal diferença entre os delitos está na necessidade ou 
não de que a vítima colabore: 
“No crime de roubo existe uma total submissão da vítima à vontade do agente. A subtração, 
independentemente da vontade do ofendido, ocorrerá, haja vista que o agente pode, 
mediante ato próprio, apoderar-se do objeto desejado. Na extorsão, ao contrário, é 
evidente a dependência de um ato da vítima para a configuração do delito.” (HC 
182.477/DF, Min. Jorge Mussi, julgado em 07/08/2012). 
 
É possível reconhecer continuidade delitiva entre roubo e extorsão? 
NÃO. A jurisprudência do STF e do STJ pacificou-se no sentido de que aos crimes de roubo e 
de extorsão não se aplica o instituto da continuidade delitiva, considerando que não são 
delitos da mesma espécie. 
 
 
É possível reconhecer concurso material entre roubo e extorsão quando o agente, por meio 
de mais de uma ação, pratica os núcleos dos verbos dos dois tipos penais? 
SIM, segundo entendimento do STF e STJ. Ex: o agente, ameaçando a vítima com uma arma, 
subtrai seu carro e dinheiro que ela tinha na bolsa. Em seguida, leva a vítima até um caixa 
eletrônico e exige, mediante grave ameaça, que ela diga a senha de seu cartão, 
conseguindo, então, efetuar saques em sua conta corrente. Haverá, nesse caso, concurso 
material entre roubo e extorsão. 
 
De acordo com o STJ, vê-se claramente a existência de duas ações praticadas pelo 
criminoso. A primeira consistiu no ato de tomar para si os pertences encontrados em posse 
da vítima. Logo em seguida, com desígnio distinto, obrigou-lhe a revelar a senha de sua 
conta bancária e dirigir-se a um caixa eletrônico para sacar quantia em dinheiro. Muito 
embora as ações tenham ocorrido em um curto espaço de tempo, não se pode falar em 
ação única (HC 182.477/DF, Min. Jorge Mussi, julgado em 07/08/2012). 
 
Principais pontos cobrados nas provas: 
 
Elemento subjetivo: 
É o dolo acrescido de um especial fim de agir (elemento subjetivo específico). 
 
Qual é o especial fim de agir? 
O intuito de obter para si ou para outrem indevida vantagem econômica. 
 
Qual é o momento consumativo da extorsão? 
Trata-se de crime FORMAL (também chamado de consumação antecipada ou resultado 
cortado). 
A extorsão se consuma no momento em que a vítima, depois de sofrer a violência ou grave 
ameaça, realiza o comportamento desejado pelo criminoso. 
 
Consumação = constrangimento + realização do comportamento pela vítima 
 
 
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Atenção: o fato de a vítima ter realizado o comportamento exigido pelo agente não significa 
que este tenha obtido a vantagem indevida. Ex: “A” exige que “B” assine um cheque em 
branco em seu favor, senão contará a todos que “B” possui um caso extraconjugal. “B” cede 
à chantagem e assina o cheque. Ocorre que, depois, arrepende-se e susta o cheque. Nesse 
caso, houve consumação do delito mesmo sem ter o agente conseguido sacar o dinheiro. 
 
Para fins de consumação não importa se o agente consegue ou não obter a vantagem 
indevida. Essa obtenção da vantagem constitui mero exaurimento, que só interessa para a 
fixação da pena. 
 
Súmula 96-STJ: O crime de extorsão consuma-se independentemente da obtenção da 
vantagem indevida. 
 
Não se consuma o crime de extorsão quando, apesar de ameaçada, a vítima não se 
submete à vontade do criminoso, ou seja, não assume o comportamento exigido pelo 
agente. Nesse caso, haverá tentativa de extorsão. 
STJ. 6ª Turma. REsp 1.094.888-SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 21/8/2012. 
 
Caso julgado pelo STJ (com nomes fictícios): 
João exigiu que Maria, sua ex-mulher, entregasse a quantia de 300 reais e, ainda, que 
retirasse os boletins de ocorrência contra ele registrados, deixando-o ver os filhos nos finais 
de semana. O agente prometeu matar Maria caso ela não fizesse o que ele ordenou. 
A vítima não se submeteu à exigência, deixando de realizar a conduta que João procurava 
lhe impor, tendo então buscado auxílio policial. 
O Ministério Público alegou que o delito estava consumado e a defesa que se tratou de 
mera tentativa. 
 
O que decidiu o STJ? 
Houve apenas tentativa de extorsão. Não se consuma o crime de extorsão quando, apesar 
de ameaçada, a vítima não se submete à vontade do criminoso. 
STJ. 6ª Turma. REsp 1.094.888-SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 21/8/2012. 
 
Resumindo as etapas do crime: 
Se o agente constrange a vítima, mas ela não faz o que foi 
exigido. 
Tentativa 
Se o agente constrange a vítima e ela faz o que foi exigido, mas 
não se consegue a vantagem econômica. 
Consumado 
Se o agente constrange a vítima, ela faz o que foi exigido e se 
consegue a vantagem econômica. 
Consumado 
(a obtenção da 
vantagem é mero 
exaurimento do delito) 
 
Como vimos, essa distinção se o crime é formal ou material não tem importância 
meramente acadêmica, sendo muito relevante na prática. Veja dois outros aspectos que 
são diretamente influenciados pelo fato da extorsão ser crime formal: 
 
Prescrição Flagrante 
Se a extorsão fosse crime material, a 
prescrição somente começaria a correr na 
data da obtenção da vantagem indevida. 
No entanto, como a extorsão é crime 
Se a extorsão fosse crime material, o 
agente poderia ser preso no momento em 
que estivesse recebendo a vantagem. 
No entanto, como a extorsão é crime 
 
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formal, o prazo de prescrição tem início no 
dia em que o agente constrangeu a vítima 
e esta fez o que foi exigido, não 
importando a data do recebimento da 
vantagem. 
formal, a prisão em flagrante deverá levar 
em consideração o momento em que o 
agente constrangeu a vítima. Se o 
constrangimento for feito em um momento 
e a obtenção da vantagem em outro, o que 
importa para o flagrante é o instante do 
constrangimento. 
Assim, se o agente constrangeu a vítima a 
dar o seu cartão bancário e senha em um 
dia e somente foi sacar a quantia três dias 
depois, nesse momento do saque não 
haverá mais flagrante. 
 
 
Processo STJ. 6ª Turma. REsp 1.207.155-RS, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 7/11/2013. 
 
 
Tráfico de maquinário (art. 34) 
 
Em dois precedentes, o STJ discutiu se o art. 34 da Lei de Drogas era ou não absorvido pelo art. 
33. Foram expostas duas conclusões: 
 
I – A prática do crime previsto no art. 33, caput, da Lei de Drogas absorve o delito capitulado no 
art. 34 da mesma lei, desde que não fique caracterizada a existência de contextos autônomos e 
coexistentes aptos a vulnerar o bem jurídico tutelado de forma distinta. 
Assim, responderá apenas pelo crime do art. 33 (sem concurso com o art. 34), o agente que, 
além de preparar para venda certa quantidade de drogas ilícitas em sua residência, mantiver, 
no mesmo local, uma balança de precisão e um alicate de unha utilizados na preparação das 
substâncias. Isso porque, na situação em análise, não há autonomia necessária a embasar a 
condenação em ambos os tipos penais simultaneamente, sob pena de “bis in idem”. 
STJ. 5ª Turma. REsp 1.196.334-PR, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 19/9/2013. 
 
II – Responderá pelo crime de tráfico de drogas (art. 33) em concurso com o art. 34 o agente 
que, além de ter em depósito certa quantidadede drogas ilícitas em sua residência para fins de 
mercancia, possuir, no mesmo local e em grande escala, objetos, maquinário e utensílios que 
constituam laboratório utilizado para a produção, preparo, fabricação e transformação de 
drogas ilícitas em grandes quantidades. Não se pode aplicar o princípio da consunção porque 
nesse caso existe autonomia de condutas e os objetos encontrados não seriam meios 
necessários nem constituíam fase normal de execução daquele delito de tráfico de drogas, 
possuindo lesividade autônoma para violar o bem jurídico. 
STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 303.213-SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 8/10/2013. 
Comentários Antes de explicar o que foi decidido pelo STJ, é importante revisar o crime previsto no art. 
34 da Lei de Drogas (Lei n. 1.343/2006): 
 
TRÁFICO DE MAQUINÁRIO DE DROGA 
Art. 34. Fabricar, adquirir, utilizar, transportar, oferecer, vender, distribuir, entregar a 
qualquer título, possuir, guardar ou fornecer, ainda que gratuitamente, maquinário, 
aparelho, instrumento ou qualquer objeto destinado à fabricação, preparação, produção 
ou transformação de drogas, sem autorização ou em desacordo com determinação legal 
ou regulamentar: 
Pena - reclusão, de 3 (três) a 10 (dez) anos, e pagamento de 1.200 (mil e duzentos) a 2.000 
(dois mil) dias-multa. 
 
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Em que consiste o crime: 
A pessoa comete esse crime quando fabrica, adquire, utiliza, transporta, oferece, vende, 
distribui, entrega, possui, guarda ou fornece qualquer objeto destinado à produção de 
drogas de forma ilícita. 
 
Punição de atos preparatórios ao tráfico de drogas: 
Em regra, os atos preparatórios de um delito não são punidos. A punição, normalmente, só 
pode existir se o agente iniciou a prática de atos executórios (art. 14, II, do CP). 
O legislador, no entanto, decidiu punir os atos preparatórios do delito de tráfico de drogas 
(art. 33 da Lei n. 11.343/2006). Para isso, ele criou um tipo específico: o presente art. 34. 
Desse modo, o que o art. 34 pune são os atos preparatórios do crime de tráfico de drogas. 
Assim, antes que o sujeito inicie a execução do art. 33, ele já pode ser punido pelo art. 34. 
Ex: João irá encomendar pasta base de cocaína de seu fornecedor para preparar 
“trouxinhas” de cocaína e vender em seu bairro. Antes mesmo que ele faça a “encomenda”, 
ele adquire sacos plásticos, barbantes, alicate, talco e uma balança de precisão, 
instrumentos que ele irá utilizar para confeccionar a droga. Se João for preso com tais 
objetos, não se poderá acusá-lo de tráfico de drogas, uma vez que não iniciou nenhum ato 
de execução, ficando apenas na preparação. Contudo, poderá ser punido pelo art. 34, ora 
em estudo. 
 
Em regra, o crime do art. 34 é subsidiário em relação ao tráfico de drogas (art. 33): 
Veja o que ensina Renato Brasileiro: 
 “(...) ocorrendo o crime principal de tráfico de drogas em um mesmo contexto fático, 
afasta-se a aplicação do tipo subsidiário do art. 34 (lex primaria derogat lex subsidiariae). A 
título de exemplo, se a polícia não conseguir localizar nenhuma quantidade de droga em um 
laboratório clandestino durante a execução de um mandado de busca domiciliar, porém 
encontrar uma balança de precisão com vestígios de cocaína, o agente deverá ser autuado 
em flagrante delito pela prática do art. 34, porquanto demonstrado que tal aparelho era 
utilizado na preparação de droga. No entanto, se a Polícia tiver êxito na apreensão de droga 
e da balança de precisão, estaria tipificado apenas o crime do art. 33, caput, que teria o 
condão de afastar a aplicação do soldado de reserva do art. 34.” (LIMA, Renato Brasileiro 
de. Legislação Criminal Especial Comentada. Niterói: Impetus, 2013, p. 777-778). 
 
Exemplo: 
Carlos foi preso, em sua residência, com certa quantidade de cocaína destinada à venda. 
Além da droga, o agente mantinha, no mesmo local, uma balança de precisão e um alicate 
de unha utilizados na preparação das “trouxinhas” de cocaína. 
O Ministério Público desejava a condenação do réu pelos delitos do art. 33 e 34 da Lei n. 
11.343/2006, em concurso. 
O STJ, contudo, decidiu que o acusado deveria responder apenas pelo crime de tráfico de 
drogas (art. 33), ficando o delito do art. 34 absorvido. 
O Min. Marco Aurélio Bellize assentou que “a prática do crime previsto no art. 33, caput, da 
Lei de Drogas absorve o delito capitulado no art. 34 da mesma lei, desde que não fique 
caracterizada a existência de contextos autônomos e coexistentes aptos a vulnerar o bem 
jurídico tutelado de forma distinta.” 
Na situação em análise, entendeu-se que não há autonomia necessária a embasar a 
condenação em ambos os tipos penais simultaneamente, sob pena de “bis in idem”. 
Para o Min. Relator, deve ficar demonstrada a real lesividade dos objetos tidos como 
instrumentos destinados à fabricação, preparação, produção ou transformação de drogas, 
sob pena de a posse de uma tampa de caneta (utilizada como medidor), atrair a incidência 
 
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do tipo penal em exame. 
Relevante, assim, analisar se os objetos apreendidos são aptos a vulnerar o tipo penal em tela. 
Na situação em análise, o STJ entendeu que, além de a conduta não se mostrar autônoma, a 
posse de uma balança de precisão e de um alicate de unha não poderia ser considerada 
como posse de maquinário nos termos do que descreve o art. 34, pois os referidos 
instrumentos integram a prática do delito de tráfico, não se prestando à configuração do 
crime de posse de maquinário. 
STJ. 5ª Turma. REsp 1.196.334-PR, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 19/9/2013. 
 
