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O BATISMO NO ESPÍRITO SANTO NA TEOLOGIA PENTECOSTAL: REVISÃO DE LITERATURA
DA ROSA, Mauro Sergio Prudêncio, estudante de Bacharelado em Teologia no Centro Universitário Internacional Uninter, sendo na modalidade de Educação a Distância[footnoteRef:1] [1: Mauro Sergio Prudêncio, Discente do Curso de Bacharelado em Teologia no Centro Universitário Internacional Uninter, sendo de modalidade de Educação à Distância, Brasil. E-mail: e-mail do estudante.] 
LIMA, Adriano Souza, orientador de Bacharelado em Teologia no Centro Universitário Internacional Uninter, sendo na modalidade de Educação a Distância [footnoteRef:2] [2: Adriano Souza Lima, Discente do Curso de Bacharelado em Teologia no Centro Universitário Internacional Uninter, sendo de modalidade de Educação à Distância, Brasil. E-mail: e-mail do Professor Orientador.] 
RESUMO
Este artigo revisa a literatura sobre o Batismo no Espírito Santo na teologia pentecostal, analisando bases bíblicas, desdobramentos teológicos e contribuições acadêmicas. O objetivo é compreender os desafios do movimento pentecostal na construção de uma teologia mais consolidada. A metodologia utilizada foi a revisão sistemática (PRISMA), com seleção de 12 artigos de bases como PUBMED e PMC, utilizando descritores como "Baptism in the Holy Spirit". No pentecostalismo, o Batismo no Espírito Santo é visto como uma experiência distinta da conversão, com a glossolalia (falar em línguas) como evidência inicial. Autores como James Dunn discordam, considerando-o parte do processo de conversão. Gordon Fee enfatiza os dons espirituais, enquanto Frederick Bruner questiona a base bíblica da glossolalia. Estudos interdisciplinares indicam que essa experiência fortalece laços comunitários e funciona como resistência em contextos de marginalização. No entanto, persistem desafios na sistematização doutrinária e na integração entre prática e reflexão teológica. Conclui-se que o tema permanece central e controverso, exigindo maior diálogo interdisciplinar e aprofundamento acadêmico.
Palavras-chave: Batismo no Espírito Santo, Teologia Pentecostal, Pentecostalismo, Dons espirituais.
1. INTRODUÇÃO
A experiência do Batismo no Espírito Santo ocupa um papel central na teologia pentecostal e representa um dos principais elementos distintivos desse movimento cristão (BRUNER, 1970). Fundamentado na crença de que a experiência do Pentecostes, conforme descrita no livro de Atos dos Apóstolos, continua sendo acessível aos fiéis contemporâneos, o pentecostalismo enfatiza a contemporaneidade dos dons espirituais e sua manifestação na vida dos crentes (LIMA; BRANDT; BOFF, 2015). 
Esse entendimento tem sido objeto de amplas discussões teológicas e acadêmicas, tanto no meio religioso quanto na academia, devido às implicações hermenêuticas e doutrinárias envolvidas (LIMA; BRANDT; BOFF, 2015).
O movimento pentecostal, embora relativamente recente na história do cristianismo, tem experimentado crescimento expressivo desde o início do século XX, expandindo-se globalmente e tornando-se uma das principais vertentes do protestantismo (BRUNER, 1970). A teologia pentecostal, no entanto, ainda enfrenta desafios relacionados à sistematização de suas doutrinas, especialmente no que se refere ao Batismo no Espírito Santo e sua evidência inicial (HORIZONTE, 2011). Estudos acadêmicos apontam que a produção teológica pentecostal, apesar de avanços significativos, permanece além do esperado em comparação com outras tradições cristãs (MESQUIATI DE OLIVEIRA, 2025) 
Autores como Gordon Fee, têm contribuído significativamente para o debate sobre a teologia do Espírito Santo, oferecendo abordagens que dialogam tanto com o meio acadêmico quanto com os círculos pentecostais (FEE, 1994). A obra de Frederick Dale Bruner, por exemplo, apresenta uma análise exegética e teológica da experiência pentecostal, contrastando-a com o testemunho neotestamentário e levantando questionamentos sobre sua validade e fundamentação bíblica (BRUNER, 1970). Essa discussão é relevante, pois reflete um esforço de interpretação e sistematização dentro do próprio movimento pentecostal (LAURENTINO; MACHADO, 2018).
