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UNIDADE IV 
Primeiros Socorros: 
Emergências Clínicas 
e Traumáticas
Drª. Paula Moiana da Costa
Introdução Unidade 4
VÍDEO
Apresentação da Unidade 4:
1
CENÁRIO PRÁTICO
Olá, prezado(a) estudante!
Existem dois tipos de emergência: as emergências clínicas e as emergências
traumáticas. 
As emergências clínicas estão, em geral, associadas a condições preexistentes, ainda
que a vítima não tenha ciência delas. Exemplos de emergências clínicas são os comas
diabéticos, infartos do miocárdio, entre outros. Ainda, podemos citar entre este tipo
de emergência as que induzem a alterações mentais. Mesmo que nem todas tenham
uma gravidade orgânica associada, são em geral constrangedoras e bastante
desagradáveis para a vítima.
As emergências traumáticas constituem-se de lesões causadas por fatores externos. 
Nesta unidade, abordamos as emergências traumáticas de forma mais direcionada
aos traumas do sistema locomotor, uma vez que as outras condições de trauma, como
as hemorragias, comuns em acidentes e de extrema gravidade, já foram tratadas nas
aulas anteriores.
O que você deve fazer caso alguém entre em convulsão? E se houver uma fratura
exposta?
Vamos descobrir!
2
Emergências Clínicas Associadas a
Condições Preexistentes
As emergências clínicas incluem condições que causam óbito ou lesões irreversíveis, 
muitas vezes incapacitantes. Trata-se, em conjunto, da maior causa de mortes no mundo. 
Os primeiros socorros, entretanto, quando devidamente executados, conferem a estas
emergências um potencial de recuperação bastante relevante. Assim, nesta aula abordaremos
as emergências clínicas mais comuns, que podem ser auxiliadas pelas ações do socorrista, 
na intervenção como um todo.
Ao final desta aula, você será capaz de:
Reconhecer as principais emergências clínicas.
Compreender os procedimentos indicados para os primeiros socorros das emergências
clínicas.
Aula 01
Introdução
3
Edema pulmonar é o acumulo de fluidos nos pulmões. Ele tem várias causas possíveis, mas na
grande maioria das vezes é causado por insuficiência no bombeamento de sangue pelo
coração.
Quando há insuficiência cardíaca, ocorre uma pressão anormal de sangue nos vasos
pulmonares, levando ao extravasamento de fluido. É essencial que a superfície do pulmão
esteja livre para a troca gasosa ocorrer, pois do contrário há falta de oxigenação. A vítima
sente, então, falta de ar.
Traumas na região do tórax que levem a sangramento no interior dos pulmões também podem
causar este quadro. Altitudes acima de 2.500 m do nível do mar têm menor concentração de
oxigênio, e se o individuo sobe muito rápido, também pode desenvolver um quadro de edema
pulmonar.
Há várias outras possibilidades de causas, como doenças ou lesões hepáticas e renais
que reduzem a quantidade de proteína no sangue e levam ao edema. Ainda, reações alérgicas a
medicamentos e drogas, inalação de fumaça e substâncias tóxicas, bem como situações que
comprometam o sistema nervoso central.
Os sintomas do edema pulmonar são:
Movimentos respiratórios exacerbados, na tentativa de insuflar ar suficiente nos pulmões
para que ocorra a troca gasosa;
Respiração curta, a famosa “falta de ar”;
Edema agudo de pulmão
Sintomas
VÍDEO
Assista a videoaula a seguir:
4
Aumento na intensidade da respiração, que indica dificuldade nesta;
O som da respiração é modificado, sendo possível ouvir o som de borbulhamento;
A pele e mucosas se recobrem de suor frio e se tornam acinzentadas ou azuladas;
A vítima fica agitada;
Há a aceleração dos batimentos cardíacos;
Em alguns casos, pode haver hipertermia (aumento da temperatura corporal);
Tosse espumosa, às vezes sanguinolenta, após a instalação do edema.
Acione os serviços de emergência;
Não movimente a vítima mais do que o essencial, para não exigir mais do coração;
Observe os sinais vitais;
Mantenha a pessoa na posição que esta considerar mais confortável, em ambiente
ventilado. Geralmente, a vítima preferirá permanecer sentada;
Figura 1- Edema pulmonar de origem cardíaca.
Fonte: https://tinyurl.com/yxebk7na
Como proceder
5
https://tinyurl.com/yxebk7na
Aplique torniquetes nas pernas e braços. Os torniquetes devem ser feitos
alternadamente, não sendo aplicados em todos os membros ao mesmo tempo, e devem
ser mudados de lugar a cada 10–15 minutos;
Afrouxe as roupas;
Não permita que a vítima beba ou coma.
A vítima de edema pulmonar pode ser acometida por uma parada cardiorrespiratória. 
Nesse caso, proceda às intervenções de ressuscitação cardiopulmonar.
O infarto do miocárdio significa que houve morte de células cardíacas ocasionada pela
interrupção do fluxo sanguíneo de forma repentina. Assim, a região do coração que
normalmente recebe este fluxo passa a não ter oxigenação adequada.
Infarto agudo do miocárdio
Figura 2 - Secção do coração com infarto agudo da parede do ventrículo esquerdo.
Fonte: https://tinyurl.com/y2nfsrd9
6
https://tinyurl.com/y2nfsrd9
possível que o infarto ocorra em várias regiões do coração, dependendo do local em que houve
a interrupção da circulação.
A causa mais comum é a aterosclerose. Aterosclerose é o acúmulo de placas de gordura no
interior das artérias. No caso, para levar ao infarto, a aterosclerose deve ter ocorrido nas
artérias coronárias. O rompimento dessas placas leva à formação de coágulos, que diminuem
ou interrompem completamente a circulação local.
O infarto agudo do miocárdio leva ao choque cardiogênico.
Dor e desconforto insuportável na região do peito, com sensação de peso ou aperto sobre
a região torácica;
É comum que esta dor se irradie para as costas, rosto e braço esquerdo, às vezes para o
estômago;
A dor dura mais do que meia hora e não diminui com o repouso;
Arritmia cardíaca;
Vertigem e desmaio;
Sudorese excessiva;
Palidez;
Náuseas e, menos frequentemente, vômitos e diarreia;
O individuo infartado pode apresentar edema pulmonar.
Sintomas
Como proceder
SAIBA MAIS
Infarto é a morte de células por falta de oxigenação.Miocárdio é o nome que se dá ao
músculo do coração. Assim, infarto do miocárdio significa morte de células do
músculo cardíaco.
7
Acione os serviços de emergência;
Não movimente a vítima além do necessário, para não exigir mais do coração;
Mantenha a pessoa deitada, em repouso absoluto, em ambiente ventilado;
Tranquilize o indivíduo;
Afrouxe as roupas;
Não forneça comida ou bebida à vítima.
Verifique se a pessoa possui remédios de urgência consigo. Muitas vezes, a vítima de infarto
possui um histórico preexistente. Caso ela tenha os remédios, administre-os após consultar a
bula. Os medicamentos só devem ser administrados se a vítima estiver consciente.
A vítima de infarto agudo do miocárdio pode ser acometida por uma parada
cardiorrespiratória. Nesse caso, proceda às intervenções de ressuscitação cardiopulmonar.
A crise hipertensiva ocorre quando a pressão arterial é repentinamente elevada, com dano
possível de órgãos. Também é chamada de hipertensão maligna.
É importante diferenciar a crise hipertensiva de pequenas alterações na pressão arterial.
Crise hipertensiva
ATENÇÃO
O edema pulmonar e o infarto do miocárdio são condições agudas muito graves. Em
caso de suspeita, encaminhe a vítima com urgência para uma unidade de saúde ou
ligue para os serviços de emergência imediatamente.
8
No quadro abaixo, elaborado pela Fiocruz e publicado pelo Ministério da Saúde em 2003
(BRASIL, 2003), podemos verificar quando, observando os valores da pressão arterial,
podemos considerar que há um quadro de hipertensão. Devemos, entretanto, lembrar que a
crise hipertensiva exige que os valores de hipertensão sejam atingidos repentinamente, para
ser caracterizada. Assim, os sintomas clínicos devem ser observados em conjunto com os
valores das aferições de pressão.
Entretanto, nem todas as vítimas de crises hipertensivas são previamente hipertensas. 
Algumas condições preexistentes podem resultar numa crise hipertensiva. Nefrites, diabetes,
tumores das glândulas suprarrenais e a ingestão de alguns medicamentosde cadeira
Se uma cadeira estiver disponível, um dos socorristas segura nas laterais do encosto, 
enquanto o outro segura o assento na extremidade da frente. A cadeira fica inclinada para 
trás.
- Transporte de maca
Em situações de emergência, na ausência de uma maca, uma pode ser improvisada: 
utilizando-se duas camisas enfiadas em duas varas ou enrolando um cobertor dobrado em
torno de dois bastões.
Deve-se manter a posição da vítima o máximo possível, caso esta esteja estável. É um tipo de
transporte adequado para fraturas na coluna, mas as curvaturas desta devem ser preenchidas
com tecido.
Apesar de este transporte ser adequado, lembre-se disto: é indicado que a equipe de
emergência, que possui equipamentos apropriados, realize o transporte do acidentado,
especialmente em se tratando de suspeita de fraturas na coluna. Esta ação deve ser realizada
apenas em situações efetivamente urgentes, em que não há possibilidade de aguardar a
chegada da equipe de emergência.
* Transporte com três ou mais socorristas
- Transporte no colo
Com a pessoa deitada de costas, um dos socorristas apoia o pescoço em seu braço, e o outro
abraça a porção superior das costas da vítima. O segundo socorrista abraça a cintura e a região
abaixo das nádegas. O terceiro socorrista abraça os joelhos e tornozelos. Os três devem
levantar a vítima ao mesmo tempo e mantê-la próxima a seus troncos.
- Transporte de lençol pelas pontas
Com 4 pessoas, duas de cada lado do lençol onde se encontra repousado o corpo da vítima, 
os socorristas suspendem o tecido, formando uma espécie de rede.
75
AMPLIE SEU CONHECIMENTO
O filme “As torres gêmeas” (2006), de Oliver Stone, retrata o atentado de 11 de
setembro de 2001 nos EUA. A ênfase do filme é dada para um personagem que, sob
os escombros do World Trade Center, busca resgatar as vítimas.
