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03 Sistemas Eleitorais e seus Efeitos

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João Paulo

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Conteudista: Prof.ª Dra. Flávia Carolina de Resende Fagundes   
Revisão Textual: Esp. Pérola Damasceno
 
Objetivo Geral:
Apresentar os diferentes modelos de sistema eleitoral e compreender os efeitos
dos sistemas eleitorais, buscando identificar suas vantagens e contradições.
˨ Material Teórico
˨ Material Complementar
˨ Referências
Sistemas Eleitorais e seus Efeitos
Introdução ao Estudo dos Sistemas Eleitorais e seus
Efeitos
Nesta Unidade iremos discutir os principais efeitos dos diferentes sistemas eleitorais sobre o
sistema partidário. Como amplamente elaborado pela literatura em ciência política, o sistema
eleitoral, embora não seja determinante, influencia fortemente a configuração do número de
partidos relevantes no jogo político. Além disso, procuraremos abordar questões relacionadas
ao grau de representação dos diferentes sistemas.
Os sistemas eleitorais traduzem os votos expressos em uma eleição geral em assentos
conquistados por partidos e candidatos. As variáveis-chave para compreender as dinâmicas de
sistema eleitoral são: se o sistema é majoritário, proporcional ou misto; a fórmula matemática
utilizada para calcular a alocação de assentos; e a magnitude do distrito: quantos membros do
parlamento são eleitos pelo distrito (REYNOLDS; REILLY, 2016). 
É corrente na literatura que sistemas majoritários tendem à prevalência de dois partidos.
Enquanto que em sistemas proporcionais o multipartidarismo tende a se estabelecer. No
entanto, como veremos, a realidade é muitas vezes mais complexa do que os modelos predizem,
estabelecendo-se, dessa forma, dinâmicas que não se encaixam nos modelos teóricos.
Vamos embarcar nessa jornada na tentativa de compreender quais os elementos em um sistema
eleitoral que influenciam quantos partidos se constituirão como polos importantes em uma
democracia representativa.
1 / 3
˨ Material Teórico
Os Diferentes Sistemas Eleitorais
Como dito anteriormente, a escolha do sistema eleitoral é uma das decisões mais importantes
para qualquer democracia. No entanto, está decisão raramente é tomada de forma consciente e
deliberada, normalmente, a escolha do sistema eleitoral é acidental, resultando de uma
combinação de circunstâncias (tendências de organização política, peculiaridades históricas,
passado colonial, a influência de outros países e organizações internacionais, etc.) (REYNOLDS;
REILLY, 2016).
Reflita 
O desenho do sistema eleitoral é de grande importância para as
sociedades, uma vez que pode criar incentivos para a cooperação e a
acomodação política em uma sociedade dividida.
Saiba Mais 
A Organização das Nações Unidas presta assistência no desenho de
sistemas eleitorais, principalmente para países que estão passando por
transição de regime político.
De qualquer forma, a escolha de um determinado sistema eleitoral tem efeitos profundos na vida
política dos países. Na maioria dos casos, os sistemas eleitorais, uma vez escolhidos,
permanecem razoavelmente constantes à medida que os interesses políticos se solidificam e
respondem aos incentivos apresentados por eles (REYNOLDS; REILLY, 2016), cristalizando,
assim, interesses.
Para podermos entender melhor o assunto, vamos fazer breves explanações sobre os sistemas
eleitorais. Existe uma grande variedade de sistemas eleitorais, mas, de forma geral, se
enquadram em três grandes famílias: sistema majoritário, sistemas mistos e o sistema
proporcional. Estas três famílias podem apresentar variações de acordo com a fórmula
matemática para o preenchimento dos assentos e a magnitude dos distritos.
No sistema majoritário, o princípio definidor é que o vencedor se dá por meio da conquista da
maioria relativa ou por maioria absoluta. Neste sistema, a representação política é determinada
por território, sendo o limite deste território, do alcance da representação e também do
eleitorado (SILVA NETO; AMARAL, 2014), como um exemplo, pode-se ver no mapa da divisão
territorial dos distritos eleitorais no Sri Lanka (Figura 1).
