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A LE I DE D I R ET R IZ E S E B ASE S D A ED U C A Ç ÃO D E 19 96 
 
INTRODUÇÃO 
Após a leitura do Tópico anterior, podemos dar continuidade a nossos estudos, pois 
estamos aptos a compreender como a Lei de Diretrizes e Bases da Educação foi elaborada e de 
onde partiu sua fundamentação. 
Veremos também, neste Tópico, a relação que a LDB possui com o Sistema 
Educacional, suas mediações e a necessidade de sua presença neste sistema. 
Cabe ressaltar que serão tratadas temáticas voltadas à organização da LDB nas esferas 
Federal, Estadual e Municipal, chegando à instituição escolar. 
Esta caminhada retrata o que você, acadêmico, busca em sua formação profissional, o 
conhecimento, o reconhecimento e a capacidade de utilização destes documentos em sua 
construção profissional e pessoal. 
Então, vamos continuar nosso processo de construção e, por que não dizer, de 
reconstrução do conhecimento relativo às leis que regem a Educação brasileira! 
 
COMO SITUAR-SE SOBRE A LDB 
Inicialmente, vamos nos reportar ao quadro que foi apresentado a você referente às 
constituições no que diz respeito à educação (Quadro 2). Nesse quadro visualizamos que o 
caminho foi construído a partir de diversos interesses, incialmente voltados à corte imperial, 
logo depois, passados longos anos e o Brasil ter sofrido diversos fatos históricos, buscou levar 
a educação a todos como um direito através da elaboração de leis que pudessem abarcar essas 
necessidades. 
Devemos ter bem claro, caro acadêmico, que este movimento, que ainda ocorre e se faz 
necessário, não foi fácil, pois todo movimento relacionado à construção de novas regras leva, 
em muitos momentos, ao embate, em que a maneira de pensar de um não condiz com a forma 
de pensar do outro, criando inúmeras possibilidades de conflitos que devem ser ao final levados 
a um denominador comum. Como afirma Carneiro (2015, p. 27), “as disposições normativas 
do país no campo educacional são heterogêneas e nem sempre harmônicas e congruentes”. 
Congruente; congruência: Harmonia duma coisa com o fim a que se destina; coerência 
(FERREIRA, 2001, p.186). 
Assim, podemos determinar que a LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação – está 
inserida, como relatado anteriormente, na Constituição Federal. Conforme Carneiro (2015, p. 
27): 
A Lei da Educação deve trazer certeza e ordem de um lado e, de outro, deve ser 
mediadora entre imposições da estabilidade e as exigências da evolução social. Mas deve, 
sobretudo, ser um roteiro seguro de conceitos, caminhos, condutas e conclusões sob a inspiração 
da constituição. 
Observe que a LDB também possui sua caminhada histórica, e vamos nos ater a ela 
neste momento. 
A primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional foi a Lei nº 4.024, de 20 de 
dezembro de 1961, foi difícil sua elaboração, pois foi deixada correr de maneira frouxa, sem 
acompanhamento de perto. Como afirma Carneiro (2015, p. 35-36): 
 
Entre a chegada do texto à Câmara Federal, em outubro de 1948, e o início dos debates 
sobre o texto, em maio de 1957, decorreram oito anos e meio. Daí, até a aprovação, em 20 de 
dezembro de 1961, mais quatro anos e sete meses! Ou seja, entre encaminhamento, as 
discussões e a aprovação do texto, passaram-se treze anos. 
Observa-se que neste caminho, muitos foram os embates, chegando o texto a ser 
aprovado no ano de 1961, um marco histórico para a Educação Brasileira, pois os eixos 
principais deste documento relatavam: 
i) Dos Fins da Educação 
ii) Do Direito à Educação 
iii) Da Liberdade de Ensino 
iv) Da Administração do Ensino 
v) Dos Sistemas de Ensino 
vi) Da Educação de Grau Primário 
vii) Da Assistência Social escolar 
viii) Dos Recursos para a Educação (CARNEIRO, 2015, p. 36). 
Com estes eixos, podemos perceber que a Educação Brasileira passa a ter um 
movimento linear em sua estruturação. 
Após este movimento, já no ano de 1971, surge a nossa segunda Lei de Diretrizes e 
Bases, a Lei 5.692/71, a qual recebeu o nome oficial de Lei da Reforma do Ensino de 1º e 2º 
Graus, conforme Carneiro (2015, p. 36), caracterizada com uma gestação lenta e que também 
foi vista como um processo atípico, “em função do contexto político em que foi gestada: período 
de governo discricionário com as liberdades civis estranguladas”. 
A terceira LDB foi a Lei 9.394/1996. Esta lei também teve sua construção complicada, 
pois possui em sua base a passagem de vários governos e, conforme Carneiro (2015, p. 37), 
“[...] marcados por fortes contradições ideológicas, sua tramitação foi longa, conflitiva, intensa, 
detalhista e ambientada em contextos de correlações de forças ora emancipatórias, ora 
paralisantes”. 
O início da construção deste novo documento aconteceu em 1988, mas perpassou por 
três governos, a saber: José Sarney, Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso. 
Diante deste quadro, muitos anos foram necessários para sua construção e 
desconstrução, pois com as mudanças de governo, mudavam-se as formas de compreender as 
políticas públicas envolvendo a educação. 
A discussão e tramitação da Lei 9.394/1996 no Congresso Nacional prolongaram-se, 
[...], pois passou por várias relatorias, teve vários substitutivos, ziguezagueou da Câmara para 
o Senado e vice-versa em ritmo de fluxo legislativo variado, submetida a movimentações 
burocráticas e de técnica legislativa que traduziam, com esforços ora explícitos, ora camuflados, 
um percurso tortuoso de conflitos ideológicos e de interesses contraditórios (CARNEIRO, 
2015, p. 38). 
Observa-se que os interesses aqui envolvidos estavam voltados para uma “visão 
agudamente desigual dos mecanismos de controle social, a partir dos espaços de governo e das 
escalas de comando dos protagonistas e atores do palco educacional, sobretudo daqueles 
posicionados na ponta do sistema: a escola” (CARNEIRO, 2015, p. 38). 
Com isso, a construção desta nova Lei foi determinante no que diz respeito à busca do 
diálogo, pois “há de se reconhecer que o tempo ensinou o que ainda não se aprendera com o 
 
tempo: a estratégia das Conciliações abertas, na feliz expressão do sociólogo e deputado federal 
Florestan Fernandes” (CARNEIRO, 2015, p. 38). 
Diante do exposto, podemos determinar que todos os embates ficaram focados 
diretamente em três blocos apresentados pelo professor Moaci Alves Carneiro, integrante da 
equipe que auxiliou na elaboração do texto final da LDB. Ficaram assim elencados: 
QUADRO 3 – ETAPAS DE ESTUDO DA FORMAÇÃO DA LDB 9.394/96 
 
FONTE: CARNEIRO, Moaci Alves. LDB fácil: Leitura crítica e compreensiva artigo a artigo (2015, p. 39-40). 
 
Com o que foi apresentado acima, podemos destacar que os avanços ocorreram e 
estamos colhendo na atualidade alguns destes frutos. 
A Lei 9.394 é aprovada pelo plenário do Senado Federal em 8 de fevereiro de 1996, 
conforme Carneiro (2015 p. 41-42), “[...] retornando, em sucessivo, à Câmara dos Deputados. 
Ali, o Substitutivo originário do Senado recebe outro relator, incorpora emendas e é, afinal, 
aprovado sem vetos, assumindo a forma da Lei 9.394/1996”. 
 
A Lei 9.934/96 pode ser encontrada em sua escola ou no site do Ministério da Educação: 
, consulte. 
Carneiro (2015, p. 42) afirma que ao texto atualizado da LDB, atribui-se quatro 
comprovações referentes à educação e sua aplicabilidade, assim apresentadas por ele: 
I. A educação é um campo estratégico de lutas políticas entre forças de permanência e forças 
da mudança. Para as primeiras, a educação é um ‘produto’, para as segundas um ‘processo’. 
II. O ambiente político que hospedou as longas, detalhadas, conflitivas e contraditórias agendas 
de debate político, no âmbito do processo de elaboração da atual LDB, foi marcado por esforços 
continuados de desqualificar o Fórum Nacional em Defesa da Escola Pública na LDB e, ainda, 
de elidir o esforço do Bloco Parlamentartem mostrado que somente ações de rotina são incapazes de levar a sociedade 
brasileira a ultrapassagem de índices educacionais desfavoráveis, mesmo quando comparamos 
o Brasil com alguns países da América Latina (CARNEIRO, 2015, p. 798). 
Com estas palavras, podemos parar para refletir um pouco: será que foi conquistada a 
educação universal para nossa população, conforme apresentado em artigos anteriores? Como 
fechamento deste título da LDB, citamos Carneiro (2015, p. 799), o qual diz que: 
A ideia não passou de uma utopia jamais realizada, exatamente porque em educação, 
antes de marcar o curso dos processos, é necessário demarcar os recursos para os 
procedimentos. [...]. Em 2015, exibi-los, ainda, uma enorme população analfabeta: 9% da 
população brasileira! Isto sem esquecer nosso altíssimo percentual de analfabetos funcionais. 
Caro acadêmico, talvez você esteja se sentindo cansado com essa leitura, mas é 
necessária para que nos sintamos instigados a modificar o quadro que se apresenta na nossa 
realidade educacional. 
Assim, faça a autoatividade para verificar se conseguiu adquirir mais conhecimentos 
relativos à Lei de Diretrizes e Bases da Educação. 
 
