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Amanda Rios 
 
Processo Penal I 
Por Daniel Nicory. 
 
Av. 1: 09/09. 
Av.2: 24/11. 
 
Aula 1: Princípios Processuais Penais 
1. Teoria dos princípios: 
1.1. breve histórico 
1.1.1. subsidiariedade 
1.1.2. centralidade dos princípios 
 
1.2. conceitos de princípio 
1.2.1. mandamento nuclear do sistema – 
Canotilho: o princípio é uma das normas mais 
importantes do sistema, está no centro do 
sistema. 
1.2.2. mandamento de otimização - Alexy: o 
princípio determina um estado ideal de coisas a 
ser realizado da melhor forma possível. Ex.: no 
processo deve-se tentar ao máximo que ambas as 
partes sejam ouvidas (princípio do contraditório 
e ampla defesa). 
Obs.: princípios são um tipo de norma, segundo 
a visão contemporânea. Qual a diferença? A 
priori, os princípios e as normas não são os textos 
escritos, são as interpretações do texto. As regras, 
normalmente, são mais próximas da realidade, 
com uma consequência jurídica, são hipotéticas-
condicional (prevê uma situação de fato e uma 
consequência para aquela situação). 
Curiosidade: O juiz só pode decretar a prisão 
quando um legitimado pedir - promotor/ 
delegado em fase de investigação. 
 
2. Princípios processuais em espécie: 
2.1. Devido processo legal: devido processo legal 
substancial é um devido processo justo cercado 
de todas as garantias e os princípios processuais 
às partes. art. 5, cf. Não há condenação sem 
processo. 
2.1.1. Ne bis in idem: proibição da dupla 
valoração da mesma circunstância. 
Ex.: a mesma qualificadora do homicídio não 
pode ser usada como agravante ou causa de 
aumento. 
Ex.: se o goleiro bruno após cumprir pena pela 
morte da mulher, ela reaparecer (estava 
desaparecida) e ele matar ela condena 
novamente? Sim, pois são outros tempos e outras 
circunstâncias. 
2.2. Jurisdicionalidade – nulla poena, nulla culpa 
sine iudicio: o processo penal precisa ser 
presidido pelo juiz (autoridade pública, 
legalmente constituída, integrante do poder 
judiciário e independente de outras autoridades). 
2.2.1. Inafastabilidade: nenhum ato pode ser 
subtraído ao controle do juiz. Este princípio 
 
 
Amanda Rios 
 
estabelece que "a lei não excluirá da apreciação 
do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito". 
Art. 35, CF. O juiz controla mesmo que não 
pratique diretamente. 
Ex.: flagrante. Quem homologa o acordo de 
persecução penal é o juiz. 
2.2.2. Imparcialidade: aquele que se esforça para 
manter a equidistância entre as partes. Dá a 
condição de escuta para os dois lados não escolhe 
previamente um lado. ex.: juiz vai decidir se é 
roubo ou furto em uma situação de puxar a 
corrente da vítima e, para isso, precisa ser 
imparcial. 
2.2.3. Juiz Natural: juiz previamente constituído 
ao caso, diferentemente da arbitragem que se 
escolhe o árbitro por conta do caso. 
Este princípio assegura que ninguém será 
processado ou sentenciado senão pela autoridade 
competente, previamente estabelecida por lei. 
Proibição de Tribunais de Exceção: Não é 
permitido criar tribunais ou juízos específicos 
para julgar determinados casos após os fatos 
terem ocorrido. Isso evita julgamentos parciais 
ou direcionados1. Ex.: na época do nazismo foi 
criado um tribunal de exceção para julgar os 
criminosos. 
Competência Prévia: A competência do juiz deve 
ser definida antes da ocorrência do fato 
delituoso. Isso garante que o julgamento será 
feito por uma autoridade imparcial e 
independente, conforme as regras de 
competência estabelecidas pela legislação 
vigente2. 
2.2.4. Celeridade: Para que o processo faça 
sentido tem que ser célere (não é pressa). No 
âmbito do processo penal, a demora do processo 
pode gerar impunidade e prejuízos ao réu como 
incertezas sobre o seu futuro. 
2.2.5. Duplo grau: duplo grau de jurisdição é o 
poder de recorrer uma decisão por uma instância 
superior. 
2.3. Princípio Acusatório - separação de funções: 
a separação de funções entre o acusador (MP) e 
o julgador (juiz) dentro do Estado é essencial 
para garantir a imparcialidade e a justiça do 
julgamento. Ao evitar que o juiz acumule funções 
de acusação e julgamento, o princípio acusatório 
protege os direitos fundamentais do acusado e 
assegura um processo justo e equitativo2 
2.3.1. Inércia da jurisdição: o judiciário não pode 
agir sem ser provocado. Existem pouquíssimos 
casos em que o juiz pode prender de ofício (tem 
uma situação na lei maria da penha). A 
investigação é feita por órgãos diferentes do 
juízo: MP e polícia. 
2.3.2. Promotor natural: o promotor deve ser 
constituído previamente ao caso (isso gera um 
conflito com as forças tarefas, como a lava jato); 
ser independente. 
Garante que um promotor de justiça específico, 
previamente designado de acordo com critérios 
legais, seja responsável por conduzir uma 
investigação criminal ou processo penal. Isso 
 
 
Amanda Rios 
 
evita interferências indevidas e assegura a 
imparcialidade do processo12. 
Ele impede que a chefia do Ministério Público 
faça designações arbitrárias, garantindo que o 
promotor designado atue de forma imparcial e 
independente 
 
"Art. 5. LIII - ninguém será processado nem 
sentenciado senão pela autoridade competente." 
2.4. Publicidade: o processo penal, como regra, 
deve ter caráter público, a fim de que seja 
garantida uma atuação correta do Estado. A 
publicidade dos atos processuais tem como 
objetivo garantir a transparência e a legitimidade 
das decisões judiciais, permitindo o controle 
social e evitando abusos e arbitrariedades. 
Exceções a essa regra, como nos casos em que a 
defesa da intimidade ou o interesse social 
recomendem o segredo de justiça2. 
2.4.1. Publicidade dos atos: garantia do réu contra 
arbitrariedades; necessário para controle social 
democrático. Publicidade para as partes e para a 
sociedade. Exceções para não publicizar a 
sociedade são os processos em segredo de justiça. 
2.4.2. Fundamentação das decisões: junto a 
publicidade é essencial que as decisões sejam 
fundamentadas para controle público. A 
fundamentação das decisões é crucial para 
garantir a transparência e a legitimidade do 
processo judicial, permitindo que as partes 
envolvidas compreendam as razões por trás das 
decisões e possibilitando o controle e a 
fiscalização por parte da sociedade. Além disso, a 
falta de fundamentação pode levar à nulidade da 
decisão, conforme previsto no artigo 564, inciso 
V, do Código de Processo Penal 
 
2.5. Presunção de inocência: inocente até ser 
provado culpado (após o trânsito em julgado). A 
pessoa deve ser tratada como inocente durante o 
processo. Na dúvida se presume inocente. Art. 
14, pacto internacional. 
Art. 5, LVII – CF. ninguém será considerado 
culpado até o trânsito em julgado de sentença 
penal condenatória; 
2.5.1. Critério de tratamento: a grande exceção é 
a prisão preventiva. A prisão preventiva não pode 
funcionar com finalidade de antecipação da pena. 
Só pode ser usada com uma urgência justificada 
(perigo para as testemunhas, para a produção de 
provas, para fuga, para garantir ordem pública 
(cautelaridade extraprocessual)), que não pode 
esperar o trânsito em julgado. periculum in mora 
(Processo civil) -> periculum libertates (processo 
penal). 
2.5.2. Critério de julgamento – in dubio pro reo: 
diante da prova como se avalia em caso de 
dúvida. Se o juiz fica em dúvida significa que o 
réu é inocente. Esse princípio estabelece que, 
havendo dúvida razoável sobre a culpa do réu em 
um processo penal, deve ser concedida a ele a 
presunção de inocência e a interpretação mais 
favorável aos seus interesses1. 
2.6. Contraditório: princípio que rege o processo 
e atende as duas partes, mesmo quando sigilosos. 
 
 
Amanda Rios 
 
Em termos simples, o princípio do contraditório 
garante que todas as partes envolvidas em um 
processo penal tenham a oportunidadeda instrução, ou 
antes de proferir sentença, a realização de 
diligências para dirimir dúvida sobre ponto 
relevante. 
 
Posição do STF: Juiz pode, pontualmente e 
nos limites da legalidade da lei, determinar 
diligências suplementares para dirimir dúvidas 
sobre pontos relevantes para decidir. 
 
Necessidade de submeter atos de 
investigação ao juiz das garantias. 
Art. 3º-B. O juiz das garantias é responsável 
pelo controle da legalidade da investigação 
criminal e pela salvaguarda dos direitos 
individuais cuja franquia tenha sido reservada à 
autorização prévia do Poder Judiciário, 
competindo-lhe especialmente: 
I - receber a comunicação imediata da 
prisão, nos termos do inciso LXII do caput do 
art. 5º da Constituição Federal; 
II - receber o auto da prisão em flagrante 
para o controle da legalidade da prisão, 
observado o disposto no art. 310 deste Código; 
III - zelar pela observância dos direitos do 
preso, podendo determinar que este seja 
conduzido à sua presença, a qualquer tempo; 
IV - ser informado sobre a instauração de 
qualquer investigação criminal; 
V - decidir sobre o requerimento de prisão 
provisória ou outra medida cautelar, observado o 
disposto no § 1º deste artigo; 
VI - prorrogar a prisão provisória ou outra 
medida cautelar, bem como substituí-las ou 
revogá-las, assegurado, no primeiro caso, o 
exercício do contraditório em 
(preferencialmente) audiência pública e oral, na 
forma do disposto neste Código ou em legislação 
especial pertinente; 
VII - decidir sobre o requerimento de 
produção antecipada de provas consideradas 
urgentes e não repetíveis, assegurados o 
contraditório e a ampla defesa 
(preferencialmente) em audiência pública e oral; 
VIII - prorrogar o prazo de duração do 
inquérito, estando o investigado preso, em vista 
das razões apresentadas pela autoridade policial e 
observado o disposto no § 2º deste artigo; 
IX - determinar o trancamento do inquérito 
policial quando não houver fundamento razoável 
para sua instauração ou prosseguimento; 
§ 1º O preso em flagrante ou por força de 
mandado de prisão provisória será encaminhado 
à presença do juiz de garantias no prazo de 24 
(vinte e quatro) horas, momento em que se 
realizará audiência com a presença do Ministério 
Público e da Defensoria Pública ou de advogado 
constituído, vedado o emprego de 
videoconferência. 
 
 
Amanda Rios 
 
Obs.: O STF passou a permitir o uso de 
videoconferência quando houver 
impossibilidade fática, ou seja, as partes não 
conseguirem ir à audiência. 
§ 2º Se o investigado estiver preso, o juiz 
das garantias poderá, mediante representação da 
autoridade policial e ouvido o Ministério Público, 
prorrogar, uma única vez, a duração do inquérito 
por até 15 (quinze) dias, após o que, se ainda 
assim a investigação não for concluída, a prisão 
será imediatamente relaxada. 
O STF entendeu que podem haver novas 
prorrogações e que a prisão não será 
imediatamente relaxada. (essa prisão 
provavelmente é preventiva) 
Modelo presente: Se o MP quiser arquivar, 
ele passa essa decisão para o Juiz. O Juiz só tem 
o poder de concordar com esse arquivamento, 
caso discorde, ele manda para o Procurador 
Geral, que então tem o poder de concordar com 
o arquivamento ou não. Com a nova redação, o 
poder de decisão, de concordar ou discordar, vai 
todo para o Procurador Geral. 
O juiz de garantias não é um xerife, ele não 
investiga nada, ele impede ilegalidades na fase 
investigativa, quem investiga são os órgãos, ele só 
vai fiscalizar para depois o juiz que vai julgar não 
ser o mesmo que faz esse controle. 
Quando a denúncia é recebida/queixa, se 
ficou alguma pendência de decisão do juiz de 
garantias vai ser do juiz do processo quem irá 
decidir. Uma vez iniciada a fase judicial, não cabe 
mais ao juiz de garantias pronunciar- se. O juiz 
da instrução e julgamento não está vinculado às 
decisões do juiz de garantias. 
O juiz de garantias é o responsável pelo 
controle da legalidade da investigação criminal e 
pela salvaguarda dos direitos individuais cuja 
franquia tenha sido reservada à autorização 
prévia do Poder Judiciário. O juiz de garantias é 
uma forma de delimitar não apenas a 
competência de magistrados, segundo o objeto 
do juízo cognitivo outorgado pela legislação, mas 
também para assegurar que o princípio do juiz 
natural não conflite com a sua necessária 
imparcialidade. 
A prisão de qualquer pessoa e o local onde 
se encontre serão comunicados imediatamente 
ao juiz competente e à família do preso ou pessoa 
por ele indicada. A comunicação é alusiva às 
prisões extraprocessuais, ou seja, deve estar 
inserida na esfera da competência do juiz das 
garantias, na fase investigativa, que segue até o 
momento do recebimento da denúncia ou 
queixa-crime. É o juiz de garantias que deverá 
examinar se a prisão é ilegal (caso de 
relaxamento), se é caso de conversão em prisão 
preventiva (desde que requerida) ou se deve 
conceder a liberdade provisória. O juiz de 
garantias tem o dever de assegurar o 
cumprimento das regras para o tratamento dos 
presos. Há o dever de informar o juiz de garantias 
sobre a instauração de toda investigação. É o juiz 
de garantias o destinatário central dos pedidos de 
diligências, sendo a autoridade responsável para 
decidir eventuais medidas cautelares 
representadas pela polícia ou requeridas pelo 
Ministério Público. O dever de informação deve 
se estender a qualquer investigação criminal. 
Os meios de obtenção de prova que firam 
o direito ao segredo, submetidos à cláusula 
especial de reserva, dependerão de requerimento 
expresso ou representação da autoridade policial 
e serão deliberados pelo juiz de garantias. 
Compete ao juiz das garantias assegurar, 
prontamente e quando se fizer necessário, o 
direito outorgado ao investigado e ao seu 
defensor de acesso a todos os elementos 
informativos e provas produzidas no âmbito da 
investigação criminal, salvo no que concerne, 
estritamente, às diligências em andamento. 
 
 
Amanda Rios 
 
Obs.: Se o investigado estiver preso, o juiz 
das garantias poderá, mediante representação da 
autoridade policial e ouvido o MP, prorrogar, 
uma única vez, a duração do inquérito por até 
quinze dias, após o que, se ainda assim a 
investigação não for concluída, a prisão será 
imediatamente relaxada. 
Art. 3º-C. A competência do juiz das 
garantias abrange todas as infrações penais, 
exceto as de menor potencial ofensivo, e cessa 
com o recebimento da denúncia ou queixa na 
forma do art. 399 deste Código. 
 
Recebida a denúncia ou queixa, as questões 
pendentes serão decididas pelo juiz da instrução 
e julgamento. (art. 3-C, § 1º, CPP) 
As decisões proferidas pelo juiz das 
garantias não vinculam o juiz da instrução e 
julgamento. 
Sistema Acusatório e o Sistema de Rodízio 
de juízes = inconstitucional. 
Art. 3º-D. O juiz que, na fase de 
investigação, praticar qualquer ato incluído nas 
competências dos arts. 4º e 5º deste Código ficará 
impedido de funcionar no processo. 
Parágrafo único. Nas comarcas em que 
funcionar apenas um juiz, os tribunais criarão um 
sistema de rodízio de magistrados, a fim de 
atender às disposições deste Capítulo. 
Art. 3º-E. O juiz das garantias será 
designado conforme as normas de organização 
judiciária da União, dos Estados e do Distrito 
Federal, observando critérios objetivos a serem 
periodicamente divulgados pelo respectivo 
tribunal. 
 Art. 3º-F. O juiz das garantias deverá 
assegurar o cumprimento das regras para o 
tratamento dos presos, impedindo o acordo ou 
ajuste de qualquer autoridade com órgãos da 
imprensa para explorar a imagem da pessoa 
submetida à prisão, sob pena de responsabilidade 
civil, administrativa e penal. 
Parágrafo único. Por meio de regulamento, 
as autoridades deverão disciplinar, em 180(cento 
e oitenta) dias, o modo pelo qual as informações 
sobre a realização da prisão e a identidade do 
preso serão, de modo padronizado e respeitada a 
programação normativa aludida no caput deste 
artigo, transmitidas à imprensa, assegurados a 
efetividade da persecução penal, o direito à 
informação e a dignidade da pessoa submetida à 
prisão. 
(não sei se a parte inferior faz parte de juiz 
de garantias ainda) 
8. Investigação Criminal Defensiva É 
procedimento investigatório que pode ser 
adotado pela defesa técnica do réu, seja ela feita 
por defensor público ou advogado particular. 
Um problema é o que a defesa faz se encontrar 
uma prova comprometedora do réu. O defensor 
não pode destruir nem revelar para não trair o 
cliente. → Advocacia privada - provimento 
188/2018 - OAB → Defensoria Pública - poder 
de requisição 9. Detetives particulares prevê sua 
atuação na coleta de dados de natureza não 
criminal. Carente a regulamentação no âmbito do 
processo penal, mas acredita que não impede a 
condução paralela de investigação pela defesa do 
indicado (investigação criminal defensiva), desde 
que não ofenda direitos individuais 
fundamentais, como a intimidade, a honra e a 
vida privada. 
Observações: 
→ Os vícios ocorridos no inquérito policial 
não atingem a ação penal. Não há que se falar em 
contaminação da ação penal em face de defeitos 
ocorridos na prática dos atos do inquérito, pois 
 
 
Amanda Rios 
 
este é peça meramente de informação e, como 
tal, serve de base à denúncia. (corrente 
majoritária) 
→ Notícia do crime ou notícia do fato é o 
conhecimento pela autoridade, espontâneo ou 
provocado, de um fato aparentemente 
criminoso. Quando o endereçamento é à 
autoridade policial - procede a investigações 
ENDEREÇAMENT
O 
PROVIDÊNCIA 
Autoridade policial Procede a 
investigações 
Ministério Público Oferece denúncia, 
requisita instauração 
de IP ou inicial PIC 
Juiz Remete ao MP ou 
requisita instauração 
de IP 
 A notícia crime pode ser espontânea; 
provocada ou revestida de forma coercitiva. A 
denúncia anônima, chamada de delação apócrifa 
ou notitia criminis inqualificada, é uma 
subespécie de notícia-crime espontânea ou de 
cognição imediata. 
ESPÉCIES DE NOTITIA CRIMINIS - O 
indiciamento é a informação ao suposto autor a 
respeito do fato objeto das investigações. É a 
cientificação ao suspeito de que ele passa a ser o 
principal foco do inquérito. Passa de 
possibilidade para probabilidade. Precisa ter 
lastro mínimo de prova vinculando o suspeito à 
prática delitiva. O indiciamento é ato privativo da 
autoridade policial. - Toda vez que, no curso de 
investigação preliminar, existir indício de prática 
de infração penal por parte de agente com 
prerrogativa de função, a autoridade policial, civil 
ou militar remeterá, imediatamente, sob pena de 
responsabilidade, os respectivos autos ao Chefe 
da respectiva instituição, a quem competirá 
tomar as providências previstas para o 
prosseguimento da apuração 
 
SEGUNDA UNIDADE 
Aula 23/09: 
 
AÇÃO PENAL 
1. Pressupostos processuais 
1.1. De Existência 
1.1.1. Órgão jurisdicional: Refere-se à existência 
de um tribunal ou juiz competente para julgar o 
caso. 
1.1.2. Partes: Envolve a presença de partes 
legítimas no processo, ou seja, o autor (Ministério 
Público ou querelante) e o réu. 
1.1.3. Demanda: A existência de uma demanda, 
que é a acusação formal apresentada contra o réu. 
 
1.2. De Validade 
1.2.1. Intrínsecos 
1.2.1.1. Competência e imparcialidade do juiz 
1.2.1.2. Capacidade e legitimidade das partes 
1.2.1.3. Citação válida 
 
1.2.2. Extrínsecos 
1.2.2.1. Ausência de Litispendência: Não pode 
haver outro processo em andamento com as 
mesmas partes e o mesmo objeto. 
1.2.2.2. Ausência de Coisa julgada: O caso não 
pode ter sido julgado anteriormente com decisão 
final. 
Art. 395. A denúncia ou queixa será rejeitada 
quando: 
I - for manifestamente inepta; (Quando a 
denúncia não apresentar os requisitos mínimos 
necessários.) 
 
 
Amanda Rios 
 
II - faltar pressuposto processual ou condição 
para o exercício da ação penal; ou 
III - faltar justa causa para o exercício da ação 
penal. (Quando não houver indícios suficientes 
de autoria e materialidade do crime.) 
 
EMENTA DE DECISÃO JUDICIAL – STF, 
HC 83795, DJ 06/08/2004 
EMENTA: HABEAS CORPUS, PROCESSO 
PENAL. ALEGAÇÃO DE 
LITISPENDÊNCIA. ORDEM 
PARCIALMENTE CONCEDIDA. 1. A 
litispendência por se encaixar no conceito de 
pressuposto processual, pode e deve ser 
decretada de ofício, sob pena de violação do 
princípio do no bis in idem. 2. Ordem 
concedida em parte, para determinar ao Superior 
Tribunal de Justiça que conheça do habeas 
corpus já impetrado e aprecie a questão da 
litispendência. 
 
2. Conceito de ação 
O direito de ação é o direito de provocar a 
jurisdição para que esta resolva um conflito de 
interesses. É autônomo em relação ao direito 
material discutido, ou seja, o direito de ação 
existe independentemente do direito material que 
se busca proteger. 
2.1. Teorias imanentistas – Savigny – a todo 
direito corresponde uma ação, que o assegura 
2.2. Teorias autonomistas 
2.2.1 Concreta - Chiovenda: direito de se obter 
uma sentença favorável. Para ele, a ação é um 
meio para alcançar um resultado específico: uma 
decisão judicial que reconheça o direito material 
do autor. A ação, portanto, está diretamente 
ligada ao sucesso do pedido em juízo. 
2.2.2. Abstrata – Dagenkolb: direito se obter 
prestação jurisdicional. Você tem direito de que 
o Estado resolva o conflito que você trouxe. O 
direito de ação é o direito de que o Estado analise 
e julgue o conflito apresentado, mesmo que a 
decisão não seja favorável ao autor. Esta visão 
separa completamente o direito de ação do 
direito material, focando apenas no acesso à 
justiça. Teoria que Nicory gosta. 
d) Eclética - Liebman: A teoria eclética combina 
elementos das teorias concretas e abstratas. Para 
Liebman, a ação é um direito subjetivo 
instrumental, ou seja, é um meio para reivindicar 
judicialmente um direito material. A ação não é 
apenas um acessório do direito material, mas um 
instrumento para sua proteção. Esta teoria 
reconhece a autonomia do direito de ação, mas 
também considera sua ligação com o direito 
material reivindicado. 
O MP pode mover mandado de segurança em 
matéria penal. A regra é ação penal condenatória 
movida pelo Estado. 
 
3. Condições da Ação - categorias do processo 
civil se aplicam? A ação penal pode ser pública 
ou privada. 
3.1. Legitimidade das partes: Titularidade da ação 
penal. Refere-se a quem tem o direito de iniciar a 
ação penal. No caso da ação penal condenatória, 
o Estado, através do MP, é geralmente o titular. 
Em ações penais privadas, a vítima ou seu 
representante legal tem essa titularidade. 
3.1.1. Polo ativo: a discussão é sobre a 
titularidade da ação penal. Quem o Estado 
encarrega para fazer papel de acusador na ação 
penal condenatória. Nas outras ações tem-se 
outra discussão. Trata-se de escolha política, pois 
se escolhe o poder de colocar nas mãos da vítima 
de influenciar o Estado a condenar quem te 
vitimou. 
Crimes sexuais até 2009 = ação penal privada, ou 
seja, cabia vítima acusar o réu. De 2009 a 2018 = 
ação penal pública condicionada a representação 
da vítima. A partir de 2018 = ação penal pública 
 
 
Amanda Rios 
 
incondicionada, ou seja, tirou-se completamente 
das mãos da vítima o poder de processar o 
criminoso, passou a ser papel exclusivo de MP, 
independente da vontade da vítima. O MP não se 
compromete escolhendo a pena, apenas descreve 
os fatos e as circunstâncias e pede condenação. 
3.1.2. Polo passivo: Menores de 18 anos não 
podem ser réus em uma ação penal. Eles 
respondem por atos infracionais, que são 
tratados de forma diferente. Pessoa jurídica (só 
respondepor crime ambiental) são ilegítimos 
para ser réu. 
O MP é titular a maioria das ações, defendendo 
o interesse da sociedade. Nem toda pessoa tem 
titularidade para ser ré na ação penal. Existem 
casos em que é possível fazer acordos, mas a lei 
não permite que o acusado satisfaça a pretensão 
voluntariamente sem um processo judicial. 
 
