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SP 1.3 - TUTORIA: LEITE MATERNO O aleitamento materno deve ser exclusivo até os 6 meses de idade, ele é de extrema importância para o desenvolvimento neurológico e cognitivo, crescimento adequado, benefícios do desenvolvimento imunológico, proliferação e crescimento da microbiota intestinal, desenvolvimento da musculatura orofacial e outros diversos benefícios. COLOSTRO → É o primeiro leite, entre o 3° e 5° dia, tem uma coloração mais amarelada e é rico em anticorpos (IgA), protegendo o RN contra infecções e auxiliando na eliminação do mecônio (primeiras fezes). OBS: É considerado a primeira vacina do bebê. LEITE DE TRANSIÇÃO → Entre o 6° ao 15° dia, nessa fase o leite aumenta de volume e possui mais gorduras e carboidratos em sua composição. LEITE MADURO → Inicia a partir do 25° dia, possui aparência mais branca e líquida. Possui, em sua composição, proteínas, gorduras, vitaminas e água. INTRODUÇÃO ALIMENTAR 6 MESES → Nessa idade, os dentes estão surgindo, a criança já consegue sustentar a cabeça, sentar com apoio, levar objetos à boca e o reflexo de protrusão está diminuído. Logo, pode iniciar a introdução alimentar, com preferência em alimentos pastosos. 7 A 9 MESES → A criança já é capaz de sentar sem apoio, inicia os movimentos de pinça grosseira e apresenta mastigação inicial. 9 A 12 MESES → Realiza o movimento de pinça fina, possui melhor coordenação mão-boca e mastigação mais eficiente. 12 AOS 24 MESES → A criança já apresenta maior autonomia e facilidade na mastigação, podendo ser alimentada com a comida da família. Lembrando de evitar ultraprocessados, açúcar e sal em excesso. DESMAME PRECOCE O desmame precoce ocorre quando a oferta de leite materno é cessada ao bebê, antes dos 6 meses de idade. Consequentemente, são observadas alterações negativas na saúde e desenvolvimento dos bebês, como maiores propensões a diarréias, alergias ou intolerâncias alimentares, além do desenvolvimento motor-oral incompleto da criança. A introdução precoce de outros alimentos pode gerar danos à saúde do bebê, como a exposição precoce a agentes infecciosos, contato com proteínas estranhas e prejuízos no processo de digestão. DESNUTRIÇÃO PROTEICO-CALÓRICA INFANTIL A DPC é um déficit energético decorrente de uma deficiência de todos os macronutrientes, mas principalmente proteína. Ela pode ser de 2 tipos: ● DPC primária → Causada pela ingestão inadequada de nutrientes. Tendo 3 formas comuns, Marasmo, Kwashiorkor e Kwashiorkor marasmático. ● DPC secundário → Resulta de distúrbios ou fármacos que interferem na utilização dos nutrientes. SINAIS E SINTOMAS → Baixo peso e estatura, letargia e prostração, cabelos finos e despigmentados, anemia megaloblástica, palidez na pele e mucosas, hipoalbuminemia… MARASMO Deficiência grave de calorias e proteínas que tende a se desenvolver em lactentes e RN. O marasmo causa perda ponderal e depleção de músculos e gordura. KWASHIORKOR Caracteriza-se por um início agudo de 4 a 12 meses após a introdução de uma dieta inadequada (desmame precoce, acompanhado e introdução alimentar rica em carboidratos e pobre em proteínas). SINTOMAS CLÍNICOS → Irritabilidade, diarreia, distensão abdominal, hepatomegalia, edema nas mãos, pés e face, despigmentação capilar. ACHADOS LABORATORIAIS → ● Hipoalbuminemia: A albumina é responsável pela pressão oncótica e pelo transporte de bilirrubina indireta para o fígado. Sua deficiência pode gerar edema generalizado e icterícia. ● Deficiência de B3: Lesão pelagroide, sintomas gastrointestinais e sintomas no SNC. ● Hepatomegalia e Esteatose hepática: O fígado se torna palpável pelo acúmulo de triglicerídeos no tecido hepático. Isso ocorre devido à baixa de VLDL que deveria retirar os triglicerídeos armazenados no fígado para levá-lo ao tecido adiposo. Mecanismos neurológicos e fisiológicos que sustentam a progressão do desenvolvimento O desenvolvimento neuropsicomotor depende de 3 pilares: Mielinização, Sinaptogênese e Plasticidade Neural. 