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0 REPÚBLICA DE ANGOLA MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO INSTITUTO MÉDIO DE ECONOMIA DE LUANDA ÁREA DE FORMAÇÃO ADMINISTRAÇÃO E SERVIÇOS DOCUMENTAÇÃO E LEGISLAÇÃO FISCAL A Coordenação 2021 1 REPÚBLICA DE ANGOLA MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO 2° Ciclo do Ensino Secundário/Formação Média Técnica Instituto Médio de Economia de Luanda Disciplina: Documentação e Legislação Fiscal Área de Formação: Administração e Serviços Programa curricular TEMA I. ACTIVIDADE FINANCEIRA DO ESTADO 1.1.- Introdução l .2.- Actividade Financeira do Estado 1.3.- Fontes de Receitas do Estado TEMA II: NOÇÃO DE FISCALIDADE 2.1.- O Estado e o Fenómeno Tributário 2.2.- A Fiscalidade e a Evolução Histórica 2.3.- Princípios Fundamentais da Fiscalidade 2.4.- O Direito Fiscal 2.5.- Relação entre o Direito Fiscal e outros Ramos do Direito 2.6.- Autonomia do Direito Fiscal 2 2.7.- Fontes do Direito Fiscal 2.8.- Interpretação das Leis Fiscais 2.9.- Aplicação das Leis Fiscais no Tempo e no Espaço 2.10.- Pressão Fiscal 2.11.- Evasão Fiscal 2.12.- Fraude Fiscal 2.13.- Estudo de Caso/ Exercícios de Aplicação TEMA III: Noções de Imposto 3.1 – Definição de Imposto e sua Importância na Economia do País 3.2 – Estrutura do Imposto 3.3 – As 4 fases da vida do imposto: Incidência, Lançamento, Liquidação e Cobrança 3.4 – Classificação dos Impostos 3.5 – Funções do Imposto 3.6 – O Imposto e Figuras Afins 3.7 – Estudo de Caso/Exercício de Aplicação TEMA IV: A Tributação Em Angola e a Reforma Tributária 4.1 – Diferenças entre: Impostos, Taxas, Contribuições e Emolumentos 4.2 – Noção de Estabelecimento Estável, Sede, e Direcção Efectiva 4.3 – Definição de Contribuinte 4.4 – A Figura da unidade de Correcção Fiscal (UCF) 4.5 – Os Impostos Directos e os Impostos Indirectos 4.6 – Os Impostos Proporcionais, Progressivos e Degressivos 3 TEMA V: Relação Jurídico – Fiscal 5.1 – Generalidades 5.2 – Relação Jurídico - Fiscal 5.3 – Garantias Gerais dos Contribuintes TEMA VI: O Sistema Fiscal Angolano 6.1 – Generalidades 6.2 – Órgãos da Administração Fiscal 6.3 – Os Impostos do Sistema Fiscal Angolano 6.4 – Calendário Fiscal Angolano TEMA VII: Impostos na Especialidade (Impostos na República de Angola) 7.1 – Imposto Sobre o Rendimento de Trabalho 7.2 – Imposto Industrial 7.3 – A SISA sobre transmissões Imobiliárias a Titulo Oneroso 7.4 – Imposto Sobre o Valor Acrescentado 7.5 – Imposto Sobre Veiculos Motorizados 7.6 - Imposto Especial de Consumo 7.7 – O Imposto Predial 7.8 – Imposto sobre o Petróleo 7.9 – Imposto sobre os Diamantes 7.10 – O Imposto sobre a Aplicação de Capitais 7.11 – Tributação dos Rendimentos 7.12 – Transmissão dos Bens da Empresa 4 7.13 – Estudo de Caso/ Exercício de Aplicação DOCUMENTAÇÃO OBRIGATÓRIA PROFESSORES/ ALUNOS: Diário da República Código Geral Tributário Folhetos Sobre a Legislação Fiscal Angolana Pauta Aduaneira Boletins do Ministério das Finanças Actualizado Unidade de Ensino /Aprendizagem 7 - NOÇÕES FUNDAMENTAIS DE FISCALIDADE 5 Objectivos Conteúdos Sugestões Metodológicas • Distinguir despesas públicas de receitas públicas. l. Objectivos da fiscalidade • Identificar as receitas colectivas. • Identificar as receitas voluntárias, • Distinguir o Direito financeiro, do Direito Tributário e do Direito fiscal. 3. Impostos, taxas e multas • Enquadrar o Direito fiscal como ramo do Direito público. 4. Direito Financeiro, Direito Tributário e Direito Fiscal • Efectuar a interpretação da lei fiscal. 5. Interpretação da Lei Fiscal • Identificar as fontes do Direito fiscal. • Conhecer o princípio de não retroactividade da lei fiscal • Identificar o princípio da territorialidade da lei fiscal. 7. Aplicação da Lei Fiscal relativamente ao espaço Apresentar a distinção entre Direito financeiro, Direito tributário e Direito fiscal, mostrando que o Direito Fiscal é um ramo do Direito público. • Dar a noção de imposto, caracterizando os elementos constantes da definição. Relativamente às fases do imposto e com base no imposto que servirá de exemplo identificar a incidência real, a incidência pessoal, a matéria colectável, e a determinação da colecta. • Distinguir o imposto de taxa e de multa. Proceder à classificação dos impostos, caracterizando alguns dos impostos existentes. • Conhecer as fases do imposto, Relativamente à avaliação, sugere-se: avaliação formativa através de trabalhos, graduados de acordo com o grau de dificuldades, a realizar pelos alunos individualmente ou em grupo; • Classificar os impostos. Avaliação sumativa no final do tema e contemplando a matéria leccionada. • Identificar os principais impostos existentes. 2. Despesas públicas e receitas públicas 6. Aplicação da Lei Fiscal relativamente ao tempo Partindo-se da noção de necessidades colectivas, apresentar a necessidade de realização de despesas e da obtenção de receitas por parte do Estado. Através de exemplos estabelecer a distinção entre receitas impostas pelo Estado aos i contribuintes e receitas que resultam dos cidadãos. Será altura para fazer genericamente a distinção entre impostos, taxas e multas e identificar o orçamento geral do Estado como peça fundamental para a gestão do país. 6 Unidade de Ensino /Aprendizagem 8- OS IMPOSTOS Objectivos Conteúdos Sugestões Metodológicas Dar noção de Impostos. Conhecer os elementos integrantes de qualquer Imposto. Definir as fases a considerar num Imposto Classificar os impostos de acordo com a sua estrutura e natureza. Caracterizar o Imposto. Conhecer a incidência. Definir a matéria colectável Identificar as deduções Indicar as formas e local de pagamento. Identificar as obrigações declarativas. Conhecer as principais garantias de que gozam os principais contribuintes. Conhecer os meios de que a administração fiscal se serve para fiscalizar os impostos. Deduzir as infracções fiscais a que os contribuintes estão sujeitos. Organizar o dossier fiscal. 1. Introdução 2. Conceito de imposto e elementos integrantes 3. Fases do Imposto 4. Classificação dos Impostos 5. Garantias gerais dos contribuintes, fiscalização e infracções fiscais. Esta matéria deverá ser lecionada em simultâneo com outras disciplinas do programa, pois nelas a parte fiscal esta referenciada de forma mais ou menos aprofunda. Os alunos deverão conhecer os impostos que vigoram em Angola, como se encontram classificados e quais as fases características de cada Imposto. Deverão ainda, conhecer quais são as garantias que gozam, como é que o Estado efectua a fiscalização da actividade fiscal e quais as penalidades a que os cidadãos que não cumprirem a lei fiscal estão sujeitos. Será altura para apresentar os elementos contabilísticos que compõem o dossier fiscal e a sua forma de organização. Relativamente a avaliação recomenda-se: Avaliação formativa que comtemplará trabalhos a elaborar pelos alunos para apuramento do resultado tributável e cálculo do imposto que deverão ser fraduados por ordem crescente de dificuldades. Nestes trabalhos poder-se-á ao preenchimento das respectivas declarações que poderão ser objecto de tratamento informático; Avaliação sumativa que deverá ser efectuada no final da lecionação desta unidade. 7 Unidade de Ensino /Aprendizagem 9- IMPOSTO SOBRE OS RENDIMENTOS DO TRABALHO Objectivos Conteúdos Sugestões Metodológicas Caracterizar o Imposto. Identificar a incidência real. Identificar a incidência pessoal. Reconhecer as diferentes categorias de rendimentos.e o subsequente aumento de natalidade. Se porém, se pretender o efeito contrário isentam-se ou reduz-se o imposto dos solteiros e tributam-se pesadamente os casados. Considerando um imposto Progressivo, verifica-se que com a sua utilização procura-se aproximar as condições não apenas no plano social como ainda no campo económico. A intervenção financeira, fiscal do imposto podem combinar-se e completar-se na redistribuição da riqueza. O imposto sobre os rendimentos elevados pode ser redistribuído sob diversas formas pelos cidadãos de mais fraca capacidade económica. 3.6 - IMPOSTO E FIGURAS AFINS A par do imposto os cidadãos têm com as entidades públicas diversas outras obrigações pecuniárias ou transferências patrimoniais sob a forma de taxas, multas, confisco, expropriação para utilidade pública, etc. Existem diferenças que contradistinguem, o imposto e estas figuras que se lhe assemelham, sendo por isso, importante analisar algumas delas. a)- IMPOSTO E TAXA As receitas Tributárias incluem para além do imposto, as taxas. As Taxas são pagamentos em dinheiro feitas pelos cidadãos à entidades públicas, com um carácter definitivo, estabelecidas por Lei como pagamento dos serviços prestados pelo Estado ou pelo utilização de bens públicas (estradas, pontes, etc). Ao contrário do imposto, a Taxa tem um carácter bilateral (sinalagmático), equivalendo ao preço dos serviços ou bens cuja titularidade pertence ao Estado. 45 Existem várias: Taxas Judiciais, Administrativas (registo notariado, propinas, taxa de circulação de automóveis nas vias públicas, taxas portuárias, portagens, taxas de entrada nos museus, dos serviços comunitários, etc). b)- IMPOSTO E MULTA A multa é um pagamento em dinheiro à favor de uma entidade pública resultante de violação de uma norma legal cuja gravidade deve ser sancionada com a exigência de determinadas importâncias aos seus autores. A multa tem, pois, um carácter de sanção ou penalidade aspecto em que difere do Imposto. c)- IMPOSTO E CONFISCO Um confisco é uma transferência patrimonial à favor de uma entidade pública como uma sanção aplicada à particulares que pratiquem actos que violam as normas económicas vigentes numa determinada sociedade. d)- IMPOSTO E EXPROPRIAÇÃO POR UTILIDADE PÚBLICA A expropriação por utilidade pública é um acto através do qual uma entidade pública exige dos cidadãos a cessão de um bem (geralmente imóveis, terrenos), mediante uma indemnização, com a finalidade de ser utilizado para a satisfação de interesses colectivos. e)- IMPOSTO E EMPRÉSTIMO PÚBLICO FORÇADO O Empréstimo Público forçado é um empréstimo em que o prestador (entidade de direito privado) se vê obrigado a emprestar uma determinada quantia ao prestamista (estado ou outro ente público). Normalmente o Empréstimo Público forçado é materializado por obrigações que conferem ao prestador todos os direitos inerentes à dos funcionários públicos de um mês sejam pagos em obrigações do Tesouro ou Títulos do Tesouro. O Empréstimo Público Forçado distingue-se imposto, porque pressupõe sempre a amortização da dívida e vence sempre juros ao passo que o Imposto é definitivo e unilateral. 46 EXERCÍCIOS 1)- Defina o objecto do imposto e justifique a razão da sua existência. 2)- Defina a base do imposto explique as formas que se utilizam para a sua qualificação. 3)- Enumere as diferentes fases do imposto? 4)- O que são Juros de Mora e quando é que têm lugar? 5)- Quais são as características do imposto? 6)- Os impostos foram sempre prestações pecuniárias? Justifique a sua resposta. 7)- Defina o conceito de contribuinte e enumere as diversas formas que pode assumir? 8)- O que são Rendimentos reais? 9)- O que são Taxas Ad-valorem? 10)-O que é o registo Geral de Contribuintes e qual é a sua finalidade? No caso de Angola, quando foi iniciado? 11)- O que são rendimentos Presumidos? 12)-Contradistinga: a) Imposto e Empréstimo Público; b)- Imposto e expropriação, c)- Imposto e Taxa d)- Imposto e Multa 13) – As Organizações Chaves & Filhos, limitada, é uma Empresa cujo objecto social é a comercialização de bens diversos e prestação de serviços, em 2017 obteve um resultado líquido de Kz 1.675.500,00. Tem 25 trabalhadores entre responsáveis e subordinados e anualmente despende com a formação do pessoal o equivalente à 12,5% das suas vendas. Nos termos da Legislação Fiscal angolana os lucros das empresas são tributados em sede de imposto industrial à taxa de 30%, sendo abatidos da matéria colectável as despesas com a formação do pessoal. As entidades empregadoras têm a obrigação de descontar nos salários dos seus trabalhadores o imposto sobre os rendimentos do trabalho, para 47 posterior entrega nos cofres do Estado. As vendas foram de Kz 327.550.200,00. Com base nestas informações, responda as seguintes perguntas: 1)- Relativamente ao imposto Industrial, Identifique no texto os seguintes elementos: a)- A Base do imposto; b)- O Facto gerador do Imposto; c)- O Contribuinte do Imposto; d)- Calcule o imposto a pagar naquele exercício. 2) - Relativamente ao imposto sobre os rendimentos do trabalho indique: a)- O Contribuinte de facto b) - O Contribuinte de Direito c) - O Facto Gerador do imposto 14) - Na falta de liquidação de um imposto por parte do Contribuinte, qual é a penalidade que sobre si recai? E na falta de pagamento? 15) - Um contribuinte colectado em Imposto Industrial à taxa de 30% deveria apresentar a declaração de rendimentos e fazer a autoliquidação do imposto devido em 30 de Abril de 2018 o que só veio a acontecer em Setembro de 2019. Liquidado, verificou-se que 90 dias depois do prazo legal o imposto não estava pago. Sabendo-se que a Matéria Colectável declarada foi de Kz 75.898.500.00, calcule o valor do imposto liquidado em Setembro de 2019 e o total da dívida findo o prazo legal de pagamento. 16) - As Organizações Muzanga è uma empresa de direito angolano que se dedica a venda de vestuário e calçado. Está colectada em Imposto Industrial, Grupo B, com rendimentos presumidos em 1/4 das vendas anuais. A Taxa normal do imposto é de 30%. Em 2015 as vendas totalizaram 345.750.570.015.00 Kz. Nos termos da Legislação Fiscal em vigor, os Contribuintes do Grupo B devem fazer a autoliquidação do imposto 48 até 30 de Abril do ano seguinte ao que dizem respeito os rendimentos, sendo o imposto pago até ao último dia do mês da liquidação. Esta empresa não liquidou o imposto no prazo estabelecido o que só veio a acontecer em Novembro de 2016, Liquidado o imposto, não fez o seu pagamento, tendo a respectiva Repartição Fiscal relaxado a dívida em 31 de Dezembro do mesmo ano, data em que a remeteu ao Tribunal das Execuções Fiscais. Instruído o processo executivo em 2 de Janeiro de 2017, foi o Contribuinte citado para, no prazo de 15 dias regularizar a sua dívida sob pena de penhora dos bens. Finalmente, no prazo estabelecido pelo Tribunal das Execuções Fiscais, o Contribuinte pagou a totalidade da dívida exequenda. Pretende-se: a) - Calcular o imposto liquidado pelo Contribuinte. b) - O valor da dívida relaxada pela Repartição Fiscal. c)- O total da dívida exequenda paga pelo contribuinte no Tribunal das Execuções Fiscais. d) - Caso o Contribuinte não pagasse a dívida fiscal que património seria executado? e) - Supondo que esta empresa não pagava a dívida fiscal e não tinha património suficiente para ressarcir a dívida. Neste caso, como seria resolvido o caso? 17) - Discorra sobre o tema: "O PAPEL DOS IMPOSTOS NA ECONOMIA". 49 TEMA IV – A TRIBUTAÇÃO EM ANGOLA E A REFORMA TRIBUTÁRIA 4.1 – Diferenças entre: Impostos, Taxas, Contribuições e Emolumentos Ao contrário do Imposto, a Taxa tem um carácter bilateral (sinalagmático), equivalendo ao preço dos serviços ou bens cuja titularidade pertence ao Estado. Diferentementedo item acima, as contribuições são um tributo com finalidade específica. Ou seja, são criadas para atender determinadas situações. Como exemplo, temos: A Contribuição para Formação de Quadros Angolanos. Emolumentos nada mais são do que taxas cobradas com o objectivo de remunerar o custo de serviços prestados por órgãos de registo. Esse tipo de taxa sempre está atrelado a uma operação específica, ou seja, incide sobre cada operação de registo. 4.2 – Noção de Estabelecimento Estável, Sede e Direcção Efectiva Estabelecimento Estável: é a instalação fixa ou representação permanente para o exercício da actividade empresarial, nomeadamente: Um local de direcção; Uma sucursal; Um escritório; Uma fábrica Uma oficina; Uma mina, poço de petróleo ou gás, uma pedreira, ou qualquer local de extracção de recursos naturais; Um estabelecimento de construção, de montagem ou actividades de fiscalização; Fornecimentos de serviços, compreendidas as funções de consulta, por uma empresa actuando por intermédio de assalariados ou de outro pessoal por contratados para este fim; 50 Uma pessoa que actue no país para uma empresa, se esta pessoa dispõe de poderes exercidos habitualmente para concluir contratos em nome da empresa, ou então conserva um stock de mercadorias para entrega por conta da empresa. SEDE – Trata-se do lugar onde se encontra a existência jurídica de uma sociedade. Normalmente, é ai que encontram domiciliados os seus órgãos sociais. Direcção Efectiva – Lugar onde a sociedade ou outra entidade desempenha a sua actividade principal e onde efectivamente se reúnem e deliberam os seus órgãos de administração. 4.3 – Definição de Contribuinte O Contribuinte, Sujeito Passivo do Imposto ou Devedor do Imposto, é a pessoa que tem a obrigação de pagar o imposto, isto é aquela pessoa que está submetida à obrigação tributária. Geralmente o Contribuinte tem uma forte relação com o objecto do imposto. 4.4 – A Figura da Unidade de Correcção Fiscal É uma figura criada com o objectivo de garantir a actualização dos valores fixados para liquidação de impostos, multas, juros e outras receitas fiscais para corrigir os efeitos da inflação, actualmente, o seu valor é de 88 Kwanzas. 4.5 – Os Impostos Directos e Indirectos Impostos directos, os que têm como base a manifestação da capacidade contributiva do contribuinte. Exemplo: Imposto Industrial e Imposto sobre os Rendimentos do Trabalho. Os Impostos Indirectos são os que incidem sobre os rendimentos no momento da sua utilização sob forma de consumo, ou ainda são aqueles que surgem com a ocorrência de certas despesas ou aquisições de bens para consumo. 4.6 – Os Impostos Proporcionais, Progressivos e Degressivos São Proporcionais aqueles impostos em que a taxa é constante, sendo o valor directamente proporcional à Matéria colectável. 51 Exemplo: Imposto Industrial. São Progressivos aqueles impostos cuja taxa aumenta a medida que aumenta a matéria colectável, ou seja, o imposto é mais que proporcional com a matéria colectáveL Exemplo: Imposto sobre Rendimentos do Trabalho por conta de outrém. São Degressivos os impostos que têm uma taxa normal aplicável à matéria Colectável a partir de certo valor e taxas menores para escalões inferiores da Matéria Colectável. Exemplo: Imposto sobre os Rendimentos de trabalho por conta de outrem. 52 TEMA V - RELAÇÃO JURIDICO-FISCAL 5.1 - GENERALIDADES; Uma relação jurídica é qualquer realidade da vida social tutelada pelo direito, mediante a atribuição a uma pessoa (jurídica) de um direito subjectivo e a imposição a outra pessoa de um dever ou de uma sujeição. DIREITO SUBJECTIVO é a faculdade ou poder atribuído pela ordem jurídica a uma pessoa de exigir ou pretender de outra um determinado comportamento positivo (fazer) ou negativo (não fazer). Pode ser também traduzido num acto de vontade dessa pessoa integrada depois por um acto de autoridade pública (decisão judicial) que produz determinados efeitos jurídicos que se impõem inevitavelmente a outra pessoa. O dever e a sujeição traduzem a situação da pessoa contra a qual se dirige o poder Jurídico do titular do direito subjectivo. Se se trata de 'un direito subjectivo que se traduz no poder de exigir ou pretender um determinado comportamento, está-se perante um dever jurídico. Caso se trate do poder de produzir um efeito jurídico, temos a sujeição. Uma relação jurídica pode ser analisada no sentido abstracto não se considera uma relação jurídica efectivamente constituída ou individualmente determinada mas apenas uma relação jurídica figurada ou uma ralação jurídica em potência, É o caso, por exemplo, da relação jurídica em virtude da qual um qualquer vendedor não determinado pode exigir a qualquer comprador, também não determinado, o preço da mercadoria vendida. Caso se defina um caso concreto de um comprador A e um vendedor B, ambos determinados, essa relação tomará o aspecto de relação jurídica concreta, pois trata-se de uma relação jurídica realmente existente e individualizada. Uma relação jurídica comporta quatro elementos que são: - Os sujeitos, o objecto, o facto jurídico e a garantia. OS SUJEITOS DA RELAÇÃO JURÍDICA 53 Os sujeitos da relação jurídica são as pessoas entre as quais se estabelece a relação jurídica. Dum lado situa-se o titular do direito subjectivo (sujeito activo) e do outro o onerado com o correspondente dever ou sujeição (sujeito passivo). Os sujeitos da relação jurídica são sempre pessoas em sentido jurídico dado que a personalidade jurídica se define justamente como sendo a capacidade de ter direitos e obrigações ou possuir-se a idoneidade para ser sujeito de uma relação jurídica. Em face disto, compreende-se que os sujeitos da relação jurídica podem ser pessoas singulares ou físicas e pessoas colectivas ou jurídicas. A lei regula a personalidade ou capacidade jurídica das pessoas. O artigo 67° do C.C preceitua que as pessoas podem ser sujeitos de quaisquer relações jurídicas, salvo disposição legal em contrário: nisto consiste a sua capacidade jurídica. A capacidade jurídica das pessoas colectivas reveste duas modalidades: as corporações e as fundações. As corporações são as Sociedades Comerciais, Recreativas, desportivas ou de Socorros mútuos. O elemento principal do substrato corporativo reside na pluralidade de indivíduos agrupados para a prossecução de um interesse comum que pode ser de natureza ou altruísta. O OBJECTO DA RELAÇÃO JURÍDICA O objecto da relação jurídica é tudo aquilo sobre que incide o direito subjectivo ou recaem os poderes que tal direito confere. O objecto da relação jurídica pode ser traduzido por diversas realidades tais como uma pessoa, uma coisa, um produto intelectual, etc. O FACTO JURÍDICO O Facto jurídico é todo facto, acontecimento ou acção humana que produz consequências jurídicas. O facto jurídico, poder constitutivo, modificado ou extíntivo conforme tenha como finalidade a constituição, modificação de uma relação jurídica. 54 Todas as relações jurídicas estão prefiguradas abstractamente na Lei, existindo como ideia. Porém, nenhuma relação jurídica real poderá existir sem que se verifique a intervenção do facto jurídico. Neste sentido se pode existir que o facto jurídico desempenha o papel de Agente causal que desencadeia a energia jurídica. A GARANTIA A garantia da relação jurídica é o conjunto de meios sancionatórios adoptados pelo Estado por intermédio dos Tribunais contra o sujeito do dever jurídico que não cumpra espontaneamente o comportamento prescrito. A ordem jurídica confere ao titular do direito subjectivo o poder de exigir da outra parte um dado comportamento positivo ou negativo. A esta posição corresponde para outra parte o dever de acatar este comportamento mesmo que tenha o poder dereclamar. Mas não basta que a norma legal estipule um determinado comportamento para o sujeito passivo em relação a outra contraparte. Não seria efectivo o poder atribuído e o dever que se impõe, se na realidade não houvesse sanções exteriores de natureza coerciva, As providencias sancionatórias destinam-se, pois, a dar uma efectividade aos poderes do titular do direito subjectivo e ao dever jurídico que lhe corresponde, permitindo aquele fazer valer o seu direito subjectivo mesmo que o obrigado não queira cumprir espontaneamente. 