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A LE I DE D I R ET R IZ E S E B ASE S D A ED U C A Ç ÃO D E 19 96 INTRODUÇÃO Após a leitura do Tópico anterior, podemos dar continuidade a nossos estudos, pois estamos aptos a compreender como a Lei de Diretrizes e Bases da Educação foi elaborada e de onde partiu sua fundamentação. Veremos também, neste Tópico, a relação que a LDB possui com o Sistema Educacional, suas mediações e a necessidade de sua presença neste sistema. Cabe ressaltar que serão tratadas temáticas voltadas à organização da LDB nas esferas Federal, Estadual e Municipal, chegando à instituição escolar. Esta caminhada retrata o que você, acadêmico, busca em sua formação profissional, o conhecimento, o reconhecimento e a capacidade de utilização destes documentos em sua construção profissional e pessoal. Então, vamos continuar nosso processo de construção e, por que não dizer, de reconstrução do conhecimento relativo às leis que regem a Educação brasileira! COMO SITUAR-SE SOBRE A LDB Inicialmente, vamos nos reportar ao quadro que foi apresentado a você referente às constituições no que diz respeito à educação (Quadro 2). Nesse quadro visualizamos que o caminho foi construído a partir de diversos interesses, incialmente voltados à corte imperial, logo depois, passados longos anos e o Brasil ter sofrido diversos fatos históricos, buscou levar a educação a todos como um direito através da elaboração de leis que pudessem abarcar essas necessidades. Devemos ter bem claro, caro acadêmico, que este movimento, que ainda ocorre e se faz necessário, não foi fácil, pois todo movimento relacionado à construção de novas regras leva, em muitos momentos, ao embate, em que a maneira de pensar de um não condiz com a forma de pensar do outro, criando inúmeras possibilidades de conflitos que devem ser ao final levados a um denominador comum. Como afirma Carneiro (2015, p. 27), “as disposições normativas do país no campo educacional são heterogêneas e nem sempre harmônicas e congruentes”. Congruente; congruência: Harmonia duma coisa com o fim a que se destina; coerência (FERREIRA, 2001, p.186). Assim, podemos determinar que a LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação – está inserida, como relatado anteriormente, na Constituição Federal. Conforme Carneiro (2015, p. 27): A Lei da Educação deve trazer certeza e ordem de um lado e, de outro, deve ser mediadora entre imposições da estabilidade e as exigências da evolução social. Mas deve, sobretudo, ser um roteiro seguro de conceitos, caminhos, condutas e conclusões sob a inspiração da constituição. Observe que a LDB também possui sua caminhada histórica, e vamos nos ater a ela neste momento. A primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional foi a Lei nº 4.024, de 20 de dezembro de 1961, foi difícil sua elaboração, pois foi deixada correr de maneira frouxa, sem acompanhamento de perto. Como afirma Carneiro (2015, p. 35-36): Entre a chegada do texto à Câmara Federal, em outubro de 1948, e o início dos debates sobre o texto, em maio de 1957, decorreram oito anos e meio. Daí, até a aprovação, em 20 de dezembro de 1961, mais quatro anos e sete meses! Ou seja, entre encaminhamento, as discussões e a aprovação do texto, passaram-se treze anos. Observa-se que neste caminho, muitos foram os embates, chegando o texto a ser aprovado no ano de 1961, um marco histórico para a Educação Brasileira, pois os eixos principais deste documento relatavam: i) Dos Fins da Educação ii) Do Direito à Educação iii) Da Liberdade de Ensino iv) Da Administração do Ensino v) Dos Sistemas de Ensino vi) Da Educação de Grau Primário vii) Da Assistência Social escolar viii) Dos Recursos para a Educação (CARNEIRO, 2015, p. 36). Com estes eixos, podemos perceber que a Educação Brasileira passa a ter um movimento linear em sua estruturação. Após este movimento, já no ano de 1971, surge a nossa segunda Lei de Diretrizes e Bases, a Lei 5.692/71, a qual recebeu o nome oficial de Lei da Reforma do Ensino de 1º e 2º Graus, conforme Carneiro (2015, p. 36), caracterizada com uma gestação lenta e que também foi vista como um processo atípico, “em função do contexto político em que foi gestada: período de governo discricionário com as liberdades civis estranguladas”. A terceira LDB foi a Lei 9.394/1996. Esta lei também teve sua construção complicada, pois possui em sua base a passagem de vários governos e, conforme Carneiro (2015, p. 37), “[...] marcados por fortes contradições ideológicas, sua tramitação foi longa, conflitiva, intensa, detalhista e ambientada em contextos de correlações de forças ora emancipatórias, ora paralisantes”. O início da construção deste novo documento aconteceu em 1988, mas perpassou por três governos, a saber: José Sarney, Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso. Diante deste quadro, muitos anos foram necessários para sua construção e desconstrução, pois com as mudanças de governo, mudavam-se as formas de compreender as políticas públicas envolvendo a educação. A discussão e tramitação da Lei 9.394/1996 no Congresso Nacional prolongaram-se, [...], pois passou por várias relatorias, teve vários substitutivos, ziguezagueou da Câmara para o Senado e vice-versa em ritmo de fluxo legislativo variado, submetida a movimentações burocráticas e de técnica legislativa que traduziam, com esforços ora explícitos, ora camuflados, um percurso tortuoso de conflitos ideológicos e de interesses contraditórios (CARNEIRO, 2015, p. 38). Observa-se que os interesses aqui envolvidos estavam voltados para uma “visão agudamente desigual dos mecanismos de controle social, a partir dos espaços de governo e das escalas de comando dos protagonistas e atores do palco educacional, sobretudo daqueles posicionados na ponta do sistema: a escola” (CARNEIRO, 2015, p. 38). Com isso, a construção desta nova Lei foi determinante no que diz respeito à busca do diálogo, pois “há de se reconhecer que o tempo ensinou o que ainda não se aprendera com o tempo: a estratégia das Conciliações abertas, na feliz expressão do sociólogo e deputado federal Florestan Fernandes” (CARNEIRO, 2015, p. 38). Diante do exposto, podemos determinar que todos os embates ficaram focados diretamente em três blocos apresentados pelo professor Moaci Alves Carneiro, integrante da equipe que auxiliou na elaboração do texto final da LDB. Ficaram assim elencados: QUADRO 3 – ETAPAS DE ESTUDO DA FORMAÇÃO DA LDB 9.394/96 FONTE: CARNEIRO, Moaci Alves. LDB fácil: Leitura crítica e compreensiva artigo a artigo (2015, p. 39-40). Com o que foi apresentado acima, podemos destacar que os avanços ocorreram e estamos colhendo na atualidade alguns destes frutos. A Lei 9.394 é aprovada pelo plenário do Senado Federal em 8 de fevereiro de 1996, conforme Carneiro (2015 p. 41-42), “[...] retornando, em sucessivo, à Câmara dos Deputados. Ali, o Substitutivo originário do Senado recebe outro relator, incorpora emendas e é, afinal, aprovado sem vetos, assumindo a forma da Lei 9.394/1996”. A Lei 9.934/96 pode ser encontrada em sua escola ou no site do Ministério da Educação: , consulte. Carneiro (2015, p. 42) afirma que ao texto atualizado da LDB, atribui-se quatro comprovações referentes à educação e sua aplicabilidade, assim apresentadas por ele: I. A educação é um campo estratégico de lutas políticas entre forças de permanência e forças da mudança. Para as primeiras, a educação é um ‘produto’, para as segundas um ‘processo’. II. O ambiente político que hospedou as longas, detalhadas, conflitivas e contraditórias agendas de debate político, no âmbito do processo de elaboração da atual LDB, foi marcado por esforços continuados de desqualificar o Fórum Nacional em Defesa da Escola Pública na LDB e, ainda, de elidir o esforço do Bloco Parlamentartem mostrado que somente ações de rotina são incapazes de levar a sociedade brasileira a ultrapassagem de índices educacionais desfavoráveis, mesmo quando comparamos o Brasil com alguns países da América Latina (CARNEIRO, 2015, p. 798). Com estas palavras, podemos parar para refletir um pouco: será que foi conquistada a educação universal para nossa população, conforme apresentado em artigos anteriores? Como fechamento deste título da LDB, citamos Carneiro (2015, p. 799), o qual diz que: A ideia não passou de uma utopia jamais realizada, exatamente porque em educação, antes de marcar o curso dos processos, é necessário demarcar os recursos para os procedimentos. [...]