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Projeto Leite
 
Itatiba
2024
 
 
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Itatiba
2024 
 
 
 
 
 
 
 
 
Projeto Leite
 
 
 
 	
Itatiba
2024
Resumo 
Todas as formas de mastite são multifatoriais, o que requer uma avaliação adequada e criteriosa do rebanho de forma a identificar possibilidades de infecção. O presente trabalho tem como objetivo destacar a importância do diagnóstico e controle da mastite no rebanho leiteiro brasileiro. A propriedade escolhida foi a Capril Capriolês, localizada na Avenida Antônio Pincinato, Fazenda Bonifácio, Jundiaí, SP, Brasil. Na Inspeção inicial da propriedade foi averiguado um contingente de 16 animais a serem submetidos às análises e controle da qualidade da produção. Durante o processo foi constatada uma destreza absoluta da propriedade em suprir as necessidades básicas dos animais no controle de Mastite Ambiental, o que permitiu a instalação de programas de controle como pilar de sustentação visando medidas protetivas.
Introdução
Para compreensão do tema abordado faz-se necessário revisar a importância do diagnóstico e monitoração da mastite nos rebanhos de produção leiteira. A Mastite é uma inflamação que acomete as glândulas mamárias em diversas espécies de mamíferos, esta infecção é extremamente contagiosa exigindo total atenção e higiene da equipe de ordenha. Situações relacionados à enfermidade, seja ela subclínica ou não, vão expor não apenas o animal a fatores intrínsecos a doença, como também o produtor interferindo diretamente na qualidade e produtividade do rebanho. No Brasil a prevalência da mastite subclínica chega a 48,64% na espécie bovina e 42,2% na espécie bubalina, o que aponta a relevância do presente estudo (RODRIGUES, COELHO, SANTOS, COSTA & CORTEZ, 2018).
A mastite é observada hoje em duas fases: a Mastite Subclínica, é considerada a forma mais comum de mastite, além de responsável pelos maiores prejuízos. É a fase da doença onde o animal se encontra assintomático com leve alteração em seus níveis de produção e pouca ou quase nula presença de edemas de úmero ou nas glândulas mamárias. E a Mastite Clínica, estado já evoluído da doença onde os sinais clínicos são visíveis e permanentes, caracterizados por inchaço e vermelhidão de úmero. Nessa fase, o animal reage apresentando dor durante os estímulos nas glândulas mamárias, febre e movimentação letárgica, presença de grumos no teste de caneca e em casos mais graves, presença de sangue no leite. Este quadro é delicado e requer atenção especial no manejo, isolando o animal e aportando tratamento imediato a fim de melhorar seu quadro clínico e consequentemente os índices de produção (RODRIGUES, COELHO, SANTOS, COSTA & CORTEZ, 2018).
Os microrganismos causadores da mastite podem ser agrupados em: contagiosos e ambientais. A mastite contagiosa se apresenta de forma subclínica e com tendência à cronicidade. Já a mastite ambiental conta com a presença de microrganismos na água, fezes, materiais utilizados como cama, pele dos animais e outras fontes, com possibilidade de implementação de técnicas de manejo e estratégias controle  (BRITO et al., 2002).
O diagnóstico desta enfermidade pode ser deferido por três testes: CCS - Contagem de células somáticas no leite, bastante eficiente no diagnóstico da inflamação do úmero, apontando com eficiência a quantidade de células somáticas presente naquele úmero, potencial indicativo de mastite subclínica. Apesar de ser uma excelente ferramenta para o diagnóstico precoce, seu custo elevado acaba desmotivado o pequeno produtor a utilizá-lo (BRITO et al., 2002) . 
 O segundo teste é o CMT - California Mastitis Test, bastante eficiente apresentando praticidade e baixo custo no diagnóstico da mastite. Seu princípio é detectar a presença destas mesmas células somáticas, porém de uma forma mais rápida e eficaz. Consiste na coleta do leite em uma raquete contendo 4 copos, é importante destacar que a posição da mesma não pode mudar em relação a posição das glândulas mamárias, mantendo seu posicionamento original. A seguir, com o leite já adicionado é hora de aplicar a solução CMT que consiste basicamente em detergente (que é um indicador de ph). Esta composição unida ao leite, uma vez positivo, assume uma consistência grossa e descaracteriza completamente aquela aparência líquida de uma amostra saudável (SANTOS & FONSECA, 2007). 
O terceiro e último teste, porém não menos importante, é o teste de caneca, procedimento relativamente prático e frequentemente utilizado antes das ordenhas. Este teste basicamente é uma caneca de plástico com uma peneira de fundo escuro para facilitar a detecção da mastite em sua forma subclínica. É importante destacar que tanto este recipiente como a glândula mamária devem estar devidamente higienizados para que não ocorra reações nas amostras (SANTOS & FONSECA, 2007). 
É importante ressaltar que a equipe deste projeto não conseguiu detectar previamente nenhum agente, seja ele biológico ou físico, que pudesse desencadear casos de mastite. 
