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Amanda Rios Processo Penal I Por Daniel Nicory. Av. 1: 09/09. Av.2: 24/11. Aula 1: Princípios Processuais Penais 1. Teoria dos princípios: 1.1. breve histórico 1.1.1. subsidiariedade 1.1.2. centralidade dos princípios 1.2. conceitos de princípio 1.2.1. mandamento nuclear do sistema – Canotilho: o princípio é uma das normas mais importantes do sistema, está no centro do sistema. 1.2.2. mandamento de otimização - Alexy: o princípio determina um estado ideal de coisas a ser realizado da melhor forma possível. Ex.: no processo deve-se tentar ao máximo que ambas as partes sejam ouvidas (princípio do contraditório e ampla defesa). Obs.: princípios são um tipo de norma, segundo a visão contemporânea. Qual a diferença? A priori, os princípios e as normas não são os textos escritos, são as interpretações do texto. As regras, normalmente, são mais próximas da realidade, com uma consequência jurídica, são hipotéticas- condicional (prevê uma situação de fato e uma consequência para aquela situação). Curiosidade: O juiz só pode decretar a prisão quando um legitimado pedir - promotor/ delegado em fase de investigação. 2. Princípios processuais em espécie: 2.1. Devido processo legal: devido processo legal substancial é um devido processo justo cercado de todas as garantias e os princípios processuais às partes. art. 5, cf. Não há condenação sem processo. 2.1.1. Ne bis in idem: proibição da dupla valoração da mesma circunstância. Ex.: a mesma qualificadora do homicídio não pode ser usada como agravante ou causa de aumento. Ex.: se o goleiro bruno após cumprir pena pela morte da mulher, ela reaparecer (estava desaparecida) e ele matar ela condena novamente? Sim, pois são outros tempos e outras circunstâncias. 2.2. Jurisdicionalidade – nulla poena, nulla culpa sine iudicio: o processo penal precisa ser presidido pelo juiz (autoridade pública, legalmente constituída, integrante do poder judiciário e independente de outras autoridades). 2.2.1. Inafastabilidade: nenhum ato pode ser subtraído ao controle do juiz. Este princípio Amanda Rios estabelece que "a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito". Art. 35, CF. O juiz controla mesmo que não pratique diretamente. Ex.: flagrante. Quem homologa o acordo de persecução penal é o juiz. 2.2.2. Imparcialidade: aquele que se esforça para manter a equidistância entre as partes. Dá a condição de escuta para os dois lados não escolhe previamente um lado. ex.: juiz vai decidir se é roubo ou furto em uma situação de puxar a corrente da vítima e, para isso, precisa ser imparcial. 2.2.3. Juiz Natural: juiz previamente constituído ao caso, diferentemente da arbitragem que se escolhe o árbitro por conta do caso. Este princípio assegura que ninguém será processado ou sentenciado senão pela autoridade competente, previamente estabelecida por lei. Proibição de Tribunais de Exceção: Não é permitido criar tribunais ou juízos específicos para julgar determinados casos após os fatos terem ocorrido. Isso evita julgamentos parciais ou direcionados1. Ex.: na época do nazismo foi criado um tribunal de exceção para julgar os criminosos. Competência Prévia: A competência do juiz deve ser definida antes da ocorrência do fato delituoso. Isso garante que o julgamento será feito por uma autoridade imparcial e independente, conforme as regras de competência estabelecidas pela legislação vigente2. 2.2.4. Celeridade: Para que o processo faça sentido tem que ser célere (não é pressa). No âmbito do processo penal, a demora do processo pode gerar impunidade e prejuízos ao réu como incertezas sobre o seu futuro. 2.2.5. Duplo grau: duplo grau de jurisdição é o poder de recorrer uma decisão por uma instância superior. 2.3. Princípio Acusatório - separação de funções: a separação de funções entre o acusador (MP) e o julgador (juiz) dentro do Estado é essencial para garantir a imparcialidade e a justiça do julgamento. Ao evitar que o juiz acumule funções de acusação e julgamento, o princípio acusatório protege os direitos fundamentais do acusado e assegura um processo justo e equitativo2 2.3.1. Inércia da jurisdição: o judiciário não pode agir sem ser provocado. Existem pouquíssimos casos em que o juiz pode prender de ofício (tem uma situação na lei maria da penha). A investigação é feita por órgãos diferentes do juízo: MP e polícia. 2.3.2. Promotor natural: o promotor deve ser constituído previamente ao caso (isso gera um conflito com as forças tarefas, como a lava jato); ser independente. Garante que um promotor de justiça específico, previamente designado de acordo com critérios legais, seja responsável por conduzir uma investigação criminal ou processo penal. Isso Amanda Rios evita interferências indevidas e assegura a imparcialidade do processo12. Ele impede que a chefia do Ministério Público faça designações arbitrárias, garantindo que o promotor designado atue de forma imparcial e independente "Art. 5. LIII - ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente." 2.4. Publicidade: o processo penal, como regra, deve ter caráter público, a fim de que seja garantida uma atuação correta do Estado. A publicidade dos atos processuais tem como objetivo garantir a transparência e a legitimidade das decisões judiciais, permitindo o controle social e evitando abusos e arbitrariedades. Exceções a essa regra, como nos casos em que a defesa da intimidade ou o interesse social recomendem o segredo de justiça2. 2.4.1. Publicidade dos atos: garantia do réu contra arbitrariedades; necessário para controle social democrático. Publicidade para as partes e para a sociedade. Exceções para não publicizar a sociedade são os processos em segredo de justiça. 2.4.2. Fundamentação das decisões: junto a publicidade é essencial que as decisões sejam fundamentadas para controle público. A fundamentação das decisões é crucial para garantir a transparência e a legitimidade do processo judicial, permitindo que as partes envolvidas compreendam as razões por trás das decisões e possibilitando o controle e a fiscalização por parte da sociedade. Além disso, a falta de fundamentação pode levar à nulidade da decisão, conforme previsto no artigo 564, inciso V, do Código de Processo Penal 2.5. Presunção de inocência: inocente até ser provado culpado (após o trânsito em julgado). A pessoa deve ser tratada como inocente durante o processo. Na dúvida se presume inocente. Art. 14, pacto internacional. Art. 5, LVII – CF. ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória; 2.5.1. Critério de tratamento: a grande exceção é a prisão preventiva. A prisão preventiva não pode funcionar com finalidade de antecipação da pena. Só pode ser usada com uma urgência justificada (perigo para as testemunhas, para a produção de provas, para fuga, para garantir ordem pública (cautelaridade extraprocessual)), que não pode esperar o trânsito em julgado. periculum in mora (Processo civil) -> periculum libertates (processo penal). 2.5.2. Critério de julgamento – in dubio pro reo: diante da prova como se avalia em caso de dúvida. Se o juiz fica em dúvida significa que o réu é inocente. Esse princípio estabelece que, havendo dúvida razoável sobre a culpa do réu em um processo penal, deve ser concedida a ele a presunção de inocência e a interpretação mais favorável aos seus interesses1. 2.6. Contraditório: princípio que rege o processo e atende as duas partes, mesmo quando sigilosos. Amanda Rios Em termos simples, o princípio do contraditório garante que todas as partes envolvidas em um processo penal tenham a oportunidadeda instrução, ou antes de proferir sentença, a realização de diligências para dirimir dúvida sobre ponto relevante. Posição do STF: Juiz pode, pontualmente e nos limites da legalidade da lei, determinar diligências suplementares para dirimir dúvidas sobre pontos relevantes para decidir. Necessidade de submeter atos de investigação ao juiz das garantias. Art. 3º-B. O juiz das garantias é responsável pelo controle da legalidade da investigação criminal e pela salvaguarda dos direitos individuais cuja franquia tenha sido reservada à autorização prévia do Poder Judiciário, competindo-lhe especialmente: I - receber a comunicação imediata da prisão, nos termos do inciso LXII do caput do art. 5º da Constituição Federal; II - receber o auto da prisão em flagrante para o controle da legalidade da prisão, observado o disposto no art. 310 deste Código; III - zelar pela observância dos direitos do preso, podendo determinar que este seja conduzido à sua presença, a qualquer tempo; IV - ser informado sobre a instauração de qualquer investigação criminal; V - decidir sobre o requerimento de prisão provisória ou outra medida cautelar, observado o disposto no § 1º deste artigo; VI - prorrogar a prisão provisória ou outra medida cautelar, bem como substituí-las ou revogá-las, assegurado, no primeiro caso, o exercício do contraditório em (preferencialmente) audiência pública e oral, na forma do disposto neste Código ou em legislação especial pertinente; VII - decidir sobre o requerimento de produção antecipada de provas consideradas urgentes e não repetíveis, assegurados o contraditório e a ampla defesa (preferencialmente) em audiência pública e oral; VIII - prorrogar o prazo de duração do inquérito, estando o investigado preso, em vista das razões apresentadas pela autoridade policial e observado o disposto no § 2º deste artigo; IX - determinar o trancamento do inquérito policial quando não houver fundamento razoável para sua instauração ou prosseguimento; § 1º O preso em flagrante ou por força de mandado de prisão provisória será encaminhado à presença do juiz de garantias no prazo de 24 (vinte e quatro) horas, momento em que se realizará audiência com a presença do Ministério Público e da Defensoria Pública ou de advogado constituído, vedado o emprego de videoconferência. Amanda Rios Obs.: O STF passou a permitir o uso de videoconferência quando houver impossibilidade fática, ou seja, as partes não conseguirem ir à audiência. § 2º Se o investigado estiver preso, o juiz das garantias poderá, mediante representação da autoridade policial e ouvido o Ministério Público, prorrogar, uma única vez, a duração do inquérito por até 15 (quinze) dias, após o que, se ainda assim a investigação não for concluída, a prisão será imediatamente relaxada. O STF entendeu que podem haver novas prorrogações e que a prisão não será imediatamente relaxada. (essa prisão provavelmente é preventiva) Modelo presente: Se o MP quiser arquivar, ele passa essa decisão para o Juiz. O Juiz só tem o poder de concordar com esse arquivamento, caso discorde, ele manda para o Procurador Geral, que então tem o poder de concordar com o arquivamento ou não. Com a nova redação, o poder de decisão, de concordar ou discordar, vai todo para o Procurador Geral. O juiz de garantias não é um xerife, ele não investiga nada, ele impede ilegalidades na fase investigativa, quem investiga são os órgãos, ele só vai fiscalizar para depois o juiz que vai julgar não ser o mesmo que faz esse controle. Quando a denúncia é recebida/queixa, se ficou alguma pendência de decisão do juiz de garantias vai ser do juiz do processo quem irá decidir. Uma vez iniciada a fase judicial, não cabe mais ao juiz de garantias pronunciar- se. O juiz da instrução e julgamento não está vinculado às decisões do juiz de garantias. O juiz de garantias é o responsável pelo controle da legalidade da investigação criminal e pela salvaguarda dos direitos individuais cuja franquia tenha sido reservada à autorização prévia do Poder Judiciário. O juiz de garantias é uma forma de delimitar não apenas a competência de magistrados, segundo o objeto do juízo cognitivo outorgado pela legislação, mas também para assegurar que o princípio do juiz natural não conflite com a sua necessária imparcialidade. A prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz competente e à família do preso ou pessoa por ele indicada. A comunicação é alusiva às prisões extraprocessuais, ou seja, deve estar inserida na esfera da competência do juiz das garantias, na fase investigativa, que segue até o momento do recebimento da denúncia ou queixa-crime. É o juiz de garantias que deverá examinar se a prisão é ilegal (caso de relaxamento), se é caso de conversão em prisão preventiva (desde que requerida) ou se deve conceder a liberdade provisória. O juiz de garantias tem o dever de assegurar o cumprimento das regras para o tratamento dos presos. Há o dever de informar o juiz de garantias sobre a instauração de toda investigação. É o juiz de garantias o destinatário central dos pedidos de diligências, sendo a autoridade responsável para decidir eventuais medidas cautelares representadas pela polícia ou requeridas pelo Ministério Público. O dever de informação deve se estender a qualquer investigação criminal. Os meios de obtenção de prova que firam o direito ao segredo, submetidos à cláusula especial de reserva, dependerão de requerimento expresso ou representação da autoridade policial e serão deliberados pelo juiz de garantias. Compete ao juiz das garantias assegurar, prontamente e quando se fizer necessário, o direito outorgado ao investigado e ao seu defensor de acesso a todos os elementos informativos e provas produzidas no âmbito da investigação criminal, salvo no que concerne, estritamente, às diligências em andamento. Amanda Rios Obs.: Se o investigado estiver preso, o juiz das garantias poderá, mediante representação da autoridade policial e ouvido o MP, prorrogar, uma única vez, a duração do inquérito por até quinze dias, após o que, se ainda assim a investigação não for concluída, a prisão será imediatamente relaxada. Art. 3º-C. A competência do juiz das garantias abrange todas as infrações penais, exceto as de menor potencial ofensivo, e cessa com o recebimento da denúncia ou queixa na forma do art. 399 deste Código. Recebida a denúncia ou queixa, as questões pendentes serão decididas pelo juiz da instrução e julgamento. (art. 3-C, § 1º, CPP) As decisões proferidas pelo juiz das garantias não vinculam o juiz da instrução e julgamento. Sistema Acusatório e o Sistema de Rodízio de juízes = inconstitucional. Art. 3º-D. O juiz que, na fase de investigação, praticar qualquer ato incluído nas competências dos arts. 4º e 5º deste Código ficará impedido de funcionar no processo. Parágrafo único. Nas comarcas em que funcionar apenas um juiz, os tribunais criarão um sistema de rodízio de magistrados, a fim de atender às disposições deste Capítulo. Art. 3º-E. O juiz das garantias será designado conforme as normas de organização judiciária da União, dos Estados e do Distrito Federal, observando critérios objetivos a serem periodicamente divulgados pelo respectivo tribunal. Art. 3º-F. O juiz das garantias deverá assegurar o cumprimento das regras para o tratamento dos presos, impedindo o acordo ou ajuste de qualquer autoridade com órgãos da imprensa para explorar a imagem da pessoa submetida à prisão, sob pena de responsabilidade civil, administrativa e penal. Parágrafo único. Por meio de regulamento, as autoridades deverão disciplinar, em 180(cento e oitenta) dias, o modo pelo qual as informações sobre a realização da prisão e a identidade do preso serão, de modo padronizado e respeitada a programação normativa aludida no caput deste artigo, transmitidas à imprensa, assegurados a efetividade da persecução penal, o direito à informação e a dignidade da pessoa submetida à prisão. (não sei se a parte inferior faz parte de juiz de garantias ainda) 8. Investigação Criminal Defensiva É procedimento investigatório que pode ser adotado pela defesa técnica do réu, seja ela feita por defensor público ou advogado particular. Um problema é o que a defesa faz se encontrar uma prova comprometedora do réu. O defensor não pode destruir nem revelar para não trair o cliente. → Advocacia privada - provimento 188/2018 - OAB → Defensoria Pública - poder de requisição 9. Detetives particulares prevê sua atuação na coleta de dados de natureza não criminal. Carente a regulamentação no âmbito do processo penal, mas acredita que não impede a condução paralela de investigação pela defesa do indicado (investigação criminal defensiva), desde que não ofenda direitos individuais fundamentais, como a intimidade, a honra e a vida privada. Observações: → Os vícios ocorridos no inquérito policial não atingem a ação penal. Não há que se falar em contaminação da ação penal em face de defeitos ocorridos na prática dos atos do inquérito, pois Amanda Rios este é peça meramente de informação e, como tal, serve de base à denúncia. (corrente majoritária) → Notícia do crime ou notícia do fato é o conhecimento pela autoridade, espontâneo ou provocado, de um fato aparentemente criminoso. Quando o endereçamento é à autoridade policial - procede a investigações ENDEREÇAMENT O PROVIDÊNCIA Autoridade policial Procede a investigações Ministério Público Oferece denúncia, requisita instauração de IP ou inicial PIC Juiz Remete ao MP ou requisita instauração de IP A notícia crime pode ser espontânea; provocada ou revestida de forma coercitiva. A denúncia anônima, chamada de delação apócrifa ou notitia criminis inqualificada, é uma subespécie de notícia-crime espontânea ou de cognição imediata. ESPÉCIES DE NOTITIA CRIMINIS - O indiciamento é a informação ao suposto autor a respeito do fato objeto das investigações. É a cientificação ao suspeito de que ele passa a ser o principal foco do inquérito. Passa de possibilidade para probabilidade. Precisa ter lastro mínimo de prova vinculando o suspeito à prática delitiva. O indiciamento é ato privativo da autoridade policial. - Toda vez que, no curso de investigação preliminar, existir indício de prática de infração penal por parte de agente com prerrogativa de função, a autoridade policial, civil ou militar remeterá, imediatamente, sob pena de responsabilidade, os respectivos autos ao Chefe da respectiva instituição, a quem competirá tomar as providências previstas para o prosseguimento da apuração SEGUNDA UNIDADE Aula 23/09: AÇÃO PENAL 1. Pressupostos processuais 1.1. De Existência 1.1.1. Órgão jurisdicional: Refere-se à existência de um tribunal ou juiz competente para julgar o caso. 1.1.2. Partes: Envolve a presença de partes legítimas no processo, ou seja, o autor (Ministério Público ou querelante) e o réu. 1.1.3. Demanda: A existência de uma demanda, que é a acusação formal apresentada contra o réu. 1.2. De Validade 1.2.1. Intrínsecos 1.2.1.1. Competência e imparcialidade do juiz 1.2.1.2. Capacidade e legitimidade das partes 1.2.1.3. Citação válida 1.2.2. Extrínsecos 1.2.2.1. Ausência de Litispendência: Não pode haver outro processo em andamento com as mesmas partes e o mesmo objeto. 1.2.2.2. Ausência de Coisa julgada: O caso não pode ter sido julgado anteriormente com decisão final. Art. 395. A denúncia ou queixa será rejeitada quando: I - for manifestamente inepta; (Quando a denúncia não apresentar os requisitos mínimos necessários.) Amanda Rios II - faltar pressuposto processual ou condição para o exercício da ação penal; ou III - faltar justa causa para o exercício da ação penal. (Quando não houver indícios suficientes de autoria e materialidade do crime.) EMENTA DE DECISÃO JUDICIAL – STF, HC 83795, DJ 06/08/2004 EMENTA: HABEAS CORPUS, PROCESSO PENAL. ALEGAÇÃO DE LITISPENDÊNCIA. ORDEM PARCIALMENTE CONCEDIDA. 1. A litispendência por se encaixar no conceito de pressuposto processual, pode e deve ser decretada de ofício, sob pena de violação do princípio do no bis in idem. 2. Ordem concedida em parte, para determinar ao Superior Tribunal de Justiça que conheça do habeas corpus já impetrado e aprecie a questão da litispendência. 2. Conceito de ação O direito de ação é o direito de provocar a jurisdição para que esta resolva um conflito de interesses. É autônomo em relação ao direito material discutido, ou seja, o direito de ação existe independentemente do direito material que se busca proteger. 2.1. Teorias imanentistas – Savigny – a todo direito corresponde uma ação, que o assegura 2.2. Teorias autonomistas 2.2.1 Concreta - Chiovenda: direito de se obter uma sentença favorável. Para ele, a ação é um meio para alcançar um resultado específico: uma decisão judicial que reconheça o direito material do autor. A ação, portanto, está diretamente ligada ao sucesso do pedido em juízo. 2.2.2. Abstrata – Dagenkolb: direito se obter prestação jurisdicional. Você tem direito de que o Estado resolva o conflito que você trouxe. O direito de ação é o direito de que o Estado analise e julgue o conflito apresentado, mesmo que a decisão não seja favorável ao autor. Esta visão separa completamente o direito de ação do direito material, focando apenas no acesso à justiça. Teoria que Nicory gosta. d) Eclética - Liebman: A teoria eclética combina elementos das teorias concretas e abstratas. Para Liebman, a ação é um direito subjetivo instrumental, ou seja, é um meio para reivindicar judicialmente um direito material. A ação não é apenas um acessório do direito material, mas um instrumento para sua proteção. Esta teoria reconhece a autonomia do direito de ação, mas também considera sua ligação com o direito material reivindicado. O MP pode mover mandado de segurança em matéria penal. A regra é ação penal condenatória movida pelo Estado. 3. Condições da Ação - categorias do processo civil se aplicam? A ação penal pode ser pública ou privada. 3.1. Legitimidade das partes: Titularidade da ação penal. Refere-se a quem tem o direito de iniciar a ação penal. No caso da ação penal condenatória, o Estado, através do MP, é geralmente o titular. Em ações penais privadas, a vítima ou seu representante legal tem essa titularidade. 3.1.1. Polo ativo: a discussão é sobre a titularidade da ação penal. Quem o Estado encarrega para fazer papel de acusador na ação penal condenatória. Nas outras ações tem-se outra discussão. Trata-se de escolha política, pois se escolhe o poder de colocar nas mãos da vítima de influenciar o Estado a condenar quem te vitimou. Crimes sexuais até 2009 = ação penal privada, ou seja, cabia vítima acusar o réu. De 2009 a 2018 = ação penal pública condicionada a representação da vítima. A partir de 2018 = ação penal pública Amanda Rios incondicionada, ou seja, tirou-se completamente das mãos da vítima o poder de processar o criminoso, passou a ser papel exclusivo de MP, independente da vontade da vítima. O MP não se compromete escolhendo a pena, apenas descreve os fatos e as circunstâncias e pede condenação. 