Pode haver concurso entre os arts. 33 e 34 se ficar demonstrada a autonomia das condutas 
Exemplo: 
Pablo foi preso, em sua residência, com certa quantidade de cocaína destinada à venda. 
Além da droga, o agente mantinha, no mesmo local e em grande escala, objetos, 
maquinário e utensílios que constituíam um verdadeiro “laboratório” utilizado para a 
produção, preparo, fabricação e transformação de drogas ilícitas em grandes quantidades. 
O Ministério Público pediu a condenação do réu pelos delitos do art. 33 e 34 da Lei n. 
11.343/2006, em concurso. 
O STJ concordou com o MP e decidiu que o acusado deveria responder pelos crimes de 
tráfico de drogas (art. 33) e tráfico de maquinário (art. 34) em concurso. 
Nessa situação, as circunstâncias fáticas demonstraram que havia verdadeira autonomia 
das condutas, o que inviabilizava a incidência do princípio da consunção. 
O princípio da consunção deve ser aplicado quando um dos crimes for o meio normal para a 
preparação, execução ou mero exaurimento do delito visado pelo agente, situação que fará 
com que este absorva aquele outro delito, desde que não ofendam bens jurídicos distintos. 
Dessa forma, a depender do contexto em que os crimes foram praticados, será possível o 
reconhecimento da absorção do delito previsto no art. 34 pelo crime previsto no art. 33. 
Contudo, para tanto, é necessário que não fique caracterizada a existência de contextos 
autônomos e coexistentes aptos a vulnerar o bem jurídico tutelado de forma distinta. 
Levando-se em consideração que o crime do art. 34 visa coibir a produção de drogas, 
enquanto o art. 33 tem por objetivo evitar a sua disseminação, deve-se analisar, para fins 
de incidência ou não do princípio da consunção, a real lesividade dos objetos tidos como 
instrumentos destinados à fabricação, preparação, produção ou transformação de drogas. 
Relevante aferir, portanto, se os objetos apreendidos são aptos a vulnerar o tipo penal em 
tela quanto à coibição da própria produção de drogas. 
Logo, se os maquinários e utensílios apreendidos não forem suficientes para a produção ou 
transformação da droga, será possível a absorção do crime do art. 34 pelo do art. 33, haja 
vista ser aquele apenas meio para a realização do tráfico de drogas (como a posse de uma 
balança e de um alicate – objetos que, por si sós, são insuficientes para o fabricoou 
transformação de entorpecentes, constituindo apenas um meio para a realização do delito 
do art. 33). Contudo, a posse ou depósito de maquinário e utensílios que demonstrem a 
existência de um verdadeiro laboratório voltado à fabricação ou transformação de drogas 
implica autonomia das condutas, por não serem esses objetos meios necessários ou fase 
normal de execução do tráfico de drogas. 
STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 303.213-SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 
8/10/2013. 
 
Tipo misto alternativo 
O delito do art. 34 é classificado com o tipo misto alternativo (também chamado de crime 
de ação múltipla ou de conteúdo variado). 
 Tipo simples: ocorre quando o legislador descreve apenas um verbo para tipificar a 
conduta. Ex: art. 121 (matar alguém). 
 
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 Tipo misto: é aquele no qual o legislador descreve dois ou mais verbos, ou seja, mais de 
uma forma de se realizar o fato delituoso. Ex: o agente pratica o crime se fabricar, 
adquirir, utilizar etc. 
 
O tipo misto pode ser alternativo ou cumulativo. 
 Tipo misto alternativo: o legislador descreveu duas ou mais condutas (verbos). Se o 
sujeito praticar mais de um verbo, no mesmo contexto fático e contra o mesmo objeto 
material, responderá por um único crime, não havendo concurso de crimes nesse caso. 
Ex: João adquire, na boca-de-fumo, uma máquina para fazer drogas, transporta-a para 
sua casa e lá a utiliza. Responderá uma única vez pelo art. 34 e não por três crimes em 
concurso. 
 Tipo misto cumulativo: o legislador descreveu duas ou mais condutas (verbos). Se o 
sujeito incorrer em mais de um verbo, irá responder por tantos crimes quantos forem 
os núcleos praticados. Ex: art. 242 do CP. 
 
Maquinário, aparelho, instrumento ou qualquer objeto destinado à produção de drogas: 
É muito difícil que exista uma máquina, aparelho ou instrumento que tenha sido idealizado 
com a finalidade exclusiva de produzir drogas ilícitas. 
Desse modo, para que o sujeito seja punido pelo art. 34 é preciso verificar se aquele 
maquinário encontrado era destinado, no caso concreto, para o tráfico de drogas. 
Ex: uma balança de cozinha não é um aparelho que tenha sido criado com o objetivo de 
preparar droga. No entanto, se esta balança de precisão é encontrada, juntamente com 
sacos plásticos, alicates e resquícios de substância que aparente cocaína, em um local que 
parece um verdadeiro laboratório de produção de drogas, pode-se concluir que se trata de 
instrumento destinado à preparação de “trouxinhas” de cocaína. 
 
Sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar: 
Para que configure o delito é necessário que o maquinário seja destinado à produção de 
drogas sem que o agente tenha autorização para isso ou agindo em desacordo com 
determinação legal ou regulamentar. 
Dessa forma, se o agente tiver autorização, não há crime. Ex: em uma farmácia de 
manipulação, existem diversos objetos destinados à produção de drogas (remédios). No 
entanto, esse estabelecimento possui autorização e as drogas preparadas estão de acordo 
com a determinação regulamentar dos órgãos competentes. 
 
Sujeito ativo: pode ser praticado por qualquer pessoa (crime comum). 
 
Sujeito passivo: coletividade (crime vago). 
 
Bem jurídico: saúde pública. 
 
Elemento subjetivo: é o dolo (sem qualquer finalidade especial). 
 
Consumação 
Para que o delito se consuma basta que o agente pratique qualquer das condutas narradas. 
 
Crime permanente 
Algumas condutas do art. 34 são permanentes. É o caso, por exemplo, de “possuir” e 
“guardar”. Isso se mostra importante porque se o agente for encontrado guardando uma 
máquina de fazer droga, como a conduta é permanente, ele estará, naquele momento, em 
estado de flagrante delito, podendo ser preso imediatamente, sem ordem judicial. 
 
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Crime equiparado a hediondo 
Não há consenso. No entanto, para a maioria da doutrina e jurisprudência, o delito do art. 
34 é crime equiparado a hediondo (art. 5º, XLIII, da CF/88). 
 
Competência: em regra, trata-se de crime de competência da Justiça estadual. 
 
Processo STJ. 5ª Turma. REsp 1.196.334-PR, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 19/9/2013. 
 
 
DIREITO PROCESSUAL PENAL 
 
As referências ou a leitura da decisão de pronúncia durante os debates no Júri somente 
acarretam nulidade se forem feitas como argumento de autoridade 
 
O art. 478, I, do CPP afirma que, durante os debates, as partes não poderão, sob pena de 
nulidade, fazer referências à decisão de pronúncia ou às decisões posteriores que julgaram 
admissível a acusação como argumento de autoridade para beneficiar ou prejudicar o acusado. 
Isso não significa, contudo, que qualquer referência ou leitura da decisão acarretará, 
obrigatoriamente, a nulidade do julgamento. 
Na verdade, somente haverá nulidade se a leitura ou as referências forem feitas como 
argumento de autoridade para beneficiar ou prejudicar o acusado. 
Comentários Imagine a seguinte situação hipotética: 
Daniel estava sendo julgado pelo Tribunal do Júri acusado da prática do delito de homicídio. 
Durante os debates em Plenário, o Promotor de Justiça leu para os jurados a sentença de 
pronúncia. 
Imediatamente, o Defensor Público que fazia a assistência jurídica do réu impugnou essa 
conduta e pediu que constasse em ata o referido fato. 
O acusado foi condenado. 
No recurso, como preliminar, a Defensoria arguiu a nulidade do julgamento, afirmando que 
houve violação ao art. 478, I, do CPP: 
Art. 478. Durante os debates as partes não poderão, sob pena de nulidade, fazer 
referências: 
I – à decisão de pronúncia, às decisões posteriores que julgaram admissível a acusação ou à 
determinação do uso de algemas como argumento de autoridade que beneficiem ou 
prejudiquem o acusado; 
 
Se MP ou defesa fizer a leitura ou alguma outra referência à decisão de pronúncia durante 
os debates em plenário isso significará, obrigatoriamente, a nulidade do julgamento? 
NÃO. As referências ou a leitura da decisão de pronúncia durante os debates em plenário 
do Tribunal do Júri não acarretam, necessariamente, a nulidade do julgamento. 
Somente haverá nulidade se a leitura ou as referências forem feitas como argumento de 
autoridade para beneficiar ou prejudicar o acusado. 
 
O que é argumento de autoridade? 
“Argumento de autoridade é uma falácia lógica que apela para a palavra de alguma 
autoridade a fim de validar o argumento. Este raciocínio é absurdo, vista que a conclusão 
baseia-se exclusivamente na credibilidade do autor da proposição e não nas razões que ele 
tenha apresentado para sustentá-la. No âmbito do Júri, pode-se dizer que, ao invés de se 
valer da prova constante dos autos, as partes tentam formar o convencimento dos jurados 
apelando para uma anterior decisão do juiz-presidente ou do Tribunal acerca do caso 
 
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concreto. Como os jurados são pessoas leigas, geralmente desprovidas de conhecimento 
técnico, podem ser facilmente influenciados no sentido da condenação (ou absolvição) do 
acusado se lhes for revelado o entendimento do juiz togado acerca do caso concreto. Daí a 
importância de se vedar a utilização do argumento de autoridade.” (LIMA, Renato Brasileiro 
de. Manual de Processo Penal. Vol. II. Niterói: Impetus, 2012, p. 487). 
 
Exemplos: 
Durante os debates em plenário, o Promotor de Justiça fala o seguinte para os jurados: 
Situação 1: Situação 2 
“Prezados jurados, hoje os senhores irão 
julgar Fulano de Tal, que foi pronunciado 
pelo crime de homicídio qualificado por 
motivo fútil, conforme podem ver na 
sentença de pronúncia que foi entregue a 
cada um de vocês.” 
“Prezados jurados, na sentença de 
pronúncia, o Dr. Sicrano, juiz de direito, que 
estudou muito e passou em concurso 
extremamente difícil, reconheceu que havia 
indícios de que o réu aqui presente praticou 
um homicídio qualificado. Então, o juiz já 
concordou com o Ministério Público.” 
Nestaprimeira hipótese, não há que se 
falar em nulidade uma vez que a referência 
à sentença de pronúncia não foi feita como 
argumento de autoridade. 
Em outras palavras, não se utilizou a 
decisão do Poder Judiciário para 
impressionar ou influenciar os jurados. 
Neste segundo exemplo, há nulidade 
porque a referência à sentença foi feita 
como argumento de autoridade. 
Utilizou-se o respeito e o prestígio da 
autoridade (magistrado) para convencer os 
jurados. 
O objetivo é passar aos jurados a 
mensagem subliminar de que “se até o juiz, 
que conhece as leis, disse que ele é 
culpado, eu tenho que condenar”. 
 
 
Processo STJ. 5ª Turma. HC 248.617-MT, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 5/9/2013. 
STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp 1.235.899-MG, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 5/11/2013. 
 
 
DIREITO TRIBUTÁRIO 
 
Formação de CDA em caso de tributos sujeitos a lançamento de ofício não precisa de processo 
administrativo prévio 
 
A ausência de prévio processo administrativo não enseja a nulidade da Certidão de Dívida 
Ativa (CDA) nos casos de tributos sujeitos a lançamento de ofício. 
Comentários Execução fiscal 
Execução fiscal é a ação judicial proposta pela Fazenda Pública (União, Estados, DF, 
Municípios e suas respectivas autarquias e fundações) para cobrar do devedor créditos 
(tributários ou não tributários) inscritos em dívida ativa. 
 
Petição inicial da execução fiscal deve vir acompanhado da CDA 
Como vimos acima, a execução fiscal é a cobrança de créditos inscritos em dívida ativa. 
Logo, a petição inicial da execução fiscal deverá vir instruída com a Certidão da Dívida Ativa. 
 
Como é o procedimento até que seja feita a CDA? 
O contribuinte realiza o fato gerador do tributo (exs: adquire renda, faz uma doação, chega 
no dia 01/01 sendo proprietário de um bem imóvel etc). 
ATENÇÃO 
PGE/PGM 
 
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Quando o contribuinte realiza o fato gerador, ele se torna sujeito passivo de uma obrigação 
tributária principal, ou seja, passa a ter a obrigação de pagar o tributo. 
Diante dessa situação, o Fisco irá praticar um ato chamado de “lançamento tributário”, ou 
seja, irá calcular o montante do tributo devido e notificar o contribuinte para que ele pague. 
O lançamento confere exigibilidade à obrigação tributária. 
Com o lançamento, a obrigação tributária transforma-se em crédito tributário. 
Se o sujeito passivo não pagar o débito, esse crédito tributário será inscrito na dívida ativa. 
A inscrição será feita por meio do termo de inscrição na dívida ativa e é realizado no “Livro 
da Dívida Ativa” (atualmente, por óbvio, trata-se de um sistema informatizado). 
Dessa inscrição, extrai-se a CDA (Certidão de Dívida Ativa), que é um título executivo 
extrajudicial (art. 585, VII, do CPC). 
Com a CDA, a Fazenda Pública pode ajuizar a execução fiscal contra o devedor. 
Os requisitos da CDA estão previstos no art. 202 do CTN. 
 
Procedimento Administrativo Fiscal (PAF) 
O procedimento acima explicado, por meio do qual ocorre a constituição do crédito 
tributário e a formação da CDA, é chamado de Procedimento Administrativo Fiscal (PAF). 
No âmbito federal, o PAF é regulado pelo Decreto n. 70.235/72 (que foi recepcionado pela 
CF/88 como lei ordinária). 
No âmbito dos Estados e Municípios, o PAF é regido por leis estaduais ou locais. 
 
O PAF é sempre exigível para a inscrição do débito em dívida ativa? 
NÃO. A jurisprudência entende que, no caso de tributos sujeitos a lançamento de ofício 
(direto), não é necessária a realização de procedimento administrativo prévio para que o 
débito seja inscrito em dívida ativa. 
 
