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DAS MODALIDADES E
TRANSMISSÃO DAS OBRIGAÇÕES
120 minutos
Aula 1 - Das obrigações divisíveis às obrigações civis e naturais 
Aula 2 - Das obrigações solidárias
Aula 3 - Das obrigações de meio às obrigações puras e simples
Aula 4 - Das obrigações condicionais, termo, modais, líquidas e
principais
Referências
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INTRODUÇÃO
Caro estudante, neste texto, abordaremos algumas modalidades de obrigações, dando especial atenção para
os critérios de classificação segundo sua divisibilidade e para a comparação entre as obrigações civis e
naturais. Este tema é de grande relevância para seu desenvolvimento acadêmico e profissional.
Em suma, veremos que o Direito Civil contempla várias modalidades de obrigações, dentre elas as obrigações
civis, que são exigíveis judicialmente, e as naturais, que não o são.
Aprofundaremos o estudo ao tratar, também, das obrigações divisíveis e indivisíveis. Para a verificação da
divisibilidade da obrigação, considera-se a divisão ou impossibilidade de divisão de sua prestação e não da
coisa, objeto desta. Por isso, tem-se que a obrigação divisível é aquela que pode ser cumprida parcialmente,
sem prejuízo de sua substância e valor. Já a obrigação indivisível é aquela que só pode ser cumprida por
inteiro.
DEFINIÇÕES PRELIMINARES
Trataremos de dois critérios classificatórios das obrigações e suas consequências. 
Tratemos, primeiramente, das obrigações divisíveis e indivisíveis. As obrigações divisíveis e indivisíveis
encontram-se positivadas entre os artigos 257 a 263, da Lei 10.406. Segundo Gagliano e Filho (2022), a
diferença entre ambas é simples: “Enquanto as obrigações divisíveis admitem seu cumprimento de forma
fracionada ou parcial, as de natureza indivisível apenas poderão ser cumpridas por inteiro.” 
Gonçalves (2022, p. 225) sintetiza que a diferença entre ambas pode ser retirada da noção de bens: "bem
divisível é o que se pode fracionar sem alteração na sua substância, diminuição considerável de valor, ou
prejuízo do uso a que se destina (art. 87, grifo nosso)." 
Aula 1
DAS OBRIGAÇÕES DIVISÍVEIS ÀS OBRIGAÇÕES CIVIS E
NATURAIS 
Caro(a) aluno(a), neste texto, abordaremos algumas modalidades de obrigações, dando especial atenção
para os critérios de classificação segundo sua divisibilidade e para a comparação entre as obrigações
civis e naturais.
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Gonçalves (2020) explica que as obrigações divisíveis e indivisíveis são compostas pela multiplicidade de
sujeitos. Nelas há um desdobramento de pessoas no polo ativo ou passivo, ou mesmo em ambos, passando a
existir tantas obrigações distintas quantas as pessoas dos devedores ou dos credores. 
A Lei 10.406 não conceituou a obrigação divisível, mas conceituou a obrigação indivisível no artigo 258, da Lei
10.406:  “a obrigação é indivisível quando a prestação tem por objeto uma coisa ou um fato não suscetíveis de
divisão, por sua natureza, por motivo de ordem econômica, ou dada a razão determinante do negócio
jurídico”. 
Em uma leitura a contrário sensu, podemos afirmar que a obrigação divisível é aquela que tem por objeto
uma coisa ou um fato suscetível de divisão. 
Assim, na obrigação divisível, cada credor só pode exigir a sua quota-parte e cada devedor só pode responder
pela parte respectiva (artigo 257, da Lei 10.406). Já na obrigação indivisível, cada credor tem direito de
reclamar a prestação por inteiro e cada devedor também responde pelo todo da obrigação (artigo 259, da Lei
10.406). 
Para concluir, cabe mencionar a clara e curta definição apresentada pelos doutrinadores Gagliano e Pamplona
Filho (2020), para os quais as obrigações divisíveis são aquelas que admitem o cumprimento fracionado ou
parcial da prestação; as indivisíveis, por sua vez, só podem ser cumpridas por inteiro. 
O segundo critério classificatório submetido à nossa análise é a diferença entre obrigações civis e naturais.
Gagliano e Pamplona Filho (2020) afirmam que, tradicionalmente, as obrigações classificam-se em civis e
naturais, na medida em que sejam exigíveis ou apenas pagáveis (desprovidas de exigibilidade jurídica). 
Obrigações civis são aquelas em que o descumprimento dá ensejo à responsabilidade patrimonial do
devedor, podendo o credor se valer coercitivamente do Poder Judiciário para que sua prestação seja
satisfeita. Nesse caso, encontram-se presentes todos os elementos constitutivos da obrigação: sujeito, objeto
e vínculo jurídico. Por isso, Gonçalves (2020) afirma que obrigação civil é a que encontra respaldo no direito
positivo, podendo seu cumprimento ser exigido pelo credor, por meio de ação judicial. 
As obrigações naturais, por sua vez, são aquelas em que não há poder de garantia ou responsabilidade do
devedor. Por isso, diz-se que as obrigações naturais são obrigações sem garantia, sem sanção, isto é, sem
ação para torná-las exigíveis. Se a obrigação for natural, o credor não tem direito de exigir a prestação, e o
devedor não pode ser compelido a pagar. No entanto, caso o devedor pague voluntariamente, ele não terá
direito de devolução e, ao contrário, o credor terá direito de retenção. Tem-se que, uma vez satisfeita a
obrigação natural, ela é irrepetível. 
PARA SABER MAIS SOBRE INDIVISIBILIDADE
A respeito das obrigações divisíveis e indivisíveis, cabe ressaltar, ainda, as espécies de indivisibilidade.
Valendo-nos das lições de Gagliano e Filho (2022) podemos extrair que a indivisibilidade poderá ser:
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a) Natural (material): decorre da própria natureza da obrigação, não podendo o objeto da prestação ser
fracionado, sob pena de causar prejuízo à sua própria substância ou a seu valor. Citamos como exemplo a
entrega de um animal ou de um livro. Estes objetos não poderão ser repartidos para que a entrega ocorra de
forma parcelada.
b) Legal (jurídica): trata-se de imposição legislativa. Tem motivação de cunho social e econômico. Para
Gonçalves (2022), nesta espécie, o Estado acaba atuando em prol do interesse público ou social, impedindo a
divisão da coisa. São exemplos as áreas rurais com dimensão inferior ao módulo regional; determinados
direitos reais, como o penhor, a hipoteca e a servidão.
c) Convencional: funda-se na vontade das partes que estipulam a indivisibilidade no próprio negócio jurídico.
Exemplos: a entrega de dois sacos de feijão é perfeitamente fracionável, porém as partes podem afastar o
cumprimento parcial desta obrigação. 
