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ÉTICA E CIDADANIA 
AULA 4 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof.ª Ana Carolina Bustamante 
CONVERSA INICIAL 
 
 
2 
Nesta aula, entraremos no universo do direito. Iremos inicialmente 
conceituar o termo e apresentar sua história. 
Você sabia que temos três poderes estudados no direito? Legislativo, 
Executivo e Judiciário. Tenho certeza de que já ouviu falar, por exemplo, em 
empresa privada e empresa pública. No Direito, também temos essa divisão: 
direito público e direito privado. Vamos entender o que são e quais direitos fazem 
parte de cada um deles, ou seja, quais direitos pertencem ao direito público e 
quais são do direito privado. 
Além disso, você conhecerá as pessoas jurídicas do direito e finalizamos 
com o empresário. 
TOP – DIREITO 
Direito é uma palavra que reúne vários significados, mas vamos 
conceituá-lo como um conjunto de normas, regras e princípios que orientam 
preventivamente e punitivamente os indivíduos que vivem em sociedade. Dessa 
forma, o Direito indica os direitos e os deveres dos sujeitos. 
Neste momento, é importante destacar a afirmação do renomado autor 
Bandeira de Mello (2011, p. 27): 
O Direito é um conjunto de normas – princípios e regras -, dotadas de 
coercibilidade, que disciplina a vida social. Conquanto uno, o direito se 
bifurca em dois grandes ramos, submetidos a técnicas jurídicas 
distintas: o Direito Público e o Direito Privado. Este último se ocupa dos 
interesses privados, regulando relações entre particulares. É então, 
governado pela autonomia da vontade, de tal sorte que nele vige o 
princípio fundamental de que as partes elegem as finalidades que 
desejam alcançar, prepõem-se (ou não) a isto conforme desejem e 
servem-se para tanto dos meios que elejam ao seu alvedrio, contanto 
que tais finalidades ou meios não sejam proibidos pelo Direito. 
Inversamente, o Direito Público se ocupa de interesses da Sociedade 
como um todo, interesses públicos cujo atendimento não é problema 
pessoal de quem os esteja a curar, mas um dever jurídico inescusável. 
Assim não há espaço para a autonomia da vontade, que é substituída 
pela ideia de função, de dever de atendimento do interesse público. 
Podemos dizer que o Direito é um dos agentes que contribuem 
significativamente para a estabilidade social, pois regula e orienta as atividades 
do cotidiano dos indivíduos. Acima das condutas dos indivíduos está o Direito e, 
consequentemente, o Estado que intervém, direta e/ou indiretamente, na vida 
dos sujeitos, seja nas questões que envolvem o Direito Público ou o Direito 
Privado (tema que trataremos mais à frente). 
1.1 História do direito 
 
 
3 
A Idade Medieval pode ser considerada como uma fase na qual surgem 
grandes questionamentos com relação ao Direito. Por isso, esse período é 
considerado de grande valia para a construção do direito moderno. Para Grossi 
(1996), o Direito medieval alimenta uma infinidade de ordenações nas quais a 
lei, antes mesmo de ser norma, é ordem social espontânea, que vem de uma 
sociedade que tutela os litígios cotidianos e constrói sua própria autonomia. 
O Direito medieval é fundamentado na descentralização política, na 
disputa de poder entre grupos distintos e no relativismo. Toda essa 
descentralização ocorre em função da expansão do território do Império Romano 
que, diante de sua vasta extensão territorial, precisou flexibilizar sua governança 
centralizada. 
Nesse período medieval, a agricultura se estrutura de forma presente, 
ganhando força e aumentando a produtividade, o que leva a um aumento 
demográfico contínuo. A estrutura social formatada em feudos é regida pelo 
Poder Eclesiástico, legitimando assim as monarquias que se instauram pela 
Europa. O cenário que se instaura, em especial na perspectiva jurídica, é de uma 
sociedade com um alto nível de desigualdade, com liberdades restritas (aqueles 
que não fizessem parte do clero ou da nobreza serviam a estes), com bases 
jurídicas em um Direito eclesiástico, o que acarretava em uma alta insegurança 
jurídica. O Direito eclesiástico era baseado na doutrina cristã católica, sendo a 
Igreja responsável pela edição de doutrinas que avançavam no campo jurídico. 
No século XVIII, ocorreu a Revolução Francesa que propôs a divisão do 
Poder em Poder Executivo, Poder Legislativo e Poder Judiciário. Essa divisão foi 
importante, pois configurou toda a nova fase histórica que desenvolveu a Idade 
Moderna. A partir de então, não se permite mais a confusão entre esses mesmos 
poderes em uma única figura. A Revolução Francesa também defende os 
valores da liberdade e igualdade, que são incorporados no sistema jurídico como 
princípios e normas. 
A Revolução Americana, que aconteceu no mesmo século, inicia o regime 
de governo republicano, além de apresentar a primeira declaração reivindicatória 
dos direitos individuais, com a Declaração de Independência Americana, que 
defende a legitimidade de sua revolução contra os poderes britânicos. 
Ao analisar o contexto histórico do direito, é possível perceber que a vida 
em sociedade contribuiu para a criação de normas que orientem a conduta dos 
sujeitos, sob pena de contribuir para a desordem social e causar insegurança 
 
