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AO JUÍZO DA OITAVA VARA CÍVEL DO FORO DE OSASCO NA CAPITAL DO ESTADO DE SÃO PAULO Processo n. LABORAMEDI ANÁLISES E PESQUISAS CLÍNICAS LTDA e RODRIGUES DE MELO JUNIOR, já qualificados nos autos do processo em epígrafe, que lhe move , vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, por seu advogado que esta subscreve, interpor tempestivamente o presente: RECURSO DE APELAÇÃO em face da r. Sentença de fls. 112/113, com fulcro no artigo 1.009 e seguintes do Código de Processo Civil, pelos motivos de fato e de direito que passam a fazer parte integrante desta. Requerem , nos termos do artigo 1.012 do Código de Processo Civil, que o presente recurso seja dotado dos efeitos devolutivo e suspensivo, com a imediata intimação da Apelada para, querendo, oferecer suas contrarrazões. Os Apelantes informam que não possuem condições financeiras para arcar com as custas recursais, motivo pelo qual requerem o benefício de Justiça Gratuita neste recurso, com fulcro no artigo 5.º, inciso LXXIV, da Constituição Federal, que determina assistência jurídica integral e gratuita a todos que declararem insuficiência de recursos, fazendo jus ao benefício da Justiça gratuita, na forma do artigo 98, do Código de Processo Civil e, por tal razão, deixam de colacionar as custas de preparo para o presente recurso. Neste sentido: Não recolhimento do preparo recursal. Matéria devolvida no recurso adstrita à assistência judiciária gratuita. Concessão da gratuidade exclusivamente para o ato de interposição do recurso. Precedentes do STJ. Mérito. Ausência de novos fundamentos. Manutenção da decisão agravada. 1. A corte especial do STJ no julgamento no Ag no REsp 1.222.355/MG (Rel. Min. Raul Araújo, DJE de 25/11/2015), firmou entendimento no sentido de que "é desnecessário o preparo do recurso cujo mérito discute o próprio direito ao benefício da assistência judiciária gratuita. não há lógica em se exigir que o recorrente primeiro recolha o que afirma não poder pagar para só depois a corte decidir se faz jus ou não ao benefício" 2. Deve ser mantida a conclusão externada na decisão recorrida, quando não evidenciado fundamento novo que a impugne. (TJ- RO - APL: 00106932020158220005 RO 0010693-20.2015.822.0005, Data de Julgamento: 10/04/2019) Requerem, ainda, que depois de adotados os trâmites legais, sejam os autos encaminhados ao Egrégio Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, esperando-se que o recurso, uma vez conhecido e processado na fora que a Lei preceitua, seja provido na sua integralidade. Por fim, requerem que todas as publicações sejam publicadas em nome do advogado , , exclusivamente, sob pena de nulidade, nos termos do artigo 272, parágrafos segundo e quinto do Código de Processo Civil. Termos em que pede deferimento. São Paulo, 24 de julho de 2020. RAZÕES RECURSAIS Apelante: LABORAMEDI ANÁLISES E PESQUISAS CLÍNICAS LTDA RODRIGUES DE MELO JUNIOR Apelado: Processo n. Vara de origem: OITAVA VARA CÍVEL DO FORO DE OSASCO NA CAPITAL DO ESTADO DE SÃO PAULO EGRÉGIO TRIBUNAL, COLENDA CÂMARA, NOBRES JULGADORES I. PRELIMINAR I.1. TEMPESTIVIDADE Conforme disposto no artigo 1.003, parágrafo quinto, do Código de Processo Civil, o recorrente poderá interpor recurso de apelação no prazo de 15 (quinze) dias, contados da data de intimação da decisão. Nos termos do artigo 219 do mesmo código processual, para a contagem dos prazos judiciais serão computados apenas e tão somente os dias úteis e, portanto, desconsiderados os finais de semana e feriados. No caso em tela, a certidão de publicação da decisão foi publicada em 03/07/2020, dando início, de fato, a contagem do prazo para apresentação de recurso no primeiro dia útil subsequente. Desta forma, considerando as determinações