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MÁQUINAS E MECANIZAÇÃO 
AGRÍCOLA 
AULA 5 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Maria de Fatima Marques Medeiros Corradini 
Prof. André Luiz Delgado Corradini 
 
 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Nesta etapa, dois assuntos de extrema importância serão abordados para 
que você, profissional das Ciências Agrárias, possa evitar perdas na 
rentabilidade da produção agrícola. 
A manutenção tem o objetivo de conservar de maneira efetiva as 
máquinas e implementos por meio de ações organizadas e manutenções 
programadas, garantindo seu funcionamento adequado, visto que a depreciação 
é inevitável. 
Quanto ao planejamento e gerenciamento do uso da mecanização 
agrícola, é preciso considerar fatores que satisfaçam todas as necessidades da 
implantação da lavoura, ou seja, todas as práticas agrícolas utilizadas. Além 
disso, é preciso analisar e definir os custos envolvidos para determinar as 
prioridades e evitar a perda da rentabilidade da produção agrícola. 
Os temas principais desta etapa serão, portanto: 
• Tipos de manutenção; 
• Falhas nos equipamentos; 
• Ferramentas de manutenção programada; 
• Planejamento e gerenciamento de máquinas agrícolas; 
• Cálculo no planejamento e gerenciamento de mecanização agrícola. 
São assuntos muito importantes. Bons estudos! 
TEMA 1 – TIPOS DE MANUTENÇÃO 
A manutenção no meio rural é primordial, pois garante a operacionalidade 
contínua e eficiente dos sistemas agrícolas. Diferentes tipos de manutenção são 
aplicados de acordo com a natureza das atividades, os recursos disponíveis e 
os objetivos de longo prazo da gestão agrícola. 
A área das Ciências Agrárias se estende por diversas práticas e 
especialidades, todas essenciais para a sustentabilidade da produção agrícola e 
a gestão eficiente dos recursos naturais. Nesse amplo espectro, a manutenção 
e o planejamento são pilares fundamentais que garantem a produtividade, a 
preservação ambiental e a viabilidade econômica a longo prazo das atividades 
agrícolas. 
 
 
3 
 
Crédito: pajtica/Shutterstock. 
O planejamento agrícola é essencial para otimizar o uso dos recursos 
disponíveis e aumentar a eficiência das operações no campo. O planejamento 
deve começar com uma análise detalhada do solo, clima, topografia e outros 
fatores ambientais que influenciam diretamente o potencial agrícola de uma 
área. 
A manutenção regular de equipamentos agrícolas e estruturas é 
importante para a prevenção de falhas e a redução de custos operacionais. Uma 
rotina de manutenção bem-estruturada pode aumentar significativamente a vida 
útil de máquinas e implementos, além de assegurar que operem em plena 
capacidade. Programas de manutenção preventiva e preditiva são amplamente 
recomendados. 
1.1 Manutenção preventiva 
A manutenção preventiva é realizada regularmente, independentemente 
do desempenho atual dos equipamentos, para reduzir a probabilidade de falhas 
ou deterioração. Essa modalidade de manutenção envolve inspeções rotineiras, 
substituição de peças que têm vida útil conhecida e ajustes necessários para 
evitar paradas inesperadas. 
Ao contrário da manutenção corretiva, que responde a falhas já ocorridas, 
a manutenção preventiva visa na realização de intervenções antes que as falhas 
aconteçam, com o objetivo de prevenir interrupções inesperadas e prolongar a 
vida útil dos equipamentos. 
Instituições como a Embrapa e Emater, por exemplo, recomendam essa 
prática como forma de aumentar a eficiência operacional e prolongar a vida útil 
das máquinas agrícolas, reduzindo assim os custos de manutenção a longo 
prazo. 
 
 
4 
1.1.1 Importância da manutenção preventiva 
A implementação de um programa eficaz de manutenção preventiva 
garante uma operação contínua e eficiente das máquinas agrícolas. Programas 
de manutenção preventiva bem planejados podem reduzir os custos 
operacionais ao diminuir a necessidade de reparos urgentes e caros e, ao 
mesmo tempo, melhorar a produtividade diminuindo o tempo de inatividade dos 
equipamentos. A prevenção de falhas também contribui para a segurança no 
trabalho, dirimindo os riscos de acidentes associados a equipamentos 
defeituosos. 
Esse tipo de manutenção envolve várias etapas e processos que devem 
ser regularmente aplicados, como: 
• Inspeções regulares: Inspeções sistemáticas e periódicas dos 
equipamentos ajudam a identificar e corrigir problemas antes que evoluam 
para falhas maiores. São fundamentais para monitorar o estado dos 
componentes e para assegurar que todos os sistemas estão operando 
dentro dos parâmetros normais. 
• Limpeza e lubrificação: Manter os equipamentos limpos e devidamente 
lubrificados é uma prática simples, mas essencial para prevenir o 
desgaste precoce. A limpeza regular remove detritos que podem causar 
danos, enquanto a lubrificação adequada reduz o atrito entre peças 
móveis, prolongando sua vida útil. 
• Substituição de peças desgastadas: É preciso programar a substituição 
de peças com base em sua vida útil esperada ou nos sinais de desgaste 
observados durante as inspeções. Recomenda-se substituir os 
componentes críticos para prevenir falhas súbitas. 
• Treinamento contínuo de operadores e técnicos em práticas de 
manutenção preventiva: Capacitar estes profissionais em manutenção 
preventiva é uma maneira de evitar problemas futuros. 
Para implementar um programa de manutenção preventiva eficaz, é 
preciso desenvolver um cronograma detalhado considerando as recomendações 
do fabricante, as condições de uso dos equipamentos e as peculiaridades do 
ambiente operacional. Para isso, pode-se utilizar softwares de gestão de 
manutenção para ajudar na programação, documentação e monitoramento 
dessas atividades. Tais ferramentas podem proporcionar uma visão clara do 
 
