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W BA 04 65 _V 2. 0 MÁQUINAS ELÉTRICAS Mendelsson Rainer Macedo Neves Londrina Platos Soluções Educacionais S.A 2024 MÁQUINAS ELÉTRICAS 1ª edição 2024 Editora e Distribuidora Educacional S.A. Avenida Paris, 675 – Parque Residencial João Piza CEP: 86041-100 — Londrina — PR Homepage: https://www.cogna.com.br/ Diretora Sr. de Pós-graduação & OPM Silvia Rodrigues Cima Bizatto Conselho Acadêmico Alessandra Cristina Fahl Ana Carolina Gulelmo Staut Camila Turchetti Bacan Gabiatti Camila Braga de Oliveira Higa Giani Vendramel de Oliveira Gislaine Denisale Ferreira Henrique Salustiano Silva Juliana Schiavetto Dauricio Juliane Raniro Hehl Mariana Gerardi Mello Nirse Ruscheinsky Breternitz Coordenador Mariana Gerardi Mello Revisor Giancarlo Michelino Gaeta Lopes Editorial Beatriz Meloni Montefusco Carolina Yaly Márcia Regina Silva Paola Andressa Machado Leal Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)_____________________________________________________________________________ Neves, Mendelsson Rainer Macedo Máquinas elétricas/ Mendelsson Rainer Macedo Neves, – Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A 2024. 32 p. ISBN 978-65-5903-564-9 1. Fundamentos e circuitos magnéticos. 2. Motores elétricos. 3. Análise de motores de indução trifásicos. I. Título. CDD 623.8726 _____________________________________________________________________________ Raquel Torres – CRB 8/10534 N518m © 2024 por Editora e Distribuidora Educacional S.A. Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, da Editora e SUMÁRIO Apresentação da disciplina ___________________________________05 Fundamentos e circuitos magnéticos _________________________07 Transformadores e conversão eletromecânica de energia ___22 Motores e geradores trifásicos ________________________________39 Máquinas de corrente contínua e motores monofásicos ______52 MÁQUINAS ELÉTRICAS 5 Apresentação da disciplina É com grande entusiasmo que convidamos você a explorar os fundamentos e as aplicações das máquinas elétricas nesta disciplina empolgante. As máquinas elétricas desempenham um papel crucial em diversas indústrias e setores, desde a geração e distribuição de energia até aplicações industriais e automotivas. Compreender os princípios que regem o funcionamento dessas máquinas é essencial para qualquer profissional da área elétrica e de engenharia. Esta disciplina tem como objetivo principal fornecer uma base sólida sobre os princípios de funcionamento, as características e as aplicações das máquinas elétricas, incluindo motores e geradores de corrente contínua e alternada. Exploraremos os conceitos fundamentais por trás da conversão de energia elétrica em energia mecânica, e vice-versa, abordando temas, como princípios de operação, circuitos equivalentes, características de desempenho e métodos de controle. Além disso, analisaremos as aplicações práticas das máquinas elétricas em diversos setores industriais, destacando sua relevância e importância no mundo moderno. Compreender as máquinas elétricas é essencial para uma ampla gama de profissionais, desde engenheiros eletricistas e mecânicos até técnicos de manutenção e projetistas de sistemas elétricos. Ao dominar os fundamentos e as aplicações das máquinas elétricas, você estará mais bem preparado para enfrentar desafios reais no ambiente de trabalho, seja projetando sistemas de energia eficientes, 6 diagnosticando e solucionando problemas em máquinas industriais ou desenvolvendo tecnologias inovadoras. Além disso, a demanda por profissionais qualificados em máquinas elétricas é alta em diversos setores, oferecendo oportunidades de carreira gratificantes e bem remuneradas. Portanto, convidamos você a embarcar nesta jornada de aprendizado e descoberta em máquinas elétricas. Esse conhecimento será uma ferramenta valiosa em sua vida profissional, capacitando-o a enfrentar os desafios do mundo moderno com confiança e competência. Estamos ansiosos para compartilhar essa experiência de aprendizado com você! 7 Fundamentos e circuitos magnéticos Autoria: Mendelsson Rainer Macedo Neves Leitura crítica: Giancarlo Michelino Gaeta Lopes Objetivos • Compreender os princípios fundamentais de eletricidade e magnetismo. • Analisar as leis de Faraday e Ampère e sua aplicação em circuitos magnéticos. • Explorar a teoria, a análise e a transformação de circuitos magnéticos, incluindo a analogia com circuitos elétricos. 8 1. Introdução aos fundamentos de eletricidade e magnetismo A compreensão dos fundamentos de eletricidade e magnetismo é crucial em diversos campos da engenharia elétrica e eletrônica. Ao explorar os conceitos básicos dessas áreas, entramos em um universo fascinante de interações fundamentais que regem o funcionamento de dispositivos e sistemas modernos. 1.1 Conceitos básicos de eletricidade e magnetismo A carga elétrica e suas propriedades são essenciais para entendermos o mundo ao nosso redor. Tudo, desde objetos simples até nós mesmos, é composto por elétrons e prótons, que possuem carga elétrica. Essa carga pode ser positiva (prótons) ou negativa (elétrons), e é uma característica fundamental que define como as partículas interagem entre si e com o ambiente, como mostrado na Figura 1. Nesta imagem, temos a representação de dois átomos. O átomo da esquerda apresenta o mesmo número de elétrons e prótons, o que torna o átomo neutro. O átomo da direita apresenta um elétron a mais em relação ao número de prótons, o que torna o átomo carregado negativamente. Figura 1 – Carga elétrica de um átomo Fonte: shutterstock.com. 9 A interação entre as cargas pode ser entendida por meio do estudo do campo elétrico. Cada carga cria um campo ao seu redor que influencia outras cargas próximas. As cargas “conversam” através desse campo, influenciando umas às outras sem contato direto. O campo elétrico é expresso em termos da força elétrica por unidade de carga (Newton por Coulomb, N/C), e as linhas de campo saem de cargas positivas e entram em cargas negativas, como mostrado na Figura 2. Figura 2 – Linhas de campo elétrico das cargas Fonte: shutterstock.com. E o potencial elétrico? Já ouviu falar? O potencial elétrico, por sua vez, é uma grandeza escalar que descreve a energia potencial que uma carga elétrica possui em um determinado ponto do campo elétrico. Ele é medido em volts (V) e representa a quantidade de trabalho necessário para mover uma carga de teste de um ponto de referência até o ponto em questão, dividido pela carga de teste. O potencial elétrico é uma medida da energia potencial que uma carga elétrica possui em um determinado ponto de um campo elétrico, como mostrado na Figura 3. A equação para calcular o potencial elétrico (V) em um ponto devido a uma carga elétrica pontual q em relação a um ponto de referência é dada pela seguinte fórmula da Equação 1. 10 (Eq. 1) Onde U é o potencial elétrico em volts (V), k é a constante eletrostática, conhecida também como constante de Coulomb, aproximadamente igual a 8,9875 × 109 Nm2/C2, q é a carga elétrica em Coulombs (C), r é a distância entre a carga e o ponto onde o potencial elétrico está sendo calculado, em metros (m). As variáveis estão presentes na Figura 3. Figura 3 – Potencial elétrico devido ao dipolo elétrico. Fonte: shutterstock.com. Uma relação importante entre o campo elétrico e o potencial elétrico é que o campo elétrico é negativamente o gradiente do potencial elétrico. Isso significa que o campo elétrico aponta na direção em que o potencial elétrico diminui mais rapidamente. 11 1.2 Propriedades magnéticas dos materiais Exploraremos os diferentes tipos de comportamento magnético dosmateriais, como o ferromagnetismo, o paramagnetismo e o diamagnetismo, e as curvas de magnetização dos materiais. O paramagnetismo e o diamagnetismo são duas propriedades magnéticas encontradas em materiais. No paramagnetismo, os materiais exibem uma fraca resposta magnética na direção do campo magnético externo devido ao alinhamento temporário dos momentos magnéticos atômicos. Isso resulta em uma magnetização temporária e fraca dos materiais. Por outro lado, no diamagnetismo, os materiais também respondem magneticamente de forma fraca, mas na direção oposta ao campo aplicado, devido ao alinhamento dos momentos magnéticos atômicos de forma a enfraquecer o campo magnético externo. O ferromagnetismo é uma propriedade magnética presente em materiais, em que os momentos magnéticos atômicos tendem a se alinhar espontaneamente na mesma direção, formando domínios magnéticos. Quando um campo magnético externo é aplicado, esses domínios podem se rearranjar, resultando em uma magnetização global do material. As curvas de magnetização, chamadas também de curvas de histerese, são importantes para caracterizar as propriedades magnéticas de materiais ferromagnéticos, como mostrado na Figura 4. Elas mostram a relação entre o campo magnético aplicado e a magnetização do material, sendo úteis para entender como o material responde a mudanças no campo magnético externo. 