legais acima e que o prazo para a interposição do recurso de Apelação expira em 24/07/2020, o presente Recurso é plenamente tempestivo. I.2. DA CONCESSÃO DO EFEITO SUSPENSIVO Trata-se de Ação de Despejo Cumulada com Cobrança onde os Apelantes aduzem que foi celebrado um contrato de locação por escrito junto aos Apelados, referente ao imóvel situado na , Osasco, Estado de São Paulo, celebrado em 16/05/2014. É imperioso salientar que a empresa Apelante atua no mercado de prestação de serviços médicos profissionais, especificamente no ramo de análises clínicas e diagnósticos por imagem e outas atividades de atenção à saúde humana. Ademais, a empresa Apelante esteve recentemente em Recuperação Judicial (processo nº. 1083052-14.2013.8.26.0100) e atualmente, procura às duras penas recuperar a sua posição e prestígio no mercado, o qual será impossível de fazer sem o efetivo funcionamento de uma de suas principais unidades. Diante da concreta possibilidade de desocupação de uma das suas principais unidades laboratoriais, é indubitável a existência do periculum in mora e, bem como o fumus boni juris do direito da Apelante, o qual será analisado em sede recursal. Desta forma, visando a reanálise da matéria discutida e a reforma integral da r. Sentença de mérito pelos eméritos Desembargadores deste Egrégio Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, os Apelantes promovem a interposição do presente recurso de Apelação, o qual requer seja recebido nos efeitos devolutivo e suspensivo, nos termos do artigo 1.012, § 3º, do Código de Processo Civil . Diante da urgência decorrente da iminente possibilidade expedição de mandado de despejo , a Apelante requer seja determinada a imediata suspensão dos efeitos da r. Sentença de fls. 112/113, até ulterior julgamento do presente recurso de Apelação . II. BREVE SÍNTESE DA DEMANDA Trata-se de Ação de Despejo Cumulada com Cobrança onde a Apelada aduz que foi celebrado um contrato de locação por escrito junto aos Requeridos, referente ao imóvel situado na , Osasco, Estado de São Paulo, celebrado em 16/05/2014. Alega ainda que o valor atual do aluguel mensal atual é equivalente a , com vencimento para o dia 21 de cada mês. No entanto, afirma que os Apelantes deixaram de adimplir com as obrigações contratuais, uma vez que deixou de efetuar o pagamento dos aluguéis a partir de 2019, bem como os encargos referentes ao IPTU de 2019, devendo assim, até a data da distribuição da presente ação, a quantia de . Em razão da falta de êxito em composição amigável, alega que não restou outra alternativa senão a propositura da presente demanda a fim de receber a suposta quantia devida, bem como a cobrança dos encargos e aluguéis vincendos, sob pena de rescisão contratual e mandado de despejo. Inicialmente, a Apelada distribuiu a presente ação em face do Sr. e do fiador, Sr. Cauê. Contudo, através da emenda à inicial protocolada às fls. 46/47, pugnaram pela substituição do Sr. pela empresa locatária Apelante, requerendo a sua exclusão do polo passivo, a qual foi concedida em sentença de fls. 112/113. Devidamente citados, os Apelantes apresentaram Contestação. Assim, tendo em vista a manifestação das partes o M. Juiz de primeira instância julgou procedente a demanda nos seguintes termos: Diante do exposto, JULGO EXTINTA a ação com relação ao réu Cauê Guedes e Mello, com fundamento no art. 485,VI, do CPC, e PROCEDENTE perante a ré/empresa (art. 487,I, do CPC), por conseguinte, declaro rescindido o contrato de locação, objeto desta demanda, decretando-se o despejo, com conferência do prazo de 15 dias para desocupação voluntária, sob pena de seu cumprimento compulsório. Condeno a vencida ao pagamento do débito locatício formado até a desocupação do imóvel, corrigindo-o pela Tabela Prática