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01 Preparativos Iniciais Editora Érica - e Práticas Construtivas para Edificação - Julio Salgado Edição16 TÉCNICAS E PRÁTICAS CONSTRUTIVAS PARA EDIFICAÇÃO 1.1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS Este trabalho visa à informação e à correta aplicação dos diferentes materiais empregados numa construção, sem preocupação com as suas características físico- -químicas, assunto específico de outras fontes e publicações. Um aspecto importante que não será esquecido é a aplicação de novas tecnologias num processo construtivo, sem deixar de considerar os processos práticos e importantes que vão, e muito, auxiliar nas tarefas do dia a dia de uma obra. É também necessário ter em mente que uma obra passa por diferentes etapas construtivas e que as construções têm características próprias que requerem, em maior ou em menor grau, diferentes especializações que vão influenciar no tempo de execução, qualidade, segurança e acabamento, refletindo assim no processo de entrega e uso final da edificação. 1.1.1 CLASSIFICAÇÃO DAS CONSTRUÇÕES QUANTO USO Quanto à classificação das construções em relação ao seu uso, podemos considerar as mais significativas: 1. Obras residenciais 9. Obras especiais 2. Obras industriais 10. Obras temporárias 3. Obras comerciais 11. Obras de arte 4. Obras rurais 12. Obras mistas 5. Obras rodoviárias 13. Obras subterrâneas 6. Obras ferroviárias 14. Obras aquáticas 7. Obras portuárias 15. Monumentos 8. Obras aeroportuárias 1.2 DA OBRA É importante para o profissional da construção civil saber distinguir rapidamente as diferentes fases de uma obra, independente de seu tipo e uso. Veremos a seguir as principais fases. 1.2.1 PROJETO É principal elemento de trabalho de um profissional da construção. É nele que as informações de execução estão inseridas, tais como: Locação: orientação do posicionamento da obra em relação a um determinado ponto ou lugar. Editora Érica - Técnicas e Práticas Construtivas para Edificação - Julio Salgado - EdiçãoPREPARATIVOS INICIAIS 17 Planta baixa (executiva/arquitetura): desenho com as informações básicas como cotas horizontais, destinação dos cômodos, materiais de acabamento, peças dos mobiliários ou de instalações, entre outros. Cortes: onde se encontram as informações não mostradas em planta baixa, tais como as medidas verticais e outros detalhes. Fachada: são os desenhos que mostram detalhes e aspectos finais da obra. Urbanização: são mostrados os detalhes de acabamento externo, como, por exemplo, o ajardinamento. Instalações: são vários projetos, conforme a obra, nos quais se verificam os de- talhes de instalações como hidrossanitárias, elétricas, de incêndio, telefonia etc. Memorial de especificações (memorial descritivo): caderno no qual se encontram, por escrito, todos os detalhes, materiais e especificações a serem empregados na obra. 1.2.2 VERIFICAÇÃO DO TERRENO E SONDAGEM De posse dos projetos necessários, é importante verificar o terreno onde a obra será edificada, tentando observar todas as implicações e facilidades, como a existência de água superficial, rochas e pedras, acessos, árvores, matagal, animais, construções vizinhas, existência de rede de abastecimento de água (e sua capacidade), energia elétrica (e sua capacidade), rede de telefone, declividade etc. Tais verificações se fazem necessárias para o perfeito planejamento da instalação de um canteiro de obras e contribuição com o sucesso do empreendimento. 