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PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18
É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal.
 
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2 
CURSO MEGE 
 
Site para cadastro: www.mege.com.br 
Celular / Whatsapp: (99) 982622200 (Tim) 
Turma: Regular de Defensoria Pública Estadual 2021 
Material: Ponto 1 (Processo Penal) 
 
 
 
 
 
 
 
 
MATERIAL DE APOIO 
(Ponto 1) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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SUMÁRIO 
 
CONTEÚDO PROGRAMÁTICO DA RODADA ....................................................................... 4 
DIREITO PROCESSUAL PENAL ........................................................................................... 5 
1. DOUTRINA (RESUMO) ................................................................................................... 5 
2. LEGISLAÇÃO, SÚMULAS E JURISPRUDÊNCIA .............................................................. 27 
3. QUESTÕES ................................................................................................................... 35 
4. GABARITO COMENTADO ............................................................................................ 45 
 
 
 
 
 
 
 
 
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CONTEÚDO PROGRAMÁTICO DA RODADA 
(Conforme Edital Mege para Defensoria Pública) 
 
 
 
 
DIREITO PROCESSUAL PENAL 
Princípios e sistemas do processo penal. Aplicação da lei processual no tempo e no 
espaço. (Ponto 1) 
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DIREITO PROCESSUAL PENAL 
1. DOUTRINA (RESUMO) 
1.1. PRINCÍPIOS 
1.1.1. CONCEITO E FUNÇÕES 
 
Os princípios são mandamentos nucleares de um sistema. São postulados que 
se irradiam por todo o sistema de normas. 
Os princípios têm duas funções principais: normativa e interpretativa. Com 
efeito, os princípios são normas jurídicas, possuindo força coercitiva, podendo ser 
invocados para a solução de casos concretos. Além disso, na hipótese de dúvida na 
interpretação de certa norma, tal dúvida pode ser esclarecida por meio do conteúdo 
do princípio. 
 
1.1.2. PRINCÍPIOS PROCESSUAIS PENAIS E CONSTITUCIONAIS 
 
a) Princípio da busca da verdade real 
 
Também chamado de princípio da verdade material ou da verdade 
substancial, significa que, no processo penal, devem ser realizadas as diligências 
necessárias e adotadas todas as providências cabíveis para tentar descobrir como os 
fatos realmente se passaram, de forma que o jus puniendi seja exercido com 
efetividade em relação àquele que praticou ou concorreu para a infração penal. 
Não obstante, é necessário ter em vista que a procura da verdade real não 
pode implicar violação de direitos e garantias estabelecidos na legislação. Assim, 
temos como exemplos de exceções à verdade real: 
 
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- A inadmissibilidade das provas obtidas por meios ilícitos (art. 
5º, LVI, da CF); 
- Descabimento da revisão criminal contra a sentença 
absolutória transitada em julgado, mesmo diante do 
surgimento de novas provas contra o réu; 
- Vedação ao testemunho das pessoas que tiverem 
conhecimento do fato em razão de sua profissão, função, ofício 
ou ministério, salvo se, desobrigadas, quiserem depor (art. 207 
do CPP). 
 
b) Princípio ne procedat judex ex officio 
 
Também chamado de princípio da ação ou princípio da demanda ou princípio 
da iniciativa das partes, concretiza a regra da inércia da jurisdição e produz 
consequências práticas importantes em relação ao desencadeamento da ação penal, 
ao desenvolvimento válido do processo e à fase recursal. 
O princípio em exame justifica a Súmula 160 do STF quando esta proíbe os 
tribunais de reconhecerem, contra o réu, nulidades não arguidas no recurso da 
acusação. 
 
c) Princípio do devido processo legal (art. 5º, LIV, CF) 
 
Art. 5º. Caput. 
(...) 
LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o 
devido processo legal; 
 
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7 
O exame deste princípio, originário da cláusula do due process of law do 
Direito anglo-americano, permite nele identificar alguns elementos essenciais à sua 
configuração como expressiva garantia da ordem constitucional, destacando-se, 
dentre eles, por sua inquestionável importância, as seguintes prerrogativas: 
 
- O direito ao processo (garantia de acesso ao Poder Judiciário); 
- O direito à citação e ao conhecimento prévio do teor da 
acusação; 
- O direito a um julgamento público e célere, sem dilações 
indevidas; 
- O direito ao contraditório e à plenitude de defesa (direito à 
autodefesa e à defesa técnica); 
- O direito de não ser processado e julgado com base em leis ex 
post facto; 
- O direito à igualdade entre as partes; 
- O direito de não ser processado com fundamento em provas 
revestidas de ilicitude; 
- O direito ao benefício da gratuidade; 
- O direito à observância do princípio do juiz natural; 
- O direito ao silêncio (privilégio contra a autoincriminação); 
- O direito à prova; e 
- O direito de presença e de participação ativa nos atos de 
interrogatório judicial dos demais litisconsortes penais 
passivos, quando existentes. 
 
d) Princípio da vedação das provas ilícitas (art. 5º, LVI, CF) 
 
Art. 5º. Caput. 
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8 
(...) 
LVI - são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por 
meios ilícitos; 
 
Provas ilícitas são aquelas obtidas por meios que afrontam direta ou 
indiretamente garantias constitucionais e legais. 
 
OBSERVAÇÃO: A doutrina processual penal faz uma distinção conceitual entre a prova 
ilícita e a prova ilegítima, sendo aquela a obtida com violação ao direito substantivo 
(material) e esta a obtida com violação ao direito adjetivo (processual). 
 
A vedação constitucional da prova ilícita não é absoluta no processo penal, já 
que é possível ser afastada em favor do acusado, quando tiver por fim a prova da 
inocência com fundamento no princípio da proporcionalidade. 
 
e) Princípio da presunção de inocência (art. 5º, LVII, CF) 
 
Art. 5º. Caput. 
(...) 
LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em 
julgado de sentença penal condenatória; 
 
Também chamado de princípio do estado de inocência ou da situação jurídica 
de inocência ou da não culpabilidade, este princípio deve ser considerado em três 
momentos distintos: na instrução processual, como presunçãodos princípios gerais de 
direito. 
 
14. Com relação ao Princípio Constitucional da Publicidade, com correspondência no 
Código de Processo Penal, é correto afirmar que: 
a) a publicidade ampla e a publicidade restrita não constituem regras de maior ou 
menor valor no processo penal, cabendo ao poder discricionário do juiz a preservação 
da intimidade dos sujeitos processuais. 
b) a publicidade restrita tem regramento pela legislação infraconstitucional e não foi 
recepcionada pela Constituição Federal, que normatiza a publicidade ampla dos atos 
processuais como garantia absoluta do indivíduo. 
c) de acordo com o artigo 93, inciso IX, da Constituição Federal, com nova redação 
dada pela EC 45/2004, os atos processuais serão públicos, sob pena de nulidade, 
cabendo ao juiz limitar a presença, nas audiências, de partes e advogados. 
d) a publicidade restrita é regra geral dos atos processuais, ao passo que a publicidade 
ampla é exceção e ocorre nas situações expressas em lei, dependendo de decisão 
judicial no caso concreto. 
e) a publicidade ampla é regra geral dos atos processuais, ao passo que a publicidade 
restrita é exceção e ocorre nas situações expressas em lei, dependendo de decisão 
judicial no caso concreto. 
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15. A lei processual penal brasileira: 
a) admite interpretação extensiva e aplicação analógica, bem como o suplemento dos 
princípios gerais de direito. 
b) aplica-se desde logo, em prejuízo da validade dos atos realizados sob a vigência da 
lei anterior. 
c) retroage no tempo para obrigar a refeitura dos atos processuais, caso seja mais 
benéfica ao réu. 
d) não admite definição de prazo de vacatio legis. 
e) será aplicada nos atos processuais praticados em outro território que não o 
brasileiro, em casos de extraterritorialidade da lei penal. 
 
16. Antonio está sendo processado pela prática do delito de furto qualificado. É 
correto dizer que, caso haja mudança nas normas que regulamentam o 
procedimento comum ordinário: 
a) a nova lei se aplica ao processo no estágio em que se encontra, se concluída a fase 
de instrução. 
b) a nova lei apenas se aplica se benéfica ao acusado. 
c) os atos praticados sob a vigência da lei anterior são válidos. 
d) a nova lei se aplica ao processo no estágio em que se encontra, apenas se ainda não 
recebida a denúncia contra Antonio. 
e) os atos praticados sob a vigência da lei anterior precisam ser ratificados, caso 
contrário não serão considerados válidos. 
 
17. Acerca dos princípios penais constitucionais e dos direitos fundamentais do 
cidadão à luz da CF, julgue os itens a seguir. 
I São princípios processuais penais expressos na CF a presunção de não culpabilidade, 
o devido processo legal e o direito do suspeito ou indiciado ao silêncio. 
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II O direito processual penal compreende o conjunto de normas jurídicas destinadas a 
regular o modo, os meios e os órgãos do Estado encarregados do exercício do jus 
puniendi. 
III A CF determina que o Brasil se submeta à jurisdição do Tribunal Penal Internacional, 
porém veda absolutamente a entrega de brasileiro naturalizado a jurisdição 
estrangeira. 
IV De acordo com o princípio da irretroatividade da lei processual penal, a regra nova 
não pode retroagir, mesmo quando eventualmente beneficiar o réu. 
Estão certos apenas os itens: 
a) I e II. 
b) I e IV. 
c) II e III. 
d) I, III e IV. 
e) II, III e IV. 
 
18. São princípios constitucionais processuais penais explícitos e implícitos, 
respectivamente: 
a) dignidade da pessoa humana e juiz natural; e insignificância e identidade física do 
juiz. 
b) intranscendência das penas e motivação das decisões; e intervenção mínima (ou 
ultima ratio) e duplo grau de jurisdição. 
c) contraditório e impulso oficial; e adequação social e favor rei (ou in dubio pro reo). 
d) não culpabilidade (ou presunção de inocência) e duração razoável do processo; e 
não autoacusação (ou nemo tenetur se detegere) e paridade de armas. 
 