R e s um o d o Tó pic o 
Neste tópico, você aprendeu que: 
• A LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação está inserida na Constituição Federal. 
• A primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional foi a Lei nº 4.024, de 20 de 
dezembro de 1961, foi difícil sua elaboração, pois foi deixada correr de maneira frouxa, sem 
acompanhamento de perto. 
• No ano de 1971 surge a nossa segunda Lei de Diretrizes e Bases, a Lei nº 5.692/71, a qual 
recebeu o nome oficial de Lei da Reforma do Ensino de 1° e 2º Graus. 
• A terceira LDB foi a Lei nº 9.394/1996. 
• A LDB é vista como “a maior de todas as políticas públicas regulatórias, pois sua estrutura 
define as relações, os acordos e os conflitos que podem se desenrolar no âmbito da educação 
brasileira” (SANTOS, 2012, p. 30). 
• Da Educação: Art. 1º “A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na 
vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos 
movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais” (BRASIL, 
1996). 
• Deveres do Estado: este título é formado por quatro artigos, art. 4º, 5º, 6º e 7º, que tratam dos 
deveres e responsabilidades do Estado e da sociedade civil no que tange à educação escolar. 
 
• Organização da Educação Nacional: este título vai do art. 8º ao art. 20, que trata da 
organização da educação nacional, apresentando as competências de cada nível da federação, 
sendo eles: União, Estados, Distrito Federal e municípios. Ressalta-se que neste momento da 
organização da educação nacional todos os segmentos, União, Estados e Municípios devem 
buscar um trabalho de colaboração que auxilie na aplicação das políticas públicas. 
• Dos Profissionais da Educação: este título IV é composto por seis artigos, art. 61 a 67. Esses 
artigos buscam definir quem são os profissionais da educação. Também é tratado de sua 
formação profissional. 
• Dos Recursos Financeiros: esse título é formado por nove artigos, os quais vão do art. 68 ao 
77, dando ênfase aos recursos destinados à educação. 
• Das Disposições Gerais: neste título estão apresentados os artigos 78 a 86, que tratam sobre a 
regulação específica relativa a questões que abarcam desde a educação indígena, educação de 
jovens e adultos (EJA) chegando à educação a distância. 
• O Título IX – Das Disposições Transitórias é composto por seis artigos que vão do art. 87 ao 
art. 92. Conforme Santos (2012, p. 54), “nele estão definidas ações legais com abrangência 
futura, e a partir dele é possível perceber que a atual LDB revoga todas as Leis de Diretrizes e 
Bases anteriores”. 
• Das Disposições Transitórias: o Artigo 87 institui a Década da Educação que se inicia em 
1997, onde se passa a realizar diversas políticas que fomentam a melhoria da educação em 
nosso país.em Defesa da Educação Pública, formado e 
consolidado ao longo da Constituinte. 
III. A inversão dos mecanismos de controle político, com a prevalência da vontade onipotente 
do Executivo sobre o Legislativo, deslocou os focos relacionais entre 
Educação/Estado/Sociedade/Economia/Cultura. 
IV. A mobilização da sociedade civil organizada constitui empuxe fundamental para remover 
tentativas de descaminhos do estado e de desvios do Poder Político. No caso em tela, os 
veementes protestos de entidades e atores do campo educacional, as manifestações dirigidas ao 
Parlamento Nacional e ao MEC, os encontros locais, regionais e nacionais – com destaque para 
o I Congresso Nacional em Defesa da Escola Pública (julho/agosto de 1996, em Belo Horizonte, 
reunindo mais de cinco mil participantes) e, ainda, o trabalho incansável e vigilante do Fórum 
junto ao Congresso Nacional, com o apoio da imprensa, foram fatores decisivos para assegurar 
o caminho de avanços desejados. Pode-se dizer que este conjunto de forças e iniciativas de 
mobilização política contribuiu significativamente para conter o alargamento de deformações 
no texto em curso legislativo e, assim, para desenhar um campo normativo-educacional mais 
consentâneo com a realidade democrática do país. 
Estas comprovações denotam que a caminhada para termos hoje a Lei de Diretrizes e 
Bases da Educação nº 9.394/96 não foi algo fácil, ocorreram forças que sentiam a necessidade 
de determinar o que, como e qual leitura deveria ser feita sobre este documento. 
Em relação aos blocos apresentados anteriormente, podemos determinar que esta LDB 
trouxe avanços significativos em vários momentos de sua escrita. Os avanços estão 
apresentados na defesa da escola pública, na defesa ao profissional da educação, na maneira 
como o Estado organiza e oferece a Educação Superior, dentre outros. Com isso, podemos 
determinar que a LDB é e está em constante transformação. 
Caro acadêmico, para alguns, o que vimos até o momento pode ser determinado como 
algo dispensável, mas não o é, pois estes movimentos históricos vivenciados na construção 
tanto da Constituição como da Lei de Diretrizes e Bases devem ser vistos como “radiografias 
vivas dos antagonismos da sociedade brasileira e, sobretudo, como expressões de significações 
do passado e de matéria-prima para ressignificações no futuro, dentro de uma visão 
reinterpretada de novas possibilidades do Brasil como sociedade democrática” (CARNEIRO, 
2015, p. 43). 
Com isso podemos determinar que se necessita a cada momento redescobrir o que há de 
essencial dentro dos meios políticos e sociais, para assim reconstruirmos nossa história e 
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12907:legislacoes&catid=70:legislacoes
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12907:legislacoes&catid=70:legislacoes
 
modificar, se necessário, os caminhos na fortificação de leis mais flexíveis para a melhor 
condução da Educação no Brasil. 
 
A LDB E SUA ESTRUTURAÇÃO 
Caro acadêmico, diante do exposto até o momento, podemos determinar que a Lei de 
Diretrizes e Bases da Educação também possui uma estruturação, e possui, conforme Santos 
(2012 p. 30), “um status diferenciado”. 
Esse status caracteriza a LDB como “a maior de todas as políticas públicas regulatórias, 
pois sua estrutura define as relações, os acordos e os conflitos que podem se desenrolar no 
âmbito da educação brasileira” (SANTOS, 2012, p. 30). 
Ao tratarmos da estruturação da LDB, nos deparamos com um documento que passou e 
passa por modificações nos artigos, sendo estes modificados por diversos motivos. 
Quanto à estruturação do documento, podemos assim determiná-la: possui nove títulos, 
92 artigos, além de cinco capítulos, tendo o capítulo II cinco seções. 
Assim apresenta-se: 
Título I – Da educação 
Título II – Dos princípios e fins da educação nacional 
Título III – Do direito à educação e do dever de educar 
Título IV – Da organização da educação nacional 
Título V – Dos níveis e das modalidades de educação e ensino 
Capítulo I – Da composição dos níveis escolares 
Capítulo II – Da Educação Básica 
Seção I – Das disposições gerais 
Seção II – Da Educação Infantil 
Seção III – Do Ensino Fundamental 
Seção IV – Do Ensino Médio 
Seção IV-A – Da educação profissional técnica de nível médio 
Seção V – Da educação de jovens e adultos 
Capítulo III – Da educação profissional e tecnológica 
Capítulo IV – Da educação superior 
Capítulo V – Da educação especial 
Título VI – Dos profissionais da educação 
Título VII – Dos recursos financeiros 
Título VIII – Das disposições gerais 
Título IX – Das disposições transitórias 
Com esta exposição podemos compreender o que antes Carneiro (2015) nos apresentou em suas 
considerações sobre a construção da LDB. Possuímos um documento com largas possibilidades 
de mudanças sociais e políticas públicas que auxiliam na caminhada política educacional 
brasileira. 
Tanto a Constituição Federal como a LDB estão interligadas, dando, assim, condições de 
mesclar sua estruturação e alinhamentos. Para que você tenha maiores conhecimentos sobre a 
LDB na íntegra, solicitamos que busque nas páginas do Portal do Ministério da Educação esse 
documento, ou no link 
. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9394.htm
 