Ao assistir, perceba os tipos de ferimentos ocasionados por um desabamento e
observe a conduta do socorrista.
NA PRATICA
Você se lembra da história do incêndio na boate Kiss, no Rio Grande do Sul, ocorrido
em 2013?
Várias pessoas morreram, houve uma série de erros, mas a ação dos socorristas da
população e do corpo de bombeiros garantiu que houvesse sobreviventes.
Várias pessoas prestaram os primeiros socorros em frente à boate Kiss. A respeito
disso, leia a notícia disponível no link a seguir: Clique aqui.
Mas não é tão simples aplicar a teoria à prática.
Nesta reportagem, veja o nervosismo dos bombeiros novatos no momento de
efetivamente realizarem os socorros, então reflita sobre como isso pode ser
prejudicial: Clique aqui.
Algum tempo depois, os socorristas se encontraram num congresso, para relatar a
experiência e trocar aprendizados. Veja que eles dão muita ênfase à questão da
dificuldade de colocar em prática o que se aprendeu em momentos de pressão.
Acesse o link a seguir: Clique aqui.
76
Fechamento
Traumatismos são lesões resultantes de uma ação mecânica externa e podem ocorrer em
diversos tecidos. Muitas vezes, os primeiros socorros são suficientes para conter a situação. 
É importante, entretanto, que se verifique a necessidade de cuidados especializados e/ou de
serviços de emergência, uma vez que traumas podem ser graves em muitos casos.
Ao final desta aula, você foi capaz de:
Reconhecer os traumas do sistema locomotor de uma forma geral.
Conhecer os procedimentos de primeiros socorros para traumas do sistema locomotor
de uma forma geral.
77
Referências
Unidade 4
BAPTISTA, N. T. Manual de Primeiros Socorros. Escola Nacional de Bombeiros. [S.l.]: SINTRA,
2008.
BAYLESS, T. Chronic diarrhea. Hospital Practice, v. 15, n. 131, jan. 1989.
BORBA, D. G.; BAUMEL, L. F. S. Socorros de Urgência: Manual de procedimentos. 
Governo do Estado do Paraná, Casa Militar da Governadoria. Coordenadoria Estadual de
Defesa Civil. Curitiba: Defesa Civil-PR, 2013.
BRASIL. Ministério da Saúde. Fundação Oswaldo Cruz – FIOCRUZ. 
Vice-Presidência de Serviços de Referência e Ambiente. Núcleo de Biossegurança – NUBio.
Manual de Primeiros Socorros. Rio de Janeiro: Fundação Oswaldo Cruz, 2003. 206 p.
Disponível em:
. Acesso em: 7
out. 2019.
HAFEN, B, Q; KARREN, K. J.; FRANDSEN, K. J. Primeiros Socorros para Estudantes. São
Paulo: Editora Manole, 1999. Disponível em: . Acesso em: 1 out. 2019.
O’MALLEY, Gerald; O’MALLEY, Rika. Toxicidade e abstinência de álcool. MANUAL MSD,
março 2018.Kenilworth, NJ: Merck and Co., Inc, 2018. Disponível em:
. Acesso em: 7 out. 2019.
79
TARINI, V. A. F.; VILAS, L.; ZANUTO, R. et al. Calor, Exercício físico e hipertermia:
epidemiologia, etiopatogenia, complicações, fatores de risco, intervenções e prevenção.
Revista Neurociências, v. 14, n. 3, p. 144-152, jul./set. 2006. Disponível em:
. Acesso em: 7 out. 2019.
TOLDO, P. R. Primeiros Socorros de Emergência: Brigada de Incêndio e Emergências Médicas.
Ribeirão Preto, SP: FCFRP-USP, 2016.
YEO, T. P. Heat Stroke: A Comprehensive Review. AACN Clinical Issues, v. 15, n. 2, p. 280-293,
abr.-jun. 2004. Disponível em: . Acesso em: 7 out. 2019.
80
	capa_unidade4
	Introdução Unidade 4
	Aula 4-1
	Aula 4-2
	Aula 4-3
	Aula 4-4
	Aula 4-5
	Referências Unidade 4são fatores que
podem gerar crises hipertensivas.
A crise hipertensiva pode ocasionar acidente vascular cerebral (AVC), edema pulmonar agudo
e encefalopatia. Trataremos especificamente sobre os AVCs nas próximas aulas desta unidade.
Quadro 1: Variações de pressão arterial na hipertensão.
Fonte: BRASIL, 2003.
SAIBA MAIS
A pressão alta faz com que o esforço do coração para bombear o sangue para o corpo
seja muito maior. A hipertensão arterial é um quadro geralmente crônico. A crise
hipertensiva é a fase aguda da hipertensão arterial. Ou seja, a pressão arterial é
repentinamente elevada, podendo levar à falência de órgãos e, consequentemente, à
morte.
9
A encefalopatia é um termo geral para as doenças que alteram a função cerebral e,
consequentemente, o estado mental do indivíduo. No caso, a encefalopatia referida é do tipo
hipertensiva.
A encefalopatia hipertensiva causa dores de cabeça intensas, náusea, vômito, alterações na
consciência e confusão mental, convulsões, dificuldade de falar, paralisia e pode levar ao coma.
Dores na região occipital da cabeça (nuca);
Alterações visuais;
Vertigem, tonturas;
Zumbidos;
Dor abdominal;
Náuseas e vômitos;
Falta de ar;
Ansiedade e nervosismo.
Para evitar AVC, edema pulmonar e encefalopatia como consequências da crise hipertensiva, 
é preciso um atendimento rápido. Não há como realizar procedimentos de primeiros socorros,
exceto a remoção imediata para atendimento especializado.
As cólicas renais podem ser provocadas pela presença de cálculos urinários, que se movem nas
estruturas do sistema urinário. Mas infecções também podem promover este tipo de dor.
A dor sentida é variável em relação a localização. Ela pode se dar na forma de dor e sensação
de peso na região lombar ou na região baixo-abdominal, na forma de fincadas ou como um
latejar. Muitas vezes ocorrem vômitos, palidez e sudorese. Pode haver febre.
Sintomas
Como proceder
Cólicas renais
Sintomas
10
De forma geral, a dor se inicia na região lombar e é irradiada para outras regiões,
principalmente para a região da bexiga e flanco. Pode ser sentida também nos testículos ou na
vulva.
Deite a vítima numa posição confortável;
Afrouxe suas roupas;
Aplique compressas de água quente no local de onde parece principiar-se a dor;
Ofereça medicamentos apenas se a vítima já os tiver utilizado antes. Caso contrário,
aguarde a chegada do serviço de emergência.
Figura 3 - Secção do rim mostrando cálculos renais.
Fonte: https://tinyurl.com/yyqfu76w
Como proceder
11
https://tinyurl.com/yyqfu76w
O diabetes mellitus é uma doença muito comum, que exige rígido controle alimentar e, 
muitas vezes, medicamentoso.
Por exigir um controle muito rígido, não é incomum que ocorra uma grande elevação repentina
da taxa de açúcar, em razão de alimentação e de infecções.
Em uma pessoa normal, há uma variação nas taxas de açúcar no sangue, de acordo com o
horário e as refeições realizadas. A taxa de açúcar é denominada glicemia.
No quadro abaixo podemos verificar a variação nas taxas de açúcar no sangue de pessoas
normais, no decorrer do dia:
Coma diabético hiperglicêmico
ATENÇÃO
Os exames primários e secundários, bem como as técnicas de observação do local,
servem para qualquer situação. Os exames devem ser direcionados para a queixa da
vítima, e o serviço de emergência deve ser acionado.
12
O açúcar ingerido na alimentação só é capaz de entrar nas células – e, assim, servir como fonte
de energia – com o auxílio de um hormônio pancreático chamado insulina. No diabetes, 
a produção de insulina é insuficiente, e o açúcar permanece circulante.
O açúcar circulante modifica a concentração osmótica do sangue e leva à perda de líquidos e 
à acidose sanguínea. A acidose e a perda de líquidos são responsáveis pela indução ao coma.
Respiração rápida e profunda;
Desidratação;
Odor cetônico;
Pulso rápido e fino (fraco);
Redução na resposta a estímulos;
Perda da consciência;
Confusão mental;
Coma;
Morte.
Quadro 2: Variação da glicemia durante o dia em pessoas não diabéticas
Fonte: Ministério da Saúde e Fiocruz (BRASIL, 2003, p. 93).
Sintomas
Como proceder
13
A vítima de um coma hiperglicêmico deve ser removida imediatamente ao atendimento
especializado.
Se o portador de diabetes não se alimenta de forma adequada ou administra a insulina em
excesso, o açúcar do sangue penetra nas células em abundância. Entretanto, o cérebro exige
um fornecimento constante de glicose, de forma que a ausência dela no sangue pode levar até
mesmo à lesão cerebral.
Pele pálida e úmida;
Confusão mental, às vezes delirante;
Pulso rápido e cheio;
Perda da consciência;
Convulsões;
Coma;
Morte.
Administre água com açúcar imediatamente.
Em caso de complicações, como perda da consciência e convulsões ou se a vítima não voltar a
seu estado normal após a ingestão de açúcar, acione os serviços de emergência.
Coma diabético hipoglicêmico
Sintomas
Como proceder
14
O acidente vascular cerebral ocorre quando o fluxo sanguíneo é interrompido por tempo
suficiente para causar lesões no cérebro. Ele pode ter quatro causas: coágulos, embolia,
hemorragia e compressão.
a) Coágulos
A maior parte dos AVCs – em torno de 80% – tem como causa o bloqueio de uma artéria
cerebral por um coágulo desenvolvido localmente. Na maioria das vezes, antes de um AVC de
origem trombótica, há um ataque isquêmico transitório (AIT). Os AITs são bastante
semelhantes aos AVCs em relação aos sintomas, mas o bloqueio é parcial e dura apenas alguns
minutos.
