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UNIDADE IV Primeiros Socorros: Emergências Clínicas e Traumáticas Drª. Paula Moiana da Costa Introdução Unidade 4 VÍDEO Apresentação da Unidade 4: 1 CENÁRIO PRÁTICO Olá, prezado(a) estudante! Existem dois tipos de emergência: as emergências clínicas e as emergências traumáticas. As emergências clínicas estão, em geral, associadas a condições preexistentes, ainda que a vítima não tenha ciência delas. Exemplos de emergências clínicas são os comas diabéticos, infartos do miocárdio, entre outros. Ainda, podemos citar entre este tipo de emergência as que induzem a alterações mentais. Mesmo que nem todas tenham uma gravidade orgânica associada, são em geral constrangedoras e bastante desagradáveis para a vítima. As emergências traumáticas constituem-se de lesões causadas por fatores externos. Nesta unidade, abordamos as emergências traumáticas de forma mais direcionada aos traumas do sistema locomotor, uma vez que as outras condições de trauma, como as hemorragias, comuns em acidentes e de extrema gravidade, já foram tratadas nas aulas anteriores. O que você deve fazer caso alguém entre em convulsão? E se houver uma fratura exposta? Vamos descobrir! 2 Emergências Clínicas Associadas a Condições Preexistentes As emergências clínicas incluem condições que causam óbito ou lesões irreversíveis, muitas vezes incapacitantes. Trata-se, em conjunto, da maior causa de mortes no mundo. Os primeiros socorros, entretanto, quando devidamente executados, conferem a estas emergências um potencial de recuperação bastante relevante. Assim, nesta aula abordaremos as emergências clínicas mais comuns, que podem ser auxiliadas pelas ações do socorrista, na intervenção como um todo. Ao final desta aula, você será capaz de: Reconhecer as principais emergências clínicas. Compreender os procedimentos indicados para os primeiros socorros das emergências clínicas. Aula 01 Introdução 3 Edema pulmonar é o acumulo de fluidos nos pulmões. Ele tem várias causas possíveis, mas na grande maioria das vezes é causado por insuficiência no bombeamento de sangue pelo coração. Quando há insuficiência cardíaca, ocorre uma pressão anormal de sangue nos vasos pulmonares, levando ao extravasamento de fluido. É essencial que a superfície do pulmão esteja livre para a troca gasosa ocorrer, pois do contrário há falta de oxigenação. A vítima sente, então, falta de ar. Traumas na região do tórax que levem a sangramento no interior dos pulmões também podem causar este quadro. Altitudes acima de 2.500 m do nível do mar têm menor concentração de oxigênio, e se o individuo sobe muito rápido, também pode desenvolver um quadro de edema pulmonar. Há várias outras possibilidades de causas, como doenças ou lesões hepáticas e renais que reduzem a quantidade de proteína no sangue e levam ao edema. Ainda, reações alérgicas a medicamentos e drogas, inalação de fumaça e substâncias tóxicas, bem como situações que comprometam o sistema nervoso central. Os sintomas do edema pulmonar são: Movimentos respiratórios exacerbados, na tentativa de insuflar ar suficiente nos pulmões para que ocorra a troca gasosa; Respiração curta, a famosa “falta de ar”; Edema agudo de pulmão Sintomas VÍDEO Assista a videoaula a seguir: 4 Aumento na intensidade da respiração, que indica dificuldade nesta; O som da respiração é modificado, sendo possível ouvir o som de borbulhamento; A pele e mucosas se recobrem de suor frio e se tornam acinzentadas ou azuladas; A vítima fica agitada; Há a aceleração dos batimentos cardíacos; Em alguns casos, pode haver hipertermia (aumento da temperatura corporal); Tosse espumosa, às vezes sanguinolenta, após a instalação do edema. Acione os serviços de emergência; Não movimente a vítima mais do que o essencial, para não exigir mais do coração; Observe os sinais vitais; Mantenha a pessoa na posição que esta considerar mais confortável, em ambiente ventilado. Geralmente, a vítima preferirá permanecer sentada; Figura 1- Edema pulmonar de origem cardíaca. Fonte: https://tinyurl.com/yxebk7na Como proceder 5 https://tinyurl.com/yxebk7na Aplique torniquetes nas pernas e braços. Os torniquetes devem ser feitos alternadamente, não sendo aplicados em todos os membros ao mesmo tempo, e devem ser mudados de lugar a cada 10–15 minutos; Afrouxe as roupas; Não permita que a vítima beba ou coma. A vítima de edema pulmonar pode ser acometida por uma parada cardiorrespiratória. Nesse caso, proceda às intervenções de ressuscitação cardiopulmonar. O infarto do miocárdio significa que houve morte de células cardíacas ocasionada pela interrupção do fluxo sanguíneo de forma repentina. Assim, a região do coração que normalmente recebe este fluxo passa a não ter oxigenação adequada. Infarto agudo do miocárdio Figura 2 - Secção do coração com infarto agudo da parede do ventrículo esquerdo. Fonte: https://tinyurl.com/y2nfsrd9 6 https://tinyurl.com/y2nfsrd9 possível que o infarto ocorra em várias regiões do coração, dependendo do local em que houve a interrupção da circulação. A causa mais comum é a aterosclerose. Aterosclerose é o acúmulo de placas de gordura no interior das artérias. No caso, para levar ao infarto, a aterosclerose deve ter ocorrido nas artérias coronárias. O rompimento dessas placas leva à formação de coágulos, que diminuem ou interrompem completamente a circulação local. O infarto agudo do miocárdio leva ao choque cardiogênico. Dor e desconforto insuportável na região do peito, com sensação de peso ou aperto sobre a região torácica; É comum que esta dor se irradie para as costas, rosto e braço esquerdo, às vezes para o estômago; A dor dura mais do que meia hora e não diminui com o repouso; Arritmia cardíaca; Vertigem e desmaio; Sudorese excessiva; Palidez; Náuseas e, menos frequentemente, vômitos e diarreia; O individuo infartado pode apresentar edema pulmonar. Sintomas Como proceder SAIBA MAIS Infarto é a morte de células por falta de oxigenação.Miocárdio é o nome que se dá ao músculo do coração. Assim, infarto do miocárdio significa morte de células do músculo cardíaco. 7 Acione os serviços de emergência; Não movimente a vítima além do necessário, para não exigir mais do coração; Mantenha a pessoa deitada, em repouso absoluto, em ambiente ventilado; Tranquilize o indivíduo; Afrouxe as roupas; Não forneça comida ou bebida à vítima. Verifique se a pessoa possui remédios de urgência consigo. Muitas vezes, a vítima de infarto possui um histórico preexistente. Caso ela tenha os remédios, administre-os após consultar a bula. Os medicamentos só devem ser administrados se a vítima estiver consciente. A vítima de infarto agudo do miocárdio pode ser acometida por uma parada cardiorrespiratória. Nesse caso, proceda às intervenções de ressuscitação cardiopulmonar. A crise hipertensiva ocorre quando a pressão arterial é repentinamente elevada, com dano possível de órgãos. Também é chamada de hipertensão maligna. É importante diferenciar a crise hipertensiva de pequenas alterações na pressão arterial. Crise hipertensiva ATENÇÃO O edema pulmonar e o infarto do miocárdio são condições agudas muito graves. Em caso de suspeita, encaminhe a vítima com urgência para uma unidade de saúde ou ligue para os serviços de emergência imediatamente. 8 No quadro abaixo, elaborado pela Fiocruz e publicado pelo Ministério da Saúde em 2003 (BRASIL, 2003), podemos verificar quando, observando os valores da pressão arterial, podemos considerar que há um quadro de hipertensão. Devemos, entretanto, lembrar que a crise hipertensiva exige que os valores de hipertensão sejam atingidos repentinamente, para ser caracterizada. Assim, os sintomas clínicos devem ser observados em conjunto com os valores das aferições de pressão. Entretanto, nem todas as vítimas de crises hipertensivas são previamente hipertensas. Algumas condições preexistentes podem resultar numa crise hipertensiva. Nefrites, diabetes, tumores das glândulas suprarrenais e a ingestão de alguns medicamentosde cadeira Se uma cadeira estiver disponível, um dos socorristas segura nas laterais do encosto, enquanto o outro segura o assento na extremidade da frente. A cadeira fica inclinada para trás. - Transporte de maca Em situações de emergência, na ausência de uma maca, uma pode ser improvisada: utilizando-se duas camisas enfiadas em duas varas ou enrolando um cobertor dobrado em torno de dois bastões. Deve-se manter a posição da vítima o máximo possível, caso esta esteja estável. É um tipo de transporte adequado para fraturas na coluna, mas as curvaturas desta devem ser preenchidas com tecido. Apesar de este transporte ser adequado, lembre-se disto: é indicado que a equipe de emergência, que possui equipamentos apropriados, realize o transporte do acidentado, especialmente em se tratando de suspeita de fraturas na coluna. Esta ação deve ser realizada apenas em situações efetivamente urgentes, em que não há possibilidade de aguardar a chegada da equipe de emergência. * Transporte com três ou mais socorristas - Transporte no colo Com a pessoa deitada de costas, um dos socorristas apoia o pescoço em seu braço, e o outro abraça a porção superior das costas da vítima. O segundo socorrista abraça a cintura e a região abaixo das nádegas. O terceiro socorrista abraça os joelhos e tornozelos. Os três devem levantar a vítima ao mesmo tempo e mantê-la próxima a seus troncos. - Transporte de lençol pelas pontas Com 4 pessoas, duas de cada lado do lençol onde se encontra repousado o corpo da vítima, os socorristas suspendem o tecido, formando uma espécie de rede. 75 AMPLIE