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REPÚBLICA DE ANGOLA 
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO 
INSTITUTO MÉDIO DE ECONOMIA DE LUANDA 
ÁREA DE FORMAÇÃO ADMINISTRAÇÃO E SERVIÇOS 
 
 
 
DOCUMENTAÇÃO E LEGISLAÇÃO FISCAL 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A Coordenação 
 2021 
1 
 
 
 
 
REPÚBLICA DE ANGOLA 
 MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO 
2° Ciclo do Ensino Secundário/Formação Média Técnica 
 Instituto Médio de Economia de Luanda 
Disciplina: Documentação e Legislação Fiscal 
Área de Formação: Administração e Serviços 
 
Programa curricular 
TEMA I. ACTIVIDADE FINANCEIRA DO ESTADO 
1.1.- Introdução 
l .2.- Actividade Financeira do Estado 
1.3.- Fontes de Receitas do Estado 
TEMA II: NOÇÃO DE FISCALIDADE 
2.1.- O Estado e o Fenómeno Tributário 
2.2.- A Fiscalidade e a Evolução Histórica 
2.3.- Princípios Fundamentais da Fiscalidade 
2.4.- O Direito Fiscal 
2.5.- Relação entre o Direito Fiscal e outros Ramos do Direito 
2.6.- Autonomia do Direito Fiscal 
2 
 
2.7.- Fontes do Direito Fiscal 
2.8.- Interpretação das Leis Fiscais 
2.9.- Aplicação das Leis Fiscais no Tempo e no Espaço 
2.10.- Pressão Fiscal 
2.11.- Evasão Fiscal 
2.12.- Fraude Fiscal 
2.13.- Estudo de Caso/ Exercícios de Aplicação 
TEMA III: Noções de Imposto 
3.1 – Definição de Imposto e sua Importância na Economia do País 
3.2 – Estrutura do Imposto 
3.3 – As 4 fases da vida do imposto: Incidência, Lançamento, Liquidação e Cobrança 
3.4 – Classificação dos Impostos 
3.5 – Funções do Imposto 
3.6 – O Imposto e Figuras Afins 
3.7 – Estudo de Caso/Exercício de Aplicação 
TEMA IV: A Tributação Em Angola e a Reforma Tributária 
4.1 – Diferenças entre: Impostos, Taxas, Contribuições e Emolumentos 
4.2 – Noção de Estabelecimento Estável, Sede, e Direcção Efectiva 
4.3 – Definição de Contribuinte 
4.4 – A Figura da unidade de Correcção Fiscal (UCF) 
4.5 – Os Impostos Directos e os Impostos Indirectos 
4.6 – Os Impostos Proporcionais, Progressivos e Degressivos 
3 
 
 TEMA V: Relação Jurídico – Fiscal 
5.1 – Generalidades 
5.2 – Relação Jurídico - Fiscal 
5.3 – Garantias Gerais dos Contribuintes 
 TEMA VI: O Sistema Fiscal Angolano 
6.1 – Generalidades 
6.2 – Órgãos da Administração Fiscal 
6.3 – Os Impostos do Sistema Fiscal Angolano 
6.4 – Calendário Fiscal Angolano 
TEMA VII: Impostos na Especialidade (Impostos na República de Angola) 
7.1 – Imposto Sobre o Rendimento de Trabalho 
7.2 – Imposto Industrial 
7.3 – A SISA sobre transmissões Imobiliárias a Titulo Oneroso 
7.4 – Imposto Sobre o Valor Acrescentado 
7.5 – Imposto Sobre Veiculos Motorizados 
7.6 - Imposto Especial de Consumo 
7.7 – O Imposto Predial 
7.8 – Imposto sobre o Petróleo 
7.9 – Imposto sobre os Diamantes 
7.10 – O Imposto sobre a Aplicação de Capitais 
7.11 – Tributação dos Rendimentos 
7.12 – Transmissão dos Bens da Empresa 
4 
 
7.13 – Estudo de Caso/ Exercício de Aplicação 
DOCUMENTAÇÃO OBRIGATÓRIA PROFESSORES/ ALUNOS: 
 Diário da República 
 Código Geral Tributário 
 Folhetos Sobre a Legislação Fiscal Angolana 
 Pauta Aduaneira 
 Boletins do Ministério das Finanças Actualizado 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Unidade de Ensino /Aprendizagem 7 - NOÇÕES FUNDAMENTAIS DE FISCALIDADE 
5 
 
Objectivos Conteúdos Sugestões Metodológicas
• Distinguir despesas públicas de receitas públicas. l. Objectivos da fiscalidade
• Identificar as receitas colectivas.
• Identificar as receitas voluntárias,
• Distinguir o Direito financeiro, do Direito Tributário e do
Direito fiscal.
3. Impostos, taxas e multas
• Enquadrar o Direito fiscal como ramo do Direito
público.
4. Direito Financeiro, Direito Tributário e Direito
Fiscal
• Efectuar a interpretação da lei fiscal. 5. Interpretação da Lei Fiscal
• Identificar as fontes do Direito fiscal.
• Conhecer o princípio de não retroactividade da lei fiscal
• Identificar o princípio da territorialidade da lei fiscal. 7. Aplicação da Lei Fiscal relativamente ao espaço
Apresentar a distinção entre Direito financeiro, Direito
tributário e Direito fiscal, mostrando que o Direito Fiscal é
um ramo do Direito público.
•
Dar a noção de imposto, caracterizando os elementos
constantes da definição.
Relativamente às fases do imposto e com base no imposto
que servirá de exemplo identificar a incidência real, a
incidência pessoal, a matéria colectável, e a determinação da
colecta.
• Distinguir o imposto de taxa e de multa.
Proceder à classificação dos impostos, caracterizando alguns
dos impostos existentes.
• Conhecer as fases do imposto,
Relativamente à avaliação, sugere-se: avaliação formativa
através de trabalhos, graduados de acordo com o grau de
dificuldades, a realizar pelos alunos individualmente ou em
grupo; 
• Classificar os impostos.
Avaliação sumativa no final do tema e contemplando a
matéria leccionada.
• Identificar os principais impostos existentes.
2. Despesas públicas e receitas públicas
6. Aplicação da Lei Fiscal relativamente ao tempo
Partindo-se da noção de necessidades colectivas, 
apresentar a necessidade de realização de despesas e da 
obtenção de receitas por parte do Estado.
Através de exemplos estabelecer a distinção entre receitas 
impostas pelo Estado aos i contribuintes e receitas que 
resultam dos cidadãos.
Será altura para fazer genericamente a distinção entre 
impostos, taxas e multas e identificar o orçamento geral do 
Estado como peça fundamental para a gestão do país.
 
 
 
 
 
 
 
 
6 
 
Unidade de Ensino /Aprendizagem 8- OS IMPOSTOS 
Objectivos Conteúdos Sugestões Metodológicas 
 Dar noção de Impostos. 
 Conhecer os elementos 
integrantes de qualquer 
Imposto. 
 Definir as fases a 
considerar num Imposto 
 Classificar os impostos de 
acordo com a sua estrutura 
e natureza. 
 Caracterizar o Imposto. 
 Conhecer a incidência. 
 Definir a matéria colectável 
 Identificar as deduções 
 Indicar as formas e local de 
pagamento. 
 Identificar as obrigações 
declarativas. 
 Conhecer as principais 
garantias de que gozam os 
principais contribuintes. 
 Conhecer os meios de que a 
administração fiscal se 
serve para fiscalizar os 
impostos. 
 Deduzir as infracções 
fiscais a que os 
contribuintes estão sujeitos. 
 Organizar o dossier fiscal. 
1. Introdução 
2. Conceito de imposto e 
elementos integrantes 
3. Fases do Imposto 
4. Classificação dos 
Impostos 
5. Garantias gerais dos 
contribuintes, 
fiscalização e infracções 
fiscais. 
Esta matéria deverá ser lecionada 
em simultâneo com outras 
disciplinas do programa, pois 
nelas a parte fiscal esta 
referenciada de forma mais ou 
menos aprofunda. 
Os alunos deverão conhecer os 
impostos que vigoram em Angola, 
como se encontram classificados e 
quais as fases características de 
cada Imposto. 
Deverão ainda, conhecer quais 
são as garantias que gozam, como 
é que o Estado efectua a 
fiscalização da actividade fiscal e 
quais as penalidades a que os 
cidadãos que não cumprirem a lei 
fiscal estão sujeitos. 
Será altura para apresentar os 
elementos contabilísticos que 
compõem o dossier fiscal e a sua 
forma de organização. 
Relativamente a avaliação 
recomenda-se: Avaliação 
formativa que comtemplará 
trabalhos a elaborar pelos alunos 
para apuramento do resultado 
tributável e cálculo do imposto 
que deverão ser fraduados por 
ordem crescente de dificuldades. 
Nestes trabalhos poder-se-á ao 
preenchimento das respectivas 
declarações que poderão ser 
objecto de tratamento 
informático; Avaliação sumativa 
que deverá ser efectuada no final 
da lecionação desta unidade. 
 
 
 
7 
 
Unidade de Ensino /Aprendizagem 9- IMPOSTO SOBRE OS RENDIMENTOS DO 
TRABALHO 
Objectivos Conteúdos Sugestões Metodológicas 
 Caracterizar o Imposto. 
 Identificar a incidência 
real. 
 Identificar a incidência 
pessoal. 
 Reconhecer as 
diferentes categorias de 
rendimentos.e o subsequente aumento de 
natalidade. Se porém, se pretender o efeito contrário isentam-se ou reduz-se o imposto 
dos solteiros e tributam-se pesadamente os casados. 
Considerando um imposto Progressivo, verifica-se que com a sua utilização procura-se 
aproximar as condições não apenas no plano social como ainda no campo económico. 
A intervenção financeira, fiscal do imposto podem combinar-se e completar-se na 
redistribuição da riqueza. O imposto sobre os rendimentos elevados pode ser 
redistribuído sob diversas formas pelos cidadãos de mais fraca capacidade económica. 
3.6 - IMPOSTO E FIGURAS AFINS 
A par do imposto os cidadãos têm com as entidades públicas diversas outras obrigações 
pecuniárias ou transferências patrimoniais sob a forma de taxas, multas, confisco, 
expropriação para utilidade pública, etc. 
Existem diferenças que contradistinguem, o imposto e estas figuras que se lhe 
assemelham, sendo por isso, importante analisar algumas delas. 
a)- IMPOSTO E TAXA 
As receitas Tributárias incluem para além do imposto, as taxas. 
As Taxas são pagamentos em dinheiro feitas pelos cidadãos à entidades públicas, com 
um carácter definitivo, estabelecidas por Lei como pagamento dos serviços prestados 
pelo Estado ou pelo utilização de bens públicas (estradas, pontes, etc). 
Ao contrário do imposto, a Taxa tem um carácter bilateral (sinalagmático), equivalendo 
ao preço dos serviços ou bens cuja titularidade pertence ao Estado. 
45 
 
Existem várias: Taxas Judiciais, Administrativas (registo notariado, propinas, taxa de 
circulação de automóveis nas vias públicas, taxas portuárias, portagens, taxas de entrada 
nos museus, dos serviços comunitários, etc). 
b)- IMPOSTO E MULTA 
A multa é um pagamento em dinheiro à favor de uma entidade pública resultante de 
violação de uma norma legal cuja gravidade deve ser sancionada com a exigência de 
determinadas importâncias aos seus autores. 
A multa tem, pois, um carácter de sanção ou penalidade aspecto em que difere do 
Imposto. 
c)- IMPOSTO E CONFISCO 
Um confisco é uma transferência patrimonial à favor de uma entidade pública como 
uma sanção aplicada à particulares que pratiquem actos que violam as normas 
económicas vigentes numa determinada sociedade. 
d)- IMPOSTO E EXPROPRIAÇÃO POR UTILIDADE PÚBLICA 
A expropriação por utilidade pública é um acto através do qual uma entidade pública 
exige dos cidadãos a cessão de um bem (geralmente imóveis, terrenos), mediante uma 
indemnização, com a finalidade de ser utilizado para a satisfação de interesses 
colectivos. 
e)- IMPOSTO E EMPRÉSTIMO PÚBLICO FORÇADO 
O Empréstimo Público forçado é um empréstimo em que o prestador (entidade de 
direito privado) se vê obrigado a emprestar uma determinada quantia ao prestamista 
(estado ou outro ente público). 
Normalmente o Empréstimo Público forçado é materializado por obrigações que 
conferem ao prestador todos os direitos inerentes à dos funcionários públicos de um mês 
sejam pagos em obrigações do Tesouro ou Títulos do Tesouro. 
O Empréstimo Público Forçado distingue-se imposto, porque pressupõe sempre a 
amortização da dívida e vence sempre juros ao passo que o Imposto é definitivo e 
unilateral. 
46 
 
EXERCÍCIOS 
1)- Defina o objecto do imposto e justifique a razão da sua existência. 
2)- Defina a base do imposto explique as formas que se utilizam para a sua qualificação. 
3)- Enumere as diferentes fases do imposto? 
4)- O que são Juros de Mora e quando é que têm lugar? 
5)- Quais são as características do imposto? 
6)- Os impostos foram sempre prestações pecuniárias? Justifique a sua resposta. 
7)- Defina o conceito de contribuinte e enumere as diversas formas que pode assumir? 
8)- O que são Rendimentos reais? 
9)- O que são Taxas Ad-valorem? 
10)-O que é o registo Geral de Contribuintes e qual é a sua finalidade? No caso de 
Angola, quando foi iniciado? 
11)- O que são rendimentos Presumidos? 
12)-Contradistinga: a) Imposto e Empréstimo Público; b)- Imposto e expropriação, c)- 
Imposto e Taxa d)- Imposto e Multa 
13) – As Organizações Chaves & Filhos, limitada, é uma Empresa cujo 
objecto social é a comercialização de bens diversos e prestação de serviços, 
em 2017 obteve um resultado líquido de Kz 1.675.500,00. 
Tem 25 trabalhadores entre responsáveis e subordinados e anualmente 
despende com a formação do pessoal o equivalente à 12,5% das suas 
vendas. Nos termos da Legislação Fiscal angolana os lucros das empresas 
são tributados em sede de imposto industrial à taxa de 30%, sendo abatidos 
da matéria colectável as despesas com a formação do pessoal. 
As entidades empregadoras têm a obrigação de descontar nos salários dos 
seus trabalhadores o imposto sobre os rendimentos do trabalho, para 
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posterior entrega nos cofres do Estado. As vendas foram de Kz 
327.550.200,00. 
 Com base nestas informações, responda as seguintes perguntas: 
1)- Relativamente ao imposto Industrial, Identifique no texto os seguintes elementos: 
a)- A Base do imposto; 
b)- O Facto gerador do Imposto; 
 c)- O Contribuinte do Imposto; 
d)- Calcule o imposto a pagar naquele exercício. 
2) - Relativamente ao imposto sobre os rendimentos do trabalho indique: 
a)- O Contribuinte de facto 
b) - O Contribuinte de Direito 
c) - O Facto Gerador do imposto 
14) - Na falta de liquidação de um imposto por parte do Contribuinte, qual é a 
penalidade que sobre si recai? E na falta de pagamento? 
15) - Um contribuinte colectado em Imposto Industrial à taxa de 30% deveria apresentar 
a declaração de rendimentos e fazer a autoliquidação do imposto devido em 30 de Abril 
de 2018 o que só veio a acontecer em Setembro de 2019. Liquidado, verificou-se que 90 
dias depois do prazo legal o imposto não estava pago. 
Sabendo-se que a Matéria Colectável declarada foi de Kz 75.898.500.00, calcule o valor 
do imposto liquidado em Setembro de 2019 e o total da dívida findo o prazo legal de 
pagamento. 
16) - As Organizações Muzanga è uma empresa de direito angolano que se dedica a 
venda de vestuário e calçado. Está colectada em Imposto Industrial, Grupo B, com 
rendimentos presumidos em 1/4 das vendas anuais. A Taxa normal do imposto é de 
30%. Em 2015 as vendas totalizaram 345.750.570.015.00 Kz. Nos termos da Legislação 
Fiscal em vigor, os Contribuintes do Grupo B devem fazer a autoliquidação do imposto 
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até 30 de Abril do ano seguinte ao que dizem respeito os rendimentos, sendo o imposto 
pago até ao último dia do mês da liquidação. Esta empresa não liquidou o imposto no 
prazo estabelecido o que só veio a acontecer em Novembro de 2016, Liquidado o 
imposto, não fez o seu pagamento, tendo a respectiva Repartição Fiscal relaxado a 
dívida em 31 de Dezembro do mesmo ano, data em que a remeteu ao Tribunal das 
Execuções Fiscais. Instruído o processo executivo em 2 de Janeiro de 2017, foi o 
Contribuinte citado para, no prazo de 15 dias regularizar a sua dívida sob pena de 
penhora dos bens. Finalmente, no prazo estabelecido pelo Tribunal das Execuções 
Fiscais, o Contribuinte pagou a totalidade da dívida exequenda. 
Pretende-se: 
a) - Calcular o imposto liquidado pelo Contribuinte. 
b) - O valor da dívida relaxada pela Repartição Fiscal. 
c)- O total da dívida exequenda paga pelo contribuinte no Tribunal das Execuções 
Fiscais. 
 d) - Caso o Contribuinte não pagasse a dívida fiscal que património seria executado? 
e) - Supondo que esta empresa não pagava a dívida fiscal e não tinha património 
suficiente para ressarcir a dívida. Neste caso, como seria resolvido o caso? 
17) - Discorra sobre o tema: "O PAPEL DOS IMPOSTOS NA ECONOMIA". 
 
 
 
 
 
 
 
49 
 
 
TEMA IV – A TRIBUTAÇÃO EM ANGOLA E A REFORMA TRIBUTÁRIA 
4.1 – Diferenças entre: Impostos, Taxas, Contribuições e Emolumentos 
Ao contrário do Imposto, a Taxa tem um carácter bilateral (sinalagmático), equivalendo 
ao preço dos serviços ou bens cuja titularidade pertence ao Estado. 
Diferentementedo item acima, as contribuições são um tributo com finalidade 
específica. Ou seja, são criadas para atender determinadas situações. 
Como exemplo, temos: A Contribuição para Formação de Quadros Angolanos. 
Emolumentos nada mais são do que taxas cobradas com o objectivo de remunerar o 
custo de serviços prestados por órgãos de registo. Esse tipo de taxa sempre está 
atrelado a uma operação específica, ou seja, incide sobre cada operação de registo. 
 
4.2 – Noção de Estabelecimento Estável, Sede e Direcção Efectiva 
Estabelecimento Estável: é a instalação fixa ou representação permanente para o 
exercício da actividade empresarial, nomeadamente: 
 Um local de direcção; 
 Uma sucursal; 
 Um escritório; 
 Uma fábrica 
 Uma oficina; 
 Uma mina, poço de petróleo ou gás, uma pedreira, ou qualquer local de 
extracção de recursos naturais; 
 Um estabelecimento de construção, de montagem ou actividades de fiscalização; 
 Fornecimentos de serviços, compreendidas as funções de consulta, por uma 
empresa actuando por intermédio de assalariados ou de outro pessoal por 
contratados para este fim; 
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 Uma pessoa que actue no país para uma empresa, se esta pessoa dispõe de 
poderes exercidos habitualmente para concluir contratos em nome da empresa, 
ou então conserva um stock de mercadorias para entrega por conta da empresa. 
SEDE – Trata-se do lugar onde se encontra a existência jurídica de uma sociedade. 
Normalmente, é ai que encontram domiciliados os seus órgãos sociais. 
Direcção Efectiva – Lugar onde a sociedade ou outra entidade desempenha a sua 
actividade principal e onde efectivamente se reúnem e deliberam os seus órgãos de 
administração. 
4.3 – Definição de Contribuinte 
O Contribuinte, Sujeito Passivo do Imposto ou Devedor do Imposto, é a pessoa que 
tem a obrigação de pagar o imposto, isto é aquela pessoa que está submetida à obrigação 
tributária. Geralmente o Contribuinte tem uma forte relação com o objecto do imposto. 
4.4 – A Figura da Unidade de Correcção Fiscal 
É uma figura criada com o objectivo de garantir a actualização dos valores fixados para 
liquidação de impostos, multas, juros e outras receitas fiscais para corrigir os efeitos da 
inflação, actualmente, o seu valor é de 88 Kwanzas. 
4.5 – Os Impostos Directos e Indirectos 
Impostos directos, os que têm como base a manifestação da capacidade contributiva do 
contribuinte. 
Exemplo: Imposto Industrial e Imposto sobre os Rendimentos do Trabalho. 
Os Impostos Indirectos são os que incidem sobre os rendimentos no momento da sua 
utilização sob forma de consumo, ou ainda são aqueles que surgem com a ocorrência de 
certas despesas ou aquisições de bens para consumo. 
4.6 – Os Impostos Proporcionais, Progressivos e Degressivos 
São Proporcionais aqueles impostos em que a taxa é constante, sendo o valor 
directamente proporcional à Matéria colectável. 
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Exemplo: Imposto Industrial. 
São Progressivos aqueles impostos cuja taxa aumenta a medida que aumenta a matéria 
colectável, ou seja, o imposto é mais que proporcional com a matéria colectáveL 
Exemplo: Imposto sobre Rendimentos do Trabalho por conta de outrém. 
São Degressivos os impostos que têm uma taxa normal aplicável à matéria Colectável a 
partir de certo valor e taxas menores para escalões inferiores da Matéria Colectável. 
Exemplo: Imposto sobre os Rendimentos de trabalho por conta de outrem. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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TEMA V - RELAÇÃO JURIDICO-FISCAL 
5.1 - GENERALIDADES; 
Uma relação jurídica é qualquer realidade da vida social tutelada pelo direito, mediante 
a atribuição a uma pessoa (jurídica) de um direito subjectivo e a imposição a outra 
pessoa de um dever ou de uma sujeição. 
DIREITO SUBJECTIVO é a faculdade ou poder atribuído pela ordem jurídica a uma 
pessoa de exigir ou pretender de outra um determinado comportamento positivo (fazer) 
ou negativo (não fazer). Pode ser também traduzido num acto de vontade dessa pessoa 
integrada depois por um acto de autoridade pública (decisão judicial) que produz 
determinados efeitos jurídicos que se impõem inevitavelmente a outra pessoa. 
O dever e a sujeição traduzem a situação da pessoa contra a qual se dirige o poder 
Jurídico do titular do direito subjectivo. Se se trata de 'un direito subjectivo que se 
traduz no poder de exigir ou pretender um determinado comportamento, está-se perante 
um dever jurídico. 
Caso se trate do poder de produzir um efeito jurídico, temos a sujeição. 
Uma relação jurídica pode ser analisada no sentido abstracto não se considera uma 
relação jurídica efectivamente constituída ou individualmente determinada mas apenas 
uma relação jurídica figurada ou uma ralação jurídica em potência, É o caso, por 
exemplo, da relação jurídica em virtude da qual um qualquer vendedor não determinado 
pode exigir a qualquer comprador, também não determinado, o preço da mercadoria 
vendida. 
Caso se defina um caso concreto de um comprador A e um vendedor B, ambos 
determinados, essa relação tomará o aspecto de relação jurídica concreta, pois trata-se 
de uma relação jurídica realmente existente e individualizada. 
Uma relação jurídica comporta quatro elementos que são: - Os sujeitos, o objecto, o 
facto jurídico e a garantia. 
OS SUJEITOS DA RELAÇÃO JURÍDICA 
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Os sujeitos da relação jurídica são as pessoas entre as quais se estabelece a relação 
jurídica. Dum lado situa-se o titular do direito subjectivo (sujeito activo) e do outro o 
onerado com o correspondente dever ou sujeição (sujeito passivo). 
Os sujeitos da relação jurídica são sempre pessoas em sentido jurídico dado que a 
personalidade jurídica se define justamente como sendo a capacidade de ter direitos e 
obrigações ou possuir-se a idoneidade para ser sujeito de uma relação jurídica. 
Em face disto, compreende-se que os sujeitos da relação jurídica podem ser pessoas 
singulares ou físicas e pessoas colectivas ou jurídicas. 
A lei regula a personalidade ou capacidade jurídica das pessoas. O artigo 67° do C.C 
preceitua que as pessoas podem ser sujeitos de quaisquer relações jurídicas, salvo 
disposição legal em contrário: nisto consiste a sua capacidade jurídica. 
A capacidade jurídica das pessoas colectivas reveste duas modalidades: as corporações 
e as fundações. 
As corporações são as Sociedades Comerciais, Recreativas, desportivas ou de Socorros 
mútuos. O elemento principal do substrato corporativo reside na pluralidade de 
indivíduos agrupados para a prossecução de um interesse comum que pode ser de 
natureza ou altruísta. 
O OBJECTO DA RELAÇÃO JURÍDICA 
O objecto da relação jurídica é tudo aquilo sobre que incide o direito subjectivo ou 
recaem os poderes que tal direito confere. 
O objecto da relação jurídica pode ser traduzido por diversas realidades tais como uma 
pessoa, uma coisa, um produto intelectual, etc. 
O FACTO JURÍDICO 
O Facto jurídico é todo facto, acontecimento ou acção humana que produz 
consequências jurídicas. 
O facto jurídico, poder constitutivo, modificado ou extíntivo conforme tenha como 
finalidade a constituição, modificação de uma relação jurídica. 
54 
 
Todas as relações jurídicas estão prefiguradas abstractamente na Lei, existindo como 
ideia. Porém, nenhuma relação jurídica real poderá existir sem que se verifique a 
intervenção do facto jurídico. Neste sentido se pode existir que o facto jurídico 
desempenha o papel de Agente causal que desencadeia a energia jurídica. 
A GARANTIA 
A garantia da relação jurídica é o conjunto de meios sancionatórios adoptados pelo 
Estado por intermédio dos Tribunais contra o sujeito do dever jurídico que não cumpra 
espontaneamente o comportamento prescrito. 
A ordem jurídica confere ao titular do direito subjectivo o poder de exigir da outra parte 
um dado comportamento positivo ou negativo. A esta posição corresponde para outra 
parte o dever de acatar este comportamento mesmo que tenha o poder dereclamar. 
Mas não basta que a norma legal estipule um determinado comportamento para o sujeito 
passivo em relação a outra contraparte. Não seria efectivo o poder atribuído e o dever 
que se impõe, se na realidade não houvesse sanções exteriores de natureza coerciva, 
As providencias sancionatórias destinam-se, pois, a dar uma efectividade aos poderes do 
titular do direito subjectivo e ao dever jurídico que lhe corresponde, permitindo aquele 
fazer valer o seu direito subjectivo mesmo que o obrigado não queira cumprir 
espontaneamente. 
5.2 - A RELAÇÃO JURÍDICO-FISCAL 
O que foi anteriormente referenciado diz respeito à relação Jurídicas Gerais. 
No que toca a relação jurídica-fiscai importa acrescentar que ela tem algumas 
particularidades seus elementos. 
A relação jurídica-fiscai circunscreve-se ao processo de lançamento e cobrança de 
impostos. 
 
