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APOSTILA 4 – REQUISITOS 5ª parte A 3ª aula do curso, que será dividida em partes, iniciaremos o estudo e a prática dos requisitos da petição inicial, conforme contido no Art. 319 do Código de Processo Civil e as consequências do desatendimento destes requisitos. Sempre que possível, faremos comparações entre as petições do processo ordinário e de alguns procedimentos especiais no tocante aos requisitos específicos. Continuando pelo Art. 319 – a petição inicial indicará. Quase completando a nossa petição inicial, vamos falar agora do requisito VALOR DA CAUSA. Quando a gente está elaborando uma Petição Inicial, é normal dar maior atenção aos itens anteriores. Tomamos muito cuidado em endereçar a petição ao juízo competente ... procuramos explicar direitinho tudo o que aconteceu e buscamos fazer os pedidos compatíveis com tudo isso. Quando chega o momento de definir o valor da causa, muitas vezes temos dúvidas. Ou porque a ação que pretendemos ingressar não tem um valor definido, como por exemplo um DIVÓRCIO onde não há discussão de bens ou filhos ... ou porque queremos ingressar com uma ação de valor muito alto, como um pedido de indenização por danos morais. Isso porque é sobre o VALOR DA CAUSA que são calculadas as custas do processo e, depois, podem ser calculados os valores de sucumbência, como os honorários, por exemplo. Em alguns casos também o VALOR DA CAUSA pode definir a competência do juízo, como nos casos em que a ação pode ser dirigida aos Juizados Especiais. Bem, mas nós temos de incluir o VALOR DA CAUSA na PETIÇÃO INICIAL, por ser um dos requisitos do Art. 319 e também porque o Código inclui um TÍTULO específico para isso, a partir do Art. 291 que diz: Art. 291. A toda causa será atribuído valor certo, ainda que não tenha conteúdo econômico imediatamente aferível. Como saber o VALOR DA CAUSA? Uma parte do problema está resolvida pelo próprio Código no Art. 292 que define vários parâmetros para isso. Ali vamos ver como definir o valor da causa em vários tipos de ações judiciais, como cobrança, contrato, alimentos e indenização. No mesmo artigo encontramos os parâmetros para os pedidos cumulativos, alternativos e subsidiários, como falamos na aula anterior. Os parâmetros contidos no Art. 292 devem ser observados no momento de definir o valor da causa, porque se colocamos um valor diferente este pode ser modificado e teremos de refazer – EMENDAR – a petição inicial e complementar as custas. Esta previsão está contida no PARÁGRAFO TERCEIRO do mesmo artigo: § 3º O juiz corrigirá, de ofício e por arbitramento, o valor da causa quando verificar que não corresponde ao conteúdo patrimonial em discussão ou ao proveito econômico perseguido pelo autor, caso em que se procederá ao recolhimento das custas correspondentes. E a parte contrária poderá também discutir o valor atribuído à causa, fazendo isso na própria contestação, como previsto no Art. 293: Art. 293. O réu poderá impugnar, em preliminar da contestação, o valor atribuído à causa pelo autor, sob pena de preclusão, e o juiz decidirá a respeito, impondo, se for o caso, a complementação das custas. Pode haver problema em colocar um valor da causa fora dos parâmetros do Art. 292? Como já foi dito antes, SIM. Se não forem utilizados os critérios legais de fixação, o juiz poderá corrigir de ofício ou a parte contrária poderá impugnar, e, em qualquer caso, a petição deverá ser emendada e as custas complementadas. Somente nos casos em que não houver uma possibilidade de aferição do conteúdo econômico da ação, como uma ação declaratória, por exemplo, ou quando houver pedido genérico, como os previstos no § 1º do Art. 324, é que se poderá atribuir um valor da causa simbólico. Nos demais casos, deve-se fazer os cálculos, colocar como valor da causa o que efetivamente se pretende ... e pagar as custas correspondentes. Vamos continuar nesta mesma aula para falar do penúltimo requisito da petição inicial, que está no inciso VI do Art. 319: VI - as provas com que o autor pretende demonstrar a verdade dos fatos alegados Muitas das provas que demonstram o fato e os fundamentos do pedido são documentais, outras dependem de perícia e outras ainda de testemunhas. Pode ser que no momento da elaboração da petição inicial ainda não temos todo o conjunto probatório definido. Ainda pode acontecer de o réu, na contestação, acabar não contestando todos os argumentos ou mesmo confessando todo ou parte do que foi narrado na inicial, o que deixa de ser uma matéria controversa e não necessita mais ser provada. Por isso, não é incomum que na petição inicial se coloque as provas já existentes (e juntadas com a inicial) e se indique genericamente as demais provas pretendidas, como perícias e testemunhas. Quando o processo chegar na fase de saneamento, onde o juiz determinará as matérias controversas e aquelas que ainda dependam de prova, haverá oportunidade para uma especificação mais detalhada do que se pode apresentar. Por isso, é comum, e plenamente aceito pelos juízes a informação de forma genérica das provas na petição inicial ... e até na contestação ... pois haverá oportunidade para especificar no decorrer do processo. E, para terminar as exigências do Art. 319, temos o inciso VII VII - a opção do autor pela realização ou não de audiência de conciliação ou de mediação. É necessário incluir esta opção e, de preferência, justificar, pois o objetivo do código é que a prestação jurisdicional seja a mais rápida possível e é muito comum que as partes cheguem a um acordo em audiência, sem a necessidade de julgamento, recursos, etc. O próprio código dá uma definição do que seja conciliação e mediação, tudo isso no Art. 165, onde podemos ver: § 2º O conciliador, que atuará preferencialmente nos casos em que não houver vínculo anterior entre as partes, poderá sugerir soluções para o litígio, sendo vedada a utilização de qualquer tipo de constrangimento ou intimidação para que as partes conciliem. § 3º O mediador, que atuará preferencialmente nos casos em que houver vínculo anterior entre as partes, auxiliará aos interessados a compreender as questões e os interesses em conflito, de modo que eles possam, pelo restabelecimento da comunicação, identificar, por si próprios, soluções consensuais que gerem benefícios mútuos. E ainda o código determina que os judiciários estaduais criem centros para isso – os CEJUSC – que são compostos de profissionais treinados para cada uma destas atividades de conciliação e mediação. Por isso, salvo nos casos em que as partes já haviam tentado de tudo e não conseguiram a conciliação, e uma audiência desta somente viria a aumentar o tempo da solução judicial do caso, ou ainda em casos em que a realização da audiência poderia vir a causar prejuízos, por depreciação da coisa em discussão, é sempre aconselhável se mostrar disposto a audiência e já demonstrar isso na petição inicial. Por outro lado, caso não seja aconselhável esta audiência, é bom demonstrar ao juiz as causas que podem ser várias, inclusive uma fase pré- processual que resultou infrutífera, a possibilidade de deterioração do objeto em discussão, ou qualquer outro motivo que possa ser demonstrado. Para terminar, vimos nesta aula – ou nestas últimas aulas – quais são os requisitos da petição inicial, porque existem tais requisitos e a forma de cumpri-los. Só até aqui, tenho certeza que você estará apto a criar uma boa petição inicial e aumentar muito a sua chance de sucesso na ação proposta. Como complemento desta aula fracionada, vou colocar um resumo e elaborar uma petição inicial bem simples para que possamos ver o resultado.