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🩸 Circulação Fetal Definição A circulação fetal difere anatomicamente da extra uterina, pois é estruturada parar suprir necessidades de um organismo em crescimento rápido sob relativa hipóxia. "Relativa hipóxia": A mãe está com 100% da saturação, mas quando esse sangue chega na placenta para ser distribuído para o bebê, já abaixou em média para 70% de saturação (basal). Consequentemente o sangue da cava inferior apresenta saturação mais elevada que o da cava superior. 🫁 Aspectos importantes: 1. O bebê não respira pelo pulmão durante a vida intrauterina; 2. Não ocorre hematose pulmonar pois o órgão está preenchido com líquido e em vasoconstrição; 3. A resistência pulmonar está elevada; * Além disso, todas as cascatas bioquímicas de prostaglandinas e outros dilatadores provém da mãe. Anatomia e Fisiologia Circulação Fetal 1 Cordão Umbilical Principal função: Ligar o feto à mãe e se ligar à placenta. Composto por: Três vasos: duas artérias umbilicais (transportam sangue pobre em oxigênio e resíduos metabólicos do feto para a placenta) e uma veia umbilical (transportam sangue rico em oxigênio e nutrientes da placenta para feto); Geleia de Wharton: uma sustância gelatinosa formada por tecido rico em proteoglicanos e protege os vasos, evitando compressão e proporcionando flexibilidade ao cordão; Células-tronco. Placenta Órgão transitório específico da gravidez; Local de trocas fisiológicas entre a mãe e o embrião ou feto Parte fetal (cório) e uma parte materna (decídua basal); Uma "rede de capilares" tem baixa pressão e não tem resistência; Assume as funções de troca gasosa, excreção de produtos metabólicos finais e nutrição (glicose, aminoácidos, ácidos graxos e eletrólitos); É um órgão endócrino, produzindo hormônios como gonadotropina coriônica (HCG), tireotropina coriônica, corticotropina, estrógenos e progesterona; Secreta somatomamotropina (tem atividade lactogênica e estimula o crescimento). Circulação Fetal 2 Cordão umbilical entra no abdome fetal e se divide para formar o seio portal (sistema portal) e o ducto venoso Ducto venoso - sistema "bypass"; faz a ligação direta na Veia cava inferior: Um esfíncter natural sensível à concentração de O₂; Quando percebe que a saturação está baixa, ele se abre, ficando livre, sem resistência, para que o sangue flua por ele. Quando e como isso ocorre? → E é aí que o ducto venoso é sensibilizado, para impedir que esse sangue perca mais 02, então ocorre a abertura do esfíncter para que o sangue flua por ele e "pule" o sistema porta, caindo diretamente na veia cava inferior → átrio direito. O bebê tem uma perda da hipóxia basal (por exemplo: além do sangue chegar com 70%, ele chega com 60%), chegando ainda pior no cérebro, ou seja, teve uma baixa de oxigênio Considerando o momento em que a mãe faz uma atividade física (correr, subir escadas, etc): Ao passar pelo sistema porta, ocorre uma piora na qualidade desse sangue. Logo depois, passa para as supra-hepáticas e chega na cava inferior para ser levado para o átrio direito. O sangue chega no feto com hipóxia basal (cerca de 70% de sat.) O fígado (veia porta) é o primeiro órgão que a circulação tem contato após sair da veia umbilical; É o local onde ocorre a dessaturação do sangue. Considerando o normal, quando a mãe está no basal: Circulação Fetal 3 Vida Intra Útero Existem alguns aspectos que diferem a circulação fetal da circulação neonatal ou do adulto. Na circulação fetal, os ventrículos direito e esquerdo trabalham em paralelo, devido à existência de duas comunicações: Intracardíaca: o forame oval — comunicação "falsa" entre os átrios; composto por duas lâminas filamentosas, que, pela diferença de pressão, promovem uma descontinuidade entre AD e AE Extracardíaca: o ducto arterial ou canal arterial — comunicação direta da Ao e A. pulmonar. As quais oferecem ao feto um elevado débito cardíaco (aprox. 400ml). Circulação Fetal 4 O ducto arterial está presente no feto, pois como a pressão do pulmão está elevada e está em vasoconstrição, ou seja, não faz a hematose, é necessário esse "novo caminho" para que o sangue vá para a placenta de forma livre e sem resistência. Nesse momento, as câmaras direitas do feto recebem um grande volume sanguíneo e trabalham contra uma maior pós-carga (pela grande resistência pulmonar); *As câmaras direitas trabalham mais que as esquerdas, diferente do adulto Lembrar: Pós-carga é a força realizada para poder vencer a pressão que está na frente, enquanto a pré-carga é o volume que o ventrículo acomoda. Ciclo habitual: Placenta → V. umbilical → irriga o sistema porta-hepático → V. cava inferior → AD → VD O sangue que chega no VD nesse momento está com a pré-carga normal. 