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AULA 2 ANÁLISE ESTRATÉGICA DO CICLO DE VIDA DO PRODUTO Prof. Demétrio de Mendonça Júnior 2 INTRODUÇÃO Como vimos na aula anterior, a maioria dos produtos lançados no mercado está sujeita a estágios temporais que vão determinar as táticas a serem desenvolvidas para alcançar o desempenho esperado. Quando os produtos são lançados no mercado, os lucros ainda não são visíveis, uma vez que há grandes gastos para o desenvolvimento do produto e do mercado. A empresa promove esforços incidentes no marketing, a fim de comunicar ao público-alvo que o produto existe, destacando os atributos que demonstrem o valor e incentivem a experimentação. Em outras palavras, as estratégias da fase de introdução devem ser capazes de despertar o interesse no consumidor de usar o novo produto. O composto de marketing (mix de marketing) deve estar alinhado para a criação de demanda, com estratégias voltadas para os atributos que sejam relevantes para o mercado-alvo. Portanto, é a hora de conhecer quais tipos de estratégia auxiliam na inserção desse novo produto no mercado. Vamos lá? O ciclo de vida do produto (CVP) já foi confrontado por estudos dentro de várias perspectivas. De forma prática, já foi abordado dentro dos limites das ofertas de pequenas e médias empresas, também para entender o comportamento dos produtos de indústrias específicas (indústria farmacêutica, por exemplo), para compreender como são desenvolvidas as estratégias da cadeia de suprimentos, entre outros contextos para os quais pode ser utilizado. Em cada estágio, as estratégias podem ser desenvolvidas de forma específica, de acordo com os objetivos almejados para a oferta em questão. Dessa forma, nesta aula analisam-se as estratégias desenvolvidas nos limites do composto de marketing para cada estágio do CVP, o que possibilita um maior entendimento das táticas a serem desenvolvidas para lidar com as dificuldades e barreiras dos ciclos de vida do produto. Para isso, nesta aula serão exploradas as premissas do estágio de introdução do CVP, assim como as estratégias para cada item do composto de marketing. Bons estudos! TEMA 1 – PREMISSAS DA FASE DE INTRODUÇÃO Segundo o significado do dicionário, uma premissa refere-se a um fato inicial que serve como ponto de partida para um raciocínio, ou seja, é uma proposição, um conteúdo ou informações essenciais consideradas hipoteticamente verdadeiras em determinado tema. 3 Como visto nos temas da aula anterior, no ciclo de vida do produto, especificamente na fase de introdução, as premissas associadas correspondem a incertezas, altos custos e baixas receitas. Segundo Sobral (2013), o estágio de introdução também possui por característica a baixa concorrência para aqueles produtos inovadores ou com características e atributos que ainda não eram ofertados no mercado. Dessa forma, a empresa se esforça para desenvolver estratégias de marketing atrativas para o público ao qual o produto ou seus novos atributos se destina. Portanto, o objetivo principal da fase de introdução é o desenvolvimento de um mercado para o que está sendo ofertado, a fim de persuadir os consumidores potenciais a adotar a determinada oferta. É quando os clientes terão o primeiro contato com a oferta, o que faz com que os esforços e investimentos de marketing sejam superiores nessa fase do que nas demais, a fim de desenvolver demandas primárias no mercado atual e/ou potencial. Antes do lançamento de um novo produto, de uma nova oferta ou de um novo atributo para produtos existentes, os profissionais de marketing precisam inferir como a demanda responderá aos vários níveis de variáveis do mix de marketing para definir um plano de marketing apropriado (Luan; Sudhir, 2010). Assim, a introdução bem-sucedida de novos produtos, serviços ou atributos no mercado é vital para o crescimento de uma empresa a longo prazo (Kotler; Keller, 2006). Muitas vezes, promover a introdução de forma efetiva é uma decisão gerencial desafiadora porque, para definir os níveis de preços apropriados, bem como os orçamentos de propaganda e promoção, os gerentes devem ter estimativas confiáveis