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UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SALVADOR 
Amanda Alcântara Cabral
 Ana Vitória dos Reis de Andrade 
Cailane Santos dos Santos
Jenifer Evelyn Sousa
Mirian Santos de Jesus
RESUMO: MANUAL DE LINGUÍSTICA, ESTRUTURALISMO 
Introdução aos Estudos Linguísticos
Professora Rujane Mota Alves
Salvador — BA, 2025
Este capítulo trata da escola estruturalista, dando ênfase às propostas de Ferdinand de Saussure e de Leonard Bloomfield.
O Legado de Saussure/Sistema, estrutura e estruturalismo 
Saussure é considerado o pai do Estruturalismo. Suas ideias principais incluem a concepção da língua como um sistema articulado e a importância da análise das relações internas do sistema linguístico.
Língua: Estrutura ou sistema.
Linguista: Analisa e organiza o funcionamento estrutural da língua.
A língua tem a sua forma, não só em palavras, mas em gestos, sons e movimentos. A preocupação da gramática formal deve ser abandonada, tendo em vista que a principal relevância é o entendimento entre o emissor e o receptor. Assim como no jogo de xadrez, do que são feitas as peças não importa, desde que saibam para que serve a torre, a rainha, o rei, o peão... e saibam como manuseá-los. Do mesmo modo, não importa qual a linguagem utilizada desde que se saiba o que são as palavras e como usá-las.
O estudo da língua deve ser imanente, ou seja, focado nas relações internas do sistema linguístico.
Língua X Fala
O termo dicotomia significa a divisão lógica de um conceito de dois, de modo que se obtenha um par positivo. E segundo Saussure, a linguagem deve ser tomada como um objeto duplo, uma vez que a linguagem tem uma lado social, a língua (ou langue), e um lado individual, a fala (ou parole).
A língua é o que permite a comunicação, a fala é a realização da comunicação. Há uma relação entre os dois, não tem como entender um sem o outro.
A língua está explícita na comunicação social, sendo possivelmente também conhecida como dialeto.
A fala é a forma como o indivíduo exprime sua língua.
Sincronia e Diacronia 
A sincronia refere-se ao estudo da língua em um determinado momento do tempo, sem considerar sua evolução histórica. Segundo Saussure, “é sincrônico tudo quanto se relacione com o aspecto estático da nossa ciência, diacrônico tudo que diz respeito às evoluções. Do mesmo modo, sincronia e diacronia designarão respectivamente um estado de língua e uma fase de evolução”.
Diacronia, por outro lado, analisa as mudanças da língua ao longo do tempo. O estudo diacrônico busca estabelecer uma comparação entre dois momentos da evolução de uma língua.
Saussure enfatizou a prioridade do estudo sincrônico sobre o diacrônico, pois acreditava que o foco principal da linguística deveria ser o funcionamento do sistema da língua em um dado momento. Para ele, o linguista deve analisar as relações internas entre os elementos da língua, sem depender de sua história.
De início pouco importava a sincronia e a diacronia das línguas, foi o grupo de neogramáticos que através de métodos científicos mostraram que a mudança linguística não depende da vontade do homem. Eles defendiam que as transformações fonéticas ocorriam de maneira regular e sistemática, sem depender da vontade do falante. Ou seja, as mudanças linguísticas seguiam leis fonéticas rígidas e previsíveis, o que contrastava com a visão anterior, mais baseada na influência cultural e social.
O signo linguístico
 
Uma vez compreendido que a língua representa um conjunto de elementos solidários, uma estrutura, cabe-nos conhecer a natureza desses elementos. Saussure afirma que a língua é um sistema de signos. O signo é, portanto, a unidade constituinte do sistema linguístico. Ele é formado, por sua vez, de duas partes absolutamente inseparáveis, sendo impossível conceber uma sem a outra, como acontece com as duas faces de uma folha de papel: 
Um significante e um significado.
Poderíamos dizer que o significante consiste numa sequência de fonemas, como acontece, por exemplo, com a sequência “linguagem”.
Assim sendo, as faces que compõem o signo linguístico são ambas psíquicas e estão ligadas, em nosso cérebro, por um vínculo de associação. 
Sendo assim, o significante, também chamado de imagem acústica, não pode ser confundido com o som material, algo puramente físico, mas deve ser identificado com a impressão psíquica desse som, a representação da palavra enquanto fato de língua virtual, estando a fala absolutamente excluída dessa realidade.