3.1.2. Polo passivo: Menores de 18 anos não podem ser réus em uma ação penal. Eles respondem por atos infracionais, que são tratados de forma diferente. Pessoa jurídica (só respondepor crime ambiental) são ilegítimos para ser réu. O MP é titular a maioria das ações, defendendo o interesse da sociedade. Nem toda pessoa tem titularidade para ser ré na ação penal. Existem casos em que é possível fazer acordos, mas a lei não permite que o acusado satisfaça a pretensão voluntariamente sem um processo judicial. 3.2. Interesse de agir: O interesse de agir é uma das condições da ação e refere-se à necessidade de que a parte tenha um motivo legítimo para buscar a tutela jurisdicional. 3.2.1. Interesse-necessidade – pressuposto? Sempre? 3.2.2. Interesse-adequação - observar também as ações não condenatórias. Diz respeito à adequação do meio processual escolhido para a obtenção do resultado pretendido. A parte deve utilizar o procedimento correto para alcançar a tutela desejada. Isso é especialmente relevante em ações não condenatórias, como ações declaratórias ou constitutivas, onde a adequação do meio processual é fundamental. 3.2.3. Interesse-utilidade – punibilidade concreta? Refere-se à utilidade prática da decisão judicial para a parte. A decisão deve ser capaz de proporcionar um benefício concreto, como a punição do réu em ações penais. A utilidade está ligada à efetividade da tutela jurisdicional. Obs.: Perda superveniente do direito de agir: perde no curso do processo. 3.3. Possibilidade jurídica do pedido - omissão no novo CPC 4. Condições da Ação Penal Condenatória 4.1. Fato aparentemente criminoso – fumus comissi delicti: diferencia-se da fumaça do bom direito. Tem que demonstrar que aquele fato que está descrito preenche o tipo penal. Ex.: No caso de uma briga entre táxi e Uber, a polícia prendeu um motorista de Uber por atentado à segurança dos transportes. Entretanto, o fato de pegar pessoas no aeroporto (lugar exclusivo para táxi à época) para fazer transporte não enquadra no tipo penal -> prisão foi relaxada. Seria uma infração administrativa, não penal. 4.2. Punibilidade concreta: Refere-se à possibilidade real de aplicação de uma pena. O fato deve ser punível de acordo com a lei penal vigente. 4.3. Legitimidade das Partes: igual ao processo civil, ou seja, precisa olhar para os dois polos – ativo e passivo. No processo penal, o polo ativo é geralmente restrito ao MP, que representa o Estado na acusação. O polo passivo não cabe nem menor, nem PJ (exceto em crimes ambientais), cabe apenas pessoas físicas maiores de 18 anos. A inimputabilidade etária retira a legitimidade da parte, mas a inimputabilidade mental não retira. Obs.: HC qualquer um pode impetrar em nome de outrem, pois é de interesse público. 4.4. Justa causa? - lastro probatório mínimo: a grande diferença entre as condições da ação no processo civil e processo penal. Justa causa é a existência de um lastro probatório mínimo contra aquela pessoa, que justifique a ação penal. Precisa haver indícios suficientes de autoria e materialidade do crime. Em alguns crimes, não Amanda Rios precisa de consequência para ser crime. Ex.: porte de arma. Lastro probatório mínimo da materialidade e da autoria. Após a denúncia do MP, a justiça pode receber ou não, por meio do juízo de admissibilidade. 5. Condições Específicas da Ação Penal Condenatória: serve para alguns casos, não para todos. 5.1. Condições de Procedibilidade 5.1.1. Representação do ofendido ou de seu representante na ação penal pública condicionada: Em ações penais públicas condicionadas, como no caso de estelionato, a ação só pode ser iniciada mediante representação da vítima ou de seu representante legal. 5.1.2. Requisição do Ministro da Justiça: Em alguns crimes, como os contra a honra do presidente da república, é necessária a requisição do Ministro da Justiça para que a investigação seja iniciada. Ex.: na época da pandemia um professor publicou um artigo desejando que Bolsonaro morresse de covid. O ministro da justiça pede para que investigue, por meio deste instrumento "requisição do ministro da justiça". 5.2. Condições objetivas de punibilidade 5.2.1. Entrada do agente em território nacional: caso de Robinho - Enquanto ele estivesse na Itália, ele não seria punível pelo crime em que ele cometeu lá. 5.2.2. Formação do crédito tributário - STG, SV 24: STF formou uma súmula vinculante para dizer que as causas tributárias só poderão ser julgadas após se tornarem débitos tributários. Súmula Vinculante nº 24: “não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no art. 1º, incisos I a IV, da Lei 8.137/1990, antes do lançamento definitivo do tributo." CONDIÇÕ ES DA AÇÃO PROCESSO CIVIL PROCESSO PENAL SUBJETIVA S Legitimidade das partes Legitimidade das partes OBJETIVAS Interesse de agir Fumus comissi delicti? Punibilidade concreta? Justa causa? Possibilidade jurídica do pedido 438/STJ, verbis: "É inadmissível a extinção da punibilidade pela prescrição da pretensão punitiva com fundamento em pena hipotética, independentemente da existência ou sorte do processo penal." Aula 30/09: Aqui está uma versão melhorada e mais organizada da explicação sobre Ação Penal, incorporando os conceitos e a estrutura dos pressupostos processuais de maneira clara e coesa: Ação Penal A ação penal é um mecanismo jurídico essencial para a aplicação da justiça criminal, englobando conceitos fundamentais como ação, jurisdição e processo. A sentença, por sua vez, é uma norma jurídica específica que se aplica ao caso concreto, definindo direitos e responsabilidades. 1. Pressupostos Processuais Os pressupostos processuais são elementos fundamentais que garantem a existência e a validade do processo penal. Sem esses elementos, não há a possibilidade de um processo legítimo. Amanda Rios 1.1. Pressupostos de Existência 1.1.1. Órgão Jurisdicional Refere-se ao órgão público responsável pela função jurisdicional, exercida por um juiz de carreira ou, em algumas situações, por um júri popular. A existência de um órgão jurisdicional é imprescindível para o processo judicial, que é distinto de processos administrativos ou sancionadores. A função do órgão jurisdicional é a de julgar conflitos, solucionando questões legais e assegurando que o direito seja aplicado. Este conceito está intimamente ligado ao poder judiciário e reflete a separação clássica dos poderes proposta por Montesquieu. No Brasil, o júri popular é uma exceção, aplicado em casos de crimes contra a vida, enquanto em outros sistemas, como o dos EUA, é mais comum. O processo judicial serve para resolver conflitos de interesses entre as partes, sendo a presença do órgão jurisdicional essencial para isso. 1.1.2. Partes As partes em uma ação penal são o acusador e o réu. O acusador pode ser a vítima em casos de ação penal privada ou o Ministério Público em ações penais públicas. Nas ações penais públicas, a vítima pode se habilitar como assistente de acusação, mas o acusador primário sempre será o MP. É importante notar que a natureza do acusador varia conforme o tipo de ação penal (condenatória ou não), e a definição do acusador é uma escolha política do sistema jurídico. O processo penal pode envolver um ou mais réus, e, em ações penais privadas, representantes ou sucessores da vítima podem atuar como acusadores. 1.1.3. Demanda A demanda representa a busca de uma solução para o conflito. Nas ações penais condenatórias, a demanda é a pretensão de punir o réu, invocando o poder do Estado para aplicar a pena. Em ações penais não condenatórias, como mandados de segurança ou habeas corpus, a demanda busca a cessação de coações ilegais, atuando não como um exercício do poder de punir, mas como um mecanismo de proteção dos direitosdo indivíduo. 1.2. Pressupostos de Validade 1.2.1. Intrínsecos Competência e imparcialidade do juiz: A competência define quais casos devem ser julgados por determinado juiz, enquanto a imparcialidade é fundamental para garantir um julgamento justo. Questões relacionadas à imparcialidade, como suspeição e impedimento, devem ser avaliadas com rigor. Capacidade e legitimidade das partes: A capacidade diz respeito às condições que as partes devem atender para estarem em juízo, com especial atenção à idade (apenas maiores de 18 anos podem ser réus) e à natureza das partes (pessoas físicas ou jurídicas, conforme o tipo de crime). Amanda Rios Citação válida: A citação é o ato processual que informa o réu sobre a demanda contra ele. Sua validade é crucial, pois garante que o réu tenha ciência do processo e possa se defender. A citação pode ser pessoal, por hora certa ou por edital, e a escolha do meio de citação deve respeitar princípios processuais. 1.2.2. Extrínsecos Ausência de litispendência: Não pode haver outro processo em andamento envolvendo o mesmo objeto e as mesmas partes. Ausência de coisa julgada: O princípio "ne bis in idem" impede que um fato já julgado possa ser novamente processado. Exceções podem ocorrer, como na revisão criminal, que é restrita ao réu. 2. Conceito de Ação 2.1. Teorias Imanentistas Savigny propõe que, a cada direito, corresponde uma ação que assegura o seu exercício. Essa abordagem é relevante na discussão do direito penal, onde se reconhece o jus puniendi, ou seja, o direito do Estado de punir. 2.2. Teorias Autonomistas Essas teorias estabelecem que o direito de ação é autônomo em relação ao direito material: Teoria Concreta (Chiovenda): O direito de obter uma sentença favorável é central, mantendo relação com o direito material. Teoria Abstrata (Dagenkolb): O foco está no direito de obter uma prestação jurisdicional, permitindo que as partes solicitem ao Estado a resolução de conflitos. Teoria Eclética (Liebman): O direito subjetivo instrumental é considerado, vinculado ao direito material reivindicado. 3. Condições da Ação As condições da ação no processo penal são fundamentais, e algumas categorias se aplicam especificamente a ele, além de abrangerem ações não condenatórias. 3.1. Legitimidade das Partes Polo Ativo: Determina quem pode ser titular da ação penal — o Ministério Público ou a vítima, dependendo do tipo de ação penal (pública ou privada). Polo Passivo: Determina quem pode ser réu, considerando limitações como a menoridade e a natureza do crime em questão. 3.2. Interesse de Agir O interesse de agir deve ser demonstrado, indicando que a pretensão não pode ser satisfeita de outra forma. O Ministério Público deve avaliar se a ação é necessária, adequada e se há possibilidade de alcançar o objetivo da punibilidade concreta. Amanda Rios 3.3. Possibilidade Jurídica do Pedido A possibilidade jurídica do pedido é menos enfatizada no processo penal, uma vez que o pedido do MP geralmente é genérico, não especificando a pena. 4. Condições da Ação Penal Condenatória Essas condições são específicas e devem ser atendidas para que a denúncia seja recebida: 4.1. Fato Aparentemente Criminoso (fumus comissi delicti) O fato denunciado deve preencher os elementos de um tipo penal. 4.2. Punibilidade Concreta O fato deve ser passível de punição, não estando prescrito ou com o agente falecido. 4.3. Legitimidade das Partes Verifica-se a legitimidade tanto do polo ativo quanto do passivo, garantindo que as partes estão adequadamente representadas. 4.4. Justa Causa Um mínimo de lastro probatório deve existir, estabelecendo um nexo de causalidade que vincule a conduta ao crime. 5. Condições Específicas da Ação Penal Condenatória Essas condições podem variar conforme o tipo de crime: 5.1. Condições de Procedibilidade Representação do Ofendido: Em ações penais públicas condicionadas, o ofendido deve solicitar a abertura do processo. Requisição do Ministro da Justiça: Para crimes específicos, como os contra a honra de autoridades, a requisição é necessária. 5.2. Condições Objetivas de Punibilidade Entrada do Agente em Território Nacional: Para a persecução penal de crimes cometidos fora do país. Formação do Crédito Tributário: Para crimes tributários, a responsabilização só pode ocorrer após a constituição do crédito tributário. 6. Classificação das Ações Penais As ações penais podem ser classificadas em públicas e privadas: 6.1. Ação Penal Pública Incondicionada: O Ministério Público pode agir independentemente de provocação. Condicionada: A ação depende da representação da vítima ou da requisição do Ministro da Justiça. Amanda Rios 6.2. Ação Penal Privada Originária: A titularidade da ação é atribuída à vítima ou seus representantes. Subsidiária da Pública: Se o MP não agir, a vítima pode intervir. 7. Ação Penal Pública: Princípios 7.1. Princípios Gerais Obrigatoriedade: O MP deve denunciar quando há elementos suficientes. Indisponibilidade: O MP não pode desistir da ação. Oficialidade: Todos os atos são oficiais e devem ser documentados. Indivisibilidade: A ação não pode ser fracionada indevidamente. Intranscendência: A acusação se limita à pessoa do réu. 7.2. Espécies Pública Incondicionada. Pública Condicionada à representação da vítima. Pública Condicionada à requisição do Ministro da Justiça. 8. Ação Penal Privada: Princípios e Espécies 8.1. Princípios Oportunidade: A vítima decide se vai ou não mover a ação. Disponibilidade: O titular pode desistir da ação. Indivisibilidade: A ação deve ser proposta em sua totalidade. Intranscendência: A ação se limita à pessoa do réu. 8.2. Espécies Ação Penal Privada Originária e Subsidiária. 9. Inicial Acusatória 9.1. Conceito A inicial acusatória é o documento que inicia formalmente o processo penal. 9.2. Requisitos Exposição clara do fato criminoso. Qualificação do acusado. Classificação do crime. Rol de testemunhas. 9.3. Prazos Conforme o Código de Processo Penal (CPP): Réu preso: 5 dias para a denúncia. Réu solto: 15 dias para a denúncia. 9.4. Aditamento Amanda Rios O aditamento permite a modificação da acusação ao longo do processo, podendo ser: Emendatio Libelli: Alteração da classificação jurídica sem mudança na narrativa. Mutatio Libelli: Inclusão de novos elementos que alteram a narrativa do fato. Essa versão reestruturada e detalhada proporciona uma visão abrangente dos conceitos relativos à Ação Penal, facilitando o entendimento dos aspectos críticos e legais relacionados a esse tema no direito penal. SUJEITOS PROCESSUAIS 1. Juiz: para falar sobre poder judiciário tem que falar sobre democracia. O judiciário é independente para resolver os conflitos. Em uma Sociedade democrática pode haver transferência de poder sem derramamento de sangue e solução de conflitos sem luta, mas precisa ter um ente estatal, independente do próprio estado para resolver os conflitos. Processo penal é quando um acusador diz que um cidadão descumpriu uma das regras mais básicas de convivência do estado (crimes). nos estados democráticos, quem julga essa pretensão de condenação é um funcionário independente tanto do poder político, quanto do poder econômico. juiz tem um papel decisivo para a democracia pois ele define a aplicação das regras postas. O que está em jogo é o bem mais precioso que pode ser retirado por meio de um processo– liberdade. Instituição decisiva, pois se as pessoas não podem confiar no judiciário temos um problema. (?) Às vezes o judiciário tem um papel contra majoritário, quando a maioria pretende algo que não está nas regras do jogo democrático. se isso ocorre sempre é um problema, pois a sociedade está desejosa de mudar com as regras da democracia e não consegue, pois isso esse papel contra majoritário é menor. 1.1 Inércia X Iniciativa: Inércia da jurisdição - isto é - só pode agir se provocado (limite ao poder judiciário). Se é a última fronteira, ele não pode sair resolvendo tudo sem ser chamado. Ex.: maior parte das críticas à Xandão é pela inércia - inquérito das fake news, que tem prazo e objeto indeterminado só não violou pois ele não é o acusador, ele manda para a procuradoria geral. → regra geral: inércia. Problema de legitimidade: ele ser investigador/juiz e vítima - e se não for o supremo, quem vai julgar? → grande exceção é a do habeas corpus de ofício. por muito tempo se entendeu que podia prender de ofício também, mas, recentemente, se consolidou o entendimento de que juiz não pode determinar uma prisão sem que antes o juiz tenha pedido, seja do delegado ou o promotor/acusador (começou em 2011 e se consolidou com o pacote anti crime em 2019). 1.1.1. Impulso Oficial: quando o acusador oferece a denúncia, a partir daí cabe ao juiz fazer o processo andar. Se o processo está paralisado, mesmo que por omissão de alguma das partes, é dever do juiz fazer o processo andar. nem Xandão foi o próprio acusador, mas quando o acusador ofereceu a denúncia, ele deve fazer o processo andar. Exceção: na ação penal privada, se o acusador não move a ação = perempta. na ação penal pública, seja condicionada ou incondicionada, cabe ao juiz → art. 251 do CPP. Art. 251. Ao juiz incumbirá prover à regularidade do processo e manter a ordem no curso dos respectivos atos, podendo, para tal fim, requisitar a força pública. 1.1.2. Poderes instrutórios: o quanto o juiz pode ou deveria produzir prova? isso é importante Amanda Rios para saber qual modelo ou sistema processual que temos, inquisitório ou acusatório. -Sistema acusatório: figura do acusador é diferente da do juiz. -Sistema inquisitório: uma pessoa reúne a mesma função (ex.: PAD na faculdade). Temos um sistema acusatório, mas quando o juiz está insatisfeito com o trabalho do acusador, o que ele pode fazer para suprir essa insatisfação? Art. 156. A prova da alegação incumbirá a quem a fizer, sendo, porém, facultado ao juiz de ofício: I – ordenar, mesmo antes de iniciada a ação penal, a produção antecipada de provas consideradas urgentes e relevantes, observando a necessidade, adequação e proporcionalidade da medida; II – determinar, no curso da instrução, ou antes de proferir sentença, a realização de diligências para dirimir dúvida sobre ponto relevante. Muito criticado, pois se há dúvida deveria ser in dúbio pro reo. Claro, vou explicar melhor os tópicos que você mencionou. 1.1.3. Livre Convencimento Motivado: Sistema de Valoração da Prova - Art. 155 do CPP Art. 155 do CPP estabelece que o juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório judicial, ou seja, durante o processo, onde ambas as partes têm a oportunidade de apresentar e contestar provas. O juiz não pode fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos na investigação, exceto em casos de provas cautelares, não repetíveis e antecipadas. O parágrafo único ressalta que, quanto ao estado das pessoas, devem ser observadas as restrições estabelecidas na lei civil. Sistemas de Valoração da Prova Existem três principais sistemas de valoração da prova: 1. Prova Tarifada: Descrição: A lei determina o valor de cada prova para uma determinada finalidade. A lei cria um "barema" (tabela) de quantos pontos são necessários para provar um fato. O papel do juiz é apurar esses pontos, olhando para hipóteses legais fechadas e atribuindo pontos. Histórico: Era comum na Idade Média, onde o juiz tinha pouca liberdade para decidir, atuando mais como um "apurador de pontos" ou "boca da lei". 2. Íntima Convicção: Descrição: O juiz avalia o conjunto probatório e decide com base em sua convicção pessoal, sem necessidade de fundamentar detalhadamente sua decisão. Aplicação: Esse sistema é utilizado, por exemplo, no Tribunal do Júri, onde os jurados decidem com base em sua íntima convicção. 3. Livre Convencimento Motivado: Descrição: O juiz aprecia o conjunto das provas e decide livremente, mas deve fundamentar sua decisão nas provas apresentadas. Ele deve apontar nas provas o que o levou a decidir de determinada forma, sem seguir uma hierarquia pré-estabelecida de provas. Importância: Esse sistema garante que a decisão judicial seja transparente e justificada, permitindo que as partes entendam os motivos da decisão. Amanda Rios Tribunal do Júri O Tribunal do Júri é um direito político do povo para participação na justiça e uma garantia individual do réu. No Brasil, os jurados não se comunicam entre si durante o julgamento, ao contrário dos EUA, onde os jurados debatem antes de chegar a um veredicto. Isso pode ser visto como uma desvantagem no sistema brasileiro, pois limita a troca de ideias entre os jurados. No sistema de livre convencimento motivado, o juiz já possui um grande poder de decisão. Se o sistema fosse também instrutório (onde o juiz tem um papel ativo na coleta de provas), isso poderia aumentar ainda mais seu poder, o que pode ser visto como problemático em termos de imparcialidade. 1.1.4. Impossibilidade de proceder de ofício para alguns Juiz não pode prender de oficio. Ninguém quer perder poder. Quando o art. 311 do CPP foi reformado pela última vez, ficou claro que o juiz não pode decretar prisão de ofício. No entanto, alguns juízes tentaram contornar essa restrição. Quando o promotor solicita medidas cautelares (como o recolhimento noturno) mas não pede explicitamente a prisão, alguns juízes começaram a interpretar isso como um pedido implícito de prisão, argumentando que a prisão preventiva também é uma medida cautelar. Ou seja, se o promotor pede uma medida cautelar, estaria pedindo todas as possíveis. Assim, o juiz só não poderia decretar a prisão se o pedido fosse pelo relaxamento da prisão. Esse argumento está equivocado, pois a prisão preventiva é a maior restrição à liberdade e o juiz está vinculado a um pedido específico de prisão preventiva ou temporária, e não a um pedido genérico de medidas cautelares. Código de Processo Penal. Art. 251. Ao juiz incumbirá prover à regularidade do processo e manter a ordem no curso dos respectivos atos, podendo, para tal fim, requisitar a força pública. Art. 155. O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório judicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas. Parágrafo único. Somente quanto ao estado das pessoas serão observadas as restrições estabelecidas na lei civil. Art. 156. A prova da alegação incumbirá a quem a fizer, sendo, porém, facultado ao juiz de ofício: I – ordenar, mesmo antes de iniciada a ação penal, a produção antecipada de provas consideradas urgentes e relevantes, observando a necessidade, adequação e proporcionalidade da medida; II – determinar, no curso da instrução, ou antes de proferir sentença, a realização de diligências para dirimir dúvida sobre ponto relevante.” (NR) 1.2. Imparcialidade A imparcialidade garante que ambas as partes terão a oportunidade de influenciar na decisão, com o juiz dando espaço paraouvir os dois lados. Isso significa escutar ambas as partes de maneira isenta, sem chegar ao julgamento com uma opinião formada. Este é um dos princípios mais importantes do sistema judicial. Amanda Rios Casos de Falta de Imparcialidade Existem situações em que o juiz pode não ser imparcial, o que pode levar ao seu afastamento do caso. Esses casos são divididos em dois tipos: impedimento e suspeição. • Impedimento: De ordem objetiva, ocorre quando há uma situação prevista em lei que impede o juiz de atuar no caso. • Suspeição: De ordem subjetiva, ocorre quando há motivos para duvidar da imparcialidade do juiz, baseados em suas relações pessoais ou comportamento. Em ambos os casos, a interpretação deve ser restritiva. Ou seja, na dúvida, presume-se que o juiz é imparcial, e ele só deve ser afastado quando as causas forem bem demonstradas. Observações • Imparcialidade e Suspeição: Esses conceitos também se aplicam a promotores e defensores, com algumas especificidades. No entanto, não se aplicam ao advogado próprio, que pode atuar até em causa própria. • Consequências: As consequências de uma declaração de impedimento e suspeição são as mesmas, resultando na nulidade dos atos processuais. A diferença está na alegação: o impedimento gera nulidade absoluta, enquanto a suspeição gera nulidade relativa. 