É o caso, por exemplo, do IPTU e das taxas municipais. O Município envia para o endereço 
do contribuinte, por via postal ou entrega direta, o carnê de pagamento do tributo e isso já 
significa a notificação do lançamento. Nesse carnê (que é, tecnicamente, uma guia de 
recolhimento do tributo), constam as informações sobre o que está sendo cobrado. Se o 
contribuinte não concordar com a cobrança, poderá impugná-la administrativa ou 
judicialmente. 
 
(...) no lançamento de ofício do IPTU, a Fazenda Pública possui todas as informações para a 
constituição do crédito, não necessitando de processo administrativo fiscal em autos. Após 
constituído, a Fazenda envia o carnê do IPTU ao contribuinte, o que equivale à notificação 
do lançamento, e, recebida esta, abre-se o prazo para a impugnação. (...) 
(STJ. 1ª Turma. AgRg no REsp 1080522/RJ, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 
14/10/2008). 
 
“(...) a remessa, ao endereço do contribuinte, do carnê de pagamento do IPTU é ato 
suficiente para a notificação do lançamento tributário. (...) 
(STJ. 1ª Seção. REsp 1111124/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 22/04/2009, 
recurso repetitivo). 
 
Súmula 397-STJ: O contribuinte do IPTU é notificado do lançamento pelo envio do carnê ao 
seu endereço. 
 
Assim, para o STJ, nos tributos com lançamento de ofício, a ausência de prévio processo 
administrativo não enseja a nulidade da CDA, uma vez que só haverá processo 
administrativo se o contribuinte entender que foi incorreta a cobrança e, assim, impugnar o 
lançamento. 
 
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Vale ressaltar, ainda, que há uma presunção, em favor do Fisco, de que a notificação 
enviada ao endereço do sujeito passivo ou do imóvel (no caso de IPTU), foi entregue ao 
contribuinte. Se este alegar que não recebeu, terá o ônus de provar isso. 
Processo STJ. 2ª Turma. AgRg no AREsp 370.295-SC, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 1º/10/2013. 
 
 
É inexigível a cobrança de FUNDAF (uma espécie de taxa) com base em atos regulamentares da 
RFB por ofensa ao princípio da legalidade estrita 
(obs: este julgado somente interessa a quem presta concursos federais) 
 
São inexigíveis os valores cobrados de concessionária, com fundamento em atos 
regulamentares da Receita Federal, a título de contribuição para o Fundo Especial de 
Desenvolvimento e Aperfeiçoamento das Atividades de Fiscalização (FUNDAF). 
Comentários FUNDAF significa Fundo Especial de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento das Atividades de 
Fiscalização e constitui-se em um tributo destinado a fornecer recursos para financiar o 
reaparelhamento e reequipamento da Receita Federal e para custear o poder de polícia na 
fiscalização aduaneira. 
 
O STJ entende que os valores cobrados a título de contribuição para o FUNDAF têm 
natureza jurídica de taxa (e não de preço público), tendo em vista que o seu pagamento é 
compulsório e decorre do exercício regular de típico poder de polícia, conforme se afere do 
art. 22 do Decreto-Lei 1.455/1976. 
 
Sendo taxa, os valores cobrados para o FUNDAF estão sujeitos às limitações constitucionais 
ao poder de tributar, entre as quais o princípio da legalidade estrita, previsto no art. 150, I, 
da CF e no art. 97 do CTN. 
 
Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, 
aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: 
I - exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; 
 
Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: 
I - a instituição de tributos, ou a sua extinção; 
II - a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 
e 65; 
III - a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no 
inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; 
IV - a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos 
artigos 21, 26, 39, 57 e 65; 
V - a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou 
para outras infrações nela definidas; 
VI - as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa 
ou redução de penalidades. 
 
Desse modo, pelo princípio da legalidade estrita, na norma instituidora do tributo (que deve ser 
uma lei em sentido estrito), devem constar todos os aspectos da tipicidade tributária (aspecto 
material, aspecto pessoal,aspecto espacial, aspecto temporal e aspecto quantitativo). 
 
O FUNDAF encontra-se em desconformidade com o citado princípio, tendo em vista que os seus 
elementos constitutivos não estão previstos em lei, mas sim em atos regulamentares da Receita 
 
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Federal, tendo havido uma indevida delegação de competência prevista no Decreto-Lei 
1.455/1978 e no Decreto 91.030/1985, os quais não subsistem, por força do disposto no art. 25 
do ADCT, o qual expressamente revogou os dispositivos legais que delegavam a órgão do Poder 
Executivo competência assinalada pela CF/1988 ao Congresso Nacional. 
 
Logo, para que o FUNDAF fosse legítimo, seus elementos constitutivos deveriam estar 
previstos em lei e não em atos infralegais. 
Processo STJ. 1ª Turma. REsp 1.275.858-DF, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 19/9/2013. 
 
 
JULGADOS QUE NÃO FORAM COMENTADOS POR SEREM DE MENOR 
RELEVÂNCIA PARA CONCURSOS PÚBLICOS 
 
DIREITO PROCESSUAL CIVIL. EXERCÍCIO DO JUÍZO DE RETRATAÇÃO PREVISTO NO ART. 543-B, § 3º, DO CPC. 
Concluído no STF o julgamento de caso em que tiver sido reconhecida a repercussão geral, o exercício da 
faculdade de retratação prevista no art. 543-B, § 3º, do CPC não estará condicionado a prévio juízo de 
admissibilidade do recurso extraordinário anteriormente sobrestado no STJ. Precedentes citados: AgRg no 
RE nos EDcl no AgRg no REsp 1.174.808-SC, Corte Especial, DJe 26/6/2013; AgRg no RE nos EDcl no AgRg no 
REsp 1.145.138-RS, Corte Especial, DJe 28/5/2013; EDcl na QO nos EDcl no AgRg no REsp 972.060-RS, 
Quinta Turma, DJe 12/4/2013; EDcl nos EDcl nos EDcl no AgRg no REsp 971.644-RS, Quinta Turma, DJe 
27/2/2013; e EDcl no Ag 1.069.923-RS, Sexta Turma, DJe 1º/10/2012. 
EREsp 878.579-RS, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 16/10/2013. 
 
DIREITO CIVIL. TARIFAS DE ABERTURA DE CRÉDITO E DE EMISSÃO DE CARNÊ ATÉ 30/4/2008. RECURSO 
REPETITIVO (ART. 543-C DO CPC E RES. 8/2008-STJ). 
Nos contratos bancários celebrados até 30/4/2008 (fim da vigência da Resolução 2.303/1996 do CMN), era 
válida a pactuação de Tarifa de Abertura de Crédito (TAC) e de Tarifa de Emissão de Carnê (TEC), ressalvado 
o exame de abusividade em cada caso concreto. Nos termos dos arts. 4º e 9º da Lei 4.595/1964, recebida 
pela CF como lei complementar, compete ao Conselho Monetário Nacional (CMN) dispor sobre taxa de 
juros e sobre a remuneração dos serviços bancários e ao Bacen fazer cumprir as normas expedidas pelo 
CMN. Ao tempo da Resolução CMN 2.303/1996, a orientação estatal quanto à cobrança de tarifas pelas 
instituições financeiras era essencialmente não intervencionista. A regulamentação facultava às instituições 
financeiras a cobrança pela prestação de quaisquer tipos de serviços, com exceção daqueles que a norma 
definia como básicos, desde que fossem efetivamente contratados e prestados ao cliente, assim como 
respeitassem os procedimentos voltados a assegurar a transparência da política de preços adotada pela 
instituição. A cobrança das tarifas TAC e TEC é, portanto, permitida se baseada em contratos celebrados até 
o fim da vigência da Resolução 2.303/1996 do CMN, ressalvado abuso devidamente comprovado caso a 
caso, por meio da invocação de parâmetros objetivos de mercado e circunstâncias do caso concreto, não 
bastando a mera remissão aos conceitos jurídicos abstratos ou à convicção subjetiva do magistrado. Tese 
firmada para fins do art. 543-C do CPC: “Nos contratos bancários celebrados até 30.4.2008 (fim da vigência 
da Resolução CMN 2.303/96) era válida a pactuação das tarifas de abertura de crédito (TAC) e de emissão 
de carnê (TEC), ou outra denominação para o mesmo fato gerador, ressalvado o exame de abusividade em 
cada caso concreto”. 
REsp 1.251.331-RS e REsp 1.255.573-RS, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgados em 28/8/2013. 
 
DIREITO CIVIL. TARIFAS DE ABERTURA DE CRÉDITO E DE EMISSÃO DE CARNÊ E TARIFA DE CADASTRO APÓS 
30/4/2008. RECURSO REPETITIVO (ART. 543-C DO CPC E RES. 8/2008-STJ). 
Não é possível a pactuação de Tarifa de Abertura de Crédito (TAC) e de Tarifa de Emissão de Carnê (TEC) 
após 30/4/2008 (início da vigência da Resolução 3.518/2007 do CMN), permanecendo válida a pactuação 
de Tarifa de Cadastro expressamente tipificada em ato normativo padronizador da autoridade monetária, a 
qual somente pode ser cobrada no início do relacionamento entre o consumidor e a instituição financeira. 
 
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Com o início da vigência da Resolução 3.518/2007 do CMN, em 30/4/2008, a cobrança por serviços 
bancários prioritários para pessoas físicas ficou limitada às hipóteses taxativamente previstas em norma 
padronizadora expedida pelo Bacen. Em cumprimento ao disposto na referida resolução, o Bacen editou a 
Circular 3.371/2007. A TAC e a TEC não foram previstas na Tabela anexa à referida Circular e nos atos 
normativos que a sucederam, de forma que não mais é válida sua pactuação em contratos posteriores a 
30/4/2008. Permanece legítima, entretanto, a estipulação da Tarifa de Cadastro, a qual remunera o serviço 
de "realização de pesquisa em serviços de proteção ao crédito, base de dados e informações cadastrais, e 
tratamento de dados e informações necessários ao inicio de relacionamento decorrente da abertura de 
conta de depósito à vista ou de poupança ou contratação de operação de crédito ou de arrendamento 
mercantil, não podendo ser cobrada cumulativamente" (Tabela anexa à vigente Resolução 3.919/2010 do 
CMN, com a redação dada pela Resolução 4.021/2011). Ademais, cumpre ressaltar que o consumidor não é 
obrigado a contratar esse serviço de cadastro junto à instituição financeira, pois possui alternativas de 
providenciar pessoalmente os documentos necessários à comprovação de sua idoneidade financeira ou 
contratar terceiro (despachante) para fazê-lo. Tese firmada para fins do art. 543-C do CPC: “Com a vigência 
da Resolução CMN 3.518/2007, em 30.4.2008, a cobrança por serviços bancários prioritários para pessoas 
físicas ficou limitada às hipóteses taxativamente previstas em norma padronizadora expedida pela 
autoridade monetária. Desde então, não mais tem respaldo legal a contratação da Tarifa de Emissão de 
Carnê (TEC) e da Tarifa de Abertura de Crédito (TAC), ou outra denominação para o mesmo fato gerador. 
Permanece válida a Tarifa de Cadastro expressamente tipificada em ato normativo padronizador da 
autoridade monetária, a qual somente pode ser cobrada no início do relacionamento entre o consumidor e 
a instituição financeira.” 
REsp 1.251.331-RS e REsp 1.255.573-RS, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgados em 28/8/2013. 
 
DIREITO CIVIL. POSSIBILIDADE DE FINANCIAMENTO DO IOF. RECURSO REPETITIVO (ART. 543-C DO CPC E 
RES. 8/2008-STJ). 
Podem as partes convencionar o pagamento do Imposto sobre Operações Financeiras e de Crédito (IOF) 
por meio de financiamento acessório ao mútuo principal, sujeitando-o aos mesmos encargos contratuais. 
Não se discute que a obrigação tributária arrecadatória e o recolhimento do tributo à Fazenda Nacional são 
cumpridos por inteiro pela instituição financeira, o agente arrecadador, de sorte que a relação existente 
entre esta e o mutuário é decorrente da transferência ao Fisco do valor integral da exação tributária. Esse é 
o objeto do financiamento acessório, sujeito às mesmas condições e taxas do mútuo principal destinado ao 
pagamento do bem de consumo. Nesse contexto, o fato de a instituição financeira arrecadadora financiar o 
valor devido pelo consumidor à Fazenda não padece de ilegalidade ou abusividade. Ao contrário, atende 
aos interesses do financiado, que não precisa desembolsar de uma única vez todo o valor, ainda que para 
isso esteja sujeito aos encargos previstos no contrato. Tese firmada para fins do art. 543-C do CPC: “Podem 
as partes convencionar o pagamento do Imposto sobre Operações Financeiras e de Crédito (IOF) por meio 
de financiamento acessório ao mútuo principal, sujeitando-o aos mesmos encargos contratuais.”REsp 1.251.331-RS e REsp 1.255.573-RS, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgados em 28/8/2013. 
 
DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. LEVANTAMENTO PARCIAL DE DEPÓSITO JUDICIAL PELO 
MUNICÍPIO. 
Não caracteriza hipótese de conversão de depósito em renda (art. 156, VI, do CTN) – caso de extinção do 
crédito tributário – o repasse aos municípios previsto no § 2º do art. 1º da Lei 10.819/2003. A Lei 
10.819/2003 concede ao município que instituir fundo de reserva destinado a garantir eventual obrigação 
de ressarcimento o repasse de parcela correspondente a 70% do valor dos depósitos em instituição 
financeira referentes a créditos tributários controvertidos de competência municipal efetuados a partir de 
sua vigência (arts. 1° e 2°). O repasse em questão configura hipótese de levantamento parcial sob a 
condição resolutiva de que o contribuinte venha a ser vencedor no processo. Com efeito, estabelece o art. 
4° da Lei 10.819/2003 que, "encerrado o processo litigioso com ganho de causa para o depositante, 
mediante ordem judicial, o valor do depósito efetuado nos termos desta Lei, acrescido da remuneração que 
 
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lhe foi originalmente atribuída, será colocado à disposição do depositante pela instituição financeira 
responsável, no prazo de três dias úteis (...)". 
REsp 1.365.433-MG, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 5/9/2013. 
 
