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Representação tabular e gráfica de dados estatísticos Apresentação Você já parou para pensar sobre a importância em saber representar e interpretar os diversos tipos de dados existentes por meio de tabelas e gráficos? Os diversos métodos utilizados para apresentar dados estatísticos conseguem organizar os resultados de uma determinada pesquisa de forma clara e concisa. Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai estudar as tabelas de frequência simples e por intervalo, além de conferir exemplos e aplicações das tabelas de contingência. Por fim, você vai compreender como selecionar o tipo mais adequado de gráfico para representar variáveis qualitativas e quantitativas. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Construir tabelas de frequência simples e por intervalo de classe.• Descrever tabelas de contingência.• Identificar o gráfico mais adequado às variáveis em estudo.• Desafio Tabelas de frequência são ferramentas de grande utilidade para reunir, de forma organizada, dados sobre uma determinada variável. Com elas, é possível representar a distribuição dos valores da variável que se deseja analisar e, com isso, identificar o modelo mais adequado de representação visual das informações. Observe a situação a seguir: Para fornecer um feedback transparente e simples para que todos os colaboradores da empresa entendam o resultado da votação, elabore uma tabela de frequência apresentando: cor, frequência absoluta, frequência relativa e frequência relativa percentual de cada cor. Infográfico A estatística tem grande importância na área da TI, pois dá vida e significado aos dados. Para isso, é fundamental organizar as informações por meio de tabelas e gráficos. É por esse motivo que estas são as ferramentas mais usadas para apoiar a análise de dados e, por consequência, a tomada de decisão. Neste Infográfico, você vai aprender um pouco mais sobre as possíveis aplicações dos gráficos e das tabelas dentro da estatística. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/238c625c-27fb-469e-be6b-4f473ac13a66/dd33057e-6a11-47cc-8341-e20b18d0e86f.png Conteúdo do Livro Você sabe as diferenças básicas entre representação tabular e representação gráfica? A representação tabular dos dados estatísticos é feita por meio das linhas e colunas das tabelas. A representação gráfica, por sua vez, permite a análise visual dos dados com o uso de gráficos. Esses métodos têm características diferentes, mas permitem organizar os dados de uma determinada análise de maneira compacta e clara. No capítulo Representação tabular e gráfica de dados estatísticos, base teórica desta Unidade de Aprendizagem, você vai aprender a analisar e construir tabelas de distribuição de frequência, além de entender como selecionar de forma mais assertiva o melhor modelo de gráfico ou tabela para realizar uma análise de dados simples. Ainda, você vai ver as tabelas de contingência, estudando as particularidades existentes na representação de dados qualitativos e quantitativos. Boa leitura. ESTATÍSTICA EM SOLUÇÕES DE TI OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM > Construir tabelas de frequência simples e por intervalo de classe. > Descrever tabelas de contingência. > Identificar o gráfico mais adequado às variáveis em estudo. Introdução Desenvolver um bom conhecimento sobre análise, construção e seleção de repre- sentações tabulares e gráficas pode ser um grande diferencial para quem almeja atuar em tecnologia da informação. A representação tabular dos dados estatísticos é feita por meio de linhas e colunas de tabelas. Já a representação gráfica permite a análise visual dos dados por meio de gráficos. Esses métodos têm características diferentes, mas ambos ajudam a organizar os dados de determinada análise de maneira compacta e clara. Neste capítulo, você vai estudar tabelas e gráficos de dados dos variados veículos de comunicação associados com assuntos do nosso cotidiano. Vai co- nhecer a importância, por exemplo, das tabelas de distribuição de frequência e dos principais tipos de gráficos. Por fim, você vai ver a facilidade e a agilidade que essas ferramentas conferem na visualização das informações, podendo impactar positivamente a tomada de decisões se utilizadas