do TJ a contar de cada vencimento, incidindo-se também daí a multa e juros contratuais, aquela no percentual de 10%, e estes de 1%a.m.Suporta também a derrotada com o pagamento das custas e despesas processuais, corrigidas do desembolso, mais honorários advocatícios de 20%, calculados sobre o valor do débito. Oportunamente, notifique-se, se necessário. Em que pesem as considerações contidas na r. Sentença, urge- se sua integral reforma, sendo de rigor o conhecimento da improcedência da presente demanda judicial. Por fim, cumpre informar este MM. Juízo que as chavesdo imóvel foram voluntariamente entregues aos Autores/Apelados em 23/07/2020. Assim sendo, é o presente Recurso para que a matéria seja detidamente analisada por este Egrégio Tribunal de Justiça e que a r. Sentença proferida seja reformada nos termos destas razões recursais. III. DAS RAZÕES DE MÉRITO RECURSAIS Apesar do MM. Juízo da 8a Vara Cível do Foro de Osasco na Capital do Estado de São Paulo ter rejeitado os argumentos aduzidos na defesa, tal decisão não pode prevalecer. É imperioso salientar que a empresa Apelante atua no mercado de prestação de serviços médicos profissionais, especificamente no ramo de análises clínicas e diagnósticos por imagem e outas atividades de atenção à saúde humana, estando uma das suas principais unidades instalada no imóvel sito à , Osasco, Estado de São Paulo. Ademais, a empresa Apelante esteve recentemente em Recuperação Judicial (processo nº. 1083052-14.2013.8.26.0100) e atualmente, procura às duras penas recuperar a sua posição e prestígio no mercado, o qual será impossível de fazer sem o efetivo funcionamento de uma de suas principais unidades. É de conhecimento notório que a manutenção da procedência da pretensão aduzida na inicial e consequente desocupação do imóvel de toda uma unidade comercial, macula gravemente os princípios da continuidade da Prestação de Serviços da Área de Saúde e o da Preservação da Empresa, eis que sem a sua unidade principal será impraticável continuar o penoso processo de recuperação financeira. Desta forma, passa-se a discorrer acerca das razões que justificam a integral reforma da r. decisão, pretendida pela Apelante: III.1. DA NECESSIDADE DA CONCESSÃO DOS BENEFÍCIOS DA JUSTIÇA GRATUITA Cumpre informar, novamente, que a Apelante enfrenta dificuldades financeiras e encontrou-se, inclusive, em Recuperação Judicial (encerrada em julho/2019), não possuindo, portanto, condições para suportar o pagamento das custas processuais. Neste sentido, os Tribunais pátrios adotam os seguintes posicionamentos: APELAÇÃO. AÇÃO CAUTELAR DE SUSTAÇÃO DE PROTESTO E AÇÃO DE ANULAÇÃO DE TÍTULO. JUSTIÇA GRATUITA. PESSOA JURÍDICA. EMPRESA EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL. BENEFÍCIO CONCEDIDO. Comprovação da necessidade do benefício da gratuidade judiciária pela agravante. Empresa com dificuldade financeira, que se encontra em fase de recuperação judicial. Impossibilidade de arcar com os ônus processuais. Medida excepcional. Concedido a justiça gratuita. DERAM PROVIMENTO AO APELO. UNÂNIME. (TJRS - AC RS - Décima Oitava Câmara Cível - Relator: Nelson José Gonzaga - Julgamento: 10/11/2011 - Dje 17/11/2011) (Destaques da recorrente). Agravo de instrumento. Recuperação judicial. Suspensão de ação de despejo. Alcance do stay period. Suspensão da ação de despejo. Viabilidade. Tratando-se de estabelecimento de saúde, a ação de despejo somente pode-se dar em hipóteses restritas, nos termos da Lei 8.245/91. Necessidade de atendimento ao princípio da preservação da empresa . Inteligência do art. 47 da LRF. Precedentes. Deferimento do benefício da gratuidade . Pessoa jurídica. Excepcionalidade. Deferimento no caso concreto. Os documentos carreados aos autos têm o condão de comprovar a