Qualquer que seja a espécie de indivisibilidade (natural, legal ou convencional), se concorrerem dois ou mais
devedores, cada um estará obrigado pela dívida toda, conforme estipula o artigo 259, da Lei 10.406. 
Conforme ensina Gagliano e Filho (2022), a obrigatoriedade acima exposta não significa que exista
solidariedade entre os devedores, e sim que o objeto da obrigação não comporta fracionamento para que
cada devedor cumpra com sua parte no avençado. 
Contudo, nos termos do artigo 259, parágrafo único, da Lei 10.406, havendo o cumprimento da obrigação
indivisível com pluralidade de devedores, aquele que pagar integralmente a dívida se sub-rogará nos direitos
do credor em relação aos demais coobrigados. 
Por outro lado, na hipótese de pluralidade de credores, conforme previsão do artigo 260, da Lei 10.406,
qualquer destes poderá cobrar a dívida por inteiro. Contudo, o devedor (ou devedores) se desobrigará
(desobrigação) nas seguintes hipóteses:
a) quando pagar a todos os credores conjuntamente: recomenda-se que ao pagar, o devedor exija o recibo
com a quitação de todos os credores, sob pena de ser demandado pelo credor que não recebeu a prestação;
b) quando pagar a um dos credores, e este der caução de ratificação dos demais: o devedor acautela-se
quando, ainda que existamvários credores, paga apenas a uma destes, desde que o recebedor apresente
uma garantia (caução) de que os demais credores ratificam o pagamento. Tal garantia deve ser documentada
e assinada por todos os credores.
Por fim, ressaltemos a possibilidade de perda da indivisibilidade quando se resolver em perdas e danos por
perecimento do seu objeto por culpa do devedor, conforme disposto no artigo 263, da Lei 10.406.
A disposição legal é bastante lógica, pois uma convertida em perdas e danos, a dívida passa a ser
representada por quantia em dinheiro, que são divisíveis (GONÇALVES, 2022).
Na hipótese de pluralidade de devedores, perecendo o objeto indivisível por culpa de todos, responderão em
partes iguais pelas perdas e danos sofridos pelo credor (credores), conforme o disposto no artigo 263, §1, da
Lei 10.406.
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Por outro turno, havendo culpa de apenas um dos devedores, os inocentes serão exonerados do dever de
arcar com as perdas e danos, competindo ao devedor culpado arcar integralmente com os prejuízos sofridos
pelo credor.
OBRIGAÇÕES NATURAIS, CIVIS, DIVISÍVEIS E INDIVISÍVEIS NA PRÁTICA
Na prática, a classificação das obrigações é de grande relevância, pois condiciona o bom cumprimento do
pacto entre credor e devedor. É fundamental compreender, por exemplo, a distinção entre obrigação divisível
e indivisível para assegurar o bom cumprimento da obrigação. 
Assim, por exemplo, quando há a obrigação de dar coisa certa consistente na entrega de quatro sacas de soja,
estaremos diante de uma obrigação divisível. Gonçalves (2022, p. 222) acrescenta em sua obra vários
dispositivos legais para ilustrar hipóteses de obrigações de natureza indivisível, extraindo da Lei 10.406 que
os: "(...) arts. 252, § 2º, 455, 776, 812, 830, 831, 858, 1.266, 1.272, 1.297, 1.326, 1.968, 1.997 e 1.999, pois o seu
cumprimento pode ser fracionado." Já nas obrigações indivisíveis, caso haja a repartição do seu objeto, este
não subsistirá, como no caso do fracionamento de um colar ou de um carro. 
Nos termos do artigo 258, da Lei 10.406, temos que “a obrigação é indivisível quando a prestação tem por
objeto uma coisa ou um fato não suscetíveis de divisão, por sua natureza, por motivo de ordem econômica,
ou dada a razão determinante do negócio jurídico”. 
No mesmo sentido, conhecer as obrigações civis e naturais é fundamental para interpretar os efeitos
derivados de cada tipo de obrigação. Na prática, o principal efeito da obrigação natural é a validade de seu
pagamento. Isso se exprime do artigo 882, da Lei 10.406, no qual diz que não se pode repetir o que se pagou
para o cumprimento de uma obrigação judicialmente inexigível. 
Como segundo efeito, a doutrina sinaliza a irrepetibilidade, pois o devedor que vier a quitar dívida natural de
forma voluntária, não poderá demandar a devolução. Portanto, seu ato torna-se irretratável. 
Porém, quanto à possibilidade de novar, a doutrina diverge. Apesar de celeuma, Gonçalves (2022)
compreende que não há empecilho para que ocorra a novação de dívida natural, até porque o pagamento
dessa espécie de dívida é válido e não passível de devolução. 
Quanto à possibilidade de compensação, a doutrina não é favorável. Neste sentido, “o que impede a
compensação é o fato de efetuar-se ela “entre dívidas líquidas, vencidas e de coisas fungíveis” (CC, art. 369), ou
seja, entre dívidas exigíveis, sendo que as obrigações naturais caracterizam-se pela inexigibilidade"
(GONÇALVES, 2022, p.380). 
Por fim, também não é cabível fiança ou penhor de obrigação natural, haja vista que tais garantias recaem em
obrigações válidas e exigíveis, e conforme já vimos, a obrigação imperfeita carece de exigibilidade. 
O artigo 882, da Lei 10.406 refere-se à obrigação natural estipulando que não se pode repetir o que se pagou
para quitar dívida prescrita ou cumprir obrigação juridicamente inexigível, bem como o artigo 564, inciso III, da
Lei 10.406 dispondo que não se revoga por ingratidão as doações que se fizerem em cumprimento de
obrigação natural.  
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Quanto ao disposto no artigo 882, da Lei 10.406: “de tal regra legal, é possível se estabelecer a premissa, no
nosso sistema, da irrepetibilidade da "prestação na obrigação natural, sendo irrelevante, inclusive, se o
devedor conhecia tal incoercibilidade" (GAGLIANO; FILHO, 2022, p. 249, grifo nosso). 
No mesmo sentido, o artigo 814, da Lei 10.406, estipula que, apesar de as dívidas de jogo ou apostas não
obrigarem o pagamento, uma vez paga voluntariamente, não se poderá recobrar.
VÍDEO RESUMO
As obrigações são divisíveis quando a prestação tem por objeto bens divisíveis, que são aqueles que podem
ser divididos sem que seja alterada a sua substância, ou seja, sem que diminua consideravelmente o valor ou
cause prejuízo ao uso a que se destinam. Já as obrigações indivisíveis são aquelas caracterizadas quando a
prestação tem por objeto bens indivisíveis, seja por sua natureza, seja por motivos de ordem econômica ou
por acordo entre as partes.
