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A disciplina do amor Lygia Fagundes Telles. Foi na França, durante a segunda grande guerra. Um jovem tinha um cachorro que todos os dias, pontualmente, ia esperá-lo voltar do trabalho. Postava-se na esquina, um pouco antes das seis da tarde. Assim que via o dono, ia correndo ao seu encontro e, na maior alegria, acompanhava-o com seu passinho saltitante de volta à casa. A vila inteira já conhecia o cachorro e as pessoas que passavam faziam-lhe festinhas e ele correspondia, chegava a correr todo animado atrás dos mais íntimos para logo voltar atento ao seu posto e ali ficar sentado até o momento em que seu dono apontava lá longe. Mas eu avisei que o tempo era de guerra, o jovem foi convocado. Pensa que o cachorro deixou de esperálo? Continuou a ir diariamente até a esquina, fixo o olhar ansioso naquele único ponto, a orelha em pé, atenta ao menor ruído que pudesse indicar a presença do dono bem-amado. Assim que anoitecia, ele voltava para casa e levava a sua vida normal de cachorro até chegar o dia seguinte. Então, disciplinadamente, como se tivesse um relógio preso à pata, voltava ao seu posto de espera. O jovem morreu num bombardeio, mas no pequeno coração do cachorro não morreu a esperança. Quiseram prendê-lo, distraí-lo. Tudo em vão. Quando ia chegando àquela hora, ele disparava para o compromisso assumido, todos os dias. Todos os dias. Com o passar dos anos (a memória dos homens!) as pessoas foram se esquecendo do jovem soldado que não voltou. Casou-se a noiva com um primo. Os familiares voltaram-se para outros familiares. Os amigos, para outros amigos. Só o cachorro já velhíssimo (era jovem quando o jovem partiu) continuou a esperá-lo na sua esquina. As pessoas estranhavam, “mas quem esse cachorro está esperando?”. Uma tarde (era inverno) ele lá ficou, o focinho sempre voltado para “aquela” direção. Responda as atividades de estudo do texto em seu caderno. 1. Qual é a finalidade do texto? 2. Qual é o personagem principal do texto? Fale sobre ele. 3. No 3º parágrafo, o narrador pergunta: “Pensa que o cachorro deixou de esperá-lo?” Para quem ele dirige essa pergunta? 4. No trecho “Então, disciplinadamente, como se tivesse um relógio preso à pata...” significa que: (A) o cachorro, cada dia, esperava seu dono em um horário diferente; por isso, ficou esperando por muito tempo. (B) o cachorro sempre esperava seu dono no mesmo horário. (C) o cachorro tinha um relógio preso ao corpo para esperar o dono sempre no mesmo horário. (D) como as pessoas da vila conheciam o cachorro, faziam-lhe festinhas sempre no mesmo horário, para que ele soubesse a hora de esperar pelo dono. 5. Sabemos que o narrador é aquele que descreve os acontecimentos. Qual o tipo de narrador desse conto? 6. Responda: a) a história de quem será narrada? b) onde e quando essa história acontece? 7. Leia atenciosamente o trecho abaixo e responda às questões: “Só o cachorro já velhíssimo (era jovem quando o jovem partiu) continuou a esperá-lo na sua esquina. As pessoas estranhavam, mas quem esse cachorro está esperando?…uma tarde (era inverno) ele lá ficou, o focinho voltado para aquela direção.” a) Que palavras ou expressões nos mostra que já havia se passado muito tempo? b) Por que as pessoas estranhavam a espera incessante do cachorro? c) O que aconteceu com o cachorro? Retire o trecho que comprove sua resposta. 8. Há uma pequena passagem em que a narradora dialoga com o leitor. Localize-a. 9. Na sua opinião, por que o cão esperou pelo seu dono até a morte? 10. Por que os parentes e amigos se esqueceram do soldado e só o seu cão não o esqueceu? 11. Conte o que aconteceu depois que o jovem soldado morreu. O caboclo, o padre e o estudante Um estudante e um padre viajavam pelo interior, tendo como guia um caboclo. Deram a eles, numa casa, um pequeno queijo de cabra. Não sabendo como dividir, pois que o queijo era pequeno mesmo, o padre resolveu que todos dormissem e o queijo seria daquele que tivesse, durante a noite, o sonho mais bonito (pensando, claro, em engambelar os outros dois com seu oratório). Todos aceitaram e foram dormir. À noite, o caboclo acordou, foi ao queijo e o comeu. Pela manhã, os três sentaram à mesa para tomar café e cada qual teve que contar seu sonho. O padre disse que sonhou com a escada de Jacó e descreveu lindamente. Por ela, ele subia triunfalmente para o céu. O estudante então contou que sonhara já estar no céu esperando o padre que subia. O caboclo riu e contou: - Sonhei que via seu padre subindo a escada e seu doutor lá no céu, rodeado de amigos. Eu fiquei na terra e gritei: - Seu doutor, seu padre, o queijo! – Vosmicês esqueceram o queijo! Então vosmicês responderam de longe, do céu: - Come o queijo, caboclo! - Come o queijo, caboclo! Nós estamos no céu, não queremos queijo. - O sonho foi tão forte que eu pensei que era verdade, levantei enquanto vocês dormiam e comi o queijo… Responda as atividades de estudo do texto em seu caderno. 1. Segundo o texto lido, explique o que é o conto de humor. 2. Marque a alternativa correta sobre contos de humor. (A) Contos de humor são piadas! (B) Não são narrativas engraçadas. (C) Nele o humor é leve e refinado! (D) Todas as alternativas estão corretas. 3. Cite a estrutura tradicional do conto. 