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Sistemas Térmicos Prof.: Thiago F. Gomes thiagog@udf.edu.br Revisão da Termodinâmica 1 Energia Capacidade de produzir uma mudança ou realizar trabalho. 2 Primeira Lei Conservação de energia em um sistema fechado. 3 Segunda Lei Direção dos processos e eficiência das máquinas térmicas. Resumo Histórico Antiguidade Primeiras observações sobre calor e temperatura. Século XVII Desenvolvimento dos primeiros termômetros. Século XVIII Teoria do calórico e primeiras máquinas térmicas. Século XIX Formulação das leis da termodinâmica. Bibliografia Recomendada Consulte a bibliografia recomendada para aprofundar seus conhecimentos em termodinâmica e áreas relacionadas. Definição de Energia Capacidade de Mudança Energia é a capacidade de produzir uma mudança ou realizar trabalho. Formas de Energia Inclui energia cinética, potencial, térmica, elétrica, química, entre outras. Unidade SI A unidade de energia no Sistema Internacional é o Joule (J). Princípio de Conservação da Energia Energia Total A energia total de um sistema isolado permanece constante. 1 Transformações A energia pode ser transformada de uma forma para outra. 2 Transferências A energia pode ser transferida entre sistemas, mas não criada ou destruída. 3 Primeira Lei da Termodinâmica 1 Enunciado A variação da energia interna de um sistema é igual à soma do calor transferido e do trabalho realizado sobre o sistema. 2 Equação ΔU = Q - W 3 Aplicações Fundamental para análise de processos termodinâmicos e máquinas térmicas. Segunda Lei da Termodinâmica Enunciado de Clausius O calor não pode fluir espontaneamente de um corpo frio para um corpo quente. Enunciado de Kelvin-Planck É impossível construir uma máquina térmica que converta todo o calor recebido em trabalho. Termodinâmica Clássica 1 Abordagem Macroscópica Estuda propriedades mensuráveis como pressão, volume e temperatura. 2 Leis Fundamentais Baseada nas leis da termodinâmica e princípios de conservação. 3 Aplicações Amplamente utilizada em engenharia e processos industriais. Termodinâmica Estatística Abordagem Microscópica Estuda o comportamento de partículas individuais em um sistema. Mecânica Estatística Utiliza probabilidade e estatística para descrever sistemas termodinâmicos. Conexão com Clássica Fornece base teórica para os princípios da termodinâmica clássica. Processos de Mudança de Fase Fusão Transição do estado sólido para líquido. 1 Vaporização Transição do estado líquido para gasoso.2 Condensação Transição do estado gasoso para líquido. 3 Solidificação Transição do estado líquido para sólido. 4 Introdução às Mudanças de Fase 1 Definição Mudanças de fase são transições entre estados da matéria. 2 Importância Fundamentais em diversos processos naturais e industriais. 3 Energia Envolvida Requerem adição ou remoção de energia sem mudança de temperatura. Temperatura de Saturação Definição Temperatura na qual uma substância pura muda de fase a uma dada pressão. Pressão de Vapor Pressão exercida pelo vapor em equilíbrio com seu líquido a uma dada temperatura. Aplicação Importante no projeto de sistemas de refrigeração e geração de vapor. Pressão de Saturação Definição Pressão na qual uma substância pura muda de fase a uma dada temperatura. Relação com Temperatura Aumenta com o aumento da temperatura. Importância Crucial para entender o comportamento de fluidos em sistemas térmicos. Tabelas de Saturação Temperatura (°C) Pressão de Saturação (kPa) 0 0.61 20 2.34 100 101.4 As tabelas de saturação fornecem propriedades termodinâmicas de substâncias puras na condição de saturação. Calor Latente de Fusão 1 Definição Energia necessária para mudar uma substância do estado sólido para líquido. 2 Unidade Geralmente expresso em kJ/kg ou J/g. 3 Exemplo O calor latente de fusão do gelo é aproximadamente 334 kJ/kg. Calor Latente de Vaporização Definição Energia necessária para mudar uma substância do estado líquido para gasoso. Unidade Geralmente expresso em kJ/kg ou J/g. Exemplo O calor latente de vaporização da água a 100°C é aproximadamente 2257 kJ/kg. Efeito da Pressão no Ponto de Ebulição Elevação (m) Temperatura de Ebulição (°C) A pressão atmosférica diminui com a altitude, afetando o ponto de ebulição da água. Diagramas de Propriedades 1 Tipos Comuns Incluem diagramas T-v, p-v, p-T e diagramas de fase. 2 Utilidade Permitem visualizar relações entre propriedades termodinâmicas. 