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AUDITORIA AMBIENTAL 
 
 
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Auditoria Ambiental 
Atualmente, a auditoria ambiental é considerada uma das ferramentas da gestão ambiental de mais 
destaque. A competição internacional e o processo acelerado de fusões e aquisições de empresas 
passou a requerer verificações rigorosas, para que passivos ambientais existentes pudessem ser 
avaliados e seu valor levado em consideração nos negócios, criando assim a necessidade de audito-
rias ambientais. 
Além de necessitarem de grandes custos para sua remediação, passivos e danos ambientais podem 
ferir a imagem de uma empresa, o que levou as organizações a estabelecerem processos sistemáti-
cos de verificação dos cuidados com o meio ambiente, como a auditoria ambiental, em suas matrizes 
e filiais. 
 
A Norma NBR ISO 14.010 define Auditoria Ambiental como o "processo sistemático e documentado 
de verificação, executado para obter e avaliar, de forma objetiva, evidências de auditoria para deter-
minar se as atividades, eventos, sistemas de gestão e condições ambientais específicos ou as infor-
mações relacionadas a estes estão em conformidade com os critérios de auditoria e para comunicar 
os resultados deste processo ao cliente". 
 
Resumindo e simplificando o conceito acima temos que a Auditoria Ambiental é “um processo siste-
mático e formal de verificação, por uma parte auditora, se a conduta ambiental e/ou desempenho am-
biental de uma entidade auditada atendem a um conjunto de critérios especificados.” (Philippi Jr. & 
Aguiar, 2004) 
 
A auditoria ambiental é o retrato do desempenho ambiental da empresa em um determinado mo-
mento, ou seja, verifica se até aquele ponto a empresa está atendendo os padrões ambientais esta-
belecidos pela legislação ambiental vigente. Ou seja, a auditoria ambiental visa principalmente verifi-
car o sistema de gestão ambiental de uma organização. 
A auditoria ambiental é uma ferramenta importante que deve ser usada pelas empresas para contro-
lar a observância a critérios e medidas estipulados com o objetivo de evitar a degradação ambiental, 
que em geral decorre quando há falta ou pouco controle do impacto ambiental das operações. 
 
A auditoria ambiental identifica áreas de risco e problemas de infração ou desvio no cumprimento das 
normas padronizadas, apontando tanto os pontos fortes da operação quanto os fracos. Assim é inte-
ressante que a operação candidata à certificação ambiental estude e conheça mais sobre os benefí-
cios e exigências da ferramenta auditoria ambiental antes da implantação de um sistema de gestão 
ambiental. 
 
É importante diferenciar que a auditoria ambiental é uma ferramenta de gestão ambiental e não um 
instrumento de controle ambiental. Pois a auditoria não estabelece as normas e padrões a serem se-
guidos e a tecnologia necessária para tal, mas sim busca avaliar se as normas existentes estão 
sendo observadas pela operação, se a empresa possui uma política ambiental e se é capaz de me-
lhorar o seu desempenho ambiental constantemente (melhoria contínua). 
 
Assim, o sistema de gestão ambiental passou a sistematizar a auditoria ambiental como a prática que 
permite melhoria contínua, pois sua metodologia permite identificar práticas que não estão em confor-
midade (práticas não adequadas também chamadas comumente de práticas não-conformes) e quais 
as medidas necessárias para corrigir esses erros. 
 
A classificação de uma auditoria ambiental é definida pelo seu objetivo. Nos próximos módulos serão 
detalhados todos os diversos tipos de auditorias ambientais para diferentes necessidades, tais como: 
Auditoria ambiental de certificação; Auditoria Ambiental de acompanhamento; Auditoria Ambiental de 
verificação de correções (ou de follow-up); Due dilligence; Auditoria de descomissionamento (deco-
missioning); Auditoria de desempenho ambiental e Auditoria pontual. 
A valorização cada vez maior de organizações que adotam um modelo de gestão sustentável tem le-
vado as empresas a um ajuste de suas atividades, no intuito de atender as legislações ambientais e 
diminuir seu impacto sobre a natureza. Desta forma, elas têm a possibilidade de fazer uso do “marke-
ting verde”, exaltando as características ecologicamente corretas de suas marcas e produtos. 
AUDITORIA AMBIENTAL 
 
