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AULA 5 
PERÍCIA AMBIENTAL 
Prof. Klaus Dieter Sautter 
 
 
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TEMA 1 – FORMULAÇÃO E RESPOSTA DE QUESITOS 
 O perito atua basicamente para satisfazer a finalidade específica da perícia 
contratada. Para isso, ele precisa verificar os fatos que são relacionados com o 
objeto da perícia, certificando estes fatos e/ou interpretando-os. Seu parecer 
técnico, o laudo pericial, será apresentado ao juiz em audiência ou por escrito. 
 Porém, para fazer a perícia, é necessário que o perito seja instado a realizar 
os procedimentos, a partir dos quesitos colocados pelas partes e pelo juiz. Esses 
quesitos são os questionamentos, as dúvidas, que são dirigidos aos peritos e 
assistentes técnicos, se houver (Almeida; Almeida, 2011). O perito deve 
respondê-los de modo satisfatório e, para isso, pode utilizar-se de investigações, 
estudos científicos, sua própria experiência, provas, plantas, fotos, diferentes tipos 
de cálculo etc. 
 O juiz do caso pode indeferir um quesito colocado por uma das partes, 
desde que o considere como não circunscrito ou mesmo irrelevante ao assunto, 
controverso, ou que extrapole a competência do perito designado. O perito 
também poderá abster-se de responder algum quesito colocado, desde que 
demonstre ser esse quesito fora de sua área de atuação. 
Normalmente os quesitos são colocados pelo juiz e pelas partes no início 
do processo pericial, mas, durante a diligência, esses poderão apresentar novos 
quesitos, os chamados quesitos suplementares, mas somente em função 
daqueles já formulados, com a intenção de ampliar a investigação, e dar maior 
clareza e abrangência. 
 Mesmo após o laudo pericial apresentado, há a possibilidade de interpor 
novos quesitos, os quesitos de esclarecimento. Esses quesitos têm uma única 
função de tirar qualquer dúvida sobre alguns pontos insuficientemente abordados 
no laudo oficial. É importante colocar que esses novos quesitos não podem inserir 
novidades, inovações no processo, tendo de limitar-se somente ao que já foi 
citado no laudo. Se houver necessidade de esclarecimentos, o perito deverá 
complementar o laudo pericial. Esses quesitos de esclarecimentos também 
poderão ser respondidos em audiência, se assim o juiz requerer. 
 É importante que o juiz e as partes formulem de forma adequada os 
quesitos. Apresentando-os de forma sequencial, claros e objetivos, estando de 
acordo estritamente com a pauta colocada. Os quesitos devem ter eficácia na 
resolução das dúvidas, tornando assim o laudo satisfatório. 
 
 
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 Pode acontecer de um processo não conter quesitos. Nesse caso, o perito 
deve estudar bem os autos, analisando todas as questões envolvidas, e pode 
então requerer que o juiz intime as partes, para que elaborem quesitos. Se o perito 
concluir que não há necessidade de quesitos para a elaboração do laudo, assim 
também pode proceder. 
 O Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM), órgão responsável pelo 
planejamento e administração de preservação das águas em Minas Gerais, 
sugere alguns quesitos como base em processo de outorga de água (Figura 1). 
Figura 1 – Sugestão de quesitos da IGAM 
Existe outorga de direito do uso de água referente ao usuário em questão? 
A utilização da outorga está de acordo com o disposto na Portaria Autorizativa? 
Qual é a localização e descrição do ponto ora analisado? 
A que bacia ou sub-bacia pertence o curso de água examinado? 
Há vestígios de danos ao meio ambiente relativos aos recursos hídricos 
provocados pelo ser humano? 
Existem outros usuários captando água no mesmo curso de água ou bacia? 
Existe zona de recarga de aquífero sendo afetada por atividade antrópica? 
Crédito: elaborado com base em Martins Junior et al., 2008. 
TEMA 2 – ELABORAÇÃO DE LAUDOS E PARECERES 
 Ao final de uma perícia ambiental, o produto é denominado Laudo Pericial, 
que é considerado o resumo do trabalho do perito ambiental, bem como suas 
conclusões sobre o caso estudado. Um laudo pericial deve sempre comprovar, 
sem sombra de dúvida e com total isenção, qual é a situação do objeto 
demandado, eventuais danos, sua magnitude e amplitude, e todas as outras 
informações que se façam necessárias para a elucidação dos fatos, servindo às 
expectativas do juiz do caso. O próprio Código de Processo Civil, define 
características básicas de um laudo: 
Art. 473. O laudo pericial deverá conter: 
I - a exposição do objeto da perícia; 
II - a análise técnica ou científica realizada pelo perito; 
III - a indicação do método utilizado, esclarecendo-o e 
demonstrando ser predominantemente aceito pelos 
especialistas da área do conhecimento da qual se originou; 
IV - resposta conclusiva a todos os quesitos apresentados 
pelo juiz, pelas partes e pelo órgão do Ministério Público. 
 