 
 
55 
 
5-2.1 -DOS SUJEITOS 
Na relação jurídíca-Fiscal o SUJEITO ACTIVO é o Credor do imposto e pode ser o 
Estado ou uma entidade pública, como por exemplo as autarquias locais e outras 
pessoas colectivas de direito público. 
O Estado é o sujeito activo por excelência, o único que pode fixar, por intermédio dos 
seus órgãos legislativos, os impostos de que é credor. 
As outras entidades públicas, como as autarquias locais e pessoas colectivas de direito 
público, apenas tomam posição de sujeitos activos com o consentimento do Estado tem 
capacidade tributária activa originária e autónoma, cabendo-lhe, por seu turno concede-
la em maior ou menor extensão a outras entes públicos. 
O SUJEITO PASSIVO da relação jurídico-fiscal é a pessoa singular ou colectiva 
relativamente a qual se verifique o pressuposto de facto, isto é, a pessoa que se encontra 
na relação com o objecto do imposto definido nas normas de incidência pessoal. 
O sujeito passivo da relação tributária é o contribuinte do imposto a quem cumpre 
satisfazer a prestação pecuniária do seu património para o Tesouro Nacional. 
Porém, existem casos em que as pessoas não têm capacidade jurídica de direito, não 
podendo ser sujeitos da relação jurídica geral mas são-no para a relação jurídico-fiscal. 
Trata-se dos entes públicos e das sociedades comerciais irregulares. 
As sociedades comerciais que se tenham constituído sem a observância de determinados 
requisitos legais indispensáveis para o efeito, são tratadas em matéria fiscal como se 
fossem regulares pois o direito fiscal preocupa-se essencialmente com as realidades 
económicas e não com a sua configuração no direito privado. 
Nos termos do Artigo 107° do código civil, a administração fiscal responsabiliza pelo 
pagamento de impostos devidos pelas sociedades irregulares aos seus sócios de forma 
pessoal e solidária. O fisco pode também promover o pagamento de colectas liquidadas 
e não satisfeitas oportunamente através dos bens próprios que porventura integrem o 
fundo comum da sociedade irregular. Dai que os serviços de administração fiscal 
possam instaurar processos de execução fiscal não apenas contra os sócios mas ainda 
contra a sociedade irregular ou contra uns e outros conjuntamente. 
56 
 
Deste modo, as sociedades irregulares são consideradas, para efeitos tributários, como 
centros patrimoniais de imputação de obrigações fiscais, decorrendo daqui que possuam 
capacidade tributária passiva. 
As autarquias locais, os organismos corporativas e outras pessoas colectivas têm 
capacidade jurídica tributária passiva, podendo ser tanto sujeitos activos como passivos 
da relação jurídico-fiscal. 
a) - SUBSTITUIÇÃO FISCAL 
Há substituição fiscal quando a lei prescreve que o pagamento de um determinado 
imposto seja feito por uma pessoa diversa do contribuinte, como é por exemplo, o caso 
do Imposto sobre os Rendimentos do Trabalho (IRT) em que a lei determina que a 
entidade patronal faça a retenção do Imposto e sua entrega nos cofres do Estado no 
prazo estabelecido. 
A substituição fiscal só existe quando esteja expressamente inserida na lei. 
A substituição parcial o contribuinte fica ainda com a obrigação de cumprir certos 
deveres acessórios. 
b)- RESPONSABILIDADE FISCAL 
A responsabilidade fiscal verifica-se quando, para além do sujeito passivo principal, 
existirem outras pessoas (responsáveis subsidiários) com a obrigação do pagamento do 
imposto, nos termos da lei. 
c) - TRANSMISSÃO DA OBRIGAÇÃO FISCAL 
Existem duas formas de transmissão da obrigação fiscal: sub-rogação e a sucessão 
mortis causa ". 
A sub-rogacão verifica-se quando uma terceira pessoa paga o imposto em nome do 
contribuinte. Por aplicação do direito civil, a pessoa que pagar a dívida tributária do 
originário devedor fica com o direito de regresso. A dívida paga pelo sub-rogado 
conserva as garantias, privilégios e processo de cobrança e vence juros pela taxa fixada 
na lei civil se o sub-rogado o requerer, podendo utilizar o próprio processo de execução 
fiscal para cobrar o seu crédito. 
57 
 
A transmissão da obrigação fiscal por sucessão " mortis causa", verifica-se quando a 
morte do contribuinte se transmitem aos seus herdeiros as dívidas tributárias daquele. 
O princípio da responsabilidade do herdeiro das dívidas fiscais do autor da herança, o 
"de cujus", pode ser deduzido no Artigo 2068 do Código Civil quando consigna que a 
herança responde pelas despesas com funerais e sufrágios do seu autor, pelos encargos 
com o testamento, administração e liquidação do património hereditário, pelo 
pagamento das dívidas do falecido e pelo cumprimento dos legados. 
5.2.2 - O OBJECTO DA RELAÇÃO JURÍDICO-FISCAL 
É a prestação a que o contribuinte está vinculado para com o Estado ou outro ente 
público credor do imposto. 
5.2.3- O FACTO DA RELAÇÃO JURÍDICO-FISCAL 
O Imposto é uma prestação coactiva que tem o seu fundamento na lei. Não é, por 
conseguinte, uma obrigação que surge por força de qualquer contrato celebrado entre os 
respectivos sujeitos. 
A exigência do imposto depende da ocorrência de um acto, de uma situação ou de um 
facto, previamente definidos na respectiva norma de incidência real. Este acto, facto ou 
situação são os pressupostos do imposto ou seu facto gerador, sem o qual a obrigação 
fiscal não existe. 
O legislador pode escolher qualquer facto ou situação da vida real como índice da 
capacidade contributiva do cada cidadão e ligar-lhe uma obrigação de imposto. 
Determinar-se-á fundamentalmente, por considerações de ordem económica, técnica ou 
política tendo, no entanto, que observar os limites que o condicionam. Daqui resulta que 
nos sistemas fiscais modernos exista uma grande variedade de factos tributários. 
5.2.4- DAS GARANTIAS DA RELAÇÃO JURÍDICO FISCAL 
a) GARANTIAS GERAIS 
O artigo 601° do C.C. consigna que pelo cumprimento da obrigação respondem todos os 
bens do devedor susceptíveis de penhora, sem prejuízo dos regimes especialmente 
estabelecidos em consequência da separação de património. 
58 
 
Por sua vez, o Artigo 817° do mesmo código prescreve que não sendo a obrigação 
voluntariamente cumprida, tem o credor o direito de exigir judicialmente o seu 
cumprimento e de executar o património do devedor, nos termos declarados neste 
código e nas leis de processo. 
O património do contribuinte constitui, pois garantia geral das obrigações fiscais. Ela 
está garantida, em primeira linha pela possibilidade que o respectivo credor, o sujeito 
activo da obrigação, tem de agir sobre o património do sujeito passivo da mesma 
obrigação (contribuinte), para satisfazer coercivamente o seu crédito. 
O credor de Impostos (Estado) tem o privilégio de executoriedade ou de execução 
prévia por força do qual direito ao imposto é desde logo eficaz na esfera jurídica do 
contribuinte, não estando a sua vinculação dependente duma decisão judicial prévia que 
autorize ou homologue este direito. A posição jurídica do credor de uma obrigação 
fiscal reveste-se duma especial supremacia que se não verifica nas obrigaçõescivis, 
Por outro lado, as obrigações fiscais são obrigações relativamente disponíveis, não 
podendo os órgãos da administração fiscal negociar sobre as dívidas de imposto, a elas 
renunciar ou perdoá-las nem tão pouco conceder moratórias para o seu pagamento ou 
aceitar que se faça antecipada ou parcialmente a menos que a própria lei o consinta. 
Outra característica da obrigação fiscal é a que resulta da forma de cobrança coerciva da 
dívida, pois a execução fiscal não se confunde com a execução fiscal corre os seus 
termos não nos Tribunais comuns mas sim nos próprios serviços da administração de 
impostos. 
b) - GARANTIAS ESPECIAIS DAS OBRIGAÇÕES FISCAIS 
Para além das garantais gerais atrás referidas, o cumprimento das obrigações fiscais 
pode ser ainda assegurado por garantias especiais que podem ser de natureza pessoal e 
de natureza real. 
É de natureza pessoal a garantia que deriva do instituto de responsabilidade e tem o 
alcance de uma fiança legal. O fiador garante a satisfação do direito de crédito de 
crédito, ficando pessoalmente obrigado perante o credor, A obrigação do fiador é 
acessória da que recai sobre o principal devedor (artigo 627° do Código Civil). 
59 
 
 
As garantias reais são: 
- Os privilégios creditórios que a Lei estabelece a favor do Estado e das autarquias 
Locais; 
- A hipoteca 
-A prestação de caução 
PRIVILEGIO CREDITORIO 
Privilégio Creditório é a faculdade que a lei concede a certos credores, tendo em conta a 
causa do crédito, de serem pagos preferentemente a outros e independentemente de 
registo, nos termos do Artigo 733° do Código Civil. 
Os privilégios creditórios podem ser mobiliários. 
Os privilégios mobiliários podem ser gerais ou especiais. 
São gerais se abrangem o valor de todos os bens móveis existentes no património do 
devedor à data da penhora ou acto equivalente ou nos dois anos anteriores. 
Os créditos do estado pela SISA e pelo imposto sobre as sucessões e doações têm 
privilégio sobre os bens transmitidos, 
A HIPOTECA 
A HIPOTECA é um acto que confere ao credor o direito de ser pago pelo valor de 
certos bens imóveis ou equiparados pertencentes ao devedor ou ao terceiro, com 
preferência sobre os demais credores que não gozem de privilégio especial ou de 
prioridade de registo. 
A hipoteca pode ser legal, judiciária ou voluntária. 
A hipoteca legal, resulta da Lei, não dependendo da vontade das partes e pode 
Constituir-se desde que exista a obrigação a que serve de segurança. 
 
60 
 
 
PRESTAÇÃO DE CAUÇÃO 
É uma outra forma de garantir o cumprimento das obrigações fiscais por meio de 
depósito de dinheiro, de títulos de crédito, pedras preciosas ou por fiança bancária. 
A prestação de caução para garantia das obrigações fiscais é admitida para a 
generalidade dos Impostos como meio de atribuir eficácia suspensiva à execução, à 
impugnação judicial ou à oposição. 
5.3 - EXTINÇÃO DA RELAÇÃO JURÍDICO-FISCAL 
A obrigação fiscal extingue-se por: 
a)- Pagamento do Imposto 
b)- Prescrição 
c)- Compensação 
d)- Confusão 
a)- O PAGAMENTO 
O pagamento é a forma mais utilização para a extinção da obrigação fiscal. 
O não pagamento dos Impostos liquidados dentro do prazo legalmente estabelecido para 
o pagamento voluntário,, implica o desencadeamento do processo de cobrança coerciva 
da dívida através da instauração do competente auto de execução riscai que pode 
desenvolver-se até a penhora, se for o caso disso, e venda por parte da administração 
fiscal de bens do devedor do Imposto em causa. 
 
b) - A PRESCRIÇÃO 
A prescrição é a extinção de um direito pelo seu não exercício durante um determinado 
período de tempo. 
61 
 
Extinção do direito de cobrança da dívida tributária por parte da Administração 
Tributária pelo decurso do período de tempo estabelecido pela Lei; O prazo de 
prescrição é de 10 anos e começa-se a contar a partir da data da notificação da 
liquidação, salvo disposição legal em contrário. A prescrição é sempre de conhecimento 
oficioso do Tribunal, da Repartição Fiscal competente ou serviço local equiparado, para 
promover o processo de execução fiscal; A contagem do prazo de prescrição suspende-
se com a citação, a reclamação, a impugnação e o recurso contencioso de qualquer acto 
administrativo de que a liquidação dependa, bem como a suspensão do processo de 
execução fiscal por motivo da sua apensação ao processo de falência ou insolvência 
c) - A COMPENSAÇÃO 
É um meio de extinção da obrigação com bens que o devedor tem no património do 
credor, desobrigando-se o devedor até a importância do seu crédito. A compensação 
equivale a um pagamento simultâneo. 
Para efectivar-se a compensação da obrigação fiscal é necessário, como requisito 
fundamental, que a obrigação do sujeito passivo do Imposto e o seu crédito sobre o 
Estado respeitem o Imposto da mesma espécie. 
O direito a compensação pertence ao Estado e ao Contribuinte. Para exigir o direito de 
compensação o Contribuinte deve ser portador do Título de Anulação. 
d) - A CONFUSÃO 
Há confusão quando se reúnem na mesma pessoa as qualidades de credor e de devedor 
da obrigação, extinguindo-se na consequência, a dívida. O caso é típico da confusão é o 
que se verifica quando o Estado sucede ao Contribuinte, a título de herdeiro 
testamentário legítimo, nos termos do Artigo 2152a do Código Civil. 
5.4 - DAS GARANTIAS GERAIS DO CONTRIBUINTE 
Nos termos do Artigo 6° do Código Geral Tributário, constituem garantias gerais do 
Contribuinte os seguintes: 
a)- Não pagar Impostos que não tenham sido legalmente criados. 
b)- Não ser a mesma Matéria colectável tributada mais de uma vez, em relação ao 
62 
 
mesmo período, pelo mesmo Imposto. 
c)- Recorrer da fixação da Matéria Colectável fixada pela administração fiscal 
quando o Contribuinte entende ter havido preterição das formalidades legais. 
d)- Reclamar contra a liquidação dos Impostos. 
e)- Ser informado sobre a sua concreta situação fiscal. 
Os grandes princípios orientadores da administração fiscal são, por um lado, a 
autoridade do Estado e, por outro, a garantia e liberdade dos direitos do Contribuinte. 
A autoridade é atribuída ao Estado para poder definir os direitos e lhes dar a necessária 
efectivação. 
A liberdade para o Contribuinte consiste em poder intervir no processo tributário, em 
fazer ouvir a sua voz e não sofrer entraves por motivos fiscais, no exercício da sua 
actividade económica. 
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA: 
- Introdução ao Direito fiscal - Carlos Santos (Lisboa-1992) 
- Direito tributário - Gonçalves Nunes (S. Paulo - Brasil-l 985) 
- Código Geral Tributário - A. Silva e Sousa (Luanda - 1969) 
- Código Civil 
PERGUNTAS DE CONTROLO 
1) - Qual é o domínio de aplicação da relação jurídico-fiscal? 
2) - Quem é o sujeito activo da relação jurídico-fiscal? Justifique a tua resposta, 
3) - Quais são as particularidades dos sujeitos passivos da relação jurídico-fiscal? 
4) - As sociedades comerciais não regulares podem ser da relação jurídico-fiscal? 
Jutistique a tua resposta. 
5) - Como pode ser transmitida a responsabilidade do pagamento das dívidas fiscais? 
63 
 
6) - Enumere os elementos que compõem a relação jurídico-fiscal. 
7) - O que são privilégios creditóríos? Caracteriza-os. 
8) - O que é a garantia da relação jurídico fiscal? 
9)- O que é o direito de regresso? 
10)- O que é a hipoteca? 
11)- Enumere as garantias especiais da relação jurídico-fiscal. 
12)- Como pode ser extinta uma relação jurídico-fiscal? 
13)- O que é a confusão? 
14)- Numa relação jurídico-fiscal quando é que se verifica a confusão? 
15)- O que é a compensação? 
16)- O que entende por prescrição? 
17)- Qual é o período de prescrição para liquidação dos Impostos e para o seu 
pagamento? 
18)- Desenvolva o tema: " A prescrição e o princípio da legalidade tributária" 
19)- Enumere os direitos dos sujeitos passivos da relação jurídico-fiscal. 
20)- Discorra sobre o tema: "A autoridadedo Estado e a garantia dos direitos do 
cidadão .- Contribuinte ". 
 
 
 
 
 
64 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
65 
 
TEMA VI - O SISTEMA FISCAL ANGOLANO E A REFORMA FISCAL 
6.1) - GENERALIDADES 
Chama-se sistema fiscal ao conjunto dos Impostos vigentes num determinado País e aos 
órgãos do Estado que têm a função de administrar estes Impostos. 
A estrutura e o funcionamento do sistema fiscal angolano resultam da conjugação de 
vários factores sendo uns de natureza económica e outros de natureza política e jurídica 
dos quais se destacam os seguintes: 
a) - A ESTRUTURA ECONÓMICA 
A exemplo do que sucede com muitos Países africanos, Angola possui muitas 
características do subdesenvolvimento. A sua economia assenta fundamentalmente nas 
actividades de produção e exploração de recursos naturais não renováveis, 
nomeadamente, do petróleo e dos diamantes. A exploração destes recursos exige 
conhecimentos (know-How) e tecnologia provenientes do estrangeiro sendo dominada 
por Empresas Multinacionais. O preço destes produtos no mercado internacional está 
sujeito à constantes flutuações. Tudo isso faz com que a economia de Angola esteja 
fortemente dependente destas matérias-primas e, consequentes, do exterior. 
A produção agrícola é praticada em moldes tradicionais com carácter de subsistência. A 
indústria transformadora é incipiente e está praticamente destruída. O comércio e a 
prestação de serviços á população dependem dos produtos importados do exterior. O 
sector actividades informal (mercado paralelo) é muito significativo ocupando uma 
grande percentagem da população economicamente activa. O nível de rendimento 
médio por habitante é baixo. Existem desequilíbrios económicos e sociais profundos 
traduzidos na pobreza generalizada, desemprego, desnutrição infracção, altas taxas de 
mortalidade infantil, etc. 
Sendo assim, facilmente se pode depreender as características do sistema fiscal 
angolano, destacando-se as seguintes: 
a) Predominância das receitas do petróleo e dos diamantes que, por sua vez, são 
instáveis dadas a sua dependência do mercado internacional e à outras contingências 
internas; 
66 
 
b) Dificuldades na tributação dos rendimentos reais das actividades industriais, 
comerciais, etc, 
c) Uma base tributária estreita, situação agravada com a existência de muitas 
actividades 
Informais (comércio) realizadas à margem do fisco; 
d) Grande importância das receitas aduaneiras (Alfândegas). Estas receitas, porém, não 
apresentam o nível arrecadação desejado pela fraca organização dos serviços e 
existências de altos índices de evasão e fraude fiscais; 
e) Fraca importância dos impostos sobre o património, sendo a tributação das despesas 
(consumo) feita sob o forma de accises. 
b) - O REGIME COLONIAL 
O regime colonial vigente até 1975 moldou o sistema fiscal angolano aos interesses 
económicos e políticos de Portugal. O quadro jurídico - tributário de Angola assentava 
nas adaptações das reformas fiscais havidos em Portugal entre 1929 a 1970. Este regime 
tributário estava por conseguinte desajustado com a realidade económica e social de 
Angola. 
Apesar disso, a administração fiscal em Angola no período colonial apresentava uma 
organização satisfatória com funcionários especializados e privilegiados o que permitia 
obter uma boa produtividade na cobrança e arrecadação das receitas do estado. 
C) - O PERÍODO PÓS - INDEPENDÊNCIA 
Com a independência do país, alcançada a 11 de Novembro de 1975 e opção política 
então adoptada, houve um corte radical com o sistema tributário do período colonial. 
A progressiva socialização e estatização da economia tornou inadequada a fiscalidade 
existente e muitos diplomas legais caíram em desuso. 
A filosofia de receita passou a nortear-se pelo princípio de que os lucros das empresas 
do estado eram a principal fonte se receitas do estado. Sendo assim, Impostos foram 
67 
 
sendo relegados para um plano secundário e os órgãos da administração fiscal ficaram 
desarticulados e esvaziados dos seus melhores quadros. A excepção das receitas 
tributárias do sector dos Petróleos, registaram-se quebras significativas na arrecadação 
das receitas de Impostos. 
Na prática, as empresas estatais em vez de gerarem receitas para o Estado, iam buscar 
financiamentos do OGE para sobreviverem pois da sua O OGE começou a ter déficit 
sucessivos. 
A partir de 1985/86, face aos sucessivos deficits orçamentais, o Governo começou a 
implementar vários programas de recuperação económica (iniciados com o SEF-
Programa de saneamento económico e financeiro) que apontavam para a necessidade de 
se fazer uma reforma do sistema fiscal angolano no sentido de se incrementar as receitas 
de impostos não dependentes do sector do petróleo cujas principais acções são as 
seguintes: 
a) Reformulação ou reajustamento da Legislação tributária. Porquê? 
b) Recrutamento e formação de pessoal de nível médio e superior para a administração 
fiscal. 
c) Reorganização e modernização dos órgãos da administração fiscal, prioridade para a 
Província de Luanda. Porquê? 
Em 1991/92, em colaboração com alguns organismos internacionais, foram iniciadas as 
primeiras acções para a reforma do sistema fiscal angolano. Os princípios fundamentais 
da fiscalidade angolana foram consagrados na Lei constitucional (Artº 102) em vigor. 
No regime geral de tributação, podemos dividir o período pós- independência em três 
fases: fase pré-Reforma Fiscal, fase da Reforma Fiscal e fase – pós- Reforma Fiscal. 
A fase pré-Reforma Fiscal – entre 1975 – 2010 – compreende o período durante o qual 
se procedeu a algumas alterações nos Diplomas Legislativos Fiscais produzidos antes da 
Independência. 
A fase da Reforma Fiscal – período de 5 anos, contando a partir de 18 de Junho de 
2010 – foi caracterizada pela aprovação do Decreto Presidencial nº 155/10, de 28 de 
68 
 
Julho (Projecto Executivo para a Reforma Tributária) e do Decreto Presidencial n.º 
50/11, de 15 de Março ( Linhas Gerais do Executivo para a Reforma Tributária), que 
permitiram a aprovação e alterações de fundo de uma serie de Diplomas Fiscais. 
A fase pós – Reforma Fiscal caracteriza-se pela entrada em vigor do novo Código Geral 
Tributário (Decreto Legislativo Presidencial n.º 21/14, de 22 de Outubro) e, 
consequentemente, a publicação de vários diplomas legais do âmbito fiscal. 
Esta fase caracteriza-se igualmente pela reestruturação e modernização da 
Administração Tributária, nas suas múltiplas vertentes, pela fusão da Direcção Nacional 
de Impostos, do Serviço Nacional das Alfandegas e do Projecto Executivo para a 
Reforma Tributária num ente jurídico único, designado por Administração Geral 
Tributária; pela tomada de posse dos Membros da Ordem dos Contabilistas de Angola e 
pelo processo de inscrição dos técnicos nesta mesma Ordem, bem como o seu 
funcionamento em pleno. 
No regime especial de tributação, no que diz respeito especificamente à indústria 
mineira, a fase de Reforma Fiscal começou com a aprovação, em 2011, da Lei n.º 31/11 
– Código Mineiro. Antes da entrada em vigor da lei atrás citada, a actividade mineira 
era regulada com base num conjunto de diplomas avulsos, destacando-se os seguintes: 
 Lei n.º 1/92, de 17 de Janeiro, das Actividades Geológicas e Mineiras; 
 Lei n.º 12 – B/96, de 24 de Maio, sobre o Regime Aduaneiro aplicável ao sector 
mineiro; 
 Decreto- lei n.º 4 – B/96, de 31 de Maio, Regime Fiscal para a indústria mineira, 
etc. 
Na industria petrolífera, a Reforma Fiscal começou em 2004, com a aprovação da Lei 
n.º 10/04, de 12 de Novembro – Lei das Actividades Petrolíferas, e da Lei n.º 13/04, de 
24 de Dezembro - Tributação das Actividades Petrolíferas. Antes da entrada em vigor 
da Lei n.º 10/04, de 12 de Novembro, a actividade petrolífera era regulada com base nos 
seguintes diplomas: 
 Decreto n.º 41356, de 11 de Novembro de 1957– Imposto de Produção de 
Petróleo. 
69 
 
 Decreto n.º 41357, de 11 de Novembro de 1957 – Imposto de Rendimento de 
Petróleo. 
6.2) - OS ÓRGÃOS DA ADMINISTRAÇÃO FISCAL 
Entende-se por administração fiscal aos órgãos do Estado que têm como função a 
promoção e execução da política fiscal (tributária) do Estado. 
O órgão da administração fiscal angolana depende do Ministério das Finanças e este 
órgão denomina-se Administração Geral Tributária (AGT). 
A Administração Geral Tributária é o órgão executivo do Ministério das Finanças a 
quem compete propor e executar a política fiscal do Estado. 
São atribuições da AGT: 
 Prever, acompanhar, fiscalizar e avaliar a arrecadação de receitas do OGE; 
 Arrolar, dimensionar e controlar todas as fontes de Impostos, realizando e 
mantendo actualizado o Registo Geral de Contribuintes (RGC); 
 Fiscalizar o cumprimento das normas tributárias; 
 Propor a criação, modificação ou extinção de Impostos 
Ao órgão central cabe planear, dirigir e controlar as actividades tributárias a nível do 
País e compreende as seguintes áreas funcionais especializadas na elaboração das 
normas tributárias, registos e estatísticas fiscais, arrecadação de receitas, fiscalização de 
Impostos e regimes especiais. 
Nas provinciais existem as delegações provinciais do Ministério das finanças que 
integram a sua estrutura orgânica um delegado que supervisiona as actividades 
tributárias da respectiva província sob a coordenação metodológica da AGT. 
A nível local (município) existem as repartições de finanças que levam a cabo na 
prática, a execução das actividades tributárias e que se relacionam directamente com os 
Contribuintes, 
Uma repartição de Finanças pode ter sob sua jurisdição um ou vários municípios ou seja 
numa província, pode ter várias repartições de finanças ou apenas uma repartição que 
atendem todos os Contribuintes. 
70 
 
Na província de Luanda, por exemplo existem seis Repartições de Finanças, a saber: 
 Repartição Fiscal de Viana, 
 1ª Repartição Fiscal, 
 2ª Repartição Fiscal, 
 3 ª Repartição Fiscal, 
 Repartição Fiscal do Cacuaco, 
 Repartição dos Grandes Contribuintes. 
6.3) -OS IMPOSTOS DO SISTEMA FISCAL ANGOLANO 
Angola tem um sistema tributário do tipo cedular que se caracteriza pela existência de 
vários Impostos directos e indirectos, tributário os rendimentos a medida que são 
gerados ou postos a disposição do seu destinatário ou ainda a quando da sua utilização. 
No Sistema Fiscal Angolano, a tributação incide sobre: 
I) - Impostos sobre o Rendimento; 
II) - Impostos sobre o Património 
III) - Impostos sobre a Consumo e Despesa 
IV) – Actividade mineira 
V) – Actividade petrolifera 
I) - IMPOSTOS SOBRE O RENDIMENTO 
A tributação do rendimento está dividida em: Imposto sobre o Rendimento de Pessoas 
Singulares, Imposto sobre Rendimento de Pessoas Colectivas e Imposto sobre a 
Aplicação de Capitais. 
Os Impostos sobre o rendimento são os seguintes: 
a) - Imposto sobre os rendimentos de trabalho 
b) - Imposto Industrial 
c) - Imposto sobre Aplicação de Capitais 
II) - IMPOSTOS SOBRE O PATRIMÓNIO 
71 
 
A tributação do património está dividida em Imposto Predial, Imposto das Sucessões e 
Doações e Sisa sobre as Transmissões de Imobiliários por Titulo Oneroso e Impostos 
sobre Veículos Motorizados (IVM). 
 