 
4 
jurídica nos indivíduos. A lógica é que, embora as pessoas tenham sua liberdade 
individual, elas devem observar regras mínimas de convivência para não ferir os 
direitos dos outros. 
Nesse sentido, pode-se afirmar que em qualquer nível da vida em 
sociedade as regras são necessárias para colaborar com a segurança jurídica, 
protegendo os direitos individuais e coletivos dos sujeitos. Destaca-se que as 
normas que orientam a conduta das pessoas em qualquer agrupamento humano 
podem ser impostas pelo direito, pela moral, pelos costumes etc. 
É importante destacar que nos valemos do direito constantemente, pois a 
sociedade está em evolução e, muitas vezes, as normas não acompanham as 
mudanças sociais. O direito é uma ciência importantíssima e essencial para o 
crescimento da sociedade, uma vez que regula os direitos e deveres dos 
cidadãos, promovendo a convivência em uma sociedade mais harmônica. 
1.2 Os três poderes 
Os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário são independentes e 
harmônicos entre si. 
O Poder Legislativo é incumbido de fazer as normas: ele cria, edita ou 
revoga as leis, e sua função repercute diretamente no ato de legislar e fiscalizar 
a atividade estatal. Ele também tem autonomia para exercer alguns controles, 
como o político-administrativo e o financeiro-orçamentário, por meio de leis que 
regulamentem as atividades e tarefas de órgãos do Estado, ou ainda com a 
edição de leis tributárias, aumentando a receita do Estado e exercendo uma 
influência direta no consumo ou comercialização de um produto. 
O Poder Executivo é exercido pelo presidente da República e pelos 
ministros, que são indicados. Ao Poder Executivo incumbem os atos de chefia 
de Estado. Destaca-se que, em casos específicos, o Poder Executivo pode 
assumir a incumbência do Poder Legislativo. 
O Poder Judiciário tem a função jurisdicional, que consiste na aplicação 
da lei a casos concretos. Ele pode assumir atribuições atípicas de natureza 
administrativa e legislativa. 
O art. 2° da Constituição Federal do Brasil dispõe que são poderes da 
União independentes e harmônicos entre si o Executivo, o Legislativo e o 
Judiciário (Brasil, 1988). O objetivo da separação dos poderes do Estado é dividir 
o poder do Estado de forma harmoniosa e igualitária. Para isso, é preciso que a 
 