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4. GABARITO COMENTADO 
 
1. B 
ALTERNATIVA A: INCORRETA 
o Ministério Público é o titular privativo da ação penal, mas não exclusivo. Em caso de 
inércia do Parquet, é possível ao ofendido, dentre outros legitimados, propor a ação 
penal privada subsidiária da pública. A CF reconhece tal direito no inciso LIX, do art. 5º: 
“será admitida ação privada nos crimes de ação pública, se esta não for intentada no 
prazo legal”. 
ALTERNATIVA B: CORRETA 
Tal garantia está prevista no inciso XLVIII, do art. 5º, da CF. 
ALTERNATIVA C: INCORRETA 
A defesa técnica é irrenunciável, apenas a autodefesa é renunciável (facultativa). 
ALTERNATIVA D: INCORRETA 
O princípio da razoável duração do processo aplica-se também aos procedimentos 
administrativos, conforme explicitado pelo inciso LXXVII, do art. 5º, da CF: “a todos, no 
âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os 
meios que garantam a celeridade de sua tramitação”. Assim, essa garantia abre espaço 
para algo que raramente ocorre no Brasil: o questionamento sobre a duração 
excessiva do inquérito policial. Em alguns países, o inquérito tem um prazo máximo de 
duração, que se expirado, impede o Estado de continuar investigando o fato. 
ALTERNATIVA E: INCORRETA 
A regra, de acordo com a CF, é a da publicidade. Segundo o inciso IX, do art. 93: “todos 
os julgamentos dos órgãos do poder judiciário serão públicos e fundamentadas todas 
as decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei limitar a presença, em determinados 
atos, às próprias partes e seus advogados, ou somente a estes, em casos nos quais a 
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preservação do direito à intimidade do interessado no sigilo, não prejudique o 
interesse público à informação”. 
 
2. D 
ALTERNATIVA A: INCORRETA 
Admite-se a impetração de habeas corpus nesse caso, pois as medidas cautelares 
diversas da prisão implicam em alguma restrição da liberdade, além do que abre 
automaticamente a possibilidade de decretação da prisão preventiva em caso de 
descumprimento (art. 312, parágrafo único, do CPP) 
ALTERNATIVA B: INCORRETA 
Basta ler o dispositivo citado para ver que ele não afirma caber ao acusado provar a 
presença de seus requisitos. Além disso, o STF aceita a chamada “inversão do ônus da 
prova” nessa hipótese, pois caso contrário, restaria ferido o princípio da presunção de 
inocência. Por isso, justamente, é equivocado afirmar tratar-se de “inversão do ônus 
da prova”, pois o ônus já é originariamente da acusação. 
ALTERNATIVA C: INCORRETA 
Ao contrário, segundo o STF, tal proceder do Relator ofende o princípio da 
colegialidade. Neste sentido: HC 97.701 MS, Rel. Min. Ayres Brito, j. 03-04-2012. 
ALTERNATIVA D: CORRETA 
Resume muito bem as diferenças entre a defesa técnica e a defesa pessoal, exercida 
pelo réu. A primeira depende de conhecimento técnico e capacidade postulatória, 
enquanto que a segunda é exercida ao longo das diversas etapas processuais. O 
acusado pode abrir mão da defesa pessoal, tanto assim que pode confessarintegralmente o crime ou simplesmente permanecer calado. A defesa técnica, por sua 
vez, é obrigatória. Porém, entende o STF que a deficiência da defesa não representa 
causa de nulidade absoluta, devendo ser demonstrado prejuízo, ao passo que sua 
ausência, sim (Súmula nº 523). 
ALTERNATIVA E: INCORRETA 
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A acusação genérica fere os princípios citados. Em casos como os crimes societários, 
admite-se uma acusação um pouco mais genérica, mas não a ponto de não permitir ao 
acusado saber que fato está sendo a ele imputado, pois isso impediria o exercício da 
sua defesa. 
 
3. B 
ALTERNATIVA A: INCORRETA 
ALTERNATIVA B: CORRETA 
O princípio da jurisdicionalidade afirma que toda e qualquer espécie de medida 
cautelar de natureza pessoal está condicionada à manifestação fundamentada do 
Poder Judiciário, seja previamente (exemplo: prisão preventiva) ou imediatamente 
após o ato (exemplo: apreciação da prisão em flagrante). As garantias constitucionais 
estabelecidas nos incisos LIV, LXI, LXIII, LXV e LXVI, da CF, impõem a sujeição de toda e 
qualquer medida cautelar de natureza pessoal à apreciação do Poder Judiciário. 
ALTERNATIVA C: INCORRETA 
ALTERNATIVA D: INCORRETA 
ALTERNATIVA E: INCORRETA 
 
4.D 
ALTERNATIVA A: INCORRETA 
O excesso de prazo da prisão preventiva pode gerar constrangimento ilegal, mas não 
impede possível decretação posterior por outros motivos supervenientes. 
ALTERNATIVA B: INCORRETA 
Conforme entendimento sumulado do STJ. Súmula 52 STJ: Encerrada a instrução 
criminal, fica superada a alegação de constrangimento ilegal por excesso de prazo. 
ALTERNATIVA C: INCORRETA 
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48 
Conforme entendimento sumulado do STJ. Súmula 21 STJ: Pronunciado o réu, fica 
superada a alegação de constrangimento ilegal da prisão por excesso de prazo na 
instrução. 
ALTERNATIVA D: CORRETA 
O juiz deve manifestar-se, na sentença, sobre a manutenção da prisão preventiva ou 
das demais cautelares diversas da prisão. Deverá, portanto, fundamentar a 
subsistência dos motivos ensejadores da cautelar. 
ALTERNATIVA E: INCORRETA 
Quando o Ministério Público excede o prazo para oferecimento da denúncia é cabível 
a ação penal privada subsidiária da pública, não ocorre, necessariamente, 
constrangimento ilegal. 
 
5. A 
ALTERNATIVA A: CORRETA 
As características do sistema acusatório incluem, primordialmente: 
- clara distinção entre as atividades de acusar e julgar; 
- iniciativa probatória das partes; 
- juiz como terceiro imparcial e passivo na coleta da prova; 
- neutralidade do juiz (decorrência da imparcialidade); 
- igual oportunidade às partes no processo; 
- repúdio à prova tarifada; 
ALTERNATIVA B: INCORRETA 
A assertiva traz o item IV, em que consta a busca da verdade real como autorizador da 
determinação da produção probatória de ofício pelo juiz, característica do sistema 
inquisitivo, em que o juiz exercia postura acusatória ativa no processo. 
ALTERNATIVA C: INCORRETA 
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A assertiva traz o item III, em que consta a “supremacia da confissão do réu como meio 
de prova” que não mais vigora no ordenamento jurídico penal, após o abandono do 
sistema de provas tarifadas. 
ALTERNATIVA D: INCORRETA 
A assertiva traz os itens III e IV, comentados acima. 
ALTERNATIVA E: INCORRETA 
A assertiva traz os itens III e IV, comentados acima. 
 
6. C 
ALTERNATIVA A: INCORRETA 
Está previsto no Código de Processo Penal (artigos 42 e 576). 
ALTERNATIVA B: INCORRETA 
Em razão da adoção do sistema acusatório, prevalece o entendimento de que esse 
princípio não mais subsiste. O juiz deve julgar observando o princípio da correlação e 
com bases nas provas colhidas na instrução processual, em caso de dúvida, deve 
absolver o réu (in dubio pro reo). 
ALTERNATIVA C: CORRETA 
O princípio da razoável duração do processo é o único dos apresentados na questão 
que está expresso no texto constitucional. O art. 5º, inciso LXXVIII, prevê: a todos, no 
âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os 
meios que garantam a celeridade de sua tramitação. 
ALTERNATIVA D: INCORRETA 
Previsto no art. 399, §2º, do Código de Processo Penal. 
ALTERNATIVA E: INCORRETA 
É uma regra de tratamento que decorre do princípio in dubio pro reo e da presunção 
de inocência. 
 
7. E 
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50 
ALTERNATIVA A: INCORRETA 
A garantia do duplo grau de jurisdição é típico do sistema penal acusatório. 
ALTERNATIVA B: INCORRETA 
Aplica-se aos Juizados Especiais Criminais e a todo e qualquer Juizado especializado. 
ALTERNATIVA C: INCORRETA 
É um princípio implícito na Constituição Federal, não está expressamente previsto. 
ALTERNATIVA D: INCORRETA 
O duplo grau de jurisdição é aplicado a todas as partes do processo. 
ALTERNATIVA E: CORRETA 
A Corte Interamericana de Direitos Humanos condenou a Argentina pela violação ao 
artigo 8 da Convenção Interamericana de Direitos Humanos, que assegura o direito de 
recurso das decisões judiciais penais condenatórias ao Tribunal Superior. Neste caso 
(Mohamed x Argentina), a Corte IDH reconheceu que a disposição unicamente de 
recurso extraordinário, que não permite a rediscussão fática, como instrumento para 
atacar uma decisão condenatória, não assegura o duplo grau de jurisdição. 
 
8. D 
ALTERNATIVA A: INCORRETA 
Há hipóteses de atividade instrutória do juiz no atual ordenamento. Por exemplo, o 
art. 156 do CPP prevê que é facultado ao juiz de ofício ordenar, mesmo antes de 
iniciada a ação penal, a produção antecipada de provas consideradas urgentes e 
relevantes, observando a necessidade, adequação e proporcionalidade da medida. 
ALTERNATIVA B: INCORRETA 
O investigado ou acusado tem direito ao silêncio em todas as fases da persecução 
penal, independentemente de estar preso ou solto. 
ALTERNATIVA C: INCORRETA 
No procedimento do Tribunal do Júri se aplica o sistema da convicção íntima. 
ALTERNATIVA D: CORRETA 
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51 
Gustavo Henrique Righi Ivahy Badaró afirma que “toda violação da regra de correlação 
entre acusação e sentença implica em um desrespeito ao princípio do contraditório. O 
desrespeito ao contraditório poderá trazer a violação do direito de defesa, quando 
prejudique as posições processuais do acusado, ou estará ferindo a inércia da 
jurisdição, com a correlativa exclusividade da ação penal conferida ao Ministério 
Público, quando o juiz age de ofício. Em suma, sempre haverá violação do 
contraditório, sejam suas implicações com a defesa ou com a acusação”. 
ALTERNATIVA E: INCORRETA 
O princípio da verdade real não é supremo e absoluto, inclusive porque, em regra, não 
se admite a valoração das provas ilícitas. 
 
9. D 
ALTERNATIVA A: INCORRETA 
De acordo com o art. 2º do CPP. 
ALTERNATIVA B: INCORRETA 
Em regra, aplica-se o princípio da vedação à utilizaçãode provas ilícitas. 
Excepcionalmente, a prova ilícita é admitida para beneficiar o acusado. 
ALTERNATIVA C: INCORRETA 
A alternativa descreve o recurso necessário, que não se confunde com o princípio do 
duplo grau de jurisdição. 
ALTERNATIVA D: CORRETA 
De acordo com o art. 4º, § 4º, da Lei 12.850/2013. 
ALTERNATIVA E: INCORRETA 
De acordo com o STJ, aplica-se o princípio da fungibilidade quando preenchidos os 
seguintes requisitos: a) dúvida objetiva quanto ao recurso a ser interposto; b) 
inexistência de erro grosseiro; e c) que o recurso interposto erroneamente tenha sido 
apresentado no prazo daquele que seria o correto (AREsp 616.226, em 21/05/2015) 
 
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É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal.
 