 
BREVE ANÁLISE DOS TÍTULOS DA LDB 
Faremos, agora, em algumas páginas a análise de cada título da LDB, para sua melhor 
compreensão e análise: 
Título I 
Da Educação 
Art. 1º A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na 
convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais 
e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais. 
§ 1º Esta Lei disciplina a educação escolar, que se desenvolve, predominantemente, por meio 
do ensino, em instituições próprias. 
§ 2º A educação escolar deverá vincular-se ao mundo do trabalho e à prática social (BRASIL, 
1996, grifo do original). 
Podemos observar que este artigo não trata somente da educação formal, mas da que 
ocorre também fora das universidades e das escolas (informal), como nos espaços da família, 
no trabalho, nas organizações sociais, nas associações, nos sindicatos, entre outros. 
Ainda neste artigo, no § 2º, quando trata da vinculação ao mundo do trabalho e a prática 
social, a educação passa a ser vista através de quatro conceitos estruturantes, assim apresentados 
por Carneiro (2015, p. 52, grifos do original): 
a) Prática social: atividade socialmente produzida, ao mesmo tempo, produtora de existência 
social. Significa, também, soma de processos históricos determinados pelas ações humanas. 
b) Mundo do trabalho: ambiente de construção de sobrevivência, mas também de transformação 
social. 
c) Movimentos sociais: esforços organizados de construção de espaços alternativos de 
organização coletiva com vistas à emancipação das coletividades. 
d) Manifestações culturais: expressões da cultura enquanto conceito antropológico. Reporta o 
mundo que o homem cria através de sua intervenção sobre a natureza, ou seja, através de seu 
trabalho. Neste sentido, não há cultura superior a outra, há, isto sim, culturas diferentes. 
Estes conceitos retratam o que nós, educadores, das mais diversas áreas necessitamos 
saber, e distinguir o que significa o mundo do trabalho de mercado do trabalho. 
De acordo com Carneiro (2015, p. 52), o mundo do trabalho é “o campo por excelência 
da realização humana e da construção coletiva da cidadania com qualidade de vida”. Com 
relação ao mercado de trabalho, o mesmo autor afirma que: “é lugar da empregabilidade, dos 
pontos fixos de ocupação e, portanto, da profissionalidade. E embora diferentes, estes conceitos 
se completam em uma visão unificadora de desenvolvimento e formação”. 
Ainda em relação a este parágrafo, podemos determinar que a escolaé o espaço que 
assegura a entrada do sujeito na vida intelectual, o auxiliando na construção de seus 
conhecimentos de forma sistematizada, conforme Carneiro (2015, p. 53): 
[...] ela abre os caminhos de todos e de cada um para uma relação criativa com o saber 
produzido pelo ser humano trabalhador. Ora se é verdade que o sujeito aprendente apropria-se 
de uma parte do patrimônio cultural humano, é também verdade que a conexão entre sujeito e 
saber – entre educação escolar e vida – se dá pelo trabalho. Por isso, pode-se dizer, em um certo 
sentido, que o primeiro princípio do saber é o trabalho, fonte de prática social. 
Título II 
 
Dos Princípios e Fins da Educação Nacional 
Art. 2º A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos 
ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu 
preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho (BRASIL, 1996, grifo 
do original). 
Observamos que a Constituição Federal possui escrita similar ao apresentado no Artigo 
2º. Encontramos, nesse artigo, as responsabilidades relativas ao Estado e às famílias no que se 
refere à Educação. 
Ao Estado cabe se organizar ou se balizar de maneira legal frente à educação, 
observando o que segue na Constituição Federal nos artigos 208 a 214 já apresentados 
anteriormente. Além do que apresenta a LDB (Lei 9.349/96) e o Estatuto da Criança e do 
Adolescente, Capítulo IV (Do Direito à Educação, à Cultura, ao Esporte e ao Lazer) (Lei 
8.069/90) (CARNEIRO, 2015). 
Quanto à finalidade da educação, ela se apresenta em três momentos, sendo eles: a 
obtenção do pleno desenvolvimento do educando, dando ao indivíduo dentro de sua 
aprendizagem um desenvolvimento suave e progressivo. Preparação para o exercício da 
cidadania: desenvolver o conceito de cidadania de maneira global, observando que esta 
construção é gradativa, necessita de observância. Qualificação para o trabalho: a escola 
necessita se organizar de maneira a repassar ao educando uma relação educação-trabalho, 
voltada para tornar o trabalho altamente produtivo e que o conhecimento construído possa 
auxiliar no desenvolvimento do educando. 
Art. 3º O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: 
I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; 
II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber; 
III - pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas; 
IV - respeito à liberdade e apreço à tolerância; 
V - coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; 
VI - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; 
VII - valorização do profissional da educação escolar; 
VIII - gestão democrática do ensino público, na forma desta Lei e da legislação dos sistemas de 
ensino; 
IX - garantia de padrão de qualidade; 
X - valorização da experiência extraescolar; 
XI - vinculação entre a educação escolar, o trabalho e as práticas sociais; 
XII - consideração com a diversidade étnico-racial (Incluído pela Lei nº 12.796, de 2013) 
(BRASIL, 1996). 
Nesse artigo temos 12 princípios, os quais devem nortear o ensino brasileiro. Sabemos 
que muitos desses princípios ainda estão em construção no que diz respeito a sua prática diária, 
mas denotam avanços ocorridos em nossa sociedade e na implementação dos direitos e 
garantias de qualidade e valorização dos profissionais da educação escolar, desenvolvimento 
de concepções pedagógicas e sua aceitação, além das questões relativas à diversidade étnico-
racial. 
 
 
 
Título III 
Do Direito à Educação e do Dever de Educar 
Este título é formado por quatro artigos, art. 4º, 5º, 6º e 7º que tratam dos deveres e 
responsabilidades do Estado e da sociedade civil, no que tange à educação escolar. Podemos 
perceber que o artigo 4º sofreu mudanças através da Lei 12.796/2013, que amplia os níveis de 
educação escolar básica como gratuita e obrigatória, sendo assim delineados: Educação Infantil 
da Pré-escola, o Ensino Fundamental e o Ensino Médio. 
Você, acadêmico, já deve ter observado em sua escola, ou com seus familiares que 
possuem crianças em idade escolar, a mudança ocorrida no que diz respeito a matrículas. A 
partir de agora, os pais devem matricular seus filhos na Educação Infantil, a partir dos 4 anos, 
levando-os para a pré-escola. Cabe ressaltar que esta mudança ocorreu pelo fato de que 
anteriormente aos pais era obrigatória a matrícula a partir dos seis anos, sendo que a única forma 
de educação obrigatória era o Ensino Fundamental. 
Assim, a Pré-escola integra a Educação Infantil, a qual representa a primeira etapa da 
Educação Básica. 
Conforme Carneiro (2015, p. 92): “A Educação Infantil tem como finalidade o 
desenvolvimento integral da criança de até cinco anos de idade, com foco em quatro dimensões: 
A – desenvolvimento físico; B – desenvolvimento psicológico; C – desenvolvimento intelectual 
e D – desenvolvimento social”. 
Com relação ao Ensino Fundamental, pode-se afirmar que é uma sequência do que já 
foi iniciado na Educação Infantil, dando ênfase em: 
Seu desenvolvimento da capacidade de aprendizagem; aprofundamento no processo de 
alfabetização; compreendimento nas esferas cultural, social, natural, educacional, político e 
econômico, aproximando-se também das tecnologias, das artes, da cultura e dos valores em que 
a sociedade se fundamenta. Observa-se, também, a necessidade do fortalecimento dos vínculos 
familiares, a observância em relação à solidariedade humana (CARNEIRO, 2015, p. 97). 
Esta etapa da Educação Fundamental possui duração de nove anos obrigatórios e 
gratuitos. Assim organizados: Anos Iniciais (formado por cinco anos); Anos Finais (formado 
por quatro anos). 
O Ensino Médio passou por diversas mudanças, você, acadêmico, pode observar no 
Portal do MEC as diversas alterações, sendo que na atualidade este nível de ensino passa a ser 
como “oferta obrigatória universal e gratuita” (CARNEIRO, 2015, p. 103). Com esta dita 
universalização do Ensino Médio gratuito, ele passa a aliar três níveis de alcance. São eles, 
conforme Carneiro (2015, p. 103, grifos do original): 
Social, porque eleva o padrão de escolaridade do cidadão brasileiro, aprimorando os 
níveis de compreensão política em geral; cultural, porque ressitua as pessoas no contexto das 
diversas linguagens atuais, ampliando as chances de multiplicar os espaços dialógicos e 
interacionistas e, por fim, econômico, porque qualifica o trabalhador, ensejando uma relação 
profissional mais adequada com as transformações produtivas e com a TECNOCIÊNCIA. 
Cabe salientar que a organização do Ensino Médio tem como foco, conforme o art. 26, 
da Res. nº 04/2010-CNE, apresentado por Carneiro (2015, p. 105): 
a) A consolidação e o aprofundamento dos conhecimentos assimilados no Ensino Fundamental. 
b) A preparação básica para a cidadania e o trabalho. 
c) O desenvolvimento do aluno como pessoa humana. 
 
d) A formação ética e estética do aluno associada ao desenvolvimento da autonomia intelectual 
e do pensamento crítico. 
e) A compreensão dos fundamentos científicos e tecnológicos da produção contemporânea. 
f) A aquisição de competências e habilidades para continuar aprendendo ao longo da vida. 
Cabe aqui uma reflexão: frente a estas finalidades podemos nos ater ao que realmente 
está sendo realizado em nossas escolas. Em sua visão, o Ensino Médio possui estas ações ou 
fins em nosso cotidiano pedagógico? Estamos realizando estes movimentos para chegarmos a 
estes fins? 
Cabe ressaltar, também, a presença do “III - atendimento educacional especializado 
gratuito aos educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas 
habilidades ou superdotação, transversal a todos os níveis, etapas e modalidades, 
preferencialmente na rede regular de ensino; [...]” (Redação dada pela Lei nº 12.796, de 2013) 
(BRASIL, 2013). Este atendimentoeducacional especializado necessita de uma organização, a 
qual assim pode ser determinada, conforme Carneiro (2015, p. 122): 
i) Matrícula dos alunos preferencialmente nas escolas regulares e nas classes comuns; 
ii) Professores devidamente capacitados e especializados; 
iii) Flexibilizações e adaptações curriculares com foco no significado prático e instrumental dos 
conteúdos essenciais; 
iv) Metodologias de ensino e recursos didáticos diferenciados; 
v) Processos de avaliação adequados ao desenvolvimento dos alunos que apresentam 
necessidades educacionais especiais; 
vi) Projeto pedagógico permeável à diferença e à diversidade; 
vii) Serviços de apoio pedagógico especializado para complementação ou suplementação 
curricular, utilizando equipamentos e materiais específicos; 
viii) Rede de apoio interinstitucional que envolva equipes multidisciplinares a serem acionadas 
sempre que necessário para o sucesso do aluno em seu processo de aprendizagem. 
Caro acadêmico, você poderá se perguntar: como ocorre esta educação inclusiva, qual 
sua fundamentação? 
O fundamento da educação inclusiva, segundo a Declaração de Salamanca, é: “[...] que 
todas as crianças, sempre que possível, devem aprender juntas, independentemente de suas 
dificuldades e diferenças. A inclusão educativa é um movimento da sociedade planetária com 
três décadas de história, enraizada no respeito intransigente aos direitos humanos” 
(MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, 1994, p. 1). 
Ouve-se muito falar em educação inclusiva, assim, salientamos que o Brasil é um país 
que buscou alinhar seus parâmetros de conduta que implicam em ações e atitudes de todos os 
profissionais, sejam da esfera Federal, Estadual ou Municipal, incluindo os profissionais das 
escolas. 
• Aprender é uma ação humana em cuja centralidade está o aluno. 
• Adaptar o conteúdo escolar é ação do próprio aluno no âmbito do processo de autorregulação. 
• Modular a assimilação dos conhecimentos é processo dependente das limitações e 
possibilidades do aluno. 
• Reconhecer e valorizar as diferenças é o primeiro passo para a escola comum recriar suas 
práticas pedagógicas. 
 