SEU CONHECIMENTO O filme “As torres gêmeas” (2006), de Oliver Stone, retrata o atentado de 11 de setembro de 2001 nos EUA. A ênfase do filme é dada para um personagem que, sob os escombros do World Trade Center, busca resgatar as vítimas. Ao assistir, perceba os tipos de ferimentos ocasionados por um desabamento e observe a conduta do socorrista. NA PRATICA Você se lembra da história do incêndio na boate Kiss, no Rio Grande do Sul, ocorrido em 2013? Várias pessoas morreram, houve uma série de erros, mas a ação dos socorristas da população e do corpo de bombeiros garantiu que houvesse sobreviventes. Várias pessoas prestaram os primeiros socorros em frente à boate Kiss. A respeito disso, leia a notícia disponível no link a seguir: Clique aqui. Mas não é tão simples aplicar a teoria à prática. Nesta reportagem, veja o nervosismo dos bombeiros novatos no momento de efetivamente realizarem os socorros, então reflita sobre como isso pode ser prejudicial: Clique aqui. Algum tempo depois, os socorristas se encontraram num congresso, para relatar a experiência e trocar aprendizados. Veja que eles dão muita ênfase à questão da dificuldade de colocar em prática o que se aprendeu em momentos de pressão. Acesse o link a seguir: Clique aqui. 76 Fechamento Traumatismos são lesões resultantes de uma ação mecânica externa e podem ocorrer em diversos tecidos. Muitas vezes, os primeiros socorros são suficientes para conter a situação. É importante, entretanto, que se verifique a necessidade de cuidados especializados e/ou de serviços de emergência, uma vez que traumas podem ser graves em muitos casos. Ao final desta aula, você foi capaz de: Reconhecer os traumas do sistema locomotor de uma forma geral. Conhecer os procedimentos de primeiros socorros para traumas do sistema locomotor de uma forma geral. 77 Referências Unidade 4 BAPTISTA, N. T. Manual de Primeiros Socorros. Escola Nacional de Bombeiros. [S.l.]: SINTRA, 2008. BAYLESS, T. Chronic diarrhea. Hospital Practice, v. 15, n. 131, jan. 1989. BORBA, D. G.; BAUMEL, L. F. S. Socorros de Urgência: Manual de procedimentos. Governo do Estado do Paraná, Casa Militar da Governadoria. Coordenadoria Estadual de Defesa Civil. Curitiba: Defesa Civil-PR, 2013. BRASIL. Ministério da Saúde. Fundação Oswaldo Cruz – FIOCRUZ. Vice-Presidência de Serviços de Referência e Ambiente. Núcleo de Biossegurança – NUBio. Manual de Primeiros Socorros. Rio de Janeiro: Fundação Oswaldo Cruz, 2003. 206 p. Disponível em: . Acesso em: 7 out. 2019. HAFEN, B, Q; KARREN, K. J.; FRANDSEN, K. J. Primeiros Socorros para Estudantes. São Paulo: Editora Manole, 1999. Disponível em: . Acesso em: 1 out. 2019. O’MALLEY, Gerald; O’MALLEY, Rika. Toxicidade e abstinência de álcool. MANUAL MSD, março 2018.Kenilworth, NJ: Merck and Co., Inc, 2018. Disponível em: . Acesso em: 7 out. 2019. 79 TARINI, V. A. F.; VILAS, L.; ZANUTO, R. et al. Calor, Exercício físico e hipertermia: epidemiologia, etiopatogenia, complicações, fatores de risco, intervenções e prevenção. Revista Neurociências, v. 14, n. 3, p. 144-152, jul./set. 2006. Disponível em: . Acesso em: 7 out. 2019. TOLDO, P. R. Primeiros Socorros de Emergência: Brigada de Incêndio e Emergências Médicas. Ribeirão Preto, SP: FCFRP-USP, 2016. YEO, T. P. Heat Stroke: A Comprehensive Review. AACN Clinical Issues, v. 15, n. 2, p. 280-293, abr.-jun. 2004. Disponível em: . Acesso em: 7 out. 2019. 80 capa_unidade4 Introdução Unidade 4 Aula 4-1 Aula 4-2 Aula 4-3 Aula 4-4 Aula 4-5 Referências Unidade 4são fatores que podem gerar crises hipertensivas. A crise hipertensiva pode ocasionar acidente vascular cerebral (AVC), edema pulmonar agudo e encefalopatia. Trataremos especificamente sobre os AVCs nas próximas aulas desta unidade. Quadro 1: Variações de pressão arterial na hipertensão. Fonte: BRASIL, 2003. SAIBA MAIS A pressão alta faz com que o esforço do coração para bombear o sangue para o corpo seja muito maior. A hipertensão arterial é um quadro geralmente crônico. A crise hipertensiva é a fase aguda da hipertensão arterial. Ou seja, a pressão arterial é repentinamente elevada, podendo levar à falência de órgãos e, consequentemente, à morte. 9 A encefalopatia é um termo geral para as doenças que alteram a função cerebral e, consequentemente, o estado mental do indivíduo. No caso, a encefalopatia referida é do tipo hipertensiva. A encefalopatia hipertensiva causa dores de cabeça intensas, náusea, vômito, alterações na consciência e confusão mental, convulsões, dificuldade de falar, paralisia e pode levar ao coma. Dores na região occipital da cabeça (nuca); Alterações visuais; Vertigem, tonturas; Zumbidos; Dor abdominal; Náuseas e vômitos; Falta de ar; Ansiedade e nervosismo. Para evitar AVC, edema pulmonar e encefalopatia como consequências da crise hipertensiva, é preciso um atendimento rápido. Não há como realizar procedimentos de primeiros socorros, exceto a remoção imediata para atendimento especializado. As cólicas renais podem ser provocadas pela presença de cálculos urinários, que se movem nas estruturas do sistema urinário. Mas infecções também podem promover este tipo de dor. A dor sentida é variável em relação a localização. Ela pode se dar na forma de dor e sensação de peso na região lombar ou na região baixo-abdominal, na forma de fincadas ou como um latejar. Muitas vezes ocorrem vômitos, palidez e sudorese. Pode haver febre. Sintomas Como proceder Cólicas renais Sintomas 10 De forma geral, a dor se inicia na região lombar e é irradiada para outras regiões, principalmente para a região da bexiga e flanco. Pode ser sentida também nos testículos ou na vulva. Deite a vítima numa posição confortável; Afrouxe suas roupas; Aplique compressas de água quente no local de onde parece principiar-se a dor; Ofereça medicamentos apenas se a vítima já os tiver utilizado antes. Caso contrário, aguarde a chegada do serviço de emergência. Figura 3 - Secção do rim mostrando cálculos renais. Fonte: https://tinyurl.com/yyqfu76w Como proceder 11 https://tinyurl.com/yyqfu76w O diabetes mellitus é uma doença muito comum, que exige rígido controle alimentar e, muitas vezes, medicamentoso. Por exigir um controle muito rígido, não é incomum que ocorra uma grande elevação repentina da taxa de açúcar, em razão de alimentação e de infecções. Em uma pessoa normal, há uma variação nas taxas de açúcar no sangue, de acordo com o horário e as refeições realizadas. A taxa de açúcar é denominada glicemia. No quadro abaixo podemos verificar a variação nas taxas de açúcar no sangue de pessoas normais, no decorrer do dia: Coma diabético hiperglicêmico ATENÇÃO Os exames primários e secundários, bem como as técnicas de observação do local, servem para qualquer situação. Os exames devem ser direcionados para a queixa da vítima, e o serviço de emergência deve ser acionado. 12 O açúcar ingerido na alimentação só é capaz de entrar nas células – e, assim, servir como fonte de energia – com o auxílio de um hormônio pancreático chamado insulina. No diabetes, a produção de insulina é insuficiente, e o açúcar permanece circulante. O açúcar circulante modifica a concentração osmótica do sangue e leva à perda de líquidos e à acidose sanguínea. A acidose e a perda de líquidos são responsáveis pela indução ao coma. Respiração rápida e profunda; Desidratação; Odor cetônico; Pulso rápido e fino (fraco); Redução na resposta a estímulos; Perda da consciência; Confusão mental; Coma; Morte. Quadro 2: Variação da glicemia durante o dia em pessoas não diabéticas Fonte: Ministério da Saúde e Fiocruz (BRASIL, 2003, p. 93). Sintomas Como proceder 13 A vítima de um coma hiperglicêmico deve ser removida imediatamente ao atendimento especializado. Se o portador de diabetes não se alimenta de forma adequada ou administra a insulina em excesso, o açúcar do sangue penetra nas células em abundância. Entretanto, o cérebro exige um fornecimento constante de glicose, de forma que a ausência dela no sangue pode levar até mesmo à lesão cerebral. Pele pálida e úmida; Confusão mental, às vezes delirante; Pulso rápido e cheio; Perda da consciência; Convulsões; Coma; Morte. Administre água com açúcar imediatamente. Em caso de complicações, como perda da consciência e convulsões ou se a vítima não voltar a seu estado normal após a ingestão de açúcar, acione os serviços de emergência. Coma diabético hipoglicêmico Sintomas Como proceder 14 O acidente vascular cerebral ocorre quando o fluxo sanguíneo é interrompido por tempo suficiente para causar lesões no cérebro. Ele pode ter quatro causas: coágulos, embolia, hemorragia e compressão. a) Coágulos A maior parte dos AVCs – em torno de 80% – tem como causa o bloqueio de uma artéria cerebral por um coágulo desenvolvido localmente. Na maioria das vezes, antes de um AVC de origem trombótica, há um ataque isquêmico transitório (AIT). Os AITs são bastante semelhantes aos AVCs em relação aos sintomas, mas o bloqueio é parcial e dura apenas alguns minutos. Os sintomas dos AITs duram no máximo 1 dia e não incluem náuseas e vômitos, tampouco dor de cabeça. b) Embolia Quando um coágulo se desenvolve em algum vaso do corpo, ele pode se deslocar até uma das artérias cerebrais, o que denominamos de embolia cerebral. O AVC ocasionado por embolia é o Acidente vascular cerebral (AVC) Causas ATENÇÃO A diferenciação entre a hipoglicemia e a hiperglicemia no diabetes não é simples de ser realizada. Os sinais mais importantes que as diferenciam são a respiração profunda na hiperglicemia e a respiração normal na hipoglicemia. Se a vítima está inconsciente e convulsionando, mais provavelmente estará em hipoglicemia.Você pode fazer questões para a família sobre a alimentação e o consumo de insulina nas horas anteriores à crise. Em caso de dúvidas, não administre açúcar. 