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Ilha das Flores, um curta-metragem produzido em 1989 pelo cinematográfico Jorge Furtado, apresenta de forma dinâmica e objetiva, a realidade dos habitantes da cidade da Ilha das flores em Porto Alegre, a sátira e a crítica são conceitos fundamentais para construção da obra cinematográfica. Como dito anteriormente, o filme produzido no século XX, apresenta temáticas que infelizmente perpetuam até os dias atuais, sendo elas: a desigualdade social, a fome, as deformidades e consequências do sistema capitalista, o descarte desapropriado de lixo e as relações desiguais de gênero. No início do documentário, o narrado apresenta o conceito de ser humano, como sendo o ser que se distingue dos outros por apresentar um telencéfalo desenvolvido e o polegar opositor, esses conceitos foram utilizados para demostrar que todos os indivíduos que aparecem no curta são iguais, o que os difere é sua colocação na hierarquia social. A partir da explicação desses vocábulos, Jorge Furtado aborda a temática da desigualdade social, onde os habitantes da ilha das flores são colocados abaixo da hierarquia, mesmo apresentado as mesmas características anatômicas que os outros personagens. Além disso, o autor deixa claro outra problemática, o fato de os porcos estarem se sobrepondo (na hierarquia) em relação aos habitantes da cidade, considerando que tais animais, são mais importantes que os moradores da região. Em cenas lamentais, o filme mostra que os resíduos advindos das cidades, são separados em relação a condições de estado, considerado o que é bom ou ruim, aqueles que foram julgados como impróprios para alimentação do porco é dado para mulheres e crianças que ali habitam. Tal situação desencadeia diversas indagações como a qual, os cidadãos da cidade Ilha das Flores são tão menosprezados e marginalizados ao ponto de consumirem alimentos impróprios até para o consumo de porcos, que como visto anteriormente não é um ser desenvolvido pois não possui telencéfalo desenvolvido e polegar opositor. Ademais é valido refletir que, a situação dos moradores é tão periférica que o narrador exemplifica os riscos que o lixo pode proporcionar a saúde humana como a contração de doenças que prejudicam seriamente o funcionamento do corpo humano, além do perigo de se consumir substâncias toxicas como o césio. A influência de conceitos sociólogos é a relação de gênero proposta por Pierre Bourdieu. No curta é visto que os homens se encontravam em espaços privilegiados, como o senhor Suzuki, (dono da produção de tomates), o marido de Dona Anete (esperando sua esposa o servir) e o dono dos porcos. A fusão desses personagens com a tese proposta pelo sociólogo explora de maneira detalhada a dominação masculina, revelando como as desigualdades de gênero são perpetuadas e justificadas por práticas culturais e sociais. Esse fato é comprovado ao ver que as mulheres de Ilha das Flores, se encontram em situação de marginalidade enquanto todos os homens presentes no documentário, se situam em local privilegiado. As deformidades do sistema capitalista, é um assunto a ser argumentado. Onde o conceito de “Mais-Valia” advindo do sociólogo Karl Marx é visto na relação de Dona Anete e a fábrica de perfume. Tudo pode ser trocado por dinheiro, inclusive a mão de obra. Dona Anete revende os perfumes de casa em casa. Nessa situação ela está vendendo não só o produto mais também sua força de trabalho. Ou seja, Dona Anete produz o lucro para o dono da fábrica e o que é repassado para ela é uma quantia menor a qual foi produzida pela mesma, conceituando a ideologia de “mais valia”. Além disso, Marx argumenta que a ideologia dominante no capitalismo serve para justificar e perpetuar as desigualdades existentes, sentido argumentado anteriormente. Uma fala interessante dita no filme demostra além do problema da desigualdade social o agravamento da relação hierarca que considera a condição de dominação e dinheiro “o que coloca os moradores da Ilha das Flores depois dos porcos na prioridade na escolha de alimentos é o fato de não terem dinheiro e nem dono”. Os moradores da ilha das flores não terem dono, não implica eles serem livre, pois não existe liberdade quando não se tem escolha. Todo ser humano é livre, porém, para alguns de nada adianta essa liberdade, por não terem escolhas e poder aquisitivo. Em nossa sociedade para ser livre é preciso ter dinheiro. Para finalizar, cabe uma reflexão de todos os âmbitos da sociedade. Infelizmente os habitantes da ilha das flores foram abandonados pelo estado e pela nação brasileira. Vivemos uma vida confortável, ignorando a miséria dos seres semelhantes a nós, algo inaceitável. Diante disso cabe, ao Estado, tomar providência para a diminuição da fome, por meio da distribuição de alimentos perecíveis e frescos, e nós como sociedade reconhecer nossos privilégios e atuar em pautas e discursões contra as desigualdades sociais e a fome. Parte superior do formulário Parte inferior do formulário