de forma correta. Representação tabular e gráfica de dados estatísticos Jean Carlos Rodrigues Tabelas de distribuição de frequência Saber analisar e construir uma tabela de distribuição de frequências para compreender melhor um fenômeno pode ser um fator decisivo para uma tomada de decisão mais assertiva. Entende-se como frequência (f) de um valor o número de vezes que ele foi verificado nos dados brutos coletados. A distribuição de frequências, comumente, é representada por meio de uma tabela e indica o quantitativo real de observações da variável que está sob análise (SPIEGEL; STEPHENS, 2009). Tratando-se de uma distribuição de frequência absoluta, contabiliza- -se o número de vezes que determinado dado se repetiu. Já o conceito de frequência relativa considera a quantidade de vezes que esse mesmo dado se repetiu, mas em relação ao todo. A frequência relativa também pode ser representada por meio de percentuais. Para demonstrar a diferença entre esses dois importantes conceitos, a seguir será dado um exemplo bastante prático e inerente ao dia a dia das organizações. Uma renomada empresa de tecnologia da informação realizou um processo eleitoral para eleger, entre seus colaboradores, um representante para a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA). Por questões de trans- parência, os dados da votação foram representados na tabela do Quadro 1. Quadro 1. Tabela de frequência absoluta e relativa dos votos da eleição para a CIPA Número de votos por candidato Frequência absoluta de votos Frequência relativa (%) de votos Frequência relativa de votos Candidato A 22 36,67 0,3667 Candidato B 10 16,67 0,1667 Candidato C 8 13,33 0,1333 Candidato D 10 16,67 0,1667 Candidato E 10 16,67 0,1667 Total 60 100 1 Para saber a frequência absoluta de votos por candidato, realizou-se a soma do número de votos obtidos por candidato. A frequência relativa de votos para cada candidato foi obtida, dividindo-se a quantidade total de Representação tabular e gráfica de dados estatísticos2 votos para cada candidato pelo total de votos. Observe que esse exemplo de distribuição tabular aumenta a credibilidade do processo eleitoral, em razão da transparência conferida pela simplicidade da tabela. Frequentemente, vemos diferentes tipos de tabelas e gráficos em jornais, revistas, anúncios e em toda a mídia. Várias dessas tabelas contêm fatores que podem levar a erros de leitura, às vezes de forma intencional. Por isso, é importante adquirir o máximo de conhecimento, tanto para realizar as representações estatísticas de maneira correta quanto para ser capaz de analisar de forma crítica os dados e as informações de fontes externas (BECKER, 2015). Tabelas de distribuição de frequência por intervalo de classe Caso determinada variável apresente grande quantidade de valores, será mais simples representar e analisar os dados agrupando-os em intervalos de classe. É mais viável apresentar as variáveis de comportamento contínuo por meio de intervalos de classe, e as variáveis discretas podem ou não ser agrupadas em intervalos. A título de exemplificação, imagine que tenhamos faixas etárias para analisar um grupo de jovens e que, simultaneamente, verificamos se alguns idosos podem ser adicionados nesse escopo. Define-se como frequência de um intervalo de classe o número de obser- vações verificado em um intervalo predefinido. Dessa forma, caso 20 pessoas de 5 a 9 anos aparecessem nos dados, a frequência para esse intervalo seria de 20. Os pontos de referência para um intervalo de classe são os menores e maiores valoresque determinada variável pode assumir. Então, os intervalos desse exemplo poderiam ser: de 0 a 4 anos, de 5 a 9 anos, de 10 a 14 anos, de 15 a 19 anos, de 20 a 24 anos e 25 anos e mais. Por sua vez, define-se como largura do intervalo de classe a diferença entre o ponto final inferior de um intervalo e o ponto final inferior do próximo intervalo. Caso os intervalos contínuos sejam de 0 a 4, 5 a 9, etc., a largura dos primeiros cinco intervalos será de 5, e o último intervalo será aberto, porque nenhum ponto mais alto é atribuído a ele (LARSON; FARBER, 2016). Para construir uma distribuição de frequência com base em um conjunto de dados, observe as etapas a seguir (LARSON; FARBER, 2016, p. 38). Representação tabular e gráfica de dados estatísticos 3 1. Decida o número de classes para serem incluídas na distribuição de frequência. O número de classes situa-se usualmente entre 5 e 20; caso contrário, pode ser difícil detectar padrões. 