Figura 1 – Distritos eleitorais no Sri Lanka e eleitores
registrados
Fonte: Reprodução
Para Paulo Bonavides (2000), um dos grandes pontos positivos deste sistema é que a luta
eleitoral tem um caráter competitivo e educacional. Nesse sentido, o eleitor não vota em uma
ideia ou partido, em termos abstratos, mas em pessoas com respostas ou soluções objetivas a
problemas concretos de governo que afetam a região onde moram. Por outro lado, os críticos
chamam a atenção para o fato de que uma parte considerável dos votos não obterá
representação, tendo em vista que somente os mais votados serão eleitos.
Já nos sistemas de representação proporcional se busca reduzir a disparidade entre a
participação de um partido nos votos nacionais e sua participação nos assentos parlamentares,
por exemplo, se um partido maior ganha 40% dos votos, irá conquistar, aproximadamente, 40%
das cadeiras, e um partido menor, com 10% dos votos, deve ter 10% das cadeiras parlamentares
(REYNOLDS; REILLY, 2016). Dessa forma, os partidos pequenos também irão obter
representação.
Os sistemas semiproporcionais buscam conjugar características dos dois sistemas anteriores. O
mais comumente utilizados é o Voto Único Não Transferível, onde cada eleitor tem direito a um
voto, mas há várias vagas no distrito a serem preenchidas e os candidatos com o maior número
de votos ocupam essas vagas. Assim, um distrito de quatro membros, por exemplo, seria
necessário, em média, apenas pouco mais de 20% dos votos para ser eleito (isso permite a
eleição de candidatos de partidos minoritários). Outra forma é o sistema paralelo, no qual são
utilizadas listas de representação proporcional e distritos de maioria plural (REYNOLDS; REILLY,
2016).
De maneira geral, os diferentes sistemas eleitorais existentes irão se distribuir dentro das três
matrizes descritas. Na Figura 2, podemos observar os sistemas eleitorais adotados ao redor do
globo e nota-se que a maior parte dos países adota o sistema majoritário ou o sistema
proporcional.
Figura 2 – Sistemas eleitorais ao redor do globo
Fonte: Adaptada de INTERNATIONAL IDEA, 2016
Como se pôde observar na Figura 2, o sistema proporcional é o mais empregado na América
Latina, sendo utilizado em 15 dos 20 países da região, entre os quais estão o Brasil, a Argentina e
Colômbia. O sistema proporcional também é amplamente utilizado na Europa, sendo utilizado
em 29 dos 37 países da região.
É importante termos em mente que muito do desenho constitucional dos sistemas eleitorais
ocorreu relativamente recentemente. O movimento mundial em direção à governança
democrática nas décadas de 1980 e 1990 estimulou uma busca de fórmulas que embasasse
modelos de representação governamental estáveis e duradouros (REYNOLDS; REILLY, 2016).
Tendo em vista que os sistemas majoritário e proporcional são os mais utilizados, é importante
para o nosso estudo que analisemos as consequências desses sistemas eleitorais para o sistema
partidário, uma vez que tal estruturação também é um determinante para quantos partidos serão
relevantes no jogo político e de como esses irão se organizar.
Análise do Efeito dos Sistemas Eleitorais
Os sistemas eleitorais produzem diversos efeitos em relação à representação (como
mencionado no tópico anterior): número de partidos e participação de grupos sociais, como de
mulheres e pessoas com deficiência no parlamento, bem como no comportamento dos
eleitores. No entanto, nesta Unidade enfocaremos principalmente a nossa atenção nas
Saiba Mais 
Nos últimos anos, em cenários de instituição do regime democrático
em sociedades com intensas divisões étnicas e religiosas tem se
recomendado a utilização do sistema proporcional, uma vez que
oferece aos grupos minoritários, dispersos pelo território, maiores
chances de obter representação (NICOLAU, 2012).
consequências do sistema eleitoral para o sistema partidário, tendo em vista que este é o
objetivo de nossa disciplina.
