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Contabilidade Pública As Novas Demonstrações Contábeis Desenvolvimento do material Tatiane Antonovoz 1ª Edição Copyright © 2022, Afya. Nenhuma parte deste material poderá ser reproduzida, transmitida e gravada, por qualquer meio eletrônico, mecânico, por fotocópia e outros, sem a prévia autorização, por escrito, da Afya. Sumário As Novas Demonstrações Contábeis Para início de conversa... ................................................................................ 3 Objetivos ......................................................................................................... 3 1. Balanço Patrimonial .................................................................................... 4 2. Demonstrativo do Resultado Econômico ............................................. 11 3. Demonstração das mutações do Patrimônio Líquido ...................... 14 Referências ........................................................................................................ 16 Para início de conversa... Toda e qualquer movimentação ou alteração do patrimônio de uma entidade dá origem a um lançamento contábil. Este, por consequência, irá, no futuro, dar origem a uma demonstração. Dentro da CASP, existe um conjunto de demonstrações que deve ser apresentado para que os usuários, que, de alguma forma, precisem de informações relativas ao setor público, utilizem tais dados, de acordo com suas necessidades. O Balanço Patrimonial, a Demonstração do Resultado Econômico e a Demonstração do Patrimônio Líquido são algumas das demonstrações que serão vistas a partir de agora e que fazem parte desse conjunto, por possuírem suas questões legais, sua estrutura própria, entre outros aspectos que vamos explorar. Objetivos ▪ Compreender o que é o Balanço Patrimonial. ▪ Entender o Demonstrativo do Resultado Econômico. ▪ Estudar a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido. Contabilidade Pública 3 1. Balanço Patrimonial Antes de falar do balanço patrimonial de forma propriamente dita, faz- se necessário compreender um pouco sobre o contexto em que este se insere. As Demonstrações Contábeis Aplicadas ao Setor Público (DCASP) são o produto final da movimentação relativa à evidenciação das mutações do patrimônio das entidades que fazem parte do setor público. De acordo com a NBC TSP 11 (CFC, 2018), elas também podem ser denominadas demonstrações de propósito geral, ou somente demonstrações contábeis, e tem como objetivo satisfazer a necessidade dos usuários que não se encontram em condições de exigir relatórios elaborados para atender às suas necessidades específicas. Ainda observando a NBC TSP 11 (CFC, 2018), entre os usuários da informação contábil, estão parlamentares, credores e fornecedores em geral, a mídia e empregados, e outros que podem utilizar o que é relatado de acordo com as suas necessidades. Lima e Castro (2016) citam que, objetivando o cumprimento da padronização dos procedimentos contábeis, as DCASP devem observar, a exemplo do que ocorre com os lançamentos e outras questões dentro da Contabilidade Aplicada ao Setor Público (PCASP), a legislação vigente sob diversos aspectos. Dentre elas estão: ▪ A Lei nº 4.320/1964 e seus dispositivos relacionados. ▪ A Lei Complementar 101/2000, também conhecida como Lei da Transparência. ▪ Estrutura Conceitual Aplicada ao Setor Público (NBCTSP EC) e as outras normas vigentes, bem como as normas internacionais que, em breve, serão convergidas para o ambiente nacional. ▪ Eventuais normas específicas e, até mesmo, legislação relativa ao setor aberto, já que algumas empresas possuem parte do capital público e outra negociado em bolsa, entre outras especificidades. Embora as demonstrações contábeis tenham que seguir os aspectos tanto da Lei 4.320/64 quanto da NBCTSP EC, é necessário lembrar que a primeira ressalta os aspectos orçamentários ou, ainda, ligados à questão de elaboração e execução do orçamento, enquanto