 
5 
atribuição de cada poder seja respeitada. Essa separação serve como forma de 
proteção dos cidadãos e do Estado contra regimes absolutistas, evitando que 
todo o poder do Estado seja entregue a um único indivíduo. 
ROLÊ 1 – DIREITO PÚBLICO E DIREITO PRIVADO 
A divisão entre direito público e privado vem dos romanos. O direito 
público era aquele que tratava do interesse do Estados, já o direito privado 
cuidavado interesse de cada um, interesse particular. 
De acordo com Bertioli (1999), no direito público temos os seguintes 
direitos: 
• Constitucional: é o ramo do direito público que dispõe sobre a 
organização do Estado, a função de seus órgãos e os direitos 
fundamentais do indivíduo; 
• Administrativo: ramo do direito público que dispõe sobre a realização 
de serviços públicos destinados à satisfação das necessidades 
coletivas fundamentais; 
• Processual: ramo do direito público que reúne os princípios e regras 
pelos quais se obtém e se realiza a prestação jurisdicional do Estado 
na solução dos conflitos de interesses entre particulares ou entre estes 
e o próprio Estado; 
• Penal: ramo do direito público que define os crimes, estabelece as 
penalidades correspondentes ou medidas de segurança, de maneira 
precisa e prévia; 
• Do trabalho: ramo do direito público que disciplina as relações de 
trabalho subordinado ou a este equivalente, bem como determina seus 
sujeitos e as organizações destinadas à sua proteção; 
• Financeiro: Tem por objeto toda a atividade do Estado quanto à forma 
de realização da receita e despesa necessárias à execução de seus 
fins. Disciplina a receita e a despesa pública; 
• Tributário: tem como objeto o campo das receitas de caráter 
compulsório, disciplinando a imposição, fiscalização e arrecadação de 
impostos, taxas e contribuições; 
• Eleitoral: Estabelece os critérios e condições para o eleitor votar, para 
alguém se candidatar, bem como o número de candidatos a serem 
eleitos, as datas das eleições, as formas de apuração, as bases para 
a criação e o funcionamento dos partidos políticos etc.; 
• Consumidor: Esse ramo novo do direito, tendo como seu principal 
instrumento o Código de Defesa do Consumidor (Lei n. 8.078/90), 
regula as relações potenciais ou efetivas entre consumidores e 
fornecedores de produtos e serviços (excluídas as prestações de 
serviço de natureza trabalhista). 
Já o direito privado possui os seguintes direitos incluídos: 
• Civil: o conjunto de normas que disciplina os interesses fundamentais do 
homem, pela simples condição de ser humano; 
• Comercial: o ramo do direito privado que regula a atividade econômica 
habitualmente destinada à circulação das riquezas, mediante bens de 
serviços, inclusive o ato de comércio. 
 
 
6 
ROLÊ 2 – PESSOA JURÍDICA DO DIREITO 
No direito temos a seguinte divisão do sujeito de direito: a pessoa física, 
que é aquele que possui direitos e obrigações civis, e a pessoa jurídica, que é 
formada por uma ou mais pessoas e que também possui direitos e obrigações 
destinados a um fim, que é o econômico, o lucro. 
A pessoa jurídica é o “conjunto de pessoas ou de bens que buscam a 
realização de um fim e a quem o direito reconhece aptidão para ser titular de 
direitos e obrigações na ordem civil” (Bertioli, 1999). 
As pessoas jurídicas podem ser divididas de acordo com o direito privado 
e o direito público: as de direito privado são criadas por iniciativa de particulares 
e são supervisionadas pelo Estado, e as de direito público são criadas por leis e 
são submetidas a um controle. 
Ainda no direito público temos interno e externo, sendo que externo são 
as pessoas jurídicas regidas pelo direito internacional. Temos aqui os 
organismos internacionais como ONU, OEA etc. 
No direito público interno, temos a União, os Estados e Distrito Federal, 
os municípios, as autarquias e as entidades de caráter púbico que são criadas 
por lei. 
As pessoas jurídicas que estão classificadas no direito privado são as 
seguintes: 
• Associações: entidades que visam fins culturais científicos, artísticos etc. 
e que não têm fins lucrativos; 
• Fundações: conjunto de bens doados e destinados a finalidades 
religiosas, culturais ou assistenciais; 
• Sociedades: entidades nas quais os sócios se obrigam a contribuir com 
bens e serviços para o exercício de atividade econômica e possuem fins 
lucrativos, partilhando os resultados entre seus membros; 
• Organizações religiosas; 
• Partidos políticos; 
• Empresas de responsabilidade limitada. 
Independente de qual seja a pessoa jurídica, ela tem um papel importante 
na sociedade. 
TRILHA 1 – PRINCÍPIOS DO DIREITO 
 