Quantos partidos irão existir em uma democracia
é fruto de uma série de fatores, que envolvem:
a existência de divisões sociais (como no caso de minorias separatistas que se mobilizam em
partidos), grau de institucionalização do sistema partidário, geografia do voto, legislação
partidária (mais ou menos restritiva), efeitos de regras institucionais (federalismo,
presidencialismo, ciclos eleitorais). Contudo, há grande consenso entre os cientistas políticos
que o sistema eleitoral adotado para a eleição do Legislativo tem um grande efeito na
configuração do número de partidos (NICOLAU, 2012).
Trocando Ideias... 
A chamada Onda Democrática, que foi constituída pelos processos de
redemocratização nos países do Leste Europeu e a América Latina, deu
origem a sistemas partidários instáveis, o que muitas vezes é atribuído
ao número excessivo de partidos, por conta do sistema proporcional.
Porém, podemos observar, na Figura 2, que há países que empregam o
sistema proporcional e que contam com um sistema partidário
bastante sólido, o que sugere que as causas da baixa
institucionalização dos partidos políticos podem estar associadas a
outras causas, como a cultura política, tendo em vista que é uma
característica comum desses países as quebras de regime.
Há décadas cientistas políticos tentam estabelecer uma correlação confiável entre o número de
partidos e o sistema eleitoral, a fim de prover ferramentas para que se possa prever os efeitos
das leis eleitorais e, assim, melhorar a racionalidade no desenho do sistema para atender às
necessidades das diferentes sociedades e tentar minimizar problemas sociais, como a
incorporação de setores com relevância política sem representação ao sistema político.
Saiba Mais 
Argumentos para uma reforma eleitoral nas Filipinas 
Os arranjos eleitorais estabelecidos pela Constituição filipina de 1987,
transformaram os partidos políticos em convenientes veículos de
favorecimento, em vez de entidades programáticas. 
A proliferação e a falta de coesão política são fruto das eleições
separadas para presidente e vice-presidente (que podem vir de dois
partidos diferentes), e o atual sistema eleitoral de pluralidade
multipartidária, que incentiva a competição intrapartidária; e o
sistema de lista partidária das Filipinas, cujo limite máximo de três
cadeiras viola o princípio da proporcionalidade (ENCARNACION,
2019).
Para Blanc, Hylland e Vollan (2005), uma reforma eleitoral pode
contribuir para melhorar as garantias de representação. Em particular,
a questão da representação de grupos minoritários é uma questão de
importância geral. A representação significativa para todos os grupos
Existem duas principais vertentes de análise para tentar prever o número de partidos em
democracias: a primeira, que tem como referência as obras de Maurice Duverger e Giovanni
Sartori, enfoca a natureza do sistema eleitoral, ou seja, as estruturas institucionais são as
principais forças motrizes na determinação do número de partidos; a segunda abordagem está
associada às obras de Anthony Downs e Seymour Martin Lipset e Stein Rokkan, onde o foco está
na natureza e magnitude das clivagens ideológicas dentro de uma sociedade, nesta visão, a
ideologia tem um papel fundamental para o número de partidos (TAAGEPERA; GROFMAN, 1985).
Vamos entender um pouco mais dessas abordagens.
As conhecidas Leis de Duverger, postulam que: a) o sistema majoritário de um só turno tende ao
dualismo dos partidos; e b) o sistema majoritário de dois turnos e a representação proporcional
tendem ao multipartidarismo. Além disso, o autor argumenta que sistemas majoritários de dois
turnos tendem ao multipartidarismo.