a segunda tem ligação com a questão patrimonial com as normas e parametrizações que devem ser observadas para o registro e levantamento das demonstrações contábeis. Observando as normas vigentes, mesmo com diferentes aspectos, sejam eles patrimoniais, financeiros ou orçamentários, as DCASP, de acordo com a lei nº 4.320 (BRASIL, 1964), são: Contabilidade Pública 4 ▪ Balanço Orçamentário (BO) ▪ Balanço Financeiro (BF) ▪ Balanço Patrimonial (BP) ▪ Demonstração das Variações Patrimoniais ▪ Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC) ▪ Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) Já de acordo com o MCASP (STN, 2018), temos o seguinte conjunto de demonstrações exigidas: ▪ Balanço Patrimonial ▪ Demonstração das Variações Patrimoniais ▪ Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido ▪ Demonstração dos Fluxos de Caixa ▪ Balanço Orçamentário ▪ Balanço Financeiro ▪ Notas explicativas, compreendendo a descrição sucinta das principais políticas contábeis e outras informações elucidativas. ▪ Informação comparativa com o período anterior. É importante destacar que, de acordo com o MCASP (STN, 2018, p.403), houve uma atualização, e o texto do manual aponta o seguinte: ‘‘ Ressalta-se que as estruturas das demonstrações contábeis contidas nos anexos da Lei nº 4.320/1964 foram atualizadas pela Portaria STN nº 438/2012 (STN, 2012), em consonância com os novos padrões da Contabilidade Aplicada ao Setor Público (CASP). Em função da atualização dos anexos da Lei, somente os demonstrativos enumerados no parágrafo anterior serão exigidos para fins de apresentação das demonstrações contábeis nos termos deste Manual. ’’ Conforme o MCASP (STN, 2018, p.404), o propósito das demonstrações, de forma geral, além da questão da prestação de contas e transparência, possui relação com o fornecimento de informações: a. sobre as fontes, as alocações e os usos de recursos financeiros; b. sobre como a entidade financiou suas atividades e como supriu suas necessidades de caixa; c. úteis na avaliação da capacidade de a entidade financiar suas atividades e cumprir com suas obrigações e compromissos; d. sobre a condição financeira da entidade e suas alterações; e e. agregadas e úteis para a avaliação do desempenho da entidade em termos dos custos dos serviços, eficiência e cumprimento dos seus objetivos. As DCASP também auxiliam na predição ou prospecção ou, ainda, para prever o nível de recursos para a continuidade das atividades e aqueles que podem ser usados para a continuidade de operações dentro do setor público, assim como eventuais riscos e incertezas associadas, entre outras informações legais ligadas à Administração Pública. Em relação ao Balanço Patrimonial, de forma específica, Rosa (2013) afirma que essa é uma demonstração que evidencia tanto de forma Contabilidade Pública 5 qualitativa quanto quantitativa, em determinada data, a situação patrimonial, dos órgãos ou entidades públicas, bem como os atos potenciais que fazem parte das contas de controle (STN, 2018). Para Rosa (2013), o balanço patrimonial apresenta uma visão estática do patrimônio da entidade naquele determinado momento. Lima e Castro (2016) afirmam que a apresentação das contas no quadro principal ou, ainda, no balanço patrimonial é apresentada utilizando as Classe 1 – Ativo e a Classe 2 – Passivo e Patrimônio Líquido – do Plano de Conta Aplicado ao Setor Público (CASP). Tanto os ativos quanto os passivos são apresentados nos níveis sintéticos (3º ou 4º nível), conforme a estrutura apresentada na Figura 1: X . X . X . X . X . X X . X X 1º Nível - Classe 2º Nível - Grupo 3º Nível - Subgrupo 4º Nível - Título 5º Nível - Subtítulo 6º Nível - Item 7º Nível - Subitem Figura 1: Nível de apresentação das contas do PCASP. Fonte: Adaptado de Silva (2014, p.82). Os ativos são apresentados conforme ordem decrescente de conversibilidade, enquanto o passivo é apresentado de acordo com a ordem decrescente de exigibilidade. Lima e Castro (2016)ainda afirmam que eventuais saldos de contas intragovernamentais devem ser excluídos para viabilizar a consolidação das contas no ente. Caso o próprio ente abra essas contas no 5º nível – o que também é conhecido como Intra-OFSS e que não estão na estrutura CASP da Federação –, essas contas devem ser excluídas para a obtenção do demonstrativo consolidado. Vejamos, no Quadro 1, a classificação do Balanço Patrimonial, observando o proposto no MCASP: Classe 1. Ativo 2. Passivo e patrimônio líquido Grupo 1.1 Ativo Circulante 2.1 Passivo Circulante Subgrupo 1.1.1 Caixa e equivalente de caixa 1.1.2 Créditos realizáveis de curto prazo 1.1.3 Estoques 1.1.4 VPD pagas antecipadamente 2.1.1 Obrigações trabalhistas e previdenciárias de curto prazo 2.1.2 Fornecedores e contas a pagar 2.1.3 Provisões de curto prazo Quadro 1: Classificação do Balanço Patrimonial. Fonte: Adaptado de STN (2018, p.434). Contabilidade Pública 6 Observando o PCASP e o Balanço Patrimonial, o primeiro nível é a classe, o segundo é o grupo, o subgrupo é o terceiro, e assim por diante. O detalhamento poderá acontecer nos níveis posteriores àqueles apresentados no manual (STN, 2018); assim, caso uma conta esteja apresentada no PCASP até o 6º nível, o ente, ou ainda a prefeitura, o Estado, a união ou órgão, poderá detalhá-lo a partir do 7º nível. Entretanto, existem algumas exceções, como é o caso do Orçamento Fiscal e da Seguridade Social (OFSS) e contas relacionadas, conforme preconizado no Manual (STN, 2018, p.385): ‘‘ A única exceção a esta regra corresponde à abertura do 5º nível (subtítulo) das contas de Natureza de Informação Patrimonial, que obrigatoriamente será classificado em Intra OFSS, Inter OFSS (União, estados ou municípios) ou Consolidação. Quando o ente entender ser necessário e a conta não estiver detalhada neste nível no PCASP, deverá seguir essa classificação, em tal nível. Caso o 5º nível seja detalhado, pelo PCASP Federação, em Intra OFSS e Inter OFSS, as operações entre entidades relacionadas a tal classificação devem obedecer, obrigatoriamente, ao detalhamento a que pertence. Caso a conta não esteja detalhada até o quarto nível e seja necessário utilizar o 5º nível (subtítulo), poderá ser utilizado o dígito 0 (zero) para chegar-se ao nível de consolidação, por exemplo: “3.4.4.0.1.00.00 Descontos Financeiros Concedidos – Consolidação”. ’’ A questão da consolidação das contas que existe no 5º nível pode ser visualizada no Quadro 2: 5º Nível subtítulo consolidação x.x.x.x.1.xx.xx Consolidação Compreende os saldos que não serão excluídos nos demonstrativos consolidados do orçamento fiscal e da seguridade social (OFSS). x.x.x.x.2.xx.xx Intra OFSS Compreende os saldos que serão excluídos nos demonstrativos consolidados do Orçamento Fiscal e da Seguridade Social (OFSS) do mesmo ente. x.x.x.x.3.xx.xx Inter OFSS – União Compreende os saldos que serão excluídos nos demonstrativos consolidados do Orçamento Fiscal e da Seguridade Social (OFSS) de entes públicos distintos, resultantes das transações entre o ente e a União. x.x.x.x.4.xx.xx Inter OFSS – Estado Compreende os saldos que serão excluídos nos demonstrativos consolidados do Orçamento Fiscal e da Seguridade Social (OFSS) de entes públicos distintos, resultantes das transações entre o ente e um estado. x.x.x.x.5.xx.xx Inter OFSS – Município Compreende os saldos que serão excluídos nos demonstrativos consolidados do Orçamento Fiscal e da Seguridade Social (OFSS) de entes públicos distintos, resultantes das transações entre o ente e um município. Quadro 2: Consolidação das contas. Fonte: Adaptado de STN (2018, p.385). Contabilidade Pública 7 As contas identificadas com o número 1 apontam diversas atividades, dentre elas: transações entre uma entidade que pertence ao OFSS de um ente público e uma entidade privada, como pessoas físicas, empresas, associações, entre outras. Já as contas de nível 2 (Intra OFSS) identificam as operações decorrentes de transações