 Saiba mais
Para compreender o debate sobre a exigibilidade de dívida de jogo, leia o acórdão do Tribunal de Justiça
de Minas Gerais na Apelação Cível 1.0701.16.023821-1/001. No caso, o Tribunal assentou o entendimento
de que o título oriundo de dívida de jogo ou aposta é desprovido de validade. No mesmo sentido do
artigo 814 do Código Civil, o Tribunal rejeita o pedido formulado para tornar o crédito exigível,
esclarecendo que a promessa de pagamento não pode ser exigida pelo vencedor do jogo ou aposta.
Disponível em: https://www5.tjmg.jus.br/jurisprudencia/pesquisaNumeroCNJEspelhoAcordao.do?
numeroRegistro=1&totalLinhas=1&linhasPorPagina=10&numeroUnico=1.0701.16.023821-
1%2F001&pesquisaNumeroCNJ=Pesquisar. Acesso em: nov. 2022.
Ainda sobre o tema da exigibilidade da dívida de jogo, leia ao artigo “Cobrança de dívida de jogo
contraída por brasileiro no exterior”. O texto apresenta uma interessante visão sobre o tema,
comparando o ordenamento jurídico pátrio com legislações estrangeiras. Esta leitura permite não
apenas a consolidação do conhecimento, mas também fornece as bases para a análise crítica do Direito
das Obrigações em paralelo com o Direito Internacional Privado.
Disponível em: https://jus.com.br/artigos/8752/cobranca-de-divida-de-jogo-contraida-por-brasileiro-no-
exterior. Acesso em: nov. 2022.
Aula 2
DAS OBRIGAÇÕES SOLIDÁRIAS
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https://www5.tjmg.jus.br/jurisprudencia/pesquisaNumeroCNJEspelhoAcordao.do?numeroRegistro=1&totalLinhas=1&linhasPorPagina=10&numeroUnico=1.0701.16.023821-1%2F001&pesquisaNumeroCNJ=Pesquisar
https://www5.tjmg.jus.br/jurisprudencia/pesquisaNumeroCNJEspelhoAcordao.do?numeroRegistro=1&totalLinhas=1&linhasPorPagina=10&numeroUnico=1.0701.16.023821-1%2F001&pesquisaNumeroCNJ=Pesquisar
https://jus.com.br/artigos/8752/cobranca-de-divida-de-jogo-contraida-por-brasileiro-no-exterior
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INTRODUÇÃO
Caro(a) aluno(a), neste texto, trataremos de uma importante modalidade de obrigações: as solidárias. O termo
“solidariedade”, no âmbito do Direito, tem acepção diferente do senso comum. Estudaremos as
particularidades desse conceito e suas implicações no Direito Obrigacional.
A Lei 10.406, ao iniciar o Capítulo VI (Das Obrigações Solidárias), já apresenta a definição dessa modalidade
obrigacional, dispondo que “há solidariedade, quando na mesma obrigação concorre mais de um credor, ou
mais de um devedor, cada um com direito, ou obrigado, àdívida toda” (artigo 264, da Lei 10.406). Sabe-se que
na solidariedade haverá tantas relações obrigacionais quantos forem os credores ou devedores, os quais
estão unidos pela comunidade de fim (fim comum).
SOLIDARIEDADE NO DIREITO DAS OBRIGAÇÕES
As obrigações solidárias se caracterizam pela multiplicidade de credores e/ou devedores, no qual cada
credor faz jus à totalidade da prestação, podendo esta ser cobrada de apenas um dos codevedores, pois cada
devedor está obrigado a pagar a dívida toda (GONÇALVES, 2022). 
Pelo exposto, cada credor pode exigir de quaisquer dos devedores o cumprimento da obrigação por inteiro,
conforme se extrai do artigo 264, da Lei 10.406. 
Há de se destacar que, cumprida a obrigação por um dos devedores, este ato terá o condão de desobrigar os
demais perante o credor, ante a previsão do artigo 275, da Lei 10.406. 
Extrai-se que as obrigações solidárias contam com quatro características centrais, segundo Gonçalves (2022):
a) Pluralidade de sujeitos: sejam estes de credores e/ou devedores;
b) Multiplicidade de vínculos: são distintos e independentes, fator que une o credor a cada um dos
codevedores e vice-versa;
c) Unidade de prestação: cada devedor responde pela inteireza do débito e cada credor pode cobrá-lo por
inteiro de apenas um dos devedores. É por conta desta característica que no nosso exemplo anterior é
facultado a credora demandar uma ou ambas as devedoras;
d) Corresponsabilidade dos interessados: o pagamento feito por um dos devedores extingue a obrigação.
Todavia, terá direito de reaver a quota pertinente dos demais coobrigados.
Caro(a) aluno(a), neste texto, trataremos de uma importante modalidade de obrigações: as solidárias. O
termo “solidariedade”, no âmbito do Direito, tem acepção diferente do senso comum. Estudaremos as
particularidades desse conceito e suas implicações no Direito Obrigacional.
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O artigo 265, da Lei 10.406 dispõe uma importante regra: a solidariedade não pode ser presumida, deve
decorrer da lei ou da previsão contratual. 
Como é de costume no Direito, a natureza jurídica de determinado instituto dificilmente repousa em
consenso. Assim, segundo Gonçalves (2022), diferentemente dos franceses que acreditam que a solidariedade
se funda na representação recíproca entre os interessados, ser solidário no campo obrigacional refere-se ao
modo de assegurar o cumprimento da obrigação, pois há um reforço que acaba estimulando o pagamento. 
Nesse sentido, cabe a transcrição das palavras do doutrinador que com notória sabedoria nos elucida: “sendo
vários os devedores, a lei ou as partes, pretendendo facilitar o recebimento do crédito e principalmente
prevenir o credor contra o risco da insolvência de algum dos obrigados, estabelecerão o regime da
solidariedade ativa." (GONÇALVES, 2022, p.262) 
Cabe diferenciar, ainda, a solidariedade da indivisibilidade. Como ponto de partida, destacamos que a
solidariedade e a indivisibilidade convergem em um aspecto: em ambas as situações pode o credor exigir de
apenas um dos devedores a totalidade do débito. 
Quanto às diferenças, Gonçalves (2022) leciona: 
a) Na solidariedade o devedor pode ser compelido a pagar sozinho o débito inteiro, pois é devedor do todo. Já
na indivisibilidade, o codevedor apenas arca com sua quota-parte, e apenas acaba sendo compelido a pagar o
todo por conta de impossibilidade de fracionamento do objeto.
b) Mesmo que ocorra a conversão da obrigação em perdas e danos, caso se trate de solidariedade, não
ocorrerá a divisibilidade do objeto.  Por outro turno, caso se trate de indivisibilidade, uma vez operada a dita
conversão, a obrigação perde o caráter de indivisível, conforme artigo 263, da Lei 10.406.
c) Por fim, a solidariedade advém da lei ou do contrato, recaindo sobre as pessoas. A indivisibilidade, por
outro lado, decorre da natureza da coisa. 