5.2 - A RELAÇÃO JURÍDICO-FISCAL O que foi anteriormente referenciado diz respeito à relação Jurídicas Gerais. No que toca a relação jurídica-fiscai importa acrescentar que ela tem algumas particularidades seus elementos. A relação jurídica-fiscai circunscreve-se ao processo de lançamento e cobrança de impostos. 55 5-2.1 -DOS SUJEITOS Na relação jurídíca-Fiscal o SUJEITO ACTIVO é o Credor do imposto e pode ser o Estado ou uma entidade pública, como por exemplo as autarquias locais e outras pessoas colectivas de direito público. O Estado é o sujeito activo por excelência, o único que pode fixar, por intermédio dos seus órgãos legislativos, os impostos de que é credor. As outras entidades públicas, como as autarquias locais e pessoas colectivas de direito público, apenas tomam posição de sujeitos activos com o consentimento do Estado tem capacidade tributária activa originária e autónoma, cabendo-lhe, por seu turno concede- la em maior ou menor extensão a outras entes públicos. O SUJEITO PASSIVO da relação jurídico-fiscal é a pessoa singular ou colectiva relativamente a qual se verifique o pressuposto de facto, isto é, a pessoa que se encontra na relação com o objecto do imposto definido nas normas de incidência pessoal. O sujeito passivo da relação tributária é o contribuinte do imposto a quem cumpre satisfazer a prestação pecuniária do seu património para o Tesouro Nacional. Porém, existem casos em que as pessoas não têm capacidade jurídica de direito, não podendo ser sujeitos da relação jurídica geral mas são-no para a relação jurídico-fiscal. Trata-se dos entes públicos e das sociedades comerciais irregulares. As sociedades comerciais que se tenham constituído sem a observância de determinados requisitos legais indispensáveis para o efeito, são tratadas em matéria fiscal como se fossem regulares pois o direito fiscal preocupa-se essencialmente com as realidades económicas e não com a sua configuração no direito privado. Nos termos do Artigo 107° do código civil, a administração fiscal responsabiliza pelo pagamento de impostos devidos pelas sociedades irregulares aos seus sócios de forma pessoal e solidária. O fisco pode também promover o pagamento de colectas liquidadas e não satisfeitas oportunamente através dos bens próprios que porventura integrem o fundo comum da sociedade irregular. Dai que os serviços de administração fiscal possam instaurar processos de execução fiscal não apenas contra os sócios mas ainda contra a sociedade irregular ou contra uns e outros conjuntamente. 56 Deste modo, as sociedades irregulares são consideradas, para efeitos tributários, como centros patrimoniais de imputação de obrigações fiscais, decorrendo daqui que possuam capacidade tributária passiva. As autarquias locais, os organismos corporativas e outras pessoas colectivas têm capacidade jurídica tributária passiva, podendo ser tanto sujeitos activos como passivos da relação jurídico-fiscal. a) - SUBSTITUIÇÃO FISCAL Há substituição fiscal quando a lei prescreve que o pagamento de um determinado imposto seja feito por uma pessoa diversa do contribuinte, como é por exemplo, o caso do Imposto sobre os Rendimentos do Trabalho (IRT) em que a lei determina que a entidade patronal faça a retenção do Imposto e sua entrega nos cofres do Estado no prazo estabelecido. A substituição fiscal só existe quando esteja expressamente inserida na lei. A substituição parcial o contribuinte fica ainda com a obrigação de cumprir certos deveres acessórios. b)- RESPONSABILIDADE FISCAL A responsabilidade fiscal verifica-se quando, para além do sujeito passivo principal, existirem outras pessoas (responsáveis subsidiários) com a obrigação do pagamento do imposto, nos termos da lei. c) - TRANSMISSÃO DA OBRIGAÇÃO FISCAL Existem duas formas de transmissão da obrigação fiscal: sub-rogação e a sucessão mortis causa ". A sub-rogacão verifica-se quando uma terceira pessoa paga o imposto em nome do contribuinte. Por aplicação do direito civil, a pessoa que pagar a dívida tributária do originário devedor fica com o direito de regresso. A dívida paga pelo sub-rogado conserva as garantias, privilégios e processo de cobrança e vence juros pela taxa fixada na lei civil se o sub-rogado o requerer, podendo utilizar o próprio processo de execução fiscal para cobrar o seu crédito. 57 A transmissão da obrigação fiscal por sucessão " mortis causa", verifica-se quando a morte do contribuinte se transmitem aos seus herdeiros as dívidas tributárias daquele. O princípio da responsabilidade do herdeiro das dívidas fiscais do autor da herança, o "de cujus", pode ser deduzido no Artigo 2068 do Código Civil quando consigna que a herança responde pelas despesas com funerais e sufrágios do seu autor, pelos encargos com o testamento, administração e liquidação do património hereditário, pelo pagamento das dívidas do falecido e pelo cumprimento dos legados. 5.2.2 - O OBJECTO DA RELAÇÃO JURÍDICO-FISCAL É a prestação a que o contribuinte está vinculado para com o Estado ou outro ente público credor do imposto. 5.2.3- O FACTO DA RELAÇÃO JURÍDICO-FISCAL O Imposto é uma prestação coactiva que tem o seu fundamento na lei. Não é, por conseguinte, uma obrigação que surge por força de qualquer contrato celebrado entre os respectivos sujeitos. A exigência do imposto depende da ocorrência de um acto, de uma situação ou de um facto, previamente definidos na respectiva norma de incidência real. Este acto, facto ou situação são os pressupostos do imposto ou seu facto gerador, sem o qual a obrigação fiscal não existe. O legislador pode escolher qualquer facto ou situação da vida real como índice da capacidade contributiva do cada cidadão e ligar-lhe uma obrigação de imposto. Determinar-se-á fundamentalmente, por considerações de ordem económica, técnica ou política tendo, no entanto, que observar os limites que o condicionam. Daqui resulta que nos sistemas fiscais modernos exista uma grande variedade de factos tributários. 5.2.4- DAS GARANTIAS DA RELAÇÃO JURÍDICO FISCAL a) GARANTIAS GERAIS O artigo 601° do C.C. consigna que pelo cumprimento da obrigação respondem todos os bens do devedor susceptíveis de penhora, sem prejuízo dos regimes especialmente estabelecidos em consequência da separação de património. 58 Por sua vez, o Artigo 817° do mesmo código prescreve que não sendo a obrigação voluntariamente cumprida, tem o credor o direito de exigir judicialmente o seu cumprimento e de executar o património do devedor, nos termos declarados neste código e nas leis de processo. O património do contribuinte constitui, pois garantia geral das obrigações fiscais. Ela está garantida, em primeira linha pela possibilidade que o respectivo credor, o sujeito activo da obrigação, tem de agir sobre o património do sujeito passivo da mesma obrigação (contribuinte), para satisfazer coercivamente o seu crédito. O credor de Impostos (Estado) tem o privilégio de executoriedade ou de execução prévia por força do qual direito ao imposto é desde logo eficaz na esfera jurídica do contribuinte, não estando a sua vinculação dependente duma decisão judicial prévia que autorize ou homologue este direito. A posição jurídica do credor de uma obrigação fiscal reveste-se duma especial supremacia que se não verifica nas obrigaçõescivis, Por outro lado, as obrigações fiscais são obrigações relativamente disponíveis, não podendo os órgãos da administração fiscal negociar sobre as dívidas de imposto, a elas renunciar ou perdoá-las nem tão pouco conceder moratórias para o seu pagamento ou aceitar que se faça antecipada ou parcialmente a menos que a própria lei o consinta. Outra característica da obrigação fiscal é a que resulta da forma de cobrança coerciva da dívida, pois a execução fiscal não se confunde com a execução fiscal corre os seus termos não nos Tribunais comuns mas sim nos próprios serviços da administração de impostos. b) - GARANTIAS ESPECIAIS DAS OBRIGAÇÕES FISCAIS Para além das garantais gerais atrás referidas, o cumprimento das obrigações fiscais pode ser ainda assegurado por garantias especiais que podem ser de natureza pessoal e de natureza real. É de natureza pessoal a garantia que deriva do instituto de responsabilidade e tem o alcance de uma fiança legal. O fiador garante a satisfação do direito de crédito de crédito, ficando pessoalmente obrigado perante o credor, A obrigação do fiador é acessória da que recai sobre o principal devedor (artigo 627° do Código Civil). 59 As garantias reais são: - Os privilégios creditórios que a Lei estabelece a favor do Estado e das autarquias Locais; - A hipoteca -A prestação de caução PRIVILEGIO CREDITORIO Privilégio Creditório é a faculdade que a lei concede a certos credores, tendo em conta a causa do crédito, de serem pagos preferentemente a outros e independentemente de registo, nos termos do Artigo 733° do Código Civil. Os privilégios creditórios podem ser mobiliários. Os privilégios mobiliários podem ser gerais ou especiais. São gerais se abrangem o valor de todos os bens móveis existentes no património do devedor à data da penhora ou acto equivalente ou nos dois anos anteriores. Os créditos do estado pela SISA e pelo imposto sobre as sucessões e doações têm privilégio sobre os bens transmitidos, A HIPOTECA A HIPOTECA é um acto que confere ao credor o direito de ser pago pelo valor de certos bens imóveis ou equiparados pertencentes ao devedor ou ao terceiro, com preferência sobre os demais credores que não gozem de privilégio especial ou de prioridade de registo. A hipoteca pode ser legal, judiciária ou voluntária. A hipoteca legal, resulta da Lei, não dependendo da vontade das partes e pode Constituir-se desde que exista a obrigação a que serve de segurança. 60 PRESTAÇÃO DE CAUÇÃO É uma outra forma de garantir o cumprimento das obrigações fiscais por meio de depósito de dinheiro, de títulos de crédito, pedras preciosas ou por fiança bancária. A prestação de caução para garantia das obrigações fiscais é admitida para a generalidade dos Impostos como meio de atribuir eficácia suspensiva à execução, à impugnação judicial ou à oposição. 5.3 - EXTINÇÃO DA RELAÇÃO JURÍDICO-FISCAL A obrigação fiscal extingue-se por: a)- Pagamento do Imposto b)- Prescrição c)- Compensação d)- Confusão a)- O PAGAMENTO O pagamento é a forma mais utilização para a extinção da obrigação fiscal. O não pagamento dos Impostos liquidados dentro do prazo legalmente estabelecido para o pagamento voluntário,, implica o desencadeamento do processo de cobrança coerciva da dívida através da instauração do competente auto de execução riscai que pode desenvolver-se até a penhora, se for o caso disso, e venda por parte da administração fiscal de bens do devedor do Imposto em causa. b) - A PRESCRIÇÃO A prescrição é a extinção de um direito pelo seu não exercício durante um determinado período de tempo. 61 Extinção do direito de cobrança da dívida tributária por parte da Administração Tributária pelo decurso do período de tempo estabelecido pela Lei; O prazo de prescrição é de 10 anos e começa-se a contar a partir da data da notificação da liquidação, salvo disposição legal em contrário. A prescrição é sempre de conhecimento oficioso do Tribunal, da Repartição Fiscal competente ou serviço local equiparado, para promover o processo de execução fiscal; A contagem do prazo de prescrição suspende- se com a citação, a reclamação, a impugnação e o recurso contencioso de qualquer acto administrativo de que a liquidação dependa, bem como a suspensão do processo de execução fiscal por motivo da sua apensação ao processo de falência ou insolvência c) - A COMPENSAÇÃO É um meio de extinção da obrigação com bens que o devedor tem no património do credor, desobrigando-se o devedor até a importância do seu crédito. A compensação equivale a um pagamento simultâneo. Para efectivar-se a compensação da obrigação fiscal é necessário, como requisito fundamental, que a obrigação do sujeito passivo do Imposto e o seu crédito sobre o Estado respeitem o Imposto da mesma espécie. O direito a compensação pertence ao Estado e ao Contribuinte. Para exigir o direito de compensação o Contribuinte deve ser portador do Título de Anulação. d) - A CONFUSÃO Há confusão quando se reúnem na mesma pessoa as qualidades de credor e de devedor da obrigação, extinguindo-se na consequência, a dívida. O caso é típico da confusão é o que se verifica quando o Estado sucede ao Contribuinte, a título de herdeiro testamentário legítimo, nos termos do Artigo 2152a do Código Civil. 5.4 - DAS GARANTIAS GERAIS DO CONTRIBUINTE Nos termos do Artigo 6° do Código Geral Tributário, constituem garantias gerais do Contribuinte os seguintes: a)- Não pagar Impostos que não tenham sido legalmente criados. b)- Não ser a mesma Matéria colectável tributada mais de uma vez, em relação ao 62 mesmo período, pelo mesmo Imposto. c)- Recorrer da fixação da Matéria Colectável fixada pela administração fiscal quando o Contribuinte entende ter havido preterição das formalidades legais. d)- Reclamar contra a liquidação dos Impostos. e)- Ser informado sobre a sua concreta situação fiscal. Os grandes princípios orientadores da administração fiscal são, por um lado, a autoridade do Estado e, por outro, a garantia e liberdade dos direitos do Contribuinte. A autoridade é atribuída ao Estado para poder definir os direitos e lhes dar a necessária efectivação. A liberdade para o Contribuinte consiste em poder intervir no processo tributário, em fazer ouvir a sua voz e não sofrer entraves por motivos fiscais, no exercício da sua actividade económica. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA: - Introdução ao Direito fiscal - Carlos Santos (Lisboa-1992) - Direito tributário - Gonçalves Nunes (S. Paulo - Brasil-l 985) - Código Geral Tributário - A. Silva e Sousa (Luanda - 1969) - Código Civil PERGUNTAS DE CONTROLO 1) - Qual é o domínio de aplicação da relação jurídico-fiscal? 2) - Quem é o sujeito activo da relação jurídico-fiscal? Justifique a tua resposta, 3) - Quais são as particularidades dos sujeitos passivos da relação jurídico-fiscal? 4) - As sociedades comerciais não regulares podem ser da relação jurídico-fiscal? Jutistique a tua resposta. 5) - Como pode ser transmitida a responsabilidade do pagamento das dívidas fiscais? 63 6) - Enumere os elementos que compõem a relação jurídico-fiscal. 7) - O que são privilégios creditóríos? Caracteriza-os. 8) - O que é a garantia da relação jurídico fiscal? 9)- O que é o direito de regresso? 10)- O que é a hipoteca? 11)- Enumere as garantias especiais da relação jurídico-fiscal. 12)- Como pode ser extinta uma relação jurídico-fiscal? 13)- O que é a confusão? 14)- Numa relação jurídico-fiscal quando é que se verifica a confusão? 15)- O que é a compensação? 16)- O que entende por prescrição? 17)- Qual é o período de prescrição para liquidação dos Impostos e para o seu pagamento? 18)- Desenvolva o tema: " A prescrição e o princípio da legalidade tributária" 19)- Enumere os direitos dos sujeitos passivos da relação jurídico-fiscal. 20)- Discorra sobre o tema: "A autoridadedo Estado e a garantia dos direitos do cidadão .- Contribuinte ". 64 65 TEMA VI - O SISTEMA FISCAL ANGOLANO E A REFORMA FISCAL 6.1) - GENERALIDADES Chama-se sistema fiscal ao conjunto dos Impostos vigentes num determinado País e aos órgãos do Estado que têm a função de administrar estes Impostos. A estrutura e o funcionamento do sistema fiscal angolano resultam da conjugação de vários factores sendo uns de natureza económica e outros de natureza política e jurídica dos quais se destacam os seguintes: a) - A ESTRUTURA ECONÓMICA A exemplo do que sucede com muitos Países africanos, Angola possui muitas características do subdesenvolvimento. A sua economia assenta fundamentalmente nas actividades de produção e exploração de recursos naturais não renováveis, nomeadamente, do petróleo e dos diamantes. A exploração destes recursos exige conhecimentos (know-How) e tecnologia provenientes do estrangeiro sendo dominada por Empresas Multinacionais. O preço destes produtos no mercado internacional está sujeito à constantes flutuações. Tudo isso faz com que a economia de Angola esteja fortemente dependente destas matérias-primas e, consequentes, do exterior. A produção agrícola é praticada em moldes tradicionais com carácter de subsistência. A indústria transformadora é incipiente e está praticamente destruída. O comércio e a prestação de serviços á população dependem dos produtos importados do exterior. O sector actividades informal (mercado paralelo) é muito significativo ocupando uma grande percentagem da população economicamente activa. O nível de rendimento médio por habitante é baixo. Existem desequilíbrios económicos e sociais profundos traduzidos na pobreza generalizada, desemprego, desnutrição infracção, altas taxas de mortalidade infantil, etc. Sendo assim, facilmente se pode depreender as características do sistema fiscal angolano, destacando-se as seguintes: a) Predominância das receitas do petróleo e dos diamantes que, por sua vez, são instáveis dadas a sua dependência do mercado internacional e à outras contingências internas; 66 b) Dificuldades na tributação dos rendimentos reais das actividades industriais, comerciais, etc, c) Uma base tributária estreita, situação agravada com a existência de muitas actividades Informais (comércio) realizadas à margem do fisco; d) Grande importância das receitas aduaneiras (Alfândegas). Estas receitas, porém, não apresentam o nível arrecadação desejado pela fraca organização dos serviços e existências de altos índices de evasão e fraude fiscais; e) Fraca importância dos impostos sobre o património, sendo a tributação das despesas (consumo) feita sob o forma de accises. b) - O REGIME COLONIAL O regime colonial vigente até 1975 moldou o sistema fiscal angolano aos interesses económicos e políticos de Portugal. O quadro jurídico - tributário de Angola assentava nas adaptações das reformas fiscais havidos em Portugal entre 1929 a 1970. Este regime tributário estava por conseguinte desajustado com a realidade económica e social de Angola. Apesar disso, a administração fiscal em Angola no período colonial apresentava uma organização satisfatória com funcionários especializados e privilegiados o que permitia obter uma boa produtividade na cobrança e arrecadação das receitas do estado. C) - O PERÍODO PÓS - INDEPENDÊNCIA Com a independência do país, alcançada a 11 de Novembro de 1975 e opção política então adoptada, houve um corte radical com o sistema tributário do período colonial. A progressiva socialização e estatização da economia tornou inadequada a fiscalidade existente e muitos diplomas legais caíram em desuso. A filosofia de receita passou a nortear-se pelo princípio de que os lucros das empresas do estado eram a principal fonte se receitas do estado. Sendo assim, Impostos foram 67 sendo relegados para um plano secundário e os órgãos da administração fiscal ficaram desarticulados e esvaziados dos seus melhores quadros. A excepção das receitas tributárias do sector dos Petróleos, registaram-se quebras significativas na arrecadação das receitas de Impostos. Na prática, as empresas estatais em vez de gerarem receitas para o Estado, iam buscar financiamentos do OGE para sobreviverem pois da sua O OGE começou a ter déficit sucessivos. A partir de 1985/86, face aos sucessivos deficits orçamentais, o Governo começou a implementar vários programas de recuperação económica (iniciados com o SEF- Programa de saneamento económico e financeiro) que apontavam para a necessidade de se fazer uma reforma do sistema fiscal angolano no sentido de se incrementar as receitas de impostos não dependentes do sector do petróleo cujas principais acções são as seguintes: a) Reformulação ou reajustamento da Legislação tributária. Porquê? b) Recrutamento e formação de pessoal de nível médio e superior para a administração fiscal. c) Reorganização e modernização dos órgãos da administração fiscal, prioridade para a Província de Luanda. Porquê? Em 1991/92, em colaboração com alguns organismos internacionais, foram iniciadas as primeiras acções para a reforma do sistema fiscal angolano. Os princípios fundamentais da fiscalidade angolana foram consagrados na Lei constitucional (Artº 102) em vigor. No regime geral de tributação, podemos dividir o período pós- independência em três fases: fase pré-Reforma Fiscal, fase da Reforma Fiscal e fase – pós- Reforma Fiscal. A fase pré-Reforma Fiscal – entre 1975 – 2010 – compreende o período durante o qual se procedeu a algumas alterações nos Diplomas Legislativos Fiscais produzidos antes da Independência. A fase da Reforma Fiscal – período de 5 anos, contando a partir de 18 de Junho de 2010 – foi caracterizada pela aprovação do Decreto Presidencial nº 155/10, de 28 de 68 Julho (Projecto Executivo para a Reforma Tributária) e do Decreto Presidencial n.º 50/11, de 15 de Março ( Linhas Gerais do Executivo para a Reforma Tributária), que permitiram a aprovação e alterações de fundo de uma serie de Diplomas Fiscais. A fase pós – Reforma Fiscal caracteriza-se pela entrada em vigor do novo Código Geral Tributário (Decreto Legislativo Presidencial n.º 21/14, de 22 de Outubro) e, consequentemente, a publicação de vários diplomas legais do âmbito fiscal. Esta fase caracteriza-se igualmente pela reestruturação e modernização da Administração Tributária, nas suas múltiplas vertentes, pela fusão da Direcção Nacional de Impostos, do Serviço Nacional das Alfandegas e do Projecto Executivo para a Reforma Tributária num ente jurídico único, designado por Administração Geral Tributária; pela tomada de posse dos Membros da Ordem dos Contabilistas de Angola e pelo processo de inscrição dos técnicos nesta mesma Ordem, bem como o seu funcionamento em pleno. No regime especial de tributação, no que diz respeito especificamente à indústria mineira, a fase de Reforma Fiscal começou com a aprovação, em 2011, da Lei n.º 31/11 – Código Mineiro. Antes da entrada em vigor da lei atrás citada, a actividade mineira era regulada com base num conjunto de diplomas avulsos, destacando-se os seguintes: Lei n.º 1/92, de 17 de Janeiro, das Actividades Geológicas e Mineiras; Lei n.º 12 – B/96, de 24 de Maio, sobre o Regime Aduaneiro aplicável ao sector mineiro; Decreto- lei n.º 4 – B/96, de 31 de Maio, Regime Fiscal para a indústria mineira, etc. Na industria petrolífera, a Reforma Fiscal começou em 2004, com a aprovação da Lei n.º 10/04, de 12 de Novembro – Lei das Actividades Petrolíferas, e da Lei n.º 13/04, de 24 de Dezembro - Tributação das Actividades Petrolíferas. Antes da entrada em vigor da Lei n.º 10/04, de 12 de Novembro, a actividade petrolífera era regulada com base nos seguintes diplomas: Decreto n.º 41356, de 11 de Novembro de 1957– Imposto de Produção de Petróleo. 69 Decreto n.º 41357, de 11 de Novembro de 1957 – Imposto de Rendimento de Petróleo. 