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AO EXCELENTÍSSIMO SENHOR DESEMBARGADOR PRESIDENTE DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO - SP A parte agravante, FERNANDA OLIVEIRA SILVA, com profundo inconformismo e já com a devida qualificação nos autos em epígrafe, vem por meio de seu advogado, já constituído e infra-assinado, interpor tempestivamente AGRAVO DE INSTRUMENTO Contra a decisão proferida pelo JUÍZO em superendividamento, na qual litiga em polo contrário a BANCO NESCO, também já com devida qualificação nos autos em epígrafe, com fulcro nos art. 1015 e seguintes do Código de Processo Civil, pelos motivos de fato e direito que aqui serão devidamente apresentados. I - Da Tempestividade Em conformidade com o §5º do art. 1.003 do CPC/2015 (Lei 13.105 de 2015), que dispõe sobre o prazo do Agravo de Instrumento ser de até 15 dias úteis após o termo inicial (data do termo inicial), a presente medida se realiza tempestivamente, sendo protocolada no dia [data de protocolo]. II - Das Peças que instruem o presente Agravo Conforme o mandamento do art. 1017, $5º do CPC/2015, o presente Agravo se encontra instruído com os documentos úteis à compreensão da controvérsia. Caso Vossa Excelência compreenda que os documentos não são suficientes para que o presente agravo seja conhecido, requeiro, com base no art. 1.017, §3º do CPC/2015 a intimação da agravante para a juntada de eventuais cópias adicionais. A agravante, por meio de seu representante legal, indica que, com base no art. 1017, §1o, do CPC/2015, recolheu os valores exigidos legalmente relativos às custas, as quais se juntam aos autos as guias quitadas. I - Breve síntese do Processo Fernanda, diante de sua situação de superendividamento, tentou resolver suas pendências financeiras por meio de conciliações extrajudiciais. Inicialmente, ela participou de uma feira organizada por uma empresa de proteção ao crédito, onde buscou um acordo com seus credores. No entanto, as propostas de parcelamento oferecidas comprometiam integralmente seu salário, tornando inviável qualquer acordo. Posteriormente, Fernanda tentou novamente uma conciliação, desta vez perante o Procon da capital de São Paulo, mas, mais uma vez, não obteve sucesso. Ela reuniu todos os documentos comprobatórios dessas tentativas e os levou ao escritório de advocacia responsável por sua defesa. As dívidas de Fernanda estão concentradas em três instituições financeiras: Banco Itubank, com um valor de R$ 700.000,00; Banco Nesco, com R$ 300.000,00; e Financeira Boa Grana, com R$ 100.000,00. Fernanda não possui bens em seu nome e reside de favor na casa de uma amiga de família. Diante dessa situação, o advogado Luiz ingressou com uma ação de superendividamento em face das credoras de Fernanda, buscando uma solução judicial para o problema. A ação foi distribuída à 7ª Vara Cível de São Paulo, onde o juiz determinou a citação das partes passivas e ordenou a apresentação de todos os documentos, especialmente os contratos de empréstimo firmados entre Fernanda e os credores, conforme requerido na petição inicial. Inconformado com essa decisão, o Banco Nesco interpôs Agravo de Instrumento, alegando que a obrigação de apresentar tais documentos deveria recair sobre a parte autora, sob pena de violação dos princípios do contraditório e da ampla defesa. O advogado Luiz elaborou uma Contraminuta de Agravo de Instrumento perante a 11ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo, defendendo a manutenção da decisão de primeiro grau que obrigava a apresentação dos documentos e contratos referentes aos empréstimos. A decisão foi mantida, e o magistrado designou uma audiência de conciliação. No entanto, antes da realização da audiência, foi determinado que Fernanda depositasse as custas iniciais do processo, no valor de R$ 11.000,00, no prazo de dez dias, sob pena de extinção do processo sem julgamento do mérito. A justificativa para a não concessão da assistência judicial gratuita foi baseada nos comprovantes de rendimentos mensais de Fernanda, que é funcionária pública municipal com salário de R$ 10.000,00. Luiz peticionou pedindo a reconsideração da decisão, argumentando a impossibilidade de Fernanda arcar com os custos do processo devido à sua condição de hipossuficiência financeira, que a impede de custear as despesas processuais