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4. Mandado de segurança em matéria previdenciária e recursos nos Juizados Especiais Federais. José Antonio Savaris Mandado de segurança em matéria previdenciária. Sistema recursal dos Juizados Especiais Federais. Pressupostos recursais. Recursos para as turmas recursais e para as turmas de uniformização. Estudo de Caso. MANDADO DE SEGURANÇA CF/88, art. 5º, LXIX - Lei 12.016/2009 Mandado de segurança: remédio constitucional para proteção de direito líquido e certo contra ato ou omissão ilegal ou abuso de poder de autoridade pública Lei 12.016/2009. Art. 1º. Conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, sempre que, ilegalmente ou com abuso de poder, qualquer pessoa física ou jurídica sofrer violação ou houver justo receio de sofrê-la por parte de autoridade, seja de que categoria for e sejam quais forem as funções que exerça. ADI 4296 – atribuições do poder público Inadmissibilidade Lei 12.016/2009 Art. 5º. Não se concederá mandado de segurança quando se tratar: I – de ato do qual caiba recurso administrativo com efeito suspensivo, independentemente de caução; II – de decisão judicial da qual caiba recurso com efeito suspensivo; III – de decisão judicial transitada em julgado. Prazo decadencial de 120 dias (art. 23). Ato concreto, comissivo ou omissivo, ilegal ou abusivo, que cause lesão ou ameaça de lesão a direito líquido e certo. Direito líquido e certo - fatos não controvertidos e prova pré-constituída. Ausência de dilação probatória. Súmula 625 do STF. Competência * Lei 10.259/2001, art. 3º, I: exclui da competência do JEF * CF/88, art. 109, § 2°. Tema RG 374 (RE 627.709-DF) – Mandado de Segurança no domicílio do impetrante ou na sede da autoridade impetrada. * Mandado de segurança quando se tratar de benefício acidentário? Competência ratione persone (CF/88, art. 109, VIII) Legitimidade passiva Lei 12.016/2009 Art. 6º. A inicial deve indicar a autoridade coatora e a pessoa jurídica. Autoridade coatora: aquela que pratica ou ordena a execução ou a inexecução do ato impugnado, com competência para a correção da ilegalidade. Pessoa jurídica em que é alocada a autoridade coatora e que suporta o ônus da decisão. É quem recorre da decisão e, por isso, deve tomar ciência do feito. Art. 7º. Ao despachar a inicial, o juiz ordenará: que se notifique o coator do conteúdo da petição inicial; que se dê ciência do feito ao órgão de representação judicial da pessoa jurídica interessada, para que, querendo, ingresse no feito. LIMINAR EM MANDADO DE SEGURANÇA: Art. 7o Ao despachar a inicial, o juiz ordenará: III - que se suspenda o ato que deu motivo ao pedido, quando houver fundamento relevante e do ato impugnado puder resultar a ineficácia da medida, caso seja finalmente deferida, sendo facultado exigir do impetrante caução, fiança ou depósito, com o objetivo de assegurar o ressarcimento à pessoa jurídica. (Vide ADIN 4296) § 1o Da decisão do juiz de primeiro grau que conceder ou denegar a liminar caberá agravo de instrumento, observado o disposto na Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil. ... § 3o Os efeitos da medida liminar, salvo se revogada ou cassada, persistirão até a prolação da sentença. Procedimento Rito sumário. Inicial conforme requisitos do CPC. Valor da causa. Notificação da autoridade impetrada. Ciência da pessoa jurídica. Manifestação do Ministério Público. Sentença concessiva: reexame obrigatório (art. 14, § 1º), independentemente de teto. Caráter autoexecutório (art. 14, § 3º). Descabimento de honorários sucumbenciais (art. 25; súmula 512, do STF; ADI 4296; súmula 105, do STJ). Efeitos financeiros Súmula 271, do STF: A concessão de mandado de segurança não produz efeitos patrimoniais em relação a período pretérito, os quais devem ser reclamados administrativamente ou pela via judicial própria. Súmula 269, do STF: O mandado de segurança não é substitutivo de ação de cobrança. Tema 831, do STF: O pagamento dos valores devidos pela Fazenda Pública entre a data da impetração do