entre entidades que pertencem ao OFSS do mesmo ente público. As de 3º, 4º e 5º níveis (Inter OFSS) identificam as operações decorrentes de transações entre entes que pertencem a OFSS distintos. Vejamos, no Quadro 3, a estrutura do Balanço Patrimonial: Ente da Federação Balanço Patrimonial Ativo Passivo Especificação Exerc. atual Exerc. ant. Especificação Exerc. atual Exerc. ant. Ativo Circulante Caixa e equivalente de caixa Créditos realizáveis de curto prazo Estoques VPD pagas antecipadamente Passivo Circulante Obrigações trabalhistas e previdenciárias de curto prazo Fornecedores e contas a pagar Provisões de curto prazo Ativo Não Circulante Ativo Realizável a longo prazo Investimento Imobilizado Intangível Passivo Não Circulante Obrigações trabalhistas e previdenciárias de longo prazo Fornecedores e contas a pagar Provisões de longo prazo Total do passivo Patrimônio Líquido Especificação Exerc. atual Exerc. ant. - Patrimônio - Social/Capital Social - Reservas de Capital Total Total Quadro 3: Estrutura do Balanço Patrimonial. Fonte: Adaptado de STN (2018, p.434). Segundo o MCASP (STN, 2018), acaba ocorrendo um viés orçamentário no Balanço Patrimonial com a adoção dos aspectos contidos na Lei 4.320/64, quando da separação do Ativo em Financeiro e Permanente, conforme preconizado nessa legislação, com base ou não na exigência de autorização para autorização legislativa ou orçamentária para os itens que o compõe. Assim, para solucionar tal questão, conforme proposto pela Portaria 438/2012 (STN, 2012), a estrutura patrimonial é acompanhada de três Contabilidade Pública 8 “apêndices”, (i) Quadro de Ativos e Passivos Financeiros e Permanentes, (ii) Quadro de Contas de Compensação que são as contas de controle; e (iii) Quadro do Superávit/Déficit Financeiro. O trecho da Lei nº 4.320/4 que trata dos aspectos Financeiros e Permanentes está a seguir delineado: Art. 105. O Balanço Patrimonial demonstrará: I - O Ativo Financeiro; II - O Ativo Permanente; III - O Passivo Financeiro; IV - O Passivo Permanente; V - O Saldo Patrimonial; VI - As Contas de Compensação. § 1º O Ativo Financeiro compreenderá os créditos e valores realizáveis independentemente de autorização orçamentária e os valores numerários. § 2º O Ativo Permanente compreenderá os bens, créditos e valores, cuja mobilização ou alienação dependa de autorização legislativa. § 3º O Passivo Financeiro compreenderá as dívidas fundadas e outros pagamentos independe de autorização orçamentária. § 4º O Passivo Permanente compreenderá as dívidas fundadas e outras que dependam de autorização legislativa para amortização ou resgate. (BRASIL, 1964) No Quadro 4, é possível ver os ativos e passivos financeiros permanentes e que possuem ligação com o trecho legal: Ente da Federação Quadro dos Ativos e Passivos Financeiros e Permanentes (Lei nº 4.320/1964) Exercício atual Exercício anterior Ativo (I) Ativo Financeiro Ativo Permanente Total do Ativo Passivo (II) Passivo Financeiro Passivo Permanente Total do Passivo Saldo Patrimonial (III) = (I – II) Quadro 4: Estrutura do Ativos e Passivos Financeiros e Permanentes. Fonte: Adaptado de STN (2018, p.435). Já o quadro de contas de compensação apresenta os atos potenciais do ativo e do passivo a executar e que poderão afetar o ente, sendo que os já executados não devem ser relacionados, segundo Lima e Castro (2016). Os autores lembram que estes serão registrados utilizando a classe 8 do PCASP. Observe o Quadro 5: Contabilidade Pública 9 Ente da Federação Quadro das Contas de Compensação (Lei nº 4.320/1964) Especificação Exerc. atual Exerc. ant. Atos potenciais ativos - Garantias e contragarantias recebidas - Direitos conveniados e outros instrumentos congêneres - Direitos Contratuais - Outros atos potenciais ativos Saldos dos Atos Potenciais Ativos Atos potenciais passivos - Garantias e contragarantias concedidas - Obrigações conveniadas e outros instrumentoscongêneres - Obrigações contratuais - Outros atos potenciais