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SISTEMA RESPIRATÓRIO Broncopneumonias: Umas doenças mais impactantes, sobretudo em bezerros, por que as broncopneumonias têm consequências muito mais graves nos ruminantes do que em pequenos animais (carnívoros) e em equinos. Pois está associada a uma questão anatômica, já que não há a ligação interlobular. Se por algum motivo houver fusão daquele bronquíolo, a área que ficar para trás entrará em atelectasia, inflamação, substituição do tecido conjuntivo e perda da função, ou seja, ele irá perder capacidade respiratória. Uma das coisas que determinam a produção é a capacidade respiratória e a digestória. São extremamente importantes as doenças do sistema respiratório. A segunda maior causa de mortalidade em bezerros de leite, sendo 21% no pré-aleitamento e 50% no pós-aleitamento. O grande problema das doenças respiratórias quando a gente fala de animais jovens é que ela vem com doenças concomitantes. Fatores que influenciam um distúrbio respiratório: Uma diarreia favorece o aparecimento de afecções respiratórias, da mesma forma que uma anaplasmose, uma doença parasitária também favorece. Além da baixa imunidade, a diarreia cursa com desidratação e acidose metabólica. A primeira forma de compensação é o aumento da frequência respiratória (taquipnéia) para liberar mais CO2. O muco fica mais viscoso e isso que vai reduzir dos movimentos ciliares e diminuição da imunidade inata. A taquipnéia aumenta a exposição do pulmão. Durante muito tempo usou-se o termo pneumo-enterite dos bezerros, pois normalmente estas estavam associadas. A mesma forma ocorre com Tristeza Parasitária Bovina (TPB) que leva a um quadro de anemia. O animal vai ter menos hemácias circulantes ele compensa a oxigenação com o aumento da frequência respiratória e vai-se ter os mesmos problemas. Então, os grandes problemas das doenças respiratórias é que elas vem uma atrás da outra. O primeiro dia da diarreia acontece em média com 11 dias de vida, doença respiratória com 25 dias e TPB com 28 dias. Há quase uma sobreposição de uma doença com a outra. O início médio é de 13 dias. Animais que tem outras doenças, como acidose lática por falha da goteira esofágica, também podem ter doença respiratória. A incidência da doença até 90 dias: você tem diarreia, complexo doença respiratórias bovinas, complexo TPB e onfalopatias. A diarreia favorece a broncopneumonia. ABRAM O OLHO PODEM OCORRER TODAS JUNTAS! Nenhuma doença ocorre pelo acaso, tem a necessidade de fatores predisponentes. Então, para acontecer tem que ter a presença do agente, mas ele não é um determinante (MESMO COM O AGENTE PODE NÃO TER A DOENÇA). Se a gente fazer um swab nasal, praticamente todas as bactérias que vão causar broncopneumonia vão estar presentes na flora comensal. Então só isso não é determinante, deve-se ter a condição imunológica do hospedeiro. Já que acontece muito em neonatos ou muito jovens devemos pensar também na falha de imunidade passiva como fator determinante. O sistema de defesa respiratório é extremante eficiente. É uma defesa do sistema inato. Tem a ocorrência também de doenças concomitantes, como eu falei no caso de diarreia ou TPB, ele vai sobrecarregar esse sistema inato e a broncopneumonia pode ocorrer. Há algo que vai influenciar diretamente associado ao ambiente: a temperatura. E não só a temperatura muito alta ou muito baixa, mas uma das coisas que a gente vê influenciando diretamente a ocorrência das doenças respiratórias é a amplitude térmica. Dificilmente você vai ver amplitude térmica aqui em Salvador e no Recôncavo, porque aqui tempo o efeito do mar. Quando você está em Góias ou no meio de MG quando vocês pegam uma temperatura de 25~26o até 30o, a noite pode cair para 15o ou 12o. E essa amplitude térmica elevada favorece o aparecimento de doenças respiratórias. Tanto que alguns confinamentos controlam isso (essa mudança de temperatura), como há uma previsibilidade dessa situação eles fazem antibioticoterapia profilática (oxitetraciclina ou enrofloxacina em pó) adicionada ao concentrado para evitar surtos. É uma das medidas mais utilizadas e recomendadas, tanto para animais adultos quando para jovens. Questão de ambiência, associado a umidade. Tempos muito secos, favorecem também distúrbios respiratórios. Ventilação está muito associado a densidade dos bezzereiros. Desmame, um fator estressante que libera cortisol e diminui a atividade neutrofílica. O