3.2. Interesse de agir: O interesse de agir é uma 
das condições da ação e refere-se à necessidade 
de que a parte tenha um motivo legítimo para 
buscar a tutela jurisdicional. 
3.2.1. Interesse-necessidade – pressuposto? 
Sempre? 
3.2.2. Interesse-adequação - observar também as 
ações não condenatórias. Diz respeito à 
adequação do meio processual escolhido para a 
obtenção do resultado pretendido. A parte deve 
utilizar o procedimento correto para alcançar a 
tutela desejada. Isso é especialmente relevante em 
ações não condenatórias, como ações 
declaratórias ou constitutivas, onde a adequação 
do meio processual é fundamental. 
3.2.3. Interesse-utilidade – punibilidade 
concreta? Refere-se à utilidade prática da decisão 
judicial para a parte. A decisão deve ser capaz de 
proporcionar um benefício concreto, como a 
punição do réu em ações penais. A utilidade está 
ligada à efetividade da tutela jurisdicional. 
Obs.: Perda superveniente do direito de agir: 
perde no curso do processo. 
3.3. Possibilidade jurídica do pedido - omissão no 
novo CPC 
 
4. Condições da Ação Penal Condenatória 
4.1. Fato aparentemente criminoso – fumus 
comissi delicti: diferencia-se da fumaça do bom 
direito. Tem que demonstrar que aquele fato que 
está descrito preenche o tipo penal. 
Ex.: No caso de uma briga entre táxi e Uber, a 
polícia prendeu um motorista de Uber por 
atentado à segurança dos transportes. 
Entretanto, o fato de pegar pessoas no aeroporto 
(lugar exclusivo para táxi à época) para fazer 
transporte não enquadra no tipo penal -> prisão 
foi relaxada. Seria uma infração administrativa, 
não penal. 
4.2. Punibilidade concreta: Refere-se à 
possibilidade real de aplicação de uma pena. O 
fato deve ser punível de acordo com a lei penal 
vigente. 
4.3. Legitimidade das Partes: igual ao processo 
civil, ou seja, precisa olhar para os dois polos – 
ativo e passivo. No processo penal, o polo ativo 
é geralmente restrito ao MP, que representa o 
Estado na acusação. O polo passivo não cabe 
nem menor, nem PJ (exceto em crimes 
ambientais), cabe apenas pessoas físicas maiores 
de 18 anos. A inimputabilidade etária retira a 
legitimidade da parte, mas a inimputabilidade 
mental não retira. Obs.: HC qualquer um pode 
impetrar em nome de outrem, pois é de interesse 
público. 
4.4. Justa causa? - lastro probatório mínimo: a 
grande diferença entre as condições da ação no 
processo civil e processo penal. Justa causa é a 
existência de um lastro probatório mínimo 
contra aquela pessoa, que justifique a ação penal. 
Precisa haver indícios suficientes de autoria e 
materialidade do crime. Em alguns crimes, não 
 
 
Amanda Rios 
 
precisa de consequência para ser crime. Ex.: 
porte de arma. Lastro probatório mínimo da 
materialidade e da autoria. Após a denúncia do 
MP, a justiça pode receber ou não, por meio do 
juízo de admissibilidade. 
 
5. Condições Específicas da Ação Penal 
Condenatória: serve para alguns casos, não para 
todos. 
5.1. Condições de Procedibilidade 
5.1.1. Representação do ofendido ou de seu 
representante na ação penal pública 
condicionada: Em ações penais públicas 
condicionadas, como no caso de estelionato, a 
ação só pode ser iniciada mediante representação 
da vítima ou de seu representante legal. 
5.1.2. Requisição do Ministro da Justiça: Em 
alguns crimes, como os contra a honra do 
presidente da república, é necessária a requisição 
do Ministro da Justiça para que a investigação 
seja iniciada. Ex.: na época da pandemia um 
professor publicou um artigo desejando que 
Bolsonaro morresse de covid. O ministro da 
justiça pede para que investigue, por meio deste 
instrumento "requisição do ministro da justiça". 
 
5.2. Condições objetivas de punibilidade 
5.2.1. Entrada do agente em território nacional: 
caso de Robinho - Enquanto ele estivesse na 
Itália, ele não seria punível pelo crime em que ele 
cometeu lá. 
5.2.2. Formação do crédito tributário - STG, SV 
24: STF formou uma súmula vinculante para 
dizer que as causas tributárias só poderão ser 
julgadas após se tornarem débitos tributários. 
Súmula Vinculante nº 24: “não se tipifica crime 
material contra a ordem tributária, previsto no 
art. 1º, incisos I a IV, da Lei 8.137/1990, antes do 
lançamento definitivo do tributo." 
 
CONDIÇÕ
ES DA 
AÇÃO 
PROCESSO 
CIVIL 
PROCESSO 
PENAL 
SUBJETIVA
S 
Legitimidade 
das partes 
Legitimidade 
das partes 
OBJETIVAS Interesse de 
agir 
Fumus 
comissi 
delicti? 
Punibilidade 
concreta? 
Justa causa? 
 Possibilidade 
jurídica do 
pedido 
 
438/STJ, verbis: "É inadmissível a extinção da 
punibilidade pela prescrição da pretensão 
punitiva com fundamento em pena hipotética, 
independentemente da existência ou sorte do 
processo penal." 
 
Aula 30/09: Aqui está uma versão melhorada e 
mais organizada da explicação sobre Ação Penal, 
incorporando os conceitos e a estrutura dos 
pressupostos processuais de maneira clara e 
coesa: 
 
Ação Penal 
 
A ação penal é um mecanismo jurídico essencial 
para a aplicação da justiça criminal, englobando 
conceitos fundamentais como ação, jurisdição e 
processo. A sentença, por sua vez, é uma norma 
jurídica específica que se aplica ao caso concreto, 
definindo direitos e responsabilidades. 
 
1. Pressupostos Processuais 
 
Os pressupostos processuais são elementos 
fundamentais que garantem a existência e a 
validade do processo penal. Sem esses elementos, 
não há a possibilidade de um processo legítimo. 
 
 
Amanda Rios 
 
 
1.1. Pressupostos de Existência 
 
1.1.1. Órgão Jurisdicional 
 
Refere-se ao órgão público responsável pela 
função jurisdicional, exercida por um juiz de 
carreira ou, em algumas situações, por um júri 
popular. A existência de um órgão jurisdicional é 
imprescindível para o processo judicial, que é 
distinto de processos administrativos ou 
sancionadores. 
A função do órgão jurisdicional é a de julgar 
conflitos, solucionando questões legais e 
assegurando que o direito seja aplicado. Este 
conceito está intimamente ligado ao poder 
judiciário e reflete a separação clássica dos 
poderes proposta por Montesquieu. 
No Brasil, o júri popular é uma exceção, aplicado 
em casos de crimes contra a vida, enquanto em 
outros sistemas, como o dos EUA, é mais 
comum. 
O processo judicial serve para resolver conflitos 
de interesses entre as partes, sendo a presença do 
órgão jurisdicional essencial para isso. 
 
1.1.2. Partes 
 
As partes em uma ação penal são o acusador e o 
réu. O acusador pode ser a vítima em casos de 
ação penal privada ou o Ministério Público em 
ações penais públicas. 
Nas ações penais públicas, a vítima pode se 
habilitar como assistente de acusação, mas o 
acusador primário sempre será o MP. 
É importante notar que a natureza do acusador 
varia conforme o tipo de ação penal 
(condenatória ou não), e a definição do acusador 
é uma escolha política do sistema jurídico. 
O processo penal pode envolver um ou mais 
réus, e, em ações penais privadas, representantes 
ou sucessores da vítima podem atuar como 
acusadores. 
 
1.1.3. Demanda 
 
A demanda representa a busca de uma solução 
para o conflito. Nas ações penais condenatórias, 
a demanda é a pretensão de punir o réu, 
invocando o poder do Estado para aplicar a pena. 
Em ações penais não condenatórias, como 
mandados de segurança ou habeas corpus, a 
demanda busca a cessação de coações ilegais, 
atuando não como um exercício do poder de 
punir, mas como um mecanismo de proteção dos 
direitosdo indivíduo. 
 
1.2. Pressupostos de Validade 
 
1.2.1. Intrínsecos 
 
Competência e imparcialidade do juiz: A 
competência define quais casos devem ser 
julgados por determinado juiz, enquanto a 
imparcialidade é fundamental para garantir um 
julgamento justo. Questões relacionadas à 
imparcialidade, como suspeição e impedimento, 
devem ser avaliadas com rigor. 
 
Capacidade e legitimidade das partes: A 
capacidade diz respeito às condições que as 
partes devem atender para estarem em juízo, com 
especial atenção à idade (apenas maiores de 18 
anos podem ser réus) e à natureza das partes 
(pessoas físicas ou jurídicas, conforme o tipo de 
crime). 
 
 
 
Amanda Rios 
 
Citação válida: A citação é o ato processual que 
informa o réu sobre a demanda contra ele. Sua 
validade é crucial, pois garante que o réu tenha 
ciência do processo e possa se defender. A 
citação pode ser pessoal, por hora certa ou por 
edital, e a escolha do meio de citação deve 
respeitar princípios processuais. 
 
1.2.2. Extrínsecos 
 
Ausência de litispendência: Não pode haver 
outro processo em andamento envolvendo o 
mesmo objeto e as mesmas partes. 
 
 
Ausência de coisa julgada: O princípio "ne bis in 
idem" impede que um fato já julgado possa ser 
novamente processado. Exceções podem 
ocorrer, como na revisão criminal, que é restrita 
ao réu. 
 
2. Conceito de Ação 
 
2.1. Teorias Imanentistas 
 
Savigny propõe que, a cada direito, corresponde 
uma ação que assegura o seu exercício. Essa 
abordagem é relevante na discussão do direito 
penal, onde se reconhece o jus puniendi, ou seja, 
o direito do Estado de punir. 
 
2.2. Teorias Autonomistas 
 
Essas teorias estabelecem que o direito de ação é 
autônomo em relação ao direito material: 
 
Teoria Concreta (Chiovenda): O direito de obter 
uma sentença favorável é central, mantendo 
relação com o direito material. 
Teoria Abstrata (Dagenkolb): O foco está no 
direito de obter uma prestação jurisdicional, 
permitindo que as partes solicitem ao Estado a 
resolução de conflitos. 
Teoria Eclética (Liebman): O direito subjetivo 
instrumental é considerado, vinculado ao direito 
material reivindicado. 
 
3. Condições da Ação 
 
As condições da ação no processo penal são 
fundamentais, e algumas categorias se aplicam 
especificamente a ele, além de abrangerem ações 
não condenatórias. 
 
3.1. Legitimidade das Partes 
 
Polo Ativo: Determina quem pode ser titular da 
ação penal — o Ministério Público ou a vítima, 
dependendo do tipo de ação penal (pública ou 
privada). 
Polo Passivo: Determina quem pode ser réu, 
considerando limitações como a menoridade e a 
natureza do crime em questão. 
 
3.2. Interesse de Agir 
 
O interesse de agir deve ser demonstrado, 
indicando que a pretensão não pode ser satisfeita 
de outra forma. 
O Ministério Público deve avaliar se a ação é 
necessária, adequada e se há possibilidade de 
alcançar o objetivo da punibilidade concreta. 
 
 
 
Amanda Rios 
 
3.3. Possibilidade Jurídica do Pedido 
 
A possibilidade jurídica do pedido é menos 
enfatizada no processo penal, uma vez que o 
pedido do MP geralmente é genérico, não 
especificando a pena. 
 
4. Condições da Ação Penal Condenatória 
 
Essas condições são específicas e devem ser 
atendidas para que a denúncia seja recebida: 
 
4.1. Fato Aparentemente Criminoso (fumus 
comissi delicti) 
 
O fato denunciado deve preencher os elementos 
de um tipo penal. 
 
4.2. Punibilidade Concreta 
 
O fato deve ser passível de punição, não estando 
prescrito ou com o agente falecido. 
 
4.3. Legitimidade das Partes 
 
Verifica-se a legitimidade tanto do polo ativo 
quanto do passivo, garantindo que as partes estão 
adequadamente representadas. 
 
4.4. Justa Causa 
 
Um mínimo de lastro probatório deve existir, 
estabelecendo um nexo de causalidade que 
vincule a conduta ao crime. 
 
5. Condições Específicas da Ação Penal 
Condenatória 
 
Essas condições podem variar conforme o tipo 
de crime: 
 
5.1. Condições de Procedibilidade 
 
Representação do Ofendido: Em ações penais 
públicas condicionadas, o ofendido deve solicitar 
a abertura do processo. 
Requisição do Ministro da Justiça: Para crimes 
específicos, como os contra a honra de 
autoridades, a requisição é necessária. 
 
5.2. Condições Objetivas de Punibilidade 
 
Entrada do Agente em Território Nacional: Para 
a persecução penal de crimes cometidos fora do 
país. 
Formação do Crédito Tributário: Para crimes 
tributários, a responsabilização só pode ocorrer 
após a constituição do crédito tributário. 
 
6. Classificação das Ações Penais 
 
As ações penais podem ser classificadas em 
públicas e privadas: 
 
6.1. Ação Penal Pública 
 
Incondicionada: O Ministério Público pode agir 
independentemente de provocação. 
Condicionada: A ação depende da representação 
da vítima ou da requisição do Ministro da Justiça. 
 
 
 
Amanda Rios 
 
6.2. Ação Penal Privada 
 
Originária: A titularidade da ação é atribuída à 
vítima ou seus representantes. 
Subsidiária da Pública: Se o MP não agir, a vítima 
pode intervir. 
 
7. Ação Penal Pública: Princípios 
 
7.1. Princípios Gerais 
 
Obrigatoriedade: O MP deve denunciar quando 
há elementos suficientes. 
Indisponibilidade: O MP não pode desistir da 
ação. 
Oficialidade: Todos os atos são oficiais e devem 
ser documentados. 
Indivisibilidade: A ação não pode ser fracionada 
indevidamente. 
Intranscendência: A acusação se limita à pessoa 
do réu. 
 
7.2. Espécies 
 
Pública Incondicionada. 
Pública Condicionada à representação da vítima. 
Pública Condicionada à requisição do Ministro 
da Justiça. 
 
8. Ação Penal Privada: Princípios e Espécies 
 
8.1. Princípios 
 
Oportunidade: A vítima decide se vai ou não 
mover a ação. 
Disponibilidade: O titular pode desistir da ação. 
Indivisibilidade: A ação deve ser proposta em sua 
totalidade. 
Intranscendência: A ação se limita à pessoa do 
réu. 
 
8.2. Espécies 
 
Ação Penal Privada Originária e Subsidiária. 
 
9. Inicial Acusatória 
 
9.1. Conceito 
 
A inicial acusatória é o documento que inicia 
formalmente o processo penal. 
 
9.2. Requisitos 
 
Exposição clara do fato criminoso. 
Qualificação do acusado. 
Classificação do crime. 
Rol de testemunhas. 
 
9.3. Prazos 
 
Conforme o Código de Processo Penal (CPP): 
 
Réu preso: 5 dias para a denúncia. 
Réu solto: 15 dias para a denúncia. 
 
9.4. Aditamento 
 
 
 
Amanda Rios 
 
O aditamento permite a modificação da acusação 
ao longo do processo, podendo ser: 
 
Emendatio Libelli: Alteração da classificação 
jurídica sem mudança na narrativa. 
Mutatio Libelli: Inclusão de novos elementos que 
alteram a narrativa do fato. 
 
 
Essa versão reestruturada e detalhada 
proporciona uma visão abrangente dos conceitos 
relativos à Ação Penal, facilitando o 
entendimento dos aspectos críticos e legais 
relacionados a esse tema no direito penal. 
 
SUJEITOS PROCESSUAIS 
1. Juiz: para falar sobre poder judiciário tem que 
falar sobre democracia. O judiciário é 
independente para resolver os conflitos. Em uma 
Sociedade democrática pode haver transferência 
de poder sem derramamento de sangue e solução 
de conflitos sem luta, mas precisa ter um ente 
estatal, independente do próprio estado para 
resolver os conflitos. Processo penal é quando 
um acusador diz que um cidadão descumpriu 
uma das regras mais básicas de convivência do 
estado (crimes). nos estados democráticos, quem 
julga essa pretensão de condenação é um 
funcionário independente tanto do poder 
político, quanto do poder econômico. juiz tem 
um papel decisivo para a democracia pois ele 
define a aplicação das regras postas. O que está 
em jogo é o bem mais precioso que pode ser 
retirado por meio de um processo– liberdade. 
Instituição decisiva, pois se as pessoas não 
podem confiar no judiciário temos um problema. 
(?) Às vezes o judiciário tem um papel contra 
majoritário, quando a maioria pretende algo que 
não está nas regras do jogo democrático. se isso 
ocorre sempre é um problema, pois a sociedade 
está desejosa de mudar com as regras da 
democracia e não consegue, pois isso esse papel 
contra majoritário é menor. 
1.1 Inércia X Iniciativa: Inércia da jurisdição - isto 
é - só pode agir se provocado (limite ao poder 
judiciário). Se é a última fronteira, ele não pode 
sair resolvendo tudo sem ser chamado. Ex.: 
maior parte das críticas à Xandão é pela inércia - 
inquérito das fake news, que tem prazo e objeto 
indeterminado só não violou pois ele não é o 
acusador, ele manda para a procuradoria geral. → 
regra geral: inércia. Problema de legitimidade: ele 
ser investigador/juiz e vítima - e se não for o 
supremo, quem vai julgar? → grande exceção é a 
do habeas corpus de ofício. por muito tempo se 
entendeu que podia prender de ofício também, 
mas, recentemente, se consolidou o 
entendimento de que juiz não pode determinar 
uma prisão sem que antes o juiz tenha pedido, 
seja do delegado ou o promotor/acusador 
(começou em 2011 e se consolidou com o pacote 
anti crime em 2019). 
1.1.1. Impulso Oficial: quando o acusador 
oferece a denúncia, a partir daí cabe ao juiz fazer 
o processo andar. Se o processo está paralisado, 
mesmo que por omissão de alguma das partes, é 
dever do juiz fazer o processo andar. nem 
Xandão foi o próprio acusador, mas quando o 
acusador ofereceu a denúncia, ele deve fazer o 
processo andar. Exceção: na ação penal privada, 
se o acusador não move a ação = perempta. na 
ação penal pública, seja condicionada ou 
incondicionada, cabe ao juiz → art. 251 do CPP. 
Art. 251. Ao juiz incumbirá prover à regularidade 
do processo e manter a ordem no curso dos 
respectivos atos, podendo, para tal fim, requisitar 
a força pública. 
1.1.2. Poderes instrutórios: o quanto o juiz pode 
ou deveria produzir prova? isso é importante 
 
 
Amanda Rios 
 
para saber qual modelo ou sistema processual 
que temos, inquisitório ou acusatório. 
-Sistema acusatório: figura do acusador é 
diferente da do juiz. 
-Sistema inquisitório: uma pessoa reúne a mesma 
função (ex.: PAD na faculdade). Temos um 
sistema acusatório, mas quando o juiz está 
insatisfeito com o trabalho do acusador, o que ele 
pode fazer para suprir essa insatisfação? 
Art. 156. A prova da alegação incumbirá a quem 
a fizer, sendo, porém, facultado ao juiz de ofício: 
I – ordenar, mesmo antes de iniciada a ação 
penal, a produção antecipada de provas 
consideradas urgentes e relevantes, observando a 
necessidade, adequação e proporcionalidade da 
medida; 
II – determinar, no curso da instrução, ou antes 
de proferir sentença, a realização de diligências 
para dirimir dúvida sobre ponto relevante. 
Muito criticado, pois se há dúvida deveria ser in 
dúbio pro reo. 
Claro, vou explicar melhor os tópicos que você 
mencionou. 
1.1.3. Livre Convencimento Motivado: 
Sistema de Valoração da Prova - Art. 155 do 
CPP 
Art. 155 do CPP estabelece que o juiz formará 
sua convicção pela livre apreciação da prova 
produzida em contraditório judicial, ou seja, 
durante o processo, onde ambas as partes têm a 
oportunidade de apresentar e contestar provas. O 
juiz não pode fundamentar sua decisão 
exclusivamente nos elementos informativos 
colhidos na investigação, exceto em casos de 
provas cautelares, não repetíveis e antecipadas. O 
parágrafo único ressalta que, quanto ao estado 
das pessoas, devem ser observadas as restrições 
estabelecidas na lei civil. 
Sistemas de Valoração da Prova 
Existem três principais sistemas de valoração da 
prova: 
1. Prova Tarifada: 
Descrição: A lei determina o valor de cada prova 
para uma determinada finalidade. A lei cria um 
"barema" (tabela) de quantos pontos são 
necessários para provar um fato. O papel do juiz 
é apurar esses pontos, olhando para hipóteses 
legais fechadas e atribuindo pontos. 
Histórico: Era comum na Idade Média, onde o 
juiz tinha pouca liberdade para decidir, atuando 
mais como um "apurador de pontos" ou "boca 
da lei". 
2. Íntima Convicção: 
Descrição: O juiz avalia o conjunto probatório e 
decide com base em sua convicção pessoal, sem 
necessidade de fundamentar detalhadamente sua 
decisão. 
Aplicação: Esse sistema é utilizado, por 
exemplo, no Tribunal do Júri, onde os jurados 
decidem com base em sua íntima convicção. 
3. Livre Convencimento Motivado: 
Descrição: O juiz aprecia o conjunto das provas 
e decide livremente, mas deve fundamentar sua 
decisão nas provas apresentadas. Ele deve 
apontar nas provas o que o levou a decidir de 
determinada forma, sem seguir uma hierarquia 
pré-estabelecida de provas. 
Importância: Esse sistema garante que a decisão 
judicial seja transparente e justificada, permitindo 
que as partes entendam os motivos da decisão. 
 
 
Amanda Rios 
 
Tribunal do Júri 
O Tribunal do Júri é um direito político do povo 
para participação na justiça e uma garantia 
individual do réu. No Brasil, os jurados não se 
comunicam entre si durante o julgamento, ao 
contrário dos EUA, onde os jurados debatem 
antes de chegar a um veredicto. Isso pode ser 
visto como uma desvantagem no sistema 
brasileiro, pois limita a troca de ideias entre os 
jurados. 
No sistema de livre convencimento motivado, o 
juiz já possui um grande poder de decisão. Se o 
sistema fosse também instrutório (onde o juiz 
tem um papel ativo na coleta de provas), isso 
poderia aumentar ainda mais seu poder, o que 
pode ser visto como problemático em termos de 
imparcialidade. 
1.1.4. Impossibilidade de proceder de ofício para 
alguns 
Juiz não pode prender de oficio. Ninguém quer 
perder poder. Quando o art. 311 do CPP foi 
reformado pela última vez, ficou claro que o juiz 
não pode decretar prisão de ofício. No entanto, 
alguns juízes tentaram contornar essa restrição. 
Quando o promotor solicita medidas cautelares 
(como o recolhimento noturno) mas não pede 
explicitamente a prisão, alguns juízes começaram 
a interpretar isso como um pedido implícito de 
prisão, argumentando que a prisão preventiva 
também é uma medida cautelar. Ou seja, se o 
promotor pede uma medida cautelar, estaria 
pedindo todas as possíveis. Assim, o juiz só não 
poderia decretar a prisão se o pedido fosse pelo 
relaxamento da prisão. 
Esse argumento está equivocado, pois a prisão 
preventiva é a maior restrição à liberdade e o juiz 
está vinculado a um pedido específico de prisão 
preventiva ou temporária, e não a um pedido 
genérico de medidas cautelares. 
Código de Processo Penal. 
Art. 251. Ao juiz incumbirá prover à regularidade 
do processo e manter a ordem no curso dos 
respectivos atos, podendo, para tal fim, requisitar 
a força pública. 
Art. 155. O juiz formará sua convicção pela livre 
apreciação da prova produzida em contraditório 
judicial, não podendo fundamentar sua decisão 
exclusivamente nos elementos informativos 
colhidos na investigação, ressalvadas as provas 
cautelares, não repetíveis e antecipadas. 
Parágrafo único. Somente quanto ao estado das 
pessoas serão observadas as restrições 
estabelecidas na lei civil. 
Art. 156. A prova da alegação incumbirá a quem 
a fizer, sendo, porém, facultado ao juiz de ofício: 
I – ordenar, mesmo antes de iniciada a ação 
penal, a produção antecipada de provas 
consideradas urgentes e relevantes, observando a 
necessidade, adequação e proporcionalidade da 
medida; 
II – determinar, no curso da instrução, ou antes 
de proferir sentença, a realização de diligências 
para dirimir dúvida sobre ponto relevante.” (NR) 
1.2. Imparcialidade 
A imparcialidade garante que ambas as partes 
terão a oportunidade de influenciar na decisão, 
com o juiz dando espaço paraouvir os dois lados. 
Isso significa escutar ambas as partes de maneira 
isenta, sem chegar ao julgamento com uma 
opinião formada. Este é um dos princípios mais 
importantes do sistema judicial. 
 