Os sintomas dos AITs duram no máximo 1 dia e não incluem náuseas e vômitos, tampouco dor
de cabeça.
b) Embolia
Quando um coágulo se desenvolve em algum vaso do corpo, ele pode se deslocar até uma das
artérias cerebrais, o que denominamos de embolia cerebral. O AVC ocasionado por embolia é o
Acidente vascular cerebral (AVC)
Causas
ATENÇÃO
A diferenciação entre a hipoglicemia e a hiperglicemia no diabetes não é simples de
ser realizada. Os sinais mais importantes que as diferenciam são a respiração
profunda na hiperglicemia e a respiração normal na hipoglicemia. Se a vítima está
inconsciente e convulsionando, mais provavelmente estará em hipoglicemia.Você
pode fazer questões para a família sobre a alimentação e o consumo de insulina nas
horas anteriores à crise.
Em caso de dúvidas, não administre açúcar.
15
de início mais rápido e é mais frequente em casos de doenças cardíacas preexistentes.
c) Hemorragia
Em cerca de 20% dos AVCs ocorre o rompimento de um vaso sanguíneo, causando hemorragia
local. Este tipo de AVC tem o início súbito e é a forma mais grave, causando óbito em 80% dos
acometidos.
d) Compressão
O AVC por compressão é o menos frequente. Neste caso, o AVC ocorre porque um tumor ou
um coágulo na parede externa da artéria pressiona de forma profunda a artéria cerebral,
interrompendo o fluxo sanguíneo.
Alterações de consciência;
Alterações de personalidade;
Perda da visão unilateral, visão embaçada ou dupla;
Figura 4 - Causas de AVC.
Fonte: HAFEN; KARREN; FRANDSEN, 1999.
Sintomas
16
Vertigem e tonturas;
Desmaios;
Entorpecimento ou paralisia facial e de um lado do corpo;
Dificuldade para se comunicar;
Disfunções motoras;
Não reconhecimento de objetos familiares;
Dor de cabeça súbita e rigidez no pescoço;
Perda do controle urinário e intestinal;
Náusea e vômitos;
Angústia respiratória;
Rubor ou palidez;
Pupilas contraídas ou com reações diferentes entre si;
Coma e morte.
Lembre-se de que a vítima não pode se comunicar, mas pode ouvir você. Evite dizer algo
que possa deixá-la mais nervosa.
Movimente-a com cuidado, especialmente em relação às partes paralisadas.
Caso esteja inconsciente, posicione-a na posição lateral de segurança.
Caso esteja consciente, deite-a de costas com um travesseiro sob a cabeça e pescoço.
Avalie a ventilação. Caso seja necessário, desobstrua as vias áreas de secreções e proceda
à ventilação artificial.
Verifique se a vítima pisca com ambos os olhos. Caso não, feche a pálpebra afetada e
coloqueum esparadrapo suavemente, para que o olho não resseque.
Mantenha a vítima confortavelmente aquecida e imóvel. Não permita a ingestão de
comida ou bebida.
Contate imediatamente os serviços de emergência.
Como proceder
17
Nem sempre é simples diferenciar os sintomas para definir qual procedimento utilizar nas
emergências clínicas. É preciso que o socorrista seja seguro, mas cuidadoso; afinal, estamos
tratando de vidas.
Ao final desta aula, você foi capaz de:
Reconhecer as principais emergências clínicas.
Compreender os procedimentos indicados para os primeiros socorros das emergências
clínicas
Fechamento
18
Emergências Clinicas: Alterações
Mentais
Introdução
Entre as emergências clínicas estão as condições que induzem a alterações mentais. Ainda que
nem todas tenham uma gravidade orgânica associada, são, em geral, constrangedoras e
bastante desagradáveis para a vítima. As alterações mentais, muitas vezes, estão associadas a
outras situações de saúde. O socorrista deve ter empatia, compreensão e cuidado ao lidar com
estas emergências.
Ao final desta aula, você será capaz de:
Reconhecer as principais emergências clínicas associadas a alterações mentais.
Compreender os procedimentos indicados para os primeiros socorros das emergências
clínicas associadas a alterações mentais.
Aula 02
VÍDEO
Assista a videoaula a seguir:
19
Desmaio
O desmaio, também chamado de síncope, é a perda repentina da consciência e da capacidade
de ficar em pé. Geralmente, o desmaio ocorre devido a uma redução do fluxo sanguíneo e,
consequentemente, da oxigenação do cérebro.
Os desmaios são comuns, duram pouco tempo e geralmente se seguem de uma recuperação
completa. A queda, entretanto, pode trazer lesões, e os desmaios podem estar associados a
causas ocultas.
Causas
Condições cardiovasculares;
Hipoglicemia;
Anemia;
Hemorragias;
Desidratação;
Depleção de sais;
Uso de medicamento;
Hipotensão;
Hipertermia;
Cansaço extremo, nervosismo, dores, exaustão pelo calor;
Dor intensa;
Baixa frequência cardíaca.
Sintomas
Palidez;
Suor frio; 
Fraqueza repentina; 
Náuseas;
20
Tonturas; 
Alterações de visão; 
Pressão baixa; 
Respiração lenta; 
Pulso fino (fraco).
Como proceder
Figura 5 - “Desmaio”, de Pietro Longhi, pintura a óleo, 1744.
Fonte: https://tinyurl.com/yyp2uvfd
É importante identificar a causa do desmaio, uma vez que ela é mais relevante que o desmaio
em si.
a) Antecedendo o desmaio
Se estiver próximo, apoie a pessoa antes da queda, sentando-a;
Peça para colocar a cabeça entre os joelhos, mantendo-a abaixada;
Oriente-a respirar profunda e vagarosamente.
21
https://tinyurl.com/yyp2uvfd
b) Durante o desmaio
Deite a pessoa com a cabeça num nível mais baixo que o do restante do corpo. Isso pode
ser feito levantando seus pés a até 30 cm do chão;
Afrouxe sua roupa;
Mantenha o ambiente arejado.
c) Após o desmaio
Oriente-a a se levantar aos poucos. Primeiro, sente-a por alguns minutos, e então se
levante devagar;
Pode ser dado café, chá ou água com açúcar. Jamais dê bebidas alcoólicas.
Convulsões
ATENÇÃO
Se o desmaio durar mais do que 2 minutos, chamar imediatamente o serviço de
emergência.
Convulsões se caracterizam por uma série de contrações dos músculos de forma involuntária. 
Pode ou não haver perda da consciência, e em alguns casos ocorre uma única contração, 
bastante violenta.
22
Causas
Intoxicação por agentes químicos, álcool, drogas e insulina;
Hipertermia muito alta;
Hipoglicemia;
Nível de cálcio muito baixo no sangue;
Traumatismo craniano;
Hemorragias nas meninges ou cérebro;
Edema cerebral;
Tumores;
Epilepsia;
Outras doenças pregressas no sistema nervoso central.
Sintomas
Perda da consciência (não ocorre todas as vezes);
Queda;
Movimentos oculares rápidos ou fixação destes movimentos;
Sudorese;
Pupilas dilatadas;
Espumar pela boca;
Morder a língua;
Rigidez do corpo;
Contração facial;
Palidez;
Perda do controle dos esfíncteres;
Movimentos musculares involuntários, desordenados e incontroláveis, que duram de 2 a
4 minutos em média;
Perda circunstancial da memória.
23
Como proceder
a) Durante a convulsão
Se estiver por perto, ampare a vítima, para que ela não se machuque na queda;
Retire quaisquer objetos ou restos de comida da boca;
Afaste-a de quaisquer objetos e locais que possam machucá-la;
Afrouxe as roupas da vítima;
Vire o rosto dela para o lado, para que não haja obstrução das vias aéreas por vômito;
Introduza um objeto macio, como um lenço enrolado, entre os dentes da vítima, 
para que ela não morda sua própria língua.
b) Após a convulsão
Mantenha a vítima deitada, até que ela esteja completamente lúcida. Ajude-a a levantar-
se vagarosamente.
Figura 6 - Exame de ressonância magnética, utilizado para buscar causas orgânicas relacionadas a
convulsões.
Fonte: https://tinyurl.com/yyaf5m4s
Em caso de sono, deixe a vítima dormir. Coloque-a na posição lateral de segurança.
Ainda que a convulsão tenha passado, é importante contatar um serviço de emergência,
pois as causas que levam a convulsões podem ser graves.
Proceda aos exames de observação, para verificar a presença de feridas e traumatismos
como consequência da queda e espasmos.
Acione os serviços de emergência.
24
https://tinyurl.com/yyaf5m4s
Crise de ansiedade
A crise de ansiedade é também chamada de neurose histérica, mas esta nomenclatura tem
deixado de ser usada, por estar associada a ideias errôneas e preconcebidas das crises de
ansiedade, que remontam à Idade Média.
As crises de ansiedade, na verdade, são uma forma de neurose que surge com sentimento de
apreensão, tensão, nervosismo e, muitas vezes, pânico. Não é incomum que as crises de
ansiedade tragam manifestações físicas de pavor associadas.
Sintomas
Os sintomas das crises de ansiedade são:
Taquicardia;
Sentimentos de angústia e apreensão;
Sensação intensa de mal-estar;
Respiração acelerada, que pode levar à hiperventilação. A hiperventilação pode 
desencadear crises de pânico em pessoas em crise de ansiedade;
Choro ou riso incontroláveis;
Mãos em garra;
Hipersensibilidade emocional;
A vítima durante uma crise de ansiedade também pode se autoproteger de forma 
exagerada. Ou seja, apresenta uma reação de medo que não corresponde aos 
riscos efetivamente presentes.
25
Como proceder
Não há riscos orgânicos envolvidos na crise de ansiedade, exceto pela hiperventilação, que
pode trazer alcalose respiratória transitória. A alcalose pode ocasionar espasmos musculares,
confusão mental e formigamento na face.
Acalme a vítima, afrouxe suas roupas, demonstrando solidariedade e segurança. Oriente-a a
reduzir seu ritmo respiratório. Caso isso não seja possível, peça à vítima que respire dentro de
um saco de papel, ainda que improvisado. Dessa forma, os efeitos da hiperventilação serão
reduzidos.
Se a crise de ansiedade persistir ou retornar na sequência, o serviço de emergência deve ser
acionado.
Figura 7 - “Le Désespéré”, Gustave Courbet, 1843.Crises de ansiedade são caracterizadas por
angústia, apreensão, medo e, muitas vezes, a hiperventilação associada gera crises de pânico.
