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FISIOLOGIA 1

Unidade sobre fisiologia geral e cardíaca na gestação, criança e adolescente: introdução, objetivos e capítulos sobre aspectos fisiológicos fundamentais, coração, sistema circulatório e modificações cardiovasculares na gestação, com discussão sobre metabolismo e nutrição.

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FISIOLOGIA DA GESTAÇÃO, DA 
CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
UNIDADE I
FISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA
Elaboração
 Flávia Bulgarelli Vicentini
Produção
Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração
SUMÁRIO
FISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA ....................................................................................................................................................1
INTRODUÇÃO .................................................................................................................................................4
UNIDADE I
FISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA ....................................................................................................................................................5
CAPÍTULO 1 
ASPECTOS FISIOLÓGICOS FUNDAMENTAIS DO CORPO HUMANO ......................................................................... 5
CAPÍTULO 2
CORAÇÃO ..................................................................................................................................................................................... 13
CAPÍTULO 3 
 SISTEMA CIRCULATÓRIO ....................................................................................................................................................... 21
CAPÍTULO 4 
 MODIFICAÇÃO NO SISTEMA CARDIOVASCULAR NA GESTAÇÃO ......................................................................... 28
REFERÊNCIAS ...............................................................................................................................................38
4
INTRODUÇÃO
O objetivo principal da fisiologia é tentar desvendar os episódios físicos e químicos que 
estão associados a origem, desenvolvimento e progressão da vida. Podemos considerar 
que cada espécie de vida possui suas características físicas e funcionais próprias, desde 
um simples vírus até a maior árvore ou o complexo ser humano.
Os conhecimentos sobre fisiologia crescem a cada dia, devido ao acesso de informações 
da tecnologia e genética molecular. O estudo da fisiologia compreende todas as funções 
biológicas do organismo, células e tecidos, e nos faz compreender como o todo é capaz, 
mesmo em condições adversas, de realizar as funções essenciais. As células presentes 
no organismo, em conjunto com suas estruturas, são responsáveis por manter a sua 
homeostase.
Na fisiologia humana, estamos interessados nas características e na forma que o 
corpo humano funciona e quais são os mecanismos específicos que o tornam ativo. 
O fato de nosso organismo estar ativo (vivo) vai além de nosso controle próprio, 
existem mecanismos que nos impulsionam a tomar atitudes, por exemplo, se temos 
fome procuramos comida e se temos frio, procuramos fonte de calor. O corpo provoca 
sensações que nos fazem buscar por modificações. Por exemplo, o medo nos faz buscar 
abrigo e outras forças nos levam a procurar companhia e a reproduzir.
Desta forma, podemos afirmar que o ser humano é um autômato, somos seres que 
sentem, que possuem sentimentos e isso é, em parte, em decorrência dessa sequência 
automática que nos permite a viver e sobreviver em condições extremamente variáveis 
que, de outra forma, impossibilitariam a vida.
Objetivos 
 » Compreender a regulação do metabolismo e funcionalidades celulares.
 » Analisar os mecanismos de funcionamento dos sistemas orgânicos, tendo 
uma visão da importância de cada um deles e do funcionamento integrado do 
organismo.
 » Analisar as inter-relações das vias metabólicas intracelulares dos tecidos e órgãos.
5
UNIDADE IFISIOLOGIA GERAL E 
CARDÍACA
CAPÍTULO 1 
ASPECTOS FISIOLÓGICOS FUNDAMENTAIS DO CORPO 
HUMANO
O simples fato de se alimentar pode acarretar efeitos cumulativos no organismo, você 
já pensou que, se viver 65 anos ou mais, consumirá mais de 70 mil refeições e o seu 
notável corpo terá utilizado 50 toneladas de alimento? Esse efeito é progressivo e 
conforme os anos (idade) avançam, esse efeito será mais perceptível beneficamente ou 
não, de acordo com as escolhas alimentares realizadas.
A renovação celular e de estruturas do corpo acontece continuadamente. As células 
velhas de peles, ossos, sangue, tecidos, etc. são substituídos por novas dia a dia. 
Relacionando isso à alimentação, devemos pensar que se você ingere um pouco a 
mais de gordura ou um pouco a menos do que necessita, isso se tornará parte de seu 
organismo. 
Os alimentos ingeridos serão parte do organismo, ou seja, o melhor alimento é aquele 
que possui condições de fornecer suporte ao crescimento, desenvolvimento sadio, 
manutenção de formação muscular, ossos, peles e sangue, de forma que sejam bem 
desenvolvidos e saudáveis. Desta forma, podemos afirmar que o alimento é necessário 
não somente pela energia, mas também pela presença de nutrientes, vitaminas, 
minerais, carboidratos, proteína, gordura e água, e se forem consumidos de forma 
inadequada, em excesso ou insuficiente, isso acarretará alterações na formação e 
funcionamento do organismo, e que poderão surgir em forma de uma doença grave. E 
se os alimentos ingeridos fornecem muito pouco, ou demais, de um ou mais nutrientes 
todos os dias durante anos, então, quando você estiver velho, pode vir a sofrer seus 
efeitos, manifestados em uma doença grave. 
A questão é que uma variedade bem escolhida de alimentos supre a energia e a 
quantidade necessária de cada nutriente para prevenir má nutrição. Má nutrição inclui 
deficiências, desequilíbrios e excessos de nutrientes e qualquer um deles pode cobrar 
6
UNIDADE I | FISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA
um tributo da saúde ao longo do tempo. Portanto, é necessário compreender a fisiologia 
humana relacionando os sistemas biológicos com a nutrição.
A associação das células do organismo metazoário ocorre de maneira em que formam 
níveis diferentes de organização: tecidos, órgãos e sistemas de órgãos. A interpretação 
deve ser de forma morfofuncionalmente como o produto da interação entre grupos 
de células e de substâncias intercelulares que desempenham uma ou mais tarefas 
específicas. Já um órgão é constituído por mais de um tipo de tecido em diferentes 
proporções e padrões. Um sistema de órgãos envolve outros que interagem física, 
química e funcionalmente para que uma determinada tarefa seja efetuada.
Figura 1. Níveis de organização celular.
Partículas subatômicas
Átomo
Molécula
Macromolécula
Organela
Célula
Tecido
Órgão
Sistema de 
órgãos
Fonte: Coy, 2017.
As atividades metabólicas são realizadas pelas células para garantir sua própria 
sobrevivência e, ao mesmo tempo, a célula tem a capacidade de desempenhar a função 
específica do tecido de cujo órgão pertence. 
Os organismos vivos compartilham algumas propriedades e características que são 
comuns:
1. Equilíbrio da manutenção do organismo dentro de condições variáveis do meio 
externo (ambiente).
7
FISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA | UNIDADE I
2. Suprimento da necessidade de substâncias e nutrientes por meio de aquisição do 
ambiente externo. 
3. Realização da excreção de substâncias indesejáveis e de subprodutos finais do 
metabolismo.
4. Proteção contra injúrias.
5. Reprodução.
Figura 2. Sistemas do corpo humano.
 
 
Fonte: Toda Matéria, 2018.
A figura acima mostra os diferentes sistemas de órgãos do corpo humano, em que 
cada órgão atua de forma funcional integrada para a realização das funções vitais do 
organismo. Os organismos precisam reagir ativamente às mudanças no ambiente e, 
particularmente sob condições diversas, devem garantir o acesso aos nutrientes.
Homeostasia e sistemas de controle
Os seres vivos são dotados de uma grande capacidade de se adaptar quando existem 
variações no meio ambiente, mas cada organismo tem seus limites de tolerância. Os 
organismos precisam reagir ativamente às mudanças no ambiente e, particularmente 
sob condições diversas, devem garantir o acesso aos nutrientes.
A denominação de homeostase se refere à manutenção constante e estabilidade do 
meio interno. Particularmente quando falamos emhomeostase, todos os órgãos e 
tecidos do corpo humano estão envolvidos e executam funções que vão contribuir para 
manter a homeostasia do organismo.
A homeostase também está ligada às condições de estabilidade operacional que, além 
dos parâmetros biológicos, também exerce controle de parâmetros térmicos, por 
8
UNIDADE I | FISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA
exemplo, em animais homeotérmicos, a homeostasia está relacionada à regulação 
constante da temperatura corporal dentro de alguns limites tênues, ou seja, não 
toleram grandes oscilações da temperatura. Já os animais ectodérmicos possuem 
capacidade termoconformadora (dentro dos limites de tolerância). Isso nos mostra 
que as condições de homeostase térmica variam de um ser para outro.