. Em 2015, exibi-los, ainda, uma enorme população analfabeta: 9% da população brasileira! Isto sem esquecer nosso altíssimo percentual de analfabetos funcionais. Caro acadêmico, talvez você esteja se sentindo cansado com essa leitura, mas é necessária para que nos sintamos instigados a modificar o quadro que se apresenta na nossa realidade educacional. Assim, faça a autoatividade para verificar se conseguiu adquirir mais conhecimentos relativos à Lei de Diretrizes e Bases da Educação. R e s um o d o Tó pic o Neste tópico, você aprendeu que: • A LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação está inserida na Constituição Federal. • A primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional foi a Lei nº 4.024, de 20 de dezembro de 1961, foi difícil sua elaboração, pois foi deixada correr de maneira frouxa, sem acompanhamento de perto. • No ano de 1971 surge a nossa segunda Lei de Diretrizes e Bases, a Lei nº 5.692/71, a qual recebeu o nome oficial de Lei da Reforma do Ensino de 1° e 2º Graus. • A terceira LDB foi a Lei nº 9.394/1996. • A LDB é vista como “a maior de todas as políticas públicas regulatórias, pois sua estrutura define as relações, os acordos e os conflitos que podem se desenrolar no âmbito da educação brasileira” (SANTOS, 2012, p. 30). • Da Educação: Art. 1º “A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais” (BRASIL, 1996). • Deveres do Estado: este título é formado por quatro artigos, art. 4º, 5º, 6º e 7º, que tratam dos deveres e responsabilidades do Estado e da sociedade civil no que tange à educação escolar. • Organização da Educação Nacional: este título vai do art. 8º ao art. 20, que trata da organização da educação nacional, apresentando as competências de cada nível da federação, sendo eles: União, Estados, Distrito Federal e municípios. Ressalta-se que neste momento da organização da educação nacional todos os segmentos, União, Estados e Municípios devem buscar um trabalho de colaboração que auxilie na aplicação das políticas públicas. • Dos Profissionais da Educação: este título IV é composto por seis artigos, art. 61 a 67. Esses artigos buscam definir quem são os profissionais da educação. Também é tratado de sua formação profissional. • Dos Recursos Financeiros: esse título é formado por nove artigos, os quais vão do art. 68 ao 77, dando ênfase aos recursos destinados à educação. • Das Disposições Gerais: neste título estão apresentados os artigos 78 a 86, que tratam sobre a regulação específica relativa a questões que abarcam desde a educação indígena, educação de jovens e adultos (EJA) chegando à educação a distância. • O Título IX – Das Disposições Transitórias é composto por seis artigos que vão do art. 87 ao art. 92. Conforme Santos (2012, p. 54), “nele estão definidas ações legais com abrangência futura, e a partir dele é possível perceber que a atual LDB revoga todas as Leis de Diretrizes e Bases anteriores”. • Das Disposições Transitórias: o Artigo 87 institui a Década da Educação que se inicia em 1997, onde se passa a realizar diversas políticas que fomentam a melhoria da educação em nosso país.em Defesa da Educação Pública, formado e consolidado ao longo da Constituinte. III. A inversão dos mecanismos de controle político, com a prevalência da vontade onipotente do Executivo sobre o Legislativo, deslocou os focos relacionais entre Educação/Estado/Sociedade/Economia/Cultura. IV. A mobilização da sociedade civil organizada constitui empuxe fundamental para remover tentativas de descaminhos do estado e de desvios do Poder Político. No caso em tela, os veementes protestos de entidades e atores do campo educacional, as manifestações dirigidas ao Parlamento Nacional e ao MEC, os encontros locais, regionais e nacionais – com destaque para o I Congresso Nacional em Defesa da Escola Pública (julho/agosto de 1996, em Belo Horizonte, reunindo mais de cinco mil participantes) e, ainda, o trabalho incansável e vigilante do Fórum junto ao Congresso Nacional, com o apoio da imprensa, foram fatores decisivos para assegurar o caminho de avanços desejados. Pode-se dizer que este conjunto de forças e iniciativas de mobilização política contribuiu significativamente para conter o alargamento de deformações no texto em curso legislativo e, assim, para desenhar um campo normativo-educacional mais consentâneo com a realidade democrática do país. Estas comprovações denotam que a caminhada para termos hoje a Lei de Diretrizes e Bases da Educação nº 9.394/96 não foi algo fácil, ocorreram forças que sentiam a necessidade de determinar o que, como e qual leitura deveria ser feita sobre este documento. Em relação aos blocos apresentados anteriormente, podemos determinar que esta LDB trouxe avanços significativos em vários momentos de sua escrita. Os avanços estão apresentados na defesa da escola pública, na defesa ao profissional da educação, na maneira como o Estado organiza e oferece a Educação Superior, dentre outros. Com isso, podemos determinar que a LDB é e está em constante transformação. Caro acadêmico, para alguns, o que vimos até o momento pode ser determinado como algo dispensável, mas não o é, pois estes movimentos históricos vivenciados na construção tanto da Constituição como da Lei de Diretrizes e Bases devem ser vistos como “radiografias vivas dos antagonismos da sociedade brasileira e, sobretudo, como expressões de significações do passado e de matéria-prima para ressignificações no futuro, dentro de uma visão reinterpretada de novas possibilidades do Brasil como sociedade democrática” (CARNEIRO, 2015, p. 43). Com isso podemos determinar que se necessita a cada momento redescobrir o que há de essencial dentro dos meios políticos e sociais, para assim reconstruirmos nossa história e http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12907:legislacoes&catid=70:legislacoes http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12907:legislacoes&catid=70:legislacoes modificar, se necessário, os caminhos na fortificação de leis mais flexíveis para a melhor condução da Educação no Brasil. A LDB E SUA ESTRUTURAÇÃO Caro acadêmico, diante do exposto até o momento, podemos determinar que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação também possui uma estruturação, e possui, conforme Santos (2012 p. 30), “um status diferenciado”. Esse status caracteriza a LDB como “a maior de todas as políticas públicas regulatórias, pois sua estrutura define as relações, os acordos e os conflitos que podem se desenrolar no âmbito da educação brasileira” (SANTOS, 2012, p. 30). Ao tratarmos da estruturação da LDB, nos deparamos com um documento que passou e passa por modificações nos artigos, sendo estes modificados por diversos motivos. Quanto à estruturação do documento, podemos assim determiná-la: possui nove títulos, 92 artigos, além de cinco capítulos, tendo o capítulo II cinco seções. Assim apresenta-se: Título I – Da educação Título II – Dos princípios e fins da educação nacional Título III – Do direito à educação e do dever de educar Título IV – Da organização da educação nacional Título V – Dos níveis e das modalidades de educação e ensino Capítulo I – Da composição dos níveis escolares Capítulo II – Da Educação Básica Seção I – Das disposições gerais Seção II – Da Educação Infantil Seção III – Do Ensino Fundamental Seção IV – Do Ensino Médio Seção IV-A – Da educação profissional técnica de nível médio Seção V – Da educação de jovens e adultos Capítulo III – Da educação profissional e tecnológica Capítulo IV – Da educação superior Capítulo V – Da educação especial Título VI – Dos profissionais da educação Título VII – Dos recursos financeiros Título VIII – Das disposições gerais Título IX – Das disposições transitórias Com esta exposição podemos compreender o que antes Carneiro (2015) nos apresentou em suas considerações sobre a construção da LDB. Possuímos um documento com largas possibilidades de mudanças sociais e políticas públicas que auxiliam na caminhada política educacional brasileira. Tanto a Constituição Federal como a LDB estão interligadas, dando, assim, condições de mesclar sua estruturação e alinhamentos. Para que você tenha maiores conhecimentos sobre a LDB na íntegra, solicitamos que busque nas páginas do Portal do Ministério da Educação esse documento, ou no link . http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9394.htm BREVE ANÁLISE DOS TÍTULOS DA LDB Faremos, agora, em algumas páginas a análise de cada título da LDB, para sua melhor compreensão e análise: Título I Da Educação Art. 1º A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais. § 1º Esta Lei disciplina a educação escolar, que se desenvolve, predominantemente, por meio do ensino, em instituições próprias. § 2º A educação escolar deverá vincular-se ao mundo do trabalho e à prática social (BRASIL, 1996, grifo do original). Podemos observar que este artigo não trata somente da educação formal, mas da que ocorre também fora das universidades e das escolas (informal), como nos espaços da família, no trabalho, nas organizações sociais, nas associações, nos sindicatos, entre outros. Ainda neste artigo, no § 2º, quando trata da vinculação ao mundo do trabalho e a prática social, a educação passa a ser vista através de quatro conceitos estruturantes, assim apresentados por Carneiro (2015, p. 52, grifos do original): a) Prática social: atividade socialmente produzida, ao mesmo tempo, produtora de existência social. Significa, também, soma de processos históricos determinados pelas ações humanas. b) Mundo do trabalho: ambiente de construção de sobrevivência, mas também de transformação social. c) Movimentos sociais: esforços organizados de construção de espaços alternativos de organização coletiva com vistas à emancipação das coletividades. d) Manifestações culturais: expressões da cultura enquanto conceito antropológico. Reporta o mundo que o homem cria através de sua intervenção sobre a natureza, ou seja, através de seu