Além disso, estudos recentes têm explorado a experiência do Batismo no Espírito Santo sob diferentes perspectivas (COUTO, 2025). Por exemplo, uma pesquisa psicossocial analisou as características psicológicas associadas a essa experiência entre membros da Assembleia de Deus, destacando seu impacto nas relações interpessoais e na estrutura comunitária (LIMA; BRANDT; BOFF, 2025). Outro estudo investigou a prática do batismo cristão em igrejas pentecostais, revelando especificidades da religiosidade pentecostal e sua relação com a tradição cristã no contexto histórico (MESQUIATI DE OLIVEIRA, 2025).
Embora em crescimento, ainda enfrenta desafios relacionados à sistematização de suas doutrinas (COUTO, 2025). Enquanto algumas abordagens enfatizam uma compreensão carismática da experiência espiritual, outras buscam integrar perspectivas histórico-críticas e exegéticas para uma maior consolidação teológica (COUTO, 2025). 
Diante desse panorama, este artigo tem como objetivo revisar criticamente a literatura existente sobre o Batismo no Espírito Santo na teologia pentecostal, examinando suas bases bíblicas, seus desdobramentos teológicos e as principais contribuições acadêmicas sobre o tema. Através dessa análise, busca-se compreender os desafios e perspectivas do movimento pentecostal na construção de uma teologia do Espírito Santo mais robusta e academicamente consolidada.
2. METODOLÓGIA
O pentecostalismo enfatiza a contemporaneidade dos dons espirituais e sua manifestação na vida dos crentes. Diante da necessidade de uma compreensão mais aprofundada sobre essa temática, o presente estudo adota uma revisão sistemática baseada nos princípios do Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA), a fim de analisar criticamente as publicações acadêmicas sobre o tema e suas implicações teológicas e hermenêuticas (PAGE, 2022).
O processo de revisão foi conduzido a partir da seleção de artigos em bases de dados acadêmicas reconhecidas, como PUBMED e PMC (PubMed Central), considerando publicações indexadas entre os anos de 2000 e 2025. Foram utilizados descritores padronizados, tais como "Baptism in the Holy Spirit", "Pentecostal Theology", "Spiritual Gifts", "Neo-Pentecostalism" e "Theological Perspectives". A seleção seguiu os critérios de elegibilidade estabelecidos pela metodologia, incluindo critérios de inclusão e exclusão, com foco em estudos revisados por pares e de relevância teológica e histórica. Como resultado desse processo, foram selecionados 12 artigos que fornecem uma base consistente para a análise do Batismo no Espírito Santo sob diferentes perspectivas.
Os dados foram analisados de forma narrativa e comparativa, categorizando as informações de acordo com os principais aspectos relacionados ao Batismo no Espírito Santo, incluindo fundamentos bíblicos, desdobramentos históricos e perspectivas teológicas contemporâneas. Dentre as fontes selecionadas, destaca-se o estudo publicado por McVey (2022) no Journal of Pentecostal Theology, que explora a relação entre experiência espiritual e interpretação bíblica dentro do movimento pentecostal. Além disso, a revisão considerou a contribuição de pesquisadores como Fee, Dunn e Bruner, cujos trabalhos fornecem uma base crítica para a análise do tema.
Dessa forma, a revisão sistemática evidencia a necessidade de um aprofundamento acadêmico sobre a temática, considerando a diversidade de perspectivas existentes e a importância do Batismo no Espírito Santo para a identidade teológica do pentecostalismo.
