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8 LINGUAGENS, CIÊNCIAS HUMANAS E REDAÇÃO EXAME NACIONAL DO ENSINO MÉDIO 2023 1.o SIMULADO ENEM 10. (ENEM) – TEXTO I Há uma geração inteira sem conseguir emprego. Grande parte sonha com um concurso público. Não é novidade, multidões sempre correram atrás de emprego municipal, estadual ou federal. Espanta é a disposição para trabalhar em qualquer área, fora do que consideravam sua vocação. Em crise, vocação é ter salário. Há quem continue na casa dos pais, indefinidamente. Ou quem volte. O problema é que nem sempre dá certo. Mães e pais que têm aposentadoria ainda asseguram a sobrevivência dos filhos. É uma geração à deriva. CARRASCO, W. Disponível em: http://epoca.globo.com. Acesso em: 23 ago. 2017 (adaptado) TEXTO II Ah, a casa da avó! Sinônimo de comidinha gostosa, muita brincadeira, vontades feitas. O imaginário de muita gente traz da infância as melhores lembranças da casa da avó. Mas o que para muitos é apenas um local para brincadeiras e férias, para outros, nos últimos tempos, tem sido sinônimo da casa principal, onde os netos moram e são criados. Não só o mercado de trabalho levou as crianças para a casa das avós em tempo integral, mas também a sociedade moderna, com o divórcio e as novas constituições familiares. Com o divórcio, a correria do dia a dia no mercado de trabalho e a própria emancipação da mulher, muitas mães delegaram aos avós a tarefa de criar seus filhos. MAIA, K. Disponível em: www.cnte.org.br. Acesso em: 23 ago. 2017 (adaptado) Esses dois textos têm temáticas diferentes, na medida em que o Texto I trata da volta dos filhos à casa dos pais, e o Texto II, da permanência dos netos na casa dos avós. Entretanto, eles se aproximam no que diz respeito a) ao aconchego que os filhos e netos encontram nesses lugares. b) ao fator econômico, que é causa do problema nos dois casos. c) aos problemas de relacionamento que surgem nessas situações. d) ao divórcio, que é apontado como comum nos dias de hoje. e) à independência da mulher, que causa a ausên- cia das mães. 11. Texto: Disponível em: https://www.facebook.com/heniozicukier. Acesso em 20/01/2023 Considerando-se a função social dos posts, pode-se dizer houve a apropriação da linguagem publicitária com o objetivo de a) sensibilizar os eleitores quanto a uma temática importante da vida pública nacional, ainda que se expresse o interesse flagrantemente eleitorei- ro do candidato em questão, até porque a posta- gem se deu originalmente em ano eleitoral. b) promover o uso adequado de recursos públicos, devidamente equilibrado com os gastos com saúde e educação. c) divulgar o projeto sobre transparência da admi- nistração pública, ou seja, fez-se uso da publici- dade para se abordar uma temática relacionada à publicidade. d) responsabilizar o cidadão comum pelo controle e fiscalização dos gastos públicos com publici- dade. e) assegurar a fiscalização dos gastos públicos em áreas secundárias, como cultura e mobilidade urbana. 9LINGUAGENS, CIÊNCIAS HUMANAS E REDAÇÃO EXAME NACIONAL DO ENSINO MÉDIO 2023 1.o SIMULADO ENEM 12. (ENEM) – Texto: BENETT. Disponível em: www.gazetadopovo.com.br. Acesso em: 10 dez. 2017 No cartum, o confronto entre primatas produz um efeito de humor que se vincula à função social de a) criticar a postura humana de fazer piada com as- suntos sérios. b) acentuar a necessidade de respeito entre as dife- rentes espécies. c) questionar a indiferença do homem em relação ao meio ambiente. d) alertar a população para a conveniência do de- senvolvimento tecnológico. e) destacar a limitação humana para a percepção da realidade da vida animal. 