mandado de segurança e a efetiva implementação da ordem concessiva deve observar o regime de precatórios previsto no artigo 100 da Constituição Federal. Execução nos autos apenas do valor devido a partir da impetração. Coisa julgada Lei 12.016/2009 Art. 6º, § 6º. O pedido de mandado de segurança poderá ser renovado dentro do prazo decadencial, se a decisão denegatória não lhe houver apreciado o mérito. Art. 19. A sentença ou o acórdão que denegar mandado de segurança, sem decidir o mérito, não impedirá que o requerente, por ação própria, pleiteie os seus direitos e os respectivos efeitos patrimoniais. Precedente ilustrativo 1. O mandado de segurança somente é cabível quando plenamente aferível o direito líquido e certo no momento da impetração, cuja existência e delimitação devem ser comprovadas de plano, sem a necessidade de dilação probatória. 2. A petição inicial do mandado de segurança deve ser instruída com prova pré-constituída, requisito esse que não pode ser suprido por fato posterior à impetração. 3. (...) 4. Na ausência de proveito econômico certo e imediatamente aferível, é possível a fixação do valor da causa por estimativa, como de fato procedeu a parte impetrante na espécie. 5. Reputa-se como litigante de má-fé aquele que procede de modo temerário no processo, modificando o teor das argumentações recursais à medida que reste vencido. Conduta que revela falta de compromisso com a ética e com a boa-fé esperada de todos aqueles que participam do processo judicial, prejudicando a eficiente prestação jurisdicional. Aplicação da multa prevista no art. 81, § 2º, do CPC/2015. 6. Agravo interno não provido, com aplicação de multa. (AgInt no RMS n. 65.504/SC, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 21/2/2022, DJe de 24/2/2022.) "Nos termos do art. 25 da Lei n. 12.016/2009, não se revela cabível a fixação de honorários de sucumbência em cumprimento de sentença proferida em mandado de segurança individual, ainda que dela resultem efeitos patrimoniais a serem saldados dentro dos mesmos autos". (REsp n. 2.053.306/MG, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Seção, julgado em 27/11/2024, DJEN de 4/12/2024.) mandado de segurança - cases Demora para análise do requerimento administrativo Autoridade impetrada: GERENTE EXECUTIVO DO INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL – INSS Os documentos juntados pela parte impetrante evidenciam que, à época da impetração do presente mandamus, o requerimento administrativo apresentado em 25/04/2024 ainda não havia sido julgado. Princípio constitucional da eficiência (CF/88, art. 37, caput). Razoável duração do processo administrtivo (CF/88, art. 5º, LXXVIII). Lei 9.784/99, art. 49. Lei 8.213/91, art., 41, §5º. RPS, art. 174. (RE nº 1.171.152/SC – Prazos e Central Unificada de Cumprimento Emergencial de Prazos). PEDIDO: Concessão de segurança para fixação de prazo máximo de 30 (trinta) dias para que autoridade coatora conclua análise e profira decisão no PA, comprovando nos autos. O prazo concedido será interrompido e permanecerá suspenso durante eventual período para cumprimento de exigências, voltando a correr por inteiro após o seu atendimento pela parte impetrante (TRF4, RNC 5001781-71.2021.4.04.7215, Turma Regional Suplementar de SC, Relator Paulo Afonso Brum Vaz, juntado aos autos em 25/03/2022). Demora análise do recurso administrastivo Autoridade impetrada: PRESIDENTE DA 23ª JUNTA DE RECURSO Passados mais de 1 (um) ano, o Recurso ainda não foi analisado, conforme comprova situação de benefício em anexo no site do e-recursos, estando o recurso sem qualquer movimentação ou análise, constando como órgão atual a 23ª Junta de Recursos Princípio constitucional da eficiência (CF/88, art. 37, caput). Razoável duração do processo administrtivo (CF/88, art. 5º, LXXVIII). Lei 9.784/99, art. 49. Portaria MTP nº 4.061, de 12 dedezembro de 2022, foi publicado o novo regimento interno do CRPS. (art. 61, § 9º, prazo de 365 dias). PEDIDO: Concessão de segurança para fixação de prazo máximo de 30 (trinta) dias para que autoridade coatora conclua o julgamento do recurso ordinário, sendo supenso o prazo no caso de necessidade de diligência. PREVIDENCIÁRIO. CONSTITUCIONAL. MANDADO DE SEGURANÇA. INTERESSE DE AGIR. CONFIGURAÇÃO. CONCESSÃO DE BENEFÍCIO. DEFERIMENTO EM SEDE DE RECURSO ADMINISTRATIVO. RECUSA DO INSS A CUMPRIR A DECISÃO. IMPOSSIBILIDADE. I – Resta configurado o interesse de agir do impetrante, uma vez que, se o segurado retrata situação de demora excessiva para o cumprimento de decisão administrativa prolatada por instância superior, a via do mandado de segurança é o meio adequado para garantir que a autoridade coatora aja de acordo com os ditames estabelecidos pela legislação. Demora no cumprimento de decisão do CRPS II - Não cabe ao impetrado negar cumprimento à decisão emanada de órgão que lhe é hierarquicamente superior, sob pena de subversão da ordem de instâncias existentes na estrutura administrativa, conforme a disciplina do § 2º do artigo 308 do Decreto n° 3.048/1999, com violação ao princípio do devido processo legal, ao qual está sujeita toda a atuação administrativa. III – Apelação do impetrante provida. Segurança concedida, com fundamento no art. 1.013, §3º, I, do CPC. (TRF 3ª Região, 10ª Turma, ApCiv - APELAÇÃO CÍVEL - 5006969-79.2022.4.03.6102, Rel. Desembargador Federal SERGIO DO NASCIMENTO, julgado em 11/10/2023, Intimação via sistema DATA: 16/10/2023) Demora no cumprimento de decisão do CRPS Vinculação do INSS às decisões do CRPS (RPS) Art. 308. Os recursos interpostos tempestivamente contra decisões proferidas pelas Juntas de Recursos e pelas Câmaras de Julgamento do CRPS têm efeito suspensivo e devolutivo. § 1o Para fins do disposto neste artigo, não se considera recurso o pedido de revisão de acórdão endereçado às Juntas de Recursos e Câmaras de Julgamento. § 2o É vedado ao INSS escusar-se de cumprir as diligências solicitadas pelo CRPS, bem como deixar de dar cumprimento às decisões definitivas daquele colegiado, reduzir ou ampliar o seu alcance ou executá-las de modo que contrarie ou prejudique seu evidente sentido. EMENTA: PREVIDENCIÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA. REMESSA NECESSÁRIA. RECURSO ADMINISTRATIVO. DEMORA NA APRECIAÇÃO E JULGAMENTO DE RECURSO ORDINÁRIO PELO CONSELHO DE RECURSOS DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. ILEGALIDADE CONFIGURADA. 1. Nos termos do artigo 14 da Lei nº 12.016, concedida a segurança, a sentença estará sujeita ao duplo grau de jurisdição. 2. A ausência de justo motivo para o descumprimento de norma procedimental torna reconhecida a omissão da Administração Pública, que contraria direito líquido e certo do interessado, a quem a Constituição Federal assegura a razoável duração do processo (art. 5º, LXXVIII). (TRF4, RemNec 5000424-90.2024.4.04.7105, 5ª Turma, Relator para Acórdão OSNI CARDOSO FILHO, julgado em 25/02/2025) Violação do devido processo administrativo Autoridade impetrada: CHEFE DA AGÊNCIA DA PREVIDÊNCIA SOCIAL Indeferimento de benefício por não cumprimento de carta de exigência antes mesmo do prazo para realização de avaliação social. Direito líquido e certo a produzir provas no âmbito administrativo e de ter analisado o requerimento a partir de decisão motivada. PEDIDO: Concessão de segurança para reabertura de tarefa (reabertura do PA) realizando, caso se mostre necessário, nova instrução e, uma vez ultimada a fase instrutória, profira, após a (re)análise da documentação ou à realização da perícia e/ou avaliação social. Violação do devido processo administrativo EMENTA: PREVIDENCIÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. REABERTURA. 1. O mandado de segurança é um instituto de direito processual constitucional que visa a garantir a recomposição imediata do direito individual ou coletivo lesado por ato ilegal ou abusivo da autoridade, a exigir prova pré-constituída das situações e fatos que amparam o direito do impetrante. 2. A parte impetrante tem direito líquido e certo à reabertura do processo administrativo para que seja devidamente analisado o pedido de reconhecimento de períodos de labor rural e especial expressamente requeridos. 