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Acessibilidade à escola e ao 
currículo: adequações curriculares e 
tecnologia assistiva
Objetivos de aprendizagem
Ao término desta aula, vocês serão capazes de:
• compreender o termo acessibilidade e sua aplicabilidade;
• identificar as adequações curriculares;
• conhecer as tecnologias assistivas. 
O direito de ir e vir, assegurado pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, 
também é consagrado na Constituição Federal brasileira. Da mesma forma, o 
direito à comunicação é fundamental para qualquer pessoa que vive em sociedade, 
sendo indispensável para o exercício da cidadania e para a preservação da dignidade 
humana (Ramos; Fávero, 2002).
Veremos a seguir, a legislação que garante esse direito de ir e vir e toda a questão voltada 
à facilitação e assertividade da comunicação no âmbito da educação inclusiva, assim como 
metodologia e currículos adequados à essa realidade.
Disponível em: http://3.bp.blogspot.com. Acesso em: 29 maio 2023.
Bons estudos!
05Aula
30Educação Especial e Inclusiva
1 - Acessibilidade à escola
2 - Adequações curriculares 
3 - Tecnologia assistiva
1 - Acessibilidade à escola
Disponível em: http://2.bp.blogspot.com. Acesso em: 26 maio 2023.
Estudaremos a seguir alguns pontos do Decreto nº 5.296/04 que 
regulamenta as leis nº 10.048/00 e nº 10.098/00, o qual estabelece 
normas e critérios para a promoção da acessibilidade às pessoas com 
deficiência ou com mobilidade reduzida.
O termo “acessibilidade” representa ao usuário o direito 
de acessar a rede de informações, e também o direito de 
eliminação de barreiras arquitetônicas, de disponibilidade de 
comunicação, de acesso físico, de equipamentos e programas 
adequados, de conteúdo e apresentação da informação em 
formatos alternativos. De acordo com o decreto nº 5.296/04, 
art. 8º considera-se o termo acessibilidade: 
condição para utilização, com segurança e 
autonomia, total ou assistida, dos espaços, 
mobiliários e equipamentos urbanos, das 
edificações, dos serviços de transporte e dos 
dispositivos, sistemas e meios de comunicação 
e informação, por pessoa portadora de 
deficiência ou com mobilidade reduzida (Lira 
et al., 2012).
Em seu art. 5º dispõe que os órgãos da administração 
pública direta, indireta e fundacional, as empresas prestadoras 
de serviços públicos e as instituições financeiras deverão 
dispensar atendimento prioritário às pessoas com deficiência 
ou com mobilidade reduzida. 
 A seguir, analisaremos o trecho do decreto que descreve 
o que vem a ser essa pessoa com deficiência e o que seria 
mobilidade reduzida:
Seções de estudo
§ 1º Considera-se, para os efeitos deste Decreto: 
I - pessoa portadora de deficiência, além daquelas previstas na Lei 
no 10.690, de 16 de junho de 2003, a que possui limitação ou 
incapacidade para o desempenho de atividade e se enquadra nas 
seguintes categorias: 
a) deficiência física: alteração completa ou parcial de um ou mais 
segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento 
da função física, apresentando-se sob a forma de paraplegia, 
paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, 
triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, ostomia, amputação 
ou ausência de membro, paralisia cerebral, nanismo, membros 
com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades 
estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho 
de funções; 
b) deficiência auditiva: perda bilateral, parcial ou total, de quarenta e 
um decibéis (dB) ou mais, aferida por audiograma nas freqüências 
de 500Hz, 1.000Hz, 2.000Hz e 3.000Hz; 
c) deficiência visual: cegueira, na qual a acuidade visual é igual ou 
menor que 0,05 no melhor olho, com a melhor correção óptica; a 
baixa visão, que significa acuidade visual entre 0,3 e 0,05 no melhor 
olho, com a melhor correção óptica; os casos nos quais a somatória 
da medida do campo visual em ambos os olhos for igual ou menor 
que 60o; ou a ocorrência simultânea de quaisquer das condições 
anteriores; 
d) deficiência mental: funcionamento intelectual significativamente 
inferior à média, com manifestação antes dos dezoito anos 
e limitações associadas a duas ou mais áreas de habilidades 
adaptativas, tais como: 
1. comunicação; 
2. cuidado pessoal; 
3. habilidades sociais; 
4. utilização dos recursos da comunidade; 
5. saúde e segurança; 
6. habilidades acadêmicas; 
7. lazer; e 
8. trabalho; 
e) deficiência múltipla: associação de duas ou mais deficiências; e
Esta é a classificação para o enquadre da lei para pessoas 
com deficiência. Veremos a seguir o que o decreto preconiza 
a respeito da mobilidade reduzida e acesso prioritário.