13. Texto: LUMINÁRIAS Novembro, 1944 Um acampamento militar é um lugar bastante monótono para qualquer pessoa – e intolerável para um correspondente de guerra. Para começar, o que menos se tem no acampamento é notícia de guerra. Mesmo que se esteja acampado a poucos quilômetros da frente, as únicas notícias que aparecem são de um setor limitado de uma frente determinada. Podemos saber – e nem sempre com muita rapidez – que tal batalhão avançou ou recuou –, mas o que é um batalhão numa guerra? Que seja um regimento, que seja uma divisão, que seja um corpo de exército, ou um exército. Serão sempre notícias de tantos milhares de homens, numa guerra de milhões. No caso presente, é verdade que temos um jornal – o “Zé Carioca” –, mas uma pobre folha mimeografada não mata a nossa fome de notícias. O repórter que não tem notícias do mundo consola- se dando ao mundo notícias de um determinado setor. Mas para um correspondente “via aérea” esse consolo é muito problemático. A notícia – essa coisa preciosa e portátil como o ouro – é mercadoria com que ele não faz negócio. Sua mercadoria é de frete mais barato e valor muito menor. BRAGA, Rubem. Crônicas da guerra na Itália (crônica Luminá- rias). 7ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2014, p. 52 A passagem desta crônica de Rubem Braga registra um momento em que a expressividade lírica é reforçada a) pela subjetividade adotada pelo narrador, apre- sentando-se uma narrativa em primeira pessoa. b) pelo uso de figuras de linguagem para referir-se às notícias e para mostrar certa irrelevância nos avanços/recuos de soldados diante de uma guer- ra que mobilizava milhões de pessoas. c) pelas escolhas lexicais que privilegiam recursos próprios de textos escritos em versos, como ri- mas e repetição de sons consonantais. d) pela plasticidade da descrição da mobilização das tropas. e) afetividade demonstrada ao noticiar o trabalho de correspondentes de guerra. 10 LINGUAGENS, CIÊNCIAS HUMANAS E REDAÇÃO EXAME NACIONAL DO ENSINO MÉDIO 2023 1.o SIMULADO ENEM 14. O que fizeram do Natal? Natal. O sino longe toca fino, Não tem neves, não tem gelos. Natal. Já nasceu o deus menino. As beatas foram ver, encontraram o coitadinho (Natal) mais o boi mais o burrinho e lá em cima a estrelinha alumiando. Natal. As beatas ajoelharam e adoraram o deus nuzinho mas as filhas das beatas e os namorados das filhas, mas as filhas das beatas foram dançar black-bottom nos clubes sem presépio. Carlos Drummond de Andrade, Alguma Poesia A repetição de “mas as filhas das beatas.” na segunda estrofe tem como objetivo a) reforçar a ideia de que as moças colaboram para a manutenção do Natal tradicional; b) mostrar que as filhas das beatas queriam encon- trar seus namorados para comemorar o Natal; c) ressaltar e ironizar a oposição existente entre a devoção religiosa das beatas e o desinteresse de suas filhas; d) criar uma musicalidade para imitar o som dos si- nos natalinos; e) enfatizar a importância que o Natal tinha “nos clu- bes sem presépio”. 15. “Nosso futebol parece mesmo destinado a viver sob o império dos canhotos. Não bastassem Djalminha, Denílson, Leonardo, Roberto Carlos e Zé Roberto, na seleção principal, surgem agora o artilheiro Adaílton e o meia Alex, este um craque. Pelo visto, o verso do poema mudou de sinal. Agora, quando o moleque sai de casa, o pai faz a sábia recomendação: “Vá ser gauche na vida, meu filho”. Alberto Helena Junior – FSP 29/06/1997 Poderíamos dizer, sobre a referência apontada na questão anterior, que a) se trata de uma citação literal do verso de Drum- mond, e portanto se caracteriza como uma rela- ção de intertextualidade; b) Alberto Helena Jr. revela consciência de estar alterando o contexto do verso de Drummond, com o qual a sua crônica estabelece relação intertextual clara, embora não o cite literalmente; c) como não se trata de citação literal do verso de Drummond, não pode ser caracterizado como uma relação de intertextualidade; d) o cronista esportivo altera o verso original de Drummond e o utiliza em contexto diferente, o que torna impossível considerarmos a referência como uma relação intertextual; e) se trata de mera coincidência, pois Alberto Hele- na Jr. não revela qualquer consciência de estar citando um verso de Drummond. 