 
5 
histórico de manutenção, facilitando a tomada de decisões sobre quando e como 
as manutenções devem ser realizadas. 
1.2 Manutenção corretiva 
A manutenção corretiva ocorre após a ocorrência de uma falha ou defeito. 
Este tipo de manutenção pode ser mais custoso e resultar em paradas não 
planejadas, afetando a produtividade agrícola. No entanto, é muitas vezes 
inevitável devido ao desgaste natural dos componentes, ou ao uso intenso em 
condições adversas. A Embrapa e a Emater orientam os agricultores sobre como 
reduzir a necessidade de manutenção corretiva usando um robusto sistema de 
manutenção preventiva, com diretrizes de como realizar reparos eficazes e 
seguros quando necessário. 
Este tipo de manutenção é uma realidade inevitável no contexto agrícola, 
especialmente considerando a dependência do setor de equipamentos e 
sistemas complexos para suas operações. A manutenção é executada após a 
ocorrência de uma falha ou defeito, quando já existe uma interrupção nas 
atividades normais de produção. 
A abordagem à manutenção corretiva é essencial, pois impacta 
diretamente na produtividade e nos custos operacionais das fazendas e 
empresas agrícolas. 
A manutenção corretiva pode ser classificada como planejada ou não 
planejada. A planejada ocorre quando uma falha é antecipada e a intervenção 
é organizada com antecedência; a não planejada acontece de forma inesperada 
e, muitas vezes, em momentos críticos, ou seja, as falhas não planejadas são 
particularmente problemáticas, pois resultam em paradas de produção que 
podem levar a perdas significativas, especialmente durante períodos de colheita 
intensa, ou quando as condições climáticas são ideais para plantio ou 
tratamento. 
Entre seus principais problemas estão o tempo de inatividade dos 
equipamentos, o custo elevado das peças de reposição e do trabalho, e o 
impacto na produtividade agrícola. Além disso, a manutenção corretiva frequente 
pode indicar uma gestão de manutenção deficiente ou a obsolescência dos 
equipamentos. Portanto, uma abordagem proativa na identificação de potenciais 
pontos de falha é essencial para diminuir a necessidade de intervençõescorretivas. 
 
 
6 
1.2.1 Estratégias para melhorar a manutenção corretiva 
Para gerenciar eficazmente a manutenção corretiva, várias estratégias 
podem ser implementadas, como o diagnóstico rápido e preciso, com 
ferramentas avançadas como análise de vibração1, termografia2 e 
ultrassonografia3, que podem ajudar a identificar as causas das falhas, reduzindo 
o tempo necessário para reparos. São tecnologias de monitoramento que 
facilitam esse processo, permitindo uma resposta mais rápida e reduzindo o 
tempo de inatividade. O treinamento e capacitação, outra estratégia 
importante, envolve investir na capacitação técnica dos operadores e técnicos, 
por meio de programas de treinamento que cubram desde a operação básica de 
máquinas agrícolas, até técnicas avançadas de manutenção e diagnóstico de 
falhas. 
Para a gestão de peças de reposição, é preciso manter um inventário 
bem organizado de peças de reposição para a execução rápida de reparos. 
Planejar e gerir os estoques pode reduzir os tempos de parada, garantindo que 
as peças necessárias estejam disponíveis sem atrasos. Outra estratégia eficaz 
é a utilização de sistemas de informação de manutenção, como os CMMS 
(Computerized Maintenance Management Systems)4. Esses sistemas ajudam 
na programação de manutenções, no rastreamento de falhas e na análise de 
tendências, proporcionando uma visão mais clara do desempenho dos 
equipamentos ao longo do tempo. 
Por fim, a integração de manutenção preventiva e preditiva, que, 
embora focada em manutenção corretiva, não há como negligenciar a integração 
com práticas preventivas e preditivas (ver próximo item). A combinação dessas 
práticas pode reduzir a frequência e severidade das manutenções corretivas. 
1.3 Manutenção preditiva 
A manutenção preditiva representa um avanço significativo nas práticas 
de gestão de manutenção no setor agrícola, utilizando tecnologias de 
monitoramento de condições para prever quando um equipamento falhará. 
 
1 Processo que analisa as variações nas vibrações das máquinas. 
2 Utiliza um termovisor para detectar a radiação (calor) vindo de um objeto. 
3 Utiliza ondas sonoras para gerar imagens. 
4 Em português: “Sistemas de Gestão de Manutenção Computadorizados”. Esses softwares 
são voltados para automatizar as operações e atividades de manutenção. 
 
