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SLIDE 01: O que é a Obrigação de Dar? É aquela em que o devedor se compromete a entregar uma coisa (móvel ou imóvel) ao credor. O foco aqui é na transferência de posse, uso ou propriedade de algo. Está prevista no art. 233 do Código Civil (CC/2002) e tem nuances importantes, dependendo do tipo de coisa e do interesse envolvido. Definição do Clóvis Beviláqua (autor do projeto do Código Civil de 1916): Ele explica que a obrigação de dar pode servir para: 1. Constituir um direito real (ex: transferir a propriedade de um imóvel na compra e venda); 2. Facultar o uso ou detenção (ex: emprestar um livro para um amigo); 3. Restituir a coisa ao dono (ex: devolver um carro após o fim do contrato de comodato). Classificação da Obrigação de Dar O slide destaca três espécies principais: 1. Dar Coisa Certa (ou Determinada) • O que é? O devedor deve entregar um objeto específico e individualizado. • Exemplo: Você compra o carro de placa ABC-1234 anunciado na loja. A obrigação é entregar aquele carro exato, não outro similar. • Regra do art. 313, CC/2002: A coisa deve ser entregue como está no momento da obrigação, mesmo que se deteriore sem culpa do devedor (salvo se houver má-fé). 2. Restituir Coisa Certa • O que é? Devolver algo que já estava em posse do credor. • Exemplo: Você empresta seu videogame a um amigo. A obrigação dele é restituir o mesmo videogame após o prazo combinado. • Importante: Se a coisa for perdida sem culpa do devedor, ele não precisa indenizar (art. 234, CC/2002). 3. Dar Coisa Incerta (ou Indeterminada) • O que é? A obrigação é cumprida com um objeto genérico, definido apenas pelo gênero e quantidade. • Exemplo: Comprar 10 kg de arroz tipo 1 em um mercado. O vendedor pode entregar qualquer arroz que se enquadre nessa categoria. • Regra do art. 243, CC/2002: O devedor não pode entregar coisa de qualidade inferior, mas pode oferecer qualidade superior (sem custo extra para o credor). Elementos-Chave da Obrigação de Dar O slide menciona interesse, negociação, acordo e tradição. Vamos traduzir: 1. Interesse do credor: A entrega da coisa deve atender a uma necessidade jurídica ou econômica do credor (ex: adquirir um imóvel para moradia). 2. Negociação: A obrigação surge de um acordo de vontades (contrato), como compra e venda ou comodato. 3. Acordo: Exige consentimento entre as partes (art. 104, CC/2002). Sem acordo, não há obrigação válida. 4. Tradição: É o ato físico ou jurídico de entregar a coisa. Na obrigação de dar coisa certa, a tradição transfere a propriedade (ex: escritura de imóvel). Por que isso é importante? • Na prática: Se você não entregar a coisa certa, o credor pode exigir judicialmente a entrega (ação de entrega) ou perdas e danos (art. 389, CC/2002). • Dica da doutrina: Maria Helena Diniz ressalta que, na coisa incerta, a escolha do objeto é do devedor, mas ele não pode burlar a expectativa legítima do credor. Exemplo Prático para Fixar: • Situação: João vende sua bicicleta (coisa certa) para Maria. • Obrigação de João: Entregar exatamente aquela bicicleta. • Se João não cumprir: Maria pode entrar na Justiça para receber a bicicleta ou ser indenizada. SLIDE 02: O que é "Dar Coisa Certa"? É a obrigação de entregar um objeto específico e individualizado, ou seja, algo único e perfeitamente identificado (ex: um carro de placa XYZ-1234, um imóvel com matrícula determinada). Está prevista no art. 233 do Código Civil (CC/2002) e reforçada pelo princípio do pacta sunt servanda (art. 313, CC), que exige o cumprimento rigoroso do acordado. Exemplo: Se você compra o quadro "Mona Lisa" de um colecionador, a obrigação é entregar exatamente essa obra, não