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Resumo livros até NP2 - Temas em psicologia social Livro: Preconceito, indivíduo e cultura - Crochík Capítulo 1 Preconceito ● É um fenômeno também psicológico, mas o que leva o indivíduo ser ou não preconceituoso pode se encontrar no seu processo de socialização, no qual se transforma e se forma como indivíduo; ● Se manifesta individualmente, mas surge no processo de socialização; ● Cada objeto suscita no preconceituoso afeta os diversos relacionados a conteúdos psíquicos distintos, ou seja, o motivo por trás de cada tipo de preconceito é diferente; ● Não se pode estabelecer um conceito unitário de preconceito, pois ele tem aspectos constantes, que dizem respeito a uma conduta rígida frente a diversos objetos, e aspectos variáveis, que remetem às necessidades específicas dos preconceituosos, sendo representadas nos conteúdos distintos atribuídos aos objetos; ● O preconceito surge da própria cultura; ● Sofre alterações ao longo do tempo, diante das diferenças culturais e condicionantes históricos; ● Experiência e reflexão são as bases da constituição do indivíduo, a ausência desses dois fatores caracterizam o preconceito; ● A onipotência pela qual o preconceituoso se julga superior, é, na verdade a impotência que sente para lidar com os sofrimentos provenientes da realidade; ● A sociedade atual exige que as pessoas se adaptem à realidade e lutem pela sobrevivência, o que faz com que o preconceito, enquanto um mecanismo psíquico, surja como resposta a esses conflitos; ● Não está somente ligado aos aspectos do objetivo fruto do preconceito, como também com as necessidades encontradas no sujeito preconceituoso; ● Há a necessidade de repensarmos o processo de formação, pois quanto maior a dificuldade do sujeito em experimentar e refletir sobre o objeto ou sobre o próprio real, maior será sua necessidade de defesa frente aos objetos que lhe causam estranheza; ● O medo do desconhecido ou do diferente não surge apenas da falta de conhecimento sobre o outro, mas, principalmente, da dificuldade de reconhecer em nós mesmos características que enxergamos nos outros e que rejeitamos; ● A forma mais comum do sujeito se relacionar com a sociedade é por meio de estereótipos, que são elementos do preconceito; ● A violência, tanto sutil quanto manifesta, exercida por quem tem preconceito é uma resposta a uma violência cultural preexistente (não sei se concordokk); ● A cultura, ao impor valores e interesses que oprimem os indivíduos, gera uma reação violenta, seja na forma de preconceito ou agressão; ● Valor + afeto = o que nos predispõe ao preconceito; ● Dizer que algo é bom ou mau, sem que esse juízo seja espontâneo ou sem refletir sobre = preconceito; ● Antídoto para o preconceito: está na possibilidade de experimentar, sem ter a necessidade de se prevenir da experiência pela ansiedade que ela acarreta, também na possibilidade de refletir sobre si mesmo; ● Preconceito e pré-conceito são diferentes, mas estão relacionados; ● O processo de conceituação envolve pré-conceitos presentes na experimentação com o objeto a ser conceituado, porque não existe experiência pura. Isso quer dizer que mesmo em uma situação nova, utilizamos experiências passadas para tornar o estranho familiar; Pré-conceito ● Diz respeito tanto às percepções, experiências e conceitos já criados quanto às necessidades emocionais existentes antes da experiência; ● São pré-requisitos para o conhecimento (conceituação); ● Processo de socialização e cultura ● Só pode ser entendido como fruto da cultura e de sua história, o que significa que varia historicamente dentro da mesma cultura e em culturas diferentes; ● O indivíduo é um produto da cultura, mas dela se diferencia por sua singularidade; ● Duas possibilidades a partir disso⤴: ● 1- o indivíduo não se diferenciar da cultura, porque se identifica demais, então se torna o reprodutor da cultura, sem expressar críticas sobre ela para que ela possa se modificar e se tornar mais justa; ● 2- o indivíduo apenas se opor a cultura, porque não se reconhece nela, consequentemente colocando a própria possibilidade da cultura em risco; ● Nesses dois casos o terreno está semeado para o desenvolvimento de preconceitos; ● O preconceito diz mais sobre a pessoa que o exerce do