Por todo o exposto, observa-se que a vital importância da solidariedade é reforçar o direito do credor,
favorecendo a satisfação do crédito. Por outro lado, a indivisibilidade centra-se na possibilidade de tornar
unitário o cumprimento da obrigação.
SOLIDARIEDADE ATIVA E PASSIVA
A solidariedade nas obrigações pressupõe multiplicidades de credores e/ou devedores. Vimos que mesmo
que haja vários devedores, poderá o credor optar entre demandar apenas um dos coobrigados ou todos.
Caso apenas um dos coobrigados seja demandado, deverá arcar com o pagamento do débito em sua
totalidade, podendo depois cobrar do codevedor o seu referido montante. Pudemos, também, identificar que
a solidariedade é distinta da indivisibilidade, bem como da subsidiariedade. Como desdobramento do
conceito de solidariedade, classificaremos este instituto segundo outro critério, determinando a solidariedade
ativa e a solidariedade passiva. 
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Havendo multiplicidade de credores estaremos diante da solidariedade ativa, assistindo o direito de um
dos credores cobrar a dívida por inteiro do devedor em comum, a teor do que estabelece o artigo 267, da Lei
10.406. Uma vez que o devedor pague a qualquer dos cocredores, haverá a exoneração da obrigação até o
montante que fora paga (artigo 269, da Lei 10.406). 
O credor que receber a dívida ficará obrigado perante os demais credores pela parte que lhes caiba, conforme
artigo 272, da Lei 10.406. Caso os codevedores não recebam, poderão cobrar o credor recebedor por meio de
ação regresso. 
Tratando-se de solidariedade ativa, temos que esta é menos usual que a modalidade passiva. Como exemplo,
cita-se o contrato de locação no qual o imóvel urbano foi locado por mais de uma pessoa. Nesta situação,
haverá por força de lei a determinação de que todos os locadores são considerados credores solidários,
conforme se extrai do artigo 2, da Lei 8.245. 
Gonçalves (2022) expõe alguns inconvenientes da solidariedade ativa, podendo ser destacado que o credor
que receber a dívida por inteiro poderá se tornar insolvente ou não pagar a quota parte dos demais
cocredores. Além disso, uma vez estabelecida esta modalidade de solidariedade, não caberá o
arrependimento unilateral ou desfazimento de tal disposição, salvo se todos anuírem. 
Por outro lado, a solidariedade ativa tem uma vantagem em favor do devedor: este poderá pagar a qualquer
dos credores à sua escolha, conforme artigo 268, da Lei 10.406. 
Em oposição à solidariedade ativa, a modalidade passiva é corriqueira e se traduz na pluralidade de
devedores, estando cada um deles obrigado ao pagamento integral da dívida.
Nos termos do artigo 275, da Lei 10.406, o credor pode exigir de um ou de todos os devedores o
adimplemento da obrigação. Caso o pagamento seja feito de forma parcial, todos os codevedores ficarão
obrigados solidariamente pelo restante. 
Explicam Gagliano e Filho (2022) que, caso o credor aceite o pagamento parcial de um dos devedores, os
demais estarão obrigados a pagar o saldo remanescente. Da mesma fora, caso o credor perdoe a dívida de
um dos devedores, os demais permanecerão obrigados ao pagamento da dívida, desde que abatido a quantia
referente ao devedor que obteve a remissão. 
Aquele que que pagar integralmente a dívida terá direito a ação de regresso contra os demais codevedores, a
fim de que receba a quota-parte de cada um, nos termos do artigo 283, da Lei 10.406.
DESDOBRAMENTOS DA SOLIDARIEDADE PASSIVA
Conforme exposto, a solidariedade passiva é verificada ante a pluralidade de devedores. Para ilustrar uma
hipótese, pensemos no seguinte exemplo: Fernanda e Luciana são devedoras de Márcia. Ficou estipulado no
contrato que os devedores estão coobrigados solidariamente (solidariedade passiva) ao pagamento de R$
15.000,00 (quinze mil) reais. Neste cenário, Márcia (credora) poderá cobrar toda a dívida de qualquer das duas
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devedoras. Trata-se de uma faculdade da credora, pois esta pode demandar ambas as devedoras ou apenas
uma destas a sua livre escolha. Supondo que Márcia tenha efetuado a cobrança de Fernanda, esta poderá
cobrar a quota-parte de Luciana. 
Algumas particularidades tornam esse instituto particularmente relevante para a prática jurídica. Avalie, por
exemplo, as hipóteses a seguir.
Quanto à oposição de exceções (defesas), o devedor poderá arguir aquelas que contiverem foro pessoal e as
comuns. Contudo, as exceções pessoais de determinado credor não aproveitarão aos demais coobrigados,
conforme artigo 281, da Lei 10.406.
Caso haja impossibilidade de cumprimento da obrigação por dolo ou culpa de qualquer dos devedores,
todos permanecerão solidariamente responsáveis pelo pagamento do equivalente. Quanto às perdas e danos,
só serão devidas pelo culpado, conforme prevê o artigo 279, da Lei 10.406.
No que tange à hipótese de falecimento de um dos devedores solidários, o artigo 276, da Lei 10.406 explicita
o que ocorrerá. Como se trata de um dispositivo complexo, exemplificamos:
Suponha que A, B e C sejam devedores do credor Z pela quantia de R$ 300.000,00 (trezentos mil reais). Caso A
venha a falecer e deixe dois herdeiros, A1 e A2, cada um destes estará obrigado ao pagamento referente a seu
quinhão, qual seja: metade da quota de A que se refere a R$ 50.000,00 (cinquenta mil) reais.
No entanto, se a obrigação fosse de natureza indivisível, como a entrega de um veículo, o credor Z poderia
cobrar a dívida inteira do(s) herdeiro(s), cabendo ao pagador cobrar em regresso dos demais.
O final do dispositivo legal ainda prevê que se o credor Z optar em demandar A1 e A2 conjuntamente, estes
serão considerados como um único devedor solidário em relação aos demais devedores, restando compelido
a efetuar o pagamento em sua integralidade e posteriormente exercer o direito de regresso.
Destaca-se que o pagamento total da dívida pelos herdeiros não poderá ultrapassar o valor da herança, não
sendo lícito cogitar que A1 e A2, no exemplo acima citado, tivessem que retirar patrimônio pessoal para
cumprir obrigação de outrem.
Por fim, quanto ao artigo 277, da Lei 10.406, cabe consignar que o pagamento feito por um dos devedores e a
remissão por ele obtida não aproveitam aos demais devedores, senão até a concorrente quantia paga ou
relevada.
Vimos, então, que para uma obrigação ser considerada solidária, tal disposição deverá constar na lei ou no
acordo de vontades, não cabendo presunção. A importância desta disposição se refere ao fato de trazer
segurança jurídica as partes, não cabendo ao magistrado interpretações que não contêm no próprio negócio
jurídico celebrado ou na lei.