uma cópia ou outra pintura. Regras Essenciais 1. Acessórios e Pertences (arts. 93 e 94, CC) • Pertences: São objetos que, sem fazer parte da coisa principal, servem a ela de forma duradoura (ex: chaves de um imóvel, cerca de uma fazenda). • Regra do art. 233: Na obrigação de dar coisa certa, os acessórios devem ser entregues junto com a coisa principal, salvo acordo em contrário. Exemplo: Se você compra uma casa, o vendedor deve entregar também as chaves, a cerca e os equipamentos fixos (como ar-condicionado instalado). O que acontece se a coisa se PERDER? (art. 234, CC) A regra é "res perit domino" (o risco da coisa é do dono). Isso significa: • Sem culpa do devedor: A obrigação se extingue. O credor não pode exigir nada, pois o risco era dele. • Com culpa do devedor: O devedor deve pagar o equivalente em dinheiro + perdas e danos (PD). Exemplo: • Se um pintor (devedor) guarda mal um quadro encomendado e ele é roubado por negligência, deve indenizar o credor. • Se o quadro for destruído por um incêndio acidental (sem culpa), a obrigação desaparece. E se a coisa se DETERIORAR? (arts. 235 e 236, CC) • Sem culpa do devedor: O credor pode: o Resolver a obrigação (desistir do negócio) OU o Aceitar a coisa com abatimento no preço. • Com culpa do devedor: O credor pode escolher entre: o Receber a coisa deteriorada + indenização por perdas e danos OU o Exigir o equivalente em dinheiro + PD. Exemplo: Se você compra um sofá novo, mas ele chega com arranhões por mau transporte (culpa do vendedor), pode exigir um desconto ou outro sofá igual + compensação por transtornos. Melhoramentos e Acréscimos (art. 237, CC) Se a coisa sofrer melhorias (ex: reforma em um imóvel) ou acréscimos (ex: filhotes de um animal), as regras são: • Melhoramentos úteis ou necessários: O credor não paga pelo benefício. • Melhoramentos voluptuários (luxo): O credor paga apenas se concordar. • Acréscimos naturais ou civis: Pertencem ao credor automaticamente (ex: frutos de uma árvore, aluguéis de um imóvel). Exemplo: Se você compra uma vaca prenhe, os bezerros nascidos após a tradição são seus, mesmo que o vendedor não tenha mencionado. Dica da Doutrina Segundo Carlos Roberto Gonçalves, a obrigação de dar coisa certa exige identificação precisa do objeto. Se houver dúvida sobre qual coisa foi contratada, a obrigação pode ser considerada inválida por indeterminação. Para Fixar: • Caso Prático: Maria contrata João para entregar um violão Giannini específico (nº de série 123). Se João tentar entregar outro modelo, Maria pode recusar e exigir o cumprimento exato (art. 313) ou indenização. SLIDE 03: O que é "Restituir Coisa Certa"? É a obrigação de devolver um objeto específico que pertence ao credor e foi temporariamente utilizado pelo devedor. A coisa já é do credor, mas está em posse do devedor por um período (ex: empréstimo, comodato, depósito). Exemplo: Você empresta seu carro a um amigo. A obrigação dele é restituir o mesmo carro após o uso. O que acontece se a coisa se PERDER? A regra geral está no art. 238 do CC/2002: 1. Perda SEM culpa do devedor • Regra: O devedor não é responsabilizado. Afinal, o risco da coisa é do dono (res perit domino). • Exemplo: Se o carro emprestado for roubado (sem negligência do devedor), ele não precisa indenizar. Exceções (o devedor responde mesmo sem culpa): • Art. 393: Se o devedor se obrigou a restituir a coisa em estado determinado (ex: prometeu devolver o carro com tanque cheio). • Art. 399: Se a perda ocorrer durante a mora (atraso na devolução). • Art. 583 (comodato): No empréstimo gratuito, o devedor responde até por caso fortuito se usou a coisa de modo diverso do combinado. 