 
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§ 1º No laudo, o perito deve apresentar sua fundamentação 
em linguagem simples e com coerência lógica, indicando 
como alcançou suas conclusões. 
§ 2º É vedado ao perito ultrapassar os limites de sua 
designação, bem como emitir opiniões pessoais que 
excedam o exame técnico ou científico do objeto da perícia. 
§ 3º Para o desempenho de sua função, o perito e os 
assistentes técnicos podem valer-se de todos os meios 
necessários, ouvindo testemunhas, obtendo informações, 
solicitando documentos que estejam em poder da parte, de 
terceiros ou em repartições públicas, bem como instruir o 
laudo com planilhas, mapas, plantas, desenhos, fotografias 
ou outros elementos necessários ao esclarecimento do 
objeto da perícia. (Brasil, 2015) 
2.1 Roteiro de um laudo pericial 
 Não existe um modelo predefinido e fixo para a confecção de um laudo 
pericial. A seguir apresentamos um modelo básico, mas que pode ser livremente 
modificado pelo perito, inclusive com a inclusão de itens que sejam considerados 
como importantes pelo próprio juiz do caso ou representantes das partes 
interessadas. 
A) Identificação: número do processo, Vara, Comarca, tipo de ação e partes 
envolvidas; 
B) Preliminares: nomeação do especialista oficial e escopo da perícia; 
C) Da perícia: 
c.1) Vistoria do local: localização da área, situação legal da área, mapa de 
uso de solos, clima, recursos hídricos, geomorfologia e geologia, solos 
vegetação, fauna, ecossistemas, áreas de interesse histórico ou cultural, 
infraestrutura, atividades antrópicas previstas, que já ocorreram ou que 
estão ocorrendo na área. 
D) Discussão: 
d.1) Diagnóstico ambiental da área: uso atual de solos, uso atual de água, 
avaliação da situação ambiental legal, avaliação socioeconômica, impactos 
ambientais esperados em relação área estudada (ambientais, 
socioeconômicos). 
E) Quesitos: são as perguntas formuladas pelo juiz e/ou partes interessadas 
do processo 
F) Equipe técnica: Aqui deve-se relacionar a equipe técnica que participou do 
processo pericial, bem como qual foi a responsabilidade de cada parte e 
identificação (Nome, CPF, RG, carteira profissional, seus títulos, entre 
outros). 
 