Ademais, vimos que situações distintas podem afetar os codevedores e/ou cocredores, não havendo
disposição legal que exija com que os fatores que ensejaram a solidariedade sejam idênticos entre os
coobrigados.
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VÍDEO RESUMO
Há solidariedade quando na mesma obrigação concorre mais de um credor ou mais de um devedor, cada um
com direito ou obrigado à dívida toda. Para sua caracterização é necessário ter mais de um credor, ou seja,
aquele que pode cobrar a dívida, chamada de solidariedade ativa e mais de um devedor, ou seja, aquele que
pode ser cobrado pela dívida, chamada de solidariedade passiva.
 Saiba mais
A respeito da solidariedade, leia o texto “Obrigações solidárias”, da autoria de Bárbara Ronsoni de
Oliveira. Além de relembrar os conceitos de solidariedade ativa e passiva, ao ler a publicação, você
expandirá sua análise para compreender as interseções do tema com a coisa julgada; com as noções de
pagamento e remissão parcial; com a herança, dentre outros temas. A leitura certamente contribuirá
para a ampliação dos seus conhecimentos!
Disponível em: https://medium.com/revistandodireito/obriga%C3%A7%C3%B5es-solid%C3%A1rias-
a737bbd8ebba. Acesso em: nov. 2022.
INTRODUÇÃO
Caro estudante, neste texto, trataremos de importantes parâmetros para a classificação das obrigações.
Avaliaremos a definição e a aplicação prática dos conceitos de obrigação de meio, de resultado e de
garantia; obrigações de execução contínua, instantânea, diferida e continuada; e obrigações puras e
simples. 
Aula 3
DAS OBRIGAÇÕES DE MEIO ÀS OBRIGAÇÕES PURAS E
SIMPLES
Caro estudante, neste texto, trataremos de importantes parâmetros para a classificação das obrigações.
Avaliaremos a definição e a aplicação prática dos conceitos de obrigação de meio, de resultado e de
garantia; obrigações de execução contínua, instantânea, diferida e continuada; e obrigações puras e
simples.
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https://medium.com/revistandodireito/obriga%C3%A7%C3%B5es-solid%C3%A1rias-a737bbd8ebba
A classificação das obrigações não é relevante apenas com fins didáticos, mas também técnico-profissional.
Identificar a modalidade de obrigação contraída é fundamental para definir as normas que mais se adequam
à realidade concreta e conduzem, consequentemente, a teses jurídicas e decisões mais assertivas. Este
conteúdo certamente contribuirá para o seu desenvolvimento acadêmico e para a construção das habilidades
necessárias para a boa operação do Direito.
CONCEITOS BASILARES
Primeiramente, cabe definir cada uma das modalidades de obrigação propostas neste texto. 
A obrigação de meio se refere àquelas nas quais o devedor se compromete a empregar todo seu
conhecimento e técnicas necessárias para atingir determinado resultado. Contudo, não garante o êxito deste.
Como exemplo, citamos o trabalho desempenhado pelo advogado. Uma vez contratado por seu cliente, ele
não se obriga a vencer a demanda, mas sim a defender os interesses do seu cliente, comprometendo-se a
empregar os meios indispensáveis ao resultado almejado. 
Na obrigação de resultado, diferente da obrigação de meio, o devedor se compromete a atingir determinado
fim específico. Logo, se compromete com o resultado esperado e, portanto, é responsabilizado se não há a
concretização do que se esperava. Gonçalves (2022) aduz que uma vez que o resultado não é atingido, será o
devedor considerado inadimplente. 
A obrigação de garantia, por sua vez, objetiva retirar um risco que possa recair ao credor. Com o mero
afastamento do risco, portanto, considera-se adimplida a obrigação de risco. É o que ocorre, tradicionalmente,
nos contratos de seguro. 
Quanto ao momento de cumprimento da obrigação, temos as três modalidades seguintes. 
A obrigação de execução instantânea ou momentânea se consuma em um só ato, sendo cumprida após sua
constituição. Exemplificando, temos a obrigação de dar coisa certa, pois uma vez que o devedor cumpre com
a obrigação de entregar o objeto devido ao credor no exato momento do pagamento do bem, tem-se o
cumprimento do pactuado por meio da execução instantânea. Do mesmo modo, quando há o pagamento do
débito à vista, teremos uma execução imediata consistente em um só ato. A conta do exposto, o esgotamento
em um único ato trata-se de atividade rotineira, pois a simples conduta de comparecer ao supermercado, por
exemplo, para aquisição de um produto e o pagamento imediato em dinheiro se revela como uma obrigação
de execução instantânea. 
A obrigação de execução diferida se exaure em um só ato, porém em data futura, e não no momento no qual
é contraída. "Desse modo, tanto pode ser diferida a obrigação assumida pelo comprador, de pagar, no prazo
de trinta dias, o preço da coisa adquirida, como a do vendedor, que se compromete a entregá-la no mesmo
prazo." (GONÇALVES, 2022, p.396). 
Já no caso da execução continuada, a obrigação que se prolonga no tempo, contando com uma solução de
continuidadeou mediante prestações periódicas ou reiteradas (GONÇALVES, 2022). No caso das periódicas,
temos as obrigações cujo cumprimento se prolonga no tempo sem uma solução definitiva acerca de sua
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continuidade, como no caso do abastecimento de água por permissionária ou concessionária de serviço
público. 
Por fim, definiremos as obrigações puras e simples. Quando presentes, os elementos acidentais se referem
à possibilidade de alterar os efeitos mediante declaração unilateral ou pela mútua vontade das partes. Assim,
as obrigações classificam-se em: puras e simples, condicionais, a termo e modais ou com encargo. De forma
bastante singela, a obrigação pura e simples se refere à inexistência de obrigação sujeita a termo, condição ou
encargo. Logo, trata-se de obrigações que produzem efeitos imediatos. As obrigações pura e simples podem
se referir a negócios inter vivos ou causa mortis. Nessas obrigações importam os elementos de existência e
validade, sendo dispensada a eficácia para efeitos futuros.
ASPECTOS DO NEGÓCIO JURÍDICO NAS OBRIGAÇÕES PURAS E SIMPLES
O negócio jurídico é a declaração de vontade emitida conforme com os pressupostos de existência, validade e
eficácia previstos em lei, tendo por objetivo produzir efeitos no ordenamento jurídico (GAGLIANO; FILHO,
2022). 
Os planos de análise do negócio jurídico podem ser compreendidos pela existência, validade e eficácia. Vamos
estudar um pouco sobre cada um deles: 
a) Existência: importa apenas a realidade da existência do negócio celebrado, e não os requisitos de validade.