de como as vendas responderiam a diferentes níveis de uma variável do mix de marketing (Luan; Sudhir, 2010). Esse é, portanto, um desafio crítico que exige do mix de marketing uma capacidade de resposta derivada da observação do mercado durante o estágio de desenvolvimento e, consequentemente, introdução da nova oferta. Dessa forma, tendo em vista que cada estágio do CVP possui diferentes características, é necessário que a empresa esteja disposta a adaptar seus recursos e táticas para desenvolver e introduzir novas ofertas, a fim de desenvolver estratégias produtivas e mercadológicas adequadas para o que está sendo ofertado. Como menciona Las Casas (2006, p. 107), “a estratégia do ciclo de vida do produto tem auxiliado muitos planejadores a identificar o foco de seus compostos de marketing”. Portanto, diferentes estratégias do composto (mix) de 4 marketing (produto, preço, praça e promoção) podem ser ajustadas de acordo com os limites de cada estágio do CVP (introdução, crescimento, maturidade e declínio). Nos tópicos a seguir, serão discutidas as estratégias do composto de marketing para o estágio de introdução que, como visto anteriormente, é quando a oferta será desenvolvida e apresentada ao mercado pela primeira vez. TEMA 2 – ESTRATÉGIA DE PRODUTO Antes mesmo de adentrar nas discussões sobre as estratégias de marketing relacionadas ao produto no estágio de introdução, é importante destacar como se dá a classificação de produto. Um dos principais e mais remotos desafios é entender o que pode ser caracterizado como um novo produto no estágio de introdução do CVP. Esse é um assunto que carece de consenso na literatura do CVP, já que não há uma concordância sobre o que pode ser caracterizado como um novo produto. Torna-se então o “elemento mais complexo para desvendar na compreensão do conceito de ciclo de vida” (Patton, 1959, p. 68-69). O que pode ser feito, nessa situação, é compreender o produto de acordo com o seu grau de novidade, o que faz com que o produto seja caracterizado como (i) inquestionavelmente novo (ii), parcialmente novo (iii), novo em seus atributos ou (iv), com pequenas alterações nos atributos do produto (Buzzell; Nourse, 1967). Essa caracterização pode ser fundamental para o entendimento das estratégias a serem desenvolvidas para esse “novo produto”, além de contribuir com a falta de consenso na determinação se um novo produto é simplesmente uma variação de um antigo ou um item completamente novo (Rink; Swan, 1979). Da mesma forma, vale discutir sobre o termo utilizado para entender o primeiro “P” do mix de marketing. O termo produto faz referência à tangibilidade, mas esse entendimento acaba sendo limitado. O CVP pode abranger tanto produtos, serviços e/ou outros bens vinculados a uma determinada marca, que também carecem de estratégias de marketing para serem reconhecidas pelo mercado. Dessa forma, quando se fala de produtos, também é possível incluir os bens físicos, serviços, experiências, eventos, pessoas, lugares, propriedades, organizações, informações e ideias como ofertas capazes de satisfazer desejos ou necessidades de determinado nicho de mercado (Kotler; Keller, 2006). 5 Posto isso, é possível agora avançar na exploração das estratégias de produto dentro do CVP, especificamente na fase de introdução. É importante destacar que esse estágio é caracterizado pelo baixo nível de vendas, altos custos e baixa concorrência. Os potenciais compradores ainda não conhecem a oferta e vão adquiri-la pela primeira vez, o que faz com que a demanda também seja baixa (Sobral, 2013). Portanto, no estágio de introdução, a empresa busca ganhar reconhecimento em suas ofertas por meio do desenvolvimentode estratégias de marketing pertinentes para esse fim. Busca-se a notoriedade por meio do desenvolvimento de mercados adequados para a oferta em questão. É quando a empresa se esforça para posicionar sua marca. A empresa promove o posicionamento desenvolvendo uma personalidade para a marca, de modo que, por meio de um conjunto de valores e atributos, essa marca consiga transmitir uma imagem ao mercado, que ficará marcada na mente do consumidor (Patzlaff; Patzlaff, 