Recaem sobre as transferências de propriedade, existindo os seguintes: 
a) - Imposto sobre as Sucessões e Doações- Incide sobre as transmissões bens móveis 
ou 
Imóveis, "intevivos", ou " mortis causa", a título gratuito; 
b)- Sisa-incide sobre a transmissão de bens Imóveis a título oneroso. 
c) IVM - incide sobre os veículos motorizados, matriculados ou registados, de 
acordo com a legislação 
III) - IMPOSTOS SOBRE CONSUMO E DESPESA 
São impostos indirectos, incidido sobre vários produtos na fase da sua produção ou do 
seu consumo; sob a forma de ACCISES. 
III-1 Imposto Sobre o Valor Acrescentado e Imposto Especial de Consumo 
III-1.1 Imposto Sobre o Valor Acrescentado (Origem, Conceito e Características) 
Origem 
O IVA foi criado em França em 1954, por Maurice Lauré por ocasião de uma reforma 
fiscal levada a cabo em França. 
Conceito 
“O IVA é um imposto Indirecto que tributa o valor acrescentado nas transmissões de 
bens e prestações de serviço”. 
EXEMPLO: 
Transmissão a titulo oneroso Aquisição de um bem 
72 
 
 
Preço de Compra – AKZ 750 
Preço de venda – AKZ 900 
Apuramento do valor acrescentado (preço de venda – preço de compra) 
Valor Acrescentado – AKZ 150 
Características 
Indirecto; São impostos que tributam manifestações de capacidade contributiva que se 
evidenciam através de aquisições de bens e serviços 
Plurifásico: Tributa todas as fases do circuito económico mas sem efeito cumulativo, 
sendo que o seu pagamento é faccionado por todos intervenientes da cadeia 
transaccional 
Geralidade: Incide sobre a generalidade das transmissões de bens, serviços e a 
importação 
Neutralidade: É neutro porque é baseado no método subtractivo e do crédito do 
imposto, assegurando o reembolso do crédito 
Princípio do destino: A tributação é feita no país de destino onde o bem ou serviço será 
consumido, evitando-se a dupla tributação e promove a competitividade dos bens e 
serviços no mercado internacional 
Limiar: Definição do volume de negócio ou importação, que define quem é abrangido 
pelos regimes de tributaçãoem sede do IVA 
IVA tipo consumo: As transmissões de bens e serviços de sujeitos passivos que estejam 
abaixo do limiar, o IVA funcionará como um imposto monofásico (com efeito cascata) 
Regimes do IVA 
 
 
Preço de Compra AKZ 750 Preço de Venda AKZ 900 
73 
 
Regime Geral 
Estão enquadrados neste regime todos os contribuintes cadastrados na Repartição Fiscal 
dos Grandes Contribuintes, bem como aqueles que voluntariamente solicitem a sua 
adesão a este regime, desde que verificados os requisitos previstos no artigo 62.º do 
Código do Imposto Sobre o Valor Acrescentado; Volume de negócios ou operações de 
importação igual ou superior a Kz.: 350.000.000,00 (nos 12 meses anteriores); 
 Todos aqueles, nele já enquadrados; 
 Adesão facultativa (contribuintes com o volume inferior ao acima citado). 
 Os contribuintes do sector industrial devem obrigatoriamente estar neste regime 
independentemente do volume de negócio 
 Os sujeitos passivos deste regime, que praticam operações isentas estão 
obrigados, relativamente a estas operações, ao pagamento do Imposto de Selo 
sobre o recibo de quitação à taxa de 7%, referente à verba 23.3. 
Regime Simplificado 
Volume de negócios ou operações de importação igual ou inferior a Kz.: 
350.000.000,00 (nos 12 meses anteriores); 
Apuramento do imposto devido mensalmente; 
Taxa de 7% sobre o valor efectivamente recebido de operações não isentas, incluindo 
os adiantamentos ou pagamento antecipados; 
Direito à dedução de 7% do total do imposto suportado; 
Na aquisição de serviços a prestadores não residentes, liquidam o imposto à taxa de 7% 
sobre o valor do serviço efectivamente pago. 
Os sujeitos passivos deste regime, que praticam operações isentas estão obrigados, 
relativamente a estas operações, ao pagamento do Imposto de Selo sobre o recibo de 
quitação à taxa de 7%, referente à verba 23.3. 
Os contribuintes do imposto industrial enquadrados no regime simplificado, devem lá 
permanecer desde que o seu volume de negócio não supere os USD 250 Mil; 
Regime de Exclusão 
Estão enquadrados neste regime todos os contribuintes que possuem um Volume de 
negócios ou operações de importação inferior a Kz.: 10.000.000,00; 
Sem qualquer obrigação em sede de IVA. 
 
Nota: - Os contribuintes do imposto industrial enquadrados no regime 
simplificado, devem lá permanecer desde que o seu volume de negocio não ascenda 
os USD 250 Mil; 
Todos contribuintes devem fazer a actualização do cadastro independentemente do seu 
enquadramentoem IVA ou volume de negócio; 
Será alterado o regulamento do CIVA para ajustar as regras contabilísticas do IVA; 
74 
 
Ficam dispensadas do procedimento de despacho e do pagamento dos direitos 
aduaneiros, e a taxa devida pela prestação de serviços as mercadorias expedidas pelos 
correios por intermédio de operadores de correio ou carga expresso, ou contidas na 
bagagem pessoal dos viajantes, desde que reúnam os requisitos do conceito de bens de 
uso pessoal, transportadas em quantidades reduzidas e que não excedam por remessa ou 
por viajante o valor de Kz. 880 000,00 (oitocentos e oitenta mil Kwanzas). 
TAXA 
1. A taxa do imposto é de 14% (catorze por cento) 
2. A taxa do imposto de 2% (dois por cento) na importação e operações internas 
(Regime Especial de Cabinda) 
3. A taxa do imposto de 5% (cinco por cento) para alguns meios agricólas na 
importação e operações internas (Lei do OGE 2020 Revisto) 
INCIDÊNCIA 
 Estão sujeitas a imposto sobre o valor acrescentado: 
a) As transmissões de bens e as prestações de serviços efectuadas no território nacional, 
a título oneroso por um sujeito passivo agindo nessa qualidade; 
b) As importações de bens. 
2. A transmissão de bens ou a prestação de serviços, acessória a outra transmissão de 
bens ou prestação de serviços considera-se parte integral da mesma. 
PRAZOS 
(Apuramento e pagamento do imposto) 
Os sujeitos passivos referidos no número 1 do artigo 4.º, que não optem pelo regime 
geral, procedem ao pagamento do imposto trimestralmente nos meses de Abril, Julho, 
Outubro e Janeiro. 
O imposto a que se refere o número anterior é apurado mediante aplicação da metade da 
taxa do imposto sobre o valor acrescentado sobre o volume de negócios respeitante aos 
três meses anteriores, com direito à dedução, até ao limite de 4% do imposto suportado 
nas suas aquisições de bens e serviços que constem do mapa de fornecedores a que se 
refere o número 4 do artigo anterior. 
 
Para efeitos do disposto no número anterior, o volume de negócios corresponde ao 
montante efectivamente recebido das vendas efectuadas e ou serviços prestados, com 
excepção das operações isentas ao abrigo do Código do Imposto Sobre o Valor 
Acrescentado. 
Os sujeitos passivos referidos no número 1 submetem uma declaração simplificada, por 
transmissão electrónica de dados, até ao último dia do mês seguinte àquele a que 
respeitam as operações dos três meses anteriores. 
Os sujeitos passivos do regime transitório aplicam as regras de liquidação e pagamento 
do regime geral de tributação quando adquiram serviços a prestadores não residentes. 
75 
 
Os serviços referidos no número anterior correspondem aos efectivamente pagos e 
sujeitam-se à metade da taxa do imposto sobre o valor acrescentado. 
Não é concedido reembolso sempre que o montante da dedução a que se refere o 
número 2 seja superior ao imposto apurado nos termos do presente artigo, caso em que 
a dedução é efectuada nos períodos de impostos seguintes até ao fim do período 
transitório, considerando-se definitivo o imposto suportado. 
CIVA 
 
(Pagamento do imposto) 
Os sujeitos passivos, responsáveis pelo pagamento do imposto nos termos dos números 
1 e 2 
do artigo anterior, são obrigados a entregar o montante do imposto exigível, através dos 
meios de pagamento legalmente permitidos, até ao último dia do mês seguinte àquele a 
que respeitam as operações realizadas no mês anterior. 
 
Sempre que se proceda à liquidação do imposto por iniciativa da Administração Geral 
Tributária, sem prejuízo do disposto no artigo 54.º, é o sujeito passivo imediatamente 
notificado para efectuar o pagamento do imposto em falta e dos acréscimos legais, no 
prazo previsto no Código Geral Tributário. 
 
A falta de pagamento do imposto e dos acréscimos legais no prazo previsto no número 
anterior determina a extracção pela Administração Geral Tributária da correspondente 
certidão de dívida nos termos estabelecidos na legislação aplicável. 
 
O imposto devido pelas importações é pago nos serviços aduaneiros competentes no 
acto do desembaraço alfandegário. 
 
O imposto relativo às transmissões de bens resultantes de actos de arrematação, venda 
judicial ou administrativa, conciliação ou de contratos de transacção é liquidado no 
momento em que é emitida a notificação para o pagamento. A liquidação é efectuada 
mediante aplicação da respectiva taxa ao valor tributável, determinado nos termos da 
alínea e) do número 3 do artigo 17.º. 
 
 
(Pagamento do imposto cativo) 
As entidades referidas no número 2 artigo 21.º são obrigadas a submeter por 
transmissão electrónica de dados o anexo da declaração periódica correspondente a tais 
operações, que gera automaticamente o Documento de Cobrança e a entregar o 
montante do imposto cativo que consta das facturas ou documentos equivalentes 
emitidos pelos seus fornecedores de bens e serviços, até ao último dia do mês seguinte 
às operações cujo imposto foi cativo. 
O imposto cativo a que se refere o número anterior deve ser entregue na totalidade aos 
cofres do Estado. 
76 
 
As sociedades investidoras petrolíferas apenas são obrigadas a entregar o montante do 
imposto cativo das operações que não conferem direito à dedução nos termos do artigo 
25.º, simultaneamente com a declaração periódica, através dos meios de pagamento 
legalmente 
Página 34 de 63 
permitidos, no prazo previsto no número 1 do artigo 44.º. 
Sem prejuízo do disposto no número 2 do artigo 52.º, o imposto cativo pelo Estado e as 
autarquias locais deve ser transferido para a Conta Única do Tesouro, no momento do 
pagamento da factura ou documento equivalente. 
Quando a submissão do anexo a que refere o número 1 ocorra após o decurso do prazo 
aí referido, as entidades obrigadas a cativar só podem deduzir o imposto na declaração 
periódica do período subsequente. 
A inclusão do imposto dedutível nos custos de pesquisa, desenvolvimento, produção e 
abandono das sociedades investidoras petrolíferas, implica a não-aceitação do imposto 
como custo fiscalmente aceite em sede do Imposto sobre o Rendimento do Petróleo. 
SUJEITO 
(Incidência subjectiva) 
1. São sujeitos passivos do imposto: 
2. Qualquer pessoa singular, colectiva ou entidade que exerça, de modo independente, 
actividades económicas, incluindo de produção, de comércio ou de prestação de 
serviços, profissões liberais, actividades extractivas, agrícola, aquícola, apícola, avícola, 
pecuária, piscatória e silvícola; 
3. As pessoas singulares, colectivas ou entidades que realizem importações de bens nos 
termos da legislação aduaneira; 
Página 10 de 63; 
4. As pessoas singulares, colectivas ou entidades que mencionem indevidamente o 
Imposto sobre o Valor Acrescentado em factura ou documento equivalente; 
5. As pessoas singulares, colectivas ou entidades, sujeitos passivos do imposto, que 
sejam adquirentes de serviços a entidades não residentes sem domicílio, sede ou 
estabelecimento estável no território nacional, nos termos do número 2 do artigo 29.º do 
presente Código; 
6. São ainda sujeitos passivos do imposto: 
7. O Estado, as entidades governamentais e outros organismos públicos, incluindo, 
Institutos Públicos, Autarquias, Instituições públicas de previdência e segurança social, 
excepto quando atuem dentro dos poderes de autoridade e daí não resultem distorções 
de concorrência; 
8. Os partidos e coligações políticas, os sindicatos e as instituições religiosas legalmente 
constituídas, na medida em que efectuem operações tributáveis. 
9. Não se consideram sujeitos passivos do imposto os assalariados e outras pessoas, na 
medida em que se encontrem vinculados à entidade patronal por um contrato de 
trabalho, ou por contrato que, não sendo um contrato de trabalho, estabeleça vínculos de 
77 
 
subordinação no que diz respeito às condições de trabalho e de remuneração e à 
responsabilidade da entidade patronal. 
 
 
 
PENALIZAÇÕES(Penalizações) 
 
1. A falta ou atraso na submissão eletrónica de qualquer declaração fiscal ou documento 
electrónico exigível implica, para o infractor, o pagamento de multa de 5.862 UCF por 
cada infracção, independentemente da entrega do imposto devido e não arrecadado em 
consequência da transgressão praticada. 
2. Caso haja dolo na falta ou atraso na submissão eletrónica de qualquer declaração ou 
documento, a multa referida no número anterior eleva-se para o dobro. 
3. Quando a infracção for regurarizada nos 30 dias imediatos ao fim do prazo legal a 
multa referida do nº 1 reduz-se pela metade. 
4. Presume-se dolosa a falta de submissão de qualquer declaração prevista. 
5. A falta de liquidação, liquidação inferior á devida ou liquidação indevida do imposto 
em facturaou documento equivalente, bem como a falta de entrega , total ou parcial do 
imposto devido aplica-se o disposto no Código Geral Tributário. 
6. Excluem-se do âmbito de aplicação do ponto anterior, o incumprimento do disposto 
de aplicação do nº 2 do artigo 29ºe no artigo 31º, o qual implica para o infractor multa 
igual ao dobro do imposto em falta, com o mínimo correspondente a 569 UCFpor cada 
infracção. 
Revogações e Derrogacões 
Com a implementação do Imposto sobre o Valor Acrescentado, prevê-se a Revogação e 
Isenção de determinados Impostos. 
1. Decreto Legislativo Presidencial nº 3-A/14 de 21 de Outubro, que aprova o 
Regulamento do Código do Imposto de Consumo; 
2. O Decreto Legislativo Presidencial n.º 3/18, de 9 de Maio que aprova a Pauta 
Aduaneira e dos Direitos de Importação e Exportação, apenas na parte respeitante às 
taxas aplicáveis ao Imposto de Consumo nas operações aduaneiras; 
78 
 
3. Toda legislação que contrarie o disposto no presente diploma. 
Os sujeitos passivos do Imposto sobre o Valor Acrescentado, abrangidos pelo regime 
geral desse imposto, bem como os abrangidos pelo regime transitório, ficam isentos do 
Imposto de Selo previsto na verba n.º 23.3 da tabela a que se refere o Decreto 
Legislativo Presidencial n.º 3/14, de 21 de Outubro, que aprova a Revisão e 
Republicação do Código do Imposto de Selo. 
Localização das Operações 
Tributam-se (em regra) Operações (transmissões de bens, prestações de serviços e 
importações) realizadas em Angola. 
Não se tributam (em regra) Operações (transmissões de bens, prestações de serviços e 
importações) realizadas fora de Angola. 
Duas situações de destaque 
1.ª Inversão do sujeito passivo (reverse charge), que ocorrerá nos casos em que um 
sujeito passivo com domicílio, sede ou estabelecimento estável no território nacional 
contrate serviços a um prestador que não tenha domicílio em Angola. Nesse caso, a 
responsabilidade pela liquidação e pagamento do imposto será do adquirente, 
quando o prestador não tenha representante. 
2.ª Exportação de Serviços situações em que um sujeito passivo do IVA com domicílio, 
sede ou estabelecimento em Angola, transmista bens ou preste serviços a uma pessoa 
(singular ou colectiva) sem domicílio, sede ou estabelecimento no território nacional. 
Nesta situação não haverá lugar a liquidação e pagamento do imposto, porquanto 
este será tributado, em princípio, fora de Angola. 
Isenções nas operações internas 
Bens alimentares; medicamentos para fins profiláticos e terapêuticos; Transmissões de 
Livros físicos e digitais; Transporte colectivo de passageiros; Operações de 
intermediação financeira; Operações de seguro e resseguro, de vida; Bens da industria 
petrolífera; Jogos de fortuna e azar; Locação de imóveis para fins habitacionais com 
excepção dos serviços de hotelaria e similares; Operações sujeitas a sisa ainda que 
isentas; 
79 
 
Isenções nas operações de importação 
1. Isenção nos custos: 
 Importação de moedas, notas e ouro pelo BNA; 
 Importações com o objectivo de acudir calamidades; 
 Importações no âmbito das relações diplomáticas e consulares; 
 Importações no âmbito de tratados e acordos internacionais que Angola seja 
parte integrante; 
 Bens alimentares; 
 Bens da indústria petrolífera; 
Reembolso 
A solicitação do reembolso é feita através da submissão da declaração periódica e dos 
respectivos anexos (art. 44.º). Ficando o S.P impedido de proceder ao reporte do crédito 
da declaração do período seguinte, pela respectiva importância, até a comunicação da 
decisão que recair sobre o pedido. 
Prazos para a concessão do Reembolso 
✓Os reembolsos, quando devidos, devem ser efectuados pela AGT até o final do 
terceiro mês seguinte ao da apresentação do pedido; 
✓Findo este prazo os S.P podem solicitar juros indemnizatórios nos termos do CGT, 
desde o termo do prazo para o pagamento do reembolso até a data da emissão do 
respectivo meio de pagamento, quando o atraso for imputado à AGT; 
✓A AGT pode suspender o prazo, por um período de 30 dias contados a partir da data 
da notificação, quando por factos imputáveis ao contribuinte não for possível aferir a 
legitimidade do reembolso; 
✓Findo os 30 dias, sem que o S.P apresente os documentos solicitados nos termos do 
Regulamento aplicável a AGT procede à anulação ou correcção do crédito. 
… E os reembolsos quando devidos e confirmados, são concedidos em numerários ou 
certificado de crédito fiscal a emitir pela Administração Geral Tributária. 
80 
 
 
Método de cálculo 
Exemplo: Método Indirecto subtractivo, método de dedução do imposto ou método de 
crédito de imposto ou ainda método das facturas. 
Admitindo uma taxa do IVA de 14% e um circuito económico com os seguintes 
intervenientes: Produtor, grossista, retalhistas e consumidor final, sendo que a margem 
de comercialização é de 50%. 
 
 
 
 
 
 
81 
 
III- 1.2- IMPOSTO ESPECIAL DE CONSUMO 
Previsto na nova Lei n.º 8/19, de 24 de Abril, incide sobre a produção ou importação de 
bens específicos, nomeadamente bebidas alcoólicas, tabaco e derivados, fogo de 
artifícios, joalharia, aeronaves, embarcações de recreio, armas de fogo, obras de arte e 
produtos derivados do petróleo. 
As taxas do Imposto Especial de Consumo previstas na Lei variam entre 2% e 30%, 
sendo, por exemplo, de 25% a taxa aplicável a bebidas alcoólicas e 30% produtos de 
tabaco e de 2% a incidente sobre os produtos derivados do petróleo (com excepção do 
gasóleo cuja taxa aplicável é de 5%). 
Os seguintes bens serão sujeitos a Impostos Especiais de Consumo: 
Nocivos à saúde 
 Tabaco e seus derivados 
 Álcool e bebidas alcoólicas 
 Bebidas adicionadas de açúcar e outros edulcorantes 
Nocivos ao ambiente 
 Veículos, incluindo os de colecção 
 Produtos derivados do petróleo 
Considerados supérfluos 
 Artefactos de joalharia e de ourivesaria 
 Objectos de arte, de colecção e antiguidades 
 Fogo de artifício 
 Armas de fogo 
 
 
82 
 
 IV) - IMPOSTOS SOBRE A PRODUÇÃO 
Existem os seguintes impostos sobre a produção: 
a) - Impostos sobre a produção das indústrias do petróleo 
b) - Imposto de produção de Diamantes 
c) - Imposto de produção de indústrias Pesqueiras 
d) - Imposto de produção de outros produtos em regime Especial 
e) - Imposto de produção de produtos Diversos 
6.4) – Calendário Fiscal Angolano 
Em anexo. 
 
 
 
 
TEMA VII – IMPOSTOS NA ESPECIALIDADE (Impostos na República de 
Angola) 
7.1 – Imposto Sobre os Rendimentos de Trabalho 
Em Angola, o Imposto sobre os Rendimentos do Trabalho é regulado pelo Decreto 
Legislativo Presidencial n.º 28/20, de 22 de Julho – Código do Imposto sobre os 
Rendimentos do Trabalho. 
INCIDÊNCIA (SUBJECTIVA E OBJECTIVA) 
O novo CIRT segmenta os rendimentos de trabalho em grupos de tributação, 
nomeadamente, Grupo A, B e C 
Incidência objectiva 
Grupo A - Todas as remunerações pagas pela entidade patronal aos trabalhadores por 
conta de outrem, incluindo funcionários públicos; 
83 
 
Grupo B - Todas as remunerações pagas aos trabalhadores por conta própria, que 
desempenham, de forma independente, actividades profissionaisconstantes da tabela de 
profissões anexa ao Código, bem como os rendimentos percebidos pelos titulares de 
cargos de gerência e administração ou de órgãos sociais de sociedades. 
Grupo C - Todos os rendimentos recebidos pelo desempenho de actividades industriais 
e comerciais, que se presumem todas as constantes na tabela de lucros mínimos em 
vigor. 
Incidência Subjectiva 
Rendimentos de: 
a) Pessoas singulares 
b) Com ou sem residência em Angola 
C) Cujos rendimentos sejam obtidos por serviços prestados a pessoas singulares ou 
colectivas com domicílio, ou estabelecimento estável em Angola 
Não sujeição 
Não constituem matéria colectável do IRT: 
As prestações sociais pagas pelo Instituto Nacional da Segurança Social, reconhecidas 
na Legislação de Segurança Social (Subs. de Maternidade, Subs. Aleitamento, Subsídio 
de Funeral, Abono de Família etc.); 
O abono de família, pago pela entidade empregadora, em montante que não ultrapasse o 
limite máximo de 5% do ordenado base do trabalhador, excluídos os trabalhadores 
sujeitos ao regime remuneratório da função pública; 
Às contribuições para à segurança social; 
Atribuídos por lei aos cidadãos nacionais portadores de deficiências motores, sensoriais 
e mentais; 
O reembolso de despesas incorridas pelos trabalhadores dependentes, quando 
deslocados ao serviço da entidade patronal, desde que estas despesas se encontrem 
devidamente documentadas nos termos do CII e legislação complementar (al. l); 
84 
 
 
Salãrio e outras remunerações devidas, até ao limite de Akz: 100.0000 aos trabalhadores 
eventuais agrícolas nacionais e os trabalhadores domésticos contratados directamente 
por pessoas singulares ou agregados familiares e inscritos na segurança social; 
Rendimentos Isentos 
Os rendimentos auferidos por pessoal estrangeiro ao serviço de organizações 
internacionais, nos termos estabelecidos por órgãos competentes do Estado; 
Os rendimentos auferidos pessoal estrangeiro ao serviço de organizações não 
governamentais, nos termos estabelecidos e prévio aviso por escrito da Administração 
Geral do Trabalho; 
Deficientes físicos e mutilados de guerra: Cujo grau de invalidez ou incapacidade seja 
igual ou superior a 50%, comprovada por documentação emitida por autoridade 
competente. 
 