 
7 
De acordo com Pantoja (2019), os princípios gerais do direito são 
orientações macro ou um guia teórico norteador da política e da prática jurídica. 
São compostos de subjetividade e de conteúdo valorativo de característica 
genérica que vão em direção a uma situação jurídica específica. Essas 
orientações servem para auxiliar na hora de encontrar soluções para a aplicação 
das normas. 
 O princípio do devido processo legal se refere à garantia da legalidade 
das pessoas contra os abusos do poder do Estado (abuso de autoridade), 
liberdade de contratar e realização de negócios jurídicos e apresenta três 
características: vida, liberdade e propriedade. 
O princípio do direito de ação garante a todos o acesso à justiça. No outro 
lado, temos o princípio do contraditório e de ampla defesa, que é o fato de a 
outra parte ter o direito de se defender. 
São diversos os princípios dos vários direitos que temos na nossa 
Constituição como do consumidor, direito ambiental, tributário e empresarial. 
Vamos abordar detalhadamente direito empresarial em outra 
oportunidade. 
TRILHA 2 – EMPRESÁRIO 
De acordo com Teixeira (2019), empresário é aquele que exerce 
profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a 
circulação de bens e de serviços (Brasil, 2002). 
Ele é o elo entre quem tem capital disponível, quem oferece a mão de 
obra e quem busca produtos e serviços, sendo ainda o intermediário entre os 
que oferecem capital e a força de trabalho e o consumidor, que necessita 
satisfazer suas necessidades com os bens e serviços oferecidos. 
O art. 966 do Código Civil de 2002 esclarece: 
Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade 
econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de 
serviços. Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce 
profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda 
com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício 
da profissão constituir elemento de empresa. (Brasil, 2002). 
O empresário pode ser pessoa física ou jurídica, empresário individual ou 
sociedade empresarial. Você sabe qual é a diferença entre empresário e 
empreendedor? 
 
 
8 
O Sebrae nos apresenta essa distinção: empreendedor e empresário têm 
papéis distintos e exigem competências diferentes. 
O empreendedor possui algumas características como iniciativa, 
persistência, planejamento das ações, autoconfiança, liderança etc. Já o 
empresário possui algumas características do empreendedor, porém suas 
competências estão voltadas para a perpetuação dos negócios, optando por 
administrar sem grandes inovações, seguindo a forma como era gerenciado sem 
correr muitos riscos como um empreendedor. Ele gosta de manter a rotina. Já o 
empreendedor gosta de criar, realizar novas ideias, é paixão pura, ao passo que 
o empresário, por sua vez, é profissão. (Sebrae, 2017). 
A atividade produzida pelo empresário é empresarial, pois é exercida 
objetivando lucro. 
ELO 
Você já parou para perceber que vivemos no direito? Todas as coisas que 
fazemos são pautadas pelo direito, por exemplo, segurança, saúde, todas essas 
áreas possuem leis que nos resguardam e garantem a nossa acessibilidade a 
esses serviços. 
Nesta aula, verificamos o que é direito e os tipos de direito público e direito 
privado. Você deve ter verificado que dentro desses direitos temos diversos 
direitos sobre os quais você certamente já deve ter ouvido falar. 
Visualizamos também os três poderes: Legislativo, Executivo e Judiciário, 
que corroboram com a fala inicial sobre vivermos no direito. 
E finalizamos nossa aula falando sobreas pessoas jurídicas no direito e 
o empresário. 
 
 
 
 
 
9 
REFERÊNCIAS 
BETIOLI, A.B. Introdução ao direito. São Paulo: Saraiva, 1999. 
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Diário Oficial da 
União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 5 out. 1988. 
_____. Lei n. 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Diário Oficial da União, Poder 
Legislativo, Brasília, DF, 11 jan. 2002. 
DEMÉTRIO, D. W. Qual a diferença entre empresário e empreendedor? Sebrae, 
13 jun. 2017. Disponível em: . Acesso em: 14 jun. 2020. 
GROSSI, P. El orden jurídico medieval. Madrid: Marcial Pons, 1996 
MELLO, C. A. B. de. Curso de direito administrativo. São Paulo: Malheiros 
Editores, 2011. 
PANTOJA. O. Os três mais importantes princípios gerais do Direito. Aurum, 13 
ago. 2019. Disponível em: . Acesso em: 14 jun. 2020. 
TEIXEIRA, R. Direito empresarial sistematizado: doutrina, jurisprudência e 
prática. São Paulo: Saraiva Educação, 2019. 
 
https://www.aurum.com.br/blog/principios-gerais-do-direito/
https://www.aurum.com.br/blog/principios-gerais-do-direito/

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