que sobre a que o sofre; ● Desprezo pela razão, fragilidade e experiência são características dos preconceituosos; Mimética ● A reação presente naquele que porta o preconceito, consistindo em fingir-se de morto frente ao objeto que gera estranheza; ● Isso gera duas reações frente aquilo que nos é estranho: aceitação exagerada ou rejeição. Essas duas reações causam a cegueira individual; Valores introjetados ● Modelos que incorporamos para seguir; ● Não são igual a realidade; ● São mediados pela nossa percepção, que é inteiramente objetiva; ● Às vezes acontece o contrário, e a direção do afeto em relação àquilo que é introjetado é contrária ao sentido do que foi passado pelos pais: eles eram favoráveis a alguma coisa e os filhos se tornam contra; Estereótipo ● É um produto da cultura que se relaciona com mecanismos psíquicos infantis; ● Os mecanismos por trás da formação do pensamento estereotipado (preconceito) são utilizados pelas pessoas, porque, ao não conseguirem entender a complexidade do real, buscam simplificá-lo (estereotipá-lo), para poderem se relacionar com ele; ● São formas de reduzir algo complexo a uma visão limitada e simplificada; ● Não de confunde com o preconceito, mas é um de seus elementos; ● Preconceito = uma reação individual. Estereótipos = um produto da cultura; ● Surge da necessidade que a sociedade impõe de respostas rápidas e certeiras para as coisas; ● Evitam a reflexão sobre o mundo social e sobre nós mesmos; ● Os conteúdos transmitidos por meio dos estereótipos são frutos de um mecanismo social que visa manter o status quo (as coisas do jeito que elas são, sem mudanças); Dominação ● Componente constante do preconceito; ● É uma situação de subjugação real ou imaginária; ● Subjugação real: preconceito e estereótipo sancionam uma prática social (como empregadas domésticas, que são tratadas como cidadãos de segunda categoria); ● Subjugação imaginária: quando há a necessidade de julgar-se melhor que os outros, para tentar suprir uma própria fragilidade sentida, mas não admitida; Educação ● É uma das instâncias formadoras da sociedade, então deve assumir um papel importante na luta contra o preconceito; ● A educação que apenas introjeta valores e conhecimentos, sem permitir que os indivíduos reflitam sobre esses conteúdos apenas mantém o indivíduo em um estágio infantil ou de menoridade social, favorecendo o desenvolvimento do preconceito; ● Quando os valores são aceitos de forma passiva, sem questionamento ou reflexão crítica, as pessoas tendem a seguir padrões rígidos e simplificados de pensamento, o que contribui para a perpetuação do preconceito; Jahoda e Ackerman ● Preconceito: generalizações categóricas, que, fundamentadas em uma experiência incompleta dos fatos, não levam em consideração as diferenças individuais; ● Prejulgar faz uma economia do esforço intelectual; ● Pré-conceito: quando os fatos não estão a nosso alcance; ● Pensamento estereotipado: fatos não contam, mesmo estando a nosso alcance; ● No preconceito a experiência direta com o objeto nem sempre é necessária, assim como é, por vezes inútil para alterá-lo; ● O preconceito é um pré-julgamento que predispõe o indivíduo a ter atitudes frente ao objeto em questão, e esse pré-julgamento é determinado pela relação entre o indivíduo e aquilo que a cultura lhe oferece para se expressar e ser expressada por ele; ● Entendem o preconceito como uma característica individual rígida e baseada em necessidades pessoais, independentemente da influência social; ● O preconceituoso seria visto como alguém que age de acordo com uma verdade interna, em vez de ser completamente moldado pela sociedade; Adorno ● Propõe que o preconceito não pode ser atribuído apenas ao indivíduo, pois é construído e sustentadopela cultura; ● O preconceito é um fenômeno que emerge da relação entre indivíduo e sociedade, e a maneira como opiniões se formam e se consolidam reflete uma patologia cultural, não apenas psicológica; ● Na atualidade, o indivíduo e a sociedade se tornaram mais isolados um do outro, mas ainda interagem de formas complexas; ● O preconceito, embora possa parecer irracional, está ligado a um comportamento racional de auto-preservação, pois serve como uma defesa contra a insegurança e a ameaça da exclusão social; ● Enquanto o indivíduo não se