6.2) - OS ÓRGÃOS DA ADMINISTRAÇÃO FISCAL Entende-se por administração fiscal aos órgãos do Estado que têm como função a promoção e execução da política fiscal (tributária) do Estado. O órgão da administração fiscal angolana depende do Ministério das Finanças e este órgão denomina-se Administração Geral Tributária (AGT). A Administração Geral Tributária é o órgão executivo do Ministério das Finanças a quem compete propor e executar a política fiscal do Estado. São atribuições da AGT: Prever, acompanhar, fiscalizar e avaliar a arrecadação de receitas do OGE; Arrolar, dimensionar e controlar todas as fontes de Impostos, realizando e mantendo actualizado o Registo Geral de Contribuintes (RGC); Fiscalizar o cumprimento das normas tributárias; Propor a criação, modificação ou extinção de Impostos Ao órgão central cabe planear, dirigir e controlar as actividades tributárias a nível do País e compreende as seguintes áreas funcionais especializadas na elaboração das normas tributárias, registos e estatísticas fiscais, arrecadação de receitas, fiscalização de Impostos e regimes especiais. Nas provinciais existem as delegações provinciais do Ministério das finanças que integram a sua estrutura orgânica um delegado que supervisiona as actividades tributárias da respectiva província sob a coordenação metodológica da AGT. A nível local (município) existem as repartições de finanças que levam a cabo na prática, a execução das actividades tributárias e que se relacionam directamente com os Contribuintes, Uma repartição de Finanças pode ter sob sua jurisdição um ou vários municípios ou seja numa província, pode ter várias repartições de finanças ou apenas uma repartição que atendem todos os Contribuintes. 70 Na província de Luanda, por exemplo existem seis Repartições de Finanças, a saber: Repartição Fiscal de Viana, 1ª Repartição Fiscal, 2ª Repartição Fiscal, 3 ª Repartição Fiscal, Repartição Fiscal do Cacuaco, Repartição dos Grandes Contribuintes. 6.3) -OS IMPOSTOS DO SISTEMA FISCAL ANGOLANO Angola tem um sistema tributário do tipo cedular que se caracteriza pela existência de vários Impostos directos e indirectos, tributário os rendimentos a medida que são gerados ou postos a disposição do seu destinatário ou ainda a quando da sua utilização. No Sistema Fiscal Angolano, a tributação incide sobre: I) - Impostos sobre o Rendimento; II) - Impostos sobre o Património III) - Impostos sobre a Consumo e Despesa IV) – Actividade mineira V) – Actividade petrolifera I) - IMPOSTOS SOBRE O RENDIMENTO A tributação do rendimento está dividida em: Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Singulares, Imposto sobre Rendimento de Pessoas Colectivas e Imposto sobre a Aplicação de Capitais. Os Impostos sobre o rendimento são os seguintes: a) - Imposto sobre os rendimentos de trabalho b) - Imposto Industrial c) - Imposto sobre Aplicação de Capitais II) - IMPOSTOS SOBRE O PATRIMÓNIO 71 A tributação do património está dividida em Imposto Predial, Imposto das Sucessões e Doações e Sisa sobre as Transmissões de Imobiliários por Titulo Oneroso e Impostos sobre Veículos Motorizados (IVM). Recaem sobre as transferências de propriedade, existindo os seguintes: a) - Imposto sobre as Sucessões e Doações- Incide sobre as transmissões bens móveis ou Imóveis, "intevivos", ou " mortis causa", a título gratuito; b)- Sisa-incide sobre a transmissão de bens Imóveis a título oneroso. c) IVM - incide sobre os veículos motorizados, matriculados ou registados, de acordo com a legislação III) - IMPOSTOS SOBRE CONSUMO E DESPESA São impostos indirectos, incidido sobre vários produtos na fase da sua produção ou do seu consumo; sob a forma de ACCISES. III-1 Imposto Sobre o Valor Acrescentado e Imposto Especial de Consumo III-1.1 Imposto Sobre o Valor Acrescentado (Origem, Conceito e Características) Origem O IVA foi criado em França em 1954, por Maurice Lauré por ocasião de uma reforma fiscal levada a cabo em França. Conceito “O IVA é um imposto Indirecto que tributa o valor acrescentado nas transmissões de bens e prestações de serviço”. EXEMPLO: Transmissão a titulo oneroso Aquisição de um bem 72 Preço de Compra – AKZ 750 Preço de venda – AKZ 900 Apuramento do valor acrescentado (preço de venda – preço de compra) Valor Acrescentado – AKZ 150 Características Indirecto; São impostos que tributam manifestações de capacidade contributiva que se evidenciam através de aquisições de bens e serviços Plurifásico: Tributa todas as fases do circuito económico mas sem efeito cumulativo, sendo que o seu pagamento é faccionado por todos intervenientes da cadeia transaccional Geralidade: Incide sobre a generalidade das transmissões de bens, serviços e a importação Neutralidade: É neutro porque é baseado no método subtractivo e do crédito do imposto, assegurando o reembolso do crédito Princípio do destino: A tributação é feita no país de destino onde o bem ou serviço será consumido, evitando-se a dupla tributação e promove a competitividade dos bens e serviços no mercado internacional Limiar: Definição do volume de negócio ou importação, que define quem é abrangido pelos regimes de tributaçãoem sede do IVA IVA tipo consumo: As transmissões de bens e serviços de sujeitos passivos que estejam abaixo do limiar, o IVA funcionará como um imposto monofásico (com efeito cascata) Regimes do IVA Preço de Compra AKZ 750 Preço de Venda AKZ 900 73 Regime Geral Estão enquadrados neste regime todos os contribuintes cadastrados na Repartição Fiscal dos Grandes Contribuintes, bem como aqueles que voluntariamente solicitem a sua adesão a este regime, desde que verificados os requisitos previstos no artigo 62.º do Código do Imposto Sobre o Valor Acrescentado; Volume de negócios ou operações de importação igual ou superior a Kz.: 350.000.000,00 (nos 12 meses anteriores); Todos aqueles, nele já enquadrados; Adesão facultativa (contribuintes com o volume inferior ao acima citado). Os contribuintes do sector industrial devem obrigatoriamente estar neste regime independentemente do volume de negócio Os sujeitos passivos deste regime, que praticam operações isentas estão obrigados, relativamente a estas operações, ao pagamento do Imposto de Selo sobre o recibo de quitação à taxa de 7%, referente à verba 23.3. Regime Simplificado Volume de negócios ou operações de importação igual ou inferior a Kz.: 350.000.000,00 (nos 12 meses anteriores); Apuramento do imposto devido mensalmente; Taxa de 7% sobre o valor efectivamente recebido de operações não isentas, incluindo os adiantamentos ou pagamento antecipados; Direito à dedução de 7% do total do imposto suportado; Na aquisição de serviços a prestadores não residentes, liquidam o imposto à taxa de 7% sobre o valor do serviço efectivamente pago. Os sujeitos passivos deste regime, que praticam operações isentas estão obrigados, relativamente a estas operações, ao pagamento do Imposto de Selo sobre o recibo de quitação à taxa de 7%, referente à verba 23.3. Os contribuintes do imposto industrial enquadrados no regime simplificado, devem lá permanecer desde que o seu volume de negócio não supere os USD 250 Mil; Regime de Exclusão Estão enquadrados neste regime todos os contribuintes que possuem um Volume de negócios ou operações de importação inferior a Kz.: 10.000.000,00; Sem qualquer obrigação em sede de IVA. Nota: - Os contribuintes do imposto industrial enquadrados no regime simplificado, devem lá permanecer desde que o seu volume de negocio não ascenda os USD 250 Mil; Todos contribuintes devem fazer a actualização do cadastro independentemente do seu enquadramentoem IVA ou volume de negócio; Será alterado o regulamento do CIVA para ajustar as regras contabilísticas do IVA; 74 Ficam dispensadas do procedimento de despacho e do pagamento dos direitos aduaneiros, e a taxa devida pela prestação de serviços as mercadorias expedidas pelos correios por intermédio de operadores de correio ou carga expresso, ou contidas na bagagem pessoal dos viajantes, desde que reúnam os requisitos do conceito de bens de uso pessoal, transportadas em quantidades reduzidas e que não excedam por remessa ou por viajante o valor de Kz. 880 000,00 (oitocentos e oitenta mil Kwanzas). TAXA 1. A taxa do imposto é de 14% (catorze por cento) 2. A taxa do imposto de 2% (dois por cento) na importação e operações internas (Regime Especial de Cabinda) 3. A taxa do imposto de 5% (cinco por cento) para alguns meios agricólas na importação e operações internas (Lei do OGE 2020 Revisto) INCIDÊNCIA Estão sujeitas a imposto sobre o valor acrescentado: a) As transmissões de bens e as prestações de serviços efectuadas no território nacional, a título oneroso por um sujeito passivo agindo nessa qualidade; b) As importações de bens. 2. A transmissão de bens ou a prestação de serviços, acessória a outra transmissão de bens ou prestação de serviços considera-se parte integral da mesma. PRAZOS (Apuramento e pagamento do imposto) Os sujeitos passivos referidos no número 1 do artigo 4.º, que não optem pelo regime geral, procedem ao pagamento do imposto trimestralmente nos meses de Abril, Julho, Outubro e Janeiro. O imposto a que se refere o número anterior é apurado mediante aplicação da metade da taxa do imposto sobre o valor acrescentado sobre o volume de negócios respeitante aos três meses anteriores, com direito à dedução, até ao limite de 4% do imposto suportado nas suas aquisições de bens e serviços que constem do mapa de fornecedores a que se refere o número 4 do artigo anterior. Para efeitos do disposto no número anterior, o volume de negócios corresponde ao montante efectivamente recebido das vendas efectuadas e ou serviços prestados, com excepção das operações isentas ao abrigo do Código do Imposto Sobre o Valor Acrescentado. Os sujeitos passivos referidos no número 1 submetem uma declaração simplificada, por transmissão electrónica de dados, até ao último dia do mês seguinte àquele a que respeitam as operações dos três meses anteriores. Os sujeitos passivos do regime transitório aplicam as regras de liquidação e pagamento do regime geral de tributação quando adquiram serviços a prestadores não residentes. 75 Os serviços referidos no número anterior correspondem aos efectivamente pagos e sujeitam-se à metade da taxa do imposto sobre o valor acrescentado. Não é concedido reembolso sempre que o montante da dedução a que se refere o número 2 seja superior ao imposto apurado nos termos do presente artigo, caso em que a dedução é efectuada nos períodos de impostos seguintes até ao fim do período transitório, considerando-se definitivo o imposto suportado. CIVA (Pagamento do imposto) Os sujeitos passivos, responsáveis pelo pagamento do imposto nos termos dos números 1 e 2 do artigo anterior, são obrigados a entregar o montante do imposto exigível, através dos meios de pagamento legalmente permitidos, até ao último dia do mês seguinte àquele a que respeitam as operações realizadas no mês anterior. Sempre que se proceda à liquidação do imposto por iniciativa da Administração Geral Tributária, sem prejuízo do disposto no artigo 54.º, é o sujeito passivo imediatamente notificado para efectuar o pagamento do imposto em falta e dos acréscimos legais, no prazo previsto no Código Geral Tributário. A falta de pagamento do imposto e dos acréscimos legais no prazo previsto no número anterior determina a extracção pela Administração Geral Tributária da correspondente certidão de dívida nos termos estabelecidos na legislação aplicável. O imposto devido pelas importações é pago nos serviços aduaneiros competentes no acto do desembaraço alfandegário. O imposto relativo às transmissões de bens resultantes de actos de arrematação, venda judicial ou administrativa, conciliação ou de contratos de transacção é liquidado no momento em que é emitida a notificação para o pagamento. A liquidação é efectuada mediante aplicação da respectiva taxa ao valor tributável, determinado nos termos da alínea e) do número 3 do artigo 17.º. (Pagamento do imposto cativo) As entidades referidas no número 2 artigo 21.º são obrigadas a submeter por transmissão electrónica de dados o anexo da declaração periódica correspondente a tais operações, que gera automaticamente o Documento de Cobrança e a entregar o montante do imposto cativo que consta das facturas ou documentos equivalentes emitidos pelos seus fornecedores de bens e serviços, até ao último dia do mês seguinte às operações cujo imposto foi cativo. O imposto cativo a que se refere o número anterior deve ser entregue na totalidade aos cofres do Estado. 76 As sociedades investidoras petrolíferas apenas são obrigadas a entregar o montante do imposto cativo das operações que não conferem direito à dedução nos termos do artigo 25.º, simultaneamente com a declaração periódica, através dos meios de pagamento legalmente Página 34 de 63 permitidos, no prazo previsto no número 1 do artigo 44.º. Sem prejuízo do disposto no número 2 do artigo 52.º, o imposto cativo pelo Estado e as autarquias locais deve ser transferido para a Conta Única do Tesouro, no momento do pagamento da factura ou documento equivalente. Quando a submissão do anexo a que refere o número 1 ocorra após o decurso do prazo aí referido, as entidades obrigadas a cativar só podem deduzir o imposto na declaração periódica do período subsequente. A inclusão do imposto dedutível nos custos de pesquisa, desenvolvimento, produção e abandono das sociedades investidoras petrolíferas, implica a não-aceitação do imposto como custo fiscalmente aceite em sede do Imposto sobre o Rendimento do Petróleo. SUJEITO (Incidência subjectiva) 1. São sujeitos passivos do imposto: 2. Qualquer pessoa singular, colectiva ou entidade que exerça, de modo independente, actividades económicas, incluindo de produção, de comércio ou de prestação de serviços, profissões liberais, actividades extractivas, agrícola, aquícola, apícola, avícola, pecuária, piscatória e silvícola; 3. As pessoas singulares, colectivas ou entidades que realizem importações de bens nos termos da legislação aduaneira; Página 10 de 63; 4. As pessoas singulares, colectivas ou entidades que mencionem indevidamente o Imposto sobre o Valor Acrescentado em factura ou documento equivalente; 5. As pessoas singulares, colectivas ou entidades, sujeitos passivos do imposto, que sejam adquirentes de serviços a entidades não residentes sem domicílio, sede ou estabelecimento estável no território nacional, nos termos do número 2 do artigo 29.º do presente Código; 6. São ainda sujeitos passivos do imposto: 7. O Estado, as entidades governamentais e outros organismos públicos, incluindo, Institutos Públicos, Autarquias, Instituições públicas de previdência e segurança social, excepto quando atuem dentro dos poderes de autoridade e daí não resultem distorções de concorrência; 8. Os partidos e coligações políticas, os sindicatos e as instituições religiosas legalmente constituídas, na medida em que efectuem operações tributáveis. 9. Não se consideram sujeitos passivos do imposto os assalariados e outras pessoas, na medida em que se encontrem vinculados à entidade patronal por um contrato de trabalho, ou por contrato que, não sendo um contrato de trabalho, estabeleça vínculos de 77 subordinação no que diz respeito às condições de trabalho e de remuneração e à responsabilidade da entidade patronal. PENALIZAÇÕES(Penalizações) 1. A falta ou atraso na submissão eletrónica de qualquer declaração fiscal ou documento electrónico exigível implica, para o infractor, o pagamento de multa de 5.862 UCF por cada infracção, independentemente da entrega do imposto devido e não arrecadado em consequência da transgressão praticada. 2. Caso haja dolo na falta ou atraso na submissão eletrónica de qualquer declaração ou documento, a multa referida no número anterior eleva-se para o dobro. 3. Quando a infracção for regurarizada nos 30 dias imediatos ao fim do prazo legal a multa referida do nº 1 reduz-se pela metade. 4. Presume-se dolosa a falta de submissão de qualquer declaração prevista. 5. A falta de liquidação, liquidação inferior á devida ou liquidação indevida do imposto em facturaou documento equivalente, bem como a falta de entrega , total ou parcial do imposto devido aplica-se o disposto no Código Geral Tributário. 6. Excluem-se do âmbito de aplicação do ponto anterior, o incumprimento do disposto de aplicação do nº 2 do artigo 29ºe no artigo 31º, o qual implica para o infractor multa igual ao dobro do imposto em falta, com o mínimo correspondente a 569 UCFpor cada infracção. Revogações e Derrogacões Com a implementação do Imposto sobre o Valor Acrescentado, prevê-se a Revogação e Isenção de determinados Impostos. 1. Decreto Legislativo Presidencial nº 3-A/14 de 21 de Outubro, que aprova o Regulamento do Código do Imposto de Consumo; 2. O Decreto Legislativo Presidencial n.º 3/18, de 9 de Maio que aprova a Pauta Aduaneira e dos Direitos de Importação e Exportação, apenas na parte respeitante às taxas aplicáveis ao Imposto de Consumo nas operações aduaneiras; 78 3. Toda legislação que contrarie o disposto no presente diploma. Os sujeitos passivos do Imposto sobre o Valor Acrescentado, abrangidos pelo regime geral desse imposto, bem como os abrangidos pelo regime transitório, ficam isentos do Imposto de Selo previsto na verba n.º 23.3 da tabela a que se refere o Decreto Legislativo Presidencial n.º 3/14, de 21 de Outubro, que aprova a Revisão e Republicação do Código do Imposto de Selo. Localização das Operações Tributam-se (em regra) Operações (transmissões de bens, prestações de serviços e importações) realizadas em Angola. Não se tributam (em regra) Operações (transmissões de bens, prestações de serviços e importações) realizadas fora de Angola. Duas situações de destaque 1.ª Inversão do sujeito passivo (reverse charge), que ocorrerá nos casos em que um sujeito passivo com domicílio, sede ou estabelecimento estável no território nacional contrate serviços a um prestador que não tenha domicílio em Angola. Nesse caso, a responsabilidade pela liquidação e pagamento do imposto será do adquirente, quando o prestador não tenha representante. 2.ª Exportação de Serviços situações em que um sujeito passivo do IVA com domicílio, sede ou estabelecimento em Angola, transmista bens ou preste serviços a uma pessoa (singular ou colectiva) sem domicílio, sede ou estabelecimento no território nacional. Nesta situação não haverá lugar a liquidação e pagamento do imposto, porquanto este será tributado, em princípio, fora de Angola. Isenções nas operações internas Bens alimentares; medicamentos para fins profiláticos e terapêuticos; Transmissões de Livros físicos e digitais; Transporte colectivo de passageiros; Operações de intermediação financeira; Operações de seguro e resseguro, de vida; Bens da industria petrolífera; Jogos de fortuna e azar; Locação de imóveis para fins habitacionais com excepção dos serviços de hotelaria e similares; Operações sujeitas a sisa ainda que isentas; 79 Isenções nas operações de importação 1. Isenção nos custos: Importação de moedas, notas e ouro pelo BNA; Importações com o objectivo de acudir calamidades; Importações no âmbito das relações diplomáticas e consulares; Importações no âmbito de tratados e acordos internacionais que Angola seja parte integrante; Bens alimentares; Bens da indústria petrolífera; Reembolso A solicitação do reembolso é feita através da submissão da declaração periódica e dos respectivos anexos (art. 44.º). Ficando o S.P impedido de proceder ao reporte do crédito da declaração do período seguinte, pela respectiva importância, até a comunicação da decisão que recair sobre o pedido. Prazos para a concessão do Reembolso ✓Os reembolsos, quando devidos, devem ser efectuados pela AGT até o final do terceiro mês seguinte ao da apresentação do pedido; ✓Findo este prazo os S.P podem solicitar juros indemnizatórios nos termos do CGT, desde o termo do prazo para o pagamento do reembolso até a data da emissão do respectivo meio de pagamento, quando o atraso for imputado à AGT; ✓A AGT pode suspender o prazo, por um período de 30 dias contados a partir da data da notificação, quando por factos imputáveis ao contribuinte não for possível aferir a legitimidade do reembolso; ✓Findo os 30 dias, sem que o S.P apresente os documentos solicitados nos termos do Regulamento aplicável a AGT procede à anulação ou correcção do crédito. … E os reembolsos quando devidos e confirmados, são concedidos em numerários ou certificado de crédito fiscal a emitir pela Administração Geral Tributária. 80 Método de cálculo Exemplo: Método Indirecto subtractivo, método de dedução do imposto ou método de crédito de imposto ou ainda método das facturas. Admitindo uma taxa do IVA de 14% e um circuito económico com os seguintes intervenientes: Produtor, grossista, retalhistas e consumidor final, sendo que a margem de comercialização é de 50%. 81 III- 1.2- IMPOSTO ESPECIAL DE CONSUMO Previsto na nova Lei n.º 8/19, de 24 de Abril, incide sobre a produção ou importação de bens específicos, nomeadamente bebidas alcoólicas, tabaco e derivados, fogo de artifícios, joalharia, aeronaves, embarcações de recreio, armas de fogo, obras de arte e produtos derivados do petróleo. As taxas do Imposto Especial de Consumo previstas na Lei variam entre 2% e 30%, sendo, por exemplo, de 25% a taxa aplicável a bebidas alcoólicas e 30% produtos de tabaco e de 2% a incidente sobre os produtos derivados do petróleo (com excepção do gasóleo cuja taxa aplicável é de 5%). Os seguintes bens serão sujeitos a Impostos Especiais de Consumo: Nocivos à saúde Tabaco e seus derivados Álcool e bebidas alcoólicas Bebidas adicionadas de açúcar e outros edulcorantes Nocivos ao ambiente Veículos, incluindo os de colecção Produtos derivados do petróleo Considerados supérfluos Artefactos de joalharia e de ourivesaria Objectos de arte, de colecção e antiguidades Fogo de artifício Armas de fogo 82 IV) - IMPOSTOS SOBRE A PRODUÇÃO Existem os seguintes impostos sobre a produção: a) - Impostos sobre a produção das indústrias do petróleo b) - Imposto de produção de Diamantes c) - Imposto de produção de indústrias Pesqueiras d) - Imposto de produção de outros produtos em regime Especial e) - Imposto de produção de produtos Diversos 6.4) – Calendário Fiscal Angolano Em anexo. TEMA VII – IMPOSTOS NA ESPECIALIDADE (Impostos na República de Angola) 7.1 – Imposto Sobre os Rendimentos de Trabalho Em Angola, o Imposto sobre os Rendimentos do Trabalho é regulado pelo Decreto Legislativo Presidencial n.º 28/20, de 22 de Julho – Código do Imposto sobre os Rendimentos do Trabalho. INCIDÊNCIA (SUBJECTIVA E OBJECTIVA) O novo CIRT segmenta os rendimentos de trabalho em grupos de tributação, nomeadamente, Grupo A, B e C Incidência objectiva Grupo A - Todas as remunerações pagas pela entidade patronal aos trabalhadores por conta de outrem, incluindo funcionários públicos; 83 Grupo B - Todas as remunerações pagas aos trabalhadores por conta própria, que desempenham, de forma independente, actividades profissionaisconstantes da tabela de profissões anexa ao Código, bem como os rendimentos percebidos pelos titulares de cargos de gerência e administração ou de órgãos sociais de sociedades. Grupo C - Todos os rendimentos recebidos pelo desempenho de actividades industriais e comerciais, que se presumem todas as constantes na tabela de lucros mínimos em vigor. Incidência Subjectiva Rendimentos de: a) Pessoas singulares b) Com ou sem residência em Angola C) Cujos rendimentos sejam obtidos por serviços prestados a pessoas singulares ou colectivas com domicílio, ou estabelecimento estável em Angola Não sujeição Não constituem matéria colectável do IRT: As prestações sociais pagas pelo Instituto Nacional da Segurança Social, reconhecidas na Legislação de Segurança Social (Subs. de Maternidade, Subs. Aleitamento, Subsídio de Funeral, Abono de Família etc.); O abono de família, pago pela entidade empregadora, em montante que não ultrapasse o limite máximo de 5% do ordenado base do trabalhador, excluídos os trabalhadores sujeitos ao regime remuneratório da função pública; Às contribuições para à segurança social; Atribuídos por lei aos cidadãos nacionais portadores de deficiências motores, sensoriais e mentais; O reembolso de despesas incorridas pelos trabalhadores dependentes, quando deslocados ao serviço da entidade patronal, desde que estas despesas se encontrem devidamente documentadas nos termos do CII e legislação complementar (al. l); 84 Salãrio e outras remunerações devidas, até ao limite de Akz: 100.0000 aos trabalhadores eventuais agrícolas nacionais e os trabalhadores domésticos contratados directamente por pessoas singulares ou agregados familiares e inscritos na segurança social; Rendimentos Isentos Os rendimentos auferidos por pessoal estrangeiro ao serviço de organizações internacionais, nos termos estabelecidos por órgãos competentes do Estado; Os rendimentos auferidos pessoal estrangeiro ao serviço de organizações não governamentais, nos termos estabelecidos e prévio aviso por escrito da Administração Geral do Trabalho; Deficientes físicos e mutilados de guerra: Cujo grau de invalidez ou incapacidade seja igual ou superior a 50%, comprovada por documentação emitida por autoridade competente. Antigos combatentes, deficientes de guerra: Antigos combatentes, deficientes de guerra 7.1.1 – Imposto sobre os Rendimentos do Trabalho por Conta Própria (GRUPO B) Com base na interpretação da letra da lei, o artigo 1º estabelece que o Imposto sobre os Rendimentos do Trabalho por conta própria incide sobre os rendimentos por conta própria, expressos em dinheiro ou espécie , de natureza contratual ou não, periódicos ou ocasionais, fixos ou variáveis, independentemente da sua proveniência. O Imposto sobre os Rendimentos do Trabalho por conta própria é aplicável sem diferenciação de tratamento dos profissionais nacionais ou estrangeiros. Exemplo 1: O Sr.