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FISIOLOGIA DA GESTAÇÃO, DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE UNIDADE I FISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA Elaboração Flávia Bulgarelli Vicentini Produção Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração SUMÁRIO FISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA ....................................................................................................................................................1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................................4 UNIDADE I FISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA ....................................................................................................................................................5 CAPÍTULO 1 ASPECTOS FISIOLÓGICOS FUNDAMENTAIS DO CORPO HUMANO ......................................................................... 5 CAPÍTULO 2 CORAÇÃO ..................................................................................................................................................................................... 13 CAPÍTULO 3 SISTEMA CIRCULATÓRIO ....................................................................................................................................................... 21 CAPÍTULO 4 MODIFICAÇÃO NO SISTEMA CARDIOVASCULAR NA GESTAÇÃO ......................................................................... 28 REFERÊNCIAS ...............................................................................................................................................38 4 INTRODUÇÃO O objetivo principal da fisiologia é tentar desvendar os episódios físicos e químicos que estão associados a origem, desenvolvimento e progressão da vida. Podemos considerar que cada espécie de vida possui suas características físicas e funcionais próprias, desde um simples vírus até a maior árvore ou o complexo ser humano. Os conhecimentos sobre fisiologia crescem a cada dia, devido ao acesso de informações da tecnologia e genética molecular. O estudo da fisiologia compreende todas as funções biológicas do organismo, células e tecidos, e nos faz compreender como o todo é capaz, mesmo em condições adversas, de realizar as funções essenciais. As células presentes no organismo, em conjunto com suas estruturas, são responsáveis por manter a sua homeostase. Na fisiologia humana, estamos interessados nas características e na forma que o corpo humano funciona e quais são os mecanismos específicos que o tornam ativo. O fato de nosso organismo estar ativo (vivo) vai além de nosso controle próprio, existem mecanismos que nos impulsionam a tomar atitudes, por exemplo, se temos fome procuramos comida e se temos frio, procuramos fonte de calor. O corpo provoca sensações que nos fazem buscar por modificações. Por exemplo, o medo nos faz buscar abrigo e outras forças nos levam a procurar companhia e a reproduzir. Desta forma, podemos afirmar que o ser humano é um autômato, somos seres que sentem, que possuem sentimentos e isso é, em parte, em decorrência dessa sequência automática que nos permite a viver e sobreviver em condições extremamente variáveis que, de outra forma, impossibilitariam a vida. Objetivos » Compreender a regulação do metabolismo e funcionalidades celulares. » Analisar os mecanismos de funcionamento dos sistemas orgânicos, tendo uma visão da importância de cada um deles e do funcionamento integrado do organismo. » Analisar as inter-relações das vias metabólicas intracelulares dos tecidos e órgãos. 5 UNIDADE IFISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA CAPÍTULO 1 ASPECTOS FISIOLÓGICOS FUNDAMENTAIS DO CORPO HUMANO O simples fato de se alimentar pode acarretar efeitos cumulativos no organismo, você já pensou que, se viver 65 anos ou mais, consumirá mais de 70 mil refeições e o seu notável corpo terá utilizado 50 toneladas de alimento? Esse efeito é progressivo e conforme os anos (idade) avançam, esse efeito será mais perceptível beneficamente ou não, de acordo com as escolhas alimentares realizadas. A renovação celular e de estruturas do corpo acontece continuadamente. As células velhas de peles, ossos, sangue, tecidos, etc. são substituídos por novas dia a dia. Relacionando isso à alimentação, devemos pensar que se você ingere um pouco a mais de gordura ou um pouco a menos do que necessita, isso se tornará parte de seu organismo. Os alimentos ingeridos serão parte do organismo, ou seja, o melhor alimento é aquele que possui condições de fornecer suporte ao crescimento, desenvolvimento sadio, manutenção de formação muscular, ossos, peles e sangue, de forma que sejam bem desenvolvidos e saudáveis. Desta forma, podemos afirmar que o alimento é necessário não somente pela energia, mas também pela presença de nutrientes, vitaminas, minerais, carboidratos, proteína, gordura e água, e se forem consumidos de forma inadequada, em excesso ou insuficiente, isso acarretará alterações na formação e funcionamento do organismo, e que poderão surgir em forma de uma doença grave. E se os alimentos ingeridos fornecem muito pouco, ou demais, de um ou mais nutrientes todos os dias durante anos, então, quando você estiver velho, pode vir a sofrer seus efeitos, manifestados em uma doença grave. A questão é que uma variedade bem escolhida de alimentos supre a energia e a quantidade necessária de cada nutriente para prevenir má nutrição. Má nutrição inclui deficiências, desequilíbrios e excessos de nutrientes e qualquer um deles pode cobrar 6 UNIDADE I | FISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA um tributo da saúde ao longo do tempo. Portanto, é necessário compreender a fisiologia humana relacionando os sistemas biológicos com a nutrição. A associação das células do organismo metazoário ocorre de maneira em que formam níveis diferentes de organização: tecidos, órgãos e sistemas de órgãos. A interpretação deve ser de forma morfofuncionalmente como o produto da interação entre grupos de células e de substâncias intercelulares que desempenham uma ou mais tarefas específicas. Já um órgão é constituído por mais de um tipo de tecido em diferentes proporções e padrões. Um sistema de órgãos envolve outros que interagem física, química e funcionalmente para que uma determinada tarefa seja efetuada. Figura 1. Níveis de organização celular. Partículas subatômicas Átomo Molécula Macromolécula Organela Célula Tecido Órgão Sistema de órgãos Fonte: Coy, 2017. As atividades metabólicas são realizadas pelas células para garantir sua própria sobrevivência e, ao mesmo tempo, a célula tem a capacidade de desempenhar a função específica do tecido de cujo órgão pertence. Os organismos vivos compartilham algumas propriedades e características que são comuns: 1. Equilíbrio da manutenção do organismo dentro de condições variáveis do meio externo (ambiente). 7 FISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA | UNIDADE I 2. Suprimento da necessidade de substâncias e nutrientes por meio de aquisição do ambiente externo. 3. Realização da excreção de substâncias indesejáveis e de subprodutos finais do metabolismo. 4. Proteção contra injúrias. 5. Reprodução. Figura 2. Sistemas do corpo humano. Fonte: Toda Matéria, 2018. A figura acima mostra os diferentes sistemas de órgãos do corpo humano, em que cada órgão atua de forma funcional integrada para a realização das funções vitais do organismo. Os organismos precisam reagir ativamente às mudanças no ambiente e, particularmente sob condições diversas, devem garantir o acesso aos nutrientes. Homeostasia e sistemas de controle Os seres vivos são dotados de uma grande capacidade de se adaptar quando existem variações no meio ambiente, mas cada organismo tem seus limites de tolerância. Os organismos precisam reagir ativamente às mudanças no ambiente e, particularmente sob condições diversas, devem garantir o acesso aos nutrientes. A denominação de homeostase se refere à manutenção constante e estabilidade do meio interno. Particularmente quando falamos emhomeostase, todos os órgãos e tecidos do corpo humano estão envolvidos e executam funções que vão contribuir para manter a homeostasia do organismo. A homeostase também está ligada às condições de estabilidade operacional que, além dos parâmetros biológicos, também exerce controle de parâmetros térmicos, por 8 UNIDADE I | FISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA exemplo, em animais homeotérmicos, a homeostasia está relacionada à regulação constante da temperatura corporal dentro de alguns limites tênues, ou seja, não toleram grandes oscilações da temperatura. Já os animais ectodérmicos possuem capacidade termoconformadora (dentro dos limites de tolerância). Isso nos mostra que as condições de homeostase