sem comprometer a manutenção de um patrimônio mínimo. Essa condição foi efetivamente demonstrada nos autos e é a própria razão de ser da ação proposta. Contudo, o juiz manteve integralmente sua decisão, sem maior fundamentação. Da Decisão Agravada A decisão interlocutória do juiz, que manteve a exigência do depósito das custas iniciais, foi fundamentada nos preceitos da norma superior, ressaltando a necessidade de que o processo seja ordenado, disciplinado e interpretado conforme os valores e normas fundamentais estabelecidos na Constituição Federal, observando-se as disposições do Código de Processo Civil. Essa disposição inicial tem a função de orientar e esclarecer a aplicação precisa dos princípios processuais, servindo como um ponto de referência interpretativa. Tendo em vista a presente narrativa dos fatos do litígio e o inconformismo com a decisão a ser agravada, bem como o máximo respeito ao douto juízo, dar-se-á prosseguimento à exposição dos motivos e fundamentos sobre os porquês de os argumentos da decisão não deverem prosperar. II - Das Razões do Inconformismo que levaram à necessidade do presente Agravo Direito à Gratuidade da Justiça O artigo 98 do Código de Processo Civil (CPC) estabelece que a pessoa natural ou jurídica, brasileira ou estrangeira, com insuficiência de recursos para pagar as custas, as despesas processuais e os honorários advocatícios têm direito à gratuidade da justiça. A autora Fernanda demonstrou, por meio de documentos, sua condição de hipossuficiência financeira, o que justifica a concessão do benefício da gratuidade da justiça. A exigência de depósito das custas iniciais, portanto, contraria o disposto no artigo 98 do CPC. A decisão do magistrado de exigir o depósito das custas iniciais no valor de R$ 11.000,00, sob pena de extinção do processo sem julgamento do mérito, desconsidera a situação de hipossuficiência financeira de Fernanda, que foi devidamente comprovada nos autos. Fernanda, apesar de possuir um rendimento mensal de R$ 10.000,00 como funcionária pública municipal, encontra-se em uma situação de superendividamento, vivendo de favor na casa de uma amiga e sem possuir bens em seu nome. Tal situação demonstra claramente que o pagamento das custas processuais comprometeria a sua manutenção e subsistência, o que é incompatível com a finalidade do benefício da gratuidade da justiça. O artigo 98, § 1º, do CPC, dispõe que a gratuidade da justiça compreende a isenção de custas, despesas processuais e honorários advocatícios, entre outros encargos. A interpretação do magistrado, ao exigir o depósito das custas iniciais, viola diretamente esse dispositivo legal, uma vez que a condição de hipossuficiência financeira de Fernanda foi comprovada e não pode ser ignorada. A decisão judicial, ao não conceder a gratuidade da justiça, fere o princípio da inafastabilidade da jurisdição, previsto no artigo 5º, inciso XXXV, da Constituição Federal, que garante a todos o acesso à justiça. Ademais, o artigo 99, § 3º, do CPC, estabelece que a alegação de insuficiência deduzida por pessoa natural é presumida verdadeira, cabendo à parte contrária o ônus de provar a falta dos pressupostos legais para a concessão da gratuidade. No caso em tela, não houve qualquer impugnação por parte das instituições financeiras credoras quanto à condição de hipossuficiência de Fernanda, o que reforça a presunção de veracidade de sua alegação. Portanto, a exigência de depósito das custas iniciais, além de contrariar o artigo 98 do CPC, desconsidera a situação de hipossuficiência financeira comprovada de Fernanda e viola o princípio do acesso à justiça. A decisão judicial deve ser reformada para conceder a gratuidade da justiça à autora, garantindo-lheo direito de prosseguir com a ação sem o comprometimento de sua subsistência e manutenção de um patrimônio mínimo. Presunção de Veracidade da Alegação de Insuficiência O artigo 99, § 3º, do Código de Processo Civil (CPC) estabelece que presume-se verdadeira a alegação de insuficiência deduzida exclusivamente por pessoa natural. Neste contexto, a autora Fernanda apresentou comprovantes de rendimentos mensais e demonstrou que vive de favor na casa de uma amiga de família, evidenciando sua condição de hipossuficiência financeira. A decisão do magistrado de não conceder a gratuidade da justiça, sem fundamentação