3 Aplicações Essenciais para análise de ciclos termodinâmicos e processos de mudança de fase. Diagrama T-v Eixos Temperatura no eixo vertical e volume específico no eixo horizontal. Regiões Mostra regiões de líquido comprimido, mistura líquido-vapor e vapor superaquecido. Curva de Saturação Separa as regiões de líquido e vapor saturados. Ponto Crítico Definição Ponto onde as propriedades do líquido e do vapor se tornam idênticas. Importância Marca o fim da curva de saturação no diagrama T-v. Exemplo Para a água: 374°C, 22.06 MPa e 0.003106 m³/kg. Diagrama p-v Eixos Pressão no eixo vertical e volume específico no eixo horizontal. Isotermas Linhas de temperatura constante têm tendência descendente. Região Crítica Acima do ponto crítico, não há distinção clara entre líquido e vapor. Diagrama p-v para Diferentes Substâncias Substâncias que se Contraem Como a água, têm uma inclinação positiva na linha de fusão. Substâncias que se Expandem Como o ferro, têm uma inclinação negativa na linha de fusão. Ponto Triplo 1 Definição Ponto onde as fases sólida, líquida e gasosa coexistem em equilíbrio. 2 Importância Usado como ponto de referência em termometria. 3 Exemplo Para a água: 0.01°C e 611.73 Pa. Pontos Triplos de Diferentes Substâncias Substância Temperatura (K) Pressão (kPa) Água 273.16 0.61 Dióxido de Carbono 216.55 517 Nitrogênio 63.18 12.6 Diagrama p-T (Diagrama de Fase) Eixos Pressão no eixo vertical e temperatura no eixo horizontal. 1 Linhas de Equilíbrio Separam as regiões de sólido, líquido e vapor. 2 Ponto Triplo Ponto onde as três linhas de equilíbrio se encontram. 3 Superfície p-v-T 1 Representação 3D Mostra a relação entre pressão, volume específico e temperatura. 2 Regiões Inclui regiões de líquido comprimido, vapor superaquecido e mistura líquido- vapor. 3 Utilidade Permite visualizar todas as propriedades simultaneamente. Equação de Estado Definição Relação matemática entre propriedades termodinâmicas de uma substância. Importância Permite calcular propriedades desconhecidas a partir de propriedades conhecidas. Exemplo A equação de estado do gás ideal: pV = nRT. Equação de Estado do Gás Ideal 1 Equação pV = nRT ou pv = RT 2 Variáveis p (pressão), V (volume), n (número de moles), R (constante dos gases), T (temperatura) 3 Limitações Aproximação válida para gases a baixas pressões e altas temperaturas. Constante R do Gás Definição R = Ru / M, onde Ru é a constante universal dos gases e M é a massa molar. Unidades Comuns J/(kg·K), kJ/(kg·K), kPa·m³/(kg·K) Importância Varia para cada gás, relacionando suas propriedades específicas. Constante Universal dos Gases Ru Valor de Ru Unidades 8.31447 kJ/(kmol·K) 0.08206 L·atm/(mol·K) 1.9872 cal/(mol·K) A constante universal dos gases é a mesma para todas as substâncias. Massa Molar (Peso Molecular) 1 Definição Massa de um mol da substância, expressa em kg/kmol ou g/mol. 2 Relação m = NM, onde m é a massa, N é o número de moles e M é a massa molar. 3 Importância Fundamental para cálculos estequiométricos e termodinâmicos. Propriedades de Gases Ideais Gás Fórmula Massa Molar (kg/kmol) R (kJ/kg·K) Ar - 28.97 0.287 Nitrogênio N2 28.013 0.2968 Oxigênio O2 31.999 0.2598 Formas da Equação de Estado de Gás Ideal 1 Base Molar pV̄ = NRuT 2 Volume Específico Molar pv̄= RuT 3 Base Mássica pV = mRT Gás Ideal vs. Gás Real Gás Ideal Obedece exatamente à equação pv = RT em todas as condições. Gás Real Desvia-se da equação do gás ideal, especialmente a altas pressões e baixas temperaturas. Aplicabilidade Muitos gases se comportam como ideais em condições normais de temperatura e pressão. Fator de Compressibilidade 1 Definição Z = pv / RT, mede o desvio do comportamento do gás real em relação ao gás ideal. 2 Interpretação Z = 1 para gás ideal, Z ≠ 1 para gás real. 3 Utilidade Permite corrigir a equação do gás ideal para gases reais: pv = ZRT. Princípio dos Estados Correspondentes Conceito Gases se comportam de maneira similar quando comparados em estados correspondentes. Estados Correspondentes Definidos por propriedades reduzidas: TR = T/Tcr, pR = p/pcr, vR = v/(RTcr/pcr). Aplicação Permite prever propriedades de gases usando dados de gases similares. Outras Equações de Estado 1 Van der Waals (p + a/v²)(v - b) = RT 2 Beattie-Bridgeman p = RuT/v̄² (1 - c/v̄T³)(v̄ + B) - A/v̄² 3 Benedict-Webb-Rubin Equação mais complexa com oito constantes empíricas. Equação de Estado: Van der Waals Equação (p + a/v²)(v - b) = RT Constantes a = 27R²Tcr²/(64pcr), b = RTcr/(8pcr) Vantagem Considera o volume das moléculas e as forças intermoleculares. Equação de Estado: Beattie-Bridgeman 1 Equação p = RuT/v̄² (1 - c/v̄T³)(v̄ + B) - A/v̄² 2 Constantes A, B, a, b, c são constantes específicas para cada gás. 3 Aplicação Mais precisa que Van der Waals para uma faixa maior de pressões. Equação de Estado: Benedict- Webb-Rubin 1 Complexidade Utiliza oito constantes empíricas para maior precisão. 