§ 1º 
II - pessoa com mobilidade reduzida, aquela que, não se enquadrando 
no conceito de pessoa portadora de deficiência, tenha, por qualquer 
motivo, dificuldade de movimentar-se, permanente ou temporariamente, 
gerando redução efetiva da mobilidade, flexibilidade, coordenação 
motora e percepção. 
§ 2o O disposto no caput aplica-se, ainda, às pessoas com idade igual 
ou superior a sessenta anos, gestantes, lactantes e pessoas com criança 
de colo. 
§ 3o O acesso prioritário às edificações e serviços das instituições 
financeiras deve seguir os preceitos estabelecidos neste Decreto e nas 
normas técnicas de acessibilidade da Associação Brasileira de Normas 
31
Técnicas - ABNT, no que não conflitarem com a Lei no 7.102, de 20 de 
junho de 1983, observando, ainda, a Resolução do Conselho Monetário 
Nacional no 2.878, de 26 de julho de 2001.
Por meio deste decreto surgiu o Programa Brasil 
Acessível que tem como objetivo 
estimular e apoiar os governos municipais e 
estaduais a desenvolver ações que garantam 
a acessibilidade para pessoas com restrição 
de mobilidade aos sistemas de transportes, 
equipamentos urbanos e a circulação em áreas 
públicas. Trata-se de incluir, no processo de 
construção das cidades, uma nova visão que 
considere o acesso universal ao espaço público 
(Possa; Soares, 2006).
Curiosidade 
Confira maiores informações sobre o projeto no link: http://downloads.
caixa.gov.br/_arquivos/assitencia_tecnica/acessibilidade/cad-6.pdf.
Outras legislações reconhecem e garantem a 
acessibilidade, como é o caso do PDE (2007) Plano de 
Desenvolvimento da Educação, que coloca como eixos 
a acessibilidade arquitetônica dos prédios escolares, a 
implantação de salas de recursos multifuncionais e a formação 
docente para o atendimento educacional especializado.
Vejam que a acessibilidade recai sobre outras 
questões tão importantes quanto as questões 
arquitetônicas, como é o caso das salas de recursos e a 
formação dos professores, pois com professores bem 
formados e tecnologias adequadas a acessibilidade 
à educação de qualidade se torna uma realidade possível.
A Lei n. 10.436/02 é uma prova disso, pois reconhece a 
Língua Brasileira de Sinais como meio legal de comunicação 
e expressão, e determina a garantia de que as formas 
institucionalizadas apoiem seu uso e difusão, assim como 
determina a inclusão da disciplina de Libras no currículo dos 
cursos de formação de professores e de fonoaudiologia.
Todas essas mudanças recaem tanto na estrutura física 
das escolas, dando acesso aos portadores de necessidades 
físicas, quanto à disponibilização das salas de recursos e 
equipamentos necessários para as adequações para a integração 
e complementação das atividades regulares (Staconi, 2002).
Analisaremos a seguir um trecho extraído da apostila 
elaborada no I Congresso Paulista de Direitos da Pessoa com 
Deficiência. O trecho refere-se às barreiras arquitetônicas e de 
comunicação.
Os autores Ramos e Fávero (2002, p.33) começam 
referindo-se ao direito de ir e vir mencionado na Declaração 
Universal dos Direitos Humanos e consagrado em nossa 
Constituição Federal. Vejamos o que eles relatam sobre as 
barreiras arquitetônicas e de comunicação:
Com base em tais princípios, todas as medidas 
necessárias para a eliminação de barreiras 
arquitetônicas e de comunicação que impedem 
a inclusão social das pessoas com deficiência,deveriam ser adotadas pelo Poder Público 
como forma de se promover o bem de todos, 
um dos objetivos fundamentais da República 
Federativa do Brasil (art.3º, § IV, CF/88). 