DIREITO PROCESSUAL CIVIL. INEXISTÊNCIA DE LITISCONSÓRCIO PASSIVO NECESSÁRIO NO ÂMBITO DE AÇÃO 
DE NUNCIAÇÃO DE OBRA NOVA. 
No âmbito de ação de nunciação de obra nova movida por condomínio contra condômino objetivando a 
paralisação e a demolição de construção irregular erguida pelo condômino em área comum para 
transformar seu apartamento, localizado no último andar do edifício, em um apartamento com cobertura, 
não há litisconsórcio passivo necessário com os condôminos proprietários dos demais apartamentos 
localizados no último andar do edifício.Isso porque a situação em apreço não se enquadra nas hipóteses 
previstas no art. 47 do CPC, considerando o fato de que o litígio não exige solução uniforme em relação aos 
demais condôminos ocupantes do último andar do edifício. 
REsp 1.374.456-MG, Rel. Min. Sidnei Beneti, julgado em 10/9/2013. 
 
DIREITO EMPRESARIAL. COMPENSAÇÃO NO PROCESSO FALIMENTAR. 
Os valores a serem restituídos à massa falida decorrentes da procedência de ação revocatória não podem 
ser compensados com eventual crédito habilitado no processo de falência pelo réu condenado. Isso porque 
à ação revocatória subjaz uma situação de ilegalidade preestabelecida em prejuízo da coletividade de 
credores, ilegalidade que não pode beneficiar quem a praticou, viabilizando satisfação expedita de seus 
créditos. Nessa ordem de ideias, a ação revocatória, de eficaz instrumento vocacionado à restituição de 
bens que escoaram fraudulentamente do patrimônio da falida, tornar-se-ia engenhosa ferramenta de 
lavagem de capitais recebidos em desconformidade com a par conditio creditorum. Ademais, a doutrina 
vem apregoando que as hipóteses legais que impedem a compensação do crédito perante a massa não 
estão listadas exaustivamente no art. 46 do Decreto-Lei n. 7.661/1945 (correspondente, em parte, ao art. 
122 da Lei n. 11.101/2005). Aplicam-se também ao direito falimentar as hipóteses que vedam a 
compensação previstas no direito comum, como aquelas previstas nos arts. de 1.015 a 1.024 do CC de 
1916, entre as quais se destaca a compensação realizada em prejuízo de direitos de terceiros (art. 1.024). 
REsp 1.121.199-SP, Rel. originário Min. Raul Araújo, Rel. para acórdão Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 
10/9/2013.ainda vigente o concurso não garante, por si só, o 
direito do candidato aprovado, mas não classificado dentre as vagas ofertadas, à nomeação. 
Tampouco obriga, a princípio, a administração a prorrogar o prazo de validade do concurso, ato 
discricionário, submetido ao juízo de oportunidade e conveniência administrativas. 
(STJ. 2ª Turma. AgRg no REsp 1263916/PR, Rel. Min. Castro Meira, julgado em 14/08/2012) 
 
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Exceção: 
O candidato aprovado fora do número de vagas do edital adquire direito subjetivo à 
nomeação caso consiga comprovar que: 
a) surgiram novas vagas durante o prazo de validade do concurso público; e 
b) existe interesse da Administração Pública e disponibilidade orçamentária para preencher 
essas vagas. 
 
Exemplo dessa exceção: o concurso previu 10 vagas. Foram nomeados 10 candidatos, mas 
um desistiu e o outro não conseguiu tomar posse por lhe faltar determinado requisito. 
Logo, os candidatos classificados em 11º e 12º lugares passaram a ter direito subjetivo de 
serem nomeados. Nesse sentido: STJ. 6ª Turma. AgRg no RMS 30.776/RO, Rel. Min. 
Assusete Magalhães, julgado em 17/09/2013. 
 
Vale ressaltar que “o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento de que a 
contratação precária de terceiros durante o prazo de validade do certame, por si só, gera 
direito subjetivo à nomeação para os candidatos aprovados dentro do número de vagas 
disponibilizadas no concurso.” (STJ. 1ª Turma. AgRg no REsp 1188144/GO, Rel. Min. 
Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 08/10/2013). 
 
 
SITUAÇÃO 3: 
Se o candidato foi para o cadastro de reserva previsto no edital e durante o prazo de 
validade do concurso surgiram novos cargos, ele terá direito subjetivo à nomeação? 
Aqui a polêmica está mais acentuada, havendo duas correntes sobre o tema: 
 
1ª corrente: 
Em regra, SIM. Segundo vem decidindo o STJ, “a aprovação do candidato dentro do 
cadastro de reserva, ainda que fora do número de vagas inicialmente previstas no edital do 
concurso público, confere-lhe o direito subjetivo à nomeação para o respectivo cargo se, 
durante o prazo de validade do concurso, houver o surgimento de novas vagas, seja em 
razão da criação de novos cargos mediante lei, seja em virtude de vacância decorrente de 
exoneração, demissão, aposentadoria, posse em outro cargo inacumulável ou falecimento.” 
(STJ. 1ª Turma. AgRg no RMS 37.982/RO, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, julgado em 
13/08/2013). 
(STJ. 2ª Turma. RMS 38443/AC, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 
02/04/2013). 
 
Exceções 
Existem exceções? Em outras palavras, existem casos em que o candidato foi aprovado fora 
do número de vagas, mas dentro do cadastro de reserva, e que ele não terá direito subjetivo 
à nomeação mesmo tendo surgido novas vagas? 
SIM, são as mesmas exceções previstas na situação 1. 
Assim, o candidato aprovado dentro do cadastro de reservas poderá deixar de ser nomeado 
mesmo que tenham surgido novos cargos caso se verifique uma situação superveniente, 
imprevisível, grave e necessária. 
Exemplo: não haverá direito subjetivo à nomeação do candidato aprovado dentro do 
cadastro de reservas mesmo que tenham surgido vagas na hipótese em que não houver 
dotação orçamentária para a realização de nomeações. O reconhecimento da existência de 
necessidade de servidores não garante, por si só, a nomeação de candidatos, se o 
orçamento desse ano não suporta o acréscimo de despesas. 
Nesse sentido: STJ. 2ª Turma. RMS 37700/RO, Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 
04/04/2013. 
 
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2ª corrente: 
NÃO. A 1ª Seção do STJ entendeu que não. Segundo entendeu a Min. Eliana Calmon, os 
candidatos aprovados em concurso público no cadastro de reserva não têm direito 
subjetivo à nomeação, ainda que surjam novas vagas durante o prazo de validade do 
certame, seja em decorrência de vacância nos quadros funcionais, seja em razão da criação 
de novas vagas por lei. Isso porque, dentro do parâmetro fixado em repercussão geral pelo 
STF, os candidatos aprovados em concurso público, mas inseridos em cadastro de reserva, 
têm apenas expectativa de direito à nomeação. Nesses casos, compete à Administração, no 
exercício do seu poder discricionário (juízo de conveniência e oportunidade), definir as 
condições do preenchimento dos seus cargos vagos. 
(STJ. 1ª Seção. MS 17.886-DF, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 11/9/2013). 
 
Penso que prevalece e seja mais acertada a 1ª corrente. 
Processo STJ. 1ª Seção. MS 17.886-DF, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 11/9/2013. 
 
 
Em ação de improbidade, o juiz pode conceder liminar inaudita altera parte para que o 
requerido fique sem receber novas verbas do Poder Público 
 
Em uma ação de improbidade administrativa, é possível a concessão de liminar “inaudita 
altera parte” determinando que o requerido fique proibido de receber novas verbas do poder 
público, assim como benefícios fiscais e creditícios. Isso porque, ressalvadas as medidas de 
natureza exclusivamente sancionatória – por exemplo, a multa civil, a perda da função pública 
e a suspensão dos direitos políticos –, pode o magistrado, a qualquer tempo, com fundamento 
no poder geral de cautela, adotar a tutela necessária para fazer cessar ou extirpar a atividade 
nociva. 
Comentários Imagine a seguinte situação adaptada: 
O Ministério Público ajuizou ação de improbidade administrativa contra determinado réu 
em virtude de ele manter contratos supostamente ilegais com a Administração Pública. 
A improbidade administrativa é regida pela Lei n. 8.429/92. 
Segundo a referida Lei, após a ação ser proposta, o juiz analisará a petição inicial e, estando 
ela em devida forma, mandará autuá-la e ordenará a notificação do requerido para oferecer 
manifestação por escrito dentro do prazo de 15 dias (§ 7º do art. 17). Isso é chamado de 
“defesa prévia” ou “defesa preliminar”. 
 
Providência requerida pelo MP 
Ocorre que o Promotor de Justiça, na petição inicial, requereu que, antes de ser ordenada a 
notificação do requerido, o juiz já determinasse que a Administração Pública não mais 
repassasse novas verbas e benefícios fiscais e creditícios ao requerido. 
 
A Lei n. 8.492/92 não prevê expressamente essa providência requerida pelo Parquet. 
Mesmo assim, o juiz poderá determiná-la? 
SIM. O STJ decidiu que, em uma ação de improbidade administrativa, é possível a concessão 
de liminar “inaudita altera parte” (sem oitiva da parte contrária) determinando que o 
requerido fique proibido de receber novas verbas do poder público, assim como benefícios 
fiscais e creditícios. Isso porque, ressalvadas as medidas de natureza exclusivamente 
sancionatória – por exemplo, a multa civil, a perda da função pública e a suspensão dos 
direitos políticos –, pode o magistrado, a qualquer tempo, com fundamento no poder geral 
de cautela, adotar a tutela necessária para fazer cessar ou extirpar a atividade nociva, a teor 
do que disciplinam os arts. 461, § 5º, e 804 do CPC, 11 da Lei 7.347/1985 e 21 da mesma lei, 
combinado com os arts. 83 e 84 do CDC. 
 
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Desse modo, embora o art. 17, § 7º, da LIA estabeleça como regra a prévia notificação do 
acusado para se manifestar sobre a ação de improbidade, pode o magistrado, 
excepcionalmente, conceder medida liminar sempre que verificar que a observância 
daquele procedimento legal poderá tornar ineficaz a tutela de urgência pretendida. 
Processo STJ. 2ª Turma. REsp 1.385.582-RS, Rel. Herman Benjamin, julgado em 1º/10/2013. 
 
 
DIREITO CIVIL 
 
Condomínio tem legitimidade para ajuizar ação de nunciação de obra nova contra condômino 
que realiza obra irregular 
 
Admite-se ação de nunciação de obra nova demolitória movida pelo condomínio contra 
condômino, proprietário de apartamento, que realiza obra pela qual transforma sua unidade 
em apartamento de cobertura. 
Comentários Imagine a seguinte situação adaptada: 
Henrique, morador do último andar de um prédio residencial,iniciou uma obra para 
transformar seu apartamento em cobertura. 
Ocorre que a referida obra altera a fachada do edifício, contraria as normas municipais 
sobre construções e coloca em risco as fundações do imóvel, que são bem antigas. 
 
O condomínio pode tomar alguma providência? Qual? 
Poderá ajuizar uma ação de nunciação de obra nova cumulada com ação demolitória, 
pedindo a paralisação da obra e a destruição da parte já construída. 
 
Ação de nunciação de obra nova 
A ação de nunciação de obra nova serve para impedir que seja executada ou concluída uma 
construção que viole: 
 as regras sobre direito de vizinhança (previstas no Código Civil); 
 as normas municipais sobre construções; ou 
 as limitações administrativas impostas sobre a propriedade particular. 
 
Tal ação está prevista nos arts. 934 a 940 do CPC. Veja o que diz o art. 934: 
 
Art. 934. Compete esta ação: 
I - ao proprietário ou possuidor, a fim de impedir que a edificação de obra nova em imóvel 
vizinho lhe prejudique o prédio, suas servidões ou fins a que é destinado; 
II - ao condômino, para impedir que o co-proprietário execute alguma obra com prejuízo ou 
alteração da coisa comum; 
III - ao Município, a fim de impedir que o particular construa em contravenção da lei, do 
regulamento ou de postura. 
 
Em nenhum dos incisos do art. 934 do CPC menciona-se o condomínio como sendo um dos 
legitimados para essa ação. Mesmo assim isso é possível? 
SIM. Apesar de o art. 934 não incluir o condomínio entre os legitimados para mover a ação 
de nunciação de obra nova contra condôminos, o STJ admite essa legitimidade, sob o 
argumento de que o referido artigo deve ser interpretado de forma teleológica, levando em 
consideração que o condomínio possui evidente interesse de buscar as medidas necessárias 
para a defesa dos interesses da coletividade que representa. 
 
 
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Qual é a diferença entre ação de nunciação de obra nova e a ação demolitória? 
A ação demolitória tem o mesmo objetivo da ação de nunciação de obra nova. 
A diferença é que a ação de nunciação é proposta quando a construção ainda está na fase 
de planejamento ou execução. 
Já a ação demolitória é manejada quando a obra estiver concluída ou em fase de 
acabamento. 
Desse modo, a ação de nunciação de obra nova revela-se como uma tutela preventiva e a 
demolitória como uma tutela repressiva. Nesse sentido: MARINONI e MITIDIERO, p. 850. 
 