 
7 
Diferenciando-se tanto da manutenção preventiva quanto da corretiva, a 
manutenção preditiva se baseia na análise de dados para tomar decisões 
proativas sobre a necessidade de manutenção, antes que as falhas ocorram. É 
baseada na condição atual do equipamento e usa dados e tecnologias de 
monitoramento para prever quando uma manutenção será necessária. 
Como já vimos anteriormente na manutenção corretiva, o uso de 
tecnologias como análise de vibração, termografia e ultrassonografia são 
frequentemente utilizadas, pois permitem intervenções de manutenção antes 
que ocorram falhas, otimizando a agenda de manutenção e reduzindo 
interrupções inesperadas. 
1.3.1 Fundamentos da manutenção preditiva 
A manutenção preditiva é fundamentada no uso de tecnologias 
avançadas de sensoriamento e análise de dados para monitorar o estado 
operacional dos equipamentos em tempo real. Permite detectar sinais precoces 
de deterioração ou desgaste, possibilitando intervenções pontuais que previnem 
falhas maiores e reduzem interrupções inesperadas. Técnicas comuns incluem 
análise de vibração, termografia, ultrassonografia e análise de óleo, cada uma 
oferecendo insights específicos sobre diferentes aspectos da condição dos 
equipamentos. 
Sua implementação eficaz, como já vimos, depende do uso de tecnologias 
adequadas de monitoramento, como a análise de vibração, que pode ser 
extremamente útil em equipamentos rotativos, como motores e bombas, 
identificando padrões anormais que antecedem as falhas. Da mesma forma, a 
termografia é aplicada para detectar pontos quentes inusitados que indicam 
sobrecarga elétrica ou fricção excessiva. 
Os benefícios da manutenção preditiva são numerosos e significativos. 
Adotar essa prática pode resultar em uma redução de até 30% nos custos de 
manutenção, além de aumentar a disponibilidade de equipamentos em até 45%, 
por exemplo. Além disso, a capacidade de planejar com antecedência as 
atividades de manutenção permite uma melhor alocação de recursos e redução 
do estoque de peças sobressalentes. 
Embora os benefícios sejam claros, a implementação da manutenção 
preditiva enfrenta desafios. O principal é o investimento inicial em tecnologia e 
treinamento, que pode ser significativo. Além disso, a necessidade de 
 
 
8 
interpretação especializada dos dados coletados pode exigir a contratação ou 
formação de pessoal qualificado, o que nem sempre está ao alcance de 
pequenas e médias propriedades agrícolas. 
O futuro da manutenção preditiva no setor agrícola parece promissor. 
Com o avanço constante das tecnologias de Internet das Coisas (IoT) e a maior 
integração de sistemas de análise de dados, espera-se que essas práticas se 
tornem mais acessíveis e difundidas. Projetos e pesquisas apoiados, 
principalmente, pela Embrapa, demonstram o potencial de integração de 
sistemas de manutenção preditiva com outras tecnologias digitais, como 
agricultura de precisão e automação. 
1.4 Manutenção detectiva 
Menos comum, mas igualmente importante, a manutenção detectiva foca 
na detecção de falhas ocultas que podem não ser evidentes durante operações 
normais. Essa modalidade é particularmente relevante em sistemas 
automatizados de irrigação e controle ambiental, nos quais falhas não 
detectadas podem causar danos extensivos às culturas. Estratégias de 
manutenção detectiva envolvem o uso de testes e inspeções específicas, 
projetadas para identificar e corrigir problemas antes que eles causem impacto 
operacional. 
1.5 Manutenção produtiva total (TPM) 
A manutenção produtiva total é uma filosofia que integra todos os 
aspectos da manutenção com o objetivo de eliminar falhas, acidentes e defeitos. 
Inclui a participação ativa de todos os funcionários, não apenas das equipes de 
manutenção. É uma estratégia abrangente que visa aumentar a eficiência geral 
do equipamento (OEE)5 por meio da manutenção proativa e da melhoria 
contínua. Programas de TPM frequentemente incluem treinamentos para 
capacitar os agricultores a implementarem práticas que garantam a integridade 
e a eficácia de seus equipamentos e processos. 
 
5 OEE: Overall Equipament Effectiveness; conceito criado por Seiichi Kakajima que visa garantir 
as boas práticas produtivas, sendo um indicador de desempenho para as máquinas. 
 
 
9 
TEMA 2 – FALHAS NOS EQUIPAMENTOS 
 
Crédito: Galdric PS/Shutterstock. 
Falhas em equipamentos agrícolas representam um dos maiores desafios 
para a eficiência e a sustentabilidade da produção agrícola. Essas falhas causam 
interrupções imediatas nas operações, podendo ter consequências de longo 
alcance, afetando a produtividade, aumentando os custos operacionais e 
comprometendo a segurança. 
Causas comuns de falhas em equipamentos agrícolas podem ser 
atribuídas a uma variedade de fatores, muitos dos quais são previsíveis e, 
portanto, evitáveis. As causas mais comuns incluem: desgaste natural, pois o 
uso contínuo de equipamentos leva ao desgaste, que pode ser acelerado por 
condições de operação inadequadas ou manutenção insuficiente; erro humano, 
devido à operação inadequada ou erros na configuração dos equipamentos 
frequentemente resultam em falhas mecânicas ou danos prematuros; falha de 
componentes: componentes defeituosos ou de baixa qualidade podem falhar, 
provocando uma série de problemas em todo o sistema; e, condições 
ambientais adversas: devido a fatores externos, como clima extremo (muito frio 
ou muito quente), podem exacerbar o desgaste ou causar falhas inesperadas. 
2.1 Impactos das falhas em equipamentos 
Os impactos das falhas de equipamentos são vastose variados, 
estendendo-se além do simples custo de reparo ou substituição. É possível 
destacar os seguintes impactos: 
• Interrupção das operações: As falhas podem levar a paradas 
significativas, resultando em perda de produção e atrasos que afetam toda 
 
