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Título: Uma sátira chamada "Brasil". Como o gênero farsa na telenovela Guerra dos Sexos (1983) faz uma crítica da sociedade brasileira do século 20. INTRODUÇÃO No dia vinte e cinco de outubro de 2012, o autor Silvio de Abreu foi concedido com a comenda da Ordem do Ipiranga, a mais alta honraria que um cidadão paulistano pode receber do estado de São Paulo. E não é para menos, Sílvio de Abreu é autor de novelas como “ Passione, A Próxima vítima e Rainha da sucata “. Todas essas novelas marcaram a história da teledramaturgia brasileira: Passione marcou com a ardilosa vilã Clara, interpretada por Mariana Ximenes, e com viradas na trama que fizeram com que a novela tivesse o maior pico de audiência da década passada, atingindo cinquenta e quatro pontos; A Próxima vítima marcou com um misterioso assassino em série e o seu icônico opala preto; Rainha da sucata marcou ao mostrar a lambada icônica de sua abertura e os inesquecíveis personagens, como Laurinha Figueroa e a famosa Dona Armênia, que tinha o famoso bordão “Quero colocar esse prédio na chon!”. Silvio de Abreu seria a pessoa perfeita para receber esta honraria do estado de São Paulo: teve trabalhos marcantes, inspirou inúmeras pessoas e encantou o país inteiro com as suas histórias. Entretanto, é interessante o fato de que o autor que tenha recebido este honorável prêmio é o mesmo autor que começou a carreira atuando e dirigindo um dos gêneros mais rechaçados pelos críticos de cinema e pela classe alta brasileira: as chanchadas. Em 1953, o poeta e crítico do jornal O Globo, Edmundo Lys, definiu as chanchadas como “Historietas tolas, mal dirigidas e pior interpretadas”; Um dos maiores cineastas do cinema brasileiro, Glauber Rocha, considerava que o gênero era “pornografia a baixo preço” (RCCB, p. 142). O jornalista Clóvis Castro Ramos, do Jornal do Brasil, iniciou, em 1953, a “Campanha contra o abacaxi”, que visava “proteger” o cinema brasileiro dos “filmes ruins”, e a chanchada fazia parte desses “filmes ruins”. Essas críticas só validam o que Silvio de Abreu diz no programa Provocações: “A chanchada era a coisa mais criticada, mais odiada... todo mundo falava mal, ninguém falava bem da chanchada.” Em contraponto à crítica especializada, o público geral decidiu abraçar este gênero carnavalesco e pitoresco, ocasionando, assim, que os filmes do gênero fossem grandes sucessos de bilheteria em solo nacional. Esse sucesso pode ser explicado com uma única frase que Silvio de Abreu também diz no programa Provocações: “Sobrevive o mais popular”. Com tramas leves, atores conhecidos pelo público popular, falas rápidas, mocinhos metidos em enrascadas, vilões passando a perna em outros vilões e o mais importante de tudo, a representação do cotidiano de forma satírica, mas real, a chanchada caiu no gosto dos brasileiros por mostrar-lhes um Brasil carnavalesco, mas ainda assim, popular. É com essas características populares retiradas do seu gênero de origem que o autor formula as suas primeiras e mais famosas novelas: Guerra dos sexos (1983), Sassaricando e Cambalacho. Silvio de Abreu começou timidamente a sua carreira de autor: escreveu primeiro a versão da novela Éramos seis (1970) para a TV Tupi e logo depois partiu para a Globo escrevendo a esquecível Pecado Rasgado. Contudo, isso não foi o suficiente para tirá-lo de cena. Logo após Pecado Rasgado, Silvio escreveu a inesquecível e icônica Guerra dos Sexos (1983), novela essa que logo caiu nas graças do público. Comida jogada na cara, personagens esteriotipados, humor ácido e rápido, acontecimentos mirabolantes… tudo o que pertencia a sua origem como diretor de chanchadas foi impressa em Guerra dos Sexos e em suas tantas outras novelas seguintes, e o resultado não poderia ser mais do que satisfatório. (Pode melhorar) Há um fator, porém, que chama muito mais atenção do que apenas o humor ácido e rápido em Guerra dos Sexos, que, em primeira vista, faz com que a novela tenha uma mão “esteriópatizadora”, mas que, na verdade, é um inteligente artifício que tem muito mais camadas do que aparenta: a farsa. (Pode melhorar) (Nome do capítulo) Antes de tudo, é necessário enfatizar que a novela GUERRA DOS SEXOS (1983) carrega obviamente o gênero farsa bem como surge a farsa desde a abertura da novela, A abertura exibia homens e mulheres realizando diversas modalidades esportivas – ciclismo, basquete, natação, ginástica, corrida, tênis e luta -, inseridos por meio de chromakey em cenários virtuais. Tanto a música quanto as imagens da abertura remetiam a disputa da guerra entre os gêneros, seja romanticamente, na música (“Cheguei pra conquistar o mundo / Você seduz e vai bem fundo”), ou por meio de modalidades esportivas ou nas imagens. Outro aspecto não menos relevante é que o objetivo da farsa é, sem dúvida, alcançar um cômico imediato e espontâneo. A farsa é caracterizada por satirizar as situações da vida cotidiana, através de personagens caricatos e extremamente exagerados. Mas é um gênero teatral cômico que surgiu na Grécia Antiga e atingiu seu apogeu em meados do século XIV quando se espalhou pela Europa. Durante o Renascimento, esse gênero foi classificado como inferior pela elite, devido ao uso descomedido de linguagem rude e pela obscenidade. Nesse sentido, Guel Arraes, importante cineasta e diretor de televisão brasileiro disse numa entrevista para a professora Marijane Vieira Lisboa na Lua Nova: Revista de Cultura e Política (Jun 1985) que a telenovela era vista por todos do elenco e produção como “uma inovação