sentir seguro e capaz de viver uma vida digna, ele será levado a desenvolver mecanismos psíquicos que mascaram sua impotência em relação à organização social; ● O preconceito não é apenas uma expressão de irracionalidade, mas também uma resposta adaptativa à insegurança gerada por uma sociedade que frequentemente valoriza a auto-preservação sobre a verdadeira satisfação das necessidades individuais; ● Embora o indivíduo deva ser compreendido em seu contexto cultural, ele também é modelado pela sociedade, e não deve ser visto como completamente independente dela; ● As transformações sociais moldam tanto a estrutura psíquica quanto os comportamentos, como o preconceito, que refletem as tensões entre autonomia individual e determinantes culturais; Normal X patológico ● Existe uma fina linha entre o comportamento normal e o patológico, sendo que a patologia muitas vezes revela a "verdade" da normalidade, pois ambas são influenciadas pela cultura, tanto em termos estatísticos quanto psíquicos; ● Concepção estatística: Refere-se aos comportamentos mais comuns da população, que representam as expectativas de conformidade social. Esse tipo de comportamento reflete o que é considerado normal porque a maioria o adota; ● Concepção psíquica: Refere-se ao ideal cultural de indivíduo, que muitas vezes é influenciado por valores culturais, mas também permite espaço para conflito e questionamento. No entanto, mesmo que esses valores pareçam individuais, eles são, na verdade, resultado de normas sociais ocultas que moldam as expectativas sobre o comportamento ideal; ● A distinção entre o que é considerado normal ou patológico passa a depender do que a cultura exige dos seus membros em cada momento e de como eles respondem a essas exigências; Estereótipos ● Podem ser nomeados de preconceitos culturais; ● Muitas vezes é reforçado pela ciência e outras instituições e faz parte de uma ideologia; Ideologia ● Uma forma de tentar justificar a dominação; ● seja entre classes sociais (conforme a teoria marxiana) ou mesmo sobre a natureza; ● A ideologia justifica formas de dominação que não são essenciais para a realização plena da humanidade, mas que sustentam uma estrutura que mantém o controle sobre a consciência e a vontade humanas; ● Conforma o indivíduo às normas e valores culturais vigentes, ajudando a perpetuar sistemas de dominação que contrariam as necessidades autênticas dos indivíduos; Preconceito x ciência ● Significado psíquico de uma afirmação de alguém e a verdade ou não de seu conteúdo são coisas diferentes; ● Essa diferenciação deve ser feita para que a verdade psíquica não seja reduzida a uma verdade social e vice-versa; ● Essa diferença entre as duas é ignorada pelos preconceituosos e pela ciência, que estuda objetos separados de seu contexto; ● Pessoas preconceituosas evitam a subjetividade, alegando estarem falando em nome do coletivo com o qual se identificam; ● Elas acham que aqueles com as quais se identificam são bons e os que não se identificam são maus; ● A classificação feita com objetos é feita também com pessoas quando elas são consideradas coisas a serem manipuladas; ● A ciência não é isenta dos mecanismos formais dos preconceitos; ● Ontogênese recapitula a filogênese em alguns de seus aspectos fundamentais de desenvolvimento; ● As explicações mitológicas vírgulas científicas, filosóficas, éticas e religiosas visam responder o medo frente ao destino; ● Freud diz que as ilusões ou deturpações da percepção da realidade visam diminuir o sentimento de desamparo; ● A cultura cria os seus próprios preconceitos, e os indivíduos os introjetam; Introjetar ● Termo da psicanálise que se refere ao processo inconsciente pelo qual uma pessoa internaliza valores, crenças, atitudes ou comportamentos de outras pessoas; ● Tipo uma criança introjetar as normas e valores dos pais, e passar a considerar essas normas e valores como próprios e os usa como base para avaliar suas ações e decisões; Kant ● Os preconceitos são colocados nos homens, que são impedidos e se impedem de pensar por si próprios; ● Kant não é relativista (não acreditava em verdades absolutas) e colocava um limite no uso da razão; ● A experiência e a razão são fundamentais para o conhecimento e o preconceito é seu maior obstáculo; ● A verdadeira revolução capaz