As Leis de Duverger foram amplamente utilizadas em estudos empíricos que confirmaram suas
hipóteses. Por exemplo, os Estados Unidos têm eleições majoritárias distritais de um só turno e
constituem uma política bipartidária, dentre outros países que confirmam a hipótese. Dos
principais países que usam eleições majoritárias, apenas a Índia carece de um sistema
bipartidário (NICOLAU; SCHMITT, 1995; TAAGEPERA; GROFMAN, 1985), e o Canadá, que
apresenta um sistema partidário com características divergentes do que seria esperado pelas
Leis de Duverger.
pode ser uma parte importante da solução potencial para a insurgência
comunista mais generalizada, a fim de criar confiança de que uma
eleição dará uma representação justa. Esta poderia, portanto, ser uma
das muitas medidas para atrair os comunistas para o processo
eleitoral.
Saiba Mais 
Canadá: um caso desviante 
O Canadá é um caso que diverge das Leis de Duverger. O país organiza
as eleições por meio de distritos majoritários, o que tenderia à uma
política bipartidária, mas o país conta com três partidos principais:
Partido Liberal, Partido Conservador e o Partido Novos Democratas.
Além disso, os partidos principais, no jogo político local, nem sempre
são os mesmos em todo o país (TAAGEPERA; GROFMAN, 1985), como
no caso de Quebec, onde o Bloc Québécois tem um papel importante que
se limita à província, uma vez que sua principal plataforma se refere às
demandas separatistas da província do Quebec, como demonstrado no
slogan da Figura 3: “O Quebec, somos nós”.
Figura 3 – Discurso Bloc Québécois
Fonte: Reprodução
O caso do Canadá, mostra uma situação na qual a tendência ao multipartidarismo, nos termos da
Lei de Duverger, não se concretizou por conta das clivagens identitárias da província do Quebec,
que têm um papel importante para a constituição do partido Bloc Québécois, com ação local
significativa, mas pouco apelo nacional, o que configura um quadro no qual os principais
partidos nacionais não são os mesmos que na província.
Já no que se refere à tendência a um maior número de partidos em sistemas proporcionais, o
caso da Irlanda foge às predições de Duverger, uma vez que, no país, apesar de adotar o uso do
Sistema de Voto Único não Transferível, o número de partidos decaiu. No entanto, Taagepera e
Grofman (1985) argumentam que a representação proporcional não leva, automaticamente, ao
aumento do número de partidos políticos ao longo do tempo, mas sim que a hipótese de
Duverger é que o sistema eleitoral proporcional torna mais fácil ter mais de dois partidos
principais do que no majoritário.
Glossário 
Voto Único não Transferível: é um sistema no qual cada eleitor dá um
voto a um candidato, mas existe mais de uma vaga a ser preenchida em
cada distrito eleitoral. Os candidatos com os totais de votos mais altos
preenchem essas posições.  Por exemplo, num distrito de quatro
membros, um candidato com pouco mais de 20% dos votos tem eleição
garantida. Um partido com 50% dos votos poderia, portanto, esperar
ganhar duas cadeiras em um distrito de quatro membros. Se cada
candidato obtiver 25% de votos, isso acontecerá. Se, entretanto, um
candidato conseguir 40% e o outro 10%, o segundo candidato não
poderá ser eleito. Se o partido apresentar três candidatos, o perigo de
"divisão de votos" torna ainda menos provável que o partido conquiste
dois assentos (THE ELECTORAL KNOWLEDGE NETWORK, 2021).
Giovani Sartori, dialogando com as Leis de Duverger, propõe duas hipóteses: a) fórmulas de
maioria simples favorecem um formato bipartidário e, inversamente, dificultam o
multipartidarismo; b) fórmulas de representação proporcional favorecem o multipartidarimo e,
inversamente, dificilmente produzem o bipartidarismo (NICOLAU; SCHMITT, 1995).
Nesse sentido, Sartori argumenta que os sistemas eleitorais podem ser fortes ou fracos. Os
sistemas fortes são aqueles que institucionalizam restrições, coerções e manipulações sobre os
partidos, enquanto que os sistemas fracos são mais liberais e menos restritivos (NICOLAU,
2012).