Além disso, consta da nossa Constituição de 
1988, que é obrigação do Estado a criação de 
programas e atendimento especializado para 
os portadores de deficiência física, sensorial 
ou mental, bem como de integração social do 
adolescente portador de deficiência, mediante 
o treinamento para o trabalho e a convivência, 
e a facilitação do acesso aos bens e serviços 
coletivos, com a eliminação de preconceitos e 
obstáculos arquitetônicos (art. 227, § 1º, inciso 
III). Consta ainda, no mesmo artigo, que a 
lei disporá sobre normas de construção dos 
logradouros e dos edifícios de uso público e de 
fabricação de veículos de transporte coletivo, 
a fim de garantir acesso adequado às pessoas 
portadoras de deficiência (§ 2º). 
Observem a seguir que os autores irão comentar sobre as 
leis que estudamos anteriormente:
Nesse sentido, foram editadas as Leis nº 
10.048/00 e nº 10.098/00. A primeira dá 
prioridade de atendimento às pessoas com 
dificuldades de locomoção. Já a Lei 10.098/00, 
estabelece normas gerais e critérios básicos 
para a promoção da acessibilidade das pessoas 
portadoras de deficiência ou com mobilidade 
reduzida, mediante a supressão de barreiras e 
de obstáculos nas vias e espaços públicos, no 
mobiliário urbano, na construção e reforma 
dos edifícios (inclusive os privados destinados 
ao uso coletivo) e nos meios de transporte e 
de comunicação.
Portanto, todos os prédios de acesso ao 
público devem observar, no momento da 
sua construção ou da reforma, as normas de 
acessibilidade. Quanto aos edifícios de uso 
privado, a Lei 10.098/00 determina que sua 
construção deve atender a requisitos mínimos 
de acessibilidade, ali elencados (artigos 13/14). 
Os prédios da Administração Pública Federal 
(INSS, Receita Federal, entre outros) têm 
prazo para tanto até dezembro de 2002, nos 
termos do decreto 3.298/99. As agências 
bancárias, por sua vez, além de estarem 
sujeitas ao cumprimento dessa legislação, 
têm a obrigação de efetuar a reforma das 
agências antigas, no prazo de 720 dias, a partir 
da regulamentação desta Lei 10.098/00, nos 
termos da Portaria BaCen nº 2.878/00, que 
dispõe sobre normas de atendimento ao 
público e, obviamente, inclusive das pessoas 
com deficiência. 
Outro ponto importante a ser percebido é o acesso, não 
só aos prédios de ensino regular de séries iniciais, mas também 
aos de ensino superior, pois quando falamos de inclusão 
nos referimos muito às séries inicias, contudo, a inclusão e a 
acessibilidade devem estar em todas as dimensões do ensino 
e sociedade. Desta forma, veremos o que os autores dizem 
sobre isso:
32Educação Especial e Inclusiva
A acessibilidade, tanto no tocante à eliminação 
de barreiras arquitetônicas, como das barreiras 
de comunicação das Universidades, é um dos 
requisitos que devem ser observados para 
fins de autorização e credenciamento das 
instituições de ensino superior, bem como 
para sua renovação, nos termos constantes 
da Portaria do Ministério da Educação nº 
1.679/99. O cumprimento de tais direitos 
deve ser cobrado e eventuais denúncias podem 
ser encaminhadas aos Ministérios Públicos, 
Estadual, caso refira-se a espaços e prédios 
públicos de responsabilidade do Estado ou 
do Município e espaços privados, ao Federal, 
quanto a espaços e prédios públicos de 
responsabilidade da Administração Pública 
Federal.
De acordo com a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa 
com Deficiência (Lei nº 13.146/2015) a acessibilidade é 
assegurada por meio da eliminação de barreiras e da oferta 
de adaptações necessárias para que todas as pessoas possam 
usufruir dos direitos em igualdade de condições com as 
demais. E ela deve assegurar garantia de condições para que 
pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida possam 
acessar, com segurança e autonomia, os espaços, serviços e 
produtos.