reagrupamento e ressocialização também vai causar estresse, além da competição natural entre os animais, estabelecimento de hierarquia. A ocorrência das doenças respiratórias não depende somente do agente, mas de uma série de fatores. Fatores do agente/patógeno: Fator de virulência Grau de exposição – Coutinho fez um experimento com manejo de Mannheimia em 2005 em Botucatu, pegou 6 bezerros saudáveis e inoculou cultura de Mannheimia haemolytica na narina. Nenhum animal adoeceu, pois o sistema inato é extremante eficiente. Para ela induzir a doença ela precisou fazer lavado traqueobrônquico e inocular a cultura na traqueia. Ai todos os animais adoeceram e morreram em menos de 12hs. Carga do agente Agentes etiológicos: Bactérias – Agente importantes: Mannheimia haemolytica, Pasteurella multocida, Histophiis somni. Todos esses agentes foram isolados em swabs nasais. A Mannheimia e a Pasteurella certamente são os carros chefes, pois promovem infecções primárias. A maior parte das outras bactérias elas atuam em caráter oportunista e quem normalmente abre a porta são os vírus. Vírus – Vírus sincicial respiratório bovino (VSRB), Vírus tipo 3 da parainfluenza bovina (PI-3), Vírus da diarréia viral bovina (VDVB), Coronavirus Quando você tem problemas respiratórios causados pela VDVB o animal tem outras alterações além do trato superiores (narinas), tem também na torácica (inferiores). O mais importante é o VSRB onde tem uma porta de entrada por uma lesão a nível de pele que favorece uma infecção bacteriana secundária. Dentro dos pequenos ruminantes, ovinos e caprinos, os mais importantes são os retrovírus, como Maedi visna e CAE (artrite encefalite caprina) que podem pode levar a problemas respiratórios. Antigamente a gente só associava a Maedi, mas CAE também pode acomete ovinos e vai ter um caráter muito mais respiratório. O Maedi também pode acometer caprinos. Outros agentes – Mycoplasma Quanto ao hospedeiro: Sistema imune inato das vias aéreas Inespecíficos: Turbulências aéreas: aquelas coanas tem função associada a formação de vórtices de ar (turbilhonamento do ar inspirado) e a intensa vascularização dessas áreas é para aquecer o ar e produzir muco, partículas maiores ficam retidas no turbilhamento. Secreção de muco. Limpeza muco-ciliar: através do epitélio pavimentoso pseudo-estratificado ciliado a nível da traqueia que retiram as partículas com o movimento ciliar as levando em direção a orofaringe para serem deglutidas ou para o escarro. Fagocitose, tosse e espirros. Específicos: Anticorpos (IgA e IgG), imunidade mediada por células, secreções e fagocitose (macrófagos alveolares). Proteção por proteínas sulfactantes Peptídeos antimicrobianos traqueal, peroxidases e lactoferrinas. Fatores que afetam o sistema imune: Situações como estresse, desidratação, edema pulmonar, imunodeficiência afetam diretamente o sistema imune e outras condições sobrecarregam esse sistema, como por exemplo a anemia. Na anemia o animal vai aumentar a frequência respiratória e compromete o sistema imune inato. Inalação de gases. Nada é tão irritante para o sistema respiratório como a inalação de amônia. O odor amoniacal é extremamente irritante e arde as narinas. Excesso de poeira ambiental ou dentro do concentrado. Condições edafoclimáticas: frio ou calor e umidade relativa do ar. O impacto disso no rebanho quando se tem um diagnóstico tardio, utiliza-se antibióticos e outros medicamentos por um período muito prolongado, há uma taxa alta de recidiva, sequelas e principalmente o impacto no crescimento da produção e podendo levar complicações, como abcessos tumorais e otites (principalmente em animais maisjovens). Então você tem um retardo do crescimento, desempenho reprodutivo muito aquém do desejável, redução da produção, redução da longevidade e o animal atua como fonte de infecção para outros. Fatores de riscos: Situações ambientais onde vocês vão precisar enxergar a fazenda e fazer a leitura, onde vocês vão chegar no ambiente onde esses animais vivem e identificar os fatores de risco e o que o proprietário precisa controlar. Isso é importante pois se você pegar bezerros com surto de broncopneumonia, não fizer nada e tratar casos mais precoces com 7 dias de penicilina, os animais vão ter uma taxa alta de cura. Contudo, o problema não foi resolvido pois se teve um surto, teve uma causa. E o próximo lote de bezerros vão adoecer. Ai você acha que vai ser chamado de novo para