3. DESENVOLVIMENTO TEÓRICO
O Batismo no Espírito Santo é um dos pilares centrais da teologia pentecostal, sendo compreendido como uma experiência distinta e subsequente à conversão cristã (BRUNER, 1970). Essa doutrina está profundamente enraizada em passagens do Novo Testamento, especialmente no livro de Atos dos Apóstolos, onde eventos como o Pentecostes (At2.1-4), a conversão de Cornélio (At 10.44-46) e a experiência dos discípulos em Éfeso (At 19.1-7) são frequentemente citados como fundamentos bíblicos para essa prática. Segundo a tradição pentecostal, o Batismo no Espírito Santo é marcado pela evidência inicial do falar em línguas (glossolalia), um fenômeno que serve como sinal visível e audível da plenitude do Espírito (COUTO, 2025).
No entanto, a interpretação desse fenômeno não é unânime no cristianismo evangélico. James Dunn (1997) argumentam que o Batismo no Espírito Santo não deve ser entendido como uma experiência separada da conversão, mas como parte integrante do processo de iniciação cristã. Dunn sustenta que, no Novo Testamento, o recebimento do Espírito Santo está intrinsecamente ligado à conversão e ao batismo nas águas, não havendo necessidade de uma experiência subsequente. Essa perspectiva contrasta diretamente com a visão pentecostal clássica, que enfatiza a distinção entre conversão e Batismo no Espírito Santo, bem como a manifestação de dons espirituais como evidência dessa experiência (DUNN, 1997).
A divergência de interpretações sobre o Batismo no Espírito Santo reflete a complexidade teológica e exegética do tema. Enquanto o pentecostalismo enfatiza a contemporaneidade dos dons espirituais e a experiência pessoal do Espírito, outras correntes teológicas, como a tradição reformada e a teologia carismática, oferecem abordagens distintas (COUTO, 2025). Gordon Fee (1994), por exemplo, explora a presença e a ação do Espírito Santo nas cartas paulinas, destacando a importância dos dons espirituais para a vida da igreja, mas sem necessariamente endossar a visão pentecostal clássica sobre o Batismo no Espírito Santo.
Além disso, a obra de Frederick Dale Bruner (1970), A Theology of the Holy Spirit: The Pentecostal Experience and the New Testament Witness, apresenta uma crítica exegética e teológica à interpretação pentecostal do Batismo no Espírito Santo. Bruner argumenta que a experiência pentecostal, embora significativa, não pode ser plenamente sustentada pelo testemunho neotestamentário, especialmente no que diz respeito à glossolalia como evidência inicial. Sua análise levanta questionamentos importantes sobre a validade e a fundamentação bíblica dessa doutrina, contribuindo para um diálogo crítico entre o pentecostalismo e outras tradições cristãs.
O movimento pentecostal, embora relativamente recente na história do cristianismo, tem experimentado um crescimento expressivo desde o início do século XX, expandindo-se globalmente e tornando-se uma das principais vertentes do protestantismo (BURITY, 2025). No entanto, a teologia pentecostal ainda enfrenta desafios relacionados à sistematização de suas doutrinas, especialmente no que se refere ao Batismo no Espírito Santo e sua evidência inicial (BURITY, 2025). Autores como McVey (2022) destacam que, apesar do crescimento quantitativo do pentecostalismo, há uma necessidade contínua de reflexão teológica e diálogo com outras tradições cristãs para aprimorar a compreensão e a prática dessa doutrina.
A produção acadêmica sobre o tema tem crescido significativamente nas últimas décadas, com contribuições importantes de teólogos e pesquisadores que buscam aprofundar a compreensão do Batismo no Espírito Santo. Estudos como os de Laurentino e Machado (2018) exploram a dimensão psicossocial da experiência do Batismo no Espírito Santo, destacando seu impacto na vida espiritual e comunitária dos crentes. Por outro lado, Lima, Brandt e Boff (2015) analisam a experiência do Batismo no Espírito Santo no contexto do pentecostalismo brasileiro, oferecendo insights valiosos sobre sua relevância cultural e religiosa.