2009). O posicionamento é então consolidado quando o produto consegue conquistar o seu mercado-alvo, por meio da aceitação dos valores e atributos da oferta em questão. Ainda assim, a empresa pode desenvolver estratégias ligadas à qualidade do que será ofertado, desenvolvendo padrões elevados de controle que serão capazes de garantir a credibilidade do valor e dos atributos específicos do produto. Isso garante uma boa percepção para as especificações do produto, o que influencia diretamente na visão do consumidor sobre a oferta (Patzlaff; Patzlaff, 2009). Esses elevados níveis de controle também podem estar associados ao desenvolvimento de estratégias de proteção para o produto, que podem ser concretizadas por meio do registro da marca e patentes associadas aos atributos e competências desenvolvidas para a produção da oferta. A empresa também pode desenvolver análises de todo o portfólio a fim de verificar quais produtos possuem atributos semelhantes que podem contribuir para a promoção da nova oferta. A Matriz BCG, por exemplo, é uma ferramenta administrativa que pode dar suporte ao lançamento de novos produtos no mercado. A Figura 1 mostra como a matriz BCG pode se relacionar com o CVP. 6 Figura 1 – Ciclo de vida do produto e a matriz BCG Crédito: Tatianaa/Shutterstock; Ivan Dubovik/Shutterstock. Na fase de introdução, compreende-se que os novos produtos são caracterizados como interrogação dentro da matriz BCG. Isso significa que os produtos a serem lançados demandam altos investimentos e ainda não proporcionam retorno financeiro. Dessa forma, por ainda buscar participação de mercado, a empresa pode desenvolver estratégias que possibilitem a combinação do portfólio de produtos interrogação e estrela, a fim de alavancar o lançamento dessa nova oferta. Os produtos classificados como estrela são aqueles que possuem liderança de mercado e são capazes de gerar grandes receitas para a empresa. Além disso, têm potencial competitivo no mercado-alvo, já que estão ampliando sua participação de mercado, o que pode contribuir significativamente para a inserção de uma nova oferta dentro do mesmo portfólio. Os investimentos em marketing e publicidade podem acontecer ao mesmo tempo para os dois produtos, o que faz com que a empresa acabe economizando recursos financeiros (Khairat; Alromeedy, 2016). Ainda assim, os produtos classificados como vaca leiteira também podem ser usados como ponte para a inserção do novo produto no mercado, uma vez que já fornecem lucros significativos, além de ser a base do portfólio da empresa. Esse produto já atingiu a maturidade e pode sustentar o valor e os atributos de uma nova oferta (Khairat; Alromeedy, 2016). No entanto, é importante observar que essa combinação não está livre de riscos. Os investimentos em marketing para um produto estrela podem ser obsoletos se a combinação com a nova oferta não for feita com cuidado. Da mesma forma, o produto vaga leiteira pode perder participação de mercado (declínio) caso o novo produto não seja complementar em seus valores e atributos. 7 Em suma, as estratégias de marketing relacionadas ao produto durante a fase de introdução se resumem na busca pela identidade e proposta de valor para a nova oferta. Da mesma forma, são definidos os níveis de qualidade atribuídos a essa oferta e as formas para proteger os novos atributos da cópia, por meio do registro da marca, patentes e competências. A empresa posiciona, então, a marca a fim de ganhar o reconhecimento do mercado-alvo, o que pode ser feito através da combinação estratégica do portfólio de produtos, promovida pela matriz BCG. Desenvolvidas as estratégias de marketing relacionadas ao produto, passa- se agora para as estratégias de precificação, que ganham grande importância na fase de introdução. TEMA 3 – ESTRATÉGIA DE PREÇO Como Kotler e Armstrong (2015) também mostram, o CVP é composto por quatro estágios que vão variar tanto no nível de vendas quanto nos lucros relacionados a essas vendas. Logo, a quantidade de vendas e o lucro estão diretamente relacionados em todos os estágios do CVP. A Figura 2 apresenta a representação gráfica da relação entre