Prévia do material em texto
Sistemas Operacionais de Obrigações Acessórias Introdução ao Cumprimento das Obrigações Acessórias Desenvolvimento do material Nara Pires 1ª Edição Copyright © 2022, Afya. Nenhuma parte deste material poderá ser reproduzida, transmitida e gravada, por qualquer meio eletrônico, mecânico, por fotocópia e outros, sem a prévia autorização, por escrito, da Afya. Sumário Introdução ao Cumprimento das Obrigações Acessórias Para início de conversa... ................................................................................ 3 Objetivos .................................................................................................... 3 1. Conceitos e Finalidades ............................................................................. 4 2. Espécies de Tributos .................................................................................... 4 3. Elementos Fundamentais de um Tributo ............................................. 7 4. Modelos de Documentos de Arrecadação ........................................... 8 Referências .................................................................................................... 10 Para início de conversa... Esta unidade de aprendizagem objetiva apresentar o sistema tributário nacional e identificar os principais tributos cobrados pela União, Estados e Municípios. Falaremos sobre o conceito de tributos e as espécies existentes no Código Tributário Nacional (impostos, taxas e contribuições de melhoria), além das contribuições e empréstimos compulsórios, ambos equiparados a tributos pela Constituição Federal de 1988. Identificaremos os tributos e as respectivas competências para cobrança. Assim, será fácil saber quais são cobrados pela União, pelos Estados, Municípios e pelo Distrito Federal. Por fim, falaremos sobre os documentos utilizados para a arrecadação dos tributos. Objetivos ▪ Interpretar o ambiente eletrônico no cumprimento de obrigações acessórias. ▪ Identificar as atividades contábeis, compreendendo a visão sistêmica e interdisciplinar. ▪ Reconhecer as terminologias, identificando a linguagem das Ciências Contábeis. Sistemas Operacionais de Obrigações Acessórias 3 1. Conceitos e Finalidades A última reforma tributária realizada no Brasil ocorreu entre os anos de 1965 e 1967 e foi sacramentada na Constituição Federal de 1967. O sistema tributário brasileiro foi considerado inovador na época. A premissa básica da reforma foi a simplificação do sistema tributário como um todo e, por incrível que pareça, é justamente o que nos falta nos dias de hoje: uma reforma que contribua, de forma efetiva, para o desenvolvimento econômico e social do país. A atual Constituição Federal, promulgada em outubro de 1988, trouxe modificações importantes para o sistema tributário nacional. Foi por meio dela que foram introduzidas as Contribuições e o Empréstimo Compulsório. Outras modificações introduzidas pela carta magna de 1988 dizem respeito à redistribuição dos recursos entre os entes federativos e a preocupação com a ampliação de direitos trabalhistas e previdenciários. Tributos Vamos à definição do art. 03 do Código Tributário Nacional: “Tributo é toda prestação pecuniária, compulsória, em moeda ou cujo nela se possa exprimir, que não constitua sanção por ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada.” (BRASIL, 1966) Veja, na Figura 1, alguns esclarecimentos sobre o conceito de tributos: Prestação Pecuniária Significa que o tributo deve ser pago em unidades de moeda corrente. Sanção por ato ilícito As penalidades pecuniárias ou multas não se incluem no conceito de tributo, logo, pagar tributo não decorre de uma infração pelo descumprimento de uma determinada lei. Compulsória Corresponde a uma obrigação e independe da vontade do contribuinte. Instituída em lei Somente se paga tributo por este estar associado a uma determinada legislação, ou seja, é necessário que exista uma norma jurídica para a cobrança. Em moeda ou cujo nela se possa exprimir Os tributos são expressos em moeda corrente nacional. Cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada A autoridade não tem liberdade para escolher a melhor oportunidade e cobrança do tributo. A lei é quem estabelece todos os passos a serem seguidos. 1 2 3 4 5 6 Figura 1: Conceito de tributos. Fonte: Do autor. 2. Espécies de Tributos O Código Tributário Nacional está estruturado de forma a permitir a cobrança de: Sistemas Operacionais de Obrigações Acessórias 4 Impostos – Decorrem de uma situação geradora e independente de qualquer contraprestação por parte do estado. Ex.: Imposto de Renda, IPVA. Os impostos representam a maior fatia da arrecadação tributária. São classificados como: Diretos – quando são diretamente pagos pelo contribuinte, não sendo possível, portanto, a transferência do ônus tributário, como o Imposto de Renda – e Indiretos – quando o ônus tributário é transferido para o consumidor final, já que este é quem arca com o ônus tributário, como o ICMS e IPI. Taxas – Estão vinculadas à utilização por parte do contribuinte de um serviço público específico e divisível. Exemplo: Taxa para abertura de empresas comerciais na junta de um determinado estado, custas