 
Amanda Rios 
 
Casos de Falta de Imparcialidade 
Existem situações em que o juiz pode não ser 
imparcial, o que pode levar ao seu afastamento 
do caso. Esses casos são divididos em dois tipos: 
impedimento e suspeição. 
• Impedimento: De ordem objetiva, 
ocorre quando há uma situação prevista 
em lei que impede o juiz de atuar no caso. 
• Suspeição: De ordem subjetiva, ocorre 
quando há motivos para duvidar da 
imparcialidade do juiz, baseados em suas 
relações pessoais ou comportamento. 
Em ambos os casos, a interpretação deve ser 
restritiva. Ou seja, na dúvida, presume-se que o 
juiz é imparcial, e ele só deve ser afastado quando 
as causas forem bem demonstradas. 
Observações 
• Imparcialidade e Suspeição: Esses 
conceitos também se aplicam a 
promotores e defensores, com algumas 
especificidades. No entanto, não se 
aplicam ao advogado próprio, que pode 
atuar até em causa própria. 
• Consequências: As consequências de 
uma declaração de impedimento e 
suspeição são as mesmas, resultando na 
nulidade dos atos processuais. A 
diferença está na alegação: o 
impedimento gera nulidade absoluta, 
enquanto a suspeição gera nulidade 
relativa. 
 
1.2.1. Causas de Impedimento 
Art. 252. O juiz não poderá exercer jurisdição no 
processo em que: 
I - tiver funcionado seu cônjuge ou parente, 
consangüíneo ou afim, em linha reta ou colateral 
até o terceiro grau, inclusive, como defensor ou 
advogado, órgão do Ministério Público, 
autoridade policial, auxiliar da justiça ou perito; 
II - ele próprio houver desempenhado qualquer 
dessas funções ou servido como testemunha; 
Obs.: muito comum em caso de pessoas novas 
que mudam muito de carreira. Se testemunhou o 
caso é parcial, não tem um distanciamento 
necessário, pois tem um contato muito forte com 
o caso. 
III - tiver funcionado como juiz de outra 
instância, pronunciando-se, de fato ou de direito, 
sobre a questão; 
IV - ele próprio ou seu cônjuge ou parente, 
consanguíneo ou afim em linha reta ou colateral 
até o terceiro grau, inclusive, for parte ou 
diretamente interessado no feito. 
Obs.: juiz não pode julgar em causa própria e de 
nenhum dos parentes. 
Impedimento Cruzado: Quando uma 
sociedade de advogados pertence a um parente 
de um ministro, mas o advogado que atua no 
caso não é parente, presumir que o cliente do 
escritório é imparcial pode ser um exagero. No 
entanto, se o advogado que atua no caso for da 
família do ministro, a imparcialidade pode ser 
questionada. Em outras palavras, se o advogado 
que está representando o cliente não tem relação 
familiar com o ministro, não há motivo para 
presumir falta de imparcialidade. Mas, se o 
advogado for parente do ministro, isso pode 
comprometer a imparcialidade do julgamento. 
Art. 253. Nos juízos coletivos, não poderão servir 
no mesmo processo os juízes que forem entre si 
parentes, consanguíneos ou afins, em linha reta 
ou colateral até o terceiro grau, inclusive. 
 
1.2.2. Causas de Suspeição 
 
 
Amanda Rios 
 
Art. 254. O juiz dar-se-á por suspeito, e, se não o 
fizer, poderá ser recusado por qualquer das 
partes: 
I - se for amigo íntimo ou inimigo capital de 
qualquer deles; 
Obs.: difícil na era da internet, pois estar 
seguindo no instagram não é amigo íntimo. difícil 
também em caso de só um promotor, defensor e 
juiz na cidade, que inevitavelmente vão morar 
perto e virar amigos. faz sentido ter essa regra, 
mas dificilmente é levada a sério 
II - se ele, seu cônjuge, ascendente ou 
descendente, estiver respondendo a processo por 
fato análogo, sobre cujo caráter criminoso haja 
controvérsia; 
Ex.: se ele responde por corrupção, não pode 
julgar um processo de corrupção 
III - se ele, seu cônjuge, ou parente, 
consanguíneo, ou afim, até o terceiro grau, 
inclusive, sustentar demanda ou responder a 
processo que tenha de ser julgado por qualquer 
das partes; 
Obs.: suspeição cruzada. se um juiz X está 
julgando a causa de um outro juiz Y sendo que o 
Y tem um processo que interessa ao X. 
IV - se tiver aconselhado qualquer das partes; 
Obs.: atender advogado/promotor é permitido, 
pois é um exercício do contraditório, o que não 
pode é o juiz responder, dizer o que você deve 
fazer, nos autos ou fora dos autos 
V - se for credor ou devedor, tutor ou curador, 
de qualquer das partes; 
Vl - se for sócio, acionista ou administrador de 
sociedade interessada no processo. 
 
-Foro íntimo: seja ou não seja uma dessas causas, 
pode dizer que é de foro íntimo, que não é 
imparcial o suficiente, sem querer revelar o que é. 
2. Ministério Público 
O Ministério Público (MP) apresenta um desafio 
em relação à tripartição dos poderes, pois não se 
encaixa claramente em nenhum dos três poderes 
tradicionais. Historicamente, o MP surgiu como 
um apêndice do Poder Judiciário (PJ), com o 
Procurador da Corte tendo poderes para 
demandar e promover ações que o juiz não 
podia. Com o avanço da democracia e a 
consolidação de um sistema acusatório, que 
separa as funções de julgar e acusar, o MP se 
desvinculou completamente do PJ. Se ele não 
pertence ao PJ, a qual poder ele está vinculado? 
Pode-se considerar o MP como uma espécie de 
quarto poder. 
O MP não funciona da mesma forma que um 
tribunal, pois seu presidente não é eleito, por 
exemplo. O chefe da instituição, no âmbito 
federal, é escolhido pelo presidente da República 
a partir de uma lista tríplice (semelhante ao 
processo estadual, onde o governador faz a 
escolha). Isso levanta a questão de se o MP seria 
parte do Poder Executivo (PE). No entanto, o 
MP não integra o PE, sendo mais comum vê-lo 
como um quarto poder. 
A Defensoria Pública copiou a estrutura do MP, 
podendo ser vista como um quinto poder, que 
coopera ou concorre com o MP. O MP ganha 
independência porque lida com interesses muito 
poderosos, tanto dentro quanto fora do Estado. 
Por isso, ser subordinado ao PJ ou ao PE seria 
inadequado. 
A independência do MP deve ser entendida 
como independência funcional, ou seja, 
autonomia. Essa autonomia é tão forte que o MP 
tem iniciativa de lei para alterar regras que 
disciplinam sua atuação, sendo essas leis 
validadas ou não pelo Legislativo. Apenas o 
 
 
Amanda Rios 
 
Procurador-Geral pode enviar essas propostas, 
tanto no âmbito federal quanto estadual. 
O MP é muito mais do que sua atuação na área 
penal. Embora os Ministérios Públicos tenham 
nascido na área penal, com a necessidade de 
acusar, eles também assumiram o papel de tutela 
da sociedade, defendendo a lei e os interesses 
transindividuais. 
Observações 
• A Defensoria Pública pode atuar como 
acusadora em casos de ação penal privada 
e, dependendo do ponto de vista, no 
papel de assistente de acusação. 
• As consequências de uma declaração de 
impedimento e suspeição são as mesmas, 
resultando na nulidade dos atos 
processuais. A diferença está na alegação: 
o impedimento gera nulidade absoluta, 
enquanto a suspeição gera nulidade 
relativa. 
2.1. Funções do Ministério Público 
2.1.1. Acusador 
O papel fundamental do Ministério Público (MP) 
é exercer a pretensão acusatória do Estado. Isso 
inclui: 
• Indicar ao juiz o acusado: Identificar 
quem é o acusado e individualizar sua 
conduta. 
• Apresentar provas: O MP deve 
apresentar provas substanciais no 
momento da acusação. Não pode basear 
a acusação apenas em convicções sem 
provas. Para prosseguir com a ação penal, 
é necessário ter uma quantidade mínima 
de provas. 
• Pedido na ação penal pública: O 
pedido é genérico, sem especificar um 
número ou limite de pena, mas o MP 
pode recorrer posteriormente para 
aumentar a pena. 
Ônus da Prova 
A acusação está diretamente ligada ao ônusda 
prova. Em termos gerais, o ônus da prova cabe 
ao autor da ação (MP na ação penal pública). 
• Diferença para o processo civil: No 
processo civil, a revelia (não contestação) 
torna verdadeiros os fatos alegados pela 
acusação. No processo penal, a revelia 
não torna os fatos verdadeiros, e o ônus 
da prova continua com a acusação, 
mesmo em caso de confissão. 
• Confissão: A confissão não pode ser 
utilizada sozinha para condenar o 
acusado. 
• Nível de prova: Existe um nível de 
prova necessário para acusar e outro para 
condenar. É preciso provar a 
materialidade do crime (que o crime 
aconteceu) e ter indícios suficientes de 
autoria. 
• Testemunho: A vítima, em tese, não é 
considerada testemunha, mas sim 
informante. Em uma ação penal 
pública, a vítima é uma terceira 
interessada, não uma parte. O 
depoimento da vítima não pode servir 
sozinho para uma condenação. 
Influência do MP sobre o Juiz 
• Independência: O MP é independente 
do juiz, e o juiz também é independente 
do MP. Uma das funções do juiz é ser 
imparcial. 
 
 
Amanda Rios 
 
• Pedido de absolvição: O MP pode 
pedir a absolvição se, ao longo do 
processo, concluir que não há provas 
suficientes. No entanto, o juiz não é 
obrigado a seguir esse pedido. 
Art. 385 do CPP: Nos crimes de ação pública, o 
juiz pode proferir sentença condenatória, mesmo 
que o MP tenha opinado pela absolvição, e pode 
reconhecer agravantes, mesmo que nenhuma 
tenha sido alegada. 
Discussão sobre a Sustentabilidade do Art. 
385 
A opinião de que o Art. 385 ainda é 
constitucional se baseia no princípio da 
indisponibilidade da ação penal pública, ou seja, 
uma vez iniciada, não pode ser desistida. Pedir a 
absolvição não é desistir, pois um pedido de 
absolvição é fundamentado, enquanto a 
desistência não é. Se o juiz fosse obrigado a seguir 
o pedido de absolvição do MP, isso impediria 
qualquer um de pedir para continuar a ação. Já 
outra visão defende que o juiz deve se vincular ao 
pedido de absolvição do MP. 
b) Poder de Requisição 
O Ministério Público (MP) tem o poder de 
requisitar documentos, exames, perícias e 
informações de qualquer autoridade pública e 
seus agentes, no que diz respeito ao exercício de 
suas funções. A Defensoria Pública (DP) 
também possui esse poder. 
• Debate: Há uma discussão sobre o que o 
MP pode solicitar que o juiz oficie e o que 
ele pode fazer diretamente. Existem 
limites, como o respeito aos sigilos. 
2.1.2. Fiscal da Lei (custos legis) 
O MP atua como fiscal da lei quando opina sem 
ter interesse direto na contestação. No processo 
penal, o MP também exerce essa função. 
• Pareceres: O MP pode ser chamado a 
dar um parecer sobre determinado 
pedido da defesa, especialmente em casos 
de recurso, antes do tribunal decidir. O 
MP do tribunal pode dar parecer a pedido 
do delegado em caso de solicitação de 
prova. 
• Distinção: Não se deve confundir o 
papel do MP como fiscal da lei com o 
seu papel como parte no processo. 
• Habeas Corpus e Ação Penal Privada: 
Nesses casos, o MP atua apenas como 
fiscal da lei, não sendo parte do processo. 
• Parte Imparcial: O MP é considerado 
uma parte imparcial, pois não defende 
um interesse próprio, mas sim o interesse 
da sociedade em geral. 
No sistema americano, o caso é apresentado 
como "The People vs. Acusado", indicando que 
o MP não defende o interesse da vítima 
individualmente, mas o interesse do povo. 
2.2. Imparcialidade: O Ministério Público (MP) 
também está sujeito a causas de impedimento e 
suspeição. Um dos principais argumentos dos 
promotores para afirmar sua imparcialidade é 
que, se considerarem o réu inocente, eles pedirão 
a absolvição. 
Art. 258 do CPP: "Os órgãos do Ministério 
Público não funcionarão nos processos em que o 
juiz ou qualquer das partes for seu cônjuge, ou 
parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou 
colateral, até o terceiro grau, inclusive, e a eles se 
estendem, no que lhes for aplicável, as 
 
 
Amanda Rios 
 
prescrições relativas à suspeição e aos 
impedimentos dos juízes." 
Claro, aqui está uma versão melhorada do seu 
texto: 
 
3. Acusado e Seu Defensor 
O termo "réu" carrega muito estigma, por isso é 
preferível usar "acusado". 
3.1. Acusado 
O acusado é quem ocupa o polo passivo da ação 
penal, podendo ser uma pessoa física ou jurídica. 
3.1.1. Identidade 
É essencial identificar corretamente o acusado 
para garantir que a ação penal seja justa. Mesmo 
que o nome verdadeiro não seja conhecido com 
100% de certeza, isso não impede o andamento 
da ação penal. É necessário ter informações 
mínimas sobre a autoria; caso contrário, o 
processo deve ser arquivado por falta de autoria. 
Art. 259 do CPP: "A impossibilidade de 
identificação do acusado com o seu verdadeiro 
nome ou outros qualificativos não retardará a 
ação penal, quando certa a identidade física. A 
qualquer tempo, no curso do processo, do 
julgamento ou da execução da sentença, se for 
descoberta a sua qualificação, far-se-á a 
retificação, por termo, nos autos, sem prejuízo da 
validade dos atos precedentes." 
Isso também se aplica a pessoas jurídicas. 
3.1.2. Auto-Defesa 
O próprio acusado pode se defender, 
apresentando sua versão dos fatos, 
permanecendo em silêncio ou trazendo provas. 
Ele pode escolher participar ou não dos atos 
processuais. O direito de produzir provas está 
garantido pelo artigo 5º da Constituição, que 
assegura a ampla defesa. 
• Tempo: O tempo é um recurso escasso 
e essencial para que o acusado possa se 
reunir com seu defensor técnico, buscar 
informações necessárias para sua defesa e 
orientar o defensor sobre a melhor 
estratégia a seguir. 
• Dever de Informação: É fundamental 
que o acusado saiba do que está sendo 
acusado para poder se defender 
adequadamente. A autodefesa é 
independente da defesa técnica e deve ser 
efetiva, não apenas uma formalidade. 
• Produção de Provas: O acusado tem o 
direito de produzir provas e deve ter 
tempo e oportunidade para fazê-lo. 
3.1.3. Direito de Não se Auto-Incriminar 
O acusado tem o direito de não se 
autoincriminar, o que inclui o direito ao silêncio, 
mas não se limita a isso. Nos Estados Unidos, 
esse direito é garantido pela Quinta Emenda. No 
Brasil, não há um momento formal para o 
acusado se declarar. 
Existe um Direito à Mentira? 
Nos Estados Unidos, se o réu mente, ele pode 
ser acusado de perjúrio. No Brasil, isso não se 
aplica ao réu. O único crime relacionado é o de 
falsa identidade. Dizer que não cometeu um 
crime quando cometeu, ou mentir sobre o 
local onde estava, não é considerado crime 
no Brasil. Mentir sobre os fatos não é crime 
no Brasil. 
 
 
Amanda Rios 
 
Direito de Não Produzir Prova Contra Si 
Mesmo 
• Lei Seca: O legislador condicionou a 
configuração do crime à presença de uma 
quantidade de álcool no sangue, que pode 
ser medida pelo bafômetro. Muitas 
pessoas se recusavam a fazer o teste, 
então a lei foi alterada para permitir a 
comprovação da embriaguez por sinais 
clínicos evidentes, como confusão 
mental, desequilíbrio, olhos vermelhos, 
cheiro de álcool, etc. Se a pessoa se 
recusar a fazer o teste, paga uma multa 
administrativa, mas não é presa. No 
entanto, se a polícia perceber sinais claros 
de embriaguez, a pessoa pode ser presa. 
Direito de Não Comparecer ao 
Interrogatório 
Art. 260 do CPP: Se o acusado não atender à 
intimação para o interrogatório, reconhecimento 
ou qualquer outro ato que, sem ele, não possa ser 
realizado, a autoridade poderá mandar conduzi-
lo à sua presença. (Vide ADPF 395 e ADPF 444) 
Parágrafo Único: O mandado conterá, além da 
ordem de condução, os requisitos mencionados 
no art. 352, no que lhe for aplicável. 
• Declaração de Inconstitucionalidade: 
O Art. 260 foi declarado inconstitucional, 
protegendo o acusado de sofrer o 
constrangimento de ser interrogado à 
força. 
• Caso Lula:Houve condução coercitiva 
antes do processo, sem que ele tivesse 
sido intimado para comparecer 
voluntariamente. 
Direito de Não Comparecer ao Júri 
O Supremo Tribunal Federal decidiu que, se 
houver condenação no júri, o réu deve ser preso 
imediatamente. Isso é controverso, pois 
contradiz decisões anteriores que determinavam 
a expedição do mandado de prisão apenas após a 
condenação transitada em julgado. Às vezes, o 
réu opta por não comparecer ao júri para evitar a 
prisão imediata, mas perde a oportunidade de se 
defender. 
3.2. Defensor (Técnico) 
O defensor pode ser o próprio acusado, se ele for 
advogado (exceto se for defensor público), ou 
pode ser constituído por ele ou proporcionado 
pelo Estado. 
3.2.1. Defensor Constituído 
O defensor constituído é escolhido pelo réu, que 
outorga uma procuração para defender seus 
interesses em juízo. Esse defensor é 
necessariamente particular e a confiança é um 
princípio fundamental nessa relação. Claro, aqui 
está uma versão melhorada do seu texto: 
 
3. Acusado e Seu Defensor 
O termo "réu" carrega muito estigma, por isso é 
preferível usar "acusado". 
3.1. Acusado 
O acusado é quem ocupa o polo passivo da ação 
penal, podendo ser uma pessoa física ou jurídica. 
3.1.1. Identidade 
É essencial identificar corretamente o acusado 
para garantir que a ação penal seja justa. Mesmo 
 
 
Amanda Rios 
 
que o nome verdadeiro não seja conhecido com 
100% de certeza, isso não impede o andamento 
da ação penal. É necessário ter informações 
mínimas sobre a autoria; caso contrário, o 
processo deve ser arquivado por falta de autoria. 
Texto de Lei: 
Art. 259 do CPP: "A impossibilidade de 
identificação do acusado com o seu verdadeiro 
nome ou outros qualificativos não retardará a 
ação penal, quando certa a identidade física. A 
qualquer tempo, no curso do processo, do 
julgamento ou da execução da sentença, se for 
descoberta a sua qualificação, far-se-á a 
retificação, por termo, nos autos, sem prejuízo da 
validade dos atos precedentes." 
Isso também se aplica a pessoas jurídicas. 
3.1.2. Auto-Defesa 
O próprio acusado pode se defender, 
apresentando sua versão dos fatos, 
permanecendo em silêncio ou trazendo provas. 
Ele pode escolher participar ou não dos atos 
processuais. O direito de produzir provas está 
garantido pelo artigo 5º da Constituição, que 
assegura a ampla defesa. 
• Tempo: O tempo é um recurso escasso 
e essencial para que o acusado possa se 
reunir com seu defensor técnico, buscar 
informações necessárias para sua defesa e 
orientar o defensor sobre a melhor 
estratégia a seguir. 
• Dever de Informação: É fundamental 
que o acusado saiba do que está sendo 
acusado para poder se defender 
adequadamente. A autodefesa é 
independente da defesa técnica e deve ser 
efetiva, não apenas uma formalidade. 
• Produção de Provas: O acusado tem o 
direito de produzir provas e deve ter 
tempo e oportunidade para fazê-lo. 
3.1.3. Direito de Não se Auto-Incriminar 
O acusado tem o direito de não se auto-
incriminar, o que inclui o direito ao silêncio, mas 
não se limita a isso. Nos Estados Unidos, esse 
direito é garantido pela Quinta Emenda. No 
Brasil, não há um momento formal para o 
acusado se declarar. 
• Direito à Mentira?: Nos Estados 
Unidos, se o réu mente, ele pode ser 
acusado de perjúrio. No Brasil, isso não 
se aplica ao réu. O único crime 
relacionado é o de falsa identidade. Dizer 
que não cometeu um crime quando 
cometeu, ou mentir sobre o local onde 
estava, não é considerado crime no 
Brasil. Mentir sobre os fatos não é crime 
no Brasil. 
• Lei Seca: O legislador condicionou a 
configuração do crime à presença de uma 
quantidade de álcool no sangue, que pode 
ser medida pelo bafômetro. Muitas 
pessoas se recusavam a fazer o teste, 
então a lei foi alterada para permitir a 
comprovação da embriaguez por sinais 
clínicos evidentes, como confusão 
mental, desequilíbrio, olhos vermelhos, 
cheiro de álcool, etc. Se a pessoa se 
recusar a fazer o teste, paga uma multa 
administrativa, mas não é presa. No 
entanto, se a polícia perceber sinais claros 
de embriaguez, a pessoa pode ser presa. 
• Direito de Não Comparecer ao 
Interrogatório: O Art. 260 do CPP foi 
declarado inconstitucional, protegendo o 
acusado de sofrer o constrangimento de 
 
 
Amanda Rios 
 
ser interrogado à força. No caso Lula, 
houve condução coercitiva antes do 
processo, sem que ele tivesse sido 
intimado para comparecer 
voluntariamente. 
• Direito de Não Comparecer ao Júri: O 
Supremo Tribunal Federal decidiu que, 
se houver condenação no júri, o réu deve 
ser preso imediatamente. Isso é 
controverso, pois contradiz decisões 
anteriores que determinavam a expedição 
do mandado de prisão apenas após a 
condenação transitada em julgado. Às 
vezes, o réu opta por não comparecer ao 
júri para evitar a prisão imediata, mas 
perde a oportunidade de se defender. 
3.2. Defensor (Técnico) 
O defensor pode ser o próprio acusado, se ele for 
advogado (exceto se for defensor público), ou 
pode ser constituído por ele ou proporcionado 
pelo Estado. 
• Defensor Constituído: O defensor 
constituído é escolhido pelo réu, que 
outorga uma procuração para defender 
seus interesses em juízo. Esse defensor é 
necessariamente particular e a confiança 
é um princípio fundamental nessa 
relação. Por isso, o defensor constituído 
pode ser trocado pelo réu quantas vezes 
forem necessárias ao longo do processo. 
3.2.2. Defensor Proporcionado pelo Estado 
Existem dois modelos principais de defensores 
proporcionados pelo Estado: o defensor público 
e o defensor dativo. 
• Defensor Público: 
o É um funcionário público 
concursado que integra uma 
instituição com prerrogativas 
similares às da magistratura e do 
Ministério Público. 
o Tanto o defensor quanto a 
Defensoria Pública têm iniciativa 
de lei, por exemplo. 
o O defensor público não escolhe 
o caso nem o cliente escolhe o 
defensor, então a relação não é 
baseada em confiança, mas sim 
no princípio do defensor natural. 
o Atua independentemente de 
procuração. 
o Observação: Defensores 
públicos só podem atuar como 
advogados privados se tiverem 
sido constituídos antes de 1988. 
• Defensor Dativo: 
o É um advogado particular 
nomeado pelo juiz para atuar em 
casos onde não há Defensoria 
Pública disponível. 
o Cobra honorários do Estado. 
o Pode haver um potencial falta de 
independência do defensor 
dativo em relação ao juiz, pois foi 
nomeado por ele. 
o Também não precisa de 
procuração. 
Art. 261 do CPP: "Nenhum acusado, ainda que 
ausente ou foragido, será processado ou julgado 
sem defensor." 
Parágrafo Único: "A defesa técnica, quando 
realizada por defensor público ou dativo, será 
sempre exercida através de manifestação 
fundamentada." 
Art. 263 do CPP: "Se o acusado não o tiver, ser-
lhe-á nomeado defensor pelo juiz, ressalvado o 
 