passivos Saldos dos Atos Potenciais Passivos Quadro 5: Estrutura das contas de compensação. Fonte: Adaptado de STN (2018, p.435). Na sequência, veja o quadro do Superávit/Déficit Financeiro que pode ser conhecido conforme o MCASP: Ente da Federação Quadro do Superávit/Déficit Financeiro (Lei nº 4.320/1964) Fontes de recursos Exerc. atual Exerc. ant. Total das Fontes de Recursos Quadro 6: Estrutura do superávit/déficit financeiro. Fonte: Adaptado STN (2018, p.435). O quadro de superávit/déficit financeiro é baseado na lei 4.320/64, que, em seu art. 43, aponta que “A abertura dos créditos suplementares e especiais depende da existência de recursos disponíveis para ocorrer a despesa e será precedida de exposição justificativa” (BRASIL, 1964). De acordo com Lima e Castro (2016), será elaborado utilizando o saldo da conta 8.2.1.1.1.00.00 – Disponibilidade por destinação de recurso (DDR) que deve ser segregado por destinação de recursos, sendo que cada ente deverá adaptá-la de acordo com a sua necessidade. Agora, vamos conhecer a Demonstração do Resultado Econômico. Contabilidade Pública 10 2. Demonstrativo do Resultado Econômico Para Kohama (2014), em relação à Demonstração ou Demonstrativo do Resultado Econômico (DRE), pode-se afirmar que sua principal função, conforme o próprio nome indica, é a evidenciação do resultado econômico de ações tomadas pelos gestores públicos. Além disso, o autor afirma que essa demonstração permite a análise da eficiência da gestão pública, confrontando a receita econômica, o custo dos serviços e bens que foram adquiridos para a população em geral e também o resultado econômico das transações no setor público (KOHAMA, 2014). A DRE foi inicialmente introduzida de acordo com a Portaria STN 749, que incluía dois anexos: a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido e o Anexo 20 e a Demonstração do Resultado Econômico na Lei 4.320/64. Entretanto, Portaria/STN 438 alterou o anexo 19: as Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido e excluiu o anexo 20, que é a Demonstração do Resultado Econômico da Lei 4.320/64 (BRASIL, 1964). Dessa forma, observa-se o seguinte: Art. 1º - Alterar os Anexos nº 12 (Balanço Orçamentário), nº 13 (Balanço Financeiro), nº 14 (Balanço Patrimonial), nº 15 (Demonstração das Variações Patrimoniais), nº 18 (Demonstração dos Fluxos de Caixa), e nº 19 (Demonstração das Mutações no Patrimônio Líquido) e excluir o Anexo nº 20 (Demonstração do Resultado Econômico da Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964. (STN, 2012) Ou seja, de acordo com essa legislação, conforme observou Rosa (2013), a DRE passou a ser apenas facultativa. Mas, com outra mudança, proposta pela resolução 1437/2011 (CFC, 2011a), a DRE poderá ser demonstrada como informação adicional pelas entidades do setor público. Conforme o próprio MCASP (STN, 2018), as entidades que fazem parte do setor público são incentivadas a enviar e apresentar informações adicionais para que os usuários possam utilizar em seu processo decisório. Ainda segundo o Manual: Essa informação adicional pode incluir detalhes sobre os produtos e os resultados da entidade na forma de: (a) indicadores de desempenho, (b) demonstrativos de desempenho dos serviços prestados, (c) revisões de programas e (d) outros relatórios de gestão sobre o cumprimento dos objetivos da entidade durante o período divulgado. (STN, 2018, p.403) De acordo com a resolução CFC 1366/2011 (CFC, 2011b), no caso específico da informação de custos, é importante que esta seja divulgada visando à identificação dos serviços públicos, à sua medição e ao relato em sistema próprio para o gerenciamento dos custos dos serviços públicos. Contabilidade Pública 11 Conforme essa norma, os custos possuem características como universalidade e obrigação de fornecimento, que são entendidas, na maioria das vezes, como direitos sociais. Porém, o Estado é o único provedor, já que tem o monopólio de alguns serviços. O serviço