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Intervenções fonoaudiológicas nos transtornos do
desenvolvimento da linguagem oral e escrita
 Módulo 1 | intervenção nos transtornos do desenvolvimento
da linguagem (atraso de fala, TDL e TEA)
Linguagem
Através dela conseguimos
nos comunicar com o outro e
nos inserir no contexto social. 
Função cerebral que utiliza
elementos verbais, orais e
gráficos para a comunicação. 
Instrumento da comunicação
e dos pensamentos pois é um
suporte para as operações
mentais. 
Ela nos serve para a
comunicação e para a
organização dos
pensamentos sendo
mediadora do
desenvolvimento das funções
executivas. 
O pensamento está tão intimamente
ligado a linguagem que podemos dizer
que: 
“O pensamento é a linguagem
implícita e a linguagem é o
pensamento explícito.” 
Linguagem
oral 
A fala é uma modalidade da
linguagem verbal que
exterioriza o pensamento
através da palavra.
Em um processo que
compreende o emprego da voz,
articulação , ritmo e intensidade. 
Níveis
linguísticos 
Nível fonético: É o estudo da
fisiologia ou produção motora dos
sons da fala e sua produção
acústica.
Nível fonológico: É o inventário de
sons que ocorre na linguagem e as
regras para combinar os sons em
unidades significativas.
Nível morfológico: Lida com
estrutura interna e formação de
palavras. 
Nível sintático: Refere-se à
estrutura das fases.
Nível semântico: Refere-se aos
significados das palavras.
Nível pragmático: É o desempenho
ou uso da linguagem. 
LINGUAGEM
LINGUA
-IMPORTANTE
1
O bom desenvolvimento
da linguagem oral
depende de fatores como 
Integridade
orgânica | 
1.
Questões PRÉ, PERI E PÓS natais:
genéticas neurológicas e estruturais.
Audição dentro da normalidade e com
boa experienciação nos primeiros anos
de vida.
Bom desenvolvimento dos órgãos
fonoarticulatórios (OFA’S - lábios,
língua, dentes, bochechas, palatos
duro e mole), os quais se desenvolvem,
aprimoram ao longo do primeiro ano
de vida através das funções
estomatognáticas ( funções do
conjunto de estruturas da boca -
mastigação, deglutição, sucção,
fonoarticulação e respiração). 
2. QUALIDADE DA
INTERAÇÃO | 
Desenvolvimento
Processo vitalício resultante da interação
complexa de fatores biológicos, psicológicos,
culturais e ambientais. 
DESENVOLVIMENTO MOTOR
DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM 
DESENVOLVIMENTO COGNITIVO
DESENVOLVIMENTO SOCIAL
DESENVOLVIMENTO PSICOLÓGICO
Hereditariedade
GENÉTICA + MEIO AMBIENTE =
DESENVOLVIMENTO
Linguagem oral = Base genética 
Linguagem escrita = Base cultural 
O que é genético tem relação com a idade 
 O que é cultural tem relação com a
oportunidade
Linguagem /
Comunicação
Desenvolvimento
da linguagem
O desenvolvimento da linguagem oral
requer a interação de vários aspectos
de igual importância
MOTIVAÇÃO
MEMÓRIA
EMOÇÃO
ORGANIZAÇÃO TEMPORAL E ESPACIAL
DISCRIMINAÇÃO
ANÁLISE E SÍNTASE 
FIGURA - FUNDO 
PERCEPÇÃO AUDITIVA, VISUAL E
CINESTÉSICA 
HABILIDADE DOS ORGÃOS
FONOARTICULATÓRIOS 
2
Fatores fundamentais
para o desenvolvimento
da comunicação infantil
Intenção comunicativa: Razão ou
motivo
Conteúdo: Algo para comunicar
Forma: Meio de comunicação 
Parceiro: Com quem se comunicar 
Capacidade cognitiva: Compreensão
do mundo
Marcos de
desenvolvimento
São um conjunto e habilidades que
a maioria das crianças atinge em
determinada idade
Habilidades cognitivas 
Habilidades emocionais 
Habilidades sociais 
Habilidades de linguagem
A palavra, o tom a
postura corporal
A palavra representa apenas 7% da
capacidade de influência sobre as
pessoas. 
O tom de voz representa 38% do poder
de comunicação entre duas pessoas. 
A postura corporal representa 55% da
comunicação.
O “boi da cara preta”
Desenvolvimento da
linguagem
O desenvolvimento da linguagem
oral depende das relações sociais. 
A atividade interpretativa da mãe é
fundamental para a construção da
linguagem e para a constituição do
sujeito. 
A linguagem da criança tem início na
significação atribuída ao seu choro
por sua mãe, ou seja, a linguagem
não tem origem em um processo
biológico e, sim, em um processo
social. 
A criança muda a sua posição diante
da língua, reorganizando sua
estrutura e incorporando segmentos
da fala do adulto conforme vai
passando pelos processos
construtivos do diálogo proposto por
de Lemos. 