Além das proposições citadas, Giovanni Sartori, buscando flexibilizar as Leis de Duverger,
argumenta que a variável mais importante para a configuração do número de partidos em um
sistema de representação proporcional com vários membros é a magnitude do distrito (o
número de assentos no distrito) (TAAGEPERA;
GROFMAN, 1985). Dentro desta lógica, quanto
maior for a magnitude do distrito, ou seja, quanto mais cadeiras legislativas, um maior número
de partidos políticos terá condições de concorrer, criando condições para o estabelecimento do
multipartidarismo.
Saiba Mais 
O sistema de maioria simples, em que apenas um partido pode obter a
cadeira em disputa no distrito e outros ficam de fora, é um exemplo de
sistema forte (NICOLAU, 2012), como no caso da eleição para a Casa
dos Representantes nos Estados Unidos.
É importante levar em consideração que a realidade nem sempre se comporta como esperado
pelos modelos. Portanto, tanto as previsões de Duverger quanto as de Sartori são tendências,
podendo ser analisadas em termos de probabilística, uma vez que outros fatores, como as
clivagens ideológicas dentro da sociedade, podem influenciar também no número de partidos,
como se pode observar no caso do Canadá. 
No que tange aos fatores ideológicos é mais difícil encontrar proposições testáveis. Nesse
sentido, Seymour Martin Lipset e Stein Rokkan e Arend Lijphart, em termos gerais, defendem
que quanto mais eixos de clivagens houver em uma sociedade, maior será o número de partidos
políticos (TAAGEPERA; GROFMAN, 1985).
Agora que conhecemos as abordagens acerca dos efeitos do sistema eleitoral no sistema
partidário, temos que compreender por meio de quais mecanismos essa influência atua, os mais
relevantes são os efeitos mecânico e psicológico de Duverger (NICOLAU; SCHMITT, 1995).
Um sistema de representação proporcional em distritos de grande
magnitude, onde os pequenos partidos têm chance de obter
representação é um exemplo de sistema fraco (NICOLAU, 2012), como
no caso da eleição para a Câmara dos Deputados no Brasil.
Para estes autores, esta dinâmica é
independente da natureza do sistema eleitoral.
O efeito mecânico de Duverger se refere à conversão, puramente matemática, de cotas de voto
em assentos no Legislativo e não está sujeito à intervenção humana. Observando este efeito,
constatou-se que todos os sistemas eleitorais existentes nas democracias tendem a sub-
representar os partidos menores e sobre-representar os maiores. Tal tendência se manifesta
tanto nos sistemas eleitorais de distrito único nacional, quanto onde se utiliza fórmulas
proporcionais como a Sainte-Lague e a de Maiores Sobras. Portanto, mesmo fórmulas
proporcionais podem operar de maneira desproporcional, caso partidos recebam votações
abaixo do quociente eleitoral mínimo (HARFST et al., 2018; NICOLAU; SCHMITT, 1995).
Glossário 
Fórmula de Sainte-Lague: nesta fórmula, os votos são divididos pelo
dobro do número de cadeiras ganhas: adicione um – tornando os
divisores 1, 3, 5, etc. Esta fórmula tem o efeito de melhorar
ligeiramente a proporcionalidade entre os partidos e ser mais
favorável para partidos menores. Este método é utilizado em países
como Alemanha e Suécia (ELECTORAL REFORM SOCIETY, 2021).
Maiores Sobras: as fórmulas das maiores sobras operam em dois
estágios: o primeiro é o cálculo de uma cota, que servirá como
denominador da divisão de votos dos partidos. Um partido político
obterá tantas cadeiras quantas vezes atingir a cota. Normalmente,
após a distribuição das cadeiras pela cota, algumas cadeiras não são
preenchidas. Em um segundo estágio, as cadeiras restantes são
alocadas para os partidos cujos votos mais se aproximaram da cota, ou
seja, os que tiveram as maiores sobras (NICOLAU, 2012).