trabalho. Neste sentido, não há cultura superior a outra, há, isto sim, culturas diferentes. Estes conceitos retratam o que nós, educadores, das mais diversas áreas necessitamos saber, e distinguir o que significa o mundo do trabalho de mercado do trabalho. De acordo com Carneiro (2015, p. 52), o mundo do trabalho é “o campo por excelência da realização humana e da construção coletiva da cidadania com qualidade de vida”. Com relação ao mercado de trabalho, o mesmo autor afirma que: “é lugar da empregabilidade, dos pontos fixos de ocupação e, portanto, da profissionalidade. E embora diferentes, estes conceitos se completam em uma visão unificadora de desenvolvimento e formação”. Ainda em relação a este parágrafo, podemos determinar que a escolaé o espaço que assegura a entrada do sujeito na vida intelectual, o auxiliando na construção de seus conhecimentos de forma sistematizada, conforme Carneiro (2015, p. 53): [...] ela abre os caminhos de todos e de cada um para uma relação criativa com o saber produzido pelo ser humano trabalhador. Ora se é verdade que o sujeito aprendente apropria-se de uma parte do patrimônio cultural humano, é também verdade que a conexão entre sujeito e saber – entre educação escolar e vida – se dá pelo trabalho. Por isso, pode-se dizer, em um certo sentido, que o primeiro princípio do saber é o trabalho, fonte de prática social. Título II Dos Princípios e Fins da Educação Nacional Art. 2º A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho (BRASIL, 1996, grifo do original). Observamos que a Constituição Federal possui escrita similar ao apresentado no Artigo 2º. Encontramos, nesse artigo, as responsabilidades relativas ao Estado e às famílias no que se refere à Educação. Ao Estado cabe se organizar ou se balizar de maneira legal frente à educação, observando o que segue na Constituição Federal nos artigos 208 a 214 já apresentados anteriormente. Além do que apresenta a LDB (Lei 9.349/96) e o Estatuto da Criança e do Adolescente, Capítulo IV (Do Direito à Educação, à Cultura, ao Esporte e ao Lazer) (Lei 8.069/90) (CARNEIRO, 2015). Quanto à finalidade da educação, ela se apresenta em três momentos, sendo eles: a obtenção do pleno desenvolvimento do educando, dando ao indivíduo dentro de sua aprendizagem um desenvolvimento suave e progressivo. Preparação para o exercício da cidadania: desenvolver o conceito de cidadania de maneira global, observando que esta construção é gradativa, necessita de observância. Qualificação para o trabalho: a escola necessita se organizar de maneira a repassar ao educando uma relação educação-trabalho, voltada para tornar o trabalho altamente produtivo e que o conhecimento construído possa auxiliar no desenvolvimento do educando. Art. 3º O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber; III - pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas; IV - respeito à liberdade e apreço à tolerância; V - coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; VI - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; VII - valorização do profissional da educação escolar; VIII - gestão democrática do ensino público, na forma desta Lei e da legislação dos sistemas de ensino; IX - garantia de padrão de qualidade; X - valorização da experiência extraescolar; XI - vinculação entre a educação escolar, o trabalho e as práticas sociais; XII - consideração com a diversidade étnico-racial (Incluído pela Lei nº 12.796, de 2013) (BRASIL, 1996). Nesse artigo temos 12 princípios, os quais devem nortear o ensino brasileiro. Sabemos que muitos desses princípios ainda estão em construção no que diz respeito a sua prática diária, mas denotam avanços ocorridos em nossa sociedade e na implementação dos direitos e garantias de qualidade e valorização dos profissionais da educação escolar, desenvolvimento de concepções pedagógicas e sua aceitação, além das questões relativas à diversidade étnico- racial. Título III Do Direito à Educação e do Dever de Educar Este título é formado por quatro artigos, art. 4º, 5º, 6º e 7º que tratam dos deveres e responsabilidades do Estado e da sociedade civil, no que tange à educação escolar. Podemos perceber que o artigo 4º sofreu mudanças através da Lei 12.796/2013, que amplia os níveis de educação escolar básica como gratuita e obrigatória, sendo assim delineados: Educação Infantil da Pré-escola, o Ensino Fundamental e o Ensino Médio. Você, acadêmico, já deve ter observado em sua escola, ou com seus familiares que possuem crianças em idade escolar, a mudança ocorrida no que diz respeito a matrículas. A partir de agora, os pais devem matricular seus filhos na Educação Infantil, a partir dos 4 anos, levando-os para a pré-escola. Cabe ressaltar que esta mudança ocorreu pelo fato de que anteriormente aos pais era obrigatória a matrícula a partir dos seis anos, sendo que a única forma de educação obrigatória era o Ensino Fundamental. Assim, a Pré-escola integra a Educação Infantil, a qual representa a primeira etapa da Educação Básica. Conforme Carneiro (2015, p. 92): “A Educação Infantil tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança de até cinco anos de idade, com foco em quatro dimensões: A – desenvolvimento físico; B – desenvolvimento psicológico; C – desenvolvimento intelectual e D – desenvolvimento social”. Com relação ao Ensino Fundamental, pode-se afirmar que é uma sequência do que já foi iniciado na Educação Infantil, dando ênfase em: Seu desenvolvimento da capacidade de aprendizagem; aprofundamento no processo de alfabetização; compreendimento nas esferas cultural, social, natural, educacional, político e econômico, aproximando-se também das tecnologias, das artes, da cultura e dos valores em que a sociedade se fundamenta. Observa-se, também, a necessidade do fortalecimento dos vínculos familiares, a observância em relação à solidariedade humana (CARNEIRO, 2015, p. 97). Esta etapa da Educação Fundamental possui duração de nove anos obrigatórios e gratuitos. Assim organizados: Anos Iniciais (formado por cinco anos); Anos Finais (formado por quatro anos). O Ensino Médio passou por diversas mudanças, você, acadêmico, pode observar no Portal do MEC as diversas alterações, sendo que na atualidade este nível de ensino passa a ser como “oferta obrigatória universal e gratuita” (CARNEIRO, 2015, p. 103). Com esta dita universalização do Ensino Médio gratuito, ele passa a aliar três níveis de alcance. São eles, conforme Carneiro (2015, p. 103, grifos do original): Social, porque eleva o padrão de escolaridade do cidadão brasileiro, aprimorando os níveis de compreensão política em geral; cultural, porque ressitua as pessoas no contexto das diversas linguagens atuais, ampliando as chances de multiplicar os espaços dialógicos e interacionistas e, por fim, econômico, porque qualifica o trabalhador, ensejando uma relação profissional mais adequada com as transformações produtivas e com a TECNOCIÊNCIA. Cabe salientar que a organização do Ensino Médio tem como foco, conforme o art. 26, da Res. nº 04/2010-CNE, apresentado por Carneiro (2015, p. 105): a) A consolidação e o aprofundamento dos conhecimentos assimilados no Ensino Fundamental. b) A preparação básica para a cidadania e o trabalho. c) O desenvolvimento do aluno como pessoa humana. d) A formação ética e estética do aluno associada ao desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico. e) A compreensão dos fundamentos científicos e tecnológicos da produção contemporânea. f) A aquisição de competências e habilidades para continuar aprendendo ao longo da vida. Cabe aqui uma reflexão: frente a estas finalidades podemos nos ater ao que realmente está sendo realizado em nossas escolas. Em sua visão, o Ensino Médio possui estas ações ou fins em nosso cotidiano pedagógico? Estamos realizando estes movimentos para chegarmos a estes fins? Cabe ressaltar, também, a presença do “III - atendimento educacional especializado gratuito aos educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, transversal a todos os níveis, etapas e modalidades, preferencialmente na rede regular de ensino; [...]” (Redação dada pela Lei nº 12.796, de 2013) (BRASIL, 2013). Este atendimentoeducacional especializado necessita de uma organização, a qual assim pode ser determinada, conforme Carneiro (2015, p. 122): i) Matrícula dos alunos preferencialmente nas escolas regulares e nas classes comuns; ii) Professores devidamente capacitados e especializados; iii) Flexibilizações e adaptações curriculares com foco no significado prático e instrumental dos conteúdos essenciais; iv) Metodologias de ensino e recursos didáticos diferenciados; v) Processos de avaliação adequados ao desenvolvimento dos alunos que apresentam necessidades educacionais especiais; vi) Projeto pedagógico permeável à diferença e à diversidade; vii) Serviços de apoio pedagógico especializado para complementação ou suplementação curricular, utilizando equipamentos e materiais específicos; viii) Rede de apoio interinstitucional que envolva equipes multidisciplinares a serem acionadas sempre que necessário para o sucesso do aluno em seu processo de aprendizagem. Caro acadêmico, você poderá se perguntar: como ocorre esta educação inclusiva, qual sua