52 
10. D 
ALTERNATIVA A: INCORRETA 
A incompetência absoluta do juiz não é exceção ao princípio do ne bis in idem. 
ALTERNATIVA B: INCORRETA 
O direito ao silêncio não impede de forma absoluta que o acusado colabore com a 
formação da prova. Por exemplo, o art. 4º, § 14, da Lei 12.850/2013, dispõe que nos 
depoimentos que prestar, o colaborador renunciará, na presença de seu defensor, ao 
direito ao silêncio e estará sujeito ao compromisso legal de dizer a verdade. 
ALTERNATIVA C: INCORRETA 
A elaboração tradicional do princípio do contraditório não garantia a paridade de 
armas como forma de igualdade processual. 
ALTERNATIVA D: CORRETA 
ALTERNATIVA E: INCORRETA 
O inquérito policial é inquisitorial, de forma que nesta fase da persecução penal não é 
obrigatória a participação de advogado. 
 
11. A 
ALTERNATIVA A: CORRETA 
A Lei 12.015/2009 é uma norma híbrida cuja parte material é prejudicial ao réu, de 
forma que não deve retroagir. No caso, deve ser aplicado o regramento anterior, onde 
a ação penal é privada. 
ALTERNATIVA B: INCORRETA 
Há previsão de casos em que o juiz pode determinar a produção de provas, inclusive 
de ofício. Ex.: art. 156 do CPP. 
ALTERNATIVA C: INCORRETA 
O que interrompe o prazo decadencial é o oferecimento da queixa-crime. Portanto, no 
caso, não houve decadência. 
ALTERNATIVA D: INCORRETA 
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É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal.
 
53 
Não há ilegitimidade de parte, pois a ação penal é privada, não se aplicando a Lei 
12.015/2009 ao caso. 
ALTERNATIVA E: INCORRETA 
No processo penal, a culpa não se presume. Cabe àquele que faz a alegação o ônus de 
prová-la. Além disso, o acusado está acobertado pelo princípio nemo tenetur se 
detegere. 
 
12. C 
ALTERNATIVA A: INCORRETA 
De acordo com o art. 5º, LX, da CF a lei só poderá restringir a publicidade dos atos 
processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem. 
ALTERNATIVA B: INCORRETA 
Compete ao Tribunal do Júri o julgamento dos crimes dolosos contra a vida e os que 
lhes são conexos (art. 5º, XXXVIII, ‘d’, da CF c/c art. 78, I, do CPP). 
ALTERNATIVA C: CORRETA 
Além de consagrar a garantia de que ninguém será processado nem sentenciado senão 
pela autoridade competente (art. 5º, LIII, da CF), o princípio do juiz natural veda a 
criação de juízos ou tribunais de exceção (art. 5º, XXXVII, da CF). 
ALTERNATIVA D: INCORRETA 
De acordo com o art. 5º, LXXVIII, da CF, a todos, no âmbito judicial e administrativo, 
são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade 
de sua tramitação. 
ALTERNATIVA E: INCORRETA 
De acordo com o art. 5º, LXXVIII, da CF, o civilmente identificado não será submetido à 
identificação criminal, salvo nas hipóteses previstas em lei. 
 
13. D 
ALTERNATIVA A, B, E: INCORRETAS 
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É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal.
 
54 
De acordo com o art. 3º do CPP, a lei processual penal admite interpretação extensiva 
e aplicação analógica, bem como o suplemento dos princípios gerais de direito. 
ALTERNATIVA C: INCORRETA 
De acordo com o art. 2º do CPP, a lei processual penal aplicar-se-á desde logo, sem 
prejuízo da validade dos atos realizados sob a vigência da lei anterior. 
ALTERNATIVA D: CORRETA 
De acordo com o art. 3º do CPP. 
 
14. E 
ALTERNATIVA A: INCORRETA 
A publicidade, seja ela ampla ou restrita, tem fundamental importância para o 
processo penal, tanto que constitui princípio constitucional (art. 93, IX, CF). 
ALTERNATIVA B: INCORRETA 
De acordo com o art. 93, IX, da CF, a lei pode prever casos de publicidade restrita. 
ALTERNATIVA C: INCORRETA 
De acordo com o art. 93, IX, da CF, cabe à lei, e não ao juiz, limitar a presença, em 
determinados atos, às próprias partes e a seus advogados, ou somente a estes, em 
casos nos quais a preservação do direito à intimidade do interessado no sigilo não 
prejudique o interesse público à informação. 
ALTERNATIVA D: INCORRETA 
ALTERNATIVA E: CORRETA 
De acordo com o art. 93, IX, da CF, a regra é a publicidade ampla, sendo exceção a 
publicidade restrita. 
 
15. A 
ALTERNATIVA A: CORRETA 
De acordo com o art. 3º do CPP. 
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55 
ALTERNATIVA B e C: INCORRETAS 
De acordo com o art. 2º do CPP, não há prejuízo da validade dos atos realizados sob a 
vigência da lei anterior. 
ALTERNATIVA D: INCORRETA 
A previsão de aplicação imediata não impossibilita que novas leis processuais passem 
por vacatio legis. 
ALTERNATIVA E: INCORRETA 
Adota-se o princípio da territorialidade estrita, no sentido de que a lei processual 
brasileira, ao contrário do que ocorre com a lei penal, não tem extraterritorialidade. 
 
16. C 
ALTERNATIVA A: INCORRETA 
ALTERNATIVA B: INCORRETA 
ALTERNATIVA C: CORRETA 
De acordo com o art. 2º do CPP, a lei processual penal aplicar-se-á desde logo, sem 
prejuízo da validade dos atos realizados sob a vigência da lei anterior. 
ALTERNATIVA D: INCORRETA 
ALTERNATIVA E: INCORRETA 
 
17. A 
ALTERNATIVA CORRETA: A 
ITEM I: CORRETO 
O item está correto, pois os três princípios elencados possuem berço constitucional: 
Art. 5º. Caput. 
(...) 
LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal 
condenatória; 
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É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal.
 
56 
LIV – ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal; 
LXIII - o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado, 
sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado; 
ITEM II: CORRETO 
O item está correto, pois se trata de um conceito doutrinário aceito na comunidade 
jurídica, não havendo nada a reparar. 
ITEM III: INCORRETO 
A assertiva começa correta quanto à submissão do Brasil ao Tribunal Penal 
Internacional, mas termina incorreta quanto à impossibilidade absoluta de extradição 
do brasileiro naturalizado. Confira: 
Art. 5º. Caput. 
(...) 
LI - nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado, em caso de crime 
comum, praticado antes da naturalização, ou de comprovado envolvimento em tráfico 
ilícito de entorpecentes e drogas afins, na forma da lei; 
§ 4º O Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal Internacional a cuja criação 
tenha manifestado adesão. (Incluído pela Emenda Constitucionalnº 45, de 2004) 
ITEM IV: INCORRETO 
O item confunde o candidato com o princípio da irretroatividade da lei penal. No caso 
da lei processual, nos termos do art. 2º do CPP, não há que se falar em 
irretroatividade. Perceba que esse dispositivo foi cobrado duas vezes na prova! 
Art. 2o A lei processual penal aplicar-se-á desde logo, sem prejuízo da validade dos atos 
realizados sob a vigência da lei anterior. 
 
18. D 
ALTERNATIVA A: INCORRETA 
O princípio da identidade física do juiz está expresso no CPP: 
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É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal.
 
57 
Art. 399. Recebida a denúncia ou queixa, o juiz designará dia e hora para a audiência, 
ordenando a intimação do acusado, de seu defensor, do Ministério Público e, se for o 
caso, do querelante e do assistente. (Redação dada pela Lei nº 11.719, de 2008). 
§ 2o O juiz que presidiu a instrução deverá proferir a sentença. (Incluído pela Lei nº 
11.719, de 2008). 
ALTERNATIVA B: INCORRETA 
O princípio da intervenção mínima (ou ultima ratio) é de Direito Penal, e não de Direito 
Processual Penal. 
ALTERNATIVA C: INCORRETA 
O princípio do impulso oficial não está expresso no CPP, mas sim no CPC (art. 2º). Em 
que pese possa haver discussão se esta previsão supre o enunciado, se entende que o 
princípio do in dubio pro reo está expresso no seguinte dispositivo: 
Art. 5º, LVII, da CF - ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de 
sentença penal condenatória; 
ALTERNATIVA D: CORRETA 
Os princípios da presunção de inocência e duração razoável do processo têm expresso 
assento constitucional, conforme se confere a seguir: 
Art. 5 º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-
se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à 
vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:(...) 
LVII – ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal 
condenatória; 
LXXVIII - a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável 
duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. 
Segundo a doutrina, o princípio da não autoacusação é implícito na CF quando esta 
afirma que é direito do preso permanecer calado. É o mesmo caso do princípio da 
paridade de armas, que também é implícito na CF e decorre do contraditório e da 
ampla defesa. Confira: 
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É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal.
 
58 
Art. 5º. LXIII - o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer 
calado, sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado; 
Art. 5º. LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em 
geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela 
inerentes;legal relativa de não 
culpabilidade, invertendo-se o ônus da prova; na avaliação da prova, impondo-se seja 
valorada em favor do acusado quando houver dúvidas sobre a existência de 
responsabilidade pelo fato imputado; e, no curso do processo penal, como parâmetro 
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de tratamento ao acusado, em especial no que concerne à análise quanto à 
necessidade ou não de sua segregação provisória. 
Sobre o princípio da presunção de inocência, não podemos deixar de tecer 
breves considerações sobre a posição do STF acerca da execução provisória da pena, 
tema que, ao longo do tempo, sofreu constantes mutações pela corte máxima. 
Até 2009, o STF entendia ser possível a execução provisória da pena desde a 
prolação da sentença condenatória em primeiro grau. Depois, em 05/02/09 (HC84078), o 
STF passou a entender que a execução provisória da pena era inconstitucional, devendo 
ser aguardado o trânsito em julgado em razão do princípio da presunção de inocência. 
Esse entendimento prevaleceu até 2016, quando no HC 126292 o STF decidiu que era 
possível a execução provisória da pena, desde que proferido acórdão condenatória em 
2º grau (em sede de recurso ou em ações penais originárias). Revisando seu 
entendimento sobre o tema, o STF decidiu na ADC 43/DF, ADC 44/DF e ADC 54/DF, em 
07/11/19, por maioria (6x5), que a execução provisória da pena ofende o princípio da 
presunção de inocência. Este é o entendimento atual e que deve ser utilizado para a sua 
prova. 
No que se refere ao tribunal do júri, a Lei nº 13.964/19 (Lei Anticrime) trouxe 
uma importante previsão acerca das apelações oriundas dos julgamentos plenários. 
Atualmente, se admite a execução provisória da pena nos casos de condenação no 
tribunal do júri apenas no caso de ter sido aplicada uma pena igual ou superior a 15 
anos de reclusão. O art. 492, §4º, afirma que a referida apelação não terá efeito 
suspensivo, salvo nos casos excepcionados pelo §5º. 
Vale lembrar que o STF, até então, tinha entendimento divergente sobre o 
tema entre as suas turmas. De um lado, a 1º Turma do STF entendia que “a prisão de 
réu condenado por decisão do Tribunal do Júri, ainda que sujeita a recurso, não viola o 
princípio constitucional da presunção de inocência ou não-culpabilidade.” (STF. 1ª 
Turma. HC 118770, Relator p/ Acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 07/03/2017). 
Essa decisão, no entanto, foi publicada antes do julgamento das ADC 43/DF, ADC 
44/DF e ADC 54/DF, em 7/11/2019, onde o STF, por 6x5, decidiu que é inconstitucional 
a execução provisória da pena. A 2º Turma do STF, por sua vez, entendia que não era 
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10 
possível a execução provisória da pena mesmo em caso de condenações pelo Tribunal 
do Júri. 
Agora, com a novel legislação, devemos esperar a posição das cortes 
superiores sobre o tema. Para efeito de prova objetiva, no entanto, o candidato deverá 
seguir os ditames da legislação. 
Confira: 
 