º Mendonça Joaquim, fiscalista de profissão, prestou serviços de consultoria fiscal à empresa Nobel, Lda., tendo sido acordado o valor de 40.000,00 kwanzas como contraprestação. 7.1.1.2 - Determinação da Matéria Colectável A Matéria Colectável (MC) no Imposto sobre os Rendimentos do Trabalho por conta própria corresponde a: 85 MC = Avença Bruta Onde: Avença Bruta compreende o valor acordado pela entidade contratante e o contratado. 7.1.1.3 – Taxas A taxa do Imposto sobre os Rendimentos do Trabalho por conta própria é de 6,5%, conforme previsto no n.º 2 do artigo 16.º. A taxa acima combinada com as disposições previstas no n.º 2 do artigo 16.º e alínea a) do n.º 1 do artigo 8.º, após cálculos aritméticos é de 6,5%, conforme a demonstração abaixo: A taxa é de 6,5%. 7.1.1.4 – Cálculo do Imposto ou Liquidação IRT por conta própria = MC x Taxa O Imposto a pagar no Exemplo 1 é o seguinte: IRT = 40.000,00 x 6,5% IRT = 2.600,00 kwanzas 7.1.1.5 – Cobrança ou Pagamento O sujeito passivo é o avençado ou contratado, sendo a entidade empregadora o contribuinte de direito e o contratado o contribuinte de facto. É efectuada pelo contribuinte que auferiu o rendimento até ao final do mês de entrega da declaração anual de rendimentos, podendo deduzir à colecta do imposto, as retenções na fonte feitas pela entidade pagadora (autoliquidação). É efectuada pelo contribuinte que auferiu o rendimento até ao final do mês de entrega da declaração anual de rendimentos, podendo deduzir à colecta do imposto, as retenções na fonte feitas pela entidade pagadora (autoliquidação). 7.1.2 – Imposto sobre os Rendimentos do Trabalho por Conta de Outrém ( GRUPO A) 86 7.1.2.1 – Incidência Com base na interpretação da letra da lei, o artigo 1.º estabelece que o Imposto sobre os Rendimentos do Trabalho por conta de outrem incide sobre os rendimentos expressos em dinheiro ou espécie, de natureza contratual ou não, periódicos ou ocasionais , fixos ou variáveis, independentemente da sua proveniência. Exemplo 1: O Sr. º Brito Cerqueira, funcionário da empresa Nobel, Lda., na categoria de Técnico Assistente de Contabilidade, recebe um salário base de 78.000,00 kwanzas. No Exemplo, o facto gerador de Imposto é a relação jurídica laboral ou o contrato de trabalho entre a entidade patronal e o trabalhador, a incidência é sobre o salário ou vencimento. 7.1.2.2 – Determinação da Matéria Colectável A Matéria Colectável (MC) no Imposto sobre os Rendimentos do Trabalho por conta de outrem é obtida através da seguinte fórmula: MC = Salário Base (SB) + Subsidio Tributável em IRT(ST) – Imposto parafiscal Onde: 87 Imposto parafiscal é a contribuição para a Segurança Social (SS). No Exemplo 1, temos: SS = SB x 3%, conforme o n.º 3 do artigo 15.º do Decreto n.º 227/18 SS = 78.000,00 x 3% →2.340,00 kwanzas MC = 78.000,00 – 2.340,00 MC = 75.660,00 kwanzas 7.1.2.3 – Taxas As taxas do Imposto sobre os Rendimentos do Trabalho por conta de outrem são progressivas, de ajuste periódico, variam com as flutuações económicas e custos de vida dos contribuintes, conforme a interpretação da letra da lei da alínea r) do artigo 16.º do Código em referência. No exemplo 1, a taxa é de 10%. 7.1.2.4 – Cálculo do Imposto ou Liquidação A liquidação do imposto devido pela atribuição de rendimentos do Grupo A é efectuada pela entidade responsável pelo pagamento destes rendimentos (entidade empregadora), mensalmente, após efectuar as deduções legais, aplicando ao valor apurado o disposto na tabela de taxa sobre o IRT anexa ao Código e preenchimento do Documento de Liquidação de Imposto (Retenção na fonte). O Imposto sobre os Rendimentos do Trabalho (IRT) por conta de outrem é obtido através da seguinte fórmula: IRT = Parcela fixa + (MC – Limite) x Taxa Devemos sempre consultar a tabela para ver o intervalo em que a MC se inclui. No exemplo 1, temos: Intervalo da MC situa-se entre 70.001,00 a 100.000,00 IRT = 3.000,00 + (75.660,00-70.000,00) x 10% → 3.566,00 kwanzas 88 7.1.2.5 – Cobrança ou Pagamento No caso do Imposto sobre os Rendimentos do Trabalho por conta de outrem, o trabalhador é o sujeito passivo e o contribuinte de facto e o empregador é o contribuinte de direito, conforme a interpretação do n.º 1 do artigo 10.º do Código em referência. O imposto devido pela atribuição de rendimentos do Grupo A deverá ser entregue pela entidade empregadora, até ao final do mês seguinte ao do respectivo pagamento, na repartição fiscal competente sobre a área em que o trabalhador se encontra a desempenhar a prestação de trabalho. 7.1.3 – Imposto sobre os Rendimentos do Trabalho por Conta de Outrem ( GRUPO C) Quanto aos rendimentos resultantes da pratica de actos de comércio ou desempenho de actividade industrial, o rendimento colectável é o constante na Tabela de Lucros Mínimos em vigor; Quando o volume de facturação exceda quatrovezes o valor máximo correspondente à sua actividade, de acordo com Tabela dos Lucros Mínimos, a matéria colectável corresponde ao volume total de vendas de bens e serviços não sujeitos a retenção na fonte em sede do Imposto Industrial. 7.1.3.1 – Taxas Quanto aos rendimentos sujeitos a retenção na fonte, nos termos do Código do Imposto Industrial, a taxa é de 6,5% (retenção na fonte) Quanto aos rendimentos resultantes da prática de actividades industriais ou comerciais, o rendimento colectável é o constante na Tabela de Lucros Mínimos em vigor, a taxa de 30%. Quando o volume de facturação exceda quatro vezes o valor máximo correspondente a sua actividade na Tabela dos Lucros Mínimos, a matéria colectável corresponde ao volume total de vendas de bens e serviços não sujeitos a retenção na fonte em sede do Imposto Industrial, a taxa é de 6,5%. 89 7.1.3.2 – Cálculo do Imposto ou Liquidação É efectuada pela entidade pagadora desses rendimentos quanto se tratar de pessoa colectiva ou singular que disponha de contabilidade organizada até ao final do mês seguinte ao do pagamento (retenção na fonte) É efectuada pelo contribuinte através da aplicação da Tabela de Lucros Mínimos ou com base nos rendimentos obtidos (volume de facturação), quando o valor exceda quatro vezes o limite máximo da actividade, de acordo com Tabela dos Lucros Mínimos. (autoliquidação) 7.1.3.3 – Cobrança ou Pagamento Quanto aos rendimentos pagos por pessoas colectivas ou singulares com contabilidade organizada, por estas, até ao final do mês seguinte ao do pagamento; Pelo titular desses rendimentos, até ao final do mês de Fevereiro. PENALIDADES A falta, inexactidão das várias declarações previstas no CIRT, bem como as omissões nelas praticadas são punidas com multa nos termos do Código Geral Tributário Os atrasos superiores a 30 dias na escrituração dos registos, são punidos com multa a apurar nos termos do Código Geral Tributário no valor mínimo de Kz 50.000. Verificado o atraso, e independentemente do procedimento para a aplicação da multa, a Repartição Fiscal manda notificar o transgressor para regularizar a sua escrita dentro do prazo de 30 dias, com a cominação de que não o fazendo ficará ainda sujeito as multa de Kz 100.000. As entidades responsáveis pela entrega da declarações Modelo 2, quando não apresentarem, nos prazos definidos no código, são punidos com a pena de multa de Kz 4.000, por cada nome. 90 As entidades obrigadas à retenção de imposto na fonte que não cumpram essa obrigação são punidas com multa nos termos do Código Geral Tributário, não podendo ser inferior a Kz 50.000 A falta de entrega do imposto, ou a entrega de quantia inferior à descontada é punida com multa igual ao dobro do quantitativo do imposto em falta, sem prejuízo de procedimento criminal se se presumir a existência de crime (normalmente trata-se de crime de “abuso de confiança”, sem prejuízo de poder preencher também os elementos da “fraude fiscal”) 7.2 – Imposto Industrial (Lei n.° 26/20 de 20 de Julho) INCIDÊNCIA (SOBRE O QUÊ?) O Imposto Industrial (II) incide sobre os lucros obtidos no exercício de qualquer actividade de natureza comercial ou industrial, ainda que acidental. São consideradas sempre de natureza comercial ou industrial as seguintes actividades: Exploração agrícola, aquícola, avícola, silvícola, pecuária e piscatória; Mediação, agência ou representação na realização de contratos de qualquer natureza; Exercício de actividades reguladas pelas entidades de supervisão de seguros e supervisão de jogos, pelo Banco Nacional de Angola e pela Comissão de Mercado de Capitais; Sociedades cujo objecto consista na mera gestão de uma carteira de imóveis, participações sociais ou outros títulos; Fundações, fundos autónomos, cooperativas e associações de beneficência. As pessoas colectivas que tenham sede ou direcção efectiva no estrangeiro e estabelecimento estável no país, serão tributados em imposto industrial: Lucros imputáveis ao estabelecimento estável aqui situado Lucros imputáveis às vendas no país, de mercadorias da mesma natureza das vendidas pelo estabelecimento estável Lucros imputáveis a outras actividades comerciais no país, da mesma natureza, ou de natureza similar, das exercidas pelo estabelecimento estável. As pessoas colectivas que tenham sede ou direcção efectiva no estrangeiro, quando não possuam estabelecimento estável no país, são tributadas em imposto industrial, à taxa liberatória, através do regime de tributação de serviços acidentais. 91 O sistema de tributação tem por base os lucros mundiais, como tal, as pessoas colectivas que tenham sede ou direcção efectiva no país serão tributadas em imposto industrial pela totalidade dos lucros obtidos, quer no país, quer no estrangeiro. SUJEITOS PASSIVOS (SOBRE QUEM?) As sociedades comerciais ou civis sob forma comercial, as cooperativas, fundações, associações, fundos autónomos, empresas públicas e as demais pessoas colectivas de direito público ou privado, com sede ou direcção efectiva em território angolano; Entidades desprovidas de personalidade jurídica, com sede ou direcção efectiva em território Angolano, cujos rendimentos não sejam directamente tributáveis em Imposto Industrial, quer estejam na titularidade de pessoas singulares ou colectivas; Incluindo, as heranças jacentes, as pessoas colectivas em relação às quais seja declarada a invalidade, as associações e sociedades civis sem personalidade jurídica e as sociedades comerciais ou civis sob forma comercial, anteriormente ao registo definitivo; As pessoas colectivas que não tenham, sede ou direcção efectiva em Angola mas que obtenham rendimentos no país. ISENÇÕES E BENEFÍCIOS FISCAIS As isenções e benefícios fiscais resultantes de acordo celebrado com o Estado, ou entidade pública dotada por Lei desse poder, mantêm-se, nos termos da legislação ao abrigo da qual foram concedidas, devendo ser disponibilizado pelo contribuinte sempre que solicitado pelas autoridades. A criação da aparência, perante a administração fiscal ou terceiros, do direito à isenção de imposto ou do direito a benefícios fiscais, constitui infracção sancionada nos termos do Código Geral Tributário e da legislação penal. A requerimento dos interessados, o Titular do Departamento Ministerial que responde pelas Finanças Públicas, mediante parecer da Direcção Nacional de Impostos, pode reconhecer isenção do pagamento do imposto industrial, até cinco anos, à Fundações, Associações e Cooperativas devidamente legalizadas e com estatuto de utilidade pública, sempre que o interesse público o justifique. Ficam isentas do imposto industrial as companhias de navegação marítimas ou aéreas, se, no país da sua nacionalidade, as companhias angolanas de igual objecto social gozarem da mesma prerrogativa. 92 GRUPOS DE TRIBUTAÇÃO 1. Regime Geral São tributados pelo Regime eral os contribuintes cuja matéria colectável é determinada com base na declaração fiscal e demonstrações financeiras, nos termos do CII, do Plano Geral de Contabilidade, Planos de Contas das Instituições Financeiras e Seguradoras, do Plano de Contas dos Organismos de Investimento Colectivo, das Sociedades Gestoras e outros estabelecidos por legislação própria. 2. Regime Simplificado O presente regime aplica-se aos contribuintes sujeitos ao Imposto Industrial que estejam abrangidos pelo regime de não sujeição do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA). TAXA A taxa geral do Imposto Industrial é de 25% (vinte cinco por cento). Para os rendimentos provenientes de actividades exclusivamente agrícolas, aquícolas, apícolas, avícolas, piscatórias, silvícolas e pecuárias, a taxa única é de 10% (dez por cento). Para os rendimentos provenientes de actividades do sector bancário e de seguros, operadoras Identificar o rendimento bruto de cada categoria. Conhecer as deduções especificas das respectivas categorias. Calcular o rendimento colectável. Determinar o rendimento liquido de cada categoria. Identificar os abatimentos. Identificar as taxas a aplicar. Aplicar o quoficiente conjugal. Determinar a colecta. Reconhecer as deduções a colecta. Identificar as retenções na fonte. Identificar os pagamentos por conta. Reconhecer as obrigações dos contribuintes. Preencher as declarações e respectivos anexos. Resolver situações simuladas. 1. Imposto sobre os rendimentos do trabalho. 2. Isenção. 3. Fiscalização, reclamações e recursos. 4. Matéria colectável 5. Taxas, liquidação e cobranças. Apresentação de um esquema que demonstre o funcionamento do imposto, evidenciando todas as etapas a seguir, desde o rendimento bruto de cada categoria até ao apuramento do imposto. Baseando-se no esquema e apresentando exemplos em que figurem as diferentes categorias de rendimentos, mostrar todo o caminho percorrido, desde o rendimento bruto de cada categoria até à obtenção de rendimento liquido global. A resolução dos exemplos deverá ser acompanhada da consulta dos respectivos artigos do código que lhe dão origem. Após a obtenção do rendimento liquido global, será útil de apresentar os cálculos e a forma de obter o rendimento colectável. Seguir-se-á, como base no esquema apresentado, a apresentação das taxas e a forma de obtenção da colecta tendo em atenção o quoficiente conjugal, com base nos artigos do código. Será altura de apresentar as deduções à colecta e os benefícios fiscais e de proceder ao apuramento do imposto, tendo em conta as retenções na fonte e os pagamentos em conta. Sugere-se que os trabalhos à executar pelos alunos relativos ao apuramento do imposto e ao preenchimento das declarações e anexos, sejam graduados por ordem crescente de dificuldade, de forma a que os alunos possam desenvolver as suas capacidades de pesquisa e interpretação. Quanto à avaliação, recomenda-se a avaliação formativa – os alunos deverão realizar trabalhos por ordem crescente de dificuldade, relativamente ao apuramento do imposto e ao preenchimento das declarações e anexos. Avaliação sumativa – a realizar no final do tema e de acordo com a 8 matéria lecionada. 9 Unidade de Ensino /Aprendizagem 10- IMPOSTO INDUSTRIAL Objectivos Conteúdos Sugestões Metodológicas Identificar as características do imposto, Conhecer o mecanismo de funcionamento do imposto. Conhecer qual a incidência do imposto, Distinguir as principais isenções referidas, justificar a necessidade de periodização do imposto. Proceder ao apuramento do resultado tributável do imposto. Preencher o mapa de apuramento do imposto. Identificar os prazos para envio da declaração, Conhecer as deduções ao lucro líquido e ao lucro tributável. Conhecer as penalidades que estão sujeitos os infractores, Identificar outras obrigações dos contribuintes. Conhecer os regimes especiais. Indicar as formas de fiscalização, Identificar as garantias e penalidades, Caracterizar outros impostos, Conhecer a incidência. Determinar a matéria colectável. Conhecer as taxas a aplicar. Aplicar as taxas. Calcular a colecta. 1. Noção e características. 2. Incidência. 3. Isenções. 4. Apuramento do resultado tributável do grupo A. 5. Apuramento do resultado líquido do exercício. 6. Análise dos custos ou perdas e dos proveitos ou ganhos para efeitos fiscais. 7. Deduções ao lucro líquido e tributável. 8. Taxas, liquidação e cobrança. 9. Fiscalização e penalidades. A partir de conhecimentos adquiridos, na contabilidade, apresentar um modelo que demonstre o funcionamento do imposto industrial para concluir que se trata de um imposto multifásico e não cumulativo, em que os diferentes agentes económicos são responsáveis pela entrega de imposto ao Estado. Demonstrar a incidência do imposto tendo em atenção o resultado antes de imposto apurado de empresa. A partir de documentos de suporte contabilístico apresente- se o valor tributável e as respectivas taxas. Quanto ao apuramento do imposto deverão apresentar-se registos contabilísticos em todas as subcontas necessárias ao preenchimento da declaração periódica. A apresentação da matéria deverá ser feita de forma sucinta. Apresentar os outros impostos fazendo uma breve i resenha relativa às características de cada um, e mostrando o caminho a seguir desde a incidência até à determinação da colecta, Neste tema pretende-se que os alunos completem alguns dos conhecimentos adquiridos aquando da leccionação dos principais impostos existentes em Angola e não abordados na especialidade. j Resolução de trabalhos visando a determinação da colecta relativa aos respectivos impostos. Recursos: Códigos dos respectivos impostos. Relativamente à avaliação, sugere-se; Avaliação formativa através de trabalhos, graduados de acordo com o grau de dificuldades, a realizar pelos alunos individualmente ou em grupo; Avaliação sumativa no final da unidade e contemplando a matéria leccionada, 10 Unidade de Ensino /Aprendizagem 11- OUTROS IMPOSTOS Objectivos Conteúdos Sugestões Metodológicas Identificar as restantes obrigações fiscais dos contribuintes. Conhecer o funcionamento dos restantes impostos. Conhecer a incidência dos restantes impostos. Determinar a matéria colectável. Conhecer as taxas a aplicar. Calcular qual o valor da colecta. Determinar as isenções a que estão sujeitos os restantes impostos. 1. Imposto sobre a Aplicação de Capitais. 2. Imposto de Selo. 3. Regime fiscal para a industria mineira. 4. Regime tributário especial da industria petrolífera. 5. Imposto Predial Urbano. 6. Imposto sobre Sucessões e Doações. 7. Sisa sobre a transmissão de imobiliários por titulo oneroso. Conhecer os outros impostos previstos na lei fiscal, fazendo um breve resumo relativo as características de cada um deles descrevendo o circuito percorrido desde a incidência até a determinação da colecta. Deverão ser apresentados trabalhos relativos a cada um destes impostos e, através de casos práticos determinação da colecta. Para tal, os alunos devem manusear correctamente os respectivos códigos. 11 10 Bibliografia Manual Escolar de Referência LOUSA, Aires; outros - Técnicas de Organização Empresarial, Porto; Porto Editora., 2000. Bibliografia de Apoio BARANGER, P., e outros - Gestão. Lisboa: Edições Sílabo, 1990. BERNARD, Colli - Dicionário Económico e Financeiro. 10 e 20 volumes Lisboa - Publicações D. Quixote, 1998. BRAGA, Armando - Contrato de Compra e Venda. Porto: Porto Editora, 1990. CAIADO, António C. Pires e outro. O encerramento de Contas. Área Editora. CÂMARA, Pedro B. Da - Humanaton - Recursos Humanos e Sucesso Empresarial. Lisboa: Publicações D. Quixote, 1997. CÂMARA, Pedro B. Da - Organização e Desenvolvimento de Empresas. Lisboa: Publicações D. Quixote, 1997. CENTRO, HEC-ISA - Strategor - Política Global da Empresa. Lisboa: Publicações D. Quixote, 1993. CHIAVENATO, I. - Gerenciando Pessoas. Brasil: Dinternal, 1998. CHIAVENATO; I. - Teoria Geral de Administração. Brasil: McGraw-Hill, 1979, FAUSTINO, Manuel. IRS - de reforma em reforma. Áreas Editora. FERREIRA, Lurdes. IRS - Imposto Sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas. Lidei. FIGUEIREDO, Lopes de - Contrato de Sociedade por Quotas. Coimbra: Editora Almedma, 1990. LAMBERT, P. - Planeamento da Empresa. LIMA, Emanuel.de telecomunicações e de empresas petrolíferas angolanas, aplica-se a taxa única de 35% (trina e cinco por cento). A taxa de tributação liberatória incidente sobre serviços acidentais é de 6.5% PRAZO PARA LIQUIDAÇÃO E PAGAMENTO 1. Liquidação e Pagamento Provisório sobre Vendas Os contribuintes do Regime Geral devem proceder à autoliquidação provisória e pagamento do II, mediante a aplicação de uma taxa de 2% (dois por cento), sobre o volume total das vendas dos primeiros seis meses do exercício, devendo ser feito até ao último dia útil do mês de Agosto. 2. Liquidação e Pagamento Definitivo Regime Geral de Tributação: Até ao último dia útil do mês de Maio de cada ano; Regime Simplificado de Tributação: Até ao último dia útil do mês de Abril de cada ano. OBRIGAÇÕES DECLARATIVAS 1. Regime Simplificado Os contribuintes sujeitos ao Regime Simplificado de Tributação devem apresentar, anualmente, até ao último dia do mês de Abril, o Modelo de Declaração Simplificada ou o livro de registo de compra e venda e serviços prestados, podendo, a obrigação, ser cumprida na Repartição Fiscal de domicílio ou por via da submissão electrónica, nos termos regulamentares. 93 Os contribuintes do Regime Simplificado de Tributação que submetem electronicamente as suas declarações fiscais passam a deduzir 10% (dez por cento) das suas despesas administrativas relacionadas com a aquisição de aplicativo informático, respectivas licenças e contratação de contabilista. 2. Regime Geral Os contribuintes do Regime Geral de Tributação submetem, electronicamente, nos termos regulamentares, ou apresentam anualmente, até ao último dia útil do mês de Maio, na Repartição Fiscal de Domicílio, a Declaração Modelo 1 em duplicado. A Declaração Modelo 1 deve ser entregue, obrigatoriamente, sob pena da sua não recepção pela Repartição Fiscal, acompanhada da Demonstração de Resultados por Natureza, Demonstração de Fluxo de Caixa, Balanço, Balancete Razão e Balancete Geral Analítico, antes e depois dos lançamentos de rectificação ou regularização e de apuramento dos resultados do exercício e respectivos anexos, devidamente assinados pelo contabilista responsável pela sua elaboração. CESSAÇÃO DE ACTIVIDADE 1. Regime Geral Os contribuintes do Regime Geral de Tributação devem apresentar, em triplicado, no prazo de 60 (sessenta) dias a contar da cessação da sua actividade, a Declaração Modelo 1, entendendo-se que a cessação se verifica na data do encerramento das contas ou, tratando-se de sociedades regularmente constituída com sede ou direcção efectiva no país, na data da aprovação das contas do liquidatário ou administrador. 