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Regimes Tributários – Parte II Prof. Me. Eder Anelli São Paulo, 2º Semestre de 2024 Lucro Real É o resultado obtido pelo lucro líquido contábil, ajustadas pelas adições, exclusões e as compensações. Esses ajustes são efetuados via Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), no qual se obtém as informações das receitas que o fisco não permitiu tributar e as despesas que o fisco não permitiu deduzir. Servirá de base de cálculo para incidências de IRPJ e CSLL. Poderá realizar adições, exclusões e compensações que tratam dos prejuízos fiscais. Lucro Real Alíquota I.R: fixa em 15%, mais adicional de 10%, nas parcelas mensais superiores a R% 20.000,00 ou sobre esse valor multiplicado pelo número de meses do período (trimestral ou anual). Alíquota CSLL: fixa em 9% (PJ em Geral) e 15% (entidades financeiras) sobre o valor apurado. O regime tributário do lucro real, ao contrário do que muitos empresários pensam, pode ser muito mais benéfico para algumas empresas, em função de seu nível de lucratividade e também, de forma indireta, em razão dos controles e relatórios que proporcionam para os resultados da empresa. Com esses controles, é possível ter melhores informações sobre todos os gastos, custos, recursos financeiros a curto e a longo prazo, gestão de seus tributos e uma minuciosa precisão nas informações geradas para os sócios, acionistas e afins. Lucro Real A regra geral para que o gasto possa ser deduzido do lucro é sua obtenção ou esforço para gerar receitas para a atividade empresarial. Isso significa que os custos e as despesas têm que estar envolvidos com o operacional da empresa, pois se não tiverem essa característica, deverão ser adicionados na parte A do LALUR (Livro de Apuração do Lucro Real). O LALUR ajusta todas as contas após o lucro líquido contábil, por meio de adições de despesas que o fisco não permite deduzir do lucro, das exclusões das receitas que o fisco não permite serem tributáveis e, também, das compensações com prejuízos fiscais de períodos anteriores. • Parte A do LALUR é composta pelas adições e exclusões do lucro líquido. • Parte B do LALUR é composta para o controle das utilizações de parte do prejuízo fiscal de períodos anteriores do lucro real. o LALUR é apresentado anualmente pelos contribuintes que são tributados no lucro real por meio da Escrituração Contábil Fiscal (ECF), que possui um registro específico chamado Livro Eletrônico de Apuração do Lucro Real (e-Lalur). Lucro Real A legislação do imposto de renda, especificamente o Decreto nº 9.580/2018, permite que as empresas que tiveram prejuízos fiscais em anos anteriores possam compensá-los com o IR devido, seja ele trimestral ou anual. Essa possibilidade não depende de a empresa ter apresentado lucro ou prejuízo contábil no passado, mas sim de a empresa ter apresentado prejuízo fiscal no passado, ou seja, prejuízo resultante da apuração do IRPJ no passado (BRASIL, 2018). Poderá ser compensado o prejuízo fiscal do período anterior, limitado a 30% do lucro líquido do período, ajustado as adições, exclusões e as compensações. Lucro Real (DRE): Lucro Real (DRE): Lucro Real (Base de cálculo IRPJ e CSLL): Lucro Presumido O lucro presumido é um regime simplificado para apuração do IRPJ e da CSLL, como o conceito do nome já diz, trata-se da presunção da margem de lucro sobre as receitas de determinados ramos de atividades, fazendo ser até mais benéfico o pagamento por esse regime se a empresa trabalhar com a margem de lucro igual ou superior do que a estipulada pela lei. Presunção varia de 1,6% a 32% de acordo com o ramo de atividade. • Revenda de Combustível: 1,6% • Comércio e Indústria: 8% • Prestação de Serviços 32% Para optar pelo Lucro Presumido, a empresa precisa obter receita bruta anual inferior a R$ 78.000.000,00 no ano calendário anterior; ou R$ 6.500.000,00 mensais multiplicado pelo número de meses do ano de atividade. Atividades de Bancos e Seguradoras e realização de investimentos resultantes em lucro, rendimentos ou ganhos de capital, não podem optar pelo Lucro Presumido. Lucro Presumido Alíquota I.R: fixa em 15%, mais adicional de 10%, nas parcelas mensais superiores a R% 20.000,00 ou sobre esse valor multiplicado pelo número de meses do período (trimestral ou anual). Alíquota CSLL: fixa em 9% (PJ em Geral) e 15% (entidades financeiras) sobre o valor apurado. Lucro Presumido (Base de cálculo IRPJ e CSLL): Lucro Presumido (DRE): Lucro Presumido (DRE): REFERÊNCIAS FARIA, Ramon