1.2.3 IMPLANTAÇÃO DA OBRA E LOCAÇÃO Muitas vezes, durante a construção do canteiro de obras, a implantação da obra principal é iniciada. Nesta etapa se verificam os primeiros movimentos de terra, quando é necessário. É acompanhada pelos responsáveis pela marcação (topógrafos) dos principais pontos (Referência de Nível = RN). As marcações das Referências de Níveis são necessárias porque é deste ponto que toda a obra será demarcada, seja quanto às medidas horizontais (comprimentos e larguras), seja quanto às medidas verticais (alturas). o mais importante é que as RNs sejam o mais precisas possível e devidamente protegidas da destruição e canteiro de obras, por mais simples que seja, é o local onde são executados todos os trabalhos intermediários e preparativos da obra, além de ser destinado aos depósitos de materiais e, muitas das vezes, à construção das instalações operacionais (escritórios, almoxarifados etc.) e de convivência (refeitórios, área de lazer etc.). Editora Érica Técnicas e Práticas Construtivas para Edificação Julio Salgado Edição18 TÉCNICAS E PRÁTICAS CONSTRUTIVAS PARA EDIFICAÇÃO Nem sempre o projeto de um canteiro de obras é especificado no projeto principal. No entanto, é necessário um planejamento para a sua instalação, observando todos os aspectos da obra. As informações coletadas quando da visita e verificação do terreno são, nesta etapa, bastante Em alguns casos, por falta de espaço no terreno destinado às construções, não há possibilidade da instalação de um canteiro de obras adequado e, neste caso, pode-se optar pelo aluguel de um terreno adjacente ou o mais próximo possível da obra. 1.2.4 MOVIMENTO DE TERRA E DRENAGEM Estabelecida a RN da edificação, é também importante realizar todo o movimento de terra, seja corte ou aterro, necessário para o início propriamente dito das obras. Não menos importante é a proteção das obras quanto à ação das águas pluviais (chuva) de modo que não causem prejuízos durante a execução dos trabalhos. 1.2.5 Etapa da obra em que são executadas as estruturas de sustentação da edificação com a finalidade de descarregar os esforços no solo. Cuidados devem ser observados nas escavações de modo que propiciem proteção aos trabalhadores, protegendo-os de desmoronamentos. Outro cuidado a ser observado é a presença de água que pode dificultar os trabalhos e, neste caso, medidas de rebaixamento de lençol freático devem ser tomadas. 1.2.6 É o procedimento que visa evitar a influência da água nas edificações. Normalmente é executada no respaldo (parte superior) das fundações. Vale lembrar que não existe "meia" impermeabilização ou uma impermeabilização simplória. Isso gera tempo e dinheiro jogados fora e sérios transtornos no futuro! Existem vários processos de impermeabilização e em casos especiais ela é conjugada com sistema de drenagem. 1.2.7 ALVENARIA São as paredes que vão definir as diferentes áreas de uma edificação. 1.2.8 SUPERESTRUTURA São as estruturas que vão suportar todos os esforços construtivos e de uso de uma edificação. É nesta etapa das obras que surgem os pilares, as vigas e as lajes, quando forem necessárias. Cuidados devem ser tomados quando da montagem de Editora Érica Técnicas e Práticas Construtivas para Edificação - Julio Salgado EdiçãoPREPARATIVOS INICIAIS 19 andaimes e cimbramentos necessários aos trabalhos de forma, armação, concretagem e desforma. Capítulo à parte trata dos cuidados quando do lançamento e adensamento dos concretos. 1.2.9 Pisos Já é uma etapa construtiva, que muitos consideram a etapa de acabamento da obra, porém é importante que sua base de sustentação esteja corretamente executada e, em alguns casos, um eficiente tratamento de impermeabilização é preciso. Um defeito muito comum é o não respeito às declividades necessárias em direção aos pontos de escoamento, principalmente nas áreas consideradas "molhadas" onde o uso da água é constante, como, por exemplo, em edificações residenciais como banheiros, áreas de serviço, cozinhas, lavanderias, varandas e canis. Quando se fala em "pisos", normalmente vem à lembrança aquele piso com peças de cerâmica assentada. E bom lembrar que não é só isso. Também podem ser criados pisos de concreto destinados a suportar enormes carregamentos e às vezes dosados com aditivos que proporcionam características de alto desempenho. 