3. Sentença anulada para o prosseguimento do feito. (TRF4, AC 5008808-27.2024.4.04.7110, 6ª Turma, Relatora para Acórdão TAIS SCHILLING FERRAZ, julgado em 27/02/2025) EMENTA:PREVIDENCIÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA. REMESSA OFICIAL. PEDIDO DE REABERTURA DE PROCESSO ADMINISTRATIVO. DECISÃO ADMINISTRATIVA. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. NULIDADE. […] 2. É nula a decisão administrativa que, ao indeferir requerimento, deixa de explicitar que os documentos e demais provas apresentadas pelo segurado são insuficientes para reconhecer o direito ao benefício. 3. Violação ao exercício da garantia da ampla defesa, prevista no artigo 5º, LV, da Constituição Federal. (TRF4 5007210-34.2021.4.04.7113, 23/10/2022) Não observância da reafirmação da DER Autoridade impetrada: GERENTE EXECUTIVO DO INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL (INSS) O INSS concedeu benefício de aposentadoria por tempo de contribuição na DER, sem observar pedido de reafirmação da DER para concessão de benefício mais vantajoso, por pontos (EC 103/2019, art. 15, incisos I e II), sem incidência do fator previdenciário. Direito líquido e certo a optar pelo benefício mais vantajoso (Lei 8.213/91, art. 122), RE 630.501 (Tema 334), Enunciado 1 do CRPS, e que seja observada a reafirmação da DER (RPS, art. 176-D, IN 128/2022, Enunciado CRPS 1.2). PEDIDO: Concessão de segurança para INSS que proceda à reabertura do processo administrativo do NB XXX, analise o pedido de reafirmação da DER e profira nova decisão com análise de todas as possibilidades de concessão, assegurando ao autor a escolha pelo melhor benefício, no prazo máximo de 30 (trinta) dias. “(...) 2. Cabe ao INSS conceder ao segurado a modalidade de benefício que lhe seja mais vantajosa, por aplicação da tese do direito adquirido ao melhor benefício consagrada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 630501. 3. Preenchidos os requisitos do art. 29-C, § 3º, da Lei 8.213/1991 (regra dos pontos) antes da entrada em vigor da Emenda Constitucional 103/2019, deve ser reconhecido ao professor o direito à aposentadoria por tempo de contribuição sem a incidência do fator previdenciário, conforme regras vigentes à época. (TRF4, AC 5016414-87.2020.4.04.7000, DÉCIMA TURMA, Relator LUIZ FERNANDO WOWK PENTEADO, juntado aos autos em 09/11/2022) Indeferimento indevido de benefício previdenciário Autoridade impetrada: GERENTE EXECUTIVO DO INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL (INSS) O INSS reconheceu a incapacidade laborativa desde 10/06/2024 até, pelo menos, 01/02/2025, em razão de quadro mórbido iniciado em 10/02/2024, quando segurada ostentava a qualidade de segurada do RGPS. Indeferiu por falta de carência. Direito líquido e certo: as doenças referidas em seu Histórico de Perícias Médicas - HISMED foram identificadas pelos CIDs H540 e C693, os quais correspondem, respectivamente, às seguintes patologias: cegueira, ambos os olhos e neoplasia maligna da coróide. Tais doenças estão relacionadas no art. 2º da Portaria Interministerial MTP/MS nº 22, de 31 de agosto de 2022. PEDIDO: Concessão da segurança, para determinar à autoridade coatora que, no prazo máximo de 30 (trinta) dias, conceda o benefício de auxílio por incapacidade temporária à impetrante, com efeitos financeiros desde a impetração do writ. Indeferimento indevido de benefício previdenciário 1. O direito líquido e certo a ser amparado através de mandado de segurança é aquele que pode ser demonstrado de plano, mediante prova pré-constituída, sem a necessidade de dilação probatória. 2. Considerando que a solução da controvérsia não depende de dilação probatória, cabível o mandado de segurança. 3. Não é necessário que a sequela do segurado esteja previstana relação das situações que dão direito ao auxílio-acidente constantes do Anexo III do Decreto 3.048/99, posto que esta não é exaustiva, tratando-se de rol meramente exemplificativo. 