fundamentação? O fundamento da educação inclusiva, segundo a Declaração de Salamanca, é: “[...] que todas as crianças, sempre que possível, devem aprender juntas, independentemente de suas dificuldades e diferenças. A inclusão educativa é um movimento da sociedade planetária com três décadas de história, enraizada no respeito intransigente aos direitos humanos” (MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, 1994, p. 1). Ouve-se muito falar em educação inclusiva, assim, salientamos que o Brasil é um país que buscou alinhar seus parâmetros de conduta que implicam em ações e atitudes de todos os profissionais, sejam da esfera Federal, Estadual ou Municipal, incluindo os profissionais das escolas. • Aprender é uma ação humana em cuja centralidade está o aluno. • Adaptar o conteúdo escolar é ação do próprio aluno no âmbito do processo de autorregulação. • Modular a assimilação dos conhecimentos é processo dependente das limitações e possibilidades do aluno. • Reconhecer e valorizar as diferenças é o primeiro passo para a escola comum recriar suas práticas pedagógicas. • Trabalhar com uma gama variada de atividades é o grande desafio do professor da educação especial. • Aferir programas no campo da aprendizagem e, não, conferir quantidade de conteúdos programáticos aprendidos, é a forma adequada de proceder à avaliação dos alunos com deficiência. Com relação aos sujeitos da Educação Especial, a LDB possui seu olhar para o atendimento educacional especializado a três grupos, que são: os alunos com deficiência, os alunos com transtornos globais do desenvolvimento e os alunos com altas habilidades. Estas questões estudaremos com maior profundidade em cadernos como o de LIBRAS. Dando sequência aos estudos, vamos ao próximo título. Título IV Da Organização da Educação Nacional Este título vai do art. 8º ao 20, que trata da organização da educação nacional, apresentando as competências de cada nível da federação, sendo eles: União, Estados, Distrito Federal e Municípios. Ressalta-se que neste momento da organização da educação nacional todos os segmentos devem buscar um trabalho de colaboração que auxilie na aplicação das políticas públicas. Cada esfera possui suas responsabilidades, assim aferidas na LDB – Lei 9.349 (BRASIL, 1996, grifo do original): Art. 9º A União incumbir-se-á de: (Regulamento) I - elaborar o Plano Nacional de Educação, em colaboração com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios; II - organizar, manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais do sistema federal de ensino e o dos Territórios; III - prestar assistência técnica e financeira aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios para o desenvolvimento de seus sistemas de ensino e o atendimento prioritário à escolaridade obrigatória, exercendo sua função redistributiva e supletiva; IV - estabelecer, em colaboração com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, competências e diretrizes para a educação infantil, o ensino fundamental e o ensino médio, que nortearão os currículos e seus conteúdos mínimos, de modo a assegurar formação básica comum; IV - A - estabelecer, em colaboração com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, diretrizes e procedimentos para identificação, cadastramento e atendimento, na educação básica e na educação superior, de alunos com altas habilidades ou superdotação; (Incluído pela Lei nº 13.234, de 2015) V - coletar, analisar e disseminar informações sobre a educação; VI - assegurar processo nacional de avaliação do rendimento escolar no ensino fundamental, médio e superior, em colaboração com os sistemas de ensino, objetivando a definição de prioridades e a melhoria da qualidade do ensino; VII - baixar normas gerais sobre cursos de graduação e pós-graduação; VIII - assegurar processo nacional de avaliação das instituições de educação superior, com a cooperação dos sistemas que tiverem responsabilidade sobre este nível de ensino; IX - autorizar, reconhecer, credenciar, supervisionar e avaliar, respectivamente, os cursos das instituições de educação superior e os estabelecimentos do seu sistema de ensino. (Vide Lei nº 10.870, de 2004) § 1º Na estrutura educacional, haverá um Conselho Nacional de Educação, com funções normativas e de supervisão e atividade permanente, criado por lei. § 2° Para o cumprimento do disposto nos incisos V a IX, a União terá acesso a todos os dados e informações necessários de todos os estabelecimentos e órgãos educacionais. § 3º As atribuições constantes do inciso IX poderão ser delegadas aos Estados e ao Distrito Federal, desde que mantenham instituições de educação superior. Tomamos a liberdade de apresentar na íntegra este documento, pois denota a importância de sabermos qual a responsabilidade de cada esfera federativa no que diz respeito à Educação. Observamos no Artigo 9º, que compete à União, a sistematização e análise dos dados oriundos de todas as redes de ensino. Caro acadêmico, você já ouviu falar sobre o Saeb (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica) e o Sinaes (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior)? Pois bem, trataremos deles mais adiante, mas podemos dizer que eles são mecanismos que a União utiliza para a sistematização e análise de dados educacionais. Os artigos a seguir tratam da incumbência dos Estados, Distrito Federal e Municípios (BRASIL, 1996). Art. 10. Os Estados incumbir-se-ão de: I - organizar, manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais dos seus sistemas de ensino; II - definir, com os Municípios, formas de colaboração na oferta do ensino fundamental, as quais devem assegurar a distribuição proporcional das responsabilidades, de acordo com a população a ser atendida e os recursos financeiros disponíveis em cada uma dessas esferas do Poder Público; III - elaborar e executar políticas e planos educacionais, em consonância com as diretrizes e planos nacionais de educação, integrando e coordenando as suas ações e as dos seus Municípios; IV - autorizar, reconhecer, credenciar, supervisionar e avaliar, respectivamente, os cursos das instituições de educação superior e os estabelecimentos do seu sistema de ensino; V - baixar normas complementares para o seu sistema de ensino; VI - assegurar o ensino fundamental e oferecer, com prioridade, o ensino médio a todos que o demandarem, respeitado o disposto no art. 38 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 12.061, de 2009). VII - assumir o transporte escolar dos alunos da rede estadual (Incluído pela Lei nº 10.709, de 31.7.2003). Parágrafo único. Ao Distrito Federal aplicar-se-ão as competências referentes aos Estados e aos Municípios. Art. 11. Os Municípios incumbir-se-ão de: I - organizar, manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais dos seus sistemas de ensino, integrando-os às políticas e planos educacionaisda União e dos Estados; II - exercer ação redistributiva em relação as suas escolas; III - baixar normas complementares para o seu sistema de ensino; IV - autorizar, credenciar e supervisionar os estabelecimentos do seu sistema de ensino; V - oferecer a educação infantil em creches e pré-escolas, e, com prioridade, o ensino fundamental, permitida a atuação em outros níveis de ensino somente quando estiverem atendidas plenamente as necessidades de sua área de competência e com recursos acima dos percentuais mínimos vinculados pela Constituição Federal à manutenção e desenvolvimento do ensino. VI - assumir o transporte escolar dos alunos da rede municipal (Incluído pela Lei nº 10.709, de 31.7.2003). Parágrafo único. Os Municípios poderão optar, ainda, por se integrar ao sistema estadual de ensino ou compor com ele um sistema único de educação básica. Conforme Santos (2012, p. 36), “também vale destacar que a redação da LDB aponta claramente para uma integração entre os sistemas de ensino municipal e estadual, coisa que ainda está muito longe de acontecer”. Observe, acadêmico, que tanto estados como municípios possuem autonomia de baixar normas complementares, desde que estas não arranhem os princípios gerais apresentados na Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Já o Artigo 12 tem como funcionalidade apresentar as atribuições dos estabelecimentos de ensino (BRASIL, 1996): Art. 12. Os estabelecimentos de ensino, respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino, terão a incumbência de: I - elaborar e executar sua proposta pedagógica; II - administrar seu pessoal e seus recursos materiais e financeiros; III - assegurar o cumprimento dos dias letivos e horas-aula estabelecidas; IV - velar pelo cumprimento do plano de trabalho de cada docente; V - prover meios para a recuperação dos alunos de menor rendimento; VI - articular-se com as famílias e a comunidade, criando processos de integração da sociedade com a escola; VII - informar os pais e responsáveis sobre a frequência e o rendimento dos alunos, bem como sobre a execução de sua proposta pedagógica; VII - informar pai e mãe, conviventes ou não com seus filhos, e, se for o caso, os responsáveis legais, sobre a frequência e rendimento dos alunos, bem como sobre a execução da proposta pedagógica da escola; (Redação dada pela