térmica variam de um ser para outro. Consideramos animais homeotérmicos, aqueles que possuem sensores térmicos chamados de termorreceptores. Esses termorreceptores são responsáveis por monitorar as variações térmicas do corpo de modo constante, o sistema nervoso possui um termostato que recebe essa informação, se ocorrem variações de temperatura corporal, são ativados os ajustes nos mecanismos produtores e trocadores de calor no sentido de restabelecer a condição desejada. Para a realização desses mecanismos de ajuste da homeostase corporal são necessários no mínimo três componentes essenciais: a. Órgãos sensoriais: são extremamente sensíveis a alterações de mudanças específicas dos meios interno ou externo. b. Órgãos de processamento e de integração: referem-se ao local de recebimento e processamento da informação; esses órgãos têm a capacidade de analisar a informação e, a partir daí, elaborar comandos de ação. c. Órgãos efetuadores: são responsáveis por executar as tarefas que se fazem necessárias para que o organismo seja restabelecido, mantendo a homeostase. Mecanismos homeostáticos Para que a regulação dos parâmetros biológicos seja realizada, existem dois mecanismos considerados universais. Controle por retroalimentação negativa (Feedback negativo) Ao falarmos de feedback pensamos na resposta que o organismo emite frente a desequilíbrios. Um bom exemplo é a regulação da secreção dos hormônios e o controle da temperatura e da pressão arterial. Sempre que ocorre uma alteração e essa é detectada pelos receptores sensoriais, existe a comunicação ao integrador, que realizará a comparação pelo ponto de ajuste ideal e, assim, será elaborado um ponto de ajuste e comandos considerados ideais para que os órgãos efetuadores contrabalancem o efeito do estímulo cancelando-o ou agindo contra ele. 9 FISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA | UNIDADE I Vamos supor que em um dia de muito calor você esteja andando de bicicleta. O fato de estar em atividade muscular vai produzir muito calor, fazendo com que o meio interno se aqueça, ative os receptores térmicos, que irão enviar a informação ao sistema nervoso central, assim que houver a recepção dessa informação, serão ativados os comandos nervosos que irão contrabalancear os efeitos do aumento da temperatura. Com efeito você vai parar a atividade, vai procurar uma sombra para descansar, mas mesmo assim continuará transpirando e com a respiração ofegante, essas são algumas maneiras de perder calor. O mecanismo de feedback negativo será sempre a resposta a um fator que se torna excessivo ou deficiente. Esse processo desencadeia um sistema de controle que sempre irá proporcionar ao organismo retornar ao valor médio, restabelecendo e mantendo a homeostasia. Controle por retroalimentação positiva (Feedback positivo) Os sistemas de controle podem, por algum momento, exacerbar uma alteração, mas isso ocorre por um tempo limitado, que é também conhecido como círculo vicioso, o feedback positivo promove a instabilidade. Existem alguns casos em que o feedback positivo atua em favor do organismo, como no início de uma atividade sexual, em que os sinais de receptividade sexual vão estimular de maneira intensa o parceiro. Esse é um tipo de reação positiva que vai deixar a mulher mais excitada e assim será recíproco, até em que o momento da penetração ocorre e dentro dessa atividade sexual pode ocorrer a fertilização do óvulo. O que ressaltamos aqui é que a exacerbação da atividade sexual foi retroalimentada de forma progressiva até que o orgasmo foi atingido. Outro exemplo seria o trabalho de parto, que se inicia com o bebê exercendo pressão mecânica sobre a parede do útero, essa pressão promove a distensão mecânica da parede uterina que estimula a secreção da ocitocina, um hormônio hipotalâmico. Uma vez secretada, a ocitocina irá estimular a contração causando aumento da pressão intrauterina e gerando um círculo vicioso até que finalmente o bebê é expulso pelo útero. Principais órgãos efetuadores do corpo Os órgãos efetuadores são estruturas que são responsáveis por executar tarefas determinadas por um certo comando. Dentre os sistemas executores, existem os órgãos que vão executar determinadas ações: 10 UNIDADE I | FISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA 1. Sistema renal: responsável pela regulação hidroeletrolítica dos fluídos corporais, sob o controle dos sistemas endócrino e nervoso. 2. Sistema cardiocirculatório: responsável por ajustes do bombeamento sanguíneo, pressão e pelo fluxo nos tecidos. 3. Sistema músculo esquelético: responsável pela postura do corpo e seus movimentos, também relaciona o organismo com o meio externo. 4. Sistema digestório: responsável pela digestão e absorção do alimento. 5. Sistema respiratório: realiza a captação de O2 e a eliminação de CO2. O Sistema Endócrino, além do sistema nervoso, tem a capacidade de atuar na regulação da função celular dos mesmos órgãos efetuadores, mas ele irá realizar ajustes que podem afetar o metabolismo celular. Ambos operam de maneira mais ou menos independente, mas o sistema nervoso controla o sistema endócrino. Já o sistema nervoso irá realizar sua ação rápida e no local de ação sobre os órgãos efetuadores por meio de impulsos elétricos, o sistema endócrino age mais lento, difusa e sustentadamente, pelos mediadores químicos que chegam até os órgãos efetuadores através da circulação. Mais adiante estudaremos como ocorre a integração dos sistemas. Fisiologia na gestação Durante a gestação ocorrem várias adaptações do corpo, tanto fisiológicas como químicas, essas ocorrem profundamente e se iniciam logo após a fecundação e se alteram durante toda a gestação. A maior parte das alterações são em decorrência de estímulos fisiológicos produzidos pelo feto. Em uma gestação que ocorre normalmente, como todos os órgãos sofrem alterações, são necessárias outras formas de diagnóstico e tratamento de doenças, pois essas alterações podem ser interpretadas de forma errônea que podem tanto mascarar uma doença como fazer com que doenças preexistentes se agravem. Da mesma forma que as mudanças ocorrem na gestação, o retorno físico da mulher pós-parto e pós-lactação ocorre de forma rápida. Fertilização O útero e toda a estrutura do aparelho reprodutivo feminino têm a capacidade de se adaptar para o momento da fecundação e gestação. 11 FISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA | UNIDADE I Os ovários e tubas uterinas são adaptados à produção e ao transporte dos óvulos. A tuba uterina exerce um papel importante na fecundação, pois é nela que ocorre o princípio da fecundação, que suporta o desenvolvimento inicial do embrião. O útero tem por suas principais funções receber pela mucosa uterina (endométrio) e manter o embrião. Também exerce a função de expelir o feto, isso ocorre pela parede muscular (miométrio). Após a ovulação, o ovócito secundário é captado pela ampola da trompa uterina (o cumulus oophorus adere aos cílios das fímbrias, que se projetam em direção ao ovário). É viável durante 12-24 horas, enquanto os espermatozoides podem sobreviver até 48 horas. São cerca de 300 milhões de espermatozoides ejaculados, mas a esmagadora maioria morre e apenas 100 chegam a entrar nas trompas uterinas. Quando o primeiro espermatozoide entra na camadainterna do óvulo chamada vitelínica, essa impedirá a entrada dos outros. Figura 3. Processo de fertilização do óvulo. Fusão da membrana plasmática com a do espermatozoide Conteúdo dos grânulos corticais Núcleo do óvulo Grânulos corticais Corona radiata Zona pelúcida Espaço perivitelínico Membrana vitelínica Acrossomo Núcleo do espermatozoide Reação no acrossomo Fonte: Toda Matéria, 2018. Os espermatozoides possuem, na cabeça, uma vesícula (tipo lisossoma) de conteúdo enzimático, situada logo acima do núcleo – o acrossoma. Durante o processo de 12 UNIDADE I | FISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA fecundação, ocorre a interação do espermatozoide com receptores específicos da zona pelúcida (p. ex.: a proteína ZP3) que desencadeia a reação no acrossomo, consistindo na na fusão da membrana do acrossoma com a membrana plasmática do espermatozoide, criando-se poros que permitem a exocitose das enzimas: acrosina (uma protease, semelhante à tripsina), neuraminidase e hialuronidases que digerem a zona pelúcida. É, assim, possível a fusão do espermatozoide com a membrana plasmática do ovócito, despolarizando-a e levando à exocitose de proteases e glicosidases que alteram as glicoproteínas da superfície celular (como a ZP3), impedindo a fertilização por outros espermatozoides - polispermia. No momento da fertilização, ocorre a estimulação do ovócito que será ativado pelo espermatozoide. A ativação envolve a retomada da meiose por meio da inativação do fator promotor da metáfase, que funciona para deter o ovócito na metáfase da segunda divisão meiótica. A extrusão do segundo corpo polar ocorre e os grânulos corticais são liberados no espaço perivitelino. Os grânulos corticais modificam as zonas glicoproteínas 2 e 3 no aspecto interno da zona pelúcida, resultando na perda de sua capacidade de estimular a reação acrossômica e na ligação firme, de modo a prevenir a polispermia. Este último evento ocorre antes ou simultaneamente com a retomada da meiose. A falha do ovócito em sintetizar ou liberar os grânulos corticais de maneira oportuna resulta em fertilização polissérmica. Nesse processo, o óvulo maduro fica com praticamente todo o citoplasma e o segundo corpo polar acaba por sofrer fertilização e degenerescência. Em cerca de 12 horas, a membrana nuclear do óvulo desaparece, permitindo a fusão com os 23 cromossomas do espermatozoide. Forma-se, assim, o zigoto, diploide, com 46 cromossomas. Podemos observar que o espermatozoide contribui para o zigoto com mais do que os 23 cromossomas paternos. De fato, pensa-se que o centrossoma, necessário para a organização do fuso mitótico do zigoto, deriva também do espermatozoide e não do ovócito. 