15 de início mais rápido e é mais frequente em casos de doenças cardíacas preexistentes. c) Hemorragia Em cerca de 20% dos AVCs ocorre o rompimento de um vaso sanguíneo, causando hemorragia local. Este tipo de AVC tem o início súbito e é a forma mais grave, causando óbito em 80% dos acometidos. d) Compressão O AVC por compressão é o menos frequente. Neste caso, o AVC ocorre porque um tumor ou um coágulo na parede externa da artéria pressiona de forma profunda a artéria cerebral, interrompendo o fluxo sanguíneo. Alterações de consciência; Alterações de personalidade; Perda da visão unilateral, visão embaçada ou dupla; Figura 4 - Causas de AVC. Fonte: HAFEN; KARREN; FRANDSEN, 1999. Sintomas 16 Vertigem e tonturas; Desmaios; Entorpecimento ou paralisia facial e de um lado do corpo; Dificuldade para se comunicar; Disfunções motoras; Não reconhecimento de objetos familiares; Dor de cabeça súbita e rigidez no pescoço; Perda do controle urinário e intestinal; Náusea e vômitos; Angústia respiratória; Rubor ou palidez; Pupilas contraídas ou com reações diferentes entre si; Coma e morte. Lembre-se de que a vítima não pode se comunicar, mas pode ouvir você. Evite dizer algo que possa deixá-la mais nervosa. Movimente-a com cuidado, especialmente em relação às partes paralisadas. Caso esteja inconsciente, posicione-a na posição lateral de segurança. Caso esteja consciente, deite-a de costas com um travesseiro sob a cabeça e pescoço. Avalie a ventilação. Caso seja necessário, desobstrua as vias áreas de secreções e proceda à ventilação artificial. Verifique se a vítima pisca com ambos os olhos. Caso não, feche a pálpebra afetada e coloqueum esparadrapo suavemente, para que o olho não resseque. Mantenha a vítima confortavelmente aquecida e imóvel. Não permita a ingestão de comida ou bebida. Contate imediatamente os serviços de emergência. Como proceder 17 Nem sempre é simples diferenciar os sintomas para definir qual procedimento utilizar nas emergências clínicas. É preciso que o socorrista seja seguro, mas cuidadoso; afinal, estamos tratando de vidas. Ao final desta aula, você foi capaz de: Reconhecer as principais emergências clínicas. Compreender os procedimentos indicados para os primeiros socorros das emergências clínicas Fechamento 18 Emergências Clinicas: Alterações Mentais Introdução Entre as emergências clínicas estão as condições que induzem a alterações mentais. Ainda que nem todas tenham uma gravidade orgânica associada, são, em geral, constrangedoras e bastante desagradáveis para a vítima. As alterações mentais, muitas vezes, estão associadas a outras situações de saúde. O socorrista deve ter empatia, compreensão e cuidado ao lidar com estas emergências. Ao final desta aula, você será capaz de: Reconhecer as principais emergências clínicas associadas a alterações mentais. Compreender os procedimentos indicados para os primeiros socorros das emergências clínicas associadas a alterações mentais. Aula 02 VÍDEO Assista a videoaula a seguir: 19 Desmaio O desmaio, também chamado de síncope, é a perda repentina da consciência e da capacidade de ficar em pé. Geralmente, o desmaio ocorre devido a uma redução do fluxo sanguíneo e, consequentemente, da oxigenação do cérebro. Os desmaios são comuns, duram pouco tempo e geralmente se seguem de uma recuperação completa. A queda, entretanto, pode trazer lesões, e os desmaios podem estar associados a causas ocultas. Causas Condições cardiovasculares; Hipoglicemia; Anemia; Hemorragias; Desidratação; Depleção de sais; Uso de medicamento; Hipotensão; Hipertermia; Cansaço extremo, nervosismo, dores, exaustão pelo calor; Dor intensa; Baixa frequência cardíaca. Sintomas Palidez; Suor frio; Fraqueza repentina; Náuseas; 20 Tonturas; Alterações de visão; Pressão baixa; Respiração lenta; Pulso fino (fraco). Como proceder Figura 5 - “Desmaio”, de Pietro Longhi, pintura a óleo, 1744. Fonte: https://tinyurl.com/yyp2uvfd É importante identificar a causa do desmaio, uma vez que ela é mais relevante que o desmaio em si. a) Antecedendo o desmaio Se estiver próximo, apoie a pessoa antes da queda, sentando-a; Peça para colocar a cabeça entre os joelhos, mantendo-a abaixada; Oriente-a respirar profunda e vagarosamente. 21 https://tinyurl.com/yyp2uvfd b) Durante o desmaio Deite a pessoa com a cabeça num nível mais baixo que o do restante do corpo. Isso pode ser feito levantando seus pés a até 30 cm do chão; Afrouxe sua roupa; Mantenha o ambiente arejado. c) Após o desmaio Oriente-a a se levantar aos poucos. Primeiro, sente-a por alguns minutos, e então se levante devagar; Pode ser dado café, chá ou água com açúcar. Jamais dê bebidas alcoólicas. Convulsões ATENÇÃO Se o desmaio durar mais do que 2 minutos, chamar imediatamente o serviço de emergência. Convulsões se caracterizam por uma série de contrações dos músculos de forma involuntária. Pode ou não haver perda da consciência, e em alguns casos ocorre uma única contração, bastante violenta. 22 Causas Intoxicação por agentes químicos, álcool, drogas e insulina; Hipertermia muito alta; Hipoglicemia; Nível de cálcio muito baixo no sangue; Traumatismo craniano; Hemorragias nas meninges ou cérebro; Edema cerebral; Tumores; Epilepsia; Outras doenças pregressas no sistema nervoso central. Sintomas Perda da consciência (não ocorre todas as vezes); Queda; Movimentos oculares rápidos ou fixação destes movimentos; Sudorese; Pupilas dilatadas; Espumar pela boca; Morder a língua; Rigidez do corpo; Contração facial; Palidez; Perda do controle dos esfíncteres; Movimentos musculares involuntários, desordenados e incontroláveis, que duram de 2 a 4 minutos em média; Perda circunstancial da memória. 23 Como proceder a) Durante a convulsão Se estiver por perto, ampare a vítima, para que ela não se machuque na queda; Retire quaisquer objetos ou restos de comida da boca; Afaste-a de quaisquer objetos e locais que possam machucá-la; Afrouxe as roupas da vítima; Vire o rosto dela para o lado, para que não haja obstrução das vias aéreas por vômito; Introduza um objeto macio, como um lenço enrolado, entre os dentes da vítima, para que ela não morda sua própria língua. b) Após a convulsão Mantenha a vítima deitada, até que ela esteja completamente lúcida. Ajude-a a levantar- se vagarosamente. Figura 6 - Exame de ressonância magnética, utilizado para buscar causas orgânicas relacionadas a convulsões. Fonte: https://tinyurl.com/yyaf5m4s Em caso de sono, deixe a vítima dormir. Coloque-a na posição lateral de segurança. Ainda que a convulsão tenha passado, é importante contatar um serviço de emergência, pois as causas que levam a convulsões podem ser graves. Proceda aos exames de observação, para verificar a presença de feridas e traumatismos como consequência da queda e espasmos. Acione os serviços de emergência. 24 https://tinyurl.com/yyaf5m4s Crise de ansiedade A crise de ansiedade é também chamada de neurose histérica, mas esta nomenclatura tem deixado de ser usada, por estar associada a ideias errôneas e preconcebidas das crises de ansiedade, que remontam à Idade Média. As crises de ansiedade, na verdade, são uma forma de neurose que surge com sentimento de apreensão, tensão, nervosismo e, muitas vezes, pânico. Não é incomum que as crises de ansiedade tragam manifestações físicas de pavor associadas. Sintomas Os sintomas das crises de ansiedade são: Taquicardia; Sentimentos de angústia e apreensão; Sensação intensa de mal-estar; Respiração acelerada, que pode levar à hiperventilação. A hiperventilação pode desencadear crises de pânico em pessoas em crise de ansiedade; Choro ou riso incontroláveis; Mãos em garra; Hipersensibilidade emocional; A vítima durante uma crise de ansiedade também pode se autoproteger de forma exagerada. Ou seja, apresenta uma reação de medo que não corresponde aos riscos efetivamente presentes. 25 Como proceder Não há riscos orgânicos envolvidos na crise de ansiedade, exceto pela hiperventilação, que pode trazer alcalose respiratória transitória. A alcalose pode ocasionar espasmos musculares, confusão mental e formigamento na face. Acalme a vítima, afrouxe suas roupas, demonstrando solidariedade e segurança. Oriente-a a reduzir seu ritmo respiratório. Caso isso não seja possível, peça à vítima que respire dentro de um saco de papel, ainda que improvisado. Dessa forma, os efeitos da hiperventilação serão reduzidos. Se a crise de ansiedade persistir ou retornar na sequência, o serviço de emergência deve ser acionado. Figura 7 - “Le Désespéré”, Gustave Courbet, 1843.Crises de ansiedade são caracterizadas por angústia, apreensão, medo e, muitas vezes, a hiperventilação associada gera crises de pânico. Fonte: https://tinyurl.com/yybs4ute 26 https://tinyurl.com/yybs4ute Intoxicação alcoólica O alcoolismo agudo, ou intoxicação alcoólica, refere-se ao estado de embriaguez ocasionada pela intoxicação por álcool etílico. Como o álcool é uma droga socialmente aceita, os casos de embriaguez não são incomuns. Sintomas Os sintomas da intoxicação alcoólica variam de acordo com a dosagem consumida, segundo Gerald O’Malley e Rika O’Malley (2018): “20 a 50 mg/dL: tranquilidade, sedação leve e alguma diminuição na coordenação motora fina 50 a 100 mg/dL: julgamento comprometido e diminuição adicional na coordenação 100 a 150 mg/dL: marcha instável, nistagmo, fala pastosa, perda da inibição comportamental e comprometimento da memória 150 a 300 mg/dL: delirium e letargia (provavelmente)” A hipotensão e hipoglicemia podem ocorrer em todas as dosagens, em graus variados. O consumo de 300 a 400 mg/dLgeralmente leva à perda da consciência; e, acima de 400 mg/dL, pode levar a óbito em razão de depressão respiratória e arritmia cardíaca. Essas referências, entretanto, são valores mais frequentes e não se adequam a todos. Os indivíduos têm sensibilidades diferentes à toxicidade pelo álcool, de forma que o mais relevante é considerar os sintomas apresentados e não a dose em si, para definição da intoxicação. 