Consideramos animais homeotérmicos, aqueles que possuem sensores térmicos 
chamados de termorreceptores. Esses termorreceptores são responsáveis por monitorar 
as variações térmicas do corpo de modo constante, o sistema nervoso possui um 
termostato que recebe essa informação, se ocorrem variações de temperatura corporal, 
são ativados os ajustes nos mecanismos produtores e trocadores de calor no sentido 
de restabelecer a condição desejada. Para a realização desses mecanismos de ajuste da 
homeostase corporal são necessários no mínimo três componentes essenciais:
a. Órgãos sensoriais: são extremamente sensíveis a alterações de mudanças 
específicas dos meios interno ou externo.
b. Órgãos de processamento e de integração: referem-se ao local de 
recebimento e processamento da informação; esses órgãos têm a capacidade de 
analisar a informação e, a partir daí, elaborar comandos de ação.
c. Órgãos efetuadores: são responsáveis por executar as tarefas que se fazem 
necessárias para que o organismo seja restabelecido, mantendo a homeostase.
Mecanismos homeostáticos
Para que a regulação dos parâmetros biológicos seja realizada, existem dois mecanismos 
considerados universais. 
Controle por retroalimentação negativa (Feedback negativo) 
Ao falarmos de feedback pensamos na resposta que o organismo emite frente a 
desequilíbrios. Um bom exemplo é a regulação da secreção dos hormônios e o controle 
da temperatura e da pressão arterial.
Sempre que ocorre uma alteração e essa é detectada pelos receptores sensoriais, existe 
a comunicação ao integrador, que realizará a comparação pelo ponto de ajuste ideal 
e, assim, será elaborado um ponto de ajuste e comandos considerados ideais para que 
os órgãos efetuadores contrabalancem o efeito do estímulo cancelando-o ou agindo 
contra ele.
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FISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA | UNIDADE I
Vamos supor que em um dia de muito calor você esteja andando de bicicleta. O fato de 
estar em atividade muscular vai produzir muito calor, fazendo com que o meio interno 
se aqueça, ative os receptores térmicos, que irão enviar a informação ao sistema nervoso 
central, assim que houver a recepção dessa informação, serão ativados os comandos 
nervosos que irão contrabalancear os efeitos do aumento da temperatura. Com efeito 
você vai parar a atividade, vai procurar uma sombra para descansar, mas mesmo assim 
continuará transpirando e com a respiração ofegante, essas são algumas maneiras de 
perder calor.
O mecanismo de feedback negativo será sempre a resposta a um fator que se torna 
excessivo ou deficiente. Esse processo desencadeia um sistema de controle que sempre 
irá proporcionar ao organismo retornar ao valor médio, restabelecendo e mantendo a 
homeostasia.
Controle por retroalimentação positiva (Feedback positivo)
Os sistemas de controle podem, por algum momento, exacerbar uma alteração, mas 
isso ocorre por um tempo limitado, que é também conhecido como círculo vicioso, o 
feedback positivo promove a instabilidade.
Existem alguns casos em que o feedback positivo atua em favor do organismo, como no 
início de uma atividade sexual, em que os sinais de receptividade sexual vão estimular 
de maneira intensa o parceiro. Esse é um tipo de reação positiva que vai deixar a mulher 
mais excitada e assim será recíproco, até em que o momento da penetração ocorre e 
dentro dessa atividade sexual pode ocorrer a fertilização do óvulo. O que ressaltamos 
aqui é que a exacerbação da atividade sexual foi retroalimentada de forma progressiva 
até que o orgasmo foi atingido.
Outro exemplo seria o trabalho de parto, que se inicia com o bebê exercendo pressão 
mecânica sobre a parede do útero, essa pressão promove a distensão mecânica da 
parede uterina que estimula a secreção da ocitocina, um hormônio hipotalâmico. Uma 
vez secretada, a ocitocina irá estimular a contração causando aumento da pressão 
intrauterina e gerando um círculo vicioso até que finalmente o bebê é expulso pelo 
útero.
Principais órgãos efetuadores do corpo
Os órgãos efetuadores são estruturas que são responsáveis por executar tarefas 
determinadas por um certo comando. Dentre os sistemas executores, existem os órgãos 
que vão executar determinadas ações: 
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UNIDADE I | FISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA
1. Sistema renal: responsável pela regulação hidroeletrolítica dos fluídos 
corporais, sob o controle dos sistemas endócrino e nervoso.
2. Sistema cardiocirculatório: responsável por ajustes do bombeamento 
sanguíneo, pressão e pelo fluxo nos tecidos.
3. Sistema músculo esquelético: responsável pela postura do corpo e seus 
movimentos, também relaciona o organismo com o meio externo.
4. Sistema digestório: responsável pela digestão e absorção do alimento.
5. Sistema respiratório: realiza a captação de O2 e a eliminação de CO2.
O Sistema Endócrino, além do sistema nervoso, tem a capacidade de atuar na regulação 
da função celular dos mesmos órgãos efetuadores, mas ele irá realizar ajustes que podem 
afetar o metabolismo celular. Ambos operam de maneira mais ou menos independente, 
mas o sistema nervoso controla o sistema endócrino. Já o sistema nervoso irá realizar 
sua ação rápida e no local de ação sobre os órgãos efetuadores por meio de impulsos 
elétricos, o sistema endócrino age mais lento, difusa e sustentadamente, pelos 
mediadores químicos que chegam até os órgãos efetuadores através da circulação.
Mais adiante estudaremos como ocorre a integração dos sistemas.
Fisiologia na gestação
Durante a gestação ocorrem várias adaptações do corpo, tanto fisiológicas como 
químicas, essas ocorrem profundamente e se iniciam logo após a fecundação e se 
alteram durante toda a gestação. A maior parte das alterações são em decorrência de 
estímulos fisiológicos produzidos pelo feto.
Em uma gestação que ocorre normalmente, como todos os órgãos sofrem alterações, 
são necessárias outras formas de diagnóstico e tratamento de doenças, pois essas 
alterações podem ser interpretadas de forma errônea que podem tanto mascarar uma 
doença como fazer com que doenças preexistentes se agravem.
Da mesma forma que as mudanças ocorrem na gestação, o retorno físico da mulher 
pós-parto e pós-lactação ocorre de forma rápida.
Fertilização
O útero e toda a estrutura do aparelho reprodutivo feminino têm a capacidade de se 
adaptar para o momento da fecundação e gestação.
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FISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA | UNIDADE I
Os ovários e tubas uterinas são adaptados à produção e ao transporte dos óvulos. 
A tuba uterina exerce um papel importante na fecundação, pois é nela que ocorre o 
princípio da fecundação, que suporta o desenvolvimento inicial do embrião. 
O útero tem por suas principais funções receber pela mucosa uterina (endométrio) e 
manter o embrião. Também exerce a função de expelir o feto, isso ocorre pela parede 
muscular (miométrio). 
Após a ovulação, o ovócito secundário é captado pela ampola da trompa uterina (o 
cumulus oophorus adere aos cílios das fímbrias, que se projetam em direção ao ovário). 
É viável durante 12-24 horas, enquanto os espermatozoides podem sobreviver até 48 
horas. 
São cerca de 300 milhões de espermatozoides ejaculados, mas a esmagadora maioria 
morre e apenas 100 chegam a entrar nas trompas uterinas. Quando o primeiro 
espermatozoide entra na camadainterna do óvulo chamada vitelínica, essa impedirá a 
entrada dos outros.
Figura 3. Processo de fertilização do óvulo.
 
 
Fusão da membrana plasmática 
com a do espermatozoide 
Conteúdo dos grânulos 
corticais 
Núcleo do óvulo 
Grânulos corticais 
Corona radiata 
Zona pelúcida 
Espaço perivitelínico 
Membrana vitelínica 
Acrossomo 
Núcleo do espermatozoide 
Reação no acrossomo 
Fonte: Toda Matéria, 2018.
Os espermatozoides possuem, na cabeça, uma vesícula (tipo lisossoma) de conteúdo 
enzimático, situada logo acima do núcleo – o acrossoma. Durante o processo de 
12
UNIDADE I | FISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA
fecundação, ocorre a interação do espermatozoide com receptores específicos da zona 
pelúcida (p. ex.: a proteína ZP3) que desencadeia a reação no acrossomo, consistindo na 
na fusão da membrana do acrossoma com a membrana plasmática do espermatozoide, 
criando-se poros que permitem a exocitose das enzimas: acrosina (uma protease, 
semelhante à tripsina), neuraminidase e hialuronidases que digerem a zona pelúcida. 
É, assim, possível a fusão do espermatozoide com a membrana plasmática do ovócito, 
despolarizando-a e levando à exocitose de proteases e glicosidases que alteram as 
glicoproteínas da superfície celular (como a ZP3), impedindo a fertilização por outros 
espermatozoides - polispermia.
No momento da fertilização, ocorre a estimulação do ovócito que será ativado pelo 
espermatozoide. A ativação envolve a retomada da meiose por meio da inativação 
do fator promotor da metáfase, que funciona para deter o ovócito na metáfase da 
segunda divisão meiótica. A extrusão do segundo corpo polar ocorre e os grânulos 
corticais são liberados no espaço perivitelino. Os grânulos corticais modificam as zonas 
glicoproteínas 2 e 3 no aspecto interno da zona pelúcida, resultando na perda de sua 
capacidade de estimular a reação acrossômica e na ligação firme, de modo a prevenir 
a polispermia. Este último evento ocorre antes ou simultaneamente com a retomada 
da meiose. A falha do ovócito em sintetizar ou liberar os grânulos corticais de maneira 
oportuna resulta em fertilização polissérmica. Nesse processo, o óvulo maduro fica com 
praticamente todo o citoplasma e o segundo corpo polar acaba por sofrer fertilização 
e degenerescência. Em cerca de 12 horas, a membrana nuclear do óvulo desaparece, 
permitindo a fusão com os 23 cromossomas do espermatozoide. Forma-se, assim, o 
zigoto, diploide, com 46 cromossomas.