 
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A auditoria ambiental serve exatamente para certificar se as empresas realmente estão cumprindo as 
leis e se as características divulgadas pelo marketing verde não ficam somente no discurso. 
O Brasil conta com leis regularizando as auditorias desde a década de 90, mas em 2002 todas as le-
gislações separadas foram substituídas e unificadas pela NBR ISO 19011, ou Diretrizes para audito-
rias de Sistema de Gestão de Qualidade ou Ambiental. Assim, a auditoria ambiental pode ser definida 
como um procedimento sistemático pelo qual organizações avaliam sua adequação a critérios ambi-
entais preestabelecidos. 
As auditorias podem ser realizadas em órgãos fiscalizadores, entidades de controle externo e empre-
sas privadas, dependendo do seu objetivo. 
Auditoria de órgãos fiscalizadores tem como finalidade a fiscalização das atividades com relação ao 
atendimento da legislação ambiental, concessão de licenças, quantificação e qualificação de danos, 
apuração de denúncias, entre outros. 
Normalmente as auditorias em entidades de controle externo servem para verificar se os investimen-
tos públicos estão em conformidade, além de servir como critério para a concessão de financiamen-
tos. 
O setor privado utiliza sete tipos de auditoria ambiental: 
Auditoria de Conformidade Legal (Compulsória): avalia a adequação da empresa às normas ambien-
tais aplicáveis a sua área de atuação. Normalmente é utilizada como preparação para requerimento 
de licenças ambientais ou forma de prevenção para multas; 
Auditoria de Avaliação de Desempenho: tem como objetivo avaliar a empresa com base em indicado-
res ambientais, como o consumo de água, energia, geração de resíduos e etc.; 
Auditoria de Descomissionamento: tem como finalidade a verificação de riscos para a população ou o 
meio ambiente após o fechamento de algum tipo de indústria; 
Auditoria de Responsabilidade: serve para investigar a existência de passivos ambientais que podem 
interferir em um processo de compra e venda de alguma organização; 
Auditoria de Cadeia Produtiva: auditoria realizada em toda a cadeia produtiva de um determinado pro-
duto incluindo os serviços relacionados; 
Auditoria Pós-acidente: tem como objetivo verificar as causas, responsáveis e a possibilidade de re-
corrência de acidentes ambientais; 
Auditoria de Sistema de Gestão: são realizadas para adequar, certificar ou verificar o atendimento da 
empresa aos requisitos de determinado sistema de gestão ambiental. 
O problema é quando as empresas dedicam mais energia ao marketing de suas ações do que aos 
resultados em si. Aproveitando-se do “marketing verde” sem que haja um comprometimento (ou resul-
tado) verdadeiro e significativo. 
Desta forma, as chamadas “auditorias ambientais” tornaram-se ferramentas imprescindíveis para a ve-
rificação e fiscalização das empresas e uma avaliação de seus sistemas de gestão. 
Surgidas na década de 70, nos EUA, como uma forma de, voluntariamente, as empresas verificarem 
seu atendimento à legislação e se prepararem para eventuais fiscalizações da EPA (Environmental 
Protection Agency), a agência ambiental norte-americana, as auditorias ambientais acabaram se tor-
nando uma técnica de gerenciamento bastante difundida não só nos EUA, mas também na Europa. 
Nos países em desenvolvimento as auditorias ambientais ganharam projeção a partir da publicação 
das normas ISO (International Organization for Standardization), embora no Brasil já existissem regu-
lamentos legais neste sentido desde a década de 90 nos Estados de Minas Gerais (Lei N.º 10.627/92), 
São Paulo (Lei N.º 790/91 no município de Santos), Rio de Janeiro (Lei N.º 1.898/91) e Espírito Santo 
(Lei N.º 4.802/93). 
AUDITORIA AMBIENTAL3 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR 