 
Amanda Rios 
 
seu direito de, a todo tempo, nomear outro de 
sua confiança, ou a si mesmo defender-se, caso 
tenha habilitação." 
Parágrafo Único: "O acusado, que não for 
pobre, será obrigado a pagar os honorários do 
defensor dativo, arbitrados pelo juiz." 
Art. 264 do CPP: "Salvo motivo relevante, os 
advogados e solicitadores serão obrigados, sob 
pena de multa de cem a quinhentos mil-réis, a 
prestar seu patrocínio aos acusados, quando 
nomeados pelo juiz." 
Observação: Resposta à acusação (penal) = 
contestação (cível). 
3.2.3. Defesa Técnica 
Vedação ao Abandono 
Se o defensor simplesmente não comparecer, ele 
estará sujeito ao pagamento de uma multa. 
Defesas Conflitantes 
Se um advogado ou defensor representar mais de 
um réu, isso é permitido, exceto quando um réu 
acusa o outro. Nesse caso, cada réu precisa de um 
defensor separado. Se um réu confessar que foi o 
único responsável, não há problema. No entanto, 
se um réu acusar o outro, cada umdeve ter seu 
próprio advogado ou defensor. 
Direito à Entrevista Reservada 
Além de todos os direitos que o réu possui, ele 
tem o direito de conversar particularmente com 
seu defensor imediatamente antes de ser 
interrogado pelo juiz, seja na audiência de 
custódia ou de instrução. Esse direito deve ser 
assegurado, mesmo que o réu já tenha tido tempo 
suficiente para conversar com o advogado 
anteriormente. Novas questões podem surgir 
durante os depoimentos, e é importante alinhar 
os últimos pontos e definir a estratégia, incluindo 
o que será dito ou não. 
Sigilo Profissional 
Embora os defensores públicos sejam 
funcionários públicos e, em regra, devam 
comunicar todas as ilegalidades que chegam ao 
seu conhecimento, isso não inclui as conversas 
que têm com o réu. Tanto os advogados quanto 
os defensores públicos devem manter o sigilo 
profissional, que é um valor fundamental da 
democracia. 
3.2.4. Natureza do Vínculo entre o Acusado e 
o Defensor 
• Defensor Constituído: A relação é 
baseada na confiança, por isso o réu pode 
trocar de defensor quantas vezes forem 
necessárias ao longo do processo. No 
entanto, às vezes há abuso desse direito. 
• Defensor Público: A relação é baseada 
no princípio do defensor natural, e o réu 
não pode escolher o defensor público. 
• Defensor Dativo: Nomeado 
judicialmente. Pode haver uma 
organização entre a OAB e a Defensoria 
com os juízes, mas não necessariamente. 
Nesse caso, é sempre o juiz que escolhe 
o defensor dativo. Esse modelo é 
considerado o pior em termos de 
assegurar a independência do advogado 
em relação ao juiz que o nomeou, sendo 
um modelo residual. 
o Regra: Não pode haver 
nomeação de defensor dativo se 
existe Defensoria Pública na 
comarca. A presença da 
Defensoria Pública exclui a 
necessidade de defensor dativo, 
 
 
Amanda Rios 
 
pois é direito dos réus ter a defesa 
patrocinada pela Defensoria, 
mesmo em casos de interesses 
conflitantes. Onde há defensor 
público, não pode haver defensor 
dativo, devido a uma 
incompatibilidade lógica. 
• Exemplo: Em caso de afastamento do 
defensor público por uma situação de 
saúde, a nomeação de um defensor 
dativo para continuar o processo é nula. 
3.2.5. Prerrogativas dos Defensores Públicos 
O STF entende que outras formas de assistência 
gratuita não possuem as mesmas prerrogativas 
que os defensores públicos. 
Art. 128 da LCP 80: Separa a Defensoria Pública 
em federal e estadual. 
• Prazo em Dobro: Assim como o 
Ministério Público (MP), os defensores 
públicos têm prazo em dobro devido ao 
volume de trabalho. 
• Poder de Requisição: Assim como o 
MP, a Defensoria Pública tem o poder de 
requisitar documentos, exames, perícias e 
informações para ajudar os assistidos na 
produção de provas. Houve uma 
discussão no Supremo Tribunal Federal 
sobre a inconstitucionalidade desse 
poder, pois poderia criar um "super-
advogado". No entanto, a ministra 
Cármen Lúcia defendeu a manutenção 
desse poder, questionando "a quem 
interessa enfraquecer a Defensoria 
Pública". 
o Observação: Requisitar é 
diferente de solicitar. É melhor 
iniciar com uma solicitação e, se 
não for cumprida, então fazer a 
requisição. Isso permite acessar 
informações que o defensor 
constituído pode obter mais 
facilmente com seu cliente. 
3.2.6. Causas de Impedimento e Suspeição 
dos Defensores Públicos 
Texto de Lei: 
Art. 131 do CPP: É vedado ao membro da 
Defensoria Pública do Estado exercer suas 
funções em processo ou procedimento: 
I. Em que seja parte ou, de qualquer forma, 
interessado. 
II. Em que tenha atuado como representante da 
parte, perito, juiz, membro do Ministério 
Público, autoridade policial, escrivão de polícia, 
auxiliar de justiça ou prestado depoimento como 
testemunha. 
III. Em que seja interessado cônjuge ou 
companheiro, parente consanguíneo ou afim em 
linha reta ou colateral, até o terceiro grau. 
IV. No qual tenha postulado como advogado de 
qualquer das pessoas mencionadas no inciso 
anterior. 
V. Em que qualquer das pessoas mencionadas no 
inciso III funcione ou tenha funcionado como 
magistrado, membro do Ministério Público, 
autoridade policial, escrivão de polícia ou auxiliar 
de justiça. 
VI. Em que tenha dado à parte contrária parecer 
verbal ou escrito sobre o objeto da demanda. VII. 
Em outras hipóteses previstas em lei. 
• Impedimento de Atuar em Causa 
Própria: Defensores públicos não 
podem atuar em causa própria, pois sua 
renda é superior ao limite que justifica a 
 
 
Amanda Rios 
 
assistência da Defensoria. Em causas 
penais, a lei proíbe essa atuação, mesmo 
para se defender. 
• Nota de Repúdio em Caso Penal: A 
Defensoria Pública não deve emitir nota 
de repúdio em casos penais, pois o 
acusado pode precisar dos serviços da 
Defensoria no futuro, o que poderia 
comprometer a imparcialidade. 
 
Aula 28/10: 
4. Ofendido: na ação penal privada, o ofendido 
é parte e é denominado de querelante. Na ação 
penal pública condicionada, não é parte, 
quem é parte é o MP. 
Representante Legal em Caso de 
Incapacidade: Quando o acusado é incapaz, é 
necessário um representante legal para 
acompanhar o processo do início ao fim. Isso 
gera um grande ônus, pois o representante deve 
estar presente em todas as etapas do processo. 
Nesse caso, é necessário ter uma procuração, 
mesmo que o defensor público esteja atuando. 
Uma vez iniciado o 
4.1. Querelante: posição do ofendido quando se 
tem ação penal privada. 
O Ofendido é Parte? 
Depende do tipo de ação penal: 
• Ação Penal Privada: O ofendido é parte 
e atua como querelante, ou seja, o 
acusador privado. Ele cumpre a função 
de mover a máquina estatal contra o réu. 
Isso pode ser oneroso para o ofendido, 
pois ele assume a responsabilidade de 
conduzir a ação penal. 
• Ação Penal Pública Condicionada: O 
ofendido não chega a ser parte, pois a 
representação é apenas uma condição 
para o prosseguimento da ação. A partir 
do momento em que a representação é 
feita, o Ministério Público assume a 
condução do processo. 
4.2. Assistente de acusação: O assistente de 
acusação é uma figura que atua ao lado do 
Ministério Público (MP) na defesa dos interesses 
da vítima em um processo penal. Ele pode ser o 
próprio ofendido ou seu representante legal, e 
sua função é auxiliar o MP na acusação. 
Art. 268. Em todos os termos da ação pública, 
poderá intervir, como assistente do Ministério 
Público, o ofendido ou seu representante legal, 
ou, na falta, qualquer das pessoas mencionadas 
no Art. 31. 
Art. 269. O assistente será admitido enquanto 
não passar em julgado a sentença e receberá a 
causa no estado em que se achar. 
Art. 270. O co-réu no mesmo processo não 
poderá intervir como assistente do Ministério 
Público. 
Art. 271. Ao assistente será permitido propor 
meios de prova, requerer perguntas às 
testemunhas, aditar o libelo e os articulados, 
participar do debate oral e arrazoar os recursos 
interpostos pelo Ministério Público, ou por ele 
próprio, nos casos dos arts. 584, § 1º, e 598. 
§ 1o O juiz, ouvido o Ministério Público, decidirá 
acerca da realização das provas propostas pelo 
assistente. 
§ 2o O processo prosseguirá independentemente 
de nova intimação do assistente, quando este, 
intimado, deixar de comparecer a qualquer dos 
atos da instrução ou do julgamento, sem motivo 
de força maior devidamente comprovado. 
4.2.1. Natureza do Interesse para Intervir 
Existem duas teses sobre a natureza do interesse 
do assistente de acusação para intervir no 
processo: 
 
 
Amanda Rios 
 
• Tese Mais Restritiva: O interesse do 
assistente de acusação é exclusivamente 
na reparação do dano. O interesse na 
condenação existe apenas na medida em 
que ela reconhece a responsabilidade do 
agressor pelo dano causado. 
• Tese Mais Ampla: O interesse do 
assistente de acusação é na aplicaçãode 
uma pena justa, independentemente da 
reparação do dano. 
4.2.2. Extensão do Direito de Recorrer 
Existem também duas teses sobre a extensão do 
direito de recorrer do assistente de acusação: 
• Tese Mais Restritiva: O assistente de 
acusação só pode recorrer em caso de 
sentença absolutória ou extintiva. 
• Tese Mais Ampla: O assistente de 
acusação pode recorrer até mesmo de 
uma sentença condenatória, buscando 
uma pena mais justa. 
Observação: O princípio do "non reformatio in 
pejus" é uma garantia do direito de defesa, que 
impede a piora da situação do réu em recurso 
exclusivo da defesa. Esse princípio não se aplica 
ao assistente de acusação, então o juiz poderia 
abrandar a pena de ofício. 
Decisão do STF: O Supremo Tribunal Federal 
decidiu que, se o Ministério Público não recorrer, 
o assistente de acusação pode interpor recurso 
mesmo após a sentença, desde que ainda não 
tenha ocorrido o trânsito em julgado. Isso se 
baseia na legitimidade do assistente de acusação 
não apenas para buscar a responsabilização do 
réu, mas também para buscar a aplicação de uma 
pena justa. 
 Art. 272. O Ministério Público será 
ouvido previamente sobre a admissão do 
assistente. 
 Art. 273. Do despacho que admitir, ou 
não, o assistente, não caberá recurso, devendo, 
entretanto, constar dos autos o pedido e a 
decisão. 
Art. 584. Os recursos terão efeito 
suspensivo nos casos de perda da fiança, de 
concessão de livramento condicional e dos ns. 
XV, XVII e XXIV do art. 581. 
§ 1o Ao recurso interposto de sentença de 
impronúncia ou no caso do no VIII do art. 581, 
aplicar-se-á o disposto nos arts. 596 e 598. 
Art. 598. Nos crimes de competência do 
Tribunal do Júri, ou do juiz singular, se da 
sentença não for interposta apelação pelo 
Ministério Público no prazo legal, o ofendido ou 
qualquer das pessoas enumeradas no art. 31, 
ainda que não se tenha habilitado como 
assistente, poderá interpor apelação, que não 
terá, porém, efeito suspensivo. 
 
VERBETES DE SÚMULA - STF – 
Aprovados 13/12/1963 
208 – o assistente do Ministério Público 
não pode recorrer, extraordinariamente, de 
decisão concessiva de "habeas corpus". 
 
 
Amanda Rios 
 
210 – o assistente do Ministério Público 
pode recorrer, inclusive, extraordinariamente, na 
ação penal, nos casos dos arts. 584, S 1, e 598 do 
CPC. 
(EMENTAS) 
 
PROVAS 
1. Entre a ficção e a história: o lugar da 
narrativa judicial 
Elementos probatórios - elementos de fixação 
daquela narrativa. A ficção é a história que você 
trará, ficção não é mentira, pois você traz como 
verdade. Verossimilhança não se cofunde com o 
real, mas apresenta uma proximidade da 
realidade. 
O processo judicial é uma máquina de 
reconstrução histórica, onde a sentença se 
vincula a uma das versões dos fatos discutidos. 
Quando falamos de processo, falamos de 
narrativas baseadas em elementos probatórios. 
Esses elementos são as âncoras que trazem 
verossimilhança à narrativa. 
O que Afasta o Jurista da Verdade Histórica 
• Tempo: O jurista não tem tempo para 
esclarecer tudo. Enquanto o historiador 
tem todo o tempo do mundo, o jurista 
tem o tempo necessário para que sua 
solução tenha uma aplicação prática. O 
processo deve ter uma duração razoável 
para ser eficaz. 
• Licitude da Prova: Nem toda prova 
pode ser admitida no direito, pois o 
processo judicial não se destina a revelar 
a verdade a qualquer custo. O processo 
tutela outros valores além da verdade. 
Não se pode fazer justiça violando o 
direito, nem cometer injustiças para 
alcançar a justiça. As provas para 
condenar devem ter limites, enquanto as 
provas para absolver têm uma aceitação 
maior, pois é mais grave condenar um 
inocente do que absolver um culpado. 
Provas ilícitas são mais frequentemente 
aceitas para absolver do que para 
condenar. 
• Solução em Caso de Dúvida: O 
princípio do "in dubio pro reo" (na 
dúvida, a favor do réu) é aplicado no 
direito, diferentemente da história, onde 
não há essa presunção. 
1.1. A Ficção e o Problema da 
Verossimilhança 
A ficção não é uma mentira, pois não tem o 
objetivo de enganar. Ela deixa claro que não é 
real, mas pede para ser tratada como se fosse. A 
ficção não necessariamente se opõe à verdade, 
mas à realidade. Ela pressupõe verossimilhança, 
que não se confunde com o real, mas com o que 
mantém credibilidade. Deve ser algo que faz 
sentido narrativamente e que seja crível. 
1.2. A narrativa histórica e o problema da 
veracidade: análise da narrativa histórica - 
vestígios, documentos e monumentos. junto 
com a ideia de verossimilhança e com os 
vestígios, documentos e monumentos a narrativa 
judicial parece histórica, mas não é (Nicory). 
Existem diferenças no trabalho do historiador e 
do juiz na construção da narrativa histórica. A 
diferença de narrativa histórica e narrativa judicial 
é o tempo, pois o jurista não tem o tempo de um 
historiador. 
• Vestígios, Documentos e 
Monumentos: Monumentos e 
documentos são construídos para 
registrar algo. Apenas possuir um desses 
elementos não conta uma história 
 
 
Amanda Rios 
 
completa; é necessário interpretar o 
contexto para entender seu significado. 
• Elementos de Prova no Processo: No 
processo judicial, os elementos de prova 
são âncoras para a verossimilhança. Não 
se pode apresentar uma prova que 
contradiga a narrativa, pois isso 
compromete a credibilidade da linha 
narrativa. 
• Objetivo: O objetivo é apresentar provas 
que convençam o julgador da nossa 
narrativa, aproximando-se da verdade 
dos fatos e permitindo que, através da 
livre apreciação da prova fundamentada, 
o juiz produza uma sentença. 
 
1.3. A narrativa judicial e o problema do 
veredicto: 
Reconstrução do Passado: Tanto a narrativa 
judicial quanto a histórica são tentativas de 
reconstrução do passado, sem projetar o futuro. 
Diferenças entre Narrativa Judicial e 
Histórica: 
Tempo: O tempo disponível no 
processo judicial não permite que o 
jurista tenha os mesmos recursos de 
observação que o historiador. A 
necessidade de estabilizar as decisões 
limita a possibilidade de correção de 
erros, e mesmo que possam ser 
corrigidos, a decisão errada permanece 
válida até então. 
Justiça: Às vezes, a justiça leva em conta 
outros elementos além da verdade. 
Ficcionalidade: Um grande indicador 
da ficcionalidade é que, às vezes, o jurista 
deve descartar provas ilícitas que o 
jornalista e o historiador podem usar. 
 
2. O problema da verdade na doutrina 
tradicional: verdade é a ideia de 
correspondência - relação entre uma afirmação e 
a realidade. Concepção de verdade quanto a 
correção. Ex.: se alguém dirige embriagado, 
atropela e mata uma pessoa. crime culposo ou 
doloso? Nicory defende que é culposo. 
Verdade: A verdade pode ser constatada em um 
momento posterior, mas decisões incorretas 
podem surtir efeitos até serem corrigidas. É 
impossível para o Estado buscar a verdade de 
todos os modos possíveis, pois a busca da 
verdade não pode significar a restrição ilimitada 
de direitos fundamentais. Os fins não justificam 
os meios, e a busca da verdade tem limitações, 
como a constitucionalidade. 
Conceito Clássico de Verdade: Existem várias 
concepções acerca da verdade, sendo a mais 
recorrente a ideia de correspondência. Ou seja, a 
verdade é uma relação correspondente entre uma 
afirmação que fazemos e os fatos sobre os quais 
fazemos essas afirmações. 
Existem outras concepções de verdade: 
• Correção: Relacionada à normatividade. 
É possível concordar com a descrição 
dos fatos, mas discordar do 
enquadramento normativo. Por exemplo, 
se uma pessoa acha que um ato é crime 
X e outra pessoa diz que é crime Y, pode-
se dizer que a outra pessoa não está 
falando a verdade. 
• Sinceridade: Relacionada à ideia de 
mentira. A verdade como sinceridade 
implica que a pessoa está sendo honestade se 
manifestar e apresentar suas argumentações, 
contestando as alegações da outra parte1. Isso 
significa que cada parte tem o direito de 
influenciar na formação do convencimento do 
juiz, podendo apresentar provas, realizar 
perguntas às testemunhas e contrapor os 
argumentos da parte adversa1. 
2.6.1. Informação: as partes devem ter acesso aos 
autos do processo e aos andamentos. A citação é 
um tipo de comunicação processual que informa 
o réu. Intimação também é um exemplo (usada 
para informar a condenação). Nem sempre é 
prévio, pois pode acontecer coisas no processo 
antes das partes saberem. 
2.6.2. Reação: nem sempre é prévio. O direito a 
reação consiste no direito da parte de se 
manifestar sobre o que está nos autos. O último 
ato antes da sentença são as alegações finais 
(ocorrem depois da audiência de instrução) do 
MP e a defesa por último. 
2.6.3. Paridade de armas: as duas partes devem 
ter oportunidades iguais de influenciar o juízo no 
processo, se não tiverem tem-se um processo 
desequilibrado. 
2.7. Ampla Defesa: é fundamental para garantir 
que o acusado tenha todas as oportunidades 
possíveis de se defender adequadamente. A 
ampla defesa divide-se em 2 aspectos: 
Autodefesa e defesa técnica. 
2.7.1. Autodefesa: é ter condições efetivas de 
fazer a defesa. Possibilidade de produzir prova, 
ter acesso a produção de prova. É o direito do 
próprio acusado de participar ativamente de sua 
defesa. Isso inclui: 
Direito de ser ouvido: O réu tem o direito de 
prestar depoimento, apresentar sua versão dos 
fatos e ser interrogado. 
Direito de presença: O réu pode estar presente 
em todos os atos processuais, como audiências e 
julgamentos. 
Direito de comunicação: O réu tem o direito 
de se comunicar com seu advogado e familiares. 
2.7.2. Defesa técnica é realizada por um 
advogado, que pode ser escolhido pelo réu ou 
nomeado pelo Estado (defensor público). Esse 
aspecto inclui: 
Elaboração de peças processuais: O 
advogado prepara documentos como petições, 
recursos e defesas escritas. 
Representação em audiências: O advogado 
representa o réu em todas as fases do processo, 
apresentando argumentos e provas em sua 
defesa. 
Orientação jurídica: O advogado fornece 
aconselhamento jurídico ao réu, explicando os 
procedimentos e as possíveis consequências. 
Tempo razoável para fazer a defesa e acesso à 
produção de provas. 
CF – Art. 5, LV - aos litigantes, em processo 
judicial ou administrativo, e aos acusados em 
geral são assegurados o contraditório e ampla 
defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; 
 
 
Amanda Rios 
 
Antigamente, o CP dizia que as testemunhas das 
2 partes seriam intimadas para audiência. mas 
hoje, a testemunha de defesa só será intimada se 
o réu pedir, caso contrário ele deveria apresentar 
por conta própria. o réu deve ter o direito de 
intimar, porque a testemunha pode ter uma 
informação importante e não gostar do réu. 
 
→ sistemas de garantia dessa defesa: 
-Pacto internacional de direitos civis e políticos: 
fala em se defender pessoalmente ou de ter 
direito a um defensor (se não tiver como pagar 
eles nomeiam um se for da conveniência da 
justiça). no BR só pode se auto representar se for 
advogado. 
O réu não pode abrir mão da defensoria pública 
- direito irrenunciável - se comprovarem 
insuficiência de recursos. Entretanto, mesmo 
ricos podem utilizar da defensoria pública, mas 
pagando honorários. 
2.7.3. Direito a não se autoincriminar: autodefesa 
tem duas dimensões, a ativa e a passiva, essa é a 
passiva. está em todos os pactos (14,3, g - 
PIDCP; 8,2, g - CADH) e na CF (art. 5, LXIII). 
Direito de não se autoincriminar vai além do 
silêncio e, sim, do de não produzir prova contra 
si mesmo. No brasil, não se anula processo pela 
falta do aviso, pois não tem explicito quem e 
quando os seus direitos devem ser informados. A 
melhor forma de interpretar a CF seria de falar 
no primeiro contato, mas a jurisprudência 
permite hoje que isso seja só informado depois 
2.7.4. Defensor natural: constituído de forma 
legal e prévia ao caso, ele é um defensor ad hoc. 
O réu não pode escolher o defensor, só se for 
pagar (advogado) decorre da lei e não da 
legislação, para ser equiparado com o promotor 
e com o juiz. 
A NORMA PROCESSUAL PENAL 
Texto Legal – CPP 
Art. 1o O processo penal reger-se-á, em todo o 
território brasileiro, por este Código, ressalvados: 
I - os tratados, as convenções e regras de direito 
internacional; 
II - as prerrogativas constitucionais do 
Presidente da República, dos ministros de 
Estado, nos crimes conexos com os do 
Presidente da República, e dos ministros do 
Supremo Tribunal Federal, nos crimes de 
responsabilidade (Constituição, arts. 86, 89, § 2º, 
e 100); 
III - os processos da competência da Justiça 
Militar; 
IV - Os processos da competência do tribunal 
especial (Constituição, art. 122, no 17); 
V - Os processos por crimes de imprensa. (Vide 
ADPF nº 130) 
Parágrafo único. Aplicar-se-á, entretanto, este 
Código aos processos referidos nos nos. IV e V, 
quando as leis especiais que os regulam não 
dispuserem de modo diverso. 
 
 
Amanda Rios 
 
Art. 2o A lei processual penal aplicar-se-á desde 
logo, sem prejuízo da validade dos atos realizados 
sob a vigência da lei anterior. 
Art. 3o A lei processual penal admitirá 
interpretação extensiva e aplicação analógica, 
bem como o suplemento dos princípios gerais de 
direito. 
 
1. Fontes da norma processual penal: 
Norma é resultado da interpretação da lei. 
A norma está sempre relacionada com “é 
proibido”, “é permitido”. Normas processuais 
são dirigidas aos sujeitos processuais. 
Constituição, Tratados Internacionais, Leis e 
Jurisprudência Vinculante são fontes da norma 
processual penal. 
➢ Código Penal Processual, Art. 2º - A lei 
processual penal aplicar-se-á desde logo, sem 
prejuízo da validade dos atos realizados sob a 
vigência da lei anterior. Uma norma processual se 
aplica antes da vigência dela desde que o processo 
não tenha chegado a essa fase. 
2. Norma Processual no tempo 
2.1. Normas processuais penais puras: normas 
processuais regula as outras normas, têm 
aplicação imediata, independentemente de ser 
mais benéfica ou prejudicial ao réu, não 
retroagem e nem são ultrativas. As normas 
processuais penais puras são aquelas que 
regulam exclusivamente os procedimentos e 
atos processuais no âmbito do direito penal, 
sem interferir diretamente nos direitos materiais 
do acusado. Essas normas incluem regras sobre 
prazos, formas de citação, mandados, entre 
outros aspectos processuais. Por exemplo, se 
uma nova lei processual penal é promulgada, ela 
se aplica imediatamente aos processos em 
andamento, sem afetar a validade dos atos já 
realizados sob a lei anterior (até concluso para 
sentença). 
 