adequada, viola o princípio da presunção de veracidade da alegação de insuficiência. A norma processual é clara ao determinar que, uma vez alegada a insuficiência de recursos por pessoa natural, esta deve ser presumida verdadeira, salvo prova em contrário. O juiz, ao exigir o depósito das custas iniciais sem considerar devidamente os elementos probatórios apresentados pela autora, desconsiderou a presunção legal estabelecida pelo CPC. Ademais, a condição financeira de Fernanda, que possui rendimentos mensais de R$ 10.000,00, deve ser analisada à luz de suas despesas e da sua situação patrimonial. A autora não possui bens em seu nome e vive de favor, o que reforça sua alegação de insuficiência. A exigência de custas processuais no valor de R$ 11.000,00 comprometeria significativamente sua capacidade de subsistência, contrariando o objetivo da gratuidade da justiça, que é assegurar o acesso ao Judiciário àqueles que não dispõem de recursos suficientes. A decisão judicial, ao não conceder a gratuidade da justiça, sem uma análise criteriosa e fundamentada da situação financeira da autora, fere o princípio do acesso à justiça, consagrado no artigo 5º, inciso XXXV, da Constituição Federal. Este princípio garante que nenhuma lesão ou ameaça a direito será excluída da apreciação do Poder Judiciário. A negativa de gratuidade da justiça, sem a devida fundamentação, impede que a autora exerça plenamente seu direito de ação, configurando uma barreira ao acesso à justiça. Portanto, a decisão do magistrado deve ser reformada para reconhecer a presunção de veracidade da alegação de insuficiência de Fernanda, conforme disposto no artigo 99, § 3º, do CPC. A concessão da gratuidade da justiça é medida que se impõe, garantindo o acesso ao Judiciário e a possibilidade de defesa de seus direitos, sem o comprometimento de sua subsistência. Assistência Jurídica Integral e Gratuita O artigo 5º, inciso LXXIV, da Constituição Federal assegura que o Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos. Fernanda comprovou sua condição de hipossuficiência, e a negativa de concessão da gratuidade da justiça sem fundamentação adequada fere este preceito constitucional, comprometendo seu direito de acesso à justiça. A decisão do magistrado de primeiro grau, ao indeferir o pedido de gratuidade da justiça, não observou a comprovação da hipossuficiência financeira de Fernanda, que foi devidamente demonstrada nos autos. Fernanda, apesar de possuir um rendimento mensal de R$ 10.000,00 como funcionária pública municipal, encontra-se em uma situação de superendividamento, sem bens em seu nome e vivendo de favor na casa de uma amiga de família. Tal situação evidencia que o pagamento das custas processuais no valor de R$ 11.000,00 comprometeria significativamente sua subsistência e manutenção de um patrimônio mínimo, essencial para sua dignidade. O Código de Processo Civil, em seu artigo 98, caput, reforça o direito à gratuidade da justiça para aqueles que não possuem condições de arcar com as despesas processuais sem prejuízo do sustento próprio ou da família. A interpretação conjunta do artigo 5º, inciso LXXIV, da Constituição Federal e do artigo 98 do CPC deve ser realizada de forma a garantir o acesso à justiça, princípio basilar do Estado Democrático de Direito. A negativa de gratuidade da justiça, sem a devida fundamentação e análise da real situação financeira da parte, configura uma violação ao princípio do acesso à justiça. Ademais, o artigo 99, § 2º, do CPC, estabelece que a declaração de hipossuficiência firmada pela parte goza de presunção de veracidade, podendo ser indeferida apenas se houver elementos nos autos que comprovem a capacidade financeira da parte para arcar com as custas processuais. No caso em tela, não há nos autos qualquer elemento que desconstitua a presunção de veracidade da declaração de hipossuficiência de Fernanda. Pelo contrário, os documentos apresentados corroboram sua condição de superendividamento e impossibilidade de arcar com as despesas processuais. Portanto, a decisão que indeferiu o pedido de gratuidade da justiça deve ser reformada, garantindo-se a Fernanda o direito à assistência jurídica integral e gratuita, conforme preceituado pela Constituição Federal e pelo Código de Processo Civil. A manutenção da decisão agravada compromete o direito de acesso