atender aquela propriedade para aplicar só a penicilina? Então, controle os fatores de risco. A criação de neonato, não vai ter uma ideal! Nessa situação onde você tem uma cobertura/cama é interessante, só que quando a cama fica muito molhada favorece o acúmulo de matéria orgânica, o ambiente favorável para a reprodução dos carrapatos e de helmintos. Então você perde por um lado. Em compensação, que não é a situação aqui do Recôncavo, quando você vê bezerros onde você não consegue nem enxergar os membros dele, ele tá bem acabado, ou seja, ele está em conforto térmico. Por que aqui os bezerros não vão sentir frio, mas em Vitória da Conquista ou Morro do Chapéu que podem chegar em 5o ou 10oC ele vai sentir frio. Ambientes que você não tem uma cobertura vegetal, onde se tem a cama de areia. O animal vai experimentar a cama onde ele está. É igual a criança pequena, tudo ele testa para ver se dá para morder ou comer. Nessas situações, embora você minimize os riscos de carrapatos e helmintoses, pode-se ter um quadro de sablose, o qual o animal vai ingerir certa quantidade de areia. Você tem que dosar para saber o que será melhor. Condições que dificilmente vocês vão ver aqui na Bahia, mas existe: Na foto o Rio Grande do Sul, com gelo, tem casinhas para os bezerros. O piso de areia é funcional, pois facilita a limpeza, porém olhando ao redor não tem sombra. No sol de meio dia as casinhas de zinco com piso de areia esquentam. O ideal é plantar algumas árvores para sombreamento, as cercas ao redor têm plantas (cercas vivas) para impedir o corredor de vento. Na época inverno faz muito frio, o bezerreiro é um pouco mais alto e o vento vem todo canalizado para os bezerros. Situações de confinamento é muito comum ver a poeira suspensa devido ao pisoteamento e isso vai favorecer os problemas respiratórios. Muito seco, começou a chover e antes de chover todo pó é levantado. A alta densidade, promiscuidade entre idades diferentes (bezerros de várias idades misturados). O objetivo de apriscos ou instalações suspensas é para o animal não ter contato com as fezes, mas se você não tira as fezes de baixo do quê adianta? O aprisco deve ser alto o suficiente para a retirada das fezes. Apesar de ser uma instalação extremamente cara, pois madeira não é barata, é uma instalação funcional mas que dificulta e muito a limpeza e desinfecção desse material. Outra coisa, o pior local onde os animais podem se alojar e eles vão se alojar. Onde tem uma condição sanitária pior, eles vão para lá. A mesma coisa quando vocês eram crianças e brincavam de lama, os bezerros vão querer brincar com a água da lavagem de desejos do cural. Um bezerreiro bem projetado, bem manejado, porém tem situações que não tem como controlar e que nesse caso chama-se clima. Esse bezerreiro da UFMG tem um aclive adequado, tem construções interessantes, adequado para o frio, porém choveu torrencialmente durantes 60 dias. O animal vão ter uma debilidade maior e não só de problemas respiratórios. Quando você tem uma situação de falta de sombreamento, o local onde você aglomera vai formar lama e acumular matéria orgânica. Esse sombrite é uma instalação interessantes pois é móvel, mas o que acontece na maioria das fazendas é que eles colocam e deixam no meio da fazenda e o ocorre a na área é lama. Outro ponto fundamental para todas as doenças é a nutrição. A nutrição é extremamente importante, se o animal não estiver bem nutrido, ele não vai ter condições de se recuperar. Então, deve-se ter concentrado, dieta líquida a vontade e água. Um bezerro bebe até os 30 dias de vida cerca de 18 litros por dia se estiver com água a vontade, levando em consideração que o peso dele é em torno 65kg, é muito mais que um ser humano deve consumir por dia. Ao adicionar o concentrado no cocho, as partículas menores ficam no ar e quando o animal está no cocho ele aspira essa “poeira” e sobrecarrega o sistema inato. Uma vaca em estresse calórico fica com a boca aberta e língua para fora, causando uma alcalose respiratória, aumentando a frequência e favorecendo problemas respiratórios. Isso é lá nas montanhas de MG, imagine aqui que é muito mais quente. Só para vocês reverem como o sistema respiratório é extremamente eficiente, foi colocado um marcador em animais normais e foi avaliado o clear pulmonar, a capacidade de limpeza desse pulmão, em 24hs o marcador era zero (não existia mais). No caso um animal que já tinha uma infecção ou