4. Presentes os demais requisitos demandados em lei para configuração do direito ao benefício auxílio-acidente, deve o INSS conceder o benefício. 5. Incabível a cobrança de prestações pretéritas pela via do mandado de segurança. Este tribunal tem entendido viável a determinação no mandado de segurança do pagamento das parcelas vencidas a contar do ajuizamento da ação. Relativamente às parcelas anteriores, o pagamento deve ser feito na via administrativa ou, caso necessário, na via própria judicial. (TRF4, AC 5010629-96.2024.4.04.7003, 10ª Turma, Rel. CLAUDIA CRISTINA CRISTOFANI, j. 11/03/2025) Desconto indevido de benefício previdenciário 1. Não havendo prova de má-fé do beneficiário no recebimento de aposentadoria em valor maior do que o devido, decorrente de má aplicação de norma jurídica, interpretação equivocada ou erro da Administração, não cabe a devolução dos valores, considerando a natureza alimentar e o recebimento de boa-fé (Tema 979 STJ). 2. Tendo o impetrante recebido os valores de boa-fé, fica afastada a obrigação de restituir os valores à Autarquia Previdenciária, não havendo razões para modificar o julgado. (TRF4, AC 5032485-28.2024.4.04.7000, 10ª Turma, Rel. Desa. CLAUDIA CRISTINA CRISTOFANI, j. 11/03/2025) RECURSOS NOS JUIZADOS ESPECIAIS FEDERAIS RECURSOS NOS JUIZADOS ESPECIAIS FEDERAIS Fontes normativas Constituição da República Leis 10.259/01 e 9.099/95 Código de Processo Civil Resoluções do Conselho da Justiça Federal, Resolução/CJF 22/2008 Resolução/CJF 61/2009 primeiro fundamento para justificar a existência de um conjunto de normas processuais destinadas a arquitetar e reger um sistema recursal: o (quase inevitável) descontentamento da parte vencida. Trata-se de uma justificativa de ordem psicológica. a falibilidade das decisões judiciais. Para salvaguarda da pacificação social, pretende-se que as decisões judiciais sejam fruto da melhor aplicação do direito, produzindo o resultado mais justo possível. Nestes termos, é de se reconhecer que o direito de recorrer guarda fundamento constitucional e deve ser moldado criteriosamente pelo legislador ordinário, conjugando as garantias constitucionais de ampla defesa e de razoável duração do processo com a natureza e a complexidade da causa. Essa noção é extremamente importante para um trabalho dedicado ao estudo dos recursos no âmbito dos Juizados Especiais Federais, onde a interposição de sucessivos recursos deve ser vista como algo excepcional. Como visto, por expressa disposição do art. 1º da Lei 10.259/01, aplicam-se aos Juizados Especiais Federais as regras e os princípios da Lei 9.099/95 (art. 1º – “São instituídos os Juizados Especiais Cíveis e Criminais da Justiça Federal, aos quais se aplica, no que não conflitar com esta Lei, o disposto na Lei 9.099, de 26.09.1995”). Entretanto, o art. 557 do CPC admite o julgamento do recurso por decisão monocrática do relator, evidentemente mais informal e possivelmente mais célere do que o julgamento por colegiado, sendo perfeitamente razoável uma interpretação sistemática com o art. 41, § 1º, da Lei 9.099/95, permitindo a adoção daquela regra processual que se ajusta adequadamente aos princípios dos Juizados Especiais. Inclusive, este mesmo raciocínio será adotado em outras passagens deste trabalho, como, exemplificativamente, na admissibilidade do recurso adesivo e na possibilidade de complementação do preparo. Importante destacar que a problemática acerca da aplicação subsidiária do CPC aos Juizados Especiais Federais não encontra aplicação no âmbito estadual, pois a Lei 12.153/09, que institui os Juizados da Fazenda Pública nos Estados, Distrito Federal, Territórios e Municípios, previu expressamente essa subsidiariedade. “Art. 27. Aplica-se subsidiariamente o disposto nas Leis 5.869, de 11.01.1973 – Código de Processo Civil, 9.099, de 26.09.1995, e 10.259, de 12.07.2001”. Interessante aspecto consiste na transferência da matéria de fundo ao órgão ad quem quando a sentença extingue o processo sem julgamento do mérito e a