27 Como proceder Evite que o indivíduo embriagado ingira maiores quantidades de álcool. Caso adormeça, a vítima deve ser colocada na posição lateral de segurança, para caso de vômitos e a fim de ser observada. Caso a pessoa esteja acordada, é recomendável provocar vômito. A administração oral de água morna com sal pode ser eficiente para isso. Na sequência, ela deve ingerir leite. É importante que a vítima seja observada quanto aos sinais vitais. Em caso de parada cardiorrespiratória, aplicar a ressuscitação e não provocar vômito. Solicite auxílio dos serviços de emergência neste caso. Figura 8 - A intoxicação alcoólica ocasiona letargia. Fonte: https://tinyurl.com/y43qvrga SAIBA MAIS Quer saber mais sobre a intoxicação alcoólica? Leia o QRCode a seguir . 28 https://tinyurl.com/y43qvrga https://super.abril.com.br/mundo-estranho/por-que-o-alcool-causa-embriaguez/ Fechamento Entre as emergências clínicas estão as condições que induzem a alterações mentais. Nem sempre há um risco de vida associado, mas são em geral constrangedoras e bastante desagradáveis para a vítima. Assim, a ação do socorrista é importante. Ao final desta aula, você foi capaz de: Reconhecer as principais emergências clínicas associadas a alterações mentais. Compreender os procedimentos indicados para os primeiros socorros das emergências clínicas associadas a alterações mentais. 29 Situações Comuns São diversas as possibilidades de emergências clínicas em que a conduta de primeiros socorros pode ampliar as chances de vida da vítima, bem como minimizar os riscos de lesões permanentes. Algumas dessas emergências são bastante comuns, como febre e diarreia. Outras emergências traumáticas, como choque elétrico, são, infelizmente, também muito frequentes. Apesar de situações comuns, essas condições podem ocorrer de forma grave. Nesta aula, trabalharemos com as emergências mais comuns, que podem surgir a qualquer momento e exigem ações de primeiros socorros. Ao final desta aula, você será capaz de: Reconhecer as emergências mais comuns. Compreender como proceder de forma a socorrer os casos de emergências mais comuns. Aula 03 Introdução 30 A hipertermia é o aumento da temperatura corporal. Ou seja, a febre. Pode ocorrer como resultado de infecções ou de lesões na região do hipotálamo, onde ocorre a regulação da temperatura. Outras circunstâncias também podem levar à hipertermia: Temperatura ambiental muito elevada/exposição ao calor. Se a temperatura externa supera a do corpo, o corpo vai absorver calor, e não eliminá-lo. Assim, a regulação da temperatura depende da transpiração, que se torna de difícil evaporação quando a umidade relativa do ar é muito alta. Doenças de pele disseminadas; Neoplasias; Excesso de atividades físicas. A hipertermia oferece riscos quando a temperatura corporal ultrapassa 40 °C. A partir dessa temperatura, o quadro pode acarretar lesões teciduais e levar ao comprometimento de diversos órgãos. Lesão cerebral; Lesão intestinal; Hipertermia Riscos VÍDEO Assista a videoaula a seguir: 31 Insuficiência respiratória; Insuficiência renal e hepática; Pancreatite; Hemorragia gastrointestinal; Coagulação intravascular; Alterações neurológicas, como delírios, letargia e coma. Proceda ao resfriamento do corpo da vítima. O método de resfriamento evaporativo é o mais seguro. Ele consiste em tirar as roupas da pessoa, molhá-las com água morna e, então, ventilar com ventiladores. Caso isso não seja possível, cubra o indivíduo com toalhas úmidas, em ambiente ventilado. Toalhas frias podem ser utilizadas na região frontal. Não realize métodos de imersão em água fria, nem a cobertura do corpo com gelo ou sacos de gelo entre as axilas, pescoço e virilha. Em caso de convulsão e delírio, a remoção para o atendimento hospitalar deve ser realizada imediatamente. Como proceder Insolação FATOS E DADOS Quando o calor está realmente intenso, não é incomum que pessoas venham a óbito por hipertermia. Veja só, no link a seguir: E aqui: leia o QRCode a seguir . 32 https://extra.globo.com/noticias/mundo/mais-quente-que-vale-da-morte-europa-sofre-com-calor-registra-temperaturas-recorde-23774672.html https://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-da-saude/brasil-vai-estar-entre-mais-afetados-por-mortes-em-ondas-de-calor/ A insolação é causada pela ação prolongada das radiações propagadas pelo sol sobre uma pessoa. Pode levar à perda da consciência, à falência dos mecanismos reguladores da temperatura (levando à hipertermia) e, em casos mais graves, ocorrem lesões nos tecidos nervoso, renal, hepático e cardiovascular. a) Iniciais Os sintomas iniciais se instalam de forma progressiva. Dor de cabeça; Tonturas; Pele quente e seca, sem transpiração; Pulso rápido; Hipertermia; Distúrbios visuais; Confusão mental. b) Após a insolação instalada Após a instalação da insolação, os sintomas aparecem bruscamente. Respiração rápida, que pode levar à hiperventilação e, consequentemente, à alcalose respiratória; Palidez; Perda da consciência; Aumento da hipertermia; Extremidades com coloração azulada; Coma. Sintomas 33 Procedimentos para baixar a temperatura corporal, a exemplo da condução para a hipertermia; Manter a vítima com a cabeça elevada, mas recostada; Induzir a ingestão de água fria; Borrifar água fria por todo o corpo, de forma muito delicada; Levar a vítima a um local com ar condicionado. A vítima deve ser mantida sob observação. Pode ocorrer parada cardiorrespiratória. Neste caso, proceda à ressuscitação e chame os serviços de emergência. Figura 9 - A insolação pode acarretar cianose (coloração azulada) nas extremidades. Fonte: https://tinyurl.com/y5s2xwwz Como proceder 34 https://tinyurl.com/y5s2xwwz A exposição a temperaturas elevadas, como em locais onde se trabalha com fornos e fundições, traz a exaustão pelo calor. Vimos anteriormente que a exposição a altas temperaturas ambientais pode levar à hipertermia. No caso da exaustão pelo calor, não há elevação obrigatória da temperatura corporal, apesar de isso poder ocorrer. O que acontece é que, devido à sudorese intensa que é promovida pelo organismo para regular a temperatura, há perda excessiva e não reposta de água ou sódio. Uma das formas de exaustão pelo calor é quando há desidratação. Neste caso, há: Sede; Cansaço; Redução da coordenação motora; Alterações mentais; Pode ocorrer hipertermia, delírio e coma. A outra situação possível de exaustão pelo calor é chamada de depleção de sódio. A transpiração é composta por água, cloreto de sódio e pequenas quantidades de ureia e ácido úrico. Assim, Exaustão pelo calor Sintomas ATENÇÃO Tanto em casos de hipertermia como em de insolação, a temperatura deve ser baixada de forma gradativa, não bruscamente. Na insolação, devemos manter a vítima em locais sombreados. 35 na sudorese excessiva que ocorre em resposta à exposição a altas temperaturas, há perda de água e sódio. Quando a reposição de água ocorre, mas não a de sal, falta sódio no organismo. Os sintomas da exaustão pelo calor em caso de depleção de sódio são os seguintes: Câimbras musculares; Cansaço; Náuseas e vômitos; Calafrios; Respiração superficial e irregular; Palidez e baixa tensão arterial. Para ambos os casos, os procedimentos são os mesmos. Como proceder SAIBA MAIS O sódio é um elemento importante, relacionado com a condução dos impulsos nervosos, o processo de contração dos músculos e a regulação osmótica do sangue. ATENÇÃO Uma grande diferença entre a desidratação e a depleção de sódio é que, em casos de desidratação, a vítima relata uma sedeintensa. Já na depleção de sódio, não há esta queixa. 