2 Aplicação Adequada para hidrocarbonetos e suas misturas. 3 Limitação Requer determinação experimental das constantes para cada gás. Equação de Estado: Virial Forma Geral p = RT/v + a(T)/v² + b(T)/v³ + ... Vantagem Pode ser expandida para maior precisão. Coeficientes a(T), b(T), etc., são funções da temperatura. Comparação de Equações de Estado Precisão Complexidade Comparação qualitativa da precisão e complexidade das diferentes equações de estado. Trabalho de Fronteira Móvel 1 Definição Trabalho realizado por um sistema devido à mudança de volume contra uma pressão externa. 2 Equação W = ∫ p dV 3 Importância Fundamental para análise de ciclos termodinâmicos e máquinas térmicas. Processo Politrópico Definição Processo que segue a relação pVⁿ = constante. Expoente n Determina o tipo específico de processo (isotérmico, isobárico, etc.). Aplicações Modelagem de processos em compressores, turbinas e motores. Trabalho em Processos Politrópicos Equação Geral W = (p₂V₂ - p₁V₁) / (1 - n) para n ≠ 1 Caso Especial W = p₁V₁ ln(V₂/V₁) para n = 1 (processo isotérmico) Interpretação O trabalho depende do caminho do processo, não apenas dos estados inicial e final. Balanço de Energia em Sistemas Fechados Primeira Lei Q - W = ΔE = ΔU + ΔEC + ΔEP 1 Calor (Q) Energia transferida devido a diferença de temperatura.2 Trabalho (W) Energia transferida por forças atuando através de uma distância. 3 Energia Interna (U) Soma das energias microscópicas das partículas do sistema. 4 Componentes do Balanço de Energia 1 Energia Interna ΔU = m(u₂ - u₁) 2 Energia Cinética ΔEC = ½m(V₂² - V₁²) 3 Energia Potencial ΔEP = mg(z₂ - z₁) Aplicações do Balanço de Energia Processos Industriais Análise de eficiência em reatores químicos e trocadores de calor. Sistemas de Potência Avaliação de desempenho em turbinas, compressores e motores. Sistemas de Refrigeração Cálculo de coeficiente de performance em ciclos de refrigeração. Calor Específico 1 Definição Quantidade de energia necessária para elevar a temperatura de uma unidade de massa em 1°C. 2 Calor Específico a Volume Constante (cv) Medido em processo a volume constante. 3 Calor Específico a Pressão Constante (cp) Medido em processo a pressão constante. Relação entre cp e cv Equação de Mayer cp - cv = R para gases ideais Razão de Calores Específicos k = cp / cv Importância Fundamental para análise de processos adiabáticos em gases. Processos Quase-estáticos Definição Processos que ocorrem tão lentamente que o sistema está sempre próximo do equilíbrio. Características Podem ser representados por uma série de estados de equilíbrio. Importância Permitem análise simplificada de processos termodinâmicos. Processos Reversíveis e Irreversíveis Processo Reversível Pode ser revertido sem deixar alterações no sistema ou vizinhança. Processo Irreversível Não pode ser revertido sem deixar alterações no sistema ou vizinhança. Realidade Todos os processos reais são irreversíveis; reversibilidade é uma idealização. Eficiência Termodinâmica 1 Definição Razão entre a saída desejada e a entrada necessária em um processo termodinâmico. 2 Máquinas Térmicas η = Trabalho líquido / Calor fornecido 3 Refrigeradores COP = Calor removido / Trabalho fornecido Ciclo de Carnot Definição Ciclo termodinâmico ideal, totalmente reversível. 1 Etapas Duas isotérmicas e duas adiabáticas.2 Importância Estabelece o limite máximo teórico de eficiência para máquinas térmicas. 3 Eficiência η = 1 - TC / TH 4 Entropia Definição Medida da desordem molecular de um sistema. Segunda Lei A entropia de um sistema isolado sempre aumenta em processos irreversíveis. Cálculo ΔS = ∫ dQ/T para processos reversíveis Exergia Definição Máximo trabalho útil que pode ser extraído de um sistema em relação a um estado de referência. Importância Mede a qualidade da energia, não apenas a quantidade. Aplicação Útil para otimização de processos e sistemas energéticos. Análise Exergética 1 Objetivo Identificar e quantificar as ineficiências em sistemas termodinâmicos. 2 Destruição de Exergia Causada por irreversibilidades no processo. 3 Eficiência Exergética Razão entre a exergia útil e a exergia fornecida. Ciclos Termodinâmicos Práticos Os ciclos termodinâmicos práticos incluem o ciclo Rankine para geração de energia, o ciclo Otto para motores de combustão interna e o ciclo de refrigeração por compressão de vapor. Até semana que vem! Obrigado pela sua participação. Nos vemos no próximo encontro! 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