vendas e lucro dentro do CVP. Figura 2 – Vendas x lucro Fonte: Kotler; Armstrong, 2015. Como visto no tema anterior, na fase de introdução, a empresa se esforça para lançar o novo produto no mercado, mantendo a qualidade e protegendo os 8 atributos e a proposta de valor da cópia. Nesse momento, os custos são altos devido à necessidade de lançamento do produto no mercado (investimentos em marketing – produto, comunicação, ponto de venda), o que faz com que as vendas não cubram todos os investimentos empregados. Os esforços da empresa se concentram, então, na redução da distância entre a curva de vendas e lucros (Kotler; Armstrong, 2015), por meio de estratégias de precificação. Na fase de introdução, o preço do novo produto poderá ser o principal mecanismo para promovê-lo no mercado-alvo. Logo, as estratégias de preço podem seguir dois caminhos: a empresa pode determinar um preço alto para recuperar os custos de desenvolvimento do produto e dos investimentos de marketing. Da mesma forma, a empresa pode implementar preços baixos nos primeiros momentos de vida do produto, a fim de garantir a experimentação do mercado-alvo. O posicionamento de preço elevado possibilita, então, que a empresa amortize mais rapidamente os custos de desenvolvimento da nova oferta (gastos com pesquisa de mercado e produção), como também os custos relacionados aos investimentos (esforços de promoção, comunicação e publicidade). O preço reduzido também possui suas vantagens, já que a empresa pode obter um rápido crescimento da participação de mercado e alcançar a fase de crescimento de forma mais ágil, muitas vezes com menores investimentos em marketing (promoção, comunicação e publicidade). Para sustentar e complementar o que foi mencionado anteriormente, Kotler (1998) afirma que, para o estágio de introdução, as organizações podem adotar as seguintes estratégias: desnatamento rápido, em que um produto é lançado com um preço alto, visando ao maior lucro unitário possível, apoiado por altos gastos em promoção de vendas (para ser atrativo, o produto é posicionado como um top line de difícil cópia e não há similar disponível no mercado); desnatamento lento, que consiste no lançamento de um produto a um preço alto, mas com pouca promoção, uma vez que o consumidor já conhece produtos semelhantes e está disposto a pagar pelo novo produto; penetração rápida, traduzindo-se por um lançamento a preço baixo e alta promoção de vendas, já que o mercado é grande e com muita concorrência e, por fim, penetração lenta, em que o produto é lançado com preço baixo e baixa promoção de venda, já que o mercado é de grade volume e altamente sensível ao preço praticado. 9 Em suma, a empresa pode utilizar diferentes estratégias de precificação com diferentes objetivos. Preços mais altos estão associados a maiores investimentos em marketing, o que levanta a necessidade da implementação de estratégias de marketing bem-sucedidas. Preços mais baixos, por sua vez, conseguem, por si só, inserir o produto no mercado-alvo de forma atrativa sem a necessidade de investimentos expressivos em ações de marketing, no entanto limitam a obtenção de lucro sobre as vendasefetivadas. TEMA 4 – ESTRATÉGIA DE PRAÇA Na fase de introdução, a empresa se esforça para promover altos investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) para criar o novo produto, definir os processos para fabricação e, principalmente, os canais de distribuição e comercialização. Etzel, Walker e Stanton (2001, p. 348) salientam que “o papel da distribuição dentro de um mix de marketing é levar o produto até seu mercado- alvo. Nesse processo, a atividade mais importante é acertar sua venda e a transferência da propriedade, do produtor ao consumidor final” Logo, os termos praça ou distribuição correspondem ao terceiro “P” do mix de marketing. O “P” de praça vem do inglês place (“lugar”), mas se refere aos canais de distribuição e os pontos de venda, sejam eles físicos ou virtuais. As estratégias do “P” de praça vão determinar como o produto vai chegar até o consumidor. Dessa forma, quando se fala de estratégias de praça ou distribuição, as decisões podem ser