13 CAPÍTULO 2 CORAÇÃO O sistema cardiovascular tem a função principal de levar os nutrientes e oxigênio para as células. Esse sistema é fechado, ou seja, não possui comunicação com o exterior, é constituído por vasos e por uma bomba percursora que impulsiona o sangue por toda a rede vascular. O sistema cardiovascular é composto pelo sangue, coração e vasos sanguíneos. Para que o sangue possa atingir as células corporais e trocar materiais com elas, ele deve ser constantemente propelido ao longo dos vasos sanguíneos. O coração é a bomba que promove a circulação de sangue por cerca de 100 mil quilômetros de vasos sanguíneos. Pesando em média 250g nas mulheres e 300g nos homens, o coração é considerado uma grande potência. O formato do coração é de um cone e tem aproximadamente o tamanho de um punho fechado, cerca de 10 cm de comprimento, 9 cm de largura em sua parte mais ampla e 6 cm de espessura. A localização do coração é perto da linha média da cavidade torácica, ele está sobre o diafragma. A massa do coração é distribuída em cerca de 2/3 a esquerda da linha média do corpo, essa posição pode ser facilmente observada em exames de imagem (suas extremidades, superfícies e limites). No intraoperatório, a anatomia do coração é vista do lado direito do paciente em decúbito dorsal através de uma incisão mediana de esternotomia. As estruturas vistas inicialmente sob essa perspectiva incluem a veia cava superior, átrio direito, ventrículo direito, artéria pulmonar e aorta. O deslocamento medial do lado direito do coração expõe o átrio esquerdo e as veias pulmonares direitas. A rotação medial da esquerda expõe o ápice do ventrículo esquerdo, as veias pulmonares esquerdas e o átrio esquerdo. A forma geral e a posição do coração podem variar de acordo com o tamanho e a orientação relativa de cada uma de suas partes. Por exemplo, um grande ventrículo direito pode permitir a exposição de apenas um segmento curto da aorta; isso é por causa dos limites estreitos do espaço intermediário do mediastino. A aurícula direita é separada do átrio direito por um recuo vertical posterior e raso no átrio direito (isto é, o sulcus terminalis) e, internamente, por uma crista vertical (isto é, a crista terminalis). A crista terminalis separa o átrio direito em porções trabeculadas e não trabeculadas. 14 UNIDADE I | FISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA Camadas da parede cardíaca Pericárdio É um tipo de membrana que reveste o coração com a função de protegê-lo. O pericárdio faz um tipo de contenção de movimentos para que ele permaneça em sua posição no mediastino, mas também permite uma liberdade de movimento para contrações vigorosas e rápidas. O pericárdio consiste em duas partes principais: pericárdio fibroso e pericárdio seroso. Figura 4. Pericárdio. Fonte: Centralx, 2018. O pericárdio fibroso superficial é formado por um tecido conjuntivo denso, resistente, inelástico e irregular. Seu formato é parecido com um saco que está preso ao diafragma. Já o pericárdio seroso é uma membrana mais delicada e fina formando uma dupla camada que circula o coração. O pericárdio seroso é dividido em duas camadas: camada parietal, que é a parte externa e está fundida ao pericárdio fibroso; camada visceral, parte interna, também conhecida como epicárdio, que se adere fortemente à superfície do coração. Miocárdio Camada do coração formada por músculo estriado cardíaco, essa é a camada média e a mais espessa do coração. O miocárdio age sozinho, sem esforço consciente, sua contração (batimento cardíaco) é responsável por bombear sangue e oxigênio para todo corpo e também bombeia o sangue sem oxigênio para os pulmões, para que a troca gasosa seja realizada. 15 FISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA | UNIDADE I Endocárdio É a camada interna do coração, formada por uma fina camada de tecido que é composto por epitélio pavimentoso simples sobre uma camada de tecido conjuntivo. Por ter uma camada brilhante e lisa, favorece que o sangue corra facilmente sobre ela. Esta camada reveste as câmaras internas do coração, cobre as válvulas cardíacas e é contínua com o endotélio de grandes vasos sanguíneos. O endocárdio dos átrios do coração consiste em músculo liso, assim como fibras elásticas. Uma infecção do endocárdio pode levar a uma condição conhecida como endocardite. A endocardite é tipicamente o resultado de uma infecção das válvulas cardíacas ou do endocárdio por certas bactérias, fungos ou outros micróbios. A endocardite é uma condição grave que pode ser fatal. Configuração externa » Superfície Anterior ou Esternocostal: principalmente o ventrículo direito. » Fronteira Inferior ou Superfície Diafragmática: principalmente o ventrículo esquerdo e parte do ventrículo direito. » Borda Direita ou Superfície Pulmonar: átrio direito » Fronteira Esquerda ou Superfície Pulmonar: ventrículo esquerdo e cria a impressão cardíaca no pulmão esquerdo. Figura 5. Faces do coração. Face Esternocostal Face Diafragmática Face Pulmonar Fonte: Netter, 2000. https://www.thoughtco.com/anatomy-of-the-heart-valves-373203 https://www.thoughtco.com/blood-vessels-373483 https://www.thoughtco.com/atria-of-the-heart-anatomy-373232 https://www.thoughtco.com/surprising-things-you-didnt-know-about-bacteria-373277 https://www.thoughtco.com/interesting-facts-about-fungi-37340716 UNIDADE I | FISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA Configuração interna No coração existem quatro camadas: dois ventrículos e dois átrios. Os átrios (as câmaras superiores) recebem sangue; os ventrículos (câmaras inferiores) bombeiam o sangue para fora do coração. Figura 6. Átrios e ventrículos. Átrios Ventrículos Fonte: Centralx, 2018. A face anterior que existe em cada átrio possui uma estrutura enrugada, em forma de saco, chamada aurícula (semelhante à orelha do cão). O septo interatrial é uma fina divisória que separa o átrio direito do esquerdo, já o ventrículo direito é separado do esquerdo pelo septo interventricular. Ciclo cardíaco Os batimentos cardíacos estão associados a eventos que envolvem o ciclo cardíaco. Quando o coração bate, ocorre a sístole atrial, ou seja, primeiro os átrios se contraem, esse movimento faz com que o sangue seja forçado para os ventrículos, quando os dois ventrículos estão preenchidos, se contraem (sístole ventricular) e impulsionam o sangue para fora do coração. Um coração funcionando eficientemente tem um bombeamento adequado, para que isso ocorra é preciso que a contração rítmica de suas fibras musculares. O fluxo sanguíneo deve ser direcionado e controlado, isso ocorre pelas quatro valvas que estão localizadas, duas entre o átrio e o ventrículo – atrioventriculares (valva tricúspide e 17 FISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA | UNIDADE I bicúspide); e duas localizadas entre os ventrículos e as grandes artérias que transportam sangue para fora do coração – semilunares (valva pulmonar e aórtica). A função dessas valvas e válvulas é impedir que o sangue flua de forma anormal, essas valvas/válvulas impedem que o refluxo aconteça, elas se fecham logo após a passagem do sangue. Os termos diástole e sístole referem-se a quando os músculos do coração relaxam e contraem. O equilíbrio entre a diástole e a sístole determina a pressão sanguínea da pessoa. Sístole. A sístole é quando o músculo cardíaco se contrai. Quando o coração se contrai, empurra o sangue para fora do coração e para dentro dos grandes vasos sanguíneos do sistema circulatório. A partir daqui o sangue vai para todos os órgãos e tecidos do corpo. Durante a sístole, a pressão sanguínea de uma pessoa