Normas ISO 
ISO14010/96 – Diretrizes para Auditoria Ambiental – Princípios Gerais, 
ISO14011/96 – Diretrizes para Auditoria Ambiental – Procedimentos de Auditoria – Auditorias de Sis-
tema de Gestão Ambiental 
ISO14012/96 – Diretrizes para Auditoria Ambiental – Critérios de Qualificação de Auditores Ambientais. 
Mais tarde, em 2002, estas normas foram substituídas pela NBR ISO 19011 – Diretrizes para auditorias 
de Sistema de Gestão de Qualidade ou Ambiental. 
Definições 
Genericamente, podemos definir as auditorias ambientais como um procedimento sistemático através 
do qual a organização irá avaliar sua adequação a critérios ambientais preestabelecidos que podem 
ser: normas técnicas (como a ISO14001, por exemplo), requisitos legais, requisitos definidos por clien-
tes ou pela própria empresa. Mas, as definições de auditorias ambientais podem variar dependendo do 
seu âmbito de aplicação. 
Podemos dividir a classificação das auditorias ambientais como sendo aquelas realizadas por órgãos 
fiscalizadores, entidades de controle externo (TCU ou Auditorias Gerais – Fonte: TCMSP) e empre-
sas privadas. Cada qual com uma definição e um objetivo específicos. 
As auditorias de entidades fiscalizadoras obedecem a normas específicas que podem variar de acordo 
com a legislação estadual ou do próprio órgão fiscalizador. 
No Estado do Rio de Janeiro, primeiro do país a definir uma legislação específica sobre auditorias 
ambientais, a definição dada pela Lei N.º 1.898/91 é a seguinte: auditoria ambiental é a “realização de 
avaliações e estudos destinados a determinar: 
I – os níveis efetivos ou potenciais de poluição ou de degradação ambiental provocados por atividades 
de pessoas físicas ou jurídicas; 
II – as condições de operação e de manutenção dos equipamentos de controle da poluição; 
III – as medidas a serem tomadas para restaurar o meio ambiente e proteger a saúde humana; e 
IV – a capacitação dos responsáveis pela operação e manutenção dos sistemas, rotinas, instalações e 
equipamentos de proteção do meio ambiente e da saúde dos trabalhadores.” (Fonte: LIMA, 2005) 
Estas auditorias tem como objetivo a fiscalização das atividades com relação ao atendimento da legis-
lação ambiental aplicável, concessão de licenças, verificação do atendimento a condicionantes do pro-
cesso de licenciamento, quantificação e qualificação de danos, atendimento a demandas e cronogra-
mas de fiscalização estabelecidos por lei e apuração de denúncias. 
Já segundo a definição do Banco Mundial, aplicável a entidades de controle externo, a “Auditoria Am-
biental” é um “instrumento para determinar a natureza e a extensão de todas as áreas de impacto 
ambiental de uma atividade existente. 
A auditoria identifica e justifica as medidas apropriadas para reduzir as áreas de impacto, estima o 
custo dessas medidas e recomenda um calendário para a sua implementação. Para determinados pro-
jetos o Relatório de Avaliação Ambiental consistirá apenas da auditoria ambiental; em outros casos, a 
auditoria será um dos componentes do Relatório.” (Fonte: LIMA, 2005). Este tipo de auditoria pode ser 
utilizado para verificar a conformidade de investimentos públicos e critérios para concessão de financi-
amentos ou créditos. 
Quanto as auditorias ambientais realizadas em entidades privadas, podemos defini-las de acordo com 
o trazido pela norma ABNT NBR ISO14010/96: “processo sistemático e documentado de verificação, 
executado para obter e avaliar, de forma objetiva, evidências de auditoria para determinar se as ativi-
dades, eventos, sistemas de gestão e condições ambientais especificados ou as informações relacio-
nadas a estes estão em conformidade com os critérios de auditoria, e para comunicar os resultados 
deste processo ao cliente.” (Fonte: LIMA, 2005) 
AUDITORIA AMBIENTAL 
 