à justiça de Fernanda, que, diante de sua condição financeira, não possui meios de prosseguir com a ação sem a concessão da gratuidade da justiça. Princípio da Cooperação Processual O artigo 6º do Código de Processo Civil (CPC) estabelece que todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. Este princípio é essencial para garantir que o processo judicial seja conduzido de maneira eficiente e equitativa, promovendo a colaboração entre as partes e o juiz. No caso em questão, a exigência de depósito das custas iniciais no valor de R$ 11.000,00, sem considerar a condição de hipossuficiência da autora Fernanda, contraria diretamente o princípio da cooperação processual. Primeiramente, é importante destacar que a cooperação processual implica em uma atuação conjunta e harmoniosa entre as partes e o magistrado, visando a superação de obstáculos que possam comprometer a efetividade da tutela jurisdicional. A imposição de custas iniciais elevadas, sem a devida consideração da situação financeira da autora, cria um entrave significativo ao acesso à justiça. Fernanda, conforme demonstrado nos autos, vive de favor na casa de uma amiga e não possui bens em seu nome, além de ter um salário que, embora razoável, está comprometido com dívidas substanciais. A decisão do juiz, ao desconsiderar a hipossuficiência financeira da autora e exigir o depósito das custas iniciais, não apenas dificulta o acesso ao Judiciário, mas também compromete a própria finalidade do processo, que é a obtenção de uma decisão justa e efetiva. O princípio da cooperação processual exige que o magistrado atue de maneira a facilitar a participação das partes no processo, especialmente quando uma delas se encontra em situação de vulnerabilidade econômica. Além disso, a exigência de custas iniciais elevadas sem a concessão de assistência judicial gratuita, mesmo diante de comprovada hipossuficiência, pode ser interpretada como uma violação ao princípio do contraditório e da ampla defesa. A cooperação processual deve ser entendida como um mecanismo que assegura a igualdade de condições entre as partes, permitindo que ambas possam apresentar suas alegações e provas de maneira plena e eficaz. Portanto, a decisão judicial que impõe o depósito das custas iniciais sem considerar a condição financeira da autora deve ser reformada, em observância ao princípio da cooperação processual. A manutenção dessa exigência não apenas contraria o artigo 6º do CPC, mas também compromete a efetividade da tutela jurisdicional, impedindo que Fernanda possa buscar a resolução de suas dívidas de maneira justa e equilibrada. A cooperação processual, nesse contexto, deve ser vista como um instrumento de promoção da justiça e da equidade, garantindo que todos os sujeitos do processo possam atuar de maneira colaborativa e eficiente. Fins Sociais e Dignidade da Pessoa Humana O artigo 8º do Código de Processo Civil (CPC) estabelece que o juiz deveobservar os fins sociais e as exigências do bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e assegurando a razoável duração do processo. A decisão que exige o depósito das custas iniciais, sem considerar a hipossuficiência financeira da autora, Fernanda, desconsidera os fins sociais do processo e compromete a dignidade da pessoa humana. Primeiramente, é imperativo destacar que a dignidade da pessoa humana é um dos fundamentos da República Federativa do Brasil, conforme disposto no artigo 1º, inciso III, da Constituição Federal. A imposição de custas processuais a uma pessoa que comprovadamente não possui condições financeiras para arcar com tais despesas, sem comprometer sua subsistência, viola diretamente esse princípio constitucional. Fernanda, apesar de possuir um rendimento mensal de R$ 10.000,00, está em uma situação de superendividamento, sem bens em seu nome e vivendo de favor, o que caracteriza sua hipossuficiência financeira. Além disso, o artigo 98 do CPC prevê a concessão de gratuidade da justiça àqueles que não podem arcar com as custas do processo sem prejuízo do sustento próprio ou de sua família. A decisão judicial que nega esse benefício a Fernanda, sem uma análise aprofundada de sua condição financeira e das provas apresentadas, fere o princípio da razoabilidade e proporcionalidade, essenciais para a aplicação justa do direito. A exigência de depósito das custas