Alberto Cunha de. Contabilidade Tributária. Porto Alegre: Sagah, 2016. Obrigado! Regimes Tributários – Parte 1 Prof. Me. Eder Anelli São Paulo, 2º Semestre de 2024 Simples Nacional: Sistema simplificado de arrecadação, cobrança e fiscalização de tributos. Foi estabelecido pela Lei Complementar 123, de 14 de dezembro de 2006, e é destinado às microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP). A ME e/ou EPP que se habilitar e optar por essa sistemática recolhe IRPJ, CSLL, ICMS, IPI, ISS e contribuições para PIS/PASEP, COFINS e INSS em uma única guia de arrecadação, denominada DAS. Simples Nacional: A definição de ME e de EPP é dada pelo art. 3º da LC n. 123/2006: Art. 3º Para os efeitos desta Lei Complementar, consideram-se microempresas ou empresas de pequeno porte a sociedade empresária, a sociedade simples e o empresário a que se refere o art. 966 da Lei n. 10.406, de 10 de janeiro de 2002, devidamente registrados no Registro de Empresas Mercantis ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, conforme o caso, desde que: Simples Nacional: I – no caso da microempresa, aufira, em cada ano-calendário, receita bruta igual ou inferior a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais); e II – no caso de empresa de pequeno porte, aufira, em cada ano-calendário, receita bruta superior a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais) e igual ou inferior a R$ 4.800.000,00 (quatro milhões e oitocentos mil reais). Simples Nacional: Art. 13. O Simples Nacional implica o recolhimento mensal, mediante documento único de arrecadação, dos seguintes impostos e contribuições: I – Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ; II – Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, observado o disposto no inciso XII do § 1º deste artigo; III – Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL; IV – Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, observado o disposto no inciso XII do § 1º deste artigo; Simples Nacional: V – Contribuição para o PIS/Pasep, observado o disposto no inciso XII do § 1º deste artigo; VI – Contribuição Patronal Previdenciária – CPP para a Seguridade Social, a cargo da pessoa jurídica, de que trata o art. 22 da Lei n. 8.212, de 24 de julho de 1991, exceto no caso da microempresa e da empresa de pequeno porte que se dedique às atividades de prestação de serviços referidas no § 5º-C do art. 18 desta Lei Complementar; VII – Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS; VIII – Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza – ISS. Simples Nacional: As MEs e as EPPs devem formalizar a opção pelo Simples Nacional até o último dia útil do mês de janeiro, sendo irretratável para o ano inteiro. Eis o teor do art. 16 da LC n. 123/2006: Art. 16. A opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e empresa de pequeno porte dar-se-á na forma a ser estabelecida em ato do Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o ano-calendário. § 1º Para efeito de enquadramento no Simples Nacional, considerar-se-á microempresa ou empresa de pequeno porte aquela cuja receita bruta no ano-calendário anterior ao da opção esteja compreendida dentro dos limites previstos no art. 3º desta Lei Complementar. Simples Nacional: § 2º A opção de que trata o caput deste artigo deverá ser realizadano mês de janeiro, até o seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do ano-calendário da opção, ressalvado o disposto no § 3º deste artigo. § 3º A opção produzirá efeitos a partir da data do início de atividade, desde que exercida nos termos, prazo e condições a serem estabelecidos no ato do Comitê Gestor a que se refere o caput deste artigo. Simples Nacional: SIMEI É o sistema de recolhimento em valores fixos mensais dos tributos abrangidos pelo Simples Nacional, devidos pelo Microempreendedor Individual, conforme previsto no artigo 18-A da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Em resumo, é um sistema de pagamento de tributos unificados em valores fixos mensais. Simples Nacional: SIMEI Considera-se Microempreendedor Individual - MEI o empresário a que se refere o art. 966 da Lei 10.406/2002 (Código Civil), que tenha auferido receita bruta acumulada nos anos-calendário anterior e em curso de até R$ 81.000,00, ou seu limite proporcional se estiver no ano de início de atividade, e que atenda aos seguintes requisitos: •exerça tão-somente as ocupações constantes do Anexo XIII da Resolução CGSN 94/2011; •possua um único estabelecimento; •não participe de outra