insuficiência de recursos necessários ao pagamento de custas. Empresa em visível dificuldade financeira . Agravo de instrumento parcialmente provido. Por maioria. (...) Importa ressaltar, inicialmente, não se estar diante unicamente de uma ação de despejo movida em face de uma empresa em recuperação judicial, sendo relevante o fato de se tratar de estabelecimento de saúde, que presta serviços de medicina nuclear e diagnóstico por imagem. Tratando-se de estabelecimento desta natureza, o contrato de locação e, por conseqüência, o despejo só podem se dar em hipóteses restritas, expressamente previstas na Lei n.º 8.245/91 . Tais restrições justificam-se pela natureza da atividade desempenhada, pois evidente o interesse público na continuidade da prestação de serviços da área da saúde . (Ementa e trecho do Acórdão proferido por TJ-RS - AI: RS, Relator: Ney Wiedemann Neto, Data de Julgamento: 23/11/2017, Sexta Câmara Cível, Data de Publicação: Diário da Justiça do dia 29/11/2017) (Grifo nosso). Diante do que consta nos autos, restou cabalmente demonstrado que a Apelante não possui condições de arcar com as vultosas custas recursais e nem, tampouco com o pagamento dos honorários advocatícios fixados na sentença, motivo pelo qual requer que lhe seja deferido o benefício da gratuidade da justiça, com fulcro no artigo 5º, inciso LXXIV da Constituição Federal, que determina assistência jurídica integral e gratuita a todos que declarem insuficiência de recursos, fazendo jus ao benefício, na fora do artigo 98 do Código de Processo Civil: Art. 98. A pessoa natural ou jurídica, brasileira ou estrangeira, com insuficiência de recursos para pagar as custas, as despesas processuais e os honorários advocatícios têm direito à gratuidade da justiça, na forma da lei. (Destaques dos recorrentes). Assistência judiciária. Declaração de ausência de condições de arcar com as custas processuais. Presunção de veracidade . Contratação de advogado particular que não descaracteriza a hipossuficiência financeira. Inexistência de elementos nos autos que elidam a presunção de veracidade . Agravo provido. (TJ-SP - AI: 21037560620148260000 SP 2103756-06.2014.8.26.0000, Relator: Rômolo Russo, Data de Julgamento: 22/07/2014, 11a Câmara de Direito Privado, Data de Publicação: 22/07/2014. (Grifo nosso). JUSTIÇA GRATUITA - INDEFERIMENTO EM RAZÃO DO RECEBIMENTO DE INDENIZAÇÃO SECURITÁRIA - IMPOSSIBILIDADE - TRANSCURSO DE TEMPO SUFICIENTE PARA PRESUMIR A DISSIPAÇÃO DO DINHEIRO - PREVALÊNCIA DA PRESUNÇÃO DE VERACIDADE DA DECLARAÇÃO DE POBREZA AGRAVO PROVIDO (TJ-SP - AI: 20200078620178260000 SP 2020007-86.2017.8.26.0000, Relator: Andrade Neto, Data de Julgamento: 08/03/2017, 30a Câmara de Direito Privado, Data de Publicação: 09/03/2017). (Grifo nosso). Cumpre destacar que, na hipótese em que a concessão dos benefícios da gratuidade processual consiste em um dos méritos do presente recurso, restou pacificado pela Jurisprudência pátria que é desnecessário o recolhimento do preparo no momento da interposição do recurso. Não recolhimento do preparo recursal. Matéria devolvida no recurso adstrita à assistência judiciária gratuita. Concessão da gratuidade exclusivamente para o ato de interposição do recurso. Precedentes do STJ. Mérito. Ausência de novos fundamentos. Manutenção da decisão agravada. 