12 Figura 4 – Curva de histerese característica de um campo magnético Fonte: shutterstock.com. A coercitividade é a medida da resistência de um material à desmagnetização, representada graficamente pelo ponto onde a curva de magnetização atinge o eixo horizontal. A remanência é a magnetização que permanece em um material após a remoção do campo magnético externo, indicada no gráfico pelo valor da magnetização quando o campo magnético é zero no eixo vertical. Nos imãs permanentes, a coercitividade e a remanência são altas, enquanto, nos materiais ferromagnéticos, a remanência é menor, mostrando a capacidade dos imãs permanentes de manter seu magnetismo ao longo do tempo. 13 2. Lei de Faraday e Lei de Ampère 2.1 Lei de Faraday da indução eletromagnética Essa lei descreve como um campo magnético variável no tempo pode induzir uma corrente elétrica em um circuito condutor. Em outras palavras, quando há uma mudança no fluxo magnético através de uma superfície delimitada por um circuito condutor, uma força eletromotriz (f.e.m.) é induzida nesse circuito, causando o surgimento de uma corrente elétrica. Matematicamente, a Lei de Faraday é expressa pela Equação 2: (Eq. 2) Onde E é a força eletromotriz induzida no circuito (em volts, V), Φ é o fluxo magnético através da superfície delimitada pelo circuito (em webers, Wb) e t é o tempo (em segundos, s). Um exemplo prático do uso da Lei de Faraday da indução eletromagnética é encontrado em geradores elétricos, como os usados em usinas hidrelétricas. 2.2 Lei de Ampère e Lei de Ampère - Maxwell A Lei de Ampère estabelece a relação entre a corrente elétrica e o campo magnético que ela gera. Matematicamente, ela é expressa como na Equação 3: (Eq. 3) Onde: é o campo magnético, é um elemento infinitesimal de comprimento ao longo de uma linha fechada, é a permeabilidade 14 magnética do vácuo e é a corrente elétrica que atravessa a superfície fechada. Essa lei descreve como o campo magnético circunda uma corrente elétrica. Quando uma corrente elétrica passa por um fio condutor, ela cria um campo magnético em torno do fio, com linhas de campo magnético circulares. A Lei de Ampère-Maxwell é uma extensão da Lei de Ampère que inclui os efeitos da variação do campo elétrico em relação ao tempo. A formulação completa da Lei de Ampère-Maxwell é dada na Equação 4: (Eq. 4) Onde: é a permissividade elétrica do vácuo e é a taxa de variação temporal do fluxo elétrico através da superfície fechada. Essa lei inclui os efeitos da variação temporal do campo elétrico na indução magnética, mostrando como uma variação no campo elétrico pode induzir um campo magnético. 3. Teoria e análise de circuitos magnéticos Imagine um transformador, um dispositivo tão comum em nosso cotidiano: por meio da teoria dos circuitos magnéticos, podemos analisar como o núcleo ferromagnético do transformador direciona e concentra o fluxo magnético, permitindo a transferência eficiente de energia entre suas bobinas. 15 3.1 Teoria dos circuitos magnéticos Essa teoria se baseia em conceitos, como fluxo magnético e relutância, e é complementada por leis, como a Lei de Hopkinson. O fluxo magnético é uma medida da quantidade de campo magnético que atravessa uma determinada área. Ele é análogo ao fluxo de corrente elétrica em um circuito elétrico. A relutância é a medida da oposição que um material oferece ao fluxo magnético. Matematicamente, a relutância (R) é definida como na Equação 5: (Eq. 5) Onde é o comprimento do caminho magnético, é a área da seção transversal e é a permeabilidade magnética do material. A Lei de Hopkinson estabelece uma relação entre o fluxo magnético, a relutância e a força magnetomotriz ( ) em um circuito magnético. Matematicamente, pode ser expressa como na Equação 6: (Eq. 6) Onde F é a (em ampères-volta), Φ é o fluxo magnético (em webers) e R é a relutância do circuito magnético (em ampères por weber). 16 3.2 Análise de circuitos magnéticos A análise de circuitos magnéticos envolve a criação de um modelo de circuito magnético equivalente, o uso de técnicas específicas para resolver esses circuitos e a determinação de correntes e tensões em elementos magnéticos. O modelo de circuito magnético equivalente inclui elementos, como relutâncias, indutâncias magnéticas e fontes de força magnetomotriz para representar a relação entre o campo magnético, a corrente elétrica e as características geométricas do circuito magnético, como mostrado na Figura 5. Cada elemento magnético no circuito é representado por uma relutância (R), que é a medida da oposição que o elemento oferece ao fluxo magnético. Figura 5 – Circuito magnético análogo a um núcleo de transformador Fonte: Chapman (2013, p. 12). 17 4. Analogia entre circuitos magnéticos e elétricos Ao analisarmos um circuito magnético composto por um núcleo de ferro envolto por uma bobina condutora, podemos usar a analogia para relacionar a corrente elétrica com o fluxo magnético e a diferença de potencial com a força magnetomotriz. 4.1 Analogia entre circuitos magnéticos e elétricos Essa analogia é baseada em semelhanças entre as leis e os componentes de circuitos magnéticos e elétricos, facilitando a análise e o projeto de dispositivos magnéticos complexos. A Lei de Ohm em circuitos elétricos, que relaciona tensão, corrente e resistência, tem sua contraparte na Lei de Hopkinson em circuitos magnéticos, que relaciona força magnetomotriz, fluxo magnético e relutância. O Quadro 1 compara elementos de circuitos magnéticos com seus análogos em circuitos elétricos. Quadro 1 – Elementos análogos em circuitos magnéticos e elétricos Elemento em circuitos magnéticos Elemento em circuitos elétricos Núcleo de ferro Fio condutor Permeabilidade magnética Condutividade elétrica Relutância Resistência Fluxo magnético Corrente elétrica Força magnetomotriz Diferença de potencial elétrico Magnetização Polarização elétrica Fonte: elaborado pelo autor. Os circuitos magnéticos e elétricos compartilham propriedades, como impedância, corrente, tensão e potência. Assim como em circuitos 18 elétricos, em que a corrente flui de acordo com a diferença de potencial, em circuitos magnéticos, o fluxo magnético flui de acordo com a diferença de força magnetomotriz ( ). 4.2 Utilização da analogia para análise de circuitos magnéticos A utilização de circuitos magnéticos é essencial em diversos dispositivos elétricos e eletrônicos, como transformadores e motores elétricos. Na indústria de energia elétrica, os engenheiros podem usarconceitos familiares de circuitos elétricos, como resistências, indutâncias e fontes de tensão, para modelar e resolver circuitos magnéticos equivalentes de transformadores. Isso permite otimizar o projeto do transformador para eficiência, regulação de tensão e outras características desejadas. Em aplicações industriais e automotivas, pode-se usar técnicas de análise de circuitos elétricos, como métodos de malha e de nó, para resolver circuitos magnéticos equivalentes de motores elétricos. Isso permite projetar motores eficientes e de alto desempenho para uma variedade de aplicações. 5. Transformação de circuitos magnéticos Imagine um transformador de potência: ao projetá-lo, é comum a necessidade de adaptar as características magnéticas do núcleo para diferentes tensões de entrada e saída. Através da transformação de circuitos magnéticos, podemos modificar as relutâncias, as correntes de excitação e outras propriedades do circuito, de forma a garantir um desempenho eficiente e seguro do transformador. 