2. Perda COM culpa do devedor • Regra (art. 239): O devedor deve pagar o valor equivalente à coisa + perdas e danos (PD). • Exemplo: Se o devedor deixa o carro emprestado destrancado e ele é roubado, responde pela perda. E se a coisa se DETERIORAR? 1. Deterioração SEM culpa (art. 240, caput) • Desgaste natural: O devedor não responde. • Exemplo: O sofá emprestado desbota com o uso normal. 2. Deterioração COM culpa (art. 240, in fine) • O devedor deve indenizar o credor, seguindoas regras do art. 239 (equivalente + PD). • Exemplo: Se o devedor derruba café no sofá emprestado, manchando-o, deve pagar o conserto ou substituição. Melhorias, Acréscimos e Frutos Se o devedor fez melhorias na coisa ou houve acréscimos/frutos durante a posse: 1. Melhorias sem despesa/trabalho (art. 241) • Melhorias voluptuárias (luxo): O credor pode optar por pagar o valor gasto ou deixar o devedor retirar o que foi acrescentado. • Exemplo: O devedor pinta o carro emprestado de rosa. O credor pode recusar a cor e exigir a remoção. 2. Melhorias com despesa/trabalho (art. 242) • Melhorias úteis ou necessárias: O credor deve reembolsar o devedor pelo valor gasto. • Exemplo: O devedor troca o motor quebrado do carro emprestado. O credor deve pagar o custo do conserto. Acréscimos/frutos: • Frutos naturais (ex: frutas de uma árvore) ou civis (ex: aluguéis): Pertencem ao credor, mesmo que gerados durante a posse do devedor. Dica da Doutrina Segundo Carlos Roberto Gonçalves, a obrigação de restituir coisa certa pressupõe que o objeto mantenha suas características essenciais. Se houver alteração significativa, o credor pode recusar a restituição e exigir indenização. Caso Prático para Fixar: • Situação: Ana empresta sua bicicleta a Pedro por uma semana. o Cenário 1: A bicicleta é danificada por uma chuva forte (sem culpa de Pedro). Ana arca com o prejuízo. o Cenário 2: Pedro deixa a bicicleta na rua sem trava e ela é roubada. Pedro deve indenizar Ana. SLIDE 04: O que é "Dar Coisa Incerta"? É a obrigação de entregar um objeto genérico, definido apenas por gênero e quantidade, sem especificação exata. O devedor tem liberdade para escolher qual item dentro da categoria será entregue, desde que respeite a qualidade acordada. Exemplo: Comprar 100 kg de arroz tipo 1. O vendedor pode entregar qualquer saca que se encaixe nessa classificação. Base Legal: Arts. 243 a 246 do Código Civil (CC/2002). Fluxo da Obrigação O slide mostra dois caminhos: 1. Sem escolha prévia: Interesse → Negociações → Contrato → Pagamento. o Aqui, o devedor seleciona o objeto no momento do cumprimento. 2. Com escolha prévia: Interesse → Negociações → Contrato → Escolha → Pagamento. o A escolha do objeto específico converte a obrigação em "coisa certa" (art. 245, CC). Regras Essenciais 1. Escolha do Objeto (Concentração) • Liberdade do devedor: Ele pode escolher qualquer item dentro do gênero e qualidade acordados. • Limites (art. 244, CC): o Não pode oferecer qualidade inferior à combinada. o Pode oferecer qualidade superior sem custo extra para o credor. Exemplo: Se você contrata um fornecedor para entregar 100 caixas de vinho tinto seco, ele não pode enviar vinho suave (inferior), mas pode enviar um vinho premium (superior). 2. Após a Escolha (art. 245, CC) • A obrigação torna-se de dar coisa certa. Ou seja, o devedor perde a liberdade de escolha e deve entregar exatamente o objeto selecionado. Exemplo: Se o fornecedor escolheu as caixas de vinho da safra 2020, precisa entregar essas, não pode substituir por outras. 