Art. 492. § 4º A apelação interposta contra decisão 
condenatória do Tribunal do Júri a uma pena igual ou superior a 
15 (quinze) anos de reclusão não terá efeito suspensivo. 
§ 5º Excepcionalmente, poderá o tribunal atribuir efeito 
suspensivo à apelação de que trata o § 4º deste artigo, quando 
verificado cumulativamente que o recurso: 
I - não tem propósito meramente protelatório; e 
II - levanta questão substancial e que pode resultar em 
absolvição, anulação da sentença, novo julgamento ou redução 
da pena para patamar inferior a 15 (quinze) anos de reclusão. 
§ 6º O pedido de concessão de efeito suspensivo poderá ser 
feito incidentemente na apelação ou por meio de petição em 
separado dirigida diretamente ao relator, instruída com cópias 
da sentença condenatória, das razões da apelação e de prova 
da tempestividade, das contrarrazões e das demais peças 
necessárias à compreensão da controvérsia.” (NR) 
 
Quanto à possibilidade de execução provisória das Penas Restritivas de 
Direitos, existia uma divergência jurisprudencial. O STJ e a 2ª Turma do STF entendiam 
pela impossibilidade, pois a LEP possui regra específica que não foi analisada pela corte 
suprema, que apenas autorizou a execução provisória da pena privativa de liberdade. 
Noutro giro, a 1ª Turma do STF entendia pela possibilidade, pelas mesmas razões as 
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11 
quais é possível a execução provisória da pena privativa de liberdade. Ocorre que, com 
o julgamento das ADC 43/DF, ADC 44/DF e ADC 54/DF, em 7/11/2019, onde o STF, por 
6x5, decidiu que é inconstitucional a execução provisória da pena, esse mesmo 
entendimento também deve ser aplicado para as penas restritivas de direitos. 
 
f) Princípio da obrigatoriedade de motivação das decisões judiciais 
 
A exigência de motivação das decisões judiciais, inscrita no art. 93, IX, da CF e 
no art. 381 do CPP, é atributo constitucional-processual que possibilita às partes a 
impugnação das decisões tomadas no âmbito do Poder Judiciário, conferindo, ainda, à 
sociedade a garantia de que essas deliberações não resultam de posturas arbitrárias, 
mas, sim, de um julgamento imparcial, realizado de acordo com a lei. 
No tribunal do júri há mitigação da obrigatoriedade de motivação, pois o 
Conselho de Sentença, formado por juízes leigos, não pode motivar nem fundamentar 
o seu entendimento, até porque vigora o princípio da incomunicabilidade dos jurados 
e o princípio da íntima convicção. 
Na esteira desse tema, a Lei nº 13.964/19 (Lei Anticrime) trouxe a 
imperiosidade de que decisões que decretem a prisão preventiva ou outras medidas 
cautelares diversas da prisão deverão ser justificadas e fundamentadas. É o que diz, 
por exemplo, o art. 282, §3º: Ressalvados os casos de urgência ou de perigo de 
ineficácia da medida, o juiz, ao receber o pedido de medida cautelar, determinará a 
intimação da parte contrária, para se manifestar no prazo de 5 (cinco) dias, 
acompanhada de cópia do requerimento e das peças necessárias, permanecendo os 
autos em juízo, e os casos de urgência ou de perigo deverão ser justificados e 
fundamentados em decisão que contenha elementos do caso concreto que 
justifiquem essa medida excepcional. 
Essa linha é reforçada pelo legislador no art 312, §2º, do CPP, quando diz: A 
decisão que decretar a prisão preventiva deve ser motivada e fundamentada em 
receio de perigo e existência concreta de fatos novos ou contemporâneos que 
justifiquem a aplicação da medida adotada. 
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12 
Para não deixar dúvidas para o intérprete, o legislador chegou ao ponto de 
dizer inclusive o que não representa uma motivação idônea. Confira: 
 
Art. 315. A decisão que decretar, substituir ou denegar a prisão 
preventiva será sempre motivada e fundamentada. 
§ 1º Na motivação da decretação da prisão preventiva ou de 
qualquer outra cautelar, o juiz deverá indicar concretamente a 
existência de fatos novos ou contemporâneos que justifiquem a 
aplicação da medida adotada. 
§ 2º Não se considera fundamentada qualquer decisão 
judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: 
I - limitar-se à indicação,à reprodução ou à paráfrase de ato 
normativo, sem explicar sua relação com a causa ou a questão 
decidida; 
II - empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o 
motivo concreto de sua incidência no caso; 
III - invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer 
outra decisão; 
IV - não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo 
capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo 
julgador; 
V - limitar-se a invocar precedente ou enunciado de súmula, 
sem identificar seus fundamentos determinantes nem 
demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles 
fundamentos; 
VI - deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou 
precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência 
de distinção no caso em julgamento ou a superação do 
entendimento. 
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g) Princípio da publicidade 
 
O princípio da publicidade, previsto expressamente no art. 93, IX, primeira 
parte, da CF, e no art. 792, caput, do CPP, representa o dever que assiste ao Estado de 
atribuir transparência a seus atos, reforçando, com isso, as garantias da 
independência, imparcialidade e responsabilidade do juiz. Além disso, consagra-se 
como uma garantia para o acusado, que, em público, estará menos suscetível a 
eventuais pressões, violências ou arbitrariedades. 
 
h) Princípio da imparcialidade do juiz 
 
Significa que o magistrado, situando-se no vértice da relação processual 
triangulada entre ele, a acusação e a defesa, deve possuir capacidade objetiva e 
subjetiva para solucionar a demanda, vale dizer, julgar de forma absolutamente 
equidistante das partes, vinculando-se apenas às regras legais e ao resultado da 
análise das provas do processo. 
Para evitar a contaminação da parcialidade do juiz que atua na fase da 
investigação, a Lei nº 13.964 (Lei Anticrime) trouxe a figura do juiz das garantias, que, 
em suma, é o juiz que atua da fase das investigações até o recebimento da 
denúncia/queixa, quando então dá lugar ao juiz da instrução e julgamento. A ideia é 
que este último magistrado não se contamine com o conhecimento e a tomada de 
medidas durante a fase investigativa. Esse assunto será explorado com minúncias no 
material sobre os sujeitos processuais. 
No entanto, vale lembrar que o STF, por meio de medida cautelar proferida 
monocraticamente pelo Min. Luiz Fux no bojo da ADI 6300 6305 6299 6298, decidiu 
suspender até o julgamento do mérito da ação penal todos os dispositivos da novel 
legislação que versam sobre o juiz das garantias. O fundamento principal é que o STF 
precisa discutir a constitucionalidade desses dispositivos antes que se implemente a 
sua efetivação. Vamos aguardar... 
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14 
 
i) Princípio da igualdade processual (art. 5º, caput, CF) 
 
Também chamado de princípio da paridade de armas (par conditio), significa 
que as partes, em juízo, devem contar com as mesmas oportunidades e ser tratadas de 
forma igualitária. 
Os tratamentos normativos diferenciados são compatíveis com a Constituição 
Federal quando verificada a existência de uma finalidade razoavelmente proporcional 
ao fim visado. 
 
j) Princípio do contraditório (art. 5º, LV, CF) 
 
Trata-se do direito assegurado às partes de serem cientificadas de todos os 
atos e fatos havidos no curso do processo, podendo manifestar-se e produzir as provas 
necessárias antes de ser proferida a decisão jurisdicional. 
 
OBSERVAÇÃO: Este princípio é mitigado em determinados casos, como ocorre no 
chamado contraditório diferido ou postergado, que consiste em relegar a momento 
posterior a ciência e a impugnação do investigado ou do acusado quanto a 
determinados pronunciamentos judiciais. Em tais casos, a urgência da medida ou a sua 
natureza exige um provimento imediato e inaudita altera parte, sob pena de prejuízo 
ao processo ou, no mínimo, de ineficácia da determinação judicial. 
 
Um contraditório com qualidade prevê a observância do seguinte trinômio: 
 
- a intimação da parte sobre o ato processual praticado; 
- a possibilidade de manifestação a seu respeito; 
- e que tenha a possibilidade de influência na decisão do juiz. 
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15 
 
Destaca-se, por fim, que a Constituição Federal garante o contraditório aos 
litigantes e aos acusados em processo judicial ou administrativo; todavia, o inquérito 
policial, como será visto adiante, não é verdadeiro processo, mas procedimento 
administrativo, de forma que não há que se falar na garantia do contraditório perante 
a fase policial de investigações. Além do mais, não há, no inquérito, litigante ou 
acusado, mas mero investigado (até porque, o delegado de polícia não acusa, mas 
investiga apenas, colhendo provas sobre o fato criminoso, sem interesse acusatório ou 
absolutório). 
 
k) Princípio da ampla defesa (art. 5º, LV, CF) 
 
A ampla defesa traduz o dever que assiste ao Estado de facultar ao acusado 
toda a defesa possível quanto à imputação que lhe foi realizada. 
A concepção moderna da garantia da ampla defesa reclama, para a sua 
verificação, seja qual for o objeto do processo, a conjugação de três realidades 
procedimentais, genericamente consideradas, a saber: a) o direito à informação (nemo 
inauditus damnari potest); b) a bilateralidade da audiência (contraditoriedade); c) o 
direito à prova legalmente obtida ou produzida (comprovação da inculpabilidade). 
 
A ampla defesa pode ser exercida de duas formas: 
 
1. Autodefesa: realizada facultativamente pelo próprio agente, 
sendo permitido calar-se ou trazer qualquer elemento de 
convicção, ainda que não jurídico, o que pode ser bastante útil 
perante os jurados no tribunal do júri, que decidem de acordo 
com a íntima convicção. 
2. Defesa técnica: realizada obrigatoriamente por advogado 
habilitado (art. 261 do CPP), não podendo o réu se 
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É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal.
 