19 5.1 Métodos de transformação de circuitos magnéticos Os métodos de transformação de circuitos magnéticos são técnicas utilizadas para simplificar a análise e o projeto de sistemas magnéticos complexos, permitindo a transição entre diferentes configurações de circuitos magnéticos. Dois métodos principais são a transformação de relutâncias e a transformação de fontes e cargas magnéticas. Um exemplo de transformação de relutâncias pode ser encontrado em um sistema de controle de fluxo magnético em uma máquina elétrica, como um motor ou um gerador. Suponha que tenhamos um motor elétrico que opera em duas velocidades diferentes: alta velocidade e baixa velocidade. Para mudar a velocidade de operação do motor, podemos ajustar a relutância do caminho magnético por onde o fluxo magnético passa. Para operar em alta velocidade, podemos aumentar a relutância do caminho magnético para direcionar mais fluxo magnético para as partes ativas do motor, como o estator e o rotor. Isso pode ser feito, por exemplo, ajustando a posição de uma peça ferromagnética móvel para criar uma relutância adicional no caminho magnético, o que redireciona o fluxo magnético para onde é necessário para a operação em alta velocidade. Esses ajustes na relutância do caminho magnético permitem que o motor opere em diferentes velocidades sem a necessidade de alterações significativas em seu design ou estrutura física. 20 Conectando à Realidade: Exemplos Práticos Situação: analogia de circuitos magnéticos. Imagine um transformador de potência em uma estação elétrica que converte a energia elétrica de alta tensão para baixa tensão para distribuição doméstica. Esse transformador é composto por um núcleo de ferro laminado ao redor do qual estão enroladas bobinas de fio condutor. O núcleo de ferro direciona o fluxo magnético gerado pelas correntes nas bobinas, permitindo a transferência eficiente de energia do enrolamento primário para o enrolamento secundário. Detalhes e Relevância: Na análise dos princípios da análise de circuitos magnéticos, como a permeabilidade magnética e a relutância do núcleo de ferro, são fundamentais para entender como o dispositivo opera e para otimizar seu design, visando à maior eficiência energética. Impacto e Resultados: A aplicação adequada dos princípios de análise de circuitos magnéticos em dispositivos como transformadores resulta em maior eficiência energética, redução de perdas de energia e custos operacionais mais baixos. Além disso, contribui para o desenvolvimento de tecnologias mais avançadas e sustentáveis. Referências BIM, E. Máquinas elétricas e acionamento. 4. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2018. 21 CHAPMAN, S. J. Fundamentos de máquinas elétricas. 5. ed. Porto Alegre: AMGH, 2013. UMANS, S. D. Máquinas elétricas de Fitzgerald e Kingsley. 7. ed. Porto Alegre: AMGH, 2014. 22 Transformadores e conversão eletromecânica de energia Autoria: Mendelsson Rainer Macedo Neves Leitura crítica: Giancarlo Michelino Gaeta Lopes Objetivos • Entender como os transformadores operam, incluindo os princípios de indução eletromagnética, a relação de transformação de tensão e corrente e as características básicas do funcionamento dos transformadores. • Compreender as diversas aplicações dos transformadores em sistemas elétricos de potência e distribuição, incluindo seu papel na transmissão, distribuição e fornecimento de energia elétrica, bem como suas características e requisitos específicos em diferentes contextos. • Entender os fundamentos da conversão eletromecânica de energia, abrangendo os conceitos de energia mecânica e eletromagnética e sua interconversão em sistemas de conversão. 23 1. Introdução aos transformadores Neste tópico, exploraremos um componente essencial no mundo da eletricidade: os transformadores. Você já parou para pensar como a eletricidade que utilizamos em nossas casas chega até nós com segurança e eficiência? Os transformadores são usados nesse processo. Estudaremos os princípios de funcionamento dos transformadores, seus diferentes tipos e a estrutura e os componentes básicos que compõem esses dispositivos. 1.1 Tipos, estrutura e componentes básicos dos transformadores Os transformadores são dispositivos que desempenham um papel vital na distribuição e transmissão eficiente de energia elétrica. A seguir, serão mostrados os diferentes tipos de transformadores, cada um projetado para atender a necessidades específicas. Prepare-se para descobrir as nuances de cada tipo e sua importância no funcionamento dos sistemas elétricos modernos. Vamos começar! Tipos de transformadores: Transformadores de potência: são projetados para operar em alta potência e tensão. São comumente utilizados em sistemas de transmissão de energia elétrica em alta tensão, como subestações de energia. Transformadores de distribuição: projetados para operar em níveis de tensão mais baixos, geralmente em redes de distribuição de energia elétrica. São encontrados em postes ou caixas em ruas residenciais e comerciais. 24 Autotransformadores: possuem apenas um enrolamento de fio, que serve como enrolamento primário e secundário. São utilizados em aplicações onde a relação de transformação é próxima de 1:1. Transformadores elevadores e redutores de tensão: transformadores projetados especificamente para aumentar ou diminuir a tensão de entrada para uma saída desejada, dependendo da aplicação. Transformadores de instrumentos: utilizados para medir a corrente ou tensão em um circuito, geralmente em conjunto com instrumentos de medição. Estrutura e componentes básicos dos transformadores são mostrados na Figura 1. Figura 1 – Componentes básicos de um transformador Fonte: elaborada pelo autor. 25 Núcleo magnético: geralmente feito de material ferromagnético, como aço silício, que é altamente permeável ao fluxo magnético. O núcleo é responsável por concentrar o campo magnético e minimizar as perdas. Enrolamentos: são os condutores de fio enrolados em torno do núcleo do transformador. Geralmente, há dois enrolamentos: o primário e o secundário. O enrolamento primário é conectado à fonte de energia, enquanto o enrolamento secundário é conectado à carga. Isolamento: é utilizado para separar os enrolamentos e evitar curtos- circuitos entre eles. O isolamento pode ser feito com materiais como papel impregnado em óleo, plástico ou verniz isolante. Tanque: é o invólucro metálico que contém o núcleo e os enrolamentos do transformador. Serve para proteger os componentes internos do ambiente externo e para conter o óleo isolante (se presente) para resfriamento e isolamento. Terminais ou buchas: são os pontos de conexão elétrica dos enrolamentos do transformador. Permitem a conexão do transformador ao sistema elétrico, tanto do lado primário quanto do lado secundário. 1.2 Princípios de operação dos transformadores Um transformador ideal é um dispositivo sem perdas com um enrolamentode entrada e um enrolamento de saída. Podemos associar a relação de transformação dos transformadores a partir das espiras com a tensão de entrada e saída, assim como a corrente de entrada e saída, conforme a Equação 1. (Eq. 1) 26 Em que é a tensão no primário, é a tensão no secundário, é o número de espiras no primário, é o número de espiras no secundário, é a corrente no secundário, é a corrente no primário e é a relação de espiras. O princípio básico de funcionamento de um transformador é a transferência de energia de um circuito para outro por meio de um campo magnético variável no tempo. Quando uma corrente alternada passa pelo enrolamento primário do transformador, ela cria um campo magnético variável ao redor desse enrolamento. O campo magnético que varia induz uma tensão alternada no enrolamento secundário do transformador, conforme estabelecido pela Lei de Faraday da indução eletromagnética. A relação entre o número de espiras nos enrolamentos primário e secundário determina a relação de transformação, isto é, como a tensão é aumentada ou reduzida entre eles. Portanto, os transformadores são capazes de elevar ou reduzir a tensão da eletricidade de forma eficiente, sem alterar sua frequência, tornando-os dispositivos essenciais em sistemas de transmissão e distribuição de energia elétrica. 2. Equações fundamentais dos transformadores 2.1 Lei de Faraday A Lei de Faraday da indução eletromagnética descreve como um campo magnético variável no tempo pode induzir uma corrente elétrica em um circuito. Essa lei é fundamental para o funcionamento dos transformadores e de muitos outros dispositivos elétricos. 27 A lei afirma que a magnitude da força eletromotriz (f.e.m.), ou tensão induzida, em um circuito é diretamente proporcional à taxa de variação do fluxo magnético que atravessa o circuito. Matematicamente, pode ser expressa pela Equação 2: (Eq. 2) Onde é a força eletromotriz induzida, medida em volts (V), é a taxa de variação do fluxo magnético (Φ), medida em webers (Wb) por segundo (s). Essa lei explica como os transformadores funcionam: quando a corrente alternada passa pelo enrolamento primário, ela cria um campo magnético variável ao redor do enrolamento. Esse campo magnético variável, por sua vez, induz uma tensão elétrica no enrolamento secundário, de acordo com a Lei de Faraday. 