Lembre-se que o negócio jurídico não surge do nada, faz-se necessário alguns requisitos para sua
materialização. Pressupõe o preenchimento dos seguintes requisitos: manifestação de vontade, agente
emissor desta vontade, forma e objeto (GAGLIANO; FILHO, 2022).
b) Validade: simplesmente por existir o negócio jurídico não se pode concluir que o mesmo é perfeito e apto a
produzir os efeitos legais. Portanto, no plano da validade serão analisados, segundo Gagliano e Filho (2022) se:
a manifestação de vontade foi livre e de boa-fé; o agente era capaz; a forma era prescrita ou não defesa em lei
e o objeto possível, determinado ou determinável. Trata-se, portanto, das qualificadoras do plano da
existência. O plano de validade consta expressamente no artigo 104, da Lei 10.406.
c) Eficácia: ainda que o negócio jurídico celebrado seja considerado existente e válido, a produção de seus
efeitos pode não ser imediata, sendo projetada para o futuro. São elementos acidentais, referentes à eficácia:
o termo, tratando-se de evento certo e futuro; o modo ou encargo, que se refere a imposição de um ônus a
ser cumprido pelo beneficiário; a condição, oposta ao termo, trata-se de ocorrência de um evento futuro e
incerto. Logo, os atos de natureza puramente pessoal e os direitos personalíssimos não podem estar
condicionados ao plano de eficácia.
Exemplificando cada um dos elementos relativos à eficácia do negócio jurídico, temos: 
a) Termo: João pactua contrato de compra e venda de uma motocicleta a Lucas em 10/07/2022, ficando
acertado que o pagamento ocorreria no dia 16/07/2022 e a entrega do bem em 18/07/2022. Neste caso,
temos a subordinação dos efeitos do contrato firmado a ocorrência de um evento futuro e certo. Futuro
porque a data de entrega da motocicleta é posterior a celebração do contrato, e certo pelo fato de que este
dia existirá no plano real.
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b) Condição: Marcela concedeu usufruto de uma casa a favor de sua afilhada Júlia iniciando em 11/02/2021.
Ficou estabelecido que os direitos da usufrutuária cessariam quando ela se casasse. É certo que a condição
resolutiva estabelecida revela que a extinção do usufruto está subordinada a ocorrência de um evento futuro,
porém incerto, pois não se pode dar certeza que o matrimônio ocorrerá.
c) Encargo: Rodolfo doou uma fazenda a seu amigo Carlos, estabelecendo o encargo de que o donatário,
todos os meses, repasse a safra de tomates a uma escola pública da cidade. Neste caso, vemos que foi
estabelecido um ônus ao donatário.
Dessa forma, podemos compreender as obrigações simples ou puras como aquelas que não limitam a eficácia
do negócio jurídico, ausentes quaisquer condições, termos ou encargos que impeçam a produção de efeitos
imediatos.
Destaca-se, ainda, a importância de observar esses requisitos nas obrigações de trato sucessivo, que são
aquelas compostas por uma multiplicidade de prestações singulares e sucessivas. É o caso, por exemplo, dos
contratos de aluquel, que preveem o pagamento mensal do locatário ao locador.
EXEMPLOS DE OBRIGAÇÕES PURAS E SIMPLES
Para consolidar o seu aprendizado, analisaremos alguns exemplos dessas obrigações.
A obrigação de meio pode ser exemplificada pelo trabalho desempenhado pelo advogado. Uma vez
contratado por seu cliente, ele não se obriga a vencer a demanda, mas sim a defender os interesses do seu
cliente, comprometendo-se a empregar os meios indispensáveis ao resultado almejado. 
Gagliano e Filho (2022) apontam ainda que o médico, em geral, não pode garantir o resultado de sua atuação,
como a cura do paciente. Todavia, atua segundo regras técnicas e científicas que disponha no momento. 
A conta das situações expostas, Gonçalves (2022, p. 384) ensina que “se a obrigação assumida por esses
profissionais fosse de resultado, seriam eles responsabilizados civilmente se a causa não fosse ganha ou se o
paciente viesse a falecer”. 
Destaca-se que a obrigação de meio não exime o profissional de atuar com toda a diligência e zelo
necessários, cabendo prestar um serviço condizente com o que se propôs. 
Um clássico exemplo de obrigação de resultado apontado pela doutrina, tanto por parte de Gonçalves (2022),
quanto por Gagliano e Filho (2022) é o contrato de transporte. Vejamos algumas considerações acerca deste
contrato. 
O contrato de transporte, seja ele de qualquer natureza, encontra-se genericamente regulado pelos artigos
734 a 742, da Lei 10.406. Esse tipo de contrato pode ser compreendido como o contrato pelo qual o
transportador, mediante remuneração, se obriga a transportar pessoas e/ou coisas de um local a outro. 
Dentre as diretrizes que regem os contratos de transporte, a cláusula de incolumidade possui relevância, eis
que traz à tona a obrigação de resultado do transportador, devendo este evitar a ocorrência de danos aos
passageiros. Logo, a incolumidade do passageiro e de seus pertences é obrigação do contratado, que
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responderá independentemente de culpa pela violação a este importante e necessário direito dos
passageiros. 
Apesar da regra da responsabilidade civil no ordenamento jurídico civil ser subjetiva, fazendo-se necessário a
comprovação do elemento culpa – o que se aplica aos profissionais liberais como o médico e o advogado - a
responsabilização do transportador que presta serviço mediante remuneração é objetiva, não havendo que se
analisar o elemento culpa, nos termos do artigo 734, da Lei 10.406. 
São exemplos de obrigações de garantia as obrigações do segurador e do fiador. No contrato de seguro,
incumbe ao segurador, mediante pagamento do prêmio, garantir o legítimo interesse do segurado, relativo à
pessoa ou à coisa contra riscos predeterminados. Já no contrato de fiança, uma pessoa garante satisfazer o
credor uma obrigação que foi assumida pelo devedor, na hipótese de que ele não a cumpra. 
Pense no seguinte acontecimento: caso haja o incêndio por parte de uma terceira pessoa de forma dolosa de
um imóvel que estava segurado, caberá a seguradora arcar com a indenização do bem ao segurado. 
Segundo Gonçalves (2022), o devedor não será liberado da prestação mesmo que ocorra um caso deforça
maior, posto que o conteúdo da obrigação de garantia é a eliminação de um risco, traduzindo-se por um
acontecimento casual, estando este alheio à vontade do obrigado.
Em arremate, podemos dizer que a obrigação de garantia se destina a dar maior segurança a pessoa do
credor ou eliminar riscos existentes em sua posição, ainda que ocorra caso fortuito ou força maior.
VÍDEO RESUMO
Obrigações de meio e de resultado se diferenciam quanto ao fim a que se destina a obrigação. A obrigação de
meio tem por objeto a entrega das melhores técnicas para garantir o resultado, já a obrigação de fim tem por
objeto o resultado em si. As obrigações de execução contínua são classificadas em razão do seu momento.