• Trabalhar com uma gama variada de atividades é o grande desafio do professor da educação 
especial. 
• Aferir programas no campo da aprendizagem e, não, conferir quantidade de conteúdos 
programáticos aprendidos, é a forma adequada de proceder à avaliação dos alunos com 
deficiência. 
Com relação aos sujeitos da Educação Especial, a LDB possui seu olhar para o 
atendimento educacional especializado a três grupos, que são: os alunos com deficiência, os 
alunos com transtornos globais do desenvolvimento e os alunos com altas habilidades. 
Estas questões estudaremos com maior profundidade em cadernos como o de LIBRAS. 
Dando sequência aos estudos, vamos ao próximo título. 
 
Título IV 
Da Organização da Educação Nacional 
Este título vai do art. 8º ao 20, que trata da organização da educação nacional, 
apresentando as competências de cada nível da federação, sendo eles: União, Estados, Distrito 
Federal e Municípios. Ressalta-se que neste momento da organização da educação nacional 
todos os segmentos devem buscar um trabalho de colaboração que auxilie na aplicação das 
políticas públicas. 
Cada esfera possui suas responsabilidades, assim aferidas na LDB – Lei 9.349 
(BRASIL, 1996, grifo do original): 
Art. 9º A União incumbir-se-á de: (Regulamento) 
I - elaborar o Plano Nacional de Educação, em colaboração com os Estados, o Distrito Federal 
e os Municípios; 
II - organizar, manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais do sistema federal de ensino 
e o dos Territórios; 
III - prestar assistência técnica e financeira aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios 
para o desenvolvimento de seus sistemas de ensino e o atendimento prioritário à escolaridade 
obrigatória, exercendo sua função redistributiva e supletiva; 
IV - estabelecer, em colaboração com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, 
competências e diretrizes para a educação infantil, o ensino fundamental e o ensino médio, que 
nortearão os currículos e seus conteúdos mínimos, de modo a assegurar formação básica 
comum; 
IV - A - estabelecer, em colaboração com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, 
diretrizes e procedimentos para identificação, cadastramento e atendimento, na educação básica 
e na educação superior, de alunos com altas habilidades ou superdotação; (Incluído pela 
Lei nº 13.234, de 2015) 
V - coletar, analisar e disseminar informações sobre a educação; 
VI - assegurar processo nacional de avaliação do rendimento escolar no ensino fundamental, 
médio e superior, em colaboração com os sistemas de ensino, objetivando a definição de 
prioridades e a melhoria da qualidade do ensino; 
VII - baixar normas gerais sobre cursos de graduação e pós-graduação; 
VIII - assegurar processo nacional de avaliação das instituições de educação superior, com a 
cooperação dos sistemas que tiverem responsabilidade sobre este nível de ensino; 
 
IX - autorizar, reconhecer, credenciar, supervisionar e avaliar, respectivamente, os cursos das 
instituições de educação superior e os estabelecimentos do seu sistema de ensino. (Vide Lei 
nº 10.870, de 2004) 
§ 1º Na estrutura educacional, haverá um Conselho Nacional de Educação, com funções 
normativas e de supervisão e atividade permanente, criado por lei. 
§ 2° Para o cumprimento do disposto nos incisos V a IX, a União terá acesso a todos os dados 
e informações necessários de todos os estabelecimentos e órgãos educacionais. 
§ 3º As atribuições constantes do inciso IX poderão ser delegadas aos Estados e ao Distrito 
Federal, desde que mantenham instituições de educação superior. 
Tomamos a liberdade de apresentar na íntegra este documento, pois denota a 
importância de sabermos qual a responsabilidade de cada esfera federativa no que diz respeito 
à Educação. 
Observamos no Artigo 9º, que compete à União, a sistematização e análise dos dados 
oriundos de todas as redes de ensino. Caro acadêmico, você já ouviu falar sobre o Saeb (Sistema 
Nacional de Avaliação da Educação Básica) e o Sinaes (Sistema Nacional de Avaliação da 
Educação Superior)? Pois bem, trataremos deles mais adiante, mas podemos dizer que eles são 
mecanismos que a União utiliza para a sistematização e análise de dados educacionais. Os 
artigos a seguir tratam da incumbência dos Estados, Distrito Federal e Municípios (BRASIL, 
1996). 
Art. 10. Os Estados incumbir-se-ão de: 
I - organizar, manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais dos seus sistemas de ensino; 
II - definir, com os Municípios, formas de colaboração na oferta do ensino fundamental, as 
quais devem assegurar a distribuição proporcional das responsabilidades, de acordo com a 
população a ser atendida e os recursos financeiros disponíveis em cada uma dessas esferas do 
Poder Público; 
III - elaborar e executar políticas e planos educacionais, em consonância com as diretrizes e 
planos nacionais de educação, integrando e coordenando as suas ações e as dos seus 
Municípios; 
IV - autorizar, reconhecer, credenciar, supervisionar e avaliar, respectivamente, os cursos das 
instituições de educação superior e os estabelecimentos do seu sistema de ensino; 
V - baixar normas complementares para o seu sistema de ensino; 
VI - assegurar o ensino fundamental e oferecer, com prioridade, o ensino médio a todos que o 
demandarem, respeitado o disposto no art. 38 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 12.061, de 
2009). 
VII - assumir o transporte escolar dos alunos da rede estadual (Incluído pela Lei nº 10.709, de 
31.7.2003). 
Parágrafo único. Ao Distrito Federal aplicar-se-ão as competências referentes aos 
Estados e aos Municípios. 
Art. 11. Os Municípios incumbir-se-ão de: 
I - organizar, manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais dos seus sistemas de ensino, 
integrando-os às políticas e planos educacionaisda União e dos Estados; 
II - exercer ação redistributiva em relação as suas escolas; 
III - baixar normas complementares para o seu sistema de ensino; 
IV - autorizar, credenciar e supervisionar os estabelecimentos do seu sistema de ensino; 
 
V - oferecer a educação infantil em creches e pré-escolas, e, com prioridade, o ensino 
fundamental, permitida a atuação em outros níveis de ensino somente quando estiverem 
atendidas plenamente as necessidades de sua área de competência e com recursos acima dos 
percentuais mínimos vinculados pela Constituição Federal à manutenção e desenvolvimento do 
ensino. 
VI - assumir o transporte escolar dos alunos da rede municipal (Incluído pela Lei nº 
10.709, de 31.7.2003). 
Parágrafo único. Os Municípios poderão optar, ainda, por se integrar ao sistema estadual 
de ensino ou compor com ele um sistema único de educação básica. 
Conforme Santos (2012, p. 36), “também vale destacar que a redação da LDB aponta 
claramente para uma integração entre os sistemas de ensino municipal e estadual, coisa que 
ainda está muito longe de acontecer”. 
Observe, acadêmico, que tanto estados como municípios possuem autonomia de baixar 
normas complementares, desde que estas não arranhem os princípios gerais apresentados na Lei 
de Diretrizes e Bases da Educação. 
Já o Artigo 12 tem como funcionalidade apresentar as atribuições dos estabelecimentos 
de ensino (BRASIL, 1996): 
Art. 12. Os estabelecimentos de ensino, respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de 
ensino, terão a incumbência de: 
I - elaborar e executar sua proposta pedagógica; 
II - administrar seu pessoal e seus recursos materiais e financeiros; 
III - assegurar o cumprimento dos dias letivos e horas-aula estabelecidas; 
IV - velar pelo cumprimento do plano de trabalho de cada docente; 
V - prover meios para a recuperação dos alunos de menor rendimento; 
VI - articular-se com as famílias e a comunidade, criando processos de integração da sociedade 
com a escola; 
VII - informar os pais e responsáveis sobre a frequência e o rendimento dos alunos, bem como 
sobre a execução de sua proposta pedagógica; 
VII - informar pai e mãe, conviventes ou não com seus filhos, e, se for o caso, os responsáveis 
legais, sobre a frequência e rendimento dos alunos, bem como sobre a execução da proposta 
pedagógica da escola; (Redação dada pela Lei nº 12.013, de 2009) 
VIII – notificar ao Conselho Tutelar do Município, ao juiz competente da Comarca e ao 
respectivo representante do Ministério Público a relação dos alunos que apresentem quantidade 
de faltas acima de cinquenta por cento do percentual permitido em lei (Incluído pela Lei nº 
10.287, de 2001). 
Percebemos quais são as incumbências do estabelecimento educacional em relação ao 
seu funcionamento. Cabendo observância no cumprimento das horas-aula, dos dias letivos. 
Observa-se, também, a presença da sociedade civil no que diz respeito ao número elevado de 
faltas do educando, tendo a escola a responsabilidade de acionar o Conselho Tutelar. Podemos, 
ainda, ousar em dizer que todo o artigo busca a gestão compartilhada, sendo a responsabilidade 
participada entre Estado, escola e a sociedade civil. Cabe ressaltar também as incumbências do 
profissional da educação, que estão assim alinhadas na LDB: 
Art. 13. Os docentes incumbir-se-ão de: 
I - participar da elaboração da proposta pedagógica do estabelecimento de ensino; 
 