 
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G) Bibliografia: aqui deve constar todas as referências bibliográficas citadas 
no decorrer do laudo, não esquecendo de fontes exclusivas da internet e 
legislação. 
H) Relação de anexos: deve-se relacionar todos os anexos que juntados ao 
laudo, como, por exemplo, fotografias, plantas baixas, os diversos tipos 
de mapas, eventuais fichas de campo etc. 
I) Conclusão: de forma sucinta, resumida, o perito deve colocar suas 
conclusões, de tal maneira que seja de fácil compreensão pelas partes e 
pelo juiz. Lembrando novamente que o perito deve ser totalmente 
imparcial. 
J) Encerramento: para encerrar o laudo, o perito deve afixar sua assinatura, 
nome completo, qualificação profissional e o número da carteira 
profissional. Deve ainda datar e colocar o local de elaboração do laudo. 
2.2 Classificação do laudo pericial, levando em conta seu resultado 
 Após o laudo pericial ser entregue, depois de críticas de eventuais 
assistentes técnicos e das manifestações das partes interessadas edo juiz, 
podemos classificar os laudos periciais em três grandes categorias (Arantes; 
Arantes, 2016): 
A) Satisfatório: quando todas as dúvidas do juiz foram satisfeitas, em relação 
aos quesitos anteriormente colocados; 
B) Carecedor de esclarecimentos: quando o juiz ou alguma das partes ainda 
permanece com dúvidas. O perito então é instado pelo juiz a esclarecer 
essas dúvidas colocadas. Pode ocorrer de uma das partes utilizar essa 
possibilidade de saneamento de dúvidas para ganhar tempo no processo, 
como um recurso protelatório. Porém, se o juiz considerar como 
satisfatório, o trabalho pericial é considerado como encerrado. 
C) Não satisfatório: quando o laudo não traz nenhuma resposta conclusiva 
sobre o objeto estudado. Isso pode ser ocasionado por: 
c.1) Imperícia: é a carência de habilidade específica do perito em relação 
ao que ele sabe ou deveria saber. Revela-se pela ignorância, inexperiência 
ou mesmo inabilidade sobre sua função. Pode gerar responsabilidade civil 
ou mesmo criminal sobre eventuais danos causados. 
 
 
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c.2) Imprudência: é quando o perito age sem cautela, em uma atitude 
considerada precipitada, sem moderação, sem precaução, criando 
desnecessariamente algum perigo. 
c.3) Negligência: se dá quando o perito age sem utilizar-se das devidas 
cautelas, podendo ser por displicência, relaxamento ou até preguiça 
mental. 
TEMA 3 – PERÍCIA AMBIENTAL SECURITÁRIA 
No mercado de seguros, o seguro ambiental de longe não é o mais popular, 
e ainda é um assunto pouco discutido, tanto pelas seguradoras, quanto pelos 
segurados. Porém novos acidentes ambientais têm ocorrido com cada vez maior 
frequência. Assim as empresas têm se interessado cada vez mais por contratar 
um seguro ambiental. No art. 14, da Lei 6938, de 1981 (Política Nacional do Meio 
Ambiente), é colocada a responsabilidade Civil Ambiental: “[…] é o poluidor 
obrigado, independentemente da existência de culpa, a indenizar ou reparar os 
danos causados ao meio ambiente e a terceiros, afetados por sua atividade” 
(Brasil, 1981). E essa legislação é considerada hoje a base para justificar a 
contratação de um seguro ambiental, principalmente estabelecendo a 
responsabilidade objetiva. 
Porém alguns aspectos ainda dificultam a concessão de seguros 
ambientais, principalmente em local e propriedades historicamente poluídos, 
dificuldade de se avaliar a extensão dos danos ambientais, falhas na adoção de 
padrões de combate à poluição, legislação cada vez mais severa e dificuldade das 
empresas em cumpri-la, riscos de sinistros tardios, equipamentos cada vez mais 
sofisticados para detectar e medir a poluição e aumento da pressão popular 
devido à conscientização por um meio ambiente sadio. 
Quando falamos em cobertura de riscos ambientais, mesmo de forma 
limitada, deve se ter uma abordagem considerada perfeita de avaliação de riscos 
ambientais. É assim que agem as seguradoras. 
A aceitação do seguro ambiental pela seguradora está baseada nas 
informações constantes do chamado Relatório de Inspeção Ambiental, em que 
estão todas as informações relevantes como condições do local, 
produtos/substâncias utilizadas e armazenadas, riscos de poluição do ar, solo e 
água. 
 