Lei nº 12.013, de 2009) VIII – notificar ao Conselho Tutelar do Município, ao juiz competente da Comarca e ao respectivo representante do Ministério Público a relação dos alunos que apresentem quantidade de faltas acima de cinquenta por cento do percentual permitido em lei (Incluído pela Lei nº 10.287, de 2001). Percebemos quais são as incumbências do estabelecimento educacional em relação ao seu funcionamento. Cabendo observância no cumprimento das horas-aula, dos dias letivos. Observa-se, também, a presença da sociedade civil no que diz respeito ao número elevado de faltas do educando, tendo a escola a responsabilidade de acionar o Conselho Tutelar. Podemos, ainda, ousar em dizer que todo o artigo busca a gestão compartilhada, sendo a responsabilidade participada entre Estado, escola e a sociedade civil. Cabe ressaltar também as incumbências do profissional da educação, que estão assim alinhadas na LDB: Art. 13. Os docentes incumbir-se-ão de: I - participar da elaboração da proposta pedagógica do estabelecimento de ensino; II - elaborar e cumprir plano de trabalho, segundo a proposta pedagógica do estabelecimento de ensino; III - zelar pela aprendizagem dos alunos; IV - estabelecer estratégias de recuperação para os alunos de menor rendimento; V - ministrar os dias letivos e horas-aula estabelecidos, além de participar integralmente dos períodos dedicados ao planejamento, à avaliação e ao desenvolvimento profissional; VI - colaborar com as atividades de articulação da escola com as famílias e a comunidade. Observamos nesse artigo que os profissionais da educação são chamados a se posicionar como profissionais da educação, e não como meros coadjuvantes do sistema educacional. Sabemos das lacunas existentes dentro do sistema educacional, principalmente no que tange à valorização do professor, mas necessitamos buscar meios para que este quadro se modifique. Para isso, necessitamos fazer o que você está realizando agora, a busca do conhecimento das leis, de nossos deveres e de nossos direitos neste processo. Visto isso, vamos utilizar as palavras de Santos (2012, p. 38), que se refere aos demais artigos deste título IV: No que alude aos sistemas de ensino, os arts. 14 e 15 atribuem-lhes a responsabilidade de promover a gestão democrática do público, além de assegurar autonomia administrativa e pedagógica às unidades que os compõem. Os arts. 16, 17 e 18 definem a área de abrangência de cada sistema de ensino. A esse respeito, cabe observar que, curiosamente, as instituições de educação infantil mantidas pela iniciativa privada integram os sistemas municipais de ensino, ainda que sua autonomia didático- administrativa e financeira seja preservada. Já os arts. 19 e 20 regulamentam as definições de instituição pública (art.19) e privada (art.20) de ensino. Partiremos agora para o título que se refere aos níveis e modalidades de Educação e Ensino. Título V Dos Níveis e das Modalidades de Educação e Ensino Capítulo I Da Composição dos Níveis Escolares “Art. 21. A educação escolar compõe-se de: I - educação básica, formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio; II - educação superior” (BRASIL, 1996). Na sua estrutura educacional, a educação escolar possui esta organização: • Creche: três anos de duração. Destinado às crianças de 0 a 3 anos. • Pré-escola: dois anos de duração. Para crianças de 4 a 5 anos. • Ensino Fundamental: nove anos de duração. Para crianças de 6 a 14 anos. • Ensino Médio: mínimo de três anos de duração. Destinado a alunos de 15 a 17 anos (CARNEIRO, 2015, p. 142). De acordo com Carneiro (2015, p. 142): Quando as etapas e fases de aprendizagem circulam fora da previsão de idades regulares, assumem configurações diversas, de ensino não regular, voltada para o perfil de alunos que fogem à norma, como é o caso, entre outros, de estudantes com atraso de matrícula e/ou no percurso escolar, de jovens e adultos sem escolarização ou com esta incompleta. Para estas outras situações, há previsão na LDB (art. 24, Inc. V, alínea b e art. 37 e 38), e, desdobramento, na Res. CNE/CEB 4/2010, art. 21, parágrafo único). Do artigo 22 ao 60 vamos mostrar quais as habilidades que o profissional da educação deve possuir. O título V é o mais extenso, e que possui elevado número de ações, que enquanto profissional da educação ou futuro profissional da educação, necessita estar atento. Assim, podemos apresentar sua composição: Capítulo II – da Educação Básica. Que se subdivide em: Seção I – Das Disposições Gerais (art. 22 ao art. 28). Seção II – Da Educação Infantil (art. 29 ao art. 31). Seção III – Do Ensino Fundamental (art. 32 ao art. 34) Seção IV – Do Ensino Médio, incluindo a seção IV-a – Da Educação Profissional Técnica de Nível Médio (art. 35 ao art. 36 –D). Seção V – Da Educação de Jovens e Adultos (art. 37 e 38). O Capítulo I já referimos anteriormente, definindo assim os níveis de ensino, suas funcionalidades, sua hierarquização, a qual se apresenta também na Constituição Federal. Sabemos que há muito ainda para ser desenvolvido e discutido frente à Educação Básica, para chegar à universalização da Educação. *Universalização: tornar comum (FERREIRA, 2001, p. 736). Já o Capítulo II, traz a Educação Básica como foco, trazendo a ideia de que a Educação Básica não está somente focada na preparação para o Ensino Superior, mas sim, sendo vista como etapa fundamental na formação humana de cada cidadão. Abarca também a Educação Infantil até o Ensino Médio, define as regrasreferentes ao Ensino Religioso e a estruturação do Ensino Médio. Os elementos aqui apresentados “encontram-se na LDB de maneira ampla e flexível [...] resta às escolas e aos sistemas de ensino a tarefa de definir o que seria ‘humano’, para só então utilizar a educação básica como modelo de formação humana” (SANTOS, 2012, p. 41). No que diz respeito à ideia de cidadania, ainda nos apresenta Santos (2012, p. 41): [...] embora a educação básica seja concebida como elemento indispensável para a formação da cidadania, se não houver uma definição de cidadania, um conceito como esse cai no vazio das definições, carecendo da clareza necessária para expressar uma diretriz de formação humana, tal como a pretendida nessa visão de educação básica. Ainda em relação às regras referentes ao ensino religioso, que se apresentam no art. 33 da LDB, encontramos muitas controvérsias. Conforme Santos (2012, p. 42): Essa controvérsia é enfrentada na LDB da seguinte maneira: o ensino religioso deve ser oferecido obrigatoriamente nas escolas, mas sua matrícula é facultativa ao aluno. Para evitar problemas relativos aos proselitismos e/ou à intolerância religiosa, a saída tentada, no âmbito da LDB, foi de que o conteúdo dessa matéria fosse definido a partir de associações civis (nos sistemas de ensino), composta por representantes das diversas confissões e denominações religiosas. Aparentemente, isso garantiria uma solução democrática no que compete às decisões tomadas pelos representantes dos credos, na escolha de conteúdo do ensino religioso, mas, na realidade, isso trouxe – e continua trazendo – tanta controvérsia que, na prática, essa é uma questão indefinida. No que diz respeito ao Ensino Médio, e como já vimos anteriormente, a LDB expõe que o tempo de duração desse ensino é de três anos, compondo assim a etapa final da educação básica. Vejamos o art. 36, no que tange ao currículo (BRASIL, 1996): I - destacará a educação tecnológica básica, a compreensão do significado da ciência, das letras e das artes; o processo histórico de transformação da sociedade e da cultura; a língua portuguesa como instrumento de comunicação, acesso ao conhecimento e exercício da cidadania; II - adotará metodologias de ensino e de avaliação que estimulem a iniciativa dos estudantes; III - será incluída uma língua estrangeira moderna, como disciplina obrigatória, escolhida pela comunidade escolar, e uma segunda, em caráter optativo, dentro das disponibilidades da instituição. IV – serão incluídas a Filosofia e a Sociologia como disciplinas obrigatórias em todas as séries do ensino médio. (Incluído pela Lei nº 11.684, de 2008) No que diz respeito à seção IV-A, encontramos a Educação Profissional Técnica de Nível Médio (art. 35 ao art. 36-D). Estes artigos retratam como será desenvolvida esta educação profissional técnica (BRASIL, 1996): I - integrada, oferecida somente a quem já tenha concluído o ensino fundamental, sendo o curso planejado de modo a conduzir o aluno à habilitação profissional técnica de nível médio, na mesma instituição de ensino, efetuando-se matrícula única para cada aluno; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) II - concomitante, oferecida a quem ingresse no ensino médio ou já o esteja cursando, efetuando-se matrículas distintas para cada curso, e podendo ocorrer: (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) a) na mesma instituição de ensino, aproveitando-se as oportunidades educacionais disponíveis; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) b) em instituições de ensino distintas, aproveitando-se as oportunidades educacionais disponíveis; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) c) em instituições de ensino distintas, mediante convênios de intercomplementaridade, visando ao planejamento e ao desenvolvimento de projeto pedagógico unificado (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008). Com relação à titulação, a LDB assim determina para a Educação Profissional Técnica de Nível Médio: Art. 36-D. Os diplomas de cursos de educação profissional técnica de nível médio, quando registrados, terão validade nacional e habilitarão ao prosseguimento de estudos na educação superior. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) Parágrafo único. Os cursos de educação profissional técnica de nível médio, nas formas articulada concomitante e subsequente, quando estruturados e organizados em etapas com terminalidade, possibilitarão a obtenção de certificados de qualificação para o trabalho após a conclusão, com aproveitamento de cada etapa que caracterize uma qualificação para o trabalho (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) (BRASIL, 1996). E por último, na Seção V – Da Educação de Jovens e Adultos, em seu artigo 37 diz que: “Art. 37. A educação de jovens e adultos será destinada àqueles que não tiveram acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental e médio na idade própria” (BRASIL, 1996). Com este artigo podemos determinar que grande parte das matrículas do EJA se encontram na rede pública, e o EJA tem a função de viabilizar e estimular o acesso destes educandos à educação de qualidade e mediante ações integradoras. Outro fator a ser observado diz respeito ao art. 38, relativo à avaliação destes indivíduos. Que assim prescreve: Art. 38. Os sistemas de ensino manterão cursos e exames supletivos, que compreenderão a base nacional comum do currículo, habilitando ao prosseguimento de estudos em caráter regular. § 1º Os exames a que se refere este artigo realizar-se-ão: I - no nível de conclusão do ensino fundamental, para os maiores de quinze anos; II - no nível de conclusão do ensino médio, para os maiores de dezoito anos. § 2º Os conhecimentos e habilidades adquiridos pelos educandos por meios informais serão aferidos e reconhecidos mediante exames. No que cabe ao Capítulo III – Da Educação Profissional e Tecnológica, esta possui quatro artigos (art. 39 ao art. 42), que trazem em sua fundamentação os conceitos de educação profissional e de tecnologia, além da articulação com a educação regular. O Capítulo IV – Da Educação Superior, compõem-se de 15 artigos (art. 43 ao 57). A educação superior é vista como o “segmento que fecha o arco da composição da educação formal e da oferta de ensino institucional sequenciado, de acordo com a legislação educacional do país” (CARNEIRO, 2015, p. 500). Nesse capítulo, o ensino superior se desdobra em cursos e programas, presentes no Artigo 44, sendo estes estruturados com o ensino, pesquisa e extensão. Já os Artigos 45 e 46 trazem a quem compete a docência desse ensino, além das questões relativas à autorização e reconhecimento dos cursos. Art. 45. A educação superior será ministrada em instituições de ensino superior, públicas ou privadas, com variados graus de abrangência ou especialização. Art. 46. A autorização e o reconhecimento de cursos, bem como o credenciamento de instituições de educação superior, terão prazos limitados, sendo renovados, periodicamente, após processo regular de avaliação. § 1º Após um prazo para saneamento de deficiências eventualmente identificadas pela avaliação a que se refere este artigo, haverá reavaliação, que poderá resultar, conforme o caso, em desativação de cursos e habilitações, em intervenção na instituição, em suspensão temporária de prerrogativas da autonomia, ou em descredenciamento. § 2º No caso de instituição pública, o Poder Executivo responsável por sua manutenção acompanhará o processo de saneamento e fornecerá recursos adicionais, se necessários, para a superação das deficiências. O Artigo 47 trata do ano letivo, na educação superior, sendo necessária a carga horária mínima de duzentos dias de trabalho acadêmico efetivo, sendo excluído o tempo reservado aos exames finais, quando forem oferecidos. Trata ainda este artigo de questões relativas ao oferecimento de cursos de qualidade tanto no período diurno como noturno. Elenca-setambém a obrigatoriedade da frequência de alunos e professores às aulas como mecanismo de controle institucional. No Artigo 48, dispõe-se sobre os diplomas de curso superior reconhecido. Estes quando registrados, terão validade nacional como comprovação da formação recebida pelo acadêmico. Algo importante a ser ressaltado é o que se apresenta a seguir: § 1º Os diplomas expedidos pelas universidades serão por elas próprias registrados, e aqueles conferidos por instituições não universitárias serão registrados em universidades indicadas pelo Conselho Nacional de Educação. § 2º Os diplomas de graduação expedidos por universidades estrangeiras serão revalidados por universidades públicas que tenham curso do mesmo nível e área ou equivalente, respeitando-se os acordos internacionais de reciprocidade ou equiparação. § 3º Os diplomas de Mestrado e de Doutorado expedidos por universidades estrangeiras só poderão ser reconhecidos por universidades que possuam cursos de pós-graduação reconhecidos e avaliados, na mesma área de conhecimento e em nível equivalente ou superior. O § 1º traz uma inovação, conforme trata Carneiro (2015, p. 565): O § 1º inova ao permitir que diplomas expedidos por universidades sejam por elas próprias registrados. Neste caso, as universidades devem estar autorizadas a funcionar e devem estar reconhecidas legalmente. Legislação recente permite que qualquer universidade – pública ou privada – possa registrar diplomas de IES não universitárias. Por outro lado, permite igualmente que os centros universitários registrem seus próprios diplomas. *IES – Instituições de Educação Superior Com relação ao Artigo 49, ele trata da aceitação de transferência de alunos regulares para cursos afins, existindo vagas para tal processo. No Artigo 50, observam-se as questões relativas à abertura de matrículas quando houver ocorrência de vagas, mediante processo seletivo prévio conforme a lei. O Artigo 51 delibera sobre os critérios e normas de admissão dos acadêmicos, sendo estas instituições legalmente credenciadas. Vejamos o que diz o Artigo 52: Art. 52. As universidades são instituições pluridisciplinares de formação dos quadros profissionais de nível superior, de pesquisa, de extensão e de domínio e cultivo do saber humano, que se caracterizam por: I - produção intelectual institucionalizada mediante o estudo sistemático dos temas e problemas mais relevantes, tanto do ponto de vista científico e cultural, quanto regional e nacional; II - um terço do corpo docente, pelo menos, com titulação acadêmica de mestrado ou doutorado; III - um terço do corpo docente em regime de tempo integral. Conforme Carneiro (2015, p. 573), “a missão essencial da universidade é produzir e disseminar conhecimento, via formação profissional avançada, em diferentes áreas do saber”. Por este motivo recebem a denominação de instituições pluridisciplinares. No que diz respeito à formação dos profissionais, a universidade busca professores especializados em suas variadas áreas, trabalhando assim com o conhecimento articulado assegurando, “quanto possível, o domínio e o cultivo do saber humano” (CARNEIRO, 2015, p. 573). Quando se lê pluridisciplinar estamos nos remetendo a uma visão que quebra a fragmentação imposta no conhecimento curricular. Conforme Carneiro (2015, p. 574), “a universidade pluridisciplinar é um laboratório de formação e não de conformação”. Assim, existe movimento, transformação. E para que as instituições sejam pluridisciplinares é necessário que elas organizem o conhecimento sob eixos estruturantes que envolvem: i) a estrutura de diversas áreas do conhecimento; ii) o vínculo entre domínio do conhecimento e o respectivo processo de aquisição; iii) identificação do conteúdo globalizante de cada subárea do conhecimento (cursos), incluindo o saber específico e as metodologias que vão diminuir a trajetória a ser palmilhada para a assimilação deste saber; iv) a captação da estrutura das disciplinas [...]