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PSICOLOGIA FENOMENOLÓGICA Profa. Jennifer Giusti EVANGELISTA, P. A existência. In: EVANGELISTA, P. Psicologia fenomenológica existencial – A prática psicológica à luz de Heidegger. Curitiba: Juruá, 2016, cap. IV, p. 85-122. SER TRÍPLICE ABERTURA São três os modos de concomitantes de ser-aberto: encontrar-se, entender-se e discurso. São cooriginários, isto é, não há hierarquia entre eles e se atualizam concomitantemente. Encontrar-se (Afetividade) → É como nos sentimos em relação ao mundo. Pode ser alegria, tristeza, ansiedade, tranquilidade, etc. Sempre estamos em um estado emocional. Entender (Compreensão) → É a forma como damos sentido às coisas e ao que podemos fazer no mundo. Por exemplo, ao ver uma cadeira, entendemos que podemos sentar nela. Discurso (Linguagem) → É como expressamos o que sentimos e compreendemos, seja falando, escrevendo ou mesmo em silêncio significativo. ENCONTRAR-SE (Befindlichkeit) O termo significa: “o fato de alguém se encontrar de uma determinada maneira” (Casanova, 2016) Heidegger indica: “o encontrar-se como abertura originária de mundo.” Antes mesmo de pensarmos ou falarmos sobre o mundo, já estamos afetados por ele. Essa afetividade é uma forma originária de estar aberto ao mundo. Ver pág. 92 ENCONTRAR-SE (Befindlichkeit) A análise fenomenológica revela que a existência está sempre a cada vez já aberta ao mundo, nele lançada, os humores (ou estados de ânimo) são os modos ônticos em que o encontrar-se (ontológico) acontece. Caráter de dejecção (ser-lançado): isto é de já estar em meio a situações desveladas sob um clima. O “clima” são os afetos, os estados de ânimo, não são apenas emoções ou sentimentos, mas maneiras fundamentais de estar no mundo. Dejecção: revela ao existir sua condição de ter-que-ser. ENTENDER (Verstehen) Todo encontrar-se é também entendimento. Entendimento é um existenciário (ou existencial), pg.93. Em Ser e Tempo, Heidegger usa o termo “existenciário” (Existenzial) para se referir às estruturas fundamentais do Dasein. O entender (Verstehen) e o encontrar-se (Befindlichkeit) são exemplos de existenciários, porque fazem parte da estrutura essencial do Dasein. ENTENDER (Verstehen) Por que “todo encontrar-se é também entendimento”? Isso significa que nossas emoções e estados afetivos não são apenas sentimentos soltos, mas também formas de compreender o mundo. Por exemplo: Se alguém sente angústia ao perceber que pode escolher seu próprio caminho, essa angústia já é um modo de compreender a própria liberdade. Se alguém sente medo diante de uma situação, esse medo já indica algo sobre a realidade: o perigo, a incerteza, a necessidade de agir. Ou seja, o encontrar-se (nossos afetos), sempre traz um entendimento implícito do mundo e de nossas possibilidades. ENTENDER (Verstehen) O encontrar-se sempre envolve entendimento, pois nossos sentimentos já são formas de compreender o mundo. A abertura do Dasein, que sempre envolve o encontrar-se, o entender e o discurso, se manifesta tanto no modo próprio (autêntico) quanto no impróprio (inautêntico), sem hierarquia entre eles. O Dasein transita constantemente entre esses modos de ser, ora se deixando conduzir pelo que ‘se faz’, ora assumindo suas possibilidades de maneira mais singular. DISCURSO (REDE) Manifestação linguística da abertura do Dasein. (é também a forma possível de articular sentido) Assim, o encontrar-se e o entender são articulados com a fala e discurso. A linguagem funda-se no discurso, sendo sua expressão e possibilitando a comunicação, pg. 101 Escutar, responder, discorrer e calar são modos ônticos do discurso, pg. 101. Ontologicamente não é uma ação, mas o meio pelo qual Dasein articula sua compreensão do mundo. SER-COM Existir é compartilhar mundos, existir é ser-com, pg. 