4. Marque (V) ou (F) para as alternativas falsas ou verdadeiras sobre as explicações dos sonhos de cada um: (A) O padre disse que sonhou com a escada de Jacó e descreveu lindamente. Por ela, ele subia triunfalmente para o céu. (B) O estudante então contou que sonhara já estar no céu esperando o padre que subia. (C) O caboclo contou que viu o padre e o estudante no céu e os dois mandavam ele comer o queijo. Então ele comeu pensando que o sonho era real. (D) Nenhum deles conseguiu comer o queijo. 5. Quem você considera o mais esperto dos personagens? Por quê? 6. Sobre o gênero textual conto de humor: I- É uma narrativa breve escrita em prosa. II- Possui os mesmos elementos de um romance ou uma novela - enredo, personagem, tempo e espaço, é mais curto e apresenta ideias concisas e precisão narrativa. III- Os contos de humor, especificamente, utilizam as características do que é considerado divertido e cômico para a estruturação de sua narrativa. IV- Estes tipos de contos constroem o humor por meio de mecanismos linguísticos, figuras de linguagem, quebra de expectativa e conhecimentos de mundo que são mobilizados na interação entre autor, texto e leitor. Marque a alternativa correta: (A) Somente a alternativa I está correta. (B) Somente as alternativas I e II estão corretas. (C) Todas as alternativas estão corretas. (D) Nenhuma alternativa está correta. 7. Você concorda com a atitude do padre tentando “engambelar” o estudante e o caboclo? Justifique. A Bela Adormecida Charles Perrault Era uma vez um rei e uma rainha. Dia após dia, eles diziam um para o outro: “Oh, se pelo menos pudéssemos ter um filho!” Mas nada acontecia. Um dia, quando a rainha tomava banho, uma rã saiu da água, rastejou para a borda e disse: “Seu desejo será realizado. Antes que se passe um ano, dará à luz a uma filha”. A previsão da rã se realizoue a rainha deu à luz a uma menina muito bonita. Para comemorar, o rei fez um grande banquete e chamou muitos convidados. Vieram treze feiticeiras do reino, mas, como só havia doze pratos de ouro, uma feiticeira ficou de fora. Vingativa, a feiticeira que foi deixada de lado decidiu se vingar e praguejou: - Quando a filha do rei fizer quinze anos, espetará o dedo numa agulha e cairá morta! Uma das feiticeiras que ouviu a maldição, no entanto, foi a tempo de abrandá-la e disse: - A filha do rei não morrerá, cairá num sono profundo que durará cem anos. O rei, tentando proteger a filha, fez desaparecer todas as agulhas do reino, apenas uma restou. Conforme previsto, um belo dia, aos quinze anos, a princesa espetou o dedo na agulha que restava e caiu em sono profundo. Muitos anos se passaram e uma série de príncipes tentaram resgatar a princesa do sono profundo sem sucesso. Até que um dia, um corajoso príncipe, motivado a reverter o feitiço, foi ao encontro da bela princesa. Quando finalmente conseguiu entrar no quarto onde a princesa dormia, curvou-se e beijou-a. Justo nessa ocasião, o prazo de cem anos havia se esgotado, tendo ele sido enfim bem-sucedido. Foi dessa forma que a princesa despertou. O casamento dos dois foi celebrado com muita pompa e os dois apaixonados viveram felizes para sempre. Responda as atividades de estudo do texto em seu caderno. 1. As histórias dos contos e fadas costumam trazer reflexões sobre valores e questões sociais, ou seja, características de uma sociedade quanto a comportamentos aceitáveis ou não, aquilo que se considera certo ou errado e problemas e desafios enfrentados pelas pessoas. Quais são as reflexões possíveis a partir do conto da Bela Adormecida? 2. Na sua visão, existe algum problema no beijo que o príncipe deu na princesa adormecida? Justifique sua resposta. 3. Existem elementos mágicos no conto lido? Se sim, quais são eles? 4. Quem é o autor do conto e para quem ele foi escrito? 5. Quais são os personagens do conto? 6. Onde a história se passa? Como você chegou a essa conclusão? 7. Que tipo de narrador está presente no conto lido? 8. Qual é o conflito do conto? 9. Qual é o clímax do conto e o desfecho do conto? 10. Qual(is) é(são) o(s) tipo(s) de discurso presente(s) no conto? 11. Substitua os termos dos espaços indicados por outros que mantenham o texto com o mesmo sentido: _______________________ um rei e uma rainha. _______________________, eles diziam um para o outro: “Oh, se pelo menos pudéssemos ter um filho!” _______________________ nada acontecia. _______________________, _______________________, uma rã saiu da água, rastejou para a borda e disse: “Seu desejo será realizado. _______________________, dará à luz a uma filha”. A previsão da rã se realizou _______________________ a rainha deu à luz a uma menina muito bonita. 12. Ao longo da leitura do conto de fadas, percebemos que a história progride, ou seja, o tempo passa e os eventos e ações dos personagens são encadeados entre si. Leia o trecho abaixo: Era uma vez um rei e uma rainha. Dia após dia , eles diziam um para o outro: “Oh, se pelo menos pudéssemos ter um filho!” Mas nada acontecia. Um dia , quando a rainha tomava banho, uma rã saiu da água, rastejou para a borda e disse: “Seu desejo será realizado. Antes que se passe um ano , dará à luz a uma filha”. A previsão da rã se realizou e a rainha deu à luz a uma menina muito bonita. Qual a função do termos destacados em negrito? Explique o sentido que cada um deles atribui à construção do texto.