1.2.10 COBERTURA o sistema estrutura do telhado mais telhas é o que chamamos de "cobertura". Sistemas e materiais são inúmeros para as diferentes utilizações. Cuidados especiais devem ser tomados no caso de uso de madeiras. Elas devem ser realmente de lei (madeira dura e compactada) e isentas de umidade natural (madeira seca) para que não haja comprometimento da estrutura em caso de retrações indesejáveis. Para telhados extensos é preciso realizar um projeto específico. 1.2.11 ESQUADRIAS Trata-se do assentamento dos batentes (portais) das portas e das janelas (ou "vitraux"). As folhas de portas, ferragens e vidros normalmente são colocados dias antes da entrega da obra, já em sua fase final de construção. 1.2.12 INSTALAÇÕES HIDRÁULICAS, ELÉTRICAS E DE INCÊNDIO Muitas vezes, por intermédio de projetos específicos, as instalações de abas- tecimento e proteção são construídas antes do início do acabamento (revestimentos) das obras. preciso atenção redobrada, uma vez que quaisquer problemas nas instalações após os revestimentos finais acarretam transtornos irreparáveis, prin- cipalmente quando a edificação já estiver em uso. Editora Érica Técnicas e Práticas Construtivas para Edificação Julio Salgado Edição20 TÉCNICAS E PRÁTICAS CONSTRUTIVAS PARA EDIFICAÇÃO As tubulações hidráulicas devem ser testadas sob pressão para verificação de pontos de vazamento, as instalações elétricas testadas quanto à fuga de energia, aterramentos e equilíbrio das tensões, e por último as instalações de combate a incêndio testadas quanto à pressão de água nos hidrantes e demais sistemas de controle. 1.2.13 REVESTIMENTO Nesta etapa são executadas as medidas de proteção (finalidade principal dos revestimentos) de tudo o que foi edificado. Na maioria das vezes, conciliam-se proteção e beleza. É quando o proprietário mais observa, principalmente se a obra é residencial. São executados nesta fase os rebocos, emboços, pintura, azulejos e cerâmicas. 1.2.14 ISOLAMENTOS TÉRMICO E Algumas obras requerem serviços especiais, como o isolamento do som (acústico) e do calor (térmico). Materiais especiais são empregados e normalmente aplicados com mão de obra especializada. Como exemplo de necessidade de isolamento acústico temos salas de gravação, ambientes próximos a ruídos excessivos, casas de espetáculos, entre outros. No isolamento térmico temos câmaras frigoríficas, salas destinadas ao abrigo de equipamentos de alta sensibilidade, fornos, entre outros. 1.2.15 PINTURA Também considerada um revestimento. Técnicas apropriadas são empregadas para proporcionar durabilidade adequada e cumprir a sua função de proteção do substrato (onde a tinta se fixa). Observa-se que cada tipo de tinta possui uma especificação própria que deve ser seguida rigorosamente. Em ambientes industriais usam-se tintas não com a finalidade primeira de embelezamento, e sim de proteção. 1.2.16 E LIMPEZA Já estamos na etapa final de uma edificação, quando são executados os serviços de paisagismo como o plantio de gramas, árvores, plantas ornamentais e, para completar, a limpeza final para a entrega da obra ao cliente. 1.2.17 ENTREGA DA OBRA Depois de tudo limpo é necessária e importante uma conferência das instalações e, se for preciso, corrigir os defeitos e efetuar retoques antes da entrega ao cliente. Editora Érica Técnicas e Práticas Construtivas para Edificação - Julio Salgado EdiçãoPREPARATIVOS INICIAIS 21 1.3 CANTEIRO DE OBRAS 1.3.1 PREPARAÇÃO A limpeza do terreno consiste na retirada de todos os eventuais entulhos e obstáculos para a construção. Eles devem ser removidos e destinados a local apropriado. Em alguns casos se pode proceder à abertura de buracos para que sejam enterrados ou, ainda, se for possível, aproveitá-los para um aterro, dependendo da qualidade do material. Feita a limpeza dos entulhos e outros materiais, deve-se proceder à retirada de toda a vegetação, inclusive da camada vegetal do solo, que normalmente não ultrapassa 20 cm. Isso pode ser feito com ferramentas manuais (enxadas) ou equipamento apropriado (tratores com lâminas, patrol etc.), dependendo do tamanho da área a ser edificada. A remoção da camada vegetal é necessária porque pode comprometer a estabilidade da base de aterros ou de pisos. Cuidado especial também requerem as árvores que não serão retiradas, e que estejam próximo das construções, pois as suas raízes são sérios problemas para as fundações e as redes de abastecimento. Na remoção de árvores, é preciso verificar com antecedência o procedimento com os órgãos florestais competentes. 