predisposição, no caso foi ao Vírus sincicial respiratório bovino (VSRB), a colônia de bactérias cresce, mostrando para vocês que se tiver um fator predisponente, a doença vai ocorrer. Se houver desequilíbrio entre o patógeno, ambiente e imunidade é que vai ocorrer os problemas respiratórios. Tudo isso vai influenciar: O estresse, não por acaso a Pasteurelose também é chamada de Doença dos Transportes. A desidratação, uremia associada a desidratação, anemia, presença de gases irritantes (amônia), poeira e falha de imunidade passiva vão acarretar nesses problemas. Há uma concomitância entre essas doenças: as infecções umbilicais favorecem a septicemia e a diarreia, coccidiose e a TPB também favorecem diversas doenças respiratórias. Como comentamos na desidratação temos uma acidose metabólica e ao menos tempos temos uma redução da pressão parcial de CO2, se você reduz essa pressão parcial significa que você aumentou a frequência respiratória predispondo o animal ter quadros de broncopneumonia. A mesma forma acontecendo com a TPB, nos momentos onde se tem uma anemia maior (hematócrito baixo) e o pH sanguíneo menor (ácido) há o aumento da frequência respiratória reduzindo a pCO2 para compensar (alcalose respiratória). Aumentando a susceptibilidade do animal adquirir uma doença respiratória. DOENÇAS RESPIRATÓRIAS DAS VIAS ANTERIORES: Rinites – virais, bacterianas, parasitárias, alérgicas ou neoplásicas. Sinusites – associadas a descorna ou mochação mal feita. Abcessos faringeanos – associadas a traumas na faringe e colonização bacteriana. Laringite necrótica – iniciada por um quadro de estomatite por Fusobacterium necrophorum que evolui para a necrose da laringe e que causa a difteria dos bezerros ou síndrome do bezerro roncador. Afecções de pulmões e pleuras: Broncopneumonias, pneumonias intersticiais, pneumonias metastáticas, pneumonias verminóticas, pneumonia gangrenosa ou aspirativa A pneumonia aspirativa tem caráter iatrogênico, embora seja extremamente comum o uso de garrafadas que o peão acha que é bom faz para o bezerro. RINITES Conidiobolomicose – Embora tenha algum tempo que gente não diagnostica, é mais comum em ovinos do que em caprinos é causada pela Conidiobolus spp., podendo está associada com vírus e a ptiose. Acontece em forma de surtos. Tem baixa mortalidade, mas a letalidade é próxima dos 100%. Inicialmente, tem aumento de volume nasal (tumefação) com pequenos corrimentos sanguinolentos. Normalmente, já não tem muito o que fazer quando está nesse quadro, pois evolui para uma forma muito grave, podendo causa até exoftalmia. Uma coisa bem interessante é que a lesão não é dolorosa, então no início não há redução de consumo e os casos só chamam atenção do tratador ou do proprietário quando já estão muito graves. Os animais apresentam dificuldaderespiratória, respiração ruidosa, secreção nasal purulenta quando há infecção secundária ou sanguinolenta – sempre vê um filete de sangue –, apatia e com evolução do quadro tem o emagrecimento. Ptiose rinofacial – causada pela oomiceto Pythium insidiosum, é diferencial da conidiobolomicose. Os sinais clínicos são semelhantes a Conidiobolomicose. No caso da ptiose pode se ter aumento de volume rostral da cavidade nasal. É extremamente complicado estabelecer um diagnóstico diferencial entre os dois, normalmente se faz uma coleta e o exame complementar para diferenciar. A evolução dos dois quadros leva a uma destruição do epitélio. Um fator de risco no caso desses surtos por esses fungos é a condição de subpastejo ou pastagem em áreas alagadiças. É o principal fator de risco e a região do Recôncavo tem áreas de brejo e pode ocorrer esses surtos. Mesmo macroscopicamente é difícil de diferenciar. Tratamento: é pouco responsivo, podendo utilizar antifúngico, iodeto de potássio via oral, anfotericina B associado a excisão cirúrgica. Em muitos casos o prognóstico é bem ruim. Dificilmente se consegue tratar um caso precocemente, pois não há dor. Outras alterações: neoplasias. Tanto em bovinos e ovinos, em caprinos não se tem muitos relatos, os animais apresentam dificuldade respiratória. Muito comum em animais mais velhos (como os de reprodução que tem uma vida mais longa devido aos cuidados e o custo do animal). Actinobacilose – é raro em bovinos, mas acontece e leva alterações nos seios nasais. Oestrose ovina – rinite parasitária causada pela fase larval da mosca Oestrus ovis que se localiza no seio nasal dos