Fonte: https://tinyurl.com/yybs4ute
26
https://tinyurl.com/yybs4ute
Intoxicação alcoólica
O alcoolismo agudo, ou intoxicação alcoólica, refere-se ao estado de embriaguez ocasionada
pela intoxicação por álcool etílico. Como o álcool é uma droga socialmente aceita, os casos de
embriaguez não são incomuns.
Sintomas
Os sintomas da intoxicação alcoólica variam de acordo com a dosagem consumida, 
segundo Gerald O’Malley e Rika O’Malley (2018):
“20 a 50 mg/dL: tranquilidade, sedação leve e alguma diminuição na coordenação motora
fina
50 a 100 mg/dL: julgamento comprometido e diminuição adicional na coordenação
100 a 150 mg/dL: marcha instável, nistagmo, fala pastosa, perda da inibição
comportamental e comprometimento da memória
150 a 300 mg/dL: delirium e letargia (provavelmente)”
A hipotensão e hipoglicemia podem ocorrer em todas as dosagens, em graus variados. 
O consumo de 300 a 400 mg/dLgeralmente leva à perda da consciência; e, acima de 400
mg/dL, pode levar a óbito em razão de depressão respiratória e arritmia cardíaca.
Essas referências, entretanto, são valores mais frequentes e não se adequam a todos. 
Os indivíduos têm sensibilidades diferentes à toxicidade pelo álcool, de forma que o mais
relevante é considerar os sintomas apresentados e não a dose em si, para definição da
intoxicação.
27
Como proceder
Evite que o indivíduo embriagado ingira maiores quantidades de álcool. Caso adormeça, a
vítima deve ser colocada na posição lateral de segurança, para caso de vômitos e a fim de ser
observada.
Caso a pessoa esteja acordada, é recomendável provocar vômito. A administração oral de água
morna com sal pode ser eficiente para isso. Na sequência, ela deve ingerir leite.
É importante que a vítima seja observada quanto aos sinais vitais. Em caso de parada
cardiorrespiratória, aplicar a ressuscitação e não provocar vômito. Solicite auxílio dos serviços
de emergência neste caso.
Figura 8 - A intoxicação alcoólica ocasiona letargia.
Fonte: https://tinyurl.com/y43qvrga
SAIBA MAIS
Quer saber mais sobre a intoxicação alcoólica? Leia o QRCode a seguir .
28
https://tinyurl.com/y43qvrga
https://super.abril.com.br/mundo-estranho/por-que-o-alcool-causa-embriaguez/
Fechamento
Entre as emergências clínicas estão as condições que induzem a alterações mentais. 
Nem sempre há um risco de vida associado, mas são em geral constrangedoras e bastante
desagradáveis para a vítima. Assim, a ação do socorrista é importante.
Ao final desta aula, você foi capaz de:
Reconhecer as principais emergências clínicas associadas a alterações mentais.
Compreender os procedimentos indicados para os primeiros socorros das emergências
clínicas associadas a alterações mentais.
29
Situações Comuns
São diversas as possibilidades de emergências clínicas em que a conduta de primeiros socorros
pode ampliar as chances de vida da vítima, bem como minimizar os riscos de lesões
permanentes. Algumas dessas emergências são bastante comuns, como febre e diarreia. 
Outras emergências traumáticas, como choque elétrico, são, infelizmente, também muito
frequentes. Apesar de situações comuns, essas condições podem ocorrer de forma grave.
Nesta aula, trabalharemos com as emergências mais comuns, que podem surgir a qualquer
momento e exigem ações de primeiros socorros.
Ao final desta aula, você será capaz de:
Reconhecer as emergências mais comuns.
Compreender como proceder de forma a socorrer os casos de emergências mais comuns.
Aula 03
Introdução
30
A hipertermia é o aumento da temperatura corporal. Ou seja, a febre. Pode ocorrer como
resultado de infecções ou de lesões na região do hipotálamo, onde ocorre a regulação da
temperatura.
Outras circunstâncias também podem levar à hipertermia:
Temperatura ambiental muito elevada/exposição ao calor.
Se a temperatura externa supera a do corpo, o corpo vai absorver calor, e não eliminá-lo.
Assim, a regulação da temperatura depende da transpiração, que se torna de difícil evaporação
quando a umidade relativa do ar é muito alta.
Doenças de pele disseminadas;
Neoplasias;
Excesso de atividades físicas.
A hipertermia oferece riscos quando a temperatura corporal ultrapassa 40 °C. A partir dessa
temperatura, o quadro pode acarretar lesões teciduais e levar ao comprometimento de
diversos órgãos.
Lesão cerebral;
Lesão intestinal;
Hipertermia
Riscos
VÍDEO
Assista a videoaula a seguir:
31
Insuficiência respiratória;
Insuficiência renal e hepática;
Pancreatite;
Hemorragia gastrointestinal;
Coagulação intravascular;
Alterações neurológicas, como delírios, letargia e coma.
Proceda ao resfriamento do corpo da vítima. O método de resfriamento evaporativo é o mais
seguro. Ele consiste em tirar as roupas da pessoa, molhá-las com água morna e, então, 
ventilar com ventiladores.
Caso isso não seja possível, cubra o indivíduo com toalhas úmidas, em ambiente ventilado.
Toalhas frias podem ser utilizadas na região frontal.
Não realize métodos de imersão em água fria, nem a cobertura do corpo com gelo ou sacos de
gelo entre as axilas, pescoço e virilha. Em caso de convulsão e delírio, a remoção para o
atendimento hospitalar deve ser realizada imediatamente.
Como proceder
Insolação
FATOS E DADOS
Quando o calor está realmente intenso, não é incomum que pessoas venham a óbito
por hipertermia. Veja só, no link a seguir:
E aqui: leia o QRCode a seguir .
32
https://extra.globo.com/noticias/mundo/mais-quente-que-vale-da-morte-europa-sofre-com-calor-registra-temperaturas-recorde-23774672.html
https://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-da-saude/brasil-vai-estar-entre-mais-afetados-por-mortes-em-ondas-de-calor/
A insolação é causada pela ação prolongada das radiações propagadas pelo sol sobre uma
pessoa. Pode levar à perda da consciência, à falência dos mecanismos reguladores da
temperatura (levando à hipertermia) e, em casos mais graves, ocorrem lesões nos tecidos
nervoso, renal, hepático e cardiovascular.
a) Iniciais
Os sintomas iniciais se instalam de forma progressiva.
Dor de cabeça;
Tonturas;
Pele quente e seca, sem transpiração;
Pulso rápido;
Hipertermia;
Distúrbios visuais;
Confusão mental.
b) Após a insolação instalada
Após a instalação da insolação, os sintomas aparecem bruscamente.
Respiração rápida, que pode levar à hiperventilação e, consequentemente, à alcalose
respiratória;
Palidez;
Perda da consciência;
Aumento da hipertermia;
Extremidades com coloração azulada;
Coma.
Sintomas
33
Procedimentos para baixar a temperatura corporal, a exemplo da condução para a
hipertermia;
Manter a vítima com a cabeça elevada, mas recostada;
Induzir a ingestão de água fria;
Borrifar água fria por todo o corpo, de forma muito delicada;
Levar a vítima a um local com ar condicionado.
A vítima deve ser mantida sob observação. Pode ocorrer parada cardiorrespiratória. Neste
caso, proceda à ressuscitação e chame os serviços de emergência.
Figura  9 - A insolação pode acarretar cianose (coloração azulada) nas extremidades.
Fonte: https://tinyurl.com/y5s2xwwz
Como proceder
34
https://tinyurl.com/y5s2xwwz
A exposição a temperaturas elevadas, como em locais onde se trabalha com fornos e fundições,
traz a exaustão pelo calor.
Vimos anteriormente que a exposição a altas temperaturas ambientais pode levar à
hipertermia. No caso da exaustão pelo calor, não há elevação obrigatória da temperatura
corporal, apesar de isso poder ocorrer. O que acontece é que, devido à sudorese intensa que é
promovida pelo organismo para regular a temperatura, há perda excessiva e não reposta de
água ou sódio.
Uma das formas de exaustão pelo calor é quando há desidratação. Neste caso, há:
Sede;
Cansaço;
Redução da coordenação motora;
Alterações mentais;
Pode ocorrer hipertermia, delírio e coma.
A outra situação possível de exaustão pelo calor é chamada de depleção de sódio. A
transpiração é composta por água, cloreto de sódio e pequenas quantidades de ureia e ácido
úrico. Assim, 
Exaustão pelo calor
Sintomas
ATENÇÃO
Tanto em casos de hipertermia como em de insolação, a temperatura deve ser baixada
de forma gradativa, não bruscamente. Na insolação, devemos manter a vítima em
locais sombreados.
35
na sudorese excessiva que ocorre em resposta à exposição a altas temperaturas, há perda de
água e sódio. Quando a reposição de água ocorre, mas não a de sal, falta sódio no organismo.
Os sintomas da exaustão pelo calor em caso de depleção de sódio são os seguintes:
Câimbras musculares;
Cansaço;
Náuseas e vômitos;
Calafrios;
Respiração superficial e irregular;
Palidez e baixa tensão arterial.
Para ambos os casos, os procedimentos são os mesmos.
Como proceder
SAIBA MAIS
O sódio é um elemento importante, relacionado com a condução dos impulsos
nervosos, o processo de contração dos músculos e a regulação osmótica do sangue.
ATENÇÃO
Uma grande diferença entre a desidratação e a depleção de sódio é que, em casos de
desidratação, a vítima relata uma sedeintensa. Já na depleção de sódio, não há esta
queixa.
36
Distanciar a vítima da fonte de calor, para um local arejado;
Afrouxar as roupas;
Manter a vítima com a cabeça elevada, mas recostada;
Deve-se oferecer água com uma pitada de sal. Se não for possível a ingestão de líquidos,
não force a vítima. Encaminhe-a para uma unidade de saúde.
A diarreia consiste no aumento do número de evacuações diárias, com a perda da consistência
das fezes. Geralmente vem acompanhada por gases, cólicas e urgência em defecar.
A principal consequência das diarreias é a desidratação e a perda de sais importantes, 
como sódio, potássio, magnésio, bicarbonato e cloro. Com a redução muito drástica de água e
sais, a pressão arterial pode ser reduzida suficientemente para levar à perda da consciência e 
à arritmia.
a) Trânsito rápido das fezes
As fezes vão para o intestino grosso numa consistência aquosa, e ali ocorre o processo de
absorção de água, que confere a consistência típica às fezes que são evacuadas. Se elas passam
muito rapidamente pelo intestino grosso, não há tempo de essa absorção ocorrer de forma
eficiente, e então as fezes são aquosas na evacuação.