2. Encontre a amplitude de classe como a seguir. Determine a amplitude dos dados, divida a amplitude pelo número de classes e arredonde para um número próximo mais conveniente. 3. Encontre os limites de classe. Você pode usar o menor valor dos dados como o limite inferior da primeira classe. Para encontrar os demais limites inferiores, adicione a amplitude de classe ao limite inferior da classe precedente. Então, encontre o limite superior da primeira classe. Lembre-se de que as classes não se sobrepõem. Encontre os limites superiores das classes restantes. 4. Faça uma marca de contagem para cada registro na linha da classe apropriada. 5. Conte as marcas para encontrar a frequência total f para cada classe. Agora, vamos resolver um exemplo passo a passo, construindo uma dis- tribuição de frequência com base em um conjunto de dados. Uma enfermeira pesou 30 alunos do oitavo ano de uma escola. Suas massas (em kg) foram registrados da seguinte forma: 50 52 53 54 55 65 60 70 48 63 74 40 46 59 68 44 47 56 49 58 63 66 68 61 57 58 62 52 56 58 Confira a solução a seguir para construir uma tabela de distribuição de frequência com sete classes. 1. Número de classes igual a 7. 2. Calculando a amplitude de classe. ■ Valor mínimo: 40 ■ Valor máximo: 74 ■ Amplitude: 74 – 40 = 34 3. Divida a amplitude pelo número de classes e arredonde para encontrar a amplitude de classe. ■ Amplitude de classe: 34/7 = 4,86 ■ Amplitude de classe: 5 O valor mínimo trata-se do limite inferior conveniente para a primeira classe. Para encontrar os limites inferiores das seis classes restantes, adicione a amplitude de classe, 5, ao limite inferior de cada classe precedente. Logo, os limites inferiores das demais classes são 40 + 5 = 45, 45 + 5 = 50, e assim Representação tabular e gráfica de dados estatísticos4 por diante. O limite superior da primeira classe é 44, uma unidade a menos do que o limite inferior da segunda classe. Os limites superiores das outras classes são 44 + 5 = 49, 54 + 5 = 59, e assim por diante. Essa regra é válida apenas para variáveis discretas, porque, entre o 44 e o 45, não há dados. Para variáveis contínuas, utilizamos intervalos abertos no limite superior para garantir que todos os dados apareçam. A notação envolvendo intervalos abertos à direita (|—), abertos à esquerda (—|) ou fechados em ambos os lados (|—|) é muito útil quando se quer elaborar tabelas de frequências para variáveis contínuas, pois não permite ambiguidade na ligação dos valores nos intervalos. Note, porém, que é comum encontrar, referindo-se à idade de crianças, por exemplo, a notação 3–4 anos, 5–6 anos, 7–8 anos para indicar 3 a 4 anos, 5 a 6 anos, 7 a 8 anos. A notação é de intervalo aberto, mas a ideia transmitida é a de intervalo fechado em ambas as extremidades! (CALLEGARI- -JACQUES, 2003, p. 22). Faça uma marca de contagem para cada registro de dados na classe apropriada. Por exemplo, os valores 40 e 44 estão na classe 40–44, então faça duas marcas de contagem nessa classe. Continue até que você tenha feito uma marca para cada um dos 30 valores. O número de marcas de contagem para uma classe é a frequência dessa classe, conforme mostra a tabela do Quadro 2. Quadro 2. Tabela de distribuição de frequência por intervalo de classe Intervalo de classe (massa em kg) Marcas Frequência 40–44 II 2 45–49 IIII 4 50–54 IIII 5 55–59 IIII III 8 60–64 IIII 5 65–69 IIII 4 70–74 II 2 Ʃf = 30 Representação tabular e gráfica de dados estatísticos 5 Note que a soma das frequências é igual ao número (tamanho) da amostra e que o intervalo de classe modal é 55–59. Isso significa que a maioria dos alunos pesa entre 55 e 59 quilos. Tabelas de contingência As tabelas de contingência (tabelas de tabulação cruzada, ou de duas vias) são representações tabulares de dados categóricos. Normalmente, apresen- tam frequências para combinações específicas de valores de duas variáveis discretas e aleatórias discretas. Classificam os resultados de uma variável em linhas, e a outra, em colunas. Cada célula que compõe a tabela apresenta uma combinação