as seguintes: Canais de distribuição; Cobertura de distribuição; Pontos de venda; Regiões de venda; Locais de estoque; Frete e logística. No entanto, é relevante observar que essas decisões, ou seja, as estratégias sobre a distribuição da nova oferta vão depender do tipo de produto, das alternativas para a logística, dos custos dessa distribuição, do tempo para o produto ficar acessível para o consumidor ou do prazo de entrega, da quantidade 10 de intermediários envolvidos na logística do produto, como também dos canais de venda disponíveis para a comercialização. Na fase de introdução, a distribuição é seletiva nos canais escolhidos, até existirem níveis satisfatórios de aceitação do produto por parte do mercado-alvo e consumidores. No entanto, a empresa também pode optar pela comercialização em diversos canais. Segundo Kotler (2000), as estratégias de distribuição podem ser as principais causas para o baixo crescimento das vendas, uma vez que problemas técnicos, atrasos na obtenção de estratégias de distribuição adequadas por meio de PDVs (pontos de venda) e a falta de um gerenciamento adequado dos canais pode limitar o acesso do mercado-alvo para a nova oferta. É onde surge um termo recente utilizado para o desenvolvimento das estratégias de distribuição dentro do mix de marketing: o omnichannel. O omnichannel é o termo empregado para a estratégia de integração de todos os canais utilizados pela empresa. Logo, independentemente do tipo de canal (lojas próprias, lojas multimarcas, lojas físicas, e-commerce), a empresa se esforça para obter um gerenciamento integrado e eficaz de todos os canais, para proporcionar a melhor experiência para o consumidor no ato da compra. Em suma, conclui-se que, na fase de introdução, é importante atingir o público-alvo de forma massificada, a fim de fazer com que as pessoas conheçam e experimentem o novo produto, alcançando assim uma fatia de mercado suficiente para que o produto alcance a fase de crescimento. Saiba mais A estratégia omnichannel é utilizada recentemente em muitas pesquisas científicas e pesquisas de mercado. Para entender melhor sobre a distribuição omnichannel, os seguintes estudos podem ajudar: Reportagem: Omnichannel: uma gestão integrada. Disponível em: GUISSONI, Leandro Angotti. Omnichannel: uma gestão integrada. Gv Executivo, v. 16, n. 1, p. 24-27, 2017. Estudo: A logística para a estratégia omnichannel: uma revisão bibliográfica sistemática. Disponível em: http://bibliotecadigital.fgv.br/ocs/index.php/clav/clav2019/paper/view/7261/1999. TEMA 5 – ESTRATÉGIA DE PROMOÇÃO 11 Na fase de introdução, através do composto de marketing, a empresa define as características do produto para maximizar o alcance ao mercado consumidor, entende e determina a política de preços a ser praticada e, sobretudo, promove o novo produto para o mercado-alvo. Sempre que a empresa lança um novo produto no mercado, há um esforço de marketing para comunicar ao público- alvo que o produto existe, ressaltando suas vantagens para motivar a experimentação. Como visto anteriormente, na fase de introdução, a demanda do consumidor para o novo produto é reduzida, já que muitos potenciais compradores ainda não o conhecem ou podem estar adquirindo pela primeira vez (Sobral, 2013). Isso faz com que a demanda por estratégias promocionais tenha o peso mais alto na fase de introdução da nova oferta (Culliton et al., 1948; Mohammadi; Saghaian; Alizadeh, 2018). As estratégias de promoção ajudam a empresa a representar o produto para os consumidores de maneira eficaz, além de induzi-los a comprar. Para isso, as estratégias são desenvolvidas a partir de diferentes combinações do mix de marketing. Por exemplo, durante o estágio de introdução, como existe um timing até que os consumidores sejam alcançados, conquistados e todos os canais utilizados sejam supridos, é importante reforçar os investimentos em ações promocionais e comunicação que sejam atrativos e que gerem experimentação. Em outras palavras, é importante atingir o mercado-alvo de forma massificada a fim de fazer com que as pessoas conheçam e experimentem o produto. Logo, a promoção é a ferramenta de comunicação necessária para que o elo entre empresa e consumidor aconteça. Para Kotler (1995), o composto de comunicação (ou composto promocional) consiste de cinco ferramentas: propaganda, promoção de vendas, marketing direto, relações públicas/publicidade e venda pessoal, cada um com características e objetivos próprios. O Quadro 1 apresenta as técnicas de comunicação que podem ser utilizadas pela empresa, juntamente com suas definições e aplicações. 