36 Distanciar a vítima da fonte de calor, para um local arejado; Afrouxar as roupas; Manter a vítima com a cabeça elevada, mas recostada; Deve-se oferecer água com uma pitada de sal. Se não for possível a ingestão de líquidos, não force a vítima. Encaminhe-a para uma unidade de saúde. A diarreia consiste no aumento do número de evacuações diárias, com a perda da consistência das fezes. Geralmente vem acompanhada por gases, cólicas e urgência em defecar. A principal consequência das diarreias é a desidratação e a perda de sais importantes, como sódio, potássio, magnésio, bicarbonato e cloro. Com a redução muito drástica de água e sais, a pressão arterial pode ser reduzida suficientemente para levar à perda da consciência e à arritmia. a) Trânsito rápido das fezes As fezes vão para o intestino grosso numa consistência aquosa, e ali ocorre o processo de absorção de água, que confere a consistência típica às fezes que são evacuadas. Se elas passam muito rapidamente pelo intestino grosso, não há tempo de essa absorção ocorrer de forma eficiente, e então as fezes são aquosas na evacuação. Entre os agentes que causam este quadro, podemos citar laxantes, cafeína, antiácidos com magnésio, hipertireoidismo, inflamação intestinal, alimentos com muito açúcar e até mesmo o estresse e a ansiedade. b) Diarreia osmótica Quando substâncias hidrossolúveis que não são absorvidas pelo intestino se acumulam e retêm a água. Adoçantes, lactose (na intolerância à lactose) e algumas frutas e leguminosas podem causar este quadro. Ainda, algumas infecções bacterianas e antibióticos também são possíveis causadores. Diarreias Classificação das diarreias em relação às causas 37 c) Diarreia secretora Na diarreia secretora, há secreção de sódio e água nas fezes pelos intestinos. Isso ocorre como resposta a toxinas de bactérias ou por infecções virais. Alguns laxantes, como o óleo de rícino, também atuam dessa forma. SAIBA MAIS O indivíduo que tem intolerância à lactose é aquele que não produz – ou produz em quantidades pequenas – uma enzima denominada lactase. A lactase digere a lactose, que é o açúcar presente no leite, em glicose e galactose, que são componentes suficientemente pequenos para serem absorvidos. A lactose não é absorvida sem este processo. Quando há a ingestão da lactose, mas não há lactase para processar, a lactose permanece no intestino. Como a lactose absorve água, ela drena a água das paredes intestinais para a luz intestinal, provocando a diarreia. De quebra, a lactose é fermentada pelas bactérias intestinais, produzindo grande quantidade de gases. Este processo é a denominada intolerância à lactose. Ao contrário do que muitos pensam, ela não está relacionada com nenhum tipo de alergia. SAIBA MAIS O Vibrio cholerae, agente causador da cólera, atua causando uma diarreia secretora. Nesta infecção, a diarreia é muito intensa, com evacuação de mais de 1 L de fezes por hora, podendo levar à morte por desidratação e depleção de sais. 38 d) Diarreia exsudativa A diarreia exsudativa ocorre quando há inflamação do intestino grosso, e este secreta pus, soro e muco, o que causa a diarreia. São casos mais raros, relacionados a doenças inflamatórias do intestino e cânceres intestinais. Segundo Bayless (1989), alguns fatores dietéticos devem ser evitados em quadros de diarreia, podendo estar associados à sua etiologia: cafeína em excesso, consumida na forma de café, chás e refrigerantes; frutose em excesso, presente em sucos de frutas, uvas, mel, nozes, ameixas e refrigerantes; adoçantes artificiais; lactose, presente no leite e derivados; e antiácidos com magnésio. O maior risco da diarreia é a desidratação e depleção de sais. Assim, a vítima deve ser mantida em repouso, e a hidratação oral com soro caseiro deve ser iniciada o quanto antes. Figura 10 - Foto micrografia do Vibrio cholerae Fonte: https://tinyurl.com/yxqyx8tl Como proceder 39 https://tinyurl.com/yxqyx8tl Quando ocorrem acidentes em que uma corrente elétrica passa pelo corpo da vítima, denominamos isso de choque elétrico. As consequências dependem da intensidade da corrente, da duração da passagem e do percurso. Se a corrente for intensa, o choque elétrico pode provocar a paralisia do bulbo cerebral, responsável pela respiração e circulação, ou causar alterações no ventrículo cardíaco que acarretam numa parada do coração. Mal-estar; Angústia; Náusea; Câimbras musculares; Dormência e formigamento; SAIBA MAIS O soro caseiro, bastante importante em casos que oferecem risco de desidratação, pode ser preparado da seguinte forma: 1 litro de água filtrada 1 colher (de sopa) bem cheia de açúcar 1 colher (de café) de sal de cozinha Após o preparo, manter a solução na geladeira. O soro deve ser tomado em pequenos goles ao longo do dia. Choque elétrico Sintomas 40 Ardência da pele, com queimaduras; Alterações visuais; Dor de cabeça; Vertigem; Arritmia cardíaca; Dificuldade na respiração. As complicações associadas são: parada cardiorrespiratória; queimaduras graves; fraturas; lesões graves de órgãos; morte. Antes de se aproximar da vítima, certifique-se de interromper a corrente elétrica. Caso não haja essa possibilidade, proteja-se com materiais isolantes e secos, e utilize esses materiais para afastar a vítima da fonte de energia. Nunca toque em uma pessoa que esteja com uma corrente elétrica em passagem pelo seu corpo! Figura 11 - Jamais toque numa pessoa que esteja sofrendo um choque elétrico sem interromper a corrente ou usar materiais isolantes para se proteger. Fonte: pixnio Como proceder 41 A conduta deve ser de acordo com o quadro apresentado após o choque elétrico. Lembre-se de atender a hemorragias e realizar manobras de ressuscitação em primeiro lugar, e de proceder a todos os passos dos exames primário e secundário. Acione os serviços de emergência. As situações mais comuns por vezes podem vir acompanhadas de riscos importantes. Nesta aula, aprendemos que eventos como febre, diarreia e choques elétricos, apesar de na maioria das vezes não apresentarem riscos devida, podem ter complicações que não são raras e podem levar à morte. Ao final desta aula, você foi capaz de: Reconhecer as emergências mais comuns. Compreender como proceder de forma a socorrer os casos de emergências mais comuns. Fechamento SAIBA MAIS Cuidado ao mexer com energia na presença de agentes condutores! Leia esta notícia: leia o QRCode a seguir . 42 https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2018/03/10/interna_cidadesdf,665222/jovem-morre-com-choque-eletrico-em-espelho-d-u2019agua-de-loja-na-913.shtml Emergências Traumáticas: Ferimentos Os ferimentos são lesões decorrentes de traumatismo, com profundidade, gravidade e graus de danos diferentes. Todos os ferimentos se constituem de fonte de dor, hemorragia e vulnerabilidade a infecções, pois promovem o rompimento da pele. De acordo com o agente causal, os ferimentos podem ser: Incisos: Ferimentos causados por objetos cortantes. Ocorre a secção dos tecidos, de forma que suas bordas são regulares, e a profundidade da lesão é bastante variável. Contusos: Ferimentos lacerativos, com bordas irregulares. Ocorre a destruição de tecidos por esmagadura, e nem sempre há a abertura da pele, permanecendo fechados. Perfurantes: Ferimentos causados pela perfuração da pele e tecidos. Transfixantes: Ferimentos causados por objetos que atravessam o corpo. Avulsões: Ferimentos em que ocorre a desafixação da pele do tecido subsequente. A palavra “avulsão” significa, literalmente, extrair violentamente. De uma forma geral, é importante que os ferimentos não sejam tocados com as mãos, e que se proceda a uma limpeza cuidadosa. Aula 04 Introdução 43 Ao final desta aula, você será capaz de: Reconhecer os principais tipos de ferimentos. Compreender como proceder para socorrer as vítimas dos principais tipos de ferimentos. Apesar de ser uma nomenclatura pouco usual,denominamos tecidos moles todos os tecidos não rígidos, ou seja, pele, gordura, músculos e vísceras. Todo ferimento, na realidade, tem lesão de tecidos moles. Sua gravidade e os procedimentos a serem adotados dependem do local, da profundidade e dos tecidos lesados. Entretanto, de forma geral, os ferimentos precisam de assepsia e formas de fechá-lo, para evitar infecções e possíveis perdas de função, dependendo de como este ferimento ocorreu. Sempre que se deparar com um ferimento, é importante: Lavar as mãos antes de conduzir qualquer procedimento envolvendo a ferida; Manter o ferimento o mais limpo e protegido possível; Controlar hemorragias; Prevenir o estado de choque e, se for necessário, proceder às técnicas de ressuscitação; Em caso de ferimentos graves, contatar os serviços de emergência. Traumatismos de tecidos moles VÍDEO Assista a videoaula a seguir: 44 Lavar as mãos; Lavar a ferida com água morna limpa e sabão, com água corrente e no sentido de dentro para fora. Não esfregue; Não tente retirar corpos estranhos da ferida; Dependendo do local ferido, corte pelos e cabelos na região e próximos à abertura da ferida; Cubra com gaze estéril. Não use algodão; Passe uma atadura ou faixa de tecido sobre a gaze. Contusões são danos provocadas por impacto, sem a abertura da pele para o meio externo. São considerados traumatismos de tecidos moles porque, apesar de não haver o rompimento superficial, há lesões nos tecidos internos. Quando uma contusão é superficial, ocasiona dor e edema local. No caso de a vítima lesionar vasos, ocorre o extravasamento momentâneo de sangue, gerando a presença de equimoses – os popularmente conhecidos “roxos”, manchas escuras que aparecem sob a pele. Os hematomas são sangramentos ativos, mas indistinguíveis visualmente das equimoses. Na presença de equimoses, a mancha escura vai se tornando azulada e depois amarelada, até sumir. Isso se dá pela reabsorção progressiva do sangue. As contusões em pequenas superfícies são muito comuns e não oferecem muitos riscos. Entretanto, em vítimas de acidentes mais graves, as contusões e, principalmente, a presença de hematomas podem ser um sinal de hemorragias internas e danos a órgãos. As contusões simples podem ser tratadas com compressas de gelo logo após o acidente. Na permanência de dor, rubor e edema, sinais de inflamação, as compressas devem ser úmidas e quentes. Contusões Como proceder Limpeza de feridas superficiais 45 Escoriações são feridas superficiais na pele e mucosas. Quando apresentam hemorragias, elas são pouco abundantes, decorrendo de pequenas avarias nos vasos superficiais. Apesar de provocarem dor, as escoriações não são ferimentos graves por princípio, mas podem ser propícias a infecções locais e sistêmicas. Assim, deve-se proceder ao procedimento de limpeza conforme descrito para qualquer ferimento. O curativo deve ser feito com espaço para ventilação. Este tipo de ferimento relaciona-se, geralmente, a acidentes de automóvel, laborais e desabamentos. Nos esmagamentos, as lesões se estendem aos tecidos mais profundos, podendo atingir órgãos, dependendo