16 
autorrepresentar no processo penal, a não ser que seja 
advogado (art. 263 do CPP). Além do mais, a correta defesa do 
réu é de interesse da sociedade, sendo ela irrenunciável. 
 
A falta de defesa técnica, no processo penal, nos termos da Súmula 523 do 
STF, constitui nulidade absoluta, mas se for deficiente apenas, só anulará o processo se 
houver prova do prejuízo do réu. 
Ainda em se tratando de autodefesa, a doutrina entende que o réu possui o 
direito de ser ouvido (audiência) e o direito de presença. O primeiro se expressa 
principalmente através do interrogatório judicial. Já o segundo se reflete na 
possibilidade de acompanhar todos os atos do processo. É, pois, uma faculdade. 
 
l) Princípio do duplo grau de jurisdição 
 
Este princípio assegura a possibilidade de revisão das decisões judiciais, 
através do sistema recursal, em que as decisões do juízo a quo podem ser reapreciadas 
pelos tribunais. É uma decorrência da própria estrutura do Judiciário, vazada na Carta 
Magna, que, em vários dispositivos, atribui competência recursal aos diversos tribunais 
do país. 
 
m) Princípio do juiz natural (art. 5º, XXXVII e LIII, CF) 
 
O princípio do juiz natural consagra o direito de ser processadopelo 
magistrado competente (art. 5º, inc. LIII, da CF) e a vedação constitucional à criação de 
juízos ou tribunais de exceção (art. 5º, inc. XXXVII, da CF). Em outras palavras, tal 
princípio impede a criação casuística de tribunais pós-fato, para apreciar um 
determinado caso. 
 
n) Princípio do promotor natural e imparcial 
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É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal.
 
17 
 
Este princípio veda a designação arbitrária, pela Chefia da Instituição, de 
promotor para patrocinar caso específico, vale dizer, o promotor natural há de ser, 
sempre, aquele previamente estatuído em lei. Como ensina Hugo Nigro Mazzilli, o 
princípio do promotor natural é decorrência do princípio da independência funcional. 
Consiste na existência de um órgão do Ministério Público investido nas suas 
atribuições por critérios legais prévios. 
 
OBSERVAÇÃO: A abrangência de aplicação desse princípio é limitada ao processo 
criminal, excluído, portanto, o inquérito policial. Deste modo, eventuais diligências 
realizadas na fase das investigações policiais a partir de determinação (requisição) de 
promotor distinto daquele que seja quem deva atuar não desnaturam o princípio. 
 
o) Princípio do in dubio pro reo (art. 5º, LVII, CF) 
 
Também chamado de princípio da prevalência do interesse do réu ou “favor 
rei” ou “favor libertatis” ou “favor inocente”, este princípio privilegia a garantia da 
liberdade em detrimento da pretensão punitiva do Estado. 
A dúvida deve militar em favor do acusado. Em verdade, na ponderação entre 
o direito de punir do Estado e o status libertatis do imputado, este último deve 
prevalecer. 
 
OBSERVAÇÃO: Este princípio é mitigado quando se trata de decisão do Conselho de 
Sentença por ocasião dos julgamentos pelo júri. É que, em casos tais, os jurados 
decidem por sua íntima convicção. 
É de se ressaltar que, na pronúncia, não se exige a certeza da autoria do crime, mas 
apenas a existência de indícios suficientes e prova da materialidade, imperando, nessa 
fase final da formação da culpa, o brocardo “in dubio pro societate” (e não o princípio 
“in dubio pro reo”). (STJ, AgRg no AREsp 405488/SC) 
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18 
 
p) Princípio ne bis in idem 
 
Consiste na proibição de que o réu seja julgado novamente por fato que já foi 
apreciado pelo Poder Judiciário. 
 
1.2. SISTEMAS PROCESSUAIS 
 
Existem três espécies de sistemas processuais penais: inquisitivo, acusatório e 
misto. 
 
1.2.1. SISTEMA INQUISITIVO 
 
Nesse sistema, cabe a um só órgão acusar e julgar. O juiz dá início à ação 
penal e, ao final, ele mesmo profere a sentença. 
O acusado é mero objeto do processo, não sendo considerado sujeito de 
direitos. 
Antes do advento da CF/88, era admitido em nossa legislação em relação à 
apuração de todas as contravenções penais e dos crimes de homicídio e de lesões 
corporais culposos. Era o chamado processo judicialiforme, que foi banido de nossa 
legislação pelo art. 129, I, da CF, que conferiu ao MP a iniciativa exclusiva da ação 
pública. 
 
1.2.2. SISTEMA ACUSATÓRIO 
 
No sistema acusatório, existe separação entre os órgãos incumbidos de 
realizar a acusação e o julgamento, o que garante a imparcialidade do julgador e, por 
conseguinte, assegura a plenitude de defesa e o tratamento igualitário das partes. 
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19 
 
1.2.3. SISTEMA MISTO OU ACUSATÓRIO FORMAL 
 
Este sistema é caracterizado pela existência do Juizado de Instrução, fase 
investigatória e persecutória preliminar conduzida por um juiz, que não se confunde 
com o inquérito policial, seguida de uma fase acusatória em que são assegurados 
todos os direitos do acusado e a independência entre acusação, defesa e juiz. 
 
1.2.4. SISTEMA ADOTADO NO BRASIL. 
No Brasil, é adotado o sistema acusatório, pois há clara separação entre a 
função acusatória — do Ministério Público nos crimes de ação pública — e a julgadora. 
Contudo, não se trata do sistema acusatório puro, uma vez que, apesar de a regra ser a 
de que as partes devam produzir suas provas, admitem-se exceções em que o próprio 
juiz pode determinar, de ofício, sua produção de forma suplementar. 
Esse sistema foi reforçado pela Lei nº 13.964/19 (Lei Anticrime), que proibiu 
expressamente o juiz de decretar prisão preventiva e outras medidas cautelares de 
ofício. Confira: 
 
Art. 282. § 2º As medidas cautelares serão decretadas pelo juiz 
a requerimento das partes ou, quando no curso da 
investigação criminal, por representação da autoridade policial 
ou mediante requerimento do Ministério Público. 
 
Esse dispositivo difere da redação anterior, que dizia: 
 
§ 2o As medidas cautelares serão decretadas pelo juiz, de ofício 
ou a requerimento das partes ou, quando no curso da 
investigação criminal, por representação da autoridade policial 
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É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal.
 
20 
ou mediante requerimento do Ministério Público. (Incluído pela 
Lei nº 12.403, de 2011). 
 
ANTES DA LEI ANTICRIME APÓS A LEI ANTICRIME 
No curso do processo o juiz poderia, de 
ofício ou a requerimento das partes, 
decretar medidas cautelares. Já na fase 
da investigação criminal o juiz só poderia 
decretar medidas cautelares mediante 
representação do Delegado de Polícia ou 
requerimento do MP. 
O juiz não pode, nem na fase de 
investigações nem no curso do processo, 
decretar medidas cautelares de ofício. 
 
Esse mesmo entendimento, que foi previsto para as medidas cautelares em 
geral, foi repetido pelo legislador da Lei Anticrime no caso da prisão preventiva 
Confira: 
 
Art. 311. Em qualquer fase da investigação policial ou do 
processo penal, caberá a prisão preventiva decretada pelo juiz, 
a requerimento do Ministério Público, do querelante ou do 
assistente, ou por representação da autoridade policial. 
 
A redação anterior do dispositivo dizia: 
 
Art. 311. Em qualquer fase da investigação policial ou do 
processo penal, caberá a prisão preventiva decretada pelo juiz, 
de ofício, se no curso da ação penal, ou a requerimento do 
Ministério Público, do querelante ou do assistente, ou por 
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É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal.
 
21 
representação da autoridade policial. (Redação dada pela Lei nº 
12.403, de 2011). 
 
Porém, a Lei nº 13.964/19 trouxe a previsão de que é possível que o juiz, de 
ofício, revogue a prisão preventiva se, no correr da investigação ou do processo, 
verificar a falta de motivo para que ela subsista, bem como novamente decretá-la, se 
sobrevierem razões que a justifiquem (art. 316, caput). 
Esse tema será tratado com mais minúncias no material sobre prisões! 
 
1.3. APLICAÇÃO DA LEI PROCESSUAL PENAL 
1.3.1. APLICAÇÃO DA LEI PROCESSUAL PENAL NO ESPAÇO 
 
Art. 1º. O processo penal reger-se-á, em todo o Território 
Brasileiro, por este Código, ressalvados: 
I – os tratados, as convenções e regras de direito internacional; 
II – as prerrogativas constitucionais do Presidente da República, 
dos ministrosde Estado, nos crimes conexos com os do 
Presidente da República, e dos ministros do STF, nos crimes de 
responsabilidade (Constituição, arts. 86, 89, § 2º, e 100); 
III – os processos da competência da Justiça Militar; 
IV – os processos da competência do tribunal especial 
(Constituição, art. 122, nº 17); 
V – os processos por crimes da imprensa. 
 
O processo penal, em todo o território nacional, rege-se pelo Código de 
Processo Penal. Tal regra encontra-se em seu art. 1º, caput, que adotou, quanto ao 
alcance de suas normas, o princípio da territorialidade, segundo o qual seus 
dispositivos aplicam-se a todas as ações penais que tramitem pelo território brasileiro. 
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22 
 
OBSERVAÇÃO: O CPP adota o princípio da territorialidade absoluta (locus regit actum), 
no sentido de que, no Brasil, não se admite a aplicação de direito processual 
estrangeiro, apesar de admitir a aplicação de regras de direito internacional. Adota, 
também, o princípio da territorialidade estrita, no sentido de que a lei processual 
brasileira, ao contrário do que ocorre com a lei penal, não tem extraterritorialidade. 
Contudo, isto não quer dizer que ela não será aplicada a crimes cometidos fora do 
território nacional, pois, se este crime for aqui julgado, a lei processual brasileira será 
aplicada. 
 
1.3.1.1. Exceções à incidência do CPP 
 
O art. 1º do CPP elenca hipóteses em que este não terá aplicação, ainda que o 
fato tenha ocorrido no território nacional. Vejamos: 
 
- Os tratados, as convenções e regras de direito internacional 
(art. 1º, I, CPP); 
 
Os tratados, as convenções e as regras de direito internacional, firmados pelo 
Brasil, mediante aprovação por decreto legislativo e promulgação por decreto 
presidencial, afastam a jurisdição brasileira, ainda que o fato tenha ocorrido no 
território nacional, de modo que o infrator será julgado em seu país de origem. 
É o que ocorre, por exemplo, com agentes diplomáticos aqui acreditados, 
como embaixadores, secretários de embaixadas, bem como seus familiares, além dos 
funcionários de organizações internacionais, tal qual a ONU. A Convenção de Viena, 
aprovada pelo Decreto Legislativo 103/64, prevê imunidade diplomática a esses 
agentes, de forma que não estão sujeitos à lei processual penal brasileira, pois terão a 
aplicação da lei material do seu respectivo país, e por via de consequência, o processo 
lá tramitará. 
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23 
 
- As prerrogativas constitucionais do Presidente da República, 
dos ministros de Estado, nos crimes conexos com os do 
Presidente da República, e dos ministros do STF, nos crimes de 
responsabilidade (art. 1º, II, CPP); 
 
Esse dispositivo refere-se aos crimes de natureza político-administrativa, e 
não aos delitos comuns. O julgamento dessas infrações não é feito pelo Poder 
Judiciário, e sim pelo Legislativo. 
 