2. Regime Simplificado No caso de cessação total do exercício da actividade, devem os contribuintes sujeitos ao regime simplificado de Tributação apresentar, no prazo de 30 (trinta) dias, a Modelo de Declaração Simplificada ou o Livro de Registo de Compra e Venda e Serviços Prestados. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS São obrigações acessórias dos contribuintes: Conservação da escrita por um período de cinco anos; Documentação de todos proveitos ou ganhos e os custos ou perdas. PENALIZAÇÕES/MULTAS Penalizações e Multas 01 94 Penalizações e Multas 02 95 7.3 – A SISA sobre transmissões imobiliárias a titulo oneroso INCIDÊNCIA (SOBRE O QUÊ?) O imposto de Sisa pode incidir sobre: Transmissões de propriedade ou de qualquer direito constituído a título oneroso sobre os bens imobiliários. Promessas de compra e venda logo que verificada a tradição. Arrendamentos de longo prazo (superiores a 20 anos). Entradas em espécie para o capital social de sociedades. Aquisição de 75% ou mais em sociedades por quotas, em nome colectivo ou em comandita simples. 96 Nos contratos de locação com a cláusula vinculativa para ambas as partes de que o imóvel, objecto do contrato, passará a ser propriedade do arrendatário depois de satisfeitas todas as rendas pactuadas. Salvo determinadas excepções, o imposto é devido pelo adquirente. SUJEITOS PASSIVOS (SOBRE QUEM?) O sujeito passivo das Sisa é o adquirente dos bens. ENCARGO DO IMPOSTO O encargo recai sobre o adquirente do bem. ISENÇÕES Beneficiam de isenção as seguintes entidades: O Estado, institutos públicos e associações que gozem do estatuto de utilidade pública; Estados estrangeiros, quanto aos imóveis destinados às respectivas representações diplomáticas ou consulares, quando haja reciprocidade;* Instituições religiosas legalizadas, quanto aos imóveis destinados exclusivamente ao culto;* Os imóveis com valor inferior a 78000 UCF para efeitos de liquidação de Sisa, desde que, afectos à habitação própria e permanente do adquirente porém, somente na primeira transmissão. Este imposto incide sobre a transmissão gratuita dos bens mobiliários e imobiliários localizados ou transferidos em Angola (*mediante requerimento) TAXA A taxa de imposto de Sisa é de 2%. Isenções 97 Certas entidades e transacções beneficiam de isenção. Aquisições efectuadas pelo cônjuge, ascendentes e descendentes ficam isentas caso o respectivo valor não exceda AKZ 500.000. OBRIGAÇÕES DECLARATIVAS Apresentação do Modelo 1 (grupo A), Modelo 2 (grupo B), Modelo 4 (grupo C); Prestação de informação sempre que: Cessar e reinício da actividade; Mudança de domicílio ou sede; Mudança de contabilista ou perito contabilista Obrigações acessórias. Conservação da escrita; Documentar todos proveitos ou ganhos e os custos ou perdas. LIQUIDAÇÃO O processo de liquidação da sisa compete a Repartição Fiscal onde estiver situado o bem. O pagamento deve pagamento serão sempre efectuados por aquele que para quem passarem os bens. PAGAMENTO O pagamento, em regra, é efectuado antes de celebrado o acto que as opera. PENALIDADES Não pagamento do imposto : multa igual a 50% do valor do imposto (CGT artigo 75º) Se efectuar o pagamento 30 dias seguintes ao termo do prazo: Multa será reduzida a metade (CGT artigo 75º) Juros de mora à taxa de 2,5% ao mês (CGT artigo 50º) 98 7.4 – O Imposto Predial Incidência Objectiva O Imposto Predial (IP) incide sobre o valor patrimonial ou renda dos prédios urbanos e rústicos e bem assim sobre as transmissões gratuitas ou onerosas de bens imóveis, qualquer que seja o título a que tais transmissões são operadas. • Incidência Subjectiva O Imposto Predial sobre a detenção ou sobre a renda é devido pelo proprietário do prédio ou titular do rendimento, respectivamente; Nos casos de usufruto, direito de superfície, domínio útil e comodato, o Imposto Predial é devido pelo titular do respectivo direito; No caso de propriedade resolúvel, o imposto é devido pelo promitente comprador ou por quem tenha o uso e fruição do prédio; Nas transmissões gratuitas, incluindo as aquisições por usucapião, são sujeitos passivos do imposto os beneficiários dos bens imóveis, bem assim o beneficiário da transmissão do direito a águas, ainda que sob a forma de autorização para as explorar ou para minar em terreno alheio; Nas transmissões onerosas, são sujeitos passivos do imposto os adquirentes dos bens imóveis. • Isenções Beneficiam de isenção as seguintes entidades: O Estado e as Autarquias Locais; Os Estados Estrangeiros, quanto aos imóveis destinados às instalações das respectivas representações diplomáticas ou consulares, quando haja reciprocidade de tratamento; Partidos políticos nos termos da legislação própria; Os institutos públicos e as instituições religiosas legalmente reconhecidas, quanto ao património directo e exclusivamente afecto à realização do seu objecto social ou local de culto; A primeira transmissão onerosa de imóveis com valor igual ou inferior a Akz 3 000 000,00 (três milhões de kwanzas), que sejam afectos à habitação própria e permanente do adquirente; Os prédios rústicos relativamente aos quais sejam observados os critérios de aproveitamento útil e efectivo, nos termos da Lei de Terras e do Regulamento Geral de Concessão de Terrenos, no que respeita à sua detenção; Os prédios rústicos localizados nas zonas rurais com dimensão igual ou inferior a 7 hectares; As terras rurais comunitárias definidas em legislação própria. Estão ainda isentos de IP, mediante reconhecimento da Administração Tributária e a à pedido dos interessados, que devem fazer prova da situação 99 jurídica do imóvel a seu favor, os imóveis de construção precária e as habitações sociais, desde que sejam exclusivamente destinados à habitação própria. • Matéria Colectável A matéria colectável nos prédios urbanos corresponde ao valor patrimonial que resulta da avaliação efectuada nos termos da legislação aplicável. A matéria colectável nos prédios rústicos corresponde ao valor patrimonial de Akz 10 397,00 (dez mil, trezentos e noventa e sete kwanzas) por hectar. O rendimento colectável dos imóveis arrendados é igual às rendas efectivamente recebidas, líquidas de 40% correspondentes a despesas relacionadas com a conservação e manutenção do imóvel, não obstante o período a que respeite. Na transmissão, gratuita ou onerosa, o valor tributável do imóvel é o valor patrimonial constante da matriz, à data da transmissão, o determinado por avaliação no caso de prédio omisso ou o valor declarado, consoante o que for maior. • Taxa A taxa do Imposto Predial sobre a detenção aplicável aos prédios urbanos, excepto nos terrenos para construção, é determinada de acordo com a tabela seguinte: N.º Valor Patrimonial Kz. Taxa Valor Fixo 01 Até 5 000 000,00 0,1% - 02 de 5.000 001,00 a 6 000 000,00 - Kz. 5 000,00 03 Superior a 6 000 000,00 sobre o excesso de 5 000 000,00 0,5% - A taxa do Imposto Predial aplicável ao terreno para construção é de 0,6%; A taxa do Imposto Predial aplicável aos prédios arrendados é de 25%; A taxa do Imposto sobre a transmissão de bem imóvel é de 2%; Os prédios desocupados há mais de 1 ano, bem como os terrenos para construção relativamente aos quais não sejam observados os critérios de aproveitamento útil efectivo, durante três anos consecutivos ou seis interpolados, a contar da data da entrada em vigor do CIP, da sua concessão, ocupação ou da última transmissão, ficam sujeitos a uma tributação adicional de 50% do imposto devido. • Liquidação Na detenção de prédios urbanos e rústicos, o imposto é liquidado anualmente pelo sujeito passivo, na Repartição Fiscal ou outros serviços competentes da Administração Tributária em 31 de Dezembro do ano a que o mesmo diz respeito, devendo ser efectuada até ao último dia útil do mês de Março do ano seguinte. 100 Compete ao arrendatário que disponha de contabilidade, modelo de contabilidade simplificado ou livro de registos, proceder à liquidação do imposto devido pelo arrendamento, até ao último dia útil do mês seguinte ao pagamento da renda. Quando o arrendatário não possua contabilidade, modelo de contabilidade simplificado ou livro de registos, a liquidação do imposto é devida pelo senhorio, até ao último dia útil do mês seguinte. Na transmissão gratuita de imóvel operada por morte, doação ou por qualquer título que implique a transmissão gratuita, incluindo a usucapião, a liquidação é efectuada pelo sujeito passivo até ao último dia útil do mê seguinte, salvo nos casos de inventário judicial. Nas transmissões onerosas, o imposto é liquidado pelo sujeito passivo até ao último dia útil do mês do mês seguinte, a contar do acto que opera a transmissão ou pela Repartição Fiscal do local da situação do imóvel, com base na declaração do sujeito passivo ou a título oficioso. • Pagamento O Imposto Predial sobre a detenção de imóvel deve ser pago até ao último dia útil do mês de Março pelo sujeito passivo, podendo, todavia, ser pago em seis prestações consecutivas, a pedido do sujeito passivo. O Imposto Predial sobre a renda sujeita à retenção na fonte deve ser entregue pelo substituto tributário até ao último dia útil do mês seguinte à retenção, que responde pela totalidade do imposto e acréscimos legais, em caso de não entrega. Quando não houver lugar à retenção, o imposto é pago pelo sujeito passivo até ao último dia útil do mês de Março. Nas transmissões onerosas e gratuitas, o imposto é pago pelos respectivos sujeitos passivos, até ao último dia útil do mês seguinte à celebração do contrato ou prática do acto que a opere. Se a transmissão se opere por acto, contrato ou facto ocorrido no estrangeiro, o pagamento do impsto deve ser efectuado até ao último dia do segundo mês seguinte ao da prática do acto, celebração do contrato ou da participação da morte. Se a transmissão se opera por arrematação, venda judicial ou administrativa, adjudicação, transacção ou qualquer outra forma, o imposto é pago dentro do prazo de 15 dias contados da data da notificação pela Administração Tributária. • Declaração de Rendimento Colectável O rendimento colectável do imóvel, total ou parcialmente arrendado, determina-se através da declaração dos contribuintes, conforme o modelo a submeter electronicamente ou a apresentar na Repartição Fiscal da área de situação dos prédios no mês de Janeiro de cada ano e em separado para cada prédio até ao último dia útil do referido mês. Os contribuintes devem indicar as rendas convencionadas e as efectivamente recebidas no ano anterior e juntar, quando ainda não o tenham feito, os contratos de arrendamento devidamente selados. O senhorio é obrigado a apresentar na Repartição Fiscal, dentro de 10 dias a contar da sua celebração, um exemplar do contrato de arrendamento do prédio ou parte do prédio. • Obrigações das Entidades Públicas e Privadas 101 As Administrações Municipais ou Autarquias Locais devem cooperar no levantamento dos prédios omissos localizados na sua circunscrição territorial, devendo remeter as informações à Administração Tributária. Quando, em processo judicial, se mostre não terem sido cumpridas quaisquer obrigações previstas no CIP, directa ou indirectamente relacionadas com a causa, deve o Tribunal exigir previamente o comprovativo do cumprimento das obrigações, no prazo de 10 (dez) dias. As entidades fornecedoras de água, de energia eléctrica e de serviços de telecomunicações devem remeter, até ao décimo dia do termo do trimestre em causa, em formato físico ou por via electrónica, à Administração Tributária, uma relação dos contratos celebrados com os seus clientes, bem como as alterações que se tenham verificado. As conservatórias e os cartórios notariais que lavram instrumentos ou escrituras que operem ou venham a operar a transmissão de bens sujeitos a Imposto Predial, devem exigir como condição prévia o comprovativo do pagamento deste imposto, sobre a detenção e transmissão. Os serviços consulares não devem realizar nem dar seguimento a qualquer procedimento de legalização relacionado com a transmissão onerosa ou gratuita de imóveis, situados na República de Angola, realizado ou a realizar no estrangeiro, sem que lhe seja apresentado o comprovativo do Imposto Predial, quando devido. 7.5 – IMPOSTO SOBRE VEICULOS MOTORIZADOS • Incidência Objectiva O presente imposto incide sobre os veículos motorizados, matriculados ou registados, de acordo com a legislação, junto dos respectivos serviços públicos competentes, designadamente; 1. Automóveis Ligeiros e Pesados; 2. Motociclos, Ciclomotores, Triciclos e Quadricíclos; 3. Aeronaves; 4. Embarcações; • Incidência Subjectiva São sujeitos passivos do presente imposto os respectivos proprietários ou possuidores, em cujo nome os veículos se encontram registados ou matriculados, junto dos serviços públicos competentes. Presume-se sujeito passivo, o qual responde solidariamente pelo pagamentodo imposto, com direito de regresso sobre o titular do veículo: A pessoa que se encontre na posse efectiva do veículo; O adquirente do veículo cujo imposto não tenha sido pago em exercícios anteriores. 102 São equiparados aos proprietários, os locatários financeiros e os adquirentes com reserva de propriedade, bem como outros titulares de direitos de opção de compra por efeito do contrato de locação. • Isenções Estão isentos do Imposto sobre os Veículos Motorizados: O Estado, as Autarquias Locais, os Institutos Públicos e os Partidos Políticos; As Missões Diplomáticas e Consulares, quando haja reciprocidade de tratamento; As Organizações Internacionais, nos termos dos Acordos celebrados pelo Estado Angolano. Estão ainda isentos, os tractores utilizados exclusivamente para agricultura e os veículos adaptados para uso de pessoas com deficiência, mediante reconhecimento da Administração Tributária. • Matéria Colectável O valor do imposto é determinado tendo em consideração: A cilindrada do motor, para os automóveis ligeiros, ciclomotores, motociclos, triciclos e quadriciclos e a tonelagem para os pesados; Para as aeronaves, o peso máximo autorizado à descolagem; Para as embarcações, a tonelagem de arqueação bruta; • Taxa A taxa do imposto é expressa em valor fixo constante das tabelas infra: Tabela n.º 1 (Motociclos, Ciclomotores, Triciclos, Quadriciclos, Veículos Ligeiros e Pesados) 103 Tabela n.º 2 (Embarcações) Tabela n.º 3 (Aeronaves) • Liquidação e Pagamento O Imposto sobre os Veículos Motorizados é liquidado e pago de Janeiro a Junho de cada ano e reporta-se ao exercício anterior. A prova do pagamento é efectuada mediante exibição de selo aprovado em diploma próprio. • Fiscalização O cumprimento das obrigações é fiscalizado, em geral, e dentro dos limites das suas competência, por todas as autoridades e, em especial, pelo Serviço competente da 104 Polícia Nacional, pela Administração Marítima Nacional e pela Autoridade Aeronáutica. Nenhum acto de registo ou licenciamento sobre veículos pode ser praticado pelas entidades competentes sem que o interessado prove o pagamento do imposto devido. • Dever de Cooperação As Administrações Municipais ou Autarquias Locais devem cooperar com a Administração Tributária no cumprimento do disposto na presente Lei. • Garantia do Pagamento Os serviços competentes ficam obrigados a exigir prova do pagamento do imposto do último ano, quando seja aplicável, nos casos de reemissão dos documentos do veículo, nomeadamente: Título de Propriedade; Livrete; Licença de Embarcação; Certificado de Navegabilidade. 7.6 – Imposto de Selo “IS” INCIDÊNCIA OBJECTIVA O IS incide sobre todos os actos, contratos, documentos, títulos, livros, papéis, operações e outros factos previstos na tabela anexa ao código. INCIDÊNCIA SUBJECTIVA Estão obrigados a liquidar e entregar o imposto ao Estado os notários conservadores dos registos civis, comercial, predial, instituições de crédito, sociedades financeiras, locadores, arrendatários e subarrendatários, o empregador, seguradoras, segurados, o trespassante, o titular do rendimento decorrente de um acto. Do mesmo modo, são também sujeitos passivos as (i) entidades concedentes de crédito e de garantias ou credoras de juros, prémios, comissões e outras contraprestações derivadas de contratos de natureza financeira, (ii) entidades mutuárias, (iii) locadores, no âmbito de contratos de locação financeira, (iv) locador e sublocador, nos arrendamentos e subarrendamentos, (v) empresas seguradoras, (vi) entidades emitentes de letras e outros títulos de crédito como cheques e livranças, (vii) segurados, (viii) outras entidades que intervenham em actos, contratos ou operações. 105 TITULAR DO ENCARGO DO IS A responsabilidade financeira do imposto cabe ao titular do interesse económico. Como sejam o adquirente, o utilizador do crédito, o locatário, o apostador, o apresentar de garantias, o cliente das instituições de crédito, o segurado, o comodatário, o publicitante, o devedor ou sacado nas letras e livranças, o procurador, as sociedades a constituir, o empregador, os requerentes, requisitantes, os beneficiários, o destinatário, o prestador ou fornecedor dos bens e serviços, em quaisquer outros actos, contratos, operações, o requerente, os interessados e o beneficiário, respectivamente. ISENÇÕES Isenções subjectivas São isentos de imposto do selo, o Estado e quaisquer dos seus serviços, estabelecimentos e organismos, ainda que personalizados, excepto empresas públicas. Encontram-se ainda isentos, excepto quando actuem no âmbito do desenvolvimento de actividades económicas de natureza empresarial, de entre outras, as seguintes: As instituições públicas de previdência e segurança social; As associações de utilidade pública reconhecida nos termos da lei, bem como as instituições religiosas legalmente constituídas; Outras isenções O micro crédito, os créditos concedidos no âmbito de «contas jovem» e «contas terceira idade» ou outras com diferente designação mas igual propósito, cujo valor não ultrapasse em cada mês 17.600 Kwanzas; Créditos relacionados com as exportações, quando devidamente documentados com respectivos Despachos Aduaneiros; Nos juros, comissões e contraprestações devidas no âmbito dos contratos de financiamento destinados ao crédito habitação; Os juros provenientes de Bilhetes de Tesouro, Obrigações do Tesouro e de Títulos do Banco Central; Os empréstimos com características de suprimentos; O reporte de valores de mobiliários, direitos equiparados ou outros instrumentos financeiros negociados em mercado regulamentado; Os títulos negociáveis vendidos, quando transmitidos em mercado regulamentado; A transmissão de imóveis, no âmbito de processos de fusão, cisão ou incorporação, nos termos da Lei das Sociedades 106 Comerciais, desde que necessários e previamente autorizados pela Direcção Nacional de Impostos; Os Contratos de Trabalho; As operações de exportação, excepto as exportações dos bens previstos na Tabela; As comissões cobradas na abertura e utilização de quaisquer contas de poupança; Os empréstimos com características de suprimentos, incluindo os respectivos juros efectuados por sócios à sociedade em que seja estipulado um prazo inicial não inferior a um ano e não sejam reembolsados antes de decorrido esse prazo; As transmissões gratuitas de direito de propriedade que se operam entre pais e filhos; Os prémios e comissões relativos a seguros do ramo “ Vida”, seguros de acidentes de trabalho, seguros de saúde e seguros agrícolas ou pecuários; As operações de gestão de tesouraria entre sociedades em relação de grupo; A transformação societária. As situações de isenção são averbadas no documento ou título, mediante indicação da disposição legal que a prevê. TAXAS As taxas são as que constam da tabela anexa ao código, que podem ser fixas ou ad valorem. LIQUIDAÇÃO E PAGAMENTO Por meio de guia mediante aplicação da respectiva verba. Compete aos sujeitos passivos da relação tributária Nas operações de crédito ou de garantia, prestada por instituições de crédito ou de sociedades financeiras, a responsabilidade pelo imposto devido é solidária. O imposto devido pelas operações aduaneiras é liquidado pelo SNA. As entidades residentes em Angola e que contratem entidades não residentes, devem liquidar e entregar o imposto devido, nas situações em que competiria aqueles o dever liquidar. Nos contratos celebrados com Estado e demais organismos públicos, com excepção das empresas públicas, a liquidação do imposto é feita no momento do pagamento da prestação. Nos documentos e títulos sujeito a imposto, são mencionados o valor do imposto e da data daliquidação O prazo de caducidade para a liquidação de imposto de selo é de 5 (cinco) anos OBRIGAÇÕES DECLARATIVAS Os sujeitos passivos do imposto estão obrigados a apresentação anual da declaração discriminativa do IS liquidado, até final do último dia útil do mês de Março do ano seguinte ao da realização dos actos, contratos, operações previstos na tabela. 107 7.7 – Imposto sobre Aplicação de Capitais “IAC” INCIDÊNCIA (SOBRE O QUÊ?) O Imposto sobre Aplicação de Capitais (IAC) incide sobre os rendimentos provenientes da simples aplicação de capitais. Os rendimentos estão divididos em duas secções, A e B, respectivamente. Secção A Os juros de capitais mutuados, qualquer que seja a forma de apresentação; os rendimentos de contrato de crédito e os rendimentos originados pelo diferimento na prestação ou mora no pagamento. Secção B Os lucros dos sócios das sociedades comerciais e cooperativas; juros de obrigações emitidas pelas sociedades; juros de suprimentos; saldo de juros apurados em conta corrente; importância atribuídas a empresa pela suspensão da sua actividade; rendimentos de contratos de conta em participação; emissão de acções com reserva na subscrição; Royalties; juros de depósitos a ordem e a prazo; juros dos títulos do Banco Central, bilhetes do tesouro e obrigações do tesouro; prémios de fortuna ou azar, rifas, lotarias, apostas; mais-valias. INCIDÊNCIA SUBJECTIVA Secção A Os titulares dos rendimentos. Secção B Quem distribui esses rendimentos. ISENÇÕES Secção A: Os rendimentos das instituições financeiras e das cooperativas, quando sujeitas a imposto industrial; Os juros das vendas dos comerciantes relativos a produtos ou serviços do seu comércio, bem como o juro ou compensação da mora no pagamento do respectivo preço; Os juros de empréstimos sobre apólices de seguros e vida, feitos por sociedades de seguros. Secção B Os lucros distribuídos por uma sociedade angolana quando a beneficiária seja uma pessoa colectiva angolana, que detenha no capital social da entidade que distribui os lucros uma participação igual ou superior a 25% por um período superior a um ano anterior a distribuição dos lucros; 108 Juros de instrumentos que se destinem a fomentar a poupança que sejam devida e previamente aprovados, relativamente ao valor de aplicação inferior ou igual a AKZ 500.000,00 (quinhentos mil kwanzas); Juros de contas poupança-habitação criadas pelas instituições financeiras com o objectivo de fomentar a poupança com vista a aquisição de habitação própria e permanente. TAXAS A taxa aplicável aos rendimentos sujeitos e não isentos compreendidos na Secção B corresponde a 10%, excepto para: Taxa de 15% O saldo dos juros apurados em conta corrente, nos termos previstos no artigo 344.