II - elaborar e cumprir plano de trabalho, segundo a proposta pedagógica do estabelecimento 
de ensino; 
III - zelar pela aprendizagem dos alunos; 
IV - estabelecer estratégias de recuperação para os alunos de menor rendimento; 
V - ministrar os dias letivos e horas-aula estabelecidos, além de participar integralmente dos 
períodos dedicados ao planejamento, à avaliação e ao desenvolvimento profissional; 
VI - colaborar com as atividades de articulação da escola com as famílias e a comunidade. 
Observamos nesse artigo que os profissionais da educação são chamados a se posicionar 
como profissionais da educação, e não como meros coadjuvantes do sistema educacional. 
Sabemos das lacunas existentes dentro do sistema educacional, principalmente no que tange à 
valorização do professor, mas necessitamos buscar meios para que este quadro se modifique. 
Para isso, necessitamos fazer o que você está realizando agora, a busca do conhecimento das 
leis, de nossos deveres e de nossos direitos neste processo. 
Visto isso, vamos utilizar as palavras de Santos (2012, p. 38), que se refere aos demais 
artigos deste título IV: 
No que alude aos sistemas de ensino, os arts. 14 e 15 atribuem-lhes a responsabilidade 
de promover a gestão democrática do público, além de assegurar autonomia administrativa e 
pedagógica às unidades que os compõem. 
Os arts. 16, 17 e 18 definem a área de abrangência de cada sistema de ensino. A esse 
respeito, cabe observar que, curiosamente, as instituições de educação infantil mantidas pela 
iniciativa privada integram os sistemas municipais de ensino, ainda que sua autonomia didático-
administrativa e financeira seja preservada. Já os arts. 19 e 20 regulamentam as definições de 
instituição pública (art.19) e privada (art.20) de ensino. 
Partiremos agora para o título que se refere aos níveis e modalidades de Educação e 
Ensino. 
 
Título V 
Dos Níveis e das Modalidades de Educação e Ensino 
Capítulo I 
Da Composição dos Níveis Escolares 
“Art. 21. A educação escolar compõe-se de: 
I - educação básica, formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio; 
II - educação superior” (BRASIL, 1996). 
Na sua estrutura educacional, a educação escolar possui esta organização: 
• Creche: três anos de duração. Destinado às crianças de 0 a 3 anos. 
• Pré-escola: dois anos de duração. Para crianças de 4 a 5 anos. 
• Ensino Fundamental: nove anos de duração. Para crianças de 6 a 14 anos. 
• Ensino Médio: mínimo de três anos de duração. Destinado a alunos de 15 a 17 anos 
(CARNEIRO, 2015, p. 142). 
De acordo com Carneiro (2015, p. 142): 
Quando as etapas e fases de aprendizagem circulam fora da previsão de idades regulares, 
assumem configurações diversas, de ensino não regular, voltada para o perfil de alunos que 
fogem à norma, como é o caso, entre outros, de estudantes com atraso de matrícula e/ou no 
percurso escolar, de jovens e adultos sem escolarização ou com esta incompleta. Para estas 
 
outras situações, há previsão na LDB (art. 24, Inc. V, alínea b e art. 37 e 38), e, desdobramento, 
na Res. CNE/CEB 4/2010, art. 21, parágrafo único). 
Do artigo 22 ao 60 vamos mostrar quais as habilidades que o profissional da educação 
deve possuir. O título V é o mais extenso, e que possui elevado número de ações, que enquanto 
profissional da educação ou futuro profissional da educação, necessita estar atento. Assim, 
podemos apresentar sua composição: 
Capítulo II – da Educação Básica. Que se subdivide em: 
Seção I – Das Disposições Gerais (art. 22 ao art. 28). 
Seção II – Da Educação Infantil (art. 29 ao art. 31). 
Seção III – Do Ensino Fundamental (art. 32 ao art. 34) 
Seção IV – Do Ensino Médio, incluindo a seção IV-a – Da Educação Profissional Técnica de 
Nível Médio (art. 35 ao art. 36 –D). 
Seção V – Da Educação de Jovens e Adultos (art. 37 e 38). 
O Capítulo I já referimos anteriormente, definindo assim os níveis de ensino, suas 
funcionalidades, sua hierarquização, a qual se apresenta também na Constituição Federal. 
Sabemos que há muito ainda para ser desenvolvido e discutido frente à Educação Básica, para 
chegar à universalização da Educação. 
*Universalização: tornar comum (FERREIRA, 2001, p. 736). 
Já o Capítulo II, traz a Educação Básica como foco, trazendo a ideia de que a Educação 
Básica não está somente focada na preparação para o Ensino Superior, mas sim, sendo vista 
como etapa fundamental na formação humana de cada cidadão. Abarca também a Educação 
Infantil até o Ensino Médio, define as regrasreferentes ao Ensino Religioso e a estruturação do 
Ensino Médio. Os elementos aqui apresentados “encontram-se na LDB de maneira ampla e 
flexível [...] resta às escolas e aos sistemas de ensino a tarefa de definir o que seria ‘humano’, 
para só então utilizar a educação básica como modelo de formação humana” (SANTOS, 2012, 
p. 41). No que diz respeito à ideia de cidadania, ainda nos apresenta Santos (2012, p. 41): 
[...] embora a educação básica seja concebida como elemento indispensável para a 
formação da cidadania, se não houver uma definição de cidadania, um conceito como esse cai 
no vazio das definições, carecendo da clareza necessária para expressar uma diretriz de 
formação humana, tal como a pretendida nessa visão de educação básica. 
Ainda em relação às regras referentes ao ensino religioso, que se apresentam no art. 33 
da LDB, encontramos muitas controvérsias. Conforme Santos (2012, p. 42): 
Essa controvérsia é enfrentada na LDB da seguinte maneira: o ensino religioso deve ser 
oferecido obrigatoriamente nas escolas, mas sua matrícula é facultativa ao aluno. Para evitar 
problemas relativos aos proselitismos e/ou à intolerância religiosa, a saída tentada, no âmbito 
da LDB, foi de que o conteúdo dessa matéria fosse definido a partir de associações civis (nos 
sistemas de ensino), composta por representantes das diversas confissões e denominações 
religiosas. Aparentemente, isso garantiria uma solução democrática no que compete às decisões 
tomadas pelos representantes dos credos, na escolha de conteúdo do ensino religioso, mas, na 
realidade, isso trouxe – e continua trazendo – tanta controvérsia que, na prática, essa é uma 
questão indefinida. 
No que diz respeito ao Ensino Médio, e como já vimos anteriormente, a LDB expõe que 
o tempo de duração desse ensino é de três anos, compondo assim a etapa final da educação 
básica. Vejamos o art. 36, no que tange ao currículo (BRASIL, 1996): 
 