Podem ser instantâneas, diferidas ou continuadas. As obrigações puras e simples são aquelas que não se
sujeitam a nenhuma condição, termo ou encargo.
 Saiba mais
Para aprofundar seus conhecimentos, leia o artigo “Responsabilidade Civil, Penal e Ética dos médicos”, da
autoria de Artur Udelsmann. Neste texto, o autor discute, com abordagem prática, os fundamentos dos
processos indenizatórios, criminais e éticos enfrentados pelos médicos. O ponto central dessa discussão
é, muitas vezes, a diferença entre as obrigações de meio e de resultado.  
Aula 4
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https://www.scielo.br/j/ramb/a/M5NXcZkdGMHzGnxmxZJYzfL/
INTRODUÇÃO
Caro estudante, neste texto, trataremos de importantes parâmetros para a classificação das obrigações.
Avaliaremos a definição e a aplicação prática dos conceitos de obrigação condicional; obrigação a termo;
obrigação modal ou com encargo; obrigação líquida e ilíquida; obrigação principal e acessória.
A classificação das obrigações não é relevante apenas com fins didáticos, mas também técnico-profissional.
Identificar a modalidade de obrigação contraída é fundamental para definir as normas que mais se adequam
à realidade concreta e conduzem, consequentemente, a teses jurídicas e decisões mais assertivas. Este
conteúdo certamente contribuirá para o seu desenvolvimento acadêmico e para a construção das habilidades
necessárias para a boa operação do Direito.
CONCEITOS ESSENCIAIS
A obrigação condicional é aquela limitada por uma condição, termo que pode ser descrito como a
subordinação da produção dos efeitos de determinado negócio jurídico à ocorrência de evento futuro e
incerto. Dentre as espécies estampadas na doutrina, tem-se que a condição suspensiva e resolutiva são as
mais relevantes. 
No que se refere à primeira, ocorrendo o implemento da condição suspensiva, teremos aquisição do direito.
De outro modo, no caso da resolutiva, o direito é exercido desde o momento em que se pactua o negócio,
extinguindo-se quando houver o implemento da condição. Portanto, a fim de diferenciar as obrigações a
termo, modais e condicionais, é necessário que você se aproprie das características de cada uma destas
espécies  confundir as análises.
A obrigação a termo ou a prazo é aquela na qual as partes subordinam os efeitos do negócio jurídico a evento
futuro e certo. A palavra termo se refere ao dia em que começa ou se extingue a eficácia do negócio jurídico.
O termo convencional é a cláusula contratual que determina a data (futura e certa). 
Cita-se como exemplo o seguinte caso hipotético: Jonas pactuou contrato de mútuo com Pedro, ficando
estipulado o empréstimo da quantia de R$ 25.000,00 (vinte cinco mil) reais no dia 10/05/2022. Ficou acertado
que o pagamento ocorrerá em 10/05/2023. Trata-se de fixação de uma data futura e certa para que o devedor
DAS OBRIGAÇÕES CONDICIONAIS, TERMO, MODAIS,
LÍQUIDAS E PRINCIPAIS
Caro estudante, neste texto, trataremos de importantes parâmetros para a classificação das obrigações.
Avaliaremos a definição e a aplicação prática dos conceitos de obrigação condicional; obrigação a termo;
obrigação modal ou com encargo; obrigação líquida e ilíquida; obrigação principal e acessória.
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cumpra com sua obrigação. Ultrapassado o prazo fixado, ele ficará em mora, podendo ser responsabilizado
pelo pagamento do valor e dos consectários legais, além de eventuais perdas e danos pelo não cumprimento
da obrigação.  
Nas obrigações modais ou com encargo, será imposto ao beneficiário determinado ônus. Admite-se a
inserção de tal cláusula acessória em declarações unilaterais, como na promessa de recompensa. Entretanto,
é pouco usual nos contratos onerosos. 
Supondo que Pedro, ao realizar a doação de sua fazenda, estabeleça que o donatário do bem faça a entrega
de toda a safra de tomate do ano em que se operou a transmissão do bem a favor de uma instituição de
caridade, temos que fora estabelecido um encargo a ser cumprido pelo donatário. Caso este não cumpra com
o encargo estipulado, poderá o doador revogar o ato de liberalidade (doação). 
As obrigações quanto ao elemento objetivo (prestação) poderão, ao lado de inúmeras outras classificações,
serem líquidas ou ilíquidas. Veremos a seguir os principais pontos destas obrigações: 
Diz-se que líquida é a obrigação certa quanto à sua existência e determinada quanto ao seu objeto. Em se
tratando de dívida em dinheiro, a liquidez é expressa por uma cifra, algarismo, como, por exemplo, a situação
de alguém que é devedor da quantia de R$ 500,00 (quinhentos) reais. 
Além das dívidas em dinheiro, a liquidez também pode ser expressa por objeto a entrega ou restituição de
objeto certo, como no caso do dever de entregar determinado veículo ou uma quantidade específica de
produto alimentício. 
Já as obrigações ilíquidas, se referem àquelas que dependem de prévia apuração, pois o valor ou montante
encontra-se incerto. Destaca-se que para que a obrigação possa ser cumprida, esta deverá ser líquida.
Por fim, ressaltamos um princípio de grande importância, que tangencia este tema. Trata-se do princípio da
conservação dos negócios jurídicos, que “(...) é invariavelmente invocado para promover a manutenção do
negócio jurídico, ao máximo, quando a sua eficácia é posta em discussão, ante a eventual alegação de suposta
invalidade da avença.” (CARNEIRO FILHO, 2017, p. 256).
PARTICULARIDADES DAS OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS E ACESSÓRIAS
Tratemos, ainda, das obrigações principais e acessórias. Assim como os demais critérios de classificação,
conhecer estas modalidades de obrigação é de extrema relevância para a análise de casos concretos. 
Diferenciando as obrigações principais das acessórias, Gonçalves (2022) aduz que as primeiras não
dependem de qualquer outra, tal como na entrega da coisa derivada do contrato de compra e venda de um
determinado bem. 
Já as obrigações acessórias, têm sua existência subordinada a outra relação jurídica, havendo dependência da
obrigação considerada principal. Como exemplo, cita-se a fiança, já que não existe por si só, estando atrelada
a uma obrigação principal, como no caso do contrato de locação. 
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A obrigação acessória seguirá a sorte da principal, ou seja, caso esta se extinga a outra também desaparecerá.
Isso se deve as disposições constantes nos artigos 92 e 184, da Lei 10.406. 