Se for proposta uma ação de nunciação de obra nova, mas a edificação já estiver concluída, 
é possível que o juiz converta a demanda em ação demolitória? 
SIM. Já houve precedente do STJ nesse sentido: “a diversidade de requisitos entre a ação de 
nunciação de obra nova e a ação demolitória não impede possa ser feita a conversão de 
uma em outra, quando erroneamente ajuizada” (REsp 851.013/RS, Rel. Min. Hélio Quaglia 
Barbosa, Quarta Turma, julgado em 05/12/2006). 
Processo STJ. 3ª Turma. REsp 1.374.456-MG, Rel. Min. Sidnei Beneti, julgado em 10/9/2013. 
 
 
Local onde será proposta a execução de alimentos 
 
Em se tratando de execução de prestação alimentícia, o alimentando (credor) poderá escolher, 
dentre quatro opções, o local onde irá ajuizar a execução: 
a) o foro do seu domicílio ou de sua residência; 
b) o juízo que proferiu a sentença exequenda; 
c) o juízo do local onde se encontram bens do alimentante sujeitos à expropriação; ou 
d) o juízo do atual domicílio do alimentante. 
Comentários Imagine a seguinte situação hipotética: 
Pedro, menor impúbere, representado por sua mãe, ajuizou ação de alimentos em face de 
seu genitor (João). 
A demanda foi proposta na vara de família de Goiânia (GO), local de domicílio do menor 
(art. 100, II, do CP). 
O juiz julgou procedente o pedido e condenou João a pagar ao filho, mensalmente, o valor 
de 2 mil reais a título de pensão alimentícia. 
A sentença transitou em julgado. 
Dois anos depois da sentença, Pedro e sua mãe se mudam para Campo Grande (MS). 
A partir daí, João, que vinha cumprindo regularmente sua obrigação, decide não mais pagar 
a pensão alimentícia. 
Vale ressaltar que João também se mudou, estando atualmente, em Palmas (TO). Dizem, 
contudo, que ele pensa em ir para Cáceres (MT), local onde possui duas fazendas e 
centenas de cabeças de gado. 
A mãe de Pedro procura a Defensoria Pública, que informa ser necessário o ajuizamento de 
uma execução de alimentos contra João. 
 
Nesse caso, onde deverá ser proposta a execução dos alimentos? 
Segundo decidiu o STJ, o alimentando (credor) poderá escolher, dentre quatro opções, o 
local onde irá ajuizar a execução: 
 
Opção Fundamento legal (CPC) 
a) o foro do seu domicílio ou de sua 
residência; 
Art. 100. É competente o foro: 
II - do domicílio ou da residência do alimentando, para a 
ação em que se pedem alimentos; 
b) o juízo que proferiu a sentença Art. 475-P. O cumprimento da sentença efetuar-se-á 
perante: 
ATENÇÃO 
 
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exequenda; II – o juízo que processou a causa no primeiro grau de 
jurisdição; 
 
Art. 575. A execução, fundada em título judicial, processar-
se-á perante: 
II - o juízo que decidiu a causa no primeiro grau de 
jurisdição; 
c) o juízo do local onde se encontram 
bens do alimentante sujeitos à 
expropriação; ou 
Art. 475-P (...) 
Parágrafo único. No caso do inciso II do caput deste artigo, 
o exeqüente poderá optar pelo juízo do local onde se 
encontram bens sujeitos à expropriação ou pelo do atual 
domicílio do executado, casos em que a remessa dos autos 
do processo será solicitada ao juízo de origem. 
d) o juízo do atual domicílio do 
alimentante. 
Art. 475-P (...) 
Parágrafo único. No caso do inciso II do caput deste artigo, 
o exeqüente poderá optar pelo juízo do local onde se 
encontram bens sujeitos à expropriação ou pelo do atual 
domicílio do executado, casos em que a remessa dos autos 
do processo será solicitada ao juízo de origem. 
 
Logo, em nosso exemplo, Pedro poderia propor a execução em uma das seguintes opções: 
a) Campo Grande (MS); 
b) Goiânia (GO); 
c) Cáceres (MT); 
d) Palmas (TO). 
 
Por que o STJ entendeu que seria possível a existência dessas quatro opções, com base na 
combinação dos referidos dispositivos? 
Porque conforme esclareceu a Min. Nancy Andrighi, “o descumprimento de obrigação 
alimentar, antes de ofender a autoridade de uma decisão judicial, viola o direito à vida 
digna de quem dela necessita (art. 1º, III, da Constituição Federal). Em face dessa 
peculiaridade, a interpretação das normas relativas à competência, quando o assunto é 
alimentos, deve, sempre, ser a mais favorável aos alimentandos, sobretudo em se tratando 
de menores, como na espécie, por incidência, também, do princípio do melhor interesse e 
da proteção integral à criança e ao adolescente (art. 3º da Convenção sobre os Direitos da 
Criança e art. 1º do ECA).” 
 
A escolha de onde será proposta a execução é do credor e recairá, ou sobre o foro que lhe 
permita satisfazer, de forma mais eficiente, sua necessidade, ainda que afastado de seu 
domicílio, ou sobre o foro onde reside, que lhe exige menos esforço financeiro e, portanto, 
lhe facilita promover a execução. 
Processo STJ. 2ª Seção. CC 118.340-MS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 11/9/2013. 
 
 
Se a sentença fixa alimentos em valor inferior ao da decisão liminar, o novo parâmetro é que 
será considerado para fins de prisão civil em caso de inadimplemento 
 
Na hipótese de superveniência de sentença que fixa alimentos em quantia inferior aos 
provisórios, a prisão civil do devedor somente pode ser admitida diante do não pagamento do 
valor resultante do cômputo das prestações vencidas com base no novo valor estabelecido pela 
sentença. 
Comentários Imagine a seguinte situação adaptada: 
Alexandre ajuizou ação de alimentos em face de seu pai, João. 
O juiz, em decisão liminar, fixou os alimentos provisórios em 5 salários mínimos. 
Após pagar alguns meses, João ficou inadimplente, razão pela qual Alexandre ingressou coma execução dos alimentos pedindo a prisão civil do devedor. 
 
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Nesse meio tempo foi sentenciada a ação de alimentos, condenando João a pagar 3 
salários-mínimos. 
João pagou, então, o que estava devendo, tendo como parâmetro, no entanto, 3 salários-
mínimos (o novo valor fixado na sentença) e não 5 salários-mínimos. 
O juiz não aceitou e manteve a determinação da prisão de João. 
 
A decisão do magistrado foi acertada? 
NÃO. Na hipótese de superveniência de sentença que fixa alimentos em quantia inferior aos 
provisórios, a prisão civil do devedor somente pode ser admitida diante do não pagamento 
do valor resultante do cômputo das prestações vencidas com base no novo valor 
estabelecido pela sentença. 
 
Segundo decidiu o STJ, a prisão civil é medida coercitiva extrema, aplicável apenas em 
situações de débito de pensão alimentícia, em razão da premissa de que a liberdade do 
alimentante deve ser constrangida para garantir a sobrevivência do alimentando. 
 
Por isso, ao decretar a prisão civil do devedor de alimentos, devem-se considerar as 
peculiaridades do caso concreto, adequando-o à correta compreensão da norma jurídica. 
 
Deve-se considerar, nesse contexto, que, por ocasião do arbitramento dos alimentos 
provisórios, o binômio necessidade e possibilidade é examinado sumariamente, mediante 
análise de cognição perfunctória. Já na prolação da sentença, o referido binômio é 
apreciado sob um juízo cognitivo exauriente. 
 
Assim, a medida da prisão civil, por ser extrema, não se revela como a via executiva 
adequada (razoabilidade/proporcionalidade) para coagir o alimentante ao pagamento de 
um valor fixado em sede de cognição perfunctória e correspondente a montante superior 
ao arbitrado definitivamente em sentença, após ampla análise do conjunto probatório. 
Portanto, a prisão civil de devedor de alimentos, no caso de fixação pela sentença de 
alimentos definitivos em valor inferior aos provisórios, somente poderá ser admitida diante 
do não pagamento com base no novo valor estabelecido pela sentença. A diferença de 
valores deve ser buscada por meio de execução, conforme o rito do art. 732 do CPC (que 
não gera prisão civil). 
Processo STJ. 3ª Turma. HC 271.637-RJ, Rel. Min. Sidnei Beneti, julgado em 24/9/2013. 
 
 
Não cabe prisão civil do inventariante em razão do descumprimento da obrigação do espólio de 
prestar alimentos 
 
Não cabe prisão civil do inventariante em razão do descumprimento da obrigação do espólio 
de prestar alimentos. 
Comentários O que é a herança? 
A herança é o conjunto de bens deixado pela pessoa falecida. 
Caracteriza-se, por força de lei, como sendo bem imóvel, universal e indivisível. 
A herança é formada automaticamente pela morte e somente será dissolvida quando 
houver a partilha. 
 
O que é o espólio? 
O espólio é o ente despersonalizado que representa a herança em juízo ou fora dele. 
Mesmo sem possuir personalidade jurídica, o espólio tem capacidade para praticar atos 
jurídicos (ex: celebrar contratos, no interesse da herança) e tem legitimidade processual 
ATENÇÃO 
 
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(pode estar no polo ativo ou passivo da relação processual) (FARIAS, Cristiano Chaves. et. 
al., Código Civil para concursos. Salvador: Juspodivm, 2013, p. 1396). 
 
Quem representa o espólio em juízo (quem age em nome do espólio)? 
 Se já houve inventário: o espólio é representado em juízo pelo inventariante. 
 Se ainda não foi aberto inventário: o espólio é representado pelo administrador 
provisório (art. 985 do CPC). 
 
Vale ressaltar que o inventariante é o responsável pela administração da herança, conforme 
previsto no Código Civil: 
Art. 1.991. Desde a assinatura do compromisso até a homologação da partilha, a 
administração da herança será exercida pelo inventariante. 
 
Fixados estes conceitos, imagine a seguinte situação hipotética: 
Luis ajuizou execução de alimentos sob o rito do art. 733 do CPC em face do espólio de 
Januário (seu falecido pai), representado pela inventariante Madalena (esposa do morto), 
pleiteando o recebimento de alimentos referentes aos meses de outubro, novembro e 
dezembro, bem como os vencidos no curso do processo (Súmula 309 do STJ). 
A inventariante foi citada para, em 3 dias, efetuar o pagamento, provar que o fez ou 
justificar a impossibilidade de efetuá-lo. 
Madalena apresentou, então, uma petição ao juiz justificando que o espólio não tem como 
efetuar o pagamento da pensão alimentícia arbitrada porque os bens que compõem o 
acervo hereditário não têm gerado renda. 
O juiz entendeu que as justificativas apresentadas não eram suficientes e, então, decretou a 
prisão civil de Madalena (§ 1º do art. 733 do CPC). 
Foi interposto agravo de instrumento, tendo o TJ mantido a decisão do magistrado. 
Diante disso, o advogado de Madalena impetrou habeas corpus no STJ em seu favor. 
 
O que decidiu o STJ em um caso análogo a esse? O inadimplemento de pensão alimentícia 
transmitida ao espólio pode acarretar a prisão civil de seu inventariante? 
NÃO. 
 
O CC/2002 previu que a “a obrigação de prestar alimentos transmite-se aos herdeiros do 
devedor” (art. 1.700). 
 
O STJ interpreta que, apesar de existir esse dispositivo, o dever de prestar alimentos 
continua sendo personalíssimo. Assim, os herdeiros irão responder pela obrigação até o 
limite da herança, tendo em vista que a dívida é oriunda de obrigação pretérita do morto e 
não originária dos herdeiros (arts. 1.792 e 1.997 e Enunciado 343 do CJF). 
 
Além disso, a jurisprudência do STJ admite a transmissão da obrigação alimentar ao espólio 
apenas nos casos em que, antes de a pessoa morrer, já havia estipulação, por sentença 
judicial ou acordo prévio da obrigação alimentar, de modo a garantir a manutenção do 
alimentando durante a tramitação do inventário. 
 
(...) A obrigação de prestar alimentos só se transmite ao espólio quando já constituída antes 
da morte do alimentante. (...) (STJ. 3ª Turma. AgRg no AREsp 271.410/SP, Rel. Min. Sidnei 
Beneti, julgado em 23/04/2013). 
 
(...) Inexistindo condenação prévia do autor da herança, não há por que falar em 
transmissão do dever jurídico de prestar alimentos, em razão do seu caráter personalíssimo 
 
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e, portanto, intransmissível (...) (STJ. 3ª Turma. AgRg no REsp 981.180/RS, Rel. Min. Paulo 
De Tarso Sanseverino, julgado em 07/12/2010). 
 
Assim, não é possível, portanto, o ajuizamento de ação de alimentos em face do espólio, se 
quando do falecimento do autor da herança (ex: pai do alimentando) não havia alimentos 
fixados em acordo ou sentença em seu favor. 
 
Em suma, o espólio tem a obrigação de pagar pelos alimentos desde que: 
 eles já estivessem fixados antes da morte; e 
 apenas até os limites das forças da herança. 
 
Desse modo, para o STJ, apesar do art. 1.700 do CC, os alimentos continuam ostentando 
caráter personalíssimo, de forma que, no que tange à obrigação alimentar, não há que se 
falar em transmissão do dever jurídico (em abstrato) de prestá-los (REsp 1130742/DF, Rel. 
Min. Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, julgado em 04/12/2012). 
 
Nesse mesmo sentido, afirmou o Min. João Otávio de Noronha: 
“(...) Não se pode confundir a regra do art. 1.700, segundo o qual a obrigação de prestar 
alimentos transmite-se aos herdeiros do devedor, com a transmissão do dever jurídico de 
alimentar, utilizada como argumento para a propositura da presente ação. Trata-se, na 
verdade, de coisas distintas. O dever jurídico é abstrato e indeterminado e a ele se 
contrapõe o direito subjetivo, enquanto que a obrigação é concreta e determinada e a ela 
se contrapõe uma prestação. 
Havendo condenação prévia do autor da herança, há obrigação de prestar alimentos e esta 
se transmite aos herdeiros. Inexistente a condenação, não há por que falar em transmissão 
do dever jurídico de alimentar, em razão do seu caráter personalíssimo e, portanto, 
intransmissível. (...)” (REsp 775180/MT, Rel.Min. João Otávio de Noronha, Quarta Turma, 
julgado em 15/12/2009). 
 