 
10 
a cadeia de suprimentos. 
• Aumento dos custos operacionais: Os reparos emergenciais 
geralmente são mais caros do que manutenções planejadas, podendo 
exigir a locação de equipamentos substitutos. 
• Redução da vida útil do equipamento: As falhas frequentes podem 
diminuir a vida útil dos equipamentos, exigindo substituições prematuras 
e investimentos adicionais. 
• Segurança: Falhas em equipamentos podem representar sérios riscos à 
segurança dos operadores e demais trabalhadores. 
2.2 Estratégias de diminuição de falhas 
Para diminuir as falhas em equipamentos agrícolas, diversas estratégias 
podem ser adotadas, como a manutenção preventiva e preditiva, como já 
discutido, e a implementação de programas robustos de manutenção preventiva 
e preditiva é fundamental. Esses programas ajudam a identificar e corrigir 
problemas antes que eles causem falhas. A capacitação adequada dos 
operadores é essencial para garantir que os equipamentos sejam utilizados 
corretamente. Dessa maneira, é possível reduzir a incidência de falhas devido a 
erro humano. 
O monitoramento contínuo, com o uso de tecnologias de IoT e sensores 
para monitorar o estado e o desempenho dos equipamentos em tempo real, pode 
alertar para condições que possam levar a falhas, e a gestão de qualidade de 
componentes, ao investir em componentes de alta qualidade e verificar 
regularmente sua condição, são medidas que podem prevenir falhas devido a 
defeitos de fabricação. 
Portanto, as falhas em equipamentos agrícolas são uma realidade com a 
qual todos os produtores precisam lidar. No entanto, pela implementação de 
estratégias proativas de manutenção, treinamento adequado e uso de 
tecnologias avançadas, é possível reduzir esses problemas e seus impactos 
negativos. 
 
 
11 
TEMA 3 – FERRAMENTAS DE MANUTENÇÃO PROGRAMADA 
 
Crédito: Somchai_Stock/Shutterstock. 
A manutenção programada é uma abordagem estratégica no contexto do 
setor agrícola, destinada a prevenir falhas de equipamentos e a otimizar a 
operacionalidade e a eficiência das práticas agrícolas. Com o avanço 
tecnológico, diversas ferramentas e sistemas têm sido desenvolvidos para 
auxiliar na implementação de programas de manutenção programada, facilitando 
o planejamento, a execução e o monitoramento das atividades de manutenção. 
• Sistemas de Gestão de Manutenção Computadorizada (CMMS), como 
já visto anteriormente, são plataformas que centralizam informações e 
facilitam a gestão de todas as atividades de manutenção. Esses sistemas 
permitem programar manutenções preventivas, gerenciar ordens de 
serviço, controlar o inventário de peças de reposição e documentar todo 
o histórico de manutenção de cada equipamento. Um exemplo prático da 
aplicação desses sistemas pode ser observado em grandes fazendas, 
que utilizam a tecnologia para garantir que todas as máquinas agrícolas 
sejam mantidas dentro dos intervalos recomendados, reduzindo a 
ocorrência de falhas inesperadas e prolongando a vida útil dos 
equipamentos. 
• Sistemas de Monitoramento Baseado em Condição: Utilizam sensores 
e dispositivos de coleta de dados para monitorar em tempo real o estado 
de saúde dos equipamentos. A integração desses sistemas com o CMMS 
permite a implementação de manutenção preditiva, em que as 
intervenções são realizadas com base nas condições reais dos 
equipamentos, e não em intervalos fixos predeterminados. Essa 
 
 
12 
abordagem é particularmente útil para identificar problemas que não 
seriam detectados por inspeções visuais ou rotinas de manutenção 
padrão, como desgaste interno de componentes ou irregularidades no 
funcionamento de motores. 
• Software de Planejamento de Recursos Empresariais (ERP): Muitas 
vezes integra módulos de manutenção com outras funções de gestão 
agrícola, como inventário, finanças e recursos humanos. O uso de ERP6 
permite uma visão geral das operações agrícolas, facilitando a 
coordenação entre a manutenção e outras áreas, melhorando a eficiência 
geral e ajudando a reduzir custos operacionais. Estes sistemas são 
essenciais para grandes operações agrícolas nas quais a 
interdependência entre diferentes departamentos é alta. 
• Aplicativos móveis para manutenção: Com crescente uso de 
smartphones e tablets e aplicativos móveis dedicados à manutenção, 
estes se tornaram uma ferramenta valiosa para técnicos e gestores no 
campo. Esses aplicativos permitem acessar e atualizar informações sobre 
manutenção diretamente do local de trabalho, facilitando a comunicação 
e a rapidez nas tomadas de decisão. Tais aplicativos melhoram a precisão 
do registro de dados e aumentam a responsabilidade dos operadores e 
técnicos por meio de checklists7 e relatórios da situação em tempo real. 
• Ferramentas de análise e relatórios: Com análise avançada e 
ferramentas de relatórios muitas vezes embutidas em CMMS ou ERP, 
estes fornecem insights8 valiosos sobre tendências de manutenção, 
eficácia de programas e áreas de risco potencial. O uso de Analytics9 pode 
transformar dados de manutenção em informações estratégicas que 
auxiliam na otimização contínua dos processos de manutenção, 
identificando padrões de falha e aumentando a eficiência operacional. 
As ferramentas de manutenção programada são indispensáveis na gestão 
agrícola hoje, proporcionando uma base sólida para a manutenção eficaz e 
eficiente. A adoção dessas tecnologias garante a sustentabilidade e a 
 
6 ERP: Enterprise Resource Planning – sistema de software que ajuda na administração. 
7 Checklist: lista de checagem, uma lista que serve para fazer a verificação dos itens. 
8 Analytics: compreensão. Termo que remete à percepção súbita de uma situação ou de uma 
nova perspectiva sobre algum aspecto. 
9 Ramo da Business Intelligence (BI) que significa, em português, “inteligência analítica”. É uma 
análise computacional sistemática de dados ou estatísticas. 
 