exclusiva para os valores dessas duas variáveis discretas (BECKER, 2015). Como exemplo, considere determinada amostra contendo 400 consumido- res de cerveja artesanal. Para cada consumidor de cerveja, foram coletadas informações relativas ao gênero (a variável x pode assumir dois valores: “masculino” ou “feminino”) e à categoria favorita de cerveja (a variável Y pode assumir três valores: “leve”, “moderada” ou “escura”). O Quadro 3 mostra um exemplo de tabela de contingência para esses dados. Quadro 3. Tabela de contingência relacionando as variáveis: gênero versus cerveja favorita Gênero Leve Moderada Escura Total Masculino 40 80 100 220 Feminino 100 40 40 180 Total 140 120 140 400 Esse é um exemplo de tabela de contingência de duas dimensões (bidi- mensional), com duas linhas e três colunas. As tabelas de contingência com três dimensões também podem ser usadas. Imagine se, além do gênero e da preferência, incluíssemos a faixa etária. Essa terceira variável discreta poderia assumir uma grande quantidade de valores. Teríamos uma análise de contingência 2×3×4. Representação tabular e gráfica de dados estatísticos6 A análise de tabelas de contingência é um ramo central da análise de dados categóricos e está focada na análise de dados representados como tabelas de contingência. Esse tipo de análise inclui testes de hipóteses e estimativas de parâmetros do modelo, como aplicação de métodos de regressão log-linear para ajustar os modelos log-lineares aos dados (WALPOLE et al., 2009). A análise de tabelas de contingência é amplamente utilizada na pesquisa de marketing e na biomédica, incluindo testes de medicamentos, bem como nas ciências sociais. Agora, imagine uma loja de eletrônicos que quer saber o número de vendas de computador. Podemos verificar, por exemplo, se existe uma relação entre gênero (masculino e feminino) e tipo de computador (Mac e PC). O exemplo da tabela de contingência do Quadro 4 mostra as vendas de computadores em nossa loja fictícia. Especificamente, descrevem-se as frequências de venda por gênero do cliente e o tipo de computador adquirido. Quadro 4. Tabela de contingência de gênero e preferência por tipo de computador Gênero PC Mac Total Masculino 66 40 106 Feminino 30 87 117 Total das colunas 96 127 223 Nessa tabela de contingência, as colunas representam os tipos de computa- dor, e as linhas representam os gêneros. Os valores das células são frequências para cada combinação de gênero e tipo de computador. Os totais estão nas margens. Observe o total geral na margem inferior direita. Rapidamente, é fácil ver como as tabelas bidirecionais organizam seus dados e pintam uma imagem dos resultados. Você pode ver facilmente as frequências de todas as combinações de subconjuntos possíveis, juntamente com os totais para homens, mulheres, PCs e Macs. Por exemplo, 66 homens compraram PCs, e 87 mulheres compraram Macs. Além disso, há 117 mulheres,106 homens, 96 vendas de PC, 127 vendas de Mac e um total geral de 223 observações no estudo. Para outro exemplo, vamos analisar a tabela de contingência do Quadro 5. As duas variáveis categóricas são gênero e preferência de sabor de sorvete. Essa é uma tabela de duas vias (2×3). Cada célula representa o número de vezes que homens e mulheres preferem um sabor de sorvete específico. Representação tabular e gráfica de dados estatísticos 7 Quadro 5. Tabela de contingência de gênero e preferência de sorvete Gênero Chocolate Morango Baunilha Total Feminino 37 17 12 66 Masculino 21 18 32 71 Total 58 35 44 137 Se houver uma relação entre a preferência de sorvete e o gênero, espe- ramos que a distribuição condicional de sabores nas duas linhas de gênero seja diferente. Da tabela de contingência, as mulheres são mais propensas a preferir chocolate (37 versus 21), e os homens preferem baunilha (32 versus 12). Ambos os gêneros têm igual preferência por morango. No geral, a tabela de duas vias sugere que homens e mulheres têm preferências diferentes de sorvete. A coluna total indica que os pesquisadores analisaram 66 mulhe- res e 71 homens. Como temos números aproximadamente iguais, podemos comparar as contagens brutas diretamente. No entanto, quando você tiver grupos desiguais, use porcentagens para compará-los. Gráficos para variáveis qualitativas e quantitativas