Entre os agentes que causam este quadro, podemos citar laxantes, cafeína, antiácidos com
magnésio, hipertireoidismo, inflamação intestinal, alimentos com muito açúcar e até mesmo o
estresse e a ansiedade.
b) Diarreia osmótica
Quando substâncias hidrossolúveis que não são absorvidas pelo intestino se acumulam e
retêm a água. Adoçantes, lactose (na intolerância à lactose) e algumas frutas e leguminosas
podem causar este quadro. Ainda, algumas infecções bacterianas e antibióticos também são
possíveis causadores.
Diarreias
Classificação das diarreias em relação às causas
37
c) Diarreia secretora
Na diarreia secretora, há secreção de sódio e água nas fezes pelos intestinos. Isso ocorre como
resposta a toxinas de bactérias ou por infecções virais. Alguns laxantes, como o óleo de rícino,
também atuam dessa forma.
SAIBA MAIS
O indivíduo que tem intolerância à lactose é aquele que não produz – ou produz em
quantidades pequenas – uma enzima denominada lactase. A lactase digere a lactose,
que é o açúcar presente no leite, em glicose e galactose, que são componentes
suficientemente pequenos para serem absorvidos. A lactose não é absorvida sem
este processo.
Quando há a ingestão da lactose, mas não há lactase para processar, a lactose
permanece no intestino. Como a lactose absorve água, ela drena a água das paredes
intestinais para a luz intestinal, provocando a diarreia. De quebra, a lactose é
fermentada pelas bactérias intestinais, produzindo grande quantidade de gases.
Este processo é a denominada intolerância à lactose. Ao contrário do que muitos
pensam, 
ela não está relacionada com nenhum tipo de alergia.
SAIBA MAIS
O Vibrio cholerae, agente causador da cólera, atua causando uma diarreia secretora. 
Nesta infecção, a diarreia é muito intensa, com evacuação de mais de 1 L de fezes por
hora, podendo levar à morte por desidratação e depleção de sais.
38
d) Diarreia exsudativa
A diarreia exsudativa ocorre quando há inflamação do intestino grosso, e este secreta pus, 
soro e muco, o que causa a diarreia. São casos mais raros, relacionados a doenças inflamatórias
do intestino e cânceres intestinais.
Segundo Bayless (1989), alguns fatores dietéticos devem ser evitados em quadros de diarreia,
podendo estar associados à sua etiologia: cafeína em excesso, consumida na forma de café,
chás e refrigerantes; frutose em excesso, presente em sucos de frutas, uvas, mel, nozes,
ameixas e refrigerantes; adoçantes artificiais; lactose, presente no leite e derivados; e
antiácidos com magnésio.
O maior risco da diarreia é a desidratação e depleção de sais. Assim, a vítima deve ser mantida
em repouso, e a hidratação oral com soro caseiro deve ser iniciada o quanto antes.
Figura 10 - Foto micrografia do Vibrio cholerae
Fonte: https://tinyurl.com/yxqyx8tl
Como proceder
39
https://tinyurl.com/yxqyx8tl
Quando ocorrem acidentes em que uma corrente elétrica passa pelo corpo da vítima,
denominamos isso de choque elétrico. As consequências dependem da intensidade da
corrente, da duração da passagem e do percurso.
Se a corrente for intensa, o choque elétrico pode provocar a paralisia do bulbo cerebral,
responsável pela respiração e circulação, ou causar alterações no ventrículo cardíaco que
acarretam numa parada do coração.
Mal-estar;
Angústia;
Náusea;
Câimbras musculares;
Dormência e formigamento;
SAIBA MAIS
O soro caseiro, bastante importante em casos que oferecem risco de desidratação,
pode ser preparado da seguinte forma:
1 litro de água filtrada
1 colher (de sopa) bem cheia de açúcar
1 colher (de café) de sal de cozinha
Após o preparo, manter a solução na geladeira. O soro deve ser tomado em pequenos
goles ao longo do dia.
Choque elétrico
Sintomas
40
Ardência da pele, com queimaduras;
Alterações visuais;
Dor de cabeça;
Vertigem;
Arritmia cardíaca;
Dificuldade na respiração.
As complicações associadas são: parada cardiorrespiratória; queimaduras graves; fraturas;
lesões graves de órgãos; morte.
Antes de se aproximar da vítima, certifique-se de interromper a corrente elétrica. Caso não
haja essa possibilidade, proteja-se com materiais isolantes e secos, e utilize esses materiais
para afastar a vítima da fonte de energia.
Nunca toque em uma pessoa que esteja com uma corrente elétrica em passagem pelo seu
corpo!
Figura 11 - Jamais toque numa pessoa que esteja sofrendo um choque elétrico sem interromper a
corrente ou usar materiais isolantes para se proteger.
Fonte: pixnio
Como proceder
41
A conduta deve ser de acordo com o quadro apresentado após o choque elétrico. Lembre-se de
atender a hemorragias e realizar manobras de ressuscitação em primeiro lugar, e de proceder a
todos os passos dos exames primário e secundário. Acione os serviços de emergência.
As situações mais comuns por vezes podem vir acompanhadas de riscos importantes. Nesta
aula, aprendemos que eventos como febre, diarreia e choques elétricos, apesar de na maioria
das vezes não apresentarem riscos devida, podem ter complicações que não são raras e podem
levar à morte.
Ao final desta aula, você foi capaz de:
Reconhecer as emergências mais comuns.
Compreender como proceder de forma a socorrer os casos de emergências mais comuns.
Fechamento
SAIBA MAIS
Cuidado ao mexer com energia na presença de agentes condutores! Leia esta notícia:
leia o QRCode a seguir .
42
https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2018/03/10/interna_cidadesdf,665222/jovem-morre-com-choque-eletrico-em-espelho-d-u2019agua-de-loja-na-913.shtml
Emergências Traumáticas: Ferimentos
Os ferimentos são lesões decorrentes de traumatismo, com profundidade, gravidade e graus
de danos diferentes. Todos os ferimentos se constituem de fonte de dor, hemorragia e 
vulnerabilidade a infecções, pois promovem o rompimento da pele.
De acordo com o agente causal, os ferimentos podem ser:
Incisos: Ferimentos causados por objetos cortantes. Ocorre a secção dos tecidos, 
de forma que suas bordas são regulares, e a profundidade da lesão é bastante variável.
Contusos: Ferimentos lacerativos, com bordas irregulares. Ocorre a destruição de
tecidos por esmagadura, e nem sempre há a abertura da pele, permanecendo fechados.
Perfurantes: Ferimentos causados pela perfuração da pele e tecidos.
Transfixantes: Ferimentos causados por objetos que atravessam o corpo.
Avulsões: Ferimentos em que ocorre a desafixação da pele do tecido subsequente. 
A palavra “avulsão” significa, literalmente, extrair violentamente.
De uma forma geral, é importante que os ferimentos não sejam tocados com as mãos, e que se
proceda a uma limpeza cuidadosa.
Aula 04
Introdução
43
Ao final desta aula, você será capaz de:
Reconhecer os principais tipos de ferimentos.
Compreender como proceder para socorrer as vítimas dos principais tipos de ferimentos.
Apesar de ser uma nomenclatura pouco usual,denominamos tecidos moles todos os tecidos
não rígidos, ou seja, pele, gordura, músculos e vísceras.
Todo ferimento, na realidade, tem lesão de tecidos moles. Sua gravidade e os procedimentos 
a serem adotados dependem do local, da profundidade e dos tecidos lesados. Entretanto, 
de forma geral, os ferimentos precisam de assepsia e formas de fechá-lo, para evitar infecções
e possíveis perdas de função, dependendo de como este ferimento ocorreu.
Sempre que se deparar com um ferimento, é importante:
Lavar as mãos antes de conduzir qualquer procedimento envolvendo a ferida;
Manter o ferimento o mais limpo e protegido possível;
Controlar hemorragias;
Prevenir o estado de choque e, se for necessário, proceder às técnicas de ressuscitação;
Em caso de ferimentos graves, contatar os serviços de emergência.
Traumatismos de tecidos moles
VÍDEO
Assista a videoaula a seguir:
44
Lavar as mãos;
Lavar a ferida com água morna limpa e sabão, com água corrente e no sentido de dentro
para fora. Não esfregue;
Não tente retirar corpos estranhos da ferida;
Dependendo do local ferido, corte pelos e cabelos na região e próximos à abertura da
ferida;
Cubra com gaze estéril. Não use algodão;
Passe uma atadura ou faixa de tecido sobre a gaze.
Contusões são danos provocadas por impacto, sem a abertura da pele para o meio externo. 
São considerados traumatismos de tecidos moles porque, apesar de não haver o rompimento
superficial, há lesões nos tecidos internos.
Quando uma contusão é superficial, ocasiona dor e edema local. No caso de a vítima lesionar
vasos, ocorre o extravasamento momentâneo de sangue, gerando a presença de equimoses 
– os popularmente conhecidos “roxos”, manchas escuras que aparecem sob a pele.
Os hematomas são sangramentos ativos, mas indistinguíveis visualmente das equimoses.
Na presença de equimoses, a mancha escura vai se tornando azulada e depois amarelada, 
até sumir. Isso se dá pela reabsorção progressiva do sangue.
As contusões em pequenas superfícies são muito comuns e não oferecem muitos riscos.
Entretanto, em vítimas de acidentes mais graves, as contusões e, principalmente, a presença de
hematomas podem ser um sinal de hemorragias internas e danos a órgãos.
As contusões simples podem ser tratadas com compressas de gelo logo após o acidente. 
Na permanência de dor, rubor e edema, sinais de inflamação, as compressas devem ser úmidas
e quentes.
Contusões
Como proceder
Limpeza de feridas superficiais
45
Escoriações são feridas superficiais na pele e mucosas. Quando apresentam hemorragias, 
elas são pouco abundantes, decorrendo de pequenas avarias nos vasos superficiais.
Apesar de provocarem dor, as escoriações não são ferimentos graves por princípio, mas podem
ser propícias a infecções locais e sistêmicas. Assim, deve-se proceder ao procedimento de
limpeza conforme descrito para qualquer ferimento. O curativo deve ser feito com espaço para
ventilação.