Dessa forma, os partidos maiores são beneficiados com maior número de cadeiras e, os
menores, penalizados. A ligação entre competição partidária e regras eleitorais antecipa o
comportamento estratégico de eleitores, candidatos e organizações partidárias em resposta ao
efeito mecânico (HARFST et al., 2018; NICOLAU; SCHMITT, 1995).
Nesse sentido, o efeito mecânico pode desencorajar os eleitores a votarem nos partidos
pequenos para não desperdiçar seu voto, o que é conhecido como efeito psicológico de Duverger.
O efeito psicológico, ocorre da seguinte forma: um partido que recebe menos votos terá menos
votos nas eleições seguintes, por conta do efeito psicológico. Tal tendência necessita de pelo
menos duas eleições para ocorrer (NICOLAU; SCHMITT, 1995).
Estes mecanismos, além de influenciar o comportamento dos eleitores, influencia o
comportamento dos dirigentes partidários, na medida em que definem suas estratégias de
campanha a partir da intensidade com que o efeito mecânico influencia suas oportunidades
eleitorais. Este efeito psicológico é ainda acentuado pelas pesquisas eleitorais, uma vez que provê
incentivos para que os eleitores pratiquem o chamado “voto útil”. Na estratégia do voto útil, os
eleitores trocam seus candidatos preferidos por uma segunda alternativa com maiores
possibilidades de vitória (NICOLAU; SCHMITT, 1995). Esta lógica, faz com que os partidos
menores não sejam competitivos do ponto de vista eleitoral, dificultando a sua sobrevivência.
Nos sistemas proporcionais, a ação dos efeitos mecânico e psicológico são menores. Dessa
forma, os eleitores ficam livres para votar na sua primeira preferência, o que,
consequentemente, reduz os obstáculos à formação de novos partidos, ou seja, ao suspender os
efeitos mecânico e psicológico, eles suspendem os obstáculos à atividade da elite partidária e
eliminam os constrangimentos à manifestação das primeiras opções do eleitorado (NICOLAU;
SCHMITT, 1995).
É importante levarmos em consideração que tanto nos sistemas majoritários, como nos
proporcionais, levando em conta os efeitos mecânico e psicológico, nem todos os partidos
políticos serão uma força efetiva na disputa política. O número de partidos eleitorais efetivos é
afetado unicamente pelos efeitos psicológicos dos sistemas eleitorais – as expectativas sobre
como os votos serão traduzidos em cadeiras –, enquanto o número de partidos parlamentares
efetivos é influenciado tanto por tais expectativas (efeitos psicológicos) quanto pelo processo
real (mecânico) de tradução de votos em cadeira. Dito de outra maneira, o número de partidos
eleitorais efetivos tende a ser reduzido pelos efeitos psicológicos, mas qualquer redução
adicional do número de partidos eleitorais para o de partidos parlamentares é produzido
exclusivamente por fatores mecânicos (NICOLAU; SCHMITT, 1995).
Procurando compreender melhor tais dinâmicas, nos anos 1980, foi proposto o índice do
Número Efetivo de Partidos (NEP), exposto na Figura 4, para dimensionar o número de partidos
e o padrão de competição nas eleições. Este índice leva em conta, em seu cálculo, o número de
partidos e força relativa destes em votos ou representação parlamentar. Dentro desta lógica,
quanto mais alto o número efetivo de partidos, maior a dispersão partidária em uma eleição
(NICOLAU, 2012).
Trocando Ideias... 
Assim se constituem partidos políticos de vocação puramente
parlamentar: com baixo ou inexistente alcance para conquistar cargos
no executivo, como o Partido Socialista e Liberdade (PSOL).