1. Mielinização → Formação da bainha de mielina ao redor dos neurônios (oligodendrócitos formam a do SNC e as células de Schwann a do SNP). Isso implica no aumento da velocidade do impulso nervoso, tornando os movimentos mais precisos. Sem mielina suficiente, o movimento fica mais lento e descoordenado, já com a mielina, a criança consegue sentar, andar, mastigar melhor… 2. Sinaptogênese → Formação de sinapses entre neurônios. Isso causa o aumento da capacidade de aprender, memorizar e responder a estímulos. 3. Plasticidade Neural → É a capacidade do cérebro de se modificar e de se reorganizar, permitindo o aprendizado, recuperação após lesões e adaptações aos ambientes. SP 1.3 - MORFOFUNCIONAL: IRRIGAÇÃO DO INTESTINO DELGADO A irrigação das vísceras abdominais vem principalmente da aorta abdominal. Ela emite 3 ramos anteriores principais, que irrigam o tubo digestório conforme sua origem embrionária: Tronco celíaco, artéria mesentérica superior e artéria mesentérica inferior. TRONCO CELÍACO Órgãos irrigados → Esôfago, estômago, parte proximal do duodeno, fígado/vias biliares e pâncreas. Ramos principais → Artéria gástrica esquerda, artéria hepática comum e artéria esplênica. ARTÉRIA MESENTÉRICA SUPERIOR Órgãos irrigados → Duodeno distal, jejuno, íleo, ceco, apêndice, cólon ascendente e ⅔ proximais do cólon transverso. Ramos principais → Artéria cólica média, artéria cólica direita, artérias jejunais e ileais e artérias pancreaticoduodenais inferiores anterior e posterior. ARTÉRIA MESENTÉRICA INFERIOR Órgãos irrigados → ⅓ distal do cólon transverso, cólon descendente, cólon sigmoide e parte superior do reto. Ramos principais → Artéria cólica esquerda, artérias sigmoideas e artéria retal superior. DRENAGEM VENOSA O retorno venoso do intestino delgado se dá por meio da veia mesentérica superior (VMS), que acompanha a artéria mesentérica superior (AMS) e drena o sangue venoso do intestino delgado, do lado direito do cólon e ⅔ do cólon transverso. A VMS se une à veia esplênica para formar a veia porta hepática, que leva o sangue ao fígado para que ele seja metabolizado, antes de ir para a circulação sistêmica. SISTEMA PORTA HEPÁTICO É um sistema venoso que coleta sangue do TGI, leva ele para o fígado e só depois que esse sangue vai para a circulação sistêmica. Ele é composto por: Veia Porta Hepática → Formada pela união da VMS e da veia esplênica. É responsável pelo transporte de sangue venoso rico em nutrientes e metabólitos em direção ao fígado. Veia Mesentérica Superior (VMS) → Drena o intestino delgado, ceco, cólon ascendente, apêndice, jejuno, íleo e ⅔ do cólon transverso. Veia Mesentérica Inferior (VMI) → Drena ⅓ do cólon transversos, o cólon descendente, o cólon sigmoide e parte superior do reto. Ela geralmente se une à veia esplênica. Veia Esplênica → Drena o baço, o pâncreas e o estômago. Se une à VMS para formar a veia porta hepática. HISTOLOGIA DO INTESTINO DELGADO O intestino delgado é responsável pela digestão final dos alimentos, absorção de nutrientes e secreção endócrina. Ele é composto por 3 segmentos: duodeno, jejuno e íleo. A digestão é realizada por enzimas pancreáticas que são liberadas no duodeno e pelas enzimas presentes na membrana das células intestinais. MECANISMOS QUE AUMENTAM A SUPERFÍCIE DE ABSORÇÃO 1. Pregas circulares permanentes → São dobras da mucosa e da submucosa que aumentam em 3x a superfície de absorção intestinal. 