1.2.1. Causas de Impedimento Art. 252. O juiz não poderá exercer jurisdição no processo em que: I - tiver funcionado seu cônjuge ou parente, consangüíneo ou afim, em linha reta ou colateral até o terceiro grau, inclusive, como defensor ou advogado, órgão do Ministério Público, autoridade policial, auxiliar da justiça ou perito; II - ele próprio houver desempenhado qualquer dessas funções ou servido como testemunha; Obs.: muito comum em caso de pessoas novas que mudam muito de carreira. Se testemunhou o caso é parcial, não tem um distanciamento necessário, pois tem um contato muito forte com o caso. III - tiver funcionado como juiz de outra instância, pronunciando-se, de fato ou de direito, sobre a questão; IV - ele próprio ou seu cônjuge ou parente, consanguíneo ou afim em linha reta ou colateral até o terceiro grau, inclusive, for parte ou diretamente interessado no feito. Obs.: juiz não pode julgar em causa própria e de nenhum dos parentes. Impedimento Cruzado: Quando uma sociedade de advogados pertence a um parente de um ministro, mas o advogado que atua no caso não é parente, presumir que o cliente do escritório é imparcial pode ser um exagero. No entanto, se o advogado que atua no caso for da família do ministro, a imparcialidade pode ser questionada. Em outras palavras, se o advogado que está representando o cliente não tem relação familiar com o ministro, não há motivo para presumir falta de imparcialidade. Mas, se o advogado for parente do ministro, isso pode comprometer a imparcialidade do julgamento. Art. 253. Nos juízos coletivos, não poderão servir no mesmo processo os juízes que forem entre si parentes, consanguíneos ou afins, em linha reta ou colateral até o terceiro grau, inclusive. 1.2.2. Causas de Suspeição Amanda Rios Art. 254. O juiz dar-se-á por suspeito, e, se não o fizer, poderá ser recusado por qualquer das partes: I - se for amigo íntimo ou inimigo capital de qualquer deles; Obs.: difícil na era da internet, pois estar seguindo no instagram não é amigo íntimo. difícil também em caso de só um promotor, defensor e juiz na cidade, que inevitavelmente vão morar perto e virar amigos. faz sentido ter essa regra, mas dificilmente é levada a sério II - se ele, seu cônjuge, ascendente ou descendente, estiver respondendo a processo por fato análogo, sobre cujo caráter criminoso haja controvérsia; Ex.: se ele responde por corrupção, não pode julgar um processo de corrupção III - se ele, seu cônjuge, ou parente, consanguíneo, ou afim, até o terceiro grau, inclusive, sustentar demanda ou responder a processo que tenha de ser julgado por qualquer das partes; Obs.: suspeição cruzada. se um juiz X está julgando a causa de um outro juiz Y sendo que o Y tem um processo que interessa ao X. IV - se tiver aconselhado qualquer das partes; Obs.: atender advogado/promotor é permitido, pois é um exercício do contraditório, o que não pode é o juiz responder, dizer o que você deve fazer, nos autos ou fora dos autos V - se for credor ou devedor, tutor ou curador, de qualquer das partes; Vl - se for sócio, acionista ou administrador de sociedade interessada no processo. -Foro íntimo: seja ou não seja uma dessas causas, pode dizer que é de foro íntimo, que não é imparcial o suficiente, sem querer revelar o que é. 2. Ministério Público O Ministério Público (MP) apresenta um desafio em relação à tripartição dos poderes, pois não se encaixa claramente em nenhum dos três poderes tradicionais. Historicamente, o MP surgiu como um apêndice do Poder Judiciário (PJ), com o Procurador da Corte tendo poderes para demandar e promover ações que o juiz não podia. Com o avanço da democracia e a consolidação de um sistema acusatório, que separa as funções de julgar e acusar, o MP se desvinculou completamente do PJ. Se ele não pertence ao PJ, a qual poder ele está vinculado? Pode-se considerar o MP como uma espécie de quarto poder. O MP não funciona da mesma forma que um tribunal, pois seu presidente não é eleito, por exemplo. O chefe da instituição, no âmbito federal, é escolhido pelo presidente da República a partir de uma lista tríplice (semelhante ao processo estadual, onde o governador faz a escolha). Isso levanta a questão de se o MP seria parte do Poder Executivo (PE). No entanto, o MP não integra o PE, sendo mais comum vê-lo como um quarto poder. A Defensoria Pública copiou a estrutura do MP, podendo ser vista como um quinto poder, que coopera ou concorre com o MP. O MP ganha independência porque lida com interesses muito poderosos, tanto dentro quanto fora do Estado. Por isso, ser subordinado ao PJ ou ao PE seria inadequado. A independência do MP deve ser entendida como independência funcional, ou seja, autonomia. Essa autonomia é tão forte que o MP tem iniciativa de lei para alterar regras que disciplinam sua atuação, sendo essas leis validadas ou não pelo Legislativo. Apenas o Amanda Rios Procurador-Geral pode enviar essas propostas, tanto no âmbito federal quanto estadual. O MP é muito mais do que sua atuação na área penal. Embora os Ministérios Públicos tenham nascido na área penal, com a necessidade de acusar, eles também assumiram o papel de tutela da sociedade, defendendo a lei e os interesses transindividuais. Observações • A Defensoria Pública pode atuar como acusadora em casos de ação penal privada e, dependendo do ponto de vista, no papel de assistente de acusação. • As consequências de uma declaração de impedimento e suspeição são as mesmas, resultando na nulidade dos atos processuais. A diferença está na alegação: o impedimento gera nulidade absoluta, enquanto a suspeição gera nulidade relativa. 2.1. Funções do Ministério Público 2.1.1. Acusador O papel fundamental do Ministério Público (MP) é exercer a pretensão acusatória do Estado. Isso inclui: • Indicar ao juiz o acusado: Identificar quem é o acusado e individualizar sua conduta. • Apresentar provas: O MP deve apresentar provas substanciais no momento da acusação. Não pode basear a acusação apenas em convicções sem provas. Para prosseguir com a ação penal, é necessário ter uma quantidade mínima de provas. • Pedido na ação penal pública: O pedido é genérico, sem especificar um número ou limite de pena, mas o MP pode recorrer posteriormente para aumentar a pena. Ônus da Prova A acusação está diretamente ligada ao ônusda prova. Em termos gerais, o ônus da prova cabe ao autor da ação (MP na ação penal pública). • Diferença para o processo civil: No processo civil, a revelia (não contestação) torna verdadeiros os fatos alegados pela acusação. No processo penal, a revelia não torna os fatos verdadeiros, e o ônus da prova continua com a acusação, mesmo em caso de confissão. • Confissão: A confissão não pode ser utilizada sozinha para condenar o acusado. • Nível de prova: Existe um nível de prova necessário para acusar e outro para condenar. É preciso provar a materialidade do crime (que o crime aconteceu) e ter indícios suficientes de autoria. • Testemunho: A vítima, em tese, não é considerada testemunha, mas sim informante. Em uma ação penal pública, a vítima é uma terceira interessada, não uma parte. O depoimento da vítima não pode servir sozinho para uma condenação. Influência do MP sobre o Juiz • Independência: O MP é independente do juiz, e o juiz também é independente do MP. Uma das funções do juiz é ser imparcial. Amanda Rios • Pedido de absolvição: O MP pode pedir a absolvição se, ao longo do processo, concluir que não há provas suficientes. No entanto, o juiz não é obrigado a seguir esse pedido. Art. 385 do CPP: Nos crimes de ação pública, o juiz pode proferir sentença condenatória, mesmo que o MP tenha opinado pela absolvição, e pode reconhecer agravantes, mesmo que nenhuma tenha sido alegada. Discussão sobre a Sustentabilidade do Art. 385 A opinião de que o Art. 385 ainda é constitucional se baseia no princípio da indisponibilidade da ação penal pública, ou seja, uma vez iniciada, não pode ser desistida. Pedir a absolvição não é desistir, pois um pedido de absolvição é fundamentado, enquanto a desistência não é. Se o juiz fosse obrigado a seguir o pedido de absolvição do MP, isso impediria qualquer um de pedir para continuar a ação. Já outra visão defende que o juiz deve se vincular ao pedido de absolvição do MP. b) Poder de Requisição O Ministério Público (MP) tem o poder de requisitar documentos, exames, perícias e informações de qualquer autoridade pública e seus agentes, no que diz respeito ao exercício de suas funções. A Defensoria Pública (DP) também possui esse poder. • Debate: Há uma discussão sobre o que o MP pode solicitar que o juiz oficie e o que ele pode fazer diretamente. Existem limites, como o respeito aos sigilos. 2.1.2. Fiscal da Lei (custos legis) O MP atua como fiscal da lei quando opina sem ter interesse direto na contestação. No processo penal, o MP também exerce essa função. • Pareceres: O MP pode ser chamado a dar um parecer sobre determinado pedido da defesa, especialmente em casos de recurso, antes do tribunal decidir. O MP do tribunal pode dar parecer a pedido do delegado em caso de solicitação de prova. • Distinção: Não se deve confundir o papel do MP como fiscal da lei com o seu papel como parte no processo. • Habeas Corpus e Ação Penal Privada: Nesses casos, o MP atua apenas como fiscal da lei, não sendo parte do processo. • Parte Imparcial: O MP é considerado uma parte imparcial, pois não defende um interesse próprio, mas sim o interesse da sociedade em geral. No sistema americano, o caso é apresentado como "The People vs. Acusado", indicando que o MP não defende o interesse da vítima individualmente, mas o interesse do povo. 2.2. Imparcialidade: O Ministério Público (MP) também está sujeito a causas de impedimento e suspeição. Um dos principais argumentos dos promotores para afirmar sua imparcialidade é que, se considerarem o réu inocente, eles pedirão a absolvição. Art. 258 do CPP: "Os órgãos do Ministério Público não funcionarão nos processos em que o juiz ou qualquer das partes for seu cônjuge, ou parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau, inclusive, e a eles se estendem, no que lhes for aplicável, as Amanda Rios prescrições relativas à suspeição e aos impedimentos dos juízes." Claro, aqui está uma versão melhorada do seu texto: 3. Acusado e Seu Defensor O termo "réu" carrega muito estigma, por isso é preferível usar "acusado". 3.1. Acusado O acusado é quem ocupa o polo passivo da ação penal, podendo ser uma pessoa física ou jurídica. 3.1.1. Identidade É essencial identificar corretamente o acusado para garantir que a ação penal seja justa. Mesmo que o nome verdadeiro não seja conhecido com 100% de certeza, isso não impede o andamento da ação penal. É necessário ter informações mínimas sobre a autoria; caso contrário, o processo deve ser arquivado por falta de autoria. Art. 259 do CPP: "A impossibilidade de identificação do acusado com o seu verdadeiro nome ou outros qualificativos não retardará a ação penal, quando certa a identidade física. A qualquer tempo, no curso do processo, do julgamento ou da execução da sentença, se for descoberta a sua qualificação, far-se-á a retificação, por termo, nos autos, sem prejuízo da validade dos atos precedentes." Isso também se aplica a pessoas jurídicas. 3.1.2. Auto-Defesa O próprio acusado pode se defender, apresentando sua versão dos fatos, permanecendo em silêncio ou trazendo provas. Ele pode escolher participar ou não dos atos processuais. O direito de produzir provas está garantido pelo artigo 5º da Constituição, que assegura a ampla defesa. • Tempo: O tempo é um recurso escasso e essencial para que o acusado possa se reunir com seu defensor técnico, buscar informações necessárias para sua defesa e orientar o defensor sobre a melhor estratégia a seguir. • Dever de Informação: É fundamental que o acusado saiba do que está sendo acusado para poder se defender adequadamente. A autodefesa é independente da defesa técnica e deve ser efetiva, não apenas uma formalidade. • Produção de Provas: O acusado tem o direito de produzir provas e deve ter tempo e oportunidade para fazê-lo. 3.1.3. Direito de Não se Auto-Incriminar O acusado tem o direito de não se autoincriminar, o que inclui o direito ao silêncio, mas não se limita a isso. Nos Estados Unidos, esse direito é garantido pela Quinta Emenda. No Brasil, não há um momento formal para o acusado se declarar. Existe um Direito à Mentira? Nos Estados Unidos, se o réu mente, ele pode ser acusado de perjúrio. No Brasil, isso não se aplica ao réu. O único crime relacionado é o de falsa identidade. Dizer que não cometeu um crime quando cometeu, ou mentir sobre o local onde estava, não é considerado crime no Brasil. Mentir sobre os fatos não é crime no Brasil. Amanda Rios Direito de Não Produzir Prova Contra Si Mesmo • Lei Seca: O legislador condicionou a configuração do crime à presença de uma quantidade de álcool no sangue, que pode ser medida pelo bafômetro. Muitas pessoas se recusavam a fazer o teste, então a lei foi alterada para permitir a comprovação da embriaguez por sinais clínicos evidentes, como confusão mental, desequilíbrio, olhos vermelhos, cheiro de álcool, etc. Se a pessoa se recusar a fazer o teste, paga uma multa administrativa, mas não é presa. No entanto, se a polícia perceber sinais claros de embriaguez, a pessoa pode ser presa. Direito de Não Comparecer ao Interrogatório Art. 260 do CPP: Se o acusado não atender à intimação para o interrogatório, reconhecimento ou qualquer outro ato que, sem ele, não possa ser realizado, a autoridade poderá mandar conduzi- lo à sua presença. (Vide ADPF 395 e ADPF 444) Parágrafo Único: O mandado conterá, além da ordem de condução, os requisitos mencionados no art. 352, no que lhe for aplicável. • Declaração de Inconstitucionalidade: O Art. 260 foi declarado inconstitucional, protegendo o acusado de sofrer o constrangimento de ser interrogado à força. • Caso Lula:Houve condução coercitiva antes do processo, sem que ele tivesse sido intimado para comparecer voluntariamente. Direito de Não Comparecer ao Júri O Supremo Tribunal Federal decidiu que, se houver condenação no júri, o réu deve ser preso imediatamente. Isso é controverso, pois contradiz decisões anteriores que determinavam a expedição do mandado de prisão apenas após a condenação transitada em julgado. Às vezes, o réu opta por não comparecer ao júri para evitar a prisão imediata, mas perde a oportunidade de se defender. 3.2. Defensor (Técnico) O defensor pode ser o próprio acusado, se ele for advogado (exceto se for defensor público), ou pode ser constituído por ele ou proporcionado pelo Estado. 3.2.1. Defensor Constituído O defensor constituído é escolhido pelo réu, que outorga uma procuração para defender seus interesses em juízo. Esse defensor é necessariamente particular e a confiança é um princípio fundamental nessa relação. Claro, aqui está uma versão melhorada do seu texto: 3. Acusado e Seu Defensor O termo "réu" carrega muito estigma, por isso é preferível usar "acusado". 3.1. Acusado O acusado é quem ocupa o polo passivo da ação penal, podendo ser uma pessoa física ou jurídica. 3.1.1. Identidade É essencial identificar corretamente o acusado para garantir que a ação penal seja justa. Mesmo Amanda Rios que o nome verdadeiro não seja conhecido com 100% de certeza, isso não impede o andamento da ação penal. É necessário ter informações mínimas sobre a autoria; caso contrário, o processo deve ser arquivado por falta de autoria. Texto de Lei: Art. 259 do CPP: "A impossibilidade de identificação do acusado com o seu verdadeiro nome ou outros qualificativos não retardará a ação penal, quando certa a identidade física. A qualquer tempo, no curso do processo, do julgamento ou da execução da sentença, se for descoberta a sua qualificação, far-se-á a retificação, por termo, nos autos, sem prejuízo da validade dos atos precedentes." Isso também se aplica a pessoas jurídicas. 3.1.2. Auto-Defesa O próprio acusado pode se defender, apresentando sua versão dos fatos, permanecendo em silêncio ou trazendo provas. Ele pode escolher participar ou não dos atos processuais. O direito de produzir provas está garantido pelo artigo 5º da Constituição, que assegura a ampla defesa. • Tempo: O tempo é um recurso escasso e essencial para que o acusado possa se reunir com seu defensor técnico, buscar informações necessárias para sua defesa e orientar o defensor sobre a melhor estratégia a seguir. • Dever de Informação: É fundamental que o acusado saiba do que está sendo acusado para poder se defender adequadamente. A autodefesa é independente da defesa técnica e deve ser efetiva, não apenas uma formalidade. • Produção de Provas: O acusado tem o direito de produzir provas e deve ter tempo e oportunidade para fazê-lo. 3.1.3. Direito de Não se Auto-Incriminar O acusado tem o direito de não se auto- incriminar, o que inclui o direito ao silêncio, mas não se limita a isso. Nos Estados Unidos, esse direito é garantido pela Quinta Emenda. No Brasil, não há um momento formal para o acusado se declarar. • Direito à Mentira?: Nos Estados Unidos, se o réu mente, ele pode ser acusado de perjúrio. No Brasil, isso não se aplica ao réu. O único crime relacionado é o de falsa identidade. Dizer que não cometeu um crime quando cometeu, ou mentir sobre o local onde estava, não é considerado crime no Brasil. Mentir sobre os fatos não é crime no Brasil. • Lei Seca: O legislador condicionou a configuração do crime à presença de uma quantidade de álcool no sangue, que pode ser medida pelo bafômetro. Muitas pessoas se recusavam a fazer o teste, então a lei foi alterada para permitir a comprovação da embriaguez por sinais clínicos evidentes, como confusão mental, desequilíbrio, olhos vermelhos, cheiro de álcool, etc. Se a pessoa se recusar a fazer o teste, paga uma multa administrativa, mas não é presa. No entanto, se a polícia perceber sinais claros de embriaguez, a pessoa pode ser presa. • Direito de Não Comparecer ao Interrogatório: O Art. 260 do CPP foi declarado inconstitucional, protegendo o acusado de sofrer o constrangimento de Amanda Rios ser interrogado à força. No caso Lula, houve condução coercitiva antes do processo, sem que ele tivesse sido intimado para comparecer voluntariamente. • Direito de Não Comparecer ao Júri: O Supremo Tribunal Federal decidiu que, se houver condenação no júri, o réu deve ser preso imediatamente. Isso é controverso, pois contradiz decisões anteriores que determinavam a expedição do mandado de prisão apenas após a condenação transitada em julgado. Às vezes, o réu opta por não comparecer ao júri para evitar a prisão imediata, mas perde a oportunidade de se defender. 3.2. Defensor (Técnico) O defensor pode ser o próprio acusado, se ele for advogado (exceto se for defensor público), ou pode ser constituído por ele ou proporcionado pelo Estado. • Defensor Constituído: O defensor constituído é escolhido pelo réu, que outorga uma procuração para defender seus interesses em juízo. Esse defensor é necessariamente particular e a confiança é um princípio fundamental nessa relação. Por isso, o defensor constituído pode ser trocado pelo réu quantas vezes forem necessárias ao longo do processo. 3.2.2. Defensor Proporcionado pelo Estado Existem dois modelos principais de defensores proporcionados pelo Estado: o defensor público e o defensor dativo. • Defensor Público: o É um funcionário público concursado que integra uma instituição com prerrogativas similares às da magistratura e do Ministério Público. o Tanto o defensor quanto a Defensoria Pública têm iniciativa de lei, por exemplo. o O defensor público não escolhe o caso nem o cliente escolhe o defensor, então a relação não é baseada em confiança, mas sim no princípio do defensor natural. o Atua independentemente de procuração. o Observação: Defensores públicos só podem atuar como advogados privados se tiverem sido constituídos antes de 1988. • Defensor Dativo: o É um advogado particular nomeado pelo juiz para atuar em casos onde não há Defensoria Pública disponível. o Cobra honorários do Estado. o Pode haver um potencial falta de independência do defensor dativo em relação ao juiz, pois foi nomeado por ele. o Também não precisa de procuração. Art. 261 do CPP: "Nenhum acusado, ainda que ausente ou foragido, será processado ou julgado sem defensor." Parágrafo Único: "A defesa técnica, quando realizada por defensor público ou dativo, será sempre exercida através de manifestação fundamentada." Art. 263 do CPP: "Se o acusado não o tiver, ser- lhe-á nomeado defensor pelo juiz, ressalvado o Amanda Rios seu direito de, a todo tempo, nomear outro de sua confiança, ou a si mesmo defender-se, caso tenha habilitação." Parágrafo Único: "O acusado, que não for pobre, será obrigado a pagar os honorários do defensor dativo, arbitrados pelo juiz." Art. 264 do CPP: "Salvo motivo relevante, os advogados e solicitadores serão obrigados, sob pena de multa de cem a quinhentos mil-réis, a prestar seu patrocínio aos acusados, quando nomeados pelo juiz." Observação: Resposta à acusação (penal) = contestação (cível). 