1.3.2 MOVIMENTO DE TERRA Destinado a adequar a condição do terreno para a implantação da obra. Os movimentos de terra (corte e/ou escavação) são executados após a intervenção topográfica, definindo as cotas e marcos necessários. Equipamentos mais comuns utilizados: Retroescavadeira Pá carregadeira Caminhões basculantes 1.3.3 FECHAMENTO E CERCAS A economia é um item que deve sempre estar presente em todos os aspectos da obra sem, no entanto, comprometer o projeto e a segurança. No canteiro de obras isso não é diferente. Os fechamentos e cercas devem ser sempre de material que não comprometa os custos. Lembre-se de que, no final da obra, essas instalações serão desfeitas para dar lugar ao fechamento definitivo e nem sempre os materiais utilizados são reaproveitados. Editora Érica Técnicas e Práticas Construtivas para Edificação Julio Salgado Edição22 TÉCNICAS E PRÁTICAS CONSTRUTIVAS PARA EDIFICAÇÃO Os materiais comumente utilizados para o fechamento (também chamados de tapumes) são as placas ou chapas de madeira compensada resinada na medida de m com seis ou oito milímetros de espessura, de segunda qualidade e quando muito, pintadas com tinta látex de segunda linha ou tinta à base de cal. É interessante uma análise do projeto quanto ao fechamento da área. Muitas vezes parte do fechamento provisório pode ser substituída pelo fechamento definitivo. Não devemos esquecer a necessidade de um portão de pelo menos 3,20 m de largura, destinado à entrada e saída de equipamentos. Em canteiros de obras de grande porte, esses acessos podem até ser independentes. Quanto à sua execução, procede-se da seguinte maneira: Limpeza e alinhamento do local do tapume a ser executado; Escavação de buracos de pelo menos 0 20 cm com 40 cm de profundidade, e espaçados a cada 1,22 m (largura da chapa); Colocação de "pontaletes" de madeira na bitola de cm com pelo menos 2,90 m de comprimento nos buracos escavados, na posição vertical e a prumo. Apiloar (socar) com terra o buraco com os pontaletes posicionados; Fixação das chapas nos pontaletes por intermédio de pregos; É bom que, pelo menos a cada oito chapas de fechamento, seja feito um apoio de sustentação no sentido vertical ao tapume executado. Outro sistema a ser considerado é a execução do fechamento utilizando cerca de arame, com o uso de mourões de concreto ou de madeira. 1.3.4 DRENAGEM A água torna-se, às vezes, um inconveniente para as obras de construção civil, portanto devemos nos prevenir de sua ação. Seria desagradável uma atividade ser interrompida porque houve empoçamento de água no canteiro de obras. Deve-se verificar a necessidade de construção de valas com inclinação mínima de 1% para o escoamento rápido das águas pluviais e tomar o cuidado de mantê-las sempre desobstruídas. Não se esquecer de prever dutos de passagem para água nas vias de acesso. É evidente que a dimensão das valas deve ser compatível com a expectativa do volume pluviométrico e a sua intensidade, prevendo assim surpresas desagradáveis. 