 
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As auditorias em empresas privadas, mais comuns, podem ser classificadas em sete tipos diferentes 
de acordo com seu objetivo: auditoria de conformidade legal, de avaliação de desempenho, de desco-
missionamento, de responsabilidade (Due Diligence), de cadeia produtiva, pós-acidente e de sistema 
de gestão. 
Embora elas possam diferir em algumas etapas de acordo com seus objetivos, as auditorias, basica-
mente, possuem as etapas de planejamento, preparação, a realização da auditoria propriamente dita, 
análise dos resultados e emissão do relatório. Sendo que, ao final do processo, deve-se verificar pos-
sibilidades de melhoria e eventuais não-conformidades que devam ser sanadas já que as auditorias 
não destinam-se apenas a verificação do sistema/empresa, mas também, a melhoria contínua de seus 
processos. 
Veja a seguir um pouco mais sobre os diferentes tipos de auditorias: 
Auditoria de Conformidade Legal (Compulsória): tem o objetivo de avaliar a adequação da empresa ás 
normas legais (legislação) aplicáveis ao seu processo. Pode ser utilizada pelas empresas como prepa-
ração para o requerimento de licenças ambientais e como forma de prevenir eventuais multas ou pe-
nalidades pelo não atendimento à legislação. De certa forma, todas as auditorias ambientais englobam 
a avaliação da conformidade legal uma vez que este é um requisito fundamental da organização; 
Auditoria de Avaliação de Desempenho: tem como objetivo avaliar a organização com base em indica-
dores que refletem seu desempenho ambiental, como o consumo de água, de energia, emissão de eflu-
entes, geração de resíduos e etc.; 
Auditoria de Descomissionamento: é o tipo de auditoria realizada em empresas que estão fechando ou 
se mudando para outro local. Seu objetivo é verificar se há/haverá algum risco para a população ou 
para o meio ambiente durante ou após o fechamento da empresa/indústria; 
Auditoria de Responsabilidade (Due Diligence, de Aquisição ou Alienação): o principal objetivo desse 
tipo de auditoria é investigar a existência de passivos ambientais da organização que podem interferir 
em um processo de compra e venda. Estas auditorias também podem ser requeridas por investidores 
que desejem verificar os riscos relacionados à determinada empresa; 
Auditoria de Cadeia Produtiva (Cadeia de Custódia): auditoria realizada em toda a cadeia produtiva de 
um determinado produto incluindo os serviços relacionados; 
Auditoria Pós-acidente: é a auditoria de caráter investigativo que se inicia após a ocorrência de um 
acidente ambiental com o intuito de verificar suas causas, seus responsáveis e a possibilidade de re-
corrência, a fim de que sejam tomadas ações corretivas com o fim de prevenir novos acidentes; 
Auditoria de Sistema de Gestão: são auditorias realizadas para adequar, certificar ou verificar o aten-
dimento da empresa aos requisitos de determinado sistema de gestão ambiental. O mais difundido é o 
da norma NBR ISO 14001. De acordo com esta norma, as auditorias podem ainda receber a seguinte 
classificação: 
Auditoria Interna: auditoria realizada periodicamente pelos funcionários da própria empresa ou contra-
tados por ela, geralmente, como preparação para auditorias de terceira ou segunda parte ou para veri-
ficação da conformidade do sistema de gestão. 
Auditoria de Segunda Parte (Externa): são auditorias realizadas por terceiros que tenham interesse no 
resultado da auditoria. São, por exemplo, fornecedores, clientes e outras partes interessadas, porém 
sem o objetivo de certificação. Geralmente são utilizadas para a verificação de empresas durante um 
processo de contratação e, por isso podem se basear em critérios definidos pelo realizador da auditoria. 
Exemplo: um comprador de couro para fabricação de sapatos pode querer verificar a adequação am-
biental de seu fornecedor de couros e, para isso, realizar uma auditoria. 
Ele pode utilizar uma norma de referência que seja utilizada pelas duas empresas, como a ISO14001, 
ou critérios próprios. 
Auditoria de Terceira Parte (Externa): são as auditorias de certificação, re-certificação, ou manutenção 
do certificado. Realizadas semprepor terceiros independentes que não tenham interesses no resultado 
da auditoria, geralmente um orgão certificador.

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