da região esmagada. Escoriações Figura 12 - Escoriação. Fonte: https://tinyurl.com/y5ywgbaa Como proceder Esmagamentos 46 https://tinyurl.com/y5ywgbaa Acionar os serviços de emergência imediatamente; Realizar os exames primários e secundários. As amputações são ferimentos em que há o desligamento total ou parcial de um membro ou porções salientes. Ocorrem com maior frequência em acidentes de carro e laborais. Elas podem ser: Amputação completa: Quando há o desprendimento completo da estrutura. Amputação parcial: Quando há a amputação de apenas uma parte da estrutura ou de um segmento. Desenluvamento: Quando a pele e tecido adiposo são desprendidos. Figura 13 - Acidentes como o ocorrido com o rompimento da barragem daVale do Rio Doce na cidade de Mariana (MG) estão relacionados com a ocorrência de esmagamentos. Fonte: https://tinyurl.com/y436sxwc Como proceder Amputações 47 https://tinyurl.com/y436sxwc Contatar imediatamente o serviço de emergência; Controlar a hemorragia e proceder a procedimentos de ventilação e/ou massagem cardíaca, se for o caso; Cobrir a área ferida com compressa úmida, de preferência em soro fisiológico. Não coloque gelo sobre a ferida. Em amputação completa, recuperar a estrutura amputada e limpar com soro fisiológico, sem imersão. Em seguida, envolver com gaze estéril e seca. Cobrir a área ferida com compressa úmida em soro fisiológico. Inserir em dois sacos plásticos vedados e, em seguida, dentro de um isopor com gelo. É possível que seja realizado um reimplante. Em caso de ferimentos com objeto introduzido, não tente, em nenhuma hipótese, remover o objeto. Evite até mesmo movê-lo, pois pode ocasionar uma hemorragia severa. Nestes casos, deve-se imobilizar o objeto com curativo e acionar o serviço de emergência. Como proceder Perfurações com objeto introduzido SAIBA MAIS Quer saber mais sobre recuperação de membros amputados? Leia a respeito nesta reportagem: leia o QRCode a seguir . 48 https://super.abril.com.br/mundo-estranho/como-recuperar-um-membro-amputado/ Em casos de ferimentos na região do tórax, a gravidade é muito variável. A maior parte deles são provocados por acidentes de trânsito e laborais, e suas consequências dependem do tipo de lesões ocorridas. Os traumatismos de tórax podem ser abertos ou fechados. Nos traumatismos fechados, os quais denominamos de contusões, podem ocorrer lesões nos órgãos internos ou hemorragias Figura 14 - Nos ferimentos em que há objetos introduzidos, estes devem ser imobilizado e jamais removidos pelo socorrista. Fonte: https://tinyurl.com/y6hwm79o Traumatismo torácico ATENÇÃO Uma vítima de traumatismo de tórax pode ir a óbito se o socorro não for conduzido de forma correta. Assim, mesmo que não haja sinais clínicos evidentes, este tipo de situação deve ser sempre considerado grave. 49 https://tinyurl.com/y6hwm79o internas. Os traumatismos abertos, entretanto, podem atingir regiões próximas ao coração e pulmão, e são bastante graves. Os sintomas são variáveis, dependendo do tipo de trauma e da profundidade deste, bem como dos órgãos envolvidos. De forma geral, pode ocorrer a baixa concentração de oxigênio arterial (hipoxemia) com o aumento da concentração de gás carbônico (hipercapnia), levando ao estado de choque com envolvimento do cérebro e do coração. A vítima deve ser deitada na posição lateral de segurança, sobre o lado ferido. A vedação do ferimento, em caso de traumatismo aberto, deve ser realizada com gaze muito limpa. Este curativo deve ser preso com uma faixa ao redor do tórax, mas deve-se ter o cuidado de não pressionar em demasia. O serviço de emergência deve ser acionado imediatamente. Assim como os traumatismos de tórax, os abdominais são mais frequentemente causados por acidentes de automóvel e acidentes laborais, e também podem ser abertos ou fechados (contusões). As contusões podem ocasionar lesões nos órgãos internos e hemorragias internas. Caso isso ocorra, são gravíssimas, podendo levar a choque em pouco tempo. Os ferimentos também são graves quando provocam a ruptura da parede abdominal de forma suficiente para expor os órgãos abdominais. O caso mais grave é a evisceração. Sintomas Como proceder Traumatismos abdominais ATENÇÃO Evisceração é o nome dado ao vazamento das vísceras abdominais para fora da cavidade abdominal. 50 Em caso de traumatismos sem a exposição de órgãos, proceder como para o traumatismo torácico. Caso haja exposição de órgãos ou evisceração: Mantenha a vítima deitada sobre as costas, com apoio ou cobertor enrolado sob seus joelhos, para que não haja pressão sobre o abdômen. Não toque nem tente recolocar os órgãos de volta para a cavidade abdominal. Cubra os órgãos com uma compressa limpa umedecida com soro fisiológico. Se não houver soro disponível, umedeça-a com água limpa. Não deixe que haja aderência entre as compressas e as vísceras,por isso mantenha-as sempre úmidas e não se utilize de materiais que possam aderir-se. Cubra a região do ferimento com compressas limpas, firmes, mas não apertadas. Não permita, sob nenhuma hipótese, que a vítima ingira líquidos ou comida. Tente acalmar a vítima. Acione os serviços de emergência imediatamente. As queimaduras podem ser causadas por temperaturas altas e baixas, choque elétrico, agentes químicos e físicos. A fisiopatologia em comum a todas as queimaduras é a desnaturação de proteínas, o que causa a morte celular. A gravidade das queimaduras depende da causa, profundidade e da extensão da superfície queimada. De forma sistêmica, as queimaduras podem ter como consequência: choque neurogênico, choque hipovolêmico, infecções bacterianas secundárias e, em caso de choque elétrico, paralisia respiratória e arritmia cardíaca. A profundidade das queimaduras nos dá a classificação que chamamos de grau. É necessário colocar que muito dificilmente a extensão das queimaduras é homogênea, variando em graus Como proceder Queimaduras Classificação por profundidade 51 em áreas adjacentes. Queimaduras de primeiro grau As queimaduras de 1º grau são superficiais. Suas características são a vermelhidão da pele, dor e edema, ou seja, resultam numa resposta inflamatória simples. Afetam apenas a derme. A pele se restaura em até 6 dias. Um exemplo de queimaduras de 1º grau são as causadas pela exposição solar. Queimaduras de segundo grau As queimaduras de 2º grau também geram vermelhidão, dor e edema, com bolhas. Atingem a epiderme e a derme, de forma superficial ou profunda. As bolhas úmidas, dolorosas e com base rósea indicam queimaduras de 2º grau mais superficiais. Se as bolhas forem indolores e secas, com a base branca, isso é indicativo de que as queimaduras atingiram a derme de forma mais profunda. A pele se restaura em até 20 dias. As queimaduras de 2º grau podem ser causadas por líquidos ferventes ou por breve exposição a chama. Figura 15 - Queimaduras por exposição solar são um exemplo de queimaduras de 1º grau. Fonte: https://tinyurl.com/y5vqjley 52 https://tinyurl.com/y5vqjley Queimaduras de terceiro grau As queimaduras de 3º grau afetam a epiderme, a derme e tecidos mais profundos. Há a destruição de todos os elementos da pele, e elas podem chegar a destruir músculos, nervos, tendões e atingir os ossos, dependendo da profundidade. São indolores, pois há lesão das terminações nervosas. Possuem textura coriácea, com placas brancas e/ou escuras. A pele não se restaura. É necessário o enxerto de pele. Geralmente são causadas por chama direta. Figura 16 - Queimadura de 2º grau com formação de bolha à esquerda. À direita, mesma queimadura após 4 dias. Fonte: https://tinyurl.com/y52jrezx 53 https://tinyurl.com/y52jrezx Figura 17 - Queimadura de 3º grau, com placas brancas e escuras e textura coriácea características. Fonte: https://tinyurl.com/y5x4gyk7 Figura 18 - Diagrama demonstrando as regiões da pele atingidas pelas queimaduras de 1º, 2º e 3º graus. Fonte: https://tinyurl.com/yxjrwddd 54 https://tinyurl.com/y5x4gyk7 https://tinyurl.com/yxjrwddd Apesar da profundidade das queimaduras constituírem uma classificação importante, a extensão da queimadura é mais representativa da gravidade destas lesões. Em queimaduras da pele com lesões extensas, há a dificuldade na regulação de temperatura e a extrusão de fluidos, o que as torna particularmente susceptíveis a infecções. Ainda, o quadro de um indivíduo com queimaduras extensas pode ser complicado pela redução do volume sanguíneo (hipovolemia), com redução da fluidez do sangue, em razão da perda de líquidos pela ação da temperatura. Ocorre também um aumento da permeabilidade vascular por causa dos danos e da liberação de mediadores inflamatórios. O aumento da permeabilidade vascular indica extravasamento de líquidos, responsável pelo edema e formação de bolhas. Este quadro pode levar a um choque hipovolêmico. O cálculo da extensão das queimaduras é aproximado. Para tal, utiliza-se a “Regra dos Nove”, conforme a figura abaixo. A palma da mão, incluindo os dedos, não representados na figura, corresponde a 1% da superfície corpórea queimada (SQC). O mesmo se aplica às solas dos pés e ao pescoço, quando considerados isoladamente. Classificação pela extensão Figura 19 - Regra dos nove para cálculo da superfície corpórea queimada (SQC). Fonte: GOMES; SERRA; PELLON, 1997. 