O que se transmite, portanto, é a obrigação concreta já fixada antes da morte, mas não o 
dever jurídico (em abstrato). 
 
Justamente pelo fato de o dever de alimentar ser personalíssimo e instramissível é que o 
STJ entende que não é possível a decretação de prisão civil do inventariante do espólio, 
uma vez que a restrição da liberdade constitui sanção também de natureza personalíssima e 
que não pode recair sobre terceiro, estranho ao dever de alimentar, como acontece com o 
inventariante. 
Processo STJ. 4ª Turma. HC 256.793-RN, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 1º/10/2013. 
 
 
DIREITO EMPRESARIAL 
 
Os créditos de honorários advocatícios estão sujeitos à recuperação judicial 
 
Os créditos derivados de honorários advocatícios sucumbenciais estão sujeitos aos efeitos da 
recuperação judicial, mesmo que decorrentes de condenação proferida após o pedido de 
recuperação. 
Comentários Imagine a seguinte situação: 
Em 2010, a empresa “A” ajuizou ação de cobrança contra a empresa “B”. 
Em 2012, a empresa “B” pediu e lhe foi deferida recuperação judicial. 
Em 2013, a ação proposta por “A” foi julgada procedente, tendo “B” sido condenada, com 
 
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trânsito em julgado. 
“B” foi condenada também a pagar honorários advocatícios de sucumbência ao advogado 
de “A”. 
O advogado ingressou com um pedido cobrando os honorários e afirmando que eles 
deveriam ser pagos como créditos extraconcursais. 
 
O pedido do advogado deve ser aceito e os honorários pagos fora das limitações inerentes à 
recuperação judicial? 
NÃO. Para que o advogado cobre esses honorários advocatícios, ele terá que submetê-los às 
regras da recuperação judicial. Isso porque os créditos derivados de honorários advocatícios 
sucumbenciais estão sujeitos aos efeitos da recuperação judicial, mesmo que decorrentes 
de condenação proferida após o pedido de recuperação. 
 
Os honorários advocatícios, tanto os contratualmente pactuados como os de sucumbência, 
possuem natureza alimentar. 
 
Justamente por isso, quando são cobrados de empresas que estão em processo de falência 
ou de recuperação judicial, os honorários advocatícios recebem o mesmo tratamento 
dispensado aos créditos trabalhistas. 
 
Os créditos de natureza trabalhista estão sujeitos aos efeitos da recuperação judicial. Logo, 
seria injusto e desigual que os créditos resultantes de honorários advocatícios fossem 
considerados créditos extraconcursais e fossem pagos sem obedecer à ordem de 
preferências prevista na Lei n. 11.101/2005. 
Processo STJ. 3ª Turma. REsp 1.377.764-MS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 20/8/2013. 
 
 
Não é cabível compensar débitos da falida com créditos da massa falida resultantes de ação 
revocatória julgada procedente 
 
Os valores a serem restituídos à massa falida decorrentes da procedência de ação revocatória 
não podem ser compensados com eventual crédito habilitado no processo de falência pelo réu 
condenado. 
Comentários Segundo ressaltou o Min. Luis Felipe Salomão, a compensação de créditos, embora prevista 
no direito comum e também no direito concursal, há de ser aplicada com redobradas 
cautelas quando se trata de processo falimentar, uma vez que significa a quebra da par 
conditio creditorum, que deve sempre reger a satisfação das dívidas contraídas pela falida. 
 
Operada a compensação, a Massa deixa de receber determinado valor (o que em si já é 
prejudicial), ao passo que o credor é liberado de observar a respectiva classificação de seu 
crédito (o que, por derradeiro, atinge também os interesses dos demais credores). Em 
suma, a compensação de créditos no processo falimentar coloca sob a mesma dogmática 
jurídica o pagamento de débitos da falida e o recebimento de créditos pela massa falida, 
situações que ordinariamente obedecem a sistemas bem distintos. 
 
A doutrina defende que as hipóteses legais que impedem a compensação do crédito 
perante a massa não estão listadas exaustivamente no parágrafo único do art. 122 da Lei n. 
11.101/2005: 
Art. 122. Compensam-se, com preferência sobre todos os demais credores, as dívidas do 
devedor vencidas até o dia da decretação da falência, provenha o vencimento da sentença 
de falência ou não, obedecidos os requisitos da legislação civil. 
 
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Parágrafo único. Não se compensam: 
I – os créditos transferidos após a decretação da falência, salvo em caso de sucessão por 
fusão, incorporação, cisão ou morte; ou 
II – os créditos, ainda que vencidos anteriormente, transferidos quando já conhecido o 
estado de crise econômico-financeira do devedor ou cuja transferência se operou com 
fraude ou dolo. 
 
Assim, aplicam-se também ao direito falimentar as hipóteses que vedam a compensação 
previstas no direito comum, como aquelas previstas nos arts. 368 a 380 do Código Civil. Logo, 
não pode ser feita a compensação se isso resultar em prejuízo de direitos de terceiros (art. 380). 
 
Desse modo, não é cabível compensar débitos da falida com créditos da massa falida 
resultantes de ação revocatória julgada procedente, porque esta ação envolve o 
reconhecimento de que houve uma situação de ilegalidade preestabelecida em prejuízo da 
coletividade de credores, ilegalidade essa que não pode beneficiar quem a praticou, ao se 
permitir a satisfação mais rápida de seu crédito mediante a compensação. 
Processo STJ. 4ª Turma. REsp 1.121.199-SP, Rel. originário Min. Raul Araújo, Rel. para acórdão Min. Luis Felipe Salomão, 
julgado em 10/9/2013. 
 
 
DIREITO AMBIENTAL 
 
Não gera dano moral a conduta do IBAMA de não autorizar a queimada de determinada área, 
mesmo que em anos anteriores isso tenha sido permitido 
 
Não gera dano moral a conduta do IBAMA de, após alguns anos concedendo autorizações para 
desmatamento e queimada em determinado terreno com a finalidade de preparar o solo para 
atividade agrícola, deixar de fazê-lo ao constatar que o referido terreno integra área de 
preservação ambiental. 
Comentários Imagine a seguinte situação adaptada: 
João é dono de uma imensa propriedade rural onde lá desenvolve a atividade agrícola. 
Durante vários anos, João obteve autorização do IBAMA para fazer desmatamento e 
queimada em sua propriedade a fim de preparar a terra para a agricultura. 
Ocorre que, no presente ano, o IBAMA recusou-se a conceder a referida autorização, afirmando 
que somente agora constatou que o terreno integra uma área de preservação ambiental. 
Diante disso, o proprietário, sentindo-se lesado pelo fato de que a autorização já havia sido 
concedida durante vários anos, ajuizou uma ação de indenização por danos morais contra o 
IBAMA. 
 
Em uma situação análoga a essa, o que decidiu o STJ? Há direito à indenização por dano 
moral nesse caso? 
NÃO. O STJ decidiu que não gera dano moral a conduta do IBAMA de, após alguns anos 
concedendo autorizações para desmatamento e queimada em determinado terreno com a 
finalidade de preparar o solo para atividade agrícola, deixar de fazê-lo ao constatar que o 
referido terreno integra área de preservação ambiental. Isso porque a negativa da 
autarquia em conceder novas autorizações para queimada e desmatamento constitui a 
harmonização de dois valores constitucionais supremos: de um lado, o desenvolvimento do 
trabalho rural como fator de dignificação da pessoa humana, de erradicação da pobreza e 
de valorização do núcleo familiar; de outro, a preservação do meio ambiente 
ecologicamente equilibrado como condição de continuidade do desenvolvimento da 
própria atividade rural. 
 
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O uso de fogo (queimadas) no meio ambiente traz inúmeras implicações negativas à 
natureza, de forma que não se pode considerar que tal prática atenda à função social da 
propriedade, especialmente os incisos I e II do art. 186 da CF/88: 
Art. 186. A função social é cumprida quando a propriedade rural atende, simultaneamente, 
segundocritérios e graus de exigência estabelecidos em lei, aos seguintes requisitos: 
I - aproveitamento racional e adequado; 
II - utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio ambiente; 
 
O art. 186 está perfeitamente harmonizado com os arts. 5º, XXII, e 225 da CF, não podendo 
o agricultor deixar de preservar o meio ambiente sob o pretexto de que está exercendo seu 
direito constitucional de propriedade. Isso porque, ao mesmo tempo em que o art. 225 da 
CF prevê a titularidade coletiva do direito ao meio ambiente, determina também que é 
dever de toda a sociedade defendê-lo e preservá-lo, nela incluído, portanto, o próprio 
agricultor, que está constitucionalmente comprometido com a exploração sustentável da 
agricultura. 
 
O Min. Herman Benjamin explica que o agricultor é simultaneamente agente agressor do 
meio ambiente e também titular do direito difuso à preservação ambiental contra suas 
próprias técnicas agropastoris. Em outras palavras, ao mesmo tempo que tem que 
preservar o meio ambiente, ele também é beneficiário da preservação da natureza. 
 
Assim, não se legitima a pretensão indenizatória que busca responsabilizar o Poder Público 
por proteger o próprio agricultor – na qualidade de titular coletivo do direito ao meio 
ambiente ecologicamente equilibrado – contra os danos provocados pelas suas próprias 
técnicas de plantio. 
 
Além disso, a simples vedação da utilização de técnica degradadora no preparo do solo não 
impede que se dê continuidade à atividade agrícola com o uso sustentável de técnicas 
alternativas à queima e ao desmatamento. 
 
A excepcionalidade do emprego do fogo leva à inarredável conclusão de que se trata de 
uma técnica de uso residual, subsidiário, devendo ser preferidas as formas de preparo do 
solo que privilegiem a exploração agrícola sustentável. 
 
O fato de, durante vários anos, ter sido concedida autorização para queimada e 
desmatamento não gera um direito adquirido para o agricultor de que nos anos seguintes 
também será deferido seu pedido. A negativa do IBAMA é legítima e está amparara pelo 
poder de autotutela (Súmula 473 do STF), por meio do qual a Administração Pública busca 
justamente recompor a legalidade do ato administrativo. 
 
Por fim, ganha substancial relevo o princípio da supremacia do interesse público sobre o 
privado, porque a limitação imposta pelo Poder Público quanto à forma de exploração da 
propriedade constitui medida restritiva a um direito individual que, todavia, reverte 
positivamente em favor de um direito de titularidade difusa – o meio ambiente. 
 
Posto isso, a eliminação dos fatores de agressão ao meio ambiente, muito antes de obstar a 
exploração agrícola ou mesmo reduzir sua produtividade, objetiva, justamente, garantir a 
existência de condições futuras para a continuidade do desenvolvimento da atividade de 
campo. 
Processo STJ. 2ª Turma. REsp 1.287.068-RR, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 10/9/2013. 
 
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ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE 
 
As escusas absolutórias (art. 181 do CP) podem ser aplicadas ao adolescente infrator 
 
No caso de ato infracional equiparado a crime contra o patrimônio, é possível que o 
adolescente seja beneficiado pela escusa absolutória prevista no art. 181, II, do CP. 
Comentários Veja o que dizem os arts. 181 e 183 do CP: 
Art. 181. É isento de pena quem comete qualquer dos crimes previstos neste título, em 
prejuízo: 
I - do cônjuge, na constância da sociedade conjugal; 
II - de ascendente ou descendente, seja o parentesco legítimo ou ilegítimo, seja civil ou 
natural. 
 
(...) 
 
Art. 183 - Não se aplica o disposto nos dois artigos anteriores: 
I - se o crime é de roubo ou de extorsão, ou, em geral, quando haja emprego de grave 
ameaça ou violência à pessoa; 
II - ao estranho que participa do crime. 
III – se o crime é praticado contra pessoa com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos. 
 
As hipóteses previstas no art. 181 do CP são chamadas pela doutrina de “escusas 
absolutórias”, “imunidades penais absolutas”, “imunidades penais materiais”, “causas de 
impunibilidade absoluta”, “condições negativas de punibilidade” ou “causas pessoais de 
exclusão de pena”. 
 
O art. 181 se aplica aos crimes previstos no Título II do Código Penal, que trata sobre os 
“crimes contra o patrimônio” (arts. 155 a 180). 
 
Imagine agora a seguinte situação hipotética: 
Diogo, 16 anos, subtrai o relógio de ouro de seu pai, trocando-o, em seguida, por droga. 
O adolescente praticou ato equiparado a furto, previsto no art. 155 do Código Penal. 
 
Pode ser aplicado o art. 181, II ao presente caso? 
SIM. Nos casos de ato infracional equiparado a crime contra o patrimônio, é possível que o 
adolescente seja beneficiado pela escusa absolutória prevista no art. 181, II, do CP. 
 
Não há razoabilidade em se prever uma imunidade absoluta ao sujeito maior de 18 anos 
que cometa crime em detrimento do patrimônio de seu ascendente, e negar essa 
possibilidade ao menor que, diante da mesma situação fática, pratique igual conduta. 
Processo STJ. 6ª Turma. HC 251.681-PR, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 3/10/2013. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
 
O simples fato de a demanda principal ter sido julgada antes da oposição não é causa de nulidade 
 
Não configura nulidade apreciar, em sentenças distintas, a ação principal antes da oposição, 
quando ambas forem julgadas na mesma data, com base nos mesmos elementos de prova e nos 
mesmos fundamentos. 
Comentários Oposição 
A oposição, como modalidade de intervenção de terceiros, ocorre quando um terceiro 
ingressa em um processo afirmando que a ele pertence o direito ou o bem que está sendo 
disputado pelo autor e pelo réu. 
 