I - destacará a educação tecnológica básica, a compreensão do significado da ciência, das letras 
e das artes; o processo histórico de transformação da sociedade e da cultura; a língua portuguesa 
como instrumento de comunicação, acesso ao conhecimento e exercício da cidadania; 
II - adotará metodologias de ensino e de avaliação que estimulem a iniciativa dos estudantes; 
III - será incluída uma língua estrangeira moderna, como disciplina obrigatória, escolhida pela 
comunidade escolar, e uma segunda, em caráter optativo, dentro das disponibilidades da 
instituição. 
IV – serão incluídas a Filosofia e a Sociologia como disciplinas obrigatórias em todas as séries 
do ensino médio. (Incluído pela Lei nº 11.684, de 2008) 
No que diz respeito à seção IV-A, encontramos a Educação Profissional Técnica de 
Nível Médio (art. 35 ao art. 36-D). Estes artigos retratam como será desenvolvida esta educação 
profissional técnica (BRASIL, 1996): 
I - integrada, oferecida somente a quem já tenha concluído o ensino fundamental, sendo o curso 
planejado de modo a conduzir o aluno à habilitação profissional técnica de nível médio, na 
mesma instituição de ensino, efetuando-se matrícula única para cada aluno; (Incluído pela Lei 
nº 11.741, de 2008) 
II - concomitante, oferecida a quem ingresse no ensino médio ou já o esteja cursando, 
efetuando-se matrículas distintas para cada curso, e podendo ocorrer: (Incluído pela Lei nº 
11.741, de 2008) 
a) na mesma instituição de ensino, aproveitando-se as oportunidades educacionais 
disponíveis; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) 
b) em instituições de ensino distintas, aproveitando-se as oportunidades educacionais 
disponíveis; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) 
c) em instituições de ensino distintas, mediante convênios de intercomplementaridade, visando 
ao planejamento e ao desenvolvimento de projeto pedagógico unificado (Incluído pela Lei nº 
11.741, de 2008). 
Com relação à titulação, a LDB assim determina para a Educação Profissional Técnica 
de Nível Médio: 
Art. 36-D. Os diplomas de cursos de educação profissional técnica de nível médio, quando 
registrados, terão validade nacional e habilitarão ao prosseguimento de estudos na educação 
superior. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) 
Parágrafo único. Os cursos de educação profissional técnica de nível médio, nas formas 
articulada concomitante e subsequente, quando estruturados e organizados em etapas com 
terminalidade, possibilitarão a obtenção de certificados de qualificação para o trabalho após a 
conclusão, com aproveitamento de cada etapa que caracterize uma qualificação para o 
trabalho (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) (BRASIL, 1996). 
E por último, na Seção V – Da Educação de Jovens e Adultos, em seu artigo 37 diz que: 
“Art. 37. A educação de jovens e adultos será destinada àqueles que não tiveram acesso ou 
continuidade de estudos no ensino fundamental e médio na idade própria” (BRASIL, 1996). 
Com este artigo podemos determinar que grande parte das matrículas do EJA se 
encontram na rede pública, e o EJA tem a função de viabilizar e estimular o acesso destes 
educandos à educação de qualidade e mediante ações integradoras. 
Outro fator a ser observado diz respeito ao art. 38, relativo à avaliação destes indivíduos. 
Que assim prescreve: 
 
Art. 38. Os sistemas de ensino manterão cursos e exames supletivos, que compreenderão a base 
nacional comum do currículo, habilitando ao prosseguimento de estudos em caráter regular. 
§ 1º Os exames a que se refere este artigo realizar-se-ão: 
I - no nível de conclusão do ensino fundamental, para os maiores de quinze anos; 
II - no nível de conclusão do ensino médio, para os maiores de dezoito anos. 
§ 2º Os conhecimentos e habilidades adquiridos pelos educandos por meios informais serão 
aferidos e reconhecidos mediante exames. 
No que cabe ao Capítulo III – Da Educação Profissional e Tecnológica, esta possui 
quatro artigos (art. 39 ao art. 42), que trazem em sua fundamentação os conceitos de educação 
profissional e de tecnologia, além da articulação com a educação regular. 
O Capítulo IV – Da Educação Superior, compõem-se de 15 artigos (art. 43 ao 57). A 
educação superior é vista como o “segmento que fecha o arco da composição da educação 
formal e da oferta de ensino institucional sequenciado, de acordo com a legislação educacional 
do país” (CARNEIRO, 2015, p. 500). Nesse capítulo, o ensino superior se desdobra em cursos 
e programas, presentes no Artigo 44, sendo estes estruturados com o ensino, pesquisa e 
extensão. 
Já os Artigos 45 e 46 trazem a quem compete a docência desse ensino, além das questões 
relativas à autorização e reconhecimento dos cursos. 
Art. 45. A educação superior será ministrada em instituições de ensino superior, públicas 
ou privadas, com variados graus de abrangência ou especialização. 
Art. 46. A autorização e o reconhecimento de cursos, bem como o credenciamento de 
instituições de educação superior, terão prazos limitados, sendo renovados, periodicamente, 
após processo regular de avaliação. 
§ 1º Após um prazo para saneamento de deficiências eventualmente identificadas pela avaliação 
a que se refere este artigo, haverá reavaliação, que poderá resultar, conforme o caso, em 
desativação de cursos e habilitações, em intervenção na instituição, em suspensão temporária 
de prerrogativas da autonomia, ou em descredenciamento. 
§ 2º No caso de instituição pública, o Poder Executivo responsável por sua manutenção 
acompanhará o processo de saneamento e fornecerá recursos adicionais, se necessários, para a 
superação das deficiências. 
O Artigo 47 trata do ano letivo, na educação superior, sendo necessária a carga horária 
mínima de duzentos dias de trabalho acadêmico efetivo, sendo excluído o tempo reservado aos 
exames finais, quando forem oferecidos. Trata ainda este artigo de questões relativas ao 
oferecimento de cursos de qualidade tanto no período diurno como noturno. Elenca-setambém 
a obrigatoriedade da frequência de alunos e professores às aulas como mecanismo de controle 
institucional. 
No Artigo 48, dispõe-se sobre os diplomas de curso superior reconhecido. Estes quando 
registrados, terão validade nacional como comprovação da formação recebida pelo acadêmico. 
Algo importante a ser ressaltado é o que se apresenta a seguir: 
§ 1º Os diplomas expedidos pelas universidades serão por elas próprias registrados, e aqueles 
conferidos por instituições não universitárias serão registrados em universidades indicadas pelo 
Conselho Nacional de Educação. 
 
§ 2º Os diplomas de graduação expedidos por universidades estrangeiras serão revalidados por 
universidades públicas que tenham curso do mesmo nível e área ou equivalente, respeitando-se 
os acordos internacionais de reciprocidade ou equiparação. 
§ 3º Os diplomas de Mestrado e de Doutorado expedidos por universidades estrangeiras só 
poderão ser reconhecidos por universidades que possuam cursos de pós-graduação 
reconhecidos e avaliados, na mesma área de conhecimento e em nível equivalente ou superior. 
O § 1º traz uma inovação, conforme trata Carneiro (2015, p. 565): 
O § 1º inova ao permitir que diplomas expedidos por universidades sejam por elas próprias 
registrados. Neste caso, as universidades devem estar autorizadas a funcionar e devem estar 
reconhecidas legalmente. Legislação recente permite que qualquer universidade – pública ou 
privada – possa registrar diplomas de IES não universitárias. Por outro lado, permite igualmente 
que os centros universitários registrem seus próprios diplomas. 
*IES – Instituições de Educação Superior 
Com relação ao Artigo 49, ele trata da aceitação de transferência de alunos regulares 
para cursos afins, existindo vagas para tal processo. 
No Artigo 50, observam-se as questões relativas à abertura de matrículas quando houver 
ocorrência de vagas, mediante processo seletivo prévio conforme a lei. 
O Artigo 51 delibera sobre os critérios e normas de admissão dos acadêmicos, sendo 
estas instituições legalmente credenciadas. Vejamos o que diz o Artigo 52: 
Art. 52. As universidades são instituições pluridisciplinares de formação dos quadros 
profissionais de nível superior, de pesquisa, de extensão e de domínio e cultivo do saber 
humano, que se caracterizam por: 
I - produção intelectual institucionalizada mediante o estudo sistemático dos temas e problemas 
mais relevantes, tanto do ponto de vista científico e cultural, quanto regional e nacional; 
II - um terço do corpo docente, pelo menos, com titulação acadêmica de mestrado ou doutorado; 
III - um terço do corpo docente em regime de tempo integral. 
Conforme Carneiro (2015, p. 573), “a missão essencial da universidade é produzir e 
disseminar conhecimento, via formação profissional avançada, em diferentes áreas do saber”. 
Por este motivo recebem a denominação de instituições pluridisciplinares. No que diz respeito 
à formação dos profissionais, a universidade busca professores especializados em suas variadas 
áreas, trabalhando assim com o conhecimento articulado assegurando, “quanto possível, o 
domínio e o cultivo do saber humano” (CARNEIRO, 2015, p. 573). 
Quando se lê pluridisciplinar estamos nos remetendo a uma visão que quebra a 
fragmentação imposta no conhecimento curricular. Conforme Carneiro (2015, p. 574), “a 
universidade pluridisciplinar é um laboratório de formação e não de conformação”. Assim, 
existe movimento, transformação. 
E para que as instituições sejam pluridisciplinares é necessário que elas organizem o 
conhecimento sob eixos estruturantes que envolvem: 
i) a estrutura de diversas áreas do conhecimento; ii) o vínculo entre domínio do conhecimento 
e o respectivo processo de aquisição; iii) identificação do conteúdo globalizante de cada subárea 
do conhecimento (cursos), incluindo o saber específico e as metodologias que vão diminuir a 
trajetória a ser palmilhada para a assimilação deste saber; iv) a captação da estrutura das 
disciplinas [...]. (CARNEIRO, 2015, p. 574). 
 