Ex.: Caso Nardoni ocorreu em 29/03/2008 - 
Norma processual penal pura surgiu depois do 
fato, em que alterava algo em relação júri popular, 
a defesa dos réus pediu que a lei processual penal 
atingisse da mesma forma que o direito material 
penal. Entretanto, na data do júri essa opção de 
recurso tinha sido revogada. Foi ao STF – defesa 
dos réus alegaram que a lei não retroage a data do 
fato para prejudicar o réu. Mas, a legislação era 
de incidência imediata. 
Obs.: Não existe recurso para impedir uma 
manipulação da lei para atingir um caso em curso. 
2.2. Normas processuais penais mistas: aquelas 
que contêm tanto elementos de direito penal 
material quanto de direito processual penal. Isso 
significa que elas regulam aspectos tanto do 
conteúdo penal (como a definição de crimes e 
penas) quanto do procedimento penal (como 
a forma de conduzir o processo). 
Características Principais: 
Conteúdo Material: Parte da norma que afeta 
diretamente os direitos e deveres do acusado, 
como a definição de crimes, penas e medidas de 
segurança.em suas afirmações. 
 
 
 
2.1. "Verdade formal": o nível de renúncia que 
você faz na correspondência é maior na verdade 
formal. Para de se buscar antes de esgotar todos 
os meios possíveis. 
A "verdade formal" é aquela que as regras do 
processo permitem que se produza. O que não 
 
 
Amanda Rios 
 
está nos autos, não está no mundo – ou seja, é a 
verdade que se constrói e é aceita formalmente 
no processo. 
Doutrina Tradicional: A concepção tradicional 
do processo penal se contenta com a verdade 
formal. Outros entendem que o processo penal 
deveria buscar a verdade real, o que pode gerar 
autoritarismo, partindo da falsa premissa de que 
seria possível encontrar a verdade real e perfeita. 
 
2.2. "Verdade real": correspondência perfeita, ou 
seja, conseguir explicar tudo, com todas as 
minúcias, os pensamentos dos agentes e decidir 
com base nisso. Mesmo que o crime seja gravado, 
não se alcança a verdade real, pois um pode alegar 
legítima defesa e o outro lesão corporal dolosa 
(exemplo). utopia – tentativa de alcançar aquilo 
que está no passado. Nunca vai alcançar de fato. 
• Dificuldade de Compatibilização 
com o CPP Acusatório: No Código de 
Processo Penal (CPP) acusatório, se o 
juiz tem dúvida e pode pedir uma 
diligência, isso vai contra o sistema 
acusatório, pois o juiz estaria 
investigando, contrariando o princípio 
do "in dubio pro reo" (na dúvida, a favor 
do réu). 
• Utopia: A verdade real é uma utopia, 
uma tentativa de alcançar o que está no 
passado. Nunca conseguiremos alcançar 
100% da verdade real, pois só 
conseguiríamos isso considerando todos 
os elementos, como intenção e 
pensamento, o que seria absoluto e só 
poderia ser alcançado por Deus. 
 
2.3. "Verdade processual": A "verdade 
processual" é a correspondência possível, que 
aceita as limitações para alcançar a verdade real. 
Mesmo quando eu tenho acesso a verdade, tem 
que ser restrito, pois a busca pela verdade pode 
ser violenta. Mesmo com acesso a informações, 
esse acesso é limitado, e a verdade processual se 
atenta àquilo que é possível dentro dessas 
limitações. 
• Aproximação da Verdade: A verdade 
processual envolve a formulação de 
hipóteses que devem ser testadas e 
refutadas. Quando uma hipótese não 
pode ser refutada, ela é considerada uma 
verdade provisória. A busca pela verdade 
real já foi abandonada, pois é 
reconhecido que não se pode alcançar 
uma correspondência perfeita. 
• Análise Constitucional: A verdade 
processual se vincula a uma aproximação 
da verdade com base em preceitos 
constitucionais, o que pode ser visto 
como uma aproximação ficcional da 
verdade. As regras processuais limitam a 
cognição de certas coisas. 
Verdade Processual vs. Verdade Formal 
• Nível de Renúncia: A verdade formal 
renuncia mais à busca pela 
correspondência perfeita do que a 
verdade processual. A verdade 
processual busca a correspondência 
possível, colocando em dúvida a 
principal hipótese (a acusatória) até que 
ela se sustente. Na verdade formal, 
pode-se parar antes de esgotar todos 
os meios possíveis. 
• Provas Ilegais: Na verdade processual, 
provas ilegais são descartadas, o que leva 
alguns, como Nicory, a defender que a 
verdade do processo é ficcional, pois 
deve-se agir como se essas provas não 
existissem, não buscando a verdade a 
todo custo. 
 
 
Amanda Rios 
 
Considerações Importantes 
• Negacionismo: Não se pode concluir 
que, por não se conseguir a 
correspondência perfeita, não há verdade 
alguma. O negacionismo deve ser 
evitado. 
• Castanheira: A verdade produzida no 
processo é a certeza possível, que é o que 
o juiz precisa para condenar. O contrário 
de certeza é incerteza, dúvida, e em caso 
de dúvida, aplica-se o princípio do "in 
dubio pro reo" (na dúvida, a favor do 
réu). A busca é pela correspondência 
possível. 
Diferença entre Verdade Formal e 
Processual 
• Tutela da Liberdade: A verdade formal 
exige que o processo seja mais favorável 
ao réu, por isso a confissão não é 
suficiente e a revelia não presume a 
veracidade dos fatos. Esse princípio 
dispositivo do processo civil não pode 
ser aceito no processo penal. 
• ANPP: O Acordo de Não Persecução 
Penal (ANPP) traz questionamentos 
sobre qual verdade se aplica ao processo 
penal, pois no ANPP se aplica a 
verdade formal. 
Efeito Prático da Revelia no Processo Penal 
• Preclusão de Provas: A revelia pode 
resultar na preclusão da produção de 
algumas provas pela defesa, como o rol 
de testemunhas, embora nem todos os 
juízes aceitem isso. 
• Citação: No processo penal, a citação é 
pessoal, por hora certa (quando o réu está 
no endereço, mas se recusa a receber) e 
por edital. 
• Revelia: Quando o réu é citado e não 
comparece nem apresenta advogado, a 
Defensoria Pública assume sua defesa. 
3. Teoria geral da prova 
3.1. Conceito – A prova é um elemento apto a 
demonstrar a veracidade de uma afirmação, 
levando à ideia de correspondência. O passado é 
reconstruído por meio de vestígios, documentos, 
monumentos e memória: 
• Vestígios: Reminiscências do passado 
no presente. Quanto mais tempo passa, 
menos vestígios existem e mais falha a 
memória. 
• Documentos e Monumentos: Têm 
uma duração maior no tempo, mas 
trazem apenas uma visão do 
acontecimento. 
 
3.2. Finalidade – A finalidade da prova é o 
convencimento do juiz. Produzir prova é tentar 
convencer o juiz da veracidade da narrativa 
apresentada. Mesmo que a prova não convença o 
juiz, se produzida de forma lícita, ela fica 
registrada nos autos. 
3.3. Destinatários - juiz e partes – as partes 
também são destinatárias, por conta do princípio 
do contraditório. 
• Provas Comuns: Uma vez que os 
elementos entram no processo, eles 
pertencem a ambas as partes e não 
podem ser retirados para favorecer um 
lado. A prova é destinada e pertence a 
ambas as partes. 
• Negar Prova: Negar a produção de 
prova não contraria o direito subjetivo 
das partes, pois existe o controle do 
abuso de direito. O juiz pode controlar a 
produção probatória, mas de forma 
contida. O juiz não pode negar a 
produção de prova por já ter formado 
 
 
Amanda Rios 
 
uma opinião, pois há possibilidade de 
recurso. 
3.4. Natureza jurídica - direito subjetivo. A 
produção de prova é um direito subjetivo das 
partes, pois está relacionada à pretensão de se 
exonerar ou minimizar o caos. 
3.5. Objeto – fatos relevantes, fatos que 
necessitam de prova. Objeto de prova: o que 
precisa ser provado. O objeto da prova é o fato 
da vida que se quer reconstruir no processo. 
Exceções: Alguns fatos não precisam ser 
provados, como pressupostos de funcionamento 
ou fatos públicos/notórios (ex.: a lei vigente ou 
quem é o presidente). Esses fatos podem ser 
relevantes para o processo, mas não são objeto 
de prova. 
• Objeto da Prova: Refere-se aos fatos 
relevantes para o processo. É mais 
restrito, pois deve ter pertinência 
específica naquele processo. 
• Objeto de Prova: São os fatos que 
precisam ser provados no processo. O 
juiz pode indeferir a produção de prova 
se considerar que não é relevante para o 
caso em questão. 
3.6. Fontes – pessoa ou coisa de que emana a 
prova. Um ser humano pode ser fonte física e 
testemunhal de prova. Ex.: corpo delito em caso 
de estupro. 
3.7. Meios – instrumentos de produção de prova. 
Ex.: interceptação telefônica. O meio busca 
provar o objeto de prova. 
• Busca e Apreensão: Um meio de 
produção de prova, onde a prova é o que 
se busca. 
• Interceptação Telefônica: Outro meio 
de obtenção de prova. 
• Arquivo de Mídia: Considerado prova 
documental. 
Objeto de Prova e da Prova 
• Objeto de Prova: Refere-se aos fatos 
relevantes para o processo. Por exemplo, 
determinar se "Vidaloka" e "Neurótico" 
praticavam atividades no Stiep é um fato 
da vida que precisa ser provado. 
• Prova: Serve para provar o objeto deprova. 
Observação: Uma testemunha abonatória é 
aquela que depõe sobre a personalidade do 
agente. Isso não deve ser negado, pois na 
dosagem da pena, as circunstâncias judiciais do 
sujeito e seus antecedentes são analisados. 
Art. 155. O juiz formará sua convicção pela 
livre apreciação da prova produzida em 
contraditório judicial, não podendo fundamentar 
sua decisão exclusivamente nos elementos 
informativos colhidos na investigação, 
ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e 
antecipadas. Parágrafo único. Somente 
quanto ao estado das pessoas serão observadas as 
restrições estabelecidas na lei civil. 
OBS.: caput - provas da fase de 
investigação, se for só elemento do inquérito 
quando não tem contraditório, por ser 
inquisitiva, teria a possibilidade de um 
contraditório diferido. 
4. Classificação da Prova 
4.1. Quanto ao Objeto 
• Direta ou Positiva: A prova diretamente 
fala sobre o fato, afirmando o que se quer 
provar. 
• Indireta ou Negativa: A prova fala 
indiretamente sobre o fato, negando o 
que se quer provar. Exemplo: um álibi, 
que não fala diretamente do fato, mas 
sobre o agente, interferindo na narrativa 
ao indicar se ele estava ou não presente. 
 
 
Amanda Rios 
 
4.2. Quanto ao Efeito ou Valor 
• Plena: Um conjunto probatório que traz 
certeza ou fortes convicções, suficiente 
para gerar uma sentença. Toca 
diretamente o fato. 
• Indiciária: Questões que apontam para 
a plausibilidade de um fato, trazendo 
indícios ou "fumaça" de que o delito 
existiu e foi cometido por aquela pessoa. 
Tangencia o fato. Utilizada, por exemplo, 
na decretação de medidas cautelares. 
4.3. Quanto à Fonte 
• Real: Prova encontrada em coisas, como 
monumentos e documentos. 
• Pessoal: Prova encontrada em pessoas, 
como testemunhos e acusações. 
4.4. Quanto à Forma 
• Testemunhal: Prova fornecida por 
testemunhas. 
• Documental: Prova em forma de 
documentos, incluindo modalidades 
digitais e audiovisuais. 
• Material: Prova física, como um objeto 
relacionado ao crime. 
4.5. Quanto à Possibilidade de Renovação 
em Juízo 
• Irrepetível: Prova que só pode ser 
produzida uma vez nas circunstâncias 
específicas, geralmente no inquérito. 
Exemplo: testemunho de uma pessoa 
que faleceu ou perícia do corpo/local do 
crime. 
• Repetível: Prova que pode ser produzida 
novamente. Provas produzidas no 
inquérito que podem ser repetidas não 
podem ser usadas sozinhas para 
condenação, e nesse caso, cabe recurso. 
4.6. Quanto ao Momento Procedimental 
• Cautelar Preparatória: Provas 
produzidas no inquérito. Exemplo: 
exame do cadáver, que não é cautelar, 
mas deveria ter um regime que permita a 
defesa interferir na produção do laudo. 
• Cautelar Incidental: Provas produzidas 
no meio do processo. Exemplo: 
produção antecipada de provas para 
evitar perecimento, mesmo com o 
processo suspenso. 
• Fase de Instrução: Provas produzidas 
durante a fase de instrução do processo. 
4.7. Quanto à Previsão Legal 
• Nominada: Prova prevista na lei, como 
o testemunho. 
o Típica: Tem um rito específico 
para sua realização. 
o Atípica: Não tem um rito 
específico, embora prevista. 
• Inominada: Prova não prevista na lei, 
mas que pode ser apresentada desde que 
legal. 
4.8. Quanto à Vinculação Legal 
• Prova Legal Positiva: Prova tarifada. 
Exemplo: para alegar estado civil ou 
idade, deve-se apresentar documento 
oficial. 
• Prova Legal Negativa: Prova que o juiz 
não admite como idônea para 
condenação, como elementos do 
inquérito. 
 
 
Amanda Rios 
 
5. Limitações Probatórias 
Nem tudo que é passível de prova será 
autorizado no processo se o meio de obtenção 
for ilícito. Exemplos incluem abordagens 
policiais sem justa causa ou mandados de busca e 
apreensão além do limite. 
Art. 157 do CPP: A distinção entre provas ilícitas 
e ilegítimas é doutrinária, pois a lei trata apenas 
de provas ilícitas, abrangendo todas. 
5.1. Prova Ilícita 
Provas que violam disposições de direito material 
ou princípios constitucionais. Não inclui provas 
infralegais (decretos, resoluções), que seriam 
irregulares. Exemplo: violação de domicílio sem 
mandado é uma violação de direito material. Se 
um mandado de busca e apreensão é cumprido e 
coleta-se mais do que autorizado, a prova é 
ilegítima por descumprir direito processual. 
Nestor: Provas ilícitas são imediatamente 
retiradas do processo, enquanto provas ilegítimas 
podem ser convalidadas. 
• CF - Art. 5º, LVI: "São inadmissíveis, no 
processo, as provas obtidas por meios 
ilícitos." 
• Art. 157 do CPP: "São inadmissíveis, 
devendo ser desentranhadas do processo, 
as provas ilícitas, assim entendidas as 
obtidas em violação a normas 
constitucionais ou legais." 
o § 1º: "São também 
inadmissíveis as provas 
derivadas das ilícitas, salvo 
quando não evidenciado o 
nexo de causalidade entre 
umas e outras, ou quando as 
derivadas puderem ser obtidas 
por uma fonte independente 
das primeiras." 
o § 2º: "Considera-se fonte 
independente aquela que por si 
só, seguindo os trâmites típicos e 
de praxe, próprios da 
investigação ou instrução 
criminal, seria capaz de conduzir 
ao fato objeto da prova." 
o § 3º: "Preclusa a decisão de 
desentranhamento da prova 
declarada inadmissível, esta será 
inutilizada por decisão judicial, 
facultado às partes acompanhar o 
incidente." 
o § 5º: "O juiz que conhecer do 
conteúdo da prova declarada 
inadmissível não poderá proferir 
a sentença ou acórdão." (Incluído 
pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vide 
ADI 6.298) - NÃO ESTÁ EM 
VIGOR, DECLARADO 
INCONSTITUCIONAL 
Anotações 
Dilema da Tortura: O dilema surge quando a 
tortura obtém uma prova verdadeira, levantando 
a questão de que, no processo, os fins não 
justificam os meios. O primeiro passo é o juiz 
reconhecer isso como tortura. 
o § 1º: Refere-se ao princípio dos 
"frutos da árvore envenenada". 
o § 5º: Declarado inconstitucional. 
O argumento é que não se pode 
presumir que o juiz está 
contaminado, devendo-se 
presumir a imparcialidade. Isso 
seria constitucional porque o 
processo protege não só a 
verdade, mas também outros 
direitos constitucionais. Isso faz 
 
 
Amanda Rios 
 
com que o juiz analise as 
próximas provas lícitas de forma 
a alcançar o resultado que a prova 
ilícita, embora verdadeira, 
indicava. 
o Observação: Não é vetado, pois 
veto é legislativo. Quando é 
inconstitucional, é "vide ADI 
XXX". 
5.2. Prova Ilegítima 
Provas que violam normas processuais ou 
princípios constitucionais de mesma espécie. A 
lei abarca todas como ilícitas, mas a doutrina faz 
essa separação. 
5.3. Prova Irregular 
Provas que, apesar de permitidas pela legislação 
processual, são obtidas em desconformidade 
com o procedimento legal. É uma tentativa de 
salvar a prova, mas, na prática, é semelhante à 
prova ilegítima. Descumprimento de uma norma 
processual de menor relevância prática, que a 
doutrina tenta aproveitar. 
6. Teoria dos Frutos da Árvore Envenenada 
6.1. Ilicitude por Derivação 
Juízo de causa e efeito, onde tudo que é originário 
de uma prova ilícita será inútil. A prova ilícita 
contamina tudo que dela decorre. A discussão é 
sobre o que pode ser salvo e o que não pode. 
• Observação: O Supremo entende que a 
decisão derivada de uma prova 
considerada ilegal posteriormente não 
precisa ser desentranhada do processo. 
• Observação 2: Aceitação de prova ilícita 
pro reo (em favor do réu) pode ser 
protegida pelo excludente de ilicitude do 
estado de necessidade, pois o réu teria 
acesso a algo que o inocenta. Mas nem 
tudo é aceito. 
6.2. Exceções 
• 6.2.1. Fonte Absolutamente 
Independente: Não havendo 
causalidade entre a prova ilícita e a outra, 
não há razão para declarar a outra ilícita. 
Exemplo: Operação com várias equipes 
policiais, onde uma encontra o objeto 
sem comunicação com a equipeque 
torturava. 
o Texto de Lei: Art. 157, § 1º: 
"São também inadmissíveis as 
provas derivadas das ilícitas, 
salvo quando não evidenciado o 
nexo de causalidade entre umas e 
outras, ou quando as derivadas 
puderem ser obtidas por uma 
fonte independente das 
primeiras." 
• 6.2.2. Descoberta Inevitável: Algo que 
se alcançaria no curso normal da 
investigação. Exemplo: Delegado já tinha 
o rol de testemunhas antes de obter 
informações por tortura. 
o Explicação: O nexo entre a 
prova ilícita e a outra existe, mas 
não foi definitivo para o encontro 
desta prova. A prova seria 
encontrada independentemente 
do ato ilícito. 
• 6.2.3. Conexão Atenuada: O nexo 
causal entre a prova ilícita e a outra existe, 
mas é tão frágil que não justifica anular a 
prova. 
o Crítica: Se há nexo, deveria 
haver contaminação. A prova 
ilícita contribuiu de qualquer 
 
 
Amanda Rios 
 
forma, deveria contaminar a 
consequente, 
independentemente da 
porcentagem de participação. 
• 6.2.4. Boa-fé: Se os agentes atuaram sem 
dolo, com boa fé subjetiva, a prova é 
salva de ser desentranhada do processo. 
Exemplo: Polícia arromba uma porta 
acreditando que há uma criança em 
cativeiro e encontra drogas. A entrada foi 
de boa-fé, então a prova é válida. 
o Princípio da Descoberta 
Acidental: Aceito se o encontro 
for fortuito. 
7. Cadeia de Custódia da Prova 
Observação: Art. 158 fala que, quando o crime 
deixa vestígios, esses devem ser investigados. 
7.1. Conceito 
Do caput do art. 158-A. A cadeia de custódia 
abrange todas as provas, inclusive digitais. 
Estabelece uma série de passos para o transporte 
e caminho do material, preservando a prova e 
verificando sua legalidade. 
Art. 158-A: Considera-se cadeia de custódia o 
conjunto de todos os procedimentos utilizados 
para manter e documentar a história cronológica 
do vestígio coletado em locais ou em vítimas de 
crimes, para rastrear sua posse e manuseio a 
partir de seu reconhecimento até o descarte. 
• § 1º: O início da cadeia de custódia dá-se 
com a preservação do local de crime ou 
com procedimentos policiais ou periciais 
nos quais seja detectada a existência de 
vestígio. 
• § 2º: O agente público que reconhecer 
um elemento como de potencial interesse 
para a produção da prova pericial é 
responsável por sua preservação. 
• § 3º: Vestígio é todo objeto ou material 
bruto, visível ou latente, constatado ou 
recolhido, que se relaciona à infração 
penal. 
7.2. Procedimento 
O objetivo da cadeia de custódia é evitar a 
contaminação do vestígio, garantindo que ele não 
seja misturado com elementos não relacionados, 
o que poderia confundir o exame pericial. Seguir 
rigorosamente as regras da cadeia de custódia 
assegura que o melhor procedimento seja 
seguido. 
Qualquer exame pericial ou avaliação nos autos 
tem um grande peso de convencimento. No 
entanto, nem sempre essas provas são feitas de 
forma rigorosa. Às vezes, o procedimento não é 
descrito nos autos, o que compromete a 
credibilidade da prova. Respeitar a cadeia de 
custódia garante que a metodologia seja robusta 
e que a tecnicidade do vestígio seja correta. 
Texto de Lei: Art. 158-B até 158-F. 
Esses artigos descrevem as formas de registrar o 
caminho que a prova percorre. Todo o processo 
termina com o descarte do vestígio. Para garantir 
que a prova foi bem examinada e coletada, é 
necessário assegurar que tudo foi feito 
corretamente, pois, uma vez descartado, não há 
como recuperar o vestígio. 
 
 
Amanda Rios 
 
8. Prova Emprestada 
8.1. Conceito: A prova emprestada é a utilização 
de provas produzidas com contraditório em um 
processo para outro processo, sem repetir todo o 
procedimento probatório. O principal 
argumento é a economia processual e a duração 
razoável do processo. No entanto, há o risco de 
cerceamento de defesa, pois a defesa tem menos 
possibilidade de interferir na produção da prova. 
• Não se aceita a prova emprestada em 
todos os casos: O cerceamento de 
defesa é um risco, especialmente quando 
o contraditório posterior sobre o 
resultado obtido não é suficiente. 
8.1.1. Requisitos para Aceitação da Prova 
Emprestada 
• Mesmas partes. 
• Mesmo fato probando: O objeto 
demonstrado pela prova/fatos deve se 
relacionar aos dois processos. 
• Submetida ao contraditório: Não se 
pode emprestar prova de inquérito, 
apenas as que foram submetidas ao 
contraditório. 
• Preenchimento dos requisitos 
formais da produção probatória. 
8.2. Serendipidade (Descoberta Acidental) 
Encontro fortuito de provas. No exercício de 
uma diligência fundada em suspeita, encontram-
se vestígios ou indícios de outros crimes. Esses 
elementos podem ser abarcados mesmo que não 
estejam previstos expressamente. Ao encontrar 
essa prova, ela pode não ter ligação com o crime 
inicial ou indicar outras pessoas, surgindo a 
possibilidade do empréstimo de provas. 
9. Standards Probatórios 
Os standards probatórios determinam o quanto 
de prova o juiz precisa para condenar, 
estabelecendo um padrão mínimo para aferir a 
suficiência da motivação da prova do fato na 
decisão. Isso traz maior racionalidade e afasta o 
subjetivismo, exigindo que o juiz fundamente 
suas decisões com critérios racionais. 
9.1. Prova Clara e Convincente 
• Verossimilhança (Clear and 
Convincing Evidence): Utilizada para 
instaurar a ação e para a prisão 
preventiva, mas não para a sentença. 
Requer demonstração de que o crime 
aconteceu, prova da materialidade e 
demonstração razoável de autoria. Não é 
suficiente para condenar, precisa de mais 
do que isso (aproximadamente 75%). 
9.2. Preponderância da Prova 
• More Likely Than Not: Bastaria ser 
mais provável (50% + 1). O Brasil não 
adota esse padrão. 
9.3. Prova Além de Toda Dúvida Razoável 
• Beyond Any Reasonable Doubt: O 
padrão que o Brasil, em tese, adota 
(99,9%). Deve-se constantemente falsear 
as histórias e levantar dúvidas razoáveis. 
Se a acusação não superar essas dúvidas, 
não é suficiente para condenar. 
Adendo do Professor: Prefere a teoria da 
certeza possível, mas entende por que a BARD é 
a mais citada na doutrina. 
• Certeza Possível: Condenação com 
uma certeza possível da ocorrência do 
 
 
Amanda Rios 
 
crime e da autoria. Desloca da verdade 
para a condição subjetiva do decisor. 
Quando existe prova capaz de dar essa 
certeza, o juiz deve fundamentar a 
sentença explicando isso. 
10. Ônus da Prova 
O ônus da prova é inteiramente da acusação, 
pelo princípio do "in dubio pro reo". A prova 
cabe a quem alega, sem possibilidade de 
inversão do ônus da prova. O critério de 
valoração da prova contra o réu é mais exigente. 
O réu só pode ser condenado uma vez que a 
acusação supere a barreira da dúvida razoável. 
Ônus da Prova: Encargo atribuído à parte de 
provar aquilo que alega. Ônus: Posição jurídica 
na qual o sistema processual penal estabelece 
determinada conduta para que o sujeito possa 
obter o resultado que entende favorável. 
• Art. 386: A valorização do testemunho 
não significa uma inversão do ônus da 
prova. Na prática, isso pode resultar no 
rebaixamento do standard probatório, 
especialmente porque a vítima não é 
parte do processo. 
Situações Específicas de Risco de Inversão 
do Ônus da Prova 
• Tráfico X Usuário: Para evitar a 
inversão do ônus, deve-se interpretar de 
forma que o Ministério Público (MP) 
prove que o destino da droga seria a 
circulação. 
• Crimes Sexuais: A hipervalorização da 
fala da vítima exige uma análise 
cuidadosa da verossimilhança. A linha é 
muito tênue, e a posição da defesa é 
facilitada pelo princípio do in dubio pro 
reo. 
Sistemas de Gestão da Prova 
• Art. 155: O juiz formará sua convicção 
pela livre apreciação da prova produzida 
em contraditório judicial, não podendo 
fundamentar sua decisão exclusivamente 
nos elementos informativos colhidos na 
investigação, exceto provascautelares, 
não repetíveis e antecipadas. Parágrafo 
único: Somente quanto ao estado das 
pessoas serão observadas as restrições 
estabelecidas na lei civil. 
Tipos de Convicção 
1. Íntima Convicção: Aplicada ao júri, sem 
necessidade de justificativa. 
2. Livre Convencimento Motivado: 
Aplicado ao juiz, que deve justificar suas 
decisões. 
3. Prova Tarifada/Legal: Provas que só 
podem ser provadas por um meio 
específico, com hierarquias estabelecidas 
entre as provas. 
Princípios da Prova 
1. Autorresponsabilidade das Partes: As 
partes assumem as consequências de suas 
inações. Se não se desincumbirem do 
ônus da prova, devem aceitar as 
consequências. 
2. Contraditório: A prova só se forma 
mediante contraditório, permitindo que 
ambas as partes questionem a prova. 
3. Comunhão: A prova pertence ao 
processo, não a uma parte específica, e só 
pode ser desentranhada com anuência da 
outra parte. 
4. Oralidade: Predomínio da palavra falada 
no processo, com atos concentrados em 
uma audiência. 
 