Para compreender qual é o melhor tipo de gráfico, precisamos saber se a vari- ável estudada é qualitativa ou quantitativa. De forma geral, há mais maneiras de resumir dados quantitativos do que dados qualitativos, porque, como vimos, os dados numéricos podem ser discretos ou contínuos. Nesta seção, você vai ver como criar tabelas e histogramas para cada tipo de dados. Dois outros métodos de resumo para dados quantitativos são gráficos de caule e folhas e gráficos de pontos. São raramente usados, exceto como técnicas preliminares (rápidas e sujas) para entender seus dados (NAVIDI, 2012). Os métodos para resumir dados discretos são semelhantes aos métodos usados para resumir dados qualitativos, pois os dados discretos podem ser colocados em categorias separadas. Os dados quantitativos discretos podem ser apresentados em tabelas de várias maneiras, como os dados qualitativos: por valores listados em uma tabela, por uma tabela de frequência ou por uma tabela de frequência relativa. A única diferença é que, em vez de usar nomes de categorias, usamos os valores discretos tomados pelos dados (NAVIDI, 2012). Representação tabular e gráfica de dados estatísticos8 Gráfico de setor O gráfico de setor também é conhecido como gráfico de pizza, porque tem forma de círculo. Suas seções compõem diferentes valores totais de todo o gráfico. O Quadro 6 mostra uma pesquisa fictícia realizada com 100 pessoas para saber sobre seus animais de estimação favoritos. Quadro 6. Animal de estimação favorito Animal Preferência Cachorro 45 Gato 35 Peixe 15 Coelho 5 Pela tabela, é possível observar que, das 100 pessoas, 45% preferem os cachorros como animais de estimação, 35% preferem gatos, 15% preferem peixes, e 5% preferem coelhos. Para tornar a visualização mais rápida, mas sem grande rigor a respeito da magnitude desses valores, utilizamos o gráfico de pizza (Figura 1). Figura 1. Gráfico de pizza sobre o animal de estimação preferido das pessoas. 45% 5% 15% 35% Analisando esse gráfico, podemos facilmente identificar as proporções entre as preferências, mesmo se os percentuais não estiverem representados. Portanto, quando quisermos representar qualitativamente alguma variável, o gráfico de pizza é uma boa opção. Representação tabular e gráfica de dados estatísticos 9 Gráfico de linha O gráfico de linha mostra uma série por meio de um agrupamento de pontos interconectados por linhas. Utilizam-se as linhas do gráfico como represen- tação de certa quantidade de dados a respeito de alguma variável dentro de um período contínuo (BUSSAB; MORETTIN, 2017). A tabela do Quadro 7 representa os dados coletados sobre a variação da temperatura ambiente na cidade de Gramado em função do horário do dia. Quadro 7. Dados da variação da temperatura em função do horário Horário do dia Temperatura 10:00 4°C 11:30 9°C 13:00 10°C 14:30 10°C 16:00 16°C Uma ótima forma de representar uma variável que evolui com o tempo é o gráfico de linha, pois nele é possível observar a tendência e as oscilações que a variável teve em determinado período (Figura 2). Figura 2. Gráfico de variação da temperatura ambiente com o horário. 9am 10am 11am 12pm 1pm 2pm 3pm 4pm Te m pe ra tu ra e m o C Horário do dia 20 18 16 14 12 10 8 6 4 2 0 Representação tabular e gráfica de dados estatísticos10 Analisando a Figura 2, pode-se facilmente concluir que a temperatura cresce entre das 9 às 16 horas. Também é possível observar os períodos de maior crescimento, estabilidade e queda na temperatura, caso haja. Histograma Os dados quantitativos discretos podem ser apresentados em gráficos de barras da mesma forma que os dados qualitativos. Os valores discretos to- mados pelos dados são rotulados em ordem crescente no eixo horizontal, e um retângulo é desenhado verticalmente para que a altura de cada retângulo corresponda à frequência ou à frequência relativa de cada variável discreta. A principal diferença visual entre um gráfico de barras (dados qualitativos) e um histograma (dados quantitativos) é que não deve haver espaçamento horizontal entre os valores numéricos ao longo do eixo horizontal. Em outras palavras, os retângulos se tocam em um histograma (NAVIDI, 2012). Um exemplo simples é um agrupamento que tem como parâmetro a varia- ção de idades (Figura 3). O histograma representa a distribuição da quantidade de pacientes, por faixa etária, que frequentou uma clínica médica no período da noite em determinado dia. Figura 3. Histograma. 