Processos de aquisição
de linguagem, segundo
Cláudia de Lemos
Especularidade: A fala da criança é um
recorte da fala do adulto. 
A mãe oferece sua fala como espelho para
a criança.
EX | Mãe: Quer água? 
 Criança: Qué 
Complementaridade: O enunciado da
criança incorpora parte do enunciado
precedente do adulto e ainda
complementa com um vocábulo
próprio.
EX | Mãe: Olha a bola!
 Criança: Qué bola!
Reciprocidade: A criança é capaz de
reconhecer as diferenças entre sua
fala e a do outro, consegue retomá-la,
até reformulá-la se for preciso. 
3
Os principais
marcos
LINGUAGEM
COMPREENSIVA
Por volta dos 2/3meses: Vira-se
para a fonte sonora. 
Por volta dos 4/5meses: Observa o
ambiente com atenção.
6 meses: Responde com tons
emotivos à voz materna.
9 a 15 meses: Entende muitas
palavras familiares e ordens
simples. 
18 a 20 meses: Conhece partes do
corpo, acha objetos a pedido. 
24 meses: Segue instruções
envolvendo dois conceitos verbais. 
36 meses: Conhece diversas cores,
utiliza plural, pronomes que
diferenciam sexo e adjetivos. 
LINGUAGEM
EXPRESSIVA
Por volta dos 2 / 3 meses: Choros
diferenciados e sons primitivos. 
Por volta dos 4 / 5 meses: Gritinhos
e produções de vogais e primeiras
consoantes 
6 meses: Balbucio, produção de
sílabas com estrutura CV
De 10 a 15 meses: Primeiras
palavras ( segmento sonoro com
significado/ 1 a 3 palavras por
semana. )
18 a 20 meses: Aumento de
vocabulário (léxico) com
velocidade. 
Aproximadamente, a partir de 40
palavras ocorre uma “explosão” de
vocabulário (até 8 palavras novas por
semana)
24 meses: Produção de frases de
duas palavras ( 50 a 200 palavras
no vocabulário)
36 meses: Produção de frases
sintaticamente bem estruturadas.
Ausência de vocabulário ou
restrição em sua extensão são
indicativos de alterações no
desenvolvimento da linguagem. 
Importância do
diagnóstico/
Intervenção precoce
A partir de 8 ou 9 meses, começa a
surgir a comunicação intencional:
O bebê demonstra reconhecer o
outro como alguém com quem
pode manifestar seus desejos. 
Por volta de 12 meses são
capazes de partilhar o foco de
atenção com o outro: Mostrar
um objeto ou chamar a atenção
para um acontecimento. 
Falhas nessa evolução podem
indicar alterações na
reciprocidade socioemocional.
E QUANDO ALGO
DÁ ERRADO
NESSE PROCESSO
Podemos ter um atraso ou
transtorno de linguagem oral
4
Atraso de
linguagem
Atraso tem uma conotação temporal,
ou seja, está um pouco atrás do
esperado para a idade. 
Segue o padrão de
desenvolvimento típico mas é mais
lento. 
Se comporta como uma criança
mais nova. 
Tem bom contato visual, coa
comunicação verbal (aponta, imita)
Não existem dificuldades
importantes de compreensão.
Resultante de inadequada
exposição ao ambiente linguístico:
Interações sociais restritas, otites
de repetição. 
Pode resultar em um ritmo
maturacional mais lento. 
Tende a ser superada até os 5 anos
de idade. 
Transtorno
de linguagem
Referem-se às dificuldades
neurofuncionais da linguagem. Se não
houver intervenção adequada poderão
tornar-se dificuldades persistentes,
exemplo: 
TDL - transtorno do
desenvolvimento da linguagem
TEA - transtorno do espectro
autista
TDL |
Transtorno do
desenvolvimento
da linguagem
Anteriormente era conhecido como DEL -
distúrbio específico de linguagem
Está relacionado às dificuldades persistentes na
fala e no desenvolvimento da linguagem mesmo
com todas as condições para isso. 
Não está ligado à lesões no cérebro ou
síndromes.
Alteração persistente no desenvolvimento da
linguagem que não se deve a limitações
intelectuais, falta de oportunidades sociais, perda
auditiva, problemas neurológicos focais. 
Incidência de 7 em cada 100 crianças. É mais
comum em meninos.
Critérios para
inclusão diagnóstica
Atraso de pelo menos 12 meses em
relação à linguagem expressiva.
Atraso de 6 mesesem relação à
linguagem receptiva. 
Ausência de lesões neurológicas,
deficiências motoras e sensoriais. 
Ausência de perda auditiva. 
Ausência de síndromes e alterações
neurossensoriais.
Quadro compartilha várias
características com o TEA, porém,
crianças com TDL clássico não
apresentam interesses restritos e
comportamentos estereotipado. 