2.2 Equações fundamentais As equações fundamentais que regem o funcionamento dos transformadores estão relacionadas à conservação de energia e à transformação de potência. Exploraremos cada uma delas. As equações de conservação de energia são fundamentais para entender o funcionamento dos transformadores, pois garantem que a energia elétrica fornecida ao enrolamento primário seja igual à energia elétrica obtida no enrolamento secundário, desconsiderando as perdas. Matematicamente, isso pode ser expresso pela Equação 3: (Eq. 3) 28 Onde é a potência elétrica fornecida ao enrolamento primário, medida em watts (W), é a potência elétrica obtida no enrolamento secundário, medida em watts (W). As equações de transformação de potência são utilizadas para determinar a relação entre as potências no enrolamento primário e secundário do transformador. Essas equações são baseadas na relação entre a tensão e a corrente em cada enrolamento. Matematicamente, a potência elétrica pode ser expressa como o produto da tensão e da corrente. Portanto, de acordo com Chapman (2013), as equações de transformação de potência podem ser representadas por: (Eq. 4) (Eq. 5) Onde, Vprimário e Vsecundário são as tensões nos enrolamentos primário e secundário, respectivamente. Iprimário e Isecundário são as correntes nos enrolamentos primário e secundário, respectivamente. primário é o ângulo entre a tensão primária e a corrente primária. secundário é o ângulo entre a tensão secundária e a corrente secundária. Essas equações mostram como a potência elétrica é transformada entre os enrolamentos, de acordo com a relação de transformação de tensão e corrente do transformador. 29 3. Aplicações em sistemas de potência e distribuição 3.1 Distribuição de energia Nas subestações, os transformadores são usados para modificar os níveis de tensão da energia elétrica. Geralmente, a eletricidade é transmitida em níveis muito altos de tensão para minimizar perdas durante a transmissão de longa distância. No entanto, esses níveis elevados de tensão não são adequados para o fornecimento direto aos consumidores. Portanto, nas subestações de distribuição, os transformadores são utilizados para abaixar a tensão da eletricidade a níveis seguros e utilizáveis para a distribuição local. As redes de distribuição são caracterizadas como primárias, que operam na faixa citada de 11 a 33 kV, e secundárias, para a distribuição aos clientes finais em baixa tensão. Assim, a subestação de distribuição que recebe a eletricidade da linha de transmissão recebe o nome de subestação de distribuição primária. O transformador do poste é considerado uma subestação de distribuição secundária. Nas redes de distribuição, os transformadores são usados para ajustar novamente os níveis de tensão, conforme necessário, para diferentes tipos de consumidores e para garantir que a eletricidade seja fornecida de forma eficiente e segura. Por exemplo, transformadores de distribuição são instalados em postes ao longo das redes de distribuição para fornecer eletricidade a residências, comércios e pequenas empresas. Esses transformadores reduzem ainda mais a tensão para níveis adequados para uso doméstico, geralmente entre 120 V e 240 V, dependendo das normas locais. 30 3.2 Fornecimento de energia Os transformadores desempenham um papel crucial no fornecimento de energia elétrica, oferecendo uma série de vantagens em diferentes configurações de sistemas elétricos. No entanto, eles também apresentam algumas limitações a serem consideradas. Aqui estão as vantagens e limitações dos transformadores em diferentes configurações de sistemas elétricos: Vantagens: Uma das principais vantagens dos transformadores é sua capacidade de ajustar os níveis de tensão da eletricidade. Isso permite que a energia seja transmitida em níveis elevados de tensão para minimizar as perdas de energia durante a transmissão de longa distância, e então ser reduzida para níveis seguros e utilizáveis para os consumidores finais. Os transformadores são dispositivos altamente eficientes, com perdas mínimas de energia durante o processo de conversão de tensão. Isso ajuda a garantir que a eletricidade seja fornecida de forma eficiente aos consumidores finais, minimizando desperdícios e maximizando a utilização dos recursos disponíveis. Os transformadores oferecem flexibilidade na operação dos sistemas elétricos, permitindo ajustes precisos nos níveis de tensão, conforme necessário, para atender às demandas variáveis de energia em diferentes momentos e locais. 31 4. Fundamentos de conversão eletromecânica de energia 4.1 Conversão de energia mecânica para elétrica A conversão de energia mecânica para elétrica, e vice-versa, é um processo fundamental em várias aplicações, incluindo geração de energia, transporte e automação industrial. Iniciaremos nossa análise das máquinas de corrente alternada com uma espira simples de fio que gira em um campo magnético uniforme. Essa configuração representa o cenário mais básico capaz de gerar uma tensão alternada senoidal. No entanto, é importante notar que essa situação não reflete com precisão o funcionamento das máquinas de corrente alternada reais, pois o fluxo magnético nelas não é constante, variando tanto em intensidade quanto em direção. Podemos descrever uma máquina simples composta por um ímã estático de tamanho considerável, que gera um campo magnético uniforme e constante, e uma espira de fio girando dentro desse campo, como mostrado na Figura 2. O componente em movimento é chamado de rotor,enquanto o componente estacionário é chamado de estator. A seguir, analisaremos as tensões induzidas no rotor à medida que ele gira dentro do campo magnético. 32 Figura 2 – Espira simples girando dentro de um campo magnético uniforme Fonte: Chapman (2013, p. 153). Se o rotor dessa máquina for colocado em rotação, uma tensão será induzida na espira de fio. De acordo com Chapman (2013), em geral, a tensão em qualquer máquina real dependerá de três fatores: 1. O fluxo na máquina. 2. A velocidade de rotação. 3. Uma constante representando a construção da máquina (o número de espiras etc.). Podemos, através de deduções matemáticas, analisar cada segmento da espira e deduzir a fórmula de indução de tensão em uma espira, sendo adotada como na Equação 6. (Eq. 6) Onde é a tensão induzida na espira, v a velocidade do fio, l o comprimento do fio, B é o campo magnético, e é o ângulo da espira. 33 Quando estamos tratando de máquinas elétricas, outro ponto que devemos considerar é o conjugado induzido em uma espera de corrente. Para dedução da força ou torque que é gerado na máquina elétrica, assumiremos que o rotor em relação ao campo magnético apresenta um ângulo , e que uma corrente circula na espira. Neste caso, quando uma corrente circular na espira, um conjugado será induzido na espira (Chapman, 2013). Conforme descrito por Chapman (2013), o conjugado em um dado segmento é obtido como mostrado na Equação 7. (Eq.7) Onde é o conjugado, r é a distância do ponto em que é gerada a força. Ao analisarmos em relação ao campo magnético, teremos que o torque total induzido será a soma de diversos conjugados de cada segmento das espiras. Para uma fórmula geral, o conjugado induzido, considerando a atuação do campo magnético B, será (Equação 8): (Eq. 8) Onde é a corrente. Assim, como apresentado por Chapman (2013), o conjugado de qualquer máquina real dependerá de quatro fatores: 1. A intensidade do campo magnético do rotor. 2. A intensidade do campo magnético externo. 3. O seno do ângulo entre eles. 4. Uma constante que representa a construção. 34 5. Máquinas elétricas 5.1 Funcionamento das máquinas elétricas O conceito de máquina elétrica é usado para descrever dispositivos que convertem energia, sendo que pelo menos uma das formas de energia envolvidas é elétrica. Nessa categoria, encontramos as máquinas elétricas estáticas, como os transformadores, já vistos durante este tema, e as máquinas elétricas rotativas, sendo os geradores e os motores. Um gerador é uma máquina rotativa que converte energia mecânica em energia elétrica, enquanto um motor elétrico é uma máquina que converte energia elétrica em energia mecânica, girando em torno de seu eixo. Figura 3 – Componentes básicos de um transformador Fonte: elaborada pelo autor. 