1. A corte especial do STJ no julgamento no Ag no REsp 1.222.355/MG (Rel. Min. Raul Araújo, DJE de 25/11/2015), firmou entendimento no sentido de que "é desnecessário o preparo do recurso cujo mérito discute o próprio direito ao benefício da assistência judiciária gratuita. não há lógica em se exigir que o recorrente primeiro recolha o que afirma não poder pagar para só depois a corte decidir se faz jus ou não ao benefício" 2. Deve ser mantida a conclusão externada na decisão recorrida, quando não evidenciado fundamento novo que a impugne. (TJ- RO - APL: 00106932020158220005 RO 0010693-20.2015.822.0005, Data de Julgamento: 10/04/2019) Por tais motivos, requer sejam-lhe concedidos os benefícios da gratuidade da Justiça, mesmo por consubstanciar-se verdadeira expressão de justiça e caso assim não entenda, que seja deferido prazo para juntadas as custas recursais. Nesse sentido, far-se-á necessária a reforma da r. sentença, vez que sequer foi realizada detalhada apuração dos serviços prestados para que pudesse ser analisado de maneira adequada os valores devidos a título de realização de exames e consequentemente o valor líquido e certo devido ao recorrido. III.2. DA AUSÊNCIA DE DOCUMENTOS INDISPENSÁVEIS Conforme se observa do pleito inicial formulado pela Apelada, a suscitada relação jurídica existente entre as partes depende de uma análise criteriosa de documentos indispensáveis ao desenvolvimento regular da demanda. Nos termos do artigo 373, I, do Código de Processo Civil, compete ao Autor da demanda judicial o ônus da prova quanto ao fato constitutivode seu direito, não sendo admitido meras alegações. Sobre a matéria, valemo-nos das palavras do jurista , ao tecer comentários acerca do artigo supracitado: 12 - Fatos constitutivos do direito do autor São os atos e fatos que dão suporte à pretensão deduzida pelo Autor. Entretanto, o que se verifica nos autos, é que o Apelado, em sua inicial, alega que a Apelante deixou de adimplir a obrigação assumida ( falta de pagamento dos aluguéis, parcelas de IPTU de 2019 e encargos vencidos a partir de /2019) , alegando ser credora, até a data da distribuição da ação, da quantia de . Ocorre que, embora tenha sido juntada planilha de atualização de débito (fls. 07), não consta nos autos nenhum documento que comprove tais alegações . Ao se deparar com situações análogas à presente, a Jurisprudência pátria consolidou o entendimento de que as planilhas constituem documentos tecnicamente apócrifas e não possuem a segurança jurídica necessária para comprovar a alegada inadimplência e que, portanto, a ausência de comprovação do fato constitutivo do direito do autor importa na IMPROCEDÊNCIA da demanda: ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE DESPEJO COM COBRANÇA DOS ALUGUÉIS ATRASADOS. PROVA DA INADIMPLÊNCIA. INEXISTÊNCIA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NÃO DEMONSTRADO PELO AUTOR. DESPROVIMENTO . SENTENÇA MANTIDA. 1.A narrativa lançada na petição inicial possui caráter duvidoso e, depois da audiência em que foi ouvido o autor, os contornos da lide se tornaram ainda mais imprecisos, pois no depoimento pessoal o promovente se mostrou demasiadamente inseguro e vago, não sabendo indicar ao certo os eventos e datas que são importantes para o desfecho da lide. 2.De outro lado, registre-se que as planilhas carreadas aos autos para demonstrar os supostos aluguéis em atraso e as despesas com reforma constituem documentos tecnicamente apócrifos que não possuem a segurança necessária para afirmar se são verídicos ou não. 3. Não há prova concreta e autêntica do alegado inadimplemento, o que implica reconhecer que o autor não se desincumbiu do ônus que lhe competia de provar os fatos constitutivos de seu direito (CPC/1973, art. 333, inciso I - CPC/2015, art. 373, inciso I). Presença física do Juiz próxima aos fatos. 4.Apelação conhecida e não provida. ACÓRDÃO ACORDA a 3a CÂMARA DE DIREITO PÚBLICO DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO CEARÁ, por uma de suas turmas julgadoras, à unanimidade, em conhecer do apelo, mas para negar-lhe provimento, nos termos do voto do relator, parte deste. Fortaleza, 8 de julho de 2019. (TJ-CE - APL: 00012010220088060035 CE 0001201-02.2008.8.06.0035, Relator: ANTÔNIO ABELARDO BENEVIDES MORAES, Data de Julgamento: 08/07/2019, 3a Câmara Direito Público, Data de Publicação: 08/07/2019) (grifo nosso) DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. PROVA DO FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. PAGAMENTO DO IPTU. AÇÃO DE DESPEJO . 