Este tipo de ferimento relaciona-se, geralmente, a acidentes de automóvel, laborais e
desabamentos. Nos esmagamentos, as lesões se estendem aos tecidos mais profundos,
podendo atingir órgãos, dependendo da região esmagada.
Escoriações
Figura 12 - Escoriação.
Fonte: https://tinyurl.com/y5ywgbaa
Como proceder
Esmagamentos
46
https://tinyurl.com/y5ywgbaa
Acionar os serviços de emergência imediatamente;
Realizar os exames primários e secundários.
As amputações são ferimentos em que há o desligamento total ou parcial de um membro ou
porções salientes. Ocorrem com maior frequência em acidentes de carro e laborais.
Elas podem ser:
Amputação completa: Quando há o desprendimento completo da estrutura.
Amputação parcial: Quando há a amputação de apenas uma parte da estrutura ou de um
segmento.
Desenluvamento: Quando a pele e tecido adiposo são desprendidos.
Figura 13 - Acidentes como o ocorrido com o rompimento da barragem daVale do Rio Doce na cidade
de Mariana (MG) estão relacionados com a ocorrência de esmagamentos.
Fonte: https://tinyurl.com/y436sxwc
Como proceder
Amputações
47
https://tinyurl.com/y436sxwc
Contatar imediatamente o serviço de emergência;
Controlar a hemorragia e proceder a procedimentos de ventilação e/ou massagem
cardíaca, se for o caso;
Cobrir a área ferida com compressa úmida, de preferência em soro fisiológico. 
Não coloque gelo sobre a ferida.
Em amputação completa, recuperar a estrutura amputada e limpar com soro fisiológico, 
sem imersão. Em seguida, envolver com gaze estéril e seca. Cobrir a área ferida com compressa
úmida em soro fisiológico. Inserir em dois sacos plásticos vedados e, em seguida, dentro de um
isopor com gelo. É possível que seja realizado um reimplante.
Em caso de ferimentos com objeto introduzido, não tente, em nenhuma hipótese, remover o
objeto. Evite até mesmo movê-lo, pois pode ocasionar uma hemorragia severa.
Nestes casos, deve-se imobilizar o objeto com curativo e acionar o serviço de emergência.
Como proceder
Perfurações com objeto introduzido
SAIBA MAIS
Quer saber mais sobre recuperação de membros amputados? Leia a respeito nesta
reportagem: leia o QRCode a seguir .
48
https://super.abril.com.br/mundo-estranho/como-recuperar-um-membro-amputado/
Em casos de ferimentos na região do tórax, a gravidade é muito variável. A maior parte deles
são provocados por acidentes de trânsito e laborais, e suas consequências dependem do tipo
de lesões ocorridas.
Os traumatismos de tórax podem ser abertos ou fechados. Nos traumatismos fechados, os
quais denominamos de contusões, podem ocorrer lesões nos órgãos internos ou hemorragias
Figura 14 - Nos ferimentos em que há objetos introduzidos, estes devem ser imobilizado e jamais
removidos pelo socorrista.
Fonte: https://tinyurl.com/y6hwm79o
Traumatismo torácico
ATENÇÃO
Uma vítima de traumatismo de tórax pode ir a óbito se o socorro não for conduzido de
forma correta. Assim, mesmo que não haja sinais clínicos evidentes, este tipo de
situação deve ser sempre considerado grave.
49
https://tinyurl.com/y6hwm79o
internas. Os traumatismos abertos, entretanto, podem atingir regiões próximas ao coração e
pulmão, e são bastante graves.
Os sintomas são variáveis, dependendo do tipo de trauma e da profundidade deste, bem como
dos órgãos envolvidos. De forma geral, pode ocorrer a baixa concentração de oxigênio arterial
(hipoxemia) com o aumento da concentração de gás carbônico (hipercapnia), levando ao
estado de choque com envolvimento do cérebro e do coração.
A vítima deve ser deitada na posição lateral de segurança, sobre o lado ferido. A vedação do
ferimento, em caso de traumatismo aberto, deve ser realizada com gaze muito limpa. 
Este curativo deve ser preso com uma faixa ao redor do tórax, mas deve-se ter o cuidado de
não pressionar em demasia. O serviço de emergência deve ser acionado imediatamente.
Assim como os traumatismos de tórax, os abdominais são mais frequentemente causados por
acidentes de automóvel e acidentes laborais, e também podem ser abertos ou fechados
(contusões).
As contusões podem ocasionar lesões nos órgãos internos e hemorragias internas. Caso isso
ocorra, são gravíssimas, podendo levar a choque em pouco tempo.
Os ferimentos também são graves quando provocam a ruptura da parede abdominal de forma
suficiente para expor os órgãos abdominais. O caso mais grave é a evisceração.
Sintomas
Como proceder
Traumatismos abdominais
ATENÇÃO
Evisceração é o nome dado ao vazamento das vísceras abdominais para fora da
cavidade abdominal.
50
Em caso de traumatismos sem a exposição de órgãos, proceder como para o traumatismo
torácico.
Caso haja exposição de órgãos ou evisceração:
Mantenha a vítima deitada sobre as costas, com apoio ou cobertor enrolado sob seus
joelhos, para que não haja pressão sobre o abdômen.
Não toque nem tente recolocar os órgãos de volta para a cavidade abdominal.
Cubra os órgãos com uma compressa limpa umedecida com soro fisiológico. Se não
houver soro disponível, umedeça-a com água limpa. Não deixe que haja aderência entre
as compressas e as vísceras,por isso mantenha-as sempre úmidas e não se utilize de
materiais que possam aderir-se.
Cubra a região do ferimento com compressas limpas, firmes, mas não apertadas.
Não permita, sob nenhuma hipótese, que a vítima ingira líquidos ou comida.
Tente acalmar a vítima.
Acione os serviços de emergência imediatamente.
As queimaduras podem ser causadas por temperaturas altas e baixas, choque elétrico, 
agentes químicos e físicos. A fisiopatologia em comum a todas as queimaduras é a
desnaturação de proteínas, o que causa a morte celular.
A gravidade das queimaduras depende da causa, profundidade e da extensão da superfície
queimada. De forma sistêmica, as queimaduras podem ter como consequência: choque
neurogênico, choque hipovolêmico, infecções bacterianas secundárias e, em caso de choque
elétrico, paralisia respiratória e arritmia cardíaca.
A profundidade das queimaduras nos dá a classificação que chamamos de grau. É necessário
colocar que muito dificilmente a extensão das queimaduras é homogênea, variando em graus
Como proceder
Queimaduras
Classificação por profundidade
51
em áreas adjacentes.
Queimaduras de primeiro grau
As queimaduras de 1º grau são superficiais. Suas características são a vermelhidão da pele, 
dor e edema, ou seja, resultam numa resposta inflamatória simples. Afetam apenas a derme. 
A pele se restaura em até 6 dias. Um exemplo de queimaduras de 1º grau são as causadas pela
exposição solar.
Queimaduras de segundo grau
As queimaduras de 2º grau também geram vermelhidão, dor e edema, com bolhas. Atingem a
epiderme e a derme, de forma superficial ou profunda. As bolhas úmidas, dolorosas e com base
rósea indicam queimaduras de 2º grau mais superficiais. Se as bolhas forem indolores e secas,
com a base branca, isso é indicativo de que as queimaduras atingiram a derme de forma mais
profunda. A pele se restaura em até 20 dias. As queimaduras de 2º grau podem ser causadas
por líquidos ferventes ou por breve exposição a chama.
Figura 15 - Queimaduras por exposição solar são um exemplo de queimaduras de 1º grau.
Fonte: https://tinyurl.com/y5vqjley
52
https://tinyurl.com/y5vqjley
Queimaduras de terceiro grau
As queimaduras de 3º grau afetam a epiderme, a derme e tecidos mais profundos. 
Há a destruição de todos os elementos da pele, e elas podem chegar a destruir músculos,
nervos, tendões e atingir os ossos, dependendo da profundidade. São indolores, pois há lesão
das terminações nervosas. Possuem textura coriácea, com placas brancas e/ou escuras. A pele
não se restaura. É necessário o enxerto de pele. Geralmente são causadas por chama direta.
Figura 16 - Queimadura de 2º grau com formação de bolha à esquerda. À direita, mesma queimadura
após 4 dias.
Fonte: https://tinyurl.com/y52jrezx
53
https://tinyurl.com/y52jrezx
Figura 17 - Queimadura de 3º grau, com placas brancas e escuras e textura coriácea características.
Fonte: https://tinyurl.com/y5x4gyk7
Figura 18 - Diagrama demonstrando as regiões da pele atingidas pelas queimaduras de 1º, 2º e 3º
graus.
Fonte: https://tinyurl.com/yxjrwddd
54
https://tinyurl.com/y5x4gyk7
https://tinyurl.com/yxjrwddd
Apesar da profundidade das queimaduras constituírem uma classificação importante, 
a extensão da queimadura é mais representativa da gravidade destas lesões. Em queimaduras
da pele com lesões extensas, há a dificuldade na regulação de temperatura e a extrusão de
fluidos, o que as torna particularmente susceptíveis a infecções.
Ainda, o quadro de um indivíduo com queimaduras extensas pode ser complicado pela redução
do volume sanguíneo (hipovolemia), com redução da fluidez do sangue, em razão da perda de
líquidos pela ação da temperatura. Ocorre também um aumento da permeabilidade vascular
por causa dos danos e da liberação de mediadores inflamatórios. O aumento da
permeabilidade vascular indica extravasamento de líquidos, responsável pelo edema e
formação de bolhas. 
Este quadro pode levar a um choque hipovolêmico.
O cálculo da extensão das queimaduras é aproximado. Para tal, utiliza-se a “Regra dos Nove”,
conforme a figura abaixo.
A palma da mão, incluindo os dedos, não representados na figura, corresponde a 1% da
superfície corpórea queimada (SQC). O mesmo se aplica às solas dos pés e ao pescoço, quando
considerados isoladamente.
Classificação pela extensão
Figura 19 - Regra dos nove para cálculo da superfície corpórea queimada (SQC). 
Fonte: GOMES; SERRA; PELLON, 1997. 