 
Amanda Rios 
 
5. Publicidade: Necessidade de 
conhecimento dos autos do processo, 
com publicidade interna e externa, 
garantindo transparência e proteção ao 
réu. 
Proteção de Testemunhas 
A identidade da testemunha é essencial para a 
defesa, mas deve ser protegida. Programas de 
proteção a vítimas e testemunhas são uma 
solução, embora na prática, a pessoa possa 
mentir para se proteger. 
 
Questões e Processos Incidentais 
1. Classificação dos Incidentes 
Existem questões no processo que podem alterá-
lo e que podem ser discutidas no próprio 
processo ou em um processo apartado, os 
chamados processos incidentes. Nem sempre o 
processo penal vai lidar com essas questões, mas 
quando são arguidas, podem mudar os rumos do 
processo. Um exemplo importante é o incidente 
de insanidade mental, que se suscita em alguns 
processos para avaliar a sanidade do réu, 
determinando se ele é imputável ou não, e se 
pode ser condenado pelo ato que cometeu. 
1.1. Quanto à Profundidade Meritória: 1.2. 
Quanto à Finalidade: 
• 1.2.1. Questões Tipicamente 
Preliminares: 
• 1.2.2. Questões de Natureza 
Acautelatória Patrimonial: 
• 1.2.3. Questões Tipicamente 
Probatórias: 
2. Exceções 
Teses que podem ser suscitadas pelas partes, mas 
que devem ser processadas em apartado da ação 
principal. Quando suscitadas pela defesa, devem 
ser apresentadas na mesma ocasião da resposta à 
acusação. Além de suscitar a defesa, deve-se opor 
as exceções, que são processadas e julgadas em 
apartado. Relacionam-se com sujeitos 
processuais e condições da ação, mas estão 
ligadas aos autos da ação principal. 
→ Lista das Exceções: Art. 95 do CPC 
3.1. Suspeição: Vício de parcialidade do juiz de 
natureza subjetiva. 
• Obs: Impedimento, quando não listado 
entre as exceções, deve ser apresentado 
como preliminar na resposta à acusação. 
A exceção é uma petição separada no 
mesmo prazo da resposta. 
→ Texto de Lei: 
• Art. 96: A arguição de suspeição 
precederá a qualquer outra, salvo quando 
fundada em motivo superveniente. 
• Art. 97: O juiz que espontaneamente se 
declarar suspeito deverá fazê-lo por 
escrito, declarando o motivo legal, e 
remeterá imediatamente o processo ao 
seu substituto, intimadas as partes. 
• Art. 98: Quando qualquer das partes 
pretender recusar o juiz, deverá fazê-lo 
em petição assinada por ela própria ou 
por procurador com poderes especiais, 
aduzindo suas razões acompanhadas de 
prova documental ou do rol de 
testemunhas. 
• Art. 99: Se reconhecer a suspeição, o juiz 
sustará a marcha do processo, mandará 
juntar aos autos a petição do recusante 
 
 
Amanda Rios 
 
com os documentos que a instruam, e 
por despacho se declarará suspeito, 
ordenando a remessa dos autos ao 
substituto. 
• Art. 100: Não aceitando a suspeição, o 
juiz mandará autuar em apartado a 
petição, dará sua resposta dentro de três 
dias, podendo instruí-la e oferecer 
testemunhas, e, em seguida, determinará 
que os autos da exceção sejam remetidos, 
dentro de 24 horas, ao juiz ou tribunal 
competente para o julgamento. 
o § 1º: Reconhecida 
preliminarmente a relevância da 
arguição, o juiz ou tribunal, com 
citação das partes, marcará dia e 
hora para a inquirição das 
testemunhas, seguindo-se o 
julgamento, independentemente 
de mais alegações. 
o § 2º: Se a suspeição for 
manifestamente improcedente, o 
juiz ou relator a rejeitará 
liminarmente. 
• Art. 101: Julgada procedente a suspeição, 
serão nulos os atos do processo principal, 
pagando o juiz as custas, no caso de erro 
inescusável; rejeitada, evidenciando-se a 
malícia do excipiente, a este será imposta 
a multa de duzentos mil-réis a dois 
contos de réis. 
• Art. 102: Quando a parte contrária 
reconhecer a procedência da arguição, 
poderá ser sustado, a seu requerimento, o 
processo principal, até que se julgue o 
incidente da suspeição. 
3.2. Incompetência do Juízo: Pode ser de 
prerrogativa de função (instância), material e 
territorial. As duas primeiras são consideradas 
absolutas e a última relativa, ou seja, só a 
territorial preclui. Territorial, segundo 
entendimento predominante, é relativa também, 
ou seja, não suscitada na primeira oportunidade 
na primeira manifestação da parte autora, preclui. 
Para alguns, deveria ser absoluta. 
3.3. Litispendência: Quando há mais de uma 
ação sobre o mesmo evento criminoso com as 
mesmas partes. Não pode sustentar ambas, deve-
se ver qual vai prevalecer para evitar decisões 
contraditórias. 
3.4. Ilegitimidade da Parte: Suscitar 
ilegitimidade de parte é diferente de negar a 
autoria. Ilegitimidade de parte é mais restrito, é 
um erro de identificação mais extremo do que 
dizer que não foi ele, como dizer que citaram a 
parte errada. 
 
Questões e Processos Incidentais 
1. Classificação dos Incidentes 
Existem questões no processo que podem alterá-
lo e que podem ser discutidas no próprio 
processo ou em um processo apartado, os 
chamados processos incidentes. Nem sempre o 
processo penal vai lidar com essas questões, mas 
quando são arguidas, podem mudar os rumos do 
processo. Um exemplo importante é o incidente 
de insanidade mental, que se suscita em alguns 
processos para avaliar a sanidade do réu, 
determinando se ele é imputável ou não, e se 
pode ser condenado pelo ato que cometeu. 
1.1. Quanto à Profundidade Meritória: 
1.2. Quanto à Finalidade: 
• 1.2.1. Questões Tipicamente 
Preliminares: 
 
 
Amanda Rios 
 
• 1.2.2. Questões de Natureza 
Acautelatória Patrimonial: 
• 1.2.3. Questões Tipicamente 
Probatórias: 
2. Exceções 
Teses que podem ser suscitadas pelas partes, mas 
que devem ser processadas em apartado da ação 
principal. Quando suscitadas pela defesa, devem 
ser apresentadas na mesma ocasião da resposta à 
acusação. Além de suscitar a defesa, deve-se opor 
as exceções, que são processadas e julgadas em 
apartado. Relacionam-se com sujeitos 
processuais e condições da ação, mas estão 
ligadas aos autos da ação principal. 
→ Lista das Exceções: Art. 95 do CPC 
3.1. Suspeição: Vício de parcialidade do juiz de 
natureza subjetiva. 
• Obs: Impedimento, quando não listado 
entre as exceções, deve ser apresentado 
como preliminar na resposta à acusação. 
A exceção é uma petição separada no 
mesmo prazo da resposta. 
→ Texto de Lei: 
• Art. 96: A arguição de suspeição 
precederá a qualquer outra, salvo quando 
fundada em motivo superveniente. 
• Art. 97: O juiz que espontaneamente se 
declarar suspeito deverá fazê-lo por 
escrito, declarando o motivo legal, e 
remeterá imediatamente o processo ao 
seu substituto, intimadas as partes. 
• Art. 98: Quando qualquer das partes 
pretender recusar o juiz, deverá fazê-lo 
em petição assinada por ela própria ou 
por procurador com poderes especiais, 
aduzindo suas razões acompanhadas de 
prova documental ou do rol de 
testemunhas. 
• Art.99: Se reconhecer a suspeição, o juiz 
sustará a marcha do processo, mandará 
juntar aos autos a petição do recusante 
com os documentos que a instruam, e 
por despacho se declarará suspeito, 
ordenando a remessa dos autos ao 
substituto. 
• Art. 100: Não aceitando a suspeição, o 
juiz mandará autuar em apartado a 
petição, dará sua resposta dentro de três 
dias, podendo instruí-la e oferecer 
testemunhas, e, em seguida, determinará 
que os autos da exceção sejam remetidos, 
dentro de 24 horas, ao juiz ou tribunal 
competente para o julgamento. 
o § 1º: Reconhecida 
preliminarmente a relevância da 
arguição, o juiz ou tribunal, com 
citação das partes, marcará dia e 
hora para a inquirição das 
testemunhas, seguindo-se o 
julgamento, independentemente 
de mais alegações. 
o § 2º: Se a suspeição for 
manifestamente improcedente, o 
juiz ou relator a rejeitará 
liminarmente. 
• Art. 101: Julgada procedente a suspeição, 
serão nulos os atos do processo principal, 
pagando o juiz as custas, no caso de erro 
inescusável; rejeitada, evidenciando-se a 
malícia do excipiente, a este será imposta 
a multa de duzentos mil-réis a dois 
contos de réis. 
• Art. 102: Quando a parte contrária 
reconhecer a procedência da arguição, 
poderá ser sustado, a seu requerimento, o 
processo principal, até que se julgue o 
incidente da suspeição. 
 
 
Amanda Rios 
 
3.2. Incompetência do Juízo: Pode ser de 
prerrogativa de função (instância), material e 
territorial. As duas primeiras são consideradas 
absolutas e a última relativa, ou seja, só a 
territorial preclui. Territorial, segundo 
entendimento predominante, é relativa também, 
ou seja, não suscitada na primeira oportunidade 
na primeira manifestação da parte autora, preclui. 
Para alguns, deveria ser absoluta. 
3.3. Litispendência: Quando há mais de uma 
ação sobre o mesmo evento criminoso com as 
mesmas partes. Não pode sustentar ambas, deve-
se ver qual vai prevalecer para evitar decisões 
contraditórias. 
3.4. Ilegitimidade da Parte: Suscitar 
ilegitimidade de parte é diferente de negar a 
autoria. Ilegitimidade de parte é mais restrito, é 
um erro de identificação mais extremo do que 
dizer que não foi ele, como dizer que citaram a 
parte errada. 
3.5. Coisa Julgada: Situação em que uma nova 
ação é proposta, mas a anterior já transitou em 
julgado. 
 
Prova 
1-23: Não cai 
 24-27: Cai 
 28 e 28-A: Não cai 
 29-60: Cai 
 95-111: Cai (light) 
 155-159: Cai 
 240-273: Cai 
Condições da Ação 
Pode haver uma ação penal e pode ser 
perguntado se as condições da ação estão 
presentes, ou pode ser uma pergunta indireta 
sobre isso. 
Prova (Art. 158-159) 
A prova é um elemento que ajuda a reconstruir o 
passado, pois sempre se julga o passado, mesmo 
que seja para produzir efeitos no futuro, como a 
absolvição ou condenação, pacificar o 
sentimento de injustiça e indenizar a vida. Nos 
mesmos termos que os historiadores utilizam, 
vestígios, monumentos, documentos e memória, 
todos esses elementos podem ser entendidos 
como reminiscências do passado no presente, e é 
isso que a prova é. A intencionalidade de criação 
do documento tem um filtro prévio que o 
vestígio em tese não tem. 
A reconstrução é fictícia pois não se pode 
trabalhar com todos os elementos disponíveis, 
nem todos esses elementos estão disponíveis 
para o julgador pela maneira de produção. O 
julgador deve abrir mão de provas disponíveis 
pela ilicitude de sua produção. Além disso, não se 
pode ter o distanciamento temporal que o 
historiador tem. O juiz não pode demorar tanto 
tempo, deve decidir o mais rápido possível pois 
ele interfere na realidade para transformá-la. Tem 
prazos a cumprir pois precisa interferir na 
realidade, se não ela é inútil. Isso limita os 
poderes de reconstrução do passado. 
A reconstrução é fictícia pela recusa de 
determinados elementos e pela coisa julgada, que 
estabiliza uma verdade mesmo que depois ela não 
se mostre factual. Por isso, o processo precisa ter 
um tempo curto. A declaração de prescrição 
também é uma limitação, estabelecendo o 
equilíbrio. Os recursos à disposição do 
historiador são maiores do que os disponíveis 
para o juiz, tanto em termos de tempo quanto de 
licitude. Nem todos os elementos acessíveis 
 
 
Amanda Rios 
 
podem ser acessados, pois prevalecem outros 
interesses que não a reconstrução, como a 
equivalência. O que está às mãos do juiz é menos 
do que está nas mãos do historiador. 
→ Cadeia de Custódia: Série de procedimentos 
necessários para garantir a integridade do 
vestígio. O momento chave é a fixação. Existem 
movimentos preliminares para fixar a cena como 
ela estava e depois passa para a coleta. Só se retira 
quando estabiliza. Antes, isso era para a produção 
de documentos, mas agora é para todos. 
→ Depoimento da Vítima: Melhor forma de 
construir e evitar revitimização (pelos outros 
interesses). 
→ Cross Examination: Possibilidade de 
inquirir a testemunha da parte contrária. 
Standards Probatórios 
Alguns autores falam de porcentagens em 
diferentes standards probatórios: 
• Preponderância da Prova: 51-49, mais 
provável do que não. 
• Prova Clara e Convincente: O que 
garante a aparência. Às vezes as 
aparências enganam. 
• BARD (Beyond a Reasonable 
Doubt): Com a certeza possível de que 
aquela pessoa é culpada. Quanto isso é 
mensurável? A doutrina fala de 99-1, mas 
não se tematiza na prática. O que ocorre 
é o 100 para o juiz, a suficiência da prova. 
Dúvidas razoáveis seriam as teorias da 
conspiração. O 100 para a doutrina seria 
a correspondência perfeita, o que não 
existe, mas no ânimo subjetivo do 
julgador é 100. 
A discussão é doutrinária, para dizer quando o 
juiz deve se convencer, o que é necessário para 
ele se convencer. Para o Brasil, a doutrina diz que 
devemos adotar o parâmetro (tradução melhor 
para standard) que o fato deve estar provado para 
além de toda dúvida razoável. Sobre o BARD, é 
o parâmetro para condenar uma pessoa. Mas 
outras decisões podem ser tomadas ao longo do 
processo que podem afetar a vida da pessoa, que 
não são pelo BARD, mas pela prova clara e 
convincente, como uma prisão preventiva ou 
aceitar a denúncia. O parâmetro nesse caso é 
menor, o máximo é só para condenar. 
→ **Sistema de Valoração da ProvaAmanda Rios 
 
Conteúdo Processual: Parte da norma que 
regula os procedimentos a serem seguidos 
durante o processo penal, como prazos, formas 
de citação e mandados. 
Aplicação: 
Retroatividade: A parte material das normas 
mistas segue o princípio da retroatividade 
benéfica, ou seja, aplica-se retroativamente se for 
mais favorável ao réu 
Aplicação Imediata: A parte processual das 
normas mistas aplica-se imediatamente, 
conforme o princípio do tempus regit actum, 
sem retroagir, mesmo que seja prejudicial ao réu. 
Exemplo: 
Art. 366 do CPP que trata da suspensão do 
processo e do prazo prescricional se o acusado 
não comparecer após ser citado por edital. A 
suspensão do processo é um aspecto processual, 
enquanto a suspensão do prazo prescricional é 
um aspecto material 
3. Norma processual penal no Espaço 
Refere-se à aplicação das leis processuais penais 
em relação ao território onde o crime foi 
cometido. No Brasil, essa aplicação é regida 
principalmente pelo princípio da 
territorialidade, que estabelece que as normas 
processuais penais brasileiras se aplicam a todos 
os crimes cometidos dentro do território 
nacional. 
Princípios Básicos: 
Territorialidade: As normas processuais penais 
brasileiras aplicam-se a todos os crimes 
cometidos no território brasileiro, 
independentemente da nacionalidade do autor ou 
da vítima1. 
Extraterritorialidade: Em alguns casos 
específicos, a lei processual penal brasileira pode 
ser aplicada a crimes cometidos fora do território 
nacional, conforme previsto no artigo 7º do 
Código Penal1. 
Exceções: 
Existem algumas exceções ao princípio da 
territorialidade, como: 
Tratados e convenções internacionais: 
Quando o Brasil é signatário de tratados ou 
convenções internacionais que dispõem de forma 
diferente2. 
Prerrogativas constitucionais: Casos 
envolvendo autoridades com prerrogativas 
específicas, como o Presidente da República e 
ministros do Supremo Tribunal Federal2. 
Aplicação Prática: 
Mesmo que um ato processual precise ser 
realizado no exterior, como uma citação ou oitiva 
de testemunha, a lei processual penal aplicável 
será a do país onde o ato é realizado. No entanto, 
para atos realizados no Brasil em cooperação 
com autoridades estrangeiras, aplica-se a lei 
processual brasileira2. 
Agentes diplomáticos aqui acreditados, como 
embaixadores, secretários de embaixada, bem 
como seus familiares, além dos funcionários de 
organizações internacionais, tal qual a ONU, 
terão a aplicação da lei material do seu respectivo 
país, e por via de consequência o processo irá 
tramitar lá. O Tribunal Penal Internacional é que 
ele tem jurisdição subsidiária, apenas quando o 
país não faz valer a lei penal, especialmente nos 
crimes de guerra e contra a humanidade. O TPI 
integra a própria Justiça brasileira. Destaca-se que 
a pelo princípio adotado (territorialidade estrita), 
a lei processual não tem extraterritorialidade, ao 
 
 
Amanda Rios 
 
contrário do que ocorre com a lei penal. Porém, 
há exceções a essa possibilidade, sendo elas: a 
aplicação da lei processual brasileira em território 
nullius; em havendo autorização de um 
determinado país. para que o ato processual a ser 
praticado em seu território o fosse de acordo 
com a lei brasileira; e nos casos de território 
ocupado em tempo de guerra. 
4. Eficácia e interpretação da lei 
Art. 3º, CPP - A lei processual penal admitirá 
interpretação extensiva e aplicação analógica, 
bem como o suplemento dos princípios gerais de 
direito. 
Regime mais flexível, pois aceita integração 
prejudicial ao réu no caso de lacuna -
interpretação (norma não é clara) x 
integração(lacuna). Interpretação existe em todos 
os casos. Integração - vazio que precisa ser 
preenchido (analogia, costumes e princípios 
gerais de direito). 
Norberto Bobbio - teoria do ordenamento 
jurídico - lacuna não é ausência de solução para o 
caso, mas um excesso de soluções para o caso. 
Uma das possibilidades é dar o tratamento 
oposto as normas previstas (norma geral 
exclusiva - tudo que não está juridicamente 
proibido está juridicamente permitido) ou faz 
analogia que é dar o mesmo tratamento ao caso 
não previsto de um caso previsto semelhante 
(norma geral inclusiva - analogia). como escolher: 
às vezes o sistema proíbe analogia. Quando 
permite analogia, as mesmas razões para dar o 
tratamento ao caso previsto estão presentes no 
não previsto? se sim faz analogia, se não, não faz. 
Quando tiver 2 casos semelhantes com 
tratamentos opostos e um terceiro caso sem 
previsão, então tem que ver qual deles carrega as 
razões mais próximas para escolher o tratamento 
do terceiro. Não vale a teoria de Arnaldo Cezar 
Coelho - a régua é clara → isso foi superado há 
muito tempo. CPC 2015 trouxe disposições 
claras do que é uma decisão fundamentada, isso 
não tem no CPP. Então, usa-se por analogia para 
mostrar que o dever da fundamentação das 
decisões foi violado. Hoje, tem no pacote 
anticrime, mas quando não tinha se usava o CPC. 
SISTEMAS PRELIMINARES DE 
INVESTIGAÇÃO 
Existem várias formas de investigar e vários 
órgãos responsáveis pela investigação. 
1. Fase preliminar da Persecução Penal 
Primeira parte da Persecução Penal, parte 
preliminar, movimentação do aparato do estado 
quando o crime é cometido (exercício do poder 
punitivo do Estado). Dividido em duas fases: 
investigação (pré-processual) e processo. 
Primeira parte (investigação) da persecução penal 
é inquisitorial. A Segunda parte (processo) da 
persecução penal é acusatória (submissa ao 
contraditório e ampla defesa). O processo é 
desencadeado pela propositura de ação penal 
perante o Judiciário. Direito de defesa é exercido 
diferente na fase preliminar e na fase processual. 
Existem formas diferentes de investigar e vários 
 
 
Amanda Rios 
 
órgãos diferentes de investigação A polícia civil 
ou federal (polícias judiciárias) são as principais 
responsáveis pela investigação. Mas outros 
órgãos podem investigar crimes. Temos 
expressas na constituição, a forma do inquérito 
policial e o inquérito parlamentar. A 
jurisprudência tem aceitado investigação direta 
pelo ministério público. É contrária à própria 
natureza do juiz ser investigador, não que ele não 
participe, participa - juiz de garantias - pois 
determinadas informações que a polícia precise 
para reconstruir o fato histórico, só pode obter 
mediante autorização judicial. 
-> investigação tem prazo determinado para 
investigar, do mesmo jeito que se aplica a 
prescrição no processo. Se o réu está solto - dura 
30 dias. Pode ter prorrogação do prazo uma vez, 
em regra, mas na prática isso ocorre mais. Se o 
réu está preso - 10 dias (conta do dia que foi 
preso, mesmo que seja de noite), com o juiz de 
garantias isso vai poder prorrogar também 
apenas uma vez. Pode ter mais dilação 
No caso de investigações sobre tráfico de drogas, 
a Lei 11.343/06 estabelece que o prazo para 
conclusão do inquérito policial é de 30 dias se o 
indiciado estiver preso e de 90 dias se estiver 
solto12. Esses prazos podem ser duplicados pelo 
juiz, ouvido o Ministério Público, mediante 
pedido justificado da autoridade de polícia 
judiciária12. 
→ investigação criminal parte do possível fato 
criminoso: evento que se dá na realidade que 
pode ou não ser um crime. Ex.: morte violenta 
pode não ser criminosa, pode ser por um suicídio 
ou por um acidente (Gugu Liberato). 
Investigação para afastar um possível homicídio 
e confirmar um possível suicídio. Em uma morte 
violenta, precisa-se descobrir a causa e, no caso 
de Gugu, não foi por causa de um terceiro, mas 
às vezes é, daí se tem uma responsabilidade 
morte violenta e desaparecimento de pessoa - 
pode não ser crime Na maioria das vezes, tem-se 
um crime e tenta descobrir as circunstâncias para 
descobrir quem é o autor. 
Inquérito não segue o princípio acusatório,é 
inquisitorial. Figura do investigador é 
concentrada, diferente do processo em que se 
tem partes que se impõem perante uma 
autoridade imparcial. Na investigação, têm um 
investigador que concentra esse papel e volta a 
pergunta de quem deve investigar. 
1.1. Inquérito: Serve para não expor 
desnecessariamente a pessoa sem elementos 
mínimos contra ela. É preciso antes de acusar, 
investigar. Para acusar com responsabilidade, 
precisa investigar antes. A principal responsável 
é a Polícia Judiciária, mas outros órgãos podem 
também exercer sua função. O inquérito é 
sigiloso, pois tem duas funções: impedir que o 
investigado atrapalhe e a outra e que ele não seja 
exposto precocemente. Há a verificação de 
procedência das informações (VPI). Por 
exemplo: a notícia-crime levada ao conhecimento 
da autoridade policial é verificada a procedência 
das informações para assim ser instaurado o 
inquérito. O inquérito é um procedimento de 
índole eminentemente administrativa, de caráter 
informativo, preparatório da ação penal. Rege-se 
pelas regras do ato administrativo em geral. 
 