Podemos observar que o espermatozoide contribui para o zigoto com mais do que os 
23 cromossomas paternos. De fato, pensa-se que o centrossoma, necessário para a 
organização do fuso mitótico do zigoto, deriva também do espermatozoide e não do 
ovócito.
13
CAPÍTULO 2
CORAÇÃO
O sistema cardiovascular tem a função principal de levar os nutrientes e oxigênio para 
as células. Esse sistema é fechado, ou seja, não possui comunicação com o exterior, é 
constituído por vasos e por uma bomba percursora que impulsiona o sangue por toda 
a rede vascular.
O sistema cardiovascular é composto pelo sangue, coração e vasos sanguíneos. Para 
que o sangue possa atingir as células corporais e trocar materiais com elas, ele deve ser 
constantemente propelido ao longo dos vasos sanguíneos. O coração é a bomba que 
promove a circulação de sangue por cerca de 100 mil quilômetros de vasos sanguíneos.
Pesando em média 250g nas mulheres e 300g nos homens, o coração é considerado 
uma grande potência. O formato do coração é de um cone e tem aproximadamente o 
tamanho de um punho fechado, cerca de 10 cm de comprimento, 9 cm de largura em 
sua parte mais ampla e 6 cm de espessura. 
A localização do coração é perto da linha média da cavidade torácica, ele está sobre 
o diafragma. A massa do coração é distribuída em cerca de 2/3 a esquerda da linha 
média do corpo, essa posição pode ser facilmente observada em exames de imagem 
(suas extremidades, superfícies e limites).
No intraoperatório, a anatomia do coração é vista do lado direito do paciente em 
decúbito dorsal através de uma incisão mediana de esternotomia. As estruturas vistas 
inicialmente sob essa perspectiva incluem a veia cava superior, átrio direito, ventrículo 
direito, artéria pulmonar e aorta. O deslocamento medial do lado direito do coração 
expõe o átrio esquerdo e as veias pulmonares direitas. A rotação medial da esquerda 
expõe o ápice do ventrículo esquerdo, as veias pulmonares esquerdas e o átrio esquerdo.
A forma geral e a posição do coração podem variar de acordo com o tamanho e a 
orientação relativa de cada uma de suas partes. Por exemplo, um grande ventrículo 
direito pode permitir a exposição de apenas um segmento curto da aorta; isso é por 
causa dos limites estreitos do espaço intermediário do mediastino.
A aurícula direita é separada do átrio direito por um recuo vertical posterior e raso no 
átrio direito (isto é, o sulcus terminalis) e, internamente, por uma crista vertical (isto é, 
a crista terminalis). A crista terminalis separa o átrio direito em porções trabeculadas 
e não trabeculadas.
14
UNIDADE I | FISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA
Camadas da parede cardíaca
Pericárdio 
É um tipo de membrana que reveste o coração com a função de protegê-lo. O pericárdio 
faz um tipo de contenção de movimentos para que ele permaneça em sua posição 
no mediastino, mas também permite uma liberdade de movimento para contrações 
vigorosas e rápidas. O pericárdio consiste em duas partes principais: pericárdio fibroso 
e pericárdio seroso.
Figura 4. Pericárdio.
Fonte: Centralx, 2018.
O pericárdio fibroso superficial é formado por um tecido conjuntivo denso, resistente, 
inelástico e irregular. Seu formato é parecido com um saco que está preso ao diafragma.
Já o pericárdio seroso é uma membrana mais delicada e fina formando uma dupla 
camada que circula o coração. O pericárdio seroso é dividido em duas camadas: 
camada parietal, que é a parte externa e está fundida ao pericárdio fibroso; camada 
visceral, parte interna, também conhecida como epicárdio, que se adere fortemente à 
superfície do coração.
Miocárdio 
Camada do coração formada por músculo estriado cardíaco, essa é a camada média 
e a mais espessa do coração. O miocárdio age sozinho, sem esforço consciente, sua 
contração (batimento cardíaco) é responsável por bombear sangue e oxigênio para 
todo corpo e também bombeia o sangue sem oxigênio para os pulmões, para que a 
troca gasosa seja realizada. 
15
FISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA | UNIDADE I
Endocárdio
É a camada interna do coração, formada por uma fina camada de tecido que é composto 
por epitélio pavimentoso simples sobre uma camada de tecido conjuntivo. Por ter uma 
camada brilhante e lisa, favorece que o sangue corra facilmente sobre ela. Esta camada 
reveste as câmaras internas do coração, cobre as válvulas cardíacas e é contínua com 
o endotélio de grandes vasos sanguíneos. O endocárdio dos átrios do coração consiste 
em músculo liso, assim como fibras elásticas. Uma infecção do endocárdio pode levar a 
uma condição conhecida como endocardite. A endocardite é tipicamente o resultado de 
uma infecção das válvulas cardíacas ou do endocárdio por certas bactérias, fungos ou 
outros micróbios. A endocardite é uma condição grave que pode ser fatal.
Configuração externa
 » Superfície Anterior ou Esternocostal: principalmente o ventrículo direito.
 » Fronteira Inferior ou Superfície Diafragmática: principalmente o ventrículo 
esquerdo e parte do ventrículo direito.
 » Borda Direita ou Superfície Pulmonar: átrio direito
 » Fronteira Esquerda ou Superfície Pulmonar: ventrículo esquerdo e cria a 
impressão cardíaca no pulmão esquerdo.
Figura 5. Faces do coração.
 
 
Face 
Esternocostal 
Face 
Diafragmática 
Face 
Pulmonar 
Fonte: Netter, 2000.
https://www.thoughtco.com/anatomy-of-the-heart-valves-373203
https://www.thoughtco.com/blood-vessels-373483
https://www.thoughtco.com/atria-of-the-heart-anatomy-373232
https://www.thoughtco.com/surprising-things-you-didnt-know-about-bacteria-373277
https://www.thoughtco.com/interesting-facts-about-fungi-37340716
UNIDADE I | FISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA
Configuração interna
No coração existem quatro camadas: dois ventrículos e dois átrios. 
Os átrios (as câmaras superiores) recebem sangue; os ventrículos (câmaras inferiores) 
bombeiam o sangue para fora do coração. 
Figura 6. Átrios e ventrículos.
Átrios Ventrículos 
 
 
Fonte: Centralx, 2018.
A face anterior que existe em cada átrio possui uma estrutura enrugada, em forma de 
saco, chamada aurícula (semelhante à orelha do cão). 
O septo interatrial é uma fina divisória que separa o átrio direito do esquerdo, já o 
ventrículo direito é separado do esquerdo pelo septo interventricular.
 Ciclo cardíaco
Os batimentos cardíacos estão associados a eventos que envolvem o ciclo cardíaco. 
Quando o coração bate, ocorre a sístole atrial, ou seja, primeiro os átrios se contraem, 
esse movimento faz com que o sangue seja forçado para os ventrículos, quando os 
dois ventrículos estão preenchidos, se contraem (sístole ventricular) e impulsionam o 
sangue para fora do coração. 
Um coração funcionando eficientemente tem um bombeamento adequado, para 
que isso ocorra é preciso que a contração rítmica de suas fibras musculares. O fluxo 
sanguíneo deve ser direcionado e controlado, isso ocorre pelas quatro valvas que estão 
localizadas, duas entre o átrio e o ventrículo – atrioventriculares (valva tricúspide e 
17
FISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA | UNIDADE I
bicúspide); e duas localizadas entre os ventrículos e as grandes artérias que transportam 
sangue para fora do coração – semilunares (valva pulmonar e aórtica). 
A função dessas valvas e válvulas é impedir que o sangue flua de forma anormal, essas 
valvas/válvulas impedem que o refluxo aconteça, elas se fecham logo após a passagem 
do sangue.
Os termos diástole e sístole referem-se a quando os músculos do coração relaxam e 
contraem. O equilíbrio entre a diástole e a sístole determina a pressão sanguínea da 
pessoa.
Sístole. A sístole é quando o músculo cardíaco se contrai. Quando o coração se contrai, 
empurra o sangue para fora do coração e para dentro dos grandes vasos sanguíneos 
do sistema circulatório. A partir daqui o sangue vai para todos os órgãos e tecidos do 
corpo. Durante a sístole, a pressão sanguínea de uma pessoa aumenta.
Diástole. A diástole é quando o músculo cardíaco relaxa. Quando o coração relaxa, as 
câmaras do coração se enchem de sangue e a pressão sanguínea diminui. 