35 Quando estamos tratando de máquinas elétricas, é necessário entendermos o conceito de campo magnético girante. Devemos ter em mente que, se um campo magnético for produzido pelo estator de uma máquina CA e outro for produzido pelo rotor da máquina, então um conjugado será induzido no rotor que fará o rotor girar e se alinhar com o campo magnético do estator. O campo magnético girante é característico do funcionamento das máquinas CA. Neste tipo de máquina, caso as correntes que fluem nos enrolamentos sejam trifásicas, possuindo a mesma intensidade, e defasadas em 120° entre si, um campo magnético girante de intensidade constante será produzido (Chapman, 2013). 5.2 Fluxos e perdas de potência em máquinas CA Os geradores de corrente alternada convertem energia mecânica em energia elétrica, enquanto os motores de corrente alternada transformam energia elétrica em energia mecânica. Em ambos os casos, há uma perda de energia durante o processo, o que significa que nem toda a energia que entra na máquina é completamente aproveitada no outro extremo (Chapman, 2013). Quando estamos estudando sobre perdas de energia, é importante conhecermos duas equações importantes, a equação de eficiência. De acordo com Chapman (2013), as perdas que ocorrem nas máquinas CA podem ser divididas em quatro categorias básicas: 1. Perdas elétricas ou no cobre (perdas I2 R): essas perdas ocorrem devido à resistência do cobre nos enrolamentos do estator e do rotor das máquinas. Quando a corrente elétrica passa através desses enrolamentos, ocorre uma dissipação de energia na 36 forma de calor devido à resistência do material. Essas perdas são proporcionais ao quadrado da corrente (I^2) e à resistência (R) do material condutor. 2. Perdas no núcleo: essas perdas ocorrem devido a fenômenos, como a histerese magnética e as correntes parasitas (ou correntes de Foucault) no núcleo magnético das máquinas. A histerese magnética é a perda de energia resultante da reversão das polarizações magnéticas no núcleo sob a influência do campo magnético variável. As correntes parasitas surgem devido à indução de correntes elétricas no material condutor do núcleo devido às variações do campo magnético. 3. Perdas mecânicas: estas perdas são causadas pelo atrito e pela resistência do ar no interior da máquina. Elas incluem atrito nos mancais, engrenagens, escovas e outros componentes mecânicos, bem como a resistência enfrentada pelas partes móveis da máquina durante a operação. 4. Perdas suplementares: este termo abrange todas as outras formas de perdas que não se enquadram nas categorias anteriores. Isso pode incluir perdas devido a efeitos térmicos, perdas devido a vibrações, perdas devido a falhas de isolamento, entre outros. Essas perdas podem variar, dependendo do projeto específico da máquina e das condições de operação. Conectando à Realidade: Situação: você está encarregado de selecionar os geradores elétricos adequados para as turbinas eólicas em um novo projeto de parque eólico. Para isso, precisa considerar diversos fatores, como a potência de 37 saída desejada, a eficiência energética, a confiabilidade operacional e a compatibilidade com a rede elétrica. Aplicabilidade do Conhecimento: Escolha do tipo de gerador: com base em seu conhecimento sobre máquinas elétricas rotativas, você compreende as vantagens e as desvantagens de diferentes tipos de geradores, como geradores de indução, geradores síncronos e geradores de ímã permanente. Seleciona o tipo mais adequado de acordo com as especificações do projeto e as condições de operação do parque eólico. Avaliação da interação mecânica-elétrica: você, como engenheiro, deve considerar a interação entre os aspectos mecânicos e elétricos das turbinas eólicas. Ele utiliza técnicas de análise de elementos finitos e simulações computacionais para estudar o comportamento dinâmico do sistema e garantir que o design mecânico das turbinas seja compatível com os requisitos elétricos dos geradores. Otimização da eficiência energética: o engenheiro busca maximizar a eficiência energética do parque eólico, tanto na conversão da energia cinética do vento em energia elétrica quanto na transmissão e distribuição dessa energia para a rede elétrica. Ele utiliza seu conhecimento sobre máquinas elétricas rotativas para identificar oportunidades de melhorias no design e na operação do sistema. Referências BIM, E. Máquinas elétricas e acionamento. 4. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2018. 38 CHAPMAN, S. J. Fundamentos de máquinas elétricas. 5. ed. Porto Alegre: AMGH, 2013. UMANS, S. D. Máquinas elétricas de Fitzgerald e Kingsley. 7. ed. Porto Alegre: AMGH, 2014. 39 Motores e geradores trifásicos Autoria: Mendelsson Rainer Macedo Neves Leitura crítica: Giancarlo Michelino Gaeta Lopes Objetivos • Compreender os princípios de funcionamento e as características de desempenho de motores de indução trifásicos. • Analisar o controle de potência, o fator de potência e a regulação de tensão em geradores síncronos trifásicos, incluindo sua aplicação em sistemas de energia elétrica. • Avaliar as aplicações industriais e os desafiosde integração de motores e geradores trifásicos em sistemas de geração de energia elétrica. 40 1. Motores de indução trifásicos Nesta jornada de aprendizado, exploraremos os motores de indução trifásicos (MIT), componentes essenciais em muitas aplicações industriais. Abordaremos os tipos disponíveis, os princípios básicos que os regem e seu desempenho. Prepare-se para desvendar os segredos por trás desses motores que convertem energia elétrica em energia mecânica de forma eficiente e confiável. 1.1 Tipos de MIT, princípios de funcionamento e construção Quando a máquina elétrica conta com apenas um conjunto contínuo de enrolamentos amortecedores, ela é denominada máquina de indução. Recebe esse nome porque a tensão do rotor (que produz a corrente do rotor e o campo magnético do rotor) é induzida nos enrolamentos do rotor em vez de ser fornecida por meio de uma conexão física de fios. Uma das principais características que diferencia um motor de indução dos demais é que não há necessidade de uma corrente de campo CC para fazer a máquina funcionar. Os princípios de funcionamento dos MIT baseiam-se nos princípios da indução eletromagnética. Quando uma corrente elétrica alternada é aplicada ao estator do motor, um campo magnético rotativo é produzido. Esse campo magnético induz correntes elétricas no rotor, gerando um campo magnético oposto. A interação entre esses campos gera um torque que faz o rotor girar. A Figura 1 mostra maiores detalhes na construção de um motor. 41 Figura 1 – Visão ampliada dos componentes de um motor elétrico Fonte: shutterstock.com. Essa estrutura simples e robusta dos motores de indução trifásicos proporciona confiabilidade elevada e baixa necessidade de manutenção, tornando-os uma escolha comum em acionamentos industriais. Os dois principais componentes de um MIT incluem: Estator: é a parte fixa do motor e consiste em um conjunto de bobinas enroladas em torno de um núcleo de ferro laminado, que criam um campo magnético girante. Rotor: é a parte que gira e é composta por um conjunto de barras condutoras (no caso do rotor em gaiola de esquilo) ou enrolamentos (no caso do rotor bobinado). O rotor é colocado dentro do estator e gira devido à interação com o campo magnético do estator. Os motores de indução trifásicos são amplamente utilizados em 42 diversas aplicações industriais devido à sua eficiência, confiabilidade e simplicidade de construção. Existem dois tipos principais de MIT: Motor de indução de gaiola de esquilo: é o tipo mais comum de MIT. Possui um rotor em forma de gaiola de esquilo, composto por barras condutoras curto-circuitadas entre si. A corrente elétrica induzida no rotor cria um campo magnético que interage com o campo girante do estator, gerando torque (Umans, 2014). Na Figura 2, podemos ver os principais componentes do motor de indução típicos de um motor síncrono, com a diferença do seu rotor com as barras condutoras encaixadas e curto-circuitadas dentro das ranhuras na superfície do rotor. Figura 2 – Diagrama em corte de um pequeno motor de indução com rotor gaiola de esquilo Fonte: Chapman (2013, p. 309). Motor de indução com rotor bobinado: este tipo possui um rotor com enrolamentos conectados a anéis coletores. Os anéis coletores permitem a conexão de resistências externas, proporcionando controle de velocidade e partida suave (Umans, 2014). Na Figura 3, vemos o rotor exposto, sendo possível observar as escovas e os anéis deslizantes. Um fato interessante na construção desse tipo de rotor é que os 43 enrolamentos do rotor são inclinados para eliminar as harmônicas de ranhura. Figura 3 – Vista em corte de um motor de indução de rotor bobinado Fonte: Chapman (2013, p. 311). 