ovinos. Muitas vezes podem se localizar de forma ectópica, alguns relatos falam em localização cerebral. (Sinais clínicos: movimentação excessiva da cabeça para cima e para baixo, secreção nasal catarral, respiração ruidosa, palidez de mucosas). Diarreia Viral Bovina (DVB) e Febre Catarral Maligna (FCM) – são vírus epiteliotrópicos que afetam boa parte das mucosas. Rinotraqueite infecciosa – causada pelo Herpesvirus tipo 1. As propriedade relatam também problemas reprodutivos. Febre Catarral Maligna – um bovino da raça Limousin veio de uma exposição e 2 ou 3 meses depois desenvolveu o quadro. É causada por vários tipos de Herpesvirus. O interessante é que normalmente o Herpesvirus tipo 2 tem predileção por ovinos e pelo histórico do bovino o único local que ele teve contato com um ovino foi na exposição. É comum na exposição você ver ovelhas parindo nas exposições e o vírus é eliminado pelas secreções vaginais e pelos resíduos do parto (placenta, etc). As coanas ou seios nasais ficam congestos, tem secreção nasal, dispneia e esterto, com epistaxe intensa. SINUSITES Muito associada as descornas cirúrgicas e mochação mal feita. Tratamento é associado a trepanação com incisão de pele, retirada uma parte do fragmento do osso com uma serra circular ou furadeira, drena e lava. É comum em animais com sinusite a presença de catarro. Como o animal não está muito debilitado ele vai continuar limpando as narinas, mas quando você coloca o bezerro em posição pendular ou quando você sacode a cabeça do animal a secreção escorre. Bovino é um animal que limpa as narinas com frequência. Por isso, quando você ver um animal nessa condição: com essa presença de catarro, de secreção, de sujeira ele está com muita depressão. O animal apresenta dor. TRAUMA E ABCESSO FARINGEANO Numa fazenda de Brahman todos os bezerros apresentaram alterações associada a aplicação de vermífugo. Apesar das bordas da pistola de vermifugar serem abauladas, com o uso contínuo vai apresentando bordas vivas e isso pode traumatizar a faringe e gerar a abcessos. Sinais clínicos: regurgitação pelas narinas de conteúdo verde (associado ao alimento), aumento dos linfonodos locais, halitose e hipomotilidade ruminal. Numa fazenda do Ceará que passou por uma seca muito grande de 6 anos, os animais se alimentavam de alimentos muito grosseiros e fibrosos, apesar de terem um escore corporal adequado ele acabou desenvolvendo um trauma faringeano. O animal tinha deglutição dolorosa, cabeça e pescoço estendidos (posição ortopnéica), anorexia, edema e sensibilidade local, tosse e sialorreia. Ai está a importância de fazer um exame físico criterioso. Esse animal foi diagnosticado com possível trauma faringeano, como estava muito edemaciado e a jugular passa próximo, não tive coragem de passar a sonda (?). O animal estava com uma angústia respiratória muito grande, não era só o trauma faringeano. Na auscultação do pulmão só escutava “blub-blub”, como se fossem realmente bolhas. Perguntamos se fizeram um tratamento e negavam, depois que o tratador chefe saiu, o peão disse que tratou ele tratou com garrafada de 2L de suco de limão e teve pneumonia aspirativa. A recomendação é eutanásia, pois o limão causou uma lesão caustica no pulmão. O proprietário tratou com antibiótico já que o animal era caro, 30 dias depois quando parou piorou. O animal foi tratado com anti-inflamatório e antimicrobiano e foi feito drenagem do abcesso guiado com USG. LARINGITE NECRÓTICA Também chamada de Síndrome do Bezerro Roncador, decorrente da estomatite causada por Fusobacterium necrophorum. O tratamento é prolongado com antibiótico e anti-inflamatório e terapia de suporte. O prognóstico é desfavorável. Muitas vezes quando isso evolui acomete o pulmão, pois não há o fechamento adequando da glote e ocorre pneumonia aspirativa. AFECÇÕES DO PULMÃO E PLEURAS As doenças pulmonares mais comuns estão associadas ao complexo de enfermidades respiratórias, onde a gente tem as broncopneumonias, pneumonias enzoótica, mannheimiose pneumônica e tuberculose, além das pneumonias intersticiais, das pneumonias metastáticas – complexo ruminite e abcesso hepático, sendo a mais comum, onde houver dreno, secreção purulenta e trombos lardáceos pode haver pneumonia metastática –, pneumonias verminóticas e pneumonias aspirativas. Ainda há as pleuropneumonites ou pleurites e vai depender do agente, principalmente Pasteurella e Mannheimia onde há um derrame de fibrina tão