12 Quadro 1 – Estratégias de comunicação Técnica Definição Aplicação Propaganda/ publicidade Comunicação não pessoal, paga, com patrocinador identificado visando criar e manter relacionamentos. Utilizada para alcançar vastos públicos de forma eficaz para estimular um diálogo sobre necessidades e ofertas. Marketing direto Processo de comunicação de marketing de duas vias por meio do qual os profissionais de marketing interagem diretamente com os consumidores para trocar informações e vender produtos. Útil para troca de informações entre as partes e dessa forma a comunicação e a oferta podem ser direcionadas para o indivíduo. Promoção de vendas Comunicação por meio de incentivos que aumentam o valor do produto por um período específico, estimulando os membros dos canais e os empregados a comercializar os produtos e os clientes a comprar os produtos. Útil para acelerar as compras correntes e para incentivar repetidas aquisições, estabelecendo, continuando ou criando novos relacionamentos. Relações públicas Processo de avaliação de atitudes, dos diversos públicos compatibilizando os produtos e atividades da empresa com os interesses dos mesmos utilizando comunicação não paga para desenvolver relacionamentos de longo prazo. Útil para a comunicação de mensagens através de veículos confiáveis. Venda pessoal Processo de comunicação interpessoal em que representantes de marketing identificam clientes em potencial, examinam suas necessidades e apresentam informações sobre os produtos, permitindo um maior comprometimento e melhor acompanhamento para sustentação do relacionamento. Útil para construção e sustentação de relacionamentos de longo prazo baseados na comunicação pessoal interativa importantes no business to business e outros esforços organizacionais de marketing. Fonte: Adaptado de Ikeda, 1997. Entre as ferramentas de comunicação disponíveis, a empresa pode escolher a mais adequada para o novo produto a ser promovido. A escolha vai depender do tipo de mercado-alvo, das demais estratégias utilizadas (produto, preço, praça/distribuição) e do grau de conhecimento do consumidor em relação à empresa, marca e portfóliode produtos. Assim, essas estratégias de comunicação devem estar voltadas para adotantes iniciais, já que o mercado-alvo ainda não tem conhecimento sobre o produto a ser lançado. Portanto, as mensagens devem ser voltadas para instruir e informar o mercado-alvo sobre os atributos e proposta de valor, com o objetivo principal de aumentar a notoriedade do novo produto. A publicidade, por exemplo, é um elemento poderoso para o desenvolvimento das estratégias de promoção. O objetivo principal da publicidade é criar e desenvolver a imagem de um produto no mercado por meio de diversos canais de comunicação. As ações publicitárias desenvolvidas por meio de 13 materiais publicitários devem estar alinhadas com o público-alvo que se deseja alcançar, já que é um custo que acaba sendo adicionado ao preço do produto. Portanto, assim como as campanhas e ações publicitárias, as demais técnicas de comunicação integrada de marketing (CIM) podem desenvolver ações para envolver os potenciais consumidores em torno nos benefícios da marca/produto que está sendo lançado. O intuito é incentivar o mercado-alvo a consumir o novo produto, o que pode ser feito através do uso de amostras e cupons promocionais/desconto que induzem a experimentação. 