3.2.3. Defesa Técnica Vedação ao Abandono Se o defensor simplesmente não comparecer, ele estará sujeito ao pagamento de uma multa. Defesas Conflitantes Se um advogado ou defensor representar mais de um réu, isso é permitido, exceto quando um réu acusa o outro. Nesse caso, cada réu precisa de um defensor separado. Se um réu confessar que foi o único responsável, não há problema. No entanto, se um réu acusar o outro, cada umdeve ter seu próprio advogado ou defensor. Direito à Entrevista Reservada Além de todos os direitos que o réu possui, ele tem o direito de conversar particularmente com seu defensor imediatamente antes de ser interrogado pelo juiz, seja na audiência de custódia ou de instrução. Esse direito deve ser assegurado, mesmo que o réu já tenha tido tempo suficiente para conversar com o advogado anteriormente. Novas questões podem surgir durante os depoimentos, e é importante alinhar os últimos pontos e definir a estratégia, incluindo o que será dito ou não. Sigilo Profissional Embora os defensores públicos sejam funcionários públicos e, em regra, devam comunicar todas as ilegalidades que chegam ao seu conhecimento, isso não inclui as conversas que têm com o réu. Tanto os advogados quanto os defensores públicos devem manter o sigilo profissional, que é um valor fundamental da democracia. 3.2.4. Natureza do Vínculo entre o Acusado e o Defensor • Defensor Constituído: A relação é baseada na confiança, por isso o réu pode trocar de defensor quantas vezes forem necessárias ao longo do processo. No entanto, às vezes há abuso desse direito. • Defensor Público: A relação é baseada no princípio do defensor natural, e o réu não pode escolher o defensor público. • Defensor Dativo: Nomeado judicialmente. Pode haver uma organização entre a OAB e a Defensoria com os juízes, mas não necessariamente. Nesse caso, é sempre o juiz que escolhe o defensor dativo. Esse modelo é considerado o pior em termos de assegurar a independência do advogado em relação ao juiz que o nomeou, sendo um modelo residual. o Regra: Não pode haver nomeação de defensor dativo se existe Defensoria Pública na comarca. A presença da Defensoria Pública exclui a necessidade de defensor dativo, Amanda Rios pois é direito dos réus ter a defesa patrocinada pela Defensoria, mesmo em casos de interesses conflitantes. Onde há defensor público, não pode haver defensor dativo, devido a uma incompatibilidade lógica. • Exemplo: Em caso de afastamento do defensor público por uma situação de saúde, a nomeação de um defensor dativo para continuar o processo é nula. 3.2.5. Prerrogativas dos Defensores Públicos O STF entende que outras formas de assistência gratuita não possuem as mesmas prerrogativas que os defensores públicos. Art. 128 da LCP 80: Separa a Defensoria Pública em federal e estadual. • Prazo em Dobro: Assim como o Ministério Público (MP), os defensores públicos têm prazo em dobro devido ao volume de trabalho. • Poder de Requisição: Assim como o MP, a Defensoria Pública tem o poder de requisitar documentos, exames, perícias e informações para ajudar os assistidos na produção de provas. Houve uma discussão no Supremo Tribunal Federal sobre a inconstitucionalidade desse poder, pois poderia criar um "super- advogado". No entanto, a ministra Cármen Lúcia defendeu a manutenção desse poder, questionando "a quem interessa enfraquecer a Defensoria Pública". o Observação: Requisitar é diferente de solicitar. É melhor iniciar com uma solicitação e, se não for cumprida, então fazer a requisição. Isso permite acessar informações que o defensor constituído pode obter mais facilmente com seu cliente. 3.2.6. Causas de Impedimento e Suspeição dos Defensores Públicos Texto de Lei: Art. 131 do CPP: É vedado ao membro da Defensoria Pública do Estado exercer suas funções em processo ou procedimento: I. Em que seja parte ou, de qualquer forma, interessado. II. Em que tenha atuado como representante da parte, perito, juiz, membro do Ministério Público, autoridade policial, escrivão de polícia, auxiliar de justiça ou prestado depoimento como testemunha. III. Em que seja interessado cônjuge ou companheiro, parente consanguíneo ou afim em linha reta ou colateral, até o terceiro grau. IV. No qual tenha postulado como advogado de qualquer das pessoas mencionadas no inciso anterior. V. Em que qualquer das pessoas mencionadas no inciso III funcione ou tenha funcionado como magistrado, membro do Ministério Público, autoridade policial, escrivão de polícia ou auxiliar de justiça. VI. Em que tenha dado à parte contrária parecer verbal ou escrito sobre o objeto da demanda. VII. Em outras hipóteses previstas em lei. • Impedimento de Atuar em Causa Própria: Defensores públicos não podem atuar em causa própria, pois sua renda é superior ao limite que justifica a Amanda Rios assistência da Defensoria. Em causas penais, a lei proíbe essa atuação, mesmo para se defender. • Nota de Repúdio em Caso Penal: A Defensoria Pública não deve emitir nota de repúdio em casos penais, pois o acusado pode precisar dos serviços da Defensoria no futuro, o que poderia comprometer a imparcialidade. Aula 28/10: 4. Ofendido: na ação penal privada, o ofendido é parte e é denominado de querelante. Na ação penal pública condicionada, não é parte, quem é parte é o MP. Representante Legal em Caso de Incapacidade: Quando o acusado é incapaz, é necessário um representante legal para acompanhar o processo do início ao fim. Isso gera um grande ônus, pois o representante deve estar presente em todas as etapas do processo. Nesse caso, é necessário ter uma procuração, mesmo que o defensor público esteja atuando. Uma vez iniciado o 4.1. Querelante: posição do ofendido quando se tem ação penal privada. O Ofendido é Parte? Depende do tipo de ação penal: • Ação Penal Privada: O ofendido é parte e atua como querelante, ou seja, o acusador privado. Ele cumpre a função de mover a máquina estatal contra o réu. Isso pode ser oneroso para o ofendido, pois ele assume a responsabilidade de conduzir a ação penal. • Ação Penal Pública Condicionada: O ofendido não chega a ser parte, pois a representação é apenas uma condição para o prosseguimento da ação. A partir do momento em que a representação é feita, o Ministério Público assume a condução do processo. 4.2. Assistente de acusação: O assistente de acusação é uma figura que atua ao lado do Ministério Público (MP) na defesa dos interesses da vítima em um processo penal. Ele pode ser o próprio ofendido ou seu representante legal, e sua função é auxiliar o MP na acusação. Art. 268. Em todos os termos da ação pública, poderá intervir, como assistente do Ministério Público, o ofendido ou seu representante legal, ou, na falta, qualquer das pessoas mencionadas no Art. 31. Art. 269. O assistente será admitido enquanto não passar em julgado a sentença e receberá a causa no estado em que se achar. Art. 270. O co-réu no mesmo processo não poderá intervir como assistente do Ministério Público. Art. 271. Ao assistente será permitido propor meios de prova, requerer perguntas às testemunhas, aditar o libelo e os articulados, participar do debate oral e arrazoar os recursos interpostos pelo Ministério Público, ou por ele próprio, nos casos dos arts. 584, § 1º, e 598. § 1o O juiz, ouvido o Ministério Público, decidirá acerca da realização das provas propostas pelo assistente. § 2o O processo prosseguirá independentemente de nova intimação do assistente, quando este, intimado, deixar de comparecer a qualquer dos atos da instrução ou do julgamento, sem motivo de força maior devidamente comprovado. 4.2.1. Natureza do Interesse para Intervir Existem duas teses sobre a natureza do interesse do assistente de acusação para intervir no processo: Amanda Rios • Tese Mais Restritiva: O interesse do assistente de acusação é exclusivamente na reparação do dano. O interesse na condenação existe apenas na medida em que ela reconhece a responsabilidade do agressor pelo dano causado. • Tese Mais Ampla: O interesse do assistente de acusação é na aplicaçãode uma pena justa, independentemente da reparação do dano. 4.2.2. Extensão do Direito de Recorrer Existem também duas teses sobre a extensão do direito de recorrer do assistente de acusação: • Tese Mais Restritiva: O assistente de acusação só pode recorrer em caso de sentença absolutória ou extintiva. • Tese Mais Ampla: O assistente de acusação pode recorrer até mesmo de uma sentença condenatória, buscando uma pena mais justa. Observação: O princípio do "non reformatio in pejus" é uma garantia do direito de defesa, que impede a piora da situação do réu em recurso exclusivo da defesa. Esse princípio não se aplica ao assistente de acusação, então o juiz poderia abrandar a pena de ofício. Decisão do STF: O Supremo Tribunal Federal decidiu que, se o Ministério Público não recorrer, o assistente de acusação pode interpor recurso mesmo após a sentença, desde que ainda não tenha ocorrido o trânsito em julgado. Isso se baseia na legitimidade do assistente de acusação não apenas para buscar a responsabilização do réu, mas também para buscar a aplicação de uma pena justa. Art. 272. O Ministério Público será ouvido previamente sobre a admissão do assistente. Art. 273. Do despacho que admitir, ou não, o assistente, não caberá recurso, devendo, entretanto, constar dos autos o pedido e a decisão. Art. 584. Os recursos terão efeito suspensivo nos casos de perda da fiança, de concessão de livramento condicional e dos ns. XV, XVII e XXIV do art. 581. § 1o Ao recurso interposto de sentença de impronúncia ou no caso do no VIII do art. 581, aplicar-se-á o disposto nos arts. 596 e 598. Art. 598. Nos crimes de competência do Tribunal do Júri, ou do juiz singular, se da sentença não for interposta apelação pelo Ministério Público no prazo legal, o ofendido ou qualquer das pessoas enumeradas no art. 31, ainda que não se tenha habilitado como assistente, poderá interpor apelação, que não terá, porém, efeito suspensivo. VERBETES DE SÚMULA - STF – Aprovados 13/12/1963 208 – o assistente do Ministério Público não pode recorrer, extraordinariamente, de decisão concessiva de "habeas corpus". Amanda Rios 210 – o assistente do Ministério Público pode recorrer, inclusive, extraordinariamente, na ação penal, nos casos dos arts. 584, S 1, e 598 do CPC. (EMENTAS) PROVAS 1. Entre a ficção e a história: o lugar da narrativa judicial Elementos probatórios - elementos de fixação daquela narrativa. A ficção é a história que você trará, ficção não é mentira, pois você traz como verdade. Verossimilhança não se cofunde com o real, mas apresenta uma proximidade da realidade. O processo judicial é uma máquina de reconstrução histórica, onde a sentença se vincula a uma das versões dos fatos discutidos. Quando falamos de processo, falamos de narrativas baseadas em elementos probatórios. Esses elementos são as âncoras que trazem verossimilhança à narrativa. O que Afasta o Jurista da Verdade Histórica • Tempo: O jurista não tem tempo para esclarecer tudo. Enquanto o historiador tem todo o tempo do mundo, o jurista tem o tempo necessário para que sua solução tenha uma aplicação prática. O processo deve ter uma duração razoável para ser eficaz. • Licitude da Prova: Nem toda prova pode ser admitida no direito, pois o processo judicial não se destina a revelar a verdade a qualquer custo. O processo tutela outros valores além da verdade. Não se pode fazer justiça violando o direito, nem cometer injustiças para alcançar a justiça. As provas para condenar devem ter limites, enquanto as provas para absolver têm uma aceitação maior, pois é mais grave condenar um inocente do que absolver um culpado. Provas ilícitas são mais frequentemente aceitas para absolver do que para condenar. • Solução em Caso de Dúvida: O princípio do "in dubio pro reo" (na dúvida, a favor do réu) é aplicado no direito, diferentemente da história, onde não há essa presunção. 1.1. A Ficção e o Problema da Verossimilhança A ficção não é uma mentira, pois não tem o objetivo de enganar. Ela deixa claro que não é real, mas pede para ser tratada como se fosse. A ficção não necessariamente se opõe à verdade, mas à realidade. Ela pressupõe verossimilhança, que não se confunde com o real, mas com o que mantém credibilidade. Deve ser algo que faz sentido narrativamente e que seja crível. 1.2. A narrativa histórica e o problema da veracidade: análise da narrativa histórica - vestígios, documentos e monumentos. junto com a ideia de verossimilhança e com os vestígios, documentos e monumentos a narrativa judicial parece histórica, mas não é (Nicory). Existem diferenças no trabalho do historiador e do juiz na construção da narrativa histórica. A diferença de narrativa histórica e narrativa judicial é o tempo, pois o jurista não tem o tempo de um historiador. • Vestígios, Documentos e Monumentos: Monumentos e documentos são construídos para registrar algo. Apenas possuir um desses elementos não conta uma história Amanda Rios completa; é necessário interpretar o contexto para entender seu significado. • Elementos de Prova no Processo: No processo judicial, os elementos de prova são âncoras para a verossimilhança. Não se pode apresentar uma prova que contradiga a narrativa, pois isso compromete a credibilidade da linha narrativa. • Objetivo: O objetivo é apresentar provas que convençam o julgador da nossa narrativa, aproximando-se da verdade dos fatos e permitindo que, através da livre apreciação da prova fundamentada, o juiz produza uma sentença. 1.3. A narrativa judicial e o problema do veredicto: Reconstrução do Passado: Tanto a narrativa judicial quanto a histórica são tentativas de reconstrução do passado, sem projetar o futuro. Diferenças entre Narrativa Judicial e Histórica: Tempo: O tempo disponível no processo judicial não permite que o jurista tenha os mesmos recursos de observação que o historiador. A necessidade de estabilizar as decisões limita a possibilidade de correção de erros, e mesmo que possam ser corrigidos, a decisão errada permanece válida até então. Justiça: Às vezes, a justiça leva em conta outros elementos além da verdade. Ficcionalidade: Um grande indicador da ficcionalidade é que, às vezes, o jurista deve descartar provas ilícitas que o jornalista e o historiador podem usar. 2. O problema da verdade na doutrina tradicional: verdade é a ideia de correspondência - relação entre uma afirmação e a realidade. Concepção de verdade quanto a correção. Ex.: se alguém dirige embriagado, atropela e mata uma pessoa. crime culposo ou doloso? Nicory defende que é culposo. Verdade: A verdade pode ser constatada em um momento posterior, mas decisões incorretas podem surtir efeitos até serem corrigidas. É impossível para o Estado buscar a verdade de todos os modos possíveis, pois a busca da verdade não pode significar a restrição ilimitada de direitos fundamentais. Os fins não justificam os meios, e a busca da verdade tem limitações, como a constitucionalidade. Conceito Clássico de Verdade: Existem várias concepções acerca da verdade, sendo a mais recorrente a ideia de correspondência. Ou seja, a verdade é uma relação correspondente entre uma afirmação que fazemos e os fatos sobre os quais fazemos essas afirmações. Existem outras concepções de verdade: • Correção: Relacionada à normatividade. É possível concordar com a descrição dos fatos, mas discordar do enquadramento normativo. Por exemplo, se uma pessoa acha que um ato é crime X e outra pessoa diz que é crime Y, pode- se dizer que a outra pessoa não está falando a verdade. • Sinceridade: Relacionada à ideia de mentira. A verdade como sinceridade implica que a pessoa está sendo honestade se manifestar e apresentar suas argumentações, contestando as alegações da outra parte1. Isso significa que cada parte tem o direito de influenciar na formação do convencimento do juiz, podendo apresentar provas, realizar perguntas às testemunhas e contrapor os argumentos da parte adversa1. 2.6.1. Informação: as partes devem ter acesso aos autos do processo e aos andamentos. A citação é um tipo de comunicação processual que informa o réu. Intimação também é um exemplo (usada para informar a condenação). Nem sempre é prévio, pois pode acontecer coisas no processo antes das partes saberem. 2.6.2. Reação: nem sempre é prévio. O direito a reação consiste no direito da parte de se manifestar sobre o que está nos autos. O último ato antes da sentença são as alegações finais (ocorrem depois da audiência de instrução) do MP e a defesa por último. 2.6.3. Paridade de armas: as duas partes devem ter oportunidades iguais de influenciar o juízo no processo, se não tiverem tem-se um processo desequilibrado. 2.7. Ampla Defesa: é fundamental para garantir que o acusado tenha todas as oportunidades possíveis de se defender adequadamente. A ampla defesa divide-se em 2 aspectos: Autodefesa e defesa técnica. 2.7.1. Autodefesa: é ter condições efetivas de fazer a defesa. Possibilidade de produzir prova, ter acesso a produção de prova. É o direito do próprio acusado de participar ativamente de sua defesa. Isso inclui: Direito de ser ouvido: O réu tem o direito de prestar depoimento, apresentar sua versão dos fatos e ser interrogado. Direito de presença: O réu pode estar presente em todos os atos processuais, como audiências e julgamentos. Direito de comunicação: O réu tem o direito de se comunicar com seu advogado e familiares. 2.7.2. Defesa técnica é realizada por um advogado, que pode ser escolhido pelo réu ou nomeado pelo Estado (defensor público). Esse aspecto inclui: Elaboração de peças processuais: O advogado prepara documentos como petições, recursos e defesas escritas. Representação em audiências: O advogado representa o réu em todas as fases do processo, apresentando argumentos e provas em sua defesa. Orientação jurídica: O advogado fornece aconselhamento jurídico ao réu, explicando os procedimentos e as possíveis consequências. Tempo razoável para fazer a defesa e acesso à produção de provas. CF – Art. 5, LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Amanda Rios Antigamente, o CP dizia que as testemunhas das 2 partes seriam intimadas para audiência. mas hoje, a testemunha de defesa só será intimada se o réu pedir, caso contrário ele deveria apresentar por conta própria. o réu deve ter o direito de intimar, porque a testemunha pode ter uma informação importante e não gostar do réu. → sistemas de garantia dessa defesa: -Pacto internacional de direitos civis e políticos: fala em se defender pessoalmente ou de ter direito a um defensor (se não tiver como pagar eles nomeiam um se for da conveniência da justiça). no BR só pode se auto representar se for advogado. O réu não pode abrir mão da defensoria pública - direito irrenunciável - se comprovarem insuficiência de recursos. Entretanto, mesmo ricos podem utilizar da defensoria pública, mas pagando honorários. 2.7.3. Direito a não se autoincriminar: autodefesa tem duas dimensões, a ativa e a passiva, essa é a passiva. está em todos os pactos (14,3, g - PIDCP; 8,2, g - CADH) e na CF (art. 5, LXIII). Direito de não se autoincriminar vai além do silêncio e, sim, do de não produzir prova contra si mesmo. No brasil, não se anula processo pela falta do aviso, pois não tem explicito quem e quando os seus direitos devem ser informados. A melhor forma de interpretar a CF seria de falar no primeiro contato, mas a jurisprudência permite hoje que isso seja só informado depois 2.7.4. Defensor natural: constituído de forma legal e prévia ao caso, ele é um defensor ad hoc. O réu não pode escolher o defensor, só se for pagar (advogado) decorre da lei e não da legislação, para ser equiparado com o promotor e com o juiz. A NORMA PROCESSUAL PENAL Texto Legal – CPP Art. 1o O processo penal reger-se-á, em todo o território brasileiro, por este Código, ressalvados: I - os tratados, as convenções e regras de direito internacional; II - as prerrogativas constitucionais do Presidente da República, dos ministros de Estado, nos crimes conexos com os do Presidente da República, e dos ministros do Supremo Tribunal Federal, nos crimes de responsabilidade (Constituição, arts. 86, 89, § 2º, e 100); III - os processos da competência da Justiça Militar; IV - Os processos da competência do tribunal especial (Constituição, art. 122, no 17); V - Os processos por crimes de imprensa. (Vide ADPF nº 130) Parágrafo único. Aplicar-se-á, entretanto, este Código aos processos referidos nos nos. IV e V, quando as leis especiais que os regulam não dispuserem de modo diverso. Amanda Rios Art. 2o A lei processual penal aplicar-se-á desde logo, sem prejuízo da validade dos atos realizados sob a vigência da lei anterior. Art. 3o A lei processual penal admitirá interpretação extensiva e aplicação analógica, bem como o suplemento dos princípios gerais de direito. 1. Fontes da norma processual penal: Norma é resultado da interpretação da lei. A norma está sempre relacionada com “é proibido”, “é permitido”. Normas processuais são dirigidas aos sujeitos processuais. Constituição, Tratados Internacionais, Leis e Jurisprudência Vinculante são fontes da norma processual penal. ➢ Código Penal Processual, Art. 2º - A lei processual penal aplicar-se-á desde logo, sem prejuízo da validade dos atos realizados sob a vigência da lei anterior. Uma norma processual se aplica antes da vigência dela desde que o processo não tenha chegado a essa fase. 2. Norma Processual no tempo 2.1. Normas processuais penais puras: normas processuais regula as outras normas, têm aplicação imediata, independentemente de ser mais benéfica ou prejudicial ao réu, não retroagem e nem são ultrativas. As normas processuais penais puras são aquelas que regulam exclusivamente os procedimentos e atos processuais no âmbito do direito penal, sem interferir diretamente nos direitos materiais do acusado. Essas normas incluem regras sobre prazos, formas de citação, mandados, entre outros aspectos processuais. Por exemplo, se uma nova lei processual penal é promulgada, ela se aplica imediatamente aos processos em andamento, sem afetar a validade dos atos já realizados sob a lei anterior (até concluso para sentença). Ex.: Caso Nardoni ocorreu em 29/03/2008 - Norma processual penal pura surgiu depois do fato, em que alterava algo em relação júri popular, a defesa dos réus pediu que a lei processual penal atingisse da mesma forma que o direito material penal. Entretanto, na data do júri essa opção de recurso tinha sido revogada. Foi ao STF – defesa dos réus alegaram que a lei não retroage a data do fato para prejudicar o réu. Mas, a legislação era de incidência imediata. Obs.: Não existe recurso para impedir uma manipulação da lei para atingir um caso em curso. 