 
Amanda Rios 
 
 
1.1.1. Policial: Feito pela polícia civil (crimes da 
justiça estadual) e polícia federal (crime da justiça 
federal). Polícia civil = polícia judiciária (polícia 
investigativa -> polícia judiciária é a estrutura do 
estado que tem o papel de investigar os crimes). 
O que se opõe a polícia judiciária é a polícia 
ostensiva, que na nossa estrutura é a polícia 
militar (no âmbito federal é a polícia rodoviária). 
Obs.: apesar de ser nomeado como polícia 
judiciária está atrelada ao poder executivo. Na 
verdade, todas as polícias estão ligadas ao poder 
executivo, exceto as polícias legislativas (ligada ao 
tribunal de contas). Todas as polícias podem 
prender, todos podem prender em flagrante, não 
precisa ser agente de segurança pública. 
Inquérito policial é a investigação preliminar mais 
comum. - Caráter sigiloso do inquérito policial: 
tem função de impedir que o investigado 
atrapalhe e impedir que ele seja exposto 
precocemente, ou seja, há o interesse de se 
preservar a imagem do investigado antes que se 
tenha elementos mínimos contra ele. Obs.: 
Investigação é sigilosa, processo é público. Ex.: 
Bolsonaro - investigação das urnas. 
Art. 20. A autoridade assegurará no inquérito o 
sigilo necessário à elucidação do fato ou exigido 
pelo interesse da sociedade. 
Parágrafo único. Nos atestados de antecedentes 
que lhe forem solicitados, a autoridade policial 
não poderá mencionar quaisquer anotações 
referentes a instauração de inquérito contra os 
requerentes. 
A polícia responsável pela investigação de 
infrações penais é a polícia judiciária, chamada de 
civil nos estados e de federal na união. Delegado 
é ligado a polícia civil, a autoridade que preside 
os inquéritos. Polícia militar, na prática, é a mão 
armada do governador. CF fala em delegado de 
polícia de carreira (antes tinha delegado de calça 
curta - não passaram no concurso, mas foram 
nomeados). 
1.1.2. Parlamentar: 
CPI - comissão parlamentar de inquérito. 
Previsto na constituição. 
Um inquérito parlamentar, mais conhecido 
como Comissão Parlamentar de Inquérito 
(CPI), é um instrumento de fiscalização do 
Poder Legislativo. Ele é utilizado para investigar 
fatos de grande relevância para a vida pública e a 
ordem constitucional, legal, econômica ou social 
do país12. 
Características Principais da CPI 
Composição e Criação: 
As CPIs podem ser criadas pela Câmara dos 
Deputados, pelo Senado Federal, ou por ambas 
as casas conjuntamente (CPI mista). Também 
podem ser formadas em Assembleias Legislativas 
estaduais e Câmaras Municipais12. 
Para a criação de uma CPI, é necessário o 
requerimento de pelo menos um terço dos 
membros da casa legislativa 
correspondente2. 
Objetivo: 
 
 
Amanda Rios 
 
Investigar um evento específico que justifique a 
investigação2. 
As CPIs têm prazo certo para concluir seus 
trabalhos, que pode ser prorrogado conforme 
necessário2. 
Poderes: 
As CPIs possuem poderes de investigação 
próprios das autoridades judiciais, como 
convocar testemunhas, requisitar documentos e 
realizar diligências12. 
Apesar de não terem poder de julgar, suas 
conclusões podem ser encaminhadas ao 
Ministério Público para que sejam tomadas as 
medidas judiciais cabíveis1. 
Importância: 
As CPIs são fundamentais para a transparência e 
a fiscalização dos atos do governo e da 
administração pública1. 
Elas permitem que o Legislativo exerça seu papel 
de controle sobre o Executivo, investigando 
possíveis irregularidades e promovendo a 
responsabilidade dos envolvidos2. 
Obs.: a competência da polícia federal é mais 
ampla que a da justiça federal em âmbito penal 
(ex.: tráfico interestadual é investigado pela 
polícia federal e julgado pela justiça estadual) -
pode ser só de uma casa ou de ambas -1/3 dos 
membros, objeto determinado e prazo certo 
→ relatório ao final é enviado ao ministério 
público, titular pela ação penal, órgão 
responsável por processar os réus. Se o MP acha 
que não tem crime, ele não processa. O MP não 
pode mandar prender, não pode ordenar prisão 
preventiva temporária. MP pode: depois de todos 
os inquéritos denunciar, propor ANPP, pedir 
diligências complementares, declinar da 
atribuição, propor o arquivamento. 
Ex.: CPI da covid - entendeu que eram culpados 
e mandaram o relatório para o procurador geral 
da república, porque Bolsonaro era o presidente 
na época. 
1.2. Investigação direta pelo Ministério Público: 
MP pode denunciar. MP pode ver que a 
investigação está precária e pedir diligências 
complementares. MP pode ver que aquela 
denúncia não levou a nada (caso de prescrição) e 
solicitar o arquivamento. O pedido de 
arquivamento é homologado judicialmente. 
A polícia militar não pode investigar, pois é 
ostensiva. 
Autoridade policial na polícia civil é designada ao 
delegado. 
Autoridade policial na polícia militar é o oficial. 
Fundamentação Legal: O MP tem a 
prerrogativa de realizar investigações criminais de 
forma direta, conforme entendimento do 
Supremo Tribunal Federal (STF). Essa 
possibilidade está baseada na interpretação dos 
artigos 127 e 129 da Constituição Federal, que 
conferem ao MP a função de defender a ordem 
jurídica e os interesses sociais e individuais 
indisponíveis12. 
Limites e Condições: 
 
 
Amanda Rios 
 
A investigação pelo MP deve respeitar os direitos 
e garantias fundamentais dos investigados, como 
o contraditório e a ampla defesa2. 
O MP pode atuar diretamente em casos onde há 
omissão ou ineficácia da polícia, ou quando a 
investigação envolve membros da própria 
polícia2. 
Procedimentos: 
O MP pode requisitar documentos, ouvir 
testemunhas, realizar perícias e outras diligências 
necessárias para a apuração dos fatos2. 
As investigações conduzidas pelo MP devem ser 
documentadas e seguir os mesmos princípios de 
legalidade e transparência aplicáveis às 
investigações policiais2. 
Controvérsias: 
Há divergências sobre a extensão desse poder. 
Alguns juristas argumentam que a investigação 
criminal deve ser exclusiva da polícia judiciária, 
conforme o artigo 144 da Constituição Federal2. 
Outros defendem que o poder investigativo do 
MP é essencial para garantir a imparcialidade e a 
eficácia na apuração de crimes, especialmente em 
casos de corrupção e crimes cometidos por 
agentes públicos1. 
O MP pode fazer a investigação por autoridade 
própria. Poder geral - sempre pode investigar a 
polícia (é o responsável pelo controle externo da 
atividade policial). MP pode investigar por conta 
própria, promover, ou requisitar, falar para a 
polícia fazer. Faz o controle externo da atividade 
policial: CF não fala que o MP tem um controle 
externo da atividade investigativa, apenas da 
policial (externo porque interno é pelas 
corregedorias).Obs.: autoridade policial - nem 
todo policial é autoridade policial, esses são 
apenas os delegados de polícia (militar é o 
oficialato), mas outros agentes policiais não 
podem ser chamados de autoridades policiais. 
Em resumo, o Ministério Público pode realizar 
investigações criminais diretamente, mas deve 
fazê-lo dentro dos limites legais e respeitando os 
direitos dos investigados. Essa atuação é vista 
como uma forma de complementar o trabalho da 
polícia e garantir maior eficiência na persecução 
penal. 
 2. Inquérito Policial: 
2.1. Características 
2.1.1. Discricionariedade: A margem de liberdade 
dentro da lei para escolher. O delegado vai definir 
na cabeça dele a melhor linha de investigação, 
escolhe quem vai chamar primeiro, a melhor 
estratégia, etc. Margem de liberdade dentro da lei 
para escolher entre opções possíveis de forma a 
melhor realizar o interesse público. Ex.: a decisão 
da polícia de pedir as câmeras de um lugar (não 
precisa de decisão judicial). 
2.1.2. Forma escrita: existem até atos que não são 
escritos, mas são reduzidos a termo, como os 
depoimentos orais e a reconstituição do crime 
(dramatização do crime). Reconstituição serve 
para ver se as hipóteses, seja do investigador, seja 
da defesa, são possíveis na prática. 
 
 
Amanda Rios 
 
2.1.3. Sigilo: a investigação policial é sigilosa, ou 
seja, tudo o que ocorre de vazamento de 
investigação policial é ilegal. Liberdade de 
imprensa: o certo é punir quem vazou e não 
quem publicou. O sigilo da fonte torna isso mais 
complicado, pois a fonte policial está violando 
um sigilo e se protegendo com outro. 
2.1.4. Oficialidade: atos tem que ser oficiais, 
seguir os ritos devidos. Exemplo: pedir um 
relatório pelo WhatsApp é uma forma não oficial 
de agir, isso está falando da comunicação nos 
autos, mas na prática todos se comunicam por 
fora. O WhatsApp está sendo oficializado na 
"tora", pois é difícil verificar a veracidade de 
quem recebe. 
2.1.5. Oficiosidade: a polícia pode agir de ofício, 
sem que ninguém o provoque em casos de ação 
penal pública incondicionada. Crimes de ação 
penal privada precisa da autorização da vítima, 
bem como crimes de ação penal pública 
condicionada. O próprio tipo penal diz qual tipo 
de ação penal vai ser, a única exceção é a lesão 
corporal leve e culposa, que tá na lei dos juizados 
especiais, e não no tipo penal, lei diz: “só se 
procede mediante queixa” (ação penal privada) 
ou “só se procede mediante representação” (ação 
penal pública condicionada). 
2.1.6. Indisponibilidade: o delegado não tem 
poder de arquivar o processo/ inquérito, apenas 
conclui as investigações e manda para o 
ministério público avaliar se arquiva ou não e 
submete ao juiz para validar ou não esse 
arquivamento. Quem decide o destino do 
inquérito policial não é o delegado, ele conclui o 
inquérito, manda para o MP e o MP decide o que 
faz, inclusive mandar para ele investigar mais. 
2.1.7. Inquisitoriedade: não existe a separação de 
funções de acusar e julgar, a figura do 
investigador é uma só e a função também: 
investigar. Entretanto, a defesa pode participar, 
acessar os autos, pedir diligências. 
2.1.8. Dispensabilidade: quando o titular da ação 
penal tiver elementos suficientes para promover 
a ação penal. 
 
O inquérito policial é instaurado pelo delegado 
de polícia - autoridade responsável pela 
investigação. Não precisa ser provocado por 
alguém para instaurar o inquérito, pode 
instaurar de ofício (quando for ação penal 
pública incondicionada). Inquérito policial 
não é a única forma de investigar, às vezes um 
determinado crime pode estar provado o 
suficiente para o ministério público investigar 
sem inquérito, seja por investigação do mp, cpi, 
privada, corregedoria, etc. Essas outras podem 
trazer tantos elementos que tornem o inquérito 
indispensável → só é dispensável quando já 
chega pro mp ou quando a pessoa mesma faz a 
investigação como ele é dispensável se ele é 
indisponível. 
Art. 5o Nos crimes de ação pública o 
inquérito policial será iniciado: 
I - de ofício; 
 
 
Amanda Rios 
 
 II - mediante requisição da autoridade 
judiciária ou do Ministério Público, ou a 
requerimento do ofendido ou de quem tiver 
qualidade para representá-lo. 
§ 1o O requerimento a que se refere o no II 
conterá sempre que possível: 
a) a narração do fato, com todas as 
circunstâncias; 
b) a individualização do indiciado ou seus 
sinais característicos e as razões de convicção ou 
de presunção de ser ele o autor da infração, ou os 
motivos de impossibilidade de o fazer; 
c) a nomeação das testemunhas, com 
indicação de sua profissão e residência. 
§ 2o Do despacho que indeferir o 
requerimento de abertura de inquérito caberá 
recurso para o chefe de Polícia. 
§ 3o Qualquer pessoa do povo que tiver 
conhecimento da existência de infração penal em 
que caiba ação pública poderá, verbalmente ou 
por escrito, comunicá-la à autoridade policial, e 
esta, verificada a procedência das informações, 
mandará instaurar inquérito. 
§ 4o O inquérito, nos crimes em que a ação 
pública depender de representação, não poderá 
sem ela ser iniciado. 
§ 5o Nos crimes de ação privada, a 
autoridade policial somente poderá proceder a 
inquérito a requerimento de quem tenha 
qualidade para intentá-la. 
Uma denúncia anônima sozinha não pode gerar 
uma persecução penal. 
Art. 6o Logo que tiver conhecimento da 
prática da infração penal, a autoridade policial 
deverá: 
I - dirigir-se ao local, providenciando para 
que não se alterem o estado e conservação das 
coisas, até a chegada dos peritos criminais; II 
- apreender os objetos que tiverem relação com 
o fato, após liberados pelos peritos criminais; 
III - colher todas as provas que servirem 
para o esclarecimento do fato e suas 
circunstâncias; 
IV - ouvir o ofendido; 
V - ouvir o indiciado, com observância, no 
que for aplicável, do disposto no Capítulo III do 
Título Vll, deste Livro, devendo o respectivo 
termo ser assinado por duas testemunhas que Ihe 
tenham ouvido a leitura; 
VI - Proceder a reconhecimento de pessoas 
e coisas e a acareações; 
VII - determinar, se for caso, que se 
proceda a exame de corpo de delito e a quaisquer 
outras perícias; 
VIII - ordenar a identificação do indiciado 
pelo processo datiloscópico, se possível, e fazer 
juntar aos autos sua folha de antecedentes; 
IX - Averiguar a vida pregressa do 
indiciado, sob o ponto de vista individual, 
familiar e social, sua condição econômica, sua 
atitude e estado de ânimo antes e depois do crime 
e durante ele, e quaisquer outros elementos que 
contribuírem para a apreciação do seu 
temperamento e caráter. 
X - colher informações sobre a existência 
de filhos, respectivas idades e se possuem alguma 
deficiência e o nome e o contato de eventual 
responsável pelos cuidados dos filhos, indicado 
pela pessoa presa. 
 Art. 7o Para verificar a possibilidade de 
haver a infração sido praticada de determinado 
modo, a autoridade policial poderá proceder à 
 
 
Amanda Rios 
 
reprodução simulada dos fatos, desde que esta 
não contrarie a moralidade ou a ordem pública. 
 Art. 8o Havendo prisão em flagrante, será 
observado o disposto no Capítulo II do Título IX 
deste Livro. 
 Art. 9o Todas as peças do inquérito 
policial serão, num só processado, reduzidas a 
escrito ou datilografadas e, neste caso, rubricadas 
pela autoridade. 
 Art. 10. O inquérito deverá terminar no 
prazo de 10 dias, se o indiciado tiver sido preso 
em flagrante, ou estiver preso preventivamente, 
contado o prazo, nesta hipótese, a partir do dia 
em que se executar a ordem de prisão, ou no 
prazo de 30 dias, quando estiver solto, mediante 
fiança ou sem ela. 
§ 1o A autoridade fará minucioso relatório 
do que tiver sido apurado e enviará autos ao juiz 
competente. 
§ 2oNo relatório poderá a autoridade 
indicar testemunhas que não tiverem sido 
inquiridas, mencionando o lugar onde possam 
ser encontradas. 
§ 3o Quando o fato for de difícil elucidação, 
e o indiciado estiver solto, a autoridade poderá 
requerer ao juiz a devolução dos autos, para 
ulteriores diligências, que serão realizadas no 
prazo marcado pelo juiz. 
Direito de participação do policial na 
investigação, mas só se aplica a profissionais de 
segurança (são colocados em risco maior). 
Nicory discorda, pois se for para dar direito, tem 
que ser a todos os policiais. 
Quando o agente usa a força contra réu, ele vai 
ter esse direito de participação especial na 
investigação, vai ser notificado, ter acesso ao 
processo pela defensoria pública. Direito de 
interferir, mas não de atrapalhar. 
Obs.: requisição é uma ordem. Requerimento é 
um pedido. 
Obs.: O problema da denúncia anônima: 
entendimento do supremo é de que uma 
denúncia anônima sozinha não pode motivar a 
abertura de um inquérito policial, mas que a 
autoridade pode fazer uma diligência preliminar 
inicial para averiguar a veracidade dos fatos. É 
uma pré-investigação. 
Indiciar é um termo mais restrito do que 
investigar. Todos os suspeitos podem chamar de 
investigados, mas indiciado é a condição que um 
sujeito assume quando a investigação está para se 
encerrar ou já se encerrou e foi apontado como 
o provável autor do crime, é mais do que ser 
investigado, mas menos do que ser denunciado 
(envolve o MP) e menos ainda que ser réu 
(denúncia aceita) persecução penal = 
investigação + processo. 
10 dias para o réu preso e 30 dias para réu solto 
investigação do preso não pode demorar muito, 
se não conseguiu provas para denunciar não tem 
sentido manter preso. Indiciamento é perto do 
final do prazo, resultado final do trabalho do 
delegado = um relatório. 
3. remessa do inquérito ao titular da ação penal 
4. Diligências complementares: o MP não poderá 
falar nada complementar. Art. 16, CPC. 
5. Arquivamento: do que foi apurado, não há 
motivo para prosseguir com a persecução penal. 
 
 
Amanda Rios 
 
Art. 18. Depois de ordenado o arquivamento do 
inquérito pela autoridade judiciária, por falta de 
base para a denúncia, a autoridade policial poderá 
proceder a novas pesquisas, se de outras provas 
tiver notícia. 
Se o judiciário não aceitar o arquivamento, cria 
uma tensão entre o MP e o judiciário. Neste caso, 
manda o inquérito para o procurador geral 
analisar e se decidir o arquivamento juiz é 
obrigado a arquivar. 
5.1. Direto: o MP propõe o arquivamento, não 
determina. O juiz é obrigado a aceitar a 
solicitação de arquivamento do MP? Não. 
 
5.2. Indireto: O arquivamento indireto do 
inquérito policial ocorre quando o Ministério 
Público (MP) entende que o juízo atual não é 
competente para julgar o caso e, por isso, solicita 
que os autos sejam remetidos ao juízo 
competente12. Esse tipo de arquivamento não 
significa que o caso será encerrado, mas sim que 
ele será transferido para a jurisdição correta para 
prosseguimento. 
Se o juiz concordar com o pedido do MP, ele 
encaminha os autos ao juízo competente. Caso 
contrário, o juiz pode aplicar o artigo 28 do 
Código de Processo Penal, que prevê a remessa 
do inquérito ao procurador-geral para que este 
decida sobre o arquivamento ou a designação de 
outro membro do MP para oferecer a denúncia13. 
 
5.3. Implícito (NÃO PODE): denunciar 3 e falar 
que 2 foram engano ou denunciar 3 e pedir 
diligências complementares de 2, pois não tem 
provas necessárias. O MP não é obrigado a dar a 
mesma providência para todos. O problema é se 
o MP de 5 denuncia 3 e não fala nada dos outros 
2. o arquivamento implícito não é admitido pela 
jurisprudência, ele não existe. Pois a denúncia 
pode ser aditada a qualquer tempo antes da 
sentença final, assegurado o devido processo 
legal, o contraditório e a ampla defesa. 
 Art. 16. O Ministério Público não poderá 
requerer a devolução do inquérito à autoridade 
policial, senão para novas diligências, 
imprescindíveis ao oferecimento da denúncia. 
Art. 17. A autoridade policial não poderá 
mandar arquivar autos de inquérito. 
Art. 18. Depois de ordenado o 
arquivamento do inquérito pela autoridade 
judiciária, por falta de base para a denúncia, a 
autoridade policial poderá proceder a novas 
pesquisas, se de outras provas tiver notícia. 
Art. 19. Nos crimes em que não couber 
ação pública, os autos do inquérito serão 
remetidos ao juízo competente, onde aguardarão 
a iniciativa do ofendido ou de seu representante 
legal, ou serão entregues ao requerente, se o 
pedir, mediante traslado. 
Art. 20. A autoridade assegurará no 
inquérito o sigilo necessário à elucidação do fato 
ou exigido pelo interesse da sociedade. 
Parágrafo único. Nos atestados de 
antecedentes que lhe forem solicitados, a 
autoridade policial não poderá mencionar 
quaisquer anotações referentes a instauração de 
inquérito contra os requerentes. 
Art. 28. Ordenado o arquivamento do 
inquérito policial ou de quaisquer elementos 
informativos da mesma natureza, o órgão do 
Ministério Público comunicará à vítima, ao 
investigado e à autoridade policial e encaminhará 
 
 
Amanda Rios 
 
os autos para a instância de revisão ministerial 
para fins de homologação, na forma da lei. 
8. Investigação Criminal Defensiva: o 
complexo de atividades de natureza 
investigatória desenvolvido pelo advogado, com 
ou sem assistência de consultor técnico ou por 
profissionais legalmente habilitados, em qualquer 
fase de persecução penal, procedimento ou grau 
de jurisdição, visando à obtenção de elementos 
de prova destinados à constituição de acervo 
probatório lícito, para a tutela de direitos de seu 
constituinte. 
8.1. Advocacia privada – prov. 188/2018 - 
OAB 
TEXTO DE ATO NORMATIVO - 
PROVIMENTO Nº 188/2018 - CFOAB Art. 49 
Poderá o advogado, na condução da investigação 
defensiva, promover diretamente todas as 
diligências investigatórias necessárias ao 
esclarecimento do fato, em especial a colheita de 
depoimentos, pesquisa e obtenção de dados e 
informações disponíveis em órgãos públicos ou 
privados, determinar a elaboração de laudos e 
exames periciais, e realizar reconstituições, 
ressalvadas as hipóteses de reserva de jurisdição. 
Parágrafo único. Na realização da investigação 
defensiva, o advogado poderá valer-se de 
colaboradores, como detetives particulares, 
peritos, técnicos e auxiliares de trabalhos de 
campo. A diferença disso para Defensoria 
Pública é que a DP consegue fazer requisições 
(ordem). 
Art. 5º Durante a realização da 
investigação, o advogado deve preservar o sigilo 
das informações colhidas, a dignidade, 
privacidade, intimidade e demais direitos e 
garantias individuais das pessoas envolvidas. 
Art. 6º O advogado e outros profissionais 
que prestarem assistência na investigação não 
têm o dever de informar à autoridade 
competente os fatos investigados. 
Parágrafo único. Eventual comunicação e 
publicidade do resultado da investigação exigirão 
expressa autorização do constituinte. O 
advogado só comunica com autorização expressa 
do cliente. 
8.2. Defensoria Pública - poder de 
requisição: presta orientações jurídicas e exerce a 
defesa dos necessitados, em todos os graus. 
Acompanha inquérito policial, inclusive com a 
comunicação imediata da prisão em flagrante 
pela autoridade policial, quando o preso não 
constituir advogado. 
-TEXTO DE ATO NORMATIVO - LEI 
COMPLEMENTAR Nº 80/94 Art. 128. São 
prerrogativas dos membros da Defensoria 
Pública do Estado, dentre outras que a lei local 
estabelecer: X - requisitar de autoridade pública 
ou de seus agentes exames, certidões, perícias, 
vistorias, diligências, processos, documentos, 
informações, esclarecimentos e providências 
necessárias ao exercício de suas atribuições; XI - 
representar aparte, em feito administrativo ou 
judicial, independentemente de mandato, 
ressalvados os casos para os quais a lei exija 
poderes especiais; -TEXTO DE ATO 
NORMATIVO - LEI Nº 13.432/2017: Art. 2º 
Para os fins desta Lei, considera-se detetive 
particular o profissional que, habitualmente, por 
conta própria ou na forma de sociedade civil ou 
empresarial, planeje e execute coleta de dados e 
informações de natureza não criminal, com 
conhecimento técnico e utilizando recursos e 
meios tecnológicos permitidos, visando ao 
esclarecimento de assuntos de interesse privado 
do contratante. § 1º Consideram-se sinônimas, 
para efeito desta Lei, as expressões "detetive 
particular", "detetive profissional" e outras que 
tenham ou venham a ter o mesmo objeto. 
 