Para Refletir
Queridos(as) alunos(as)! Agora que vocês estão de posse das leis que 
determinam a acessibilidade, reflitam sobre essa realidade em sua 
região: como vocês percebem tudo isso que acabamos de estudar?
1. Barreiras atitudinais: são os preconceitos, estigmas 
e estereótipos que levam à discriminação contra 
pessoas com deficiência. Essas barreiras são 
consideradas as mais difíceis de serem superadas, 
pois estão enraizadas na forma como a sociedade 
percebe e interage com as pessoas com deficiência.
2. Barreiras arquitetônicas: referem-se às limitações 
físicas do ambiente construído que dificultam ou 
impedem o acesso de pessoas com deficiência. 
Exemplos incluem a ausência de rampas, banheiros 
adaptados, elevadores, ou a presença de degraus e 
obstáculos em vias públicas.
3. Barreiras comunicacionais: relacionam-se à 
dificuldade de acesso à informação e à comunicação. 
Isso inclui a falta de materiais em braille, intérpretes 
de Libras, legendas em vídeos, ou tecnologias 
assistivas que possibilitem a comunicação eficaz para 
pessoas com deficiências sensoriais, como surdez ou 
cegueira.
4. Barreiras metodológicas: estas barreiras ocorrem 
quando as práticas pedagógicas e os métodos de 
ensino não são adaptados às necessidades dos alunos 
com deficiência. Isso pode incluir a ausência de 
adaptações curriculares ou a utilização de métodos 
de ensino que não consideram as diferentes formas 
de aprendizagem.
5. Barreiras programáticas: referem-se às políticas, 
programas e procedimentos que, de forma direta 
ou indireta, excluem ou discriminam pessoas 
com deficiência. Isso inclui regulamentos que não 
consideram a acessibilidade ou que limitam o acesso 
de pessoas com deficiência a determinados serviços 
ou espaços.
6. Barreiras instrumentais: relacionam-se à falta de 
equipamentos ou ferramentas necessárias para 
que pessoas com deficiência possam acessar um 
ambiente ou serviço. Exemplos incluem a ausência 
de dispositivos de apoio, como cadeiras de rodas 
adequadas, aparelhos auditivos ou softwares acessíveis.
7. Barreiras tecnológicas: são as dificuldades de acesso 
às tecnologias da informação e comunicação (TICs) 
que não são projetadas para serem acessíveis a pessoas 
com deficiência. Isso pode incluir sites que não são 
compatíveis com leitores de tela, aplicativos móveis 
que não consideram a acessibilidade ou dispositivos 
eletrônicos que não oferecem suporte a usuários com 
necessidades específicas.Essas barreiras, segundo 
Sassaki, precisam ser identificadas e eliminadas para 
promover uma verdadeira inclusão e acessibilidade 
para todas as pessoas, independentemente de suas 
limitações. 
Essa discussão é muito importante, pois amplia a reflexão 
sobre acessibilidade. 
Essas barreiras dificultam a plena participação 
dessas pessoas na sociedade, especialmente em contextos 
educacionais e profissionais. Superar essas barreiras exige 
conscientização e a promoção de uma cultura inclusiva que 
reconheça a acessibilidade como um direito fundamental e 
uma responsabilidade social, incluindo governos, empresas e 
indivíduos para criar um ambiente inclusivo e acessível para 
todos.
2 - Adequações curriculares
O MEC/SEF/SEESP (1998) propõe adaptações 
curriculares para a educação especial visando a promover 
a aprendizagem e o desenvolvimento dos alunos com 
deficiência. Para isso, refere-se à elaboração do projeto 
pedagógico e à execução de práticas inclusivas no sistema 
escolar. 
Baseiam-se nos seguintes aspectos:
• atitude favorável da escola para diversificar e flexibilizar o 
processo de ensino-aprendizagem, de modo a atender às 
diferenças individuais dos alunos;
• identificação das necessidades educacionais especiais para 
justificar a priorização de recursos e meios favoráveis à sua 
educação;
• adoção de currículos abertos e propostas curriculares 
diversificadas, em lugar de uma concepção uniforme e 
homogeneizadora de currículos;
• flexibilidade quanto à organização e ao funcionamento da 
escola para atender à demandadiversificada dos alunos;
• possibilidade de incluir professores especializados, serviços 
33
de apoio e outros não convencionais, para favorecer o 
processo educacional. 