2.2. Normas processuais penais mistas: aquelas que contêm tanto elementos de direito penal material quanto de direito processual penal. Isso significa que elas regulam aspectos tanto do conteúdo penal (como a definição de crimes e penas) quanto do procedimento penal (como a forma de conduzir o processo). Características Principais: Conteúdo Material: Parte da norma que afeta diretamente os direitos e deveres do acusado, como a definição de crimes, penas e medidas de segurança.em suas afirmações. 2.1. "Verdade formal": o nível de renúncia que você faz na correspondência é maior na verdade formal. Para de se buscar antes de esgotar todos os meios possíveis. A "verdade formal" é aquela que as regras do processo permitem que se produza. O que não Amanda Rios está nos autos, não está no mundo – ou seja, é a verdade que se constrói e é aceita formalmente no processo. Doutrina Tradicional: A concepção tradicional do processo penal se contenta com a verdade formal. Outros entendem que o processo penal deveria buscar a verdade real, o que pode gerar autoritarismo, partindo da falsa premissa de que seria possível encontrar a verdade real e perfeita. 2.2. "Verdade real": correspondência perfeita, ou seja, conseguir explicar tudo, com todas as minúcias, os pensamentos dos agentes e decidir com base nisso. Mesmo que o crime seja gravado, não se alcança a verdade real, pois um pode alegar legítima defesa e o outro lesão corporal dolosa (exemplo). utopia – tentativa de alcançar aquilo que está no passado. Nunca vai alcançar de fato. • Dificuldade de Compatibilização com o CPP Acusatório: No Código de Processo Penal (CPP) acusatório, se o juiz tem dúvida e pode pedir uma diligência, isso vai contra o sistema acusatório, pois o juiz estaria investigando, contrariando o princípio do "in dubio pro reo" (na dúvida, a favor do réu). • Utopia: A verdade real é uma utopia, uma tentativa de alcançar o que está no passado. Nunca conseguiremos alcançar 100% da verdade real, pois só conseguiríamos isso considerando todos os elementos, como intenção e pensamento, o que seria absoluto e só poderia ser alcançado por Deus. 2.3. "Verdade processual": A "verdade processual" é a correspondência possível, que aceita as limitações para alcançar a verdade real. Mesmo quando eu tenho acesso a verdade, tem que ser restrito, pois a busca pela verdade pode ser violenta. Mesmo com acesso a informações, esse acesso é limitado, e a verdade processual se atenta àquilo que é possível dentro dessas limitações. • Aproximação da Verdade: A verdade processual envolve a formulação de hipóteses que devem ser testadas e refutadas. Quando uma hipótese não pode ser refutada, ela é considerada uma verdade provisória. A busca pela verdade real já foi abandonada, pois é reconhecido que não se pode alcançar uma correspondência perfeita. • Análise Constitucional: A verdade processual se vincula a uma aproximação da verdade com base em preceitos constitucionais, o que pode ser visto como uma aproximação ficcional da verdade. As regras processuais limitam a cognição de certas coisas. Verdade Processual vs. Verdade Formal • Nível de Renúncia: A verdade formal renuncia mais à busca pela correspondência perfeita do que a verdade processual. A verdade processual busca a correspondência possível, colocando em dúvida a principal hipótese (a acusatória) até que ela se sustente. Na verdade formal, pode-se parar antes de esgotar todos os meios possíveis. • Provas Ilegais: Na verdade processual, provas ilegais são descartadas, o que leva alguns, como Nicory, a defender que a verdade do processo é ficcional, pois deve-se agir como se essas provas não existissem, não buscando a verdade a todo custo. Amanda Rios Considerações Importantes • Negacionismo: Não se pode concluir que, por não se conseguir a correspondência perfeita, não há verdade alguma. O negacionismo deve ser evitado. • Castanheira: A verdade produzida no processo é a certeza possível, que é o que o juiz precisa para condenar. O contrário de certeza é incerteza, dúvida, e em caso de dúvida, aplica-se o princípio do "in dubio pro reo" (na dúvida, a favor do réu). A busca é pela correspondência possível. Diferença entre Verdade Formal e Processual • Tutela da Liberdade: A verdade formal exige que o processo seja mais favorável ao réu, por isso a confissão não é suficiente e a revelia não presume a veracidade dos fatos. Esse princípio dispositivo do processo civil não pode ser aceito no processo penal. • ANPP: O Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) traz questionamentos sobre qual verdade se aplica ao processo penal, pois no ANPP se aplica a verdade formal. Efeito Prático da Revelia no Processo Penal • Preclusão de Provas: A revelia pode resultar na preclusão da produção de algumas provas pela defesa, como o rol de testemunhas, embora nem todos os juízes aceitem isso. • Citação: No processo penal, a citação é pessoal, por hora certa (quando o réu está no endereço, mas se recusa a receber) e por edital. • Revelia: Quando o réu é citado e não comparece nem apresenta advogado, a Defensoria Pública assume sua defesa. 3. Teoria geral da prova 3.1. Conceito – A prova é um elemento apto a demonstrar a veracidade de uma afirmação, levando à ideia de correspondência. O passado é reconstruído por meio de vestígios, documentos, monumentos e memória: • Vestígios: Reminiscências do passado no presente. Quanto mais tempo passa, menos vestígios existem e mais falha a memória. • Documentos e Monumentos: Têm uma duração maior no tempo, mas trazem apenas uma visão do acontecimento. 3.2. Finalidade – A finalidade da prova é o convencimento do juiz. Produzir prova é tentar convencer o juiz da veracidade da narrativa apresentada. Mesmo que a prova não convença o juiz, se produzida de forma lícita, ela fica registrada nos autos. 3.3. Destinatários - juiz e partes – as partes também são destinatárias, por conta do princípio do contraditório. • Provas Comuns: Uma vez que os elementos entram no processo, eles pertencem a ambas as partes e não podem ser retirados para favorecer um lado. A prova é destinada e pertence a ambas as partes. • Negar Prova: Negar a produção de prova não contraria o direito subjetivo das partes, pois existe o controle do abuso de direito. O juiz pode controlar a produção probatória, mas de forma contida. O juiz não pode negar a produção de prova por já ter formado Amanda Rios uma opinião, pois há possibilidade de recurso. 3.4. Natureza jurídica - direito subjetivo. A produção de prova é um direito subjetivo das partes, pois está relacionada à pretensão de se exonerar ou minimizar o caos. 3.5. Objeto – fatos relevantes, fatos que necessitam de prova. Objeto de prova: o que precisa ser provado. O objeto da prova é o fato da vida que se quer reconstruir no processo. Exceções: Alguns fatos não precisam ser provados, como pressupostos de funcionamento ou fatos públicos/notórios (ex.: a lei vigente ou quem é o presidente). Esses fatos podem ser relevantes para o processo, mas não são objeto de prova. • Objeto da Prova: Refere-se aos fatos relevantes para o processo. É mais restrito, pois deve ter pertinência específica naquele processo. • Objeto de Prova: São os fatos que precisam ser provados no processo. O juiz pode indeferir a produção de prova se considerar que não é relevante para o caso em questão. 3.6. Fontes – pessoa ou coisa de que emana a prova. Um ser humano pode ser fonte física e testemunhal de prova. Ex.: corpo delito em caso de estupro. 3.7. Meios – instrumentos de produção de prova. Ex.: interceptação telefônica. O meio busca provar o objeto de prova. • Busca e Apreensão: Um meio de produção de prova, onde a prova é o que se busca. • Interceptação Telefônica: Outro meio de obtenção de prova. • Arquivo de Mídia: Considerado prova documental. Objeto de Prova e da Prova • Objeto de Prova: Refere-se aos fatos relevantes para o processo. Por exemplo, determinar se "Vidaloka" e "Neurótico" praticavam atividades no Stiep é um fato da vida que precisa ser provado. • Prova: Serve para provar o objeto deprova. Observação: Uma testemunha abonatória é aquela que depõe sobre a personalidade do agente. Isso não deve ser negado, pois na dosagem da pena, as circunstâncias judiciais do sujeito e seus antecedentes são analisados. Art. 155. O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório judicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas. Parágrafo único. Somente quanto ao estado das pessoas serão observadas as restrições estabelecidas na lei civil. OBS.: caput - provas da fase de investigação, se for só elemento do inquérito quando não tem contraditório, por ser inquisitiva, teria a possibilidade de um contraditório diferido. 4. Classificação da Prova 4.1. Quanto ao Objeto • Direta ou Positiva: A prova diretamente fala sobre o fato, afirmando o que se quer provar. • Indireta ou Negativa: A prova fala indiretamente sobre o fato, negando o que se quer provar. Exemplo: um álibi, que não fala diretamente do fato, mas sobre o agente, interferindo na narrativa ao indicar se ele estava ou não presente. Amanda Rios 4.2. Quanto ao Efeito ou Valor • Plena: Um conjunto probatório que traz certeza ou fortes convicções, suficiente para gerar uma sentença. Toca diretamente o fato. • Indiciária: Questões que apontam para a plausibilidade de um fato, trazendo indícios ou "fumaça" de que o delito existiu e foi cometido por aquela pessoa. Tangencia o fato. Utilizada, por exemplo, na decretação de medidas cautelares. 4.3. Quanto à Fonte • Real: Prova encontrada em coisas, como monumentos e documentos. • Pessoal: Prova encontrada em pessoas, como testemunhos e acusações. 4.4. Quanto à Forma • Testemunhal: Prova fornecida por testemunhas. • Documental: Prova em forma de documentos, incluindo modalidades digitais e audiovisuais. • Material: Prova física, como um objeto relacionado ao crime. 4.5. Quanto à Possibilidade de Renovação em Juízo • Irrepetível: Prova que só pode ser produzida uma vez nas circunstâncias específicas, geralmente no inquérito. Exemplo: testemunho de uma pessoa que faleceu ou perícia do corpo/local do crime. • Repetível: Prova que pode ser produzida novamente. Provas produzidas no inquérito que podem ser repetidas não podem ser usadas sozinhas para condenação, e nesse caso, cabe recurso. 4.6. Quanto ao Momento Procedimental • Cautelar Preparatória: Provas produzidas no inquérito. Exemplo: exame do cadáver, que não é cautelar, mas deveria ter um regime que permita a defesa interferir na produção do laudo. • Cautelar Incidental: Provas produzidas no meio do processo. Exemplo: produção antecipada de provas para evitar perecimento, mesmo com o processo suspenso. • Fase de Instrução: Provas produzidas durante a fase de instrução do processo. 4.7. Quanto à Previsão Legal • Nominada: Prova prevista na lei, como o testemunho. o Típica: Tem um rito específico para sua realização. o Atípica: Não tem um rito específico, embora prevista. • Inominada: Prova não prevista na lei, mas que pode ser apresentada desde que legal. 4.8. Quanto à Vinculação Legal • Prova Legal Positiva: Prova tarifada. Exemplo: para alegar estado civil ou idade, deve-se apresentar documento oficial. • Prova Legal Negativa: Prova que o juiz não admite como idônea para condenação, como elementos do inquérito. Amanda Rios 5. Limitações Probatórias Nem tudo que é passível de prova será autorizado no processo se o meio de obtenção for ilícito. Exemplos incluem abordagens policiais sem justa causa ou mandados de busca e apreensão além do limite. Art. 157 do CPP: A distinção entre provas ilícitas e ilegítimas é doutrinária, pois a lei trata apenas de provas ilícitas, abrangendo todas. 5.1. Prova Ilícita Provas que violam disposições de direito material ou princípios constitucionais. Não inclui provas infralegais (decretos, resoluções), que seriam irregulares. Exemplo: violação de domicílio sem mandado é uma violação de direito material. Se um mandado de busca e apreensão é cumprido e coleta-se mais do que autorizado, a prova é ilegítima por descumprir direito processual. Nestor: Provas ilícitas são imediatamente retiradas do processo, enquanto provas ilegítimas podem ser convalidadas. • CF - Art. 5º, LVI: "São inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos." • Art. 157 do CPP: "São inadmissíveis, devendo ser desentranhadas do processo, as provas ilícitas, assim entendidas as obtidas em violação a normas constitucionais ou legais." o § 1º: "São também inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas, salvo quando não evidenciado o nexo de causalidade entre umas e outras, ou quando as derivadas puderem ser obtidas por uma fonte independente das primeiras." o § 2º: "Considera-se fonte independente aquela que por si só, seguindo os trâmites típicos e de praxe, próprios da investigação ou instrução criminal, seria capaz de conduzir ao fato objeto da prova." o § 3º: "Preclusa a decisão de desentranhamento da prova declarada inadmissível, esta será inutilizada por decisão judicial, facultado às partes acompanhar o incidente." o § 5º: "O juiz que conhecer do conteúdo da prova declarada inadmissível não poderá proferir a sentença ou acórdão." (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vide ADI 6.298) - NÃO ESTÁ EM VIGOR, DECLARADO INCONSTITUCIONAL Anotações Dilema da Tortura: O dilema surge quando a tortura obtém uma prova verdadeira, levantando a questão de que, no processo, os fins não justificam os meios. O primeiro passo é o juiz reconhecer isso como tortura. o § 1º: Refere-se ao princípio dos "frutos da árvore envenenada". o § 5º: Declarado inconstitucional. O argumento é que não se pode presumir que o juiz está contaminado, devendo-se presumir a imparcialidade. Isso seria constitucional porque o processo protege não só a verdade, mas também outros direitos constitucionais. Isso faz Amanda Rios com que o juiz analise as próximas provas lícitas de forma a alcançar o resultado que a prova ilícita, embora verdadeira, indicava. o Observação: Não é vetado, pois veto é legislativo. Quando é inconstitucional, é "vide ADI XXX". 5.2. Prova Ilegítima Provas que violam normas processuais ou princípios constitucionais de mesma espécie. A lei abarca todas como ilícitas, mas a doutrina faz essa separação. 5.3. Prova Irregular Provas que, apesar de permitidas pela legislação processual, são obtidas em desconformidade com o procedimento legal. É uma tentativa de salvar a prova, mas, na prática, é semelhante à prova ilegítima. Descumprimento de uma norma processual de menor relevância prática, que a doutrina tenta aproveitar. 6. Teoria dos Frutos da Árvore Envenenada 6.1. Ilicitude por Derivação Juízo de causa e efeito, onde tudo que é originário de uma prova ilícita será inútil. A prova ilícita contamina tudo que dela decorre. A discussão é sobre o que pode ser salvo e o que não pode. • Observação: O Supremo entende que a decisão derivada de uma prova considerada ilegal posteriormente não precisa ser desentranhada do processo. • Observação 2: Aceitação de prova ilícita pro reo (em favor do réu) pode ser protegida pelo excludente de ilicitude do estado de necessidade, pois o réu teria acesso a algo que o inocenta. Mas nem tudo é aceito. 6.2. Exceções • 6.2.1. Fonte Absolutamente Independente: Não havendo causalidade entre a prova ilícita e a outra, não há razão para declarar a outra ilícita. Exemplo: Operação com várias equipes policiais, onde uma encontra o objeto sem comunicação com a equipeque torturava. o Texto de Lei: Art. 157, § 1º: "São também inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas, salvo quando não evidenciado o nexo de causalidade entre umas e outras, ou quando as derivadas puderem ser obtidas por uma fonte independente das primeiras." • 6.2.2. Descoberta Inevitável: Algo que se alcançaria no curso normal da investigação. Exemplo: Delegado já tinha o rol de testemunhas antes de obter informações por tortura. o Explicação: O nexo entre a prova ilícita e a outra existe, mas não foi definitivo para o encontro desta prova. A prova seria encontrada independentemente do ato ilícito. • 6.2.3. Conexão Atenuada: O nexo causal entre a prova ilícita e a outra existe, mas é tão frágil que não justifica anular a prova. o Crítica: Se há nexo, deveria haver contaminação. A prova ilícita contribuiu de qualquer Amanda Rios forma, deveria contaminar a consequente, independentemente da porcentagem de participação. • 6.2.4. Boa-fé: Se os agentes atuaram sem dolo, com boa fé subjetiva, a prova é salva de ser desentranhada do processo. Exemplo: Polícia arromba uma porta acreditando que há uma criança em cativeiro e encontra drogas. A entrada foi de boa-fé, então a prova é válida. o Princípio da Descoberta Acidental: Aceito se o encontro for fortuito. 7. Cadeia de Custódia da Prova Observação: Art. 158 fala que, quando o crime deixa vestígios, esses devem ser investigados. 7.1. Conceito Do caput do art. 158-A. A cadeia de custódia abrange todas as provas, inclusive digitais. Estabelece uma série de passos para o transporte e caminho do material, preservando a prova e verificando sua legalidade. Art. 158-A: Considera-se cadeia de custódia o conjunto de todos os procedimentos utilizados para manter e documentar a história cronológica do vestígio coletado em locais ou em vítimas de crimes, para rastrear sua posse e manuseio a partir de seu reconhecimento até o descarte. • § 1º: O início da cadeia de custódia dá-se com a preservação do local de crime ou com procedimentos policiais ou periciais nos quais seja detectada a existência de vestígio. • § 2º: O agente público que reconhecer um elemento como de potencial interesse para a produção da prova pericial é responsável por sua preservação. • § 3º: Vestígio é todo objeto ou material bruto, visível ou latente, constatado ou recolhido, que se relaciona à infração penal. 7.2. Procedimento O objetivo da cadeia de custódia é evitar a contaminação do vestígio, garantindo que ele não seja misturado com elementos não relacionados, o que poderia confundir o exame pericial. Seguir rigorosamente as regras da cadeia de custódia assegura que o melhor procedimento seja seguido. Qualquer exame pericial ou avaliação nos autos tem um grande peso de convencimento. No entanto, nem sempre essas provas são feitas de forma rigorosa. Às vezes, o procedimento não é descrito nos autos, o que compromete a credibilidade da prova. Respeitar a cadeia de custódia garante que a metodologia seja robusta e que a tecnicidade do vestígio seja correta. Texto de Lei: Art. 158-B até 158-F. Esses artigos descrevem as formas de registrar o caminho que a prova percorre. Todo o processo termina com o descarte do vestígio. Para garantir que a prova foi bem examinada e coletada, é necessário assegurar que tudo foi feito corretamente, pois, uma vez descartado, não há como recuperar o vestígio. Amanda Rios 8. Prova Emprestada 8.1. Conceito: A prova emprestada é a utilização de provas produzidas com contraditório em um processo para outro processo, sem repetir todo o procedimento probatório. O principal argumento é a economia processual e a duração razoável do processo. No entanto, há o risco de cerceamento de defesa, pois a defesa tem menos possibilidade de interferir na produção da prova. • Não se aceita a prova emprestada em todos os casos: O cerceamento de defesa é um risco, especialmente quando o contraditório posterior sobre o resultado obtido não é suficiente. 8.1.1. Requisitos para Aceitação da Prova Emprestada • Mesmas partes. • Mesmo fato probando: O objeto demonstrado pela prova/fatos deve se relacionar aos dois processos. • Submetida ao contraditório: Não se pode emprestar prova de inquérito, apenas as que foram submetidas ao contraditório. • Preenchimento dos requisitos formais da produção probatória. 8.2. Serendipidade (Descoberta Acidental) Encontro fortuito de provas. No exercício de uma diligência fundada em suspeita, encontram- se vestígios ou indícios de outros crimes. Esses elementos podem ser abarcados mesmo que não estejam previstos expressamente. Ao encontrar essa prova, ela pode não ter ligação com o crime inicial ou indicar outras pessoas, surgindo a possibilidade do empréstimo de provas. 9. Standards Probatórios Os standards probatórios determinam o quanto de prova o juiz precisa para condenar, estabelecendo um padrão mínimo para aferir a suficiência da motivação da prova do fato na decisão. Isso traz maior racionalidade e afasta o subjetivismo, exigindo que o juiz fundamente suas decisões com critérios racionais. 9.1. Prova Clara e Convincente • Verossimilhança (Clear and Convincing Evidence): Utilizada para instaurar a ação e para a prisão preventiva, mas não para a sentença. Requer demonstração de que o crime aconteceu, prova da materialidade e demonstração razoável de autoria. Não é suficiente para condenar, precisa de mais do que isso (aproximadamente 75%). 9.2. Preponderância da Prova • More Likely Than Not: Bastaria ser mais provável (50% + 1). O Brasil não adota esse padrão. 9.3. Prova Além de Toda Dúvida Razoável • Beyond Any Reasonable Doubt: O padrão que o Brasil, em tese, adota (99,9%). Deve-se constantemente falsear as histórias e levantar dúvidas razoáveis. Se a acusação não superar essas dúvidas, não é suficiente para condenar. Adendo do Professor: Prefere a teoria da certeza possível, mas entende por que a BARD é a mais citada na doutrina. • Certeza Possível: Condenação com uma certeza possível da ocorrência do Amanda Rios crime e da autoria. Desloca da verdade para a condição subjetiva do decisor. Quando existe prova capaz de dar essa certeza, o juiz deve fundamentar a sentença explicando isso. 10. Ônus da Prova O ônus da prova é inteiramente da acusação, pelo princípio do "in dubio pro reo". A prova cabe a quem alega, sem possibilidade de inversão do ônus da prova. O critério de valoração da prova contra o réu é mais exigente. O réu só pode ser condenado uma vez que a acusação supere a barreira da dúvida razoável. Ônus da Prova: Encargo atribuído à parte de provar aquilo que alega. Ônus: Posição jurídica na qual o sistema processual penal estabelece determinada conduta para que o sujeito possa obter o resultado que entende favorável. • Art. 386: A valorização do testemunho não significa uma inversão do ônus da prova. Na prática, isso pode resultar no rebaixamento do standard probatório, especialmente porque a vítima não é parte do processo. Situações Específicas de Risco de Inversão do Ônus da Prova • Tráfico X Usuário: Para evitar a inversão do ônus, deve-se interpretar de forma que o Ministério Público (MP) prove que o destino da droga seria a circulação. • Crimes Sexuais: A hipervalorização da fala da vítima exige uma análise cuidadosa da verossimilhança. A linha é muito tênue, e a posição da defesa é facilitada pelo princípio do in dubio pro reo. Sistemas de Gestão da Prova • Art. 155: O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório judicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos na investigação, exceto provascautelares, não repetíveis e antecipadas. Parágrafo único: Somente quanto ao estado das pessoas serão observadas as restrições estabelecidas na lei civil. Tipos de Convicção 1. Íntima Convicção: Aplicada ao júri, sem necessidade de justificativa. 