 
13 
competitividade da agricultura brasileira. Ao implementar essas ferramentas, os 
agricultores podem melhorar a confiabilidade dos equipamentos, reduzir custos 
e aumentar a produtividade de suas operações. 
3.1 Ciclo PDCA 
O ciclo PDCA é uma ferramenta de gestão estratégica que facilita a 
melhoria contínua de processos e sistemas. No contexto do setor agrícola, 
aplicar o ciclo PDCA na manutenção e no planejamento de operações agrícolas 
permite uma abordagem sistemática para otimizar o uso de recursos, melhorar 
a eficiência operacional e aumentar a produtividade. 
• Planejar (Plan): A fase de planejamento no ciclo PDCA envolve a 
identificação de objetivos claros e a definição de estratégias para alcançá-
los. Na manutenção agrícola, isso significa analisar dados históricos de 
desempenho dos equipamentos, identificar áreas de melhoria e 
desenvolver planos de ação detalhados para prevenir falhas e otimizar a 
operação das máquinas. O planejamento eficaz deve incluir a alocação 
de recursos, como mão de obra e materiais, e a programação de 
atividades de manutenção em períodos que diminuem o impacto na 
produção agrícola. 
• Fazer (Do): A fase de execução (“Fazer”) consiste na implementação das 
ações planejadas. Isso inclui a realização de manutenções preventivas, 
preditivas e corretivas, conforme o planejado, bem como a execução de 
novas estratégias de gestão de equipamentos e treinamento de 
operadores. É importante seguir rigorosamente os planos de manutenção 
e documentar todas as atividades realizadas, permitindo que todo o 
processo seja avaliado de forma precisa na próxima fase do ciclo. 
• Verificar (Check): Durante a fase de verificação, os resultados das ações 
implementadas são monitorados e comparados com os objetivosestabelecidos na fase de planejamento. Essa etapa é necessária para 
determinar a eficácia das estratégias de manutenção e identificar desvios 
ou áreas que não atendem às expectativas. A utilização de indicadores 
de desempenho, como o tempo de inatividade dos equipamentos e a 
frequência de falhas, são para medir o sucesso das iniciativas de 
manutenção e planejamento. 
 
 
14 
• Agir (Act): A última fase do ciclo – “Agir” – visa à implementação de 
ajustes e melhorias contínuas com base no que foi aprendido nas fases 
anteriores. Se as estratégias de manutenção não alcançaram os 
resultados esperados, é essencial revisar os planos e modificar as 
abordagens. Essa fase deve ser vista como uma oportunidade para 
inovação e ajustes criativos que possam levar a melhorias significativas 
na eficiência e na eficácia das operações agrícolas. 
3.2 Ferramenta 5W2H 
A ferramenta 5W2H é um método de gestão utilizado para planejar e 
executar tarefas de forma eficaz, detalhando cada etapa de um projeto ou 
processo por meio de sete perguntas essenciais: What (“O que será feito?”), Why 
(“Por que será feito?”), Where (“Onde será feito?”), When (“Quando será feito?”), 
Who (“Por quem será feito?”), How (“Como será feito?”) e How much (“Quanto 
custará?”). 
Na agricultura, essa ferramenta pode ser particularmente útil para 
organizar e otimizar atividades de manutenção e planejamento, garantindo que 
todas as ações sejam bem definidas e alinhadas com os objetivos estratégicos 
da operação agrícola. 
3.2.1 O que será feito? (What) 
Identificar claramente o que precisa ser feito é o primeiro passo para uma 
manutenção eficaz. Na agricultura, isso pode incluir tarefas como a manutenção 
preventiva de tratores, a calibração de equipamentos de irrigação, ou a 
reparação de sistemas de armazenamento. Especificar exatamente o que será 
feito ajuda a evitar mal-entendidos e garante que todos os envolvidos saibam 
quais são as expectativas. 
3.2.2 Por que será feito? (Why) 
Esclarecer o propósito de cada tarefa é básico para justificar o esforço e 
os recursos despendidos. No contexto agrícola, as razões para realizar 
manutenção podem incluir prolongar a vida útil do equipamento, melhorar a 
eficiência energética, ou prevenir falhas que poderiam levar a perdas de 
produção. Entender o porquê por trás de cada ação pode aumentar a adesão 
 
 
15 
dos trabalhadores e a eficácia das atividades de manutenção. 
3.2.3 Onde será feito? (Where) 
Definir o local exato onde as tarefas de manutenção serão realizadas é 
essencial para planejar a logística necessária. Isso pode envolver a escolha de 
um local para a manutenção de maquinário, diminuindo a interrupção das 
operações diárias. 
3.2.4 Quando será feito? (When) 
O planejamento temporal é um componente crítico que garante que a 
manutenção seja realizada no momento mais oportuno. Determinar o melhor 
período para a manutenção pode depender de vários fatores, incluindo 
sazonalidade, ciclos de produção e previsões meteorológicas. A definição 
precisa do “quando” ajuda a otimizar o uso dos recursos e a diminuir os impactos 
na produção. 
3.2.5 Por quem será feito? (Who) 
Alocar as pessoas certas para cada tarefa é fundamental para o sucesso 
da manutenção. Isso envolve não apenas escolher indivíduos com as 
habilidades apropriadas, mas também considerar a disponibilidade e as cargas 
de trabalho para garantir que as tarefas sejam completadas eficientemente. 
3.2.6 Como será feito? (How) 
Determinar como cada tarefa será realizada é talvez o aspecto mais 
detalhado da ferramenta 5W2H. Isso envolve decidir sobre métodos, técnicas, 
ferramentas e procedimentos necessários para realizar a manutenção. 
3.2.7 Quanto custará? (How much) 
A avaliação de custos é fundamental para qualquer operação de 
negócios, incluindo a agricultura. Prever o custo de cada atividade de 
manutenção ajuda no planejamento financeiro e na justificação do retorno sobre 
o investimento, permitindo uma gestão mais eficiente dos recursos financeiros 
disponíveis. 
 