5.1 Táticas promocionais Diversas táticas promocionais podem ser utilizadas a fim de promover o novo produto e motivar a experimentação nos clientes potenciais. Essas atividades têm como objetivo principal da persuasão em relação a compra. Singh (2012) revela diversas táticas que podem ser utilizadas para a promoção de novos produtos. Para a autora, algumas das decisões relativas à promoção são as seguintes: Materiais promocionais: promoções como “compre um e ganhe outro gratuitamente”, cupons, descontos, acessórios gratuitos, ofertas introdutórias e assim por diante. Influenciadores: uso de pessoas capazes de influenciar comportamentos (celebridades), já que podem fazer com que os consumidores sigam seus modelos, trazendo uma mudança na mentalidade dos consumidores. Material publicitário: publicidade é uma forma importante de comunicação, portanto, é usada para criar consciência e transmitir informações a fim de conquistar clientes no mercado-alvo. Existem muitos meios e modos de publicidade, como revistas, jornais, filmes, televisão, laboratórios de publicidade, anúncios ao ar livre (como pôsteres), jornais e revistas. Teste: os testes do usuário convencem os clientes sobre os recursos, atributos e valor do novo produto. É importante porque qualquer cliente gostaria de experimentar antes de comprá-lo. Marketing direto: é altamente focado em direcionar os consumidores com base em um banco de dados. O consumidor potencial é direcionado com base em uma série de atributos. Diferentes agências trabalham para 14 projetar uma comunicação altamente focada na forma de e-mails. O correio é marcado para os clientes potenciais e as respostas são monitoradas com cautela. Comunicação direta: folhetos/ cartazes são o meio de comunicação direta através do qual as informações do produto são transmitidas ao cliente e são muito eficazes. Brindes: devem ser oferecidos com o produto, pois os consumidores buscam valor/ benefícios adicionais além de um bom produto. Parcerias: com fornecedores e distribuidores trazem mais clientes porque os fornecedores e distribuidores tornam-se stakeholders, ou seja, partes interessadas em promover o produto. Como visto neste tema, a fase de introdução depende de decisões importantes em relação ao mix de marketing. Algumas decisões precedem outras, ou seja, estratégias de produto, preço e praça/distribuição (nessa ordem), antecedem as estratégicas de promoção/comunicação. As ferramentas promocionais vão depender do tipo de produto, do preço que será cobrado pelo produto e do procedimento pelo qual chegará ao cliente na hora de decidir o preço do produto. No entanto, é importante salientar que a estratégia de preço deve levar em conta todos os custos necessários para tornar o produto disponível, como custos de fabricação do produto, custos de promoção e o valor incorrido para tornar os canais de distribuição disponíveis e acessíveis. O quadro a seguir sumariza as estratégias apresentadas em todo o decorrer desta aula. 15 Quadro 2 – Resumo do CVP Dimensão da Estratégia Introdução Objetivos básicos Estabelecer um mercado para o novo produto. Persuadir o mercado-alvo de que o produto é atrativo. Produto Proporcionar alta qualidade. Selecionar uma boa marca para posicioná-la. Obter proteção por patente ou registro de marca e competências. Preço Geralmente alto para recuperar os custos de desenvolvimento do produto e investimentos em marketing. Às vezes baixo para introduzir o produto de forma atrativa no mercado. Praça Número limitado de canais ou gestão integrada de vários canais (omnichannel) Promoção Estratégias de comunicação voltadas para adotantes iniciais. Mensagens voltadas para instruir e informar o mercado-alvo sobre os atributos e valor do novo produto. Incentivo com amostras e cupons promocionais/desconto para induzir a experimentação. Fonte: Mendonça Junior, 2021. 16 REFERÊNCIAS BUZZELL, R. D.; NOURSE, R. E. Product innovation in food processing, 1954- 1964. 1967. CULLITON, J. W. et al. The Management of Marketing Costs. Boston: Division of Research, Graduate School of Business Administration, Harvard University, 1948. DE SOUZA FRANCO, R.; DE CASTRO MAIA, L. C. A logística para estratégia Omnichannel: uma revisão bibliográfica sistemática. In: ETZEL, M. J.; WALKER, B. J.; STANTON, W. J. Marketing. 11 ed. São Paulo: Makron Books, 2001. GUISSONI, L. A. Omnichannel: uma gestão integrada. 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