2. Livre Convencimento Motivado: Aplicado ao juiz, que deve justificar suas decisões. 3. Prova Tarifada/Legal: Provas que só podem ser provadas por um meio específico, com hierarquias estabelecidas entre as provas. Princípios da Prova 1. Autorresponsabilidade das Partes: As partes assumem as consequências de suas inações. Se não se desincumbirem do ônus da prova, devem aceitar as consequências. 2. Contraditório: A prova só se forma mediante contraditório, permitindo que ambas as partes questionem a prova. 3. Comunhão: A prova pertence ao processo, não a uma parte específica, e só pode ser desentranhada com anuência da outra parte. 4. Oralidade: Predomínio da palavra falada no processo, com atos concentrados em uma audiência. Amanda Rios 5. Publicidade: Necessidade de conhecimento dos autos do processo, com publicidade interna e externa, garantindo transparência e proteção ao réu. Proteção de Testemunhas A identidade da testemunha é essencial para a defesa, mas deve ser protegida. Programas de proteção a vítimas e testemunhas são uma solução, embora na prática, a pessoa possa mentir para se proteger. Questões e Processos Incidentais 1. Classificação dos Incidentes Existem questões no processo que podem alterá- lo e que podem ser discutidas no próprio processo ou em um processo apartado, os chamados processos incidentes. Nem sempre o processo penal vai lidar com essas questões, mas quando são arguidas, podem mudar os rumos do processo. Um exemplo importante é o incidente de insanidade mental, que se suscita em alguns processos para avaliar a sanidade do réu, determinando se ele é imputável ou não, e se pode ser condenado pelo ato que cometeu. 1.1. Quanto à Profundidade Meritória: 1.2. Quanto à Finalidade: • 1.2.1. Questões Tipicamente Preliminares: • 1.2.2. Questões de Natureza Acautelatória Patrimonial: • 1.2.3. Questões Tipicamente Probatórias: 2. Exceções Teses que podem ser suscitadas pelas partes, mas que devem ser processadas em apartado da ação principal. Quando suscitadas pela defesa, devem ser apresentadas na mesma ocasião da resposta à acusação. Além de suscitar a defesa, deve-se opor as exceções, que são processadas e julgadas em apartado. Relacionam-se com sujeitos processuais e condições da ação, mas estão ligadas aos autos da ação principal. → Lista das Exceções: Art. 95 do CPC 3.1. Suspeição: Vício de parcialidade do juiz de natureza subjetiva. • Obs: Impedimento, quando não listado entre as exceções, deve ser apresentado como preliminar na resposta à acusação. A exceção é uma petição separada no mesmo prazo da resposta. → Texto de Lei: • Art. 96: A arguição de suspeição precederá a qualquer outra, salvo quando fundada em motivo superveniente. • Art. 97: O juiz que espontaneamente se declarar suspeito deverá fazê-lo por escrito, declarando o motivo legal, e remeterá imediatamente o processo ao seu substituto, intimadas as partes. • Art. 98: Quando qualquer das partes pretender recusar o juiz, deverá fazê-lo em petição assinada por ela própria ou por procurador com poderes especiais, aduzindo suas razões acompanhadas de prova documental ou do rol de testemunhas. • Art. 99: Se reconhecer a suspeição, o juiz sustará a marcha do processo, mandará juntar aos autos a petição do recusante Amanda Rios com os documentos que a instruam, e por despacho se declarará suspeito, ordenando a remessa dos autos ao substituto. • Art. 100: Não aceitando a suspeição, o juiz mandará autuar em apartado a petição, dará sua resposta dentro de três dias, podendo instruí-la e oferecer testemunhas, e, em seguida, determinará que os autos da exceção sejam remetidos, dentro de 24 horas, ao juiz ou tribunal competente para o julgamento. o § 1º: Reconhecida preliminarmente a relevância da arguição, o juiz ou tribunal, com citação das partes, marcará dia e hora para a inquirição das testemunhas, seguindo-se o julgamento, independentemente de mais alegações. o § 2º: Se a suspeição for manifestamente improcedente, o juiz ou relator a rejeitará liminarmente. • Art. 101: Julgada procedente a suspeição, serão nulos os atos do processo principal, pagando o juiz as custas, no caso de erro inescusável; rejeitada, evidenciando-se a malícia do excipiente, a este será imposta a multa de duzentos mil-réis a dois contos de réis. • Art. 102: Quando a parte contrária reconhecer a procedência da arguição, poderá ser sustado, a seu requerimento, o processo principal, até que se julgue o incidente da suspeição. 3.2. Incompetência do Juízo: Pode ser de prerrogativa de função (instância), material e territorial. As duas primeiras são consideradas absolutas e a última relativa, ou seja, só a territorial preclui. Territorial, segundo entendimento predominante, é relativa também, ou seja, não suscitada na primeira oportunidade na primeira manifestação da parte autora, preclui. Para alguns, deveria ser absoluta. 3.3. Litispendência: Quando há mais de uma ação sobre o mesmo evento criminoso com as mesmas partes. Não pode sustentar ambas, deve- se ver qual vai prevalecer para evitar decisões contraditórias. 3.4. Ilegitimidade da Parte: Suscitar ilegitimidade de parte é diferente de negar a autoria. Ilegitimidade de parte é mais restrito, é um erro de identificação mais extremo do que dizer que não foi ele, como dizer que citaram a parte errada. Questões e Processos Incidentais 1. Classificação dos Incidentes Existem questões no processo que podem alterá- lo e que podem ser discutidas no próprio processo ou em um processo apartado, os chamados processos incidentes. Nem sempre o processo penal vai lidar com essas questões, mas quando são arguidas, podem mudar os rumos do processo. Um exemplo importante é o incidente de insanidade mental, que se suscita em alguns processos para avaliar a sanidade do réu, determinando se ele é imputável ou não, e se pode ser condenado pelo ato que cometeu. 1.1. Quanto à Profundidade Meritória: 1.2. Quanto à Finalidade: • 1.2.1. Questões Tipicamente Preliminares: Amanda Rios • 1.2.2. Questões de Natureza Acautelatória Patrimonial: • 1.2.3. Questões Tipicamente Probatórias: 2. Exceções Teses que podem ser suscitadas pelas partes, mas que devem ser processadas em apartado da ação principal. Quando suscitadas pela defesa, devem ser apresentadas na mesma ocasião da resposta à acusação. Além de suscitar a defesa, deve-se opor as exceções, que são processadas e julgadas em apartado. Relacionam-se com sujeitos processuais e condições da ação, mas estão ligadas aos autos da ação principal. → Lista das Exceções: Art. 95 do CPC 3.1. Suspeição: Vício de parcialidade do juiz de natureza subjetiva. • Obs: Impedimento, quando não listado entre as exceções, deve ser apresentado como preliminar na resposta à acusação. A exceção é uma petição separada no mesmo prazo da resposta. → Texto de Lei: • Art. 96: A arguição de suspeição precederá a qualquer outra, salvo quando fundada em motivo superveniente. • Art. 97: O juiz que espontaneamente se declarar suspeito deverá fazê-lo por escrito, declarando o motivo legal, e remeterá imediatamente o processo ao seu substituto, intimadas as partes. • Art. 98: Quando qualquer das partes pretender recusar o juiz, deverá fazê-lo em petição assinada por ela própria ou por procurador com poderes especiais, aduzindo suas razões acompanhadas de prova documental ou do rol de testemunhas. • Art.99: Se reconhecer a suspeição, o juiz sustará a marcha do processo, mandará juntar aos autos a petição do recusante com os documentos que a instruam, e por despacho se declarará suspeito, ordenando a remessa dos autos ao substituto. • Art. 100: Não aceitando a suspeição, o juiz mandará autuar em apartado a petição, dará sua resposta dentro de três dias, podendo instruí-la e oferecer testemunhas, e, em seguida, determinará que os autos da exceção sejam remetidos, dentro de 24 horas, ao juiz ou tribunal competente para o julgamento. o § 1º: Reconhecida preliminarmente a relevância da arguição, o juiz ou tribunal, com citação das partes, marcará dia e hora para a inquirição das testemunhas, seguindo-se o julgamento, independentemente de mais alegações. o § 2º: Se a suspeição for manifestamente improcedente, o juiz ou relator a rejeitará liminarmente. • Art. 101: Julgada procedente a suspeição, serão nulos os atos do processo principal, pagando o juiz as custas, no caso de erro inescusável; rejeitada, evidenciando-se a malícia do excipiente, a este será imposta a multa de duzentos mil-réis a dois contos de réis. • Art. 102: Quando a parte contrária reconhecer a procedência da arguição, poderá ser sustado, a seu requerimento, o processo principal, até que se julgue o incidente da suspeição. Amanda Rios 3.2. Incompetência do Juízo: Pode ser de prerrogativa de função (instância), material e territorial. As duas primeiras são consideradas absolutas e a última relativa, ou seja, só a territorial preclui. Territorial, segundo entendimento predominante, é relativa também, ou seja, não suscitada na primeira oportunidade na primeira manifestação da parte autora, preclui. Para alguns, deveria ser absoluta. 3.3. Litispendência: Quando há mais de uma ação sobre o mesmo evento criminoso com as mesmas partes. Não pode sustentar ambas, deve- se ver qual vai prevalecer para evitar decisões contraditórias. 3.4. Ilegitimidade da Parte: Suscitar ilegitimidade de parte é diferente de negar a autoria. Ilegitimidade de parte é mais restrito, é um erro de identificação mais extremo do que dizer que não foi ele, como dizer que citaram a parte errada. 3.5. Coisa Julgada: Situação em que uma nova ação é proposta, mas a anterior já transitou em julgado. Prova 1-23: Não cai 24-27: Cai 28 e 28-A: Não cai 29-60: Cai 95-111: Cai (light) 155-159: Cai 240-273: Cai Condições da Ação Pode haver uma ação penal e pode ser perguntado se as condições da ação estão presentes, ou pode ser uma pergunta indireta sobre isso. Prova (Art. 158-159) A prova é um elemento que ajuda a reconstruir o passado, pois sempre se julga o passado, mesmo que seja para produzir efeitos no futuro, como a absolvição ou condenação, pacificar o sentimento de injustiça e indenizar a vida. Nos mesmos termos que os historiadores utilizam, vestígios, monumentos, documentos e memória, todos esses elementos podem ser entendidos como reminiscências do passado no presente, e é isso que a prova é. A intencionalidade de criação do documento tem um filtro prévio que o vestígio em tese não tem. A reconstrução é fictícia pois não se pode trabalhar com todos os elementos disponíveis, nem todos esses elementos estão disponíveis para o julgador pela maneira de produção. O julgador deve abrir mão de provas disponíveis pela ilicitude de sua produção. Além disso, não se pode ter o distanciamento temporal que o historiador tem. O juiz não pode demorar tanto tempo, deve decidir o mais rápido possível pois ele interfere na realidade para transformá-la. Tem prazos a cumprir pois precisa interferir na realidade, se não ela é inútil. Isso limita os poderes de reconstrução do passado. A reconstrução é fictícia pela recusa de determinados elementos e pela coisa julgada, que estabiliza uma verdade mesmo que depois ela não se mostre factual. Por isso, o processo precisa ter um tempo curto. A declaração de prescrição também é uma limitação, estabelecendo o equilíbrio. Os recursos à disposição do historiador são maiores do que os disponíveis para o juiz, tanto em termos de tempo quanto de licitude. Nem todos os elementos acessíveis Amanda Rios podem ser acessados, pois prevalecem outros interesses que não a reconstrução, como a equivalência. O que está às mãos do juiz é menos do que está nas mãos do historiador. → Cadeia de Custódia: Série de procedimentos necessários para garantir a integridade do vestígio. O momento chave é a fixação. Existem movimentos preliminares para fixar a cena como ela estava e depois passa para a coleta. Só se retira quando estabiliza. Antes, isso era para a produção de documentos, mas agora é para todos. → Depoimento da Vítima: Melhor forma de construir e evitar revitimização (pelos outros interesses). → Cross Examination: Possibilidade de inquirir a testemunha da parte contrária. Standards Probatórios Alguns autores falam de porcentagens em diferentes standards probatórios: • Preponderância da Prova: 51-49, mais provável do que não. • Prova Clara e Convincente: O que garante a aparência. Às vezes as aparências enganam. • BARD (Beyond a Reasonable Doubt): Com a certeza possível de que aquela pessoa é culpada. Quanto isso é mensurável? A doutrina fala de 99-1, mas não se tematiza na prática. O que ocorre é o 100 para o juiz, a suficiência da prova. Dúvidas razoáveis seriam as teorias da conspiração. O 100 para a doutrina seria a correspondência perfeita, o que não existe, mas no ânimo subjetivo do julgador é 100. A discussão é doutrinária, para dizer quando o juiz deve se convencer, o que é necessário para ele se convencer. Para o Brasil, a doutrina diz que devemos adotar o parâmetro (tradução melhor para standard) que o fato deve estar provado para além de toda dúvida razoável. Sobre o BARD, é o parâmetro para condenar uma pessoa. Mas outras decisões podem ser tomadas ao longo do processo que podem afetar a vida da pessoa, que não são pelo BARD, mas pela prova clara e convincente, como uma prisão preventiva ou aceitar a denúncia. O parâmetro nesse caso é menor, o máximo é só para condenar. → **Sistema de Valoração da ProvaAmanda Rios Conteúdo Processual: Parte da norma que regula os procedimentos a serem seguidos durante o processo penal, como prazos, formas de citação e mandados. Aplicação: Retroatividade: A parte material das normas mistas segue o princípio da retroatividade benéfica, ou seja, aplica-se retroativamente se for mais favorável ao réu Aplicação Imediata: A parte processual das normas mistas aplica-se imediatamente, conforme o princípio do tempus regit actum, sem retroagir, mesmo que seja prejudicial ao réu. Exemplo: Art. 366 do CPP que trata da suspensão do processo e do prazo prescricional se o acusado não comparecer após ser citado por edital. A suspensão do processo é um aspecto processual, enquanto a suspensão do prazo prescricional é um aspecto material 3. Norma processual penal no Espaço Refere-se à aplicação das leis processuais penais em relação ao território onde o crime foi cometido. No Brasil, essa aplicação é regida principalmente pelo princípio da territorialidade, que estabelece que as normas processuais penais brasileiras se aplicam a todos os crimes cometidos dentro do território nacional. Princípios Básicos: Territorialidade: As normas processuais penais brasileiras aplicam-se a todos os crimes cometidos no território brasileiro, independentemente da nacionalidade do autor ou da vítima1. Extraterritorialidade: Em alguns casos específicos, a lei processual penal brasileira pode ser aplicada a crimes cometidos fora do território nacional, conforme previsto no artigo 7º do Código Penal1. Exceções: Existem algumas exceções ao princípio da territorialidade, como: Tratados e convenções internacionais: Quando o Brasil é signatário de tratados ou convenções internacionais que dispõem de forma diferente2. Prerrogativas constitucionais: Casos envolvendo autoridades com prerrogativas específicas, como o Presidente da República e ministros do Supremo Tribunal Federal2. Aplicação Prática: Mesmo que um ato processual precise ser realizado no exterior, como uma citação ou oitiva de testemunha, a lei processual penal aplicável será a do país onde o ato é realizado. No entanto, para atos realizados no Brasil em cooperação com autoridades estrangeiras, aplica-se a lei processual brasileira2. Agentes diplomáticos aqui acreditados, como embaixadores, secretários de embaixada, bem como seus familiares, além dos funcionários de organizações internacionais, tal qual a ONU, terão a aplicação da lei material do seu respectivo país, e por via de consequência o processo irá tramitar lá. O Tribunal Penal Internacional é que ele tem jurisdição subsidiária, apenas quando o país não faz valer a lei penal, especialmente nos crimes de guerra e contra a humanidade. O TPI integra a própria Justiça brasileira. Destaca-se que a pelo princípio adotado (territorialidade estrita), a lei processual não tem extraterritorialidade, ao Amanda Rios contrário do que ocorre com a lei penal. Porém, há exceções a essa possibilidade, sendo elas: a aplicação da lei processual brasileira em território nullius; em havendo autorização de um determinado país. para que o ato processual a ser praticado em seu território o fosse de acordo com a lei brasileira; e nos casos de território ocupado em tempo de guerra. 4. Eficácia e interpretação da lei Art. 3º, CPP - A lei processual penal admitirá interpretação extensiva e aplicação analógica, bem como o suplemento dos princípios gerais de direito. Regime mais flexível, pois aceita integração prejudicial ao réu no caso de lacuna - interpretação (norma não é clara) x integração(lacuna). Interpretação existe em todos os casos. Integração - vazio que precisa ser preenchido (analogia, costumes e princípios gerais de direito). Norberto Bobbio - teoria do ordenamento jurídico - lacuna não é ausência de solução para o caso, mas um excesso de soluções para o caso. Uma das possibilidades é dar o tratamento oposto as normas previstas (norma geral exclusiva - tudo que não está juridicamente proibido está juridicamente permitido) ou faz analogia que é dar o mesmo tratamento ao caso não previsto de um caso previsto semelhante (norma geral inclusiva - analogia). como escolher: às vezes o sistema proíbe analogia. Quando permite analogia, as mesmas razões para dar o tratamento ao caso previsto estão presentes no não previsto? se sim faz analogia, se não, não faz. Quando tiver 2 casos semelhantes com tratamentos opostos e um terceiro caso sem previsão, então tem que ver qual deles carrega as razões mais próximas para escolher o tratamento do terceiro. Não vale a teoria de Arnaldo Cezar Coelho - a régua é clara → isso foi superado há muito tempo. CPC 2015 trouxe disposições claras do que é uma decisão fundamentada, isso não tem no CPP. Então, usa-se por analogia para mostrar que o dever da fundamentação das decisões foi violado. Hoje, tem no pacote anticrime, mas quando não tinha se usava o CPC. SISTEMAS PRELIMINARES DE INVESTIGAÇÃO Existem várias formas de investigar e vários órgãos responsáveis pela investigação. 1. Fase preliminar da Persecução Penal Primeira parte da Persecução Penal, parte preliminar, movimentação do aparato do estado quando o crime é cometido (exercício do poder punitivo do Estado). Dividido em duas fases: investigação (pré-processual) e processo. Primeira parte (investigação) da persecução penal é inquisitorial. A Segunda parte (processo) da persecução penal é acusatória (submissa ao contraditório e ampla defesa). O processo é desencadeado pela propositura de ação penal perante o Judiciário. Direito de defesa é exercido diferente na fase preliminar e na fase processual. Existem formas diferentes de investigar e vários Amanda Rios órgãos diferentes de investigação A polícia civil ou federal (polícias judiciárias) são as principais responsáveis pela investigação. Mas outros órgãos podem investigar crimes. Temos expressas na constituição, a forma do inquérito policial e o inquérito parlamentar. A jurisprudência tem aceitado investigação direta pelo ministério público. É contrária à própria natureza do juiz ser investigador, não que ele não participe, participa - juiz de garantias - pois determinadas informações que a polícia precise para reconstruir o fato histórico, só pode obter mediante autorização judicial. -> investigação tem prazo determinado para investigar, do mesmo jeito que se aplica a prescrição no processo. Se o réu está solto - dura 30 dias. Pode ter prorrogação do prazo uma vez, em regra, mas na prática isso ocorre mais. Se o réu está preso - 10 dias (conta do dia que foi preso, mesmo que seja de noite), com o juiz de garantias isso vai poder prorrogar também apenas uma vez. Pode ter mais dilação No caso de investigações sobre tráfico de drogas, a Lei 11.343/06 estabelece que o prazo para conclusão do inquérito policial é de 30 dias se o indiciado estiver preso e de 90 dias se estiver solto12. Esses prazos podem ser duplicados pelo juiz, ouvido o Ministério Público, mediante pedido justificado da autoridade de polícia judiciária12. → investigação criminal parte do possível fato criminoso: evento que se dá na realidade que pode ou não ser um crime. Ex.: morte violenta pode não ser criminosa, pode ser por um suicídio ou por um acidente (Gugu Liberato). Investigação para afastar um possível homicídio e confirmar um possível suicídio. Em uma morte violenta, precisa-se descobrir a causa e, no caso de Gugu, não foi por causa de um terceiro, mas às vezes é, daí se tem uma responsabilidade morte violenta e desaparecimento de pessoa - pode não ser crime Na maioria das vezes, tem-se um crime e tenta descobrir as circunstâncias para descobrir quem é o autor. Inquérito não segue o princípio acusatório,é inquisitorial. Figura do investigador é concentrada, diferente do processo em que se tem partes que se impõem perante uma autoridade imparcial. Na investigação, têm um investigador que concentra esse papel e volta a pergunta de quem deve investigar. 