causa estiver em condições de imediato julgamento (teoria da causa madura). Neste sentido, embora a legislação processual limite tal possibilidade às causas que versam questão exclusivamente de direito (CPC, art. 515, § 3º, com a redação dada pela Lei 10.352/01), os objetivos que inspiraram a inovação processual que ampliou o efeito devolutivo da apelação (celeridade, economia processual e efetividade processual) se prestam a legitimar a atuação de instância recursal para o exame direto do mérito da causa, ainda que veicule questões de fato, quando elas já se encontrarem esclarecidas pelas provas produzidas. 33 Órgãos colegiados nos JEFs Supremo Tribunal Federal Superior Tribunal de Justiça Turma Nacional de Uniformização dos JEFS Turmas Regionais de Uniformização Turmas Recursais RECURSOS NOS JEF’S Recurso de medida cautelar Recurso inominado Embargos de declaração Pedidos de uniformização Recurso extraordinário Artigos 4 e 5 da Lei 10.259/01: Art. 4 - “O juiz poderá, de ofício ou a requerimento das partes, deferir medidas cautelares no curso do processo, para evitar dano de difícil reparação”. Art. 5 - “Exceto nos casos do art. 4, somente será admitido recurso de sentença definitiva”. Exceção à regra geral da irrecorribilidade das decisões interlocutórias. Legitimidade: Resolução/CJF n. 347/2015, art. 2º, I Prazo: 10 dias (Resolução/CJF n. 347/2015, art. 2º, parag. 1º) Recurso de medida cautelar Recurso inominado Cabimento: artigo 41 e seguintes da Lei nº 9.099/1995 Prazo de 10 dias Ausência de reexame necessário: artigo 13 da Lei nº 10.259/2001 Efeitos do recurso - Ônus da impugnação específica Confirmação da sentença pelos próprios fundamentos (Lei 9.099/95, art. 46). Art. 46. O julgamento em segunda instância constará apenas da ata, com a indicação suficiente do processo, fundamentação sucinta e parte dispositiva. Se a sentença for confirmada pelos próprios fundamentos, a súmula do julgamento servirá de acórdão. STF: AI 749963 – Rel. Min. Eros Grau – 2ª T. – j. em 08.09.2009 – DJ 25.09.2009 STJ: Tema 1306 – Aguarda-se julgamento Recurso inominado Artigo 48 da Lei nº 9.099/1995 Prazo: 5 dias Suspensão do prazo para recurso quando interpostos contra sentença Interrupção do prazo quando interpostos contra acórdão Efeitos infringentes Embargos e prequestionamento Embargar é preciso, viver não é preciso Pedido de Uniformização de Interpretação de Lei Federal (PEDILEF) – Regional (TRU) Pedido de Uniformização de Interpretação de Lei Federal (PEDILEF) – Nacional (TNU) Pedido de Uniformização de Interpretação de Lei Federal (PEDILEF) – STJ Lei 10.259/01, art. 14. Resolução/CJF 345/2015 (RITNU) PEDIDOS DE UNIFORMIZAÇÃO Disposições legais Art. 14. Caberá pedido de uniformização de interpretação de lei federal quando houver divergência entre decisões sobre questões de direito material proferidas por Turmas Recursais na interpretação da lei. § 1. O pedido fundado em divergência entre Turmas da mesma Região será julgado em reunião conjunta das Turmas em conflito, sob a presidência do Juiz Coordenador. Disposições legais § 2º. O pedido fundado em divergência entre decisões de turmas de diferentes Regiões ou da proferida em contrariedade a súmula ou jurisprudência dominante do STJ será julgado por Turma de Uniformização, integrada por juízes de Turmas Recursais, sob a presidência do Coordenador da Justiça Federal. § 4. Quando a orientação acolhida pela Turma de Uniformização, em questões de direito material, contrariar súmula ou jurisprudência dominante no Superior Tribunal de Justiça – STJ, a parte interessada poderá provocar a manifestação deste, que dirimirá a divergência. Pressupostos gerais de cabimento dos incidentes de uniformização. Prazo de 15 dias (RI TNU, art.12). Legitimidade e interesse recursal. Questão de Ordem nº 18 da TNU: “É inadmissível o pedido de uniformização quando a decisão impugnada tem mais de um fundamento suficiente e as respectivas razões não abrangem todos eles”. Divergência entre decisões proferidas por Turmas Recursais acerca de questões de