2. Vilosidades → São projeções do epitélio e da lâmina própria que aumentam em 10x a superfície de absorção3. Microvilosidades → Especializações da membrana apical dos enterócitos, aumentam em 20x a superfície de absorção, formando a borda em escova. CAMADAS HISTOLÓGICAS ● Mucosa → Formada por cilíndrico simples + lâmina própria (t. conjuntivo frouxo) + muscular da mucosa. ● Submucosa → Formada por tecido conjuntivo denso não modelado. ● Muscular externa → Formada por 2 camadas de músculo liso. ● Serosa ou Adventícia CÉLULAS DA MUCOSA ● Enterócitos (células absortivas) → São células colunares altas, elas se projetam para o lúmen, dando origem às microvilosidades, criando a borda em escova. ● Células caliciformes → Estão distribuídas entre os enterócitos. Elas produzem muco e sua função principal é proteger e lubrificar o revestimento intestinal. ● Células de tufo → Estão localizadas entre os enterócitos e funcionam como sensores ao identificar e detectar parasitas no lúmen intestinal. ● Células de Paneth → Localizadas na porção basal das criptas intestinais, são células exócrinas com grandes grânulos de secreção eosinófilos em seu citoplasma. ● Células tronco → Encontradas nas criptas da mucosa. ● Células enteroendócrinas → Secreção de hormônios. ● Células M → Células epiteliais especializadas que recobrem folículos linfoides das placas de Peyer, localizadas no íleo. DUODENO - CARACTERÍSTICAS ● Vilosidades → Presentes, projeções altas e finas que se estendem para o lúmen. ● Glândulas → Muitas glândulas, ocupam grande parte da submucosa. Nessa porção, existem as Glândulas de Brunner (produção de muco rico em bicarbonato para neutralizar a acidez do quimo estomacal). ● Células caliciformes → Presentes, em pouca quantidade. ● Células de Paneth → Presentes, em pouca quantidade. ● Enterobactérias → População relativamente baixa, devido ao ambiente ácido. JEJUNO - CARACTERÍSTICAS ● Vilosidades → Muito numerosas, altas e finas, em forma de dedos. ● Glândulas → Ausência de glândulas submucosas. ● Células caliciformes → Mais abundantes do que no duodeno, devido à maior carga bacteriana. ● Células de Paneth → Presentes nas criptas, defesa essencial contra microbiota. ● Enterobactérias → Ainda relativamente controladas. Mais presentes do que no duodeno, menos do que no íleo. ÍLEO - CARACTERÍSTICAS ● Vilosidades → Projeções menos numerosas, curtas e largas. ● Glândulas → Ausência de glândulas submucosas. Presença das Placas de Peyer, conjunto de agregados de linfócitos. ● Células caliciformes → Muito abundantes, devido à maior carga bacteriana. ● Células de Paneth → Presentes nas criptas, defesa essencial contra a microbiota. ● Enterobactérias → Maior concentração no intestino delgado. SP 1.3 - MEDICINA LABORATORIAL METABOLISMO DO FERRO 1. Absorção no Duodeno: O ferro entra no corpo através da alimentação e é processado no intestino delgado (duodeno). Tipos de Ferro: O ferro heme (de origem animal) é melhor aproveitado pelo organismo do que o ferro não-heme. Processo de Entrada: O ferro não-heme (Fe³+) precisa ser reduzido a Fe²+ pela enzima ferrireductase para entrar na célula intestinal via transportador DMT1. Destino Intracelular: Uma vez dentro da célula, o ferro pode ser armazenado como ferritina ou exportado para o sangue. Regulação pela Hepcidina: A saída do ferro para o sangue ocorre pela proteína ferroportina. Esse processo é controlado pelo hormônio hepcidina (produzido no fígado), que regula a quantidade de ferro disponível na circulação (esse hormônio fica aumentado na anemia de doença crônica → Diminuindo a absorção de Fe²+ e sua liberação pelo macrófago). 2. Transporte e Utilização: No Sangue: O ferro (Fe²+) é convertido novamente em Fe³+ pela hefaestina para que possa ser transportado pela transferrina no plasma sanguíneo. Na Medula Óssea: A transferrina entrega o ferro aos eritroblastos, onde ele se liga à protoporfirina e à globina para formar a hemoglobina (Hb). Cada molécula de hemoglobina é capaz de carregar 4 átomos de O². 3. Reciclagem no Baço (Sistema Macrofágico): As hemácias velhas saem do sangue periférico e são destruídas no baço pelos macrófagos: A hemoglobina é quebrada em aminoácidos e o grupo heme é degradado em biliverdina e depois em bilirrubina indireta (BI). O ferro liberado neste processo pode ficar