55
A Regra dos Nove estabelece percentagens para cada uma das regiões corporais. Para fazer o
cálculo, consideram-se as regiões queimadas e procede-se à somatória da numeração.
Por exemplo: Um acidente com um adulto em que tenha ocorrido queimadura do tronco
anterior (18%), tronco posterior (18%) e braço esquerdo (9%) terá a seguinte SQC:
SQC = 18 + 18 + 9 = 45%
Ou seja, o indivíduo de nosso exemplo teve 45% do corpo queimado.
Queimaduras leves
Queimaduras de 1º grau que atinjam menos de 20% da SQC, queimaduras de 2º grau que
representem menos de 15% da SQC e queimaduras de 3º grau com menos de 2% da SQC
representam queimaduras leves.
Queimaduras moderadas
São moderadas as queimaduras de 1º grau em mais de 50% de SQC, queimaduras de 2º grau
em mais de 20% de SQC e as queimaduras de 3º grau que representem menos de 10% de SQC. 
Neste caso, há exceção de face, mãos e pés, para os quais as queimaduras de 3º grau
representam sempre casos graves, independentemente da extensão atingida.
Queimaduras graves
São consideradas graves quaisquer das queimaduras com superfície corpórea queimada (SQC)
maior de 20% em idosos e maior de 10% em crianças, bem como as que atinjam o sistema
respiratório.
Queimaduras de 3º grau nas mãos, pés e faces, e adultos com mais de 30% de SQC por
queimaduras de 2º grau também são considerados casos graves.
A mortalidade das queimaduras se relaciona com a associação entre a extensão e
profundidade, bem como com a idade. Idosos e crianças são mais vulneráveis, e as
queimaduras que atingem mais de 50% da extensão corporal são comumente fatais para esses
grupos.
a) Queimaduras pelo calor
Queimaduras de 1º grau
Gravidade das queimaduras
Como proceder
56
Lavar com água corrente em temperatura ambiente por 1 minuto;
Fornecer água lentamente, preferencialmente soro caseiro, caso esteja consciente;
Manter as lesões limpas.
Queimaduras de 2º grau
Lavar com água corrente em temperatura ambiente por 1 minuto;
Fornecer água lentamente, preferencialmente soro caseiro, caso a vítima esteja
consciente;
Manter as lesões limpas;
Proteger a lesão com gaze umedecida ou, preferencialmente, papel-alumínio limpo;
Não furar as bolhas;
Não utilizar qualquer espécie de substância ou medicamento tópico;
Remover objetos como joias e roupas. Não retire nada que esteja aderido às lesões, sejam
roupas ou objetos estranhos;
Utilizar técnicas de prevenção de choque;
Realizar exames primário e secundário;
Não transportar a vítima em caso de queimaduras extensas;
Acessar os serviços de emergência em caso de riscos ou encaminhar a vítima para
unidade de saúde especializada;
Manter o acidentado sob observação, especialmente se ocorreu queimadura na face e
nas vias aéreas.
Queimaduras de 3º grau
Deve-se proceder da mesma forma que em acidentes com queimaduras de 2º grau. Entretanto,
o papel-alumínio é preferível.
b) Fogo nas roupas
Quando há fogo nas roupas da vítima, a gravidade das queimaduras pode ser muito
aumentada. Assim, é importante saber como proceder nestes casos.
57
Obrigue a vítima a deitar-se no chão, com as chamas para cima.
Abafe o fogo com toalhas, tapete ou qualquer tecido disponível, começando pela cabeça.
Caso não tenha com o que abafar o fogo, role a vítima no chão.
Molhe as roupas da vítima, exceto se elas estiverem com resíduos de querosene, óleo ou
gasolina.
c) Queimaduras pelo frio
As queimaduras podem ser causadas pela exposição a temperaturas abaixo de 0 °C e, 
caso estejam associadas à temperatura ambiental (e não a um objeto frio), podem vir
acompanhadas de hipotermia sistêmica.São mais comuns em mãos e pés.
Em casos de queimaduras pelo frio, aqueça o local com água morna e realize massagens em
locais próximos à região atingida. Caso seja possível, oriente a vítima a movimentar a região
lesionada. Mantenha a vítima aquecida e encaminhe-a para uma unidade de saúde.
d) Queimaduras químicas
Queimaduras químicas são provocadas por ácidos e bases fortes. Este tipo de acidente ocorre
com mais frequência em locais de trabalho e devido à ingestão acidental de produtos de
limpeza.
O local atingido deve ser lavado imediatamente com água abundante. Utilizar água corrente,
mas não em jatos muito fortes, pelo tempo necessário para a completa remoção do agente.
Em casos de queimaduras na pele, seguir as mesmas orientações de procedimentos das
queimaduras pelo calor. É preciso, no entanto, verificar se houve queimaduras nas vias aéreas
por possível inalação do agente químico.
ATENÇÃO
Não utilizar qualquer espécie de substância ou medicamento tópico em casos de
queimaduras. A única indicação é água em temperatura ambiente, tecido úmido limpo
ou papel-alumínio.
58
Os sintomas de inalação são vermelhidão na mucosa nasal, rouquidão, tosse sanguinolenta,
dificuldade para respirar. A vítima deve ser mantida sob observação, pelo risco de edema
pulmonar que pode surgir até 3 dias após o incidente.
Se houver queimaduras nos olhos, estes devem ser socorridos com prioridade. Neste caso,
mantenha as pálpebras da vítima abertas e segure sua cabeça sob a torneira ou lava-olhos por
pelo menos 15 minutos. Na sequência, feche o olho atingido com a pálpebra, de forma suave, e
coloque um curativo. Leve a vítima imediatamente para uma unidade de saúde.
Os ferimentos variam em gravidade e riscos, mas há algo comum entre eles. As feridas abertas
são muito vulneráveis a infecções. Procedimentos para manter limpas as feridas abertas são
essenciais. Os ferimentos fechados, por sua vez, compartilham do risco de lesões nos órgãos
internos e hemorragias internas, o que pode levar a choque rapidamente.
Ao final desta aula, você foi capaz de:
Reconhecer os principais tipos de ferimentos.
Compreender como proceder para socorrer as vítimas dos principais tipos de ferimentos.
Fechamento
59
Emergências Traumáticas: Sistema
Locomotor
O sistema locomotor é composto por ossos, cartilagens, articulações, ligamentos, tendões e
músculos, e é responsável pelos movimentos. A maioria das lesões neste sistema não são
graves, mas podem vir a ser.
A conduta geral do socorrista é principalmente de imobilização do local, que deve ser
conduzida com muita delicadeza e cuidado, uma vez que erros nos procedimentos podem levar
ao desvio da fratura, a uma perfuração de tecidos próximos à fratura e a hemorragias. Todas as
lesões do gênero devem ser encaminhadas para o atendimento em unidade de saúde.
Ao final desta aula, você será capaz de:
Reconhecer os traumas do sistema locomotor de uma forma geral.
Conhecer os procedimentos de primeiros socorros para traumas do sistema locomotor
de uma forma geral.
Aula 05
Introdução
60
Entorses são a ausência passageira da coesão articular, provocada por um alongamento
profundo das estruturas que fixam a articulação, como os ligamentos, por exemplo. 
Este alongamento é o que chamamos de estiramento. As entorses são causadas por
movimentos bruscos ou traumatismos que geram um estiramento ou rompimento dos
ligamentos da articulação.
Distensões são lesões de músculos e tendões, causadas por hiperextensão ou contração que
rompe fibras musculares e vasos sanguíneos. Pode ocorrer ruptura do tendão.
Entorses e distensões
VÍDEO
Assista a videoaula a seguir:
SAIBA MAIS
Quer saber um pouco mais sobre traumatismos no sistema locomotor? Leia esta
reportagem e veja as lesões mais comuns nos esportes: leia o QRCode a seguir
.
61
https://super.abril.com.br/mundo-estranho/qual-a-diferenca-entre-luxacao-contusao-e-entorse/
Figura 20 - Entorse na articulação do tornozelo com edema.
Fonte: https://tinyurl.com/yypnyowb
Figura 21 - Distensão com rompimento de vasos sanguíneos, e sua característica equimose.
Fonte: https://tinyurl.com/y47d7dlk
62
https://tinyurl.com/yypnyowb
https://tinyurl.com/y47d7dlk
Edema ou equimose, dor intensa na articulação, dificuldade de movimentação ou
movimentação bastante dolorosa.
Aplique compressas geladas inicialmente. Na persistência da dor, nos dias subsequentes,
aplique compressas mornas, a fim de reduzir os sinais inflamatórios.
O local deve ser imobilizado com o auxílio de uma faixa. Lembre-se de não apertar, para não
causar interrupção da circulação. Caso haja feridas, estas devem ser limpas e cobertas com
curativo limpo e seco, antes da imobilização.
Luxações são a ausência total da união entre os ossos de uma articulação, causada pelo
distanciamento de um dos ossos. As luxações podem causar importantes danos nos
ligamentos. Como resultado de uma luxação, os ossos ficam mal situados, causando
deformação articular, dificuldade ou incapacidade de fazer movimentos. A luxação pode ser
total, quando os ossos ficam completamente separados, ou parcial, também chamada de
subluxação, quando ainda existe um contato parcial entre os ossos.
Movimentos articulares violentos e pancadas costumam ser os responsáveis pelas luxações.
Como proceder
Luxações
Sintomas
63
Dor intensa afetando todo o membro ao qual pertence a articulação, edema, movimentos
limitados ou ausentes, deformidade na articulação visualizável.
Aplicar compressas geladas na articulação atingida e imobilizar o local.
As dores nas luxações são realmente intensas, de forma que, ao manusear a articulação,
faça-o com muito cuidado.
Não tente colocar o osso de volta a seu lugar na articulação.
Deve ser acionado serviço de emergência ou o transporte para uma unidade de saúde.
Figura 22 - Raio X de luxação no dedo mindinho da mão direita.
Fonte: https://tinyurl.com/y3zrewg7
Sintomas
Como proceder
64
https://tinyurl.com/y3zrewg7
Fraturas são a quebra dos ossos, em decorrência de quedas, impactos ou movimentos
violentos. As fraturas podem ocorrer por ação direta, quando acontece a quebra no local do
impacto, 
ou indireta, quando o impacto ocorre num local e é transmitido até locais mais sensíveis.