1.1. Inquérito: Serve para não expor desnecessariamente a pessoa sem elementos mínimos contra ela. É preciso antes de acusar, investigar. Para acusar com responsabilidade, precisa investigar antes. A principal responsável é a Polícia Judiciária, mas outros órgãos podem também exercer sua função. O inquérito é sigiloso, pois tem duas funções: impedir que o investigado atrapalhe e a outra e que ele não seja exposto precocemente. Há a verificação de procedência das informações (VPI). Por exemplo: a notícia-crime levada ao conhecimento da autoridade policial é verificada a procedência das informações para assim ser instaurado o inquérito. O inquérito é um procedimento de índole eminentemente administrativa, de caráter informativo, preparatório da ação penal. Rege-se pelas regras do ato administrativo em geral. Amanda Rios 1.1.1. Policial: Feito pela polícia civil (crimes da justiça estadual) e polícia federal (crime da justiça federal). Polícia civil = polícia judiciária (polícia investigativa -> polícia judiciária é a estrutura do estado que tem o papel de investigar os crimes). O que se opõe a polícia judiciária é a polícia ostensiva, que na nossa estrutura é a polícia militar (no âmbito federal é a polícia rodoviária). Obs.: apesar de ser nomeado como polícia judiciária está atrelada ao poder executivo. Na verdade, todas as polícias estão ligadas ao poder executivo, exceto as polícias legislativas (ligada ao tribunal de contas). Todas as polícias podem prender, todos podem prender em flagrante, não precisa ser agente de segurança pública. Inquérito policial é a investigação preliminar mais comum. - Caráter sigiloso do inquérito policial: tem função de impedir que o investigado atrapalhe e impedir que ele seja exposto precocemente, ou seja, há o interesse de se preservar a imagem do investigado antes que se tenha elementos mínimos contra ele. Obs.: Investigação é sigilosa, processo é público. Ex.: Bolsonaro - investigação das urnas. Art. 20. A autoridade assegurará no inquérito o sigilo necessário à elucidação do fato ou exigido pelo interesse da sociedade. Parágrafo único. Nos atestados de antecedentes que lhe forem solicitados, a autoridade policial não poderá mencionar quaisquer anotações referentes a instauração de inquérito contra os requerentes. A polícia responsável pela investigação de infrações penais é a polícia judiciária, chamada de civil nos estados e de federal na união. Delegado é ligado a polícia civil, a autoridade que preside os inquéritos. Polícia militar, na prática, é a mão armada do governador. CF fala em delegado de polícia de carreira (antes tinha delegado de calça curta - não passaram no concurso, mas foram nomeados). 1.1.2. Parlamentar: CPI - comissão parlamentar de inquérito. Previsto na constituição. Um inquérito parlamentar, mais conhecido como Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), é um instrumento de fiscalização do Poder Legislativo. Ele é utilizado para investigar fatos de grande relevância para a vida pública e a ordem constitucional, legal, econômica ou social do país12. Características Principais da CPI Composição e Criação: As CPIs podem ser criadas pela Câmara dos Deputados, pelo Senado Federal, ou por ambas as casas conjuntamente (CPI mista). Também podem ser formadas em Assembleias Legislativas estaduais e Câmaras Municipais12. Para a criação de uma CPI, é necessário o requerimento de pelo menos um terço dos membros da casa legislativa correspondente2. Objetivo: Amanda Rios Investigar um evento específico que justifique a investigação2. As CPIs têm prazo certo para concluir seus trabalhos, que pode ser prorrogado conforme necessário2. Poderes: As CPIs possuem poderes de investigação próprios das autoridades judiciais, como convocar testemunhas, requisitar documentos e realizar diligências12. Apesar de não terem poder de julgar, suas conclusões podem ser encaminhadas ao Ministério Público para que sejam tomadas as medidas judiciais cabíveis1. Importância: As CPIs são fundamentais para a transparência e a fiscalização dos atos do governo e da administração pública1. Elas permitem que o Legislativo exerça seu papel de controle sobre o Executivo, investigando possíveis irregularidades e promovendo a responsabilidade dos envolvidos2. Obs.: a competência da polícia federal é mais ampla que a da justiça federal em âmbito penal (ex.: tráfico interestadual é investigado pela polícia federal e julgado pela justiça estadual) - pode ser só de uma casa ou de ambas -1/3 dos membros, objeto determinado e prazo certo → relatório ao final é enviado ao ministério público, titular pela ação penal, órgão responsável por processar os réus. Se o MP acha que não tem crime, ele não processa. O MP não pode mandar prender, não pode ordenar prisão preventiva temporária. MP pode: depois de todos os inquéritos denunciar, propor ANPP, pedir diligências complementares, declinar da atribuição, propor o arquivamento. Ex.: CPI da covid - entendeu que eram culpados e mandaram o relatório para o procurador geral da república, porque Bolsonaro era o presidente na época. 1.2. Investigação direta pelo Ministério Público: MP pode denunciar. MP pode ver que a investigação está precária e pedir diligências complementares. MP pode ver que aquela denúncia não levou a nada (caso de prescrição) e solicitar o arquivamento. O pedido de arquivamento é homologado judicialmente. A polícia militar não pode investigar, pois é ostensiva. Autoridade policial na polícia civil é designada ao delegado. Autoridade policial na polícia militar é o oficial. Fundamentação Legal: O MP tem a prerrogativa de realizar investigações criminais de forma direta, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF). Essa possibilidade está baseada na interpretação dos artigos 127 e 129 da Constituição Federal, que conferem ao MP a função de defender a ordem jurídica e os interesses sociais e individuais indisponíveis12. Limites e Condições: Amanda Rios A investigação pelo MP deve respeitar os direitos e garantias fundamentais dos investigados, como o contraditório e a ampla defesa2. O MP pode atuar diretamente em casos onde há omissão ou ineficácia da polícia, ou quando a investigação envolve membros da própria polícia2. Procedimentos: O MP pode requisitar documentos, ouvir testemunhas, realizar perícias e outras diligências necessárias para a apuração dos fatos2. As investigações conduzidas pelo MP devem ser documentadas e seguir os mesmos princípios de legalidade e transparência aplicáveis às investigações policiais2. Controvérsias: Há divergências sobre a extensão desse poder. Alguns juristas argumentam que a investigação criminal deve ser exclusiva da polícia judiciária, conforme o artigo 144 da Constituição Federal2. Outros defendem que o poder investigativo do MP é essencial para garantir a imparcialidade e a eficácia na apuração de crimes, especialmente em casos de corrupção e crimes cometidos por agentes públicos1. O MP pode fazer a investigação por autoridade própria. Poder geral - sempre pode investigar a polícia (é o responsável pelo controle externo da atividade policial). MP pode investigar por conta própria, promover, ou requisitar, falar para a polícia fazer. Faz o controle externo da atividade policial: CF não fala que o MP tem um controle externo da atividade investigativa, apenas da policial (externo porque interno é pelas corregedorias).Obs.: autoridade policial - nem todo policial é autoridade policial, esses são apenas os delegados de polícia (militar é o oficialato), mas outros agentes policiais não podem ser chamados de autoridades policiais. Em resumo, o Ministério Público pode realizar investigações criminais diretamente, mas deve fazê-lo dentro dos limites legais e respeitando os direitos dos investigados. Essa atuação é vista como uma forma de complementar o trabalho da polícia e garantir maior eficiência na persecução penal. 2. Inquérito Policial: 2.1. Características 2.1.1. Discricionariedade: A margem de liberdade dentro da lei para escolher. O delegado vai definir na cabeça dele a melhor linha de investigação, escolhe quem vai chamar primeiro, a melhor estratégia, etc. Margem de liberdade dentro da lei para escolher entre opções possíveis de forma a melhor realizar o interesse público. Ex.: a decisão da polícia de pedir as câmeras de um lugar (não precisa de decisão judicial). 2.1.2. Forma escrita: existem até atos que não são escritos, mas são reduzidos a termo, como os depoimentos orais e a reconstituição do crime (dramatização do crime). Reconstituição serve para ver se as hipóteses, seja do investigador, seja da defesa, são possíveis na prática. Amanda Rios 2.1.3. Sigilo: a investigação policial é sigilosa, ou seja, tudo o que ocorre de vazamento de investigação policial é ilegal. Liberdade de imprensa: o certo é punir quem vazou e não quem publicou. O sigilo da fonte torna isso mais complicado, pois a fonte policial está violando um sigilo e se protegendo com outro. 2.1.4. Oficialidade: atos tem que ser oficiais, seguir os ritos devidos. Exemplo: pedir um relatório pelo WhatsApp é uma forma não oficial de agir, isso está falando da comunicação nos autos, mas na prática todos se comunicam por fora. O WhatsApp está sendo oficializado na "tora", pois é difícil verificar a veracidade de quem recebe. 2.1.5. Oficiosidade: a polícia pode agir de ofício, sem que ninguém o provoque em casos de ação penal pública incondicionada. Crimes de ação penal privada precisa da autorização da vítima, bem como crimes de ação penal pública condicionada. O próprio tipo penal diz qual tipo de ação penal vai ser, a única exceção é a lesão corporal leve e culposa, que tá na lei dos juizados especiais, e não no tipo penal, lei diz: “só se procede mediante queixa” (ação penal privada) ou “só se procede mediante representação” (ação penal pública condicionada). 2.1.6. Indisponibilidade: o delegado não tem poder de arquivar o processo/ inquérito, apenas conclui as investigações e manda para o ministério público avaliar se arquiva ou não e submete ao juiz para validar ou não esse arquivamento. Quem decide o destino do inquérito policial não é o delegado, ele conclui o inquérito, manda para o MP e o MP decide o que faz, inclusive mandar para ele investigar mais. 2.1.7. Inquisitoriedade: não existe a separação de funções de acusar e julgar, a figura do investigador é uma só e a função também: investigar. Entretanto, a defesa pode participar, acessar os autos, pedir diligências. 2.1.8. Dispensabilidade: quando o titular da ação penal tiver elementos suficientes para promover a ação penal. O inquérito policial é instaurado pelo delegado de polícia - autoridade responsável pela investigação. Não precisa ser provocado por alguém para instaurar o inquérito, pode instaurar de ofício (quando for ação penal pública incondicionada). Inquérito policial não é a única forma de investigar, às vezes um determinado crime pode estar provado o suficiente para o ministério público investigar sem inquérito, seja por investigação do mp, cpi, privada, corregedoria, etc. Essas outras podem trazer tantos elementos que tornem o inquérito indispensável → só é dispensável quando já chega pro mp ou quando a pessoa mesma faz a investigação como ele é dispensável se ele é indisponível. Art. 5o Nos crimes de ação pública o inquérito policial será iniciado: I - de ofício; Amanda Rios II - mediante requisição da autoridade judiciária ou do Ministério Público, ou a requerimento do ofendido ou de quem tiver qualidade para representá-lo. § 1o O requerimento a que se refere o no II conterá sempre que possível: a) a narração do fato, com todas as circunstâncias; b) a individualização do indiciado ou seus sinais característicos e as razões de convicção ou de presunção de ser ele o autor da infração, ou os motivos de impossibilidade de o fazer; c) a nomeação das testemunhas, com indicação de sua profissão e residência. § 2o Do despacho que indeferir o requerimento de abertura de inquérito caberá recurso para o chefe de Polícia. § 3o Qualquer pessoa do povo que tiver conhecimento da existência de infração penal em que caiba ação pública poderá, verbalmente ou por escrito, comunicá-la à autoridade policial, e esta, verificada a procedência das informações, mandará instaurar inquérito. § 4o O inquérito, nos crimes em que a ação pública depender de representação, não poderá sem ela ser iniciado. § 5o Nos crimes de ação privada, a autoridade policial somente poderá proceder a inquérito a requerimento de quem tenha qualidade para intentá-la. Uma denúncia anônima sozinha não pode gerar uma persecução penal. Art. 6o Logo que tiver conhecimento da prática da infração penal, a autoridade policial deverá: I - dirigir-se ao local, providenciando para que não se alterem o estado e conservação das coisas, até a chegada dos peritos criminais; II - apreender os objetos que tiverem relação com o fato, após liberados pelos peritos criminais; III - colher todas as provas que servirem para o esclarecimento do fato e suas circunstâncias; IV - ouvir o ofendido; V - ouvir o indiciado, com observância, no que for aplicável, do disposto no Capítulo III do Título Vll, deste Livro, devendo o respectivo termo ser assinado por duas testemunhas que Ihe tenham ouvido a leitura; VI - Proceder a reconhecimento de pessoas e coisas e a acareações; VII - determinar, se for caso, que se proceda a exame de corpo de delito e a quaisquer outras perícias; VIII - ordenar a identificação do indiciado pelo processo datiloscópico, se possível, e fazer juntar aos autos sua folha de antecedentes; IX - Averiguar a vida pregressa do indiciado, sob o ponto de vista individual, familiar e social, sua condição econômica, sua atitude e estado de ânimo antes e depois do crime e durante ele, e quaisquer outros elementos que contribuírem para a apreciação do seu temperamento e caráter. X - colher informações sobre a existência de filhos, respectivas idades e se possuem alguma deficiência e o nome e o contato de eventual responsável pelos cuidados dos filhos, indicado pela pessoa presa. Art. 7o Para verificar a possibilidade de haver a infração sido praticada de determinado modo, a autoridade policial poderá proceder à Amanda Rios reprodução simulada dos fatos, desde que esta não contrarie a moralidade ou a ordem pública. Art. 8o Havendo prisão em flagrante, será observado o disposto no Capítulo II do Título IX deste Livro. Art. 9o Todas as peças do inquérito policial serão, num só processado, reduzidas a escrito ou datilografadas e, neste caso, rubricadas pela autoridade. Art. 10. O inquérito deverá terminar no prazo de 10 dias, se o indiciado tiver sido preso em flagrante, ou estiver preso preventivamente, contado o prazo, nesta hipótese, a partir do dia em que se executar a ordem de prisão, ou no prazo de 30 dias, quando estiver solto, mediante fiança ou sem ela. § 1o A autoridade fará minucioso relatório do que tiver sido apurado e enviará autos ao juiz competente. § 2oNo relatório poderá a autoridade indicar testemunhas que não tiverem sido inquiridas, mencionando o lugar onde possam ser encontradas. § 3o Quando o fato for de difícil elucidação, e o indiciado estiver solto, a autoridade poderá requerer ao juiz a devolução dos autos, para ulteriores diligências, que serão realizadas no prazo marcado pelo juiz. Direito de participação do policial na investigação, mas só se aplica a profissionais de segurança (são colocados em risco maior). Nicory discorda, pois se for para dar direito, tem que ser a todos os policiais. Quando o agente usa a força contra réu, ele vai ter esse direito de participação especial na investigação, vai ser notificado, ter acesso ao processo pela defensoria pública. Direito de interferir, mas não de atrapalhar. Obs.: requisição é uma ordem. Requerimento é um pedido. Obs.: O problema da denúncia anônima: entendimento do supremo é de que uma denúncia anônima sozinha não pode motivar a abertura de um inquérito policial, mas que a autoridade pode fazer uma diligência preliminar inicial para averiguar a veracidade dos fatos. É uma pré-investigação. Indiciar é um termo mais restrito do que investigar. Todos os suspeitos podem chamar de investigados, mas indiciado é a condição que um sujeito assume quando a investigação está para se encerrar ou já se encerrou e foi apontado como o provável autor do crime, é mais do que ser investigado, mas menos do que ser denunciado (envolve o MP) e menos ainda que ser réu (denúncia aceita) persecução penal = investigação + processo. 10 dias para o réu preso e 30 dias para réu solto investigação do preso não pode demorar muito, se não conseguiu provas para denunciar não tem sentido manter preso. Indiciamento é perto do final do prazo, resultado final do trabalho do delegado = um relatório. 3. remessa do inquérito ao titular da ação penal 4. Diligências complementares: o MP não poderá falar nada complementar. Art. 16, CPC. 5. Arquivamento: do que foi apurado, não há motivo para prosseguir com a persecução penal. Amanda Rios Art. 18. Depois de ordenado o arquivamento do inquérito pela autoridade judiciária, por falta de base para a denúncia, a autoridade policial poderá proceder a novas pesquisas, se de outras provas tiver notícia. Se o judiciário não aceitar o arquivamento, cria uma tensão entre o MP e o judiciário. Neste caso, manda o inquérito para o procurador geral analisar e se decidir o arquivamento juiz é obrigado a arquivar. 5.1. Direto: o MP propõe o arquivamento, não determina. O juiz é obrigado a aceitar a solicitação de arquivamento do MP? Não. 5.2. Indireto: O arquivamento indireto do inquérito policial ocorre quando o Ministério Público (MP) entende que o juízo atual não é competente para julgar o caso e, por isso, solicita que os autos sejam remetidos ao juízo competente12. Esse tipo de arquivamento não significa que o caso será encerrado, mas sim que ele será transferido para a jurisdição correta para prosseguimento. Se o juiz concordar com o pedido do MP, ele encaminha os autos ao juízo competente. Caso contrário, o juiz pode aplicar o artigo 28 do Código de Processo Penal, que prevê a remessa do inquérito ao procurador-geral para que este decida sobre o arquivamento ou a designação de outro membro do MP para oferecer a denúncia13. 5.3. Implícito (NÃO PODE): denunciar 3 e falar que 2 foram engano ou denunciar 3 e pedir diligências complementares de 2, pois não tem provas necessárias. O MP não é obrigado a dar a mesma providência para todos. O problema é se o MP de 5 denuncia 3 e não fala nada dos outros 2. o arquivamento implícito não é admitido pela jurisprudência, ele não existe. Pois a denúncia pode ser aditada a qualquer tempo antes da sentença final, assegurado o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa. Art. 16. O Ministério Público não poderá requerer a devolução do inquérito à autoridade policial, senão para novas diligências, imprescindíveis ao oferecimento da denúncia. Art. 17. A autoridade policial não poderá mandar arquivar autos de inquérito. Art. 18. Depois de ordenado o arquivamento do inquérito pela autoridade judiciária, por falta de base para a denúncia, a autoridade policial poderá proceder a novas pesquisas, se de outras provas tiver notícia. Art. 19. Nos crimes em que não couber ação pública, os autos do inquérito serão remetidos ao juízo competente, onde aguardarão a iniciativa do ofendido ou de seu representante legal, ou serão entregues ao requerente, se o pedir, mediante traslado. Art. 20. A autoridade assegurará no inquérito o sigilo necessário à elucidação do fato ou exigido pelo interesse da sociedade. Parágrafo único. Nos atestados de antecedentes que lhe forem solicitados, a autoridade policial não poderá mencionar quaisquer anotações referentes a instauração de inquérito contra os requerentes. Art. 28. Ordenado o arquivamento do inquérito policial ou de quaisquer elementos informativos da mesma natureza, o órgão do Ministério Público comunicará à vítima, ao investigado e à autoridade policial e encaminhará Amanda Rios os autos para a instância de revisão ministerial para fins de homologação, na forma da lei. 8. Investigação Criminal Defensiva: o complexo de atividades de natureza investigatória desenvolvido pelo advogado, com ou sem assistência de consultor técnico ou por profissionais legalmente habilitados, em qualquer fase de persecução penal, procedimento ou grau de jurisdição, visando à obtenção de elementos de prova destinados à constituição de acervo probatório lícito, para a tutela de direitos de seu constituinte. 8.1. Advocacia privada – prov. 188/2018 - OAB TEXTO DE ATO NORMATIVO - PROVIMENTO Nº 188/2018 - CFOAB Art. 49 Poderá o advogado, na condução da investigação defensiva, promover diretamente todas as diligências investigatórias necessárias ao esclarecimento do fato, em especial a colheita de depoimentos, pesquisa e obtenção de dados e informações disponíveis em órgãos públicos ou privados, determinar a elaboração de laudos e exames periciais, e realizar reconstituições, ressalvadas as hipóteses de reserva de jurisdição. Parágrafo único. Na realização da investigação defensiva, o advogado poderá valer-se de colaboradores, como detetives particulares, peritos, técnicos e auxiliares de trabalhos de campo. A diferença disso para Defensoria Pública é que a DP consegue fazer requisições (ordem). Art. 5º Durante a realização da investigação, o advogado deve preservar o sigilo das informações colhidas, a dignidade, privacidade, intimidade e demais direitos e garantias individuais das pessoas envolvidas. Art. 6º O advogado e outros profissionais que prestarem assistência na investigação não têm o dever de informar à autoridade competente os fatos investigados. Parágrafo único. Eventual comunicação e publicidade do resultado da investigação exigirão expressa autorização do constituinte. O advogado só comunica com autorização expressa do cliente. 