3. Perda do Objeto (art. 246, CC) • Antes da escolha: Aplica-se o princípio "genus numquam perit" (o gênero não perece). Mesmo que parte do gênero seja destruída, o devedor ainda deve cumprir a obrigação. • Depois da escolha: Se o objeto específico se perder, seguem as regras de coisa certa (equivalente + perdas e danos). Exemplo: • Antes da escolha: Um produtor concorda em vender 10 toneladas de soja. Se parte da plantação for destruída por uma enchente, ele deve compensar com soja de outra fonte. • Após a escolha: Se o produtor já separou os sacos específicos e eles são roubados, deve indenizar o credor. Dica da Doutrina Segundo Maria Helena Diniz, mesmo na coisa incerta, a escolha do devedor não pode ser arbitrária. Ele deve agir com boa-fé, respeitando a expectativa legítima do credor. Exemplo Prático para Fixar: • Situação: Uma loja contrata um distribuidor para entregar 50 unidades de notebooks da marca X, modelo Y. o Antes da escolha: O distribuidor pode enviar qualquer notebook desse modelo. o Após a escolha (ex: lotes específicos): Precisa entregar exatamente os selecionados. o Se o lote escolhido for perdido em um incêndio: O distribuidor deve indenizar a loja. SLIDE 05: O que é a Obrigação de Fazer? É aquela em que o devedor se compromete a realizar uma atividade ou prestar um serviço específico para o credor. Diferentemente da obrigação de dar (entregar algo), aqui o foco é na ação ou omissão do devedor. Exemplo: Um pintor contratado para fazer um mural em sua casa. Principais Características 1. Não confundir com obrigação de dar • Dar: Transferir posse ou propriedade de algo (ex: entregar um carro). • Fazer: Realizar uma atividade (ex: construir uma parede, realizar uma cirurgia). 2. Fungibilidade (ou não) • Fungível: A obrigação pode ser cumprida por terceiros (ex: serviços de limpeza). • Infungível (intuito personae): A obrigação depende de habilidades específicas do devedor (ex: um médico famoso, um artista). Exemplo: • Se você contrata uma empresa para instalar um ar-condicionado (fungível), outro técnico pode fazer o serviço. • Se contrata o cantor Roberto Carlos para um show (infungível), só ele pode cumprir a obrigação. Regras Jurídicas Importantes a) "Nemo potest precise cogi ad factum" Significa "ninguém pode ser obrigado a fazer algo contra sua vontade". No entanto, o Direito brasileiro permite astreintes (multas diárias) para pressionar o devedor a cumprir a obrigação (arts. 499 e 500 do CPC). Exemplo: Se um arquiteto se recusa a entregar o projeto contratado, o juiz pode fixar uma multa diária até que ele cumpra. b) Arts. 499 e 500 do CPC • Art. 499: O credor pode pedir perdas e danos se a tutela específica (cumprimento forçado) for impossível. • Art. 500: Mesmo com perdas e danos, o juiz pode fixar multa periódica para obrigar o devedor a cumprir a obrigação. Tradução prática: • Se o devedor não quer pintar o mural, o credor pode: 1. Pedir indenização OU 2. Exigir que outro pintor faça o serviço (se fungível) às custas do devedor. Problemas Comuns 1. Impossibilidade de Cumprimento • Sem culpa do devedor: A obrigação se extingue (ex: o pintor morre). • Com culpa do devedor: Deve indenizar o credor (ex: o pintor quebra o contrato por preguiça). 2. Descumprimento Parcial • Se o serviço for mal executado, o credor pode exigir correção ou indenização. Exemplo: Se o pedreiro deixa a parede torta, você pode exigir que ele refaça o trabalho ou pague outro profissional. Dica da Doutrina Segundo Carlos Roberto Gonçalves, nas obrigações infungíveis, a indenização por perdas e danos é a regra, pois não se pode forçar alguém a agir fisicamente. Porém, as astreintes servem como pressão econômica. Caso Prático para Fixar: • Situação: Maria contrata o chef João para cozinhar em seu casamento. o Cenário 1: João adoece (sem culpa). Maria não pode exigir outro chef, mas pode pedir reembolso. o Cenário 2: João cancela para trabalhar em outro evento (culpa). Maria pode processá-lo por perdas e danos + multa diária até ele cumprir. SLIDE 06: O que é a Obrigação de Fazer? 