- Os processos da competência da Justiça Militar (art. 1º, III, 
CPP); 
 
Os processos de competência da Justiça Militar, isto é, os crimes militares, 
seguem os ditames do Código de Processo Penal Militar (Decreto-lei n. 1.002/69), e 
não da legislação processual comum. 
 
OBSERVAÇÃO: Não se deve olvidar que a Justiça Eleitoral, também especializada, tem 
competência para apreciação dos crimes eleitorais e conexos, possuindo codificação 
própria (Lei 4.737/65 – Código Eleitoral), mas o CPP é aplicado subsidiariamente. 
 
- Os processos da competência do tribunal especial (art. 1º, IV, 
CPP); 
 
O tribunal especial a que faz menção o inc. IV do art. 1º é o antigo Tribunal de 
Segurança Nacional, que não existe mais. Hoje, os crimes contra a segurança nacional 
estão previstos na Lei 7.170/83, sendo afetos à Justiça Federal (art. 109, IV, CF). 
 
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24 
- Os processos por crimes da imprensa (art. 1º, V, CPP). 
 
O Supremo Tribunal Federal, ao julgar a Arguição de Descumprimento de 
Preceito Fundamental (ADPF 130-7/DF), declarou que referida lei não foi recepcionada 
pela Constituição Federal de 1988, de modo que, atualmente, os antigos crimes da Lei 
de Imprensa (Lei n. 5.250/67) deverão ser enquadrados, quando possível, na legislação 
comum, e a apuração dar-se-á nos termos do Código de Processo Penal. 
 
1.3.1.2. Exceções decorrentes de leis especiais 
 
Algumas leis especiais excepcionam a aplicação do CPP em relação à apuração 
a determinados crimes, como, por exemplo, os relacionados a drogas, cujo rito é 
integralmente regulado pela Lei 11.343/2006; os crimes falimentares, cujo rito 
encontra-se na Lei 11.101/2005; as infrações de menor potencial ofensivo, tratadas em 
sua totalidade na Lei 9.099/95. 
 
1.3.1.3. Tribunal penal internacional 
 
O art. 5º, § 4º, da CF prevê que “o Brasil se submete à jurisdição de Tribunal 
Penal Internacional a cuja criação tenha manifestado adesão”. Assim, ainda que um 
delito seja cometido no território brasileiro, havendo denúncia ao TPI, o agente poderá 
ser entregue à jurisdição estrangeira. 
 
1.3.2. APLICAÇÃO DA LEI PROCESSUAL PENAL NO TEMPO. 
1.3.2.1. REGRA GERAL – Princípio do efeito imediato ou princípio da aplicação 
imediata ou sistema do isolamento dos atos processuais. 
 
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25 
Art. 2º. A lei processual penal aplicar-se-á desde logo, sem 
prejuízo da validade dos atos realizados sob a vigência da lei 
anterior. 
 
O art. 2º do CPP adotou o princípio da imediata aplicação da lei processual 
penal, também chamado de princípio tempus regit actum. De acordo com esse 
princípio, os novos dispositivos processuais podem ser aplicados a crimes praticados 
antes de sua entrada em vigor. O que se leva em conta, portanto, é a data da 
realização do ato (tempus regit actum), e não a da infração penal. 
 
OBSERVAÇÃO: A lei processual aplicar-se-á desde logo, mesmo que seja prejudicial ao 
réu. E não se pode dizer que há violação ao art. 5º, XL, da CF, pois a vedação 
incorporada neste dispositivo constitucional não se refere às normas puramente 
processuais penais, mas, sim, às normas de natureza penal. 
 
1.3.2.2. Exceção 
 
O art. 3º da Lei de Introdução ao CPP dispõe que “o prazo já iniciado, inclusive 
o estabelecido para a interposição de recurso, será regulado pela lei anterior, se esta 
não prescrever prazo menor do que o fixado no CPP”. Assim, se um determinado prazo 
já estiver em andamento, incluindo prazo recursal, valerá o prazo da lei anterior se o 
prazo da nova lei for menor do que aquele outro. Trata-se, portanto, de uma hipótese 
de ultratividade da lei processual penal. 
 
1.3.2.3. Normas processuais heterotópicas e normas processuais mistas ou híbridas 
 
Normas processuais são aquelas que regulamentam aspectos relacionados ao 
procedimento ou à forma dos atos processuais, possuindo aplicação imediata. Já as 
normas materiais são aquelas que objetivam assegurar direitos ou garantias, 
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possuindo efeitos retroativos nos aspectos que visam a beneficiar o réu, mas jamais 
retroagem para prejudicá-lo. 
 
a) Normas heterotópicas 
 
Existem determinadas regras que, apesar de inseridas em diplomas 
processuais penais, possuem conteúdo material, retroagindo para beneficiar o réu. 
Outras, ao revés, incorporadas a leis materiais, apresentam um conteúdo processual, 
regendo-se pelo critério tempus regit actum. Surge, nesses casos, o fenômeno da 
heterotopia. 
 
b) Normas mistas ou híbridas 
 
Norma híbrida é aquela que possui preceitos de direito material e de direito 
processual. Como não pode haver cisão, deve prevalecer o aspecto material. Assim, se 
a parte penal for benéfica, a nova lei será aplicada às infrações ocorridas antes da sua 
vigência. O aspecto penal retroage, e o processual terá aplicação imediata, 
preservando-se, contudo, os atos praticados quando da vigência da norma anterior. Já, 
se a parte penal for maléfica, a norma híbrida não terá nenhuma incidência aos crimes 
ocorridos antes de sua vigência e o processo iniciado, todo ele, será regido pelos 
preceitos processuais previstos na lei antiga. 
 