Podemos concluir que o ciclo cardíaco compreende: sístole atrial, sístole ventricular e 
diástole ventricular.
A diástole e a sístole afetam a pressão sanguínea de uma pessoa de maneira diferente, 
quando o coração empurra o sangue ao redor do corpo durante a sístole, a pressão nos 
vasos aumenta. Isso é chamado de pressão sistólica. Quando o coração relaxa entre 
as batidas e reabastece com sangue, a pressão arterial cai. Isso é chamado de pressão 
diastólica.
Vascularização
A irrigação do coração é realizada pelas artérias coronárias e pelo seio coronário. 
Existem duas artérias coronárias principais que se ramificam para suprir o coração 
inteiro. Eles são denominados artérias coronárias esquerda e direita e surgem dos 
seios aórticos esquerdo e direito dentro da aorta.
Os seios da aorta são pequenas aberturas encontradas na aorta, atrás dos retalhos 
esquerdo e direito da valva aórtica. Quando o coração está relaxado, o refluxo de sangue 
enche essas bolsas das válvulas, permitindo que o sangue entre nas artérias coronárias.
A artéria coronária esquerda (ACE) inicialmente se ramifica para produzir a descendente 
anterior esquerda (DAE), também chamada de artéria interventricular anterior, 
18
UNIDADE I | FISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA
que também libera a artéria marginal esquerda e a artéria circunflexa esquerda. Em 
~ 20-25% dos indivíduos, a artéria circunflexa esquerda contribui para a artéria 
interventricular posterior.
A artéria coronária direita: se ramifica para formar duas artérias: artéria marginal direita 
e artéria interventricular posterior. A artéria coronária direita (ACD) se ramifica para 
formar a artéria marginal direita (AMD) anteriormente. Em 80-85% dos indivíduos, 
também se ramifica na artéria interventricular posterior (AIV) posteriormente.
O sangue viaja do subendocárdio para as veias tebesianas, que são pequenas tributárias 
que correm pelo miocárdio. Estes, por sua vez, drenam para veias maiores que se 
esvaziam no seio coronário. O seio coronário é a principal veia do coração, localizada na 
face posterior do sulco coronário, que se estende entre o átrio esquerdo e o ventrículo 
esquerdo. O seio drena para o átrio direito. Dentro do átrio direito, a abertura do seio 
coronário localiza-se entre o óstio atrioventricular direito e o orifício da veia cava 
inferior. 
Existem cinco afluentes que drenam para o seio coronário:
 » A grande veia cardíaca é o principal tributário. Origina-se no ápice do coração e 
segue o sulco interventricular anterior até o sulco coronário e ao redor do lado 
esquerdo do coração para se juntar ao seio coronariano.
 » A pequena veia cardíaca também está localizada na superfície anterior do coração. 
Isso passa ao redor do lado direito do coração para se juntar ao seio coronariano.
 » Outra veia que drena o lado direito do coração é a veia cardíaca média. Está 
localizado na superfície posterior do coração.
 » As duas veias cardíacas finais também estão na superfície posterior do coração.
No lado posterior esquerdo está a veia marginal esquerda.
 » No centro está a veia ventricular posterior esquerda que corre ao longo do sulco 
interventricular posterior para se unir ao seio coronário.
Inervação
A medula, localizada no tronco cerebral acima da medula espinhal, é um importante 
local no cérebro para regular o fluxo do nervo autonômico para o coração e os vasos 
sanguíneos, e é particularmente importante para a regulação retroalimentada de curto 
prazo da pressão arterial. 
19
FISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA | UNIDADE I
A medula contém corpos celulares para as duas principais divisões do sistema nervoso 
autônomo – simpático e parassimpático. Os nervos simpáticos saem da medula e viajam 
pela medula espinhal, onde fazem sinapse com fibras pré-ganglionares relativamente 
curtas que viajam e fazem sinapse dentro dos gânglios simpáticos. As fibras eferentes 
pós-ganglionares dos gânglios viajam para o coração e vasculatura, onde fazem sinapses 
em seus locais-alvo. 
Os nervos parassimpáticos (nervo vago; nervo craniano X) saem da medula como 
longas fibras eferentes pré-ganglionares que formam sinapses com fibras de ordenação 
pós-ganglionares no interior do coração ou tecido vascular. A atividade dos neurônios 
medulares é modulada pela entrada de sensores periféricos e de outras regiões 
cerebrais. Existe a derivação do sistema nervoso autônomo que é a inervação extrínseca 
(simpático e parassimpático). 
O núcleo do trato solitário (NTS) da medula recebe estímulos sensoriais de diferentes 
receptores sistêmicos e centrais (por exemplo, barorreceptores e quimiorreceptores). 
Conexões neurais do NTS modulam a atividade de neurônios simpáticos localizados 
na medula ventrolateral rostral e a atividade de neurônios parassimpáticos localizados 
no núcleo dorsal do vago e no núcleo ambíguo, do qual surgem os nervos vagos 
parassimpáticos (décimos nervos cranianos). 
A atividade neuronal no NTS ativa reciprocamente os neurônios vagais e inibe os 
neurônios simpáticos. A medula também recebe informações de outras regiões do 
cérebro (por exemplo, hipotálamo). O hipotálamo e os centros superiores modificam 
a atividade dos centros medulares e são particularmente importantes para estimular 
as respostas cardiovasculares às emoções e ao estresse (por exemplo, exercício, 
estresse térmico). O fluxo autonômico da medula é dividido em ramos simpático e 
parassimpático (vagal). As fibras eferentes desses nervos autônomos viajam para o 
coração e vasos sanguíneos, onde modulam a atividade desses órgãos-alvo.O coração é inervado por fibras vagais e simpáticas. O nervo vago direito inerva 
principalmente o nó SA, enquanto o vago esquerdo inerva o nó AV; no entanto, pode 
haver sobreposição significativa na distribuição anatômica. O músculo atrial também 
é inervado por eferentes vagais, enquanto o miocárdio ventricular é escassamente 
inervado por eferentes vagais. Os nervos eferentes simpáticos estão presentes em todos 
os átrios (especialmente no nó SA) e nos ventrículos, incluindo o sistema de condução 
do coração.
A estimulação simpática do coração aumenta a frequência cardíaca (cronotropia 
positiva), a inotropia e a velocidade de condução (motomotropia positiva), enquanto 
20
UNIDADE I | FISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA
a estimulação parassimpática do coração tem efeitos opostos. Os efeitos simpáticos e 
parassimpáticos na função cardíaca são mediados por receptores beta-adrenérgicos e 
muscarínicos, respectivamente.
Os nervos simpáticos adrenérgicos percorrem as artérias e os nervos e são encontrados na 
adventícia (parede externa de um vaso sanguíneo). As varicosidades, que são pequenas 
ampliações ao longo das fibras nervosas, são o local de liberação de neurotransmissores 
(norepinefrina). 
Fibras parassimpáticas são encontradas associadas a vasos sanguíneos em certos 
órgãos, como glândulas salivares, glândulas gastrointestinais e no tecido erétil 
genital. A liberação de acetilcolina (ACTh) desses nervos parassimpáticos, que se liga 
aos receptores muscarínicos de ACTh, tem ação vasodilatadora direta (acoplada à 
formação de óxido nítrico e ativação da guanilil ciclase). A liberação de ACTh pode 
estimular a liberação de calicreína do tecido glandular que age sobre o cininogênio 
para formar cininas (por exemplo, bradicinina). As cininas causam aumento da 
permeabilidade capilar e constrição venosa, juntamente com vasodilatação arterial em 
órgãos específicos.
21
CAPÍTULO 3 
 SISTEMA CIRCULATÓRIO
Circulação pulmonar e sistêmica
Circulação pulmonar: o sistema circulatório pulmonar envia sangue depletado 
de oxigênio do coração através da artéria pulmonar para os pulmões e retorna 
sangue oxigenado para o coração através das veias pulmonares. O sangue privado de 
oxigénio entra no átrio direito do coração e flui através da válvula tricúspide (válvula 
atrioventricular direita) para o ventrículo direito. De lá, é bombeado através da válvula 
semilunar pulmonar para a artéria pulmonar a caminho dos pulmões. Quando chega 
aos pulmões, o dióxido de carbono é liberado do sangue e o oxigênio é absorvido. A veia 
pulmonar envia o sangue rico em oxigênio de volta ao coração.
Circulação sistêmica: é responsável por fornecer o suprimento sanguíneo necessário 
a todo organismo. A circulação sistêmica, considerada a maior circulação, é a porção do 
sistema circulatório que é a rede de veias, artérias e vasos sanguíneos, que transporta o 
sangue do coração, atende as células do corpo e, em seguida, retorna ao coração.
 Sangue
O sangue tem três funções principais: transporte, proteção e regulação.
Transporte – realiza o transporte das seguintes substâncias:
 » gases, nomeadamente oxigénio (O2) e dióxido de carbono (CO2), entre os pulmões 
e o resto do corpo;
 » substrato e micronutrientes que estão no trato digestivo e locais de armazenamento 
para o resto do corpo;
 » produtos residuais que necessitam ser eliminados ou desintoxicados pelo fígado 
e pelos rins;
 » hormônios que são produzidos pelas glândulas para as células-alvo;
 » calor que será fornecido para a pele, com o objetivo de promover a regulação da 
temperatura corporal.