3. Inadimplemento por Culpa (art. 247, CC/2002) Ocorre quando o devedor não cumpre a obrigação por negligência, imperícia ou dolo (culpa). Nesse caso, o credor tem direito a: • Perdas e danos (indenização pelos prejuízos causados) OU • Execução forçada (obrigar o devedor a cumprir o serviço). Exemplo: Um encanador contratado para consertar um vazamento simplesmente não aparece, deixando a casa alagar. O credor pode exigir reparação financeira ou que outro profissional faça o serviço às custas do devedor. 4. Impossibilidade de Cumprimento (art. 248, CC/2002) Se a obrigação se torna impossível de ser realizada, as consequências dependem da culpa: a) Impossibilidadesem culpa (art. 248, caput) • Causas: Eventos imprevisíveis e inevitáveis (ex: morte do devedor em serviço infungível, desastre natural). • Efeito: A obrigação se extingue, e o devedor não precisa indenizar. Exemplo: Um artista único contratado para um show morre antes do evento. A obrigação desaparece. b) Impossibilidade com culpa (art. 248, parágrafo único) • Causas: O devedor tornou a obrigação impossível por ação ou omissão (ex: destruiu materiais necessários para o serviço). • Efeito: O devedor deve indenizar o credor por perdas e danos. Exemplo: Um marceneiro joga fora a madeira especial que iria usar para fazer um móvel sob medida. Precisa compensar o cliente. 5. Execução por Terceiro (art. 249, CC/2002) Se o devedor se recusa ou atrasa o cumprimento, o credor pode: 1. Contratar um terceiro para realizar o serviço às custas do devedor (ex: chamar outro pintor se o original sumiu). 2. Cobrar indenização pelos prejuízos adicionais. Urgência (parágrafo único): Em casos urgentes (ex: vazamento que ameaça a estrutura da casa), o credor pode agir sem autorização judicial e depois ser reembolsado. Astreintes (Pressão Econômica para Cumprir) Mesmo que o credor opte pela indenização, o juiz pode aplicar multas periódicas (astreintes – art. 500, CPC) para forçar o devedor a cumprir a obrigação. Exemplo: Se um arquiteto se nega a entregar o projeto, o juiz fixa uma multa diária de R$ 500 até ele cumprir. Dica da Doutrina Segundo Carlos Roberto Gonçalves, a execução por terceiro só é viável se o serviço for fungível (não exigir habilidades exclusivas). Se a obrigação for intuito personae (ex: um médico famoso), a indenização é a única solução. Caso Prático para Fixar: • Situação: Paulo contrata uma empresa para instalar um sistema de segurança em sua loja. o Cenário 1: A empresa abandona o serviço por falta de organização (culpa). Paulo contrata outra empresa e cobra os custos da original. o Cenário 2: Um incêndio destrói a loja antes da instalação (sem culpa). A obrigação se extingue. SLIDE 07: O que é a Obrigação de Não Fazer? É o dever jurídico de abster-se de uma conduta, ou seja, de não realizar uma ação específica. Diferentemente das obrigações de dar ou fazer (que exigem uma entrega ou atividade), aqui o foco é na omissão. Exemplo: Um ex-funcionário é proibido de abrir um negócio concorrente ao antigo empregador por 2 anos. Base Legal: Arts. 250 a 251 do Código Civil (CC/2002) e situações específicas, como o art. 1.285 do CC. Características Principais 1. Natureza negativa: O devedor deve não agir de determinada forma. 2. Fontes: Pode surgir de um contrato, de uma lei ou de uma decisão judicial. 3. Objetivo: Proteger interesses do credor, como segredos empresariais, propriedade ou relações contratuais. Exemplos Práticos 1. Cláusula de não concorrência (art. 1.285, CC): o Um advogado que deixa um escritório pode ser proibido de atender clientes da empresa por um período. o Art. 1.285, CC: No usufruto, o usufrutuário não pode alterar a substância do bem (ex: derrubar árvores de uma fazenda usufruída). 