1.3.5 Itens pouco considerados num canteiro de obras são os acessos de entrada e saída de materiais e sua distribuição. De acordo com a obra, tais acessos devem ser Editora Érica Técnicas e Práticas Construtivas para Edificação - Julio Salgado EdiçãoPREPARATIVOS INICIAIS 23 o mais simples possível, tomando o cuidado de ter sempre condições de trânsito. No planejamento de uma obra, tal item, dependendo do porte da obra, é de fundamental importância. Os acessos e o sistema viário devem ser feitos com material de boa procedência e qualidade, compatível com os custos previstos da obra. A drenagem comentada no tópico 1.4 é item que, se bem executado, proporciona pouco desgaste nas vias internas de um canteiro de obras. 1.4 INSTALAÇÕES (NR 18) A Norma Regulamentadora n° 18 estabelece diretrizes de ordem administrativa, de planejamento e de organização que objetivam a implementação de medidas de controle e sistemas preventivos de segurança nos processos, nas condições e no meio ambiente de trabalho na Indústria da Construção (Ministério do Trabalho, portaria n° 4, de 4 de julho de 1995). Essa norma e outras relativas à segurança no trabalho podem ser obtidas no site http://www.mte.gov.br/legislacao/normas_regulamentadoras/ 1.4.1 EDIFICAÇÕES PROVISÓRIAS São as instalações destinadas ao apoio às obras de construção. Estas devem ser executadas com materiais de baixo custo, mas sem comprometer os objetivos e as especificações da NR 18. Normalmente essas construções são moduladas conforme o material a ser utilizado, que geralmente são as chapas de madeira compensada de m com 6 ou 8 mm de espessura, assentadas sobre pontaletes de madeira de 7x7 cm ou cm e com cobertura de telhas de cimento amianto. piso normalmente é de cimento, com acabamento "desempenado" e "queimado". As instalações sanitárias são as mais simples possíveis, respeitando as condições mínimas de higiene, bem como as instalações elétricas. Quanto às dimensões dos diversos cômodos, devem obedecer às estabelecidas na NR 18 ou o Código de Obras do município da obra. ÁREAS OPERACIONAIS São as instalações destinadas a: Escritórios, almoxarifados, depósitos; Instalações de preparo de formas, armação e concretos; Manutenção de máquinas e equipamentos. Essas instalações requerem o mínimo possível e necessário para a operacionalidade da obra. Devem-se prever instalações elétricas e hidráulicas compatíveis com o número de pessoas que vão ocupar tais instalações. Editora Érica Técnicas e Práticas Construtivas para Edificação - Julio Salgado Edição24 TÉCNICAS E PRÁTICAS CONSTRUTIVAS PARA EDIFICAÇÃO ÁREAS DE VIVÊNCIA São as instalações destinadas a: Refeitórios; Sanitários; Lazer; Dormitórios; Ambulatório; Vestiários. Para os funcionários que terão permanência na obra devem ser previstas instalações que propiciem conforto mínimo, as quais devem obedecer aos quesitos mencionados na NR 18. FORNECIMENTO DE ÁGUA Uma obra não tem bom desempenho se não for garantido um suprimento de água confiável e constante. Para isso é bom tomar algumas providências: Rede pública: o volume de fornecimento é compatível com o consumo da obra? Se não, é necessário solicitar ligação de maior fornecimento. forneci- mento não sofre interrupção constante? Se sim, providenciar condição de estoque de água, seja por meio de tambores apropriados, construção de cis- terna ou cacimbas, ou contratação de fornecimento externo de água (caminhões pipa). Não há rede pública de abastecimento: neste caso é necessária a construção de cisternas (ou cacimbas), que consiste na escavação de um buraco no solo de aproximadamente 80 cm de diâmetro até a profundidade suficiente onde se encontre água (lençol freático) em volume necessário para o abastecimento da obra. Essa cisterna deve ser revestida com alvenaria de tijolos furados no sentido transversal ou com manilhas de concreto no diâmetro da escavação. Esse procedimento visa à proteção do poço contra eventuais desabamentos. local deve ser protegido na superfície quanto à queda de materiais e pessoas. A retirada da água deve ser por meio de baldes, utilizando um sarilho ou mesmo bombas de água acionadas eletricamente. Muita atenção quanto à época da escavação do poço. Em períodos de seca, o lençol freático é mais profundo. Deve-se também observar o volume de