 
Amanda Rios 
 
9. Detetive Particular/Profissional: 
profissional que habitualmente, por conta 
própria ou na forma de sociedade civil/ 
empresarial, planeje e execute coleta de dados e 
informações de natureza não criminal, com 
conhecimento técnico e utilizando recursos e 
meios tecnológicos permitidos, visando ao 
esclarecimento de assuntos de interesse privado 
do contratante. O detetive particular pode 
colaborar com a investigação policial em curso, 
desde que expressamente autorizado pelo 
contratante. O aceite da colaboração ficará a 
critério do delegado de polícia, que poderá 
admiti-la ou rejeitá-la a qualquer tempo. 
Lei 13.432/2017: 
Art. 10. É vedado ao detetive particular: 
I - aceitar ou captar serviço que configure 
ou contribua para a prática de infração penal ou 
tenha caráter discriminatório; 
II - aceitar contrato de quem já tenha 
detetive particular constituído, salvo: 
a) com autorização prévia daquele com o 
qual irá colaborar ou a quem substituirá; 
b) na hipótese de dissídio entre o 
contratante e o profissional precedente ou de 
omissão deste que possa causar dano ao 
contratante; 
III - divulgar os meios e os resultados da 
coleta de dados e informações a que tiver acesso 
no exercício da profissão, salvo em defesa 
própria; 
IV - participar diretamente de diligências 
policiais; 
V - utilizar, em demanda contra o 
contratante, os dados, documentos e 
informações coletados na execução do contrato. 
Art. 11. São deveres do detetive particular: 
I - preservar o sigilo das fontes de 
informação; 
II - respeitar o direito à intimidade, à 
privacidade, à honra e à imagem das pessoas; 
III - exercer a profissão com zelo e 
probidade; 
IV - defender, com isenção, os direitos e as 
prerrogativas profissionais, zelando pela própria 
reputação e a da classe; 
V - zelar pela conservação e proteção de 
documentos, objetos, dados ou informações que 
lhe forem confiados pelo cliente; 
VI - restituir, íntegro, ao cliente, findo o 
contrato ou a pedido, documento ou objeto que 
lhe tenha sido confiado; 
VII - prestar contas ao cliente. 
Art. 12. São direitos do detetive particular: 
I - exercer a profissão em todo o território 
nacional na defesa dos direitos ou interesses que 
lhe forem confiados, na forma desta Lei; 
II - recusar serviço que considere imoral, 
discriminatório ou ilícito; 
III - renunciar ao serviço contratado, caso 
gere risco à sua integridade física ou moral; 
IV - compensar o montante dos 
honorários recebidos ou recebê-lo 
proporcionalmente, de acordo com o período 
trabalhado, conforme pactuado; 
V - (VETADO); 
 
 
Amanda Rios 
 
VI - reclamar, verbalmente ou por escrito, 
perante qualquer autoridade, contra a 
inobservância de preceito de lei, regulamento ou 
regimento; 
VII - ser publicamente desagravado, 
quando injustamente ofendido no exercício da 
profissão. 
 
Aula 4: 
ANPP (Acordo de Não Persecução penal - art. 
28-A) 
O acordo de não persecução penal tem o 
objetivo de evitar o processo, a ação penal nem é 
instaurada, mas aplica uma sanção ao indiciado. 
O acordo não pode ser em todos os tipos de 
crimes. A grande novidade que ele traz é que 
exige confissão. Negócio jurídico processual 
penal. 
Acordo de não persecução penal - o sistema 
americano se resolve com barganha de culpa, 
pois quase todos os casos criminais são 
resolvidos em tribunais de júri, e por isso, ambas 
as partes enxergam vantagens em evitar a 
imprevisibilidade do júri. O sistema brasileiro 
sempre foi baseado na supremacia do juiz, mas 
foram introduzidos vários mecanismos de 
barganha entre a defesa e a acusação, foram 
também introduzidas formas de barganha em 
casos de tráfico de drogas… existem finalidades 
diferentes para essas colaborações: evitar o 
processo, suspender o processo, e para, mesmo 
não suspendendo o processo, reduzir a pena. O 
Estado abre mão do seu poder punitivo, em prol 
de uma resolução mais rápida e o acusado abre 
mão de algumas garantias de um processo para 
ter um tratamento mais brando. Não é para 
qualquer tipo de crime, a grande novidade é que 
ele exige confissão, e a transação penal e 
suspensão condicional não exige confissão. Ele 
cabe em situações que não seja caso de 
arquivamento, e tendo investigado e exigido a 
confissão, se o crime não for de violência ou 
grave ameaça, e com pena mínima inferior a 
4 anos. EX.: estelionato, receptação, todos os 
furtos, crimes contra a honra, crimes contra a 
administração (Quase todos os crimes do CP). O 
que não entra é roubo simples, nenhum crime 
patrimonial, tentativa de homicídio simples, 
tráfico de drogas são alguns exemplos de crimes 
que não cabem em acordo de não persecução 
penal. 
No Brasil, não se pode negociar a pena de prisão, 
por isso que o acordo de não persecução tem que 
ser inferior a pena de quatro anos, pois ela pode 
ser transformada em restritiva de direito. 
O promotor quem vai escolher. A proposta do 
ANPP só é usada se não for caso de denúncia e 
nem de arquivar. 
1.1. Plea bargain x ANPP: nos eua, negocia-se a 
prisão, para que não precise ir à júri e correr o 
risco de pegar prisão perpetua. No BR, não se 
negocia a pena. 
1.2. Cabimento: confissão formal e circunstancial 
(principal); pena mínima inferior a 4 anos 
(levando em consideração as causas de aumento 
 
 
Amanda Rios 
 
e diminuição); infração penal sem violência ou 
grave ameaça. 
1.2.1. Tráfico privilegiado: No caso do tráfico de 
drogas privilegiado, o acusado, sendo primário, 
sem envolvimento com organização criminosa e 
com outras características que evidenciem seu 
perfil, pode se beneficiar tanto da redução da 
pena pelo tráfico privilegiado quanto do 
ANPP. Ou seja, se o acusado preencher os 
requisitos para o ANPP, poderá firmar o acordo 
com o Ministério Público, evitando o processo 
judicial, mesmo que se trate de um crime de 
tráfico, caso a pena prevista para o tráfico não 
ultrapasse os 4 anos (ou se o réu atender aos 
outros critérios do acordo). 
1.2.2. Crimes violentos culposos 
 
1.3. Pressupostos 
1.3.1. Justa causa: A justa causa é pressuposto, 
porque se não fere o princípio da boa-fé, oferecer 
no vai que cola. 
1.3.2. Confissão: ela dá uma tranquilidade 
psicológica muito grande ao juiz, pois ele fica 
despreocupado de condenar o réu. 
Art. 28-A. Não sendo caso de arquivamento e 
tendo o investigado confessado formal e 
circunstancialmente a prática de infração penal 
sem violência ou grave ameaça e com pena 
mínima inferior a 4 (quatro) anos, o Ministério 
Público poderá propor acordo de não persecução 
penal, desde que necessário e suficiente para 
reprovação e prevenção do crime, mediante as 
seguintes condições ajustadas cumulativa e 
alternativamente: 
1.4. Condições de acordo 
REQUISITOS/COMPARANDO COM 
TRANSAÇÃO PENAL: 
● Assim como na transação penal, no ANPP 
também só cabe se não for caso de 
arquivamento. 
● No ANPP têm que confessar, na transação 
não. Perceba que isso é um trunfo no MP, pois a 
pessoa confessa, e se não cumprir o acordo ela 
terá depois contra ela própria a sua confissão. 
OBS: PERCEBAQUE AINDA LEVA O 
NOME DE INVESTIGADO, POIS SEM 
DENÚNCIA NÃO TEM RÉU!!! 
● Crime sem violência ou grave ameaça 
● Pena MÍNIMA inferior a 4 anos. 
● O MP tem que demonstrar que não é 
necessário e suficiente para reprovação do crime 
a perseguição penal. Há uma divergência se 
haveria um direito subjetivo do indivíduo, uma 
vez preenchido às condições o MP deverá fazer 
a proposta (Aury Lopes - majoritário). Mas há 
também quem ache que é o crivo do MP 
(minoritário - Rogério Sanches). 
1.4.1. Reparação do dano à vítima: Preocupação 
com o legislador com A VÍTIMA. É possível que 
a mera restituição da coisa resolva, mas se a coisa 
tem valor sentimental, por exemplo, é preciso 
que na fase investigativa isso seja bem delineado. 
A vítima no ANPP não é intimada, então já é 
 
 
Amanda Rios 
 
preciso que venha do inquérito essa percepção 
para o promotor dá importância dá coisa para 
vítima por exemplo. Mas perceba que isso não vai 
impedir que a vítima ajuizar uma ação civil ex 
delicto buscando um valor para reparar seu dano, 
e claro que o valor que foi pago na ANPP será 
descontado. Existem de casos de não existirem 
vítimas. Ex.: porte de arma. 
Art. 28 – A: 
I - reparar o dano ou restituir a coisa à vítima, 
exceto na impossibilidade de fazê-lo; 
Ex.: menino quebrou um vaso histórico do 
museu. Neste caso, dano irreparável. Cabe o 
mesmo acordo? 
1.4.2. II - renunciar voluntariamente a bens e 
direitos indicados pelo Ministério Público como 
instrumentos, produto ou proveito do crime; 
Renúncia pro Estado o excedente do que não foi 
ressarcido a vítima. Instrumentos e BENS que 
têm relação com o crime, óbvio que o MP vai ter 
que investigar isso através pedindo novas 
diligências no inquérito ou ele mesmo nas suas 
atribuições notificando cartórios ou até mesmo 
pedindo em juízo. Exemplo: subtraiu valor de 
uma empresa e comprou um imóvel, o MP vai 
mandar renunciar isso 
Ex.: as vezes o golpe que a pessoa deu levou ao 
enriquecimento e o que ela comprou é produto 
do crime. 
 
III - prestar serviço à comunidade ou a entidades 
públicas por período correspondente à pena 
mínima cominada ao delito diminuída de um a 
dois terços, em local a ser indicado pelo juízo da 
execução, na forma do art. 46 do Decreto-Lei nº 
2.848, de 7 de dezembro de 1940 
Você pode cumprir prestação de serviços à 
comunidade em tempo inferior se levasse o 
processo até o final. 
A prestação de serviços à comunidade não entra 
na conta. 
IV - pagar prestação pecuniária, a ser estipulada 
nos termos do art. 45 do Decreto-Lei nº 2.848, 
de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), a 
entidade pública ou de interesse social, a ser 
indicada pelo juízo da execução, que tenha, 
preferencialmente, como função proteger bens 
jurídicos iguais ou semelhantes aos 
aparentemente lesados pelo delito; ou 
V - cumprir, por prazo determinado, outra 
condição indicada pelo Ministério Público, desde 
que proporcional e compatível com a infração 
penal imputada. 
§ 1º Para aferição da pena mínima cominada ao 
delito a que se refere o caput deste artigo, serão 
consideradas as causas de aumento e diminuição 
aplicáveis ao caso concreto. § 2º O disposto no 
caput deste artigo não se aplica nas seguintes 
hipóteses: 
I - se for cabível transação penal de 
competência dos Juizados Especiais 
Criminais, nos termos da lei; 
 
1.5. Vedações (quando não pode ser feito ANPP, 
art. 24-A, § 2º) 
-Quando cabível transação penal 
-Quando for caso de arquivamento 
-Reincidente ou houver provas que é 
criminoso habitual reiterado ou 
"profissional", exceto se insignificantes. 
-Ter sido o agente beneficiado nos últimos 
5 anos, ou outro ANPP, transação ou sursis 
processuais. 
-Nos crimes praticados no âmbito de 
violência doméstica ou familiar, ou 
praticados contra a mulher por razões da 
 
 
Amanda Rios 
 
condição de sexo feminino, em favor do 
agressor. 
 
Obs.: ANPP não é só uma norma 
processual, pois é de natureza mista. 
§ 2º O disposto no caput deste artigo não se 
aplica nas seguintes hipóteses: 
 
1.5.1. Crimes de menor potencial ofensivo: 
pois, neste caso, seria mais favorável para o 
réu transação penal. 
I - se for cabível transação penal de 
competência dos Juizados Especiais 
Criminais, nos termos da lei; 
 
1.5.2. Crime de violência doméstica contra 
a mulher (art. 24-A, parágrafo 2, inciso IV): 
IV - nos crimes praticados no âmbito de 
violência doméstica ou familiar, ou 
praticados contra a mulher por razões da 
condição de sexo feminino, em favor do 
agressor. 
 
1.5.3. Em caso de reincidência: contar o 
período depurador (5 anos). Se tiver 
passado o período depurador pode oferecer 
ANPP. 
II - se o investigado for reincidente ou se 
houver elementos probatórios que 
indiquem conduta criminal habitual, 
reiterada ou profissional, exceto se 
insignificantes as infrações penais pretéritas; 
 
1.5.4. Caso o autor tenha sido beneficiado 
pela ANPP no prazo de 5 anos: 
III - ter sido o agente beneficiado nos 5 
(cinco) anos anteriores ao cometimento da 
infração, em acordo de não persecução 
penal, transação penal ou suspensão 
condicional do processo; 
 
1.6. Procedimento do ANPP: 
§ 3º O acordo de não persecução penal será 
formalizado por escrito e será firmado pelo 
membro do Ministério Público, pelo 
investigado e por seu defensor. 
A “audiência” é no MP, mas só pode ser 
feita com defensor/advogado. DEPOIS da 
audiência com o promotor que se firma o 
acordo, precisa ser homologado em juízo 
onde o juiz verifica: 
 
§ 4º Para a homologação do acordo de não 
persecução penal, será realizada audiência 
na qual o juiz deverá verificar a sua 
voluntariedade, por meio da oitiva do 
investigado na presença do seu defensor, e 
sua legalidade. 
Na audiência de homologação vai ser 
elaborado o acordo escrito e depois enviado 
para o juiz verificar se foram preenchidos os 
requisitos legais. 
 
§ 5º Se o juiz considerar inadequadas, 
insuficientes ou abusivas as condições 
dispostas no acordo de não persecução 
penal, devolverá os autos ao Ministério 
Público para que seja reformulada a 
proposta de acordo, com concordância do 
investigado e seu defensor. 
§ 6º Homologado judicialmente o acordo 
de não persecução penal, o juiz devolverá os 
autos ao Ministério Público para que inicie 
sua execução perante o juízo de execução 
penal. 
-> Será feita uma nova audiência com um 
novo juiz para execução do acordo. 
 
 
 
Amanda Rios 
 
§ 7º O juiz poderá recusar homologação à 
proposta que não atender aos requisitos 
legais ou quando não for realizada a 
adequação a que se refere o § 5º deste artigo. 
§ 8º Recusada a homologação, o juiz 
devolverá os autos ao Ministério Público 
para a análise da necessidade de 
complementação das investigações ou o 
oferecimento da denúncia. 
§ 9º A vítima será intimada da homologação 
do acordo de não persecução penal e de seu 
descumprimento. 
A vítima é informada das coisas que 
acontecem 
§ 10. Descumpridas quaisquer das 
condições estipuladas no acordo de não 
persecução penal, o Ministério Público 
deverá comunicar ao juízo, para fins de sua 
rescisão e posterior oferecimento de 
denúncia. 
O juiz peticiona ao juiz que rescinda o 
acordo, mas antes é ideal que o promotor 
notifique o indivíduo para saber o que 
aconteceu. 
§ 11. O descumprimento do acordo de não 
persecução penal pelo investigado também 
poderá ser utilizado pelo Ministério Público 
como justificativa para o eventual não 
oferecimento de suspensão condicional do 
processo. 
Por exemplo numa situação de estelionato, 
que cabe SURSIS processual, pode ser 
escusado pelo MP para não oferecer, 
porque não cumpriu o ANPP. 
 
§ 12. A celebração e o cumprimento do 
acordo de não persecução penal não 
constarão de certidão de antecedentes 
criminais, exceto para os fins previstos noinciso III do § 2º deste artigo. 
Não gera maus antecedentes/reincidência, 
só fica arquivado para que não seja feito 
outro no prazo de 5 anos. 
 
§ 13. Cumprido integralmente o acordo de 
não persecução penal, o juízo competente 
decretará a extinção de punibilidade 
 
§ 14. No caso de recusa, por parte do 
Ministério Público, em propor o acordo de 
não persecução penal, o investigado poderá 
requerer a remessa dos autos a órgão 
superior, na forma do art. 28 deste Código. 
-> defesa pedirá para mandar para o chefe 
do MP, fundamentando que preenche os 
requisitos legais para ANPP. 
 
1.7. Execução: 
§ 12. A celebração e o cumprimento do 
acordo de não persecução penal não 
constarão de certidão de antecedentes 
criminais, exceto para os fins previstos no 
inciso III do § 2º deste artigo. 
-> ANPP não configura reincidência em 
um próximo crime, nem maus 
antecedentes. Não consta na ficha criminal 
– os cidadãos não conseguem ver, mas o 
judiciário, sim. 
§ 13. Cumprido integralmente o acordo de 
não persecução penal, o juízo competente 
decretará a extinção de punibilidade. 
1.8. Descumprimento: 
§ 10. Descumpridas quaisquer das 
condições estipuladas no acordo de não 
persecução penal, o Ministério Público 
deverá comunicar ao juízo, para fins de sua 
rescisão e posterior oferecimento de 
denúncia. 
 
 
Amanda Rios 
 
§ 11. O descumprimento do acordo de não 
persecução penal pelo investigado também 
poderá ser utilizado pelo Ministério Público 
como justificativa para o eventual não 
oferecimento de suspensão condicional do 
processo. 
-> Não cumprir o ANPP além de gerar a 
denúncia pelo MP, pode perder o direito a 
um novo acordo que é a suspensão 
condicional do processo. 
PRESCRIÇÃO DO ANPP Durante o período 
de ANPP, A PRESCRIÇÃO NÃO CORRE, 
ELA ESTÁ SUSPENSA 
Art. 116 CP - Antes de passar em julgado a 
sentença final, a prescrição não corre: 
IV - enquanto não cumprido ou não rescindido 
o acordo de não persecução penal. 
 
JUIZ DE GARANTIAS (art. 3-A e art. 3-B) 
Punitivista no material, mas garantista no 
processual. 
2.1. Conceito: Juiz de garantias foi inserido de 
uma forma militante por Sergio moro e Marcelo 
Breta. Quem investiga Polícia ou MP ou 
Parlamento, mas em diversos momentos 
necessita de autorização judicial, como busca e 
apreensão, interceptação telefônica, porque fere 
direitos fundamentais. As autorizações, os juízes 
viraram os donos da investigação. Com o juiz de 
garantias esse magistrado da investigação não vai 
ser o juiz que vai julgar o caso, pois o primeiro já 
se contaminou muito, feria o princípio da 
imparcialidade. Dificilmente o primeiro 
conseguiria ouvir as duas partes com 
imparcialidade. 
 Art. 3º-A. O processo penal terá estrutura 
acusatória, vedadas a iniciativa do juiz na fase de 
investigação e a substituição da atuação 
probatória do órgão de acusação. 
 Art. 3º-B. O juiz das garantias é 
responsável pelo controle da legalidade da 
investigação criminal e pela salvaguarda dos 
direitos individuais cuja franquia tenha sido 
reservada à autorização prévia do Poder 
Judiciário, competindo-lhe especialmente: 
I - receber a comunicação imediata da 
prisão, nos termos do inciso LXII do caput do 
art. 5º da Constituição Federal; 
II - receber o auto da prisão em flagrante 
para o controle da legalidade da prisão, 
observado o disposto no art. 310 deste Código; 
III - zelar pela observância dos direitos do 
preso, podendo determinar que este seja 
conduzido à sua presença, a qualquer tempo; 
 IV - ser informado sobre a instauração de 
qualquer investigação criminal; 
V - decidir sobre o requerimento de prisão 
provisória ou outra medida cautelar, observado o 
disposto no § 1º deste artigo; 
VI - prorrogar a prisão provisória ou outra 
medida cautelar, bem como substituí-las ou 
revogá-las, assegurado, no primeiro caso, o 
exercício do contraditório em audiência pública e 
oral, na forma do disposto neste Código ou em 
legislação especial pertinente; 
VII - decidir sobre o requerimento de 
produção antecipada de provas consideradas 
urgentes e não repetíveis, assegurados o 
contraditório e a ampla defesa em audiência 
pública e oral; 
 
2.2. Competências: 
2.2.1. Audiência de custódia: houve prisão de 
alguém ... na audiência se decide se a prisão foi 
legal ou não, se vai manter a prisão ou não. 
 
 
Amanda Rios 
 
2.2.2. Controle da legalidade do flagrante: 
verificar se há alguma ilegalidade na prisão na 
audiência de custódia. Avalia a necessidade da 
prisão. 
2.2.3. Decisão sobre pedidos de prisão e de 
medidas cautelares: cabe o juiz de garantias 
decidir sobre o requerimento de prisão provisória 
2.2.4. Decisão sobre pedido de produção 
antecipada de provas (art. 3-B, VII): ex., ouvir 
uma testemunha que está doente e que não pode 
esperar a tramitação normal do processo. 
Determinado pelo juiz de garantias, quando 
solicitado pelo juiz investigador. 
2.2.5. Autorização de meios de obtenção de 
prova: 
XI - decidir sobre os requerimentos de: 
a) interceptação telefônica, do fluxo de 
comunicações em sistemas de informática e 
telemática ou de outras formas de comunicação; 
b) afastamento dos sigilos fiscal, bancário, 
de dados e telefônico; 
-> sigilo fiscal é referente aos tributos 
municipais, estaduais e federais, sigilo bancário é 
referente às movimentações bancárias e 
relacionado a ações em empresas S.A. 
c) busca e apreensão domiciliar; 
d) acesso a informações sigilosas; 
e) outros meios de obtenção da prova que 
restrinjam direitos fundamentais do investigado; 
 
2.2.6. Prorrogação da duração do inquérito: 
2.2.7. Homologação da ANPP: 
 
2.3. Competência suprimidas pelo STF: 
2.3.1. Recebimento da denúncia ou queixa: o 
recebimento da denúncia é feito pelo juízo de 
admissibilidade da denúncia. Juiz pode rejeitar. 
2.3.2. Acautelamento dos autos da investigação 
2.3.3. Atuação em casos do rito do júri, de 
violência doméstica e de competência originária 
dos tribunais. 
 
2.4. Competências incluídas pelo STF 
2.4.1. Controle do prazo dos PICs do MP: o MP 
tinha um prazo chamado PICs que não levava ao 
judiciário para controlar, apenas à polícia. Hoje, 
é controlado também pelo juiz de garantias. 
2.4.2. Controle da promoção de arquivamento 
pelo MP: O legislador tinha definido que o 
inquérito não passava mais na justiça, apenas ao 
MP. Hoje, o arquivamento é proposto pelo MP, 
mas quem arquiva é o juiz. 
 
JUIZ DAS GARANTIAS 
Lei 13.964/2019 
O objetivo da norma é distanciar ao máximo o 
juiz do julgamento da investigação, pois ao ter 
contato com todas as provas até o processo a 
chance de ele ser parcial é grande. Procura 
garantir uma maior imparcialidade do magistrado 
e garantir os direitos fundamentais do 
investigado durante a fase investigativa. Faz 
todas as atividades entre a investigação e o 
recebimento da denúncia. Responsável por 
decidir sobre medidas investigativas. 
Responsável por atuar exclusivamente na fase de 
investigação criminal, exceto em casos de: 
1. Infração penal de menor potencial 
ofensivo (art. 3 – C do CPP) 
2. Tribunal do júri (posição do STF) 
3. Processo de competência originária dos 
tribunais (posição do STF) 
4. Violência doméstica (posição do STF) 
 
 
 
Amanda Rios 
 
"Art. 3º-A. O processo penal terá estrutura 
acusatória, vedadas a iniciativa do juiz na fase de 
investigação e a substituição da atuação 
probatória do órgão de acusação." 
 
Art. 156. A prova da alegação incumbirá a 
quem a fizer, sendo, porém, facultado ao juiz de 
ofício: 
I – ordenar, mesmo antes de iniciada a ação 
penal, a produção antecipada de provas 
consideradas urgentes e relevantes, observando a 
necessidade, adequação e proporcionalidade da 
medida; 
II – determinar, no curso

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