 Disponível em: http://www.bancodeescola.com/verbete5.htm.
Conceito
Por apoio, entende-se:
recursos e estratégias que promovem o interesse e as capacidades 
das pessoas, bem como oportunidades de acesso a bens e serviços, 
informações e relações no ambiente em que vivem. Tende a favorecer a 
autonomia, a produtividade, a integração e a funcionalidade no ambiente 
escolar e comunitário (MEC/SEF/SEESP, 1998).
O apoio é classificado em intermitente, dado em 
momentos de crise ou situações específicas de aprendizagem; 
limitado, quando há reforço pedagógico para determinado 
conteúdo e tempo; extensivo, que diz respeito à sala de recursos 
ou de apoio pedagógico, ou seja, tipos de atendimento 
complementar para a classe regular, realizados por professores 
especializados e pervasivo, em que há alta intensidade e 
longa duração para alunos com deficiências múltiplas ou 
agravantes com equipes multidisciplinares. Nesse sentido, 
o acesso ao currículo refere-se a recursos de adaptações do 
espaço físico, materiais, mobiliário, equipamentos e sistemas 
de comunicação alternativos (Sá, 2012).
Vejamos os tipos de adaptações propostas:
Organizativas
Agrupamento de alunos, conteúdos e objetivos de 
interesse do aluno ou diversificados, disposição do 
mobiliário, de materiais didáticos e tempos flexíveis.
Objetivos e 
Conteúdos
Priorizam áreas e conteúdos de acordo com 
critérios de funcionalidade; ênfase nas capacidades, 
habilidades básicas de atenção, participação e 
adaptabilidade dos alunos; sequência gradativa de 
conteúdos, do mais simples para o mais complexo; 
previsão de reforço de aprendizagem como apoio 
complementar.
Avaliativas Seleção de técnicas e instrumentos de acordo com as 
necessidades educacionais especiais dos alunos.
Fonte: Sá (2012).
A análise de diversas pesquisas brasileiras 
identifica tendências que evitam considerar a 
educação especial como um subsistema à parte 
e reforçam o seu caráter interativo na educação 
geral. Sua ação transversal permeia todos os 
níveis - educação infantil, ensino fundamental, 
ensino médio e educação superior, bem como 
as demais modalidades- educação de jovens e 
adultos e educação profissional (MEC/SEF/
SEESP 1998, p. 21).
Conceito
Para entender os conteúdos do “material especial” ou do “material 
adaptado”, é primeiramente necessário elucidar os conteúdos 
curriculares. Existe uma diferença da abordagem inclusiva comparada 
à abordagem tradicional (integrativa) esta está em seu conceito de 
adequação curricular em oposição ao de adaptação curricular. As 
adaptações curriculares criadas há mais de 30 anos retiram do currículo 
conteúdos que na verdade necessitariam ser alterados em razão de 
especificidades e necessidades especiais de alunos com deficiência. 
Dessa forma, surgiram as adaptações curriculares, separadamente, 
para alunos cegos, surdos e com deficiência intelectual ou física. Essa 
prática originaram dois currículos: o “normal” e o “adaptado”. De outra 
forma, a adequação curricular — criado da proposta inclusivista — trata-
se da elaboração de um único currículo adequado a todos os alunos, 
com e sem deficiência. Consiste em um currículo flexível que possibilita 
a adequação às especificidades e necessidades especiais de cada aluno 
(gênero, etnia, raça,idioma/dialeto, cultura, condição socioeconômica, 
orientação sexual, faixa etária, deficiência etc.) (Sassaki, 2012).
A Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) 
estabelece que as instituições de ensino devem realizar 
adequações e adaptações curriculares para garantir a inclusão 
e a participação plena dos alunos com deficiência. A BNCC 
(2017) também reforça essa necessidade, assegurando que 
todos os estudantes, incluindo aqueles com deficiência, 
tenham acesso ao currículo de forma equitativa e inclusiva, 
promovendo a personalização do ensino conforme as 
necessidades individuais.
Essas adaptações devem assegurar o acesso ao conteúdo 
pedagógico, respeitando as necessidades específicas de cada 
aluno, incluindo a oferta de recursos de acessibilidade e 
tecnologias assistivas.