da linguagem de novela, era meio metanovela – gozava a novela inteira dentro da própria novela. Assim: você arma uma cena dramática e logo depois desmancha ela.; o ator dá uma piscada de olho e mostra que aquilo é meio na graça.” Ainda pertencente a essa situação, os gêneros da farsa e da paródia aparecem na esfera de uma obra de ficção sempre marcada pelo aceno às sensações, por meio da “performance” exagerada do cotidiano – tematizando relações amorosas conflitivas que envolvem gostos diferentes e inevitáveis mensagens morais. Em vista disso, no Capítulo 6 da telenovela “Guerra dos Sexos” a personagem Roberta Leone, interpretada pela Glória Menezes, decide assumir a fábrica de confecções Ravello Sport e sofre com o ambiente extremamente machista. Durante a reunião ela sofre preconceito. Os executivos da empresa não queriam que Roberta fosse presidente de jeito nenhum pelo simples fato de ser mulher. Tendo consciência dessa complexidade, a Constituição Federal de 1988 revela que todos são iguais perante a lei e têm direito, sem qualquer distinção, a igual proteção da lei. Todos têm direito a igual proteção contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação. Homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição. Dessa forma, o século XX representa o nascimento social da mulher. (CONTEXTUALIZAR MAIS/ESTÁ UM POUCO SUPERFICIAL…) É interessante ressaltar ainda que há uma cena intrigante no capítulo 8 da obra teledramatúrgica. O personagem Felipe de Alcântara Pereira Barreto, interpretado por Tarcísio Meira, revela que a mulher só serve mesmo para serviço doméstico. Não é pra ficar dando tanto pitaco ou opinião. Claramente reflete a visão machista da época em que o homem é superior à mulher ou que tem papel distinto só pelo fato de ser homem, subjugando a mulher como sendo inferior. (PRECISO IR MAIS ALÉM) A metalinguagem é um artifício bastante usado na teledramaturgia. Seja para julgar ou honrar a própria produção artística, inúmeros autores de novela se arriscam na utilização deste método para criar um jogo entre o produto e o modo como ele é feito. Dentro desse contexto, é preciso refletir sobre a metalinguagem explícita na cena da fulana de tal no capítulo 10. A personagem da Yara Amaral vendo novela e reclamando “ESSA GENTE DA TV É TUDO LOUCO.” (REVER A ESCRITA) [está muito bom] Definitivamente, é precisoexpressar também a presença da comédia dos absurdos na novela. No capítulo 15, o personagem do Paulo Autran, o raivoso Bimbo, diz para o personagem do Tarcísio Meira, o filho adotivo Felipe, depois dele acertar um arco e flecha na governanta do casarão: “Você sabe quanto custa uma boa empregada hoje em dia?”. Sendo assim, é imprescindível retomar as ideias de humor absurdo. Com toda a certeza já aconteceu de o telespectador estar assistindo à sua novelinha e, de repente, se pegar dizendo “isso não faz nenhum sentido”? Sim, afinal, apesar de sabermos que é tudo ficção, queremos que as histórias narradas na TV tenham um mínimo de realismo. No entanto, algumas delas mostram situações tão absurdas e incoerentes que o público não sabe se ri ou se chora. [um gênero dos absurdos. Pode se conectar com a primeira parte] Nesse contexto, o humor, além de diversão e comicidade, tem também papel importante na economia psíquica, como demonstrou Freud. Mas também, nas definições de "nonsense" se encontra que são palavras ou expressões que não têm sentido ou significado, ou são condutas ou ações tolas. Inclusive, também se define o "nonsense" como algo impudente, insubordinado e absurdo. Para o advérbio nonsensically o sinônimo é absurdity. Devido a tais contextos, nota-se que Martín-Barbero define como eixo central do melodrama quatro sentimentos básicos: medo, entusiasmo, dor e riso. Para ele, esses sentimentos correspondem a quatro tipos de sensações personificadas pelos personagens: O Traidor, o Justiceiro, a Vítima e o Bobo que, ao se juntarem, realizaram a mistura de quaro gêneros: romance, epopeia, tragédia e comedia. Essa estrutura nos revela no melodrama uma tal pretensão de intensidade que só pode alcançar à custa da complexidade. (BARBERO, 1987, p. 162). Cabe salientar também o melodrama encenado pelo teatro naquela época tornou-se uma arte massiva, voltada para o povo, um gênero que se apresentará posteriormente no rádio e na televisão. Ao contrário das encenações do teatro da alta nobreza, o melodrama era alvoroço, emoção e gestos corporais. Em resumo, nenhum outro gênero chegou a ser tão popular na América Latina como é o melodrama. Sobre esta popularidade Barbero (2001) enfatiza que o melodrama é o modo de expressão mais aberto à cultura de um povo, ao modo de viver e sentir da nossa gente. A maioria dos enredos no melodrama carrega muito do que somos e do que queremos nos tornar, por isso a essência desse gênero é o reconhecimento. *O primeiro capítulo poderia ser unicamente sobre o gênero farsa. Contudo, precisa-se envolver o gênero com a novela no fim do capítulo. *Por ser um artigo científico, acho que podemos dividir os capítulos da seguinte maneira: · Introdução · Explicação do gênero farsa · Aprofundar a relação anterior; O gênero farsa e os personagens da novela; Como Silvio de Abreu usa o seu contexto histórico para criar os seus personagens “estereotipados” e como cada um deles funcionam para a crítica que Silvio quer fazer (podemos dividir em dois capítulos no qual falamos dos dois gêneros diferentes) · O objetivo de Silvio em usar o gênero farsa + conclusão. Verde: muito bom. Amarelo: realocar. Deixar para os próximos capítulos.