Exemplo: 
João ajuizou ação reivindicatória contra Pedro afirmando que é o proprietário de 
determinado imóvel. 
Carlos, por sua vez, tendo notícia da existência dessa demanda, apresenta oposição 
alegando que, na verdade, ele é quem é dono do bem. 
 
Previsão 
A oposição encontra-se prevista nos arts. 56 a 61 do CPC. 
Art. 56. Quem pretender, no todo ou em parte, a coisa ou o direito sobre que controvertem 
autor e réu, poderá, até ser proferida a sentença, oferecer oposição contra ambos. 
 
Oposição interventiva 
Se a oposição for ajuizada até a data de realização da audiência de instrução, ela será 
chamada de “oposição interventiva” e terá natureza de incidente do processo. 
Nesse caso, a oposição será distribuída por dependência e autuada em apenso ao processo 
já existente. 
A partir daí, a oposição e a ação originária tramitarão conjuntamente e serão decididas em 
uma mesma sentença. 
 
Julgamento da oposição deve ocorrer antes da demanda principal 
Diz-se que a oposição é prejudicial à ação principal. O que significa isso? Ora, se o pedido do 
opoente for procedente, a demanda entre autor e réu fica prejudicada, perde interesse, 
considerando que não adianta discutir a situação do autor e do réu, já que o titular do 
direito é um terceiro. 
Em nosso exemplo, se o juiz reconhecer que Carlos é o dono do imóvel, a disputa entre João 
e Pedro fica prejudicada. 
Por essa razão, o juiz deve primeiro julgar a oposição e, somente se ela for improcedente, passar 
ao exame da lide entre autor e réu. Essa regra foi consagrada expressamente pelo CPC: 
Art. 61. Cabendo ao juiz decidir simultaneamente a ação e a oposição, desta conhecerá em 
primeiro lugar. 
 
Imagine agora a seguinte situação: 
Em nosso exemplo, o juiz, após toda a instrução, proferiu duas sentenças: 
Primeiro, julgou a demanda entre autor e réu, considerando procedente o pedido do autor 
(João). 
Depois, no mesmo dia, proferiu outra sentença, apreciando a oposição e julgando 
improcedente o pedido do opoente (Carlos). 
Perceba que o art. 61 do CPC foi descumprido, tendo havido dois equívocos por parte o 
magistrado: 1) ele deveria ter julgado tanto a demanda principal como a oposição em umaINFORMATIVO esquematizado 
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única sentença, com capítulos diferentes; 2) a oposição deveria ter sido julgada antes da 
demanda principal. 
 
Houve nulidade pelo fato de o juiz ter descumprido o art. 61 do CPC e ter julgado, em duas 
sentenças separadas, a demanda principal e, depois, a oposição? 
NÃO. Não configura nulidade apreciar, em sentenças distintas, a ação principal antes da 
oposição, quando ambas forem julgadas na mesma data, com base nos mesmos elementos 
de prova e nos mesmos fundamentos. 
 
De fato, houve descumprimento do art. 61 do CPC. No entanto, não houve nulidade por 
conta desse simples desrespeito à técnica processual. 
 
De acordo com a moderna ciência processual, deve-se colocar em evidência os princípios da 
instrumentalidade e da ausência de nulidade sem prejuízo (“pas de nullité sans grief”). 
 
Por conta desses princípios, o ato somente será considerado nulo se, além de formalmente 
defeituoso, ele tiver deixado de realizar o escopo (finalidade) para o qual se destina e, por 
esse motivo, causar prejuízo a uma das partes. 
 
Ressalte-se que, no caso, tendo havido apenas a inversão da ordem de julgamento, não há 
que se falar em prejuízo às partes, aplicando-se a regra do § 1º do art. 249 do CPC: 
Art. 249 (...) § 1º O ato não se repetirá nem se lhe suprirá a falta quando não prejudicar a 
parte. 
 
Por outro lado, anular os julgamentos, determinando o retorno dos autos à origem para 
prolação de uma única sentença em vez de duas, não traria benefício algum ao opoente 
porque não seriam produzidas novas provas, realizadas novas audiências, apresentados 
outros argumentos visando ao convencimento do juiz. Somente haveria uma alteração da 
forma, sem qualquer modificação no conteúdo. 
Processo STJ. 3ª Turma. REsp 1.221.369-RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 20/8/2013. 
 
 
De quem é a responsabilidade pela degravação dos depoimentos 
colhidos mediante carta precatória? 
 
 
De quem é a responsabilidade pela degravação dos depoimentos colhidos mediante carta precatória? 
1ª corrente: 
do juízo DEPRECANTE 
2ª corrente: 
do juízo DEPRECADO 
Foi o que decidiu a 1ª Seção do STJ no julgamento 
do CC 126.770-RS, Rel. Min. Sérgio Kukina, em 
8/5/2013. 
Foi o que decidiu a 2ª Seção do STJ no julgamento 
do CC 126.747-RS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, 
em 25/09/2013. 
 
 
Comentários Imagine a seguinte situação hipotética: 
Em um processo cível, o juízo da comarca de Ilhéus/BA expediu uma carta precatória para 
que o juízo da comarca de Niterói/RJ ouvisse uma testemunha que lá reside. 
O juízo deprecado (juízo da comarca de Niterói/RJ) ouviu a testemunha por meio de 
gravação audiovisual e devolveu a carta precatória acompanhada de DVD contendo o 
depoimento. 
O juízo deprecante (juízo da comarca de Ilhéus/BA), ao receber a carta, proferiu despacho 
determinando que esta retornasse ao juízo deprecado com o objetivo de que lá (na 
 
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comarca de Niterói/RJ) fosse feita a degravação do depoimento prestado pela testemunha 
e, somente após isso, a carta retornasse. 
Em outras palavras, o juízo deprecante afirmou que era uma obrigação do juízo deprecado 
transcrever, para o meio físico (papel), o depoimento colhido por meio audiovisual. 
O juízo deprecado não concordou. 
 
Diante desse impasse quanto ao cumprimento da carta precatória, o que poderá fazer o 
juízo deprecado? 
Suscitar conflito negativo de competência. Isso porque a obrigação de ter que degravar ou 
não os depoimentos colhidos é uma discussão relativa à amplitude da competência do juízo 
deprecado no cumprimento de cartas precatórias. Logo, trata-se do debate de quem seria 
competente para tal ato. 
 
Quem irá julgar esse conflito? 
O Superior Tribunal de Justiça, considerando que são juízes vinculados a tribunais diferentes 
(art. 105, I, “d”, CF/88). 
 
E qual é o entendimento do STJ sobre o tema: de quem é a responsabilidade pela 
degravação dos depoimentos? 
 
DE QUEM É A RESPONSABILIDADE PELA DEGRAVAÇÃO DOS DEPOIMENTOS? 
1ª corrente: 
do juízo DEPRECANTE 
2ª corrente: 
do juízo DEPRECADO 
Foi o que decidiu a 1ª Seção do STJ no 
julgamento do CC 126.770-RS, Rel. Min. 
Sérgio Kukina, em 8/5/2013. 
Foi o que decidiu a 2ª Seção do STJ no 
julgamento do CC 126.747-RS, Rel. Min. 
Luis Felipe Salomão, em 25/09/2013. 
 
A primeira corrente parece ser a mais acertada e consentânea com a ideia de celeridade 
processual. A regra é a de que os depoimentos colhidos por meio audiovisual nem precisem 
de transcrição (art. 2º da Resolução 105/2010-CNJ). Isso porque exigir que haja sempre a 
degravação provocará o fim das vantagens do sistema audiovisual, tendo em conta que, 
segundo estudos realizados pelo CNJ, “para cada minuto de gravação leva-se, no mínimo, 
10 (dez) minutos para a sua degravação” (texto da Resolução). 
 
Se o juiz não se acostuma ou não gosta de analisar os depoimentos em meio audiovisual, 
ele tem todo o direito de fazer a degravação, no entanto, isso deve ocorrer por conta 
própria, não podendo obrigar o juízo deprecado a fazê-lo. 
 
Apenas para complementar a informação, vale ressaltar que, no âmbito do processo penal, 
existe uma previsão específica no § 2º do art. 405 do CPP dispensando expressamente a 
transcrição caso o depoimento tenha sido colhido por meio audiovisual. Confira: 
§ 1º Sempre que possível, o registro dos depoimentos do investigado, indiciado, ofendido e 
testemunhas será feito pelos meios ou recursos de gravação magnética, estenotipia, digital 
ou técnica similar, inclusive audiovisual, destinada a obter maior fidelidade das 
informações. (Incluído pela Lei nº 11.719/2008). 
§ 2º No caso de registro por meio audiovisual, será encaminhado às partes cópia do registro 
original, sem necessidade de transcrição. (Incluído pela Lei nº 11.719/2008). 
 
Corte especial do STJ 
Diante da divergência entre a 1ª e a 2ª Seções, o STJ terá que pacificar o tema por meio de 
sua Corte Especial. 
Processo STJ. 2ª Seção. CC 126.747-RS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 25/9/2013. 
 
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O credor tem o direito de recusar a proposta do executado para que seja invertida a ordem de 
penhora do art. 655 do CPC, a não ser que haja alguma situação excepcionalíssima 
 
É lícito ao credor recusar a substituição de penhora incidente sobre bem imóvel por 
debêntures, ainda que emitidas por companhia de sólida posição no mercado mobiliário, 
desde que não exista circunstância excepcionalíssima cuja inobservância acarrete ofensa à 
dignidade da pessoa humana ou ao paradigma da boa-fé objetiva. 
Comentários O procedimento para execução de quantia pode ser de duas formas: 
a) Execução de quantia fundada em título executivo extrajudicial; 
b) Execução de quantia fundada em título executivo judicial (cumprimento de sentença). 
 
Tanto em um caso como no outro, o devedor é chamado em juízo para pagar o débito e, 
caso não o faça, seus bens são penhorados. 
 
O que é a penhora? 
Penhorar significa apreender judicialmente os bens do devedor para utilizá-los, direta ou 
indiretamente, na satisfação do crédito executado. 
 
Ordem de preferência 
O CPC prevê uma ordem de preferência para penhora, ou seja, existem bens que devem ser 
penhorados antes que outros. Essa lista de prioridades está prevista no art. 655 do CPC: 
Art. 655. A penhora observará, preferencialmente, a seguinte ordem: 
I - dinheiro, em espécie ou em depósito ou aplicação em instituição financeira; 
II - veículos de via terrestre; 
III - bens móveis em geral; 
IV - bens imóveis; 
V - navios e aeronaves; 
VI - ações e quotas de sociedades empresárias; 
VII - percentual do faturamento de empresa devedora; 
VIII - pedras e metais preciosos; 
IX - títulos da dívida pública da União, Estados e Distrito Federal com cotação em mercado; 
X - títulos e valores mobiliários com cotação em mercado; 
XI - outros direitos. 
 
Em regra, somente poderão ser penhorados os bens do inciso II se não houver do incisoI e 
assim sucessivamente. Não se pode penhorar um imóvel, por exemplo, se o executado tiver 
um carro. 
 
Imagine agora a seguinte situação adaptada: 
Alexandre ajuizou ação de execução contra Ricardo, tendo sido penhorado um imóvel rural 
pertencente ao devedor. 
O executado peticiona ao juiz pedindo a substituição do imóvel penhorado por debêntures 
emitidas pela Companhia Vale. 
O exequente manifestou-se contrariamente à proposta. 
A despeito disso, o magistrado concedeu a substituição, afirmando que os bens oferecidos 
(debêntures emitidas por Companhia sólida e de prestigiosa posição no mercado mobiliário) 
podem ser facilmente liquidados. Logo, aplicando-se o critério da proporcionalidade e o 
princípio da menor onerosidade ao executado, argumentou que a substituição poderia ser 
autorizada. Argumentou, por fim, que o art. 655 do CPC fala em “preferencialmente” e não 
em “obrigatoriamente”, de forma a indicar que a ordem legal pode ser invertida. 
 
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A decisão do juízo foi correta? 
NÃO. Segundo decidiu o STJ, o credor tem o direito de recusar a proposta do executado 
para que seja substituída a penhora incidente sobre bem imóvel por debêntures, ainda que 
emitidas por companhia de sólida posição no mercado mobiliário, a não ser que haja 
alguma situação excepcionalíssima que justifique a substituição pretendida. 
 
A Min. Nancy Andrighi explicou que o rol de bens do art. 655 do CPC tem por fundamento 
teleológico a fixação de uma ordem preferencial de penhora de bens, ordenando-a de 
acordo com a maior facilidade de se alcançar a legítima satisfação do crédito. 
 
Muito embora o art. 655 utilize a expressão “preferencialmente”, o que indica que não se 
trata de uma ordem legal rígida, é preciso esclarecer que a flexibilização dessa lista, sem a 
concordância do credor, somente é admitida em situações excepcionalíssimas, nas quais se 
verifique que a manutenção do critério legal irá gerar uma ofensa à dignidade da pessoa 
humana ou à boa-fé objetiva. 
 
No caso concreto, o STJ considerou que, apesar do inegável valor econômico e da 
conversibilidade dos títulos ofertados em dinheiro, não havia motivo apto a justificar uma 
imposição ao credor de satisfação de seu crédito por meio mais arriscado e não exigido em 
lei. Portanto, ausente qualquer excepcionalidade que fundamente a imposição da inversão 
da ordem preferencial de penhora, deve-se observar o interesse legítimo do credor na 
manutenção da penhora do imóvel. 
Processo STJ. 3ª Turma. REsp 1.186.327-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 10/9/2013. 
 