2. Proibição de construção: o Um vizinho é obrigado a não erguer um muro acima de 2 metros para não bloquear a vista de outro. 3. Sigilo contratual: o Um funcionário não pode divulgar informações confidenciais da empresa, mesmo após demissão. Consequências do Descumprimento Se o devedor viola a obrigação de não fazer, o credor pode: 1. Exigir a cessação da conduta: Pedir judicialmente que o devedor pare imediatamente o ato proibido (ex: derrubar o muro construído ilegalmente). 2. Pedir perdas e danos: Ser indenizado pelos prejuízos causados (ex: lucros perdidos devido à concorrência desleal). 3. Execução específica (art. 250, CC): O juiz pode autorizar o credor a desfazer o ato praticado pelo devedor, às custas deste. Exemplo: Se João constrói uma piscina em área proibida pelo condomínio, o síndico pode judicialmente obrigá-lo a removê-la. Dica da Doutrina Segundo Maria Helena Diniz, a obrigação de não fazer é autônoma e não depende de uma obrigação positiva prévia. Sua violação gera responsabilidade mesmo que não haja dano material, pois basta o risco ao direito do credor. Caso Prático para Fixar: • Situação: Ana vende sua empresa a Carlos e assina um contrato com cláusula de não abrir negócio similar por 5 anos. o Descumprimento: Se Ana abre uma loja concorrente, Carlos pode: 1. Pedir o fechamento imediato da loja. 2. Cobrar indenização pelos prejuízos. SLIDE 08: O que é a Obrigação de Não Fazer? 1. Extinção da Obrigação Sem Culpa (art. 250, CC/2002) Se a obrigação de não fazer se torna impossível de ser cumprida sem culpa do devedor, ela se extingue. Ou seja, o devedor não precisa mais se abster, e o credor não pode exigir nada. Exemplo: Uma lei proíbe a construção de prédios altos em uma região. Se a lei é revogada, a obrigação de não construir desaparece. 2. Momento do Cumprimento A obrigação de não fazer é contínua. O devedor deve se abster durante todo o período acordado ou determinado pela lei. Exemplo: Um contrato proíbe um ex-funcionário de trabalhar para concorrentes por 2 anos. A obrigação dura os 24 meses. 3. Se o Ato Proibido for Realizado (art. 251, CC/2002) Se o devedor pratica o ato que deveria evitar, o credor pode: 1. Exigir que o devedor desfaça o ato (ex: derrubar um muro construído ilegalmente). 2. Pedir indenização por perdas e danos (ex: prejuízos causados pela concorrência desleal). Base Legal (art. 497, CPC): O juiz deve garantir a tutela específica (cumprimento forçado) ou medidas equivalentes. Exemplo: Se João instala uma placa publicitária irregular, o credor pode pedir a remoção imediata. 4. Multa por Descumprimento (Astreintes – art. 500, CPC) Mesmo que o credor peça indenização, o juiz pode fixar multa periódica (valor diário) para pressionar o devedor a cumprir a obrigação. Exemplo: Se Maria abre um comércio concorrente proibido pelo contrato, o juiz pode multá-la em R$ 500 por dia até ela fechar a loja. Dica da Doutrina Segundo Carlos Roberto Gonçalves, a obrigação de não fazer é preventiva. Por isso, o Direito prioriza a tutela específica (desfazer o ato) em vez de apenas indenização, que muitas vezes não repara totalmente o dano. Caso Prático para Fixar: • Situação: Carlos assina um contrato comprometendo-se a não divulgar segredos industriais da empresa. o Descumprimento: Se Carlos vende informações a um concorrente, a empresa pode: 1. Exigir a destruição dos documentos vazados. 2. Cobrar indenização pelos prejuízos. 3. Pedir ao juiz uma multa diária até Carlos parar de vazar dados.