Apesar dessas contribuições, persistem lacunas na literatura, especialmente no que diz respeito à integração entre a experiência prática e a reflexão teológica. Como observa Mesquiati de Oliveira e Vargas (2023), a vivência do Batismo no Espírito Santo em contextos periféricos e marginalizados revela nuances que ainda não foram plenamente exploradas pela teologia acadêmica. Esses estudos apontam para a necessidade de uma abordagem interdisciplinar que incorpore perspectivas históricas, sociológicas e antropológicas, além da reflexão teológica tradicional.
3.1 IMPLICAÇÕES TEOLÓGICAS
A teologia pentecostal atribui ao Batismo no Espírito Santo um papel central na vida do crente, entendendo-o como uma experiência que não apenas renova espiritualmente, mas também capacita para o serviço cristão e fortalece a espiritualidade individual e comunitária. Como destacam Lima, Brandt e Boff (2015), essa experiência é vista como um marco distintivo que reforça a crença na contemporaneidade dos dons espirituais, os quais são considerados essenciais para a edificação da igreja e a expansão do evangelho. No entanto, a interpretação e a prática dessa doutrina têm sofrido variações, especialmente com o surgimento de correntes neopentecostais que reinterpretam o Batismo no Espírito Santo como um sinal de bênção e prosperidade divina, influenciando significativamente a forma como o fenômeno é compreendido em diferentes contextos eclesiásticos (MESQUIATI DE OLIVEIRA; VARGAS, 2023).
A teologia pentecostal, em sua essência, fundamenta-se principalmente nos escritos do Evangelho de Lucas e do livro de Atos dos Apóstolos, que fornecem a base hermenêutica para a compreensão do Batismo no Espírito Santo. Esses textos bíblicos apresentam a promessa do Espírito Santo como um elemento central na vida da igreja primitiva, cumprida no dia de Pentecostes (At 2.1-4). Jesus, antes de sua ascensão, ordenou aos discípulos que aguardassem em Jerusalém pelo cumprimento dessa promessa (Lc 24.49; At 1.4-5), que se refere ao batismo no Espírito Santo como o dom do Espírito (At 2.33, 38). Essa promessa, proferida pelo profeta Joel (Jl 2.28-32), é vista como o início de uma nova dispensação, na qual o Espírito Santo é derramado sobre todos os que creem, independentemente de sua origem ou status social.
O dia de Pentecostes marca, portanto, o início de uma nova era na história do cristianismo, na qual o Espírito Santo passa a habitar plenamente nos crentes, capacitando-os para a missão de testemunhar o evangelho até os confins da terra (At 1.8). Para a teologia pentecostal, o Batismo no Espírito Santo é uma experiência distinta e subsequente à regeneração, ou seja, à conversão inicial. Essa distinção é um dos pilares da doutrina pentecostal, que enfatiza a necessidade de os crentes buscarem uma segunda experiência espiritual após a conversão, marcada pela plenitude do Espírito Santo e pela manifestação de dons espirituais, especialmente o falar em línguas (glossolalia).
A glossolalia, ou o falar em línguas, é considerada pela teologia pentecostal clássica, especialmente nas Assembleias de Deus, como a evidência inicial do Batismo no Espírito Santo. Esse fenômeno é entendido como uma manifestação sobrenatural do Espírito Santo, na qual o crente fala em uma língua que nunca aprendeu, seja ela humana (At 2.6) ou desconhecida na terra. O falar em línguas é visto como um sinal bíblico que evidencia a plenitude do Espírito Santo na vida do crente, conforme relatado em Atos 2.4, 10.45-47 e 19.6. Essa prática não apenas confirma a experiência do Batismo no Espírito Santo, mas também serve como um meio de edificação pessoal e comunhão com Deus (1 Co 14.4).