grande que a pleura também é acometida. PNEUMONIA ENZOÓTICA DO BEZERROS É uma das enfermidades mais comuns, visto que a alta morbidade é de 5-50% e a mortalidade é de 5-30%), mas que o maior problema é associado a perda produtiva. Já que o bezerro neonato com broncopneumonia com extensão da cronicidade vai acontecer perda de tecido pulmonar e o animal nunca vai atingir seu maior potencial e fenótipo. O animal vai ser atingido pela forma aguda ou crônica. Os sinais são clássicos tosses, pescoço estendido, presença de escarro. Os fatores de risco estão principalmente associados a falha de transferência de imunidade passiva (FTPI), cura do umbigo, janela imunológica onde as enfermidades ocorrem nos primeiros dias de vida (entre 3 e 5 dias) onde há redução do colostro materno e a imunidade ativa não está completa. Nessa fase da janela imunológica ainda ocorre as maiores alterações no manejo do bezerro: estresse pela desmama, descorna, as castrações, reagrupamentos, competição, transporte, má nutrição. Além do ambiente com alta densidade, poeira, amplitude térmica ou temperaturas extremas. Os sinais clínicos do quadro agudo são: ✓ Inspeção: Secreção nasal e ocular. ✓ Estado geral: Febre, toxemia, depressão e anorexia. ✓ Sistema cardíaco: Taquicardia. ✓ Sistema respiratório: Crepitação grossa, sibilo, hiperfonese cardíaca (no caso de inflamação pulmonar tem edema, há uma área maior de auscultação cardiaca), à percussão - sub-macicez. Os sinais clínicos do quadro crônico são: ✓ Inspeção: Secreção nasal e ocular mucopurulenta. ✓ Estado geral: Febre moderada, toxemia crônica (refletindo na pele e pelos – opacos e quebradiços). ✓ Sistema cardíaco: Taquicardia. ✓ Sistema respiratório: Tosse crônica produtiva, hiperpnéia, crepitação grossa. Uma das coisas que a gente consegue observar é o tipo de respiração animais que tem problemas respiratórios e com dor, tem a respiração mais abdominal, no campo o pessoal falaque o animal está batendo flanco. Animais com problemas respiratórios por inflamação a nível de brônquios e bronquíolos, eles têm esse reflexo de tosse positiva. Onde realiza-se a pressão na traqueia e se tiver inflamação em traqueia, brônquios e/ou bronquíolos há uma grande possibilidade dele tossir. Cuidado com a força para não machucar a traqueia dos pequenos ruminantes. Os sinais são de apatia, dificuldade respiratória – sendo interessante você classificar em dispneia inspiratória (associado a problemas nas vias aéreas anteriores), expiratória (associada nas pulmonares) ou mista (mais comum)–, animais mais debilitados ficam em ortopnéia, colocam a língua para fora, se isolam dos outros, tem queda na produção, pode ter sibilo (chiados) MANNHEIMIOSE PNEUMÔNICA Causada pela Mannheimia haemolytica A1, causada principalmente por fatores de estresse, como a mudança brusca de temperatura. Antigamente chamada de Pasteurella multocida ou P. haemolytica, possuindo fatores de risco semelhantes, mas depois teve a mudança de nome pois as características da bactéria eram diferentes da Pasteurella. O surto ocorre mais devido as altas amplitudes térmicas do que estresse. Epidemiologicamente acometendo mais em animais jovens do que adultos. A multiplicação nas vias anteriores provoca uma broncopneumonia lobar fibrinosanecrosante. É uma doença grave e aguda, ocorrendo em forma de surto, mata muito rápido. Sinais: sialorreia, pescoço distendido, respiração dificultosa. Mannheiniose e Pasteurelose são as principais doenças de confinamento, tem-se que avaliar sempre e preocupar-se principalmente com medidas profiláticas, porque a situação de estresse vai ocorrer. Pode ocorrer uma confusão com outras doenças, alguns animais podem ter convulsões e é importante não diagnosticar como doença neurológica, pois a morte por dificuldade respiratória (asfixia) é agônica. Como houve morte súbita claro que as neuropatias entram como diferencial, mas o que é determinante é seu exame físico e a necropsia. A Mannheimia haemolytica A1 é um dos agentes respiratórios que tem um dos maiores índices de virulências, sendo uma bactéria que além de liberar LPS e causar a endotoxemia, elas têm leucotoxinas que deprime a resposta imune e apresenta um quadro muito agudo (hiperaguda). O derrame de fibrina é intenso e a broncopneumonia lobar fibrinosanecrosante acontece em horas. Pequenos ruminantes tem todo o pulmão recoberto por fibrina, a Mannheimia pode causar ainda uma pleuropneumonia devido sua