22
UNIDADE I | FISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA
Proteção – tem vários papéis na inflamação:
 » leucócitos, ou glóbulos brancos, destroem microrganismos invasores e células 
cancerígenas;
 » anticorpos e outras proteínas destroem substâncias patogênicas;
 » fatores plaquetários, que ajudam a reduzir a perda de sangue, por meio da 
coagulação.
Regulação – o sangue ajuda a regular:
 » pH interagindo com ácidos e bases;
 » balanço hídrico por transferência de água para tecidos.
O sangue é classificado como tecido conjuntivo e consiste em dois componentes 
principais:
 » Plasma, que é um fluido extracelular claro;
 » Elementos formados, compostos pelas células do sangue e plaquetas.
Os elementos formados são, assim, chamados porque estão encerrados em uma 
membrana de plasma e têm uma estrutura e forma definidas. Todos os elementos 
formados são células, exceto as plaquetas, que são pequenos fragmentos de células da 
medula óssea. 
Esses elementos são: eritrócitos, também conhecidos como glóbulos vermelhos, 
leucócitos, também conhecidos como glóbulos brancos e plaquetas.
Glóbulos vermelhos
Os glóbulos vermelhos, também conhecidos como eritrócitos, são de longe o tipo 
mais comum de células sanguíneas e constituem cerca de 45% do volume sanguíneo. 
Os eritrócitos são produzidos dentro da medula óssea vermelha a partir de células-
tronco na taxa espantosa de cerca de 2 milhões de células a cada segundo. A forma dos 
eritrócitos é bicôncava - discos com uma curva côncava em ambos os lados do disco, de 
modo que o centro de um eritrócito é sua parte mais fina. A forma única dos eritrócitos 
confere a estas células uma elevada razão entre a área superficial e o volume e permite-
lhes dobrar para se ajustarem a capilares finos. Quando os eritrócitos imaturos têm um 
núcleo que é ejetado da célula quando atinge a maturidade para fornecer sua forma 
e flexibilidade únicas. A falta de um núcleo significa que os glóbulos vermelhos não 
contêm DNA e não são capazes de se reparar uma vez danificados.
23
INTRODUÇÃO
Os eritrócitos transportam oxigênio no sangue através da hemoglobina do 
pigmento vermelho. A hemoglobina contém ferro e proteínas unidas para aumentar 
significativamente a capacidade de transporte de oxigênio dos eritrócitos. A alta razão 
de área superficial para volume dos eritrócitos permite que o oxigênio seja facilmente 
transferido para a célula nos pulmões e para fora da célula nos capilares dos tecidos 
sistêmicos. Nos capilares, o plasma é seguido de alguns linfócitos e poucas e raras 
hemácias, este pode extravasar para o espaço intersticial, o que constitui a linfa, essa 
será posteriormente reabsorvida pelos capilares linfáticos passando aos vasos linfáticos 
e, então, às veias, sendo reintegrada à circulação. 
Glóbulos brancos
Os glóbulos brancos, também conhecidos como leucócitos, constituem uma 
porcentagem muito pequena do número total de células na corrente sanguínea, mas 
têm importantes funções no sistema imunológico do corpo. Existem duas classes 
principais de glóbulos brancos: leucócitos granulares e leucócitos agranulares.
Plaquetas
Também conhecidos como trombócitos, as plaquetas são pequenos fragmentos celulares 
responsáveis pela coagulação do sangue e pela formação de crostas. As plaquetas 
se formam na medula óssea vermelha a partir de grandes células de megacariócitos 
que periodicamente se rompem e liberam milhares de pedaços de membrana que se 
transformam nas plaquetas. As plaquetas não contêm um núcleo e só sobrevivem no 
corpo por até uma semana antes que os macrófagos as capturem e digiram.
Plasma
O plasma é a parte não celular ou líquida do sangue que compõe cerca de 55% do 
volume do sangue. O plasma é uma mistura de água, proteínas e substâncias 
dissolvidas. Cerca de 90% do plasma é feito de água, embora a porcentagem exata varie 
dependendo dos níveis de hidratação do indivíduo. As proteínas no plasma incluem 
anticorpos e albuminas. Anticorpos fazem parte do sistema imunológico e se ligam 
a antígenos na superfície de patógenos que infectam o corpo. As albuminas ajudam 
a manter o equilíbrio osmótico do corpo, fornecendo uma solução isotônica para as 
células do corpo. Muitas substâncias diferentes podem ser encontradas dissolvidas 
no plasma, incluindo glicose, oxigênio, dióxido de carbono, eletrólitos, nutrientes e 
produtos residuais celulares. O plasma funciona como um meio de transporte paraessas substâncias à medida que elas se movem pelo corpo.
24
UNIDADE I | FISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA
Considerando que o ponto central da circulação é o coração, a partir dele existem dois 
circuitos fechados distintos: 
 » Circulação pulmonar ou direita ou pequena circulação: é destinada à 
troca de gazes: gás carbônico por oxigênio. Esse circuito percorre do coração até 
os pulmões e depois retorna ao coração. 
 » Circulação sistêmica ou esquerda ou grande circulação: sua função é 
fornecer nutrientes para as células. Seu percurso inicia-se no coração e se distribui 
por todo o organismo e retorna ao coração. 
 Vasos sanguíneos
Os vasos sanguíneos são as estradas do corpo que permitem que o sangue flua rápida e 
eficientemente do coração para todas as regiões do corpo e vice-versa. O tamanho dos 
vasos sanguíneos corresponde à quantidade de sangue que passa pelo vaso. Todos os 
vasos sanguíneos contêm uma área oca chamada de lúmen, através da qual o sangue 
é capaz de fluir. Em torno do lúmen é a parede do vaso, que pode ser fina no caso dos 
capilares ou muito espessa no caso das artérias.
Todos os vasos sanguíneos são revestidos por uma fina camada de epitélio escamoso 
simples, conhecido como endotélio, que mantém as células sanguíneas dentro dos 
vasos sanguíneos e previne a formação de coágulos. O endotélio reveste todo o sistema 
circulatório até o interior do coração, onde é chamado de endocárdio.
Existem três tipos principais de vasos sanguíneos: artérias, capilares e veias. Os vasos 
sanguíneos são frequentemente denominados de acordo com a região do corpo através 
da qual transportam sangue ou para estruturas próximas. Por exemplo, a artéria 
braquiocefálica transporta sangue para as regiões braquial (braço) e cefálica (cabeça). 
Um de seus ramos, a artéria subclávia, corre sob a clavícula; daí o nome subclávia. 
A artéria subclávia corre para a região axilar, onde se torna conhecida como artéria 
axilar.
25
FISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA | UNIDADE I
Figura 7. Artérias e veias.
 
 
do coração 
Artéria 
Capilares 
Veia 
Fonte: Thinglink, 2015.
Sistema arterial
Conjunto de vasos que saem do coração e se ramificam sucessivamente distribuindo-se 
para todo o organismo. As artérias enfrentam altos níveis de pressão sanguínea, já que 
carregam sangue do coração sob grande força. Para suportar essa pressão, as paredes 
das artérias são mais grossas, mais elásticas e mais musculosas que as de outros vasos. 
As maiores artérias do corpo contêm uma alta porcentagem de tecido elástico que lhes 
permite alongar e acomodar a pressão do coração.
Artérias importantes do corpo humano
Sistema do tronco pulmonar: a artéria pulmonar principal se ramifica no sistema 
arterial pulmonar. Em pacientes com anatomia cardíaca aberrante com ducto arterioso 
patente, a identificação precisa da artéria pulmonar pode ser difícil usando angiografia, 
porque a artéria pulmonar se torna opaca durante a injeção aórtica. Para diferenciar a 
artéria pulmonar da valva aórtica, lembre-se de que a artéria pulmonar quase nunca 
libera ramos braquiocefálicos. 
Sistema da artéria aorta (sangue oxigenado): é a maior artéria do corpo, com 
diâmetro de 2 a 3 cm, ela começa na base do coração e tipicamente se ramifica para 
formar as artérias coronárias distalmente à valva aórtica. Existem quatro divisões 
principais, que são a aorta ascendente, o arco da aorta, a aorta torácica e aorta 
abdominal. A parte da aorta que emerge do ventrículo esquerdo, posterior ao tronco 
pulmonar, é a aorta ascendente.
26
UNIDADE I | FISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA
 Sistema venoso
É constituído pelas veias, que são um tipo de vaso sanguíneo que retorna o sangue 
desoxigenado de seus órgãos de volta ao coração. Estas são diferentes das artérias, que 
fornecem sangue oxigenado do coração para o resto do corpo.
O circuito que termina no átrio esquerdo pelas quatro veias pulmonares trazendo 
sangue arterial dos pulmões chama-se de pequena circulação ou circulação pulmonar. 