iniciais, sem considerar a hipossuficiência da autora, também desconsidera os fins sociais do processo. O processo civil deve ser um instrumento de pacificação social e de efetivação de direitos, e não um obstáculo ao acesso à justiça. A imposição de custas processuais elevadas a uma pessoa em situação de vulnerabilidade financeira impede o acesso ao Judiciário e, consequentemente, a possibilidade de resolução de conflitos de forma justa e equitativa. Ademais, a razoável duração do processo, garantida pelo artigo 5º, inciso LXXVIII, da Constituição Federal, é comprometida pela exigência de custas iniciais. A imposição de tal obrigação pode levar à extinção do processo sem julgamento do mérito, prolongando a situação de incerteza e insegurança jurídica para a autora, que busca justamente uma solução para seu estado de superendividamento. Portanto, a decisão judicial que exige o depósito das custas iniciais, sem considerar a hipossuficiência financeira de Fernanda, desrespeita os fins sociais do processo, compromete a dignidade da pessoa humana e não assegura a razoável duração do processo. É imperativo que o Tribunal reconsidere essa decisão, concedendo a gratuidade da justiça à autora, para que ela possa ter seu direito de acesso à justiça efetivado e, assim, buscar uma solução justa e adequada para sua situação de superendividamento. Dos Pedidos Diante do acima exposto, e dos documentos acostados, é o presente Agravo de Instrumento para requerer os seguintes pleitos: 1. Requer-se o deferimento da imediata suspensão e posterior reforma da mencionada decisão interlocutória que determinou o depósito das custas iniciais do processo pela autora Fernanda, no valor de R$ 11.000,00 (onze mil reais), no prazo de dez dias, sob pena de extinção do processo sem julgamento do mérito, considerando a sua condição de hipossuficiência financeira demonstrada nos autos. 2. Requer-se que seja intimado o Agravado para, caso queira, apresentar resposta no prazo pertinente, conforme disposto no artigo 1.019, inciso II, do Código de Processo Civil. 3. Requer-se, após a análise do Egrégio Tribunal, o provimento do presente recurso de Agravo de Instrumento, reformando-se a decisão agravada para conceder à autora Fernanda os benefícios da justiça gratuita, nos termos do artigo 98 do Código de Processo Civil, em razão da sua condição de hipossuficiência financeira, devidamente comprovada nos autos. 4. Requer-se que seja reconhecida a violação ao princípio da dignidade da pessoa humana e ao direito fundamental de acesso à justiça, previstos nos artigos 1º, inciso III, e 5º, inciso XXXV, da Constituição Federal, uma vez que a exigência do depósito das custas iniciais inviabiliza o prosseguimento da ação de superendividamento, comprometendo a manutenção do patrimônio mínimo da autora. 5. Requer-se que seja determinado ao juízo de primeiro grau que proceda à designação de nova audiência de conciliação, sem a exigência do depósito das custas iniciais, garantindo-se o direito da autora de buscar a solução consensual do litígio, conforme preconiza o artigo 334 do Código de Processo Civil. 6. Requer-se que seja reconhecida a necessidade de uma análise detalhada das condições financeiras da autora e das propostas de pagamento apresentadas pelas instituições financeiras, a fim de se buscar uma solução justa e equilibrada para o superendividamento, conforme os princípios da boa-fé objetiva e da função social do contrato, previstos nos artigos 421 e 422 do Código Civil. 7. Requer-se que seja garantido à autora o direito de ampla defesa e contraditório, conforme disposto no artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal, assegurando-se a possibilidade de apresentação de todos os documentos e provas necessários para a comprovação de sua condição de hipossuficiência e superendividamento. 8. Requer-se, por fim, que seja dado provimento ao presente Agravo de Instrumento, com a consequente reforma da decisão agravada, para que sejam concedidos à autora Fernanda os benefícios da justiça gratuita e para que seja determinada a continuidade da ação de superendividamento, com a designação de nova audiência de conciliação e a apresentação dos documentos e contratos pelas instituições financeiras rés. Termos em que Pede Deferimento JORDEL VASCONCELOS NUNES OAB nº 487.457 30 de setembro de 2024