Ainda conforme Carneiro (2015, p. 575), “é necessário compreendermos que a espinha dorsal 
da organização do ensino na universidade é a construção da unidade do conhecimento por via 
da multiplicidade dos saberes”. 
Os Artigos 53 e 54 trazem em evidência à palavra autonomia, assegurando às 
universidades suas atribuições para o funcionamento e andamento dos trabalhos educativos, 
observando sua organização no âmbito de contratação de profissionais, no seu funcionamento, 
contando com um estatuto jurídico especial. 
O Artigo 55 trata das questões relativas ao Orçamento Geral, que compete à União sua 
seguridade, junto às instituições superiores mantidas por ela. O Artigo 56 assim se apresenta: 
Art. 56 As instituições públicas de educação superior obedecerão ao princípio da gestão 
democrática, assegurada a existência de órgãos colegiados deliberativos, de que participarão os 
segmentos da comunidade institucional, local e regional. 
Parágrafo único. Em qualquer caso, os docentes ocuparão setenta por cento dos assentos 
em cada órgão colegiado e comissão, inclusive nos que tratarem da elaboração e modificações 
estatutárias e regimentais, bem como da escolha de dirigentes. 
Com relação a este artigo, podemos verificar que a gestão democrática é vista como 
matéria de definição constitucional, conforme o art. 206, inc. VI. Observa-se que esta gestão 
deve ser apresentada nos documentos que legislam cada sistema e juntamente aos regulamentos 
de cada instituição. 
O Artigo 57 trata das questões relativas às horas que o professor deverá realizar na 
instituição pública de educação superior, sendo esta carga mínima de oito horas semanais de 
aulas. 
“O Capítulo V – que trata da Educação Especial, possui em sua formação três artigos 
(art. 58 ao 60), que determinam a regulamentação, da definição conceitual da educação especial 
enquanto modalidade de ensino presente em todos os níveis” (SANTOS, 2012, p. 39). 
Nesses artigos temos presente o que consta na Constituição Federal de 1988, que define 
as formas de organização, estruturação, preferencialmente na rede regular de ensino. Na Lei de 
Diretrizes e Bases da Educação, então encontramos o desejo de uma sociedade inclusiva. 
Art. 58. Entende-se por educação especial, para os efeitos desta lei, a modalidade de 
educação escolar oferecida, preferencialmente, na rede regular de ensino, para educandos com 
deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou 
superdotação (Redação dada pela Lei nº 12.796, de 2013) (BRASIL, 1996). Quem são os 
“educandos portadores de necessidades especiais?”. Conforme Carneiro (2015, p. 610-611), 
assim fica delineado: 
O autor ainda trata de outros registros crescentes na sociedade de alunos especiais 
relativos a situações de risco e de trabalho forçado, privando a vida dos educandos como: 
• Alunos filhos de pais separados. 
• Alunos filhos de pais alcoólatras. 
• Alunos sem pais. 
• Alunos filhos de pais desempregados. 
• Alunos filhos de pais encarcerados. 
• Alunos dependentes de drogas. 
• Alunos com problemas de subnutrição. 
• Alunos/meninos de rua. 
 
• Alunos que vivem em situação de risco. 
• Alunos cujos pais vivem em trânsito/filhos de famílias circenses, de caminhoneiros, boias-
frias, agricultores em terra, de famílias ciganas etc. (CARNEIRO, 2015, p. 45). 
Frente ao exposto, podemos determinar que os educandos que necessitam de 
atendimento educacional especializado precisam estar em uma escola que seja flexível e possua 
uma equipe multidisciplinar capaz de realizar este apoio aos professores que se comprometem 
com o ensino, favorecendo um ambiente em que a aprendizagem seja voltada às políticas 
inclusivas. 
*Essa temática será mais aprofundada no Caderno de Estudos de Educação Inclusiva. 
Já o Artigo 59 trata das questões relativas aos educandos que possuam transtornos 
globais do desenvolvimentoe as altas habilidades ou superdotação, apresentando-lhes 
currículo, métodos e recursos educativos para atender suas necessidades. A escola deverá 
possuir professores com especialização em nível superior, bem como os professores regentes 
serem capacitados para a integração destes educandos. Trata-se, também, do acesso igualitário 
aos programas sociais. 
O Artigo 60 trata das questões relativas aos órgãos normativos dos sistemas de ensino 
referentes à educação especial na esfera privada “sem fins lucrativos, especializadas, e com 
atuação exclusiva em educação especial, para fins de apoio técnico e financeiro pelo poder 
público” (BRASIL, 1996). 
Parágrafo único. O poder público adotará, como alternativa preferencial, a ampliação 
do atendimento aos educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas 
habilidades ou superdotação na própria rede pública regular de ensino, independentemente do 
apoio às instituições previstas neste artigo (Redação dada pela Lei nº 12.796, de 2013) 
(BRASIL, 1996). 
De acordo com Carneiro (2015, p. 640): 
A Educação Especial no Brasil desenvolveu-se, primeiramente, em instituições privadas 
sem fins lucrativos. Só depois, mercê de grandes pressões sociais, o Estado passou a se ocupar 
do assunto. Neste sentido, não se pode esquecer da grande contribuição que instituições como 
as Apaes, Pestalozzi, Febiex e tantas outras ofereceram e continuam a oferecer para o 
desenvolvimento da Educação Especial no Brasil. 
Cabe ressaltar ainda que com a colaboração da sociedade, como confere a Constituição 
Federal, em seu Artigo 205, a lei reconhece que se necessita de órgãos normatizadores junto ao 
sistema de ensino, para definirem critérios de caracterização institucional e pedagógico, para 
que as instituições que tratam da educação especial recebam o apoio técnico e financeiro do 
Poder Público. 
 
Título VI 
Dos Profissionais da Educação 
Este título IV é composto por seis artigos, art. 61 a 67. Estes artigos buscam definir 
quem são os profissionais da educação. Também é tratado de sua formação profissional 
(BRASIL, 1996). 
Art. 61. Consideram-se profissionais da educação escolar básica os que, nela estando 
em efetivo exercício e tendo sido formados em cursos reconhecidos, são: (Redação dada pela 
Lei nº 12.014, de 2009) 
 
I – professores habilitados em nível médio ou superior para a docência na educação infantil e 
nos ensinos fundamental e médio; (Redação dada pela Lei nº 12.014, de 2009) 
II – trabalhadores em educação portadores de diploma de pedagogia, com habilitação em 
administração, planejamento, supervisão, inspeção e orientação educacional, bem como com 
títulos de mestrado ou doutorado nas mesmas áreas; (Redação dada pela Lei nº 12.014, de 2009) 
III – trabalhadores em educação, portadores de diploma de curso técnico ou superior em área 
pedagógica ou afim (Incluído pela Lei nº 12.014, de 2009). 
Parágrafo único. A formação dos profissionais da educação, de modo a atender às 
especificidades do exercício de suas atividades, bem como aos objetivos das diferentes etapas 
e modalidades da educação básica, terá como fundamentos: (Incluído pela Lei nº 12.014, de 
2009) 
I – a presença de sólida formação básica, que propicie o conhecimento dos fundamentos 
científicos e sociais de suas competências de trabalho; (Incluído pela Lei nº 12.014, de 2009) 
II – a associação entre teorias e práticas, mediante estágios supervisionados e capacitação em 
serviço; (Incluído pela Lei nº 12.014, de 2009) 
III – o aproveitamento da formação e experiências anteriores, em instituições de ensino e em 
outras atividades. (Incluído pela Lei nº 12.014, de 2009) 
Os Artigos 61, 62, 63, 64 e 65 retratam a preocupação deste profissional da educação, 
que são os professores que “ministram o ensino, e os demais, que apoiam todo o processo de 
ensino-aprendizagem e de desenvolvimento do aluno, além dos vários caminhos de formação. 
Já o Art. 66 fixa a diferenciação existente com relação à preparação para o magistério superior” 
(CARNEIRO, 2015, p. 644). 
Cabe ressaltar aqui a presença da formação continuada, apresentada no Artigo 62 em 
seus incisos. Além do Artigo 67, que institui a valorização dos profissionais da educação. Esta 
temática será apresentada na próxima unidade deste caderno. 
 
Título VII 
Dos Recursos Financeiros 
Esse título é formado por nove artigos, os quais vão do art. 68 ao 77, dando ênfase aos 
recursos destinados à educação. 
Vamos a eles: o Artigo 68 se refere a quais são os recursos públicos a serem investidos 
na educação e sua origem. No Artigo 69 trata-se da fixação dos percentuais a serem aplicados 
na educação. 
Art. 69. A União aplicará, anualmente, nunca menos de dezoito, e os Estados, o Distrito 
Federal e os Municípios, vinte e cinco por cento, ou o que consta nas respectivas Constituições 
ou Leis Orgânicas, da receita resultante de impostos, compreendidas as transferências 
constitucionais, na manutenção e desenvolvimento do ensino público. 
Conforme Santos (2012, p. 49), a fixação destes investimentos em educação em 
percentuais fixados acaba por impedir dois problemas, a dizer: “a. A desvalorização financeira 
dos recursos alocados para esse fim. b. O descompromisso dos entes federativos com suas 
atribuições constitucionais, no que tange ao financiamento da educação pública”. 
No Artigo 70 apresentam-se as definições sobre a finalidade das verbas e manutenção 
da Educação. 
O artigo 71 trata de complementar o que foi apresentado no artigo anterior. 
 
Já os Artigos 72 e 73 se referem à divulgação publicamente dos valores aplicados 
anualmente no desenvolvimento e manutenção do ensino, bem como as regras para a prestação 
das contas das operações financeiras concretizadas. 
O Artigo 74 trata da fixação de um valor mínimo para cada aluno da rede de ensino, 
sendo este valor repassado pela União, de forma colaborativa com os Estados, Distrito Federal 
e Municípios, assegurando assim um ensino de qualidade. 
Este cálculo será realizado ao final de cada ano letivo pela União e será repassado 
observando as questões relativas às variações regionais no custo dos produtos e nas variadas 
modalidades de ensino. 
Artigo 75: “A ação supletiva e redistributiva da União e dos Estados será exercida de 
modo a corrigir, progressivamente, as disparidades de acesso e garantir o padrão mínimo de 
qualidade de ensino” (BRASIL, 1996). Observa-se que neste artigo se busca reduzir as 
desigualdades regionais relativas à educação nacional. 
O Artigo 76 complementa o artigo anterior, dando a entender que existirá um regime de 
colaboração entre Estados, Municípios e a União no que tange à educação. 
Já o Artigo 77 trata da regulação das transferências de recursos públicos para instituições 
que tratam da educação, como escolas comunitárias, confessionais ou filantrópicas que 
possuam comprovação de finalidade não lucrativa além da prestação de contas ao poder 
público. 
 