Saber Mais
Não deixem de ler o artigo “A educação especial no Brasil - da exclusão à 
inclusão escolar” de Maria Teresa Eglér Mantoan.
Segundo Franco (2012), é possível falarmos de 
adaptações de acessibilidade ao currículo que está relacionado 
às metodologias e barreiras arquitetônicas para que o aluno 
possa ter autonomia no processo de ensino e aprendizado, 
incluindo transição de textos para Braille, apoio de intérpretes 
de LIBRAS, uso de comunicação alternativa com alunos com 
paralisia cerebral ou dificuldades de expressão oral e recursos 
pedagógicos adaptados para deficientes visuais etc.
Todo esse processo deve ser realizado de forma flexível, 
para que essas adequações e adaptações venham atender 
de maneira efetiva o desenvolvimento e aprendizagem dos 
alunos de maneira geral. 
O caminho para essa realidade deve objetivar a 
identificação dessas “necessidades” e requer que o sistema 
educacional foque na organização para construir uma escola 
real para todos, e que dê conta dessas especificidades (Franco, 
2012).
3 - Tecnologia assistiva
Quando o ambiente apresenta barreiras econômicas, 
físicas e sensoriais que impedem os alunos terem autonomia 
de ir até à sala de aula ou de fazer a leitura de um texto, vivencia-
se a exclusão social. Neste momento, é necessário que haja 
uma infraestrutura adequada, mantendo o cuidado com tudo 
que está entorno, como já dissemos, com a estrutura física 
da escola e, principalmente, com os recursos metodológicos 
e serviços de tecnologia assistiva, para assim estarem prontos 
a acolhê-los em um ambiente seguro, preparado e atento às 
diferenças (Mello, 2010).
34Educação Especial e Inclusiva
A sociedade vê o corpo deficiente como 
inadequado, exigindo dele um uso intenso que 
resulta em desgaste físico, seja pelo trabalho 
subserviente ou pela busca de uma estética 
corporal ditada por interesses econômicos. 
Essa estrutura social valoriza corpos saudáveis 
e eficientes, capazes de competir no mercado 
de trabalho. Corpos fora dos padrões são 
vistos como obstáculos à produtividade, e a 
lembrança da fragilidade inerente à condição 
humana ameaça aqueles considerados 
fortes, que dependem de sua aparência de 
invulnerabilidade para manter sua posição 
(Silva, 2006).
Conceito
Tecnologia Assistiva é um termo utilizado para identificar uma gama de 
recursos (equipamentos) e serviços (estratégias) que possibilitam ampliar 
as habilidades funcionais de pessoas com deficiência e promover a 
autonomia e inclusão (Satoretto; Bersch, 2011).
Que recursos seriam estes? Que tipos de equipamentos ou estratégias 
poderiam proporcionar a autonomia e possibilitar o desenvolvimento e 
aprendizado das pessoas com deficiência?
Antes de respondermos, é preciso entender que a 
tecnologia assistiva se apresenta como uma resolução de 
problemas funcionais, na perspectiva de desenvolvimento 
das potencialidades humanas, habilidades, autonomia, com 
valorização de desejos e qualidade de vida (Satoretto; Bersch, 
2011).
Para tais realizações, Rocha (2006) cita estratégias simples 
e acessíveis como: a professora que busca a resolução de 
problemas funcionais, no dia a dia da escola, mesmo sem 
sabê-lo produz tecnologia assistiva. Por exemplo, ao engrossar 
o lápis para facilitar a apreensão e a escrita ou ao fixar a folha 
de papel com uma fita adesiva para possibilitar que não deslize 
com a movimentação involuntária do aluno com deficiência. 
Ou ainda, ao projetar um assento e um encosto de cadeira que 
garanta a estabilidade da postura corporal e favoreça o uso 
funcional das mãos.
Desta forma, a professora utiliza-se de estratégias e 
soluções aparentemente simples a partir do reconhecimento 
de um universo particular, mas que faz toda a diferença no 
contexto de aprendizadodesse aluno.
 Confira a seguir as razões da mudança:
Você Sabia
O Comitê de Ajudas Técnicas (CAT), através da Portaria nº 142, de 
16 de novembro de 2006, estabeleceu a substituição da expressão 
ajudas técnicas pela de tecnologia assistiva, por considerá-la a mais 
apropriada.