Antigos combatentes, deficientes de guerra: Antigos combatentes, deficientes de guerra 
 
 
7.1.1 – Imposto sobre os Rendimentos do Trabalho por Conta Própria (GRUPO B) 
Com base na interpretação da letra da lei, o artigo 1º estabelece que o Imposto sobre os 
Rendimentos do Trabalho por conta própria incide sobre os rendimentos por conta 
própria, expressos em dinheiro ou espécie , de natureza contratual ou não, periódicos ou 
ocasionais, fixos ou variáveis, independentemente da sua proveniência. 
O Imposto sobre os Rendimentos do Trabalho por conta própria é aplicável sem 
diferenciação de tratamento dos profissionais nacionais ou estrangeiros. 
Exemplo 1: O Sr.º Mendonça Joaquim, fiscalista de profissão, prestou serviços de 
consultoria fiscal à empresa Nobel, Lda., tendo sido acordado o valor de 40.000,00 
kwanzas como contraprestação. 
7.1.1.2 - Determinação da Matéria Colectável 
A Matéria Colectável (MC) no Imposto sobre os Rendimentos do Trabalho por conta 
própria corresponde a: 
85 
 
MC = Avença Bruta 
Onde: 
Avença Bruta compreende o valor acordado pela entidade contratante e o contratado. 
7.1.1.3 – Taxas 
A taxa do Imposto sobre os Rendimentos do Trabalho por conta própria é de 6,5%, 
conforme previsto no n.º 2 do artigo 16.º. 
A taxa acima combinada com as disposições previstas no n.º 2 do artigo 16.º e alínea a) 
do n.º 1 do artigo 8.º, após cálculos aritméticos é de 6,5%, conforme a demonstração 
abaixo: 
A taxa é de 6,5%. 
7.1.1.4 – Cálculo do Imposto ou Liquidação 
IRT por conta própria = MC x Taxa 
O Imposto a pagar no Exemplo 1 é o seguinte: 
IRT = 40.000,00 x 6,5% 
IRT = 2.600,00 kwanzas 
7.1.1.5 – Cobrança ou Pagamento 
O sujeito passivo é o avençado ou contratado, sendo a entidade empregadora o 
contribuinte de direito e o contratado o contribuinte de facto. 
É efectuada pelo contribuinte que auferiu o rendimento até ao final do mês de entrega 
da declaração anual de rendimentos, podendo deduzir à colecta do imposto, as retenções 
na fonte feitas pela entidade pagadora (autoliquidação). 
É efectuada pelo contribuinte que auferiu o rendimento até ao final do mês de entrega 
da declaração anual de rendimentos, podendo deduzir à colecta do imposto, as retenções 
na fonte feitas pela entidade pagadora (autoliquidação). 
7.1.2 – Imposto sobre os Rendimentos do Trabalho por Conta de Outrém ( GRUPO A) 
86 
 
7.1.2.1 – Incidência 
Com base na interpretação da letra da lei, o artigo 1.º estabelece que o Imposto sobre os 
Rendimentos do Trabalho por conta de outrem incide sobre os rendimentos expressos 
em dinheiro ou espécie, de natureza contratual ou não, periódicos ou ocasionais , fixos 
ou variáveis, independentemente da sua proveniência. 
 
Exemplo 1: O Sr. º Brito Cerqueira, funcionário da empresa Nobel, Lda., na categoria 
de Técnico Assistente de Contabilidade, recebe um salário base de 78.000,00 kwanzas. 
No Exemplo, o facto gerador de Imposto é a relação jurídica laboral ou o contrato de 
trabalho entre a entidade patronal e o trabalhador, a incidência é sobre o salário ou 
vencimento. 
 
7.1.2.2 – Determinação da Matéria Colectável 
A Matéria Colectável (MC) no Imposto sobre os Rendimentos do Trabalho por conta de 
outrem é obtida através da seguinte fórmula: 
 MC = Salário Base (SB) + Subsidio Tributável em IRT(ST) – Imposto parafiscal 
Onde: 
87 
 
Imposto parafiscal é a contribuição para a Segurança Social (SS). 
No Exemplo 1, temos: 
SS = SB x 3%, conforme o n.º 3 do artigo 15.º do Decreto n.º 227/18 
SS = 78.000,00 x 3% →2.340,00 kwanzas 
MC = 78.000,00 – 2.340,00 
MC = 75.660,00 kwanzas 
7.1.2.3 – Taxas 
As taxas do Imposto sobre os Rendimentos do Trabalho por conta de outrem são 
progressivas, de ajuste periódico, variam com as flutuações económicas e custos de vida 
dos contribuintes, conforme a interpretação da letra da lei da alínea r) do artigo 16.º do 
Código em referência. 
No exemplo 1, a taxa é de 10%. 
7.1.2.4 – Cálculo do Imposto ou Liquidação 
A liquidação do imposto devido pela atribuição de rendimentos do Grupo A é efectuada 
pela entidade responsável pelo pagamento destes rendimentos (entidade empregadora), 
mensalmente, após efectuar as deduções legais, aplicando ao valor apurado o disposto 
na tabela de taxa sobre o IRT anexa ao Código e preenchimento do Documento de 
Liquidação de Imposto (Retenção na fonte). 
O Imposto sobre os Rendimentos do Trabalho (IRT) por conta de outrem é obtido 
através da seguinte fórmula: 
IRT = Parcela fixa + (MC – Limite) x Taxa 
Devemos sempre consultar a tabela para ver o intervalo em que a MC se inclui. 
No exemplo 1, temos: 
Intervalo da MC situa-se entre 70.001,00 a 100.000,00 
 IRT = 3.000,00 + (75.660,00-70.000,00) x 10% → 3.566,00 kwanzas 
88 
 
7.1.2.5 – Cobrança ou Pagamento 
No caso do Imposto sobre os Rendimentos do Trabalho por conta de outrem, o 
trabalhador é o sujeito passivo e o contribuinte de facto e o empregador é o contribuinte 
de direito, conforme a interpretação do n.º 1 do artigo 10.º do Código em referência. 
O imposto devido pela atribuição de rendimentos do Grupo A deverá ser entregue pela 
entidade empregadora, até ao final do mês seguinte ao do respectivo pagamento, na 
repartição fiscal competente sobre a área em que o trabalhador se encontra a 
desempenhar a prestação de trabalho. 
7.1.3 – Imposto sobre os Rendimentos do Trabalho por Conta de Outrem ( GRUPO C) 
 
 Quanto aos rendimentos resultantes da pratica de actos de comércio ou 
desempenho de actividade industrial, o rendimento colectável é o constante 
na Tabela de Lucros Mínimos em vigor; 
 Quando o volume de facturação exceda quatrovezes o valor máximo 
correspondente à sua actividade, de acordo com Tabela dos Lucros 
Mínimos, a matéria colectável corresponde ao volume total de vendas de 
bens e serviços não sujeitos a retenção na fonte em sede do Imposto 
Industrial. 
7.1.3.1 – Taxas 
Quanto aos rendimentos sujeitos a retenção na fonte, nos termos do Código do Imposto 
Industrial, a taxa é de 6,5% (retenção na fonte) 
Quanto aos rendimentos resultantes da prática de actividades industriais ou comerciais, 
o rendimento colectável é o constante na Tabela de Lucros Mínimos em vigor, a taxa de 
30%. 
Quando o volume de facturação exceda quatro vezes o valor máximo correspondente a 
sua actividade na Tabela dos Lucros Mínimos, a matéria colectável corresponde ao 
volume total de vendas de bens e serviços não sujeitos a retenção na fonte em sede do 
Imposto Industrial, a taxa é de 6,5%. 
89 
 
7.1.3.2 – Cálculo do Imposto ou Liquidação 
É efectuada pela entidade pagadora desses rendimentos quanto se tratar de pessoa 
colectiva ou singular que disponha de contabilidade organizada até ao final do mês 
seguinte ao do pagamento (retenção na fonte) 
É efectuada pelo contribuinte através da aplicação da Tabela de Lucros Mínimos ou 
com base nos rendimentos obtidos (volume de facturação), quando o valor exceda 
quatro vezes o limite máximo da actividade, de acordo com Tabela dos Lucros 
Mínimos. (autoliquidação) 
 
7.1.3.3 – Cobrança ou Pagamento 
Quanto aos rendimentos pagos por pessoas colectivas ou singulares com contabilidade 
organizada, por estas, até ao final do mês seguinte ao do pagamento; 
Pelo titular desses rendimentos, até ao final do mês de Fevereiro. 
 
 
 
PENALIDADES 
 
 A falta, inexactidão das várias declarações previstas no CIRT, bem como as 
omissões nelas praticadas são punidas com multa nos termos do Código Geral 
Tributário 
 Os atrasos superiores a 30 dias na escrituração dos registos, são punidos com 
multa a apurar nos termos do Código Geral Tributário no valor mínimo de Kz 
50.000. 
 Verificado o atraso, e independentemente do procedimento para a aplicação da 
multa, a Repartição Fiscal manda notificar o transgressor para regularizar a sua 
escrita dentro do prazo de 30 dias, com a cominação de que não o fazendo ficará 
ainda sujeito as multa de Kz 100.000. 
 As entidades responsáveis pela entrega da declarações Modelo 2, quando não 
apresentarem, nos prazos definidos no código, são punidos com a pena de multa 
de Kz 4.000, por cada nome. 
90 
 
 As entidades obrigadas à retenção de imposto na fonte que não cumpram essa 
obrigação são punidas com multa nos termos do Código Geral Tributário, não 
podendo ser inferior a Kz 50.000 
 A falta de entrega do imposto, ou a entrega de quantia inferior à descontada é 
punida com multa igual ao dobro do quantitativo do imposto em falta, sem 
prejuízo de procedimento criminal se se presumir a existência de crime 
(normalmente trata-se de crime de “abuso de confiança”, sem prejuízo de poder 
preencher também os elementos da “fraude fiscal”) 
 
7.2 – Imposto Industrial (Lei n.° 26/20 de 20 de Julho) 
INCIDÊNCIA (SOBRE O QUÊ?) 
O Imposto Industrial (II) incide sobre os lucros obtidos no exercício de qualquer 
actividade de natureza comercial ou industrial, ainda que acidental. São consideradas 
sempre de natureza comercial ou industrial as seguintes actividades: 
Exploração agrícola, aquícola, avícola, silvícola, pecuária e piscatória; 
Mediação, agência ou representação na realização de contratos de qualquer natureza; 
Exercício de actividades reguladas pelas entidades de supervisão de seguros e 
supervisão de jogos, pelo Banco Nacional de Angola e pela Comissão de Mercado de 
Capitais; 
Sociedades cujo objecto consista na mera gestão de uma carteira de imóveis, 
participações sociais ou outros títulos; 
Fundações, fundos autónomos, cooperativas e associações de beneficência. 
As pessoas colectivas que tenham sede ou direcção efectiva no estrangeiro e 
estabelecimento estável no país, serão tributados em imposto industrial: 
Lucros imputáveis ao estabelecimento estável aqui situado 
Lucros imputáveis às vendas no país, de mercadorias da mesma natureza das vendidas 
pelo estabelecimento estável 
Lucros imputáveis a outras actividades comerciais no país, da mesma natureza, ou de 
natureza similar, das exercidas pelo estabelecimento estável. 
As pessoas colectivas que tenham sede ou direcção efectiva no estrangeiro, quando não 
possuam estabelecimento estável no país, são tributadas em imposto industrial, à taxa 
liberatória, através do regime de tributação de serviços acidentais. 
91 
 
O sistema de tributação tem por base os lucros mundiais, como tal, as pessoas colectivas 
que tenham sede ou direcção efectiva no país serão tributadas em imposto industrial 
pela totalidade dos lucros obtidos, quer no país, quer no estrangeiro. 
SUJEITOS PASSIVOS (SOBRE QUEM?) 
 As sociedades comerciais ou civis sob forma comercial, as cooperativas, 
fundações, associações, fundos autónomos, empresas públicas e as demais 
pessoas colectivas de direito público ou privado, com sede ou direcção efectiva 
em território angolano; 
 Entidades desprovidas de personalidade jurídica, com sede ou direcção efectiva 
em território Angolano, cujos rendimentos não sejam directamente tributáveis 
em Imposto Industrial, quer estejam na titularidade de pessoas singulares ou 
colectivas; 
 Incluindo, as heranças jacentes, as pessoas colectivas em relação às quais seja 
declarada a invalidade, as associações e sociedades civis sem personalidade 
jurídica e as sociedades comerciais ou civis sob forma comercial, anteriormente 
ao registo definitivo; 
 As pessoas colectivas que não tenham, sede ou direcção efectiva em Angola mas 
que obtenham rendimentos no país. 
ISENÇÕES E BENEFÍCIOS FISCAIS 
As isenções e benefícios fiscais resultantes de acordo celebrado com o Estado, ou 
entidade pública dotada por Lei desse poder, mantêm-se, nos termos da legislação ao 
abrigo da qual foram concedidas, devendo ser disponibilizado pelo contribuinte sempre 
que solicitado pelas autoridades. 
A criação da aparência, perante a administração fiscal ou terceiros, do direito à isenção 
de imposto ou do direito a benefícios fiscais, constitui infracção sancionada nos termos 
do Código Geral Tributário e da legislação penal. 
A requerimento dos interessados, o Titular do Departamento Ministerial que responde 
pelas Finanças Públicas, mediante parecer da Direcção Nacional de Impostos, pode 
reconhecer isenção do pagamento do imposto industrial, até cinco anos, à Fundações, 
Associações e Cooperativas devidamente legalizadas e com estatuto de utilidade 
pública, sempre que o interesse público o justifique. 
Ficam isentas do imposto industrial as companhias de navegação marítimas ou aéreas, 
se, no país da sua nacionalidade, as companhias angolanas de igual objecto social 
gozarem da mesma prerrogativa. 
92 
 
GRUPOS DE TRIBUTAÇÃO 
1. Regime Geral 
São tributados pelo Regime eral os contribuintes cuja matéria colectável é determinada 
com base na declaração fiscal e demonstrações financeiras, nos termos do CII, do Plano 
Geral de Contabilidade, Planos de Contas das Instituições Financeiras e Seguradoras, do 
Plano de Contas dos Organismos de Investimento Colectivo, das Sociedades Gestoras e 
outros estabelecidos por legislação própria. 
2. Regime Simplificado 
O presente regime aplica-se aos contribuintes sujeitos ao Imposto Industrial que estejam 
abrangidos pelo regime de não sujeição do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA). 
TAXA 
 A taxa geral do Imposto Industrial é de 25% (vinte cinco por cento). 
 Para os rendimentos provenientes de actividades exclusivamente agrícolas, 
aquícolas, apícolas, avícolas, piscatórias, silvícolas e pecuárias, a taxa única é de 
10% (dez por cento). 
 Para os rendimentos provenientes de actividades do sector bancário e de seguros, 
operadoras Identificar o rendimento 
bruto de cada categoria. 
 Conhecer as deduções 
especificas das respectivas 
categorias. 
 Calcular o rendimento 
colectável. 
 Determinar o 
rendimento liquido de cada 
categoria. 
 Identificar os 
abatimentos. 
 Identificar as taxas a 
aplicar. 
 Aplicar o quoficiente 
conjugal. 
 Determinar a colecta. 
 Reconhecer as 
deduções a colecta. 
 Identificar as retenções 
na fonte. 
 Identificar os 
pagamentos por conta. 
 Reconhecer as 
obrigações dos contribuintes. 
 Preencher as 
declarações e respectivos 
anexos. 
 Resolver situações 
simuladas. 
1. Imposto sobre os rendimentos do 
trabalho. 
2. Isenção. 
3. Fiscalização, reclamações e 
recursos. 
4. Matéria colectável 
5. Taxas, liquidação e cobranças. 
Apresentação de um esquema que 
demonstre o funcionamento do 
imposto, evidenciando todas as 
etapas a seguir, desde o rendimento 
bruto de cada categoria até ao 
apuramento do imposto. 
Baseando-se no esquema e 
apresentando exemplos em que 
figurem as diferentes categorias de 
rendimentos, mostrar todo o 
caminho percorrido, desde o 
rendimento bruto de cada categoria 
até à obtenção de rendimento 
liquido global. 
A resolução dos exemplos deverá 
ser acompanhada da consulta dos 
respectivos artigos do código que 
lhe dão origem. Após a obtenção do 
rendimento liquido global, será útil 
de apresentar os cálculos e a forma 
de obter o rendimento colectável. 
Seguir-se-á, como base no esquema 
apresentado, a apresentação das 
taxas e a forma de obtenção da 
colecta tendo em atenção o 
quoficiente conjugal, com base nos 
artigos do código. 
Será altura de apresentar as 
deduções à colecta e os benefícios 
fiscais e de proceder ao apuramento 
do imposto, tendo em conta as 
retenções na fonte e os pagamentos 
em conta. 
Sugere-se que os trabalhos à 
executar pelos alunos relativos ao 
apuramento do imposto e ao 
preenchimento das declarações e 
anexos, sejam graduados por ordem 
crescente de dificuldade, de forma a 
que os alunos possam desenvolver 
as suas capacidades de pesquisa e 
interpretação. 
Quanto à avaliação, recomenda-se a 
avaliação formativa – os alunos 
deverão realizar trabalhos por ordem 
crescente de dificuldade, 
relativamente ao apuramento do 
imposto e ao preenchimento das 
declarações e anexos. 
Avaliação sumativa – a realizar no 
final do tema e de acordo com a 
8 
 
matéria lecionada. 
 
 
 
 
 
9 
 
Unidade de Ensino /Aprendizagem 10- IMPOSTO INDUSTRIAL 
Objectivos Conteúdos Sugestões Metodológicas 
 Identificar as características 
do imposto, 
 Conhecer o mecanismo de 
funcionamento do 
imposto. 
 Conhecer qual a incidência 
do imposto, 
 Distinguir as principais 
isenções referidas, 
 justificar a necessidade de 
periodização 
do imposto. 
 Proceder ao apuramento do 
resultado tributável do 
imposto. 
 Preencher o mapa de 
apuramento do 
imposto. 
 Identificar os prazos para 
envio da declaração, 
 Conhecer as deduções ao 
lucro líquido 
e ao lucro tributável. 
 Conhecer as penalidades que 
estão 
sujeitos os infractores, 
 Identificar outras obrigações 
dos 
contribuintes. 
 Conhecer os regimes 
especiais. 
 Indicar as formas de 
fiscalização, 
 Identificar as garantias e 
penalidades, 
 Caracterizar outros 
impostos, 
 Conhecer a incidência. 
 Determinar a matéria 
colectável. 
 Conhecer as taxas a aplicar. 
 Aplicar as taxas. 
 Calcular a colecta. 
 
1. Noção e características. 
2. Incidência. 
3. Isenções. 
4. Apuramento do 
resultado tributável do 
grupo A. 
5. Apuramento do 
resultado líquido do 
exercício. 
6. Análise dos custos ou 
perdas e dos proveitos ou 
ganhos para efeitos 
fiscais. 
7. Deduções ao lucro 
líquido e 
tributável. 
8. Taxas, liquidação e 
cobrança. 
9. Fiscalização e 
penalidades. 
A partir de conhecimentos adquiridos, 
na contabilidade, apresentar um 
modelo que demonstre o 
funcionamento do imposto industrial 
para concluir que se trata de um 
imposto multifásico e não cumulativo, 
em que os diferentes agentes 
económicos são responsáveis pela 
entrega de imposto ao Estado. 
Demonstrar a incidência do imposto 
tendo em atenção o resultado antes de 
imposto apurado de empresa. 
A partir de documentos de 
suporte contabilístico apresente-
se o valor tributável e as 
respectivas taxas. 
Quanto ao apuramento do imposto 
deverão apresentar-se registos 
contabilísticos em todas as subcontas 
necessárias ao preenchimento da 
declaração periódica. 
A apresentação da matéria deverá ser 
feita de forma sucinta. 
Apresentar os outros impostos 
fazendo uma breve i resenha relativa 
às características de cada um, e 
mostrando o caminho a seguir desde a 
incidência até à determinação da 
colecta, 
Neste tema pretende-se que os 
alunos completem 
alguns dos conhecimentos adquiridos 
aquando da leccionação dos principais 
impostos existentes em Angola e não 
abordados na especialidade. j 
Resolução de trabalhos visando a 
determinação da colecta relativa 
aos respectivos impostos. 
Recursos: Códigos dos respectivos 
impostos. 
 
Relativamente à avaliação, sugere-se; 
Avaliação formativa através de 
trabalhos, graduados de acordo com o 
grau de dificuldades, a realizar pelos 
alunos individualmente ou em grupo; 
Avaliação sumativa no final da unidade 
e contemplando a matéria 
leccionada, 
 
 
 
10 
 
 
Unidade de Ensino /Aprendizagem 11- OUTROS IMPOSTOS 
Objectivos Conteúdos Sugestões Metodológicas 
 Identificar as 
restantes obrigações 
fiscais dos 
contribuintes. 
 Conhecer o 
funcionamento dos 
restantes impostos. 
 Conhecer a incidência 
dos restantes 
impostos. 
 Determinar a matéria 
colectável. 
 Conhecer as taxas a 
aplicar. 
 Calcular qual o valor 
da colecta. 
 Determinar as 
isenções a que estão 
sujeitos os restantes 
impostos. 
1. Imposto sobre a 
Aplicação de 
Capitais. 
2. Imposto de Selo. 
3. Regime fiscal para a 
industria mineira. 
4. Regime tributário 
especial da industria 
petrolífera. 
5. Imposto Predial 
Urbano. 
6. Imposto sobre 
Sucessões e Doações. 
7. Sisa sobre a 
transmissão de 
imobiliários por titulo 
oneroso. 
Conhecer os outros impostos 
previstos na lei fiscal, 
fazendo um breve resumo 
relativo as características de 
cada um deles descrevendo o 
circuito percorrido desde a 
incidência até a determinação 
da colecta. 
Deverão ser apresentados 
trabalhos relativos a cada um 
destes impostos e, através de 
casos práticos determinação 
da colecta. 
Para tal, os alunos devem 
manusear correctamente os 
respectivos códigos. 
 