patogenicidade e grau de virulência. PASTEURELOSE Acomete animais adultos com os sinais clínicos semelhantes a Mannheimia, a diferença está no surto com baixa mortalidade. Animais em ortopnéia, sialorreia, língua para fora, presença de escarro, com muita dificuldade respiratória e ronco. A mannheimiose pneumônica é hiperaguda e a pasteurelose é aguda ou subagudo (3 a 4 dias se não for tratada). A diferença está no edema evidente com espuma na traqueia parecido com clara em neve na Pasteurelose. Uma das formas de identificar o animal tem proteinúria na Pasteurelose é observar a coloração da urina, quanto mais escura ela estiver, maior o grau de proteinúria. Diagnóstico é pelo hemograma e determinação do agente, viral ou bacteriano. Nos casos de infecção viral o hemograma vai demostrar leucopenia e na bacteriana, normalmente se tem leucocitose ou inversão do padrão de linfocítico para neutrofílico. Bovino responde muito mais com padrão de inversão (neutrofilia) do que com leucocitose. No bioquímico pede-se a determinação de fibrinogênio que é a proteína de fase aguda mais barata para ser avaliada e mais sensível em ruminantes, sobretudo bovinos. As secreções respiratórias podem ser coletadas por swabs ou lavados para avaliar a celularidade ou para determinar o agente. Mas normalmente isso acaba não sendo feito, porque tem efeitos fracos. A campo você tem que resolver a situação (é agudo/subagudo) e poucas as vezes se tem tempo para fazer isso, é muito mais em área de pesquisa e experimentação. Em caso de efusão pleural pode ser recomendada a toracocentese, isso é mais comum em equinos. As radiografias ou as ultrassonografias para fechar o diagnóstico, lembrando que há uma limitação do aparelho para visualizar essa área. Realização de necropsia, sorologia para as virais (surtos em animais jovens deve-se pensar em RIB e DVB) e exame de fezes para diferenciar de pneumonia verminóticas (técnica de Baermann – Dictyocaulus viviparus). O tratamento é com antimicrobianos de amplo espectro, a depender do protocolo que se utilize prolonga-se ou reduz o tempo de tratamento. De modo geral, as bactérias que estão acometendo o trato respiratório são aeróbicas e gram-positivas, por isso usa-se betalactâmicos e penicilinas. O problema da penicilina é que seu uso deve ser mais prolongado, cerca de 10 dias. O uso de anti-inflamatórios vai depender do agente, por exemplo agente que levam a produção de edema muito grandes recomenda-se anti-inflamatórios esteroidais, corticoídes, para reduzir o edema bloqueando os leucotrienos que ocasionam o derrame cavitário. Usa-se dose alta e única! O corticoide acaba sendo prejudicial com relação a quimiotaxia e atividade neutrofílica quando é dado em animais hipovolêmicos. Quando se tem sinais de muita fibrose/fibrina tem que modular a resposta inflamatória constitutiva, a via das prostaglandinas, bloquear as ciclooxigenases (COX-1 e 2). Utilização de mucolíticos – lisa as proteínas do muco, tornando-o mais fluido –, deve-se ter cuidado pois inibe a movimentação do rúmen, dependendo do que você utilizar. Os broncodilatadores relaxam a musculatura lisa do brônquios e causam dilatação. A fluidoterapia é extremamente necessária para animais desidratados, pois estes não possuem o sistema muco ciliar inato adequado e oxigenoterapia, um caso que ocorre nas áreas hospitalares. BRONCOPNEUMONIA VERMINÓTICA Os casos de broncopneumonia verminótica estão associados a pastagens luxuriantes, no início das chuvas, onde estão mais vistosas e verdes e se tiver histórico deve-se fazer vermifugação dos animais. Até a descoberta do levamisole a broncopneumonia verminótica era um problema muito grande. Em algumas regiões do país, ela chegou a dizimar o rebanho, já que os oxibendazoles não pegavam. O Dictyocaulus viviparus que é mais comum em bovinos, causa uma oclusão a nível de traqueia e brônquios provocando uma inflamação. Nesses casos, como tem uma estenose é comum auscultar sibilos. O histórico principal associado a isso é a mudança para o pasto sem vermifugação, com perda de apetite, queda de produção e em casos raros alguns expectoram as larvas com a tosse. O diagnóstico é realizado através do exame de fezes pela técnica de Baermann e visualização das larvas L1 na lâmina e lamínula. Técnica de Baermann: coloca uma amostra de fezes numa gaze e a coloca em contato com o recipiente com água morna. As larvas migram em 1 ou 2 horas, pipeta-se a sedimentação e