º e seguintes do Código Comercial, e bem assim os juros escriturados em conta corrente, nos demais casos; As importâncias atribuídas a empresas singulares ou colectivas a titulo de indemnização pela suspensão da sua actividade; rémios de jogo de fortuna ou azar, rifas, lotarias ou apostas, qualquer que seja a sua natureza ou proveniência; Quaisquer outros rendimentos derivados da simples aplicação de capitais, não compreendidos na secção A. Taxa de 5% Os juros dos bilhetes do tesouro, das obrigações do tesouro e dos títulos do banco central, no caso dos respectivos títulos apresentarem uma maturidade igualou superior a três anos. DETERMINAÇÃO DA MATÉRIA COLECTÁVEL A matéria colectável ou base para determinação do imposto é o rendimento pago ou posto à disposição dos seus titulares. LIQUIDAÇÃO Secção A A liquidação do imposto é efectuada pelos titulares dos rendimentos, porém se os titulares do rendimento não possuírem em Angola residência, sede, direcção efectiva ou estabelecimento estável, o imposto é liquidado pelos devedores dos rendimentos. Secção B Com excepção dos rendimentos resultantes da emissão de obrigações e dos decorrentes da alienação de participações sociais, a liquidação do imposto é efectuada pelas entidades a quem incumbe o pagamento dos rendimentos, que ficam responsáveis pela totalidade do imposto e acréscimos no caso de não pagamento. 109 PRAZO DE PAGAMENTO O pagamento do imposto faz-se até ao último dia do mês seguinte àquele que respeite o imposto. OBRIGAÇÕES DECLARATIVAS As pessoas obrigadas à liquidação do imposto devem apresentar uma declaração de todos os rendimentos recebidos, pagos ou postos à disposição dos seus titulares, até ao final do mês de Janeiro do ano seguinte àquele em que o recebimento, pagamento ou colocação à disposição ocorram. 7.8 – Imposto sobre Sucessões e Doações INCIDÊNCIA (SOBRE O QUÊ?) Este imposto incide sobre a transmissão gratuita dos bens mobiliários e imobiliários. ISENÇÕES As heranças, legados, donativos e aquisições destinadas ao Estado; Institutos públicos (museus, bibliotecas e escolas, hospitais); serviços municipais; instituições de caridade e beneficência; Aquisições de propriedade literária e artística; Pensões pagas por instituições de beneficência; Transmissões de valor inferior à 2 UCFs a favor de descendentes, ascendentes ou cônjuges; Partidos Políticos ou Coligação de Partidos com Assento na Assembleia. TAXA Nas transmissões entre conjugues ou favor de descendentes e ascendentes a taxa aplicável será a de 10% ao valor correspondente a 11 UCFs e 15% ao valor excedente. Em quaisquer outras transmissões a taxa aplicável será a de 20% ao valor correspondente a 11 UCFs e 30% ao valor excedente. ENCARGO DO IMPOSTO O encargo deste imposto recai sobre o adquirente do dos bens. LIQUIDAÇÃO A competência para liquidação é da Repartição Fiscal de Finanças onde for o domicílio do finado ou onde se tiver realizado contrato de doação ou de qualquer outra natureza de que se dever este imposto. PAGAMENTO 110 O Pagamento do imposto é efectuado quando a transmissão real e efectiva se operar. 7.9 – Imposto sobre o Petróleo O Imposto das Actividades Petroliferas no Regime Fiscal Angolano é regulado pela Lei n.º 13/04, de 24 de Dezembro – Lei da Tributação das Actividades Petroliferas, com auxilio da Lei n.º 10/04, de 12 de Novembro – Lei das Actividades Petroliferas (LTAP) 7.9.1 – IMPOSTO SOBRE A PRODUÇÃO DO PETRÓLEO O Imposto sobre a Produção do Petróleo está previsto no atrigo 12.º da Lei da Tributação das Actividades Petroliferas. Incidência Este imposto é aplicável exclusivamente aos Contratos de Concessão e incide sobre as quantidades de petróleo bruto produzidas e vendidas, conforme a interpretação da letra da lei dos artigos 1.º e 4.º do artigo 12.º da Lei da Tributação das Actividades Petroliferas. Exemplo 1: a empresa Chevron produziu e vendeu um milhão de barris ao preço unitário de 100 dólares. Determinação da Materia Colectável A MC é obtida através da fórmula seguinte: MC = Vendas x Preço No Exemplo, temos: MC= 1.000.000,00 x 100,00 → 100.000.000,00 dólares TAXAS A taxa de Imposto sobre a Produção do Petróleo é de 20%, conforme o previsto no n.º 1 do artigo 14.º da Lei da Tributação das Actividades Petroliferas. O cálculo do Imposto sobre a produção do Petróleo (IPP) obtém-se aplicando a seguinte fórmula: 111 IPP=MC x Taxa O Imposto a pagar no Exemplo é o seguinte: IPP= 100.000.000,00 x 20% → 20.000.000,00 dólares 7.9.2 – IMPOSTO DE TRANSACÇÃO DO PETRÓLEO Está previsto no artigo 44.º da Lei da Tributação das Actividades Petroliferas. INCIDÊNCIA É aplicável exclusivamente aos Contratos de Concessão e incide sobre o rendimento tributável. Dando seguimento ao Exemplo 1:, a empresa Chevron vendeu um milhão de barris ao preço unitário de 100 dólares, tendo incorrido a custo de 12.000.000,00 dólares. Proveitos = 100.000.000,00 dólares 7.9.3 -IMPOSTO SOBRE O RENDIMENTO DO PETRÓLEO (IRP)O Imposto sobre o Rendimento do Petróleo (IRP) é aplicável aos rendimentos tributáveis nos termos da Lei da Tributação das Actividades Petrolíferas. INCIDÊNCIA Dando seguimento ao Exemplo 1, a empresa hevron vendeu um milhão de barris ao preço unitário de 100 dólares, tendo incorrido a custo de 12.000.000,00 de dólares. É importante realçar que o Imposto sobre a Produção de Petróleo, o Imposto sobre a Transacção do Petróleo, a Taxa de Superfície (TS) e Contribuição para a Formação de Quadros Angolanos (CFQA) são considerados como custos em sede de Iposto sobre o Rendimento do Petróleo. A Taxa de Superfície incide sobre a área de concessão ou sobre as áreas de desenvolvimento, no caso de os contratos celebrados nos termos da Lei da Tributação das Actividades Petrolíferas preverem a sua existência, conforme o artigo 50.ºda referida lei. 112 O cálculo da Taxa de Superfície (TS) obtém-se da seguinte fórmula: TS = 300,00 dólares /km² Dando sequência ao Exemplo 1, supondo que no contrato está prevista a Taxa de Superfície, e a área de desenvolvimento é de 10 km², a Taxa de Superfície seria: TS = 300,00 X 10 → 3.000,00 A Contribuição para a Formação de Quadros Angolanos conforme a interpretação do artigo 3º, conjugado com a alínea c) do artigo 12º, ambos do Decreto-lei n.º 17/09, de 26 de Junho, incide nas empresas de direito estrangeiro e nas empresas de direito angolano, ujo capital social seja maioritariamente detido por pessoas ou entidades estrangeiras que exerçam actividade de produção de petróleo em Angola. São obrigados a efectuar uma contribuição de 0,15 dólares por barril produzido durante o ano. O cálculo da Contribuição para a Formação de Quadros Angolanos (CFQA) obtém-se da seguinte fórmula: CFQA = 0,15 dólares x Produção Dando continuidade ao Exemplo 1, supondo que empresa Chevron é de direito angolano com capital maioritariamente estrangeiro, temos: Quantidades produzidas de petróleo = um milhão de barris CFQA = 0,15 x 1.000.000 → 150.000,00 dólares A Contribuição para a Formação de Quadros Angolanos é considerada um custo directo, e enquanto os outros impostos são liquidados e pagos nas repartições de domicilio, este é liquidado e pago no Ministério dos Petróleos. No Exemplo 1, sabendo que os custos são de 12.000.000,00 dólares e que compreendem os custos de operação e de administração, excepto as taxas, há que calcular a Matéria Colectável. DETERMINAÇÃO DA MATERIA COLECTÁVEL A determinação da Matéria Colectável (MC) é obtida através da fórmula seguinte: 113 MC = Lucro Tributável (LT) – Prejuizos Fiscais (PF) Onde: LT = LB + a acrescer – a deduzir E Outros Impostos Dedutiveis, que compreendem o Imposto sobre a Produção do Petróleo, o Imposto de Transacção do Petróleo e a Taxa de Superficie , que são considerados outros custos. Lucro Bruto = Total dos Proveitos (P) – Total dos Custos (C) – Outros Impostos Dedutiveis (OID) Onde: OID = IPP + ITP + TS No Exemplo 1: temos: Dados: Proveitos = 100.000.000,00 dólares Custos = 12.000.000,00 dólares Outros Impostos = 20.000.000,00 (IPP) + 44.800.000,00 (ITP) + 3.000,00 TS → 64.803.000,00 dólares Total de Custos = 12.000.000,00 + 64.803.000,00 →78.803.000,00 dólares LB = P – C – OID →100.000.000,00 – 12.000.000,00 – 64.803.000,00 →23.197.000,00 dólares LT = LB + a acrescer – a deduzir →23.197.000,00+0-0→ 23.197.000,00 dólares MC = LT – PF → 23.197.000,00 – 0 → 23.197.000,00 dólares TAXAS 114 A taxa do Imposto sobre o Rendimento do Petróleo é de 65,75%, conforme o previsto na alínea do artigo 41.º da Lei da Tributação das Actividades Petróliferas. CÁLCULO DO IMPOSTO OU LIQUIDAÇÃO IRP = Lucro Bruto x 65,75% IRP = 23.197.000,00 x 65,75% = 15.252.027,50 dólares A fórmula para o cálculo da Matéria Colectável deriva da interpretação do espirito do pensamento do legislador dos seguintes artigos combinados 22.º, 23.º, 25.º, 31.º, 45.º, 46.º, e 47.º do Diploma em referência, transformado em fórmulas que possibilitem os cálculos matemáticos. 7.10– Imposto sobre Diamantes As actividades diamantíferas são tributadas pelo Decreto-lei n.º 4-B/96 de 31 de Maio. Esta lei tem como objectivo regulamentar o regime fiscal para o sector mineiro devido à importância que esta actividade tem para o Estado e para o investimento privado. Principais Impostos Sobre as actividades diamantíferas incidem, essencialmente, os seguintes encargos tributários: Imposto sobre o valor dos recursos minerais ou Royalty; Imposto sobre o rendimento Taxa de superfície. Imposto sobre o valor dos recursos minerais ou Royalty Caracterização É um imposto sobre a produção. Incidência Este imposto incide sobre o valor dos recursos minerais extraídos à boca da mina ou sobre o valor dos concentrados quando haja lugar a tratamento. 115 Liquidação A matéria colectável é calculada mensalmente, pelo contribuinte, que entrega a declaração à repartição fiscal até ao dia 15 de cada mês, contendo as quantidades produzidas no mês anterior e o seu valor. O valor dos minerais produzidos, para efeitos deste imposto, é baseado na média das vendas anteriores, caso não seja possível, será fixado em função das médias internacionais. Se o contribuinte não entregar a declaração, a liquidação será feita pela repartição fiscal, que terá por base a produção dos três meses anteriores. Poderá, também, a administração fiscal fazer as correcções que achar convenientes depois das fiscalizações. O contribuinte pode fazer correcções, desde que, aprovadas pelo Ministério dos Petróleos e Recursos Minerais. Taxas As taxas são: o Pedras e metais preciosos 5%; o Pedras semipreciosas 4%; o Minerais metálicos 3%; o Outros recursos minerais 2% Cobrança O Pagamento deve ser efectuado até ao fim do mês estabelecido para a entrega da declaração. O royalty pode ser pago: Em dinheiro; Em espécie 116 Não havendo notificação para pagamento em espécie, o imposto será sempre pago em dinheiro. Se o Estado optar pelo recebimento do imposto em espécie, será o organismo oficial, que for encarregado de receber e administrar os valores dados em pagamento, que terá a obrigação de entregar as respectivas receitas nos cofres do Tesouro Nacional, até ao fim do mês seguinte ao das vendas. Imposto sobre o Rendimento Caracterização O Imposto sobre o Rendimento é um imposto directo; calcula-se nos termos do Imposto Industrial, ou seja, sobre a diferença entre todos os proveitos ou ganhos e os custos ou perdas do exercicio, isto é, sobre o lucro. Incidência Estão sujeitos a este imposto todas as: Pessoas singulares ou colectivas, nacionais ou estrangeiras, que por concessão outorgarda por entidade competente, tenham adquirido os direitos de exploração dos recursos minerais; Entidades que, por titulo obtido nos termos da lei, procedam à actividade de exploração de recursos minerais. Em caso de incumprimento por estas entidades, a obrigação fiscal cabe às associações em participação. Liquidação Na actividade mineira consideram-se custos ou perdas do exercício, para além dos previstos nos termos do Código do Imposto Industrial, os seguintes: De prospecção, pesquisa e reconhecimento; Contribuição para o fundo de desenvolvimento mineiro. Taxas de amortização são: 117 Equipamentos mineiros fixos: 20%; Equipamentos mineiros móveis: 25%; Ferramentas e utensílios de mineração: 33,3%; Equipamentos de acampamento e escritório: 20%; Outros móveis: 20% Bens incorpóreos: 25%. As despesas de prospecção, pesquisa e reconhecimento serão amortizadas às taxas de: 50% no primeiro ano; 30% no segundo ano; 20% no terceiro ano. Vulgarmente designado pelo método das quotas degressivas. Taxas A taxa é de 35%. Cobrança Taxa de superfície Caracterização A Taxa de Superficie é baseada na área,ou seja, sobre os quilómetros quadrados da área de cada licença. Incidência Subjectiva Esta taxa incide sobre os titulares de direito de prospecção mineira, concedidos pelo organismo competente. Taxas 118 A taxa por quilometro quadrado, durante a vigência da licença de prospecção, é; 1 dólar norte americano, nos dois primeiros anos; 3 dólares norte americanos, no terceiro ano; 4 dólares norte americanos, no quarto e quinto anos. Se forem concedidas, à mesma entidade, novas licenças para áreas contidas dentro da área correspondente a primeira licença as taxas são elevadas para o triplo. Cobrança A Taxa de Superfície é paga no montante da obtenção da licença de prospecção ou da sua prorrogação. Os pagamentos subsequentes serão feitos, anualmente, até 31 de Janeiro. Penalidades O atraso no pagamento é punido: Até 60 dias, com uma multa igual ao dobro do valor da taxa; Entre 60 a 90 dias, com uma multa de cinco vezes o valor da taxa; Superior a 90 dias, ou reincidência na mora a licença será revogada. 7.11 – Transmissão dos Bens da Empresa Conceito de transmissão de bens: 1 - Considera-se, em geral, transmissão de bens a transferência onerosa de bens corpóreos por forma correspondente ao exercício do direito de propriedade. 2 - Para esse efeito, a energia eléctrica, o gás, o calor, o frio e similares são considerados bens corpóreos. 3 - Consideram-se ainda transmissões de bens: a) A entrega material de bens em execução de um contrato de locação com cláusula, vinculante para ambas as partes, de transferência de propriedade; 119 b) A entrega material de bens móveis decorrente da execução de um contrato de compra e venda em que se preveja a reserva de propriedade até ao momento do pagamento total ou parcial do preço; c) As transferências de bens entre comitente e comissário, efectuadas em execução de um contrato de comissão definido no Código Comercial, incluindo as transferências entre consignante e consignatário de mercadorias enviadas à consignação. Na comissão de venda considera-se comprador o comissário; na comissão de compra é considerado comprador o comitente; d) A não devolução, no prazo de um ano a contar da data da entrega ao destinatário, das mercadorias enviadas à consignação; e) A entrega de bens móveis produzidos ou montados sob encomenda, quando a totalidade dos materiais seja fornecida pelo sujeito passivo que os produziu ou montou; f) A afectação permanente de bens da empresa, a uso próprio do seu titular, do pessoal, ou em geral a fins alheios à mesma, bem como a sua transmissão gratuita, quando, relativamente a esses bens ou aos elementos que os constituem, tenha havido dedução total ou parcial do imposto; g) A afectação de bens por um sujeito passivo a um sector de actividade isento e, bem assim, a afectação ao uso da empresa de bens, quando, relativamente a esses bens ou aos elementos que os constituem, tenha havido dedução total ou parcial do imposto. 4 - Não são consideradas transmissões as cessões a título oneroso ou gratuito do estabelecimento comercial, da totalidade de um património ou de uma parte dele, que seja susceptível de constituir um ramo de actividade independente, quando, em qualquer dos casos, o adquirente seja, ou venha a ser, pelo facto da aquisição, um sujeito passivo do imposto de entre os referidos na alínea a) do n.º 1 do artigo 2.º 5 - Para os efeitos do número anterior, a administração fiscal adopta as medidas regulamentares adequadas, nomeadamente a limitação do direito à dedução, quando o adquirente não seja um sujeito passivo que pratique exclusivamente operações tributadas. 120 6 - Não são também consideradas transmissões as cedências devidamente documentadas feitas por cooperativas agrícolas aos seus sócios, de bens, não embalados para fins comerciais, resultantes da primeira transformação de matérias-primas por eles entregues, na medida em que não excedam as necessidades do seu consumo familiar, segundo limites e condições a definir por portaria do Ministro das Finanças.Imposto sobre o Valor Acrescentado. Porto Editora. 12 MARQUES, A. P. - Gestão da Produção, Diagnóstico, Planeamento e Controlo. Lisboa: Texto Editora, 1991. MARQUES, Lúcia e outra. Introdução à Fiscalidade. Porto Editora MARREIROS, José M. M. e outros. Impostos Sobre o Rendimento. Áreas Editora. MARREIROS, José M.M. e outros. Exercícios de Fiscalidade: IRC. Área Editora. MARREIROS, José M.M. e outros. Exercícios de fiscalidade: IRS. Áreas Editora. MORRIS - Iniciando uma Pequena Empresa com Sucesso. Lisboa: McGraw- Hill, 1991. NABAIS, José Casalta. Direito Fiscal. Almedma. PAIVA, Manuel - Dicionário da empresa. Porto: Rés-Editora, Lda, 1990. PEREIRA, G. Fernandes - A Contabilidade das Empresas e a Informática. Coimbra: Edição do Autor, 1988 PEREIRA, G. Fernandes - A Contabilidade das Empresas e a Informática. Coimbra: Edição do Autor, 1988 PEREIRA, G. Fernandes - A Reforma Fiscal e os novos regimes de tributação do IRS e do IRC. Coimbra: Edição do Autor. PEREIRA PEREIRA, G. Fernandes – Código do IRC ordenando por assunto. Coimbra, PEREIRA PEREIRA,G. Fernandes – Ordenação explicativo e Contabilização do IVA. PETERS, Tom – A Gestão em tempo de Mudança. Lisboa, Ed. Presença. 1988. REVISTA EXECUTIVE DIGEST, vários números RIBEIRO, José Antunes, Estatuto dos Beneficios Fiscais, Dislivro ROCHA, J.A. Oliveira – Gestão de Recursos Humanos .Lisboa ; Editorial Presença, 1997. SALEMA, Isabel – Imagem Empresarial. Lisboa: Texto Editora, 1997 SANTOS, Rui – Cálculo Financeiro – Noções e Exercícios. Porto: ASA, 1990 13 Sousa, António – Introdução à Gestão – Uma abordagem Sistémica. Lisboa: Verbo, 1990. 14 TEMA I - INTRODUÇÃO 1.1 - O PAPEL DO ESTADO NA SOCIEDADE Os homens para poderem viver precisam de alimentos, vestuário, calçado, habitação, etc., constituindo o que se designa por necessidades básicas visto que sem a sua satisfação à própria condição de existência humana seria difícil. As necessidades do homem são hoje, muito vastas e complexas abarcando áreas muito diversificadas. Estas necessidades estão em constante transformação, complexificação, interdependência e desenvolvimento, de acordo com o nível de desenvolvimento técnico-científico alcançado pela humanidade. Cada pessoa, para além das necessidades básicas individuais indispensáveis para o asseguramento da sua existência possui outras necessidades que são comuns ao grupo social onde está inserido. Assim, a par das necessidades individuais, existem as necessidades colectivas que dizem respeito ou afectam toda a sociedade, tais como a necessidade da defesa contra o inimigo externo, o asseguramento da ordem pública, da justiça, educação, saúde, etc. Estas necessidades não podem ser satisfeitas individualmente, ou seja, por cada pessoa isoladamente. São por isso, assumidas pelo Estado e outras entidades públicas que exercem um conjunto de actividades conducentes à sua satisfação. Nas sociedades modernas o Estado desempenha um papel muito importante na satisfação das necessidades colectivas. Para além da defesa, ordem e justiça, cabe ainda ao estado uma grande parte da responsabilidade da criação e manutenção do ensino e educação, saúde, assistência social, saneamento básico, etc. É também da responsabilidade do Estado construir iníra-estnituras básicas de apoio à produção como estradas, pontes, portos, aeroportos, barragens, centrais de captação e tratamento de água, fornecimento de energia eléctrica, sistemas de comunicação, etc. O estado assegura também a protecção e defesa do meio ambiente, prevenindo a destruição das espécies raras da flora e fauna nacionais, a repressão e eliminação dos agentes poluidores dos rios, mares, lagos ou do ar. 15 Numa economia em que as decisões da produção são motivadas pelas Leis da oferta e da procura (Economia de Mercado), o estado deve garantir também as condições prévias de funcionamento do mercado, nomeadamente a regulamentação da concorrência, a definição e protecção dos direitos de propriedade dos meios de produção, do mercado do trabalho, da estabilização dos preços e da redistribuição justa do rendimento e da riqueza. Até finais da década da 70 deste século, em muitos Países era muito definida a ideia de que ao Estado deveria ser reservado o papel de principal agente interveniente na economia cabendo-lhe satisfazer todas as necessidades dos cidadãos, quer em relação à provisão de BENS PÚBLICOS, quer procurando orientar a sua actuação de detectar e dar solução as suas preferências. Na verdade, o estado era comparado à um ditador Benevolente que (teoricamente) tinha uma vasta informação das necessidades de todos quantos viviam no seu território e consequentemente velava para que tais necessidades fossem satisfeitas de uma forma planificada. Varias criticas se levantaram contra esta corrente pois, não obstante as funções básicas que o Estado desempenha na sociedade a sua intervenção directa apresenta várias reações e ineficiências económicas resultantes da ausência de completa informação das dos cidadãos, das opções politicas das expectativas dos operadores económicos, etc. ou- seja, o Estado ao intervir na economia cria fracassos, os chamados Fracassos do Governo. Por outro, tem sido largamente defendida e propalada a ideia de que a produção e provisão de bens e serviços de que a sociedade necessita deve ser feita por empresas privadas, actuando num clima de livre concorrência pois só desta forma se estimula a criatividade ( surgindo novos e melhores produtos), incentivada a inovação tecnológica e obtida a eficiência técnica na utilização dos recursos económicos. Argumenta-se ainda que uma maior participação da iniciativa privada na economia., colocará no mercado mais bens e serviços , os serão baixos e competitivos e as opções de escolha dos cidadãos serão maiores, aumentando o nível de satisfação das suas necessidades, considerações que levam a concluir que a produção de bens e serviços e a afectação dos recursos à economia devem ser realizados exclusivamente pela iniciativa privada (Economia de Mercado). 