judiciais. Contribuição de melhoria – Cobrada quando do benefício trazido aos contribuintes por obras públicas. Exemplo: Benfeitorias no entorno de um imóvel residencial. A Constituição de 1988, por sua vez, equiparou aos tributos: Contribuições – Instituídas para promover o financiamento de atividades públicas. São considerados tributos finalísticos, ou seja, a sua existência se justifica de acordo com o destino dado. As contribuições dividem-se em: ▪ Contribuições Sociais: As contribuições sociais são de dois tipos: as destinadas especificamente para atender à seguridade social, INSS, PIS/COFINS, e as outras contribuições sociais, que são destinadas à manutenção do sistema “S” (SESC, SENAC, SEBRAE etc.). ▪ Contribuições Econômicas e Especiais: As contribuições econômicas estão representadas, basicamente, pela CIDE, além daquelas autorizadas em lei para representação de sindicatos e profissões regulamentadas. Empréstimo compulsório – Instituídos para viabilizar o financiamento de despesas ditas extraordinárias ou urgentes, desde que seja de interesse nacional. O empréstimo compulsório somente poderá ser instituído em caso de calamidade pública, de guerra externa ou sua iminência, ou no caso de investimento público de caráter urgente e de relevante interesse nacional. Os tributos representam uma larga fatia da arrecadação tributária e são cobrados pela União, Estado e Municípios. Dizemos que o Imposto de Renda é de competência da União, pois a ela compete realizar esse recolhimento. Considerando esse exemplo, vejamos a lista dos demais impostos e as competências para a respectiva arrecadação: Sistemas Operacionais de Obrigações Acessórias 5 União ▪ II – Imposto sobre importação de produtos estrangeiros. ▪ IR – Imposto sobre renda e proventos de qualquer natureza. ▪ IPI – Imposto sobre produtos industrializados. ▪ IOF – Imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguros ou relativo a títulos imobiliários. ▪ ITR – Imposto sobre a propriedade territorial rural. ▪ IGF – Imposto sobre grandes fortunas. Estados e Distrito Federal ▪ ITD – Transmissão causa mortis e doação de quaisquer bens e direitos. ▪ ICMS – Operações relativas à circulação de mercadorias e sobre a prestação de serviços de transportes interestadual e intermunicipal e telecomunicações, ainda que as operações se iniciem no exterior. ▪ IPVA – Imposto sobre a propriedade de veículos automotores. Municípios ▪ IPTU – Propriedade predial e territorial urbana. ▪ ITBI – Transmissão inter vivos, por ato oneroso, de bens imóveis e de direitos reais sobre imóveis, ressalvadas as exceções legais. ▪ ISS – Imposto sobreserviços de qualquer natureza. Apesar de responsáveis pela arrecadação, a arrecadação é compartilhada de forma a redistribuir os recursos de acordo com a finalidade. Veja o Quadro 1, apresentado no livro Manual de contabilidade tributária, do professor Paulo Henrique Pêgas. TRIBUTO DESTINAÇÃO AUTOMÁTICA DOS RECURSOS ARRECADADOS IPI UNIÃO » 21,5% para o FPE (Fundo de Participação dos Estados). » 3% para os estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste. » 24,5% para o FPM (Fundo de Participação dos Municípios). » 10% para o FPEx (Fundo de Participação de Exportação, pertencente aos Estados). Os estados deverão repassar 25% desse fundo aos municípios. IR UNIÃO » 21,5% para o FPE (Fundo de Participação dos Estados). » 3% para os estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Esses recursos serão direcionados para aplicação em programas de financiamento ao setor produtivo das três regiões, por meio de suas instituições financeiras de caráter regional, de acordo com os planos regionais de desenvolvimento, ficando assegurada ao semiárido do Nordeste a metade dos recursos destinados à região, na forma que a lei estabelecer. » 24,5% para o FPM (Fundo de Participação dos Municípios). » Os valores retidos de IR dos funcionários e servidores públicos estaduais e municipais não entram no cômputo, ficando em sua totalidade para estados e municípios nos quais os funcionários e servidores estão lotados. O imposto será descontado do valor distribuído conforme os três itens acima (FPM, FPE e Fundo para Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste). Por exemplo, um servidor residente em SP desconta R$ 25 de IR e o dinheiro será retido pelo Estado, mas não repassado à União. Admitindo que a arrecadação do IR no ano fosse R$ 10.000, o FPE total seria R$ 2.100. Considerando que o estado de SP tenha direito a R$ 380, a União irá repassar o valor de R$ 355 (380 – 25), descontando o IRRF que não foi desembolsado pelo estado. Sistemas Operacionais de Obrigações Acessórias 6 CIDE UNIÃO Dos valores arrecadados com a CIDE-Combustíveis, 29% são destinados aos estados, que repassarão 25% dos 29% (7,25%) aos municípios. ICMS ESTADOS 25% aos municípios, sendo 75% (18,75%) para o município onde a operação foi realizada e 25% (6,25%) conforme lei estadual específica. IPVA ESTADOS 50% para os municípios onde o veículo automotor foi licenciado. Quadro 1: Mapa de Transferência de Recursos (Principais Tributos). Fonte: Adaptado de Pêgas (2017). Existem gastos que, apesar de terem o mesmo sentido para o cidadão, não são considerados tributos. Por exemplo: laudêmio; serviços prestados como o estacionamento ao longo de vias e pedágio. 