de extinguir o preconceito é a possibilidade da autonomia da razão; ● Conceito: permitido pela razão. Preconceito: seu oponente; ● Cultura se constrói a partir de motivos humanos egoístas: ● O preconceito é o indutor da preguiça ou do medo do homem de sair de seu estado de menoridade. Individual e culturalmente regressivo. Produto do conflito entre razão x desejos ou cultura x desejos; ● Embora a razão se manifeste no indivíduo, pertence à coletividade humana; Freud ● Preconceito é a vitória do desejo sobre a razão. Individual e culturalmente regressivo. Produto do conflito entre razão x desejos ou cultura x desejos; ● Estabeleceu o sujeito enquanto sujeito e objeto, ou seja, um objeto capaz de se pensar e se alterar dentro dos limites dados pela natureza e pela cultura; ● Negar a civilização é combater a própria natureza humana, expressada pelo iluminismo na possibilidade que o homem tem de vencer o seu destino dado pelos limites da natureza; Marx ● Mostra que as ideias, as representações, e em suma o pensamento, dependem das relações concretas de produção; Comté ● O positivismo propõe a busca da regularidade das formas da existência social, tornando a sociedade um objeto natural; Sociedade e indivíduo ● Conceituar o preconceito é uma tarefa difícil, pois ele é um fenômeno que não se localiza somente no indivíduo que o pratica e na vítima, mas também na sociedade; ● Achar que o indivíduo pode ser considerado somente produto de sua natureza fortalece ideias nazistas; ● Ele é um produto cultural também; ● A presença de preconceitos portanto revela uma cultura dissociada de seus membros; ● O conceito de preconceito se situa como resultante de conflitos sociais e individuais; ● Conflito social: o preconceito é manifesto na esfera cultural entre a luta contra a natureza necessária para autoconservação e a regulamentação para o convívio social; ● Conflito individual: o preconceito é manifesto entre os desejos do indivíduo e a possibilidade de sua realização; Racismo contra negros: um estudo sobre o preconceito sutil Capítulo 1 Pré-conceito e preconceito ● O conhecimento não é possível sem alguma informação anterior sobre o objeto que se pretende conhecer. É necessário algum ponto de partida; ● A relação sujeito‐objeto no momento do conhecimento envolve um caminho duplo: o sujeito parte de algo conhecido para começar a entender o objeto desconhecido e o objeto deixa alguma marca nova no sujeito, permitindo que algo novo seja acrescentado a ele. Isso não é preconceito, e sim pré-conceito; ● Mas quando o sujeito se fecha para conhecer o objeto, preso aos seus conhecimentos prévios (pré-conceitos), ou quando o sujeito se abre exageradamente ao objeto, sem refletir a partir das suas próprias opiniões, surge o preconceito; ● É preconceito quando a relação sujeito‐objeto não se refere mais a um processo contínuo de troca mútua; Preconceito ● Em relação ao negro, o estereótipo de pouca inteligência nada tem a ver com as pessoas reais, mas com o passado escravista deste, no qual se creditava a ele um olhar mais animalizado que humano, isto é, visto como uma raça inferior, o negro era tido comonão inteligente; ● O preconceito é a negação do que o sujeito é e a ênfase unidirecional a uma característica do grupo que ele faz (ou fez) parte, abstraída de seu contexto histórico; ● Se podemos entender o preconceito apenas na interface entre indivíduo e cultura, faz‐se necessário pensar que a cultura é que permite a formação de pessoas preconceituosas; ● Ausência de reflexão facilita a adesão aos preconceitos; Estereótipos ● Como uma resposta rápida e pedindo por uma estabilidade no pensamento, que não admite mudanças, o estereótipo serve para manter as coisas como estão e o sujeito incólume a qualquer alteração na sua forma de pensar; ● A essa distância já definida pelo pensamento estereotipado, nenhuma identificação é possível porque a caracterização do outro como alguém ruim fortalece a ideia do eu como bom; ● Heteronomia: A pessoa que faz e segue de forma automática tudo o que a cultura diz para ela fazer, sem refletir. Fechado nas normas sociais e sem a consciência da influência delas na formação de si e do outro, ele não consegue se perceber ao mesmo tempo como sujeito e objeto da realidade que vive; ● Os estereótipos são