16. • Você é uma estrelaem seu trabalho? • Fale direito ou cale-se para sempre. • Faça tudo de propósito. • Aprenda a ser pontual. • Aumente seu vocabulário com algumas palavrinhas espertas. Você S.A. Sobre o trecho acima, extraído de uma publicação voltada ao ambiente corporativo, quando são analisados os tópicos sob a ótica das funções da linguagem, pode-se afirmar que 11LINGUAGENS, CIÊNCIAS HUMANAS E REDAÇÃO EXAME NACIONAL DO ENSINO MÉDIO 2023 1.o SIMULADO ENEM a) predomina a função conativa ou apelativa da lin- guagem, pois a publicação dirige-se diretamen- te ao leitor, por meio de questões e imperativos, procurando ensinar-lhe como se preparar bem para a competição no trabalho, o que pode ser observado pelo próprio título da publicação; b) predomina a função metalinguística da lingua- gem, pois os tópicos relacionam-se à linguagem do executivo, assim como a seu comportamento; c) predomina a função emotiva da linguagem, pois a publicação se volta diretamente ao leitor, por meio de questões e imperativos, revelando, as- sim, as opiniões do emissor da mensagem; d) predomina a função referencial da linguagem, pois a publicação procura manter uma postura neutra em relação aos problemas levantados; e) predomina a função conativa ou apelativa da linguagem, pois a publicação procura angariar leitores apelando para uma emotividade desen- freada. 17. Anedota búlgara Era uma vez um czar naturalista que caçava homens. Quando lhe disseram que também se caçam borboletas e andorinhas, ficou muito espantado e achou uma barbaridade. Carlos Drummond de Andrade Podemos afirmar sobre o poema de Drummond que a) é eminentemente dissertativo, pois discute de forma abstrata as condutas ditatoriais e absolu- tistas; b) é eminentemente descritivo, pois se limita a des- crever objetivamente uma situação incomum; c) é eminentemente digressivo, pois embora se ini- cie com a fórmula inicial de um “conto de fada” (Era uma vez), acaba por narrar uma situação absolutamente diversa do esperado; d) é eminentemente narrativo, apresentando a fór- mula inicial de um “conto de fada” (Era uma vez) para ironicamente invertê-lo através do humor negro; e) mescla aspectos descritivos e dissertativos, pois apresenta uma imagem concreta (a do czar natu- ralista) para, em seguida, tecer comentários críti- cos sobre a sua conduta. 18. Leia o trecho da canção “Alegria Alegria”, de Caetano Veloso. [...] o sol se reparte em crimes espaçonaves guerrilhas em cardinales bonitas eu vou em caras de presidentes em grandes beijos de amor em dentes pernas bandeiras bomba e brigitte bardot o sol nas bancas de revistas me enche de alegria e preguiça quem lê tanta notícia eu vou ela pensa em casamento e eu nunca mais fui à escola sem lenço e sem documento eu vou eu tomo uma coca-cola ela pensa em casamento uma canção me consola eu vou por entre fotos e nomes sem livros e sem fuzil sem fome sem telefone no coração do brasil [...] Heloísa B. de Hollanda e Marcos A. Gonçalves. Cultura e partici- pação nos anos 60, 1987. Ao representar o período em que foi composta, essa canção de 1967 apresenta a) uma análise crítica dos limites da modernização tecnológica, que havia sido interrompida após o salto ocorrido na década anterior. b) uma atitude socialmente engajada, que busca confrontar o regime civil-militar vigente e defen- der a luta armada. c) um conjunto coeso de mercadorias de consumo, que alude ao acelerado desenvolvimento econô- mico do país. d) uma crítica à alienação da juventude, que des- prezava a formação educacional e a conscienti- zação política. e) um painel composto de imagens fragmentárias, que inclui menções à cultura de massa e a novos comportamentos sociais.