5
Principais sintomas
INTERAÇÃO SOCIAL /
LINGUAGEM E
COMUNICAÇÃO
COMPORTAMENTO 
6
Atraso para começar a falar
Fala de difícil entendimento aos 3
anos.
Dificuldade de compreensão.
Vocabulário reduzido.
Dificuldades para contar histórias ou
acontecimentos do dia. 
Dificuldade para aprender a ler e
escrever.
Dificuldades para interpretação da
linguagem, para manter
conversações e evocar palavras.
Habilidades conversacionais
inadequadas.
Perguntas fora de contexto.
Fonologia e sintaxe sem alterações
ou com alterações discretas.
Também, são chamadas de DPL ou
Distúrbio Pragmático de linguagem. 
TEA |
Transtorno do
espectro autista
O transtorno do espectro autista (TEA) é
uma condição neurobiológica
caracterizada por prejuízos que podem ser
de leves a severos, nas áreas de interação
e comunicação social, caracterizado
principalmente por alterações no
desenvolvimento da linguagem oral. 
Estas crianças podem apresentar ainda
um repertório restrito de atividades e
interesses, movimentos motores
estereotipados, fala ecolálica (é um
distúrbio de desenvolvimento da
linguagem e da fala que consiste na
repetição automática de palavras ou
frases ditas por outras pessoas) e atipias
do olhar. 
Diagnóstico é clínico e multidisciplinar. 
Exames laboratoriais, de imagens e
outros são excludentes ( auditivo,
ressonância, tomografia e genético).
DSM - 5 coloca como uma díade
sempre presente: 
Questões internacionais e de
comportamento geralmente
mais frequantes
Muitas vezes solicitam objetos
pela condução da mão do
adulto (uso do outro como
ferramenta)
Ecolalia: Repetição não
significativa da fala dos
outros. 
Ecolalia tardia: Repetição de
emissões ouvidas
anteriormente.
Ecolalia imediata:
Automática, imediatamente
após a emissão original. 
 Ecolalia mitigada:
Modificações da emissão
original no sentido apropriado.
Risadas descontextualizadas. 
Alteração na teoria da mente
( dificuldade em prever o
comportamento do outro)
Muitas vezes memória
espantosa. 
Facilidade em outros idiomas. 
Inversão pronomial ( uso da
terceira pessoa ao invés da
primeira)
Hiperlexia
7
Níveis de suporte 
A intervenção
fonológica
A terapia fonoaudiológica nos Transtornos de
Linguagem Oral vai ser voltada para a estimulação
da fala e das interações sociais estimulando a
reciprocidade, a compreensão, a intenção
comunicativa e os comportamentos que regulam a
comunicação social como: 
O contato visual.
Atenção compartilhada.
Estimular as brincadeiras simbólicas e
imaginárias. 
O que antecede a
intervenção
Anamnese: Deve ser realizada considerando
o contexto da queixa. 
Avaliação: Fazer uso de protocolos que
permita identificar as dificuldades e direcione
os objetivos terapêuticos. 
Algumas habilidades
trabalhadas na fonoterapia de
linguagem oral
Contato visual: É importantíssimo para a
comunicação e socialização.
Atenção compartilhada: Esta habilidade diz
respeito à capacidade de dividirmos nossa
atenção sob o mesmo foco. Compartilhando
o interesse sobre algo ou objeto em comum. 
Intenção comunicativa: É desejo de se
comunicar com o outro e expressá-lo de
alguma forma.
Compreensão verbal: Capacidade de
compreender o que se fala oralmente com
ela. 
Jogo simbólico: São brincadeiras de faz de
conta e jogos de enredo. Tudo que envolva
imaginação. 
Comunicação alternativa: Temos que
pensar ainda nos casos de crianças com
ausência de comunicação verbal, para eles
sugere-se o uso de sistemas de
comunicação alternativa. 
Troca de turnos: Os turnos fazem parte dos
atos comunicativos, são trocas interativas
relacionais. Envolve falar e aguardar a
resposta e/ou do outro.
Ampliação do vocabulário: O vocabulário é
um conjunto de palavras familiares na
linguagem de uma pessoa. 
Fala/Funções comunicativas de linguagem:
Estimular a fala através das funções de
linguagem para dar mais sentido à fala. 
EXEMPLO | Pedir, negar, chamar. 
Ecolalias: É importante sinalizar para a
criança que aquela fala está fora de contexto
ou não faz sentido. Podemos dar o modelo
correto de resposta esperada.
Prosódia: Trabalhar ritmo e modulação da
fala em diferentes contextos emocionais. 
Intervenção: Objetivos
individualizados
Com todas essas possibilidades
devemos lembrar que a escolha da
atividade de estimulação vai depender
de um planejamento prévio com
objetivos a serem alcançados,
considerando as características e a
necessidade de cada criança. 
A evolução da criança com TL é bastante
variada, depende de fatores como qual a
causa do atraso, comprometimento da
família e bom planejamento terapêutico,
mas quando esses fatores estão
alinhados costumamos perceber
resposta com pouco tempo de terapia.

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