 
 
 
 
11 
 
 
10 Bibliografia 
Manual Escolar de Referência 
LOUSA, Aires; outros - Técnicas de Organização Empresarial, Porto; Porto Editora., 
2000. 
Bibliografia de Apoio 
BARANGER, P., e outros - Gestão. Lisboa: Edições Sílabo, 1990. 
BERNARD, Colli - Dicionário Económico e Financeiro. 10 e 20 volumes Lisboa - 
Publicações D. Quixote, 1998. 
BRAGA, Armando - Contrato de Compra e Venda. Porto: Porto Editora, 1990. 
CAIADO, António C. Pires e outro. O encerramento de Contas. Área Editora. 
CÂMARA, Pedro B. Da - Humanaton - Recursos Humanos e Sucesso Empresarial. 
Lisboa: Publicações D. Quixote, 1997. 
CÂMARA, Pedro B. Da - Organização e Desenvolvimento de Empresas. Lisboa: 
Publicações D. Quixote, 1997. 
CENTRO, HEC-ISA - Strategor - Política Global da Empresa. Lisboa: Publicações D. 
Quixote, 1993. 
CHIAVENATO, I. - Gerenciando Pessoas. Brasil: Dinternal, 1998. 
CHIAVENATO; I. - Teoria Geral de Administração. Brasil: McGraw-Hill, 1979, 
FAUSTINO, Manuel. IRS - de reforma em reforma. Áreas Editora. 
FERREIRA, Lurdes. IRS - Imposto Sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas. Lidei. 
FIGUEIREDO, Lopes de - Contrato de Sociedade por Quotas. Coimbra: Editora 
Almedma, 1990. 
LAMBERT, P. - Planeamento da Empresa. 
LIMA, Emanuel.de telecomunicações e de empresas petrolíferas angolanas, aplica-se 
a taxa única de 35% (trina e cinco por cento). 
 A taxa de tributação liberatória incidente sobre serviços acidentais é de 6.5% 
PRAZO PARA LIQUIDAÇÃO E PAGAMENTO 
1. Liquidação e Pagamento Provisório sobre Vendas 
Os contribuintes do Regime Geral devem proceder à autoliquidação provisória e 
pagamento do II, mediante a aplicação de uma taxa de 2% (dois por cento), sobre o 
volume total das vendas dos primeiros seis meses do exercício, devendo ser feito até ao 
último dia útil do mês de Agosto. 
2. Liquidação e Pagamento Definitivo 
 Regime Geral de Tributação: Até ao último dia útil do mês de Maio de cada 
ano; 
 Regime Simplificado de Tributação: Até ao último dia útil do mês de Abril 
de cada ano. 
OBRIGAÇÕES DECLARATIVAS 
1. Regime Simplificado 
Os contribuintes sujeitos ao Regime Simplificado de Tributação devem apresentar, 
anualmente, até ao último dia do mês de Abril, o Modelo de Declaração Simplificada ou 
o livro de registo de compra e venda e serviços prestados, podendo, a obrigação, ser 
cumprida na Repartição Fiscal de domicílio ou por via da submissão electrónica, nos 
termos regulamentares. 
93 
 
Os contribuintes do Regime Simplificado de Tributação que submetem 
electronicamente as suas declarações fiscais passam a deduzir 10% (dez por cento) das 
suas despesas administrativas relacionadas com a aquisição de aplicativo informático, 
respectivas licenças e contratação de contabilista. 
2. Regime Geral 
Os contribuintes do Regime Geral de Tributação submetem, electronicamente, nos 
termos regulamentares, ou apresentam anualmente, até ao último dia útil do mês de 
Maio, na Repartição Fiscal de Domicílio, a Declaração Modelo 1 em duplicado. 
A Declaração Modelo 1 deve ser entregue, obrigatoriamente, sob pena da sua não 
recepção pela Repartição Fiscal, acompanhada da Demonstração de Resultados por 
Natureza, Demonstração de Fluxo de Caixa, Balanço, Balancete Razão e Balancete 
Geral Analítico, antes e depois dos lançamentos de rectificação ou regularização e de 
apuramento dos resultados do exercício e respectivos anexos, devidamente assinados 
pelo contabilista responsável pela sua elaboração. 
CESSAÇÃO DE ACTIVIDADE 
1. Regime Geral 
Os contribuintes do Regime Geral de Tributação devem apresentar, em triplicado, no 
prazo de 60 (sessenta) dias a contar da cessação da sua actividade, a Declaração Modelo 
1, entendendo-se que a cessação se verifica na data do encerramento das contas ou, 
tratando-se de sociedades regularmente constituída com sede ou direcção efectiva no 
país, na data da aprovação das contas do liquidatário ou administrador. 
2. Regime Simplificado 
No caso de cessação total do exercício da actividade, devem os contribuintes sujeitos ao 
regime simplificado de Tributação apresentar, no prazo de 30 (trinta) dias, a Modelo de 
Declaração Simplificada ou o Livro de Registo de Compra e Venda e Serviços 
Prestados. 
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS 
São obrigações acessórias dos contribuintes: 
 Conservação da escrita por um período de cinco anos; 
 Documentação de todos proveitos ou ganhos e os custos ou perdas. 
PENALIZAÇÕES/MULTAS 
Penalizações e Multas 01 
94 
 
 
Penalizações e Multas 02 
 
95 
 
 
7.3 – A SISA sobre transmissões imobiliárias a titulo oneroso 
INCIDÊNCIA (SOBRE O QUÊ?) 
O imposto de Sisa pode incidir sobre: 
 Transmissões de propriedade ou de qualquer direito constituído a título oneroso 
sobre os bens imobiliários. 
 Promessas de compra e venda logo que verificada a tradição. 
 Arrendamentos de longo prazo (superiores a 20 anos). 
 Entradas em espécie para o capital social de sociedades. 
 Aquisição de 75% ou mais em sociedades por quotas, em nome colectivo ou em 
comandita simples. 
96 
 
 Nos contratos de locação com a cláusula vinculativa para ambas as partes de que 
o imóvel, objecto do contrato, passará a ser propriedade do arrendatário depois 
de satisfeitas todas as rendas pactuadas. 
 Salvo determinadas excepções, o imposto é devido pelo adquirente. 
SUJEITOS PASSIVOS (SOBRE QUEM?) 
O sujeito passivo das Sisa é o adquirente dos bens. 
ENCARGO DO IMPOSTO 
O encargo recai sobre o adquirente do bem. 
ISENÇÕES 
Beneficiam de isenção as seguintes entidades: 
 O Estado, institutos públicos e associações que gozem do estatuto de utilidade 
pública; 
 Estados estrangeiros, quanto aos imóveis destinados às respectivas 
representações diplomáticas ou consulares, quando haja reciprocidade;* 
 Instituições religiosas legalizadas, quanto aos imóveis destinados 
exclusivamente ao culto;* 
 Os imóveis com valor inferior a 78000 UCF para efeitos de liquidação de Sisa, 
desde que, afectos à habitação própria e permanente do adquirente porém, 
somente na primeira transmissão. 
 Este imposto incide sobre a transmissão gratuita dos bens mobiliários e 
imobiliários localizados ou transferidos em Angola 
(*mediante requerimento) 
TAXA 
A taxa de imposto de Sisa é de 2%. 
Isenções 
97 
 
Certas entidades e transacções beneficiam de isenção. 
Aquisições efectuadas pelo cônjuge, ascendentes e descendentes ficam isentas caso o 
respectivo valor não exceda AKZ 500.000. 
OBRIGAÇÕES DECLARATIVAS 
Apresentação do Modelo 1 (grupo A), Modelo 2 (grupo B), Modelo 4 (grupo C); 
Prestação de informação sempre que: 
 Cessar e reinício da actividade; 
 Mudança de domicílio ou sede; 
 Mudança de contabilista ou perito contabilista 
Obrigações acessórias. 
 Conservação da escrita; 
 Documentar todos proveitos ou ganhos e os custos ou perdas. 
LIQUIDAÇÃO 
O processo de liquidação da sisa compete a Repartição Fiscal onde estiver situado o 
bem. O pagamento deve pagamento serão sempre efectuados por aquele que para quem 
passarem os bens. 
PAGAMENTO 
O pagamento, em regra, é efectuado antes de celebrado o acto que as opera. 
PENALIDADES 
Não pagamento do imposto : multa igual a 50% do valor do imposto (CGT artigo 75º) 
Se efectuar o pagamento 30 dias seguintes ao termo do prazo: Multa será reduzida a 
metade (CGT artigo 75º) 
Juros de mora à taxa de 2,5% ao mês (CGT artigo 50º) 
 
98 
 
 
7.4 – O Imposto Predial 
 Incidência Objectiva 
O Imposto Predial (IP) incide sobre o valor patrimonial ou renda dos prédios urbanos e 
rústicos e bem assim sobre as transmissões gratuitas ou onerosas de bens imóveis, 
qualquer que seja o título a que tais transmissões são operadas. 
• Incidência Subjectiva 
O Imposto Predial sobre a detenção ou sobre a renda é devido pelo proprietário do 
prédio ou titular do rendimento, respectivamente; 
Nos casos de usufruto, direito de superfície, domínio útil e comodato, o Imposto Predial 
é devido pelo titular do respectivo direito; 
No caso de propriedade resolúvel, o imposto é devido pelo promitente comprador ou 
por quem tenha o uso e fruição do prédio; 
Nas transmissões gratuitas, incluindo as aquisições por usucapião, são sujeitos passivos 
do imposto os beneficiários dos bens imóveis, bem assim o beneficiário da transmissão 
do direito a águas, ainda que sob a forma de autorização para as explorar ou para minar 
em terreno alheio; 
Nas transmissões onerosas, são sujeitos passivos do imposto os adquirentes dos bens 
imóveis. 
• Isenções 
Beneficiam de isenção as seguintes entidades: 
 O Estado e as Autarquias Locais; 
 Os Estados Estrangeiros, quanto aos imóveis destinados às instalações das 
respectivas representações diplomáticas ou consulares, quando haja 
reciprocidade de tratamento; 
 Partidos políticos nos termos da legislação própria; 
 Os institutos públicos e as instituições religiosas legalmente reconhecidas, 
quanto ao património directo e exclusivamente afecto à realização do seu 
objecto social ou local de culto; 
 A primeira transmissão onerosa de imóveis com valor igual ou inferior a 
Akz 3 000 000,00 (três milhões de kwanzas), que sejam afectos à habitação 
própria e permanente do adquirente; Os prédios rústicos relativamente aos quais sejam observados os critérios de 
aproveitamento útil e efectivo, nos termos da Lei de Terras e do 
Regulamento Geral de Concessão de Terrenos, no que respeita à sua 
detenção; 
 Os prédios rústicos localizados nas zonas rurais com dimensão igual ou 
inferior a 7 hectares; 
 As terras rurais comunitárias definidas em legislação própria. 
 Estão ainda isentos de IP, mediante reconhecimento da Administração 
Tributária e a à pedido dos interessados, que devem fazer prova da situação 
99 
 
jurídica do imóvel a seu favor, os imóveis de construção precária e as 
habitações sociais, desde que sejam exclusivamente destinados à habitação 
própria. 
• Matéria Colectável 
A matéria colectável nos prédios urbanos corresponde ao valor patrimonial que resulta 
da avaliação efectuada nos termos da legislação aplicável. 
A matéria colectável nos prédios rústicos corresponde ao valor patrimonial de Akz 10 
397,00 (dez mil, trezentos e noventa e sete kwanzas) por hectar. 
O rendimento colectável dos imóveis arrendados é igual às rendas efectivamente 
recebidas, líquidas de 40% correspondentes a despesas relacionadas com a conservação 
e manutenção do imóvel, não obstante o período a que respeite. 
Na transmissão, gratuita ou onerosa, o valor tributável do imóvel é o valor patrimonial 
constante da matriz, à data da transmissão, o determinado por avaliação no caso de 
prédio omisso ou o valor declarado, consoante o que for maior. 
• Taxa 
A taxa do Imposto Predial sobre a detenção aplicável aos prédios urbanos, excepto nos 
terrenos para construção, é determinada de acordo com a tabela seguinte: 
N.º Valor Patrimonial Kz. Taxa Valor Fixo 
01 Até 5 000 000,00 0,1% - 
02 de 5.000 001,00 a 6 000 000,00 - Kz. 5 000,00 
03 
Superior a 6 000 000,00 sobre o 
excesso de 5 000 000,00 
0,5% - 
 
A taxa do Imposto Predial aplicável ao terreno para construção é de 0,6%; 
A taxa do Imposto Predial aplicável aos prédios arrendados é de 25%; 
A taxa do Imposto sobre a transmissão de bem imóvel é de 2%; 
Os prédios desocupados há mais de 1 ano, bem como os terrenos para construção 
relativamente aos quais não sejam observados os critérios de aproveitamento útil 
efectivo, durante três anos consecutivos ou seis interpolados, a contar da data da entrada 
em vigor do CIP, da sua concessão, ocupação ou da última transmissão, ficam sujeitos a 
uma tributação adicional de 50% do imposto devido. 
• Liquidação 
Na detenção de prédios urbanos e rústicos, o imposto é liquidado anualmente pelo 
sujeito passivo, na Repartição Fiscal ou outros serviços competentes da Administração 
Tributária em 31 de Dezembro do ano a que o mesmo diz respeito, devendo ser 
efectuada até ao último dia útil do mês de Março do ano seguinte. 
100 
 
Compete ao arrendatário que disponha de contabilidade, modelo de contabilidade 
simplificado ou livro de registos, proceder à liquidação do imposto devido pelo 
arrendamento, até ao último dia útil do mês seguinte ao pagamento da renda. Quando o 
arrendatário não possua contabilidade, modelo de contabilidade simplificado ou livro de 
registos, a liquidação do imposto é devida pelo senhorio, até ao último dia útil do mês 
seguinte. 
Na transmissão gratuita de imóvel operada por morte, doação ou por qualquer título que 
implique a transmissão gratuita, incluindo a usucapião, a liquidação é efectuada pelo 
sujeito passivo até ao último dia útil do mê seguinte, salvo nos casos de inventário 
judicial. 
Nas transmissões onerosas, o imposto é liquidado pelo sujeito passivo até ao último dia 
útil do mês do mês seguinte, a contar do acto que opera a transmissão ou pela 
Repartição Fiscal do local da situação do imóvel, com base na declaração do sujeito 
passivo ou a título oficioso. 
• Pagamento 
O Imposto Predial sobre a detenção de imóvel deve ser pago até ao último dia útil do 
mês de Março pelo sujeito passivo, podendo, todavia, ser pago em seis prestações 
consecutivas, a pedido do sujeito passivo. 
O Imposto Predial sobre a renda sujeita à retenção na fonte deve ser entregue pelo 
substituto tributário até ao último dia útil do mês seguinte à retenção, que responde pela 
totalidade do imposto e acréscimos legais, em caso de não entrega. Quando não houver 
lugar à retenção, o imposto é pago pelo sujeito passivo até ao último dia útil do mês de 
Março. 
Nas transmissões onerosas e gratuitas, o imposto é pago pelos respectivos sujeitos 
passivos, até ao último dia útil do mês seguinte à celebração do contrato ou prática do 
acto que a opere. Se a transmissão se opere por acto, contrato ou facto ocorrido no 
estrangeiro, o pagamento do impsto deve ser efectuado até ao último dia do segundo 
mês seguinte ao da prática do acto, celebração do contrato ou da participação da morte. 
Se a transmissão se opera por arrematação, venda judicial ou administrativa, 
adjudicação, transacção ou qualquer outra forma, o imposto é pago dentro do prazo de 
15 dias contados da data da notificação pela Administração Tributária. 
• Declaração de Rendimento Colectável 
O rendimento colectável do imóvel, total ou parcialmente arrendado, determina-se 
através da declaração dos contribuintes, conforme o modelo a submeter 
electronicamente ou a apresentar na Repartição Fiscal da área de situação dos prédios 
no mês de Janeiro de cada ano e em separado para cada prédio até ao último dia útil do 
referido mês. 
Os contribuintes devem indicar as rendas convencionadas e as efectivamente recebidas 
no ano anterior e juntar, quando ainda não o tenham feito, os contratos de arrendamento 
devidamente selados. 
O senhorio é obrigado a apresentar na Repartição Fiscal, dentro de 10 dias a contar da 
sua celebração, um exemplar do contrato de arrendamento do prédio ou parte do prédio. 
• Obrigações das Entidades Públicas e Privadas 
101 
 
As Administrações Municipais ou Autarquias Locais devem cooperar no levantamento 
dos prédios omissos localizados na sua circunscrição territorial, devendo remeter as 
informações à Administração Tributária. 
Quando, em processo judicial, se mostre não terem sido cumpridas quaisquer 
obrigações previstas no CIP, directa ou indirectamente relacionadas com a causa, deve o 
Tribunal exigir previamente o comprovativo do cumprimento das obrigações, no prazo 
de 10 (dez) dias. 
As entidades fornecedoras de água, de energia eléctrica e de serviços de 
telecomunicações devem remeter, até ao décimo dia do termo do trimestre em causa, em 
formato físico ou por via electrónica, à Administração Tributária, uma relação dos 
contratos celebrados com os seus clientes, bem como as alterações que se tenham 
verificado. 
As conservatórias e os cartórios notariais que lavram instrumentos ou escrituras que 
operem ou venham a operar a transmissão de bens sujeitos a Imposto Predial, devem 
exigir como condição prévia o comprovativo do pagamento deste imposto, sobre a 
detenção e transmissão. 
Os serviços consulares não devem realizar nem dar seguimento a qualquer 
procedimento de legalização relacionado com a transmissão onerosa ou gratuita de 
imóveis, situados na República de Angola, realizado ou a realizar no estrangeiro, sem 
que lhe seja apresentado o comprovativo do Imposto Predial, quando devido. 
 
7.5 – IMPOSTO SOBRE VEICULOS MOTORIZADOS 
• Incidência Objectiva 
O presente imposto incide sobre os veículos motorizados, matriculados ou registados, 
de acordo com a legislação, junto dos respectivos serviços públicos competentes, 
designadamente; 
1. Automóveis Ligeiros e Pesados; 
2. Motociclos, Ciclomotores, Triciclos e Quadricíclos; 
3. Aeronaves; 
4. Embarcações; 
• Incidência Subjectiva 
São sujeitos passivos do presente imposto os respectivos proprietários ou possuidores, 
em cujo nome os veículos se encontram registados ou matriculados, junto dos serviços 
públicos competentes. 
Presume-se sujeito passivo, o qual responde solidariamente pelo pagamentodo imposto, 
com direito de regresso sobre o titular do veículo: 
 A pessoa que se encontre na posse efectiva do veículo; 
 O adquirente do veículo cujo imposto não tenha sido pago em exercícios 
anteriores. 
102 
 
São equiparados aos proprietários, os locatários financeiros e os adquirentes com 
reserva de propriedade, bem como outros titulares de direitos de opção de compra por 
efeito do contrato de locação. 
• Isenções 
Estão isentos do Imposto sobre os Veículos Motorizados: 
 O Estado, as Autarquias Locais, os Institutos Públicos e os Partidos 
Políticos; 
 As Missões Diplomáticas e Consulares, quando haja reciprocidade de 
tratamento; 
 As Organizações Internacionais, nos termos dos Acordos celebrados pelo 
Estado Angolano. 
Estão ainda isentos, os tractores utilizados exclusivamente para agricultura e os veículos 
adaptados para uso de pessoas com deficiência, mediante reconhecimento da 
Administração Tributária. 
• Matéria Colectável 
O valor do imposto é determinado tendo em consideração: 
 A cilindrada do motor, para os automóveis ligeiros, ciclomotores, 
motociclos, triciclos e quadriciclos e a tonelagem para os pesados; 
 Para as aeronaves, o peso máximo autorizado à descolagem; 
 Para as embarcações, a tonelagem de arqueação bruta; 
• Taxa 
A taxa do imposto é expressa em valor fixo constante das tabelas infra: 
Tabela n.º 1 (Motociclos, Ciclomotores, Triciclos, Quadriciclos, Veículos Ligeiros e 
Pesados) 
 
103 
 
Tabela n.º 2 (Embarcações) 
 
Tabela n.º 3 (Aeronaves) 
 
• Liquidação e Pagamento 
O Imposto sobre os Veículos Motorizados é liquidado e pago de Janeiro a Junho de 
cada ano e reporta-se ao exercício anterior. 
A prova do pagamento é efectuada mediante exibição de selo aprovado em diploma 
próprio. 
• Fiscalização 
O cumprimento das obrigações é fiscalizado, em geral, e dentro dos limites das suas 
competência, por todas as autoridades e, em especial, pelo Serviço competente da 
104 
 
Polícia Nacional, pela Administração Marítima Nacional e pela Autoridade 
Aeronáutica. 
Nenhum acto de registo ou licenciamento sobre veículos pode ser praticado pelas 
entidades competentes sem que o interessado prove o pagamento do imposto devido. 
• Dever de Cooperação 
As Administrações Municipais ou Autarquias Locais devem cooperar com a 
Administração Tributária no cumprimento do disposto na presente Lei. 
• Garantia do Pagamento 
Os serviços competentes ficam obrigados a exigir prova do pagamento do imposto do 
último ano, quando seja aplicável, nos casos de reemissão dos documentos do veículo, 
nomeadamente: 
 Título de Propriedade; 
 Livrete; 
 Licença de Embarcação; 
 Certificado de Navegabilidade. 
 
7.6 – Imposto de Selo “IS” 
INCIDÊNCIA OBJECTIVA 
O IS incide sobre todos os actos, contratos, documentos, títulos, livros, papéis, 
operações e outros factos previstos na tabela anexa ao código. 
INCIDÊNCIA SUBJECTIVA 
Estão obrigados a liquidar e entregar o imposto ao Estado os notários conservadores dos 
registos civis, comercial, predial, instituições de crédito, sociedades financeiras, 
locadores, arrendatários e subarrendatários, o empregador, seguradoras, segurados, o 
trespassante, o titular do rendimento decorrente de um acto. Do mesmo modo, são 
também sujeitos passivos as (i) entidades concedentes de crédito e de garantias ou 
credoras de juros, prémios, comissões e outras contraprestações derivadas de contratos 
de natureza financeira, (ii) entidades mutuárias, (iii) locadores, no âmbito de contratos 
de locação financeira, (iv) locador e sublocador, nos arrendamentos e 
subarrendamentos, (v) empresas seguradoras, (vi) entidades emitentes de letras e outros 
títulos de crédito como cheques e livranças, (vii) segurados, (viii) outras entidades que 
intervenham em actos, contratos ou operações. 
105 
 
TITULAR DO ENCARGO DO IS 
A responsabilidade financeira do imposto cabe ao titular do interesse económico. Como 
sejam o adquirente, o utilizador do crédito, o locatário, o apostador, o apresentar de 
garantias, o cliente das instituições de crédito, o segurado, o comodatário, o 
publicitante, o devedor ou sacado nas letras e livranças, o procurador, as sociedades a 
constituir, o empregador, os requerentes, requisitantes, os beneficiários, o destinatário, o 
prestador ou fornecedor dos bens e serviços, em quaisquer outros actos, contratos, 
operações, o requerente, os interessados e o beneficiário, respectivamente. 
ISENÇÕES 
Isenções subjectivas 
São isentos de imposto do selo, o Estado e quaisquer dos seus serviços, 
estabelecimentos e organismos, ainda que personalizados, excepto empresas públicas. 
Encontram-se ainda isentos, excepto quando actuem no âmbito do 
desenvolvimento de actividades económicas de natureza empresarial, de entre 
outras, as seguintes: 
 As instituições públicas de previdência e segurança social; 
 As associações de utilidade pública reconhecida nos termos da lei, bem 
como as instituições religiosas legalmente constituídas; 
Outras isenções 
 O micro crédito, os créditos concedidos no âmbito de «contas jovem» e 
«contas terceira idade» ou outras com diferente designação mas igual 
propósito, cujo valor não ultrapasse em cada mês 17.600 Kwanzas; 
 Créditos relacionados com as exportações, quando devidamente 
documentados com respectivos Despachos Aduaneiros; 
 Nos juros, comissões e contraprestações devidas no âmbito dos contratos de 
financiamento destinados ao crédito habitação; 
 Os juros provenientes de Bilhetes de Tesouro, Obrigações do Tesouro e de 
Títulos do Banco Central; 
 Os empréstimos com características de suprimentos; 
 O reporte de valores de mobiliários, direitos equiparados ou outros 
instrumentos financeiros negociados em mercado regulamentado; 
 Os títulos negociáveis vendidos, quando transmitidos em mercado 
regulamentado; 
 A transmissão de imóveis, no âmbito de processos de fusão, cisão ou 
incorporação, nos termos da Lei das Sociedades 
106 
 
 Comerciais, desde que necessários e previamente autorizados pela Direcção 
Nacional de Impostos; 
 Os Contratos de Trabalho; 
 As operações de exportação, excepto as exportações dos bens previstos na 
Tabela; 
 As comissões cobradas na abertura e utilização de quaisquer contas de 
poupança; 
 Os empréstimos com características de suprimentos, incluindo os 
respectivos juros efectuados por sócios à sociedade em que seja estipulado 
um prazo inicial não inferior a um ano e não sejam reembolsados antes de 
decorrido esse prazo; 
 As transmissões gratuitas de direito de propriedade que se operam entre 
pais e filhos; 
 Os prémios e comissões relativos a seguros do ramo “ Vida”, seguros de 
acidentes de trabalho, seguros de saúde e seguros agrícolas ou pecuários; 
 As operações de gestão de tesouraria entre sociedades em relação de grupo; 
 A transformação societária. 
 As situações de isenção são averbadas no documento ou título, mediante 
indicação da disposição legal que a prevê. 
TAXAS 
As taxas são as que constam da tabela anexa ao código, que podem ser fixas ou ad 
valorem. 
LIQUIDAÇÃO E PAGAMENTO 
 Por meio de guia mediante aplicação da respectiva verba. 
 Compete aos sujeitos passivos da relação tributária 
 Nas operações de crédito ou de garantia, prestada por instituições de crédito 
ou de sociedades financeiras, a responsabilidade pelo imposto devido é 
solidária. 
 O imposto devido pelas operações aduaneiras é liquidado pelo SNA. 
 As entidades residentes em Angola e que contratem entidades não 
residentes, devem liquidar e entregar o imposto devido, nas situações em 
que competiria aqueles o dever liquidar. 
 Nos contratos celebrados com Estado e demais organismos públicos, com 
excepção das empresas públicas, a liquidação do imposto é feita no 
momento do pagamento da prestação. 
 Nos documentos e títulos sujeito a imposto, são mencionados o valor do 
imposto e da data daliquidação 
 O prazo de caducidade para a liquidação de imposto de selo é de 5 (cinco) 
anos 
OBRIGAÇÕES DECLARATIVAS 
Os sujeitos passivos do imposto estão obrigados a apresentação anual da declaração 
discriminativa do IS liquidado, até final do último dia útil do mês de Março do ano 
seguinte ao da realização dos actos, contratos, operações previstos na tabela. 
107 
 
7.7 – Imposto sobre Aplicação de Capitais “IAC” 
INCIDÊNCIA (SOBRE O QUÊ?) 
O Imposto sobre Aplicação de Capitais (IAC) incide sobre os rendimentos provenientes 
da simples aplicação de capitais. Os rendimentos estão divididos em duas secções, A e 
B, respectivamente. 
Secção A 
Os juros de capitais mutuados, qualquer que seja a forma de apresentação; os 
rendimentos de contrato de crédito e os rendimentos originados pelo diferimento na 
prestação ou mora no pagamento. 
Secção B 
Os lucros dos sócios das sociedades comerciais e cooperativas; juros de obrigações 
emitidas pelas sociedades; juros de suprimentos; saldo de juros apurados em conta 
corrente; importância atribuídas a empresa pela suspensão da sua actividade; 
rendimentos de contratos de conta em participação; emissão de acções com reserva na 
subscrição; Royalties; juros de depósitos a ordem e a prazo; juros dos títulos do Banco 
Central, bilhetes do tesouro e obrigações do tesouro; prémios de fortuna ou azar, rifas, 
lotarias, apostas; mais-valias. 
INCIDÊNCIA SUBJECTIVA 
Secção A 
Os titulares dos rendimentos. 
Secção B 
Quem distribui esses rendimentos. 
ISENÇÕES 
Secção A: 
 Os rendimentos das instituições financeiras e das cooperativas, quando 
sujeitas a imposto industrial; 
 Os juros das vendas dos comerciantes relativos a produtos ou serviços do 
seu comércio, bem como o juro ou compensação da mora no pagamento do 
respectivo preço; 
 Os juros de empréstimos sobre apólices de seguros e vida, feitos por 
sociedades de seguros. 
Secção B 
 Os lucros distribuídos por uma sociedade angolana quando a beneficiária 
seja uma pessoa colectiva angolana, que detenha no capital social da 
entidade que distribui os lucros uma participação igual ou superior a 25% 
por um período superior a um ano anterior a distribuição dos lucros; 
108 
 
 Juros de instrumentos que se destinem a fomentar a poupança que sejam 
devida e previamente aprovados, relativamente ao valor de aplicação 
inferior ou igual a AKZ 500.000,00 (quinhentos mil kwanzas); 
 Juros de contas poupança-habitação criadas pelas instituições financeiras 
com o objectivo de fomentar a poupança com vista a aquisição de habitação 
própria e permanente. 
TAXAS 
 A taxa aplicável aos rendimentos sujeitos e não isentos compreendidos na 
Secção B corresponde a 10%, excepto para: 
Taxa de 15% 
 O saldo dos juros apurados em conta corrente, nos termos previstos no 
artigo 344.º e seguintes do Código Comercial, e bem assim os juros 
escriturados em conta corrente, nos demais casos; 
 As importâncias atribuídas a empresas singulares ou colectivas a titulo de 
indemnização pela suspensão da sua actividade; 
 rémios de jogo de fortuna ou azar, rifas, lotarias ou apostas, qualquer que 
seja a sua natureza ou proveniência; 
 Quaisquer outros rendimentos derivados da simples aplicação de capitais, 
não compreendidos na secção A. 
Taxa de 5% 
 Os juros dos bilhetes do tesouro, das obrigações do tesouro e dos títulos do 
banco central, no caso dos respectivos títulos apresentarem uma maturidade 
igualou superior a três anos. 
DETERMINAÇÃO DA MATÉRIA COLECTÁVEL 
A matéria colectável ou base para determinação do imposto é o rendimento pago ou 
posto à disposição dos seus titulares. 
LIQUIDAÇÃO 
Secção A 
A liquidação do imposto é efectuada pelos titulares dos rendimentos, porém se os 
titulares do rendimento não possuírem em Angola residência, sede, direcção efectiva ou 
estabelecimento estável, o imposto é liquidado pelos devedores dos rendimentos. 
Secção B 
Com excepção dos rendimentos resultantes da emissão de obrigações e dos decorrentes 
da alienação de participações sociais, a liquidação do imposto é efectuada pelas 
entidades a quem incumbe o pagamento dos rendimentos, que ficam responsáveis pela 
totalidade do imposto e acréscimos no caso de não pagamento. 
 