aumenta. Diástole. A diástole é quando o músculo cardíaco relaxa. Quando o coração relaxa, as câmaras do coração se enchem de sangue e a pressão sanguínea diminui. Podemos concluir que o ciclo cardíaco compreende: sístole atrial, sístole ventricular e diástole ventricular. A diástole e a sístole afetam a pressão sanguínea de uma pessoa de maneira diferente, quando o coração empurra o sangue ao redor do corpo durante a sístole, a pressão nos vasos aumenta. Isso é chamado de pressão sistólica. Quando o coração relaxa entre as batidas e reabastece com sangue, a pressão arterial cai. Isso é chamado de pressão diastólica. Vascularização A irrigação do coração é realizada pelas artérias coronárias e pelo seio coronário. Existem duas artérias coronárias principais que se ramificam para suprir o coração inteiro. Eles são denominados artérias coronárias esquerda e direita e surgem dos seios aórticos esquerdo e direito dentro da aorta. Os seios da aorta são pequenas aberturas encontradas na aorta, atrás dos retalhos esquerdo e direito da valva aórtica. Quando o coração está relaxado, o refluxo de sangue enche essas bolsas das válvulas, permitindo que o sangue entre nas artérias coronárias. A artéria coronária esquerda (ACE) inicialmente se ramifica para produzir a descendente anterior esquerda (DAE), também chamada de artéria interventricular anterior, 18 UNIDADE I | FISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA que também libera a artéria marginal esquerda e a artéria circunflexa esquerda. Em ~ 20-25% dos indivíduos, a artéria circunflexa esquerda contribui para a artéria interventricular posterior. A artéria coronária direita: se ramifica para formar duas artérias: artéria marginal direita e artéria interventricular posterior. A artéria coronária direita (ACD) se ramifica para formar a artéria marginal direita (AMD) anteriormente. Em 80-85% dos indivíduos, também se ramifica na artéria interventricular posterior (AIV) posteriormente. O sangue viaja do subendocárdio para as veias tebesianas, que são pequenas tributárias que correm pelo miocárdio. Estes, por sua vez, drenam para veias maiores que se esvaziam no seio coronário. O seio coronário é a principal veia do coração, localizada na face posterior do sulco coronário, que se estende entre o átrio esquerdo e o ventrículo esquerdo. O seio drena para o átrio direito. Dentro do átrio direito, a abertura do seio coronário localiza-se entre o óstio atrioventricular direito e o orifício da veia cava inferior. Existem cinco afluentes que drenam para o seio coronário: » A grande veia cardíaca é o principal tributário. Origina-se no ápice do coração e segue o sulco interventricular anterior até o sulco coronário e ao redor do lado esquerdo do coração para se juntar ao seio coronariano. » A pequena veia cardíaca também está localizada na superfície anterior do coração. Isso passa ao redor do lado direito do coração para se juntar ao seio coronariano. » Outra veia que drena o lado direito do coração é a veia cardíaca média. Está localizado na superfície posterior do coração. » As duas veias cardíacas finais também estão na superfície posterior do coração. No lado posterior esquerdo está a veia marginal esquerda. » No centro está a veia ventricular posterior esquerda que corre ao longo do sulco interventricular posterior para se unir ao seio coronário. Inervação A medula, localizada no tronco cerebral acima da medula espinhal, é um importante local no cérebro para regular o fluxo do nervo autonômico para o coração e os vasos sanguíneos, e é particularmente importante para a regulação retroalimentada de curto prazo da pressão arterial. 19 FISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA | UNIDADE I A medula contém corpos celulares para as duas principais divisões do sistema nervoso autônomo – simpático e parassimpático. Os nervos simpáticos saem da medula e viajam pela medula espinhal, onde fazem sinapse com fibras pré-ganglionares relativamente curtas que viajam e fazem sinapse dentro dos gânglios simpáticos. As fibras eferentes pós-ganglionares dos gânglios viajam para o coração e vasculatura, onde fazem sinapses em seus locais-alvo. Os nervos parassimpáticos (nervo vago; nervo craniano X) saem da medula como longas fibras eferentes pré-ganglionares que formam sinapses com fibras de ordenação pós-ganglionares no interior do coração ou tecido vascular. A atividade dos neurônios medulares é modulada pela entrada de sensores periféricos e de outras regiões cerebrais. Existe a derivação do sistema nervoso autônomo que é a inervação extrínseca (simpático e parassimpático). O núcleo do trato solitário (NTS) da medula recebe estímulos sensoriais de diferentes receptores sistêmicos e centrais (por exemplo, barorreceptores e quimiorreceptores). Conexões neurais do NTS modulam a atividade de neurônios simpáticos localizados na medula ventrolateral rostral e a atividade de neurônios parassimpáticos localizados no núcleo dorsal do vago e no núcleo ambíguo, do qual surgem os nervos vagos parassimpáticos (décimos nervos cranianos). A atividade neuronal no NTS ativa reciprocamente os neurônios vagais e inibe os neurônios simpáticos. A medula também recebe informações de outras regiões do cérebro (por exemplo, hipotálamo). O hipotálamo e os centros superiores modificam a atividade dos centros medulares e são particularmente importantes para estimular as respostas cardiovasculares às emoções e ao estresse (por exemplo, exercício, estresse térmico). O fluxo autonômico da medula é dividido em ramos simpático e parassimpático (vagal). As fibras eferentes desses nervos autônomos viajam para o coração e vasos sanguíneos, onde modulam a atividade desses órgãos-alvo.O coração é inervado por fibras vagais e simpáticas. O nervo vago direito inerva principalmente o nó SA, enquanto o vago esquerdo inerva o nó AV; no entanto, pode haver sobreposição significativa na distribuição anatômica. O músculo atrial também é inervado por eferentes vagais, enquanto o miocárdio ventricular é escassamente inervado por eferentes vagais. Os nervos eferentes simpáticos estão presentes em todos os átrios (especialmente no nó SA) e nos ventrículos, incluindo o sistema de condução do coração. A estimulação simpática do coração aumenta a frequência cardíaca (cronotropia positiva), a inotropia e a velocidade de condução (motomotropia positiva), enquanto 20 UNIDADE I | FISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA a estimulação parassimpática do coração tem efeitos opostos. Os efeitos simpáticos e parassimpáticos na função cardíaca são mediados por receptores beta-adrenérgicos e muscarínicos, respectivamente. Os nervos simpáticos adrenérgicos percorrem as artérias e os nervos e são encontrados na adventícia (parede externa de um vaso sanguíneo). As varicosidades, que são pequenas ampliações ao longo das fibras nervosas, são o local de liberação de neurotransmissores (norepinefrina). Fibras parassimpáticas são encontradas associadas a vasos sanguíneos em certos órgãos, como glândulas salivares, glândulas gastrointestinais e no tecido erétil genital. A liberação de acetilcolina (ACTh) desses nervos parassimpáticos, que se liga aos receptores muscarínicos de ACTh, tem ação vasodilatadora direta (acoplada à formação de óxido nítrico e ativação da guanilil ciclase). A liberação de ACTh pode estimular a liberação de calicreína do tecido glandular que age sobre o cininogênio para formar cininas (por exemplo, bradicinina). As cininas causam aumento da permeabilidade capilar e constrição venosa, juntamente com vasodilatação arterial em órgãos específicos. 21 CAPÍTULO 3 SISTEMA CIRCULATÓRIO Circulação pulmonar e sistêmica Circulação pulmonar: o sistema circulatório pulmonar envia sangue depletado de oxigênio do coração através da artéria pulmonar para os pulmões e retorna sangue oxigenado para o coração através das veias pulmonares. O sangue privado de oxigénio entra no átrio direito do coração e flui através da válvula tricúspide (válvula atrioventricular direita) para o ventrículo direito. De lá, é bombeado através da válvula semilunar pulmonar para a artéria pulmonar a caminho dos pulmões. Quando chega aos pulmões, o dióxido de carbono é liberado do sangue e o oxigênio é absorvido. A veia pulmonar envia o sangue rico em oxigênio de volta ao coração. Circulação sistêmica: é responsável por fornecer o suprimento sanguíneo necessário a todo organismo. A circulação sistêmica, considerada a maior circulação, é a porção do sistema circulatório que é a rede de veias, artérias e vasos sanguíneos, que transporta o sangue do coração, atende as células do corpo e, em seguida, retorna ao coração. Sangue O sangue tem três funções principais: transporte, proteção e regulação. Transporte – realiza o transporte das seguintes substâncias: » gases, nomeadamente oxigénio (O2) e dióxido de carbono (CO2), entre os pulmões e o resto do corpo; » substrato e micronutrientes que estão no trato digestivo e locais de armazenamento para o resto do corpo; » produtos residuais que necessitam ser eliminados ou desintoxicados pelo fígado e pelos rins; » hormônios que são produzidos pelas glândulas para as células-alvo; » calor que será fornecido para a pele, com o objetivo de promover a regulação da temperatura corporal. 