Além da glossolalia, o Batismo no Espírito Santo é associado ao "revestimento de poder" (At 1.8), que capacita os crentes para a missão de testemunhar o evangelho. Jesus, ao explicar o propósito do derramamento do Espírito Santo, destacou que ele seria a fonte de poder para que seus seguidores levassem o testemunho ocular a respeito dele a todas as nações. O livro de Atos dos Apóstolos é, em grande parte, o relato do cumprimento dessa promessa, mostrando como o Espírito Santo capacitou os discípulos a expandirem a igreja de Jerusalém para a Judeia, Samaria e os confins da terra. Essa expansão missionária, impulsionada pelo poder do Espírito Santo, é um dos legados mais significativosdiferenciando-o de outras tradições cristãs. A glossolalia, em particular, é vista como um sinal visível e audível da presença divina, funcionando como um marcador da autenticidade da experiência religiosa pentecostal. Essa prática não apenas reforça a fé individual, mas também cria um senso de pertencimento e unidade entre os membros da comunidade, que compartilham uma linguagem espiritual comum (LAURENTINO; MACHADO, 2018). Além disso, a experiência do Batismo no Espírito Santo é frequentemente associada a um "revestimento de poder" (Atos 1:8), que capacita os crentes para a missão evangelística e para o serviço comunitário, fortalecendo a coesão interna e a expansão externa das igrejas pentecostais.
No contexto do pentecostalismo brasileiro, o Batismo no Espírito Santo não apenas reforça a espiritualidade individual, mas também impulsiona a participação ativa nas práticas comunitárias da igreja (LIMA; BRANDT; BOFF, 2025). Essa experiência é frequentemente descrita como um divisor de águas na vida dos fiéis, marcando uma transição para uma vida espiritual mais intensa e comprometida. Em comunidades periféricas, por exemplo, o Batismo no Espírito Santo adquire um significado adicional, funcionando como uma forma de resistência e empoderamento diante das adversidades sociais e econômicas (MESQUIATI DE OLIVEIRA; VARGAS, 2023). A experiência transcende, portanto, o âmbito pessoal, tornando-se um elemento de coesão e mobilização social em um mundo cada vez mais secularizado e fragmentado (LIMA; BRANDT; BOFF, 2025).
Em suma, o Batismo no Espírito Santo ressoa profundamente com as demandas espirituais contemporâneas, oferecendo uma vivência que combina subjetividade, experiência e pertencimento. Essa dinâmica explica, em parte, a crescente adesão ao pentecostalismo, que contrasta com o declínio das instituições religiosas tradicionais. Enquanto o catolicismo e outras denominações históricas enfrentam desafios para se conectar com as novas gerações e com as demandas por uma espiritualidade mais autêntica e transformadora, o pentecostalismo se apresenta como uma alternativa viável e atraente, especialmente por sua ênfase na experiência direta com o divino e na manifestação visível do poder espiritual (LIMA; BRANDT; BOFF, 2025). Assim, o Batismo no Espírito Santo não apenas sustenta a identidade teológica do pentecostalismo, mas também responde às necessidades espirituais e sociais de um mundo em constante transformação.
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS 
O Batismo no Espírito Santo permanece um tema central na teologia pentecostal, sendo um fenômeno de profunda relevância tanto para a experiência religiosa individual dos fiéis quanto para a identidade coletiva das comunidades pentecostais. A revisão da literatura realizada neste estudo evidenciou que, embora exista um consenso sobre a importância dessa experiência como um marco distintivo do pentecostalismo, persistem divergências significativas em relação à sua interpretação teológica e prática. Essas divergências refletem a complexidade do tema, que envolve questões hermenêuticas, exegéticas e doutrinárias, além de implicações socioculturais e psicológicas.