1.2 Funcionamento do MIT O desempenho de um motor de indução trifásico (MIT) é crucial para seu uso eficiente e confiável em diversas aplicações industriais. Ele é caracterizado por vários aspectos, incluindo torque, eficiência e regulação de velocidade. A seguir, estão os principais pontos relacionados ao desempenho e ao funcionamento. O MIT pode fornecer um torque inicial elevado, sendo capaz de superar a resistência estática ou dinâmica na partida de equipamentos. O torque de um MIT é diretamente proporcional à corrente no estator e à intensidade do campo magnético. Isso significa que um aumento na corrente ou no campo magnético resulta em um aumento proporcional no torque. 44 Conforme Chapman (2013), quando os enrolamentos do estator são excitados com tensões trifásicas, é de se esperar que haja o aparecimento de correntes trifásicas. Essas correntes produzem um campo magnético Bs, que está girando em sentido anti-horário. A velocidade de rotação do campo magnético é dada por (Equação 1): (Eq. 1) Onde é a frequência do sistema aplicada ao estator em hertz, e P é o número de polos da máquina. Esse campo magnético girante passa pelas barras do rotor e induz uma tensão nelas. No funcionamento normal de um motor de indução, ocorre que os campos magnéticos do estator e do rotor não giram juntos na velocidade síncrona, de forma que o rotor gira a uma velocidade menor. Dentro desse princípio de operação, é importante que você conheça o conceito de escorregamento do rotor (Umans, 2014). A tensão gerada nas barras do rotor de um motor de indução é influenciada pela velocidade relativa entre o rotor e os campos magnéticos. Dado que o desempenho de um motor de indução é determinado pela tensão e corrente do rotor, é mais prático referir- se à velocidade relativa. Dois termos são comumente empregados para descrever esse movimento relativo entre o rotor e os campos magnéticos. Um deles é a velocidade de escorregamento, que é calculada como a diferença entre a velocidade síncrona e a velocidade do rotor (Equação 2): (Eq. 2) Onde é a velocidade de escorregamento da máquina, é a velocidade dos campos magnéticos e é a velocidade mecânica do eixo do motor. 45 A eficiência de um MIT é a relação entre a potência de saída mecânica e a potência de entrada elétrica. A eficiência é afetada por vários fatores, incluindo perdas mecânicas, perdas no núcleo do estator e perdas no rotor. 2. Controle de velocidade e aplicações industriais A velocidade síncrona de um motor de indução é dada pela Equação 1. O controle do escorregamento pode ser conseguido variando a resistência do rotor ou a tensão de terminal do motor. A regulação de velocidade é influenciada pela resistência do rotor (no caso de motores de rotor bobinado), pela tensão aplicada e pelas características da carga (Umans, 2014). Além disso, a principal forma de controle de velocidade de um MIT é variando a frequência da tensão aplicada em seus terminais. Nos motores de indução de rotor bobinado, é possível modificar a curva de torque em relação à velocidade ao introduzir resistências adicionais no circuito do rotor. As mudanças resultantes nas curvas de torque em relação à velocidade estão mostradas na Figura 4. Ajustar a resistência do rotor afetará a velocidade de operação do motor. No entanto, a inclusão de resistências extras no circuito do rotor de um motor de indução resulta em uma redução significativa na eficiência da máquina. 46 Figura 4 – Controle de velocidade por variação da resistência do rotor de um motor de indução de rotor bobinado Fonte: Chapman (2013, p. 371). O torque gerado por um motor de indução é diretamente proporcional ao quadrado da tensão aplicada. Se uma carga exibir uma curva de torque versus velocidade, semelhante àquela mostrada na Figura 5, é possível controlar a velocidade do motor em uma faixa específica variando a tensão de linha. Esse método de controle de velocidade é ocasionalmente empregado em motores menores utilizados para acionar ventiladores. Figura 5 – Controle de velocidade por variação da tensão de linha de um motor de indução Fonte: Chapman (2013, p. 371). 47 3. Geradores síncronos trifásicos Em geradores síncronos, o campomagnético é gerado no rotor. Durante a construção do rotor, pode-se escolher entre usar um ímã permanente ou um eletroímã, obtido através da aplicação de uma corrente contínua a um enrolamento do rotor. O rotor do gerador é então acionado por uma máquina motriz primária, que cria um campo magnético rotativo dentro do gerador. Esse campo rotativo induz tensões trifásicas nos enrolamentos do estator do gerador. Os enrolamentos de campo se referem aos enrolamentos que criam o campo magnético principal, enquanto os enrolamentos de armadura são o espaço em que a tensão principal é induzida. Figura 6 – Rotor de seis polos salientes de uma máquina síncrona Fonte: Chapman (2013, p. 204). Nos geradores síncronos, os enrolamentos de campo estão no rotor, então “enrolamentos de rotor” e “enrolamentos de campo” são usados de forma intercambiável. Da mesma forma, “enrolamentos de estator” e “enrolamentos de armadura” são usados com o mesmo significado. 48 3.1 Sincronização de geradores Os geradores síncronos são assim chamados porque a frequência elétrica que produzem está diretamente relacionada à velocidade mecânica de rotação. O rotor de um gerador síncrono é composto por um eletroímã que recebe corrente contínua. A velocidade de rotação dos campos magnéticos da máquina está ligada à frequência elétrica do estator através de uma equação específica (Equação 3) (Eq. 3) Dado que o rotor gira na mesma velocidade que o campo magnético, a Equação 3 estabelece uma relação entre a velocidade de rotação do rotor e a frequência elétrica resultante. 3.2 Regulação de tensão Comumente, os geradores são comparados utilizando uma métrica conhecida como regulação de tensão. A regulação de tensão (RT) é uma avaliação da habilidade de um gerador em manter uma tensão constante em seus terminais diante de variações na carga (Equação 4). (Eq. 4) Na fórmula mencionada, VVZ representa a tensão nos terminais do gerador em condição de vazio (sem carga), enquanto Vpc representa a tensão nos terminais do gerador em plena carga. De acordo com Chapman (2013), uma regulação de tensão menor é considerada mais desejável, pois indica uma menor variação na tensão nos terminais do gerador em resposta a mudanças na carga. Em outras palavras, um valor menor de regulação de tensão implica uma 49 tensão mais estável nos terminais do gerador, independentemente das variações de carga. 3.3 Aspectos de funcionamento O valor da tensão induzida em uma dada fase do estator é dada por (Eq. 5) Onde é a tensão interna gerada na armadura do estator. A tensão depende do fluxo da máquina. é a frequência ou velocidade de rotação e da construção da máquina. é o número de espiras dos enrolamentos. O circuito simples de um gerador pode ser representado conforme mostrado na Figura 7. No circuito, é a corrente de armadura, e é a reatância síncrona da máquina. Figura 7 – O circuito equivalente por fase de um gerador síncrono Fonte: Chapman (2013, p. 204). Conforme apontado por Chapman (2013), a tensão eficaz nos terminais da máquina varia dependendo se o estator está conectado em configuração estrela ou delta . Se a máquina estiver em configuração estrela, a tensão nos terminais será vezes a tensão da fase . Se a máquina estiver em configuração delta, a tensão nos terminais será simplesmente igual a . 50 Uma confusão que ocorre é pensar que a tensão é a que aparece nos terminais do gerador. Para a tensão de saída do gerador, o único momento em que e são iguais é no momento em que não há corrente de armadura do estator. Conectando à Realidade: Imagine uma cidade que depende fortemente de uma usina termelétrica para fornecer energia elétrica à sua população. Recentemente, houve um aumento na demanda por eletricidade devido ao crescimento populacional e ao aumento das atividades industriais na região. No entanto, a usina está enfrentando problemas com a capacidade de seus geradores para lidar com essa demanda adicional, resultando em quedas frequentes de energia e interrupções no fornecimento elétrico. Aplicabilidade Utilização dos conhecimentos adquiridos sobre os diferentes tipos de geradores e suas características de operação mais apropriados para a usina. Aplicação das técnicas de controle de velocidade, para garantir o funcionamento eficiente dos geradores síncronos. Compreensão dos princípios de sincronização, regulação de tensão e operação em paralelo dos geradores síncronos, para integrar os novos geradores à rede elétrica existente de forma segura e eficaz. Ao longo deste tema, abordamos motores e geradores elétricos, 51 enfatizando diferentes tipos de motores de indução e suas técnicas de controle de velocidade. Exploramos também a importância dos geradores síncronos, destacando sua função na geração e distribuição de energia elétrica, especialmente em relação à sincronização e regulação de tensão. Referências BIM, E. Máquinas elétricas e acionamento. 4. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2018. CHAPMAN, S. J. Fundamentos de máquinas elétricas. 5. ed. Porto Alegre: AMGH, 2013. UMANS, S. D. Máquinas elétricas de Fitzgerald e Kingsley. 7. ed. Porto Alegre: AMGH, 2014. 52 Máquinas de corrente contínua e motores monofásicos Autoria: Mendelsson Rainer Macedo Neves Leitura crítica: Giancarlo Michelino Gaeta Lopes Objetivos • Compreender os princípios de funcionamento e as características das máquinas de corrente contínua, incluindo motores síncronos trifásicos e motores de indução monofásicos. • Conhecimento sobre a operação de geradores de corrente contínua e métodos de regulação de tensão, além da distinção entre motores e geradores de corrente contínua. • Capacidade de analisar e resolver problemas relacionados ao funcionamento, à seleção e ao controle desses dispositivos, junto à habilidade de projetar sistemas que os envolvam, considerando especificações técnicas e requisitos de potência. 53 1. Fundamentos de máquinas CC As máquinas de corrente contínua (CC) são componentes essenciais na engenharia elétrica, baseando-se na interação entre campos magnéticos e correntes elétricas para converter energia mecânica em elétrica (no caso do gerador CC), ou vice-versa (no caso do motor CC). 1.1 Construção das máquinas CC A máquina CC consiste em um estator fixo e um rotor giratório. O estator é composto por enrolamentos de campo, que produzem um campo magnético fixo quando alimentados com corrente contínua. O rotor é composto por enrolamentos de armadura, pelos quais a corrente elétrica é induzida, criando um campo magnético girante que interage com o campo do estator para gerar torque e movimento. Figura 1 – Diagrama simplificado de uma máquina CC Fonte: Chapman (2013, p. 450). 54 O estator é a parte estacionária da máquina CC. Ele contém os enrolamentos de campo, que são responsáveis por gerar um campo magnético fixo quando uma corrente elétrica é aplicada. Os enrolamentos de campo são geralmente feitos de fio de cobre esmaltado e são dispostos ao redor do estator de maneira a criar um campo magnético uniforme dentro da máquina. O rotor abriga o comutador, que é um dispositivo giratório composto por segmentos de cobre isolados entre si. O comutador é conectado aos enrolamentos de campo e aos enrolamentos da armadura. Os enrolamentos de campo são bobinas de fio de cobre que são envolvidas ao redor do núcleo do estator. Quando uma corrente elétrica é aplicada a esses enrolamentos, um campo magnético é gerado no estator. Os enrolamentos de campo são responsáveis por criar um campo magnético fixo dentro da máquina CC, que interage com o campo magnético variável do rotor para produzir torque e movimento. O rotor é a parte móvel da máquina CC. Ele é montado em um eixo e é responsável por gerar o movimento rotativo quando está sujeito à interação com o campo magnético do estator. Os enrolamentos da armadura estão localizados no rotor e são responsáveis por criar um campo magnético variávelquando uma corrente elétrica é aplicada. Essa variação no campo magnético do rotor é essencial para a geração de torque e movimento. Os enrolamentos da armadura estão localizados no rotor da máquina CC. Eles são constituídos por bobinas de fio de cobre que são conectadas ao comutador. Quando uma corrente elétrica é aplicada aos enrolamentos da armadura, um campo magnético é gerado ao redor desses condutores. A interação entre esse campo magnético variável e o campo magnético fixo do estator produz torque, resultando no movimento rotativo do rotor. 55 O comutador é um componente crucial da máquina CC. Ele está localizado no eixo do rotor e é conectado aos enrolamentos de campo e de armadura. O comutador consiste em segmentos de cobre isolados entre si. À medida que o rotor gira, as escovas de carvão fazem contato com os segmentos do comutador, invertendo a direção da corrente nos enrolamentos da armadura a cada meia volta do rotor. 1.2 Funcionamento da máquina CC Em uma máquina de corrente contínua, quando uma corrente elétrica é fornecida aos enrolamentos de campo no estator, um campo magnético de referência (fixo) é criado. Ao se aplicar uma outra corrente aos enrolamentos de armadura no rotor, um segundo campo magnético é gerado devido ao princípio da indução eletromagnética. O campo magnético do estator interage com o campo magnético do rotor, criando forças de atração e repulsão que fazem o rotor girar. Conforme o rotor gira, o comutador (ou conjunto de escovas) muda a direção da corrente elétrica nos enrolamentos de armadura, mantendo a rotação contínua do rotor, conforme mostrado na Figura 2. Figura 2 – Desenho simplificado do funcionamento de uma máquina CC Fonte: shutterstock.com. 56 A velocidade e o torque de uma máquina CC podem ser controlados variando-se a corrente fornecida aos enrolamentos de campo e armadura. Ao aumentar a corrente de campo, aumenta a intensidade do campo magnético, o que aumenta o torque produzido pelo motor. E variar a corrente de armadura controla a quantidade de torque gerada e, consequentemente, a velocidade de rotação do motor. Portanto, o torque dependerá de três fatores, que são: o fluxo magnético da máquina, a corrente de armadura e a construção da máquina. 2. Motores e geradores CC Motores e geradores de corrente contínua (CC) são dispositivos essenciais que desempenham papéis cruciais em uma variedade de aplicações industriais, comerciais e residenciais. Os motores CC convertem energia elétrica em energia mecânica, oferecendo controle preciso de velocidade e torque, enquanto os geradores CC operam no sentido oposto, convertendo energia mecânica em energia elétrica. Ambos os dispositivos são amplamente utilizados em sistemas de acionamento elétrico, geração de energia e em uma variedade de outras aplicações, oferecendo eficiência, confiabilidade e flexibilidade em sistemas elétricos e mecânicos modernos. 2.1 Circuito equivalente de um motor CC O circuito equivalente de um motor CC é uma representação simplificada do motor que nos permite entender seu comportamento elétrico e desempenho. Esse circuito é usado para análise teórica, projeto e controle de motores CC. Na Figura 3, temos a representação desse circuito. 57 Figura 3 – O circuito equivalente de um motor CC Fonte: Chapman (2013, p. 467). O circuito equivalente de um motor de corrente contínua (CC) proporciona uma representação simplificada de seu comportamento elétrico. Inclui componentes essenciais, como a fonte de tensão de campo, que fornece a tensão aos terminais F1 e F2 , geralmente proveniente de uma fonte externa, como uma bateria ou uma fonte de alimentação controlada. A resistência de armadura (RA) representa as perdas de resistência e aquecimento nos enrolamentos do rotor, enquanto a tensão interna (EA) é induzida nesses enrolamentos devido ao movimento relativo entre o rotor e o campo magnético do estator, sendo proporcional à velocidade do motor e à intensidade do campo magnético. Além disso, o circuito inclui a resistência de campo (RF) e a indutância de campo (LF), que representam a resistência e indutância dos enrolamentos do campo do estator, respectivamente. As leis fundamentais, como a Lei de Kirchhoff das tensões para o circuito armadura e a equação do torque, são utilizadas para entender e analisar o comportamento do motor. Uma informação complementar é que o circuito da Figura 3 também é válido para a operação da máquina CC como gerador. Com a diferença na direção da corrente de armadura IA que passa a sair do terminal A1. 