22 UNIDADE I | FISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA Proteção – tem vários papéis na inflamação: » leucócitos, ou glóbulos brancos, destroem microrganismos invasores e células cancerígenas; » anticorpos e outras proteínas destroem substâncias patogênicas; » fatores plaquetários, que ajudam a reduzir a perda de sangue, por meio da coagulação. Regulação – o sangue ajuda a regular: » pH interagindo com ácidos e bases; » balanço hídrico por transferência de água para tecidos. O sangue é classificado como tecido conjuntivo e consiste em dois componentes principais: » Plasma, que é um fluido extracelular claro; » Elementos formados, compostos pelas células do sangue e plaquetas. Os elementos formados são, assim, chamados porque estão encerrados em uma membrana de plasma e têm uma estrutura e forma definidas. Todos os elementos formados são células, exceto as plaquetas, que são pequenos fragmentos de células da medula óssea. Esses elementos são: eritrócitos, também conhecidos como glóbulos vermelhos, leucócitos, também conhecidos como glóbulos brancos e plaquetas. Glóbulos vermelhos Os glóbulos vermelhos, também conhecidos como eritrócitos, são de longe o tipo mais comum de células sanguíneas e constituem cerca de 45% do volume sanguíneo. Os eritrócitos são produzidos dentro da medula óssea vermelha a partir de células- tronco na taxa espantosa de cerca de 2 milhões de células a cada segundo. A forma dos eritrócitos é bicôncava - discos com uma curva côncava em ambos os lados do disco, de modo que o centro de um eritrócito é sua parte mais fina. A forma única dos eritrócitos confere a estas células uma elevada razão entre a área superficial e o volume e permite- lhes dobrar para se ajustarem a capilares finos. Quando os eritrócitos imaturos têm um núcleo que é ejetado da célula quando atinge a maturidade para fornecer sua forma e flexibilidade únicas. A falta de um núcleo significa que os glóbulos vermelhos não contêm DNA e não são capazes de se reparar uma vez danificados. 23 INTRODUÇÃO Os eritrócitos transportam oxigênio no sangue através da hemoglobina do pigmento vermelho. A hemoglobina contém ferro e proteínas unidas para aumentar significativamente a capacidade de transporte de oxigênio dos eritrócitos. A alta razão de área superficial para volume dos eritrócitos permite que o oxigênio seja facilmente transferido para a célula nos pulmões e para fora da célula nos capilares dos tecidos sistêmicos. Nos capilares, o plasma é seguido de alguns linfócitos e poucas e raras hemácias, este pode extravasar para o espaço intersticial, o que constitui a linfa, essa será posteriormente reabsorvida pelos capilares linfáticos passando aos vasos linfáticos e, então, às veias, sendo reintegrada à circulação. Glóbulos brancos Os glóbulos brancos, também conhecidos como leucócitos, constituem uma porcentagem muito pequena do número total de células na corrente sanguínea, mas têm importantes funções no sistema imunológico do corpo. Existem duas classes principais de glóbulos brancos: leucócitos granulares e leucócitos agranulares. Plaquetas Também conhecidos como trombócitos, as plaquetas são pequenos fragmentos celulares responsáveis pela coagulação do sangue e pela formação de crostas. As plaquetas se formam na medula óssea vermelha a partir de grandes células de megacariócitos que periodicamente se rompem e liberam milhares de pedaços de membrana que se transformam nas plaquetas. As plaquetas não contêm um núcleo e só sobrevivem no corpo por até uma semana antes que os macrófagos as capturem e digiram. Plasma O plasma é a parte não celular ou líquida do sangue que compõe cerca de 55% do volume do sangue. O plasma é uma mistura de água, proteínas e substâncias dissolvidas. Cerca de 90% do plasma é feito de água, embora a porcentagem exata varie dependendo dos níveis de hidratação do indivíduo. As proteínas no plasma incluem anticorpos e albuminas. Anticorpos fazem parte do sistema imunológico e se ligam a antígenos na superfície de patógenos que infectam o corpo. As albuminas ajudam a manter o equilíbrio osmótico do corpo, fornecendo uma solução isotônica para as células do corpo. Muitas substâncias diferentes podem ser encontradas dissolvidas no plasma, incluindo glicose, oxigênio, dióxido de carbono, eletrólitos, nutrientes e produtos residuais celulares. O plasma funciona como um meio de transporte paraessas substâncias à medida que elas se movem pelo corpo. 24 UNIDADE I | FISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA Considerando que o ponto central da circulação é o coração, a partir dele existem dois circuitos fechados distintos: » Circulação pulmonar ou direita ou pequena circulação: é destinada à troca de gazes: gás carbônico por oxigênio. Esse circuito percorre do coração até os pulmões e depois retorna ao coração. » Circulação sistêmica ou esquerda ou grande circulação: sua função é fornecer nutrientes para as células. Seu percurso inicia-se no coração e se distribui por todo o organismo e retorna ao coração. Vasos sanguíneos Os vasos sanguíneos são as estradas do corpo que permitem que o sangue flua rápida e eficientemente do coração para todas as regiões do corpo e vice-versa. O tamanho dos vasos sanguíneos corresponde à quantidade de sangue que passa pelo vaso. Todos os vasos sanguíneos contêm uma área oca chamada de lúmen, através da qual o sangue é capaz de fluir. Em torno do lúmen é a parede do vaso, que pode ser fina no caso dos capilares ou muito espessa no caso das artérias. Todos os vasos sanguíneos são revestidos por uma fina camada de epitélio escamoso simples, conhecido como endotélio, que mantém as células sanguíneas dentro dos vasos sanguíneos e previne a formação de coágulos. O endotélio reveste todo o sistema circulatório até o interior do coração, onde é chamado de endocárdio. Existem três tipos principais de vasos sanguíneos: artérias, capilares e veias. Os vasos sanguíneos são frequentemente denominados de acordo com a região do corpo através da qual transportam sangue ou para estruturas próximas. Por exemplo, a artéria braquiocefálica transporta sangue para as regiões braquial (braço) e cefálica (cabeça). Um de seus ramos, a artéria subclávia, corre sob a clavícula; daí o nome subclávia. A artéria subclávia corre para a região axilar, onde se torna conhecida como artéria axilar. 25 FISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA | UNIDADE I Figura 7. Artérias e veias. do coração Artéria Capilares Veia Fonte: Thinglink, 2015. Sistema arterial Conjunto de vasos que saem do coração e se ramificam sucessivamente distribuindo-se para todo o organismo. As artérias enfrentam altos níveis de pressão sanguínea, já que carregam sangue do coração sob grande força. Para suportar essa pressão, as paredes das artérias são mais grossas, mais elásticas e mais musculosas que as de outros vasos. As maiores artérias do corpo contêm uma alta porcentagem de tecido elástico que lhes permite alongar e acomodar a pressão do coração. Artérias importantes do corpo humano Sistema do tronco pulmonar: a artéria pulmonar principal se ramifica no sistema arterial pulmonar. Em pacientes com anatomia cardíaca aberrante com ducto arterioso patente, a identificação precisa da artéria pulmonar pode ser difícil usando angiografia, porque a artéria pulmonar se torna opaca durante a injeção aórtica. Para diferenciar a artéria pulmonar da valva aórtica, lembre-se de que a artéria pulmonar quase nunca libera ramos braquiocefálicos. Sistema da artéria aorta (sangue oxigenado): é a maior artéria do corpo, com diâmetro de 2 a 3 cm, ela começa na base do coração e tipicamente se ramifica para formar as artérias coronárias distalmente à valva aórtica. Existem quatro divisões principais, que são a aorta ascendente, o arco da aorta, a aorta torácica e aorta abdominal. A parte da aorta que emerge do ventrículo esquerdo, posterior ao tronco pulmonar, é a aorta ascendente. 