empresa como titular, sócio ou administrador; •não contrate mais de um empregado, observado o disposto no art. 96 da Resolução CGSN 94/2011. Simples Nacional: SIMEI Os valores pagos mensalmente pelo MEI correspondem a: •R$ 5,00 de ISS, caso seja contribuinte deste imposto; •R$ 1,00 de ICMS, caso seja contribuinte deste imposto e •5% do valor do salário mínimo Valores 2024: Comércio e Indústria (R$ 71,60); Serviços (R$ 75,60); Comércio e Serviços (R$ 76,60) Vencimento da guia no dia 20 de cada mês. Simples Nacional (DASN e DAS): Fonte: Conteto Fonte: Capital Social Simples Nacional (Anexos – não inclui MEI): Fonte: Contabilizei Simples Nacional (Anexos – não inclui MEI): Fonte: Contabilizei Simples Nacional (Anexos – não inclui MEI): Fonte: Contabilizei Simples Nacional (Anexos – não inclui MEI): Fonte: Contabilizei Simples Nacional (Anexos – não inclui MEI): Fonte: Contabilizei Simples Nacional (Empresas que não podem optar): •Empresas que tenham uma pessoa jurídica como sócia. •Filiais, sucursais, agências ou representações, no país, de pessoa jurídica com sede no exterior. •O empresário cujo sócio participe com mais de 10% do capital de outra empresa não beneficiada pelo Simples Nacional, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de R$ 4,8 milhões. •Empresas cujo sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de R$ 4,8 milhões. •Empresas constituídas sob a forma de cooperativas, menos as de consumo, que podem ser beneficiadas. •Negócios cujo capital tenha participação de pessoa física que seja inscrita como empresário ou seja sócia de outra empresa optante pelo Simples Nacional, desde que a receita bruta global também ultrapasse o limite de R$ 4,8 milhões. REFERÊNCIAS BRASIL. Simples Nacional. Disponível em: https://www8.receita.fazenda.gov.br/simplesnacional/documentos/pagina.aspx?id=4. Acesso em: 06 Set. 2024. POHLMANN, Marcelo Coletto. Contabilidade tributária. 2. ed. Barueri [SP]: Atlas, 2024. ISBN 978-65- 5977-587-3 (e-book) SEBRAE. Saiba quais empresas podem optar pelo Simples Nacional. Disponível em: https://sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/saiba-quais-empresas-podem-optar-pelo-simples- nacional,d908ce20d5191510VgnVCM1000004c00210aRCRD. Acesso em: 06 Set. 2024. SOUSA, Edmilson P. Contabilidade tributária: aspectos práticos e conceituais. 1. ed. São Paulo: Atlas, 2018. E-book. https://www8.receita.fazenda.gov.br/simplesnacional/documentos/pagina.aspx?id=4 https://sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/saiba-quais-empresas-podem-optar-pelo-simples-nacional,d908ce20d5191510VgnVCM1000004c00210aRCRD https://sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/saiba-quais-empresas-podem-optar-pelo-simples-nacional,d908ce20d5191510VgnVCM1000004c00210aRCRD Obrigado! Princípios Tributários Prof. Me. Eder Anelli São Paulo, 2º Semestre de 2024 Sistema Tributário: Conjunto de Normas Constitucionais de natureza tributária, inserido no sistema jurídico global, formado por um conjunto unitário e ordenado de normas subordinadas aos princípios fundamentais, reciprocamente harmônicos, que organiza os elementos constitutivos do Estado [...] (Harada, 2005). Art. 1º (EC 18/1965) O sistema tributário nacional compõem-se de impostos, taxas e contribuições de melhoria, e é regido pelo disposto nesta Emenda, em leis complementares, em resoluções do Senado Federal, e, nos limites das respectivas competências, em leis federal, estadual ou municipal. Sistema Tributário: Art. 145 (CF 88). A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: I - impostos; II - taxas, em razão do exercício do poder de polícia ou pela utilização, efetiva ou potencial, de serviços públicos específicos e divisíveis, prestados ao contribuinte ou postos a sua disposição; III - contribuição de melhoria, decorrente de obras públicas. Art. 145 § 3º (CF 88) O Sistema Tributário Nacional deve observar os princípios da simplicidade, da transparência, da justiça tributária, da cooperação e da defesa do meio ambiente. Sistema Tributário: Art. 2º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I - Instituir ou majorar tributo sem que a lei o estabeleça, ressalvados os casos previstos nesta Emenda; II - cobrar imposto sobre o patrimônio e a renda, com base em lei posterior à data inicial do exercício financeiro a que corresponda; III - estabelecer limitações ao tráfego, no território nacional, de pessoas ou mercadorias, por meio de tributos interestaduais ou intermunicipais; Sistema Tributário: Art. 