109 
 
PRAZO DE PAGAMENTO 
O pagamento do imposto faz-se até ao último dia do mês seguinte àquele que respeite o 
imposto. 
OBRIGAÇÕES DECLARATIVAS 
As pessoas obrigadas à liquidação do imposto devem apresentar uma declaração de 
todos os rendimentos recebidos, pagos ou postos à disposição dos seus titulares, até ao 
final do mês de Janeiro do ano seguinte àquele em que o recebimento, pagamento ou 
colocação à disposição ocorram. 
 
7.8 – Imposto sobre Sucessões e Doações 
INCIDÊNCIA (SOBRE O QUÊ?) 
Este imposto incide sobre a transmissão gratuita dos bens mobiliários e imobiliários. 
ISENÇÕES 
As heranças, legados, donativos e aquisições destinadas ao Estado; Institutos públicos 
(museus, bibliotecas e escolas, hospitais); serviços municipais; instituições de caridade 
e beneficência; 
 Aquisições de propriedade literária e artística; 
 Pensões pagas por instituições de beneficência; 
 Transmissões de valor inferior à 2 UCFs a favor de descendentes, 
ascendentes ou cônjuges; 
 Partidos Políticos ou Coligação de Partidos com Assento na Assembleia. 
TAXA 
 Nas transmissões entre conjugues ou favor de descendentes e ascendentes a 
taxa aplicável será a de 10% ao valor correspondente a 11 UCFs e 15% ao 
valor excedente. 
 Em quaisquer outras transmissões a taxa aplicável será a de 20% ao valor 
correspondente a 11 UCFs e 30% ao valor excedente. 
ENCARGO DO IMPOSTO 
O encargo deste imposto recai sobre o adquirente do dos bens. 
LIQUIDAÇÃO 
A competência para liquidação é da Repartição Fiscal de Finanças onde for o domicílio 
do finado ou onde se tiver realizado contrato de doação ou de qualquer outra natureza 
de que se dever este imposto. 
PAGAMENTO 
110 
 
O Pagamento do imposto é efectuado quando a transmissão real e efectiva se operar. 
 
7.9 – Imposto sobre o Petróleo 
O Imposto das Actividades Petroliferas no Regime Fiscal Angolano é regulado pela Lei 
n.º 13/04, de 24 de Dezembro – Lei da Tributação das Actividades Petroliferas, com 
auxilio da Lei n.º 10/04, de 12 de Novembro – Lei das Actividades Petroliferas (LTAP) 
7.9.1 – IMPOSTO SOBRE A PRODUÇÃO DO PETRÓLEO 
O Imposto sobre a Produção do Petróleo está previsto no atrigo 12.º da Lei da 
Tributação das Actividades Petroliferas. 
Incidência 
Este imposto é aplicável exclusivamente aos Contratos de Concessão e incide sobre as 
quantidades de petróleo bruto produzidas e vendidas, conforme a interpretação da letra 
da lei dos artigos 1.º e 4.º do artigo 12.º da Lei da Tributação das Actividades 
Petroliferas. 
Exemplo 1: a empresa Chevron produziu e vendeu um milhão de barris ao preço 
unitário de 100 dólares. 
Determinação da Materia Colectável 
A MC é obtida através da fórmula seguinte: 
MC = Vendas x Preço 
No Exemplo, temos: 
MC= 1.000.000,00 x 100,00 → 100.000.000,00 dólares 
TAXAS 
A taxa de Imposto sobre a Produção do Petróleo é de 20%, conforme o previsto no n.º 1 
do artigo 14.º da Lei da Tributação das Actividades Petroliferas. 
O cálculo do Imposto sobre a produção do Petróleo (IPP) obtém-se aplicando a seguinte 
fórmula: 
111 
 
IPP=MC x Taxa 
O Imposto a pagar no Exemplo é o seguinte: 
IPP= 100.000.000,00 x 20% → 20.000.000,00 dólares 
7.9.2 – IMPOSTO DE TRANSACÇÃO DO PETRÓLEO 
Está previsto no artigo 44.º da Lei da Tributação das Actividades Petroliferas. 
INCIDÊNCIA 
É aplicável exclusivamente aos Contratos de Concessão e incide sobre o rendimento 
tributável. 
Dando seguimento ao Exemplo 1:, a empresa Chevron vendeu um milhão de barris ao 
preço unitário de 100 dólares, tendo incorrido a custo de 12.000.000,00 dólares. 
Proveitos = 100.000.000,00 dólares 
 
7.9.3 -IMPOSTO SOBRE O RENDIMENTO DO PETRÓLEO (IRP)O Imposto sobre o Rendimento do Petróleo (IRP) é aplicável aos rendimentos 
tributáveis nos termos da Lei da Tributação das Actividades Petrolíferas. 
INCIDÊNCIA 
Dando seguimento ao Exemplo 1, a empresa hevron vendeu um milhão de barris ao 
preço unitário de 100 dólares, tendo incorrido a custo de 12.000.000,00 de dólares. 
É importante realçar que o Imposto sobre a Produção de Petróleo, o Imposto sobre a 
Transacção do Petróleo, a Taxa de Superfície (TS) e Contribuição para a Formação de 
Quadros Angolanos (CFQA) são considerados como custos em sede de Iposto sobre o 
Rendimento do Petróleo. 
A Taxa de Superfície incide sobre a área de concessão ou sobre as áreas de 
desenvolvimento, no caso de os contratos celebrados nos termos da Lei da Tributação 
das Actividades Petrolíferas preverem a sua existência, conforme o artigo 50.ºda 
referida lei. 
112 
 
O cálculo da Taxa de Superfície (TS) obtém-se da seguinte fórmula: 
TS = 300,00 dólares /km² 
Dando sequência ao Exemplo 1, supondo que no contrato está prevista a Taxa de 
Superfície, e a área de desenvolvimento é de 10 km², a Taxa de Superfície seria: 
TS = 300,00 X 10 → 3.000,00 
A Contribuição para a Formação de Quadros Angolanos conforme a interpretação do 
artigo 3º, conjugado com a alínea c) do artigo 12º, ambos do Decreto-lei n.º 17/09, de 26 
de Junho, incide nas empresas de direito estrangeiro e nas empresas de direito angolano, 
ujo capital social seja maioritariamente detido por pessoas ou entidades estrangeiras que 
exerçam actividade de produção de petróleo em Angola. São obrigados a efectuar uma 
contribuição de 0,15 dólares por barril produzido durante o ano. 
O cálculo da Contribuição para a Formação de Quadros Angolanos (CFQA) obtém-se 
da seguinte fórmula: 
CFQA = 0,15 dólares x Produção 
 Dando continuidade ao Exemplo 1, supondo que empresa Chevron é de direito 
angolano com capital maioritariamente estrangeiro, temos: 
Quantidades produzidas de petróleo = um milhão de barris 
CFQA = 0,15 x 1.000.000 → 150.000,00 dólares 
A Contribuição para a Formação de Quadros Angolanos é considerada um custo directo, 
e enquanto os outros impostos são liquidados e pagos nas repartições de domicilio, este 
é liquidado e pago no Ministério dos Petróleos. 
No Exemplo 1, sabendo que os custos são de 12.000.000,00 dólares e que compreendem 
os custos de operação e de administração, excepto as taxas, há que calcular a Matéria 
Colectável. 
DETERMINAÇÃO DA MATERIA COLECTÁVEL 
A determinação da Matéria Colectável (MC) é obtida através da fórmula seguinte: 
113 
 
MC = Lucro Tributável (LT) – Prejuizos Fiscais (PF) 
Onde: 
LT = LB + a acrescer – a deduzir 
E Outros Impostos Dedutiveis, que compreendem o Imposto sobre a Produção do 
Petróleo, o Imposto de Transacção do Petróleo e a Taxa de Superficie , que são 
considerados outros custos. 
Lucro Bruto = Total dos Proveitos (P) – Total dos Custos (C) – Outros Impostos 
Dedutiveis (OID) 
Onde: 
OID = IPP + ITP + TS 
No Exemplo 1: temos: 
Dados: 
Proveitos = 100.000.000,00 dólares 
Custos = 12.000.000,00 dólares 
Outros Impostos = 20.000.000,00 (IPP) + 44.800.000,00 (ITP) + 3.000,00 TS → 
64.803.000,00 dólares 
Total de Custos = 12.000.000,00 + 64.803.000,00 →78.803.000,00 dólares 
LB = P – C – OID →100.000.000,00 – 12.000.000,00 – 64.803.000,00 →23.197.000,00 
dólares 
LT = LB + a acrescer – a deduzir →23.197.000,00+0-0→ 23.197.000,00 dólares 
MC = LT – PF → 23.197.000,00 – 0 → 23.197.000,00 dólares 
 
TAXAS 
114 
 
A taxa do Imposto sobre o Rendimento do Petróleo é de 65,75%, conforme o previsto 
na alínea do artigo 41.º da Lei da Tributação das Actividades Petróliferas. 
CÁLCULO DO IMPOSTO OU LIQUIDAÇÃO 
IRP = Lucro Bruto x 65,75% 
IRP = 23.197.000,00 x 65,75% = 15.252.027,50 dólares 
A fórmula para o cálculo da Matéria Colectável deriva da interpretação do espirito do 
pensamento do legislador dos seguintes artigos combinados 22.º, 23.º, 25.º, 31.º, 45.º, 
46.º, e 47.º do Diploma em referência, transformado em fórmulas que possibilitem os 
cálculos matemáticos. 
7.10– Imposto sobre Diamantes 
As actividades diamantíferas são tributadas pelo Decreto-lei n.º 4-B/96 de 31 de Maio. 
Esta lei tem como objectivo regulamentar o regime fiscal para o sector mineiro devido à 
importância que esta actividade tem para o Estado e para o investimento privado. 
Principais Impostos 
Sobre as actividades diamantíferas incidem, essencialmente, os seguintes encargos 
tributários: 
 Imposto sobre o valor dos recursos minerais ou Royalty; 
 Imposto sobre o rendimento 
 Taxa de superfície. 
Imposto sobre o valor dos recursos minerais ou Royalty 
Caracterização 
É um imposto sobre a produção. 
Incidência 
Este imposto incide sobre o valor dos recursos minerais extraídos à boca da mina ou 
sobre o valor dos concentrados quando haja lugar a tratamento. 
115 
 
Liquidação 
A matéria colectável é calculada mensalmente, pelo contribuinte, que entrega a 
declaração à repartição fiscal até ao dia 15 de cada mês, contendo as quantidades 
produzidas no mês anterior e o seu valor. 
O valor dos minerais produzidos, para efeitos deste imposto, é baseado na média das 
vendas anteriores, caso não seja possível, será fixado em função das médias 
internacionais. 
Se o contribuinte não entregar a declaração, a liquidação será feita pela repartição fiscal, 
que terá por base a produção dos três meses anteriores. Poderá, também, a 
administração fiscal fazer as correcções que achar convenientes depois das 
fiscalizações. 
O contribuinte pode fazer correcções, desde que, aprovadas pelo Ministério dos 
Petróleos e Recursos Minerais. 
Taxas 
As taxas são: 
o Pedras e metais preciosos 5%; 
o Pedras semipreciosas 4%; 
o Minerais metálicos 3%; 
o Outros recursos minerais 2% 
Cobrança 
O Pagamento deve ser efectuado até ao fim do mês estabelecido para a entrega da 
declaração. 
O royalty pode ser pago: 
 Em dinheiro; 
 Em espécie 
116 
 
Não havendo notificação para pagamento em espécie, o imposto será sempre pago em 
dinheiro. 
Se o Estado optar pelo recebimento do imposto em espécie, será o organismo oficial, 
que for encarregado de receber e administrar os valores dados em pagamento, que terá a 
obrigação de entregar as respectivas receitas nos cofres do Tesouro Nacional, até ao fim 
do mês seguinte ao das vendas. 
Imposto sobre o Rendimento 
Caracterização 
O Imposto sobre o Rendimento é um imposto directo; calcula-se nos termos do Imposto 
Industrial, ou seja, sobre a diferença entre todos os proveitos ou ganhos e os custos ou 
perdas do exercicio, isto é, sobre o lucro. 
Incidência 
Estão sujeitos a este imposto todas as: 
 Pessoas singulares ou colectivas, nacionais ou estrangeiras, que por concessão 
outorgarda por entidade competente, tenham adquirido os direitos de exploração 
dos recursos minerais; 
 Entidades que, por titulo obtido nos termos da lei, procedam à actividade de 
exploração de recursos minerais. 
Em caso de incumprimento por estas entidades, a obrigação fiscal cabe às associações 
em participação. 
Liquidação 
Na actividade mineira consideram-se custos ou perdas do exercício, para além dos 
previstos nos termos do Código do Imposto Industrial, os seguintes: 
 De prospecção, pesquisa e reconhecimento; 
 Contribuição para o fundo de desenvolvimento mineiro. 
Taxas de amortização são: 
117 
 
 Equipamentos mineiros fixos: 20%; 
 Equipamentos mineiros móveis: 25%; 
 Ferramentas e utensílios de mineração: 33,3%; 
 Equipamentos de acampamento e escritório: 20%; 
 Outros móveis: 20% 
 Bens incorpóreos: 25%. 
As despesas de prospecção, pesquisa e reconhecimento serão amortizadas às taxas de: 
 50% no primeiro ano; 
 30% no segundo ano; 
 20% no terceiro ano. 
Vulgarmente designado pelo método das quotas degressivas. 
Taxas 
A taxa é de 35%. 
Cobrança 
 
Taxa de superfície 
Caracterização 
A Taxa de Superficie é baseada na área,ou seja, sobre os quilómetros quadrados da área 
de cada licença. 
Incidência Subjectiva 
Esta taxa incide sobre os titulares de direito de prospecção mineira, concedidos pelo 
organismo competente. 
Taxas 
118 
 
A taxa por quilometro quadrado, durante a vigência da licença de prospecção, é; 
 1 dólar norte americano, nos dois primeiros anos; 
 3 dólares norte americanos, no terceiro ano; 
 4 dólares norte americanos, no quarto e quinto anos. 
Se forem concedidas, à mesma entidade, novas licenças para áreas contidas dentro da 
área correspondente a primeira licença as taxas são elevadas para o triplo. 
Cobrança 
A Taxa de Superfície é paga no montante da obtenção da licença de prospecção ou da 
sua prorrogação. 
Os pagamentos subsequentes serão feitos, anualmente, até 31 de Janeiro. 
Penalidades 
O atraso no pagamento é punido: 
 Até 60 dias, com uma multa igual ao dobro do valor da taxa; 
 Entre 60 a 90 dias, com uma multa de cinco vezes o valor da taxa; 
 Superior a 90 dias, ou reincidência na mora a licença será revogada. 
7.11 – Transmissão dos Bens da Empresa 
Conceito de transmissão de bens: 
1 - Considera-se, em geral, transmissão de bens a transferência onerosa de bens 
corpóreos por forma correspondente ao exercício do direito de propriedade. 
2 - Para esse efeito, a energia eléctrica, o gás, o calor, o frio e similares são 
considerados bens corpóreos. 
3 - Consideram-se ainda transmissões de bens: 
a) A entrega material de bens em execução de um contrato de locação com cláusula, 
vinculante para ambas as partes, de transferência de propriedade; 
119 
 
b) A entrega material de bens móveis decorrente da execução de um contrato de compra 
e venda em que se preveja a reserva de propriedade até ao momento do pagamento total 
ou parcial do preço; 
c) As transferências de bens entre comitente e comissário, efectuadas em execução de 
um contrato de comissão definido no Código Comercial, incluindo as transferências 
entre consignante e consignatário de mercadorias enviadas à consignação. Na comissão 
de venda considera-se comprador o comissário; na comissão de compra é considerado 
comprador o comitente; 
d) A não devolução, no prazo de um ano a contar da data da entrega ao destinatário, das 
mercadorias enviadas à consignação; 
e) A entrega de bens móveis produzidos ou montados sob encomenda, quando a 
totalidade dos materiais seja fornecida pelo sujeito passivo que os produziu ou montou; 
f) A afectação permanente de bens da empresa, a uso próprio do seu titular, do pessoal, 
ou em geral a fins alheios à mesma, bem como a sua transmissão gratuita, quando, 
relativamente a esses bens ou aos elementos que os constituem, tenha havido dedução 
total ou parcial do imposto; 
g) A afectação de bens por um sujeito passivo a um sector de actividade isento e, bem 
assim, a afectação ao uso da empresa de bens, quando, relativamente a esses bens ou aos 
elementos que os constituem, tenha havido dedução total ou parcial do imposto. 
4 - Não são consideradas transmissões as cessões a título oneroso ou gratuito do 
estabelecimento comercial, da totalidade de um património ou de uma parte dele, que 
seja susceptível de constituir um ramo de actividade independente, quando, em qualquer 
dos casos, o adquirente seja, ou venha a ser, pelo facto da aquisição, um sujeito passivo 
do imposto de entre os referidos na alínea a) do n.º 1 do artigo 2.º 
5 - Para os efeitos do número anterior, a administração fiscal adopta as medidas 
regulamentares adequadas, nomeadamente a limitação do direito à dedução, quando o 
adquirente não seja um sujeito passivo que pratique exclusivamente operações 
tributadas. 
120 
 
6 - Não são também consideradas transmissões as cedências devidamente documentadas 
feitas por cooperativas agrícolas aos seus sócios, de bens, não embalados para fins 
comerciais, resultantes da primeira transformação de matérias-primas por eles 
entregues, na medida em que não excedam as necessidades do seu consumo familiar, 
segundo limites e condições a definir por portaria do Ministro das Finanças.Imposto sobre o Valor Acrescentado. Porto Editora. 
12 
 
MARQUES, A. P. - Gestão da Produção, Diagnóstico, Planeamento e Controlo. Lisboa: 
Texto Editora, 1991. 
MARQUES, Lúcia e outra. Introdução à Fiscalidade. Porto Editora 
MARREIROS, José M. M. e outros. Impostos Sobre o Rendimento. Áreas Editora. 
MARREIROS, José M.M. e outros. Exercícios de Fiscalidade: IRC. Área Editora. 
MARREIROS, José M.M. e outros. Exercícios de fiscalidade: IRS. Áreas Editora. 
MORRIS - Iniciando uma Pequena Empresa com Sucesso. Lisboa: McGraw- Hill, 
1991. 
NABAIS, José Casalta. Direito Fiscal. Almedma. 
PAIVA, Manuel - Dicionário da empresa. Porto: Rés-Editora, Lda, 1990. 
PEREIRA, G. Fernandes - A Contabilidade das Empresas e a Informática. Coimbra: 
Edição do Autor, 1988 PEREIRA, G. Fernandes - A Contabilidade das Empresas e a 
Informática. Coimbra: Edição do Autor, 1988 
PEREIRA, G. Fernandes - A Reforma Fiscal e os novos regimes de tributação do IRS e 
do IRC. Coimbra: Edição do Autor. 
PEREIRA PEREIRA, G. Fernandes – Código do IRC ordenando por assunto. Coimbra, 
PEREIRA PEREIRA,G. Fernandes – Ordenação explicativo e Contabilização do IVA. 
PETERS, Tom – A Gestão em tempo de Mudança. Lisboa, Ed. Presença. 1988. 
REVISTA EXECUTIVE DIGEST, vários números 
RIBEIRO, José Antunes, Estatuto dos Beneficios Fiscais, Dislivro 
ROCHA, J.A. Oliveira – Gestão de Recursos Humanos .Lisboa ; Editorial Presença, 
1997. 
SALEMA, Isabel – Imagem Empresarial. Lisboa: Texto Editora, 1997 
SANTOS, Rui – Cálculo Financeiro – Noções e Exercícios. Porto: ASA, 1990 
13 
 
Sousa, António – Introdução à Gestão – Uma abordagem Sistémica. Lisboa: Verbo, 
1990. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
14 
 
TEMA I - INTRODUÇÃO 
1.1 - O PAPEL DO ESTADO NA SOCIEDADE 
Os homens para poderem viver precisam de alimentos, vestuário, calçado, habitação, 
etc., constituindo o que se designa por necessidades básicas visto que sem a sua 
satisfação à própria condição de existência humana seria difícil. 
As necessidades do homem são hoje, muito vastas e complexas abarcando áreas muito 
diversificadas. Estas necessidades estão em constante transformação, complexificação, 
interdependência e desenvolvimento, de acordo com o nível de desenvolvimento 
técnico-científico alcançado pela humanidade. 
Cada pessoa, para além das necessidades básicas individuais indispensáveis para o 
asseguramento da sua existência possui outras necessidades que são comuns ao grupo 
social onde está inserido. Assim, a par das necessidades individuais, existem as 
necessidades colectivas que dizem respeito ou afectam toda a sociedade, tais como a 
necessidade da defesa contra o inimigo externo, o asseguramento da ordem pública, da 
justiça, educação, saúde, etc. 
Estas necessidades não podem ser satisfeitas individualmente, ou seja, por cada pessoa 
isoladamente. São por isso, assumidas pelo Estado e outras entidades públicas que 
exercem um conjunto de actividades conducentes à sua satisfação. 
Nas sociedades modernas o Estado desempenha um papel muito importante na 
satisfação das necessidades colectivas. Para além da defesa, ordem e justiça, cabe ainda 
ao estado uma grande parte da responsabilidade da criação e manutenção do ensino e 
educação, saúde, assistência social, saneamento básico, etc. 
É também da responsabilidade do Estado construir iníra-estnituras básicas de apoio à 
produção como estradas, pontes, portos, aeroportos, barragens, centrais de captação e 
tratamento de água, fornecimento de energia eléctrica, sistemas de comunicação, etc. 
 