Gonçalves (2022) expõe algumas consequências da regra de que a obrigação acessória é subordinada a
principal: 
a) A invalidade da obrigação principal implica a das obrigações acessórias: a conta disso, se por exemplo, o
contrato de empreitada (obrigação principal) for considerado nulo, a cláusula penal estipulada (obrigação
acessória) também será. Contudo, se a obrigação acessória for considerada nula, o contrato principal seguirá
intacto.
b) A prescrição da obrigação principal acarreta a prescrição das de natureza acessória, mas a recíproca não
será verdadeira. Posto isso, uma vez prescrita a cobrança dos aluguéis, restará prescrita afiança prestada. 
O artigo 233 do Código Civil estipula que a obrigação de dar coisa certa abrange os acessórios ainda que não
haja menção expressa, salvo eventual ressalva feita no título ou se as circunstâncias assim presumirem. Além
dos exemplos já citados, Gonçalves (2022) enumera, em rol meramente exemplificativo, espécies de
obrigações acessórias, destacando-se as que se seguem:
a) Relacionadas aos direitos reais de garantia: uma coisa assegurará a satisfação do crédito da obrigação
principal. Temos a hipoteca, no qual a garantia recai em um bem imóvel; o penhor, referente a entrega de um
bem móvel ou a anticrese, no qual os frutos do bem imóvel garantem o direito do credor.
b) Decorrente da cláusula compromissória: trata-se de obrigação acessória na qual as partes se obrigam a
submeter eventual controvérsia contratual à decisão do juízo arbitral.
Por fim, o caráter acessório ou principal da obrigação pode resultar da lei ou da vontade das partes, e neste
último caso pode ser convencionado conjunta ou posteriormente à celebração da obrigação principal.
ABORDAGEM PRÁTICA DA LIQUIDAÇÃO
Agora que você já conhece os conceitos e aprofundou seus conhecimentos sobre as modalidades de
obrigação, vamos expandir a análise para alguns aspectos mais práticos? Especialmente no que tange às
obrigações líquidas e ilíquidas, não é raro deparar-se com processos que demandem a liquidação da
obrigação. Mas, afinal, o que isso significa e como isso pode ser feito? 
Primeiramente, cumpre definir o termo liquidação. Segundo Gagliano e Filho (2022) a palavra liquidação
significa tornar claro, evidente ou manifesto. Tratando-se de uma preocupação em sede processual, a
liquidação é a fase preparatória da execução com a finalidade de estabelecer o valor da condenação ou
individualizar o objeto da obrigação, tratando-se da apuração do quantum debeatur. Gonçalves (2022) aponta
que o processo de liquidação é dotado de autonomia em relação ao processo de execução e ao processo de
conhecimento no qual o título foi gerado. 
De acordo com o artigo 509 do CPC a liquidação poderá ser:
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a) Por arbitramento: é realizada por um perito nomeado pelo juiz e terá lugar quando for determinado na
sentença, convencionado pelas partes ou for exigido pela natureza do objeto da liquidação.
Exemplo: a extensão da redução da capacidade laborativa por uma vítima de acidente automobilístico no qual
se verifica a responsabilidade civil do réu carecerá de apreciação de perito para determinar em que grau está
a redução laboral da vítima.
b) Por procedimento comum: aplica-se quando houver a necessidade de se alegar e provar fato novo. Serão
admitidos todos os meios de prova, inclusive a pericial. Gonçalves (2022) ensina que caso o credor não prove
os fatos novos, o juiz deverá julgar como não provados, e não improcedente o pedido. 
Assim, tratando-se de pretensão de obter a declaração do montante de seu crédito, o credor não ficará
impossibilitado de novamente propor a liquidação. O autor cita como exemplo a liquidação da sentença penal
condenatória que transitou em julgado, no qual se alega dano material em razão da morte do provedor da
família. Neste caso, os credores deverão provar, na liquidação, dentre outras questões, os rendimentos do
falecido e até mesmo a dependência que tinham perante o falecido.
Outro exemplo é o caso de o empregado ter sido condenado a ressarcir os lucros cessantes, danos
emergentes e danos morais sofridos pelo empregado em razão de acidente de trabalho por culpa do
empregador. A liquidação, nesse caso, faz-se com a observância do procedimento comum, em face da
necessidade de se provar fatos novos, como, por exemplo, gastos com despesas médico-hospitalares e
paralisação de atividades laborais. 
Por fim, quando a apuração do quantum depender apenas de cálculo aritmético, o credor poderá promover o
cumprimento de sentença, nos termos do artigo 509, §2, do CPC. Nesse caso, o credor irá apresentar o
demonstrativo do débito atualizado, bem como a demonstração de como chegou ao valor pretendido. Assim,
usualmente, o credor realiza a atualização do débito e comprova com planilha como chegou ao valor corrigido
e atualizado.
VIDEOAULA
As obrigações de fazer são caracterizadas por um ato ou conduta humana por meio do qual ocorre a
transmissão de um bem. Já as obrigações de não fazer são uma obrigação negativa e se caracterizam pela
abstenção de algo. O inadimplemento da obrigação de fazer ocorre quando o devedor não pratica o ato a que
se obrigou, já no caso da obrigação de não fazer, o inadimplemento ocorre justamente pela prática do ato a
que o devedor se obrigou a não fazer.
 Saiba mais
O artigo “Um panorama da lógica deôntica”, da autoria de Nelson Gonçalves Gomes é um interessante
complemento para o tema abordado neste texto. Apesar de não estar diretamente vinculado ao Direito
Obrigacional, a leitura deste texto permitirá a expansão multidisciplinar do seu conhecimento. A partir de
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um forte embasamento na Filosofia, o autor pretende explicar a lógica da argumentação jurídica. Para
tanto, revisita-se o importante conceito de “condição” e trata-se de explicar o papel dos operadores
modais na construção do raciocínio jurídico. De forma análoga, o estudo deontológico desses temas
permitirá uma análise mais crítica e profunda dos aspectos que constituem as obrigações condicionais e
modais.
Disponível em: https://www.scielo.br/j/kr/a/RCGWqG6FCSRFDGrxDZmpf4w/. Acesso em nov. 2022.
Aula 1
BRASIL. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Código Civil. Legislação Federal. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406compilada.htm. Acesso em: fev. 2021.
GAGLIANO, Pablo Stolze; FILHO, Rodolfo Pamplona. Novo curso de direito civil: obrigações. v. 2. 23. ed. São
Paulo: SaraivaJur, 2022. 
GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito civil brasileiro: teoria geral das obrigações. v. 2. 19. ed. São Paulo:
SaraivaJur, 2022. 
Aula 2
BRASIL. Lei 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Código Civil. Legislação Federal. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406compilada.htm. Acesso em set. 2022.
BRASIL. Lei 8.245, de 18 de outubro de 1991. Dispõe sobre as locações dos imóveis urbanos e os
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REFERÊNCIAS
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30/03/2025, 09:48 pedons_231_u2_dir_civ_obr
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Aula 3
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Aula 4
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