 
16 
 A ferramenta 5W2H oferece uma estrutura robusta para o planejamento e 
a execução de tarefas de manutenção na agricultura, ajudando os gestores a 
organizarem suas atividades de forma clara e sistemática. Aplicar essa 
ferramenta melhora a eficiência operacional e promove a transparência e a 
responsabilidade dentro das equipes de trabalho. 
TEMA 4 – PLANEJAMENTO E GERENCIAMENTO DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS 
 
Crédito: Taty77/Shutterstock. 
O planejamento e gerenciamento eficaz de máquinas agrícolas são 
essenciais para otimizar a produção e reduzir os custos operacionais em 
propriedades agrícolas. A implementação de práticas estratégicas na gestão de 
equipamentos aumenta a vida útil das máquinas e melhora a eficiência no uso 
de recursos, como combustível e tempo. 
O primeiro passo no planejamento eficiente de máquinas agrícolas 
envolve realizar um inventário completo e uma avaliação do estado atual dos 
equipamentos. Um inventário detalhado permite aos gestores terem um 
panorama claro de todos os ativos disponíveis, suas condições, necessidades 
de manutenção e capacidade operacional. Essa avaliação ajuda na 
programação de manutenções, na substituição planejada de máquinas e na 
alocação eficiente de recursos durante as épocas de plantio e colheita. 
A manutenção programada é necessária para prevenir falhas inesperadas 
e prolongar a vida útil das máquinas. É preciso enfatizar a importância de 
estabelecer um cronograma de manutenção preventiva baseado nas 
recomendações dos fabricantes e nas condições de operação específicas das 
máquinas. A utilização de CMMS pode facilitar esse processo, permitindo um 
controle mais rigoroso das atividades de manutenção e uma melhor análise de 
custos. 
 
 
17 
O desempenho e a eficiência das máquinas agrícolas estão diretamente 
ligados à habilidade dos operadores. O treinamento adequado destes é 
fundamental para garantir a operação eficiente das máquinas e reduzir o risco 
de acidentes e falhas devido ao uso inadequado dos equipamentos. 
A implementação de tecnologias de agricultura de precisão, como GPS e 
sensores de monitoramento em tempo real, tem revolucionado o gerenciamento 
de máquinas agrícolas. Essas tecnologias permitem uma gestão mais precisa de 
tarefas como plantio, fertilização e aplicação de defensivos agrícolas, reduzindo 
desperdícios e aumentando a produtividade. Além disso, os dados coletados 
podem ser usados para analisar a performance das máquinas e fazer ajustes 
operacionais necessários. 
Avaliar periodicamente o desempenho das máquinas e obter feedback10 
dos operadores pode ajudar na identificação de problemas recorrentes e na 
avaliação da eficácia das estratégias de gerenciamento implementadas. As 
análises regulares do desempenho das máquinas devem ser integradas ao 
processo de planejamento, permitindo ajustes contínuos e melhorias no uso dos 
maquinários. 
O gerenciamento de máquinas agrícolas também requer uma gestão 
financeira rigorosa, como o controle de custos de operação e manutenção, 
avaliação de investimentos em novas máquinas e tecnologias e análise de 
rentabilidade. Ferramentas financeiras e software de ERP podem ser utilizados 
para manter um registro preciso das despesas e ajudar nas tomadas de decisão 
baseadas em dados concretos. 
Portanto, o planejamento e gerenciamento eficazes de máquinas 
agrícolas são fundamentais para aumentar a eficiência e a produtividade na 
agricultura. Combinando práticas de gestão com o uso de tecnologias avançadas 
e a capacitação contínua de operadores, os agricultores brasileiros podem 
melhorar a performance de suas operações. 
 
 
10 Feedback: retorno de informações. 
 
 
18 
4.1 Princípios de planejamento 
Planejar é essencial para qualquer operação agrícola que busque 
eficiência, produtividade e sustentabilidade. No contexto da agricultura, em que 
os recursossão frequentemente limitados e as condições são variáveis, o 
planejamento estratégico torna-se ainda mais importante, ou seja, o objetivo é 
destacar como um planejamento eficaz pode fundamentar o sucesso das 
operações agrícolas. 
O primeiro princípio de um planejamento eficaz é a definição clara de 
objetivos. Estes devem ser específicos, mensuráveis, alcançáveis, relevantes e 
temporalmente definidos. A clareza nos objetivos permite que gestores agrícolas 
estabeleçam metas precisas para a produção, gestão de recursos e manutenção 
de equipamentos, facilitando o alinhamento de estratégias e a avaliação de 
progresso. 
Uma análise situacional detalhada ajuda a compreender o contexto 
operacional da propriedade rural. Isso inclui a avaliação de fatores internos, 
como capacidade de equipamentos e competências da equipe, e externos, como 
condições de mercado e variações climáticas. Entender essas variáveis pode 
ajudar na antecipação de desafios e na adaptação de estratégias para otimizar 
a produção e diminuir riscos. 
O planejamento deve ser integrado, considerando todas as áreas da 
operação agrícola, desde a produção até a venda. É importante integrar o 
planejamento de plantio, uso de insumos, manutenção de equipamentos e 
estratégias de comercialização para garantir a coerência e a eficácia das 
operações. A integração facilita a otimização de recursos e a coordenação entre 
diferentes departamentos, aumentando a eficiência. 
Dada a natureza dinâmica da agricultura, marcada por incertezas 
climáticas e mudanças de mercado, a flexibilidade é um componente ideal no 
planejamento, como a inclusão de planos contingenciais que possam ser 
ativados em resposta a alterações inesperadas. Esta capacidade de adaptação 
é essencial para manter a continuidade das operações e proteger a 
produtividade. 
O planejamento deve direcionar para o uso eficiente de recursos, que 
inclui a gestão cuidadosa de insumos como água, fertilizantes e energia. Para 
isso, a implementação de técnicas de agricultura de precisão é perfeita para 
 