coloca na lâmina. MAEDI-VISNA Causa uma broncopneumonia progressiva/crônica nos ovinos. Os históricos estão associados a artrite em caprinos e ovinos e tem tendência de emagrecimento. Não há um tratamento efetivo, só paliativo. Então, recomenda-se uma eliminação do rebanho, pois atuam como fonte de infecção. COMPLEXO RUMINTE ABSCESSO HEPÁTICO Um problema associado ao SARA (Acidose Ruminal Crônica Latente) com evolução para abscessos pulmonares metastáticos, oriundos de uma laminite-abcesso hepático e broncopneumonia, podendo levar a síndrome da veia cava caudal. O abcesso no pulmão pode romper, levando a síndrome e morte aguda. “Num caso de paraqueratose com exposição de membrana basal do rúmen ocorre a contaminação por bactérias que ganham a circulação porta (sistema enterro-hepático) e podem gerar abcessos hepáticos (...) e laminite. (...) Eventualmente, um trombo oriundo do fígado ganha a circulação e pequena circulação e chega ao pulmão, podendo colonizar, formar abcesso e se romper pode levar a síndrome da veia cava caudal (sepse e obstrução do fluxo). Onde o animaltem epistaxe e muitas vezes vem a óbito por extravasamento pulmonar.” TUBERCULOSE BOVINA Causada por Mycobacterium bovis, embora em 2001 no Congresso Mundial da Tuberculose no RJ o orientador do professor fez uma pergunta ao palestrante: “Qual é a importância zoonótica do Mycobacterium bovis na tuberculose humana?”, a resposta do médico foi: “Muito baixa ou nenhuma. Porque no Brasil não se tem o costume de tomar leite in natura.” e a minha pergunta imediata: “Em que país é isso?”. Quem tem fazenda ou é de interior aqui, quantas vezes já não foi lá com a caneca pegar o leite com espuma e já toma? Muito cuidado com isso. Hoje a gente sabe que cerca de 10 a 15% dos casos de tuberculose humana ocorrem por causa do M. bovis e esses dados são subestimados. O meio de cultura da bactéria é específico e demora de crescer, então normalmente não é feito na rotina. Temos uma situação complicada pois trata-se de uma zoonose, uma doença tísica pulmonar (causa ulcerações no pulmão) que mais mata no mundo e que até 2050 estima-se que matará cerca de 50 milhões de pessoas. Em países do submundo isso é ainda pior. Alguns países erradicaram na década de 50, como Dinamarca e Alemanha, e outros só não conseguem controlar devido ao ciclo silvestre, como EUA e Reino Unido. Contudo, no Brasil vaca com tuberculose no Sudeste vem para o nordeste produzir leite. O grande problema da tuberculose hoje em dia é devido as suas vias de transmissão: aérea e digestória. No caso da aérea, o animal vai desenvolver todos os problemas respiratórios: tosse, escarro purulento, há um emagrecimento crônico. O tratamento com antibiótico é pouco efetivo. No caso da digestório o animal ingere o escarro, o que não é difícil de acontecer já que as vacas comem no cocho coletivo. Ela comendo há uma grande chance de tossir e o escarro com esporos cai sobre o alimento. Ingerindo essa secreção, os esporos vão ser absorvidos, ganham a grande circulação e onde o sangue levar pode causar uma tuberculose miliar (parece uns carocinhos). Se for para glândula mamária, o animal vai ter uma mastite tuberculosa e só nesse caso as vacas vão eliminar o Mycobacterium bovis (bactéria). Essas vacas têm quadro de mastite crônica, não sara de gente nenhum e é muito semelhante ao Staphylococcus aureus. Então o animal está doente, mas não apresenta sinais clínicos, mas o CCS está baixo, ai tem infecção por E. coli forma microabcesso e o CCS aumenta. E o que é feito com o leite de descarte no Brasil? Vai para os bezerros que vão desenvolver tuberculose. Em algumas situações esse leite vai para o consumo, vendido em garrafas pets no comércio que não se tem controle. Embora na capital seja algo surreal, em Feira de Santana ocorre. É uma doença em que a vaca tem emagrecimento progressivo, tosse, trata e melhora, trata e melhora... Parou a medicação ela vai melhorar. Em outras situações, que são extremamente complicadas, você atende o animal com um problema qualquer não associado a tuberculose ou a problemas respiratórios, uma vaca como uma acidose ruminal foi para o Hospital, foi tratada, mas com tosse muito frequente. Decidiu-se pelo teste da tuberculina e deu positivo. Então era uma vaca que produzia 300kg de leite e que tinha que ser eliminada do rebanho. Na necropsia tinha abcessos na pleura, interlobulares e linfonodos mediastinos. Na cultura deu positiva.