. (CARNEIRO, 2015, p. 574). Ainda conforme Carneiro (2015, p. 575), “é necessário compreendermos que a espinha dorsal da organização do ensino na universidade é a construção da unidade do conhecimento por via da multiplicidade dos saberes”. Os Artigos 53 e 54 trazem em evidência à palavra autonomia, assegurando às universidades suas atribuições para o funcionamento e andamento dos trabalhos educativos, observando sua organização no âmbito de contratação de profissionais, no seu funcionamento, contando com um estatuto jurídico especial. O Artigo 55 trata das questões relativas ao Orçamento Geral, que compete à União sua seguridade, junto às instituições superiores mantidas por ela. O Artigo 56 assim se apresenta: Art. 56 As instituições públicas de educação superior obedecerão ao princípio da gestão democrática, assegurada a existência de órgãos colegiados deliberativos, de que participarão os segmentos da comunidade institucional, local e regional. Parágrafo único. Em qualquer caso, os docentes ocuparão setenta por cento dos assentos em cada órgão colegiado e comissão, inclusive nos que tratarem da elaboração e modificações estatutárias e regimentais, bem como da escolha de dirigentes. Com relação a este artigo, podemos verificar que a gestão democrática é vista como matéria de definição constitucional, conforme o art. 206, inc. VI. Observa-se que esta gestão deve ser apresentada nos documentos que legislam cada sistema e juntamente aos regulamentos de cada instituição. O Artigo 57 trata das questões relativas às horas que o professor deverá realizar na instituição pública de educação superior, sendo esta carga mínima de oito horas semanais de aulas. “O Capítulo V – que trata da Educação Especial, possui em sua formação três artigos (art. 58 ao 60), que determinam a regulamentação, da definição conceitual da educação especial enquanto modalidade de ensino presente em todos os níveis” (SANTOS, 2012, p. 39). Nesses artigos temos presente o que consta na Constituição Federal de 1988, que define as formas de organização, estruturação, preferencialmente na rede regular de ensino. Na Lei de Diretrizes e Bases da Educação, então encontramos o desejo de uma sociedade inclusiva. Art. 58. Entende-se por educação especial, para os efeitos desta lei, a modalidade de educação escolar oferecida, preferencialmente, na rede regular de ensino, para educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação (Redação dada pela Lei nº 12.796, de 2013) (BRASIL, 1996). Quem são os “educandos portadores de necessidades especiais?”. Conforme Carneiro (2015, p. 610-611), assim fica delineado: O autor ainda trata de outros registros crescentes na sociedade de alunos especiais relativos a situações de risco e de trabalho forçado, privando a vida dos educandos como: • Alunos filhos de pais separados. • Alunos filhos de pais alcoólatras. • Alunos sem pais. • Alunos filhos de pais desempregados. • Alunos filhos de pais encarcerados. • Alunos dependentes de drogas. • Alunos com problemas de subnutrição. • Alunos/meninos de rua. • Alunos que vivem em situação de risco. • Alunos cujos pais vivem em trânsito/filhos de famílias circenses, de caminhoneiros, boias- frias, agricultores em terra, de famílias ciganas etc. (CARNEIRO, 2015, p. 45). Frente ao exposto, podemos determinar que os educandos que necessitam de atendimento educacional especializado precisam estar em uma escola que seja flexível e possua uma equipe multidisciplinar capaz de realizar este apoio aos professores que se comprometem com o ensino, favorecendo um ambiente em que a aprendizagem seja voltada às políticas inclusivas. *Essa temática será mais aprofundada no Caderno de Estudos de Educação Inclusiva. Já o Artigo 59 trata das questões relativas aos educandos que possuam transtornos globais do desenvolvimentoe as altas habilidades ou superdotação, apresentando-lhes currículo, métodos e recursos educativos para atender suas necessidades. A escola deverá possuir professores com especialização em nível superior, bem como os professores regentes serem capacitados para a integração destes educandos. Trata-se, também, do acesso igualitário aos programas sociais. O Artigo 60 trata das questões relativas aos órgãos normativos dos sistemas de ensino referentes à educação especial na esfera privada “sem fins lucrativos, especializadas, e com atuação exclusiva em educação especial, para fins de apoio técnico e financeiro pelo poder público” (BRASIL, 1996). Parágrafo único. O poder público adotará, como alternativa preferencial, a ampliação do atendimento aos educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação na própria rede pública regular de ensino, independentemente do apoio às instituições previstas neste artigo (Redação dada pela Lei nº 12.796, de 2013) (BRASIL, 1996). De acordo com Carneiro (2015, p. 640): A Educação Especial no Brasil desenvolveu-se, primeiramente, em instituições privadas sem fins lucrativos. Só depois, mercê de grandes pressões sociais, o Estado passou a se ocupar do assunto. Neste sentido, não se pode esquecer da grande contribuição que instituições como as Apaes, Pestalozzi, Febiex e tantas outras ofereceram e continuam a oferecer para o desenvolvimento da Educação Especial no Brasil. Cabe ressaltar ainda que com a colaboração da sociedade, como confere a Constituição Federal, em seu Artigo 205, a lei reconhece que se necessita de órgãos normatizadores junto ao sistema de ensino, para definirem critérios de caracterização institucional e pedagógico, para que as instituições que tratam da educação especial recebam o apoio técnico e financeiro do Poder Público. Título VI Dos Profissionais da Educação Este título IV é composto por seis artigos, art. 61 a 67. Estes artigos buscam definir quem são os profissionais da educação. Também é tratado de sua formação profissional (BRASIL, 1996). Art. 61. Consideram-se profissionais da educação escolar básica os que, nela estando em efetivo exercício e tendo sido formados em cursos reconhecidos, são: (Redação dada pela Lei nº 12.014, de 2009) I – professores habilitados em nível médio ou superior para a docência na educação infantil e nos ensinos fundamental e médio; (Redação dada pela Lei nº 12.014, de 2009) II – trabalhadores em educação portadores de diploma de pedagogia, com habilitação em administração, planejamento, supervisão, inspeção e orientação educacional, bem como com títulos de mestrado ou doutorado nas mesmas áreas; (Redação dada pela Lei nº 12.014, de 2009) III – trabalhadores em educação, portadores de diploma de curso técnico ou superior em área pedagógica ou afim (Incluído pela Lei nº 12.014, de 2009). Parágrafo único. A formação dos profissionais da educação, de modo a atender às especificidades do exercício de suas atividades, bem como aos objetivos das diferentes etapas e modalidades da educação básica, terá como fundamentos: (Incluído pela Lei nº 12.014, de 2009) I – a presença de sólida formação básica, que propicie o conhecimento dos fundamentos científicos e sociais de suas competências de trabalho; (Incluído pela Lei nº 12.014, de 2009) II – a associação entre teorias e práticas, mediante estágios supervisionados e capacitação em serviço; (Incluído pela Lei nº 12.014, de 2009) III – o aproveitamento da formação e experiências anteriores, em instituições de ensino e em outras atividades. (Incluído pela Lei nº 12.014, de 2009) Os Artigos 61, 62, 63, 64 e 65 retratam a preocupação deste profissional da educação, que são os professores que “ministram o ensino, e os demais, que apoiam todo o processo de ensino-aprendizagem e de desenvolvimento do aluno, além dos vários caminhos de formação. Já o Art. 66 fixa a diferenciação existente com relação à preparação para o magistério superior” (CARNEIRO, 2015, p. 644). Cabe ressaltar aqui a presença da formação continuada, apresentada no Artigo 62 em seus incisos. Além do Artigo 67, que institui a valorização dos profissionais da educação. Esta temática será apresentada na próxima unidade deste caderno. Título VII Dos Recursos Financeiros Esse título é formado por nove artigos, os quais vão do art. 68 ao 77, dando ênfase aos recursos destinados à educação. Vamos a eles: o Artigo 68 se refere a quais são os recursos públicos a serem investidos na educação e sua origem. No Artigo 69 trata-se da fixação dos percentuais a serem aplicados na educação. Art. 69. A União aplicará, anualmente, nunca menos de dezoito, e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, vinte e cinco por cento, ou o que consta nas respectivas Constituições ou Leis Orgânicas, da receita resultante de impostos, compreendidas as transferências constitucionais, na manutenção e desenvolvimento do ensino público. Conforme Santos (2012, p. 49), a fixação destes investimentos em educação em percentuais fixados acaba por impedir dois problemas, a dizer: “a. A desvalorização financeira dos recursos alocados para esse fim. b. O descompromisso dos entes federativos com suas atribuições constitucionais, no que tange ao financiamento da educação pública”. No Artigo 70 apresentam-se as definições sobre a finalidade das verbas e manutenção da Educação. O artigo 71 trata de complementar o que foi apresentado no artigo anterior. Já os Artigos 72 e 73 se referem à divulgação publicamente dos valores aplicados anualmente no desenvolvimento e manutenção do ensino, bem como as regras para a prestação das contas das operações financeiras concretizadas. O Artigo 74 trata da fixação de um valor mínimo para cada aluno da rede de ensino, sendo este valor repassado pela União, de forma colaborativa com os Estados, Distrito Federal e Municípios, assegurando assim um ensino de qualidade. Este cálculo será realizado ao final de cada ano letivo pela União e será repassado observando as questões relativas às variações regionais no custo dos produtos e nas variadas modalidades de ensino. Artigo 75: “A ação supletiva e redistributiva da União e dos Estados será exercida de modo a corrigir, progressivamente, as disparidades de acesso e garantir o padrão mínimo de qualidade de ensino” (BRASIL, 1996). Observa-se que neste artigo se busca reduzir as desigualdades regionais relativas à educação nacional. O Artigo 76 complementa o artigo