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27 
 
2. LEGISLAÇÃO, SÚMULAS E JURISPRUDÊNCIA 
 
CONSTITUIÇÃO FEDERAL 
 
Princípio da Isonomia em seu aspecto formal e Princípio da Igualdade Processual ou 
Paridade de Armas 
Art. 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, 
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do 
direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos 
seguintes: 
* STF: Os direitos e garantias fundamentais também alcançam os estrangeiros não 
residentes no Brasil. Alcança também as pessoas jurídicas, no que for compatível. 
Princípio do Juiz Natural 
XXXVII – não haverá juízo ou tribunal de exceção; 
* Súmula 704 do STF. Não viola as garantias do juiz natural, da ampla defesa e do 
devido processo legal a atração por continência ou conexão do processo do corréu ao 
foro por prerrogativa de função de um dos denunciados. 
* STF/STJ: Não viola o princípio do juiz natural o julgamento de recurso por órgãos 
fracionários de tribunais compostos majoritariamente por juízes convocados (RE 
597133, em 05/04/2011; HC 298182, em 19/12/2014). 
* STF: A criação de novas varas, modificando competências preexistentes e que acabar 
por redistribuir os feitos, não viola o princípio do juiz natural (STJ, RHC nº 283.173, em 
24/03/15). 
* STF: O envio de ação penal a uma Vara Especializada recém-criada não ofende o 
princípio do juiz natural, até porque se está diante de competência absoluta. 
Princípio - expresso - do juiz natural e Princípio - implícito - do promotor natural 
LIII – ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente; 
CPF: 860.542.154-18
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28 
* O princípio do juiz natural pressupõe a existência de um órgão julgador técnico e 
isento, com competência estabelecida na própria Constituição e nas leis de 
organização judiciária de modo a impedir que ocorra julgamento arbitrário ou de 
exceção. 
* Súmula 704 do STF. Não viola as garantias do juiz natural, da ampla defesa e do 
devido processo legal a atração por continência ou conexão do processo do corréu ao 
foro por prerrogativa de função de um dos denunciados. 
* STF/STJ: Não viola o princípio do juiz natural o julgamento de recurso por órgãos 
fracionários de tribunais compostos majoritariamente por juízes convocados (RE 
597133, em 05/04/2011; HC 298182, em 19/12/2014). 
* STF/STJ: A redistribuição do feito decorrente da criação de vara com idêntica 
competência com a finalidade de igualar os acervos dos juízos e dentro da estrita 
norma legal não viola o princípio do juiz natural, uma vez que a garantia constitucional 
permite posteriores alterações de competência (HC 91253, 14/11/2007; HC 102193, 
em 02/02/2010). 
* STF: O princípio do promotor natural consagra uma garantia de ordem jurídica, 
destinada tanto a proteger o membro do MP, na medida em que lhe assegura o 
exercício pleno e independentemente do seu ofício, quanto a tutelar a própria 
coletividade, a quem se reconhece o direito de ver atuando, em quaisquer causas, 
apenas o Promotor cuja intervenção se justifique a partir de critérios abstratos e pré-
determinados, estabelecidos em lei (1ª T, HC 95447, em 19/10/2010; 2º T, HC 103038, 
em 11/10/2011). 
Princípio do devido processo legal (due process of Law e substantive due process) 
LIV – ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal; 
* STF: O Princípio do Devido Processo Legal não se limita a assegurar a observância do 
processo na forma descrita na lei (procedural due process), mas impede também a 
permanência no ordenamento de leis desprovidas de razoabilidade (substantive due 
process). 
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29 
* STF: Os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade têm sua sede material no 
princípio do devido processo legal, em sua acepção substantiva (substantive due 
process of Law). 
Princípio do contraditório e da ampla defesa 
LV – aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são 
assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; 
* STF: O postulado do contraditório e da ampla defesa inclui: I – direito das partes 
obterem informação de todos os atos praticados no processo; II – direito de 
manifestação, oral ou escrita, das partes acerca dos elementos fáticos e jurídicos 
constantes do processo; e III – direito das partes de ver seus argumentos considerados. 
* Súmula 701 do STF. No mandado de segurança impetrado pelo MP contra decisão 
proferida em processo penal, é obrigatória a citação do réu como litisconsorte passivo. 
* Súmula 704 do STF. Não viola as garantias do juiz natural, da ampla defesa e do 
devido processo legal a atração por continência ou conexão do processo do corréu ao 
foro por prerrogativa de função de um dos denunciados. 
* Súmula 705 do STF. A renúncia do réu ao direito de apelação, manifestada sem a 
assistência do defensor, não impede o conhecimento da apelação por este interposta. 
* Súmula 707 do STF. Constitui nulidade a falta de intimação do denunciado para 
oferecer contrarrazões ao recurso interposto da rejeição da denúncia, não a suprindo 
a nomeação de defensor dativo. 
* Súmula 712 do STF. É nula a decisão que determina o desaforamento de processo da 
competência do júri sem audiência da defesa. 
* Súmula Vinculante 14. É direito do defensor, no interesse do representado, ter 
acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados em procedimento 
investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam 
respeito ao exercício do direito de defesa. 
STF: Nos casos de processo administrativo de natureza penal, que pode gerar 
interferência no estado de liberdade da pessoa, é obrigatória a presença de advogado 
(2ª T, RE 398269, em 15/12/2009). Ex: regressão de regime. 
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30 
Princípio da vedação à utilização de provas ilícitas 
LVI– são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos; 
* STF: Aplica-se a teoria dos frutos da árvore envenenada, de origem na Suprema 
Corte norte-americana, segundo a qual a prova ilícita produzida tem o condão de 
contaminar todas as provas dela decorrentes. 
* STF: É lícita a prova obtida por meio de gravação de conversa própria, feita por um 
dos interlocutores, se quem está gravando está sendo vítima de proposta criminosa de 
outro. 
* STF: É lícita a gravação de conversa realizada por terceiro, com autorização de um 
dos interlocutores, sem o consentimento do outro, desde que para ser utilizada em 
legítima defesa. 
* STF: É lícita a prova obtida mediante gravação de diálogo transcorrido em local 
público. 
* Serendipidade (encontro fortuito) e conexão: o Pleno do STF tem precedente 
afirmando que “se, durante a interceptação telefônica autorizada para um crime 
punido com reclusão, for apurada a prática de um crime punido com detenção, o MP 
poderá fazer a denúncia deste desde que os crimes sejam conexos” (HC 83515, em 
16/09/2004). Contudo, a Corte Especial do STJ decidiu que, “havendo encontro 
fortuito de notícia da prática de conduta delituosa, durante a realização de 
interceptação telefônica, não se deve exigir a demonstração da conexão entre o fato 
investigado e aquele descoberto” (AP 510, em 17/03/2014). 
* STF: A confissão sob prisão ilegal é prova ilícita e, portanto, invalida a condenação 
nela fundada. 
* STF: É ilícita a prova obtida por meio de conversa informal do indiciado com policiais, 
por constituir interrogatório sub-reptício, sem as formalidades legais do interrogatório 
no inquérito policial e sem que o indiciado seja advertido do seu direito ao silêncio. 
Princípio da presunção da não culpabilidade ou de inocência ou do estado de 
inocência e Princípio do In dubio pro reo 
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31 
LVII – ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal 
condenatória; 
* STF: O princípio da não culpabilidade não afasta a legitimidade das diversas espécies 
de prisões cautelares. 
* Súmula 444 do STJ. É vedada a utilização de IP e ações penais em curso para agravar 
a pena-base. 
* STF: Enquanto não transitar em julgado a sentença condenatória, a culpa não se 
estabelece. Ainda assim, o STF, nas Súmulas 716 e 717, admite a aplicação dos 
benefícios da LEP, como a progressão de regime, àqueles que ainda não estejam 
definitivamente condenados, mas estejam cumprindo prisão preventiva. 
Princípio da Publicidade 
LX – a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa da 
intimidade ou o interesse social o exigirem; (...) 
Art. 93. (...) 
Princípio da Publicidade e da Motivação das Decisões 
IX – todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e 
fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei limitar a 
presença, em determinados atos, às próprias partes e a seus advogados, ou somente a 
estes, em casos nos quais a preservação do direito à intimidade do interessado no 
sigilo não prejudique o interesse público à informação; 
* Recebimento da denúncia e desnecessidade de fundamentação: o STF entende que 
não se exige que o ato de recebimento da denúncia seja fundamentado, pois tal ato 
não se qualifica nem se equipara, para os fins a que se refere o art. 93, inciso IX, da CF, 
a ato de caráter decisório, razão pela qual não reclama a motivação como 
condicionante de sua validade (HC 93056, em 15.05.09). Na mesma linha, o STJ afirma 
que é desnecessária a fundamentação extensa ou complexa no despacho de 
recebimento da denúncia, pois este ostenta natureza interlocutória, dispensando, 
assim, aqueles requisitos próprios de uma decisão judicial (RHC 43490, em 12.12.14). 
Contra o recebimento, não cabe recurso, mas apenas HC. 
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32 
* STF/STJ: A técnica de motivação por referência ou por remissão (fundamentação per 
relationem) é compatível com o que dispõe o art. 93, IX, da CF (AI 738982, 29.05.12; 
EREsp 1.021.851, 28.06.12). 
* STJ: A jurisprudência admite a chamada fundamentação per relationem, mas desde 
que o julgado faça referência concreta às peças que pretende encampar, 
transcrevendo delas partes que julgar interessantes para legitimar o raciocínio lógico 
que embasa a conclusão a que se quer chegar (6ª T, HC 214.049, em 05/02/2015). 
* Súmula 123 do STJ. A decisão que admite, ou não, o REsp deve ser fundamentada, 
com o exame dos seus pressupostos gerais e constitucionais. 
CÓDIGO DE PROCESSO PENAL 
Título I 
Disposições Preliminares 
Princípio da territorialidade 
Art. 1º. O processo penal reger-se-á, em todo o Território Brasileiro, por este Código, 
ressalvados: 
I – os tratados, as convenções e regras de direito internacional; 
* STF: Os agentes consulares só têm direito a imunidade se os fatos delitivos decorrem 
do desempenho de suas funções (1ª T, RHC 50155). 
II – as prerrogativas constitucionais do Presidente da República, dos ministros de 
Estado, nos crimes conexos com os do Presidente da República, e dos ministros do STF, 
nos crimes de responsabilidade (Constituição, arts. 86, 89, § 2º, e 100); 
III – os processos da competência da Justiça Militar; 
IV – os processos da competência do tribunal especial (Constituição, art. 122, nº 17); 
V – os processos por crimes da imprensa. 
Parágrafo único. Aplicar-se-á, entretanto, este Código aos processos referidos nos IV e 
V, quando as leis especiais que os regulam não dispuserem de modo diverso. 
Princípio da imediatidade (ou do efeito imediato ou da aplicação imediata) e 
Princípio do tempus regit actum e Sistema do isolamento dos atos processuais 
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33 
Art. 2º. A lei processual penal aplicar-se-á desde logo, sem prejuízo da validade dos 
atos realizados sob a vigência da lei anterior. 
* STJ: A exclusão do ordenamento jurídico do protesto por novo júri, nos termos da 
redação conferida pela Lei 11.689/08, tem aplicação imediata aos processos 
pendentes em consonância com o princípio tempus regit actum, previsto no art. 2º do 
CPP (RHC 31585, 22.03.12). 
* STJ: O fato de a lei nova ter suprimido o recurso de protesto por novo júri não afasta 
o direito à recorribilidade subsistente pela lei anterior (ultratividade da lei 
processual), quando o julgamento ocorreu antes da entrada em vigor da Lei 
11.689/2008, que, em seu art. 4º, revogou expressamente o Capítulo IV do Título II do 
Livro III, do CPP, extinguindo o protesto por novo júri (5ª T, REsp 1046429, em 
09/10/12). 
Título XII 
Da Sentença 
Art. 381. A sentença conterá: 
(...) 
III – a indicação dos motivos de fato e de direito em que se fundar a decisão; 
* STF/STJ: A reprodução dos fundamentos declinados pelas partes ou pelo MP ou 
mesmo de outras decisões proferidas nos autos da demanda (fundamentação per 
relationem) atende ao comando do art. 93, IX, da CF. O que não se admite é a ausência 
de fundamentação (1ª T, HC 94384, em 02/02/2010; 2ª T, AI 738982, em 29/05/2012; 
CE, EREsp 1021851, em 28/06/2012), mas desde que o julgado faça referência 
concreta às peças que pretende encampar, transcrevendo delas partes que julgar 
interessantes para legitimar o raciocínio lógico que embasa a conclusão a que se quer 
chegar (6ª T, HC 214.049, em 05/02/2015).Livro VI 
Disposições Gerais 
Art. 792. As audiências, sessões e os atos processuais serão, em regra, públicos e se 
realizarão nas sedes dos juízos e tribunais, com assistência dos escrivães, do secretário, 
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do oficial de justiça que servir de porteiro, em dia e hora certos, ou previamente 
designados. 
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3. QUESTÕES 
 
1. (2014 – FCC – DPE-PB – Defensor Público) Em relação às disposições 
constitucionais aplicáveis ao direito processual penal, 
a) em caso de crimes processados mediante ação penal de iniciativa pública, o 
oferecimento da ação penal é de competência privativa e exclusiva do Ministério 
Público. 
b) a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de acordo com a natureza do 
delito, o sexo e também a idade do apenado. 
c) a defesa técnica no processo penal, como garantia exclusiva do acusado, é 
renunciável, desde que a renúncia seja homologada pelo juiz constitucionalmente 
competente. 
d) a garantia constitucional da duração razoável do processo somente se aplica à 
segunda fase da persecução penal, consubstanciada na ação penal de conhecimento 
de natureza condenatória. 
e) a regra, no processo penal, é a publicidade restrita, em razão do caráter infamante 
do processo penal. 
 
2. (2013 – FCC – DPE-SP – Defensor Público) Ações de impugnação e princípios 
processuais penais. 
a) Não é cabível a impetração de habeas corpus contra decisão judicial que determine 
a aplicação, ao acusado, de medida cautelar diversa da prisão preventiva. 
b) Segundo o entendimento do Supremo Tribunal Federal, não ofende o postulado da 
presunção de inocência, o não reconhecimento da causa de diminuição de pena, 
prevista no §4º do artigo 33 na lei nº 11.343/2006 (Lei de Drogas) em razão da 
ausência de comprovação da participação do acusado em organização criminosa, 
tendo em vista que por expressa previsão legal, compete ao denunciado a 
comprovação do preenchimento dos requisitos para concessão da benesse. 
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36 
c) Nos termos da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, não ofende o princípio 
da colegialidade o exame monocrático do mérito do habeas corpus pelo Relator, para 
denegar a ordem. 
d) A defesa técnica é aquela exercida por profissional legalmente habilitado, com 
capacidade postulatória, constituindo direito indisponível e irrenunciável. Ao réu, é 
assegurado o exercício da autodefesa, consistente em ser interrogado pelo juízo ou em 
invocar direito ao silêncio, bem como de poder acompanhar os atos da instrução 
criminal, além de apresentar ao respectivo defensor a sua versão dos fatos para que 
este elabore as teses defensivas. Ao acusado, contudo, não é dado apresentar sua 
própria defesa, quando não possuir capacidade postulatória. 
e) Tratando-se de crimes cuja individualização da conduta dos autores seja impossível, 
não há que se falar em violação aos postulados do contraditório, da ampla defesa e da 
presunção de inocência, quando houver a formulação de acusação estatal genérica. 
 