direito material. Pressupostos gerais de cabimento dos incidentes de uniformização. Decisão proferida por Turmas Recursais. Configuração da similitude fático-jurídica entre a decisão recorrida e o acórdão paradigma. Questão de Ordem n 22: “É possível o não-conhecimento do pedido de uniformização por decisão monocrática quando o acórdão recorrido não guarda similitude fática e jurídica com o acórdão paradigma” Interpretação da lei em questões de direito material. Súmulas 42 e 43 da TNU. Exemplos de não caracterização de similitude-fática Inexiste similitude fático-jurídica entre a decisão que não considera demonstrado o exercício de atividade especial diante das provas juntadas (formulário DSS-8030 e laudo pericial) e aquelas que orientam a desnecessidade da apresentação de laudo pericial para a comprovação da exposição a agentes nocivos antes da Lei 9.032/95. Exemplos de não caracterização de similitude-fática Inexiste similitude fática quando a decisão recorrida entende que o exercício de atividade rural foi demonstrado documentalmente, mas não foi confirmado por prova testemunhal enquanto o precedente suscitado como paradigma orienta que documentos em nome de terceiros são hábeis a comprovar a qualidade de segurado especial. Exemplos de não caracterização de similitude-fática Inexiste divergência acerca de interpretação de lei federal quando a decisão recorrida adota a mesma tese de direito das decisões invocadas (inviabilidade de concessão de benefício por incapacidade, salvo se comprovada a progressão da doença ou o agravamento da lesão), mas conclui, a partir da prova pericial, que o início da incapacidade teve início antes do reingresso ao RGPS. Exemplos de não caracterização de similitude-fática O confronto analítico se reparte em duas etapas: primeira, o confronto entre a questão de fato do acórdão impugnado e do paradigma, devendo o recorrente reproduzir os fundamentos dos acórdãos comparados; segunda, o confronto das teses jurídicas, evidenciando ao órgão ad quem a diversidade de interpretações. Por óbvio, é preciso cotejar acórdãos que chegaram a resoluções diferentes no trato da mesma questão federal (Araken de Assis). ASSIS, Araken de. Manual... cit., 2008. p. 805. 48 Pressupostos gerais de cabimento dos incidentes de uniformização. Imprescindibilidade de prequestionamento Questão de Ordem n 10, in verbis: “Não cabe o incidente de uniformização quando a parte que o deduz apresenta tese jurídica inovadora, não ventilada nas fases anteriores do processo e sobre a qual não se pronunciou expressamente a Turma Recursal no acórdão recorrido” Embargos e prequestionamento. Pedidos de Uniformização em Espécie. Pedido de Uniformização Regional. Pressuposto específico do Incidente de Uniformização Regional: Divergência de interpretação de Lei Federal em questão de direito material entre TR’s da mesma Região. Órgão julgador: Turma Regional de Uniformização Pedidos de Uniformização em Espécie. Pedido de Uniformização Nacional. Pressupostos específicos do Incidente de Uniformização Nacional Divergência de interpretação de Lei Federal em questão de direito material entre TR’s de diferentes Regiões ou proferida em contrariedade à Súmula ou jurisprudência dominante do STJ. Órgão julgador: Turma Nacional de Uniformização Turma Nacional de Uniformização de Jurisprudência Resolução nº 345/2015 do CJF Presidida pelo Ministro Corregedor Geral da Justiça Federal. Composta por 12 Juízes Federais, sendo 2 de cada Região. Incidentes de Uniformização em Espécie Pedido de Uniformização para o Superior Tribunal de Justiça. Hipótese de cabimento: Acórdão da TNU em contrariedade ao entendimento sumulado ou à jurisprudência dominante do STJ Competência para julgamento (Res/STJ. 10/2007) Suspensão de processos e sobrestamento de incidentes Muito obrigado! 54 “Não procures tornar-te juiz, se não fores bastante forte para destruir a iniquidade, para que não aconteça que temas perante um homem poderoso, e te exponhas a pecar contra a equidade” (Eclesiástico, 7:6) image2.png image1.jpeg