58 2.2 Tipos de motores CC Os motores de corrente contínua são amplamente utilizados em diversas aplicações industriais devido à sua capacidade de controle preciso de velocidade e torque. Existem diferentes tipos de motores CC, cada um com características específicas que os tornam adequados para diferentes aplicações. Exploraremos brevemente alguns desses tipos: • Motores de excitação independente e em derivação Nos motores de excitação independente, o campo magnético é fornecido por uma fonte de energia externa. Isso permite um controle mais preciso do campo magnético e, consequentemente, da velocidade e do torque do motor. Na Figura 4, temos a representação do circuito equivalente desse motor. Figura 4 – O circuito equivalente de um motor CC de excitação independente Fonte: Chapman (2013, p. 470). A fonte de tensão do estator (VF) é responsável por criar o campo magnético fixo no estator do motor, enquanto a resistência de campo 59 (RF) e a indutância de campo (LF) determinam a resposta desse campo às variações de corrente. A fonte de tensão do rotor (EA) é induzida nos enrolamentos do rotor devido ao movimento relativo entre o rotor e o campo magnético do estator, sendo proporcional à velocidade do motor e à intensidade do campo magnético. A resistência de armadura (RA) representa as perdas de resistência e o aquecimento nos enrolamentos do rotor. Por fim, a tensão de terminal (VT) é aplicada no motor. A carga conectada ao eixo impactará no valor da tensão EA e da corrente de armadura. Nos motores em derivação, o campo magnético é gerado pela mesma fonte de energia que alimenta o rotor. Esses motores são simples e econômicos, mas oferecem menor controle sobre a velocidade em comparação com os motores de excitação independente. Na Figura 5, temos a representação do circuito equivalente desse motor. Figura 5 – O circuito equivalente de um motor CC em derivação (shunt) Fonte: Chapman (2013, p. 471). 60 • Motor CC de ímã permanente Este tipo de motor utiliza um ou mais ímãs permanentes para criar o campo magnético no estator. São conhecidos por sua simplicidade, alta eficiência e baixa manutenção. São frequentemente utilizados em aplicações que requerem alta eficiência energética e tamanho compacto. • Motor CC série Os motores CC série têm os enrolamentos do campo e do rotor conectados em série, o que significa que a mesma corrente passa por ambos. Esses motores oferecem altos níveis de torque de partida e são ideais para aplicações que requerem alta capacidade de carga inicial, como locomotivas e guindastes. Na Figura 6, temos a representação do circuito elétrico desse motor. Figura 6 – O circuito equivalente de um motor CC série Fonte: Chapman (2013, p. 495). 2.3 Geradores CC Os geradores de corrente contínua são dispositivos utilizados para gerar energia elétrica em forma de corrente contínua. Embora sejam semelhantes aos motores CC, a principal diferença está na direção do 61 fluxo de potência. Podem ser classificados de acordo com a fonte de potência do campo magnético: • Gerador de excitação independente: o campo magnético é obtido de uma fonte de energia externa ao gerador. • Gerador em derivação: o campo magnético é obtido conectando o circuito do campo diretamente aos terminais do gerador. • Gerador série: o campo magnético é gerado por um enrolamento em série com a armadura do gerador. Essestipos de geradores variam em suas características de terminal (tensão versus corrente), o que afeta suas aplicações adequadas. Eles são comparados com base em sua tensão, potência nominal, eficiência e regulação de tensão (RT). A RT é uma medida da variação da tensão de terminal entre carga total e sem carga. Todos os geradores CC são acionados por uma fonte de energia mecânica, como uma turbina a vapor ou um motor diesel. Como a velocidade da máquina motriz influencia a tensão de saída do gerador, é comum comparar a regulação de tensão entre diferentes geradores assumindo velocidades constantes das máquinas motrizes. Apesar de serem raros nos sistemas modernos de potência, os geradores CC ainda são usados em aplicações específicas, como fontes de energia para torres isoladas de telefones celulares. 3. Motores monofásicos Os motores monofásicos são dispositivos elétricos amplamente utilizados em uma variedade de aplicações comerciais e domésticas. 62 Eles são conhecidos por sua simplicidade de instalação, baixo custo e versatilidade. Esse tipo de motor opera com uma única fase de alimentação elétrica alternada (CA), diferentemente dos motores trifásicos que requerem três fases de alimentação. O funcionamento básico de um motor monofásico envolve a criação de um campo magnético rotativo que interage com as correntes elétricas induzidas nos enrolamentos do rotor, gerando, assim, o movimento mecânico. Geralmente, isso é alcançado utilizando-se um enrolamento auxiliar ou de partida e um enrolamento principal, ambos alimentados por uma única fonte de alimentação monofásica. Existem vários tipos de motores monofásicos, cada um com suas características específicas e aplicações adequadas. Aqui estão alguns dos tipos mais comuns: Motor de indução monofásico: tipo comum de motor que utiliza indução magnética para gerar movimento, subdividido em motores de fase dividida e de capacitor de partida. Motor universal: chamado também de motor de série monofásico, opera com corrente alternada e contínua, com alta velocidade e torque, mas menos eficiente e mais ruidoso. Motor de relutância variável: utiliza relutância variável para gerar movimento, com construção simples e alta eficiência em várias velocidades. Motor de síncrono monofásico: possui campo magnético fixo e opera em sincronia com a frequência da fonte de alimentação, conhecido pela alta eficiência. 63 Motor de capacitor permanente: utiliza capacitor permanente para criar campo magnético rotativo, permitindo partida suave e maior eficiência. Conectando à Realidade: Consideraremos um exemplo prático no ambiente profissional, no qual um motor de corrente contínua é utilizado em uma linha de produção de uma fábrica de embalagens. Nesta linha, o motor CC é responsável por acionar um transportador que movimenta caixas de produtos de um ponto para outro da fábrica. Suponha que, durante a operação, o transportador está apresentando inconsistências no transporte das caixas, causando atrasos na produção e aumentando o risco de danos aos produtos. Para resolver essa situação- problema, podemos aplicar os conhecimentos sobre motores CC e seus princípios de funcionamento de maneira prática e eficaz: Aplicabilidade: Realizar uma análise detalhada do circuito equivalente do motor CC para entender sua configuração elétrica, incluindo a resistência da armadura, a corrente de carga e a tensão de alimentação. Verificar as condições físicas do motor CC, incluindo escovas, comutadores, rolamentos e outros componentes. Qualquer desgaste excessivo ou falha de componentes pode afetar o desempenho do motor. Ajustar a velocidade e o torque do motor CC conforme necessário para garantir que o transportador mova as caixas com eficiência e precisão. 64 Isso pode ser feito variando a corrente de campo ou ajustando a resistência de carga. Abordamos os motores de corrente contínua (CC), desde seus princípios de funcionamento até exemplos práticos de aplicação. Exploramos conceitos, como o circuito equivalente, a regulação de velocidade e o torque, destacando a importância desses conhecimentos para profissionais das áreas de engenharia elétrica, automação e manutenção. Compreender e aplicar esses conceitos é fundamental para resolver problemas e otimizar processos em uma variedade de indústrias. Referências BIM, E. Máquinas elétricas e acionamento. 4. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2018. CHAPMAN, S. J. Fundamentos de máquinas elétricas. 5. ed. Porto Alegre: AMGH, 2013. UMANS, S. D. Máquinas elétricas de Fitzgerald e Kingsley. 7. ed. Porto Alegre: AMGH, 2014. 65 Sumário Apresentação da disciplina Fundamentos e circuitos magnéticos Objetivos 1. Introdução aos fundamentos de eletricidade e magnetismo 2. Lei de Faraday e Lei de Ampère 3. Teoria e análise de circuitos magnéticos 4. Analogia entre circuitos magnéticos e elétricos 5. Transformação de circuitos magnéticos Referências Transformadores e conversão eletromecânica de energia Objetivos 1. Introdução aos transformadores 2. Equações fundamentais dos transformadores 3. Aplicações em sistemas de potência e distribuição 4. Fundamentos de conversão eletromecânica de energia 5. Máquinas elétricas Referências Motores e geradores trifásicos Objetivos 1. Motores de indução trifásicos 2. Controle de velocidade e aplicações industriais 3. Geradores síncronos trifásicos Referências Máquinas de corrente contínua e motores monofásicos Objetivos 1. Fundamentos de máquinas CC 2. Motores e geradores CC 3. Motores monofásicos Referências