Por um lado, a tradição pentecostal clássica defende que o Batismo no Espírito Santo é uma experiência distinta e subsequente à conversão, marcada pela glossolalia (falar em línguas) como evidência inicial. Essa perspectiva, fundamentada principalmente em passagens do livro de Atos dos Apóstolos, tem sido amplamente adotada por denominações como as Assembleias de Deus. Por outro lado, teólogos como James Dunn e Gordon Fee questionam essa visão, argumentando que o Batismo no Espírito Santo está intrinsecamente ligado ao processo de conversão e não necessita de uma experiência separada. Essas diferentes interpretações destacam a necessidade de um diálogo mais profundo entre o pentecostalismo e outras tradições cristãs, visando uma compreensão mais integrada e ecumênica do tema.
A pesquisa acadêmica sobre o Batismo no Espírito Santo tem avançado significativamente nas últimas décadas, com contribuições importantes de estudiosos como Frederick Dale Bruner, que oferece uma análise crítica da doutrina pentecostal, e McVey, que explora suas implicações históricas e teológicas. No entanto, ainda há lacunas a serem preenchidas, especialmente no que diz respeito à sistematização teológica dentro do próprio movimento pentecostal. Muitas vezes, a prática precede a reflexão teórica, o que resulta em uma teologia fragmentada e pouco consolidada. Esse cenário aponta para a necessidade de uma maior integração entre a experiência prática dos fiéis e a reflexão acadêmica, de modo a construir uma teologia do Espírito Santo mais robusta e contextualizada.
Além disso, o crescimento das pesquisas interdisciplinares sobre o Batismo no Espírito Santo abre novas perspectivas para o estudo do fenômeno. Estudos psicossociais, como os de Laurentino e Machado (2018), revelam como essa experiência impacta as relações interpessoais e a dinâmica comunitária, enquanto análises antropológicas, como as de Mesquiati de Oliveira e Vargas (2023), destacam seu papel em contextos de marginalização social. Essas abordagens interdisciplinares não apenas enriquecem a compreensão do tema, mas também demonstram sua relevância para além do âmbito religioso, influenciando aspectos sociais, culturais e psicológicos da vida dos crentes.
Diante desse panorama, é possível afirmar que o estudo do Batismo no Espírito Santo está em um momento de transição, marcado pelo crescimento quantitativo e qualitativo das pesquisas, mas também pela necessidade de maior aprofundamento teórico e diálogo interdisciplinar. O futuro das pesquisas sobre o tema parece promissor, especialmente se houver um esforço contínuo para integrar diferentes perspectivas metodológicas e teóricas. A consolidação de uma teologia pentecostal mais robusta e academicamente reconhecida dependerá, em grande medida, da capacidade de articular a experiência religiosa vivida pelos fiéis com uma reflexão teológica crítica e contextualizada.
Em síntese, o Batismo no Espírito Santo continua a desafiar e inspirar tanto os fiéis quanto os acadêmicos, sendo um campo fértil para investigações futuras. A superação das divergências interpretativas e a construção de uma teologia mais sistematizada e integrada são passos essenciais para que o pentecostalismo possa contribuir de forma ainda mais significativa para o cenário teológico global, mantendo-se fiel às suas raízes espirituais e ao mesmo tempo aberto ao diálogo com outras tradições cristãs e com as ciências humanas.
5. REFERÊNCIAS
BRUNER, F. D. A Theology of the Holy Spirit: The Pentecostal Experience and the New Testament Witness. Grand Rapids: Eerdmans, 1970.
 
BURITY, J. A. Religião, política e cultura. Tempo Social, v. 20, n. 2, p. 83-113, 2008. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0103-20702008000200005. Acesso em: 14 mar. 2025.
COUTO, V. O Batismo com o Espírito Santo. Teologia em Revista, v. 3, n. 4, p. 20, 2024. Disponível em: https://teologiaemrevista.emnuvens.com.br. Acesso em: 14 mar. 2025.
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