público fornecido sem contrapartida ou ainda por um custo considerado irrisório cobrado da população tem o orçamento como fonte de recursos. Além dessas características, é possível enumerar outros atributos, segundo a norma: 12. Os atributos da informação de custos são: a) relevância – entendida como a qualidade que a informação tem de influenciar as decisões de seus usuários auxiliando na avaliação de eventos passados, presentes e futuros; b) utilidade – deve ser útil à gestão tendo a sua relação custo benefício sempre positiva; c) oportunidade – qualidade de a informação estar disponível no momento adequado à tomada de decisão; d) valor social – deve proporcionar maior transparência e evidenciação do uso dos recursos públicos; e) fidedignidade – referente à qualidade que a informação tem de estar livre de erros materiais e de juízos prévios, devendo, para esse efeito, apresentar as operações e acontecimentos de acordo com sua substância e realidade econômica e, não, meramente com a sua forma legal; f) especificidade – informações de custos devem ser elaboradas de acordo com a finalidade específica pretendida pelos usuários; g) comparabilidade – entende-se a qualidade que a informação deve ter de registrar as operações e acontecimentos de forma consistente e uniforme, a fim de conseguir comparabilidade entre as distintas instituições com características similares. É fundamental que o custo seja mensurado pelo mesmo critério no tempo e, quando for mudada, esta informação deve constar em nota explicativa; h) adaptabilidade – deve permitir o detalhamento das informações em razão das diferentes expectativas e necessidades informacionais das diversas unidades organizacionais e seus respectivos usuários; i) granularidade – sistema que deve ser capaz de produzir informações em diferentes níveis de detalhamento, mediante a geração de diferentes relatórios, sem perder o atributo da comparabilidade. (CFC, 2011b) O MCASP (STN, 2018) também reforça a necessidade de divulgar informações sobre a conformidade com leis e outras normas. O Manual entende que, caso exista o reconhecimento da inconformidade, isso pode ser relevante para a questão da prestação de contas e também para a responsabilização dentro do setor público, o que também poderá afetar as decisões sobre os recursos a serem alocados na entidade no futuro. De acordo com Rosa (2013) e com a Resolução 1437/2011 (CFC, 2011a), a DRE deve conter, entre outras informações: ▪ receita econômica ligada aos serviços prestados e bens ou produtos que foram fornecidos pelo ente público; ▪ custos e despesas utilizados para a prestação do serviço ou, ainda, elaboração do bem ou produto; ▪ valor do resultado apurado. Contabilidade Pública 12 No Quadro 7, é possível visualizar como está estruturada a DRE, suas principais contas e características: Ente da Federação Demonstração do Resultado Econômico Exercício Período (mês) Data de emissão Especificação Exercício atual Exercício anterior 1. Receita econômica dos serviços prestados e dos bens ou dos produtos fornecidos 2. (-) Custos diretos identificados com a execução da ação pública 3. Margem Bruta 4. (-) Custos indiretos identificados com a execução da ação pública 5. (=) Resultado Econômico apurado Quadro 7: Estrutura da DRE. Fonte: Adaptado de Rosa (2013, p.582). Segundo o artigo 5º da resolução 1437/2011 (CFC, 2011), a “Receita econômica é o valor apurado a partir de benefícios gerados à sociedade pela ação pública, obtido por meio da multiplicação da quantidade de serviços prestados, bens ou produtos fornecidos, pelo custo de oportunidade, custo estimado, custo padrão etc.”