1 15 30 45 60 75 89 anos Idade 9 8 7 6 5 4 3 2 1 0 8 7 6 2 6 1 Representação tabular e gráfica de dados estatísticos 11 Ao total, 30 pacientes compareceram à clínica. O histograma, portanto, permite uma visualização rápida e comparativa da variável analisada. Neste capítulo, vimos como representar dados estatísticos por meio de tabelas e gráficos. Estudamos as tabelas de frequência, que podem ser simples ou por intervalos, e as tabelas de contingência, usadas para múltiplas variáveis categóricas. Além disso, estudamos os tipos de gráficos para representar dados e sua aplicação conforme sua natureza: qualitativa ou quantitativa. Os gráficos do tipo setor, ou pizza, apresentam qualitativamente o tamanho de cada categoria em relação ao todo. Utilizam as frequências relativas da distribuição de frequência para dividir as fatias em diferentes tamanhos. Só podem ser utilizados para exibir dados qualitativos. Já nos gráficos de barras, estas representam a quantidade de dados em cada categoria. Um eixo mostra as categorias de qualidade, e o outro eixo mostra os dados frequências. Os gráficos de linha utilizam linhas para conectar pontos marcados com o valor de cada medição. Permitem uma rápida visualização de como as variáveis se comportam em relação a outras variáveis. Por fim, os histogramas servem para verificar a distribuição de dados num espectro, resumindo-os por meio de barras. Referências BECKER, J. L. Estatística básica: transformando dados em informação. Porto Alegre: Bookman, 2015. (Métodos de Pesquisa). BUSSAB, W. O.; MORETTIN, P. A. Estatística básica. 9. ed. São Paulo: Saraiva, 2017. CALLEGARI-JACQUES, S. M. Bioestatística: princípios e aplicações. Porto Alegre: Artmed, 2003. LARSON, R.; FARBER, B. Estatística aplicada. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2016. NAVIDI, W. Probabilidade e estatística para ciências exatas. Porto Alegre: AMGH, 2012. SPIEGEL, M. R.; STEPHENS, L. J. Estatística. 4. ed. Porto Alegre: Bookman,2009. (Coleção Schaum). WALPOLE, R. E. et al. Probabilidade e estatística para engenharia e ciências. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009. Leitura recomendada MORETTIN, L. G. Estatística básica: probabilidade e inferência: volume único. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2010. Representação tabular e gráfica de dados estatísticos12 Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu funcionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links. Representação tabular e gráfica de dados estatísticos 13 Dica do Professor Gráficos de linhas mostram tendências ou alterações ao longo do tempo, exibindo uma série de pontos de dados conectados por segmentos de linha reta. Nesta Dica do Professor, você vai aprender a construir e analisar gráficos de linhas, entendendo melhor a aplicação dessa importante ferramenta para a visualização de dados. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/e58cee4817ba4a736e1a672afb9ff27c Exercícios 1) O histograma é um gráfico frequentemente usado em matemática e estatística e é útil para medir a frequência com que os valores ou intervalos de valores aparecem em um conjunto de dados. O eixo horizontal normalmente exibe o valor medido, uma variável numérica contínua, como altura, distância ou tempo, ou um valor discreto e contável, como número de itens. O eixo vertical mostra a frequência com que esse valor ou intervalo de valores aparece. Para um histograma baseado em uma distribuição de frequência com intervalos de classe desiguais, a frequência de uma classe deve ser proporcional a: A) altura do retângulo. B) área do retângulo. C) largura do retângulo. D) perímetro do retângulo. E) soma das áreas totais dos retângulos. 