reposição da água no quando o consumo é muito grande. Em alguns casos não se encontra água em profundidade compatível a um poço (cisterna) a céu aberto. Neste caso é necessário um poço artesiano. Editora Érica Técnicas e Práticas Construtivas para Edificação Julio Salgado - EdiçãoPREPARATIVOS INICIAIS 25 FORNECIMENTO DE ENERGIA ELÉTRICA Assim como no fornecimento de água, o fornecimento de energia elétrica não é menos importante. Em primeiro lugar, verificam-se os equipamentos e máquinas elétricas que serão utilizados na obra e suas respectivas potências elétricas com o cuidado de anotar o equipamento de maior potência e consumo. Não esquecer as instalações próprias do canteiro, tais como iluminação, tomadas de energia, chuveiros, equipamentos de escritório, entre outros. De posse dessas informações solicita-se à concessionária local a devida ligação provisória de energia elétrica. É interessante uma consulta prévia à concessionária, pois as exigências para tal ligação podem variar de acordo com o local em função da disponibilidade de fornecimento de energia por parte da concessionária. Não há rede pública de energia elétrica: neste caso é necessária a instalação de um gerador de energia elétrica para suprir a demanda de energia da obra. ESGOTO Feitas as instalações hidráulicas, também deve haver preocupação com o destino dos esgotos gerados pela obra. Se não houver rede pública de coleta, serão então construídas fossas sépticas e sumidouros, quando for o caso. Se for preciso construção de fossas, elas devem ser esvaziadas no final da obra e devidamente aterradas. Uma alternativa bastante interessante e que deve ser considerada é o uso de sanitários químicos, pois proporcionam uma rápida instalação, principalmente nos momentos iniciais da implantação de uma obra. Figura 1.1 - Fonte: acesso em em 20/08/2009. Editora Érica Técnicas e Práticas Construtivas para Edificação - Julio Salgado - Edição26 TÉCNICAS E PRÁTICAS CONSTRUTIVAS PARA EDIFICAÇÃO ESTOCAGEM DE MATERIAIS Os materiais utilizados na obra podem ser perecíveis (que em contato com as intempéries, modificam suas características), como o cimento, a cal, o gesso, e devem ser estocados apropriadamente e protegidos das intempéries. Os não perecíveis, como, por exemplo, areia, brita, tijolos, ferros etc. podem ser armazenados ao Cimento e cal: devem ficar armazenados, protegidos do sol, da chuva e da umidade, em depósitos cobertos, arrumados sobre estrados de madeira, afastados das paredes e do piso cerca de 10 cm. Cartão alcatroado ou telas de plástico impermeável Uns 10 cm Poucos vãos 10 sacos superpostos no máximo 10 Figura 1.2 Areia e pedra: devem ser armazenadas em depósitos em forma de baias, separadas por divisórias de madeira, de acordo com a sua granulometria. A declividade do solo na região das baias deve ser suficiente para que não haja acúmulo de água sob o material estocado. Prever acesso dos veículos que vão descarregar tais materiais. Tijolos: armazenados em área nivelada, arrumados em pilhas de 500 unidades (para tijolos furados na medida de 20 20 10), ocupando uma área de aproximadamente 1,30 Em épocas de muita chuva, deve-se proteger as pilhas com lonas plásticas para que a umidade constante não prejudique os tijolos. Madeiras: sempre que possível, são armazenadas em galpões cobertos e ventilados, tomando o cuidado de colocar sob as pilhas de madeiras espaçadores sobre o solo para evitar que a umidade atinja a madeira. O tamanho do local é muito variável devido à diversidade das "bitolas" e dos comprimentos das peças a serem utilizadas. As chapas de madeira compensada devem receber cuidado especial e serem protegidas contra as intempéries. Ferros: não há necessidade de estocagem coberta, devendo ser reservada uma área de, no mínimo, 15 m de comprimento e 0,50 m de largura para cada bitola. Essas barras devem ser assentadas sobre cavaletes de madeira ou mesmo de Editora Érica Técnicas