O estado assegura também a protecção e defesa do meio ambiente, prevenindo a 
destruição das espécies raras da flora e fauna nacionais, a repressão e eliminação dos 
agentes poluidores dos rios, mares, lagos ou do ar. 
15 
 
Numa economia em que as decisões da produção são motivadas pelas Leis da oferta e 
da procura (Economia de Mercado), o estado deve garantir também as condições 
prévias de funcionamento do mercado, nomeadamente a regulamentação da 
concorrência, a definição e protecção dos direitos de propriedade dos meios de 
produção, do mercado do trabalho, da estabilização dos preços e da redistribuição justa 
do rendimento e da riqueza. 
Até finais da década da 70 deste século, em muitos Países era muito definida a ideia de 
que ao Estado deveria ser reservado o papel de principal agente interveniente na 
economia cabendo-lhe satisfazer todas as necessidades dos cidadãos, quer em relação à 
provisão de BENS PÚBLICOS, quer procurando orientar a sua actuação de detectar e 
dar solução as suas preferências. Na verdade, o estado era comparado à um ditador 
Benevolente que (teoricamente) tinha uma vasta informação das necessidades de todos 
quantos viviam no seu território e consequentemente velava para que tais necessidades 
fossem satisfeitas de uma forma planificada. 
Varias criticas se levantaram contra esta corrente pois, não obstante as funções básicas 
que o Estado desempenha na sociedade a sua intervenção directa apresenta várias 
reações e ineficiências económicas resultantes da ausência de completa informação das 
dos cidadãos, das opções politicas das expectativas dos operadores económicos, etc. ou- 
seja, o Estado ao intervir na economia cria fracassos, os chamados Fracassos do 
Governo. 
Por outro, tem sido largamente defendida e propalada a ideia de que a produção e 
provisão de bens e serviços de que a sociedade necessita deve ser feita por empresas 
privadas, actuando num clima de livre concorrência pois só desta forma se estimula a 
criatividade ( surgindo novos e melhores produtos), incentivada a inovação tecnológica 
e obtida a eficiência técnica na utilização dos recursos económicos. Argumenta-se ainda 
que uma maior participação da iniciativa privada na economia., colocará no mercado 
mais bens e serviços , os serão baixos e competitivos e as opções de escolha dos 
cidadãos serão maiores, aumentando o nível de satisfação das suas necessidades, 
considerações que levam a concluir que a produção de bens e serviços e a afectação dos 
recursos à economia devem ser realizados exclusivamente pela iniciativa privada 
(Economia de Mercado). 
16 
 
Na realidade, a livre iniciativa privada intervindo sozinho no mercado também cria 
fracassos resultantes do facto de existirem determinados bens cujos de produção e 
distribuição não podem ser assumidos apenas por um operador económico como é o 
caso das infra-estruturas básicas, de defesa, ordem publica, etc. o mercado também 
fracassa quando são exercidas determinadas actividades que criam externalidades 
positivas ou negativas ou quando existe uma empresa ou grupo de empresas que têm a 
excluvidade de vender determinados produtos , impedindo a existência de uma 
concorrência perfeita. De notar também que só com intervenção da livre iniciativa 
privada os cidadãos com melhores condições económicas terão sempre vantagem sobre 
a maioria da população criando situações de injustiça e desigualdade cada vez mais 
acentuadas na distribuição do rendimento Nacional. 
Uma vez que tanto a intervenção exclusiva do Estado na Economia como a actuação 
também exclusiva da iniciativa privada criam fracassos que um e outro reciprocamente 
corrigem, podemos concluir que, na verdade, não existem economias puras, isto é 
economias em que o Estado é o único operador económico ou economias 
completamente dominadas pela iniciativa privada (Economia de Mercado). Dai que a 
ideia mais consensual na actualidade seja a da existência de Economias Mistas em que 
tanto o Estado como os operadores económicos privados participa na promoção do 
crescimento económico e bem-estar social. 
De qual forma, é ponto assente que nos países em via de desenvolvimento cabe ao 
Estado o papel de força motor do crescimento e desenvolvimento económico e social, 
assegurando as áreas que vão desde a educação, saúde, assistência socia, investigação 
cientifica,etc, a participação cada vez maior dos operadores económicos privados é 
também muito importante e decisivo à quem deverá caber a responsabilidade da 
produção, transportação, armazenamento, distribuição e comercialização de bens e 
serviços mercantes em todos os ramos da actividade. 
Resumindo, o Estado, em todas as sociedades, tem um importante papel na vida 
económica e social da colectividade cujas funções vão desde a alocação de bens e 
serviços que satisfazem as necessidades sociais até a criação de condições que permitam 
aos operadores económicos privados realizarem cabalmente as suas actividades num 
ambiente de livre iniciativa empresarial. Outra função do Estado, não menos importante, 
17 
 
diz respeito ao asseguramento da estabilidade e crescimento económico e da promoção 
do desenvolvimento, da justiça e do bem-estar social. 
1.2 - ACTIVIDADE FINANCEIRA DO ESTADO 
A satisfação das necessidades colectivas leva o Estado a ter que realizar avultados 
gastos e, consequentemente, procurar obter os recursos monetários necessários para 
cobrir estes gastos. Ao conjunto das actividades desenvolvidas pelo se caracteriza pela 
realização de despesas e mobilização de recursos monetários com a finalidade de 
satisfazer as necessidades colectivas chama-se Actividade Financeira do Estado. 
O Estado, ao levar a cabo o conjunto de actividades conducentes à satisfação das 
necessidades públicas, deve conduzir-se dentro de determinadas regras ou normas 
legalmente estabelecidas. Dá-se o nome de Direito Financeiro ao conjunto das normas 
que regulam a actividade financeira do Estado. O Direito Financeiro comporta várias 
áreas de actuação do estado que vão desde a realização das despesas, a mobilização de 
receitas e a gestão patrimonial correspondendo cada uma delas a um sub-ramo do 
direito financeiro. 
1.3 - FONTES DE RECEITAS DO ESTADO 
Para financiar a sua actividade o Estado dispõe de diversas fontes de receitas. 
Em primeiro lugar, o Estado é proprietário de todos os recursos naturais que existem no 
solo e subsolo, rios e lagos (petróleo, diamantes, ouro, etc.) cuja exploração e 
comercialização proporcionam importantes recursos monetários. 
O Estado tem também imóveis, empresas, instituições públicas que geram receitas, que 
constituem rendimentos do Estado. O Estado pode ainda alienar (vender) estes bens 
cujas receitas utiliza para financiar as suas despesas. 
Muitos serviços públicos, como as Conservatórias, Serviços Comunitários e outros 
proporcionam também receitas que são canalizadas para os cofres do Estado. 
O estado, como qualquer entidade privada, pode contrair empréstimos junto das 
instituições financeiras internas e externas, públicos ou privadas, cujo produto utiliza 
para financiar as suas despesas. 
18 
 
Pode acontecer também o Estado receber ajudas e outras doações de outros Países e 
Instituições filantrópicas que são utilizadas para satisfazer as necessidades colectivas. 
 
Em qualquer parte do mundo, o Estado, usando o seu poder de império, cobra impostos, 
taxas e outras contribuições aos cidadãos que vivem no território sob sua jurisdição 
cujas receitas (as Chamadas Receitas tributárias) constituem a principal e mais 
importante fonte de receitas do Estado. 
Em suma, as fontes de receitas do Estado são os Impostos e Taxas, os rendimentos do 
seu património, as Operações Creditícias (empréstimos) e as ajudas e doações 
internacionais. 
A importância de cada uma delas varia de Pais para Pais, mas o mais corrente é que de 
todas elas os impostos constituem a fonte mais importante e mais estável. Porquê(?) 
PERGUNTAS DE CONTROLO 
1) – Justifique a razão da existência de despesas e receitas públicas. 
2) – Diga, por palavras tuas, o que è a actividade financeira do Estado. 
3) >. 
a) – Comente esta afirmação. 
b) – Compare as necessidades básicas de um angolano que vive em Mavinga com 
as de um outro que reside no Lobito. 
4)- “Os recursos naturais são uma importante fonte de recursos necessários para o 
desenvolvimento do País”. 
a) – Comente esta afirmação tendo em conta o caso particular de Angola 
b) – Que outras fontes de recursos para o estado conheces? 
c)- Análise os aspectos positivos e negativos resultantes da realização de operações 
creditícias. 
5) – “O Estado tem um papel fundamental nas sociedades modernas”. 
19 
 
a) – Em tua opinião quais as necessidades colectivas que o estado angolano deveria 
satisfazer prioritariamente? 
b) – Discorra sobre o tema “O papel do Estado na sociedade Angolana”. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
20 
 
TEMA II – NOÇÕES DE DIREITO FISCAL 
TÓPICOS 
2.1 – O Estado e o Fenómeno Tributário 
2.2 – A Fiscalidade e a Evolução Histórica 
2.3 – Princípios Fundamentais de Fiscalidade 
2.4 – O Direito Fiscal 
2.5 - Relações entre o Direito Fiscal e os outros ramos do Direito 
2.6 – Autonomia do Direito Fiscal 
2.7- Fontes do Direito Fiscal 
2.8 - Interpretação das Leis Fiscais no tempo 
2.9 – Aplicação das Leis Fiscais no tempo e no Espaço 
2.10.- Pressão Fiscal 
2.11.- Evasão Fiscal 
2.12.- Fraude Fiscal 
2.13.- Estudo de Caso/ Exercícios de Aplicação 
 
 
 
 
 
 
 
21 
 
2.1 – O ESTADO E O FENÓMENO TRIBUTÁRIO 
Foi anteriormente sublinhado que o Estado precisa de obter receitas para financiar a sua 
actividade dirigida no sentido da satisfação das necessidades colectivas. 
Referiu-se também que existem diversas fontes de receitas, mas a principal e mais 
importante destas fontes são os impostos que o Estado cobra aos cidadãos residentes ou 
não no território sob sua jurisdição. 
Lançar e cobrar impostos é deste modo, uma característica do estado, um acto da sua 
soberania. Este direito que o estado tem de lançar e cobrar impostos resulta do seu 
Poder de Império, através do qual pode fazer fluir para os seus cofres uma parcela do 
património pecuniário dos cidadãos que residam ou realizam actividades económicas 
dentro das suas fronteiras territoriais. No entanto, o Estado Constitucional moderno não 
exerce esse poder livremente ou de forma arbitraria, pois tem de respeitar as limitações 
estabelecidas na Lei. 
2.2– A FISCALIDADE E A SUA EVOLUÇÃO HISTORICA 
O Fenómeno fiscal ou tributário aparece na história dos povos desde os mais remotos 
tempos e sob diversos formas. 
O sentido e carácter atribuídos aos Impostos ao longo da história foram vários. 
Foram considerados primeiramente como um auxílio, uma dádiva ou um presente aos 
príncipes ou soberanos feita pelos seus súbditos. Tiveram também um carácter de 
despojos de guerra ou ainda como um confisco. Outras vezes tiveram um sentido de 
contribuições que os soberanos ou princípio exigiam para armar cavaleiros, para 
casamentos e festas ou fazer face às guerras de conquistas. 
 
Os soberanos ao exigirem dos súbditos contribuições cometiam, por vezes , muitos 
excessos, da tal forma que o povo contribuinte para não se sujeitarem à surpresas abusos 
dos soberanos começou a reivindicar destes o direito de serem ouvidos antes da fixação 
destas contribuições, através de seus representantes nas cortes ou outras assembleias. 
22 
 
Foi na Inglaterra que apareceu pela primeira vez na história uma instituição política do 
tipo parlamento como forma de contrapor o Poder Tributário do soberano, como foi por 
exemplo a célebre e histórica Carta Magna. 
Vários outros movimentos contestários do Poder Tributário dos soberanos verificaram-
se em muitos Países, como por exemplo na França com os episódios que marcaram a 
chamada Revolução Francesa, nas então Colónias Britânicas da América do Norte cujos 
acontecimentos conduziram à sua independência, no Brasil, etc. 
A tributação ou forma de obtenção de receitas através de Impostos foi sendo assim aos 
poucos disciplinada por regras ou normas que foram adquirindo o carácterconstitucional afim de defender os direitos individuais e sociais dos cidadãos. O tributo 
ou Imposto atingiu assim, a situação actual de categoria jurídica e aos cidadãos 
conquistou o estatuto de Contribuinte. 
Deste modo, o fenómeno Tributário ou Fiscal passou a ser tutelado e regido pela 
legalidade. Aquele que é obrigado a pagar impostos deve faz nos termos e limites 
estabelecidos na Lei. 
O cidadão não precisa de fazer doações nem favores ao Estado nem ficar sujeito à 
surpresas, excessos ou confiscos. Mas deverá contribuir aos gastos públicos na 
proporção dos seus rendimentos e em conformidade com a Lei. 
A Lei sendo uma proposição jurídica que trata igualmente todos os que estejam na 
mesma situação, impõe-se tanto aos particulares como aos agentes do Estado e ao 
próprio Estado como pessoa de direitos e obrigações. Um Estado de direito é aquele em 
que os homens são governados pelo poder da Lei e não pelo poder de outros homens. 
2.3 – PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DE FISCALIDADE 
O processo tributário assenta em determinados princípios gerais de caracter universal 
também conhecidos por princípios Gerais de Direito Fiscal. Tais princípios são os 
seguintes: 
 
 
23 
 
A) PRINCÍPIO DA LEGALIDADE TRIBUTÁRIA 
Este princípio assenta na ideia de que os impostos devem ser consentidos pelos próprios 
cidadãos, através dos seus representantes nas Assembleias Legislativas, evitando-se os 
abusos do Executivo e a Veracidade do Fisco. 
Na Republica de Angola este principio está consagrado na Lei Constitucional que o 
formula claramente no n.º 1 do Artigo 102. 
Assim, para que um Imposto seja lançado é necessário que haja uma Lei do Parlamento 
ou um decreto-lei do Governo desde que tenha autorização legislativa da Assembleia. 
Com base no princípio da legalidade os Contribuintes têm o direito de reclamarem ou 
de recorrem dos Actos tributários ilegais, resultantes da aplicação e interpretação das 
Leis. 
B) PRINCÍPIO DA TIPICIDADE 
Princípio decorre do anterior e expressa que os elementos essenciais do imposto 
(incidência, taxas, benefícios fiscais e garantias dos Contribuintes) devem estar 
tipificados na Lei, ou seja, existe um “numerus clausus” Tributário fechado. 
C) PRINCÍPIO DA ANUALIDADE 
Com este princípio estabelece-se a obrigatoriedade de que os impostos a cobrar aos 
cidadãos devem ser aprovados anualmente na Assembleia Nacional. 
E tendo em conta este princípio que a Assembleia nacional aprova todos os anos o 
Orçamento Geral do Estado que, como sabemos é um documento onde estão previstas 
as receitas (impostos) e despesas a realizar nesse período. 
D) PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA E EFICÁCIA 
A finalidade dos Impostos é a mobilização de receitas para satisfazer as necessidades 
financeiras do Estado. 
Os órgãos da Administração Fiscal devem exercer as suas actividades para alcançar as 
metas estabelecidas no OGE (eficácia) bem como devem utilizar racionalmente os 
recursos materiais e humanos necessários para atingir este objectivo (eficiência). 
24 
 
E) PRINCÍPIO DE IGUALDADE 
O princípio de igualdade visa defender a equidade e justiça Tributária. De acordo com 
este princípio, todos os cidadãos são iguais perante a lei e gozam dos mesmos direitos. 
Tal significa que não se trata apenas da igualdade formal mas também da igualdade 
material o que implica tratar o igual com o igual e o desigual. Daqui resulta a forma 
progressiva de Tributação dos rendimentos para que o Sistema Fiscal contribua para 
uma repartição justa da riqueza e dos rendimentos entre os cidadãos. 
 
2.4 – NOÇÃO DE DIREITO FISCAL 
O processo de lançamento e cobrança de impostos é realizado tendo em conta 
determinadas regras previamente estabelecidas. 
Chama-se DIREITO FISCAL ao conjunto de normas jurídicas que regulam o processo 
de lançamento e cobrança de impostos. 
O Direito fiscal é um ramo do Direito Financeiro que, como já vimos, contém normas 
que regulam a actividade financeira do Estado. 
A FISCALIDADE vem a ser uma disciplina que estuda os princípios, as normas 
jurídicas e as técnicas do lançamento e cobrança de impostos. 
2.5 - RELAÇÕES ENTRE O DIREITO FISCAL E OS OUTROS RAMOS DO 
DIREITO 
Com o desenvolvimento da cooperação Internacional, tem vindo a verificar-se a 
celebração de acordos Internacionais e Convenções sobre varias matérias, incluindo as 
de natureza fiscal. 
São exemplos disto as convenções que têm como objectivo evitar a dupla tributação 
internacional, isto é a tributação do mesmo facto em mais de um Estado. 
O Direito Fiscal, mantém, deste modo, algumas relações com o Direito Internacional. 
Por outro lado, os princípios fundamentais que constituem a base da Fiscalidade de 
qualquer País, geralmente, vêm consignados na respectiva Lei Constitucional. As 
25 
 
normas jurídicas que regulam a organização fundamental do estado e dos cidadãos 
formam o que se denomina por Direito Constitucional. O Direito Fiscal estabelece 
fortes relações com o Direito Constitucional, pois aquele vai buscar neste a sua ossatura 
ou esqueleto de existência e funcionalidade. 
O conjunto de normas que definem os factos qualificados como crimes chama-se 
Direito Criminal. O direito impõe deveres e o seu cumprimento está sujeito a sanções. 
Ora, as normas fiscais impõem também obrigações cujo cumprimento é obrigatório sob 
pena de se aplicar sanções aos incumpridores. Algumas sanções ou penalidades 
adoptadas pelo Direito Fiscal são consignadas no Direito Criminal. Deste modo, 
existem também relações de semelhança entre o Direito Fiscal e o Direito Criminal. 
No entanto, na Legislação Tributária, em regra, as sanções têm o caracter pecuniário 
não sendo convertíveis em multa. 
As sanções de natureza fiscal têm os mesmos fins assinaladas as penas criminais, isto é 
um fim retributivo e preventivo. O seu fim Imediato é Retributivo, de castigo e o seu 
fim Mediato é preventivo, evitando que o infractor volte a cometer novas infracções e 
também impedir que, de uma forma geral, as pessoas também as cometem. Mas, além 
destes fins, a pena fiscal permite ao Estado obter uma indeminização financeira das 
importâncias que não recebeu em devido tempo. 
Outro campo onde o Direito Fiscal encontra mais afinidades é o Direito Privado ( 
Direito civil e Direito Comercial). Na realidade, o Direito Fiscal busca no Direito 
Privado os factos, actos e Direitos Patrimoniais que utiliza na Acção Tributária. 
2.6 – AUTONOMIA DO DIREITO FISCAL 
As relações que o Direito Fiscal estabelece com os demais ramos do direito permite-nos 
concluir que não existe uma autonomia completa em qualquer ramo do direito porque, 
afinal o Direito é um só. Mas, o Direito Fiscal é considerado autónomo na medida em 
que tem conceitos próprios que, muitas vezes são expressos através de termos idênticos 
aos utilizados noutros ramos do Direito, nomeadamente do Direito Civil (normas que 
disciplinam a condição normal da pessoa) e o Direito Comercial , normas que regulam 
os actos de comercio, sejam ou não comerciantes as pessoas que nela intervêm. Ao 
26 
 
Direito Fiscal interessa o aspecto económico das situações, independentemente da sua 
regularidade formal. 
 2.7- FONTES DO DIREITO FISCAL 
 A Actividade Tributaria do Estado é realizada de acordo com as normas consagradas 
pelos órgãos com poder Legislativo. No sentido técnico- jurídico, por FONTES DE 
DIREITO, pretende-se expressar a forma como se criam e se manifestam as normas 
jurídicas. 
Interessa antes referir que, existiram muitas formas de produção destas normas ou 
regras, ou seja, existiram várias fontes onde as sociedades foram buscando as regras que 
moldaram a sua conduta social. Dentre elas podemos citar o Costume (nas sociedades 
tradicionais é a base do direito tradicional costumeiro), a Jurisprudência, a Doutrina, os 
Tratados Internacionais, etc. 
Em matéria tributaria, porém, a Fonte de Direito Fiscal é a LEI entendida no seu 
sentido amplo, de acordocom as diferentes proveniências e funções dos órgãos que a 
emanam. 
Assim, em primeiro plano, a Lei Constitucional é a primeira fonte do Direito Fiscal, 
pois nela são consagrados os princípios fundamentais que regem a Actividade 
Tributária. 
A Lei constitucional vigente na República de Angola consagra no seu artigo 101.º a 
norma principal da Fiscalidade angolana, cujo teor é o seguinte: 
1. – “O Sistema fiscal visa satisfazer as necessidades financeiras do Estado e 
outras entidades públicas, assegurar a realização da política económica e 
social do Estado e proceder a uma justa repartição dos rendimentos e da 
riqueza nacional”. 
E, no artigo 102.º nos n.ͦ 1,2 e 3, estabelece o seguinte: 
1. “ Os Impostos só podem ser criados por Lei que determina a sua incidência, 
a taxa, os benefícios fiscais e as garantias dos contribuintes”. 
2. “As normas ficais não têm efeito retroactivo, salvo as de caracter 
sancionatório, quando sejam mais favoráveis aos contribuintes". 
27 
 
3. “A criação de Impostos de que sejam sujeitos activos os órgãos do poder 
local, bem como a competência para a sua arrecadação, são determinados 
por lei”. 
Em segundo plano temos as leis no seu sentido amplo abarcando as normas produzidas 
pela Assembleia Nacional (Leis), pelo Governo( Decretos- Lei e Decretos) e pelos 
membros do governo ( Decretos Executivos Conjuntos, Decretos Executivos, 
Despachos). 
A Assembleia Nacional é a única entidade que tem competência legislativa para criar 
normas sobre as questões fundamentais de tributação referidas no n.º 1 do artigo 102.º 
da Constituição que acima referimos. 
O Governo tem competência para produzir outras normas vinculadas a todos os 
cidadãos quanto às suas obrigações fiscais, nos limites que lhe forem fixados pela 
Assembleia Nacional. 
Os membros do Governo produzem normas que se destinam a regulamentar a execução 
das actividades e as regras que os Contribuintes devem observar no cumprimento dos 
seus deveres Tributários. 
Entre estas fontes de Direito Fiscal existe uma hierarquia em função dos diversos órgãos 
políticos que a emanam. Isto significa que as normas contidas em fontes hierárquicas 
mais elevadas prevalecem sobre as contidas nos Direitos hierarquicamente inferiores. 
A pirâmide hierárquica das fontes e dos diversos órgãos é sinteticamente a seguinte: 
 Constituição___________________________Poder Constituinte 
 Leis_________________________________ Assembleia Nacional 
 Decretos __________________________Governo 
 (Leis)____________________________Função Legislativa 
 Decretos Executivos________________ Membros do Governo 
2.8 - INTERPRETAÇÃO DAS LEIS FISCAIS 
A interpretação de uma norma jurídica visa apurar o significado e og alcance dessa 
norma. Isto é, tirar das palavras usadas na sua redacção um certo sentido, um conteúdo 
de pensamento, uma significação, extraindo da palavra a ideia. A interpretação das 
normas fiscais não deve cingir-se à letra da Lei, mas reconstruir a partir do texto e 
pensamento do Legislador. 
28 
 
A interpretação de uma norma tributária pode ser: 
a) – Autêntica – Quando é feita pelo próprio Legislador através de um outro 
diploma com força de Lei em sentido formal; 
b) – Doutrinal – Quando é feita pelos Tribunais e pelos Juristas; 
c) – Literal ou Exegese - Quando o conhecimento do texto da Lei, do seu sentido 
textual, recorrendo à análise léxico-lógico, à analise sintáctica e ao estudo da 
estrutura das frases. 
No caso de se detectar uma lacuna no sistema normativo, ou seja, existirem situações 
concretas que não estejam previstas nessa norma, tem de se integrar estas lacunas. A 
integração das lacunas, consiste, pois, em procurar resolver os casos omissos com base 
no princípio de tratamento igual a casos semelhantes. Se uma norma trata um caso 
de certa forma um outro caso semelhante deve ser tratado de igual maneira. 
2.9 - APLICAÇÃO DAS LEIS FISCAIS NO TEMPO E NO ESPAÇO 
APLICAÇÃO DAS LEIS FISCAIS NO TEMPO 
Desde a constituição da obrigação da obrigação fiscal até à entrada do montante nos 
cofres do Estado sucedem-se muitos actos administrativos, podendo mesmo surgir uma 
nova lei que altere alguns dos elementos do Imposto. 
No caso de aparecer uma Lei que altere os elementos do Imposto, estando já a obrigação 
fiscal constituída, a nova Lei não pode ser aplicada aos factos já verificados se da sua 
aplicação resultar a alteração dos elementos essenciais dos impostos (Princípio da não 
Retroactividade da Lei Fiscal). Se por exemplo, os elementos essenciais não forem 
alterados então a nova Lei pode ser aplicada ao processo administrativo já em curso. 
APLICAÇÃO DAS LEIS FISCAIS NO ESPAÇO 
É um direito de cada Estado criar as suas Leis Fiscais. Isto pressupõe que existem, então 
no mundo várias ordens jurídico – fiscais. Coloca-se, em consequência, o problema de 
se saber qual é o domínio espacial em que cada uma destas normas deve ser aplicada. 
A aplicação da Lei Fiscal no espaço realiza-se tendo em conta o princípio da 
territorialidade segundo o qual as Leis de um Estado aplicam-se no seu território e 
unicamente nele o que equivale dizer que a Lei Fiscal de Estado apenas se aplica aos 
29 
 
factos e situações tributárias que tiveram lugar no território de um Estado e aos 
rendimentos que nele tenham sido obtidos. Pode, porém, existir algumas excepções à 
este principio, como é por exemplo. O ódigo do Imposto Industrial vigente em Angola 
que dispõe que as pessoas singulares ou colectivas que tenham Sede ou domicilio no 
país serão tributados pelos rendimentos obtidos quer no País quer no estrangeiro. 
2.10 – Pressão Fiscal 
Pressão Fiscal ou Carga Fiscal é a relação entre o total dos tributos arrecadados pelo 
governo de um país e o produto interno bruto (PIB), que é a quantidade de riqueza 
produzida no país. 
2.11 – Evasão Fiscal 
A ideia de evasão fiscal está associada a uma ideia de fuga aos impostos. Podemos 
então definir evasão fiscal como sendo toda e qualquer omissão tendente a eliminar, 
reduzir ou retardar o cumprimento de uma obrigação tributária, provocando uma 
diminuição da receita do Estado. Alguns autores consideram dois tipos de evasão: 
 A evasão legítima ou elisão - o cidadão ou o agente económico, antes da 
ocorrência dos factos geradores, procura um encaminhamento diferente para 
que desta forma obtenha um regime tributário mais favorável, ou não adopta 
qualquer comportamento fraudulento nem um encaminhamento diferente, mas 
aproveita as malhas e fissuras do Sistema Fiscal 
 A evasão ilegítima ou fraude - o cidadão ou o agente económico oculta, simula 
ou distorce a sua realidade económica após a verificação dos factos geradores 
do imposto, por forma que, com essa distorção consiga consequências 
tributárias mais favoráveis. 
 A elisão fiscal ocorre quando se verificam actos pelos quais as pessoas 
ordenam a sua conduta de tal modo que paguem menos impostos do que os que 
teriam de pagar se não tivessem adoptado tal conduta. A evasão fiscal ocorre 
quando as pessoas praticam um acto correspondente ao pressuposto de facto de 
um tributo e, posteriormente, procuram evitar o cumprimento da obrigação que 
lhe corresponde. 
Alguns exemplos: 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Tributo
https://pt.wikipedia.org/wiki/Produto_interno_bruto
https://pt.wikipedia.org/wiki/Riqueza
30 
 