E o circuito que termina no átrio direito por meio das veias cavas e do seio coronário 
retornando com sangue venoso chama-se de grande circulação ou circulação sistêmica.
As veias são os grandes vasos de retorno do corpo e atuam como contrapartes de retorno 
de sangue das artérias. Como as artérias, arteríolas e capilares absorvem a maior 
parte da força das contrações do coração, veias e vênulas são submetidas a pressões 
sanguíneas muito baixas. Essa falta de pressão permite que as paredes das veias sejam 
muito mais finas, menos elásticas e menos musculosas que as paredes das artérias.
Veias importantes do corpo humano
Veias da circulação pulmonar (ou pequena circulação): as veias que conduzem o sangue 
que retorna dos pulmões para o coração, após sofrer a hematose (oxigenação), recebem 
o nome de veias pulmonares. 
Existem quatro veias pulmonares que vão desembocar no átrio esquerdo, elas são 
formadas pelas veias segmentares, que recolhem sangue venoso dos segmentos 
pulmonares. 
Veias da circulação sistêmica (ou da grande circulação): 
Veia cava superior: a veia cava superior tem o comprimento de cerca de 7cm e 
diâmetro de 2cm e origina-se dos dois troncos braquiocefálicos (ou veia braquiocefálica 
direita e esquerda). 
Não muito abaixo da clavícula e atrás do lado direito do esterno, duas grandes veias, 
a direita e a esquerda, braquiocefálica, juntam-se para formar a veia cava superior. 
As veias braquiocefálicas, como o próprio nome indica – sendo formadas a partir das 
palavras gregas para “braço” e “cabeça” – transportam sangue que foi coletado da 
cabeça, pescoço e braços; eles também drenam o sangue de grande parte da metade 
superior do corpo, incluindo a parte superior da coluna e a parte superior da parede 
torácica.
27
FISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA | UNIDADE I
 Figura 8. Tronco braquiocefálico venoso.
 
 
Tronco Braquiocefálico 
Venoso Esquerdo Veia cava superior 
Veia cava inferior 
Fonte: Desbravar Biologia, 2015.
Veia cava inferior: a veia cava inferior é a maior veia do corpo, com diâmetro de 
cerca de 3 cm e é formada pelas duas veias ilíacas comuns que recolhem sangue da 
região pélvica e dos membros inferiores. 
Figura 9. Veia cava inferior e veia cava superior.
 
 
Veia cava superior 
Veia cava inferior 
Fonte: Desbravar Biologia, 2015.
Seio coronário e veias cardíacas: considerado como a veia principal do coração, 
o seio coronário recebe quase todo o sangue venoso do miocárdio. O seio coronariano 
está localizado na porção posterior do sulco coronário na superfície diafragmática ou 
posterior do coração, ele deságua diretamente no átrio direito, próximo à conjunção do 
sulco interventricular posterior e do sulco coronariano (área de crux cordis), localizado 
entre a veia cava inferior e a valva tricúspide; esse óstio atrial pode ser parcialmente 
coberto por uma válvula de Tebas, embora a anatomia dessa válvula seja altamente 
variável.
28
CAPÍTULO 4 
 MODIFICAÇÃO NO SISTEMA CARDIOVASCULAR NA 
GESTAÇÃO
Uma variedade de alterações no sistema cardiovascular ocorre durante a gravidez 
normal, incluindo aumento do débito cardíaco, complacência arterial, volume de 
líquido extracelular e diminuição da pressão arterial (PA) e resistência periférica total.
As mudanças principais envolvem o aumento da volemia e do débito cardíaco e a 
diminuição da resistência vascular sistêmica e da reatividade vascular.
Volume de sangue (volemia) aumenta progressivamente de 6-8 semanas de gestação 
(gravidez) e atinge um máximo em aproximadamente 32-34 semanas com pouca 
mudança depois disso. O aumento do volume plasmático (40-50%) é relativamente 
maior que o da massa de hemácias (20-30%), resultando em hemodiluição e diminuição 
da concentração de hemoglobina. A ingestão de ferro suplementar e ácido fólico é 
necessária para restaurar os níveis de hemoglobina ao normal (12 g/dl).
O aumento do volume de sangue serve a dois propósitos:
 » Primeiro, facilita as trocas maternas e fetais de gases respiratórios, nutrientese 
metabólitos. 
 » Em segundo lugar, reduz o impacto da perda de sangue materno no parto. Perdas 
típicas de 300-500 ml para partos vaginais e 750-1000 ml para cesarianas são 
assim compensadas com a chamada “autotransfusão” de sangue do útero em 
contração (cf. débito cardíaco abaixo).
A hipervolemia induzida pela gestação é uma adaptação do organismo para satisfazer 
as necessidades metabólicas aumentadas dos tecidos. Assim, o retorno venoso e o 
débito cardíaco aumentam dramaticamente durante a gravidez. 
O débito cardíaco aumenta gradualmente durante os dois primeiros trimestres, com o 
maior aumento ocorrendo às 16 semanas de gestação. O aumento do débito cardíaco 
está bem estabelecido em 5 semanas de gestação e aumenta para 50% acima dos níveis 
pré-gestacionais em 16 a 20 semanas de gestação. O aumento do débito cardíaco 
tipicamente atinge o platô após 20 semanas de gestação e permanece elevado até o 
termo. Os aumentos no débito cardíaco estão associados a aumentos significativos no 
volume sistólico e na frequência cardíaca (FC).
29
FISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA | UNIDADE I
O aumento do débito cardíaco ocorre pela elevação do volume sistólico que acontece 
devido à elevação da frequência cardíaca. Quando ocorre a volemia em níveis elevados, 
ocorre o aumento do retorno venoso e isso leva à maior distensibilidade e contratilidade 
do ventrículo esquerdo.
À medida que o feto cresce, o útero requer mais fluxo sanguíneo para fornecer os 
nutrientes necessários para o crescimento e desenvolvimento. Como resultado, 
o sangue bombeado pelo coração aumenta em 30 a 50%. A frequência cardíaca em 
repouso, que em adultas não grávidas geralmente varia entre 60 e 100 batimentos 
por minuto, aumenta em 10 a 20 pontos durante a gravidez. No terceiro trimestre, a 
mudança geral na frequência cardíaca aumenta de 20 a 25% em relação ao valor basal, 
ou da frequência cardíaca da mulher antes da gravidez.
Alguns órgãos são modificados devido ao aumento do débito cardíaco, a placenta e o 
útero aumentam progressivamente para garantir o aporte sanguíneo do feto, os rins, a 
circulação sanguínea no local aumenta aproximadamente 500 ml/min, a pele, para a 
troca de calor, as glândulas mamárias, intestinos e outros órgãos.
Durante a posição supina, o débito cardíaco reduz em aproximadamente 5% a 10% das 
gestantes. Esse fato acontece como devido à redução do retorno venoso, que é devido 
à compressão da veia cava inferior pelo útero. Essa alteração pode levar a bradicardia, 
hipotensão, síncope, caracterizando a síndrome de hipotensão supina.
Quando a mãe entra em trabalho de parto, o débito cardíaco se eleva em cada contração 
uterina, aproximadamente 500ml de sangue saem do útero, caem na circulação 
sistêmica e retornam a uma linha de base progressivamente mais elevada no intervalo 
intercontrátil. 
O débito cardíaco também se eleva entre 50% e 60% devido à dor e à ansiedade que 
estão associadas ao trabalho de parto e, durante as primeiras horas após o parto, pode 
se elevar de 60% a 80% com relação aos valores antes do parto. Essa alteração é devido 
à transferência do sangue que estava no útero para a circulação sistêmica e à menor 
compressão da veia cava inferior causados pela involução uterina. Então, apesar da 
perda sanguínea que gira em torno de 500ml (parto vaginal) e 1000ml (parto cesárea), 
ocorre o aumento da volemia.
 » PA média diminui gradualmente durante a gravidez, com a maior diminuição 
da PA ocorrendo tipicamente entre 16 e 20 semanas. A PA começa, então, 
a subir durante o terceiro trimestre a níveis próximos dos valores de PA pré-
gestacional (gráfico 1). A diminuição da PA durante a gravidez é caracterizada por 
30
UNIDADE I | FISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA
diminuições na PA sistólica (PAS) e na PA diastólica (PAD), com os decréscimos 
na PAD excedendo os da PAS.
Gráfico 1. Pressão arterial na gestação sem riscos.
 
 
Pr
es
sã
o 
ar
te
ria
l m
éd
ia
, m
m
H
g 
Semanas de gestação 
Fonte: Hall, 2011.
O aumento das prostaciclinas (produzidas nas paredes dos vasos sanguíneos) está 
relacionado com redução da resistência vascular sistêmica. Esse aumento ocorre devido 
ao tromboxano, produzido pelas plaquetas, que possui ação vasoconstritora. Os vasos 
maternos também se tonam refratários aos efeitos vasoconstritores das catecolaminas, 
da angiotensina II e de outras substâncias vasopressoras. Isso leva à redução da 
reatividade vascular caracterizada na gestação. O envelhecimento progressivo da 
placenta, que ocorre no final da gestação, exige a extinção de parte da circulação 
placentária, isso leva ao aumento novamente da resistência vascular sistêmica.