e Práticas Construtivas para Edificação Julio Salgado EdiçãoPREPARATIVOS INICIAIS 27 ferro, distanciadas 4 m para as bitolas maiores e 2 m a 3 m para as bitolas mais finas. Não se esquecer, quando possível, de espaço suficiente para a entrada de caminhões com a finalidade de descarregamento de material. Cerâmicas, azulejos, tubos e conexões: apesar de não serem materiais perecíveis, devem ser armazenados em locais cobertos e fechados (almoxarifado) por causa de seu alto custo e fragilidade. DISTRIBUIÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS As instalações das máquinas necessárias à execução dos trabalhos em canteiro de obras, tais como betoneira, serra de fita, serra de disco, bancadas de corte e dobramento de aço, devem obedecer a critérios de uso racional para evitar deslocamentos desnecessários e improdutivos. Estudo específico deve haver sobre o canteiro de obras quando for destinado, também, à produção de peças pré-moldadas, pois o uso de equipamentos de médio ou grande porte se faz necessário, a exemplo de utilização de gruas, pórticos e guindastes, especificamente dimensionados para tal atividade. É importante que esses locais sejam muito bem iluminados (para trabalhos noturnos) e suas instalações elétricas muito bem executadas. LOCAL PARA PREPARO DE ARGAMASSAS E CONCRETOS Esse local (chamado de "masseira" ou "terreiro") consiste em uma área de aproximadamente 6 com revestimento de tijolos, tábuas ou cimentado com ligeiro caimento para o centro e protegido por tábuas laterais numa altura de, aproximadamente, 30 cm para evitar o espalhamento dos materiais quando do preparo. Deve-se posicionar a área próximo a um ponto de água e ser estrategicamente colocada junto às baias de agregados e depósito de cimento. mesmo princípio deve ser aplicado quando da montagem de uma betoneira. PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIO Num canteiro de obras, os extintores portáteis de combate ao incêndio são os equipamentos básicos e somente devem ser utilizados aqueles que atendem às normas vigentes. Para efeito prático relacionamos locais e tipos de extintores apropriados que devem ser colocados em locais de fácil acesso e totalmente desobstruídos: Escritórios de administração: extintor de água pressurizada (AP), água-gás (AG) ou de espuma; Depósito de infamáveis: extintor de CO, pó químico seco (PQS) ou espuma; Cozinha e refeitório: extintor de pó químico seco (PQS) ou espuma; Editora Érica Técnicas e Práticas Construtivas para Edificação Julio Salgado Edição28 TÉCNICAS E PRÁTICAS CONSTRUTIVAS PARA EDIFICAÇÃO Serra circular: extintor de água pressurizada (AP) ou água-gás (AG) para madeira e extintor de para o equipamento elétrico energizado; Máquinas e equipamentos: extintor de ou pó químico seco (PQS). É sempre bom lembrar que chamas e dispositivos de aquecimento devem ser mantidos afastados de madeira e outros materiais inflamáveis e que a areia é um bom aliado no combate ao incêndio. Observação Nunca hesite em chamar o corpo de bombeiros. 1.5 EXERCÍCIOS 1. Classifique as seguintes obras quanto ao uso: a) Shopping b) Escola c) Pavimentação de ruas urbanas d) Centro de exposição agropecuária 2. Próximo de uma obra a ser executada há um depósito de ferro-velho que vende tambores de lata (200 litros) a preços muito interessantes. Quando podemos utilizar esse material na instalação do canteiro de obras? 3. Que bebida não pode ser consumida em uma obra? 4. Na implantação de uma obra verifica-se a seguinte situação: a) Há um terreno baldio ao lado do terreno no qual a obra será implantada. b) É necessário fazer uma limpeza no terreno da obra, retirando entulhos. c) Existe verba no orçamento da obra para a contratação de empresa que retire o entulho. d) Que destino você daria ao entulho? Justifique. Editora Érica - Técnicas e Práticas Construtivas para Edificação - Julio Salgado Edição

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