 	Para maior eficiência do presente projeto optou-se por criar um cronograma, onde elaborou-se os meios de culturas com base no número de animais a serem examinados. Decidiu-se dar andamento no CCR apenas nos animais positivados em um dos testes iniciais ( Caneca ou CMT). Com estas diretrizes definidas, deu-se continuidade nos trabalhos. Fotos 4,5,6 e7
No trabalho externo priorizou-se colher o máximo de informações possíveis dos animais em seus ambientes. Este procedimento foi de suma importância para detectar ações ou fatores pré existentes que pudessem levar o animal a desenvolver este quadro clínico. 
O primeiro contato foi com os animais, onde oportunizou-se avaliar de uma forma geral o estado físico de cada um deles. Em consenso a equipe constatou que todos estavam com excelentes índices, exceto um animal que estava apresentando sinais apáticos e baixa produtividade, o que fez a equipe optar por deixar esse animal no final da fila de ordenha e assim avaliá-lo com mais cautela. 
Pode-se notar também que a propriedade é muito rigorosa quando se fala na nutrição dos seus animais, tanto na pré ordenha como na pós ordenha os animais receberam aporte contínuo de alimentação, fator bromatológico relevante para estabilidade e qualidade produtiva. 
Com relação ao manejo animal destaca-se a qualidade da cama onde os mesmos ficam, sempre muito bem limpas e arejadas tornando o ambiente muito agradável para o animal. No geral, nesta primeira avaliação pré ordenha certifica-se que a propriedade cumpre todos os requisitos necessários para uma ordenha de qualidade.
Já no processo de ordenha a equipe certificou que todas as glândulas mamárias estivessem higienizadas para o início dos Testes de caneca. Tal teste também utilizado pela propriedade todos os dias é um teste simples, porém eficaz onde se é avaliado a presença de grumo no leite. Faz-se importante destacar que este teste é feito individualmente para cada glândula mamária, ou seja, para cada animal são realizadas quatro execuções, uma para cada glândula mamária. A higienização entre uma glândula e outra é de extrema importância para que não haja confusão na hora de se detectar um caso clínico. Apesar da eficiência deste teste, a equipe não identificou nenhum grumo nas amostras coletadas. 
Já no teste de CMT, onde todas as amostras foram devidamente coletadas e armazenadas em ambiente refrigerado para posterior análise laboratorial, a equipe teve maiores resultados, detectando um total de 8 aparentes casos subclínicos.
Após alguns dias, a equipe obteve os seguintes dados: O animal que havia sido deixado por último na fila de ordenha foi deferido o quadro de mastite, e as demais amostras apenas 5 continham mastite subclínica. Identificou-se os animais positivados e suas respectivas amostras e encaminhou-se ao produtor para que o mesmo tomasse as medidas necessárias para a saúde de seu rebanho. A fim de orientar o produtor sobre a importância do tratamento destes animais positivados,a equipe implementou uma série de mudanças habituais de manejo, sendo a primeira delas relacionada a higiene pessoal dos ordenhadores, incentivando o uso de luvas e avental durante a ordenha e evitando o contato com seus cabelos e qualquer outra parte do corpo. A segunda orientação foi em relação a desinfecção dos equipamentos utilizados na ordenha. Antes este procedimento era realizado três vezes na semana, agora os mesmos equipamentos deverão passar por processo de esterilização diariamente. Por último, foi implementado um protocolo de controle e monitoramento animal, onde a equipe estará presente uma vez ao mês na propriedade a fim de  monitorar e coletar dados de forma preventiva visando a  saúde geral dos animais. 
Tendo em vista a longa parceria que a Universidade São Francisco tem com esta fazenda elaborou-se um plano de treinamento voltado a detecção e manejo da mastite. Nesta proposta a equipe reuniu todos os funcionários da fazenda e ministrou algumas aulas de carácter informativo conscientizando ainda mais os colaboradores sobre a importância desta enfermidade. Os assuntos abordados foram Fisiologia da Glândula Mamária, Diagnóstico da Mastite, Prevenção da Mastite e por fim Monitoramento e Avaliação da Mastite. Diante da complexidade do assunto abordado, a equipe certificou-se de que todo o conteúdo fosse transmitido da forma mais simples possível, facilitando assim a compreensão de todos. De forma geral esta iniciativa contribui tanto para o conhecimento da mastite como no monitoramento da mesma, o que possibilita a prevenção na área, por meio da instalação de programas de controle como pilar de sustentação visando medidas protetivas.
Referencias: 
BRITO, J.R.F. et al. Como reconhecer e controlar a mastite em rebanhos bovinos. Juiz de Fora: Embrapa Gado de Leite. Circular Técnica, n.70, 8p, 2002. 
GASPAROTTO, P.H.G. et al. Principais gêneros bacterianos causadores de mastite isolados no laboratório de microbiologia veterinária do Hospital Veterinário do Centro Universitário Luterano de Ji-Paraná/RO. Veterinária em Foco, v.14, n.1, 2016.
SANTOS M.V. & FONSECA L.F.L. 2007. Estratégias para o Controle de Mastite e Melhoria da Qualidade do Leite. Manole, São Paulo. 314p.
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