 
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No Brasil, o mercado segurador deixa disponível coberturas para o risco de 
poluição, como: 
A) Riscos de vazamento/poluição, que ocorram durante o transporte 
rodoviário de cargas. O seguro é de Responsabilidade Civil Facultativa de 
Veículos (RCFV); 
B) Riscos de derrame de petróleo ou derivados no caso de navios. O seguro 
cobre cascos (embarcações), com coberturas extras de Responsabilidade 
Civil e de Poluição; 
C) Riscos advindos da prospecção e produção de petróleo. O seguro é de 
riscos do petróleo, tanto 7ns hore quanto off shore (Figura 2); 
D) Riscos da produção de energia nuclear. O seguro refere-se a riscos 
nucleares; 
E) Riscos comerciais/industriais (conservação de plantas comerciais e/ou 
industriais); 
e.1) Poluição súbita: Seguro de Responsabilidade Civil – estabelecimentos 
comerciais e/ou industriais (RCG); 
e.2) Poluição súbita/gradual: Seguro de Responsabilidade Civil de Poluição 
Ambiental. 
Figura 2 – Acidente ambiental com petróleo 
 
Crédito: ohrim/Shutterstock. 
 
 
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 A apólice de Seguro de Responsabilidade Civil de Poluição Ambiental 
oferece coberturas específicas de poluição súbita, poluição gradual, despesas 
realizadas para contenção (visando assim a neutralização ou limitação das 
consequências de um certo acidente, evitando o sinistro), custos de limpeza, 
custas judiciais e honorários dos advogados (para a defesa do segurado), e 
despesas do segurado também na esfera criminal. Sendo possível ainda adicionar 
coberturas relativas a Lucros Cessantes do segurado e também Gerenciamento 
de Crises. 
 Para que o proponente contrate o seguro, deve-se preencher um 
questionário padrão, que será utilizado pela seguradora para fazer a Análise 
Preliminar de Risco. A seguradora então realiza uma Inspeção Técnica de Riscos 
criteriosa nos locais contratados, sendo uma espécie de auditoria ambiental. Aliás, 
vários benefícios surgem daí, por exemplo, aumento da credibilidade perante a 
sociedade em relação à empresa, definição de critérios de emergência em caso 
de acidentes ambientais, esforço para a minimização de resíduos, detecção de 
procedimentos incorretos permitindo a sua correção e, como consequência, maior 
segurança da empresa em relação ao meio ambiente. 
 Devemos lembrar que este Seguro de Responsabilidade Civil – Poluição 
ambiental, só é operacionalizado na prática quando há uma cooperação estreita 
entre o segurado e a seguradora, de preferência por um longo período de tempo. 
O segurado deve atuar de forma transparente e sincera, abrindo todos os seus 
dados referentes à análise de risco ambiental, assim como acatar as 
recomendações feitas a melhoria do gerenciamento desses riscos. A cobertura do 
seguro vale para todas as mudanças ambientais provocadas pelo segurado no 
local indicado dentro da apólice e segurado pela mesma. 
 Por ser uma área onde o risco pode ser catastrófico, o custo desse tipo de 
seguro tende a ser muito alto. Para a composição do custo (prêmio) do seguro, 
deve-se se levar em conta a análise de risco ambiental. Para essa análise de 
risco, devemos levar em conta (Almeida, 2011): 
a) Localização do risco segurável (tipo de atividade, tipos de processos 
utilizados, tipos de emissões para a atmosfera, água e solo, tipos de 
tratamentos no gerenciamento de resíduos, quantidade de poluentes que 
estão estocados, como é a utilização de recursos naturais e programas e 
planos de emergências ambientais); 
 