Figura 4 – Número Efetivo de Partidos
Fonte: Adaptada de INSTITUTO MERCADO POPULAR, 2016
Na Figura 4, é possível observar o número efetivo de partidos e a fragmentação partidária ao
redor do globo. Para entendermos os parâmetros, vamos dar, como exemplo, o caso argentino: a
Argentina apresenta um número alto de partidos efetivos, o que representa uma alta
fragmentação partidária, como se pôde ver no gráfico.
Importante! 
Sistema eleitoral e representação feminina (Figura 5) 
Nas últimas décadas, a questão da representação de determinados
grupos demográficos tem ganhado destaque no debate sobre a
democratização das sociedades modernas e, dentre estes, um dos mais
importantes é a representação de mulheres nos parlamentos.
A representação de mulheres na política está relacionada a uma série de
fatores, como tradição cultural e religiosa, adoção de cotas para a
candidatura de mulheres nos partidos políticos, bem como a existência
de mecanismos não-eleitorais de representação feminina.
Mas é
consenso entre os estudos sobre o tema que o sistema eleitoral é um
fator para fomentar a representação feminina. Os estudos argumentam
que os sistemas proporcionais são mais favoráveis à representação de
mulheres (NICOLAU, 2012).
Figura 5 – Infográfico da presença feminina
Fonte: Reprodução
Em Síntese 
Como se pôde ver nesta Unidade, todos os sistemas eleitorais irão
apresentar vantagens e desvantagens. No entanto, um desenho
eleitoral, baseado nas condições históricas e sociais de um país, pode
ajudar a amenizar problemas como a fragmentação social. Assim, não
é possível levar em consideração somente os modelos analíticos na
hora de prever os efeitos do sistema eleitoral sobre o partidário, uma
vez que as questões ligadas à cultura política e às clivagens ideológicas
podem levar a resultados divergentes do que esperado pela literatura.
Em outras palavras, boas análises levarão em conta tanto os modelos
analíticos, como as particularidades históricas de cada democracia.
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:
  Site  
Electoral Psychology Observatory – EPO 
O Observatório de Psicologia Eleitoral (Electoral Psychology Observatory – EPO) é uma Unidade de
Pesquisa ambiciosa e inovadora na London School of Economics, que se dedica a pesquisas de
ponta sobre a psicologia dos eleitores e a otimizar a experiência eleitoral dos eleitores em geral e
dos eleitores com necessidades específicas (primeiro eleitores, eleitores com deficiência mental
ou de aprendizagem oculta, etc.), que é o que definimos como “ergonomia eleitoral”.
Clique no botão para conferir o conteúdo.
ACESSE
  Vídeos  
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˨ Material Complementar
America Votes: an Introduction to the U.S. Election System(s) 
O filme produzido pela International Foundation for Electoral System, America Votes: an
introduction to the U.S. election system(s) (2014), apresenta o complexo sistema eleitoral
estadunidense. As leis dos estados e territórios que regem a administração dessas eleições e,
juntas, constituem o sistema eleitoral. A natureza descentralizada das eleições nos Estados
Unidos é um produto do federalismo, da história e das tradições políticas.
Eastern Grafic 
O documentário Eastern Grafic (1975), dos direitores Michael McKennirey e Kent Martin,
examina a eleição na provincia da Ilha de Principe Eduardo de 1974, por meio das lentes do
jornal semanal da Ilha. Em um nível muito micro, temos uma boa visão da política de base e o
papel do jornal em cobri-la.
America Votes: An Introduction to the U.S. Election System(s)
Kill Chain: the cyber war on America’s elections 
O documentário Kill Chain: the cyber war on America’s elections (2020), dos diretores Simon
Ardizzone, Russel Michaels e Sarah Teale, dá um mergulho profundo nas fragilidades
tecnológicas da eleição estadunidense, uma questão que é pouco entendida pelo público ou
mesmo pelos legisladores.
Kill Chain: The Cyber War on America’s Elections (2020) | O�cial Tr…
BLANC, J.; HYLLAND, A.; VOLLAN, K. State Structure and Electoral Systems in Post-Conflict
Situations. Washington: Quality AS, 2005.
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