2º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: IV - cobrar impostos sobre: a) o patrimônio, a renda ou os serviços uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) o patrimônio, a renda ou serviços de Partidos políticos e de instituições de educação ou de assistência social, observados os requisitos fixados em lei complementar; d) o papel destinado exclusivamente à impressão de jornais, periódicos e livros. Sistema Tributário: Seção III Art. 8º Competem à União: I - o imposto sobre a propriedade territorial rural; II - o imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. Art. 9º Compete aos Estados o imposto sobre a transmissão, a qualquer título, de bens imóveis por natureza ou por cessão física, como definidos em lei, e de direitos reais sobre imóveis, exceto os direitos reais de garantia. § 1º O imposto incide sobre a cessão de direitos relativos à aquisição dos bens referidos neste artigo. Sistema Tributário: Seção III Art. 9º Competem à União: § 2º O imposto não incide sobre a transmissão dos bens ou direitos referidos neste artigo, para sua incorporação ao capital de pessoas jurídicas, salvo o daquelas cuja atividade preponderante, como definida em lei complementar, seja a venda ou a locação da propriedade imobiliária ou a cessão de direitos relativos à sua aquisição. § 3º O imposto compete ao Estado da situação do imóvel sobre que versar a mutação patrimonial, mesmo que esta decorra de sucessão aberta no estrangeiro. § 4º A alíquota do imposto não excederá os limites fixados em resolução do Senado Federal, nos termos do disposto em lei complementar, e o seu montante será dedutível do devido à União, a título do imposto de que trata o art. 8º, nº II, sobre o provento decorrente da mesma transmissão. Seção III Art. 10. Compete aos Municípios o imposto sobre a prioridade predial e territorial urbana. Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5172/66: Seção IV Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato geradora aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I - de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II - de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) § 2o Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/LCP/Lcp104.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/LCP/Lcp104.htm Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5172/66: Seção IV Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: Seção IV Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante, real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis. Seção IV Art. 45. Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se refere o artigo 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis. Seção IV Parágrafo único. A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam. Definição de Contabilidade Tributária É a disciplina ou o ramo da Contabilidade que se dedica ao estudo dos princípios, conceitos, técnicas, métodos e procedimentos aplicáveis à apuração dos tributos devidos pelas empresas e entidades em geral, à busca e à análise de alternativas para a redução da carga tributária e ao cumprimento das obrigações acessórias estabelecidas pelo Fisco. Definição de Planejamento Tributário É toda e qualquer medida lícita adotada pelos contribuintes no sentido de reduzir o ônus tributário ou postergar a incidência de determinado tributo. O planejamento tributário pode ser visto, também, como o conjunto de atividades permanentemente desenvolvidas por profissionais especializados com o intuito de encontrar alternativas lícitas de reduzir ou postergar a carga tributária das empresas. Definição de Planejamento Tributário Interno: envolve medidas que não dependem de qualquer providência judicial ou administrativa. São exemplos dessa espécie de planejamento a escolha de opções de tributação, a reorganização societária por meio de fusões, cisões e incorporações, e a utilização de incentivos fiscais. Administrativo: envolve medidas envolvendo a administração tributária, como consultas, recursos, requerimentos de ressarcimentos e solicitações de regimes especiais de tributação. Definição de Planejamento Tributário Judicial: é aquele estruturado com base em ações ajuizadas contra o Fisco, usualmente buscando ver afastada a incidência de determinado tributo ou a restituição de tributo já recolhido. É necessária a intervenção de um advogado, que é o profissional legitimado a atuar em juízo. Tributos É toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada (CTN, art. 3º). Impostos: têm por fato