 
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b) Extensão provável (vizinhança, densidade populacional, valores 
ambientais já acumulados na vizinhança, condições ambientais da 
vizinhança). 
Para a análise de riscos devemos considerar, em primeiro lugar, a emissão 
dos poluentes e os riscos representados pelo segurado. Em um segundo ponto, o 
potencial de ocorrer sinistros na vizinhança da empresa. Juntando os dois fatores 
temos uma pontuação e, dependendo do resultado, o risco será aceito ou não 
pela seguradora, podendo ser utilizado também como fator de agravamento 
aplicável ao risco básico, aumentando assim o prêmio do seguro. 
TEMA 4 – PERÍCIA AMBIENTAL NA ÁREA RURAL 
Como já vimos, a perícia ambiental tem como principal objetivo identificar 
um dano ambiental antrópico, sua extensão e seus responsáveis, bem como o 
risco (possibilidade) desse dano vir a ocorrer na prática. 
São várias as atividades humanas que podem causar danos ambientais. 
Normalmente ligamos os danos ambientais a atividades consideradas urbanas, 
como indústrias, comércio ou mesmo questões em áreas tipicamente residenciais. 
Mas também podemos encontrar sérios danos ambientais na área rural, advindos 
da atividade rural. 
Há vários tipos de impactos ambientais que a atividade rural pode provocar.Vamos conhecer alguns deles e como fazer sua valoração? 
4.1. Erosão 
 Talvez seja o impacto ambiental mais comum dentro de uma propriedade 
rural. Podemos conceituar erosão como a perda de solo (tanto de sua camada 
mais superficial e fértil, quanto de camadas mais profundas), pela falta de adoção 
de práticas conservacionistas (Figura 3). O solo então perde sua capacidade de 
produção, diminuindo a produtividade da cultura. 
 
 
 
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Figura 3 – Erosão do solo em área agrícola 
 
Crédito: Ian/Adobe Stock. 
Podemos calcular a perda de produção pelo custo de reposição (Arantes, 
2011). 
a) Custo de reposição: neste caso, calculamos a perda de nutrientes e 
o custo para sua reposição (Equação 1): 
CREP = RIMO + RFQS + LC + DR + CRF + CD Eq. 1 
, onde: 
CREP = Custo de reposição ou recuperação 
RIMO = Recuperação dos índices de matéria orgânica 
RFQS = Recuperação da fertilidade química do solo 
LC = Lucros cessantes 
DR = Desvalorização do remanescente 
CRF = Custo com recobertura florística 
CD = Custo de desmonte. 
a.1) RIMO (Recuperação dos Índices de Matéria orgânica) 
RIMO = Custo de formação de leguminosas (R$/ha) x área a recompor (ha) 
x período de recomposição Eq. 
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a.2) RFQS (Recuperação da fertilidade química do solo) 
 
 
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RFQS = Tni – Tnf = teor de nutrientes antes do impacto – teor de nutrientes 
depois do impacto Eq. 
3 
a.3) LC (Lucro cessante) 
Receita que deixou de ser apurada, comparando-se o período antes do 
impacto, com o período pós-impacto 
a.4) DR (Depreciação do remanescente) 
Em caso de impossibilidade de recuperar-se o dano provocado, calcula-se 
a depreciação da área. 
a.5) CRF (Custos com recobertura florística) 
São os gastos advindos da recuperação vegetal da área em questão, como 
insumos, operações, mudas etc. 
a.6) CD (Custo de desmonte) 
Quando o caso for de arrendamento da propriedade rural, é o custo com, 
por exemplo, transporte de equipamentos, com a intenção de dar 
continuidade ao uso da capacidade produtiva destes equipamentos, por 
exemplo. 
4.2 Assoreamento de córregos e rios 
Neste caso, devemos calcular os custos a partir dos custos de dragagem, 
com vistas a retirada dos resíduos do fundo do corpo de água, e a recuperação 
da Área de Preservação Permanente às margens do corpo de água 
(remodelagem, recuperação e recobertura florística) (Figura 4). 
Figura 4 – Assoreamento de rios na área rural 
 
Crédito: Happy_Nati/Shutterstock. 
 
 
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4.3 Desmatamento 
Podemos considerar o desmatamento como uma infração ambiental, 
quando feito sem o devido licenciamento, ou mesmo quando não é feito conforme 
as condições colocadas no licenciamento (Figura 5). Nesses casos, normalmente 
ou se faz a autuação ambiental, ou um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) 
é assinado, condenando-se a um pagamento ambiental, bem como recomposição 
da área danificada, remodelação etc., o que configura um PRAD (Plano de 
Recuperação de Área Degradada). Podemos calcular os custos daí advindos por 
meio dos Custos de Recobertura Florística (CRF) já comentado acima. 
Figura 5 – Desmatamento ilegal na Amazônia 
 