16 Na realidade, a livre iniciativa privada intervindo sozinho no mercado também cria fracassos resultantes do facto de existirem determinados bens cujos de produção e distribuição não podem ser assumidos apenas por um operador económico como é o caso das infra-estruturas básicas, de defesa, ordem publica, etc. o mercado também fracassa quando são exercidas determinadas actividades que criam externalidades positivas ou negativas ou quando existe uma empresa ou grupo de empresas que têm a excluvidade de vender determinados produtos , impedindo a existência de uma concorrência perfeita. De notar também que só com intervenção da livre iniciativa privada os cidadãos com melhores condições económicas terão sempre vantagem sobre a maioria da população criando situações de injustiça e desigualdade cada vez mais acentuadas na distribuição do rendimento Nacional. Uma vez que tanto a intervenção exclusiva do Estado na Economia como a actuação também exclusiva da iniciativa privada criam fracassos que um e outro reciprocamente corrigem, podemos concluir que, na verdade, não existem economias puras, isto é economias em que o Estado é o único operador económico ou economias completamente dominadas pela iniciativa privada (Economia de Mercado). Dai que a ideia mais consensual na actualidade seja a da existência de Economias Mistas em que tanto o Estado como os operadores económicos privados participa na promoção do crescimento económico e bem-estar social. De qual forma, é ponto assente que nos países em via de desenvolvimento cabe ao Estado o papel de força motor do crescimento e desenvolvimento económico e social, assegurando as áreas que vão desde a educação, saúde, assistência socia, investigação cientifica,etc, a participação cada vez maior dos operadores económicos privados é também muito importante e decisivo à quem deverá caber a responsabilidade da produção, transportação, armazenamento, distribuição e comercialização de bens e serviços mercantes em todos os ramos da actividade. Resumindo, o Estado, em todas as sociedades, tem um importante papel na vida económica e social da colectividade cujas funções vão desde a alocação de bens e serviços que satisfazem as necessidades sociais até a criação de condições que permitam aos operadores económicos privados realizarem cabalmente as suas actividades num ambiente de livre iniciativa empresarial. Outra função do Estado, não menos importante, 17 diz respeito ao asseguramento da estabilidade e crescimento económico e da promoção do desenvolvimento, da justiça e do bem-estar social. 1.2 - ACTIVIDADE FINANCEIRA DO ESTADO A satisfação das necessidades colectivas leva o Estado a ter que realizar avultados gastos e, consequentemente, procurar obter os recursos monetários necessários para cobrir estes gastos. Ao conjunto das actividades desenvolvidas pelo se caracteriza pela realização de despesas e mobilização de recursos monetários com a finalidade de satisfazer as necessidades colectivas chama-se Actividade Financeira do Estado. O Estado, ao levar a cabo o conjunto de actividades conducentes à satisfação das necessidades públicas, deve conduzir-se dentro de determinadas regras ou normas legalmente estabelecidas. Dá-se o nome de Direito Financeiro ao conjunto das normas que regulam a actividade financeira do Estado. O Direito Financeiro comporta várias áreas de actuação do estado que vão desde a realização das despesas, a mobilização de receitas e a gestão patrimonial correspondendo cada uma delas a um sub-ramo do direito financeiro. 1.3 - FONTES DE RECEITAS DO ESTADO Para financiar a sua actividade o Estado dispõe de diversas fontes de receitas. Em primeiro lugar, o Estado é proprietário de todos os recursos naturais que existem no solo e subsolo, rios e lagos (petróleo, diamantes, ouro, etc.) cuja exploração e comercialização proporcionam importantes recursos monetários. O Estado tem também imóveis, empresas, instituições públicas que geram receitas, que constituem rendimentos do Estado. O Estado pode ainda alienar (vender) estes bens cujas receitas utiliza para financiar as suas despesas. Muitos serviços públicos, como as Conservatórias, Serviços Comunitários e outros proporcionam também receitas que são canalizadas para os cofres do Estado. O estado, como qualquer entidade privada, pode contrair empréstimos junto das instituições financeiras internas e externas, públicos ou privadas, cujo produto utiliza para financiar as suas despesas. 18 Pode acontecer também o Estado receber ajudas e outras doações de outros Países e Instituições filantrópicas que são utilizadas para satisfazer as necessidades colectivas. Em qualquer parte do mundo, o Estado, usando o seu poder de império, cobra impostos, taxas e outras contribuições aos cidadãos que vivem no território sob sua jurisdição cujas receitas (as Chamadas Receitas tributárias) constituem a principal e mais importante fonte de receitas do Estado. Em suma, as fontes de receitas do Estado são os Impostos e Taxas, os rendimentos do seu património, as Operações Creditícias (empréstimos) e as ajudas e doações internacionais. A importância de cada uma delas varia de Pais para Pais, mas o mais corrente é que de todas elas os impostos constituem a fonte mais importante e mais estável. Porquê(?) PERGUNTAS DE CONTROLO 1) – Justifique a razão da existência de despesas e receitas públicas. 2) – Diga, por palavras tuas, o que è a actividade financeira do Estado. 3) >. a) – Comente esta afirmação. b) – Compare as necessidades básicas de um angolano que vive em Mavinga com as de um outro que reside no Lobito. 4)- “Os recursos naturais são uma importante fonte de recursos necessários para o desenvolvimento do País”. a) – Comente esta afirmação tendo em conta o caso particular de Angola b) – Que outras fontes de recursos para o estado conheces? c)- Análise os aspectos positivos e negativos resultantes da realização de operações creditícias. 5) – “O Estado tem um papel fundamental nas sociedades modernas”. 19 a) – Em tua opinião quais as necessidades colectivas que o estado angolano deveria satisfazer prioritariamente? b) – Discorra sobre o tema “O papel do Estado na sociedade Angolana”. 20 TEMA II – NOÇÕES DE DIREITO FISCAL TÓPICOS 2.1 – O Estado e o Fenómeno Tributário 2.2 – A Fiscalidade e a Evolução Histórica 2.3 – Princípios Fundamentais de Fiscalidade 2.4 – O Direito Fiscal 2.5 - Relações entre o Direito Fiscal e os outros ramos do Direito 2.6 – Autonomia do Direito Fiscal 2.7- Fontes do Direito Fiscal 2.8 - Interpretação das Leis Fiscais no tempo 2.9 – Aplicação das Leis Fiscais no tempo e no Espaço 2.10.- Pressão Fiscal 2.11.- Evasão Fiscal 2.12.- Fraude Fiscal 2.13.- Estudo de Caso/ Exercícios de Aplicação 21 2.1 – O ESTADO E O FENÓMENO TRIBUTÁRIO Foi anteriormente sublinhado que o Estado precisa de obter receitas para financiar a sua actividade dirigida no sentido da satisfação das necessidades colectivas. Referiu-se também que existem diversas fontes de receitas, mas a principal e mais importante destas fontes são os impostos que o Estado cobra aos cidadãos residentes ou não no território sob sua jurisdição. Lançar e cobrar impostos é deste modo, uma característica do estado, um acto da sua soberania. Este direito que o estado tem de lançar e cobrar impostos resulta do seu Poder de Império, através do qual pode fazer fluir para os seus cofres uma parcela do património pecuniário dos cidadãos que residam ou realizam actividades económicas dentro das suas fronteiras territoriais. No entanto, o Estado Constitucional moderno não exerce esse poder livremente ou de forma arbitraria, pois tem de respeitar as limitações estabelecidas na Lei. 2.2– A FISCALIDADE E A SUA EVOLUÇÃO HISTORICA O Fenómeno fiscal ou tributário aparece na história dos povos desde os mais remotos tempos e sob diversos formas. O sentido e carácter atribuídos aos Impostos ao longo da história foram vários. Foram considerados primeiramente como um auxílio, uma dádiva ou um presente aos príncipes ou soberanos feita pelos seus súbditos. Tiveram também um carácter de despojos de guerra ou ainda como um confisco. Outras vezes tiveram um sentido de contribuições que os soberanos ou princípio exigiam para armar cavaleiros, para casamentos e festas ou fazer face às guerras de conquistas. Os soberanos ao exigirem dos súbditos contribuições cometiam, por vezes , muitos excessos, da tal forma que o povo contribuinte para não se sujeitarem à surpresas abusos dos soberanos começou a reivindicar destes o direito de serem ouvidos antes da fixação destas contribuições, através de seus representantes nas cortes ou outras assembleias. 22 Foi na Inglaterra que apareceu pela primeira vez na história uma instituição política do tipo parlamento como forma de contrapor o Poder Tributário do soberano, como foi por exemplo a célebre e histórica Carta Magna. Vários outros movimentos contestários do Poder Tributário dos soberanos verificaram- se em muitos Países, como por exemplo na França com os episódios que marcaram a chamada Revolução Francesa, nas então Colónias Britânicas da América do Norte cujos acontecimentos conduziram à sua independência, no Brasil, etc. A tributação ou forma de obtenção de receitas através de Impostos foi sendo assim aos poucos disciplinada por regras ou normas que foram adquirindo o carácterconstitucional afim de defender os direitos individuais e sociais dos cidadãos. O tributo ou Imposto atingiu assim, a situação actual de categoria jurídica e aos cidadãos conquistou o estatuto de Contribuinte. Deste modo, o fenómeno Tributário ou Fiscal passou a ser tutelado e regido pela legalidade. Aquele que é obrigado a pagar impostos deve faz nos termos e limites estabelecidos na Lei. O cidadão não precisa de fazer doações nem favores ao Estado nem ficar sujeito à surpresas, excessos ou confiscos. Mas deverá contribuir aos gastos públicos na proporção dos seus rendimentos e em conformidade com a Lei. A Lei sendo uma proposição jurídica que trata igualmente todos os que estejam na mesma situação, impõe-se tanto aos particulares como aos agentes do Estado e ao próprio Estado como pessoa de direitos e obrigações. Um Estado de direito é aquele em que os homens são governados pelo poder da Lei e não pelo poder de outros homens. 2.3 – PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DE FISCALIDADE O processo tributário assenta em determinados princípios gerais de caracter universal também conhecidos por princípios Gerais de Direito Fiscal. Tais princípios são os seguintes: 23 A) PRINCÍPIO DA LEGALIDADE TRIBUTÁRIA Este princípio assenta na ideia de que os impostos devem ser consentidos pelos próprios cidadãos, através dos seus representantes nas Assembleias Legislativas, evitando-se os abusos do Executivo e a Veracidade do Fisco. Na Republica de Angola este principio está consagrado na Lei Constitucional que o formula claramente no n.º 1 do Artigo 102. Assim, para que um Imposto seja lançado é necessário que haja uma Lei do Parlamento ou um decreto-lei do Governo desde que tenha autorização legislativa da Assembleia. Com base no princípio da legalidade os Contribuintes têm o direito de reclamarem ou de recorrem dos Actos tributários ilegais, resultantes da aplicação e interpretação das Leis. B) PRINCÍPIO DA TIPICIDADE Princípio decorre do anterior e expressa que os elementos essenciais do imposto (incidência, taxas, benefícios fiscais e garantias dos Contribuintes) devem estar tipificados na Lei, ou seja, existe um “numerus clausus” Tributário fechado. C) PRINCÍPIO DA ANUALIDADE Com este princípio estabelece-se a obrigatoriedade de que os impostos a cobrar aos cidadãos devem ser aprovados anualmente na Assembleia Nacional. E tendo em conta este princípio que a Assembleia nacional aprova todos os anos o Orçamento Geral do Estado que, como sabemos é um documento onde estão previstas as receitas (impostos) e despesas a realizar nesse período. D) PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA E EFICÁCIA A finalidade dos Impostos é a mobilização de receitas para satisfazer as necessidades financeiras do Estado. Os órgãos da Administração Fiscal devem exercer as suas actividades para alcançar as metas estabelecidas no OGE (eficácia) bem como devem utilizar racionalmente os recursos materiais e humanos necessários para atingir este objectivo (eficiência). 24 E) PRINCÍPIO DE IGUALDADE O princípio de igualdade visa defender a equidade e justiça Tributária. De acordo com este princípio, todos os cidadãos são iguais perante a lei e gozam dos mesmos direitos. Tal significa que não se trata apenas da igualdade formal mas também da igualdade material o que implica tratar o igual com o igual e o desigual. Daqui resulta a forma progressiva de Tributação dos rendimentos para que o Sistema Fiscal contribua para uma repartição justa da riqueza e dos rendimentos entre os cidadãos. 2.4 – NOÇÃO DE DIREITO FISCAL O processo de lançamento e cobrança de impostos é realizado tendo em conta determinadas regras previamente estabelecidas. Chama-se DIREITO FISCAL ao conjunto de normas jurídicas que regulam o processo de lançamento e cobrança de impostos. O Direito fiscal é um ramo do Direito Financeiro que, como já vimos, contém normas que regulam a actividade financeira do Estado. A FISCALIDADE vem a ser uma disciplina que estuda os princípios, as normas jurídicas e as técnicas do lançamento e cobrança de impostos. 2.5 - RELAÇÕES ENTRE O DIREITO FISCAL E OS OUTROS RAMOS DO DIREITO Com o desenvolvimento da cooperação Internacional, tem vindo a verificar-se a celebração de acordos Internacionais e Convenções sobre varias matérias, incluindo as de natureza fiscal. São exemplos disto as convenções que têm como objectivo evitar a dupla tributação internacional, isto é a tributação do mesmo facto em mais de um Estado. O Direito Fiscal, mantém, deste modo, algumas relações com o Direito Internacional. Por outro lado, os princípios fundamentais que constituem a base da Fiscalidade de qualquer País, geralmente, vêm consignados na respectiva Lei Constitucional. As 25 normas jurídicas que regulam a organização fundamental do estado e dos cidadãos formam o que se denomina por Direito Constitucional. O Direito Fiscal estabelece fortes relações com o Direito Constitucional, pois aquele vai buscar neste a sua ossatura ou esqueleto de existência e funcionalidade. O conjunto de normas que definem os factos qualificados como crimes chama-se Direito Criminal. O direito impõe deveres e o seu cumprimento está sujeito a sanções. Ora, as normas fiscais impõem também obrigações cujo cumprimento é obrigatório sob pena de se aplicar sanções aos incumpridores. Algumas sanções ou penalidades adoptadas pelo Direito Fiscal são consignadas no Direito Criminal. Deste modo, existem também relações de semelhança entre o Direito Fiscal e o Direito Criminal. No entanto, na Legislação Tributária, em regra, as sanções têm o caracter pecuniário não sendo convertíveis em multa. As sanções de natureza fiscal têm os mesmos fins assinaladas as penas criminais, isto é um fim retributivo e preventivo. O seu fim Imediato é Retributivo, de castigo e o seu fim Mediato é preventivo, evitando que o infractor volte a cometer novas infracções e também impedir que, de uma forma geral, as pessoas também as cometem. Mas, além destes fins, a pena fiscal permite ao Estado obter uma indeminização financeira das importâncias que não recebeu em devido tempo. Outro campo onde o Direito Fiscal encontra mais afinidades é o Direito Privado ( Direito civil e Direito Comercial). Na realidade, o Direito Fiscal busca no Direito Privado os factos, actos e Direitos Patrimoniais que utiliza na Acção Tributária. 2.6 – AUTONOMIA DO DIREITO FISCAL As relações que o Direito Fiscal estabelece com os demais ramos do direito permite-nos concluir que não existe uma autonomia completa em qualquer ramo do direito porque, afinal o Direito é um só. Mas, o Direito Fiscal é considerado autónomo na medida em que tem conceitos próprios que, muitas vezes são expressos através de termos idênticos aos utilizados noutros ramos do Direito, nomeadamente do Direito Civil (normas que disciplinam a condição normal da pessoa) e o Direito Comercial , normas que regulam os actos de comercio, sejam ou não comerciantes as pessoas que nela intervêm. Ao 26 Direito Fiscal interessa o aspecto económico das situações, independentemente da sua regularidade formal. 2.7- FONTES DO DIREITO FISCAL A Actividade Tributaria do Estado é realizada de acordo com as normas consagradas pelos órgãos com poder Legislativo. No sentido técnico- jurídico, por FONTES DE DIREITO, pretende-se expressar a forma como se criam e se manifestam as normas jurídicas. Interessa antes referir que, existiram muitas formas de produção destas normas ou regras, ou seja, existiram várias fontes onde as sociedades foram buscando as regras que moldaram a sua conduta social. Dentre elas podemos citar o Costume (nas sociedades tradicionais é a base do direito tradicional costumeiro), a Jurisprudência, a Doutrina, os Tratados Internacionais, etc. Em matéria tributaria, porém, a Fonte de Direito Fiscal é a LEI entendida no seu sentido amplo, de acordocom as diferentes proveniências e funções dos órgãos que a emanam. Assim, em primeiro plano, a Lei Constitucional é a primeira fonte do Direito Fiscal, pois nela são consagrados os princípios fundamentais que regem a Actividade Tributária. A Lei constitucional vigente na República de Angola consagra no seu artigo 101.º a norma principal da Fiscalidade angolana, cujo teor é o seguinte: 1. – “O Sistema fiscal visa satisfazer as necessidades financeiras do Estado e outras entidades públicas, assegurar a realização da política económica e social do Estado e proceder a uma justa repartição dos rendimentos e da riqueza nacional”. E, no artigo 102.º nos n.ͦ 1,2 e 3, estabelece o seguinte: 1. “ Os Impostos só podem ser criados por Lei que determina a sua incidência, a taxa, os benefícios fiscais e as garantias dos contribuintes”. 2. “As normas ficais não têm efeito retroactivo, salvo as de caracter sancionatório, quando sejam mais favoráveis aos contribuintes". 27 3. “A criação de Impostos de que sejam sujeitos activos os órgãos do poder local, bem como a competência para a sua arrecadação, são determinados por lei”. Em segundo plano temos as leis no seu sentido amplo abarcando as normas produzidas pela Assembleia Nacional (Leis), pelo Governo( Decretos- Lei e Decretos) e pelos membros do governo ( Decretos Executivos Conjuntos, Decretos Executivos, Despachos). A Assembleia Nacional é a única entidade que tem competência legislativa para criar normas sobre as questões fundamentais de tributação referidas no n.º 1 do artigo 102.º da Constituição que acima referimos. O Governo tem competência para produzir outras normas vinculadas a todos os cidadãos quanto às suas obrigações fiscais, nos limites que lhe forem fixados pela Assembleia Nacional. Os membros do Governo produzem normas que se destinam a regulamentar a execução das actividades e as regras que os Contribuintes devem observar no cumprimento dos seus deveres Tributários. Entre estas fontes de Direito Fiscal existe uma hierarquia em função dos diversos órgãos políticos que a emanam. Isto significa que as normas contidas em fontes hierárquicas mais elevadas prevalecem sobre as contidas nos Direitos hierarquicamente inferiores. A pirâmide hierárquica das fontes e dos diversos órgãos é sinteticamente a seguinte: Constituição___________________________Poder Constituinte Leis_________________________________ Assembleia Nacional Decretos __________________________Governo (Leis)____________________________Função Legislativa Decretos Executivos________________ Membros do Governo 2.8 - INTERPRETAÇÃO DAS LEIS FISCAIS A interpretação de uma norma jurídica visa apurar o significado e og alcance dessa norma. Isto é, tirar das palavras usadas na sua redacção um certo sentido, um conteúdo de pensamento, uma significação, extraindo da palavra a ideia. A interpretação das normas fiscais não deve cingir-se à letra da Lei, mas reconstruir a partir do texto e pensamento do Legislador. 28 A interpretação de uma norma tributária pode ser: a) – Autêntica – Quando é feita pelo próprio Legislador através de um outro diploma com força de Lei em sentido formal; b) – Doutrinal – Quando é feita pelos Tribunais e pelos Juristas; c) – Literal ou Exegese - Quando o conhecimento do texto da Lei, do seu sentido textual, recorrendo à análise léxico-lógico, à analise sintáctica e ao estudo da estrutura das frases. No caso de se detectar uma lacuna no sistema normativo, ou seja, existirem situações concretas que não estejam previstas nessa norma, tem de se integrar estas lacunas. A integração das lacunas, consiste, pois, em procurar resolver os casos omissos com base no princípio de tratamento igual a casos semelhantes. Se uma norma trata um caso de certa forma um outro caso semelhante deve ser tratado de igual maneira. 2.9 - APLICAÇÃO DAS LEIS FISCAIS NO TEMPO E NO ESPAÇO APLICAÇÃO DAS LEIS FISCAIS NO TEMPO Desde a constituição da obrigação da obrigação fiscal até à entrada do montante nos cofres do Estado sucedem-se muitos actos administrativos, podendo mesmo surgir uma nova lei que altere alguns dos elementos do Imposto. No caso de aparecer uma Lei que altere os elementos do Imposto, estando já a obrigação fiscal constituída, a nova Lei não pode ser aplicada aos factos já verificados se da sua aplicação resultar a alteração dos elementos essenciais dos impostos (Princípio da não Retroactividade da Lei Fiscal). Se por exemplo, os elementos essenciais não forem alterados então a nova Lei pode ser aplicada ao processo administrativo já em curso. APLICAÇÃO DAS LEIS FISCAIS NO ESPAÇO É um direito de cada Estado criar as suas Leis Fiscais. Isto pressupõe que existem, então no mundo várias ordens jurídico – fiscais. Coloca-se, em consequência, o problema de se saber qual é o domínio espacial em que cada uma destas normas deve ser aplicada. A aplicação da Lei Fiscal no espaço realiza-se tendo em conta o princípio da territorialidade segundo o qual as Leis de um Estado aplicam-se no seu território e unicamente nele o que equivale dizer que a Lei Fiscal de Estado apenas se aplica aos 29 factos e situações tributárias que tiveram lugar no território de um Estado e aos rendimentos que nele tenham sido obtidos. Pode, porém, existir algumas excepções à este principio, como é por exemplo. O ódigo do Imposto Industrial vigente em Angola que dispõe que as pessoas singulares ou colectivas que tenham Sede ou domicilio no país serão tributados pelos rendimentos obtidos quer no País quer no estrangeiro. 2.10 – Pressão Fiscal Pressão Fiscal ou Carga Fiscal é a relação entre o total dos tributos arrecadados pelo governo de um país e o produto interno bruto (PIB), que é a quantidade de riqueza produzida no país. 2.11 – Evasão Fiscal A ideia de evasão fiscal está associada a uma ideia de fuga aos impostos. Podemos então definir evasão fiscal como sendo toda e qualquer omissão tendente a eliminar, reduzir ou retardar o cumprimento de uma obrigação tributária, provocando uma diminuição da receita do Estado. Alguns autores consideram dois tipos de evasão: A evasão legítima ou elisão - o cidadão ou o agente económico, antes da ocorrência dos factos geradores, procura um encaminhamento diferente para que desta forma obtenha um regime tributário mais favorável, ou não adopta qualquer comportamento fraudulento nem um encaminhamento diferente, mas aproveita as malhas e fissuras do Sistema Fiscal A evasão ilegítima ou fraude - o cidadão ou o agente económico oculta, simula ou distorce a sua realidade económica após a verificação dos factos geradores do imposto, por forma que, com essa distorção consiga consequências tributárias mais favoráveis. A elisão fiscal ocorre quando se verificam actos pelos quais as pessoas ordenam a sua conduta de tal modo que paguem menos impostos do que os que teriam de pagar se não tivessem adoptado tal conduta. A evasão fiscal ocorre quando as pessoas praticam um acto correspondente ao pressuposto de facto de um tributo e, posteriormente, procuram evitar o cumprimento da obrigação que lhe corresponde. Alguns exemplos: https://pt.wikipedia.org/wiki/Tributo https://pt.wikipedia.org/wiki/Produto_interno_bruto https://pt.wikipedia.org/wiki/Riqueza 30 Aquisição de empresa que funcionam com prejuízos, para desviar para estas lucros das empresas do grupo Fraccionamento das actividades por vários sectores (pequenas empresas para baixar os escalões tributários) Atribuição a sócios e gerentes de vantagens em espécie Evasão internacional (implantação nos paraísos fiscais das sedes das empresas para desviar lucros) 2.12 – Fraude Fiscal A fraude fiscal está relacionada com condutas ilegítimas tipificadas na lei que visam a não liquidação,entrega ou pagamento do imposto ou a obtenção indevida de benefícios fiscais, reembolsos ou outras vantagens patrimoniais susceptíveis de causarem diminuição das receitas tributárias. Um critério seguro para distinguir a fraude da elisão, é verificar se os actos praticados pelo contribuinte, para evitar, retardar ou reduzir o pagamento de um tributo, foram praticados antes (elisão) ou depois (fraude) da ocorrência do respectivo facto gerador. A fraude, para além de ser um erro relevante, é praticada intencionalmente, tem natureza criminosa e traduz-se sempre em benefício para o sujeito que a pratica, até que a sanção tenda a anulá-lo. Exemplos de fraudes são a omissão da matéria colectável na declaração de rendimentos, a omissão ou a dissimulação de movimentos contabilísticos (classificação falsa, destruição de elementos contabilísticos, despesas pagas a pessoas pela empresa, em particular quando são familiares, despesas de viagem e de representação em excesso ou fictícias ou pagamentos/recebimentos de «dividendos» através de despesas confidenciais ou não documentadas). 