 
19 
otimizar o uso de recursos e reduzir custos operacionais, alinhando práticas 
sustentáveis com rentabilidade. 
Um plano não termina em sua execução; o monitoramento contínuo e a 
avaliação são fundamentais para verificar a eficácia das ações e fazer ajustes 
necessários. Usar sistemas de monitoramento que coletam dados operacionais 
em tempo real permite ajustes rápidos para melhorar os processos. 
Finalmente, a comunicação e a colaboração entre todos os envolvidos são 
essenciais para a implementação bem-sucedida de qualquer plano. A 
participação ativa dos membros da equipe no processo de planejamento 
aumenta o comprometimento e a compreensão das metas e procedimentos. 
4.2 Etapas de gerenciamento de máquinas agrícolas 
O gerenciamento de máquinas agrícolas objetiva otimizar a produtividade 
e reduzir custos na operação de uma propriedade rural. Um bom gerenciamento 
envolve várias etapas, desde a aquisição e utilização, até a manutenção e 
eventual substituição do equipamento. 
A primeira etapa no gerenciamento de máquinas agrícolas envolve avaliar 
as necessidades específicas da propriedade rural e determinar que tipo de 
equipamento é necessário. Recomenda-se considerar as necessidades atuais e 
planos de expansão futura e potenciais mudanças nas práticas de cultivo. A 
seleção do equipamento deve levar em conta a eficiência energética, a 
compatibilidade com outras máquinas e a facilidade de manutenção. 
Após escolher o equipamento adequado, o próximo passo é considerar 
as opções de financiamento e compra. É preciso comparar diferentes opções de 
financiamento, considerando taxas de juros, prazos de pagamento e incentivos 
fiscais disponíveis para agricultores. A decisão de compra deve equilibrar o custo 
inicial com os benefícios de longo prazo trazidos pelas máquinas. 
Uma vez adquirido o equipamento, é fundamental capacitar e treinar todos 
os operadores e técnicos de manutenção. Treinamentos regulares ajudam a 
garantir que o maquinário seja operado de maneira eficiente e segura, 
aumentando sua vida útil e eficácia. 
Monitorar o desempenho das máquinas é necessário para avaliar a 
eficiência operacional e identificar áreas que precisam de ajustes ou melhorias. 
 
 
20 
Sugere-se a utilização de tecnologias como GPS e sensores de telemetria11 para 
coletar dados em tempo real sobre o desempenho do equipamento. Esses dados 
podem ser analisados para otimizar a operação e o uso de combustível. 
As necessidades agrícolas podem mudar com o tempo, assim como a 
tecnologia disponível, por isso, recomenda-se reavaliar periodicamente o parque 
de máquinas para determinar se algum equipamento precisa ser atualizado ou 
substituído. Esta etapa pode envolver a venda de máquinas mais antigas e a 
aquisição de novas tecnologias que ofereçam melhor desempenho e maior 
eficiência. 
Por fim, o descarte responsável de máquinas antigas é uma parte 
importante do gerenciamento de equipamentos agrícolas. A disposição 
adequada garante que os componentes sejam reciclados ou descartados de 
modo a reduzir danos ambientais. Programas de reciclagem e diretrizes de 
descarte podem ser orientados por legislações locais e boas práticas ambientais. 
4.3 Plano para seleção e aquisição de máquinas 
A seleção e a aquisição de máquinas agrícolas são processos que exigem 
planejamento cuidadoso e consideração de vários fatores. Essas decisões 
impactam diretamente a eficiência operacional, a produtividade e a 
sustentabilidade financeira de uma operação agrícola. 
O primeiro passo em qualquer plano de aquisição de máquinas é uma 
avaliação detalhada das necessidades operacionais da propriedade agrícola, de 
modo a entender quais tarefas precisam ser realizadas, quais as exigências 
dessas tarefas e como as máquinas atuais estão atendendo a essas 
necessidades. Isso inclui considerar o tamanho da propriedade, o tipo de cultivo, 
as condições do solo e as peculiaridades climáticas que podem influenciar o tipo 
de máquina necessário. 
Antes de proceder com a aquisição, é importante analisar o desempenho 
das máquinas disponíveis e seus custos operacionais associados. A 
recomendação é comparar a eficiência de combustível, a facilidade de 
manutenção, a durabilidade e a disponibilidade de peças de reposição. A análise 
de custo-benefício que considera tanto o preço de compra quanto os custos 
operacionais ao longo da vida útil da máquina vai garantir uma compra 
 
11 Sistema que coleta, avalia e acompanha os dados ou indicadores de forma remota, por meio 
de sensores. 
 
 
21 
economicamente viável. 
Consultar especialistas e fornecedores pode fornecer insights valiosos 
sobre as opções de máquinas mais adequadas às necessidades específicas. A 
sugestão é participar de demonstrações de produtos e feiras agrícolas nas quais 
se pode obter informações diretamente dos fabricantes e testar as máquinas. 
Além disso, revisões técnicas e o feedback de outros usuários podem ser 
extremamente úteis. 
O mercado de máquinas agrícolas está constantemente evoluindo, com 
novas tecnologias que oferecem melhor eficiência e capacidades avançadas. É 
preciso considerar máquinas que integram tecnologias de agricultura de 
precisão, como sistemas de GPS e controle automatizado, que podem aumentar 
a produtividade e reduzir desperdícios. 
Determinar a viabilidade financeira da compra de novas máquinas é 
sempre importante, e deve-se fazer uma revisão detalhada das finanças da 
fazenda para assegurar que a aquisição não comprometerá a saúde financeira 
da operação. Explorar opções de financiamento, como empréstimos, leasing12, 
ou programas de subsídios governamentais pode facilitar o acesso a 
equipamentos modernos sem necessidade de um grande desembolso inicial. 
Após a avaliação e análise, a decisão final de compra deve ser tomada 
considerando todas as informações coletadas. Recomenda-seque, uma vez 
adquirida a máquina, seja implementado um plano de integração que inclua 
treinamento adequado para os operadores e ajustes nos processos operacionais 
para aumentar os benefícios da nova tecnologia. 
O monitoramento contínuo do desempenho da nova máquina é essencial 
para assegurar que ela atenda às expectativas e necessidades operacionais. 
Avaliações regulares podem ajudar a identificar quaisquer problemas 
precocemente e garantir que o investimento continue a gerar valor ao longo do 
tempo. 
 