55 A Regra dos Nove estabelece percentagens para cada uma das regiões corporais. Para fazer o cálculo, consideram-se as regiões queimadas e procede-se à somatória da numeração. Por exemplo: Um acidente com um adulto em que tenha ocorrido queimadura do tronco anterior (18%), tronco posterior (18%) e braço esquerdo (9%) terá a seguinte SQC: SQC = 18 + 18 + 9 = 45% Ou seja, o indivíduo de nosso exemplo teve 45% do corpo queimado. Queimaduras leves Queimaduras de 1º grau que atinjam menos de 20% da SQC, queimaduras de 2º grau que representem menos de 15% da SQC e queimaduras de 3º grau com menos de 2% da SQC representam queimaduras leves. Queimaduras moderadas São moderadas as queimaduras de 1º grau em mais de 50% de SQC, queimaduras de 2º grau em mais de 20% de SQC e as queimaduras de 3º grau que representem menos de 10% de SQC. Neste caso, há exceção de face, mãos e pés, para os quais as queimaduras de 3º grau representam sempre casos graves, independentemente da extensão atingida. Queimaduras graves São consideradas graves quaisquer das queimaduras com superfície corpórea queimada (SQC) maior de 20% em idosos e maior de 10% em crianças, bem como as que atinjam o sistema respiratório. Queimaduras de 3º grau nas mãos, pés e faces, e adultos com mais de 30% de SQC por queimaduras de 2º grau também são considerados casos graves. A mortalidade das queimaduras se relaciona com a associação entre a extensão e profundidade, bem como com a idade. Idosos e crianças são mais vulneráveis, e as queimaduras que atingem mais de 50% da extensão corporal são comumente fatais para esses grupos. a) Queimaduras pelo calor Queimaduras de 1º grau Gravidade das queimaduras Como proceder 56 Lavar com água corrente em temperatura ambiente por 1 minuto; Fornecer água lentamente, preferencialmente soro caseiro, caso esteja consciente; Manter as lesões limpas. Queimaduras de 2º grau Lavar com água corrente em temperatura ambiente por 1 minuto; Fornecer água lentamente, preferencialmente soro caseiro, caso a vítima esteja consciente; Manter as lesões limpas; Proteger a lesão com gaze umedecida ou, preferencialmente, papel-alumínio limpo; Não furar as bolhas; Não utilizar qualquer espécie de substância ou medicamento tópico; Remover objetos como joias e roupas. Não retire nada que esteja aderido às lesões, sejam roupas ou objetos estranhos; Utilizar técnicas de prevenção de choque; Realizar exames primário e secundário; Não transportar a vítima em caso de queimaduras extensas; Acessar os serviços de emergência em caso de riscos ou encaminhar a vítima para unidade de saúde especializada; Manter o acidentado sob observação, especialmente se ocorreu queimadura na face e nas vias aéreas. Queimaduras de 3º grau Deve-se proceder da mesma forma que em acidentes com queimaduras de 2º grau. Entretanto, o papel-alumínio é preferível. b) Fogo nas roupas Quando há fogo nas roupas da vítima, a gravidade das queimaduras pode ser muito aumentada. Assim, é importante saber como proceder nestes casos. 57 Obrigue a vítima a deitar-se no chão, com as chamas para cima. Abafe o fogo com toalhas, tapete ou qualquer tecido disponível, começando pela cabeça. Caso não tenha com o que abafar o fogo, role a vítima no chão. Molhe as roupas da vítima, exceto se elas estiverem com resíduos de querosene, óleo ou gasolina. c) Queimaduras pelo frio As queimaduras podem ser causadas pela exposição a temperaturas abaixo de 0 °C e, caso estejam associadas à temperatura ambiental (e não a um objeto frio), podem vir acompanhadas de hipotermia sistêmica.São mais comuns em mãos e pés. Em casos de queimaduras pelo frio, aqueça o local com água morna e realize massagens em locais próximos à região atingida. Caso seja possível, oriente a vítima a movimentar a região lesionada. Mantenha a vítima aquecida e encaminhe-a para uma unidade de saúde. d) Queimaduras químicas Queimaduras químicas são provocadas por ácidos e bases fortes. Este tipo de acidente ocorre com mais frequência em locais de trabalho e devido à ingestão acidental de produtos de limpeza. O local atingido deve ser lavado imediatamente com água abundante. Utilizar água corrente, mas não em jatos muito fortes, pelo tempo necessário para a completa remoção do agente. Em casos de queimaduras na pele, seguir as mesmas orientações de procedimentos das queimaduras pelo calor. É preciso, no entanto, verificar se houve queimaduras nas vias aéreas por possível inalação do agente químico. ATENÇÃO Não utilizar qualquer espécie de substância ou medicamento tópico em casos de queimaduras. A única indicação é água em temperatura ambiente, tecido úmido limpo ou papel-alumínio. 58 Os sintomas de inalação são vermelhidão na mucosa nasal, rouquidão, tosse sanguinolenta, dificuldade para respirar. A vítima deve ser mantida sob observação, pelo risco de edema pulmonar que pode surgir até 3 dias após o incidente. Se houver queimaduras nos olhos, estes devem ser socorridos com prioridade. Neste caso, mantenha as pálpebras da vítima abertas e segure sua cabeça sob a torneira ou lava-olhos por pelo menos 15 minutos. Na sequência, feche o olho atingido com a pálpebra, de forma suave, e coloque um curativo. Leve a vítima imediatamente para uma unidade de saúde. Os ferimentos variam em gravidade e riscos, mas há algo comum entre eles. As feridas abertas são muito vulneráveis a infecções. Procedimentos para manter limpas as feridas abertas são essenciais. Os ferimentos fechados, por sua vez, compartilham do risco de lesões nos órgãos internos e hemorragias internas, o que pode levar a choque rapidamente. Ao final desta aula, você foi capaz de: Reconhecer os principais tipos de ferimentos. Compreender como proceder para socorrer as vítimas dos principais tipos de ferimentos. Fechamento 59 Emergências Traumáticas: Sistema Locomotor O sistema locomotor é composto por ossos, cartilagens, articulações, ligamentos, tendões e músculos, e é responsável pelos movimentos. A maioria das lesões neste sistema não são graves, mas podem vir a ser. A conduta geral do socorrista é principalmente de imobilização do local, que deve ser conduzida com muita delicadeza e cuidado, uma vez que erros nos procedimentos podem levar ao desvio da fratura, a uma perfuração de tecidos próximos à fratura e a hemorragias. Todas as lesões do gênero devem ser encaminhadas para o atendimento em unidade de saúde. Ao final desta aula, você será capaz de: Reconhecer os traumas do sistema locomotor de uma forma geral. Conhecer os procedimentos de primeiros socorros para traumas do sistema locomotor de uma forma geral. Aula 05 Introdução 60 Entorses são a ausência passageira da coesão articular, provocada por um alongamento profundo das estruturas que fixam a articulação, como os ligamentos, por exemplo. Este alongamento é o que chamamos de estiramento. As entorses são causadas por movimentos bruscos ou traumatismos que geram um estiramento ou rompimento dos ligamentos da articulação. Distensões são lesões de músculos e tendões, causadas por hiperextensão ou contração que rompe fibras musculares e vasos sanguíneos. Pode ocorrer ruptura do tendão. Entorses e distensões VÍDEO Assista a videoaula a seguir: SAIBA MAIS Quer saber um pouco mais sobre traumatismos no sistema locomotor? Leia esta reportagem e veja as lesões mais comuns nos esportes: leia o QRCode a seguir . 61 https://super.abril.com.br/mundo-estranho/qual-a-diferenca-entre-luxacao-contusao-e-entorse/ Figura 20 - Entorse na articulação do tornozelo com edema. Fonte: https://tinyurl.com/yypnyowb Figura 21 - Distensão com rompimento de vasos sanguíneos, e sua característica equimose. Fonte: https://tinyurl.com/y47d7dlk 62 https://tinyurl.com/yypnyowb https://tinyurl.com/y47d7dlk Edema ou equimose, dor intensa na articulação, dificuldade de movimentação ou movimentação bastante dolorosa. Aplique compressas geladas inicialmente. Na persistência da dor, nos dias subsequentes, aplique compressas mornas, a fim de reduzir os sinais inflamatórios. O local deve ser imobilizado com o auxílio de uma faixa. Lembre-se de não apertar, para não causar interrupção da circulação. Caso haja feridas, estas devem ser limpas e cobertas com curativo limpo e seco, antes da imobilização. Luxações são a ausência total da união entre os ossos de uma articulação, causada pelo distanciamento de um dos ossos. As luxações podem causar importantes danos nos ligamentos. Como resultado de uma luxação, os ossos ficam mal situados, causando deformação articular, dificuldade ou incapacidade de fazer movimentos. A luxação pode ser total, quando os ossos ficam completamente separados, ou parcial, também chamada de subluxação, quando ainda existe um contato parcial entre os ossos. Movimentos articulares violentos e pancadas costumam ser os responsáveis pelas luxações. Como proceder Luxações Sintomas 63 Dor intensa afetando todo o membro ao qual pertence a articulação, edema, movimentos limitados ou ausentes, deformidade na articulação visualizável. Aplicar compressas geladas na articulação atingida e imobilizar o local. As dores nas luxações são realmente intensas, de forma que, ao manusear a articulação, faça-o com muito cuidado. Não tente colocar o osso de volta a seu lugar na articulação. Deve ser acionado serviço de emergência ou o transporte para uma unidade de saúde. Figura 22 - Raio X de luxação no dedo mindinho da mão direita. Fonte: https://tinyurl.com/y3zrewg7 Sintomas Como proceder 64 https://tinyurl.com/y3zrewg7 Fraturas são a quebra dos ossos, em decorrência de quedas, impactos ou movimentos violentos. As fraturas podem ocorrer por ação direta, quando acontece a quebra no local do impacto, ou indireta, quando o impacto ocorre num local e é transmitido até locais mais sensíveis. As fraturas são a forma mais grave de traumatismo no sistema locomotor e podem causar sequelas e lesões secundárias. O transporte e os cuidados devem