1ª ejeção do VD, primeiro momento da sístole: A pressão da ejeção é muito alta e consegue vencer a pós-carga do pulmão → sai 7-10% do débito → para A. pulmonar → irriga o parênquima pulmonar (para o pulmão não ficar isquêmico) → V. pulmonares → AE, se mistura um pouco com o sangue do forame oval → VE → A. aorta → Vasos da base → SNC e MMSS Débito sistólico efetivo: Os 90% restantes seguem pelo ducto arterial, pois não apresenta resistência, é um caminho livre → Aorta descendente → circulação sistêmica → A. umbilicais → Placenta Circulação Fetal 5 Ciclo com a passagem pelo ducto venoso: Placenta → V. umbilical → Ducto venoso → V. cava inferior → AD → o sangue oxigenado se mistura com o sangue desoxigenado da cava superior e é encaminhado pelas válvulas de Eustáquio e Tebésio (filamentos) presentes na parede inferior do AD → para o forame oval → AE → VE → A. aorta Vida Pós-Natal O canal arterial é um vaso sensível à prostaglandina que é produzida na placenta. Quando o bebê nasce, a placenta sai e há uma queda de prostaglandina → ocorre um estímulo de vasoconstrição nas primeiras 12 horas de vida. Em até 72 horas de vida, esperamos um fechamento anatômico dessa vasculatura. O bebê nasce → sai a placenta → ele respira → oxigênio entra → ocorre uma alteração da mediação bioquímica e tem expansão pulmonar (lembrando que ocorre de forma gradativa). *Isso pode causar uma hipertensão pulmonar do RN, por conta da persistência do padrão fetal Acontecimentos: Vasodilatação pulmonar, redução da resistência pulmonar O canal arterial fecha e o AE passa a receber volume do pulmão AE recebe um aumento de pressão, levando ao fechamento do forame oval (devido à diferença de pressão, as duas lâminas colabam). Depois esperamos o fechamento anatômico real dessas duas lâminas. Então até os 3 meses podemos ter shunt pelo forame oval (considerado normal); até os 5 anos esperamos que ele se feche (ficar em acompanhamento). O shunt era pulmonar e agora a aorta está com a maior pressão. Conceito de Cardiopatia Congênita Cerca de 1 a 2 de cada 1.000 RN vivos apresentam cardiopatia congênita crítica; Cerca de 30% destes RN recebem alta hospitalar sem o diagnóstico e evoluem para choque, Circulação Fetal 6 hipóxia ou óbito precoce, antes de receber tratamento adequado. Cardiopatias congênitas críticas: São consideradas aquelas onde a apresentação clínica decorre do fechamento ou restrição do canal arterial (cardiopatias canal-dependentes), tais como: • Cardiopatia com fluxo pulmonar dependente do canal arterial: Atresia pulmonar e similares; • Cardiopatia com fluxo sistêmico dependente do canal arterial: Síndrome de hipoplasia do coração esquerdo, Coarctação de aorta crítica e similares; • Cardiopatia com circulação em paralelo: Transposição das grandes artérias. Teste do Coraçãozinho 🔎 Definição: Triagem para detectar cardiopatias congênitas críticas; Não é invasivo ou indolor; Não fecha diagnóstico 📋 Realizar: RN ≥ 35 semanas *(antes disso pode dar erro, pois o RN ainda está na transição da circulação fetal para a pós-natal) De 24 a 48 horas após o nascimento, assintomático *(antes disso existem alterações que podem ser fisiológicas)💡Como realizar: Oxímetro específico para RN, para ter uma leitura adequada da perfusão; Aferir saturação em membro superior direito; Aferir saturação em um dos membros inferiores. Circulação Fetal 7 *(ambos os lados apresentam a mesma irrigação, por isso a aferição independe dos membros) Aferir no membro superior direito, é a mesma coisa de ter uma medida pré-ductal; No ducto há o shunt (canal arterial) e, como a subclávia direita leva para o membro superior direito, pode sofrer interação do shunt, se tornando o lado ideal para ver a saturação real- basal da criança. 📝 Interpretar resultados: ❌ SpO2 ≥ 95% e ≠ entre MSD e MMI ≤ 3% → Seguimento neonatal de rotina ? SpO2 90-94% ou ≠ entre MSD e MMI ≥ 4% 1º Repetiu após 1 hora e deu o mesmo valor 2º Repetir após 1 hora —> deu o mesmo valor Considera o teste positivo ✅ SpO2 ≤ 89% Realizar avaliação neonatal e cardiológica completa (exame clinico e ecocardiograma) *Solicitar a avaliação de especialista Não dar alta até esclarecimento diagnóstico Circulação Fetal 8 Circulação Fetal 9