apresentados pela cultura e têm a clara função de justificativa da dominação; Indivíduo ● Para que o sujeito se transformasse em indivíduo, seria necessário um espaço de reflexão que o permitisse perceber a determinação social, bem como conscientizar‐se de que sua autopreservação depende da preservação da natureza e da coletividade; ● A natureza social do ser humano permite que ele se individue por meio da cultura, estabelecendo uma relação de proximidade e distância, o que possibilita a reflexão crítica sobre ela. No entanto, como o indivíduo se forma através da cultura, é esta que permite ou limita sua individuação. Quanto menos a cultura possibilita essa individuação, mais o indivíduo recorre ao preconceito como forma de defesa; ● Individualista: ao pensar apenas em si, é resultado de uma sociedade dividida e hierarquizada. Quanto menos são os indivíduos, maior é o individualismo ● Indivíduo: é aberto ao outro, à experiência e à reflexão. Esse tipo de relação só é possível em um contexto democrático; ● Quanto mais o esclarecimento avança, causando o progresso da técnica, mais o homem regride, pela desumanização que esse processo envolve; ● A cultura esclarecida que poderia melhorar a vida de todos, ao contrário, cuida para que as pessoas trabalhem mais e sejam cada vez mais indiferentes; Mentalidade do ticket ● É caracterizada por um pensamento repetitivo e rígido, sem reflexão crítica, que simplifica o mundo em categorias de "bom" e "mau"; ● Esse padrão estereotipado facilita o preconceito, pois a indústria cultural pensa pelo indivíduo, oferecendo-lhe opções limitadas e unilaterais, reforçando uma visão simplista e preconceituosa da realidade; Pesquisa do Adorno ● Personalidades autoritárias são mais vulneráveis ao preconceito, caracterizadas por rigidez, admiração pelo poder e necessidade de identificação com figuras de autoridade, o que as torna menos abertas a novas experiências; ● Indivíduos não classificados como autoritários também podem desenvolver preconceitos; ● O tipo autoritário é atraído e dominado pelo poder, demonstrando forte apego à autoridade e elevada exigência em diversos aspectos da vida; ● Natureza ciclista: o indivíduo se submete a poderes superiores enquanto subjuga aqueles que considera inferiores; Preconceito sutil ● Atualmente, o racismo é amplamente condenado, então as pessoas buscam formas sutis de demonstrar ele, para não serem taxadas de racistas; ● Ele agora se manifesta de forma mais sutil, mantendo a mesma função de organizar relações de poder e justificar desigualdades sociais; ● Embora haja um discurso social de tolerância, a conscientização sobre o racismo não basta para eliminá-lo; ● Em uma sociedade democrática, as ideias racistas estão em conflito com as normas não racistas da democracia; ● O racismo sutil existe porque os países que se dizem democráticos já têm uma norma antirracista clara; ● Algumas pesquisas identificam pessoas com uma postura intermediária, chamadas de sutis, que não expressam racismo abertamente, mas o manifestam em condições adequadas; ● Enquanto os não preconceituosos adotam a norma antirracista e os racistas a ignoram, os sutis a aceitam apenas superficialmente; ● Há a necessidade de despertar o preconceito, ou seja, conscientizar as pessoas sobre a presença do racismo nas relações sociais; ● Esse “despertar” significa tornar consciente o quão somos racistas; ● Existem pessoas que não demonstram o racismo de forma flagrante, mas por meio de argumentos individualistas, isto é, que não são diretamente relacionados com todo o grupo racial; ● Preconceito sutil é entendido pelos autores como uma forma indireta de discriminar determinado grupo, enquanto que o preconceito flagrante é a expressão direta de rejeição a um grupo; ● Pessoas igualitárias: apoiam medidas para melhorar a situação de grupos discriminados; ● Pessoas sutis: preferem que as coisas permaneçam inalteradas, embora também não apoiem ações abertamente discriminatórias. Os sutis expressam preconceitos em contextos ambíguos, justificando suas atitudes de forma aparentemente não racista e mostrando indiferença (nem sentimentos negativos, nem positivos) em relação às minorias. Isso caracteriza o preconceito sutil como uma forma indireta de rejeição. Se trata de rejeitar de forma socialmente