Quando se inicia o trabalho de parto, ocorre o aumento da pressão arterial sistólica 
entre 15 e 20 mmHg e da diastólica, entre 10 e 15 mmHg. O aumento dessas alterações 
vai depender da intensidade da contração uterina e está relacionada à dor, à ansiedade e 
à posição da parturiente. No pós-parto imediato, o aumento da pressão arterial é ainda 
maior, pois, com o desprendimento da placenta, a resistência vascular aumenta. Nesse 
momento também ocorre a elevação do retorno venoso causado pela descompressão 
da veia cava inferior e o aumento da volemia pela passagem do sangue represado no 
útero para a circulação sistêmica.
Embora os mecanismos responsáveis pela mediação das alterações na hemodinâmica 
sistêmica ainda não tenham sido completamente elucidados, acredita-se que vários 
fatores importantes contribuam para mudanças fisiológicas no sistema vascular que 
ocorrem durante a gravidez. Evidências substanciais indicam que a produção de 
óxido nítrico (NO) está elevada na gravidez normal e que esses aumentos parecem 
31
FISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA | UNIDADE I
desempenhar um papel importante na vasodilatação da gravidez. A inibição da síntese 
de NO em modelos animais de gestação atenua a diminuição da resistência periférica 
total e o aumento do débito cardíaco associado à gravidez.
Fatores hormonais, como estrogênio e relaxina, são considerados importantes para 
estimular a produção de NO durante a gravidez. A relaxina, produzida principalmente 
pelo corpo lúteo, demonstrou reduzir cronicamente a resistência periférica total 
e aumentar o débito cardíaco e a complacência arterial sistêmica. Além disso, a 
neutralização da relaxina circulante endógena por anticorpos durante a gestação 
precoce atenua acentuadamente as alterações no débito cardíaco, na resistência 
vascular sistêmica e na complacência arterial durante a gestação. Pensa-se que estes 
efeitos da relaxina sejam mediados pelas interações entre os receptores da endotelina 
tipo B e o NO. Assim, a relaxina parece desempenhar um papel importante em muitas 
das adaptações cardiovasculares da gravidez via mecanismos dependentes do NO.
Durante a 32a semana, o sistema cardiovascular entra em efeito platô e depois volta 
a crescer de maneira rápida no momento do parto e no pós-parto imediato. Por isso, 
há a necessidade de implementação de rotinas e cuidados de gestantes com doenças 
cardiovasculares.
Gravidez e doença cardíaca
Embora a doença cardíaca materna complique uma pequena porcentagem das 
gestações em geral, é uma causa significativa de morbidade e mortalidade materna e 
fetal não estática. A gravidez está associada a alterações hemodinâmicas significativas, 
a saber, expansão do volume e aumento do débito cardíaco, que no contexto de doença 
cardíaca materna subjacente pode levar à descompensação e ao óbito fetal. Além das 
alterações hemodinâmicas impostas pelo estado gravídico, fatores como vasodilatação 
periférica da anestesia ou perda de sangue que pode ocorrer com o parto podem agravar 
a disfunção cardíaca em mulheres com doença cardíaca subjacente significativa.
A doença cardíaca congênita está se tornando mais prevalente em mulheres em idade 
fértil, como resultado de melhores modalidades diagnósticas e técnicas reparadoras. 
Além disso, a doença cardíaca adquirida tornou-se mais prevalente, agora que muitas 
mulheresestão postergando a gravidez até idades mais avançadas, quando o risco de 
doença cardiovascular aumenta devido à hipertensão (HAS), diabetes e obesidade. 
A avaliação de risco em mulheres com doença cardíaca subjacente é crucial. Em um 
estudo prospectivo de 562 gestantes consecutivas com doença cardíaca, 13% das 
gestações foram complicadas por eventos cardíacos primários, definidos como edema 
pulmonar, arritmia, acidente vascular cerebral ou morte cardíaca. Os preditores de 
32
UNIDADE I | FISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA
eventos cardíacos foram eventos cardíacos prévios ou arritmias, classe funcional ruim 
(definida como insuficiência cardíaca classe III-IV da New York Heart Association 
(NYHA) ou cianose, obstrução do coração esquerdo (área da valva mitral <2 cm2 , área 
da valva aórtica <1,5 cm2 , ou gradiente de saída do pico de ventrículo esquerdo [VE]> 30 
mmHg) e disfunção do VE definida como fração de ejeção do VE (FE) <40%. Portanto, 
é imperativo que as mulheres com condições cardíacas adquiridas e congênitas sejam 
aconselhadas a evitar a gravidez e sejam avaliadas e monitoradas se engravidarem.
Insuficiência cardíaca
Particularmente no terceiro trimestre, as alterações hemodinâmicas que ocorrem 
podem levar à descompensação clínica em mulheres com cardiomiopatias subjacentes. 
Os achados físicos normais associados à gravidez frequentemente incluem taquicardia, 
galope tipo S3, sopro sistólico de “fluxo”, edema periférico e, às vezes, distensão venosa 
jugular, que pode obscurecer o diagnóstico de IC na mulher grávida. Além disso, muitas 
mulheres com gestações normais apresentam sintomas como ortopneia, que podem 
mascarar a presença de disfunção subjacente do VE. É nesses locais que os testes 
diagnósticos, como os níveis de peptídeo natriurético cerebral ou um ecocardiograma, 
podem ser úteis.
As mulheres com disfunção sistólica subjacente estável do VE muitas vezes podem 
ser submetidas à gestação com segurança quando acompanhadas de perto para 
descompensação materna e fetal de maneira coordenada tanto por um cardiologista 
quanto por um obstetra, embora haja algum risco aumentado associado para mãe e 
feto. Os objetivos da terapia médica nesses pacientes são aliviar a sobrecarga de volume 
com diuréticos e otimizar a terapia médica para controle da PA e redução da pós-carga. 
Pacientes gestantes com IC devem ser manejadas de forma semelhante a pacientes não 
grávidas, com exceção do uso de inibidores da enzima conversora da angiotensina ou 
bloqueadores dos receptores da angiotensina, devido ao alto risco de efeitos adversos 
no feto com essas drogas. 
Tanto a IC quanto a gravidez estão associadas a um estado de hipercoagulabilidade. 
Não há diretrizes claras sobre anticoagulação em gestantes com disfunção sistólica 
significativa do VE, mas a anticoagulação profilática é razoável para prevenir trombos 
intracardíacos e eventos embólicos em pacientes com FE <30% -35%. A varfarina 
é tipicamente contraindicada no primeiro trimestre da gravidez devido à sua 
teratogenicidade, mas as mulheres podem ser tratadas com heparina não fracionada 
(HN) ou heparina de baixo peso molecular (HBPM). As diretrizes atuais recomendam 
a HBPM ou a HU por via subcutânea duas vezes ao dia durante a gestação ou HN ou 
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FISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA | UNIDADE I
HBPM por via subcutânea duas vezes ao dia até a semana 13, seguida por varfarina nas 
semanas 13 a 35 e retomada da HU / HBPM até o parto.
Arritmias
A maioria das arritmias que ocorrem na gravidez na ausência de doença cardíaca 
estrutural é benigna e transitória. Taquiarritmias sintomáticas e recorrentes 
devem ser avaliadas para descartar fatores exacerbantes, como anormalidades 
cardíacas estruturais, hipertireoidismo ou embolia pulmonar. Quaisquer arritmias 
hemodinamicamente instáveis ou potencialmente fatais devem ser eletricamente 
cardiovertidas ou desfibriladas de acordo com as diretrizes do Advanced Cardiac 
Life Support. Pacientes com arritmias estáveis e sintomáticas podem ser tratados 
farmacologicamente com agentes que tenham o menor potencial de efeitos adversos 
ao feto. Pacientes com fibrilação atrial ou flutter atrial devem ser considerados para 
terapia de anticoagulação.
Pré-eclâmpsia
A pré-eclâmpsia (PE) é caracterizada pelo novo início de hipertensão definido como 
PAS ≥ 140 mmHg ou PAD ≥ 90 mmHg e proteinúria em uma mulher previamente 
normotensa após 20 semanas de gestação. A patogênese ou EP não é bem compreendida, 
mas pode envolver anormalidades no desenvolvimento vascular placentário no início 
da gravidez, resultando em isquemia placentária relativa ou hipoxemia e liberação de 
substâncias antiangiogênicas (isto é, s-Flt-1 e endoglina solúvel) na circulação materna 
levando à vascularização. Disfunção endotelial e hipertensão. Alguns dos fatores 
associados ao aumento do risco de desenvolver PE incluem história de EP na gravidez 
anterior ou história familiar de EP, nuliparidade, hipertensão crônica ou doença 
renal, índice de massa corporal elevado ou idade> 40 anos. Hipertensão e proteinúria 
associadas geralmente estão presentes no terceiro trimestre e progridem até o parto.