1 . Em ação de despejo por falta de pagamento, incumbe ao demandante demonstrar a ausência de pagamento de IPTU , plenamente cabível através de certidões fornecidas pelos órgãos governamentais. 2. Recurso desprovido . (TJ-DF 20160020180259 0019599-94.2016.8.07.0000, Relator: MARIO-ZAM BELMIRO, Data de Julgamento: 24/08/2016, 2a TURMA CÍVEL, Data de Publicação: Publicado no DJE: 29/08/2016 . Pág.: 177/187)) (grifo nosso) Da análise dos documentos juntados pela Apelada, observa-se que apenas foram juntados apenas os seguintes documentos: a minuta do Contrato de Locação celebrado em 2014, uma planilha de débitos unilateralmente produzida pelos credores e uma minuta de Notificação Extrajudicial. Quanto à planilha de débitos apresentada às fls. 07, insta ressaltar que tal documento não constitui meio de prova hábil para fundamentar a pretensão aduzida na inicial e indevidamente confirmada pela r. Sentença ora recorrida, eis que foi unilateralmente produzida pelo credor, eis que absolutamente desacompanhada de qualquer documento que comprove a efetiva existência do débito alegado. Neste sentido: RECURSO INOMINADO. COBRANÇA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE MOTORISTA DE CAMINHÃO. CRÉDITO DO RECORRIDO RECONHECIDO NA SENTENÇA. PEDIDO CONTRAPOSTO JULGADO IMPROCEDENTE. MULTAS DE TRÂNSITO NO PERÍODO EM QUE O CAMINHÃO ERA DIRIGIDO PELO AUTOR/RECORRIDO. RESPONSABILIDADE DESSE PELO PAGAMENTO. NOTA FISCAL SUPOSTAMENTE FALSA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. DESPESAS DE VIAGEM DO AUTOR/RECORRIDO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO SUFICIENTE DE FRAUDE PRATICADA PELO AUTOR AO APRESENTAR TAL NOTA PARA RESSARCIMENTO. PLANILHA DE DÉBITOS DO AUTOR QUE FOI APRESENTADA PELA RÉ/RECORRENTE. DOCUMENTO DE PRODUÇÃO UNILATERAL. INVALIDADE COMO MEIO DE PROVA. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. (Recurso Cível Nº , Turma Recursal Provisória, Turmas Recursais, Relator: Lucas Maltez Kachny, Julgado em 18/07/2016). (TJ-RS - Recurso Cível: RS, Relator: Lucas Maltez Kachny, Data de Julgamento: 18/07/2016, Turma Recursal Provisória, Data de Publicação: Diário da Justiça do dia 21/07/2016) (grifo nosso) Na mesma linha, além dos dados inseridos na planilha, não há nenhum documento que comprove a inadimplência dos encargos locatícios e nem, tampouco, do respectivo IPTU. Assim sendo, a Apelante reitera a impugnação da planilha de cálculos apresentada às fls. 07, por não reunir os requisitos necessários para ser considerado meio de prova hábil. Desta forma, não demonstrado o fato constitutivo do direito dos Apelantes, ônus da prova que lhes é expressamente incumbido pelo artigo 373, I, do Código de Processo Civil, é rigor o reconhecimento da IMPROCEDÊNCIA dos pedidos formulados na inicial e, portanto, a integral reforma da r. Sentença proferida às fls. 112/113. IV. PEDIDOS Diante do exposto e por tudo o que dos autos consta, requerem seja o presente recurso CONHECIDO e PROVIDO para que seja reformada a sentença vergastada, julgando-se totalmente IMPROCEDENTE a ação de Despejo por ser medida de Justiça! Requer ainda, caso seja negado o pedido de justiça gratuita, que lhes seja deferido prazo para juntada das custas recursais. Por fim, reitera o pedido para que todas as publicações sejam realizadas em nome do advogado , , sob pena de nulidade, nos termos do artigo 272, parágrafos segundo e quinto, do Código de Processo Civil. Termos em que pede deferimento. São Paulo, 24 de julho de 2020.