gerador uma situação independente de qualquer atividade estatal específica, relativa ao contribuinte. Podem ser classificados, por sua vez, em: 1 – nominados (CF, art. 145, I, art. 153, art. 155 e art. 156); 2 – residuais, que são os decorrentes da possibilidade que a União tem de criar novos impostos (CF, art. 154, I); e 3 – extraordinários de guerra (CF, art. 154, II). Tributos Taxas: têm por fato gerador o exercício regular do poder de polícia, ou a utilização, efetiva ou potencial, de serviço público específico e divisível, prestado ao contribuinte ou posto à sua disposição (CF, art. 145, II), bem como o uso de vias conservadas pelo poder público (art. 150, V). Contribuições de melhoria: instituídas para fazerem face ao custo de obras públicas de que decorra valorização imobiliária (CF, art. 145, III). Tributos Contribuições especiais: são tributos vinculados pela finalidade a que se destinam. São assim subdivididas: 1 – contribuições sociais gerais, de seguridade social, de previdência e assistência do funcionalismo público estadual, distrital e municipal (CF, art. 149 e art. 195); 2 – contribuições de intervenção no domínio econômico (CF, art. 149, 2a parte); 3 – contribuições de interesse das categorias profissionais (CF, art. 149, 3a parte); e 4 – contribuição para o custeio do serviço de iluminação pública (CF, art. 149-A). Empréstimos compulsórios: são tributos restituíveis e vinculados à despesa que fundamentou sua instituição. São de duas espécies: 1 – extraordinários de calamidade ou guerra (CF, art. 148, I); e 2 – de investimentos (art. 148, II). Princípio da Legalidade É o princípio tributário considerado mais relevante. Ele prevê a necessidade de lei para instituir ou majorar tributo e está disposto no art. 150, inciso I da CF/1988. Esse princípio é a base de todo o sistema democrático e estabelece que o tributo só pode ser cobrado mediante lei. Isso significa que outros atos normativos, como decretos, portarias e instruções normativas, não podem instituir tributos. Princípio da Isonomia Estabelece a igualdade de todos perante a lei. É importante observar, então, que o legislador trata de forma igual os que estejam em situações semelhantes, e de forma desigual quem esteja em situação díspar. Para melhor compreender esse princípio, você pode pensar na tabela progressiva do Imposto de Renda (IR), apresentada na Tabela 1.1. Nela, observamos que quem recebe mais, em teoria, paga mais imposto; por sua vez, quem recebe menos, paga menos ou não paga. Observe que os valores partem de uma faixa de isenção do imposto, concedida para aqueles com renda mais baixa, até a alíquota de 27,5%, cobrada dos contribuintes com maior renda. Princípio da Irretroatividade Faz com que ela possa ser aplicada somente aos fatos ocorridos após sua entrada em vigor, não podendo alcançar aqueles ocorridos na vigência de lei anterior. Princípio da Anterioridade Estabelece que um tributo novo ou o aumento de um existente só poderá ser cobrado no ano seguinte. Para isso, a lei que estabelece tal mudança deve ser publicada até o último dia útil do exercício anterior. Princípio da Vedação ao Confisco (Não Confisco) Dispõe que é vedado à União, aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios utilizar tributo com efeito de confisco, ou seja, a imposição de determinado tributo não pode ter por consequência o desaparecimento total de determinado bem. Contudo, cabe ao Poder Judiciário estipular quando um tributo é confiscatórios, pois não há norma que disponha o caráter confiscatório, até porque, se existisse, estaria ferindo o princípio da isonomia Tributos Diretos e Indiretos REFERÊNCIAS BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Casa Civil, 1988. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 11 Ago. 2024. BRASIL. [Constituição (1946)]. Emenda constitucional n. 18, de 01 de dezembro de 1965. Brasília, DF: Casa Civil, 1965. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/CCIVIL_03////Constituicao/Emendas/Emc_anterior1988/emc18-65.htm. Acesso em: 11 Ago. 2024. BRASIL. [Constituição (1946)]. Emenda constitucional n. 5172, de 25 de outubro de 1966. Brasília, DF: Casa Civil, 1965. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l5172compilado.htm. Acesso em: 11 Ago. 2024.HAUSER, Paolla. Contabilidade tributária: dos conceitos à aplicação. 1. ed. Curitiba: Intersaberes, 2017. E-book. POHLMANN, Marcelo Coletto. Contabilidade tributária. 