26 UNIDADE I | FISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA Sistema venoso É constituído pelas veias, que são um tipo de vaso sanguíneo que retorna o sangue desoxigenado de seus órgãos de volta ao coração. Estas são diferentes das artérias, que fornecem sangue oxigenado do coração para o resto do corpo. O circuito que termina no átrio esquerdo pelas quatro veias pulmonares trazendo sangue arterial dos pulmões chama-se de pequena circulação ou circulação pulmonar. E o circuito que termina no átrio direito por meio das veias cavas e do seio coronário retornando com sangue venoso chama-se de grande circulação ou circulação sistêmica. As veias são os grandes vasos de retorno do corpo e atuam como contrapartes de retorno de sangue das artérias. Como as artérias, arteríolas e capilares absorvem a maior parte da força das contrações do coração, veias e vênulas são submetidas a pressões sanguíneas muito baixas. Essa falta de pressão permite que as paredes das veias sejam muito mais finas, menos elásticas e menos musculosas que as paredes das artérias. Veias importantes do corpo humano Veias da circulação pulmonar (ou pequena circulação): as veias que conduzem o sangue que retorna dos pulmões para o coração, após sofrer a hematose (oxigenação), recebem o nome de veias pulmonares. Existem quatro veias pulmonares que vão desembocar no átrio esquerdo, elas são formadas pelas veias segmentares, que recolhem sangue venoso dos segmentos pulmonares. Veias da circulação sistêmica (ou da grande circulação): Veia cava superior: a veia cava superior tem o comprimento de cerca de 7cm e diâmetro de 2cm e origina-se dos dois troncos braquiocefálicos (ou veia braquiocefálica direita e esquerda). Não muito abaixo da clavícula e atrás do lado direito do esterno, duas grandes veias, a direita e a esquerda, braquiocefálica, juntam-se para formar a veia cava superior. As veias braquiocefálicas, como o próprio nome indica – sendo formadas a partir das palavras gregas para “braço” e “cabeça” – transportam sangue que foi coletado da cabeça, pescoço e braços; eles também drenam o sangue de grande parte da metade superior do corpo, incluindo a parte superior da coluna e a parte superior da parede torácica. 27 FISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA | UNIDADE I Figura 8. Tronco braquiocefálico venoso. Tronco Braquiocefálico Venoso Esquerdo Veia cava superior Veia cava inferior Fonte: Desbravar Biologia, 2015. Veia cava inferior: a veia cava inferior é a maior veia do corpo, com diâmetro de cerca de 3 cm e é formada pelas duas veias ilíacas comuns que recolhem sangue da região pélvica e dos membros inferiores. Figura 9. Veia cava inferior e veia cava superior. Veia cava superior Veia cava inferior Fonte: Desbravar Biologia, 2015. Seio coronário e veias cardíacas: considerado como a veia principal do coração, o seio coronário recebe quase todo o sangue venoso do miocárdio. O seio coronariano está localizado na porção posterior do sulco coronário na superfície diafragmática ou posterior do coração, ele deságua diretamente no átrio direito, próximo à conjunção do sulco interventricular posterior e do sulco coronariano (área de crux cordis), localizado entre a veia cava inferior e a valva tricúspide; esse óstio atrial pode ser parcialmente coberto por uma válvula de Tebas, embora a anatomia dessa válvula seja altamente variável. 28 CAPÍTULO 4 MODIFICAÇÃO NO SISTEMA CARDIOVASCULAR NA GESTAÇÃO Uma variedade de alterações no sistema cardiovascular ocorre durante a gravidez normal, incluindo aumento do débito cardíaco, complacência arterial, volume de líquido extracelular e diminuição da pressão arterial (PA) e resistência periférica total. As mudanças principais envolvem o aumento da volemia e do débito cardíaco e a diminuição da resistência vascular sistêmica e da reatividade vascular. Volume de sangue (volemia) aumenta progressivamente de 6-8 semanas de gestação (gravidez) e atinge um máximo em aproximadamente 32-34 semanas com pouca mudança depois disso. O aumento do volume plasmático (40-50%) é relativamente maior que o da massa de hemácias (20-30%), resultando em hemodiluição e diminuição da concentração de hemoglobina. A ingestão de ferro suplementar e ácido fólico é necessária para restaurar os níveis de hemoglobina ao normal (12 g/dl). O aumento do volume de sangue serve a dois propósitos: » Primeiro, facilita as trocas maternas e fetais de gases respiratórios, nutrientese metabólitos. » Em segundo lugar, reduz o impacto da perda de sangue materno no parto. Perdas típicas de 300-500 ml para partos vaginais e 750-1000 ml para cesarianas são assim compensadas com a chamada “autotransfusão” de sangue do útero em contração (cf. débito cardíaco abaixo). A hipervolemia induzida pela gestação é uma adaptação do organismo para satisfazer as necessidades metabólicas aumentadas dos tecidos. Assim, o retorno venoso e o débito cardíaco aumentam dramaticamente durante a gravidez. O débito cardíaco aumenta gradualmente durante os dois primeiros trimestres, com o maior aumento ocorrendo às 16 semanas de gestação. O aumento do débito cardíaco está bem estabelecido em 5 semanas de gestação e aumenta para 50% acima dos níveis pré-gestacionais em 16 a 20 semanas de gestação. O aumento do débito cardíaco tipicamente atinge o platô após 20 semanas de gestação e permanece elevado até o termo. Os aumentos no débito cardíaco estão associados a aumentos significativos no volume sistólico e na frequência cardíaca (FC). 29 FISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA | UNIDADE I O aumento do débito cardíaco ocorre pela elevação do volume sistólico que acontece devido à elevação da frequência cardíaca. Quando ocorre a volemia em níveis elevados, ocorre o aumento do retorno venoso e isso leva à maior distensibilidade e contratilidade do ventrículo esquerdo. À medida que o feto cresce, o útero requer mais fluxo sanguíneo para fornecer os nutrientes necessários para o crescimento e desenvolvimento. Como resultado, o sangue bombeado pelo coração aumenta em 30 a 50%. A frequência cardíaca em repouso, que em adultas não grávidas geralmente varia entre 60 e 100 batimentos por minuto, aumenta em 10 a 20 pontos durante a gravidez. No terceiro trimestre, a mudança geral na frequência cardíaca aumenta de 20 a 25% em relação ao valor basal, ou da frequência cardíaca da mulher antes da gravidez. Alguns órgãos são modificados devido ao aumento do débito cardíaco, a placenta e o útero aumentam progressivamente para garantir o aporte sanguíneo do feto, os rins, a circulação sanguínea no local aumenta aproximadamente 500 ml/min, a pele, para a troca de calor, as glândulas mamárias, intestinos e outros órgãos. Durante a posição supina, o débito cardíaco reduz em aproximadamente 5% a 10% das gestantes. Esse fato acontece como devido à redução do retorno venoso, que é devido à compressão da veia cava inferior pelo útero. Essa alteração pode levar a bradicardia, hipotensão, síncope, caracterizando a síndrome de hipotensão supina. Quando a mãe entra em trabalho de parto, o débito cardíaco se eleva em cada contração uterina, aproximadamente 500ml de sangue saem do útero, caem na circulação sistêmica e retornam a uma linha de base progressivamente mais elevada no intervalo intercontrátil. O débito cardíaco também se eleva entre 50% e 60% devido à dor e à ansiedade que estão associadas ao trabalho de parto e, durante as primeiras horas após o parto, pode se elevar de 60% a 80% com relação aos valores antes do parto. Essa alteração é devido à transferência do sangue que estava no útero para a circulação sistêmica e à menor compressão da veia cava inferior causados pela involução uterina. Então, apesar da perda sanguínea que gira em torno de 500ml (parto vaginal) e 1000ml (parto cesárea), ocorre o aumento da volemia. » PA média diminui gradualmente durante a gravidez, com a maior diminuição da PA ocorrendo tipicamente entre 16 e 20 semanas. A PA começa, então, a subir durante o terceiro trimestre a níveis próximos dos valores de PA pré- gestacional (gráfico 1). A diminuição da PA durante a gravidez é caracterizada por 30 UNIDADE I | FISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA diminuições na PA sistólica (PAS) e na PA diastólica (PAD), com os decréscimos na PAD excedendo os da PAS. Gráfico 1. Pressão arterial na gestação sem riscos. Pr es sã o ar te ria l m éd ia , m m H g Semanas de gestação Fonte: Hall, 2011. O aumento das prostaciclinas (produzidas nas paredes dos vasos sanguíneos) está relacionado com redução da resistência vascular sistêmica. Esse aumento ocorre devido ao tromboxano, produzido pelas plaquetas, que possui ação vasoconstritora. Os vasos maternos também se tonam refratários aos efeitos vasoconstritores das catecolaminas, da angiotensina II e de outras substâncias vasopressoras. Isso leva à redução da reatividade vascular caracterizada na gestação. O envelhecimento progressivo da placenta, que ocorre no final da gestação, exige a extinção de parte da circulação placentária, isso leva ao aumento novamente da resistência vascular sistêmica. Quando se inicia o trabalho de parto, ocorre o aumento da pressão arterial sistólica entre 15 e 20 mmHg e da