A outra face do signo, o significado, também chamada de conceito, representa o sentido que é atribuído ao significante – o sentido, por exemplo, que atribuímos ao significante “linguagem” anteriormente mencionado como “capacidade humana de comunicação verbal”.
Daí o entendimento de que o signo, unidade constituinte do sistema linguístico, resulta da associação de um conceito com uma imagem acústica. 
Relações sintagmáticas, paradigmáticas 
Se a língua é um sistema deve-se compreender a forma como se relacionam. Signos linguísticos constituem uma extensão linear que dá à frase um sentido.
Sintagmáticas: Quando combinam duas ou mais unidades de palavras há uma composição sintagmática.
a)	No nível fonológico: As unidades se combinam formando sílabas. Ex: ca-as.
b)	No nível morfológico: Os morfemas formam as palavras quando os prefixos e sufixos (respectivamente) antecedem e sucedem o radical.
c)	No nível sintático: As palavras se combinam para formar frases. Sintagma nominal + Sintagma verbal: O menino gosta de bolo.
Paradigmáticas: São termos que estão associados a palavras em determinado contexto, seja por classe gramatical, estrutura, tipo semântico, etc…
Ex: “livreiro” = livro, livraria.
Mas também se estabelece outras relações paradigmáticas: sapateiro, leiteiro. Coveiro...
Para Saussure essa organização linguística é importante na caracterização de uma frase, podemos assim substituir um substantivo por outro substantivo.
Ex: Comprei um carro.
 Comprei um avião.
As relações paradigmáticas são decorrentes também da semelhança de significado sonoro ou qualquer outra situação que remeta à associação entre os dizeres do falante ou ouvinte.
As relações paradigmáticas e sintagmáticas se encontram como um sistema de estrutura quando na frase: “Gostaria de comprar uma fazenda.” Nota-se relações paradigmáticas em “comprar” = “vender”, “entregar” = “olhar” e relações sintagmáticas que permitem que a frase tenha sentido: “gostaria” “de” “uma” “fazenda”.
A partir daí, com base nas ideias de Saussure, surge na Europa três grupos de estudos linguísticos: Escola de Genebra e Escola de Praga, vendo a língua de forma única, para comunicação, e a Escola de Copenhague, que adotou a ideia de Saussure, da língua como sistema autônomo, Hjelmslev desenvolveu então a teoria glossemática, aprofundando os conceitos de forma e substância (expressão e conteúdo).
A corrente norte-americana 
Ideias de Leonard Bloomfield desenvolvidas sob a linguística distribucional, mostrando-se convergente com o estruturalismo em muitos pontos.
Seu pressuposto diz que a língua tem sua estrutura: fonológica, morfológica e sintática, combinando fonemas que resultam em morfemas que resultam em palavras que resultam em frases.
Na linguística distribucional para estudar uma língua precisa:
1)	Variedades de textos, palavras, de certa língua e época;
2)	Elaboração de um inventário para estudo e separação dos componentes dessa língua;
3)	Verificação da ordem de combinação dos componentes de classes diferentes.
4)	Exclusão da dúvida sobre o significado do texto.
Bloomfield apoiava-se na teoria psicológica behaviorista de Skinner, onde diz que o comportamento humano se relaciona com os objetos e os eventos ocorridos, a partir daí se tem a resposta para seu comportamento, o tornando previsível. Assim, no campo linguístico, o indivíduo é conduzido a uma resposta verbal ao aprender, por exemplo, que cadeira se chama cadeira, não por compreender seu significado, mas pelo reforço provido pela comunidade verbal.
Bloomfield tinha como objetivo chegar a uma análise sincrônicada língua, vendo que elas se relacionavam entre si através da combinação: fonemas/ morfemas/ palavras/ sintagmas/ frases.
Essas ideias de Bloomfield batiam de frente com as ideias mentalistas de que a fala era apenas um efeito do pensamento. 
Sapir, também autor clássico da linguística norte-americana, diz que cada língua tem sua particularidade, cada língua diferente vê o mundo de forma diferente, configurando assim o pensamento.
Naquela época, havia no continente americano (início do século XX), aproximadamente 1.000 línguas, as ideias de Sapir e a psicologia de Skinner, que influenciou as ideias de Bloomfield, encontram terreno fértil nesse contexto, consolidando a linguística por criar uma teoria bem mais delimitada naquela época.

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