[...] por ser uma expressão bastante específica 
ao conceito ao qual representa, diferentemente 
das expressões “Ajudas Técnicas” e 
“Tecnologia de Apoio”, que são mais genéricas 
e também utilizadas para referirem-se a outros 
conceitos e realidades diferentes (CAT, 2007). 
É possível observar os recursos de tecnologia assistiva no 
nosso dia a dia. Por vezes são providos de alta tecnologia ou 
podem passar até despercebidos. Por exemplo, uma bengala, 
utilizada para proporcionar conforto e segurança aos idosos 
ao caminhar ou ainda um aparelho auditivo ou mesmo um 
veículo adaptado para uma pessoa com deficiência física. 
Desta forma, a tecnologia assistiva é vista como recursos, 
equipamentos que promovam o desempenho adequado de 
alguma atividade (Manzini, 2012). 
Para Lauand (2005), a tecnologia assistiva tem como 
objetivo uma gama de recursos destinados a dar suporte, 
computadorizado, mecânico, eletrônico e elétrico entre 
outros, para pessoas com quaisquer que sejam as necessidades 
especiais ou deficiências, podendo ser estas as mais várias 
possíveis como: uma órtese, uma prótese, entre outras de 
adaptações nas mais variadas áreas de necessidade pessoal 
(elementos arquitetônicos, comunicação, educação, lazer, 
alimentação, trabalho, transporte, esporte e outras). 
No quadro a seguir, apresentaremos as 10 categorias 
de recursos, equipamentos e serviços em tecnologia assistiva 
descritos pelo Sistema Nacional de Classificação para 
Recursos e Serviços de Tecnologia Assistiva dos Estados 
Unidos (2000). Veremos então a classificação e seus 
respectivos exemplos de recursos:
QUADRO 1 - CLASSIFICAÇÃO DOS RECURSOS 
E SERVIÇOS DE TECNOLOGIA ASSISTIVA
Classificação Exemplos
1. Elementos 
Arquitetônicos
Barras para apoio em paredes, vasos sanitários, 
fechaduras; torneiras, rampas, elevadores, pisos 
etc.
2. Elementos sensoriais Recursos ópticos, auditivos, sistemas de 
comunicação alternativa ou suplementar, aparelho 
de amplificação etc.
3. Computadores Hardware e software. 
4. Controles ambientais Acionadores para cortinas, acionadores para 
diminuir ou aumentar luminosidade, acionadores 
para TV e som etc.
5. Vida independente Adaptações para alimentação, vestuário adaptado, 
dispositivos para auxiliar na higiene pessoal. 
6. Mobilidade Carros adaptados, carrinhos especiais, andadores, 
bengalas, muletas, cadeiras de rodas etc.
7. Próteses e órteses Abdutor de joelhos, perna mecânica etc.
8. Recreação/Lazer/
Esporte
Brinquedos, equipamentos para recreação e lazer, 
pesca etc.
9. Mobiliário 
modificado
Mesas, cadeiras, camas etc.
10. Serviços de 
Tecnologia Assistiva
Fonte: Manzini (2012).
No contexto escolar, é possível adaptarmos um recurso 
pedagógico utilizando de baixa tecnologia, basta disponibilizar 
aquele jogo ou brinquedo para todos os alunos igualmente, 
ao mesmo espaço e tempo. Contudo, para que haja uma 
boa adequação, é necessário considerar as características 
cognitivas, emocionais, motoras e sociais da criança, bem 
como estarem atentos às exigências psicológicas, pedagógicas 
e físicas apresentadas pelo meio (Araújo; Manzini, 2001, p. 
6-8):
35
A confecção de recursos para o ensino, desde 
a pré-escola até a alfabetização, deve ocorrer 
após uma análise cuidadosa das condições 
motoras, cognitivas e educacionais de alunos 
com paralisia cerebral. Após essa avaliação, 
é possível relacionar as características desses 
alunos com um possível designe do recurso 
pedagógico.
Curiosidade
Diante desta realidade os autores lançam um desafio: como, então, 
realizar a adaptação de um recurso pedagógico?