diastólica, entre 10 e 15 mmHg. O aumento dessas alterações vai depender da intensidade da contração uterina e está relacionada à dor, à ansiedade e à posição da parturiente. No pós-parto imediato, o aumento da pressão arterial é ainda maior, pois, com o desprendimento da placenta, a resistência vascular aumenta. Nesse momento também ocorre a elevação do retorno venoso causado pela descompressão da veia cava inferior e o aumento da volemia pela passagem do sangue represado no útero para a circulação sistêmica. Embora os mecanismos responsáveis pela mediação das alterações na hemodinâmica sistêmica ainda não tenham sido completamente elucidados, acredita-se que vários fatores importantes contribuam para mudanças fisiológicas no sistema vascular que ocorrem durante a gravidez. Evidências substanciais indicam que a produção de óxido nítrico (NO) está elevada na gravidez normal e que esses aumentos parecem 31 FISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA | UNIDADE I desempenhar um papel importante na vasodilatação da gravidez. A inibição da síntese de NO em modelos animais de gestação atenua a diminuição da resistência periférica total e o aumento do débito cardíaco associado à gravidez. Fatores hormonais, como estrogênio e relaxina, são considerados importantes para estimular a produção de NO durante a gravidez. A relaxina, produzida principalmente pelo corpo lúteo, demonstrou reduzir cronicamente a resistência periférica total e aumentar o débito cardíaco e a complacência arterial sistêmica. Além disso, a neutralização da relaxina circulante endógena por anticorpos durante a gestação precoce atenua acentuadamente as alterações no débito cardíaco, na resistência vascular sistêmica e na complacência arterial durante a gestação. Pensa-se que estes efeitos da relaxina sejam mediados pelas interações entre os receptores da endotelina tipo B e o NO. Assim, a relaxina parece desempenhar um papel importante em muitas das adaptações cardiovasculares da gravidez via mecanismos dependentes do NO. Durante a 32a semana, o sistema cardiovascular entra em efeito platô e depois volta a crescer de maneira rápida no momento do parto e no pós-parto imediato. Por isso, há a necessidade de implementação de rotinas e cuidados de gestantes com doenças cardiovasculares. Gravidez e doença cardíaca Embora a doença cardíaca materna complique uma pequena porcentagem das gestações em geral, é uma causa significativa de morbidade e mortalidade materna e fetal não estática. A gravidez está associada a alterações hemodinâmicas significativas, a saber, expansão do volume e aumento do débito cardíaco, que no contexto de doença cardíaca materna subjacente pode levar à descompensação e ao óbito fetal. Além das alterações hemodinâmicas impostas pelo estado gravídico, fatores como vasodilatação periférica da anestesia ou perda de sangue que pode ocorrer com o parto podem agravar a disfunção cardíaca em mulheres com doença cardíaca subjacente significativa. A doença cardíaca congênita está se tornando mais prevalente em mulheres em idade fértil, como resultado de melhores modalidades diagnósticas e técnicas reparadoras. Além disso, a doença cardíaca adquirida tornou-se mais prevalente, agora que muitas mulheresestão postergando a gravidez até idades mais avançadas, quando o risco de doença cardiovascular aumenta devido à hipertensão (HAS), diabetes e obesidade. A avaliação de risco em mulheres com doença cardíaca subjacente é crucial. Em um estudo prospectivo de 562 gestantes consecutivas com doença cardíaca, 13% das gestações foram complicadas por eventos cardíacos primários, definidos como edema pulmonar, arritmia, acidente vascular cerebral ou morte cardíaca. Os preditores de 32 UNIDADE I | FISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA eventos cardíacos foram eventos cardíacos prévios ou arritmias, classe funcional ruim (definida como insuficiência cardíaca classe III-IV da New York Heart Association (NYHA) ou cianose, obstrução do coração esquerdo (área da valva mitral <2 cm2 , área da valva aórtica <1,5 cm2 , ou gradiente de saída do pico de ventrículo esquerdo [VE]> 30 mmHg) e disfunção do VE definida como fração de ejeção do VE (FE) <40%. Portanto, é imperativo que as mulheres com condições cardíacas adquiridas e congênitas sejam aconselhadas a evitar a gravidez e sejam avaliadas e monitoradas se engravidarem. Insuficiência cardíaca Particularmente no terceiro trimestre, as alterações hemodinâmicas que ocorrem podem levar à descompensação clínica em mulheres com cardiomiopatias subjacentes. Os achados físicos normais associados à gravidez frequentemente incluem taquicardia, galope tipo S3, sopro sistólico de “fluxo”, edema periférico e, às vezes, distensão venosa jugular, que pode obscurecer o diagnóstico de IC na mulher grávida. Além disso, muitas mulheres com gestações normais apresentam sintomas como ortopneia, que podem mascarar a presença de disfunção subjacente do VE. É nesses locais que os testes diagnósticos, como os níveis de peptídeo natriurético cerebral ou um ecocardiograma, podem ser úteis. As mulheres com disfunção sistólica subjacente estável do VE muitas vezes podem ser submetidas à gestação com segurança quando acompanhadas de perto para descompensação materna e fetal de maneira coordenada tanto por um cardiologista quanto por um obstetra, embora haja algum risco aumentado associado para mãe e feto. Os objetivos da terapia médica nesses pacientes são aliviar a sobrecarga de volume com diuréticos e otimizar a terapia médica para controle da PA e redução da pós-carga. Pacientes gestantes com IC devem ser manejadas de forma semelhante a pacientes não grávidas, com exceção do uso de inibidores da enzima conversora da angiotensina ou bloqueadores dos receptores da angiotensina, devido ao alto risco de efeitos adversos no feto com essas drogas. Tanto a IC quanto a gravidez estão associadas a um estado de hipercoagulabilidade. Não há diretrizes claras sobre anticoagulação em gestantes com disfunção sistólica significativa do VE, mas a anticoagulação profilática é razoável para prevenir trombos intracardíacos e eventos embólicos em pacientes com FE <30% -35%. A varfarina é tipicamente contraindicada no primeiro trimestre da gravidez devido à sua teratogenicidade, mas as mulheres podem ser tratadas com heparina não fracionada (HN) ou heparina de baixo peso molecular (HBPM). As diretrizes atuais recomendam a HBPM ou a HU por via subcutânea duas vezes ao dia durante a gestação ou HN ou 33 FISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA | UNIDADE I HBPM por via subcutânea duas vezes ao dia até a semana 13, seguida por varfarina nas semanas 13 a 35 e retomada da HU / HBPM até o parto. Arritmias A maioria das arritmias que ocorrem na gravidez na ausência de doença cardíaca estrutural é benigna e transitória. Taquiarritmias sintomáticas e recorrentes devem ser avaliadas para descartar fatores exacerbantes, como anormalidades cardíacas estruturais, hipertireoidismo ou embolia pulmonar. Quaisquer arritmias hemodinamicamente instáveis ou potencialmente fatais devem ser eletricamente cardiovertidas ou desfibriladas de acordo com as diretrizes do Advanced Cardiac Life Support. Pacientes com arritmias estáveis e sintomáticas podem ser tratados farmacologicamente com agentes que tenham o menor potencial de efeitos adversos ao feto. Pacientes com fibrilação atrial ou flutter atrial devem ser considerados para terapia de anticoagulação. Pré-eclâmpsia A pré-eclâmpsia (PE) é caracterizada pelo novo início de hipertensão definido como PAS ≥ 140 mmHg ou PAD ≥ 90 mmHg e proteinúria em uma mulher previamente normotensa após 20 semanas de gestação. A patogênese ou EP não é bem compreendida, mas pode envolver anormalidades no desenvolvimento vascular placentário no início da gravidez, resultando em isquemia placentária relativa ou hipoxemia e liberação de substâncias antiangiogênicas (isto é, s-Flt-1 e endoglina solúvel) na circulação materna levando à vascularização. Disfunção endotelial e hipertensão. Alguns dos fatores associados ao aumento do risco de desenvolver PE incluem história de EP na gravidez anterior ou história familiar de EP, nuliparidade, hipertensão crônica ou doença renal, índice de massa corporal elevado ou idade> 40 anos. Hipertensão e proteinúria associadas geralmente estão presentes no terceiro trimestre e progridem até o parto. Além da hipertensão e da proteinúria, a PE está associada a edema generalizado, hipercoagulabilidade, trombocitopenia e, às vezes, lesão de órgão alvo ao fígado ou rins. Os pacientes podem apresentar sintomas do sistema nervoso central, como dores de cabeça ou visão turva e, se desenvolverem atividade convulsiva, são caracterizados como portadores de ipogênes. O tratamento definitivo para EP é a entrega do