3. Elementos Fundamentais de um Tributo Os elementos considerados fundamentais de qualquer que seja o tributo são: o contribuinte, também definido por alguns autores como o objeto; o fato gerador; a base de cálculo; e a alíquota. Vejamos cada um deles: Contribuinte - É o sujeito passivo da obrigação tributária, que possui relação direta com o fato gerador. Existem dois tipos de contribuintes: o de fato e o responsável. Para esclarecimentos, analise o Quadro 2: TRIBUTO CONTRIBUINTE DE FATO CONTRIBUINTE RESPONSÁVEL INSS de empregado, descontado em folha de pagamento Empregado Empresa IPI cobrado do comprador na nota fiscal Comprador Vendedor IOF sobre um empréstimo bancário Pessoa Física Instituição Financeira Quadro 2: Tipos de contribuinte. Fonte: Pêgas (2017). Fato gerador - É a ação pela qual nasce a obrigação tributária. O Código Tributário Nacional define fato gerador nos artigos 114 e 115, da seguinte forma: Art. 114: Fato Gerador da obrigação principal é a situação definida em Lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Art. 115: Fato Gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. (BRASIL, 1966) Sistemas Operacionais de Obrigações Acessórias 7 Veja, na Figura 2, alguns exemplos de Fatos Geradores e respectivos impostos. ISS Prestação de serviço de qualquer natureza Imposto de Renda Auferir renda (salários, prestação de serviços, aluguéis) ITBI Transferência onerosa de imóveis IPVA Propriedade de veículos automotores Imposto Fato Gerador Figura 2: Fatos Geradores e seus respectivos impostos. Fonte: Do autor. O fato gerador é responsável pelo nascimento da obrigação tributária principal. Tal obrigação sempre será de natureza pecuniária, ou seja, sempre será o efetivo pagamento do tributo. Base de cálculo – Via de regra, a base de cálculo corresponde ao valor sobre o qual será aplicada a alíquota para fins de cálculo do tributo a ser pago, desde que exista uma lei complementar instituindo. Existe a possibilidade, também, da base de cálculo corresponder a uma unidade de medida, a exemplo do Cide – Combustíveis, em que a base de cálculo é obtida com base na quantidade de litros de gasolina vendida, e não no valor da venda. Alíquota – Normalmente, consiste no percentual previsto em lei, para ser aplicado sobre a base de cálculo, a fim de obter o valor do tributo a ser pago. Uma das exceções a essa regra corresponde ao PIS Cofins cobrado sobre a venda de refrigerantes, que, em alguns casos, é cobrado como base na quantidade de litros vendidos. A alíquota poderá exercer outro papel, que é o da progressividade, como é o caso do Imposto de Renda na Pessoa Jurídica, em que todas as empresas são tributadas a 15%, enquanto as que faturam mais pagam 10% de adicional. 4. Modelos de Documentos de Arrecadação Os documentos de arrecadação são utilizados para o efetivo recolhimento dos tributos. O que irá diferenciar uma arrecadação da outra, ou seja, o recolhimento de um tributo de outro é o código de arrecadação informado no documento. A seguir, veja alguns exemplos de documentos de arrecadação: Sistemas Operacionais de Obrigações Acessórias 8 DARF – Documento de Arrecadação da Receita Federal: Utilizado para o recolhimento dos tributos Federais. DAE – Documento de Arrecadação Estadual: Utilizado para o recolhimento de tributos estaduais. Nem todos os estados utilizam esse documento; o Rio de Janeiro, por exemplo, utiliza o DARJ. Após os modelos de documentos de arrecadação apresentados, encerramos a nossa unidade de aprendizagem. Mas não esgote aqui os seus estudos! Convidamos você a visitar todos os nossos recursos de aprendizagem e bibliografias indicadas. Sistemas Operacionais de Obrigações Acessórias 9 Nesta unidade de aprendizagem, apresentamos o sistema tributário nacional e identificamos os principais tributos cobrados pela União, Estados e Municípios. Falamos, também, sobre o conceito de tributos e as espécies existentes: impostos, taxas, contribuições de melhoria, contribuições e empréstimos compulsórios. Além disso, identificamos os tributos e as respectivas competências para cobrança. Vimos, ainda, que existem gastos de natureza parecida à dos tributos, aos olhos de um leigo, mas que não são classificados como tributos, como o laudêmio e o pedágio. Por fim, falamos sobre os documentos utilizados para a arrecadação dos tributos. Referências BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal: Centro Gráfico, 1988. ______. Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Dispõe sobre o Sistema Tributário Nacional e institui normas gerais de direito tributário aplicáveis à União, Estados e Municípios. Disponível em: . Acesso em: 13 fev. 2019. PÊGAS, P. H. Manual de contabilidade tributária. 9 ed. São Paulo: Atlas, 2017. POLITIZE. A carga tributária no brasil é alta comparada a outros países? Disponível em: . Acesso em: 13 fev. 2019. Sistemas Operacionais de Obrigações Acessórias 10 Introdução ao Cumprimento das Obrigações Acessórias Para início de conversa... Objetivos 1. Conceitos e Finalidades2. Espécies de Tributos 3. Elementos Fundamentais de um Tributo 4. Modelos de Documentos de Arrecadação Referências