2. ed. Barueri [SP]: Atlas, 2024. ISBN 978-65- 5977-587-3 (e-book) https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm https://www.planalto.gov.br/CCIVIL_03/Constituicao/Emendas/Emc_anterior1988/emc18-65.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l5172compilado.htm Obrigado! Tributos Incidentes sobre o Consumo – Parte I Prof. Me. Eder Anelli São Paulo, 2º Semestre de 2024 Impostos Federais II – Impostos de Importação; IOF – Imposto sobre Operações Financeiras; IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados; IRPJ – Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas; CSLL – Contribuição Social sobre o Lucro Líquido; PIS – Programa de Integração Social; COFINS – Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social; IRPF – Imposto de Renda da Pessoa Física; ITR – Imposto sobre Propriedade Territorial Rural; CIDE – Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico; INSS – Instituto Nacional de Seguro Social; FGTS – Fundo de Garantia por Tempo de Serviço; Impostos Estaduais ICMS – Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Telecomunicações; ITCMD – Imposto sobre a Transmissão Causa Mortis e Doação; IPVA – Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores. Impostos Municipais ISS – Imposto sobre Serviços de qualquer Natureza; ITBI – Imposto sobre a Transmissão de Bens Inter Vivos; IPTU – Imposto sobre a Propriedade Territorial Urbana. Tributos Diretos: IRPF: incide diretamente sobre o Salário. IPTU: recai diretamente sobre a propriedade dos imóveis (proprietários ou quem tem o domínio útil). IPVA: recai diretamente sobre o proprietário do veículo. Tributos Indiretos: ICMS: recai sobre o preço de venda dos produtos e serviços e, indiretamente sobre o consumo. IPI: recai sobre a cadeia produtiva e, indiretamente sobre o consumo. ISS: incide sobre os serviços prestados, porém de forma indireta ao preço final do serviço. Impostos sobre o Consumo ICMS Imposto de competência estadual e de maior arrecadação tributária para os Estados, além de uma das principais fontes de arrecadação tributária do país. Histórico 1934 – criado pela Constituição com a nomenclatura Imposto sobre Vendas e Consignações (IVM); 1965 – instituído, por Emenda Constitucional, Imposto sobre Circulação de Mercadoria (ICM); 1988 – atribuição de Serviço, passando a compor-se como ICMS. Hieraquia 1º. Constituição Federal; 2º. Lei Complementar; 3º. Lei Ordinária; 4º. Decretos Estaduais; 5º. Portarias, Instruções Normativas, Convênios e outras normas. Impostos sobre o Consumo ICMS Não é cumulativo, podendo ser compensado o que for devido em cada operação. Tem direito de recuperação (ICMS à Recuperar) quando da aquisição de mercadoria para o estoque. Assim, poderá calcular a diferença em relação ao imposto devido na venda. Isenção (não incidência): • Incentivo à Cultura (livros, jornais, papeis destinados a impressão); • Exportação de bens e serviços (salvo exceções da Lei); • Operações Interestaduais com lubrificantes, petróleo, energia elétrica, combustíveis líquidos e gasosos. Impostos sobre o Consumo ICMS Fato Gerador: • Circulação de mercadoria, assim entendida como a saída do seu estabelecimento originário para outro estabelecimento, desde que seja transferida a titularidade, ou seja, desde que a mercadoria passe juridicamente a outro sujeito da operação. • Fornecimento de bebidas e alimentos. • Fornecimento de mercadoria com prestação de serviços, não compreendidos na competência do município, a que se refere a incidência de ISS. • Desembaraço aduaneiro de mercadorias importadas do exterior. Impostos sobre o Consumo ICMS Alíquota Interna (SP): • 7% - arroz, feijão, pão francês, linguiça, sal, entre outros; • 12% - serviços de transporte, farinha de trigo, cereais, areia, pedra, veículos automotores, outros; • 25% - serviços de comunicação, fumo, álcool, carburante, gasolina, etc. • 18% - demais operações não sujeitas as alíquotas anteriores. Alíquota Interestadual: • Fixada pelo Senado Federal, referente a mercadorias/serviços de contribuintes de outros Estados; • Alíquotas variam entre 4%, 7% e 12%, conforme região e especificidades. Impostos sobre o Consumo ICMS Exemplo de Lançamento na Compra: D – Estoque R$ 8.200,00 D – ICMS à Recuperar R$ 1.800,00 C – Fornecedores R$ 10.000,00 Exemplo de Lançamento na Venda: D – Clientes R$ 10.000,00 C – Receita de Vendas R$ 10.000,00 D – ICMS sobre Vendas R$ 1.800,00 C – ICMS à Recolher R$ 1.800,00 REFERÊNCIAS FARIA, Ramon Alberto Cunha de. Contabilidade Tributária. Porto Alegre: Sagah, 2016. Obrigado! 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