 Aquisição de empresa que funcionam com prejuízos, para desviar para estas 
lucros das empresas do grupo 
 Fraccionamento das actividades por vários sectores (pequenas empresas para 
baixar os escalões tributários) 
 Atribuição a sócios e gerentes de vantagens em espécie 
 Evasão internacional (implantação nos paraísos fiscais das sedes das empresas 
para desviar lucros) 
2.12 – Fraude Fiscal 
A fraude fiscal está relacionada com condutas ilegítimas tipificadas na lei que visam a 
não liquidação,entrega ou pagamento do imposto ou a obtenção indevida de benefícios 
fiscais, reembolsos ou outras vantagens patrimoniais susceptíveis de causarem 
diminuição das receitas tributárias. Um critério seguro para distinguir a fraude da elisão, 
é verificar se os actos praticados pelo contribuinte, para evitar, retardar ou reduzir o 
pagamento de um tributo, foram praticados antes (elisão) ou depois (fraude) da 
ocorrência do respectivo facto gerador. A fraude, para além de ser um erro relevante, é 
praticada intencionalmente, tem natureza criminosa e traduz-se sempre em benefício 
para o sujeito que a pratica, até que a sanção tenda a anulá-lo. 
Exemplos de fraudes são a omissão da matéria colectável na declaração de rendimentos, 
a omissão ou a dissimulação de movimentos contabilísticos (classificação falsa, 
destruição de elementos contabilísticos, despesas pagas a pessoas pela empresa, em 
particular quando são familiares, despesas de viagem e de representação em excesso ou 
fictícias ou pagamentos/recebimentos de «dividendos» através de despesas 
confidenciais ou não documentadas). 
 2.13.- Estudo de Caso/ Exercícios de Aplicação 
PERGUNTAS DE CONTROLO: 
1)-" Desde que os Impostos passaram a constituir a quase exclusiva fonte de 
receitas do Estado de acordo com determinadas regras de Direito e com o respeito 
por certas prerrogativas e liberdade dos povos". 
1.1- Justifique a tua afirmação. 
31 
 
1.2 – Identifique o ramo do Direito que surgiu em virtude das razões apontadas no 
texto; 
1.3 – Identifique o fenómeno Tributário no tempo e no espaço; 
1.4 – Enumere e explique os princípios fundamentais de Fiscalidade. 
2) – “ A Lei é a única fonte do Direito Fiscal”. 
2.1 – Comente esta afirmação; 
2.2 – O que entende por Fonte de Direito Fiscal? 
2.3 – Por seu despacho, o Vice- Administrador Municipal do Soyo determina que todos 
os cidadãos e em trânsito no território do município sob sua jurisdição devem pagar um 
Imposto Municipal para mobilização de receitas necessárias para a reconstrução das 
infra-estruturas sociais. Comente e enquadre a legalidade deste acto tributário. 
2.4 – Indique os diferentes órgãos que na Republica de Angola têm a faculdade de 
produzir normas de natureza Fiscal e a designação que tomam os respectivos actos 
normativos. 
3) – “ A interpretação das normas Fiscais não deve cingir-se à letra da Lei”. 
3.1 – O que entende por interpretação da norma? 
3.2 – Enumere e explique as formas de interpretação das normas Fiscais que conhece. 
3.3 – Como devem ser resolvidos os casos (lacunas) não previstos numa norma? 
4) – “ Embora considerado autónomo, o Direito Fiscal estabelece relações com 
outros ramos do Direito”. 
4.1 – Justifique esta afirmação; 
4.2 – Enumere e particularize os ramos do direito que têm relações co o Direito Fiscal; 
5) – As Organizaões Kizomba, empresa de direito angolano, iniciou a sua actividade de 
compra e venda de carros usados em 1992. Nos termos da Legislação Fiscal que 
determina a Tributação dos rendimentos desta actividade no mesmo imposto à taxa de 
25%, com pagamento trimestral. 
32 
 
5.1 – Tendo a administração Fiscal verificado em 1996 que esta empresa não pagou o 
respectivo Imposto Industrial pelos rendimentos auferidos desde o inicio da sua 
actividade, indique a legislação aplicar na liquidação deste Imposto , justificando a sua 
resposta. 
 6) Discorra sobre o tema: “ O Fenómeno Tributário e o princípio da Legalidade” 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
33 
 
TEMA III - IMPOSTO E FIGURAS AFINS 
SUMARIO 
TÓPICO 
3.1 CONCEITO DE IMPOSTO 
3.2 ESTRUTURA DO IMPOSTO 
3.3 FASES DO IMPOSTO 
3.4 CLASSIFICAÇÃO DOS 
IMPOSTOS 
3 .5 FUNÇÕES DO IMPOSTO 
3.6 IMPOSTOS E FIGURAS AFINS 
3.7 EXERCÍCIOS 
 
 
 
 
 
 
 
 
TEMA III-IMPOSTO E FIGURAS AFINS 
3.1 - O CONCEITO DE IMPOSTO 
O Conceito de imposto teve as mais variadas definições ao longo dos tempos. 
Vários cultores do Direito Fiscal procuraram definir o imposto tomando como base ora 
a sua função financeira ora os seus elementos jurídicos, modernamente, porém é 
consensual definir-se o imposto tendo em conta as suas características fundamentais. 
Na verdade, o imposto é uma prestação pecuniária, definitiva, unilateral, estabelecida 
por Lei, sem o carácter de sanção, exigida pelo Estado à particulares, para a realização 
de fins públicos. Desta definição, resultam as seguintes características do imposto: 
a) - O IMPOSTO É UMA PRESTAÇÃO PECUNIÁRIA 
Em regra o imposto é pago em dinheiro. Daí que o conceito de imposto esteja associado 
ao dinheiro. 
No entanto, nem sempre o Imposto foi pago em dinheiro, outras formas de pagamento 
foram utilizadas, tais como o pagamento em espécie (Cereais, gado, etc) ou trabalho nas 
Obras Públicas (estradas, pontes), formas que ainda são utilizadas em muitos Países. 
34 
 
No caso Angolano, o pagamento em espécie pode ser efectuado pelas empresas que têm 
como actividades a prospecção, produção e exploração de hidrocarbonetos (petróleo) 
em regime de concessão. 
De qualquer modo, a tendência hoje é claramente no sentido do Imposto ser pago em 
dinheiro, transformando em espécie em prestações pecuniárias. 
b) É UMA PRESTAÇÃO DEFINITIVA 
Tal significa que as importâncias pagas pelo devedor do Imposto não são restituíveis 
salvo se tiverem sido indevidamente tributadas ou se tiver pago um valor superior ao 
devido. 
c) O IMPOSTO É UMA PRESTAÇÃO UNILATERAL 
O Estado não tem a obrigação de dar qualquer contrapartida individual ao Contribuinte 
pelo facto de pagar os Impostos a que está sujeito. 
d) O IMPOSTO É ESTABELECIDO POR LEI 
A obrigação do Imposto decorre de uma exigência estabelecidad na Lei, ou seja, a 
obrigação Tributária baseia-se numa norma legal (Principio da Legalidade). Se assim 
não fosse o lançamento e cobrança de Imposto poderia estar sujeito à critérios 
subjectivos dos funcionários e demais agentes do Estado. 
e) O IMPOSTO NÃO É UMA SANÇÃO 
A obrigação do Imposto não constitui uma penalidade aplicada ao Contribuinte. 
f) É UMA PRESTAÇÃO EXIGIDA PELO ESTADO 
A obrigação do Imposto é estabelecida por uma entidade pública (Estado) pelo facto de 
ser titular do Poder Tributário que é uma manifestação de soberania (Poder de Imperio) 
que se caracteriza pela possibilidade de incorporar ou suprimir Impostos na ordem 
jurídica existente no País. 
3.2 – ESTRUTURA DO IMPOSTO 
Qualquer Imposto é tecnicamente, constituído a partir dos seus elementos fundamentais 
que podem ser de natureza Qualitativa e Quantitativa. 
35 
 
Os elementos de natureza qualitativa de um Imposto são: 
a) – O Objecto do Imposto (Incidência); 
b) – O Contribuinte; 
c) – O Facto Gerador do Imposto. 
 
O Objecto do Imposto é uma realidade económica, uma situação de Facto ou de Direito 
sobre a qual incide esse Imposto, ou seja, é tudo aquilo que a Lei consagra como sendo 
o pressuposto da constituição da obrigação Tributária. 
A determinação do objectivo do Imposto é o ponto inicial da técnica fiscal, na medida 
em que é neste momento em que é delimitado o universo de bens, as manifestações de 
riqueza e outras realidades sobre as quais há de incidir o Imposto. 
Esta delimitação torna-se necessária porque, nas sociedades modernas, existem vários 
Impostos o que quer dizer que a Legislação Tributária destas Sociedades escolhe várias 
situações ou realidades que servem de base accionar o Fenómeno Tributário. Se o 
cidadão pagasse apenas um único Imposto, como acontecia nas Sociedades primitivas, 
não haveria necessidade de se distinguir todas estas realidades ou situações que dão 
origem à obrigação Tributária. 
O Contribuinte, Sujeito Passivo do Imposto ou Devedor do Imposto, é a pessoa que 
tem a obrigação de pagar o imposto, isto é aquela pessoa que está submetida à obrigação 
tributária. Geralmente o Contribuinte tem uma forte relação com o objecto do imposto. 
O Contribuinte pode ser aindade Facto ou de Direito. 
O Contribuinte de facto é aquele que efectivamente suporta o imposto, transferindo 
parte do seu rendimento à favor do estado. Os consumidores, por exemplo, são os que 
efectivamente suportam o ónus do imposto sobre determinados produtos, embora não 
seja os que têm a obrigação Fiscal da entrega do valor do imposto nos corres do Estado. 
O Contribuinte de Direito é a pessoa (Singular ou Colectiva) definida na Lei como 
sendo o sujeito passivo da obrigação tributária. 
36 
 
Há também casos de substituição fiscal em que determinada pessoa se substitui à outra, 
por força da Lei, no cumprimento da obrigação Tributária principal ou acessória. É o 
caso das entidades patronais que, nos termos da Lei do imposto sobre os rendimentos do 
trabalho, devem reter a entrega nos cofres do Estado o Imposto descontado nas 
remunerações dos seus trabalhadores. 
O Facto Gerador do imposto ou Facto Tributário é um acontecimento, um acto ou uma 
situação de facto ou de direito com repercussão económica que determina a incidência 
do imposto. 
Para que se constitua uma obrigação tributária não basta que existe o Objecto ou se 
conheça o Contribuinte. É indispensável que se produzam determinados factos ou actos, 
ou ainda que se verifiquem determinadas situações tipificadas na Lei, que, ao 
acontecerem, dão origem à criação efectiva da Obrigação Tributária. 
Por exemplo, o Facto Gerador do Imposto Industrial é o Exercício Efectivo de uma 
actividade comercial, industrial, etc. No caso do imposto sobre rendimentos do trabalho, 
o Facto Gerador deste imposto é a percepção de salários e outras remunerações por 
parte dos trabalhadores. 
Resultados do exercício apurados na contabilidade da empresa constantes das suas 
demonstrações financeiras. 
São rendimentos normais os calculados com base nos factos económicos ocorridos 
durante um determinado período. Por exemplo considerar como Redimento Tributavél o 
valor correspondente a 25% das vendas realizadas durante o ano ou 35% dos custos 
suportados para a realização de uma actividade. 
São rendimentos presumidos aqueles que são fixados com base numa estimativa dos 
resultados que o contribuinte poderia ter obtido na sua actividade durante um 
determinado exercício. 
a) O MODO DE CÁLCULO DO IMPOSTO 
Uma vez fixada a base do Imposto ou Matéria Colectável o passo a seguir consiste no 
estabelecimento da forma como o Imposto deve ser calculado, utilizado as operações 
aritméticas, para se determinar o valor a pagar. 
37 
 
As operações aritméticas a realizar são: 
a) Efectuar as deduções à Matéria Coletável; 
b) Aplicar a Taxa do Imposto 
a) DEDUÇÕES 
As deduções são as importâncias que nos termos da Lei, devem ser retiradas da base de 
Imposto como forma de atender à situação pessoal e social dos contribuintes. 
A partir do novo valor aplica-se a taxa de Imposto para se determinar o montante do 
Imposto a pagar. 
b) TAXA DO IMPOSTO 
A taxa do Imposto é um factor multiplicativo previamente determinado na Lei que se 
aplica â base do Imposto para se calcular o valor do Imposto a pagar. 
A Taxa do Imposto pode ser ESPECIFICA ou AD-VALOREM 
É especifica quando é aferida com Unidade Fiscais, tais como peso, medida, 
cumprimento, moeda, etc. 
Exemplo: 2,00 KZ por cada 1.000 litros, 20,00KZ por tonelada, 50,00 KZpor barril, etc. 
Uma Taxa “ ad-valorem” é aquela que é fixada numa percentagem que se aplica a um 
valor monetário. Exemplo 25%, 3%, etc. 
Exercícios sobre o modo de cálculo do Imposto: 
1 - A Empresa Beta, Limitada, durante o ano de 2018, obteve um lucro no valor de Kz 
10.000.000,00, sabendo que os proveitos cifraram-se em Kz 30.000.000,00. 
Calcular: 
a) Indicar o valor da matéria colectável; 
b) O valor do imposto, sabendo que a taxa do imposto é de 25%. 
Matéria Colectável= Kz 10.000.000,00 
Imposto= 10.000.000,00 x 25% 
38 
 
Imposto= 2.500.000,00 Kwanzas 
 
A Taxa do Imposto pode ser ainda Fixa ou Variável. A Taxa Variável pode ser, por 
sua vez, proporcional, progressiva, regressiva e degressiva. Estas Taxas 
correspondem aos impostos com a mesma designação que estudaremos oportunamente. 
3.3 - FASES DO IMPOSTO 
Como já sabemos, a exigência de um imposto pressupõe, antes de mais, a existência de 
uma lei que o autorize, a prévia definições das situações por ele abrangidas (O Facto 
Gerador), a enunciação das pessoas e ele sujeitas (os Contribuintes), a determinação da 
Matéria Colectável (Base do Imposto) e a fixação da taxa do imposto (percentagem). 
Para que o Contribuinte pague nos cofres do Estado o valor do imposto é indispensável 
que, previamente, sejam realizados determinados ACTOS ADMINISTRATIVOS que 
levam à fixação do quantitativo a pagar. A execução de tais actos pertencentes à 
Administração Fiscal constituindo o ciclo de tramitação processual vulgarmente 
denominado por FASES DO IMPOSTOS. 
Temos assim, que o estabelecimento do Imposto comporta quatro etapas ou fases 
fundamentais que são: O lançamento, a liquidação, a cobrança e o pagamento. 
O Lançamento é um conjunto de operações administrativas cuja finalidade é a 
identificação do Contribuinte e da Matéria Colectável. 
A identificação faz-se através de informações fornecidas à Administração Fiscal pelos 
Contribuintes e de outros elementos existentes nas Repartições Fiscais que formam o 
sistema do Registo Geral de Contribuintes (RGC). A cada Contribuinte é atribuído 
um número e passado um Cartão cuja exibição é obrigatória quando o Contribuinte 
realiza determinadas operações comerciais tipificadas na Lei. 
Em Angola o Registo Geral de Contribuintes foi instituído pelo Decreto n°29/92, de 3 
de Julho, da Comissão Permanente do Conselho de Ministros, publicado no Diário da 
República I Série n° 26, da mesma data (veja o formulário do RGC em anexo). 
39 
 
A Liquidação uma operação aritmética que visa quantificar o Imposto devido pelo 
Contribuinte. Conhecida a base do Imposto, aplica-se à esta base uma percentagem 
(Taxa) legalmente estabelecida, resultando desta operação um valor que corresponde ao 
Impostos que o Contribuinte deve pagar nos cofres do Estado. 
Geralmente a liquidação é feita pela administração fiscal. Modernamente, porém, a 
Legislação confere ao próprio Contribuinte a obrigação de fazer esta operação na altura 
da apresentação da declaração de rendimentos. É o que se designa por Auto 
Liquidação. (Veja formulário em anexo). 
Sempre que, por facto imputável ao Contribuinte, for retardada a liquidação de parte ou 
da totalidade do imposto devido, a este acrescerá o juro de 1% ao mês, sem prejuízo da 
multa cominada ao infractor. 
Este juro chama-se JURO COMPENSATÓRIO e é contado por cada mês ou fracção, 
desde o termo do prazo para o cumprimento da obrigação de que resultou atraso na 
liquidação até a data em que vier a ser suprida ou corrigida a falta. 
A Cobrança do Imposto é um processo administrativo que leva o Contribuinte a pagar a 
sua divida. A Cobrança pode ter um carácter amigável (administrativa) ou coercivo. 
A cobrança amigável realiza-se dentro do prazo que a Lei estabelece para o pagamento 
do Imposto e consiste no contacto periódico com o Contribuinte avisando-o a divida 
fiscal que sobre si impende e a data limite para a sua regularização. 
A cobrança coerciva é a que +é realizada com a intervenção de um órgão de aplicação 
da Justiça Fiscal (Tribunal de Execuções Fiscais) quando o Contribuinte não regulariza 
a sua divida nos prazos estabelecidos. 
O Pagamento é um conjunto de operações financeiras, em virtude das quais a quantia 
monetária do Imposto passa do património do Contribuinte para os cofres do Estado 
extinguindo-se a divida. 
O pagamento pode ser voluntário, quando o Contribuinte efectua a entrega da quantia 
do Imposto nos cofres do Estado dentro do prazo estabelecido por Lei. Pode ser também 
coercivo quando o contribuinte se furta ao pagamento do Imposto liquidado dentro do 
40 
 
prazoe é, por conseguinte, compelido ou forçado pela Administração Fiscal a satisfazer 
a sua divida, através do Tribunal das Execuções Fiscais. 
Não sendo pago um Imposto no prazo de vencimento começam a correr imediatamente 
JUROS DE MORA. 
Os Juros de Mora são um acréscimo monetário que o devedor tem de pagar quando não 
efectuar a entrega do Imposto liquidado dentro do prazo estabelecido. Os juros de mora 
têm natureza de uma obrigação acessória de divida principal. Para haver Juros de Mora 
é necessário que haja uma divida fiscal que não tenha sido paga no prazo legal. 
Os Juros de Mora são calculados â taxa de 1% ao mês e vencem no dia um (1) de cada 
mês, contando-se por inteiro o mês de cobrança. 
Terminado o prazo do pagamento voluntário, entra-se na fase da cobrança coerciva. 
Entre estas duas fases há uma fase pré-executiva ou de relaxe que consiste na 
realização das operações que conduzem à cobrança coerciva. Estas operações são 
consolidada da divida e a extracção da Certidão de relaxe. Nesta fase o contribuinte 
pode pagar a divida e os respectivos acréscimos legais. 
Relaxada a divida esta é cobrada coercivamente pelo Tribunal das Execuções Fiscais, 
acrescida de 10% de multa sobre as dividas e 35% mínimo de 5.000,00Kz de custos 
sobre o total da divida relaxada. 
O pagamento pode ser ainda a pronto, em prestações e em anuidades. O pagamento à 
pronto é o que se efectua de uma só vez. O pagamento em prestações consiste em 
dividir o montante do Imposto em parcelas que vencem periodicamente quando a Lei 
assim o permite. O pagamento em anuidades consiste na divisão do valor do imposto 
por um determinado n° de anos, pagando em cada ano a parcela correspondente e 
aplica-se sobre os direitos que caducam com a morte do titular. 
Actualmente o pagamento de Impostos é feito nas Agências Bancárias autorizadas pelo 
Ministério das Finanças. 
Para pagar o seu Imposto o Contribuinte preenche um impresso próprio chamado 
Documento de Cobrança (DC), que é apresentado aos balcões da Agência Bancária 
autorizada ou da Repartição Fiscal (nas localidades onde não exista Banco) juntamente 
41 
 
com a importância em numerário ou cheque Visado passado a favor da Caixa do 
Tesouro Nacional. 
Depois de recebido, uma visa do DC é entregue ao Contribuinte como seu justificativo 
sendo as restantes remetidas à área competente do Ministério das Finanças para 
processamento dos dados e subsequente contabilização das receitas do OGE e controlo 
dos Contribuintes. 
Veja, em anexo, um exemplar do DC. 
3.4 - CLASSIFICAÇÃO DOS IMPOSTOS 
Existem vários critérios que servem de base para a classificação ou arrumação dos 
Impostos vigentes num determinado sistema fiscal em grandes grupos. 
O critério universalmente adoptado é um que classifica os Impostos em Directos e 
Indirectos. 
Impostos directos, os que têm como base a manifestação da capacidade contributiva do 
contribuinte. 
Exemplo: Imposto Industrial e Imposto sobre os Rendimentos do Trabalho. 
Os Impostos Indirectos são os que incidem sobre os rendimentos no momento da sua 
utilização sob forma de consumo, ou ainda são aqueles que surgem com a ocorrência de 
certas despesas ou aquisições de bens para consumo. 
 É o caso de Angola, do Imposto sobre o consumo de bebidas alcoólicas, derivado do 
petróleo, o Imposto sobre o consumo mais vulgar é o IVA (Imposto sobre o valor 
acrescentado). 
Os Impostos podem classificar-se ainda em Impostos Pessoais e Impostos Reais. 
São Impostos Pessoais os que tributam as pessoas independentemente da sua condição 
económica. 
Exemplo: qualquer imposto que se paga para o exercício de uma profissão 
Os Impostos Reais são os que tributam os rendimentos ou riqueza de que as pessoas 
são titulares mas tendo em conta a situação pessoal dos Contribuintes. 
42 
 
Exemplo: Imposto Industrial, Imposto sobra a Aplicação de Capitais e Imposto sobre 
Rendimentos do trabalho. 
Tendo em conta a entidade que os recebe (sujeito passivo), os Impostos classificam-se 
em Estaduais e Não Estaduais. 
São Estaduais os Impostos em que o sujeito activo é o Estado (ex; IRT) enquanto os 
Impostos não Estaduais têm como sujeito activo não o Estado, mas uma pessoa 
colectiva de direito público como por exemplo uma autarquia local (Administração 
Municipal) ou outro Instituto Público. 
Se considerar o critério da territorialidade os Impostos classificam-se em Gerais e 
locais. São gerais os Impostos que são cobrados em todo o território nacional. São 
locais os que se limitam à uma região ou zona. 
Quando se tem em conta a natureza permanente ou acidental dos factos ou situações que 
deram origem ao Imposto, pode-se classificar os Impostos em Periódicos e de 
Obrigações Única. São Periódicos os que se repetem ciclicamente (Imposto sobre os 
Rendimentos de Trabalho, por exemplo) ao passo que são de obrigação única aqueles 
Impostos que se verificam ocasionalmente (Imposto de Sisa, por exemplo). 
Com base nas características das taxas (percentagens aplicadas, os Impostos agrupam-se 
em Impostos de Taxa Fixa e Impostos de Taxa Variável). 
Impostos de Taxa Fixa ou de Quota Fixa são aqueles em que o montante do Imposto a 
pagar por cada Contribuinte é constituído por uma importância certa e igual para todos. 
Exemplo: Imposto de Selo sobre os contratos 
Os impostos de Taxa Variável podem ser Proporcionais. Progressivos, Degressivos e 
Regressivos. 
São Proporcionais aqueles impostos em que a taxa é constante, sendo o valor 
directamente proporcional à Matéria colectável. 
Exemplo: Imposto Industrial. 
São Progressivos aqueles impostos cuja taxa aumenta a medida que aumenta a matéria 
colectável, ou seja, o imposto é mais que proporcional com a matéria colectáveL 
43 
 
Exemplo: Imposto sobre Rendimentos do Trabalho por conta de outrém. 
São Degressivos os impostos que têm uma taxa normal aplicável à matéria Colectável a 
partir de certo valor e taxas menores para escalões inferiores da Matéria Colectável. 
Exemplo: Imposto sobre os Rendimentos do trabalho por conta de outrém. 
Nos impostos Regressivos a taxa diminui à medida que aumenta a Matéria colectável. 
Exemplo: politicas de incentivos de importação de um determinado bem – quanto maior 
for a quantidade reduz a taxa aduaneira. 
3.5- FUNÇÕES DO IMPOSTO 
Actualmente o imposto exerce na economia e na sociedade várias funções quer agindo 
como instrumento de obtenção de receitas quer como variável de promoção do 
equilíbrio económico e justiça social. Deste modo, o imposto exerce as seguintes 
funções: 
a) -Financeira 
b) - Económica 
c) - Função Social 
A Função Financeira ou Fiscal do imposto traduz-se na mobilização de fundos para os 
cofres do Estado a fim de fazer face aos gastos com a satisfação das necessidades 
colectivas. Esta é função clássica do imposto. 
Servindo-se do sistema fiscal o Estado pode agir sobre a conjuntura ou sobre as 
estruturas económicas modificando o seu comportamento pela utilização de medidas 
temporárias ou definitivas que afectam o volume da repartição de carga fiscal, 
influenciando assim a nível de actividades, o consumo e a poupança individual. 
Com a redução ou isenção de impostos o Estado pode incentivar o desenvolvimento de 
uma indústria, ou o desenvolvimento económico-social de uma região e o bem-estar das 
populações de uma região ou Província. Pelo contrário com o agravamento da carga 
fiscal o Estado pode desestimular o consumo de determinados produtos e 
subsequentemente reduzir a sua produção. 
44 
 
A função social do imposto manifesta-se com a sua utilização como forma de obter 
determinados efeitos ou benefícios sociais. Por exemplo a Tributação do consumo do 
tabaco visa banir os efeitos negativos do tabagismo. 
Um outro exemplo é o papel importante que pode atribuir-se ao imposto numa Política 
Demográfica: a Tributação dos solteiros e as deduções de impostos em função dos 
encargos de família podem encorajar os casamentos

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