2.13.- Estudo de Caso/ Exercícios de Aplicação PERGUNTAS DE CONTROLO: 1)-" Desde que os Impostos passaram a constituir a quase exclusiva fonte de receitas do Estado de acordo com determinadas regras de Direito e com o respeito por certas prerrogativas e liberdade dos povos". 1.1- Justifique a tua afirmação. 31 1.2 – Identifique o ramo do Direito que surgiu em virtude das razões apontadas no texto; 1.3 – Identifique o fenómeno Tributário no tempo e no espaço; 1.4 – Enumere e explique os princípios fundamentais de Fiscalidade. 2) – “ A Lei é a única fonte do Direito Fiscal”. 2.1 – Comente esta afirmação; 2.2 – O que entende por Fonte de Direito Fiscal? 2.3 – Por seu despacho, o Vice- Administrador Municipal do Soyo determina que todos os cidadãos e em trânsito no território do município sob sua jurisdição devem pagar um Imposto Municipal para mobilização de receitas necessárias para a reconstrução das infra-estruturas sociais. Comente e enquadre a legalidade deste acto tributário. 2.4 – Indique os diferentes órgãos que na Republica de Angola têm a faculdade de produzir normas de natureza Fiscal e a designação que tomam os respectivos actos normativos. 3) – “ A interpretação das normas Fiscais não deve cingir-se à letra da Lei”. 3.1 – O que entende por interpretação da norma? 3.2 – Enumere e explique as formas de interpretação das normas Fiscais que conhece. 3.3 – Como devem ser resolvidos os casos (lacunas) não previstos numa norma? 4) – “ Embora considerado autónomo, o Direito Fiscal estabelece relações com outros ramos do Direito”. 4.1 – Justifique esta afirmação; 4.2 – Enumere e particularize os ramos do direito que têm relações co o Direito Fiscal; 5) – As Organizaões Kizomba, empresa de direito angolano, iniciou a sua actividade de compra e venda de carros usados em 1992. Nos termos da Legislação Fiscal que determina a Tributação dos rendimentos desta actividade no mesmo imposto à taxa de 25%, com pagamento trimestral. 32 5.1 – Tendo a administração Fiscal verificado em 1996 que esta empresa não pagou o respectivo Imposto Industrial pelos rendimentos auferidos desde o inicio da sua actividade, indique a legislação aplicar na liquidação deste Imposto , justificando a sua resposta. 6) Discorra sobre o tema: “ O Fenómeno Tributário e o princípio da Legalidade” 33 TEMA III - IMPOSTO E FIGURAS AFINS SUMARIO TÓPICO 3.1 CONCEITO DE IMPOSTO 3.2 ESTRUTURA DO IMPOSTO 3.3 FASES DO IMPOSTO 3.4 CLASSIFICAÇÃO DOS IMPOSTOS 3 .5 FUNÇÕES DO IMPOSTO 3.6 IMPOSTOS E FIGURAS AFINS 3.7 EXERCÍCIOS TEMA III-IMPOSTO E FIGURAS AFINS 3.1 - O CONCEITO DE IMPOSTO O Conceito de imposto teve as mais variadas definições ao longo dos tempos. Vários cultores do Direito Fiscal procuraram definir o imposto tomando como base ora a sua função financeira ora os seus elementos jurídicos, modernamente, porém é consensual definir-se o imposto tendo em conta as suas características fundamentais. Na verdade, o imposto é uma prestação pecuniária, definitiva, unilateral, estabelecida por Lei, sem o carácter de sanção, exigida pelo Estado à particulares, para a realização de fins públicos. Desta definição, resultam as seguintes características do imposto: a) - O IMPOSTO É UMA PRESTAÇÃO PECUNIÁRIA Em regra o imposto é pago em dinheiro. Daí que o conceito de imposto esteja associado ao dinheiro. No entanto, nem sempre o Imposto foi pago em dinheiro, outras formas de pagamento foram utilizadas, tais como o pagamento em espécie (Cereais, gado, etc) ou trabalho nas Obras Públicas (estradas, pontes), formas que ainda são utilizadas em muitos Países. 34 No caso Angolano, o pagamento em espécie pode ser efectuado pelas empresas que têm como actividades a prospecção, produção e exploração de hidrocarbonetos (petróleo) em regime de concessão. De qualquer modo, a tendência hoje é claramente no sentido do Imposto ser pago em dinheiro, transformando em espécie em prestações pecuniárias. b) É UMA PRESTAÇÃO DEFINITIVA Tal significa que as importâncias pagas pelo devedor do Imposto não são restituíveis salvo se tiverem sido indevidamente tributadas ou se tiver pago um valor superior ao devido. c) O IMPOSTO É UMA PRESTAÇÃO UNILATERAL O Estado não tem a obrigação de dar qualquer contrapartida individual ao Contribuinte pelo facto de pagar os Impostos a que está sujeito. d) O IMPOSTO É ESTABELECIDO POR LEI A obrigação do Imposto decorre de uma exigência estabelecidad na Lei, ou seja, a obrigação Tributária baseia-se numa norma legal (Principio da Legalidade). Se assim não fosse o lançamento e cobrança de Imposto poderia estar sujeito à critérios subjectivos dos funcionários e demais agentes do Estado. e) O IMPOSTO NÃO É UMA SANÇÃO A obrigação do Imposto não constitui uma penalidade aplicada ao Contribuinte. f) É UMA PRESTAÇÃO EXIGIDA PELO ESTADO A obrigação do Imposto é estabelecida por uma entidade pública (Estado) pelo facto de ser titular do Poder Tributário que é uma manifestação de soberania (Poder de Imperio) que se caracteriza pela possibilidade de incorporar ou suprimir Impostos na ordem jurídica existente no País. 3.2 – ESTRUTURA DO IMPOSTO Qualquer Imposto é tecnicamente, constituído a partir dos seus elementos fundamentais que podem ser de natureza Qualitativa e Quantitativa. 35 Os elementos de natureza qualitativa de um Imposto são: a) – O Objecto do Imposto (Incidência); b) – O Contribuinte; c) – O Facto Gerador do Imposto. O Objecto do Imposto é uma realidade económica, uma situação de Facto ou de Direito sobre a qual incide esse Imposto, ou seja, é tudo aquilo que a Lei consagra como sendo o pressuposto da constituição da obrigação Tributária. A determinação do objectivo do Imposto é o ponto inicial da técnica fiscal, na medida em que é neste momento em que é delimitado o universo de bens, as manifestações de riqueza e outras realidades sobre as quais há de incidir o Imposto. Esta delimitação torna-se necessária porque, nas sociedades modernas, existem vários Impostos o que quer dizer que a Legislação Tributária destas Sociedades escolhe várias situações ou realidades que servem de base accionar o Fenómeno Tributário. Se o cidadão pagasse apenas um único Imposto, como acontecia nas Sociedades primitivas, não haveria necessidade de se distinguir todas estas realidades ou situações que dão origem à obrigação Tributária. O Contribuinte, Sujeito Passivo do Imposto ou Devedor do Imposto, é a pessoa que tem a obrigação de pagar o imposto, isto é aquela pessoa que está submetida à obrigação tributária. Geralmente o Contribuinte tem uma forte relação com o objecto do imposto. O Contribuinte pode ser aindade Facto ou de Direito. O Contribuinte de facto é aquele que efectivamente suporta o imposto, transferindo parte do seu rendimento à favor do estado. Os consumidores, por exemplo, são os que efectivamente suportam o ónus do imposto sobre determinados produtos, embora não seja os que têm a obrigação Fiscal da entrega do valor do imposto nos corres do Estado. O Contribuinte de Direito é a pessoa (Singular ou Colectiva) definida na Lei como sendo o sujeito passivo da obrigação tributária. 36 Há também casos de substituição fiscal em que determinada pessoa se substitui à outra, por força da Lei, no cumprimento da obrigação Tributária principal ou acessória. É o caso das entidades patronais que, nos termos da Lei do imposto sobre os rendimentos do trabalho, devem reter a entrega nos cofres do Estado o Imposto descontado nas remunerações dos seus trabalhadores. O Facto Gerador do imposto ou Facto Tributário é um acontecimento, um acto ou uma situação de facto ou de direito com repercussão económica que determina a incidência do imposto. Para que se constitua uma obrigação tributária não basta que existe o Objecto ou se conheça o Contribuinte. É indispensável que se produzam determinados factos ou actos, ou ainda que se verifiquem determinadas situações tipificadas na Lei, que, ao acontecerem, dão origem à criação efectiva da Obrigação Tributária. Por exemplo, o Facto Gerador do Imposto Industrial é o Exercício Efectivo de uma actividade comercial, industrial, etc. No caso do imposto sobre rendimentos do trabalho, o Facto Gerador deste imposto é a percepção de salários e outras remunerações por parte dos trabalhadores. Resultados do exercício apurados na contabilidade da empresa constantes das suas demonstrações financeiras. São rendimentos normais os calculados com base nos factos económicos ocorridos durante um determinado período. Por exemplo considerar como Redimento Tributavél o valor correspondente a 25% das vendas realizadas durante o ano ou 35% dos custos suportados para a realização de uma actividade. São rendimentos presumidos aqueles que são fixados com base numa estimativa dos resultados que o contribuinte poderia ter obtido na sua actividade durante um determinado exercício. a) O MODO DE CÁLCULO DO IMPOSTO Uma vez fixada a base do Imposto ou Matéria Colectável o passo a seguir consiste no estabelecimento da forma como o Imposto deve ser calculado, utilizado as operações aritméticas, para se determinar o valor a pagar. 37 As operações aritméticas a realizar são: a) Efectuar as deduções à Matéria Coletável; b) Aplicar a Taxa do Imposto a) DEDUÇÕES As deduções são as importâncias que nos termos da Lei, devem ser retiradas da base de Imposto como forma de atender à situação pessoal e social dos contribuintes. A partir do novo valor aplica-se a taxa de Imposto para se determinar o montante do Imposto a pagar. b) TAXA DO IMPOSTO A taxa do Imposto é um factor multiplicativo previamente determinado na Lei que se aplica â base do Imposto para se calcular o valor do Imposto a pagar. A Taxa do Imposto pode ser ESPECIFICA ou AD-VALOREM É especifica quando é aferida com Unidade Fiscais, tais como peso, medida, cumprimento, moeda, etc. Exemplo: 2,00 KZ por cada 1.000 litros, 20,00KZ por tonelada, 50,00 KZpor barril, etc. Uma Taxa “ ad-valorem” é aquela que é fixada numa percentagem que se aplica a um valor monetário. Exemplo 25%, 3%, etc. Exercícios sobre o modo de cálculo do Imposto: 1 - A Empresa Beta, Limitada, durante o ano de 2018, obteve um lucro no valor de Kz 10.000.000,00, sabendo que os proveitos cifraram-se em Kz 30.000.000,00. Calcular: a) Indicar o valor da matéria colectável; b) O valor do imposto, sabendo que a taxa do imposto é de 25%. Matéria Colectável= Kz 10.000.000,00 Imposto= 10.000.000,00 x 25% 38 Imposto= 2.500.000,00 Kwanzas A Taxa do Imposto pode ser ainda Fixa ou Variável. A Taxa Variável pode ser, por sua vez, proporcional, progressiva, regressiva e degressiva. Estas Taxas correspondem aos impostos com a mesma designação que estudaremos oportunamente. 3.3 - FASES DO IMPOSTO Como já sabemos, a exigência de um imposto pressupõe, antes de mais, a existência de uma lei que o autorize, a prévia definições das situações por ele abrangidas (O Facto Gerador), a enunciação das pessoas e ele sujeitas (os Contribuintes), a determinação da Matéria Colectável (Base do Imposto) e a fixação da taxa do imposto (percentagem). Para que o Contribuinte pague nos cofres do Estado o valor do imposto é indispensável que, previamente, sejam realizados determinados ACTOS ADMINISTRATIVOS que levam à fixação do quantitativo a pagar. A execução de tais actos pertencentes à Administração Fiscal constituindo o ciclo de tramitação processual vulgarmente denominado por FASES DO IMPOSTOS. Temos assim, que o estabelecimento do Imposto comporta quatro etapas ou fases fundamentais que são: O lançamento, a liquidação, a cobrança e o pagamento. O Lançamento é um conjunto de operações administrativas cuja finalidade é a identificação do Contribuinte e da Matéria Colectável. A identificação faz-se através de informações fornecidas à Administração Fiscal pelos Contribuintes e de outros elementos existentes nas Repartições Fiscais que formam o sistema do Registo Geral de Contribuintes (RGC). A cada Contribuinte é atribuído um número e passado um Cartão cuja exibição é obrigatória quando o Contribuinte realiza determinadas operações comerciais tipificadas na Lei. Em Angola o Registo Geral de Contribuintes foi instituído pelo Decreto n°29/92, de 3 de Julho, da Comissão Permanente do Conselho de Ministros, publicado no Diário da República I Série n° 26, da mesma data (veja o formulário do RGC em anexo). 39 A Liquidação uma operação aritmética que visa quantificar o Imposto devido pelo Contribuinte. Conhecida a base do Imposto, aplica-se à esta base uma percentagem (Taxa) legalmente estabelecida, resultando desta operação um valor que corresponde ao Impostos que o Contribuinte deve pagar nos cofres do Estado. Geralmente a liquidação é feita pela administração fiscal. Modernamente, porém, a Legislação confere ao próprio Contribuinte a obrigação de fazer esta operação na altura da apresentação da declaração de rendimentos. É o que se designa por Auto Liquidação. (Veja formulário em anexo). Sempre que, por facto imputável ao Contribuinte, for retardada a liquidação de parte ou da totalidade do imposto devido, a este acrescerá o juro de 1% ao mês, sem prejuízo da multa cominada ao infractor. Este juro chama-se JURO COMPENSATÓRIO e é contado por cada mês ou fracção, desde o termo do prazo para o cumprimento da obrigação de que resultou atraso na liquidação até a data em que vier a ser suprida ou corrigida a falta. A Cobrança do Imposto é um processo administrativo que leva o Contribuinte a pagar a sua divida. A Cobrança pode ter um carácter amigável (administrativa) ou coercivo. A cobrança amigável realiza-se dentro do prazo que a Lei estabelece para o pagamento do Imposto e consiste no contacto periódico com o Contribuinte avisando-o a divida fiscal que sobre si impende e a data limite para a sua regularização. A cobrança coerciva é a que +é realizada com a intervenção de um órgão de aplicação da Justiça Fiscal (Tribunal de Execuções Fiscais) quando o Contribuinte não regulariza a sua divida nos prazos estabelecidos. O Pagamento é um conjunto de operações financeiras, em virtude das quais a quantia monetária do Imposto passa do património do Contribuinte para os cofres do Estado extinguindo-se a divida. O pagamento pode ser voluntário, quando o Contribuinte efectua a entrega da quantia do Imposto nos cofres do Estado dentro do prazo estabelecido por Lei. Pode ser também coercivo quando o contribuinte se furta ao pagamento do Imposto liquidado dentro do 40 prazoe é, por conseguinte, compelido ou forçado pela Administração Fiscal a satisfazer a sua divida, através do Tribunal das Execuções Fiscais. Não sendo pago um Imposto no prazo de vencimento começam a correr imediatamente JUROS DE MORA. Os Juros de Mora são um acréscimo monetário que o devedor tem de pagar quando não efectuar a entrega do Imposto liquidado dentro do prazo estabelecido. Os juros de mora têm natureza de uma obrigação acessória de divida principal. Para haver Juros de Mora é necessário que haja uma divida fiscal que não tenha sido paga no prazo legal. Os Juros de Mora são calculados â taxa de 1% ao mês e vencem no dia um (1) de cada mês, contando-se por inteiro o mês de cobrança. Terminado o prazo do pagamento voluntário, entra-se na fase da cobrança coerciva. Entre estas duas fases há uma fase pré-executiva ou de relaxe que consiste na realização das operações que conduzem à cobrança coerciva. Estas operações são consolidada da divida e a extracção da Certidão de relaxe. Nesta fase o contribuinte pode pagar a divida e os respectivos acréscimos legais. Relaxada a divida esta é cobrada coercivamente pelo Tribunal das Execuções Fiscais, acrescida de 10% de multa sobre as dividas e 35% mínimo de 5.000,00Kz de custos sobre o total da divida relaxada. O pagamento pode ser ainda a pronto, em prestações e em anuidades. O pagamento à pronto é o que se efectua de uma só vez. O pagamento em prestações consiste em dividir o montante do Imposto em parcelas que vencem periodicamente quando a Lei assim o permite. O pagamento em anuidades consiste na divisão do valor do imposto por um determinado n° de anos, pagando em cada ano a parcela correspondente e aplica-se sobre os direitos que caducam com a morte do titular. Actualmente o pagamento de Impostos é feito nas Agências Bancárias autorizadas pelo Ministério das Finanças. Para pagar o seu Imposto o Contribuinte preenche um impresso próprio chamado Documento de Cobrança (DC), que é apresentado aos balcões da Agência Bancária autorizada ou da Repartição Fiscal (nas localidades onde não exista Banco) juntamente 41 com a importância em numerário ou cheque Visado passado a favor da Caixa do Tesouro Nacional. Depois de recebido, uma visa do DC é entregue ao Contribuinte como seu justificativo sendo as restantes remetidas à área competente do Ministério das Finanças para processamento dos dados e subsequente contabilização das receitas do OGE e controlo dos Contribuintes. Veja, em anexo, um exemplar do DC. 3.4 - CLASSIFICAÇÃO DOS IMPOSTOS Existem vários critérios que servem de base para a classificação ou arrumação dos Impostos vigentes num determinado sistema fiscal em grandes grupos. O critério universalmente adoptado é um que classifica os Impostos em Directos e Indirectos. Impostos directos, os que têm como base a manifestação da capacidade contributiva do contribuinte. Exemplo: Imposto Industrial e Imposto sobre os Rendimentos do Trabalho. Os Impostos Indirectos são os que incidem sobre os rendimentos no momento da sua utilização sob forma de consumo, ou ainda são aqueles que surgem com a ocorrência de certas despesas ou aquisições de bens para consumo. É o caso de Angola, do Imposto sobre o consumo de bebidas alcoólicas, derivado do petróleo, o Imposto sobre o consumo mais vulgar é o IVA (Imposto sobre o valor acrescentado). Os Impostos podem classificar-se ainda em Impostos Pessoais e Impostos Reais. São Impostos Pessoais os que tributam as pessoas independentemente da sua condição económica. Exemplo: qualquer imposto que se paga para o exercício de uma profissão Os Impostos Reais são os que tributam os rendimentos ou riqueza de que as pessoas são titulares mas tendo em conta a situação pessoal dos Contribuintes. 42 Exemplo: Imposto Industrial, Imposto sobra a Aplicação de Capitais e Imposto sobre Rendimentos do trabalho. Tendo em conta a entidade que os recebe (sujeito passivo), os Impostos classificam-se em Estaduais e Não Estaduais. São Estaduais os Impostos em que o sujeito activo é o Estado (ex; IRT) enquanto os Impostos não Estaduais têm como sujeito activo não o Estado, mas uma pessoa colectiva de direito público como por exemplo uma autarquia local (Administração Municipal) ou outro Instituto Público. Se considerar o critério da territorialidade os Impostos classificam-se em Gerais e locais. São gerais os Impostos que são cobrados em todo o território nacional. São locais os que se limitam à uma região ou zona. Quando se tem em conta a natureza permanente ou acidental dos factos ou situações que deram origem ao Imposto, pode-se classificar os Impostos em Periódicos e de Obrigações Única. São Periódicos os que se repetem ciclicamente (Imposto sobre os Rendimentos de Trabalho, por exemplo) ao passo que são de obrigação única aqueles Impostos que se verificam ocasionalmente (Imposto de Sisa, por exemplo). Com base nas características das taxas (percentagens aplicadas, os Impostos agrupam-se em Impostos de Taxa Fixa e Impostos de Taxa Variável). Impostos de Taxa Fixa ou de Quota Fixa são aqueles em que o montante do Imposto a pagar por cada Contribuinte é constituído por uma importância certa e igual para todos. Exemplo: Imposto de Selo sobre os contratos Os impostos de Taxa Variável podem ser Proporcionais. Progressivos, Degressivos e Regressivos. São Proporcionais aqueles impostos em que a taxa é constante, sendo o valor directamente proporcional à Matéria colectável. Exemplo: Imposto Industrial. São Progressivos aqueles impostos cuja taxa aumenta a medida que aumenta a matéria colectável, ou seja, o imposto é mais que proporcional com a matéria colectáveL 43 Exemplo: Imposto sobre Rendimentos do Trabalho por conta de outrém. São Degressivos os impostos que têm uma taxa normal aplicável à matéria Colectável a partir de certo valor e taxas menores para escalões inferiores da Matéria Colectável. Exemplo: Imposto sobre os Rendimentos do trabalho por conta de outrém. Nos impostos Regressivos a taxa diminui à medida que aumenta a Matéria colectável. Exemplo: politicas de incentivos de importação de um determinado bem – quanto maior for a quantidade reduz a taxa aduaneira. 3.5- FUNÇÕES DO IMPOSTO Actualmente o imposto exerce na economia e na sociedade várias funções quer agindo como instrumento de obtenção de receitas quer como variável de promoção do equilíbrio económico e justiça social. Deste modo, o imposto exerce as seguintes funções: a) -Financeira b) - Económica c) - Função Social A Função Financeira ou Fiscal do imposto traduz-se na mobilização de fundos para os cofres do Estado a fim de fazer face aos gastos com a satisfação das necessidades colectivas. Esta é função clássica do imposto. Servindo-se do sistema fiscal o Estado pode agir sobre a conjuntura ou sobre as estruturas económicas modificando o seu comportamento pela utilização de medidas temporárias ou definitivas que afectam o volume da repartição de carga fiscal, influenciando assim a nível de actividades, o consumo e a poupança individual. Com a redução ou isenção de impostos o Estado pode incentivar o desenvolvimento de uma indústria, ou o desenvolvimento económico-social de uma região e o bem-estar das populações de uma região ou Província. Pelo contrário com o agravamento da carga fiscal o Estado pode desestimular o consumo de determinados produtos e subsequentemente reduzir a sua produção. 44 A função social do imposto manifesta-se com a sua utilização como forma de obter determinados efeitos ou benefícios sociais. Por exemplo a Tributação do consumo do tabaco visa banir os efeitos negativos do tabagismo. Um outro exemplo é o papel importante que pode atribuir-se ao imposto numa Política Demográfica: a Tributação dos solteiros e as deduções de impostos em função dos encargos de família podem encorajar os casamentos