. A norma ainda apresenta que os custos diretos são aqueles que possuem uma relação direta com os serviços, bens ou mercadorias oferecidas pelo órgão público.A margem bruta nasce da diferença entre as receitas e o valor desses custos diretos. Os custos indiretos identificados para a execução da ação pública são os valores que não podem ser identificados diretamente ao objeto de custo, sendo que, segundo a 1437/2011 (CFC, 2011), a sua apropriação deverá ocorrer por meio de rateios ou, ainda, por um direcionador de custos. Após esses itens obrigatórios segundo o CFC, ocorre a apuração do resultado econômico do período. Tal resultado é transferido à sociedade no momento em que o serviço é entregue com eficiência, e esta poderá usufruir dos benefícios advindos do uso desse serviço. Observa-se que o resultado econômico do período não está somente de acordo com que é proposto pelo econômico, ou seja, objetivando o cumprimento das normas propostas pelo CFC, que são as regras contábeis, mas também aquelas propostas legalmente. Mas de que forma? A lei nº 4.320/1964 aponta o seguinte: Art. 85. Os serviços de contabilidade serão organizados de forma a permitirem o acompanhamento da execução orçamentária, o conhecimento da composição patrimonial, a determinação dos custos dos serviços industriais, o levantamento dos balanços gerais, a análise e a interpretação dos resultados econômicos e financeiros. (...) Art. 89. A contabilidade evidenciará os fatos ligados à administração orçamentária, financeira patrimonial e industrial. (BRASIL, 1964) Contabilidade Pública 13 O Decreto 200/67 já apresentava, em seu artigo 79, a necessidade de evidenciação da questão de custos: “A contabilidade deverá apurar os custos dos serviços de forma a evidenciar os resultados da gestão” (BRASIL, 1967). Faz-se necessário lembrar que a necessidade da evidenciação de custos também já estava presente na LRF (BRASIL, 2001): Art. 50. Além de obedecer às demais normas de contabilidade pública, a escrituração das contas públicas observará as seguintes: § 3o A Administração Pública manterá sistema de custos que permita a avaliação e o acompanhamento da gestão orçamentária, financeira e patrimonial. Rosa (2013) afirma que fica evidente a evidenciação das informações de custos com aquelas de natureza orçamentária e patrimonial que permitem que a Administração seja subsidiada sobre a avaliação de resultados na execução de resultados em relação a aspectos de economicidade, eficiência, eficácia e efetividade. Agora, veremos a Demonstração do Patrimônio Líquido e suas características. 3. Demonstração das mutações do Patrimônio Líquido De acordo com Rosa (2013), a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) busca evidenciar as mutações reconhecidas no Patrimônio Líquido das entidades públicas. Observa-se, também, segundo a portaria 438 de 2012: Art. 4º - O Anexo nº 19 (Demonstração das Mutações no Patrimônio Líquido) da Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964, será obrigatória apenas para as empresas estatais dependentes e para os entes que as incorporarem no processo de consolidação das contas. (STN, 2012) A DMPL será elaborada utilizando o grupo 3 do Patrimônio Líquido e do Passivo representado pelo grupo 2. Caso a entidade tenha participação de capital aberto, poderá demonstrar esses valores ou eventuais recebimentos por parte destes. Esta deverá incluir, segundo o MCASP, os seguintes itens: a. o resultado do período; b. cada item de receita e de despesa do período que seja reconhecido diretamente no patrimônio líquido em virtude de norma específica (Ex.: aumento ou redução por reavaliação e ganhos, quando utilizada a reserva de reavaliação, ou perdas decorrentes de ajustes específicos de conversão para moeda estrangeira); c. os ajustes de exercícios anteriores; d. a destinação do resultado, como a constituição de reservas e a distribuição de dividendos; e. as transações de capital com os proprietários, como: o aumento de capital, a aquisição ou venda de ações em tesouraria, os juros sobre capital próprio e as distribuições aos proprietários; Contabilidade Pública 14 f. para cada item do patrimônio líquido divulgado, os efeitos das alterações nas políticas contábeis e da correção de erros. No Quadro 8, é possível conhecer a estrutura básica da DMPL