 
Juiz Federal pode declinar, de ofício, execução fiscal quando tiver sido proposta sem obedecer a 
regra do art. 15, I, da Lei 5.010/66 
 
A execução fiscal proposta pela União e suas autarquias/fundações deve ser ajuizada perante o 
Juiz de Direito da comarca do domicílio do devedor, quando esta não for sede de vara da justiça 
federal (art. 109, § 3º da CF/88 e art. 15, I, da Lei n. 5.010/66). 
Na hipótese em que, em razão da inexistência de vara da Justiça Federal na localidade do 
domicílio do devedor, a execução fiscal tenha sido ajuizada pela União ou por suas 
autarquias/fundações em vara da Justiça Federal sediada em local diverso, o Juiz Federal 
poderá declinar, de ofício, da competência para processar e julgar a demanda, determinando a 
remessa dos autos para o juízo de direito da comarca do domicílio do executado. 
Comentários Execução fiscal 
Execução fiscal é a ação judicial proposta pela Fazenda Pública (União, Estados, DF, 
Municípios e suas respectivas autarquias e fundações) para cobrar do devedor créditos 
(tributários ou não tributários) inscritos em dívida ativa. 
 
Regras gerais sobre a competência na execução fiscal 
 Se a execução fiscal for proposta pelo Estado, pelo Município, ou por suas autarquias ou 
fundações, a competência para julgar será da Justiça estadual. 
 Se a execução fiscal for ajuizada pela União, por autarquia ou fundação federal, a 
competência para a causa será da Justiça Federal (art. 109, I, da CF/88). 
 
O CPC afirma que, em regra, a execução fiscal será proposta no foro do domicílio do réu; se 
não o tiver, no de sua residência ou no do lugar onde for encontrado (art. 578 do CPC). 
 
ATENÇÃO 
 
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A Fazenda Pública poderá escolher: 
• o foro de qualquer um dos devedores, quando houver mais de um; 
• o foro de qualquer dos domicílios do réu; 
• o foro do lugar em que se praticou o ato ou ocorreu o fato que deu origem à dívida, 
embora nele não mais resida o réu; 
• o foro da situação dos bens, quando a dívida deles se originar. 
 
Súmula 58-STJ: Proposta a execução fiscal, a posterior mudança de domicílio do executado 
não desloca a competência já fixada. 
 
Competência no caso de execução fiscal proposta pela União/entidade federal 
Como vimos acima, se a execução fiscal for manejada pela União ou por 
autarquia/fundação federal, a competência para julgar a causa será da Justiça Federal. 
Vimos também que, em regra, a execução fiscal deve ser proposta no local em que o réu 
tiver domicílio. 
Ocorre que, em diversas cidades do país não existe Justiça Federal instalada. 
 
Onde a União/entidade federal deverá propor a execução fiscal se o devedor for domiciliado 
em uma cidade que não seja sede de Justiça Federal? 
Nesse caso, a execução será proposta na Justiça ESTADUAL da comarca do domicílio do 
devedor. 
Ex: João mora em Presidente Figueiredo (município do Amazonas onde não há Justiça 
Federal) e possui um débito tributário com a União inscrito em dívida ativa. Logo, a PFN irá 
ajuizar a execução fiscal na comarca de Presidente Figueiredo, sendo esta julgada pelo Juiz 
de Direito de lá. 
 
O que autoriza o Juiz de Direito a julgar essas causas, que são de competência da Justiça 
Federal? 
A CF/88, que estabelece, em seu art. 109, § 3º, uma regra de delegação de competência: 
§ 3º - Serão processadas e julgadas na justiça estadual, no foro do domicílio dos segurados 
ou beneficiários, as causas em que forem parte instituição de previdência social e segurado, 
sempre que a comarca não seja sede de vara do juízo federal, e, se verificada essa condição, 
a lei poderá permitir que outras causas sejam também processadas e julgadas pela justiça 
estadual. 
 
Assim, em determinados casos, Juízes de Direito (“Juízes Estaduais”) podem julgar causas 
federais. 
 
Requisitos para que uma causa federal seja julgada pelo juízo estadual: 
a) A comarca não ser sede de vara da Justiça Federal; 
b) A lei autorizar expressamente esta delegação. 
 
A própria CF já deu uma autorização expressa: nas causas envolvendo instituição de 
previdência social (INSS) e segurado ou beneficiário. Tais demandas tramitarão na justiça 
estadual, desde que no domicílio do segurado ou beneficiário não exista justiça federal. 
 
A Lei n. 5.010/1966 (Lei de organização da Justiça Federal) prevê alguns casos de delegação 
de competência para a Justiça Estadual. 
Art. 15. Nas Comarcas do interior onde não funcionar Vara da Justiça Federal (artigo 12), os 
Juízes Estaduais são competentes para processar e julgar: 
I - os executivos fiscais da União e de suas autarquias, ajuizados contra devedores 
domiciliados nas respectivas Comarcas; 
 
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Desse modo, no caso de execução fiscal proposta pela União, se no domicílio do devedor 
não houver vara da Justiça Federal, essa execução fiscal deve ser julgada pelo Juiz Estadual. 
 
Quem julga os recursos contra as decisões proferidas pelo Juiz de Direito que estiver 
julgando uma execução fiscal proposta pela União/entidade federal? 
O Tribunal Regional Federal. O Juiz Estadual, nesse caso, está investido de competência 
federal (encontra-se atuando como se fosse um Juiz Federal). Logo, os recursos que forem 
interpostos deverão ser julgados pelo TRF. 
 
A pergunta que surge agora é a seguinte: 
Se o município do devedor não for sede da Justiça Federal e a Uniãopropuser a execução 
fiscal na Justiça Federal mais próxima em vez de ajuizar a execução na Justiça Estadual da 
comarca do réu, o juiz federal poderá, de ofício, julgar-se incompetente? Em nosso exemplo, 
se a União manejar a execução na Justiça Federal de Manaus em vez de propor a ação na 
Justiça Estadual de Presidente Figueiredo, o Juiz Federal de Manaus poderá, de ofício, 
declinar a competência para a comarca de Presidente Figueiredo? 
SIM. 
 
Na hipótese em que, em razão da inexistência de vara da Justiça Federal na localidade do 
domicílio do devedor, execução fiscal tenha sido ajuizada pela União ou por suas 
autarquias/fundações em vara da Justiça Federal sediada em local diverso, o Juiz Federal 
poderá declinar, de ofício, da competência para processar e julgar a demanda, 
determinando a remessa dos autos para o juízo de direito da comarca do domicílio do 
executado. Isso porque, nas comarcas do interior onde não funcionar vara da Justiça 
Federal, os juízes estaduais são competentes para processar e julgar os executivos fiscais da 
União e de suas autarquias ajuizados contra devedores domiciliados nas respectivas 
comarcas (art. 15, I, da Lei n. 5.010/1966). 
 
Desse modo, a decisão do juiz federal que declina da competência quando a norma do art. 
15, I, da Lei n. 5.010/1966 deixa de ser observada não está sujeita à Súmula 33 do STJ (“a 
incompetência relativa não pode ser declarada de ofício”). 
 
Deve-se aplicar aqui a conclusão que levou à edição da Súmula 40 do antigo Tribunal 
Federal de Recursos (que foi substituído pelo STJ): 
Súmula 40 do TFR: A execução fiscal da Fazenda Pública Federal será proposta perante o 
Juiz de Direito da comarca do domicílio do devedor, desde que não seja ela sede de vara da 
Justiça Federal. 
 
Vale ressaltar que, em tais casos, a Fazenda Pública Federal não tem a opção de ajuizar a 
execução fiscal na Justiça Federal. Trata-se de uma imposição legal a propositura na Justiça 
Estadual do domicílio do réu. 
 
Segundo relembrou o Min. Ari Pargendler, essa regra pretende facilitar tanto a defesa do 
devedor quanto o aparelhamento da execução, que assim não fica, em regra, sujeita a 
cumprimento de atos por cartas precatórias. 
Atenção Muita atenção porque havia precedentes do próprio STJ em sentido contrário ao que foi 
decidido. Contudo, a tendência é que prevaleça a posição acima exposta porque o presente 
julgamento foi proferido sob a sistemática do recurso repetitivo. 
Processo STJ. 1ª Seção. REsp 1.146.194-SC, Rel. originário Min. Napoleão Nunes Maia Filho, Rel. para acórdão Min. Ari 
Pargendler, julgado em 14/8/2013 (recurso repetitivo). 
 
 
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DIREITO PENAL 
 
O benefício do arrependimento posterior comunica-se aos coautores e partícipes que não 
tenham participado da restituição da coisa ou da reparação do dano 
 
Uma vez reparado o dano integralmente por um dos autores do delito, a causa de diminuição 
de pena do arrependimento posterior, prevista no art. 16 do CP, estende-se aos demais 
coautores. 
Comentários ARREPENDIMENTO POSTERIOR 
 
O art. 16 do Código Penal prevê o seguinte: 
Art. 16. Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, reparado o dano ou 
restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato voluntário do 
agente, a pena será reduzida de 1/3 a 2/3. 
 
O arrependimento posterior é um benefício ou prêmio para estimular o agente a restituir a 
coisa ou reparar os danos causados com sua conduta. 
 
Requisitos: 
 
1) O crime deve ter sido praticado sem violência ou grave ameaça à pessoa. 
 Se o agente praticou violência contra a coisa: pode receber o benefício. 
 Se o agente praticou, culposamente, violência contra a pessoa (ex: lesão corporal no 
trânsito): pode receber o benefício. 
 O art. 16 vale para todos os crimes com que ele seja compatível, sem distinção, 
inclusive contra a Administração Pública. Assim, é errado pensar que o arrependimento 
posterior aplica-se apenas para os crimes contra o patrimônio. 
 
2) O agente, voluntariamente, deve ter reparado o dano ou restituído a coisa. 
A reparação do dano ou restituição deve ser total ou pode ser parcial? 
A doutrina afirma que o benefício somente deveria ser concedido em caso de reparação 
integral. 
Vale ressaltar, no entanto, que a 1ª Turma do STF decidiu que a incidência do 
arrependimento posterior, contido no art. 16 do CP prescinde da reparação total do dano. 
Em outras palavras, entendeu-se que a reparação poderia ser parcial (HC 98658/PR, red. p/ 
o acórdão Min. Marco Aurélio, julgado em 9/11/2010). 
 
3) Essa reparação ou restituição deve ter acontecido antes do recebimento da denúncia ou 
queixa 
Se for feita após o recebimento, o agente terá direito apenas à atenuante genérica prevista 
no art. 65, III, “b”, do CP: 
Art. 65 - São circunstâncias que sempre atenuam a pena: 
III - ter o agente: 
b) procurado, por sua espontânea vontade e com eficiência, logo após o crime, evitar-lhe ou 
minorar-lhe as consequências, ou ter, antes do julgamento, reparado o dano; 
 
Redução: de 1/3 a 2/3 
Qual é o parâmetro para a redução? 
A 1ª Turma do STF já decidiu que o juiz, ao definir o quanto da pena será reduzido, deverá 
levar em consideração a extensão do ressarcimento (se total ou parcial) e também o 
momento de sua ocorrência. Assim, se a reparação for total e no mesmo dia dos fatos, a 
 
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redução deve ser a máxima de 2/3 (HC 98658/PR, red. p/ o acórdão Min. Marco Aurélio, 
julgado em 9/112010). 
 
Comunicabilidade no concurso de pessoas: 
Imagine que João e José furtem 2 mil reais de Pedro. 
João, antes do recebimento da denúncia, restitui o valor à vítima. 
 
Nesse caso, tanto João como José serão beneficiados com a redução da pena? 
SIM. Uma vez reparado o dano integralmente por um dos autores do delito, a causa de 
diminuição de pena do arrependimento posterior, prevista no art. 16 do CP, estende-se aos 
demais coautores. 
 
Qual é a justificativa? 
A reparação do dano ou restituição da coisa tem natureza objetiva. Logo, comunica-se aos 
demais coautores e partícipes, por força do art. 30 do CP: 
Art. 30. Não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, salvo 
quando elementares do crime. 
 
Logo, interpretando o art. 30 a contrario sensu, ele está dizendo que as circunstâncias e 
condições de caráter objetivo comunicam-se. 
 
Para o Min. Relator, o juiz poderá aplicar frações de redução diferentes para cada coautor 
ou partícipe. Segundo entendeu, a fração de redução será graduada conforme a atuação de 
cada agente em relação à reparação efetivada. Assim, por exemplo, João (quem 
efetivamente restituiu) poderia ter uma redução maior de pena do que José. 
Processo STJ. 6ª Turma. REsp 1.187.976-SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 7/11/2013. 
 
 
Em condenação por roubo não se pode fixar regime mais gravoso ao réu pelo simples fato de ele 
ter apontado a arma para o rosto da vítima 
 
Em um crime de roubo, o juiz NÃO pode fixar regime prisional mais severo do que aquele 
previsto no art. 33, § 2º, do CP utilizando como argumento o fato de a arma de fogo ter sido 
apontada contra o rosto da vítima. Tal fundamentação não é válida porque essa conduta 
caracteriza a "grave ameaça", elemento ínsito do crime de roubo. 
Assim, não se pode fixar regime prisional mais gravoso com base em circunstâncias que são 
próprias (naturais) do crime. 
Comentários Existem três regimes penitenciários: 
FECHADO SEMIABERTO ABERTO 
Pena cumprida em 
estabelecimento de 
segurança máxima ou 
média. 
Pena cumprida em colônia 
agrícola, industrial ou 
estabelecimento similar. 
Pena cumprida em casa de 
albergado ou 
estabelecimento adequado. 
 
Fixação do regime inicial 
O juiz, ao prolatar a sentença condenatória, deverá fixar o regime no qual o condenado 
iniciará o cumprimento da pena privativa de liberdade. 
A isso se dá o nome de fixação do regime inicial. 
Os critérios para essa fixação

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