2) Os histogramas trazem inúmeras facilidades para visualizar dados e acompanhar os principais indicadores de desempenho, porque são muito claros e simples de ler. Eles são o método preferido de apresentar grandes quantidades de dados de maneira simples e direta. Os histogramas têm características em comum com os gráficos de barras tradicionais, ambos medem a frequência e usam um layout semelhante. No entanto, existem diferenças fundamentais. Marque a alternativa que cita uma diferença entre essas duas representações. A) Ao contrário do histograma, o gráfico de barra mede uma certa informação e não um grupo de dados. B) Os histogramas são melhores se comparados aos gráficos de barras para, por exemplo, o gestor visualizar o desempenho individual de um determinado colaborador. C) Os gráficos de barras são mais adequados do que os histogramas para analisar grandes quantidades de dados e realizar análises estatísticas envolvendo a distribuição de frequências dos intervalos. D) No gráfico de barras, as colunas são posicionadas acima de um rótulo que representa uma variável quantitativa. E) Nos gráficos de barras, o rótulo da coluna pode ser um valor único ou um conjunto de valores. 3) As representações gráficas e tabulares são ferramentas de grande valia para a exposição visual de muitas informações. Além do gráfico de linha, marque a alternativa que contém uma ferramenta adequada para mostrar o crescimento da população nos últimos oito anos. A) Gráfico de pizza. B) Histograma. C) Gráfico de dispersão. D) Diagrama de barras simples. E) Polígono de frequência. 4) Um conjunto de dados numéricos anuais, comparáveis ao longo dos anos, é fornecido para os últimos 12 anos. Considere as seguintes afirmações: I. Os dados são mais bem representados por um gráfico de linha, cada canto (ponto de virada) representa os dados de um ano. II. Esse gráfico retrata a mudança cronológica e permite fazer uma previsão de curto prazo. Assinale a alternativa contendo a(s) afirmação(ões) correta(s). A) I, apenas. B) II, apenas. C) I e II. D) Somente a afirmativa I; além disso, a afirmativa II é justificativa da I. E) Somente a afirmativa I; além disso, a afirmativa II é consequência da I. Os gráficos são fundamentais na organização e estruturação de dados estatísticos, pois com eles a interpretação torna-se mais eficaz. Os gráficos são representações que facilitam a 5) análise de dados, os quais costumam ser dispostos em tabelas quando se realizam pesquisas estatísticas. Entre as alternativas a seguir, qual representa cada barra para um intervalo de dados em específico? A) Polígono de frequência. B) Gráfico de barras. C) Histograma. D) Gráfico de pizza. E) Gráfico de linha. Na prática Gráficos podem mentir? Os gráficos podem mostrar a informação errada ou pouca informação. Eles ainda podem mostrar a quantidade e o tipo correto de informação, mas mentir por conta de rótulos, legendas ou design ruins. Um dos princípios básicos do design diz: se seus números são representados pela dimensão de algum objeto (por exemplo, a barra), a altura ou a largura deve ser proporcional à intensidade da grandeza que esse dado representa. Neste Na Prática, você vai aprender a analisar de forma crítica os dados vindos de gráficos e tabelas. Além disso, vai ter uma visão de como ocorrem os principais erros de leitura. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/3e68019d-d306-4b48-98cb-dce5f0ac8024/9a309d37-caee-4ca4-948a-757e545cbcab.png Saiba mais Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Métodos estatísticos multivariados: uma introdução Esta obra trata-se de uma ótima oportunidade para se aprofundar no estudo da representação gráfica de variáveis, sobretudo de muitas variáveis em duas dimensões. Leia o Capítulo 3, Representação de dados multivariados para saber mais sobre esse tipo de representação. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Estatística básica: transformando dados em informação Confira no Capítulo 6, Distribuições notáveis, uma abordagem bastante prática e didática sobre conceitos introdutórios da estatística aplicada à análise de dados. Esta obra exemplifica o uso dos gráficos de pizza, de barras, histogramas, entre outros e contribui bastante para a consolidação dos conhecimentos adquiridos até aqui. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Probabilidade e estatística para ciências exatas Esta obra é uma excelente opção de leitura por trazer exemplos atuais e focados em apresentar a forte conexão entre ensino, pesquisa e aplicações industriais. No Capítulo 4, Distribuições normalmente usadas, você vai compreender mais sobre famílias-padrão. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!