Os autores Manzini & Santos (2002) elaboraram sete 
passos que nos orientam para essa adequação:
1 - Entender a situação que 
envolve o estudante
Escutar seus desejos; identificar 
características físicas/psicomotoras; 
observar a dinâmica do estudante 
no ambiente escolar; reconhecer o 
contexto social.
2 - Gerar ideias Conversar com usuários (estudante/
família/colegas); buscar soluções 
existentes (família/catálogo); pesquisar 
materiais que podem ser utilizados; 
pesquisar alternativas para confecção 
do objeto.
3 - Escolher a alternativa 
viável
Considerar as necessidades a serem 
atendidas (questões do educador/
aluno); considerar a disponibilidade de 
recursos materiais para a construção 
do objeto - materiais, processo para 
confecção, custos.
4 - Representar a ideia 
(por meio de desenhos, 
modelos, ilustrações)
Definir materiais; definir as dimensões 
do objeto – formas, medidas, peso, 
textura, cor etc.
5 - Construir o objeto para 
experimentação
Experimentar na situação real do uso.
6 - Avaliar o uso do objeto Considerar se atendeu o desejo da 
pessoa no contexto determinado; 
verificar se o objeto facilitou a ação do 
aluno e do educador. 
7 - Acompanhar o uso Verificar se as condições mudam com 
o passar do tempo.
Fonte: Manzini & Santos (2002). 
É de suma importância relembrar ao final da nossa 
quinta aula, os conceitos de acessibilidade, adequação 
curricular e tecnologias assistivas, amplamente 
discutidas no decorrer da aula. Vamos, então, 
recordar:
Retomando a aula
BARROS, S. Os recursos computacionais e suas possibilidades 
de aplicação no ensino segundo as abordagens de ensino - aprendizagem. 
Disponível em: http://homes.dcc.ufba.br/~frieda/mat06 
1/as.htm. 
SASSAKI, Romeu. As 7 dimensões da acessibilidade. 2020. 
Disponível em: https://pt.scribd.com/document/5785824 
93/7-Dimensoes-da-Acessibilidade.
Vale a pena ler
Vale a pena
1 - Acessibilidade à escola
 Nesta seção, vimos que é importante salientar que a 
acessibilidade não contempla somente as questões físicas, como 
estruturas de prédios, salas e ambiente em geral, mas refere-se 
também à acessibilidade de atitudes e comportamentos frente 
à deficiência.
2 - Adequações curriculares 
Nesta seção, abordamos que, quanto aos currículos 
e suas adaptações é preciso ter muito cuidado, pois, como 
vimos anteriormente, existe uma diferença entre adequação 
curricular e adaptação curricular. 
É importante considerar que a adequação curricular 
— criada da proposta inclusivista, persiste na elaboração 
de um único currículo adequado a todos os alunos, com e 
sem deficiência e apresenta-se mais flexível, pois possibilita a 
adequação às especificidades e necessidades especiais de cada 
aluno (gênero, etnia, raça,idioma/dialeto, cultura, condição 
socioeconômica, orientação sexual, faixa etária, deficiência 
etc.) (Sassaki, 2012).
3 - Tecnologia assistiva
 Nesta seção, estudamos que quando o ambiente 
apresenta barreiras econômicas, físicas e sensoriais que o 
impedem os alunos terem autonomia de ir até a sala de aula, 
ou de fazer a leitura de um texto, vivencia-se a exclusão 
social. Neste momento, é necessário que haja infraestrutura 
adequada com a deficiência, mantendo o cuidado com tudo 
que está entorno.
Assistiva: Tecnologia e Educação. Disponível em: 
http://www.assistiva.com.br/tassistiva.html.
http://www.assistiva.com.br/.
http://www.acessibilidade.org.br/.
Vale a pena acessar
36Educação Especial e Inclusiva
Amy - Uma Vida pelas Crianças, 1981, Drama/
Independente 
Sinopse: conta a história de uma mulher que deixa 
tudo para se tornar professora em escola para crianças 
deficientes. Ela entra para um mundo sem som e se dedica 
a ensinar crianças a falar. Elas por sua vez, a ensinam a amar. 
Na escola onde Amy leciona estudam crianças surdas, cegas 
e surdo-cegas.
Vale a pena assistir
Minhas anotações

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