Além da hipertensão e da proteinúria, a PE está associada a edema generalizado, 
hipercoagulabilidade, trombocitopenia e, às vezes, lesão de órgão alvo ao fígado ou 
rins. Os pacientes podem apresentar sintomas do sistema nervoso central, como dores 
de cabeça ou visão turva e, se desenvolverem atividade convulsiva, são caracterizados 
como portadores de ipogênes. O tratamento definitivo para EP é a entrega do feto 
para prevenir complicações maternas ou fetais; a decisão de antecipar o parto ou não 
depende da idade gestacional, da estabilidade materno-fetal e da gravidade da EP. 
As mulheres com doença leve que são manejadas de forma conservadora devem reduzir 
sua atividade física e fazer avaliações maternas e fetais e testes laboratoriais. HTA grave 
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UNIDADE I | FISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA
(PAS ≥ 160 mmHg ou PAD ≥ 100 mmHg) deve ser tratada para prevenir complicações 
vasculares maternas, como acidente vascular cerebral, e agentes comumente prescritos 
incluem hidralazina, labetalol ou bloqueadores dos canais de cálcio. Os fetos de 
pacientes com PE grave geralmente são administrados independentemente da idade 
gestacional para evitar futuras complicações maternas e fetais.
A hipertensão e a proteinúria associadas à PE muitas vezes desaparecem dentro de 
alguns dias após o parto, mas podem durar até algumas semanas.
Doença cardíaca congênita
Os defeitos do septo atrial (CIA) são as lesões congênitas mais comuns observadas 
durante a gravidez e geralmente são bem tolerados na ausência de hipertensão pulmonar 
ou taquiarritmias atriais. Os defeitos do septo ventricular (DSV) são tipicamente 
identificados precocemente na vida e a maioria dos grandes shunts é corrigida antes 
de atingir a idade fértil. Pequenos desvios geralmente são bem tolerados, mas grandes 
DSVs estão associados a maior risco de desenvolver IC ou hipertensão pulmonar, 
aumentando o risco de mortalidade materna e fetal. A síndrome de Eisenmenger 
pode se desenvolver com grandes shunts e está associada a altas taxas de mortalidade 
materna.
A tetralogia de Fallot (TOF) é a forma mais comum de cardiopatia cianótica em adultos; 
a maioria das mulheres grávidas que se apresentam com TOF terá sido submetida à 
correção cirúrgica e se sairá bem durante a gravidez e o parto. Se não for corrigida, 
a diminuição da resistência vascular periférica associada à gravidez pode aumentar 
o desvio da direita para a esquerda. A cianose, quando presente, está associada à 
eritrocitose, hiperviscosidade e tromboembolias, aumentando o risco de complicações 
cardiovasculares maternas. 
Os sintomas em pacientes sem correção são tipicamente dependentes do tamanho 
do CIV, do grau de estenose pulmonar e da hipertrofia ventricular direita. Níveis de 
hemoglobina ≥20 g / dl e saturação arterial de oxigênio ≤ 85% estão associados a 
resultados fetais ruins e devemser evitados. As mulheres que se submeteram ao reparo 
cirúrgico podem apresentar insuficiência pulmonar ou tricúspide residual e disfunção 
do ventrículo direito, que pode ser agravada pela hipervolemia que acompanha a 
gravidez.
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FISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA | UNIDADE I
Hipertensão pulmonar
A hipertensão pulmonar está associada à alta mortalidade durante a gravidez, 
independentemente da etiologia, e os pacientes devem ser fortemente desencorajados a 
engravidar. As causas incluem hipertensão pulmonar primária, doença tromboembólica 
crônica ou hipertensão pulmonar secundária por doença cardíaca valvular ou shunts 
intracardíacos congênitos (síndrome de Eisenmenger). 
A síndrome de Eisenmenger pode ocorrer no cenário de grandes desvios não reparados 
da esquerda para a direita quando ocorrem alterações vasculares pulmonares em 
resposta ao aumento do fluxo sanguíneo pulmonar, levando a um aumento da 
resistência vascular pulmonar e, por fim, à reversão desses pacientes. Isso pode ser 
observado em pacientes com TEA, DSV ou canal arterial patente, e está associado à alta 
mortalidade materna (40%) e fetal (8%). 
As alterações hemodinâmicas associadas ao trabalho de parto e parto, bem como 
durante o puerpério, são pouco toleradas e a maioria das mortes maternas é devido a 
hipovolemia, eventos tromboembólicos ou parto cesáreo; a maioria ocorre durante ou 
dentro da primeira semana após o parto. A interrupção da gravidez deve ser considerada 
em pacientes com hipertensão pulmonar grave ou síndrome de Eisenmenger.
Sistema circulatório fetal
Durante a gravidez, o sistema circulatório fetal funciona de maneira diferente do que 
após o nascimento:
 » O feto é conectado pelo cordão umbilical à placenta, o órgão que se desenvolve e 
se implanta no útero da mãe durante a gravidez.
 » Através dos vasos sanguíneos do cordão umbilical, o feto recebe toda a nutrição, 
oxigênio e suporte de vida necessários da mãe através da placenta.
 » Os produtos residuais e o dióxido de carbono do feto são enviados de volta através 
do cordão umbilical e da placenta até a circulação da mãe para serem eliminados.
O sistema circulatório fetal usa dois shunts da direita para a esquerda, que são pequenas 
passagens que direcionam o sangue que precisa ser oxigenado. O objetivo desses shunts 
é contornar certas partes do corpo, em particular, os pulmões e fígado, que não estão 
totalmente desenvolvidos enquanto o feto ainda está no útero. Os desvios que passam 
pelos pulmões são chamados de forame oval, que movimenta o sangue do átrio direito 
do coração para o átrio esquerdo e o ductus arteriosus, que movimenta o sangue da 
artéria pulmonar para a aorta.
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UNIDADE I | FISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA
O oxigênio e os nutrientes do sangue da mãe são transferidos através da placenta para 
o feto. O sangue enriquecido flui através do cordão umbilical até o fígado e se divide em 
três ramos. O sangue, então, atinge a veia cava inferior, uma veia importante conectada 
ao coração. A maior parte desse sangue é enviada através do ducto venoso, também uma 
derivação que passa sangue altamente oxigenado pelo fígado até a veia cava inferior 
e depois para o átrio direito do coração. Uma pequena quantidade desse sangue vai 
diretamente para o fígado para fornecer o oxigênio e os nutrientes necessários.
Os produtos residuais do sangue fetal são transferidos de volta através da placenta 
para o sangue da mãe.
Dentro do coração fetal:
O sangue entra no átrio direito, a câmara no lado superior direito do coração. Quando 
o sangue entra no átrio direito, a maior parte flui através do forame oval para o átrio 
esquerdo.
O sangue, então, passa para o ventrículo esquerdo (câmara inferior do coração) e 
depois para a aorta (a grande artéria que vem do coração).
Da aorta, o sangue é enviado para o músculo cardíaco em si, além do cérebro. Depois 
de circular por lá, o sangue retorna ao átrio direito do coração através da veia cava 
superior. Cerca de dois terços do sangue passarão pelo forame oval como descrito 
acima, mas o terço restante passará para o ventrículo direito, em direção aos pulmões.
No feto, a placenta faz o trabalho de respirar em vez dos pulmões. Como resultado, 
apenas uma pequena quantidade do sangue continua nos pulmões. A maior parte deste 
sangue é contornado ou desviado dos pulmões através do ducto arterioso para a aorta. 
A maior parte da circulação para a parte inferior do corpo é fornecida pelo sangue que 
passa pelo ducto arterioso.
Este sangue, então, entra nas artérias umbilicais e flui para a placenta. Na placenta, 
o dióxido de carbono e os resíduos são liberados no sistema circulatório da mãe, e 
oxigênio e nutrientes do sangue da mãe são liberados no sangue do feto.
No nascimento, o cordão umbilical é clampeado e o bebê não recebe mais oxigênio e 
nutrientes da mãe. Com os primeiros respirações da vida, os pulmões começam a se 
expandir. À medida que os pulmões se expandem, os alvéolos nos pulmões são limpos 
de fluido. Um aumento na pressão sanguínea do bebê e uma redução significativa nas 
pressões pulmonares reduzem a necessidade do ducto arterioso para desviar o sangue. 
Essas alterações promovem o fechamento do implante. Essas alterações aumentam 
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FISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA | UNIDADE I
a pressão no átrio esquerdo do coração, o que diminui a pressão no átrio direito. A 
mudança de pressão estimula o forame oval a fechar.
O fechamento do ducto arterioso e forame oval complementa a transição da circulação 
fetal para a circulação do recém-nascido.
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	FISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA
	Introdução
	UNIDADE I
	FISIOLOGIA GERAL E CARDÍACA
	Capítulo 1 
	Aspectos fisiológicos fundamentais do corpo humano
	Capítulo 2
	Coração
	Capítulo 3 
	 Sistema circulatório
	Capítulo 4 
	 Modificação no sistema cardiovascular na gestação
	Referências

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