armazenado no macrófago como ferritina ou ser liberado de volta ao sangue (via ferroportina e ceruloplasmina) para retornar à medula óssea e produzir novas hemácias. ÍNDICES HEMATIMÉTRICOS ● VCM (Volume Corpuscular Médio) → Tamanho da hemácia, podendo ser microcítica, normocítica ou macrocítica. ● HCM (Hemoglobina Corpuscular Média) → “Cor” da hemácia, podendo ser hipocrômica, normocrômica ou hipercrômica. ● CHCM (Concentração de Hemoglobina Corpuscular Média) → Quantidade de Hb em determinado volume de sangue. ● RDW → Variação no tamanho da hemácia, podendo ser: normocitose ou anisocitose (hemácias com tamanhos desiguais acima de 14,5%). ● Hematócrito → Representa a porcentagem do volume de sangue ocupado por hemácias. ● Hemácias ● Hemoglobina → Primeiro a cair na anemia ferropriva. ANEMIA FERROPRIVA Pode ser causado por: baixa ingestão (dieta pobre), baixa absorção pelo TGI, perda de sangue ou alta demanda de ferro (gestantes, crianças). Nesse tipo de anemia é observado: baixa de hemoglobinas, baixa de ferro e baixa de ferritina. ● VCM: Microcítica ● CHCM: Hipocrômica ● RDW: 15% → Anisocitose ● Hematócrito: Abaixo do valor de referência ● Hemoglobina: Abaixo do valor de referência ● Ferro sérico: Abaixo do valor de referência ● Transferrina: Acima do valor de referência ANEMIA DE DOENÇA CRÔNICA A presença de uma inflamação, infecção ou neoplasia estimula a liberação de citocina pró-inflamatória, como IL-1, IL-6, TNF-alpha e Interferon Gama. Essas citocinas estimulam o fígado a aumentar a produção de hepcidina (hormônio que controla a ferroportina → a “porta” de saída do ferro das células). O aumento da hepcidina gera dois efeitos principais: ● No duodeno: Diminui a absorção de ferro proveniente da dieta ● Nos Macrófagos do baço: Impede que o macrófago libere o ferro de volta para o sangue (ferritina aumentada) Nessa anemia a ferritina está aumentada, o ferro sérico e a hemoglobina baixos. SP 1.3 - TBL EFEITOS DA NUTRIÇÃO MATERNA NA SAÚDE FETAL E NO DESENVOLVIMENTO NEONATAL A nutrição durante a gestação é o fator ambiental isolado mais importante para o desenvolvimento fetal. A qualidade e a variedade de nutrientes consumidos durante a gravidez têm impacto direto na formação e no crescimento do feto, influenciando sua saúde ao nascer e seu desenvolvimento futuro. A nutrição materna atua principalmente pela programação metabólica fetal, ou seja, o ambiente intrauterino “programa” como o metabolismo do bebê vai funcionar no futuro. 1. Modificação epigenética → A alimentação da mãe modifica a expressão gênica do feto (sem mudar o DNA). Isso define como o corpo do bebê vai lidar com a glicose, gordura e o seu gasto energético. 2. Oferta de nutrientes → A placenta transmite tudo que o feto precisa. Logo, se há uma nutrição adequada por parte da mãe, haverá crescimento fetal adequado, desenvolvimento de órgãos normal e menor risco de doenças. Por outro lado, se houver um déficit nutricional, pode ocorrer um RCIU e baixo peso ao nascer. 3. Fenótipo poupador → Em caso de desnutrição, o feto “aprende” a economizar energia. IMPACTO NO DESENVOLVIMENTO NEONATAL A nutrição materna influencia diretamente: Ao nascimento: ● Peso (baixo peso ou macrossomia) ● Maturidade dos órgãos ● Imunidade A longo prazo: ● Risco de obesidade● Risco de dislipidemia ● Risco de diabetes OBS: Os primeiros 1000 dias são uma “janela de ouro” → Podem até reverter parte desses efeitos. CONSEQUÊNCIAS DA OBESIDADE MATERNA Durante a gestação: 1. Hiperglicemia materna → Aumenta a passagem de glicose pela placenta → feto responde com hiperinsulinemia. 2. Macrossomia fetal → Bebê nasce com o peso maior do que o ideal → Consequentemente: parto complicado e maior risco de trauma ao nascer. Consequências: ● Curto prazo → Macrossomia, hipoglicemia neonatal, maior gordura corporal. ● Longo prazo → Maior risco de obesidade infantil, resistência à insulina, diabetes tipo 2, dislipidemia