Título VIII 
Das Disposições Gerais 
Neste título estão apresentados os artigos 78 a 86, que tratam sobre a regulação 
específica relativa a questões que abarcam desde a educação indígena, educação de jovens e 
adultos (EJA), chegando à educação a distância. 
O artigo 78, aborda a educação indígena: 
“Art. 78. O Sistema de Ensino da União, com a colaboração das agências federais de 
fomento à cultura e de assistência aos índios, desenvolverá programas integrados de ensino e 
pesquisa, para oferta de educação escolar bilíngue e intercultural aos povos indígenas [...]” 
(BRASIL, 1996). Este artigo da LDB vem com o conceito de multiculturalismo, com o objetivo 
de assim poder trabalhar com conteúdos ligados às culturas indígenas, respeitando sua língua e 
sua cultura. 
O Artigo 79 trata de questões relativas à competência da União em subsidiar os sistemas 
de ensino que promovam a educação intercultural, também apresentada nos PCN, onde 
desenvolve o tema transversalda pluralidade cultural. No Artigo 79-B, inclui-se a Lei 
10.639/03, que cria nos calendários escolares a data relativa ao Dia da Consciência Negra, 
sendo ela dia 21 de novembro. 
[...] deve ser registrado, no entanto, que a noção de interculturalismo presente nesse 
documento não obedece à acepção própria da palavra, pois não enfatiza a relação entre as 
diversas culturas e etnias, mas pensa nelas como identidades estanques – negro, branco, 
indígena – e, alguns dos conteúdos culturais relativos a esses grupos são incluídos de modo 
pontual (SANTOS, 2012, p. 52). 
 
No Artigo 80 nos deparamos com a responsabilidade dos sistemas de ensino relativos à 
Educação a Distância. Isso nos interessa muito, caro acadêmico, pois você está realizando seus 
estudos numa instituição de ensino a distância. 
Conforme Carneiro (2015, p. 784), “o artigo 80 determina que o Poder Público vai não 
apenas incentivar o desenvolvimento de programas de Educação a Distância, mas também 
programas de educação continuada, dentro do entendimento de que a educação não é um 
produto, é um processo e, portanto, nunca se termina de aprender”. O autor continua seu 
pensamento dizendo que: 
Neste horizonte, sinaliza o CNE/CEB, na Res. 04/2010, ao definir as Diretrizes 
Curriculares Nacionais Gerais para a Educação Básica que: ‘[...] a organização curricular deve 
levar em conta as experiências escolares que se desdobram em torno do conhecimento, 
permeadas pelas relações sociais, articulando vivências e saberes dos estudantes’ (CARNEIRO, 
2015, p. 784). 
Com isso afirmamos que a Educação a Distância (EAD) se utiliza de espaços virtuais 
para multiplicar as possibilidades de aprendizagem, conforme Carneiro (2015, p. 785). Para que 
exista esta multiplicação de saberes necessitamos das TICs – Tecnologias de Informação e 
Comunicação. 
Os programas de Educação a Distância possuem e preveem a obrigatoriedade de 
momentos presenciais em: “avaliações de estudantes; estágios obrigatórios, quando previstos 
na legislação pertinente; defesa de trabalhos de conclusão de curso, quando previstos na 
legislação pertinente; atividades relacionadas a laboratórios de ensino, quando for o caso” 
(CARNEIRO, 2015, p. 776). 
Estes programas de Educação a Distância possuem os mesmos rigores da lei para seu 
funcionamento, e os níveis de qualidade dos cursos e programas oferecidos também possuem o 
mesmo peso. 
Observe, acadêmico, que o educando desta modalidade de ensino, como você, possui 
uma maior responsabilidade, cabe a cada aluno três características, pontuadas por Carneiro 
(2015, p. 777): 
a) É autodiretivo, portanto, responsável pela agenda de estudos independentes; b) é possuidor 
de experiência e, por isso, seletivo no conteúdo da aprendizagem; e, por fim, c) é operativo, o 
que o ajuda no curso dos conhecimentos práticos, ou seja, daqueles conhecimentos que 
respondem e correspondem a suas necessidades imediatas. 
Por este motivo, acadêmico, a importância de você participar dos fóruns, enquetes, 
realizar a leitura das trilhas, ler seu Caderno de Estudos, buscar maiores informações através 
das tecnologias oferecidas por sua instituição de ensino, as quais são muitas e na maior parte 
das vezes são deixadas de lado. Vamos utilizá-las para melhor desempenho de nossos trabalhos. 
As instituições na modalidade a distância também podem, através da Portaria Normativa 
nº 2/2007, realizar a abertura de polos, claro que com as respectivas regulamentações, como se 
apresenta nesta portaria. 
Cabe ressaltar que o papel do professor, neste ambiente de interatividade aberta condiz 
com as palavras de Carneiro (2015, p. 785) assim apresentadas: “o papel do professor agrega 
responsabilidades adicionais à medida que o aluno tende a substituir a passividade tradicional 
por interações e interlocuções permanentes em torno de sua autoformação, tendo como 
consequência a construção continuada do processo de autonomia e de postura crítica”. 
 
Já no Artigo 81, a LDB faz uma quebra, estimulando a radicalidade do pensamento 
pedagógico e da prática escolar, deixando de lado aquele modelo pronto, dando ao aluno a 
possibilidade de construção de seus conteúdos, tendo ele a responsabilidade de autorreger-se. 
O Artigo 82 trata de questões relativas às normas de realização do estágio, aprovada em 
agosto de 2008 pelo Congresso Nacional, e sancionada pelo Presidente da República. 
Sabemos que os estágios são parte integrante do projeto pedagógico do curso 
“integrando, portanto, o itinerário formativo do aluno, seu foco bipolar: desenvolvimento de 
competências no campo da atividade profissional projetada e contextualização do currículo 
mediante a integração teoria/prática” (CARNEIRO, 2015, p. 788). 
Cabe ressaltar, acadêmico, que a partir do sexto módulo você realizará seus estágios. 
Observe que eles são de extrema importância, dando a você a possibilidade de vislumbrar e 
colocar à prova todos os ensinamentos já construídos e apreender novos. 
Veja que os estágios possuem hoje uma elasticidade, pois temos na atualidade dois tipos, 
que são: o estágio obrigatório e o não obrigatório, também conhecido como estágio remunerado. 
O estágio obrigatório consta no projeto do curso das instituições de ensino e das 
respectivas diretrizes curriculares e o cumprimento de seus acordos legais, sendo isso 
imprescindível para a obtenção do diploma e consequentemente para seu registro profissional. 
Já o estágio não obrigatório, também conhecido como estágio remunerado, é uma 
atividade opcional, acrescida “à carga horária regular obrigatória ou, ainda, assume o caráter de 
uma atividade de formação complementar remunerada” (CARNEIRO, 2015, p. 788). 
O Artigo 83 trata do ensino militar, que continua sendo realizado e mantido por 
legislação específica. 
O Artigo 84 se refere aos discentes da educação superior, que poderão ser aproveitados 
em tarefas de ensino e pesquisa por suas instituições, exercendo funções de monitoria. Esta 
monitoria, conforme Carneiro (2015, p. 794): 
[...] é uma atividade desenvolvida na educação superior com quatro objetivos assim 
definidos: i) estimular o aluno a um permanente alto nível de estudo; ii) gerar um 
relacionamento pedagógico elevado e produtivo entre alunos e professores; iii) auxiliar o 
professor no desenvolvimento de atividades didático-pedagógicas; iv) suscitar, no aluno, o 
interesse pela carreira docente. 
Já o Artigo 85 estabelece que: 
Art. 85. Qualquer cidadão habilitado com a titulação própria poderá exigir a abertura de 
concurso público de provas e títulos para cargo de docente de instituição pública de ensino que 
estiver sendo ocupado por professor não concursado, por mais de seis anos, ressalvados os 
direitos assegurados pelos arts. 41 da Constituição Federal e 19 do Ato das Disposições 
Constitucionais Transitórias. 
Este artigo traz à tona questões relativas ao compadrio, permanecendo no cargo sem que tenha 
feito ou participado de concurso público. 
*Compadrio: relações entre compadres; proteção excessiva ou injusta (FERREIRA, 2001, p. 
176). 
O Artigo 86 trata do estabelecimento de vínculo entre as IES com o Sistema Nacional 
de Ciência e Tecnologia. 
 
 
 
Título IX 
Das Disposições Transitórias 
Este título é composto por seis artigos que vão do art. 87 ao art. 92. Conforme Santos 
(2012, p. 54), “nele estão definidas ações legais com abrangência futura, e a partir dele, é 
possível perceber que a atual LDB revoga todas as Leis de Diretrizes e Bases anteriores”. 
O Artigo 87 institui a Década da Educação, que se inicia em 1997, onde se passa a 
realizar diversas políticas que fomentam a melhoria da educação em nosso país. 
A LDB instituiu a Década da Educação ao iniciar-se um ano após a publicação da lei. A 
ideia era importante porque recolocava, mais uma vez, a necessidade de se criarem mecanismos 
favoráveis à atenção dos poderes públicos e da sociedade para a questão da educação. A 
experiência

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