com algumas contas e suas características: Ente da Federação Demonstração das mutações do patrimônio líquido Especificação Pat.Social/ Capital Social Adiantamento para Futuro Aumento de Capital (AFAC) Reserva de Capital Ajustes de Avaliação Patrimonial Reserva de Lucros Demais reservas Resultados Acumulados Ações/ Cotas em Tesouraria Total Saldos iniciais Ajustes de exercício anteriores Aumento de capital Resgate/Reemissão de ações e cotas Juros sobre capital próprio Resultado do exercício Ajustes de avaliação patrimonial Constituição/ Reversão de reserva Dividendos a distribuir Saldo Final Quadro 8: Estrutura da DMPL. Fonte: Adaptado de STN (2018, p.457). O preenchimento de cada célula do quadro deverá conjugar os critérios informados nas colunas (C) com os critérios informados nas linhas (L). Os dados dos pares de lançamentos desses critérios poderão ser extraídos por meio de contas de controle, atributos de contas, informações complementares ou outra forma definida pelo ente MCASP (STN, 2018, p.458). A estrutura poderá variar de órgão para órgão, de acordo com as necessidades e características do patrimônio líquido de cada uma delas, porém, a estrutura mínima deverá ser respeitada. Neste capítulo, você pôde aprender sobre as características gerais das Demonstrações Contábeis Aplicadas ao Setor Público (DCASP) e as formas específicas do Balanço Patrimonial, da Demonstração do Resultado Econômico (DRE) e da Demonstração do Patrimônio Líquido (DMPL). Com essas demonstrações, foi possível compreender aspectos quantitativos e qualitativos da informação contábil, por meio do Balanço Patrimonial, a questão econômica e da eficiência de custos com a DRE e as movimentações do Patrimônio Líquido com a DMPL. Adicionalmente, foram enfatizados os aspectos legais presentes tanto na lei nº 4.320/64 quanto em outras importantes normas da administração pública, bem como na normatização própria da contabilidade. Contabilidade Pública 15 Referências BRASIL. Decreto-Lei nº 200, de 25 de fevereiro de 1967. Dispõe sôbre a organização da Administração Federal, estabelece diretrizes para a Reforma Administrativa e dá outras providências. Disponível em: http:// www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del0200.htm. Acesso em: 13 jan. 2019. BRASIL. Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000. Estabelece normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal e dá outras providências. Disponível em: http://www.planalto.gov. br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp101.htm. Acesso em: 13 jan. 2019. BRASIL. Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964. Estatui Normas Gerais de Direito Financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L4320.htm. Acesso em: 13 jan. 2019. CFC. NBC TSP 11. Aprova a NBC TSP 11 - Apresentação das Demonstrações Contábeis. 2018. Disponível em: http://www1.cfc.org.br/sisweb/sre/ detalhes_sre.aspx?codigo=2018/NBCTSP11. Acesso em: 13 jan. 2019. CFC. Resolução CFC nº 1.437/2011. Aprova a NBC T 16.11 – Sistema de Informação de Custos do Setor Público. 2011a. Disponível em: http:// www1.cfc.org.br/sisweb/SRE/docs/RES_1366.pdf. Acesso em: 13 jan. 2019. CFC. Resolução CFC nº 1.366/2011. Aprova a NBC T 16.11 – Sistema de Informação de Custos do Setor Público. 2011b. Disponível em: http:// www1.cfc.org.br/sisweb/SRE/docs/RES_1366.pdf. Acesso em: 13 jan. 2019. KOHAMA, H. Contabilidade pública: teoria e prática. 11 ed. São Paulo: Atlas, 2014. LIMA, D. V.; CASTRO, R. G. 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Acesso em: 13 jan. 2019. Contabilidade Pública 16 _heading=h.gjdgxs _heading=h.glkmcq7ouorl _heading=h.rp9z1auf8o6t _heading=h.r3h3t7p4pxfd _heading=h.k407xsoc5jss _heading=h.xsf056qca0xl _heading=h.3znysh7 _heading=h.3kfkmss2zu6f As Novas Demonstrações Contábeis Para início de conversa... Objetivos 1. Balanço Patrimonial 2. Demonstrativo do Resultado Econômico 3. Demonstração das mutações do Patrimônio Líquido Referências