 
12 Significa locação. É um contrato que associa aluguel e venda à prestação, por meio de uma 
técnica de financiamento. 
 
 
22 
TEMA 5 – CÁLCULOS NO PLANEJAMENTO E GERENCIAMENTO DE 
MECANIZAÇÃO AGRÍCOLA 
A mecanização agrícola é um dos componentes principais na 
modernização da agricultura, aumentando a eficiência e reduzindo a carga de 
trabalho manual. O planejamento e gerenciamento eficazes dessa mecanização 
envolvem uma série de cálculos que ajudam os agricultores a tomarem as 
melhores decisões sobre investimentos, manutenção e operações diárias. 
 
Crédito: mihalec/Shutterstock. 
Entre os primeiros cálculos a serem realizados no planejamento da 
mecanização agrícola é a capacidade operacional das máquinas. Isso inclui 
a determinação da área que uma máquina pode cultivar em um determinado 
período, levando em consideração a largura de trabalho do implemento, a 
velocidade operacional e a eficiência do trabalho. Esse cálculo ajuda a 
dimensionar adequadamente o maquinário às necessidades da propriedade, 
garantindo que a capacidade de produção esteja alinhada com os objetivos 
agrícolas. 
O custo de operação por hectare é útil para a análise financeira da 
mecanização. Esse cálculo deve envolver todos os custos diretos associados ao 
uso de máquinas, como combustível, lubrificantes, manutenção e reparos, além 
dos custos de depreciação. A importância de entender esses custos é poder 
avaliar a viabilidade econômica de diferentes opções de mecanização e assim 
planejar o orçamento agrícola com maior precisão. 
A análise de rentabilidade envolve comparar os custos de mecanização 
 
 
23 
com os benefícios obtidos, como aumento de produtividade e redução de perdas. 
Sugere-se o uso de indicadores como o retorno sobre investimento (ROI)13 e a 
margem de lucro por hectare para avaliar se o investimento em novas 
tecnologias de mecanização compensa financeiramente. 
Para máquinas que realizam aplicação de insumos, como semeadoras e 
pulverizadores, é fundamental calcular as taxas de aplicação. Isso garante que 
a quantidade correta de sementes, fertilizantes ou defensivos agrícolas seja 
aplicada, otimizando os recursos e evitando excessos que podem ser 
prejudiciais ao meio ambiente ou onerosos economicamente. A necessidade de 
precisão nesses cálculos objetiva aumentar a eficácia das práticas agrícolas e a 
sustentabilidade da produção. 
O dimensionamento correto da frota de máquinas busca evitar 
redundâncias e otimizar a utilização de cada equipamento. O cálculo da 
demanda de máquinas é o ideal. Com base em fatores como área total a ser 
trabalhada, janelas operacionais devido ao clima e períodos críticos de plantio e 
colheita, ele pode ajudar a determinar o número ideal de máquinas necessárias 
para evitar gargalos operacionais. 
Calcular o momento ideal para a substituição de máquinas é uma parte 
fundamental do gerenciamento de mecanização agrícola. Isso envolve 
considerar a depreciação do equipamento, a frequência e custo de manutenções 
e o surgimento de tecnologias mais modernas e eficientes. É recomendada a 
análise periódica da performance das máquinas e dos avanços tecnológicos do 
mercado para planejar substituições que mantenham a operação agrícola na 
vanguarda da tecnologia. 
Portanto, os cálculos no planejamento e gerenciamento de mecanização 
agrícola têm por objetivo assegurar a eficiência, a produtividade e a 
sustentabilidade econômica das operações agrícolas. Ao aplicar esses cálculos 
estratégicos, os agricultores podem otimizar o uso de suas máquinas, ajustar 
investimentos e melhorar o retorno sobre esses investimentos. 
FINALIZANDO 
Nesta etapa, os dois assuntos abordados foram máquinas e implementos 
agrícolas. 
 
13 ROI: sigla em inglês de Return on Investment. Métrica financeira usada para saber quanto a 
empresa lucrou com um determinado investimento. 
 
 
24 
A manutenção é primordial para evitar falhas nos equipamentos. Assim, a 
recomendação é usar os tipos e as ferramentas para a manutenção programada, 
pois, com as estratégias de manutenção, é possível evitar o desgaste das 
máquinas e dos implementos para que tenham uma vida útil mais longa. 
Planejar e gerenciar o sistema de mecanização é primordial para uma 
gestão de qualidade no uso dos equipamentos para a produção agrícola, pois as 
máquinas e implementos são utilizados em diversas situações. 
Portanto, o desenvolvimento dessas etapas (manutenção, planejamento 
e gerenciamento) exige uma visão ampla de todo o processo de produção e de 
todos os fatores externos que abrange os sistemas operacionais da 
mecanização agrícola. 
 
 
 
 
 
25 
REFERÊNCIAS 
ROSA, D. P. da. Dimensionamento e planejamento de máquinas e 
implementos agrícolas. 1. ed. Jundiaí: Paco e Littera, 2017. 
SILVA, R. C. da. Máquinas e equipamentos agrícolas. São Paulo: Saraiva, 
2014. 
SILVA, R. C. da. Mecanização e manejo do solo. São Paulo: Saraiva, 2014. 
SOBENKO, L. R. et al. Máquinas e mecanização agrícola. Rio de Janeiro: 
Grupo A, 2021.

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