aceitável; ● Conexão entre preconceito sutil e conformismo, pois o indivíduo, ao expressar esse tipo de preconceito, submete-se às normas sociais, adotando uma postura conformista; ● O preconceito sutil é perigoso porque se adapta bem ao capitalismo administrado, ocultando conflitos e mostrando indiferença às injustiças. Como o racismo persiste sob a aparência de democracia, é crucial investigar como essa forma de preconceito é internalizada; Racismo contra negros: um estudo sobre o preconceito sutil Capítulo 2 Raça ● Não há base biológica para dividir a humanidade em raças; ● Inicialmente, o termo raça designava características inatas aplicadas aos reis e seus descendentes, e também à nobreza, diferenciando-a das pessoas comuns com base na linhagem ou educação; ● Na época, "raça" não indicava algo fixo e inevitável, mas estava ligado à ideia de “gentileza” de berço, um conceito ainda presente hoje; ● É sob a ameaça de igualdade entre as pessoas que o ideário racista se torna necessário, porque raça é usada como uma resposta negativa quanto à igualdade dos seres humanos; ● Raça é usada para diferenciar e hierarquizar; ● A ideologia racial não deixa de ser uma arma política, pois se entende a história da humanidade por meio da história da luta natural entre as raças; ● Usada para justificar diferenças sociais como naturais; ● Não existe uma essência que defina uma etnia ou uma cultura, já que a construção de valores culturais e de identidades ocorre no encontro de grupos diferentes; ● Tanto etnia quanto raça são construções sociais e imateriais, desenvolvidas nas fronteiras entre grupos; ● Estabelecidos: moradores antigos. Estigmatizavam os recém-chegados, não por classe social, mas por um senso de superioridade que mantinha seu poder; ● Outsiders: moradores novos. Não só eram vistos como ● inferiores, mas o contato com eles era evitado ao máximo; ● Estigmatização: não é a causa do poder, mas a forma de mantê-lo. Estigmatizar é uma forma de manter o outro afastado e perpetuar a sensação de superioridade; Racismo ● Protorracismo: como o racismo era chamado pelo egiptólogo Jean Yoyotte; ● O racismo também pode existir independente da ideia de raça; ● Poliakov, Delacampagne e Girard definem racismo como uma hostilidade a um determinado grupo por uma suposta origem comum; ● Racismo é mais amplo do que preconceito racial, porque não envolve apenas o preconceito individual; ● Três tipos de racismo: individual, institucional e cultural; ● Individual: o mais próximo do preconceito racial, justamente por serindividual; ● Cultural: presença do racismo na cultura. Quando raça se torna uma categoria de hierarquização, o racismo cultural não é ligado somente à diferença cultural, mas ao exercício de poder pela submissão de determinados grupos por outros, por meio do critério raça; ● Racismo institucional: o racismo presente nas instituições, sejam elas educacionais, legais, empregatícias e etc. Pode ser intencional ou consequência da falta de acesso a determinados lugares sociais; ● O racismo não é um fenômeno único, pois há diferentes manifestações racistas; ● Um ponto comum a todas essas manifestações é a naturalização ou “demonização” de um grupo racial e a supervalorização do grupo de uma forma que não é cultural, nem social, pois diz respeito a características raciais, isto é, atributos físicos, genéticos ou naturais ligados a determinados atributos intelectuais e morais; ● Wieviorka percebe três níveis de manifestação racista: preconceitos (atitudes e ● opiniões), atos práticos (discriminação, segregação e violência) e elaboração intelectual do racismo (doutrinas, ideologias); Racismo contra negros: um estudo sobre o preconceito sutil Capítulo 3 Racismo brasileiro ● A negação da existência do racismo no Brasil é sustentada por dois discursos: o ideal do branqueamento e o mito da democracia racial; ● No final do século XIX, a questão racial no Brasil começou a ser abordada pela ciência, que via a miscigenação como algo degenerador. Acreditava-se que a mistura de raças trazia características negativas de cada uma, prejudicando o desenvolvimento nacional; ● A miscigenação era vista como um mal porque se acreditava que o mestiço carregava tudo o que era ruim das raças puras; ● O ideal de embranquecimento ainda vigente tem outro