As fraturas são a forma mais grave de traumatismo no sistema locomotor e podem causar
sequelas e lesões secundárias. O transporte e os cuidados devem ser realizados de forma
muito sensível e zelosa.
Dor intensa em resposta a movimentações;
Edema;
Sons na movimentação ou incapacidade de mobilidade;
Equimoses e hematomas;
Se houver lesão nervosa, há paralisia;
Deformidade no local.
a) Fraturas simples
As fraturas simples significam que o osso quebrado não está exposto exteriormente. As
fraturas internas podem romper várias estruturas ou o local pode permanecer íntegro.
Entretanto, 
não há rompimento da pele.
b) Fraturas expostas
Nas fraturas expostas, o osso é deslocado a ponto de romper as estruturas adjacentes e a pele.
São muito susceptíveis a infecções.
Sintomas
Classificação das fraturas
Fraturas
65
c) Fissuras
Nas fraturas em fissura, ou fissuras, as extremidades do osso quebrado permanecem bastante
próximas, mantendo-se alinhadas.
Figura 23 - Fratura transversal exposta. 
Fonte: https://tinyurl.com/y4oh78pw
Figura 24 - Raio X de fissura oblíqua interna do punho esquerdo.
Fonte: https://tinyurl.com/yx8zodyl
66
https://tinyurl.com/y4oh78pw
d) Fraturas parciais
Fraturas parciais são fraturas incompletas, em que o osso se quebra apenas parcialmente.
e) Fraturas completas
Ao contrário das fraturas parciais, nas fraturas completas o osso é completamente
desvinculado de sua outra extremidade pela quebra.
Figura 25 - Fratura parcial interna.
Fonte: https://tinyurl.com/y4oh78pw
Figura 26 - Fratura transversal completa interna.
Fonte: https://tinyurl.com/y294yw7u
67
f) Fraturas cominutivas
Fraturas cominutivas implicam a quebra do osso em fragmentos.
Figura 26 - Fratura transversal completa interna.
Fonte: https://tinyurl.com/y294yw7uFigura 27 - Fratura cominutiva interna.
Fonte: https://tinyurl.com/y4oh78pw
68
https://tinyurl.com/y294yw7u
g) Fraturas impactadas
Nas fraturas impactadas, uma extremidade do osso quebrado se crava na do seguinte, 
por ficarem comprimidas uma contra a outra.
Figura 28 - Fratura impactada interna
Fonte: https://tinyurl.com/y4oh78pw
h) Fraturas oblíquas
Quando a fratura ocorre de forma diagonal no osso.
Fratura oblíqua interna
Fonte: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/35/612_Types_of_Fractures.jpg
69
https://tinyurl.com/y4oh78pw
i) Fraturas transversais
A fratura ocorre numa linha reta no osso.
Figura 29 - Fratura transversal interna
Fonte: https://tinyurl.com/y4oh78pw
Como proceder
a) Procedimentos gerais
Realize os exames físicos pertinentes. Lembre-se de que fraturas podem vir
acompanhadas de outras lesões e hemorragias.
Acompanhe os sinais vitais, para prevenir um choque hipovolêmico.
VÍDEO
Você pode saber mais sobre os tipos de fraturas aqui:
Faça os procedimentos na ordem adequada. Hemorragias, choque e, na sequência,
proceda aos cuidados com as fraturas.
Imobilizar a região.
70
b) Como imobilizar?
Para imobilizar uma área, o membro deve ser colocado na posição mais confortável possível
para a vítima, que lhe cause menor dor. Para a imobilização ser efetiva, é necessário que as
articulações acima e abaixo do local fraturado permaneçam imóveis.
Caso o membro lesionado precise de sustentação, recomenda-se o uso de talas. As talas devem
ser de um tamanho suficiente para ultrapassar as articulações adjacentes à lesão e podem ser
feitas de material rígido ou resistente, como madeira e papelão. As talas de material resistente,
mas flexível, são as mais indicadas, pois respeitam as deformações que possam existir.
Para se aplicar a tala, o local lesionado deve antes ser envolvido com panos limpos, em várias
camadas. Na sequência, posicione a tala sobre o membro na posição de conforto, então a
prenda com tiras (evite barbante, arame ou similares). Lembre-se de tomar o cuidado de não
interromper a circulação ao apertar demais as tiras. As talas devem ser fixadas acima e abaixo
das articulações e acima e abaixo da fratura, minimamente.
Não tente recolocar o osso de volta à sua posição natural. A imobilização deve ser realizada da
forma mais confortável possível para a vítima, delicadamente, sem submeter a fratura a
qualquer movimentação além do mínimo necessário para a imobilização.
b.1) Técnica de imobilização segmentar
A imobilização segmentar é especialmente útil para fraturas nos membros inferiores. 
Esta técnica consiste em colocar três talas ao redor da fratura, aos lados e atrás dela. 
A técnica de imobilização segmentar também é conhecida como “técnica do caixote”, porque o
posicionamento das talas traz a impressão de envolver o membro fraturado num caixote.
As talas devem ser presas acima e abaixo da fratura e próximas às articulações.
b.2) Técnica da imobilização em bloco
A técnica da imobilização em bloco é especialmente útil quando há mais de uma fratura, 
em membros distintos. Na imobilização em bloco, a vítima é deitada sobre uma prancha. 
Entre as pernas deve ser posicionado um apoiador, como uma garrafa PET ou um lençol 
enrolado, na posição vertical em relação ao paciente.
Na sequência, insere-se uma tala com comprimento suficiente das axilas aos pés, em 
ambos os lados. Não se esqueça de proteger as axilas com um lenço enrolado ou 
algodão. Tiras de tecido devem ser passadas enrolando as talas, o paciente e a prancha, 
especialmente sobre as articulações.
71
Traga os braços para próximo do corpo, de forma lateral, coloque uma tala lateralmente à 
lesão, e fixe-as com tiras de tecido, de forma semelhante ao procedimento realizado para os 
membros inferiores.
Esta técnica é bastante usada para o transporte de pacientes críticos.
b.3) Técnica com bandagem triangular
Para imobilizar fraturas em braços, proteja a axila com algodão ou pano, então coloque talas 
dos dois lados do braço (interno e externo), com comprimento que alcance um pouco abaixo do 
cotovelo.
Flexione o antebraço num ângulo reto e prenda com uma bandagem. A bandagem deve ser 
feita com um pedaço de pano suficientemente largo para envolver todo o antebraço e um 
pouco acima do cotovelo, e deve ser amarrada sob os ombros do lado oposto ao da lesão.
Com tiras de pano, envolva o braço e o tórax do acidentado, de forma a manter seu braço 
imóvel fixado ao corpo.
c) Fraturas expostas
No caso de fraturas expostas, é imprescindível que a vítima não se movimente. Oriente-a
quanto a isso, de forma calma. Não tente recolocar o osso em seu local de origem e evite tocar
no osso ou no ferimento.
A hemorragia deve ser controlada com a utilização de um pano limpo pressionado contra a
lesão. Mas lembre-se disto: procure não mover o osso exposto. O ferimento deve ser lavado
VÍDEO
Você quer saber mais sobre técnicas de imobilização? Assista a este vídeo:
com água limpa ou soro fisiológico derramados sobre o ferimento em abundância.
Após o procedimento de limpeza, cubra o local com gaze estéril e fixe com faixa de pano, 
com muito cuidado para não mover o osso. Mantenha o membro atingido num nível mais
elevado do que o corpo.
Em caso de fraturas expostas, evite mover o acidentado. Contate os serviços de emergência.
72
O transporte de vítimas de acidentes deve ser feito com técnica e cuidados, uma vez que erros
podem trazer lesões irreversíveis, especialmente no caso de fraturas e hemorragias.
A vítima deve ser transportada e não se locomover sozinha nos casos de inconsciência, 
estado de choque, queimaduras em grande parte do corpo, hemorragia abundante,
intoxicações, fraturas ou luxações dos membros inferiores, bacia ou coluna vertebral.
Se o transporte for realizado num veículo, certifique-se de que a cabeça e o corpo estejam
firmes, apoiados em local macio, e que o motorista evite freadas e movimentos bruscos.
Figura 30 - Simulação da lavagem de uma fratura exposta.
Fonte: https://tinyurl.com/y4mmcekn
Transporte de vítimas de acidentes
ATENÇÃO
O ideal é que se aguarde a chegada dos serviços de emergência para que haja o
transporte da vítima, especialmente se há suspeita de lesões na coluna cervical. Mas
podem existir situações em que isso não é possível, como extrema urgência ou perigo
iminente para o acidentado e o socorrista. Assim, se o socorro estiver a caminho e for
possível aguardar, não realize o transporte do acidentado!
73
https://tinyurl.com/y4mmcekn
* Transporte com um socorrista
- Transporte no colo
Caso a vítima esteja consciente, ela pode ser levada no colo, exceto em casos de fratura da
coluna vertebral.
- Transporte nas costas
Com as pernas na cintura do socorrista e os braços passados pelos ombros, o acidentado pode
ter suas pernas e mãos seguradas pelo socorrista em suas costas. É mais usado para
intoxicações e luxações nos membros inferiores, que devem ser imobilizados antes do
transporte.
- Transporte de bombeiros
O socorrista coloca a vítima sobre seus ombros. Este tipo de transporte não pode ser usado
para fraturas e lesões graves, e exige capacidade física do socorrista.
- Transporte de arrasto em lençol
Coloca-se o corpo da vítima sobre um lençol ou semelhante, e o socorrista utiliza as
extremidades do tecido, do lado em que se encontra a cabeça da vítima, para arrastar a pessoa.
* Transporte com dois socorristas
- Transporte da cadeirinha
Os dois socorristas permanecem de frente um para o outro e seguram os punhos do parceiro. 
A vítima se senta e, então, é erguida. Os socorristas soltam um dos braços e passam por trás
das costas da vítima.
- Transporte pelas extremidades
Um dos socorristas eleva o tronco da vítima, passando seus braços por sob as axilas. O outro 
socorrista segura suas pernas, semidobradas.
- Transporte no colo
A vítima é levantada na posição lateral, com um socorrista abraçando seu tronco e apoiando 
seu pescoço com um dos braços, enquanto o outro abraça suas pernas e quadris.
74
- Transporte

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