ser realizados de forma muito sensível e zelosa. Dor intensa em resposta a movimentações; Edema; Sons na movimentação ou incapacidade de mobilidade; Equimoses e hematomas; Se houver lesão nervosa, há paralisia; Deformidade no local. a) Fraturas simples As fraturas simples significam que o osso quebrado não está exposto exteriormente. As fraturas internas podem romper várias estruturas ou o local pode permanecer íntegro. Entretanto, não há rompimento da pele. b) Fraturas expostas Nas fraturas expostas, o osso é deslocado a ponto de romper as estruturas adjacentes e a pele. São muito susceptíveis a infecções. Sintomas Classificação das fraturas Fraturas 65 c) Fissuras Nas fraturas em fissura, ou fissuras, as extremidades do osso quebrado permanecem bastante próximas, mantendo-se alinhadas. Figura 23 - Fratura transversal exposta. Fonte: https://tinyurl.com/y4oh78pw Figura 24 - Raio X de fissura oblíqua interna do punho esquerdo. Fonte: https://tinyurl.com/yx8zodyl 66 https://tinyurl.com/y4oh78pw d) Fraturas parciais Fraturas parciais são fraturas incompletas, em que o osso se quebra apenas parcialmente. e) Fraturas completas Ao contrário das fraturas parciais, nas fraturas completas o osso é completamente desvinculado de sua outra extremidade pela quebra. Figura 25 - Fratura parcial interna. Fonte: https://tinyurl.com/y4oh78pw Figura 26 - Fratura transversal completa interna. Fonte: https://tinyurl.com/y294yw7u 67 f) Fraturas cominutivas Fraturas cominutivas implicam a quebra do osso em fragmentos. Figura 26 - Fratura transversal completa interna. Fonte: https://tinyurl.com/y294yw7uFigura 27 - Fratura cominutiva interna. Fonte: https://tinyurl.com/y4oh78pw 68 https://tinyurl.com/y294yw7u g) Fraturas impactadas Nas fraturas impactadas, uma extremidade do osso quebrado se crava na do seguinte, por ficarem comprimidas uma contra a outra. Figura 28 - Fratura impactada interna Fonte: https://tinyurl.com/y4oh78pw h) Fraturas oblíquas Quando a fratura ocorre de forma diagonal no osso. Fratura oblíqua interna Fonte: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/35/612_Types_of_Fractures.jpg 69 https://tinyurl.com/y4oh78pw i) Fraturas transversais A fratura ocorre numa linha reta no osso. Figura 29 - Fratura transversal interna Fonte: https://tinyurl.com/y4oh78pw Como proceder a) Procedimentos gerais Realize os exames físicos pertinentes. Lembre-se de que fraturas podem vir acompanhadas de outras lesões e hemorragias. Acompanhe os sinais vitais, para prevenir um choque hipovolêmico. VÍDEO Você pode saber mais sobre os tipos de fraturas aqui: Faça os procedimentos na ordem adequada. Hemorragias, choque e, na sequência, proceda aos cuidados com as fraturas. Imobilizar a região. 70 b) Como imobilizar? Para imobilizar uma área, o membro deve ser colocado na posição mais confortável possível para a vítima, que lhe cause menor dor. Para a imobilização ser efetiva, é necessário que as articulações acima e abaixo do local fraturado permaneçam imóveis. Caso o membro lesionado precise de sustentação, recomenda-se o uso de talas. As talas devem ser de um tamanho suficiente para ultrapassar as articulações adjacentes à lesão e podem ser feitas de material rígido ou resistente, como madeira e papelão. As talas de material resistente, mas flexível, são as mais indicadas, pois respeitam as deformações que possam existir. Para se aplicar a tala, o local lesionado deve antes ser envolvido com panos limpos, em várias camadas. Na sequência, posicione a tala sobre o membro na posição de conforto, então a prenda com tiras (evite barbante, arame ou similares). Lembre-se de tomar o cuidado de não interromper a circulação ao apertar demais as tiras. As talas devem ser fixadas acima e abaixo das articulações e acima e abaixo da fratura, minimamente. Não tente recolocar o osso de volta à sua posição natural. A imobilização deve ser realizada da forma mais confortável possível para a vítima, delicadamente, sem submeter a fratura a qualquer movimentação além do mínimo necessário para a imobilização. b.1) Técnica de imobilização segmentar A imobilização segmentar é especialmente útil para fraturas nos membros inferiores. Esta técnica consiste em colocar três talas ao redor da fratura, aos lados e atrás dela. A técnica de imobilização segmentar também é conhecida como “técnica do caixote”, porque o posicionamento das talas traz a impressão de envolver o membro fraturado num caixote. As talas devem ser presas acima e abaixo da fratura e próximas às articulações. b.2) Técnica da imobilização em bloco A técnica da imobilização em bloco é especialmente útil quando há mais de uma fratura, em membros distintos. Na imobilização em bloco, a vítima é deitada sobre uma prancha. Entre as pernas deve ser posicionado um apoiador, como uma garrafa PET ou um lençol enrolado, na posição vertical em relação ao paciente. Na sequência, insere-se uma tala com comprimento suficiente das axilas aos pés, em ambos os lados. Não se esqueça de proteger as axilas com um lenço enrolado ou algodão. Tiras de tecido devem ser passadas enrolando as talas, o paciente e a prancha, especialmente sobre as articulações. 71 Traga os braços para próximo do corpo, de forma lateral, coloque uma tala lateralmente à lesão, e fixe-as com tiras de tecido, de forma semelhante ao procedimento realizado para os membros inferiores. Esta técnica é bastante usada para o transporte de pacientes críticos. b.3) Técnica com bandagem triangular Para imobilizar fraturas em braços, proteja a axila com algodão ou pano, então coloque talas dos dois lados do braço (interno e externo), com comprimento que alcance um pouco abaixo do cotovelo. Flexione o antebraço num ângulo reto e prenda com uma bandagem. A bandagem deve ser feita com um pedaço de pano suficientemente largo para envolver todo o antebraço e um pouco acima do cotovelo, e deve ser amarrada sob os ombros do lado oposto ao da lesão. Com tiras de pano, envolva o braço e o tórax do acidentado, de forma a manter seu braço imóvel fixado ao corpo. c) Fraturas expostas No caso de fraturas expostas, é imprescindível que a vítima não se movimente. Oriente-a quanto a isso, de forma calma. Não tente recolocar o osso em seu local de origem e evite tocar no osso ou no ferimento. A hemorragia deve ser controlada com a utilização de um pano limpo pressionado contra a lesão. Mas lembre-se disto: procure não mover o osso exposto. O ferimento deve ser lavado VÍDEO Você quer saber mais sobre técnicas de imobilização? Assista a este vídeo: com água limpa ou soro fisiológico derramados sobre o ferimento em abundância. Após o procedimento de limpeza, cubra o local com gaze estéril e fixe com faixa de pano, com muito cuidado para não mover o osso. Mantenha o membro atingido num nível mais elevado do que o corpo. Em caso de fraturas expostas, evite mover o acidentado. Contate os serviços de emergência. 72 O transporte de vítimas de acidentes deve ser feito com técnica e cuidados, uma vez que erros podem trazer lesões irreversíveis, especialmente no caso de fraturas e hemorragias. A vítima deve ser transportada e não se locomover sozinha nos casos de inconsciência, estado de choque, queimaduras em grande parte do corpo, hemorragia abundante, intoxicações, fraturas ou luxações dos membros inferiores, bacia ou coluna vertebral. Se o transporte for realizado num veículo, certifique-se de que a cabeça e o corpo estejam firmes, apoiados em local macio, e que o motorista evite freadas e movimentos bruscos. Figura 30 - Simulação da lavagem de uma fratura exposta. Fonte: https://tinyurl.com/y4mmcekn Transporte de vítimas de acidentes ATENÇÃO O ideal é que se aguarde a chegada dos serviços de emergência para que haja o transporte da vítima, especialmente se há suspeita de lesões na coluna cervical. Mas podem existir situações em que isso não é possível, como extrema urgência ou perigo iminente para o acidentado e o socorrista. Assim, se o socorro estiver a caminho e for possível aguardar, não realize o transporte do acidentado! 73 https://tinyurl.com/y4mmcekn * Transporte com um socorrista - Transporte no colo Caso a vítima esteja consciente, ela pode ser levada no colo, exceto em casos de fratura da coluna vertebral. - Transporte nas costas Com as pernas na cintura do socorrista e os braços passados pelos ombros, o acidentado pode ter suas pernas e mãos seguradas pelo socorrista em suas costas. É mais usado para intoxicações e luxações nos membros inferiores, que devem ser imobilizados antes do transporte. - Transporte de bombeiros O socorrista coloca a vítima sobre seus ombros. Este tipo de transporte não pode ser usado para fraturas e lesões graves, e exige capacidade física do socorrista. - Transporte de arrasto em lençol Coloca-se o corpo da vítima sobre um lençol ou semelhante, e o socorrista utiliza as extremidades do tecido, do lado em que se encontra a cabeça da vítima, para arrastar a pessoa. * Transporte com dois socorristas - Transporte da cadeirinha Os dois socorristas permanecem de frente um para o outro e seguram os punhos do parceiro. A vítima se senta e, então, é erguida. Os socorristas soltam um dos braços e passam por trás das costas da vítima. - Transporte pelas extremidades Um dos socorristas eleva o tronco da vítima, passando seus braços por sob as axilas. O outro socorrista segura suas pernas, semidobradas. - Transporte no colo A vítima é levantada na posição lateral, com um socorrista abraçando seu tronco e apoiando seu pescoço com um dos braços, enquanto o outro abraça suas pernas e quadris. 74 - Transporte