Crédito: Tarcisio Schnaider/Adobe Stock. 
TEMA 5 – VALORAÇÃO AMBIENTAL 
Um dos trabalhos que o perito ambiental pode fazer, além de determinar os 
danos e suas causas, é determinar o valor monetário do meio ambiente a partir 
danos provocados. Mas é claro que isso não é uma tarefa fácil, afinal, como 
podemos valorar o ar que respiramos, a água pura que tomamos, ou mesmo o 
solo que cultivamos nossos alimentos. Difícil, né? 
A valoração ambiental ainda é um campo novo considerado parte da 
economia ambiental. E a primeira coisa que temos de fazer é determinar o Valor 
Econômico Total do meio ambiente (Figura 6). 
 
 
 
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Figura 6 – Valor econômico total 
 
Crédito: elaborado com base em Haddad, 2011. 
Consideramos valor de uso, tanto direto quanto indireto, quando temos 
benefícios (diretos e indiretos) a partir da exploração, seja comercial ou não, dos 
recursos naturais. 
Já Valor de Não Uso (Valor de Existência e Valor de Opção) é considerado 
quando há benefícios vindos dos recursos naturais, mas não envolvem uso, 
receita, lucro, nem direta, nem indiretamente. Dizemos que é o valor intrínseco 
que os recursos naturais têm, independentemente de qualquer relação com o ser 
humano. 
Dentro do valor de não uso, o valor de existência é o quanto em dinheiro 
que as pessoas que não se utilizam desse recurso e nem pretendem utilizar no 
futuro estariam dispostas a pagar pelo simples fato desse recurso existir. Não tem 
nada a ver com consumo, lucro, mas esse comportamento é motivado por valores 
inerentes ao ser humano, como estéticos, morais ou mesmo culturais. Por 
exemplo, manter uma área de floresta intocada pelo simples fato dela ser bonita, 
sendo que as pessoas não irão frequentar, nem auferir receita com essa floresta. 
O Valor de opção é quando as pessoas estão dispostas a pagar pelo não 
uso de um recurso natural qualquer, mas mantêm a possibilidade de utilizá-lo em 
algum momento do futuro. Por exemplo, manter uma floresta intacta, porque no 
futuro podemos descobrir novos princípios ativos de medicamentos a partir das 
plantas dessa floresta. 
Valor 
Econômico 
Total
Valor de uso
Direto
Indireto
Valor de não 
uso
Valor de 
Existência
Valor de 
Opção
 
 
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Se considerarmos o conceito de Desenvolvimento Sustentável, que é usar 
de tal maneira os recursos naturais que as próximas gerações tenham os mesmos 
recursos para aproveitar, estamos dando um valor de opção a esses recursos 
quando não utilizamos agora, mas deixamos para as próximas gerações poderem 
utilizar. 
5.1 Métodos de valoração ambiental 
Apesar da economia ambiental e a valoração ambiental serem áreas 
recentes no conhecimento humano, já existem alguns métodos que podemos 
utilizar para fazer a valoração ambiental. É claro que não há métodos definitivos 
e com os quais todos os especialistas concordam, mas estes métodos estão 
sendo sempre aperfeiçoados. Porém ainda é muito difícil definir um valor 
econômico para os recursos naturais e esses valores serão sempre em função do 
ser humano e não do meio ambiente por si mesmo. 
Algumas das técnicas mais utilizadas são: 
a) Preço da propriedade ou avaliação hedonista, ainda chamada de Índice de 
Preços Hedônicos: esse método tem como princípio que um imóvel perde 
valor quando é afetado pela poluição causada pelo ser humano. A intenção 
é definir o quão diferentes são os preços devido a um atributo ambiental 
qualquer. Assim, o método busca avaliar o quanto o ser humano está 
disposto a pagar para que haja uma melhoria de bem-estar, levando em 
conta os atributos ambientais e o valor social dessa melhoria. Por exemplo, 
proximidade do imóvel a um parque urbano, quanto custaria a mais por 
essa comodidade? Ou uma casa construída de modo a ter a maior 
eficiência energética possível, quanto o comprador pagaria a mais para ter 
essa característica na sua casa. Normalmente esse método é utilizado para 
avaliar imóveis urbanos em relação às suas vantagens ambientais sobre 
outros imóveis; 
b) Custo de viagem: a pergunta é: o quanto uma pessoa gastaria (despesas) 
para visitar um local com interesse ambiental? Incluem-se aí horas de 
trabalho trocadas pela visita e todos os custos propriamente ditos da 
viagem (hotel, alimentação, pagamento da entrada no local, transporte 
etc.). Utiliza-se essa técnica para valorizar ambientalmente um local que já 
existe, por exemplo, um parque nacional; 
 