papel: o de atribuir ao negro o desejo de se tornar branco; ● O negro é visto como um ser patológico, cuja inveja e imitação deseja lograr um lugar nunca alcançado: o de ser branco; ● Nessa lógica, o branco é visto como a norma, pois é sempre o negro que é estudado, é sempre o negro que está fora do padrão; ● Aqueles que são porta‐vozes da denúncia do racismo são notados como os não adaptados à sociedade. A denúncia se enfraquece; ● Quando se afirma que não há racismo no Brasil, quais seriam então as justificativas para a pouca frequência do neg;ro e do mestiço de pele mais escura em determinados lugares sociais? ● A negação do racismo como um problema nacional torna‐o ainda mais forte porque coloca a culpa da falta de acesso aos negros neles mesmos, já que o racismo é negado enquanto realidade social; ● No campo das relações interpessoais, notamos a configuração do racismo na “estrutura psíquica” das pessoas, deixando marcas profundas da relação estabelecida com os negros; ● Um dos motivos para o racismo silenciado atual é a tendência brasileira de esconder seus atos discriminatórios; ● O caminho para superação do racismo brasileiro é primeiramente o reconhecimento de que ele existe. Para, então, possibilitar uma luta contra as práticas discriminatórias que passam pela representação institucional dos discriminados; ● Papel da ciência na legitimação de verdades construídas; ● A escravidão foi a anti‐identidade, a despersonalização total. A África perdeu não apenas a liberdade quanto ao trabalho, mas a liberdade quanto a sua cultura e sua identidade; ● Admitir que raça não exista nas relações sociais é dizer ao negro que toda a discriminação cotidiana que ele vive é ilusória e, por consequência, um problema de adaptação e autoaceitação seu; ● A constante acusação dos negros como menos esforçados, a desvalorização do racismo cotidiano vivido por eles, conjuntamente ao silêncio quanto aos benefícios vividos pelos brancos pelo simples fato de serem brancos, pode ser entendido como um “pacto narcísico” entre os brancos; ● O narcisismo entendido por ela, tal como formulado por Freud, está presente no desejo de preservação da imagem do próprio grupo como uma forma de definição da identidade e defesa contra qualquer alteração; Mestiços ● Todos os povos são, de alguma forma, mestiços; ● A mestiçagem seria uma forma de branquear a população e, com isso, superar o elemento negro tão presente; Raça e classe ● Em uma sociedade não capitalista, não haveria espaço para o racismo (para Marx); ● A humilhação imposta aos negros com o trabalho escravo foi a pedra angular da posterior organização social capitalista. E é por isso que até hoje existe uma estreita relação entre sistema capitalista e racismo; ● Aproveitando‐se da hierarquia imposta pela escravidão, o capitalismo ajudou a perpetuar a estrutura hierárquica, de modo a dificultar uma verdadeira igualdade das relações entre brancos e negros; Raça e gênero ● As características raciais, independente do sexo, já são sexualizadas, pois faz parte da imagem social dos negros, a hipersexualização. Para a mulher negra, isso significa uma segunda justificativa para a dominação, porque a ela é atribuída uma sexualidade exagerada que possibilita o olhar de objeto do desejo, independente da sua vontade; Livro: Problema de gênero Capítulo 1 ● Ao representar as mulheres, há o risco de silenciar as diferenças e as complexidades dentro dessa categoria, impondo uma visão única sobre o que significa ser mulher; ● A ideia de uma única representação para todas as mulheres se torna problemática, pois essa categoria não é mais pensada de forma homogênea; ● Ao insistir em uma representação baseada em identidades fixas, pode-se acabar por reforçar estruturas que excluem identidades variadas e não tradicionais; ● Foucault argumenta que os sistemas jurídicos de poder, longe de apenas regular ou restringir a vida dos sujeitos, são também responsáveis por criar e moldar esses sujeitos; ● As estruturas jurídicas e políticas que pretendem representá-las também definem e reproduzem o que significa ser "mulher" de acordo com as exigências desses sistemas; ● Ao mesmo tempo que a lei “produz” o sujeito que representa, ela oculta esse processo, naturalizando-o e apresentando-o como algo evidente e legítimo