8.2. Defensoria Pública - poder de requisição: presta orientações jurídicas e exerce a defesa dos necessitados, em todos os graus. Acompanha inquérito policial, inclusive com a comunicação imediata da prisão em flagrante pela autoridade policial, quando o preso não constituir advogado. -TEXTO DE ATO NORMATIVO - LEI COMPLEMENTAR Nº 80/94 Art. 128. São prerrogativas dos membros da Defensoria Pública do Estado, dentre outras que a lei local estabelecer: X - requisitar de autoridade pública ou de seus agentes exames, certidões, perícias, vistorias, diligências, processos, documentos, informações, esclarecimentos e providências necessárias ao exercício de suas atribuições; XI - representar aparte, em feito administrativo ou judicial, independentemente de mandato, ressalvados os casos para os quais a lei exija poderes especiais; -TEXTO DE ATO NORMATIVO - LEI Nº 13.432/2017: Art. 2º Para os fins desta Lei, considera-se detetive particular o profissional que, habitualmente, por conta própria ou na forma de sociedade civil ou empresarial, planeje e execute coleta de dados e informações de natureza não criminal, com conhecimento técnico e utilizando recursos e meios tecnológicos permitidos, visando ao esclarecimento de assuntos de interesse privado do contratante. § 1º Consideram-se sinônimas, para efeito desta Lei, as expressões "detetive particular", "detetive profissional" e outras que tenham ou venham a ter o mesmo objeto. Amanda Rios 9. Detetive Particular/Profissional: profissional que habitualmente, por conta própria ou na forma de sociedade civil/ empresarial, planeje e execute coleta de dados e informações de natureza não criminal, com conhecimento técnico e utilizando recursos e meios tecnológicos permitidos, visando ao esclarecimento de assuntos de interesse privado do contratante. O detetive particular pode colaborar com a investigação policial em curso, desde que expressamente autorizado pelo contratante. O aceite da colaboração ficará a critério do delegado de polícia, que poderá admiti-la ou rejeitá-la a qualquer tempo. Lei 13.432/2017: Art. 10. É vedado ao detetive particular: I - aceitar ou captar serviço que configure ou contribua para a prática de infração penal ou tenha caráter discriminatório; II - aceitar contrato de quem já tenha detetive particular constituído, salvo: a) com autorização prévia daquele com o qual irá colaborar ou a quem substituirá; b) na hipótese de dissídio entre o contratante e o profissional precedente ou de omissão deste que possa causar dano ao contratante; III - divulgar os meios e os resultados da coleta de dados e informações a que tiver acesso no exercício da profissão, salvo em defesa própria; IV - participar diretamente de diligências policiais; V - utilizar, em demanda contra o contratante, os dados, documentos e informações coletados na execução do contrato. Art. 11. São deveres do detetive particular: I - preservar o sigilo das fontes de informação; II - respeitar o direito à intimidade, à privacidade, à honra e à imagem das pessoas; III - exercer a profissão com zelo e probidade; IV - defender, com isenção, os direitos e as prerrogativas profissionais, zelando pela própria reputação e a da classe; V - zelar pela conservação e proteção de documentos, objetos, dados ou informações que lhe forem confiados pelo cliente; VI - restituir, íntegro, ao cliente, findo o contrato ou a pedido, documento ou objeto que lhe tenha sido confiado; VII - prestar contas ao cliente. Art. 12. São direitos do detetive particular: I - exercer a profissão em todo o território nacional na defesa dos direitos ou interesses que lhe forem confiados, na forma desta Lei; II - recusar serviço que considere imoral, discriminatório ou ilícito; III - renunciar ao serviço contratado, caso gere risco à sua integridade física ou moral; IV - compensar o montante dos honorários recebidos ou recebê-lo proporcionalmente, de acordo com o período trabalhado, conforme pactuado; V - (VETADO); Amanda Rios VI - reclamar, verbalmente ou por escrito, perante qualquer autoridade, contra a inobservância de preceito de lei, regulamento ou regimento; VII - ser publicamente desagravado, quando injustamente ofendido no exercício da profissão. Aula 4: ANPP (Acordo de Não Persecução penal - art. 28-A) O acordo de não persecução penal tem o objetivo de evitar o processo, a ação penal nem é instaurada, mas aplica uma sanção ao indiciado. O acordo não pode ser em todos os tipos de crimes. A grande novidade que ele traz é que exige confissão. Negócio jurídico processual penal. Acordo de não persecução penal - o sistema americano se resolve com barganha de culpa, pois quase todos os casos criminais são resolvidos em tribunais de júri, e por isso, ambas as partes enxergam vantagens em evitar a imprevisibilidade do júri. O sistema brasileiro sempre foi baseado na supremacia do juiz, mas foram introduzidos vários mecanismos de barganha entre a defesa e a acusação, foram também introduzidas formas de barganha em casos de tráfico de drogas… existem finalidades diferentes para essas colaborações: evitar o processo, suspender o processo, e para, mesmo não suspendendo o processo, reduzir a pena. O Estado abre mão do seu poder punitivo, em prol de uma resolução mais rápida e o acusado abre mão de algumas garantias de um processo para ter um tratamento mais brando. Não é para qualquer tipo de crime, a grande novidade é que ele exige confissão, e a transação penal e suspensão condicional não exige confissão. Ele cabe em situações que não seja caso de arquivamento, e tendo investigado e exigido a confissão, se o crime não for de violência ou grave ameaça, e com pena mínima inferior a 4 anos. EX.: estelionato, receptação, todos os furtos, crimes contra a honra, crimes contra a administração (Quase todos os crimes do CP). O que não entra é roubo simples, nenhum crime patrimonial, tentativa de homicídio simples, tráfico de drogas são alguns exemplos de crimes que não cabem em acordo de não persecução penal. No Brasil, não se pode negociar a pena de prisão, por isso que o acordo de não persecução tem que ser inferior a pena de quatro anos, pois ela pode ser transformada em restritiva de direito. O promotor quem vai escolher. A proposta do ANPP só é usada se não for caso de denúncia e nem de arquivar. 1.1. Plea bargain x ANPP: nos eua, negocia-se a prisão, para que não precise ir à júri e correr o risco de pegar prisão perpetua. No BR, não se negocia a pena. 1.2. Cabimento: confissão formal e circunstancial (principal); pena mínima inferior a 4 anos (levando em consideração as causas de aumento Amanda Rios e diminuição); infração penal sem violência ou grave ameaça. 1.2.1. Tráfico privilegiado: No caso do tráfico de drogas privilegiado, o acusado, sendo primário, sem envolvimento com organização criminosa e com outras características que evidenciem seu perfil, pode se beneficiar tanto da redução da pena pelo tráfico privilegiado quanto do ANPP. Ou seja, se o acusado preencher os requisitos para o ANPP, poderá firmar o acordo com o Ministério Público, evitando o processo judicial, mesmo que se trate de um crime de tráfico, caso a pena prevista para o tráfico não ultrapasse os 4 anos (ou se o réu atender aos outros critérios do acordo). 1.2.2. Crimes violentos culposos 1.3. Pressupostos 1.3.1. Justa causa: A justa causa é pressuposto, porque se não fere o princípio da boa-fé, oferecer no vai que cola. 1.3.2. Confissão: ela dá uma tranquilidade psicológica muito grande ao juiz, pois ele fica despreocupado de condenar o réu. Art. 28-A. Não sendo caso de arquivamento e tendo o investigado confessado formal e circunstancialmente a prática de infração penal sem violência ou grave ameaça e com pena mínima inferior a 4 (quatro) anos, o Ministério Público poderá propor acordo de não persecução penal, desde que necessário e suficiente para reprovação e prevenção do crime, mediante as seguintes condições ajustadas cumulativa e alternativamente: 1.4. Condições de acordo REQUISITOS/COMPARANDO COM TRANSAÇÃO PENAL: ● Assim como na transação penal, no ANPP também só cabe se não for caso de arquivamento. ● No ANPP têm que confessar, na transação não. Perceba que isso é um trunfo no MP, pois a pessoa confessa, e se não cumprir o acordo ela terá depois contra ela própria a sua confissão. OBS: PERCEBAQUE AINDA LEVA O NOME DE INVESTIGADO, POIS SEM DENÚNCIA NÃO TEM RÉU!!! ● Crime sem violência ou grave ameaça ● Pena MÍNIMA inferior a 4 anos. ● O MP tem que demonstrar que não é necessário e suficiente para reprovação do crime a perseguição penal. Há uma divergência se haveria um direito subjetivo do indivíduo, uma vez preenchido às condições o MP deverá fazer a proposta (Aury Lopes - majoritário). Mas há também quem ache que é o crivo do MP (minoritário - Rogério Sanches). 1.4.1. Reparação do dano à vítima: Preocupação com o legislador com A VÍTIMA. É possível que a mera restituição da coisa resolva, mas se a coisa tem valor sentimental, por exemplo, é preciso que na fase investigativa isso seja bem delineado. A vítima no ANPP não é intimada, então já é Amanda Rios preciso que venha do inquérito essa percepção para o promotor dá importância dá coisa para vítima por exemplo. Mas perceba que isso não vai impedir que a vítima ajuizar uma ação civil ex delicto buscando um valor para reparar seu dano, e claro que o valor que foi pago na ANPP será descontado. Existem de casos de não existirem vítimas. Ex.: porte de arma. Art. 28 – A: I - reparar o dano ou restituir a coisa à vítima, exceto na impossibilidade de fazê-lo; Ex.: menino quebrou um vaso histórico do museu. Neste caso, dano irreparável. Cabe o mesmo acordo? 1.4.2. II - renunciar voluntariamente a bens e direitos indicados pelo Ministério Público como instrumentos, produto ou proveito do crime; Renúncia pro Estado o excedente do que não foi ressarcido a vítima. Instrumentos e BENS que têm relação com o crime, óbvio que o MP vai ter que investigar isso através pedindo novas diligências no inquérito ou ele mesmo nas suas atribuições notificando cartórios ou até mesmo pedindo em juízo. Exemplo: subtraiu valor de uma empresa e comprou um imóvel, o MP vai mandar renunciar isso Ex.: as vezes o golpe que a pessoa deu levou ao enriquecimento e o que ela comprou é produto do crime. III - prestar serviço à comunidade ou a entidades públicas por período correspondente à pena mínima cominada ao delito diminuída de um a dois terços, em local a ser indicado pelo juízo da execução, na forma do art. 46 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 Você pode cumprir prestação de serviços à comunidade em tempo inferior se levasse o processo até o final. A prestação de serviços à comunidade não entra na conta. IV - pagar prestação pecuniária, a ser estipulada nos termos do art. 45 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), a entidade pública ou de interesse social, a ser indicada pelo juízo da execução, que tenha, preferencialmente, como função proteger bens jurídicos iguais ou semelhantes aos aparentemente lesados pelo delito; ou V - cumprir, por prazo determinado, outra condição indicada pelo Ministério Público, desde que proporcional e compatível com a infração penal imputada. § 1º Para aferição da pena mínima cominada ao delito a que se refere o caput deste artigo, serão consideradas as causas de aumento e diminuição aplicáveis ao caso concreto. § 2º O disposto no caput deste artigo não se aplica nas seguintes hipóteses: I - se for cabível transação penal de competência dos Juizados Especiais Criminais, nos termos da lei; 1.5. Vedações (quando não pode ser feito ANPP, art. 24-A, § 2º) -Quando cabível transação penal -Quando for caso de arquivamento -Reincidente ou houver provas que é criminoso habitual reiterado ou "profissional", exceto se insignificantes. -Ter sido o agente beneficiado nos últimos 5 anos, ou outro ANPP, transação ou sursis processuais. -Nos crimes praticados no âmbito de violência doméstica ou familiar, ou praticados contra a mulher por razões da Amanda Rios condição de sexo feminino, em favor do agressor. Obs.: ANPP não é só uma norma processual, pois é de natureza mista. § 2º O disposto no caput deste artigo não se aplica nas seguintes hipóteses: 1.5.1. Crimes de menor potencial ofensivo: pois, neste caso, seria mais favorável para o réu transação penal. I - se for cabível transação penal de competência dos Juizados Especiais Criminais, nos termos da lei; 1.5.2. Crime de violência doméstica contra a mulher (art. 24-A, parágrafo 2, inciso IV): IV - nos crimes praticados no âmbito de violência doméstica ou familiar, ou praticados contra a mulher por razões da condição de sexo feminino, em favor do agressor. 1.5.3. Em caso de reincidência: contar o período depurador (5 anos). Se tiver passado o período depurador pode oferecer ANPP. II - se o investigado for reincidente ou se houver elementos probatórios que indiquem conduta criminal habitual, reiterada ou profissional, exceto se insignificantes as infrações penais pretéritas; 1.5.4. Caso o autor tenha sido beneficiado pela ANPP no prazo de 5 anos: III - ter sido o agente beneficiado nos 5 (cinco) anos anteriores ao cometimento da infração, em acordo de não persecução penal, transação penal ou suspensão condicional do processo; 1.6. Procedimento do ANPP: § 3º O acordo de não persecução penal será formalizado por escrito e será firmado pelo membro do Ministério Público, pelo investigado e por seu defensor. A “audiência” é no MP, mas só pode ser feita com defensor/advogado. DEPOIS da audiência com o promotor que se firma o acordo, precisa ser homologado em juízo onde o juiz verifica: § 4º Para a homologação do acordo de não persecução penal, será realizada audiência na qual o juiz deverá verificar a sua voluntariedade, por meio da oitiva do investigado na presença do seu defensor, e sua legalidade. Na audiência de homologação vai ser elaborado o acordo escrito e depois enviado para o juiz verificar se foram preenchidos os requisitos legais. § 5º Se o juiz considerar inadequadas, insuficientes ou abusivas as condições dispostas no acordo de não persecução penal, devolverá os autos ao Ministério Público para que seja reformulada a proposta de acordo, com concordância do investigado e seu defensor. § 6º Homologado judicialmente o acordo de não persecução penal, o juiz devolverá os autos ao Ministério Público para que inicie sua execução perante o juízo de execução penal. -> Será feita uma nova audiência com um novo juiz para execução do acordo. Amanda Rios § 7º O juiz poderá recusar homologação à proposta que não atender aos requisitos legais ou quando não for realizada a adequação a que se refere o § 5º deste artigo. § 8º Recusada a homologação, o juiz devolverá os autos ao Ministério Público para a análise da necessidade de complementação das investigações ou o oferecimento da denúncia. § 9º A vítima será intimada da homologação do acordo de não persecução penal e de seu descumprimento. A vítima é informada das coisas que acontecem § 10. Descumpridas quaisquer das condições estipuladas no acordo de não persecução penal, o Ministério Público deverá comunicar ao juízo, para fins de sua rescisão e posterior oferecimento de denúncia. O juiz peticiona ao juiz que rescinda o acordo, mas antes é ideal que o promotor notifique o indivíduo para saber o que aconteceu. § 11. O descumprimento do acordo de não persecução penal pelo investigado também poderá ser utilizado pelo Ministério Público como justificativa para o eventual não oferecimento de suspensão condicional do processo. Por exemplo numa situação de estelionato, que cabe SURSIS processual, pode ser escusado pelo MP para não oferecer, porque não cumpriu o ANPP. § 12. A celebração e o cumprimento do acordo de não persecução penal não constarão de certidão de antecedentes criminais, exceto para os fins previstos noinciso III do § 2º deste artigo. Não gera maus antecedentes/reincidência, só fica arquivado para que não seja feito outro no prazo de 5 anos. § 13. Cumprido integralmente o acordo de não persecução penal, o juízo competente decretará a extinção de punibilidade § 14. No caso de recusa, por parte do Ministério Público, em propor o acordo de não persecução penal, o investigado poderá requerer a remessa dos autos a órgão superior, na forma do art. 28 deste Código. -> defesa pedirá para mandar para o chefe do MP, fundamentando que preenche os requisitos legais para ANPP. 1.7. Execução: § 12. A celebração e o cumprimento do acordo de não persecução penal não constarão de certidão de antecedentes criminais, exceto para os fins previstos no inciso III do § 2º deste artigo. -> ANPP não configura reincidência em um próximo crime, nem maus antecedentes. Não consta na ficha criminal – os cidadãos não conseguem ver, mas o judiciário, sim. § 13. Cumprido integralmente o acordo de não persecução penal, o juízo competente decretará a extinção de punibilidade. 1.8. Descumprimento: § 10. Descumpridas quaisquer das condições estipuladas no acordo de não persecução penal, o Ministério Público deverá comunicar ao juízo, para fins de sua rescisão e posterior oferecimento de denúncia. Amanda Rios § 11. O descumprimento do acordo de não persecução penal pelo investigado também poderá ser utilizado pelo Ministério Público como justificativa para o eventual não oferecimento de suspensão condicional do processo. -> Não cumprir o ANPP além de gerar a denúncia pelo MP, pode perder o direito a um novo acordo que é a suspensão condicional do processo. PRESCRIÇÃO DO ANPP Durante o período de ANPP, A PRESCRIÇÃO NÃO CORRE, ELA ESTÁ SUSPENSA Art. 116 CP - Antes de passar em julgado a sentença final, a prescrição não corre: IV - enquanto não cumprido ou não rescindido o acordo de não persecução penal. JUIZ DE GARANTIAS (art. 3-A e art. 3-B) Punitivista no material, mas garantista no processual. 2.1. Conceito: Juiz de garantias foi inserido de uma forma militante por Sergio moro e Marcelo Breta. Quem investiga Polícia ou MP ou Parlamento, mas em diversos momentos necessita de autorização judicial, como busca e apreensão, interceptação telefônica, porque fere direitos fundamentais. As autorizações, os juízes viraram os donos da investigação. Com o juiz de garantias esse magistrado da investigação não vai ser o juiz que vai julgar o caso, pois o primeiro já se contaminou muito, feria o princípio da imparcialidade. Dificilmente o primeiro conseguiria ouvir as duas partes com imparcialidade. Art. 3º-A. O processo penal terá estrutura acusatória, vedadas a iniciativa do juiz na fase de investigação e a substituição da atuação probatória do órgão de acusação. Art. 3º-B. O juiz das garantias é responsável pelo controle da legalidade da investigação criminal e pela salvaguarda dos direitos individuais cuja franquia tenha sido reservada à autorização prévia do Poder Judiciário, competindo-lhe especialmente: I - receber a comunicação imediata da prisão, nos termos do inciso LXII do caput do art. 5º da Constituição Federal; II - receber o auto da prisão em flagrante para o controle da legalidade da prisão, observado o disposto no art. 310 deste Código; III - zelar pela observância dos direitos do preso, podendo determinar que este seja conduzido à sua presença, a qualquer tempo; IV - ser informado sobre a instauração de qualquer investigação criminal; V - decidir sobre o requerimento de prisão provisória ou outra medida cautelar, observado o disposto no § 1º deste artigo; VI - prorrogar a prisão provisória ou outra medida cautelar, bem como substituí-las ou revogá-las, assegurado, no primeiro caso, o exercício do contraditório em audiência pública e oral, na forma do disposto neste Código ou em legislação especial pertinente; VII - decidir sobre o requerimento de produção antecipada de provas consideradas urgentes e não repetíveis, assegurados o contraditório e a ampla defesa em audiência pública e oral; 2.2. Competências: 2.2.1. Audiência de custódia: houve prisão de alguém ... na audiência se decide se a prisão foi legal ou não, se vai manter a prisão ou não. Amanda Rios 2.2.2. Controle da legalidade do flagrante: verificar se há alguma ilegalidade na prisão na audiência de custódia. Avalia a necessidade da prisão. 2.2.3. Decisão sobre pedidos de prisão e de medidas cautelares: cabe o juiz de garantias decidir sobre o requerimento de prisão provisória 2.2.4. Decisão sobre pedido de produção antecipada de provas (art. 3-B, VII): ex., ouvir uma testemunha que está doente e que não pode esperar a tramitação normal do processo. Determinado pelo juiz de garantias, quando solicitado pelo juiz investigador. 2.2.5. Autorização de meios de obtenção de prova: XI - decidir sobre os requerimentos de: a) interceptação telefônica, do fluxo de comunicações em sistemas de informática e telemática ou de outras formas de comunicação; b) afastamento dos sigilos fiscal, bancário, de dados e telefônico; -> sigilo fiscal é referente aos tributos municipais, estaduais e federais, sigilo bancário é referente às movimentações bancárias e relacionado a ações em empresas S.A. c) busca e apreensão domiciliar; d) acesso a informações sigilosas; e) outros meios de obtenção da prova que restrinjam direitos fundamentais do investigado; 2.2.6. Prorrogação da duração do inquérito: 2.2.7. Homologação da ANPP: 2.3. Competência suprimidas pelo STF: 2.3.1. Recebimento da denúncia ou queixa: o recebimento da denúncia é feito pelo juízo de admissibilidade da denúncia. Juiz pode rejeitar. 2.3.2. Acautelamento dos autos da investigação 2.3.3. Atuação em casos do rito do júri, de violência doméstica e de competência originária dos tribunais. 2.4. Competências incluídas pelo STF 2.4.1. Controle do prazo dos PICs do MP: o MP tinha um prazo chamado PICs que não levava ao judiciário para controlar, apenas à polícia. Hoje, é controlado também pelo juiz de garantias. 2.4.2. Controle da promoção de arquivamento pelo MP: O legislador tinha definido que o inquérito não passava mais na justiça, apenas ao MP. Hoje, o arquivamento é proposto pelo MP, mas quem arquiva é o juiz. JUIZ DAS GARANTIAS Lei 13.964/2019 O objetivo da norma é distanciar ao máximo o juiz do julgamento da investigação, pois ao ter contato com todas as provas até o processo a chance de ele ser parcial é grande. Procura garantir uma maior imparcialidade do magistrado e garantir os direitos fundamentais do investigado durante a fase investigativa. Faz todas as atividades entre a investigação e o recebimento da denúncia. Responsável por decidir sobre medidas investigativas. Responsável por atuar exclusivamente na fase de investigação criminal, exceto em casos de: 1. Infração penal de menor potencial ofensivo (art. 3 – C do CPP) 2. Tribunal do júri (posição do STF) 3. Processo de competência originária dos tribunais (posição do STF) 4. Violência doméstica (posição do STF) Amanda Rios "Art. 3º-A. O processo penal terá estrutura acusatória, vedadas a iniciativa do juiz na fase de investigação e a substituição da atuação probatória do órgão de acusação." Art. 156. A prova da alegação incumbirá a quem a fizer, sendo, porém, facultado ao juiz de ofício: I – ordenar, mesmo antes de iniciada a ação penal, a produção antecipada de provas consideradas urgentes e relevantes, observando a necessidade, adequação e proporcionalidade da medida; II – determinar, no curso