101. Abertura compartilhada de mundo Quem é este que chamo de eu? (não é substancial, não se descreve com características ônticas) E quem é o outro? Os seres não –Dasein (o Dasein se ocupada dos objetos) e os outros Dasein aparecem absorvidos pela ocupação cotidiana, encobertos. Aparecem como a-gente (abertura compartilhada de mundo) o mundo nunca é só meu, é compartilhado. SER-COM Pode-se dizer que, ao entrar nesse a-gente da abertura compartilhada de mundo, o Dasein corre o risco de se perder de si mesmo. Isso acontece porque, no cotidiano, o Dasein geralmente se relaciona com o mundo e com os outros de maneira absorvida, dentro do que Heidegger chama de “a-gente” impessoal (das Man). Nesse modo, as decisões, opiniões e ações já estão dadas pelo que “se faz”, “se diz”, “se pensa” na sociedade, e o Dasein pode simplesmente reproduzir isso sem uma apropriação autêntica de sua própria existência. SER-MORTAL Diz-se que a morte é o fim da existência, a última realização de nosso existir. O que é morrer? Como a-gente lida com o morrer? Enquanto existo algo me falta, essa falta não é apenas uma carência do que não se tem, mas uma expressão da finitude da existência. O ser-para-a-morte traz à tona a experiência de falta como algo constitutivo. Poder morrer singulariza a existência. Apropriar-se de si e de seu ser-para-a-morte angustia. O que é angústia? ANGÚSTIA Não se trata de medo de algo ou medo da morte, mas uma experiência mais profunda que revela o vazio e a ausência de um fundamento sólido em nossa existência, o Dasein não pode escapar de ser finito e de mesmo assim ter que dar sentido para sua própria existência. A angústia também libera o Dasein de cair no impessoal, porque rompe com o cotidiano. Apropriar-se de si envolve angústia e o deparar-se com sua própria finitude. SER-PREOCUPAÇÃO (SORGE) A palavra “Sorge” pode ser traduzida como “preocupação”, mas é importante entender que não se trata de uma preocupação trivial ou superficial, como quando nos preocupamos com coisas do dia a dia, como o que vamos vestir ou o que vamos comer. No contexto de Heidegger, “ser-preocupação” significa que o Dasein está sempre envolvido e preocupado com seu próprio ser e com os outros, com o mundo ao seu redor e com as suas possibilidades de ser. Esse cuidado, ou preocupação, é uma parte constitutiva da sua existência. A vida do Dasein é uma vida de preocupação constante, porque ele sempre está projetado para o futuro, refletindo sobre suas escolhas e como pode dar sentido à sua existência. SER-PREOCUPAÇÃO (SORGE) As três hextases do tempo (passado, presente e futuro) estão intimamente conectadas com o Sorge (preocupação), pois o Dasein se define pela sua vivência temporal e a preocupação reflete essa dinâmica temporal. A preocupação é sempre uma interação contínua com o passado (o que o Dasein traz consigo), o presente (o que está acontecendo agora) e o futuro (o que ele pode vir a ser). Sorge é uma forma de estar no tempo. O Dasein se preocupa com o que foi, com o que é, e com o que pode ser, e isso revela como ele está imerso no tempo e como ele entende sua própria existência e suas possibilidades. DEFINIÇÃO DE EXISTECIÁRIOS OU EXISTENCIAIS: A ontologia trata do estudo do ser, e os existenciais são as estruturas fundamentais que revelam como o ser humano (Dasein) se relaciona com o ser, com o mundo e com sua própria existência. Enquanto a ontologia examina o que significa ser, os existenciais estão ligados ao modo específico de ser do Dasein, ou seja, ao ser que está sempre em processo de se entender, se projetar e se relacionar com as coisas e os outros. Portanto, os existenciais são aspectos ontológicos da existência humana, pois eles expressam como o ser humano se configura e se envolve no mundo, e isso faz parte da análise do ser no nível mais profundo.