anterior, dando a entender que existirá um regime de colaboração entre Estados, Municípios e a União no que tange à educação. Já o Artigo 77 trata da regulação das transferências de recursos públicos para instituições que tratam da educação, como escolas comunitárias, confessionais ou filantrópicas que possuam comprovação de finalidade não lucrativa além da prestação de contas ao poder público. Título VIII Das Disposições Gerais Neste título estão apresentados os artigos 78 a 86, que tratam sobre a regulação específica relativa a questões que abarcam desde a educação indígena, educação de jovens e adultos (EJA), chegando à educação a distância. O artigo 78, aborda a educação indígena: “Art. 78. O Sistema de Ensino da União, com a colaboração das agências federais de fomento à cultura e de assistência aos índios, desenvolverá programas integrados de ensino e pesquisa, para oferta de educação escolar bilíngue e intercultural aos povos indígenas [...]” (BRASIL, 1996). Este artigo da LDB vem com o conceito de multiculturalismo, com o objetivo de assim poder trabalhar com conteúdos ligados às culturas indígenas, respeitando sua língua e sua cultura. O Artigo 79 trata de questões relativas à competência da União em subsidiar os sistemas de ensino que promovam a educação intercultural, também apresentada nos PCN, onde desenvolve o tema transversalda pluralidade cultural. No Artigo 79-B, inclui-se a Lei 10.639/03, que cria nos calendários escolares a data relativa ao Dia da Consciência Negra, sendo ela dia 21 de novembro. [...] deve ser registrado, no entanto, que a noção de interculturalismo presente nesse documento não obedece à acepção própria da palavra, pois não enfatiza a relação entre as diversas culturas e etnias, mas pensa nelas como identidades estanques – negro, branco, indígena – e, alguns dos conteúdos culturais relativos a esses grupos são incluídos de modo pontual (SANTOS, 2012, p. 52). No Artigo 80 nos deparamos com a responsabilidade dos sistemas de ensino relativos à Educação a Distância. Isso nos interessa muito, caro acadêmico, pois você está realizando seus estudos numa instituição de ensino a distância. Conforme Carneiro (2015, p. 784), “o artigo 80 determina que o Poder Público vai não apenas incentivar o desenvolvimento de programas de Educação a Distância, mas também programas de educação continuada, dentro do entendimento de que a educação não é um produto, é um processo e, portanto, nunca se termina de aprender”. O autor continua seu pensamento dizendo que: Neste horizonte, sinaliza o CNE/CEB, na Res. 04/2010, ao definir as Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a Educação Básica que: ‘[...] a organização curricular deve levar em conta as experiências escolares que se desdobram em torno do conhecimento, permeadas pelas relações sociais, articulando vivências e saberes dos estudantes’ (CARNEIRO, 2015, p. 784). Com isso afirmamos que a Educação a Distância (EAD) se utiliza de espaços virtuais para multiplicar as possibilidades de aprendizagem, conforme Carneiro (2015, p. 785). Para que exista esta multiplicação de saberes necessitamos das TICs – Tecnologias de Informação e Comunicação. Os programas de Educação a Distância possuem e preveem a obrigatoriedade de momentos presenciais em: “avaliações de estudantes; estágios obrigatórios, quando previstos na legislação pertinente; defesa de trabalhos de conclusão de curso, quando previstos na legislação pertinente; atividades relacionadas a laboratórios de ensino, quando for o caso” (CARNEIRO, 2015, p. 776). Estes programas de Educação a Distância possuem os mesmos rigores da lei para seu funcionamento, e os níveis de qualidade dos cursos e programas oferecidos também possuem o mesmo peso. Observe, acadêmico, que o educando desta modalidade de ensino, como você, possui uma maior responsabilidade, cabe a cada aluno três características, pontuadas por Carneiro (2015, p. 777): a) É autodiretivo, portanto, responsável pela agenda de estudos independentes; b) é possuidor de experiência e, por isso, seletivo no conteúdo da aprendizagem; e, por fim, c) é operativo, o que o ajuda no curso dos conhecimentos práticos, ou seja, daqueles conhecimentos que respondem e correspondem a suas necessidades imediatas. Por este motivo, acadêmico, a importância de você participar dos fóruns, enquetes, realizar a leitura das trilhas, ler seu Caderno de Estudos, buscar maiores informações através das tecnologias oferecidas por sua instituição de ensino, as quais são muitas e na maior parte das vezes são deixadas de lado. Vamos utilizá-las para melhor desempenho de nossos trabalhos. As instituições na modalidade a distância também podem, através da Portaria Normativa nº 2/2007, realizar a abertura de polos, claro que com as respectivas regulamentações, como se apresenta nesta portaria. Cabe ressaltar que o papel do professor, neste ambiente de interatividade aberta condiz com as palavras de Carneiro (2015, p. 785) assim apresentadas: “o papel do professor agrega responsabilidades adicionais à medida que o aluno tende a substituir a passividade tradicional por interações e interlocuções permanentes em torno de sua autoformação, tendo como consequência a construção continuada do processo de autonomia e de postura crítica”. Já no Artigo 81, a LDB faz uma quebra, estimulando a radicalidade do pensamento pedagógico e da prática escolar, deixando de lado aquele modelo pronto, dando ao aluno a possibilidade de construção de seus conteúdos, tendo ele a responsabilidade de autorreger-se. O Artigo 82 trata de questões relativas às normas de realização do estágio, aprovada em agosto de 2008 pelo Congresso Nacional, e sancionada pelo Presidente da República. Sabemos que os estágios são parte integrante do projeto pedagógico do curso “integrando, portanto, o itinerário formativo do aluno, seu foco bipolar: desenvolvimento de competências no campo da atividade profissional projetada e contextualização do currículo mediante a integração teoria/prática” (CARNEIRO, 2015, p. 788). Cabe ressaltar, acadêmico, que a partir do sexto módulo você realizará seus estágios. Observe que eles são de extrema importância, dando a você a possibilidade de vislumbrar e colocar à prova todos os ensinamentos já construídos e apreender novos. Veja que os estágios possuem hoje uma elasticidade, pois temos na atualidade dois tipos, que são: o estágio obrigatório e o não obrigatório, também conhecido como estágio remunerado. O estágio obrigatório consta no projeto do curso das instituições de ensino e das respectivas diretrizes curriculares e o cumprimento de seus acordos legais, sendo isso imprescindível para a obtenção do diploma e consequentemente para seu registro profissional. Já o estágio não obrigatório, também conhecido como estágio remunerado, é uma atividade opcional, acrescida “à carga horária regular obrigatória ou, ainda, assume o caráter de uma atividade de formação complementar remunerada” (CARNEIRO, 2015, p. 788). O Artigo 83 trata do ensino militar, que continua sendo realizado e mantido por legislação específica. O Artigo 84 se refere aos discentes da educação superior, que poderão ser aproveitados em tarefas de ensino e pesquisa por suas instituições, exercendo funções de monitoria. Esta monitoria, conforme Carneiro (2015, p. 794): [...] é uma atividade desenvolvida na educação superior com quatro objetivos assim definidos: i) estimular o aluno a um permanente alto nível de estudo; ii) gerar um relacionamento pedagógico elevado e produtivo entre alunos e professores; iii) auxiliar o professor no desenvolvimento de atividades didático-pedagógicas; iv) suscitar, no aluno, o interesse pela carreira docente. Já o Artigo 85 estabelece que: Art. 85. Qualquer cidadão habilitado com a titulação própria poderá exigir a abertura de concurso público de provas e títulos para cargo de docente de instituição pública de ensino que estiver sendo ocupado por professor não concursado, por mais de seis anos, ressalvados os direitos assegurados pelos arts. 41 da Constituição Federal e 19 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. Este artigo traz à tona questões relativas ao compadrio, permanecendo no cargo sem que tenha feito ou participado de concurso público. *Compadrio: relações entre compadres; proteção excessiva ou injusta (FERREIRA, 2001, p. 176). O Artigo 86 trata do estabelecimento de vínculo entre as IES com o Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia. Título IX Das Disposições Transitórias Este título é composto por seis artigos que vão do art. 87 ao art. 92. Conforme Santos (2012, p. 54), “nele estão definidas ações legais com abrangência futura, e a partir dele, é possível perceber que a atual LDB revoga todas as Leis de Diretrizes e Bases anteriores”. O Artigo 87 institui a Década da Educação, que se inicia em 1997, onde se passa a realizar diversas políticas que fomentam a melhoria da educação em nosso país. A LDB instituiu a Década da Educação ao iniciar-se um ano após a publicação da lei. A ideia era importante porque recolocava, mais uma vez, a necessidade de se criarem mecanismos favoráveis à atenção dos poderes públicos e da sociedade para a questão da educação. A experiência