3. (2018 – FCC – DPE-MA – Defensor Público) “Um homem acusado de assalto foi 
morto por linchamento pela população em São Luís do Maranhão. Segundo a Polícia 
Militar (PM), J.F.B agiu com um comparsa na abordagem de um eletricista em uma 
parada de ônibus, na Avenida Marechal Castelo Branco". (Portal G1 MA, 
10/04/2018). A notícia acima demonstra a NÃO observância do seguinte princípio do 
processo penal democrático: 
a) contraditório. 
b) jurisdicionalidade ou necessidade. 
c) imparcialidade. 
d) juiz natural. 
e) paridade de armas. 
 
4. (2018 – CESPE – DPE-PE – Defensor Público) Assinale a opção correta, acerca da 
duração razoável do processo e do excesso de prazo nas prisões cautelares e da 
autuação e da documentação da prisão e do interrogatório, conforme entendimento 
dos tribunais superiores. 
a) O relaxamento da prisão preventiva por excesso de prazo impede a sua posterior 
decretação, mesmo diante de outros fundamentos explicitados na sentença. 
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37 
b) Finalizada a instrução processual, a demora posterior e não justificada não configura 
constrangimento ilegal por excesso de prazo. 
c) O excesso de prazo entre a prisão cautelar e a sentença de pronúncia não pode ser 
desconsiderado, mesmo que, após esse ato processual, nenhum constrangimento 
ilegal tenha sido verificado. 
d) Diante da superveniência de sentença condenatória, estará prejudicada questão 
referente ao excesso de prazo da prisão cautelar. 
e) O excesso de prazo para o oferecimento da denúncia configura hipótese de 
constrangimento ilegal, não sendo superado pelo recebimento da denúncia. 
 
5. (2017 – CESPE – DPE-AL – Defensor Público) No processo penal, as características 
do sistema acusatório incluem 
I. clara distinção entre as atividades de acusar e julgar, iniciativa probatória exclusiva 
das partes e o juiz como terceiro imparcial e passivo na coleta da prova. 
II. neutralidade do juiz, igualdade de oportunidades às partes no processo e repúdio 
à prova tarifada. 
III. predominância da oralidade no processo, imparcialidade do juiz e supremacia da 
confissão do réu como meio de prova. 
IV. celeridade do processo e busca da verdade real, o que faculta ao juiz determinar 
de ofício a produção de prova. 
Estão certos apenas os itens 
a) I e II. 
b) I e IV. 
c) II e III. 
d) I, III e IV. 
e) II, III e IV. 
 
6. (2017 – FCC – DPE-PR – Defensor Público) Os princípios constitucionais aplicáveis 
ao processo penal incluem 
a) indisponibilidade. 
b) verdade real. 
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c) razoável duração do processo. 
d) identidade física do juiz. 
e) favor rei. 
 
7. (2016 – FCC – DPE-ES – Defensor Público) Sobre a garantia do duplo grau de 
jurisdição, 
a) é típico de sistemas processuais inquisitivos e se vale para uma melhor gestão da 
prova em virtude da colegialidade dos Tribunais. 
b) não se aplica nos Juizados Especiais Criminais, em virtude da informalidade que 
vigora nesse sistema. 
c) é expressa e explicitamente prevista na Constituição de 1988, aplicando-se, 
inclusive, aos casos de competência originária do STF. 
d) a jurisprudência dominante dos Tribunais Superiores considera aplicável o duplo 
grau de jurisdição apenas em relação ao acusado, não podendo o Ministério Público 
recorrer em caso de absolvição em primeira instância. 
e) a Corte Interamericana de Direitos Humanos já decidiu que no caso de o acusado ter 
sido absolvido em primeiro grau, mas em razão de recurso da acusação, é condenado 
em segundo grau pela primeira vez, deve ser garantido recurso amplo desta decisão, 
podendo rediscutir questões de fato e de direito. 
 
8. A respeito dos princípios processuais penais, é correto afirmar: 
a) a ausência de previsão de atividade instrutória do juiz em nosso ordenamento 
processual penal brasileiro decorredo princípio da imparcialidade do julgador. 
b) o direito ao silêncio, que está previsto na Constituição da República, em 
conformidade com a interpretação sedimentada, só se aplica ao acusado preso. 
c) o princípio da motivação das decisões e das sentenças penais se aplica a todas as 
decisões proferidas em sede de direito processual penal, inclusive no procedimento do 
Tribunal de Júri. 
d) o princípio do contraditório restará violado se entre a acusação e a sentença 
inexistir correlação. 
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e) o princípio da verdade real constitui princípio supremo no processo penal, tendo 
valor absoluto, inclusive para conhecimento e para valoração das provas ilícitas. 
 
9. Sobre os princípios do processo penal, assinale a alternativa correta. 
a) A lei processual penal mais nova aplica-se retroativamente, determinando a 
necessidade de repetição de todos os atos instrutórios já realizados sob a vigência da 
legislação revogada. 
b) As provas obtidas ilicitamente, segundo a atual jurisprudência dominante no 
Supremo Tribunal Federal, poderão ser valoradas em prejuízo do acusado quando da 
prolação da sentença, haja vista a supremacia do interesse público em face dos 
direitos e garantias fundamentais. 
c) O princípio do duplo grau de jurisdição estabelece a obrigatoriedade de que todas as 
decisões de mérito sejam submetidas à apreciação de corte de hierarquia 
imediatamente superior, devendo o juiz, de ofício, remeter os autos do processo à 
segunda instância ainda que as partes não interponham qualquer recurso contra a 
decisão proferida. 
d) O princípio da obrigatoriedade da ação penal pública incondicionada estabelece que 
ao Ministério Público é vedado qualquer juízo discricionário quanto à pertinência ou 
conveniência da iniciativa penal, sendo, todavia, o instituto da delação premiada uma 
hipótese de exceção ao referido princípio no ordenamento jurídico brasileiro. 
e) A interposição de um recurso incabível em lugar daquele legalmente previsto para 
impugnar determinada decisão, ainda que protocolizado tempestivamente, segundo a 
atual jurisprudência dominante do Superior Tribunal de Justiça, tem como 
consequência prática o não conhecimento da irresignação da parte em decorrência do 
princípio da unirrecorribilidade. 
 
10. Relativamente aos sistemas e princípios fundamentais do processo penal, 
assinale a opção correta. 
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40 
a) A proibição de revisão pro societate foi expressamente integrada ao ordenamento 
jurídico brasileiro pela CF, sendo fruto da necessidade de segurança jurídica a vedação 
que impede que alguém possa ser julgado mais de uma vez por fato do qual já tenha 
sido absolvido por decisão passada em julgado, exceto se por juiz absolutamente 
incompetente. 
b) O direito ao silêncio ou garantia contra a autoincriminação derrubou um dos pilares 
do processo penal tradicional: o dogma da verdade real, permitindo que o acusado 
permaneça em silêncio durante a investigação ou em juízo, bem como impedindo de 
forma absoluta que ele seja compelido a produzir ou contribuir com a formação da 
prova ou identificação pessoal contrária ao seu interesse, revogando as previsões 
legais nesse sentido. 
c) A elaboração tradicional do princípio do contraditório garantia a paridade de armas 
como forma de igualdade processual. A doutrina moderna propõe a reforma do 
instituto, priorizando a participação do acusado no processo como meio de permitir a 
contribuição das partes para a formação do convencimento do juiz, sendo requisito de 
eficácia do processo. 
d) O princípio do juiz natural tem origem no direito anglo-saxão, construído 
inicialmente com base na ideia da vedação do tribunal de exceção. Posteriormente, 
por obra do direito norte-americano, acrescentou-se a exigência da regra de 
competência previamente estabelecida ao fato, fruto, provavelmente, do federalismo 
adotado por aquele país. O direito brasileiro adota tal princípio nessas duas vertentes 
fundamentais. 
e) A defesa técnica é o corolário do princípio da ampla defesa, exigindo a participação 
de um advogado em todos os atos da persecução penal. Segundo o STF, atende 
integralmente a esse princípio o pedido de condenação ao mínimo legal, ainda que 
seja a única manifestação jurídica da defesa, patrocinada por DP ou dativo. 
 
11. Em 09 de abril de 2009, em uma festa de aniversário, A, maior, relatou ter sido 
estuprada por B, irmão da aniversariante. Foi oferecida queixa-crime aos 08 de 
outubro de 2009, a qual foi recebida em 03 de novembro do mesmo ano, tendo o 
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41 
Juiz determinado, de ofício, a realização de exame de sangue de B, para comparar 
com os vestígios de sêmen encontrados na vítima. O acusado recusou-se a fazer o 
exame, suscitando seu direito ao silêncio. Ao final, B acabou condenado, sob o 
fundamento de que, ao se recusar a fornecer material genético, houve inversão do 
ônus da prova, não tendo provado sua inocência. 
A respeito do caso, assinale a alternativa correta. 
a) O processo não é nulo, pois, ainda que ao tempo da propositura da inicial, a ação 
penal fosse condicionada à representação, ao tempo do crime, a ação era de iniciativa 
privada, não se aplicando a Lei n° 12.015/2009, de 07 de agosto de 2009, nesta parte. 
b) O juiz, em sede penal, não pode ordenar a realização de provas, pois não há mais 
espaço para poderes instrutórios, reminiscência do sistema inquisitorial. 
c) O processo é nulo, pois a ação penal é de iniciativa privada, e o recebimento da 
queixa deu-se após o prazo decadencial, de seis meses. 
d) O processo é nulo, por ilegitimidade de parte, pois o crime de estupro, com as 
alterações advindas da Lei n° 12.015/2009, de 07 de agosto de 2009, passou a ser 
processável mediante ação penal pública, condicionada à representação da vítima. 
e) Acertada a condenação proferida, haja vista que a recusa em oferecer material 
genético acarreta inversão do ônus da prova. 
 
12. Em relação às garantias constitucionais do processo penal, é correto afirmar que: 
a) a defesa da intimidade não é motivo para restrição da publicidade dos atos 
processuais. 
b) é reconhecida a instituição do júri, com a organização que lhe der a lei, assegurada a 
competência para o julgamento, exclusivamente, dos crimes dolosos contra a vida. 
c) a garantia do juiz natural é contemplada, mas não só, na previsão de que ninguém 
será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente. 
d) a garantia da duração razoável e os meios que garantam a celeridade da tramitação 
aplicam-se exclusivamente ao processo judicial. 
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e) o civilmente identificado não será submetido, em nenhuma hipótese, a identificação 
criminal. 
 
13. A lei processual penal: 
a) não admite aplicação analógica, salvo para beneficiar o réu. 
b) não admite aplicação analógica, mas admite interpretação extensiva. 
c) somente pode ser aplicada a processos iniciados sob sua vigência. 
d) admite o suplemento dos princípios gerais de direito. 
e) admite interpretação extensiva, mas não o suplemento

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