 
15 
c) Valor associado ou avaliação contingente: por meio de entrevistas, 
pergunta-se às pessoas o quanto estão dispostas a pagar para a 
preservação de recursos naturais,mesmo que elas não venham a usar no 
futuro esses recursos. Este método é interessante porque baliza em função 
de um mercado real, que é aquele que estabelece o quanto as pessoas 
estão dispostas a pagar por uma mercadoria real. Essa técnica é 
considerada flexível, pois pode ser utilizada para qualquer caso envolvendo 
recursos naturais. Sugere-se utilizar essa técnica para determinar os 
Valores de Existência; 
d) Produção sacrificada: utilizamos essa técnica quando temos efeitos 
ambientais muito localizados ou mesmo quando podemos separá-los de 
forma individual. Assim podemos medir os impactos negativos diretamente 
e seu valor em termos de produção sacrificada ou perdida, quando por 
causa de algum impacto ambiental negativo, não conseguimos produzir 
algo. Muito utilizado no caso da produção agropecuária. É importante 
observar que esse método não leva em conta impactos econômicos no 
futuro. 
Saiba mais 
Quer ver um exemplo prático de valoração ambiental em um parque 
natural urbano? Sugiro ler: ALMEIDA, A. N. de; VERSIANI, R. de O.; SOARES, 
P. R. C.; ANGELO, H. Avaliação Ambiental do Parque Olhos D’Água: Aplicação 
do Método da Disposição a Pagar. Floresta e Ambiente, 2017; 24: e00094714. 
Texto disponível em: 
. Acesso em: 29 nov. 2021. 
 
 
 
 
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REFERÊNCIAS 
ALMEIDA, J. R. de. Perícia ambiental, judicial e securitária: impacto, dano e 
passivo ambiental. Rio de Janeiro: Thex, 2011. 512 p. 
ALMEIDA, J.R.de; ALMEIDA, S.M. de. Perícia ambiental – uma visão geral. In: 
PINTO NETO, M. C.; ARANTES, C. A.; NADALINI, A. C. V. Perícia ambiental. 
São Paulo: PINI, 2011. p. 33-51. 
ARANTES, C. A.; ARANTES, C. de. Perícia ambiental: aspectos técnicos e 
legais. 2. ed. Birigui: Boreal Editora, 2016. 299 p. 
ARANTES, C. A. Perícia ambiental na área rural. In: PINTO NETO, M. C.; 
ARANTES, C. A.; NADALINI, A. C. V. Perícia ambiental. São Paulo: PINI, 2011. 
p. 121- 139. 
BRASIL. Lei n. 6.938, de 31 de agosto de 1981. Diário Oficial da União, Brasília, 
DF. Disponível em: . Acesso 
em: 14 ago. de 2021. 
BRASIL. Lei n. 13.105, de 16 de março de 2015. Código Civil. Disponível em: 
. 
Acesso em: 11 set. 2021. 
HADDAD, E. Valoração ambiental. In: PINTO NETO, M. C.; ARANTES, C. A.; 
NADALINI, A. C. V. Perícia ambiental. São Paulo: PINI, 2011. p. 149-161. 
MARTINS JUNIOR, P. P.; CARNEIRO, J. A.; ALVARENGA, L. J.; PINHEIRO, Z. 
C.; MATOSINHOS, C. C.; MIRANDA, M. P.de S. Guia prático de requisição de 
perícias ambientais. Belo Horizonte: Procuradoria geral de Justiça do Estado de 
Minas Gerais, 2008. 124 p.

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