feto para prevenir complicações maternas ou fetais; a decisão de antecipar o parto ou não depende da idade gestacional, da estabilidade materno-fetal e da gravidade da EP. As mulheres com doença leve que são manejadas de forma conservadora devem reduzir sua atividade física e fazer avaliações maternas e fetais e testes laboratoriais. HTA grave 34 UNIDADE I | FISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA (PAS ≥ 160 mmHg ou PAD ≥ 100 mmHg) deve ser tratada para prevenir complicações vasculares maternas, como acidente vascular cerebral, e agentes comumente prescritos incluem hidralazina, labetalol ou bloqueadores dos canais de cálcio. Os fetos de pacientes com PE grave geralmente são administrados independentemente da idade gestacional para evitar futuras complicações maternas e fetais. A hipertensão e a proteinúria associadas à PE muitas vezes desaparecem dentro de alguns dias após o parto, mas podem durar até algumas semanas. Doença cardíaca congênita Os defeitos do septo atrial (CIA) são as lesões congênitas mais comuns observadas durante a gravidez e geralmente são bem tolerados na ausência de hipertensão pulmonar ou taquiarritmias atriais. Os defeitos do septo ventricular (DSV) são tipicamente identificados precocemente na vida e a maioria dos grandes shunts é corrigida antes de atingir a idade fértil. Pequenos desvios geralmente são bem tolerados, mas grandes DSVs estão associados a maior risco de desenvolver IC ou hipertensão pulmonar, aumentando o risco de mortalidade materna e fetal. A síndrome de Eisenmenger pode se desenvolver com grandes shunts e está associada a altas taxas de mortalidade materna. A tetralogia de Fallot (TOF) é a forma mais comum de cardiopatia cianótica em adultos; a maioria das mulheres grávidas que se apresentam com TOF terá sido submetida à correção cirúrgica e se sairá bem durante a gravidez e o parto. Se não for corrigida, a diminuição da resistência vascular periférica associada à gravidez pode aumentar o desvio da direita para a esquerda. A cianose, quando presente, está associada à eritrocitose, hiperviscosidade e tromboembolias, aumentando o risco de complicações cardiovasculares maternas. Os sintomas em pacientes sem correção são tipicamente dependentes do tamanho do CIV, do grau de estenose pulmonar e da hipertrofia ventricular direita. Níveis de hemoglobina ≥20 g / dl e saturação arterial de oxigênio ≤ 85% estão associados a resultados fetais ruins e devemser evitados. As mulheres que se submeteram ao reparo cirúrgico podem apresentar insuficiência pulmonar ou tricúspide residual e disfunção do ventrículo direito, que pode ser agravada pela hipervolemia que acompanha a gravidez. 35 FISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA | UNIDADE I Hipertensão pulmonar A hipertensão pulmonar está associada à alta mortalidade durante a gravidez, independentemente da etiologia, e os pacientes devem ser fortemente desencorajados a engravidar. As causas incluem hipertensão pulmonar primária, doença tromboembólica crônica ou hipertensão pulmonar secundária por doença cardíaca valvular ou shunts intracardíacos congênitos (síndrome de Eisenmenger). A síndrome de Eisenmenger pode ocorrer no cenário de grandes desvios não reparados da esquerda para a direita quando ocorrem alterações vasculares pulmonares em resposta ao aumento do fluxo sanguíneo pulmonar, levando a um aumento da resistência vascular pulmonar e, por fim, à reversão desses pacientes. Isso pode ser observado em pacientes com TEA, DSV ou canal arterial patente, e está associado à alta mortalidade materna (40%) e fetal (8%). As alterações hemodinâmicas associadas ao trabalho de parto e parto, bem como durante o puerpério, são pouco toleradas e a maioria das mortes maternas é devido a hipovolemia, eventos tromboembólicos ou parto cesáreo; a maioria ocorre durante ou dentro da primeira semana após o parto. A interrupção da gravidez deve ser considerada em pacientes com hipertensão pulmonar grave ou síndrome de Eisenmenger. Sistema circulatório fetal Durante a gravidez, o sistema circulatório fetal funciona de maneira diferente do que após o nascimento: » O feto é conectado pelo cordão umbilical à placenta, o órgão que se desenvolve e se implanta no útero da mãe durante a gravidez. » Através dos vasos sanguíneos do cordão umbilical, o feto recebe toda a nutrição, oxigênio e suporte de vida necessários da mãe através da placenta. » Os produtos residuais e o dióxido de carbono do feto são enviados de volta através do cordão umbilical e da placenta até a circulação da mãe para serem eliminados. O sistema circulatório fetal usa dois shunts da direita para a esquerda, que são pequenas passagens que direcionam o sangue que precisa ser oxigenado. O objetivo desses shunts é contornar certas partes do corpo, em particular, os pulmões e fígado, que não estão totalmente desenvolvidos enquanto o feto ainda está no útero. Os desvios que passam pelos pulmões são chamados de forame oval, que movimenta o sangue do átrio direito do coração para o átrio esquerdo e o ductus arteriosus, que movimenta o sangue da artéria pulmonar para a aorta. 36 UNIDADE I | FISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA O oxigênio e os nutrientes do sangue da mãe são transferidos através da placenta para o feto. O sangue enriquecido flui através do cordão umbilical até o fígado e se divide em três ramos. O sangue, então, atinge a veia cava inferior, uma veia importante conectada ao coração. A maior parte desse sangue é enviada através do ducto venoso, também uma derivação que passa sangue altamente oxigenado pelo fígado até a veia cava inferior e depois para o átrio direito do coração. Uma pequena quantidade desse sangue vai diretamente para o fígado para fornecer o oxigênio e os nutrientes necessários. Os produtos residuais do sangue fetal são transferidos de volta através da placenta para o sangue da mãe. Dentro do coração fetal: O sangue entra no átrio direito, a câmara no lado superior direito do coração. Quando o sangue entra no átrio direito, a maior parte flui através do forame oval para o átrio esquerdo. O sangue, então, passa para o ventrículo esquerdo (câmara inferior do coração) e depois para a aorta (a grande artéria que vem do coração). Da aorta, o sangue é enviado para o músculo cardíaco em si, além do cérebro. Depois de circular por lá, o sangue retorna ao átrio direito do coração através da veia cava superior. Cerca de dois terços do sangue passarão pelo forame oval como descrito acima, mas o terço restante passará para o ventrículo direito, em direção aos pulmões. No feto, a placenta faz o trabalho de respirar em vez dos pulmões. Como resultado, apenas uma pequena quantidade do sangue continua nos pulmões. A maior parte deste sangue é contornado ou desviado dos pulmões através do ducto arterioso para a aorta. A maior parte da circulação para a parte inferior do corpo é fornecida pelo sangue que passa pelo ducto arterioso. Este sangue, então, entra nas artérias umbilicais e flui para a placenta. Na placenta, o dióxido de carbono e os resíduos são liberados no sistema circulatório da mãe, e oxigênio e nutrientes do sangue da mãe são liberados no sangue do feto. No nascimento, o cordão umbilical é clampeado e o bebê não recebe mais oxigênio e nutrientes da mãe. Com os primeiros respirações da vida, os pulmões começam a se expandir. À medida que os pulmões se expandem, os alvéolos nos pulmões são limpos de fluido. Um aumento na pressão sanguínea do bebê e uma redução significativa nas pressões pulmonares reduzem a necessidade do ducto arterioso para desviar o sangue. Essas alterações promovem o fechamento do implante. Essas alterações aumentam 37 FISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA | UNIDADE I a pressão no átrio esquerdo do coração, o que diminui a pressão no átrio direito. A mudança de pressão estimula o forame oval a fechar. O fechamento do ducto arterioso e forame oval complementa a transição da circulação fetal para a circulação do recém-nascido. 38 REFERÊNCIAS BERNAL, J. La ciencia en la historia. México: Nueva Imagen; 1979. BERNE, R. M.; LEVY, M. N. Fisiologia. 5. ed. São Paulo: Elsevier, 2007. BHAGAVAN, N. V. Gastrointestinal Digestion and Absorption. Medical Biochemistry (Fourth Edition). Pages 197-224. 2002. BIRSKEN, C.; ATACA, D. Endocrine hormones and local signals during the development of the mouse mammary gland. WIREs Dev Biol, 4:181-195. 2015. CARLSON, B. M. Embriologia Humana e Biologia do Desenvolvimento. 5. ed. 2014. CENTRALX, Atlas do corpo humano. Pericárdio, 2018. Disponível em: http://www.atlasdocorpohumano. com/p/imagem/sistema-cardiovascular/coracao/pericardio/. Acesso em: 21 set. 2019. CENTRALX, Atlas do corpo humano. Átrio e Ventrículo, 2018. 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